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Destaque Pág. 2-3

2012 | n.º 1 | Diretoras: Ana Mota, Filipa Barbosa, Inês Ramos, Raquel Cascarejo

Portugueses e o Desporto: a crise nao é motivo para deixar o ginásio A crise ainda não se fez sentir no ginásio Solmaia e nem o aumento do IVA coíbe as pessoas de continuarem a praticar exercício fisico. Aliás, há quem frequente o ginásio precisamente por causa da crise.

Juventudes Partidárias

Apesar de fazerem parte de juventudes partidárias diferentes, Rute e Tiago lutam por um objetivo em comum: contribuir para uma sociedade democrática, justa e solidária. Pág. 6-7

"Broadway Baby" É com a mirabolante viagem pela história do Teatro Musical americano que a dupla Feist comemora 30 anos de carreira. Pág. 10

João Sarabando O arquieto e escritor fala sobre a sua passagem pelo Ultlramar, a ausência do pai na sua infância e sobre a transição da arquitetura para a escrita. Pág. 15-16

"O humor e a ironia são armas tremendas"

Manuel Jorge Marmelo aborda no seu novo livro o quotidiano citadino de uma perspectiva pouco comum.

Pág. 11


2 | DESTAQUE

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Crise não é motivo para deixar o ginásio A crise ainda não se fez sentir no ginásio Solmaia e nem o aumento do IVA coíbe as pessoas de continuarem a praticar exercício fisico. Aliás, há quem frequente o ginásio precisamente por causa da crise. São 9h30 da manhã de sexta-feira e já se treina no Solmaia Health Club, na cidade da Maia, onde a crise ainda não se fez sentir. O aumento do IVA para 23% nos ginásios foi anunciado em 2011 e, um ano depois, as pessoas continuam a praticar desporto e fazem disso um bem quase essencial. Apesar da crise que o país atravessa, os sócios do ginásio não pensam em deixá-lo porque consideram que o exercício físico é importante. Porém, também não pensam em trocá-lo por atividades ao ar livre, uma vez que, segundo António Cardoso, gerente comercial, “o ginásio tem outro ambiente e estimula mais a prática de atividade física”. Além disso, hoje em dia, frequentar um ginásio já não é considerado um luxo. A maioria dos ginásios compreende as dificuldades e adapta-se à conjuntura atual oferecendo até promoções especiais. Bruno Costa, estudante, que sempre praticou exercício físico ao ar livre, optou pelo ginásio por causa do preço e das promoções para estudantes. “Soube do preço, é uma promoção bastante apetecível pois 30 euros por mês é um bom preço em comparação com a concorrência”

O ginásio tem outro ambiente e estimula mais a prática de exercício”

Vítor Zenha, professor de Cardio-Musculação, afirma que, apesar da crise, os ginásios continuam a ter uma elevada afluência pois “tiveram em conta a atual situação que todos vivem e os preços estão mais acessíveis”. Sendo assim, “atualmente qualquer pessoa pode frequentar um ginásio.” No entanto, Vítor afirma que muitos sócios deixaram de fazer exercício em espaços fechados uma vez que há sempre alternativas mais baratas como jogging e caminhadas ao ar livre. Por outro lado, Tiago Gonçalves, também professor de Cardio-Musculação no Solmaia, diz que, ao contrário do que esperava, “muita gente aderiu devido à crise” visto que há muitas pessoas que “ficam o dia sem fazer nada e a hora em que vão para o ginásio acaba por ser o ponto alto do dia.” Armando Ribeiro, Personal Trainer, já tem “uma carteira de clientes com quem trabalha durante o ano inteiro” e ainda não

teve nenhum aluno que desistisse devido a questões económicas. No entanto, nota realmente que, nos meses de Verão, “as pessoas optam mais por fazer atividade física ao ar livre.” Por outro lado, Nuno Campos, professor de Cardio-Musculação, refere que há ginásios onde já se nota uma queda devido à crise, uma vez que “cada vez mais vemos pessoas a praticar exercício físico na rua, procuram parques para andar de bicicleta e fogem um bocadinho ao trabalho de ginásio.”

Muita gente aderiu ao ginásio devido à crise”


3 | DESTAQUE

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ 2012

"As pessoas têm consciência que o sedentarismo é o pior inimigo da saúde e estão a mexer-se para contornar isso.” Atualmente nota-se cada vez mais uma preocupação acrescida em fazer exercício físico, cuidar da linha e da saúde. Isabel Domingues, enfermeira na Unidade de Saúde Familiar Pirâmides, na Maia, considera que a população está cada vez mais ativa e sensibilizada para a prática de atividades desportivas. Aliás, faz referência ao que acontecia há uns anos atrás, em que as pessoas “chegavam a casa do trabalho, sentavam-se no sofá e o dia acabava ali.” Hoje em dia já não é assim e “as pessoas têm consciência que o sedentarismo é o pior inimigo da saúde e estão a mexer-se para contornar isso.” A maioria dos sócios do Solmaia fazem exercício físico com acompanhamento de professores para obter melhores resultados, dependendo do seu objetivo. Segundo Nuno Campos, os jovens preocupam-se mais com a parte estética e os idosos com a questão da saúde. “Os jovens ganhar massa muscular, a população feminina procura a perda de gordura e a tonificação e as pessoas mais idosas procuram força muscular, diminuição do colesterol, diabetes, tudo isso.” Porém, o professor realça que a maioria das pessoas com excesso de peso procuram reduzi-lo, não por questões de saúde, mas por questões de aparência. Já Vítor Zenha afirma que muitos sócios procuram fazer atividade física por necessidade e por recomendação do médico, salientando assim a preocupação com a saúde. Isabel Domingues reforça a ideia de que as pessoas idosas têm uma maior preocupação com a saúde e que isso se deve, precisamente, à idade. Neste sentido, a enfermeira acha importante o acompanhamento de professores “para verificar se o treino está adequado e se os exercícios estão a ser feitos corretamente” e ainda por médicos, uma vez que é essencial “aliar uma boa dieta e uma alimentação saudável ao desporto.” Segundo Isabel, “só assim é que se obtém bons resultados.”

Benefícios de uma atividade física regular A actividade física e os desportos saudáveis são essenciais para a nossa saúde e bem-estar. Atualmente, há cada vez mais pessoas a procurar mudar os seus hábitos de vida. O desporto apresenta inúmeras vantagens, entre elas: reduz o risco de morte por doenças cardíacas ou AVC, que são responsáveis por 30% de todas as causas de morte; ajuda a prevenir e a reduzir a hipertensão, que afecta 20% da população adulta mundial. Para além disso, permite controlar o peso, diminuindo assim o risco de obesidade; tem um papel importante na prevenção da osteoporose pois permite um controlo e manutenção dos ossos e articulações. Para além de todas as vantagens físicas, é importante destacar a promoção do bem-estar psicológico pois o exercício reduz o stress, a ansiedade e a depressão.

Atingir os objetivos é o motivo principal para os sócios do ginásio Solmaia continuarem a fazer exercício. Aliás, segundo Tiago Gonçalves, “se as pessoas não vêm resultados, por norma há desistências.” Assim sendo, conseguir os objetivos a que se propõem é importante para os sócios, para os professores e para o próprio ginásio. Os professores que acompanham os utentes do ginásio fazem avaliações físicas constantes para mostrar às pessoas se estão ou não a evoluir, porque, segundo Nuno Campos, “o resultado é o que dá motivação à pessoa para continuar.” Armando Ribeiro salienta que a principal motivação dos seus alunos é atingirem os objetivos a que se propõem e, quando isso não acontece, muitos acabam por desistir. No entanto, não é só a atividade física que ajuda na obtenção de resultados. Contudo, para além de praticar exercício regularmente, é preciso ter uma alimentação cuidada e saudável. E estes hábitos não são só importantes para a silhueta. Fazer exercício físico, ter uma alimentação saudável e dormir oito horas por dia é essencial para uma boa qualidade de vida e para manter o corpo e a mente sãos.


4 | DESPORTO

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Vitor Baía defende tecnologia na linha de golo

Helton não defronta Sporting de Braga

Tal como aconteceu na eliminatória anterior, Vítor Pereira volta a dar descanso ao habitual titular da baliza portista.

O antigo guarda-redes do FCP defendeu o uso de tecnologias durante os jogos de futebol, em cima das linhas de golo, para facilitar o trabalho dos árbitros. "Nunca ficamos satisfeitos por ver que ganhamos quando o árbitro errou, ou quando a bola não entrou.

Como jogador, acho que é de grande importância, porque a sensação, quando somos prejudicados, particularmente em grandes competições, é tremenda", afirmou Baía. O ex jogador participou no debate "Será que a tecnologia da linha do golo irá melhorar o futebol?", com do Christoph Schmidt, chefe de gabinete da secretaria-geral da FIFA e do representante geral da Federação Inglesa, Alex Horne. Baía defendeu a adoção do sistema de monitorização da linha do golo nas balizas e defende que esta ferramenta pode ser também utilizada para clarificar outras situações em lances que possam ser alvo de um penalti.

A ausência do guarda-redes Helton é a principal novidade da convocatória do FC Porto com vista ao jogo de sexta-feira no terreno do Sporting de Braga, um jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Tal como aconteceu na eliminatória anterior, frente ao Nacional da Madeira (vitória por 3-0), o guardião brasileiro deverá ser substituído na baliza pelo seu compatriota Fabiano, entrando para a lista de eleitos de Vítor Pereira o angolano Kadú. Quem continua de fora das contas de Vítor Pereira é o central Maicon, o único ausente do ensaio matinal desta quinta-feira, onde Emídio Rafael fez trabalho integrado condicionado. O Sporting de Braga-FC Porto disputa-se sexta-feira (20h15), com a arbitragem do leiriense Olegário Benquerença.

"Os clubes de voleibol nao vivem, sobrevivem em Portugal" Nelson Neves, ex-director da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV) e antigo vice-presidente do clube Ala Nun’Alvares de Gondomar, em entrevista exclusiva ao Preto no Branco, comenta o atual estado do voleibol português. O também distinguido pelo prémio Osório, admite ser fã da treinadora cubana Gilda Harris que liderou a seleção nacional de júniores femininos e que viu muitos dos seus métodos contestados no panorama português. Nelson Neves contraria esta polémica e afirma que “poucos treinadores em Portugal conseguem combater a qualidade da Gilda” e acrescenta que esta representa uma “lufada de ar fresco par o voleibol nacional”. Quando confrontado com a pergunta “do que é que é feito um campeão neste desporto”, Nelson Neves, não hesita: “abnegação e sacrifício”. Nelson Neves fala-nos ainda do futuro na formação do voleibol em Portugal e partilha um pouco da sua vasta experiência que conta com 35 anos dedicados a esta modalidade.

