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Ano: 2010 . nr 09 . Mês: Outubro . Mensal . Director: António Serzedelo . Preço: 0,01 €

www.jornalosul.com

Xeque “Fraco rei faz fraca a forte gente”

era o que nos dizia Camões, em alturas semelhantes às que hoje vivemos. Camões é uma múmia, bafienta e poeirenta, esmagada pelo peso das gerações que lhe sucederam ao longo de já cinco séculos. Queriam que ele se transformasse em símbolo, como forma de perdurar para além da carne putrefacta, mas aqueles que o queriam, já estão também tão mortos que são agora celebrados em centenário (o da implantação da república). Cantados, cantados, em rigor, nem por isso, uma vez que essas comemorações são apenas promovidas pela governança, colhendo total indiferença dos cidadãos. Esses cidadãos que estão entretidos no exercício do impossível - “Será possível passar pela chuva sem me molhar?” - perguntam as famílias portuguesas. Apesar da esperança alimentar sonhos do absurdo, a resposta é clara, “Não!” Não, não é por esse caminho que se constrói a utopia, a nossa utopia, hóstia lusitana de comunhão partilhada entre nós e os egrégios avós. Não, não nos devemos continuar a alienar numa amnésia colectiva

luxuriosamente desejada, doce analgésico social. Não, não porque o egotismo há muito deveria ter sido enquadrado na sua justa medida; hoje todos trajamos em medidas grandes. Não, não porque fugir furiosamente em frente é nunca parar para saber assumir as responsabilidades e viver com elas. É tempo de nos determos, é a altura de olhar para as consequências do que fizemos, ou do que deixámos que fizessem em nosso nome e assumir responsabilidades. É este o tempo de andar à chuva! As múmias da cultura portuguesa demonstram-nos que esta estrada já foi por nós trilhada. Financeiramente a fórmula mágica é cortar nas despesas e aumentar nos ganhos. Aliás, para isso aparecem os tipos de fato luzente, cabelo empastado, títulos académicos ostensivamente pendurados na lapela, quais messias salvadores. O blá é sempre o mesmo, mas é do nosso desespero que lhes advém credibilidade. Fazem parecer que a lógica merceeira seja o objectivo que todos devemos almejar. Contradizem e contradizem a própria base da economia. Por este credo vendilhão continuamos alienados e atemorizados, mansos. A ansiedade

torna-nos surdos e cegos e broncos. Onde fala o Ouro, cala-se a Razão. A verdadeira resposta para os duros, bem duros próximos dois anos que vamos viver, não radica em neo-sebastiães de pacotilha, mas na convicção que cada um de nós tem nas suas capacidades, no uso dessas faculdades em prol de si e em prol da sua comunidade, entendendo e praticando que o indivíduo é apenas uma pequena parte do todo. Quanto mais depressa compreendermos esta realidade elementar, mais depressa recuperaremos a humildade que nos leva a um sentimento de equidade. Daí, a solidariedade é resposta lógica às necessidades. E é solidária e igualitariamente que podemos atingir a tão procurada liberdade. É tempo de abandonar atalhos, os esquemas, num país de esquemáticos anedotizados. Camões e as outras múmias da cultura portuguesa, mesmo mortos e enterrados, não negam nenhum do seu brilho nem força a quem os procura hoje; nós, os vivos, desorientados apresentamo-nos esfarrapados. É tempo de andar à chuva! José Luís Neto


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A Política do Património Português em discussão

“É nos momentos difíceis que se fazem as coisas mais   O Dr. Elísio Summavielle, Secretário de Estado da Cultura, apresenta um sólido percurso técnico. Após concluir a licenciatura em História na Faculdade de Letras de Lisboa, ingressou na docência, por dois anos. Com a criação do Instituto Português de Património Cultural, vai integrar-se nele, primeiro como tarefeiro, depois nos seus quadros, na carreira técnica. Quando Jorge Sampaio ganha as eleições para a Câmara Municipal de Lisboa, em 1990, tendo João Soares como Vereador da Cultura, Summavielle junta-se a Soares para implementar a Divisão de Património Cultural. Após seis anos, com as acções de Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura como prova do saber fazer demonstrável, ingressa como Sub-director da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), vindo, em 2005, a ser nomeado como Presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). É na sua direcção que se dá o processo de fusão do IPPAR, com a DGEMN e com o Instituto Português de Arqueologia (IPA), criando o actual IGESPAR, no âmbito do PRACE. No segundo governo de José Sócrates é então nomeado Secretário de Estado da Cultura, ponto mais alto de uma carreira de serviço público, exclusivamente dedicada ao património cultural português. Conhecedor, controverso, frontal, mas não menos por isso um sedutor, assume as suas posições de forma muito clara, de uma coerência cristalina. Podemos concordar ou discordar, mas há muito que o Ministério da Cultura (MC) e a Política do Património requeriam um modelo de gestão perceptível, com princípios claros que os norteassem. O SUL – Enquanto Presidente do IPPAR foi o rosto da política de fusões do PRACE para o património, reestruturação que foi muito controversa, baseada em critérios economicistas. Acha que o funcionamento das instituições melhorou? Elísio Summavielle – Eu estou em total desacordo com essa visão. Eu formei-me profissionalmente no saudoso IPPC (Instituto Português do Património Cultural), que juntava arquivos, bibliotecas, museus, património cultural e arqueologia. Era como que uma “holding”, digamos assim, que a

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todos reunia. Tinha cerca de 200 funcionários no total... Quando regressei em 2005 ao Ministério da Cultura, encontro um IPPAR com mais de 800 funcionários, vejo a organização patrimonial dividida em várias “mini-estruturas” (museus, arquitectura, arqueologia, etc.), e vejo imperar um pouco a lógica dos “quintais”. Com melhores resultados?!... duvido. Defendo uma gestão partilhada e uma gestão integrada. E os resultados que estamos a alcançar este ano, provam que tinha razão. Ganhámos terreno e marcámos pontos em relação aos

objectivos que delineámos. E também porque, mais importante que as instituições, são as pessoas e as equipas que as compõem, embora também ajude o desenho institucional. Sou por isso favorável, e defendo as fusões possíveis. Numa administração pública “engordurada”, como era o MC, faz sentido que se racionalize, até porque a própria visão do Património mudou muito, face ao século passado. Conseguimos ganhar muito mais para o Património se trabalharmos com a Economia, com o Ordenamento, com o Trabalho, com as Autarquias,

em vez de trabalharmos fechados sobre nós mesmos, em falsa auto-suficiência, no umbigo do MC.

ca impediu que se fizessem também bons investimentos em bons projectos, de que me orgulho.