Ronaldo nomeado para melhor desportista Cristiano Ronaldo está novamente na lista para o prémio Laureurs 2012, na categoria de melhor desportista. Além do jogador português destacam-se: Lionel Messi (futebol), Sebastian Vettel (Fórmula 1), Usain Bolt e Mo Farah (atletismo), Michael Phelps (natação) e Bradley Wiggins (ciclismo). Os resultados serão anunciados dia 13 de Março do próximo ano, no Rio de Janeiro, Brasil.

Óquei de Barcelos nos oitavos de final O Óquei de Barcelos apurou-se para os oitavos de final da Taça CERS, apesar de ter perdido com o Uttigen por 5-4. O Óquei de Barcelos vai defrontar os italianos do Forte dei Marmi. A primeira mão tem lugar a 15 de dezembro e a segunda já em 2013, a 19 de janeiro.


5 | DESPORTO

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Psicologia e desporto, duas filosofias complementares Estudante de Psicologia na Universidade Portucalense e colaborador na revista "Futebolista", Tiago Nogueira está agora a dar os seus primeiros passos no mundo do desporto enquanto mister. Tiago mostra-nos a sua faceta de treinador de futebol de 7 do escalão dos "Benjamins" do Padroense Futebol Clube e confessa-nos as vantagens em conciliar as duas principais áreas da sua vida profissional. Como e quando surgiu o seu interesse pelo futebol? Surgiu quase desde o meu nascimento. Sempre que eu saía com o meu avô, ele mostrava a toda a gente o que sabia fazer quando tinha quatro ou cinco anos… com aqueles cromos de futebol, mostrava-me metade da cabeça dos jogadores e eu sabia o nome de todos. Aí despoletou uma série de emoções em relação ao futebol, já desde pequeno, que agora se traduzem em algo mais sério. Sabemos que está no curso de psicologia. Num futuro a longo-prazo, vai conseguir conciliar estas duas áreas, ou seja, ter alguma profissão em que possa aplicar os seus conhecimentos nas duas vertentes (psicologia e futebol)? É mesmo esse o meu objetivo. Estou a tirar psicologia porque acho que está tudo interligado.. Um treinador tem de gerir – no caso dos seniores – mais de vinte seres humanos diferentes, com cabeças e mentalidades diferentes. É preciso saber motivá-los de várias formas, entender problemas fora e dentro do campo de formas diferentes... Eu tenho uma cadeira que é Psicologia da Motivação e ainda Psicologia das Emoções e acho que isso se pode transplantar mesmo para o terreno e para estar a gerir os meus jogadores.

Agora quanto ao futebol de formação nacional, como nós temos vindo a ver nas nossas selecções jovens, os resultados são cada vez mais negativos e isso tem uma explicação simples: cada vez se aposta mais em ir buscar jovens jogadores ao estrangeiro em vez de apostar em grandes jogadores portugueses que são esquecidos e que muitas vezes podiam dar mais potencialidades às equipas. Acha que os Benjamins, o escalão que treina, têm mais potencial ou são mais fáceis de moldar em termos de mentalidades em relação aos atletas mais velhos, de outros escalões e mais avançados? Tem prós e contras. Treinar miúdos sub10 é uma exigência tremenda. Tem de haver duas envolvências – a profissional e a amiga, o que é difícil pois com estes jogadores não dá para deixar bem clara essa diferença. Se der um bocado mais de confiança se calhar não terei os resultados que espero enquanto numa outra fase, os jogadores entre 13 e 15 anos já conseguem entender isso de uma forma mais fácil e já sabem que, quando entram no terreno de jogo, é para estar concentrados e é para trabalhar porque isto é uma anarquia, aqui é um futebol anárquico. Isto tem tanto de desgastante como de apaixonante porque mexer com a cabeça de miúdos desta idade não é assim tão fácil porque há muita coisa que eles não ouvem e só se tiveres aquele toque para chegar lá, para chegar aos miúdos, é que consegues que eles te ouçam, e façam o pretendido. Para os iniciados ou juvenis ou juniores é mais fácil nesse aspeto mas claro que terá outras desvantagens que eu neste momento não tenho.

Um grande treinador tem que ser várias coisas, entre elas um psicólogo”

O Preto no Branco sabe que escreve para a revista Futebolista. Como é que surgiu essa oportunidade? Quando tinha 17 anos comecei a escrever umas coisas para o diretor da revista, o Nuno Francisco – não era nada muito sério – ia escrevendo uns textos e ele começou a gostar do meu trabalho até que em dezembro de 2010 fez-me o convite formal e perguntou se eu queria começar a escrever mensalmente para a revista. Agora sou responsável por uma rúbrica de duas páginas e talvez tenha um papel mais ativo no próximo ano, ajudando noutro tipo de artigos porque a revista é grande e até conceituada no nosso país. Por falar em país, na sua opinião qual vai ser o panorama do futebol de formação em Portugal nos próximos anos? Espero sinceramente que o panorama seja óptimo mas para o que eu tenho visto, não posso ter grandes esperanças. Estou num clube em que se trabalha bem, principalmente na área da formação, estamos rodeados de pessoas profissionais e competentes e dentro desta realidade eu espero que o futebol de formação dê cartas quando surgir o passo para seniores.

Ainda em relação ao seu curso, Psicologia, dado que já desde pequeno é ligado ao futebol, porquê psicologia e não desporto? Eu acho que como está o nosso mercado de trabalho, temos que ter várias alternativas e estar em várias “frentes”. O meu mestrado depois pode ou não ter que ver com a área do desporto mas a psicologia, para mim, é muito importante porque um treino é muito mais do que perceber de futebol – tem claro a sua parte de conhecimento futebolístico mas é muito mais do que isso. Um grande treinador tem que ser várias coisas, entre elas um psicólogo e foi também com esse intuito que eu escolhi psicologia. Não escolhi o curso de desporto porque me estaria quase a restringir a essa área e então quis abrir mais o meu horizonte e foi por isso que escolhi psicologia.


6 | POLíTICA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Duas ideologias, um objetivo Rute Azevedo e Tiago Aboim fazem parte de juventudes partidárias diferentes mas com o mesmo objetivo: contribuir para uma sociedade mais democrática, justa e solidária. Apesar dos tempos difíceis que o país atravessa, Rute e Tiago aconselham os jovens a sonhar e a acreditar no futuro, a lutar pelos valores que defendem e a não deixar cair a democracia por que tanto lutámos. Nesta altura de crise e de grande descrédito no governo, como é que conseguem cativar os jovens para as juventude? Rute: Sendo uma altura de crise, não só económica mas também a aproximação de uma crise política, acho que os jovens, apesar de não estarem a acreditar tanto na política, começam a perceber que têm que dar mais importância a essa parte da sociedade. É ainda mais necessário que, numa altura como esta, os jovens tenham interesse pela política. E é por aí que nós tentamos pegar, é por aí que nós tentamos puxá-los para nós. Tentamos dizer-lhes que, como veem, o país está assim, e que só nós é que podemos fazer alguma coisa, nós que somos jovens e nós que, futuramente, seremos os adultos de Portugal. Esse é o principal argumento que usamos. Também tentamos dizer-lhes que é preciso ter espírito crítico, ter a nossa própria opinião, é preciso perceber aquilo que se passa na sociedade porque a política não é só o que o governo faz. A política é feita por todos os cidadãos e é isso que nós tentamos explicar aos jovens que às vezes não têm muito bem noção disso. A política, para muitas pessoas, resumese ao governo e a política não é o governo, são todos os portugueses.

conseguido a extinção do serviço militar obrigatório em 2004, ainda quando o Dr. Paulo Portas era Ministro da Defesa, assim como, em 2007, conseguimos uma grande vitória com o fim da penalização da IVG e, em 2010, acabamos com a vergonha que é a proibição do casamento de pessoas do mesmo sexo. Portanto, a juventude socialista está ao lado dos jovens, está ao lado de uma sociedade mais Tiago: A Juventude Socialista é uma organização partidária que está inclusiva, mais defensora dos direitos e dos cidadãos portugueses. preocupada com as causas sociais, políticas e económicas que o país atravessa, sobretudo com os jovens entre os 15 e os 30 anos. Neste momento, estamos espalhados pelo país inteiro, temos federações distritais nos Porque é que surgiu a necessidade de criar uma Juventude 18 distritos e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Existe Comunista e Socialista? também uma entidade autónoma da Juventude Socialista que está relacionada com o ensino superior e com o ensino básico e secundário. Rute: A JCP já surgiu há muito tempo, ainda na altura do fascismo. Não Sabemos muito bem que os jovens estão descrentes na política mas se compara ao que estamos a viver agora obviamente mas era também podem encontrar na JS uma estrutura juvenil-partidária que assenta na um tempo de crise e descrédito na politica. As coisas não estavam valorização da sua participação nos ideais de esquerda e na promoção bem e as pessoas sabiam disso e então tentou ver-se aquilo que se da igualdade, da solidariedade e da fraternidade entre pessoas. podia fazer… eu acho que a JCP surgiu por aí, pela necessidade de se fazer alguma coisa pelo povo. Temos que olhar pelos direitos de todos e devemos ser menos egoístas. É por aí que passa a estratégia de Acho que foi por aí que se criou a JCP. “recrutamento” para a juventude? Rute: Sim. Especificamente na Tiago: A Juventude Socialista é Juventude Comunista aquilo que uma estrutura juvenil do Partido nós fazemos é organizarmo-nos Socialista. Nós temos ideias que por coletivos, cada escola ou cada eram vistas há bem pouco tempo faculdade tem um coletivo de jovens como ideias fraturantes, basta ver a comunistas que tentam alertar questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo que o Partido para aquilo que está mal e para aquilo que a juventude Comunista Socialista considerava uma questão fraturante mas que, na realidade, se propõe a fazer. O nosso recrutamento passa também pela nossa era estruturante, porque permitimos que uma sociedade conservadora página online onde as pessoas se podem inscrever, pessoas que como a nossa, conseguisse a vitória da igualdade. A Juventude Socialista tenham curiosidade, como foi o meu caso. Mas nós pensamos mais no apoia-se nesses fatores estruturantes na defesa dos jovens portugueses. contacto pessoal em que pessoas que já estão na Juventude Comunista Este é o desafio do século XXI, estar próximo dos jovens porque isso é tentam encontrar outras pessoas que tenham vontade de estar. crucial perante a descrença no governo. A Juventude Socialista conhece as dificuldades que o nosso país atravessa e sobretudo os jovens e Tiago: Acreditamos no valor do socialismo democrático, acreditamos nós não temos que ter um papel de conforto, mas temos que ter um que todos têm igualdade de oportunidades e acreditamos que os papel ativo, temos que dar voz a quem não tem voz. E a crise é uma jovens devem ver a nossa estrutura como algo que pode ser uma oportunidade para os jovens, não como o Primeiro-Ministro disse, verdadeira alavanca na resolução dos seus problemas. Eu estou certo mas no sentido em que o futuro do país é por nós construído. Não que as ideias que nós transmitimos à sociedade e muitas das coisas podemos ter aquele discurso de descrença e dizer que o futuro é péssimo, que foram conquistadas para a juventude têm, em parte, a ação e temos que lutar pelo futuro, agarrar no futuro e confiar no futuro. determinação da juventude socialista. Um exemplo disso é termos

“A política é feita por todos os cidadãos e é isso que nós tentamos explicar aos jovens”


7 | POLíTICA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Este é o grande desafio que uma juventude partidária tem pela frente, quer a Juventude Socialista ou outra, a JS não é melhor que A, B ou C. Somos todos importantes e estamos numa sociedade em que precisamos de todos e em que temos que estar todos com sentido crítico na defesa de Portugal.

Quais são os principais problemas sobre os quais a Juventude Comunista e Socialista se debruçam? Rute: Isso depende muito da área da Juventude de que se está a falar. A JCP vai desde os jovens que estão no básico até ao ensino superior… até estarem na Juventude e depois passaram para o Partido ou não. Na minha opinião aquilo que se tenta fazer, por exemplo, nas escolas é olhar como se elas fossem o nosso pais e ver os problemas que existem e ver o que podemos fazer para os resolver. E, no futuro, esses jovens vão estar mais alerta para os problemas do país. Nas escolas há um coletivo de jovens comunistas que discute os principais problemas da escola e os direitos dos alunos que não estão a ser cumpridos. E é por aí que se tenta trabalhar. Por exemplo, na minha escola secundária, houve uma altura em que não haviam aquecedores dentro das salas de aula. Queríamos estudar mas não conseguíamos porque tínhamos frio. Alertamos a direcçao mas não nos ouviu. Fizemos um protesto, viemos todos com mantas para a escola e no dia seguinte já havia aquecedores nas salas. São esses pequenos problemas que tentamos resolver. O nosso diretor achava que, os alunos, enquanto não estivessem em período de aulas, não tínhamos direito a aceder a biblioteca. Nos tentamos que os nossos direitos fossem respeitados. Os direitos já foram todos conquistados, principalmente no 25 de Abril. A JCP tenta com que os direitos já conquistados e a Constituição sejam cumpridos.

Os jovens devem ter esperança no futuro? Rute: Nós somos o povo, nós somos a maioria, somos os portugueses e temos o direito de ter um país que nos respeita. Por isso acho que os jovens têm que ter esperança no futuro. Não só devem como têm que ter porque senão Portugal não tem um futuro. Tiago: Claramente. Porque o futuro somos nós que os construímos. Aliás, somos nós que estamos a construí-lo. Não tem a ver com aquela ideia de que nós somos bens de exportadores como este governo nos considera, nós não somos bens transacionáveis para a União Europeia. O nosso futuro é aqui. Portanto, cabe-nos a nós, a geração mais qualificada de sempre, acreditar no projeto de esperança que é o nosso país. E isto não se aplica apenas aos jovens que fazem parte das juventudes partidárias, porque somos todos importantes para a construção do processo democrático. A nossa democracia tem 38 anos e parece que não renova. Muitas pessoas dizem-me que estamos na política por tachos, mas isso não é verdade. Nós estamos na política por amor a Portugal. Isto parece um discurso dos anos 60, mas nós temos que ter sentido cívico e pró-ativo porque estamos inseridos numa comunidade. E nesta altura temos que estar unidos, não no desmantelamento do estado social porque isso só vai agravar o estado dos jovens. Somos contra isso e contra os ataques que têm sido dirigidos aos jovens e à sociedade em geral.

“Temos que ter um papel ativo, temos que dar voz a quem não tem voz”

Tiago: A Juventude Socialista é um núcleo que faz parte da concelhia de Matosinhos e está inserida na Federação Distrital do Porto da Juventude Socialista. Como núcleo que somos, a nossa principal preocupação desde há um ano para cá, desde a “reforma Relvas” está relacionada com a questão de autonomia da freguesia. Queremos saber se vamos ou não ser freguesia porque esse é o nosso principal combate: manter a nossa freguesia no concelho de Matosinhos. Consideramos ser inaceitável esta reforma que querem fazer porque o poder local é claramente o melhor instrumento de proximidade entre cidadãos e eleitos. Este é o primeiro grande desafio que nos apareceu no ano passado. O segundo aspeto é estarmos próximos dos jovens. Leça da Palmeira é uma freguesia muito jovem, mas preocupa-se também com a comunidade. Como tal, a Juventude Socialista teve três iniciativas de muito valor no último ano. Em primeiro lugar, fizemos uma tomada de posição relativamente à extinção do 507, foi a primeira estrutura de núcleo que conseguiu ter visibilidade no Destak e no Jornal de Notícias. Foi apenas um press-release mas teve um impacto muito significativo. Em segundo lugar, realizamos o dia da saúde na Associação da Terceira Idade de Leça da Palmeira (ATI), porque nós entendemos que os idosos são um fator crucial na relação com a sociedade e com a freguesia. Nós promovemos um diálogo inter-geracional e foi um dia fantástico. Por último, realizamos no passado mês de Junho um torneio de futsal aberto à comunidade, jovens e não-jovens, que funcionou como um fator inclusivo. Portanto, para além de sermos uma estrutura partidária vocacionada para os jovens entre os 15 e os 30 anos, a Juventude Socialista de Leça da Palmeira é uma estrutura voltada para a comunidade, o que é muito importante nos tempos que correm.

Rute Azevedo, 20 anos, estudante no 3.º ano de Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Tiago Aboím, 23 anos, licenciado em História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto


8 | POLíTICA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

História e Política, duas vertentes interligadas Tiago Aboim é um jovem que quer ser professor, mas sonha um dia chegar a primeiro-ministro. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, optou pelo curso por gosto pessoal, mas principalmente por não existir Ciência Política nas universidades públicas do Norte. Tiago Aboim tem 23 anos e está agora a frequentar o Mestrado em Ensino de História e Geografia no básico e secundário. O gosto pela política, que para ele está associado ao gosto pela história, começou muito cedo, aos 8/9 anos, por mote próprio, uma vez que não tem nenhum familiar na política. Nessa altura o acesso à Internet não era tão facilitado como hoje, por isso lia enciclopédias e já decorava factos históricos com tão tenra idade. “A primeira coisa que eu decorei foram as quinze repúblicas da União Soviética. Depois decorei os presidentes dos Estados Unidos desde 1929 até 1999.” Uma vez que não existem cursos de Ciência Política nas universidades públicas do Norte, Tiago optou pelo curso de História porque isso lhe permite “compreender melhor o que se passou no passado, para poder evitar os erros no futuro”. E apesar do gosto pela política falar mais alto, a prioridade do estudante de História é ser professor. Para Tiago, hoje em dia o estudante é visto apenas como um número, algo que conta para a estatística, e é isso que ele quer mudar. Licenciado em História mas com uma costela claramente política, o estudante da FLUP defende que os alunos também são cidadãos e é assim que devem ser tratados. Quanto às ambições políticas, Tiago é perentório: todos os jovens têm sonhos e é essencial deixá-los sonhar. O sonho do licenciado em História é chegar a primeiro-ministro. Porém, quando questionado sobre isso, a modéstia de Tiago é diferente da que estamos habituados na esfera política. “Claro que gostaria de ser primeiro-ministro, mas se eu nunca passar por essa ou outra função, estou certo que alguém o irá fazer por mim. E espero que essas pessoas, quando estiverem lá, se lembrem que também foram jovens.”

SIC multada por descriminar candidatos às autárquicas de Matosinhos O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu multar a SIC por ter descriminado três dos seis candidatos à Câmara de Matosinhos na cobertura das últimas eleições autárquicas, mantendo assim a multa de quase mil euros aplicada pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) à estação privada de televisão.

Portugal e EUA em contacto sobre minimização de impacto da saída da base Os governos de Portugal e dos Estados Unidos estão a negociar medidas de minimização do impacto da retirada da Força Aérea norte-americana da Base das Lajes, Açores. A forte redução da presença militar norte-americana nas Lajes, comunicada pelo Departamento de Defesa norte-americano ao governo português na semana passada, é "basicamente definitiva", mas ainda há "sérias discussões sobre o processo" que estão em curso, disse à Lusa o major Robert Firman. Segundo Firman, nos próximos dias o governo português deverá fazer um anúncio formal do resultado do processo negocial, que foi lançado no início deste ano durante uma visita do ministro da Defesa Aguiar Branco a Washington.