S – No início de Outubro foram anunciados cortes na despesa do Estado. Onde o serão na Cultura? ES – Exactamente nos mesmos lugares onde serão nos outros sectores do Estado. É necessário ter consciência do esforço colectivo que todos temos de fazer! Não pesamos muito para o Orçamento global, mas pesamos alguma coisa, pelo que, teremos de participar solidariamente no esforço possível e necessário que o Estado tem de fazer, no pressuposto de que partilhar projectos e custos com parceiros que garantam a sua sustentabilidade futura, é poupar recursos para garantir bons investimentos. Devo também acrescentar que o nosso esforço para conter a despesa já era anterior. Quando entrei para o IPPAR, herdei uma dívida de € 3,8 milhões a fornecedores. Quando vim para a Secretaria de Estado essa dívida já estava saldada, pelo que o meu sucessor já teve uma base de orçamento “Zero”. Nunca me calhou, para onde fui, ter acesso ao “reino da abundância”, deve ser sina minha…. Também sou chamado, entre outras coisas, para equilibrar as contas e as finanças. Mas isso nun-

S – Os arqueólogos portugueses são-lhe muito contestatários. Ficou ligado à extinção do IPA, à extinção de centros de investigação especializada, à nomeação de um Subdirector para a arqueologia, que apesar de ser arqueólogo meritório, é figura pouco implicada na discussão dos rumos a seguir. E ainda há o conflito com o Director do Museu Nacional de Arqueologia. Como vê o contributo da arqueologia para a criação da cultura portuguesa e para a preservação da sua identidade? ES – A Arqueologia é muito importante para a cultura e para a identidade portuguesa, desde o tempo de Leite de Vasconcelos. No que se refere aos arqueólogos “contestatários”, olhe que não, olhe que não… como diria o Dr. Cunhal, e deixe-me que lhe diga que o IPA era um instituto algo residual, um mero efeito psicológico de Foz Côa, uma identidade administrativa que não tinha quadros. Tinha mais de 50 avençados e meia dúzia de quadros. As chamadas arqueociências eram dependentes de bolsas da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), como ainda são actualmente. Registe-se


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   interessantes”, diz o Secretário de Estado da Cultura, em entrevista a O SUL que apenas uma clara mino- habituais, as polémicas na coria da corporação profissional municação social, e na política criou algum ruído à volta das parlamentar, absolutamente questões do PRACE. Creio que normais em democracia, e que houve resistências de algumas fazem parte do nosso quotipessoas, poucas no contexto diano. Não vale a pena perdergeral, ao sentirem perder o se muito tempo com isso, haja seu “quintalinho”. No entanto, sim muita paciência. façam-se as contas, e isso é que conta, a arqueologia cres- S – Manuel Maria Carrilho ceu como nunca o antes acon- brindou o estado actual das tecera. Hoje em dia, e com o políticas culturais portuguesas, grosso modo, crescimento como uma “brinexponencial são do tempo cadeira”. É certo de 50% nos que muitas das últimos 5 anos, de Manuel Maria a actividade Carrilho, lindíssimos suas políticas estão actualmente arqueológica centros interpretadesfeitas. Uma m o v i m e n t a tivos, com arquitecdessas heranças hoje dezenas turas de autor, mas foi uma aposta de milhões forte na descende €/ano, en- deixando os sítios, tralização cultuquanto volume os “interpretados”, ral. Que medidas de negócios. o património em si, têm sido tomadas Nada tem que a cair para corrigir as ver com o que assimetrias reera num passado recente. E esse efeito é gionais? também do grau de civilização ES – Bom, estamos a entrar que a Europa atingiu gradual- em dois níveis de intervenção. mente. Da mesma forma que No que respeita ao Doutor já se ganhou uma geração Carrilho, a ideia e a vida do para o ambiente, ainda não MC são hoje bem diferentes se ganhou totalmente para daquelas que procurou imo património, mas para isso por enquanto Ministro: Um caminhamos. A arqueologia, MC auto-suficiente, voltado enquanto actividade econó- para si próprio, com um bom mica, teve um forte impulso livro de cheques, e com o seu dado pela legislação actual, próprio Quadro Comunitário e só ganhou pela integração de Apoio (o célebre “POC”). no IGESPAR. Hoje tem grande Desligado de toda e qualquer empregabilidade, como não realidade transversal da nossa tinha há 10 anos atrás. Quanto sociedade, desligado do que ao resto são só as chicanas se estava a passar nas autar-

LEONARDO DA SILVA

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ACADEMIA PROBLEMÁTICA E OBSCURA a questionar desde 1721 06 de NOV

Jantar BENEFIT PARA DIGRESSÃO À GALIZA DO GRUPO JOÃO DA ILHA.

12 de NOV

Jantar Cultural COM a APRESENTAÇÃO DO LIVRO «OS DONOS DE PORTUGAL», por FERNANDO ROSAS E JORGE COSTA .

sex. às 20:00

sex. às 20:00

19 de NOV

SEX. ÀS 20:00

26 de nov

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JANTAR 10 folias (8 folio divinus)

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JANTAR CULTURAL COM INÊS DE MEDEIROS SOBRE O TEMA ESTATUTO DO ARTISTA vs profissionais do sector cultural JANTAR 10 folias (8 folio divinus)

Palestra sobre o tema De século em século, de festa em festa, até hoje, por regina bronze.

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quias (que, nunca é demais sublinhar, representam 70% do investimento público em Cultura), no quadro de uma conjuntura financeira e económica favorável (1995/2000), criou-se algo que não foi de todo prospectivo, nem provou ser sustentável. O MC tem de estar ligado e preparado para dar resposta a todos os sectores do território e da sociedade. Herdámos uma belíssima rede de bibliotecas, cujo arranque, em boa verdade, se deve a Santana Lopes enquanto Secretário de Estado da Cultura, e depois, já com Carrilho, herdámos uma rede de salas de espectáculos fantástica, que se estende de Bragança ao Algarve, mas que falecem de utilização, ou seja, o défice na produção e na oferta cultural continua a existir. Na área do Património, também são do tempo de Manuel Maria Carrilho, lindíssimos centros interpretativos, com arquitecturas de autor, mas deixando os sítios, os “interpretados”, o património em si, a cair. Acresce que eram centros sem funcionários, e não podemos dizer abandonados porque alguns nunca foram ocupados sequer. Sem meios, criámos gestões partilhadas com as autarquias para assegurar a sua abertura e fruição pública. Enfim, a minha ideia de MC é bem diferente da de M. M. Carrilho, mas o Século XXI também é diferente. Ele tinha a visão de um grande, vaidoso e majestático MC, à francesa, herdeiro das ideias de André Malraux, e do “fashionable” Jacques Lang, mas com uma raiz, ainda que indirecta e ténue, ao tempo das ditaduras europeias, e dos tristemente célebres “Mi-

implementado. Temos de dar tempo, como em Foz Côa, que tem um sistema semelhante. Trata-se de um sítio arqueológico de importância nacional, mas que se encontrava parado desde os anos 80 e esse é um facto. Hoje Tróia está substancialmente diferente, do ponto de vista arqueológico.

nistérios da Propaganda”… S – O Doutor João Pedro Ribeiro afirmou que o modelo público-privado da cidade romana de Tróia é um exemplo de excelência. Todavia, para ser desfrutado, é obrigatória marcação junto da SONAE, que pode recusar se o entender. Qual é a virtude deste modelo? ES – A questão não me parece colocada nos termos mais correctos. A afirmação é do Doutor João Pedro Ribeiro e não sei se está completamente contextualizada, mas vejo mais a vossa questão como uma reclamação, o que, à partida, faz sentido. Agora é

preciso lembrar que desde os anos 80, com os trabalhos do Dr. Cavaleiro Paixão, houve muito, demasiado tempo, sem se fazer trabalho. A arqueóloga – Doutora Inês Vaz Pinto, tem levado a cabo um trabalho permanente, de qualidade, e o projecto de valorização das ruínas está a correr bem, contando na parte final, com um Centro museográfico desenhado pelo Arquitecto Alcino Soutinho, que permitirá depois as visitas com qualidade e regularidade, em que se visa a sua sustentabilidade futura. Neste momento é provável que seja assim, como refere, mas o sistema ainda está a ser

mos de ver, e compreender, que o Ministério do Ambiente gasta milhões todos os anos em contenção das encostas, e a verba nunca chega para as necessidades, como se viu recentemente no Algarve. É uma situação complicada, mas que é necessário prevenir e resolver.