O processo surgiu após uma queixa apresentada pela coligação PCP-PEV, que considerou que a reportagem da SIC do dia 08 de outubro de 2009, O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo sobre a corrida à Câmara de Matosinhos, violou o artigo da lei eleitoral Portas, já afirmou que Portugal vai tomar "em breve" uma que obriga a comunicação social que faz a cobertura da campanha a posição sobre a redução da presença norte-americana nas Lajes. fazer um tratamento jornalístico imparcial e “não discriminatório”. Numa tese validada pelo STJ, a CNE explica que “a SIC não só ignorou três das Nobel da paz entregue à União Europeia seis candidaturas apresentadas à Câmara Municipal de Matosinhos numa reportagem emitida no penúltimo dia do período legal de campanha, como O prémio Nobel da Paz foi esta segunda-feira formalmente nem sequer conferiu cobertura às candidaturas do BE, PCP-PEV e PPM entregue à União Europeia, pelo papel na transformação em quaisquer outras peças jornalísticas emitidas durante aquele período.” "de um continente de guerra em continente de paz", numa altura em que a UE vive a pior crise da sua história. Os juízes do Supremo Tribunal rejeitaram todos os argumentos apresentados pela estação de televisão em causa, que por sua vez alegou que se justificava O presidente do comité Nobel, Thorbjoern Jagland, entregou a diferença de tratamento uma vez que o PS e a coligação PPD/PSD-CDS/ o prestigiado galardão a um trio de representantes da UE: os PP representavam cerca de 78% do eleitorado na Câmara de Matosinhos. presidentes do Conselho, Herman Van Rompuy, da Comissão, José Manuel Durão Barroso, e do Parlamento, Martin Schulz.


9 | CULTURA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Onde estudar no Porto

Concertos - Onde, Quando, a Quanto

Muitos estudantes procuram um refúgio para os momentos de estudo. A biblioteca Almeida Garrett, o Café Vera Cruz e a Casa do Ló são alguns desses locais. KEANE: Campo Pequeno - Lisboa, As próprias casas são o local mais habitual utilizado pelos estudantes para 20 de outubro. Coliseu do Porto se prepararem para trabalhos ou exames. Contudo, existem outros locais - 21 de 0utubro. De 23€ a 35€ também calmos e acolhedores utilizados por vários alunos nestas horas. O café Vera Cruz, situado na Rua de Cedofeita, é um dos locais escolhidos pelos estudantes em época de exames. O ambiente acolhedor e tranquilo do espaço chama várias pessoas ao local e, em alturas de stress e trabalho, é lá que os jovens procuram concentração. Segundo o proprietário, Eládio Ferreira, o espaço é frequentado por pessoas de todas as idades que aproveitam a serenidade do local para ler um livro. Porém, na época de exames, os estudantes escolhem o café para estudar, onde passam grande parte do dia.. O Vera Cruz tem a atmosfera ideal para os jovens se concentrarem e poderem tirar o máximo partido do estudo A Casa do Ló surge como um espaço multifacetado, combinando loja tradicional e café. Famosa pelos seus produtos nacionais, esta casa de chá continua a servir o pão de ló confecionado no espaço desde 1880. Com um ambiente calmo e descontraído é o sítio ideal para estudar ou fazer trabalhos para a faculdade. Apesar da maior afluência por parte de estudantes, esta casa é visitada por pessoas de todas as idades que recordam a velha Margaridense. Localizada no Palácio de Cristal, a Biblioteca Almeida Garrett é dos sítios preferidos por muitos jovens para estudar. O espaço que pode ser utilizado para estudo e lazer é frequentado por indivíduos de todas as idades que aproveitam o ambiente calmo e sossegado e os vários recursos disponíveis. No entanto, segundo Albina Pacheco, são os estudantes que ocupam uma parte considerável do espaço. "Principalmente a partir do período da tarde temos vários jovens que vêm várias vezes para a biblioteca para estudar", afirma a funcionária da biblioteca.

JENNIFER LOPEZ: Pavilhão Atlântico - Lisboa, 5 de outubro. De 36€ a 45€ MIKA: Coliseu dos Recreios - Lisboa, 22 de novembro às 21h00. De 25€ a 168€ SOJA: Coliseu dos Recreios - Lisboa, 7 de novembro às 21h30. De 20€ a 22€. Hard Club - Porto - 8 de novembro. 22€ ORNATOS VIOLETA: Coliseu dos Recreios - Lisboa, 25 de outubro. Coliseu do Porto - 30 de outubro às 21h30. De 25€ a 35€ BON IVER: Campo Pequeno - Lisboa, 26 de outubro às 21h00. De 25€ a 35€

Sugestões livros

"As Cinquenta Sombras de Grey", de um dia para o outro, chegaram ao top dos bestsellers do New York Times. Este livro da gravata cinzenta - o primeiro de uma viciante trilogia - trata-se de um romance erótico de uma autora até agora

desconhecida e foi descrito como "pornografia para mamãs" ou como "uma espécie de Twilight para adultos". É o livro da semana que tem deixado as mulheres eléctricas, de tal forma que, em três tempos, o fenómeno se espalhou no Facebook, nos ginásios ou nos eventos escolares dos filhos.. Obrigatório ler!

007 – Skyfall Realização: Sam Mendes Com: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes Daniel Craig está de volta no papel de Bond, James Bond. No ano em que se comemoram 50 anos cinematográficos do espião mais famoso do mundo, o realizador Sam Mendes levanta o véu do passado de Bond e, sobretudo de M, diretora do MI6. A banda sonora de Thomas Newman e a canção-tema, cantada por Adele compõem o dramatismo e o mistério deste filme. Daniel Craig convence, mas o grande papel está nas mãos de Javier Bardem, que parece ter nascido para ser vilão. O ator espanhol entrega tudo ao personagem Silva, um ex-agente ressentido com M, personagem de Dame Judi Dench. A relação maternal de M e Bond é também explorada e analisada nos confronts entre os dois personagens, à medida que a acção decorre. James Bond tem de salvar os agentes do MI6 e lidar com a vida de agente secreto que escoheu e que o vai perseguir para sempre. Não faltam sequências de acção fantásticas e as sempre presentes bond girls. No final um twist muito interessante. Sam Mendes conseguiu manter o Bond level de outros tempos.


10| CULTURA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

"Broadway Baby", a mãe do musical americano ao mais alto nível

É com a mirabolante viagem pela história do Teatro Musical americano que a dupla Feist comemora 30 anos de carreira. Os irmãos Nuno (pianista) e Henrique (cantor e ator) há muito que fazem parte do mundo da música em Portugal. Pode até dizer-se, de forma pouco leviana, que ainda em crianças maravilhavam lugares e gentes de norte a sul do país. Como sempre, o sonho foi mais longe e a formação dos dois Artistas viu o seu lugar na bela Londres, onde se especializaram em pianista de acompanhamento e em cantor/ ator de teatro musical, respetivamente. Todavia, os palcos portugueses não sentiram em demasia a sua falta: a prioridade da dupla sempre foi continuar a cantar e (en)cantar o país onde nasceu. Entre participações nos musicais londrinos Carousel, Mikado e Man of La Mancha, Henrique Feist foi deixando a sua impressão digital na fria Inglaterra. Em palcos portugueses, destacou-se em “Camões”, “Num país chamado Simone” e “Homens nus a cantar”. O novo projeto dos irmãos, “Broadway Baby – a História do Musical Americano”, esteve em cena no teatro Estúdio Mário Viegas, mas foi no portuense Rivoli que extasiou mais públicos. Vanguardista, o espetáculo de índole histórica tem o poder de captar a atenção do público durante os noventa minutos. Cenários inovadores, primam pela praticabilidade ao evitar que o Artista saia do palco para mudanças de figurinos e adereços. Os focos de luz são, propositadamente, de cores variadas: marcar ambientes é o que se pretende. Aos poucos, mergulhamos numa

doce analepse pelos primórdios desta arte. No pequeno auditório do Rivoli, Henrique encarna uma e outra personagem do teatro musical americano, colocando ora um chapéu, ora uma pluma, ora uma saia rodada. E assim se inicia a viagem musical que nos faz quase levitar e esquecer o país pobre em cultura ao qual pertencemos. Nuno Feist também está sempre em palco, acompanhando exaustivamente as músicas que o irmão canta a todo o vapor. Começam por apresentar os “génios primórdios” da Broadway: Hammerstein & Rodgers, Gershwin, Irving Berlin e Cole Porter. Músicas como Broadway Baby, Give My Regards to Broadway, Another Opening Another Show e White Christmas enchem o palco. Décadas e décadas de história são contadas recorrendo ao monólogo interativo, ao sapateado, às roupas coloridas e extravantes e ao canto. Passada a década de 20, passa-se para o Universo da Golden Age da Broadway: os forties, fifties e sixties são ilustrados da melhor forma: Henrique tornase camponês e interpreta o lendário agricultor do musical Oklahoma, de seguida é um pirata e embarca no Show Boat. Entretanto, sofre uma metamorfose para rei de King and I, conquista Maria em West Side Story e culmina nos prados suíços e canta Edelweiss, êxito de Sound of Music. A década de 80 é representada por Les Miserábles, de Vitor Hugo. Henrique faz um tributo ao mestre Andrew Lloyd Webber ao representar a icónica cena de The Phantom of the Opera (All I Ask Of You) e

ao mergulhar no universo de Cats, através de Memory. O curioso é o ator mencionar a comercialização e massificação do musical americano pós anos 80. Uma crítica irónica mas, simultaneamente, bem sustentada faz o ator terminar o espetáculo com a música inicial: Give My Regards to Broadway. A massa de aplausos fez os irmãos Feist voltar três vezes ao palco, acabando por dedicar uma última música à audiência sedenta por mais interpretação de qualidade. Side By Side foi a música do “Adeus, e até Domingo”. Técnica não faltou ao espetáculo: a respiração para o diafragma era visível, o controlo das notas agudas estava lá, ainda que muitas fossem em falsette (não esquecer que Henrique canta e interpreta personagens históricas e clássicas dos musicais, desde o homem mais “baixo” à mulher mais “soprano”). A capacidade com que Henrique se transpõe e transfigura para personagens diversas põe em causa teorias sobre representação como a de Stanislavsky, em que o ator necessita de meditar sobre o seu passado uma boa massa de tempo antes de conseguir “outrar-se”. A dicção do ator foi perfeita. Não houve uma palavra que fosse menos perceptível, não houve um olhar desconcentrado ou pouco focado. O sapateado sonorizou e dinamizou o projeto. Resta dizer que a genialidade pisou o Rivoli e parece ter vindo para ficar. Inês Ramos


11| CULTURA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

"O humor e a ironia são armas tremendas"

Manuel Jorge Marmelo, cronista do Público, aborda no seu novo livro Uma Mentira Mil Vezes Repetida, o quotidiano citadino de uma perspectiva pouco comum. A fusão entre a realidade e a ficção foi o tema escolhido “sobretudo pelas possibilidades literárias que cria”

A propósito do lançamento do seu mais recente livro, Uma Mentira Mil Vezes Repetida, como surgiu a ideia de abordar o quotidiano de uma perspectiva tão pouco comum, em que a realidade e a ficção se cruzam? Não consigo dizer como foi que a ideia surgiu. Creio que foi, antes, uma possibilidade que se foi construindo. Seja como for, o jogo entre a realidade e a ficção sempre me agradou e, de resto, explorei-o nos meus últimos quatro romances. Gosto dessa ambiguidade, mesmo que seja só aparente, sobretudo pelas possibilidades literárias que cria. Convivendo diariamente com o ambiente citadino e, de certo modo, claustrofóbico do Porto, de que forma o livro é um reflexo dessas vivências quotidianas e rotineiras?

Creio que o método de fabrico não foi muito distinto daquilo que é normal na generalidade das obras de ficção. Há, quase sempre, uma apropriação de material roubado ao real. Mas, depois, esse material é amassado, misturado e tratado ficcionalmente. O homem zebra que aparece no início do livro, por exemplo, nasceu de uma canção da Cesária Évora e no preciso momento em que, ao ouvir essa canção, me ocorreu que fazia sentido imaginar um homem que, como as zebras, trouxesse na pele os sinais da miscigenação, as suas origens estampadas em diferentes traços de pele. Provavelmente, se isso acontecesse, seríamos todos malhados, riscados. Creio que é interessante fazer reflectir sobre isto. E a literatura, quando consegue tornar plausível aquilo que é irreal, pode fazê-lo mais eficazmente.

narradores e abre novas possibilidades à ficção. A literatura é o melhor espelho da sociedade? Depende de que literatura estamos a falar. Às vezes não. Às vezes nem interessa que o seja. Às vezes uma literatura delirantemente irreal é mais eficaz na tarefa de fazer reflectir sobre o real. Que moldar

ingredientes aliou o seu estilo de

para escrita?

É difícil... Creio que fui juntando as lições que aprendi com tudo aquilo que li à experiência que obtive destes 22 anos de jornalismo. Ler e escrever todos os dias é uma escola formidável, tonifica imenso o “músculo” da escrita. Recorrendo a uma citação de Vasco Pulido Valente, "Afinal o que importa... É rir de tudo"?

Não necessariamente. Mas não faz mal nenhum rir de assuntos sérios. O humor e a ironia são armas tremendas. Quem ri de uma piada foi Tendo em conta o seu romance “Fantasmas capaz, pelo menos, de entendê-la, de processar de Pessoa”, recorrer ao complexo informação e de desenvolver um juízo crítico. universo pessoano para construir uma trama policial não foi, de certo Tira partido da sua profissão para divulgar modo, uma tarefa árdua e arriscada? valores em que acredita e defende? Acha que é possível moldar a opinião pública? Foi. Num primeiro momento foi assustador. E paralisante. Mas ultrapassei esse peso tratando Acho que é possível informar a opinião o Fernando Pessoa como um personagem igual pública, se ela estiver disposta a ser informada. a qualquer outro e decidindo que iria divertir- Mas quando as pessoas estão anímicas e me a escrever esse livro do mesmo modo embrutecidas e aceitam toda a palha que se lhe que me tinha divertido a escrever os outros. põe na manjedoura, acriticamente, então, sim, é possível, e até muito fácil, moldá-la. Estas pessoas não distinguem, sequer, informação Como foi conjugar humor, divertimento, de não-informação, não estão preparadas emoção e suspense com as características para receber informação de qualidade. tão marcantes e tão próprias de Pessoa? Foi fácil lidar com a heteronímia pessoana?

O Porto aparece no livro mais como paisagem do que como realidade concreta. O personagem principal viaja nos transportes públicos da cidade, constata alguma coisa do ambiente geral, mas os assuntos sobre os quais se debruça são, digamos assim, mais amplos. Ou menos mesquinhos do Tal como expliquei, fi-lo agarrando em que aquilo que é a mercearia diária da Fernando Pessoa como em qualquer outra cidade e das autoridades que nela laboram. personagem, respeitando a sua biografia, mas, sobretudo, encaixando-a numa trama narrativa. O Fernando Pessoa histórico Hélio Correia disse, numa posição crítica é uma coisa, outra é o “meu” Fernando relativamente ao seu novo livro, que “existe Pessoa. É uma marioneta que, respeitadas [...] um espantoso processo combustivo, algumas pré-existências, faz os gestos que eu uma espécie de volúpia incendiária que ordeno. O convívio [com os heterónimos] contamina mesmo alguns cenários e que foi relativamente pequeno. Informei-me, consiste em recolher e misturar num assimilei a informação e integrei-a num crematório alquímico, toda a espécie de objetivo mais vasto, que passava por escrever personagens que lhe passem ao alcance”. uma ficção na qual Pessoa fosse parte de uma Como “fabricou” a amálgama de personagens trama vagamente policial. Nesse sentido, a tão peculiares que podemos encontrar possibilidade de desdobramento individual é no Uma Mentira Mil Vezes Repetida? muito enriquecedora. O autor ganha o direito de, como Pessoa, se desdobrar em vários

Dada a situação actual do país, a relação entre jornalismo e democracia pode estar a ser posta em causa? A democracia pode estar em causa todos os dias. Se não formos capazes de exercê-la quotidianamente, de afirmar e exercer cada um dos direitos que conquistámos, estamos a criar um precedente para que, amanhã, alguém dos diga que já não precisamos da democracia porque abdicámos, afinal, de votar, de defender as nossas opiniões, de sermos respeitados. O jornalismo, infelizmente, não faz milagres. Não consegue transformar carneiros em seres humanos, sobretudo quando os carneiros escolheram ser carneiros.


12| CULTURA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

"Em Portugal, cheguei a tocar para um público de 13 pessoas numa sala para duzentas. Na Alemanha, onde ninguém me conhecia, tive sala cheia num concerto onde tiveram que pagar para me ver". Edgar Cardoso, de 20 anos, é pianista licenciado pela Universidade de Aveiro. Estudante “dos sete ofícios”, é bailarino e tem formação em canto e teatro musical. Durante três anos consecutivos foi o melhor aluno da Universidade, o que lhe valeu uma série de Bolsas de Mérito. Versátil, aposta na multidisciplinaridade e excelência. Em Agosto, viajou para os EUA para complementar a sua formação em representação (na The Acting Corps) e em dança. Para já, Portugal é o objetivo, mas o futuro reside na América. Foi o melhor aluno da Universidade de Aveiro durante os três anos da licenciatura em Música. A chave para o sucesso passa pela paixão e pela dedicação ou uma delas prevalece? Só há dedicação se houver paixão. Eu não diria paixão mas sim objetivos de vida. Nesta fase do meu percurso profissional não posso pensar apenas pela paixão. Considero que tenho que ter os meus objetivos de vida bastante concretos e para os concretizar tenho que me dedicar a todos os pequenos objetivos que me levam ao caminho dos objetivos maiores. Se quero ter grandes ambições de vida para os conquistar comecei por tirar o curso na Universidade de Aveiro, então essa etapa tem que ser concluída ao melhor nível possível para poder chegar a etapas mais altas em direção aos grandes objetivos. Dentro desta filosofia, penso que o motor de propulsão é a dedicação, mas acho que nunca poderia conceber tanta dedicação se não gostasse daquilo que faço.

O Jornal de Letras caracterizou Bernardo Sassetti como “o pianista dos sete ofícios”. Além do piano, dedicou-se à música jazz e ao fado, fez bandas sonoras, improvisos e foi ator em “O talentoso Mr.Ripley”, de Minguella. É seguro dizer que Edgar e o mestre Sassetti têm muito em comum? Sim, eu partilho a ideia de anti especialização excessiva e de abertura de possibilidades de atividade, embora os meus sete ofícios sejam um pouco ainda mais extremos que os de Sassetti. O meu percurso pianístico é fundamentalmente clássico, muito por força do sistema de educação vigente em Portugal. Todavia, estou neste momento a explorar técnicas e repertório no âmbito do Jazz e mesmo do Pop para tornar a minha execução mais maleável e flexível. O estudo de piano é conciliado com uma atividade intensiva ao nível da dança, tendo a minha formação já percorrido a maioria dos estilos de dança principais existentes. Do meu currículo artístico constam ainda experiências de formação e de palco na área da representação, com especial dedicação ao Teatro Musical, enquanto performer. Isto tudo após uma formação escolar que me encaminhava para Multimédia, Design ou Arquitetura, se não fosse a decisão nos últimos momentos préuniversitários de enveredar pela Música. Portugal nunca apadrinhou as Artes como os restantes países da Europa. Numa época de crise, os cortes na cultura saltam à vista. Concorda com António Vitorino de Almeida, que Portugal “é um país

fascistóide. É um país inquisitorial. Teve uma […] das mais belas revoluções do mundo, mas não soube tirar partido dela”? Concordo plenamente, apesar de achar que o pensamento da maioria da população também não contribui para mudanças a esse respeito. Pela experiência que tive no estrangeiro, denoto que não há o mínimo interesse da maioria da população por manifestações de cariz cultural e artístico de valor. A população portuguesa vive ainda pelo prazer fácil, e tudo o que faz sucesso cá são os produtos imediatos e comerciais. As minorias conscientes do valor das artes e da cultura ainda não existem em número suficiente para se valer. É impossível pensar em manter uma ópera em Portugal em cena mais de um fim de semana, sendo que se sabe que nunca encherá. No contacto com estudantes de países da Europa de Leste, eles acharam escandaloso que não tivéssemos teatros de ópera com óperas em cena diariamente, como eles têm em todas as localidades. Na Alemanha, surgem autocarros à porta das salas de espetáculos cheios de gente disposta a pagar mais de cem euros para assistir a uma peça de teatro clássica. Em Portugal, cheguei a tocar para um público de 13 pessoas numa sala para duzentas, sendo que metade desse vasto número eram familiares e professores. Na Alemanha, onde ninguém me conhecia, tive sala cheia num concerto onde tiveram que pagar para me ver.