S – A fortaleza de S. Filipe está S – Para quando a abertura ao em claro risco de derrocada. público do Convento de JeQuem e quando se fará a con- sus, encerrado desde 1992? ES – A jóia mais importante tenção da encosta? ES – A fortaleza está classifi- do manuelino em Portugal é cada e tudo o que respeite à o Convento de Jesus. Por isso conservação do monumento nunca consegui pactuar com estatal diz respeito aos ser- uma situação de indiferença, viços deste Ministério e ao muito embora o monumenconcessionário da pousada. to esteja afecto ao museu de A fortaleza, porém, está so- Setúbal. Senti que ao longo de quase 20 bre uma encosanos tinha ta, e aqui temos Se achar que sido abandode enquadrar o problema, pois o “abandonado” é uma n a d o p e l a s instituições MC não tem nem palavra muito forte, responsáveis, virá a ter, técnicos posso dizer-lhe que E, mais grave que saibam como durante 20 anos [o ainda, porque conter encostas. Convento de Jesus] tal aconteceu Aqui entra o Mino dito tempo nistério do Am- não teve qualquer das “vacas gorbiente, que tutela intervenção de condas”, em que a área da nature- servação preventiva tanto dinheiro za (integrada no se gastou, nem Parque Natural sempre da meda Arrábida). A autarquia tem também um lhor forma. Foi para evitar a importante papel de interliga- ruína do monumento que o ção, dada a proximidade. Entra acudimos, e recordo que em também a Direcção Regional 2005, no claustro se andava de Cultura de Lisboa e Vale de barco no Inverno. Iniciádo Tejo, que integra Setúbal. mos uma série de acções de Participei em duas reuniões emergência, cientes da présobre este assunto enquanto existência de um projecto director do ex-IPPAR, sei que “mirífico” de arquitectura, posteriormente houve con- mas que não correspondia tactos inter-ministeriais, mas minimamente à realidade ecoinfelizmente não houve ainda nómica no terreno. Portanto sequência. Trata-se de uma deixámos, assumidamente, a situação semelhante às mu- ficção, e passámos à realidade: ralhas do castelo de Santarém. Tratámos do doente, fizemos Há que fazer primeiramente medicina preventiva, nas feria contenção da encosta. Te- das que tinham de ser tratadas,

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S – Grupos de teatro de Setúbal queixam-se recorrentemente de serem prejudicados nos concursos da Direcção Geral das Artes, pois afirmam que são sempre os mesmos que são apoiados pelo Estado, independentemente do mérito das suas propostas. Que comentário faz a estas afirmações? ES – Eu entendo, eu entendo. A área específica sobre o que me perguntam não me está atribuída, é da competência da Senhora Ministra, mas ela tem a perfeita noção de que isso acontece e tem a perfeita noção da realidade do terreno. Penso ser uma questão que deve ser dirigida a ela. Aquilo que lhe posso dizer é que, nestes tempos difíceis de S – Das suas palavras pode- contenção e poupança, obrimos depreender que o Con- gam-nos a pensar e repensar vento foi deixado ao abando- toda esta arquitectura de apoios, no propositadamente durante na certeza que estamos cientes quase 20 anos. Percebemos da realidade que o país vive neste momento. Temos uma cultubem? ES – Posso-lhe dizer que não ra bem viva no interior, gente a foi cuidado. Se achar que mexer de Norte a Sul do país, “abandonado” é uma palavra e os próprios autarcas falam muito forte, posso dizer-lhe da necessidade destes apoios que durante 20 anos não teve serem equilibradamente distribuídos pelo qualquer interresto do país. venção de conserUma mudança vação preventiva. [A Fortaleza estrutural, que Quanto ao resto a de S. Filipe] é uma pode passar questão deve ser situação complipelas Direccolocada a quem ções Regionais exercia as fun- cada, mas que é ções directivas do necessário prevenir e de Cultura, com mais massa IPPAR, e no MC de resolver crítica, e mais então. A importânpróximas das cia do monumento autarquias e das é tão grande, que justificava uma intervenção e realidades. Pode passar por aí, investimento de recursos nesta mas a Senhora Ministra ainda recuperação, até porque havia a está a estudar a melhor forma, certeza de que a autarquia não e a analisar com profundidade tinha possibilidades técnicas as várias perspectivas possíveis. de a fazer, embora nesta nova O que lhe garanto é que não esfase tenha contribuído, e bem, tamos descansados. com a arqueologia, que ali foi realizada. Leonardo Silva e José Luís Neto e agora, procuramos passar da consolidação à reabilitação. Vamos começar uma empreitada grande que recupere as salas, os acessos e que crie as infra-estruturas, para tornálo utilizável a nível cultural. A seguir caberá ao município fazer a instalação do museu. Há aqui uma partilha de responsabilidades. Nós cuidámos do monumento, mesmo numa altura muito complicada do ponto de vista financeiro, em que lenta mas seguramente vamos fazendo o trabalho. Calculo que, dentro de dois a três anos, o monumento esteja utilizável. Depois disso, a sua gestão será responsabilidade da autarquia.


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Um problema no sapato do PEC III

Logo que ouvi Sócrates sobre os cortes nos salários dos trabalhadores do Estado veio-me à cabeça a pergunta: como pode o Estado alterar unilateralmente a remuneração dos trabalhadores que estão em regime de contrato individual de trabalho, contrato celebrado entre partes juridicamente iguais? De seguida veio um outro membro do governo, senão me engano o Secretário de Estado do Orçamento ou coisa parecida, dizer que os cortes nos vencimentos se englobadas, se o dinheiro que aplicam a todas as empre- daí for retido não vai para os cofres do Misas ou entidades nistério das maioritáriamen(...) qual é o Finanças? Pelo te participadas menos em via pelo Estado. Esta fundamento legal afirmação, para para o Estado decre- directa, não irá. Nem são além de reiterar a tar a baixa unilateelas, ao que primeira, levanta ral das retribuições j u l g o saber, ainda o problema dos seus trabalhacontabilizado âmbito de aplicação: vai atingir dores contratados ao das nos défices do Estado e na toda e qualquer abrigo do regime do dívida soberaempresa ou enti- contrato individual na, nem serão dade, mesmo? Vai de trabalho? chamadas a envolver a CGD e contribuir, a respectivo grupo empresarial, a TAP, a ANA e não ser por via de dividenmais não sei quantas? Qual é a dos, a participar nessa conlógica destas empresas serem tabilidade.

LEONARDO DA SILVA

Lei 59/2008, do contrato individual em funções públicas Artigo 89.º Garantias do trabalhador É proibido à entidade empregadora pública: .... d) Diminuir a remuneração, salvo nos casos previstos na lei; ...