Annie Hall: muito mais do que um Clássico que apenas está a fazer uma reflexão sobre os seus 40 anos e que envelhecer nunca foi algo que encarasse com pouca naturalidade. O filme vive, essencialmente, de jogos de planos e de situações fora de campo. A luz desempenha, ao longo do filme, um papel fundamental – há uma cena em que o casal está deitado numa cama, num amplo quarto, despidos. O espectador apenas vê um pequeno candeeiro de luz amarela ligado e inclinado sobre o casal. É quase como se a ideia fosse criar um cenário, sem haver preocupação com pormenores. Em última instância, o raccord de Allen é, ao longo do filme, feito por corte simples: ainda que, por vezes isso “choque” o espectador; Woody Allen não esconde nem tenta “adoçar a pílula” ao mudar de um plano para outro. Esta obra-prima de Woody Allen preenche os requisitos de todo o bom cinema: independência imagem/som (diferente de ditadura do sincronismo), diálogos de importância considerável e ilustração de Annie Hall retrata a história de Alvy Singer, um comediante de ideias uma realidade ou apresentação de uma história. Para Woody Allen, feitas e “da velha guarda” e de Annie, a mulher, em tudo avançada este filme foi considerado “a major turning point, as it introduced a para o seu tempo, por quem se apaixona. Alvy vive uma vida de level of seriousness that was not found in the farces and comedies” sofrimento, solidão, infelicidade e miséria. Antes que o espectador pressinta qualquer tipo de depressão oriunda de um desgosto Inês Ramos amoroso seguido de uma crise de meia-idade, Alvy Singer esclarece


13 | ECONOMIA

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“Vouchers” de A Vida é Bela recusados por pagamentos em atraso Centros de beleza, restaurantes e hotéis estão a recusar “vouchers” de A Vida é Bela por falta de pagamento, uma situação que a empresa não reconhece, embora confirme dificuldades devido à diminuição do consumo. “Não estou a aceitar vouchers de A Vida é Bela porque não me pagam o que devem há mais de seis meses. Já avisei que não quero renovar o contrato e que quero que retirem a minha casa do site deles”, disse à Lusa a proprietária de um turismo rural na Beira Baixa.

O mesmo conselho está a ser dado por um hotel do centro de Lisboa, que não adianta pormenores, afirmando apenas não aceitar vouchers provenientes de A Vida é Bela. À semelhança dos hotéis, empresas de organização de eventos e turismo, que dispõem de várias casas de campo para alugar, e um restaurante em Tróia são exemplos de outros parceiros que estão a recusar aceitar pessoas com aqueles pacotes, alegando “falhas contratuais” por parte da empresa. E até em alguns centros de beleza se verifica esta recusa em placards colocados no balcão da entrada com o aviso “não aceitamos vouchers de A Vida é Bela”, o motivo é uma dívida por saldar.

A mesma proprietária afirma que já ligou várias vezes e que, de todas as vezes que tenta comunicar para o serviço de contabilidade, A Vida é Bela explica que, “tal como a maioria das empresas lhe é dado um novo prazo que volta a ser ultrapassado. O nacionais, está a adaptar-se ao decréscimo do mercado de consumo, próximo passo, garante, é a apresentação de uma queixa formal. ao dilatamento dos prazos de recebimento e às alterações da banca”. A empresa esclarece, contudo, que o número de reclamações que tem A empresa A Vida é Bela afirmou ainda, via e-mail, que os pagamentos aos é residual e que no caso de terem fundamento “é política da marca parceiros “estão a ser feitos de forma contínua e estão, sem excepção, a ser encontrar sempre alternativas para o cliente ou, no limite, reembolsá-lo”. resolvidos”. “Esta situação prende-se com a atual situação económica em Portugal que deteriorou, em cascata, a cadeia de consumo”, acrescenta. A Deco tem recebido queixas de clientes (e não de parceiros, por serem estabelecimentos comerciais e não consumidores) que não conseguem Num hotel em Castelo Branco, um cliente que ligou para tentar fazer marcar a “experiência” que compraram à empresa A Vida é Bela. uma marcação para o programa “refúgio a dois” foi informado de que o De acordo com a associação de defesa do consumidor, contrato com A Vida é Bela estava “suspenso por falta de pagamento”. de entre todas as empresas que prestam o mesmo tipo de A responsável pelo hotel adiantou que a dívida ascende a seis mil euros e serviço, “A Vida é Bela é a mais reclamada”, tendo sido aconselhou o cliente a contactar a empresa para tentar reaver o dinheiro. objeto de mais de meia centena de queixas entre 2011 e 2012.

Compras pagas com o Multibanco desceram 12% na última semana O número de compras efetuadas pelos portugueses com cartões Multibanco caiu 11,7% entre 26 de novembro e 2 de dezembro, período que marca o arranque da época natalícia, revelou hoje a gestora da rede (SIBS). Já o montante relativo a estas compras efetuadas nos terminais de pagamento automático da rede Multibanco recuou 9,3%, situando-se nos 552 milhões de euros, gastos em 13,7 milhões de compras, o que representa um valor médio de 40 euros (uma subida homóloga de 2,6%). No que toca às caixas automáticas da rede Multibanco, o número de levantamentos subiu 0,4%, enquanto o montante caiu 5,3%, com o valor médio fixado nos 65 euros (menos 5,6% do que em igual período do ano passado). No total, neste item, foram feitos 8,5 milhões de levantamentos no valor de 550 milhões de euros, de acordo com as estatísticas hoje divulgadas pela SIBS.

Pensionistas estrangeiros vão poder morar em portugal sem pagar IRS

Estivadores defendem que nova legislação colide com convenção internacional O presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul, Vítor Dias, defendeu esta terça-feira que o novo regime do trabalho portuário colide com a convenção da Organização Internacional do Trabalho, que "se sobrepõe às leis nacionais". Em audição na Comissão de Segurança Social e Trabalho sobre uma revisão da lei laboral portuária, o dirigente sindical afirmou que "o Governo não pode, por via de uma lei, pôr em causa o que está estipulado na convenção". "Portugal ratificou a convenção e não a denunciou. Portanto, enquanto não a denunciar, terá que a cumprir. Mais, a convenção sobrepõe-se às próprias leis nacionais", disse o sindicalista, que tem sido o porta-voz do descontentamento dos estivadores dos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Aveiro contra a proposta de lei, aprovada na generalidade na passada quinta-feira. Em resposta, o deputado social-democrata, Adriano Rafael Moreira, contrapôs que "se existir algum problema técnico-jurídico será ultrapassado. O mais importante é o conteúdo e não a forma".

Já esta manhã, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, manifestou Foi aprovada alteração ao Código do IRS que concede dupla a sua disponibilidade para apoiar uma queixa na Organização isenção fiscal aos que passem pelo menos parte do ano no país. Internacional do Trabalho caso esta seja aprovada, por violação da convenção número 137 relativa ao quadro de efetivos nos portos. Os reformados estrangeiros vão passar a poder beneficiar de uma isenção de IRS nas suas pensões desde que se verifique Na segunda-feira, o Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul e o Sindicato uma de duas condições: sejam tributados num outro Estado dos Trabalhadores do Porto de Aveiro entregaram um novo pré-aviso com quem Portugal tenha assinado uma convenção para de greve que vai prolongar a paralisação em curso até à véspera de Natal. evitar a dupla tributação ou os rendimentos que deram origem à pensão não tenham sido gerados em Portugal.


14 | ENTREVISTA

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"Há uma fase em que o individuo anda a engravidar: engravidar ideias, engravidar a informação e, passados nove meses, se a ideia não for prematura, entra em trabalho de parto" Arquiteto Ultlramar,

e a

escritor nas horas vagas, João Carlos Sarabando fala sobre a sua passagem pelo ausência do pai na sua infância e sobre a transição da arquitetura para a escrita.

Siza Vieira afirmou em entrevista à revista U.Porto que "Temos que usar a experiência naquilo que ela garante, mas também libertarnos dela, naquilo que prende”. Concorda com a citação do arquiteto? Fui aluno dele, já lá vão mais de 30 anos. Claro que concordo mas a arquitetura não se resume a isso...

mas como eu costumo dizer, o melhor Homem e a melhor obra são aqueles que têm menos defeitos. É impossível encontrar Homens perfeitos, é impossível encontrar obras perfeitas... Quando me dizem “ah queria fazer uma casa”. - Tudo bem, faço-lhe um projecto mas a única coisa que eu lhe prometo é que me vou empenhar para fazer algo com o mínimo de Sabemos que durante a sua adolescência não teve defeitos possíveis. Quando se tenta endeusar as coisas algo um pai muito presente. De que maneira é que essa vai mal na cabeça, a nível mental, de quem faz essa proposta. ausência afetou a sua formação enquanto pessoa? Afetou, eu acho, de uma forma positiva porque me obrigou a ser Amanda Levette, arquiteta britânica, referiu em entrevista eu a fazer os meus presépios – foi onde eu comecei a ser arquiteto ao The Guardian que tanto a definem os “grandes triunfos” – e a ter que tomar decisões por mim próprio. Uma delas, por como as “falhas pavorosas”. Partilha desta opinião? exemplo, foi quando tive que decidir que curso é que iria escolher. Sim, partilho. Eu penso que talvez estando quase usando antípodas A minha professora de desenho do liceu, na altura, como eu fazia da comunicação ou da uns rabiscos e uns bonecos dizia “tu deves ir pra belas artes”. informação, a arquitetura Um dia eu cheguei a casa, à minha mãe, que era uma simples aldeã e que tem tanto da arte como só tinha uma vaga ideia do que era belas artes, e disse-lhe: “ó mãe – que de ciência e eu, enfim, na altura não havia mamãs, era tudo mães –, a professora de desenho diz já ando nestas andanças que eu devo ir para belas artes” e ela não disse nada, pensou e começou há algumas dezenas de a chorar. Eu achei aquilo estranho e perguntei “estás a chorar porquê?” anos. Tive a sorte de ter e ela disse-me “só me dás desgostos... Já quando eras pequenino dizias excelentes professores da que não sabias para o que é que querias ir mas que havia duas coisas escola do Porto: a coisa que não querias ser: nem médico nem padre. Agora vejo-te com a mais espantosa que nos história de ir para um curso onde só andam malucos e comunistas”. ensinaram foi que nós Ora bem, o meu pai estava emigrado, e então como todos os temos de encontrar as meus colegas do liceu iam para engenharias, eu também fui. nossas próprias asas e Fiz exames de aptidão à Universidade de Coimbra e à Universidade não ficarmos agarrados do Porto, passei às duas mas decidi vir para o Porto – uma desgraça. umbilicalmente ao que Andei seis meses sem dormir, seis meses constipado. A minha mãe já fizemos. Cada um era uma pessoa sem estudos nenhuns mas dizia “atenção que tu não tem o seu caminho. és filho único, os filhos únicos é que são malucos. Tu és o único filho, É por isso que eu porque depois de ti eu não consegui vingar mais ninguém. Portanto, há dias quando me se te disserem «ah e tal tu és maluco, tu és filho único» não ligues perguntavam que tipo porque tu não és filho único, tu és o único filho!” – imagine a sabedoria de especialização é que desta mulher... E é assim: não ter irmãos e não ter cá o pai era muito eu tinha respondi que complicado porque eu nunca tinha quem me defender, era sempre a tenho a especialização pessoa que fazia as asneiras lá em casa... De modo que me deu arcaboiço. que todos os arquitetos Deu-me um arcaboiço mental para resolver as coisas porque tinha de deviam ser obrigados a resolver por mim, não podia defender-me com “olha que eu vou dizer ter: a primeira casa que fazem ser a casa deles, porque é muito ao meu pai” ou “olha que eu vou dizer ao meu irmão” e isso foi bom. fácil fazer projetos para os outros pagarem. Por isso, a melhor arquitetura é aquela que optimiza os recursos que tem. Eu tanto posso A arte entranha-se no espírito. Desde quando é que a arquitetura o fazer uma excelente obra de arquitetura com a modéstia do barroco define? como um dos piores mamarrachos com a exuberância do mar. Desde que comecei a fazer presépios. Eu sou do tempo em que não havia legos, os miúdos tinham de fazer os seus próprios brinquedos, “ Lisboa seria uma mulher altosa, bem portanto desde muito cedo que surgia a questão da manufatura, produzida, sempre bem vestida (...) de fazer os bonequinhos, por exemplo. Naturalmente que havia também toda a envolvência religiosa da época. Mas comecei a fazer Porto seria uma mulher bem constituída os bonequinhos lá com o menino Jesus e as vaquinhas e não sei quê, todo aquele cenário... Nunca percebi muito bem onde é que acaba o mas cinzenta, com umas vestes pouco exercício e começa a arte... A arte pode variar de pessoa para pessoa, sensuais.” de civilização para civilização. Por exemplo, eu hoje ando a escrever umas coisas sobre a China e sobre outros sítios em que o conceito da arte é totalmente inverso do ocidente. Nós somos de uma arrogância Considera os novos projetos como partos que surgem depois impressionante sobre o conceito da cultura. Aliás, eu acho que de se engravidar uma ideia. Pode dizer-se que os “partos” mais quanto mais ignorantes são as pessoas mais arrogantes são e mesmo gratificantes também são aqueles que estão por construir? É uma forma airosa de contornar a situação... Poderia ir por aí se no campo da cultura a tolerância é uma das artes mais interessantes. quisesse escamotear a situação em que o nosso país se encontra neste momento. Infelizmente nos próximos 10 anos não há arquitetura em Considera-se, como Siza Vieira, um “homem por trás da obra”? Portugal e é verdade... Não sei se ainda haverá muitos projetos por fazer. Não. Siza Vieira é um grande arquiteto, é um grande Homem


15 | ENTREVISTA

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

E como é que um arquiteto envereda pelo mundo da escrita? Não são coisas muito diferentes... É assim: o arquiteto é um ser que tem necessidade de concretizar as suas emoções, as suas preocupações, os seus sonhos. Se ele toma o caminho mais técnico da arquitetura, dos projetos arquitetónicos e de outro tipo de especialidades ou envereda pela descrição de sensações, de histórias, o processo é muito semelhante. Isto faz lembrar quando nós nas aulas de desenho de belas artes – sei lá Alberto Carneiro, Chico Vieira, como tantos mestres que já não vejo infelizmente há algum tempo – eles todos ensinavam-nos a não ter medo de um papel vazio. O arquiteto trabalha com uma caneta (seja a desenhar, seja a escrever) a função dele é projetar e conceber ideias que tanto podem ser construídas por pilares, por vigas de ferro e mais não sei o quê, como por palavras. É uma forma de ver... Se calhar é ter uma visão enciclopédica da vida, se calhar é ter uma visão prepotente das situações – talvez seja, mas talvez também seja uma forma de o indivíduo não ficar robotizado, de só saber fazer aquele movimento, de não saber fazer mais nada. É por isso que nós temos a capacidade de sobreviver ao universo de repetição. A criatividade tanto pode estar num pequenino texto como num grande edifício. Eu recordo-me que um dos textos que fiz o ano passado, que me desafiaram, foi precisamente escrever um conto de Natal – foi transgredir o próprio concedente. Nós fomos ensinados, treinados – não manipulados – a transgredir. Todo o grande criador é um transgressor.. Inventar é transgredir porque senão é repetir.

Mais do que olhar, aprender a ver é um dom. De que forma observa o mundo à lupa e, ao mesmo tempo, na sua globalidade? É assim, quem já construiu alguns edifícios, quem já escreveu alguns livros, aprendeu a ter, pelo menos, um certo distanciamento das coisas, a reduzir algumas arrogâncias mentais e a estar aberto para a qualificação de tudo o que existe. Isto é um lugar-comum mas nós só começamos a ser adultos quando deixamos de ter medo de dizer que não sabemos. Só aí é que estamos em condições de analisar minimamente o mundo.

dentro. Isto faz-me lembrar que me custou a gostar da cidade do Porto – e é preciso gostar da cidade do Porto. Chegou a uma altura em que eu comecei a associar Porto e Lisboa a duas mulheres totalmente diferentes. Lisboa! Olhava para aquela mulher altosa, bem produzida, sempre bem vestida... Era realmente um espanto! Por qualquer razão o namoro acabava sempre na cama e, pronto, ela começava a tirar os postiços e as próteses e mais não sei o quê, e a desgraçada da vítima fugia a sete pés. O Porto é um bocado ao contrário. A gente chega ao Porto e vê uma mulher bem constituída mas cinzenta, com umas vestes pouco sensuais... Mas quando essa mulher começa a tirar as vestes para fora ela mostra realmente que é uma Vénus – é a grande diferença. Nós cada vez mais nos deixamos influenciar na arquitetura, na escrita, na informação, pela aparência – lá voltamos nós a aparência e à essência. A sumula do estar, do conhecer o que nos rodeia passa sempre por aí. Sabemos que esteve em Moçambique, na guerra do Ultramar. Há alguma recordação especial que guarde desses tempos? Quem esteve na guerra nunca gosta de falar na guerra. Eu demorei 20 anos para fazer uma catarse de tudo o que eu passei nesses meses. Uma recordação que me marcasse... Vou falar-vos em duas. A razão a quem um dos meus livros é dedicado, ao Lucas, denominado de Maconde no livro.: o Lucas foi um soldado que era unha com carne com um branco, chamado Robialaque. O Robialaque matou, sem querer, o seu melhor amigo à vista de todos no meio da parada, com um tiro na testa. Por simples acaso eu era oficial de justiça nesse mês... Andei doido durante um mês para conseguir encontrar as palavras certas para tentar fazer o auto que descrevesse de uma maneira justa aquele infeliz acidente. Outra imagem que eu guardo é quando regressámos. Viemos a Portugal, há um conjunto de pessoas à nossa espera e às tantas há uma mulher que levanta nos braços uma criança. Essa criança era a nossa princesa. Essa criança nasceu. Nós fomos chamados às 3h da manhã para fazer uma evacuação para levar para o hospital, que ficava a 150km, por meio de mato, uma mulher que estava em trabalho de parto mas que tinha o bebé atravessado, então nós tivemos de levar essa mulher para o hospital durante 150km. Ela não disse "ai" nem "ui" mas estava num sofrimento atroz, levava a filha metade dentro, metade fora dela. Lá a conseguimos entregar no hospital mas depois fomos embora e nunca mais soubemos nada dela. Só quando regressamos é que soubemos que ela estava viva... Foi muito bonito.

Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Diz a sabedoria popular que para termos uma vida completa devemos realizar estas três coisas. Cumpriu as duas últimas. Já plantou uma árvore? Ui, muitas! A última árvore que eu plantei foi há um mês. A minha cunhada ofereceu-me uma figueira e eu plantei a figueirinha, em casa dos meus pais, toda viçosa, reguei e tal mas, quando cheguei lá no fimde-semana, estava toda seca, toda murcha... Mas eu continuei a regá-la. E dizia a minha mulher “- não vai vingar” e eu “- calma, vamos esperar”. Passado uns dias voltei lá e realmente vi que ela estava totalmente seca mas aproximei-me dela – eu já sou um bocado pitosga – reparei que estavam uns dois ou três milímetros dos pequenos olhinhos verdes a começar a brotar e eu disse - "calma, ela não morreu!”. Esteve quase para morrer e se eu não olhava com atenção, corria o risco de dar cabo dela! Souto Moura caracteriza os arquitetos como esquizitóides, Há projectos que são assim: morrem, morrem, morrem mas às vezes basta pois quando têm de desenhar o mundo, fazem-no numa um esquisso, basta uma ideia... E tudo renasce e é bom! Nunca desistam, folha A4. Na sua opinião, é necessária uma visão muito procurem sempre o outro – o outro poema, o que está por escrever. própria do meio envolvente para se exercer a profissão? É quase como aquela frase que diz que só conseguimos ser bons “O essencial é distinguir a essência actores quando nos conseguimos rir de nós próprios. É este tipo de filosofia quotidiana cuja retração mais exata é a pessoa saber da aparência. A grande obra não distinguir a essência da aparência em todas as circunstâncias. Isso é necessariamente icónica ou leva tempo, muitas vezes não é bem-sucedido... Mas, por exemplo na arquitetura, normalmente a grande obra, a obra que referência, espetacular: deve ser linda por fora e não é necessariamente icónica, não é necessariamente espectacular. rica por dentro, como as pessoas” Eu costumo dizer que as obras de arquitetura devem ser como as pessoas: lindas por fora e lindas por dentro.. E linda não quer dizer que seja bonita, como dizia um famoso escritor português, mas sim rica por


16 | EDUCAÇÃO

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Portugal foi o país que registou maior aumento de licenciados em ciências

O relatório Eurydice mostra que, no espaço de dez anos, o aumento do peso de licenciados na área das ciências, em Portugal, foi o maior no espaço europeu. Entre 2001 e 2010, em Portugal, o peso do número de licenciados em Matemática, Ciências e Tecnologias, cresceu quase dez pontos percentuais - de 17% para 25%. Na verdade, foi o maior crescimento no espaço europeu. Quem o mostra é o relatório Eurydice, responsável pelo tratamento e análise de informação sobre os sistemas de educação europeus. O documento [PDF] acaba por valorizar ainda mais esta realidade portuguesa, tendo em conta que, nos outros países, o peso dos cursos concluídos na áreas das ciências teve a tendência de diminuir.