Esperemos então com atenção aos desenvolvimentos dos próximos dias... É porém no plano dos princípios que a minha questão deve ser entendida. Não me passa pela cabeça, por exemplo, defender uma divisão ou absolvição dos que estão em contrato individual em relação às dores deste processo, por comparação com os velhos funcionários públicos nomeados por via administrativa (dos quais de resto sou representante). Alguns saberão que o Estado promoveu nos últimos 10 anos importantes alterações ao comando administrativo

e jurídico de diversas componentes do seu aparelho económico com a criação das Entidades Empresariais e Sociedade Anónimas de capitais públicos. Embora com variado fundamento ideológico e político, essas transformações visaram a desorçamentação de sectores tão importantes como a saúde. Essa transformação foi encetada, com promessas de mais autonomia e negociação laboral, na medida em que o fim do contrato administrativo a favor do contrato individual abriria uma era de negociação colectiva com a passagem dos trabalhado-

res para a tutela da legislação laboral geral ou pelo menos com a adopção de muitas das suas regras. De resto, independentemente do calculismo táctico das forças hegemónicas, existe um debate na esquerda sobre a reforma do Estado onde se valoriza a ideia de uma progressiva desestatização dos comandos sobre o espaço económico a favor de mais autonomia e auto-responsabilização dos seus trabalhadores. Neste sentido, a conquista da contratação colectiva, por exemplo, poderá no futuro ser instrumento para gerar as condições de emergência de uma nova economia. Não obstante este processo, pleno que está de incertezas quanto ao seu desfecho histórico, coloca agora o Estado perante os limites da própria reforma que encetou. A verdade é que não é justificável interferir num contrato de trabalho por via administrativa, por decreto ou despacho, designadamente para proceder a diminuições salariais fora do código laboral e da legislação que o tutela. Como não é aceitável que uma entidade empregadora o faça em qualquer ramo da economia. A minha pergunta portanto é apenas esta: qual é o fundamento legal para o Estado decretar a baixa unilateral das retribuições dos seus trabalhadores contratados ao abrigo do regime do contrato individual de trabalho? Julgo que este problema no sapato do PEC III ainda vai ser objecto de muita polémica. Paulo Fidalgo, Dirigente dos Renovadores Comunistas

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ACTIVISMOS 07 Em inglês chamou-se “Put on your walking shoes and take the next step”, cuja tradução livre para português dá algo como “Tira o pó dos teus sapatos de andar e anda daí”, mais coisa menos cosia. Foi esse o título do intercâmbio de jovens promovido pela Experimentáculo no passado mês de Setembro, em Setúbal, com 36 participantes provenientes de seis países da União Europeia, nomeadamente Espanha, França, Itália, Eslovénia, Noruega e, claro, Portugal. O objectivo? Dar a conhecer o distrito de Setúbal, tanto cultural, como política e socialmente, e discutir formas e ideias para um desenvolvimento sustentável e integrado, especialmente tendo em conta um sem-número de investimentos de grande porte agendados para a região, reais ou Conhecemos a nossa região irreais (olá alta velocidade, olá melhor que ninguém, mas novo aeroporto, olá platafor- acostumamo-nos a vê-la de ma logística do Poceirão….). E, perto. E, por vezes, a nossa já agora, tendo em conta que análise peca por defeito, uma 2010 é o Ano Internacional da vez que não o conseguimos fazer com um afastamento Biodiversidade, claro está. Os jovens permaneceram 8 dias suficiente, tanto físico como em Setúbal, uma semana intei- emocional. Por isso, é semra em que a Experimentáculo pre interessante (e imporpromoveu uma série de oficinas tante, porque não dize-lo) ouvir as opide trabalho e quaniões de quem tro caminhadas de os jovens puestá de fora. longa distância por deram apresentar Assim, conhediferentes locais do cer e observar distrito: a Serra da as suas conclusões Setúbal pelos Arrábida, Tróia, Se- e ideias à comuolhos de tersimbra e a zona do nidade em geral, ceiros foi uma Arco Ribeirinho Sul. numa conferência experiência A ideia foi levar os na Escola Profisextremamente jovens ao terreno, sional de Setúbal valorosa. tentando mostrar Depois de lana diversidade geoçadas algumas gráfica e territorial bases teóricas, os participande Setúbal ao contactarem com tes tiveram possibilidade de ir quatro tecidos bastante espeao terreno. Primeira paragem: cíficos e diferentes entre si: a montanha, a praia, o campo e Serra da Arrábida. A existência da Secil no seio do parque a indústria.

PEDRO SOARES

Calça os teus sapatos e dá o próximo passo

natural foi vista com descon- ar de potencial enorme com as fiança, mas no final acabaram melhores das infra-estruturas por se mostrar compreensivos, acabaram por se mostrar algo louvando o esforço da empresa divididos. Desagradados apeem minimizar o seu impacto nas com o estado lastimável ambiental na serra e na cida- com que encontraram a zona de, tanto na reflorestação da da Caldeira, onde cadáveres do que outrora pedreira como na foram embarredução da emiscações convisão de dioxinas. No conhecer e vem com uma fundo, não deixam observar Setúbal imensidão de de ter razão. Não pelos olhos de lixo no areal. deveríamos estar Falta de limpeza igualmente pre- terceiros foi uma das autoridades ocupados com as experiência extrefábricas que ope- mamente valorosa. competentes, mas também ram junto ao esfalta de bomtuário do Sado e senso e civismo que parecem não ter tanto controle ambiental por parte das pessoas, provavelmente durante as festiviquanto a Secil? A segunda paragem levou-os dades de Tróia em honra da a viajarem de ferry-boat até padroeira dos pescadores. Tróia. Aí houve uma ideia qua- A terceira visita começou se unânime: o projecto turís- com uma caminhada pelo tico parece desproporcionado eixo Mata de Sesimbra, Lagoa para as actuais necessidades de Albufeira, Alfarim e Meco. do mercado. No entanto, como Depois de estranharem mais encontraram uma zona balne- um plano para um empreen-

dimento turístico na mata e se deliciarem a banhos no oceano, uma novidade para muitos deles, os jovens tiveram oportunidade de conhecer a vila de Sesimbra. E aí foram unânimes: uma localidade que conserva a sua especificidade, com grande potencial natural e excelentes condições para um futuro agradável e sustentável. Por fim, última visita ao Arco Ribeirinho Sul, com paragens no ex-estaleiro da Lisnave, na Margueira, na Siderurgia Nacional, no Seixal, e no actual espaço reconvertido da Quimiparque, no Barreiro. Não foi fácil explicar o projecto que requalifica a zona costeira com vista para Lisboa da margem sul do Tejo, marcada pelo estigma industrial, mas tornou-se mais fácil depois de compará-la com a intervenção feita no actual Parque das Nações, que a maioria já conhecia. E, a partir daí, foi vê-los fascinados com a potencialidade dos espaços, imaginando utópicas estruturas de diversão no gigante arco da Lisnave ou visitas guiadas aos submarinos estacionados junto do Arsenal do Alfeite. No último dia, os jovens puderam apresentar as suas conclusões e ideias à comunidade em geral, numa conferência na Escola Profissional de Setúbal que, infelizmente, registou pouca afluência das entidades competentes. A excepção foi a autarquia setubalense, a junta de São Sebastião, em Setúbal, o Instituto Português da Juventude e o jornal Setúbal na Rede. As restantes deixaram os sapatos de andar a apanhar pó no armário. Pedro Soares Experimentáculo

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PERIFERIAS 09 Misteriosas pinturas que se escondem nas paredes das casas dos Centros Históricos Corria o ano de 2005, a poente da praia. Outro, por quando se realizou a interven- exemplo, apresentava um moição arqueológica do edifício nho de maré, com uma quinta sito no cruzamento da Avenida por detrás do mesmo. Com 22 de Dezembro e Avenida 5 estas indicações temos, dos de Outubro, na freguesia de S. vários moinhos de maré, o já Julião. No segundo andar, onde arruinado moinho das Praias actualmente se encontra insta- do Sado, que poderá ter inspilada uma imobiliária, foi des- rado aquela paisagem. Outro coberto um conjunto de pin- ainda, na base, apresentava turas murais. A sala Noroeste, aloés, típico cacto das figuraprecisamente a que faz cruza- ções das paisagens da Pré-Armento entre as duas vias públi- rábida, claramente indicativo cas estava repleta de paisagem de que se tratam de paisagens naturalistas. Tratava-se de um dos arredores de Setúbal. Foi feito o levantamento conjunto de paisagens, com uma palete cromática extre- de repintes, o registo e conmamente contida, onde pre- servação de pinturas murais. dominava o azul conjugado Foram observados através com o ocre, complementado da abertura de “janelas”, reapontualmente com o verde, lizadas mecanicamente com o rosa velho, o castanho e o bisturis de diversas lâminas vermelho. Reporta-se a diver- e finos pincéis. Realizou-se a sas paisagens dos arredores avaliação técnica da sua exede Setúbal, algo idealizadas, cução, de uma forma não desonde imperava o natural sobre trutiva, atendendo à fragilidade o humano, que foi reduzido a das próprias pinturas, com fredimensões mínimas. Foi o caso quentes destaques, que foram de um moinho de vento, bem aproveitados para permitirem a análise estracomo o de um moitigráfica das nho de maré. Flamesmas. Todas Foi feito o grante era a figuelas consistiam ração num des- levantamento de em frescos, ou ses painéis, onde repintes, o registo seja, pinturas os pescadores aí e conservação de feitas num prepresentes foram parado de cal e reduzidos a um pinturas murais. gesso, ligados esquiço de dimensões minúsculas. Aliás, nesse com água, que eram colocapainel, que retratava uma das sobre uma camada de cal praia, pareceu inspirar-se na e areia, ligadas por água, com praia Maria Esguelha (Albar- uma granulometria de maior quel), a partir da famosa rocha dimensão. Ao serem colocadas

nas paredes, tinham de ser trabalhadas ainda húmidas, com os pigmentos naturais misturados com água, o que a torna numa técnica que implica perícia de execução. As paredes que sustentavam as pinturas correspondiam a paredes de tabique (não estruturais) ou de argamassa de areia e cal, com pedras de diversos calibres (estruturais). De um ponto de vista técnico datamos as pinturas de finais do Século XIX, inícios do Século XX. Quanto à autoria parece-nos não restarem dúvidas. Tratava-se de uma obra de Francisco Augusto da Silva Flamengo (1852 – 1915). Sobre

este pintor veja-se o livro de João Francisco Envia – Setubalenses de mérito, Ed. de autor, vol. 1, Setúbal, 2003, entre as páginas 159 e 161. Trata-se de “um pintor sem escola, numa arte espontânea, individual, com uma modéstia muito sua, e sem o alarde de ostentação dos seus trabalhos”. Trabalhou tanto em tela, como em cenografia e murais. Aprendeu com João Elói do Amaral “que o descobriu pelas ruas da cidade, de pé descalço, fazendo desenhos, com pedaços de carvão, nas paredes dos prédios”. A sua obra é vasta e enraizada em Setúbal, sendo autor dos retratos do benfeitores da

Santa Casa local, de vários cenários para revistas, entre outros, tendo igualmente colaborado nas pinturas do Teatro D. Amélia, com João Vaz e João Elói do Amaral. “Nas suas obras, estão incluídos variadíssimos quadros representando aves, peixes, frutos e flores, assim como muitos trechos de Setúbal e arredores, tais como romarias, pastagens, lezírias, figuras típicas, passeantes etc., um todo dos mais variados assuntos que encanta quem os admira”. José Paulo Nobre Conservador-restaurador de pintura mural

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10 ASSOCIATIVISMOS

Prima Folia ON TOUR – Raid JORDÂNIA A Prima Folia vai empreender uma primeira viagem de estudo e descoberta. O destino escolhido foi um ponto nevrálgico, onde se decidem as sortes do sucesso da nossa contemporaneidade e modelo de vida. Ali se cruza Ocidente e Oriente, numa região que é um caldeirão cultural milenar, onde as ideias correm e colidem a alta velocidade. Ali se cruzaram egípcios com mesopotâmicos, romanos com persas, cristãos com maniqueus e mitraicos, gregos com indianos, fim das rotas cameleiras do incenso e início de todas as outras. É ali que residem as nossas esperanças para uma resolução pacífica do problema israelo-palestiniano, ali estará a bolsa de paz para o Iraque e Síria e o aliado contra o extremismo islâmico que ressurge no Egipto pós-Nasser. Trata-se também de um lugar

mítico para Lawrence da Arábia e a morada do Santo Grall de Indiana Jones. Uma vez mais, como várias vezes ao longo dos milénios, é ali que se decide o nosso hoje e amanhã globais. A Jordânia é uma monarquia constitucional, baseada em constituição de 1952. O território que hoje é a Jordânia é parte de uma região historicamente rica. A sua história começa em 2000 a.C., quando os Semitas formaram uma colónia em redor do rio Jordão numa área chamada Canaã. Subsequentes invasores e colonos incluíram egípcios, israelitas, assírios, babilónios, persas, gregos, romanos, muçulmanos árabes, cruzadas cristãs, turcos otomanos e, finalmente, os britânicos. A Jordânia é essencialmente um grande planalto cuja altitude vai decrescendo desde

as serras relativamente baixas da zona ocidental (altitude máxima de 1754 m no monte Ramm, a sudoeste) até ás fronteiras orientais. A parte ocidental é a mais acidentada, não só devido às cadeias montanhosas, mas também à descida abrupta até à depressão que liga o mar Vermelho ao mar Morto e ao rio Jordão. Todo o país é desértico ou semi-desértico, sendo a zona menos árida também aquela onde se aglomera a maior parte da população: a região noroeste, separada da Cisjordânia pelo Jordão. As maiores cidades são Amã e Irbid. O país depende da exploração de fosfatos, carbonato de potássio, do turismo, da comercialização de fertilizante e de outros serviços. Estas são suas fontes principais do salário da moeda corrente dura. Na falta de florestas, reservas

de carvão, energia hidroelétrica e de depósitos de petróleo comercialmente viáveis, a Jordânia aposta no gás natural para suprir internamente pelo menos parte de suas necessidades de energia, importando o petróleo do Iraque. A maior parte dos cerca de 6 milhões de habitantes são de origem árabe. As principais minorias étnicas correspondem à dos arménios e a um reduzido grupo de origem caucasiana. Quase os habitantes são Muçulmanos Sunitas, embora existam pequenas comunidades Xiitas e Cristãs – das quais um terço pertence à Igreja Ortodoxa Grega. A elevada taxa de natalidade (3,6 filhos por mulher) e o ingresso de imigrantes constituem a base do alto crescimento demográfico. As condições climáticas e a disponi-

bilidade de água são os factores que determinam distribuição da população, concentradas nas proximidades do Lago Tiberíades, do Mar Morto e ao longo do Rio Jordão. A todos os interessados em participar nesta viagem, informamos que esta só é possível com 30 participantes e que devem enviar o nome, a morada, telefone fixo, telemóvel, e-mail, n.º de passaporte, n.º do Bilhete de Identidade e do Cartão de Contribuinte para Maria Madalena Fialho, cooperante da Prima Folia responsável deste projecto, com a maior brevidade possível, através dos seguintes contactos (a data limite é 15 de Novembro): Maria Madalena Fialho 917 65 0177/265 553 240 ou madafialho@sapo.pt

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CULTURA AS MARÉS DE TRÓIA (Notas históricas)

A barra do Sado, de Pedro Teixeira (1634), in “El atlas del Rey Planeta: la descripción de España y de las costas y puertos de sus reinos”

Estas linhas foram motivadas pela singular ilustração que acompanha o artigo de A. Monteiro “O Naufrágio da Nuestra Señora del Rosario” (O Sul, n.º 3). No notável documento cartográfico reproduzido (Barra do Sado, de Pedro Teixeira, 1634) regista-se a península de Tróia, figurando-se a capela de N. Senhora, junto à “caldeira”, claramente desenhada. Adentro desta, o singular cartógrafo desenhou e identificou um moinho! Os moinhos de maré. Edifícios de planta rectangular e de volumetria generosa, os moinhos de maré impuseram-se aproveitando a energia produzida pela amplitude das marés. Os primeiros terão sido construídos no Algarve. Os moinhos de maré eram, em geral, pertença do rei, de fidalgos, de instituições religiosas. No Sado está documentada a existência de quatro destes engenhos: o de Tróia, o da Mourisca (ainda conservado), o das Praias e o Moinho Novo. O Moinho de Maré de Tróia.

Em 1541 o moinho estava Situava-se na albufeira natural existente naquela penín- na posse de Tristão Delgado, sula. Lê-se numa carta de cavaleiro da Casa de D. Jorge, sesmaria, de 1502: “… em a e carecia de urgentes reparos. vila de Setúbal perante Luís Em 1575 laboravam “carregade Barros, escudeiro da casa dores do moinho de Tróia”, o do Senhor duque de Coimbra que parece querer indicar que o transporte do (…) compareceu grão e da fariJoão Gonçalves Volver ao nha era feito e Alemoa, sua passado é, neste por via fluvial. mulher, e logo caso, olhar para Depois, aquele por eles foi dito moinho repreao dito almo- uma das formas de senta-se numa xarife que lhe que os nossos avós carta do estupediam que lhe se socorreram para ário do Sado dessem de ses- se proverem do pão (finais do séc. maria uma terra quotidiano, valenXVI). Em 1611 e um esteiro da do-se, também, de pertencia a lagoa de Tróia Miguel Serrão p a r a ( … ) n o uma energia limpa e e a Luísa Dele s t e i r o f a z e r renovável! gada de Aguiar, moinhos de sua mulher. Em moer pão (…) meados de oitoficando a dita centos ainda sesmaria para funcionava logramento do povo da dita vila, segundo como pode confirmar-se sempre foi costume, somente nas Informações paroquiais o logramento da água da de 1758: “…pelo que respeita maré que por ela entra para ao termo desta vila e distrito moendo dos moinhos que hão da minha freguesia há quatro de fazer em cima do cabo da moinhos, a saber: o da Moudita lagoa no esteiro que vai risca, outro o Moinho Novo, outro o moinho das praias, acima dela”.

estes da parte do Norte, e da parte do Sul o moinho de Tróia”. Quando terá sido abandonado e desmantelado, pois dele não restam vestígios físicos? Em 1816, o senhor de Tróia – M. C. de França Arrais Mascarenhas – outorgou arrendar a José de Oliveira Perdigão aquela propriedade, nomeadamente “… todo o terreno a que chamam Hortinha” excepto “o moinho edificado no dito sítio e as propriedades de casas”. Numa posterior escritura, de 1873, o moinho já não é referido. Volver ao passado é, neste caso, olhar para uma das formas de que os nossos avós se socorreram para se proverem do pão quotidiano, valendo-se, também, de uma energia limpa e renovável! Saibamos nós – enleados na dependência das energias fósseis – entender o exemplo que nos apontam aqueles antepassados. Discorrer sobre o moinho de Tróia é ensejo, também, para melhor conhecermos

o passado daqueles areais e para repensarmos o presente daquela bela península, os usos que fazemos e que queremos dela fazer. Nos inícios de quinhentos – quando caravelas e naus portuguesas já sulcavam, com à-vontade, os oceanos do Mundo, ainda há pouco desconhecidos repositórios de insondáveis mistérios – em Tróia de Setúbal construíam-se moinhos que aproveitavam a força das marés. Hoje são outras as marés que se aproveitam em Tróia. Na fruição daquela península – excepcional pelos dotes da Natureza e pelos registos da História – saibamos respeitá-la, do mesmo modo que os nossos antepassados a respeitaram e, se possível for, sem esquecer o princípio expresso na citada carta de sesmaria de 1502, permitindo que ela continue a ser “para logramento do povo da dita vila [Setúbal], segundo sempre foi costume”. Carlos Mouro cmbmouro@gmail.com


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CULTURA

Os negros do Sado

O Negro, 1869, óleo sobre tela, 73,7 x 58,6 cm, João António Correia (1822-1896), Museu de Soares dos Reis , Porto, Portugal

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Os negros de Alcácer do Sal, apesar de muito referidos, efectivamente só no Século XX começaram a ser estudados, mas foi José Leite de Vasconcellos, ainda em Oitocentos, que lançou o repto para esta problemática. De 1895 é o primeiro texto de Leite de Vasconcellos, logo no volume I, n.º 3 do “O Archeologo Portuguez”, intitulado “Uma raça originária da Africa”. Começa assim; “Há muito tinha eu ouvido fallar da existencia de uma raça especial no concelho de Alcacer-do-Sal; mas nada sabia ao certo. Essa raça existe effectivamente e é originaria da Africa. Parece que foi o Marquês de Pombal quem tentou aclimatá-los nos terrenos sazonais do Sado. Como não me ocupo especialmente de Anthropologia, não tomei a respeito d’ella notas circunstanciadas, e deixo o estudo do assumpto aos especialistas. Observei contudo alguns exemplares. São mulatos, e alguns de côr bastante carregada, de cabelo encarapinhado (daí a expressão dos Carapinhas do Sado), nariz platyrrinnico. O foco central d’esta raça é S. Romão do Sado, mas encontram-se exemplares até o Valde-Guiso, Alto Sado (região que abrange Santa Margarida-doSado e S. Mamede) e mesmo na Villa de Alcacer. É curioso verificar modernamente no nosso país esta influência de sangue africano, assim em larga escala.” Seguem-se informações históricas referindo duas influências africanas em Portugal – uma antiga devido à proximidade dos dois continentes, europeu e africano, com as conquistas e incursões de africanos; outra moderna, devida à expansão portuguesa. E termina assim: “Mas se haviam já sido

indicadas, como acabo de dizer, as provas de influencia geral das raças africanas no nosso povo, influência não limitada a esse ou àquelle local, e sim dispersa por todo o país, o exemplo que acabo de citar, de Alcácer-doSal, mostra propriamente uma colónia, embora circunscrita.” Este texto voltou a ser publicado em 1927, no volume II da sua interessantíssima obra “De Terra em Terra”. Antes, porém, em 1920, José Leite de Vasconcellos volta ao tema, no “Boletim de Etnografia” n.º 1, em que acrescenta observações, por si realizadas: prognatismo muito manifesto numa mulher, cor pálida ou morena nuns indivíduos, e fosca ou quase preta noutros e no homem fotografado, amulatado, com as mãos mais brancas na palma que no dorso, cabelo e barba um pouco encarapinhados e nariz largo. Refere ainda que ouviu dizer a vários mulatos que S. Romão era uma ilha de Pretos. E finda deste modo: “Pouco a pouco a raça vai-se diluindo no grosso da população circunvizinha; merecia a pena estudar profundamente o assunto e para ele mais uma vez chamo a atenção dos nossos anthropologos, que aí encontrariam elementos para a solução de vários problemas (cruzamentos, transmissão de caracteres, etc,); esse estudo devia estender-se ao das localidades para onde os Pretos ou Mulatos do Sado têm emigrado. Pena é que não se descobrisse ainda algum documento que nos esclarecesse acerca da data em que na Ribeira do Sado se fixou a raça africana (“raça negra”), cujos descendentes estão diante de nós.” Maria Cristina Neto Historiadora


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CULTURA 13 Às vezes sinto a letargia cultural desta cidade na pele. A letargia, a apatia e a passividade (que que entranha-se-me nos ossos). Sinto-a ao expoente máximo e apetece-me rebentar com um centro comercial. A falta de actividades, ou o facto de sermos habitantes de uma cidade longe da perfeição no que diz respeito a actividades culturais (ou melhor aos espaços que a câmara pode ”ceder” que carecem em quantidade, disponibilidade e qualidade), faz com que alguns de nós sonhem mais alto e que eventualmente ousem tornar esses delírios realidade. Talvez esta seja a vantagem de estarmos numa cidade assim – existe sempre a possibilidade desta se tornar mais bonita e aprazível para se viver (passem o cinismo, vá lá, eu pelo menos estou a tentar). É exactamente isso que acontece, sempre em espaços pequenos, onde a afluência de espectadores é tanta que não nos conseguimos mexer um centímetro, tal é a FOME. Foi o que aconteceu na passada noite de 4 de Outubro no bar MamaRosa com a peça de teatro intitulada “A Rosa ou quem é Cabra”, criada por Ana Lázaro, Rita Cruz e Sílvia Figueiredo. Trata-se de uma produção com uma qualidade e acuidade estética que surpreendem com a sua simplicidade, com um texto que, também ele, demonstra uma maturidade e inteligência próprios de algo maior cuja presença ultrapassou as paredes do espaço, atingiu todos os espectadores, enchendo a sala (ups, o bar…) de sorrisos e uma grande salva de palmas assustadoramente honesta!

FRANCISCO NOÁ

A culpa é das cabras

São alguns dos bares de Setúbal que são as salas de concertos, as galerias de arte e os palcos de teatro da cidade. A qualidade de mui-

tos dos espectáculos que passam por estes espaços nocturnos é avassaladora (para não falar na afluência). Passem o departamento da cul-

tura a estes senhores, ou ofereçam-lhes espaços maiores! Era melhor do que terem feito o túnel do vento… o Zeca Afonso deve estar a dar vol-

tas na campa. Eu, no lugar dele, estaria… Francisco Noá Artista Plástico

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CULTURA

Estrasburgo Há muito tempo que já teria sido justo escrever sobre um espaço que em muito tem ajudado a agitar o actual paradigma cultural nocturno, que ganhou densidade e dimensão com a sua existência – falo-vos do mamaRosa, sito na Travessa dos Galeões, em Setúbal. A vida nocturna está longe de ter de ser apenas um beber decadente até à exaustão e degradação do ser humano, mas pode e deve sim ser um acto criativo e estético enriquecedor, amplamente democrático e inclusivo. Desde a sua criação que o mamaRosa tem assumido sem preconceitos a primazia na promoção e produção cultural em estabelecimentos privados, principalmente a musical, tornando-o em muito mais do que um espaço comercial, um verdadeiro lugar de culto. Ali se realizaram aulas de danças variadas, com docentes reputados, ali se apresentou o novo circo com Enano, reconhecido palhaço activista, ali se divulgaram os problemas de Xiapas – México, por vozes próprias e ali se apresentou, em Setúbal, A Rosa ou quem é a cabra, após a residência na Comuna, em Lisboa. Também seria injusto não referir as várias exposições que têm sido realizadas, estando patente, de momento, a última de Francisco Noá, onde a partir de um conjunto de naturezas mortas, queimadas pelo fogo, esse “Sem título XII (a montanha está na minha garganta)”, Mixed media, 50 x 40cm, Francisco Noá ermo de desolação, consegue o artista reinventar o acto da portugueses e estrangeiros, página de forma, porém, lan- e poetas. Tal permitirá a poscriação da vida, emprestando dos vários cantos da Europa çou-se, a 14 de Outubro, para sibilidade de apresentar proàquelas sombras chamusca- e da África. Dá palco regu- nos acompanhar nestas noites jectos novos, numa casa que das e vazias, formas que lan- lar a bem conhecidos músi- de Estio, sempre às Quintas- conta já com muitos nomes çam sentidos de orientação no cos setubalenses apresentan- feiras, o One Show. Trata-se consagrados no cardápio. do-se regu- de um conceito muito sim- Honra-se assim a audácia e aparente absurdo e larmente ao ples, mas que se espera que a criatividade humana, o génio restituem a espeQualquer pes- seu público venha a ter penetrantes impli- que tanto nos faz falta nestes rança de novo fio de mais fiel, o cações no meio da música em períodos de crise, o golpe de vida que já brota dos soa que tenha presetubalense. Setúbal. Qualquer pessoa que asa. E fazê-lo será certamente cadáveres vegetais. tensões ou talentos em festa, com É evidente que musicais inscreve-se F a l o - v o s tenha pretensões partilha e com d a C l a s s e ou talentos musia música, na trano estabelecimento, Aqui, onde não alegria. Assim d e J a z z cais inscreve-se dição do anterior se louva a arte D a m s o m , no estabeleci- existem editoras Take 5, continua a sendo que naquela ser o forte, mas tor- noite fixa da semana d e M a r c o mento, sendo que discográficas nem os em terra de musas. Alonso Trio, naquela noite fixa nou-se mais eclé- apresentará o seu promotores abunAs mais das a acordeo- da semana apretica, tendo para trabalho no palco. dam, este projecto do vezes louvanista Celina sentará o seu traalém do jazz, a mos os escriPiedade, o balho no palco. mamaRosa é uma fusão, o country, o tores, inclusive reggae, a world music, a ópera João da Ilha, o Quinteto de Não se trata de lufada de ar fresco neste jornal, e experimentalismos vários de Jazz de Setúbal, os Rain Cats, u m e s p a ç o e mesmo este vanguarda. Com regularidade os Zigzagaita e os Logadogue um palco apenas para bandas, mas igual- cronista, mas esquecemos semanal, vem-nos mostrando Swing Project. Todas estas razões, por si, mente para quintetos, quarte- a importância das editoras, artistas reputados que nunca tinham actuado em Setúbal, justificariam destaque em tos, trios, duos, cantaautores pois sem elas nunca os seus

escritos chegariam até nós. O mesmo se passa quando louvamos artistas plásticos e esquecemos as galerias, endeusamos actores e realizadores, mas esquecemos o papel das produtoras. Aqui, onde não existem editoras discográficas nem os promotores abundam, este projecto do mamaRosa é uma lufada de ar fresco, é criativo, original, pertinente, necessário e denota um perspicaz bom gosto. Cumpre-nos desejarlhe longa e intensa vida. Assim fica demonstrado ser o engenho o ingrediente principal hoje, tal como noutros tempos, para se fazer cultura aqui ou em qualquer outro lugar, cumprindo verdadeiro serviço de utilidade pública. José Luís Neto


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CULTURA Um prémio merecido Aaah!, a praia. Deus sabe que eu desisti de frequentar a praia. Há anos. Por razões médicas. A doença, não-estou-para-isso-lopatia, a isso obriga. Sério. Verdade que eu sou o meu próprio médico. Mas, e haverá alguém melhor que eu para saber de mim? Afinal, é tão só da minha saúde que aqui se trata. Porque, convenhamos: a praia é sinónima de excesso. De excesso de calor. De excesso de areia. De excesso de água. De excesso de pessoas. E do excesso de pessoas que me enchem de areia e de água. Praia, minha querida? Lamento. A nossa relação tem limites no sacrifício humano. Especialmente no meu. Ler, então, é um exercício votado à desilusão. Não há descanso ou apoio lombar que ajude. E, perante isto, o que resta? Pouco. Nada. Principalmente porque é do conhecimento geral que a televisão e o respectivo leitor de dvd precisam de uma tomada eléctrica para funcionar. Estou sozinho no sentimento? Não parece. Por estes dias, os habituais visitantes do Portinho da Arrábida sem dúvida que me acompanham na afecção caseira. Porque, de facto, se a coisa anteriormente já só por razões extraordinárias se suportava, aparentemente, agora, não se recomenda de todo. Culpa do lixo, naturalmente, que, pela zona, segundo consta, já se confunde perfeitamente com uma qualquer espécie indígena em incontrolável reprodução; do trânsito – caótico, claro; da areia, que não se encontra; e dos pedregulhos que, tudo indica, desceram a encosta para apreciar igualmente a maravilha de estar a banhos. As acessibilidades, então, parece que estão de morrer. Literalmente. Porque é preciso descer um precipício de 6 metros de altura em ape-

dia para mais tarde o recor- primeiro que a Câmara dar é a única recompensa que nada pode fazer em relação ao assunto; segundo, que a verdadeiramente interessa. Por tudo isto, os utentes e culpa do assunto repousa comerciantes da zona has- por completo no Ministério tearam uma bandeira negra do Ambiente e nos incontáno, calculo que eufemístico, veis organismos públicos que areal da praia. Em luto. Em aparentemente detêm a resprotesto. Afinal, descobriu-se, ponsabilidade sobre a zona. a Arrábida e o Portinho estão Dito assim, não duvido. Mas há quem duvide. A nomeados para um concurso que visa eleger as «7 Mara- Autoridade Regional Hidrovilhas Naturais de Portugal» gráfica (ARH), por exem– um divertimento pateta de plo, um dos organismos que um conjunto de mentes triste ninguém, até à data, pode– e que tem como objectivo ria suspeitar que existisse, já principal «divulgar as bele- veio informar que a culpa, na zas» nacionais, bem como, verdade, é da dra. Dores Meira igualmente, «alertar para a que, no fundo, não apanha o necessidade da sua preser- lixo que adorna a praia porvação». O que, bem a ver, que não quer. Estranhamente, faz sentido: se por um lado ninguém achou de bom tom as belezas que actualmente culpar minimamente os anipor aqui se podem encontrar mais incivilizados, que se pavoneiam pelo já são poucas, local de calções em compensaVerdade que eu de banho, que ção, as necessou o meu próprio decidiram deisidades de xar um rasto de preservação médico. Mas, e haimundice à sua das mesmas verá alguém melhor passagem. Pors ã o m u i t a s . que eu para saber de E, pelos crité- mim? Afinal, é tão só menores, naturios, metade da minha saúde que ralmente. É claro que nada da vitória já aqui se trata. disto espanta. E é ninguém nos claro que nada tira. disto é novo. ApeA dra. Dores sar de conceder Meira, presidente da Câmara Municipal que está pior e de admitir que de Setúbal, aliás, concorda. não venha a ficar melhor. De A excelsa edil, que, aparen- resto, se por uma estranha e temente, desenvolveu uma incompreensível ocorrência, a estranha mas prodigiosa Arrábida e o Portinho não viecapacidade de mergulhar de rem a ser premiados como uma cabeça em todas as aglomera- das «Maravilhas Naturais de ções reivindicativas, desde que Portugal», restar-nos-á com exista uma câmara em redor certeza a consolação apreciável capaz de eternizar o momento, de poder continuar a usufruir interrompeu mesmo as suas de uma costa votada ao comférias para se poder jun- pleto abandono e variado destar ao protesto e fazer saber respeito. Esse sim, um verdaque está disposta a dialogar deiro e justo prémio que todos, com alguém sobre a situa- sem dúvida, aplicadamente se ção. Com quem, a senhora esforçaram por merecer. não sabe propriamente. Nem, realmente, isso a parece preocupar. Porque a senhora tem Tiago Apolinário Baltazar certezas. Duas, pelo menos: Estudante Universitário

nas 50 cm de largo para chegar à base do sítio. Subir uma montanha é desporto radical? Experimentem desce-la

com uma sombrinha às costas, uma geleira numa mão e um par de “anjos” irrequietos na outra, onde sobreviver ao

FICHA TÉCNICA: Propriedade e Editor: Prima Folia - Cooperativa Cultural, CRL Morada: Rua Fran Paxeco nr 178, 2900 Setúbal Telefone: 96 388 31 43 NIF: 508254418 Director: António Serzedelo Subdirectores: José Luís Neto Consultor Especial: Fernando Dacosta e Raul Tavares Conselho Editorial: Catarina Marcelino,Hugo Silva, Leonardo da Silva, Maria Madalena Fialho, Paulo Cardoso Directora de Arte: Rita Oliveira Martins Consultor Artístico: João Raminhos Morada da redacção: Rua Fran Pacheco n.º 176 1.º andar 2900-374 Setúbal E-mail: info@ jornalosul.com Site: http://www.jornalosul.com Registo ERC: 125830 Depósito Legal: 305788/10 Periodicidade: Mensal Tiragem: 10.000 exemplares Impressão: Tipografia Rápida de Setúbal Morada da tipografia: Travessa Gaspar Agostinho, nr 1 - 2º - 2900-389 Setúbal Telefone: 265 539 690 Fax: 265 539 698 E-mail: trapida@bpl.pt


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