Apoio médico para os alunos da UP

Os Serviços de Ação Social da Universidade do Porto disponibilizam apoio médico e psicológico gratuito a todos os seus estudantes, em colaboração com o Serviço Nacional de Saúde e com o Centro de Saúde S. João. O Gabinete de Apoio Médico e Psicológico tem como principal objetivo garantir a prestação de serviços primários de saúde aos estudantes do 1º e 2º ciclo de estudos e de Mestrado Integrado, uma vez que alguns deles estão afastados do seu meio social e encontram dificuldades no acesso à saúde.

Com efeito, em 33 países da Europa analisados, apenas 11 obtiveram um crescimento deste índice, sendo que, alguns deles, não tinham, em 2001, qualquer registo para que fosse possível comparar. Ainda assim, só mesmo Malta conseguiu um aumento tão elevado como o português (de 8% para 16%). Entre os países com maiores percentagens de peso dos cursos concluídos ligados às ciências, destacam-se a Áustria e a Finlândia (29% e 32%, respetivamente). Aqueles com menor percentagem em 2010 foram, por exempo, a Holanda e a Polónia (14% e 16%, respetivamente).

Os alunos que não dispõem de apoio psicológico na própria faculdade têm prioridade no acesso às consultas desse ramo. No entanto, são disponibilizadas consultas em várias especialidades: Clínica Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Psiquiatria e Medicina Dentária. Para marcar as consultas, é necessário entrar em contacto com o Suporte Administrativo dos SASUP, através de contacto telefónico ou e-mail, e indicar o nome e a faculdade a que pertence, o número de telefone e a disponibilidade.

A área das Matemáticas, Ciências e Tecnologias é uma das oito competências que a União Europeia considera cruciais os sistemas educativos europeus desenvolverem.

De forma a promover a saúde, o bem-estar, o sucesso e a realização académica e profissional, este projeto assegura também a assistência médica a todos os colaboradores da UP (docentes e não docentes)

Ensino gratuito não está em causa Primeiro-ministro admitiu “sistema de financiamento mais repartido” entre o Estado na educação e os cidadãos, mas nunca se referiu à cobrança de taxas em níveis de ensino que hoje são gratuitos. O Ministério da Educação de Ciência (MEC) garantiu esta quinta-feira que “nunca o Governo pôs em causa a gratuitidade da escolaridade obrigatória”. O MEC reagia assim a notícias que atribuíram erradamente ao primeiro-ministro, a afirmação de que a Constituição “não trava mudanças no financiamento do sistema educativo, que pode assim passar a ser semipúblico com a introdução de co-pagamentos nos níveis de ensino que hoje são gratuitos”. Quando confrontado sobre se poderemos vir a “pagar pelas escolas públicas” à semelhança do que já acontece em alguns serviços do Serviço Nacional de Saúde, Passos Coelho apenas respondeu: “Temos uma Constituição que trata o esforço do lado da Educação de uma forma diferente do esforço do lado da Saúde. Na área da Educação, temos alguma margem de liberdade para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre os cidadãos e a parte fiscal directa que é assumida pelo Estado.”

Pequenos-almoços gratuitos nas escolas

O número de crianças que as escolas incluem no programa de reforço alimentar gerido pelo Ministério da Educação tem vindo a subir. Em pouco mais de duas semanas o número de crianças com fome sinalizadas pelas escolas por irem para as aulas, de forma continuada, sem terem tomado o pequeno-almoço, subiu de 10.385 para cerca de 13 mil.

Professores vão a tribunal A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) vai contestar os cortes nos subsídios em tribunal. O dirigente Mário Nogueira, anunciou que os sindicatos regionais vão interpor seis ações gerais em Dezembro nos tribunais competentes do Porto, Coimbra, Lisboa, Beja Funchal e Ponta Delgada. “A ação coletiva é feita em representação dos nossos associados – e são seis porque temos seis sindicatos -, mas claro que, se os tribunais vierem a declarar como ilegal o não pagamento desses subsídios, isso será aplicável a todos os professores”, disse Mário Nogueira em declarações ao Público. A FENPROF afirma ainda que estes cortes reduzem em 14,3% os salários dos docentes. Além disso, “muitos professores estão a pagar para trabalhar” por causa desta diminuição, agravada pelos cortes salariais e pelo aumento da carga fiscal.

"Jovens Autores de Histórias Ilustradas"

Concurso promovido pela Nissan quer premiar novos talentos. No Japão existe há 29 anos e chega agora a Portugal com o apoio do Plano Nacional de Leitura. O concurso japonês tem como objectivo premiar jovens talentos na escrita e na ilustração, Todas as escolas, públicas e privadas, com ensino secundário podem concorrer. O concurso foi apresentado esta quarta-feira, em Lisboa. O tema é a "mobilidade sustentável e os estudantes devem ter, no mínimo, 21 anos.


17 | EDUCAÇÃO

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Programa Erasmus não vai acabar O programa de intercâmbio de estudantes na Europa, o Erasmus, afinal não vai acabar, como foi avançado em Outubro passado. Porém, vai ser fundido com outros da área da juventude, na iniciativa Yes Europe. O programa Erasmus, que permite estudar noutras cidades da Europa, faz agora parte da iniciativa Yes Europe, depois de quase ter sido extinto. Num Comunicado emitido em Outubro, a Comissão Europeia anunciou ser necessário tapar o buraco financeiro provocado pelo programa Erasmus. Contudo, várias personalidades juntaram-se e assinaram uma carta aberta a pedir para o programa de intercâmbio de estudantes na Europa não acabar. Dois meses depois, o gabinete do Parlamento Europeu anunciou que o programa será fundido com outros da área da juventude, numa iniciativa chamada Yes Europe. “Todos os programas da União Europeia para a educação, a formação e o desporto” foram agregados ao Erasmus, pode ler-se no comunicado do Parlamento Europeu. Entre 2014 e 2020, o projeto contará com 18 mil milhões de euros dos fundos europeus e, em 2013, será apreciado e votado em plenário. O Yes Europe deverá beneficiar mais de cinco milhões de estudantes e aqueles que quiserem fazer mestrados no estrangeiro poderão pedir empréstimos de 12 mil euros caso estudem fora apenas um ano, ou de 18 mil caso estudem dois anos fora do seu país.

Concurso de empreendedorismo

“O Governo tem, mais do que dar o peixe numa bandeja, a obrigação de ensinar a pescar”, sublinha Francisco Mota que considera que esta vertente não põe em causa a vertente O Instituto Português do Desporto e Juventude e do política das associações, nem desvincula o seu trabalho Green Project Awards criou o Projeto 80, um concurso nomeadamente nas questões da acção social escolar. com uma viagem a Bruxelas como prémio final. Segundo Francisco Mota, membro da Juventude Popular, o concurso trará ótimos resultados para as associações de estudantes uma vez que “as AE são muitas vezes vistas e usadas como trampolins para as juventudes partidárias e acabam por não se desenvolver projetos representativos. Durante para as mesmas

Opinião diferente tem João Mineiro, do Bloco de Esquerda, que considera que este tipo de concursos dirigidos às AE, incentiva a uma “despolitização” dos jovens. “Há um desvio das atenções para projectos que pouco têm a ver com a representação dos estudantes”, explica.

Para João Mineiro, estão a dar-se às AE “responsabilidades que anos, os governos transferiram verbas elas não deveriam ter”, e que acabam por “absorver as funções que AE sem dar ferramentas para que as deveriam ter”. desenvolvessem a vertente empreendedora.

Comentário: Escolas GPS O caso (agora polémico) das “escolas GPS” surgiu primeiramente numa reportagem da TVI, realizada pela jornalista Ana Leal. Esta foi a primeira vez que a grande maioria dos portugueses teve conhecimento da situação: o Estado está a sustentar, no epicentro da crise económica, os bolsos dos colégios privados (ou melhor, as carteiras de quem os gere) sem que haja necessidade para tal .

salário de diretor assim o permite? Improvável. Por outro lado, as infra-estruturas dos próprios colégios deixam muito a desejar: estabelecimentos sem máquinas fotocopiadoras, canetas, giz ou material de desenho. Autênticas “escolas improvisadas” que o governo continua a aplaudir, subsidiando, canalizando fundos muito superiores aos encaminhados para o setor público da educação.

É de frisar que a “desculpa” para que o projeto GPS desse frutos era a colmatação de falhas no ensino público, nomeadamente ausência de vagas, o que não se verifica, de todo. No concelho de Caldas da Rainha, a escola pública está a meio gás, tendo capacidade para mais doze turmas, pelo menos. Ainda assim, foram construídos dois colégios a uma distância incrivelmente insignificante: o Frei Cristóvão e o Rainha Leonor.

A face irónica da questão é o cúmulo descomunal a que a corrupção chegou: cursos profissionais (de mecânica, de eletricidade, entre outros) foram transferidos do público para o privado, para que o país continue a alimentar os colégios.

invejável frota de oitenta viaturas. Não, não é natural. Será que o

Inês Ramos

No entanto, alguns colégios não têm as mínimas condições para sustentar cursos específicos como estes, ao contrário da escola pública (nesta altura o leitor relembra a Parque Será que há, efetivamente, “falta de vagas na pública”? As Escolar gastou em média 10 milhões de euros em cada escola consequências são tremendas, evidentemente. Para começar, remodelada e adaptada a todos os cursos, profissionais ou não). desde o início de 2012 que foram gastos 25 milhões de euros nas vinte e seis escolas da empresa GPS (localizadas de norte a A escola pública de Caldas da Rainha perdeu, nos últimos sul do país), dinheiro dos contribuintes... O cerne, no entanto, é cinco anos, 519 alunos. No mesmo período, o colégio vizinho o desvio de turmas inteiras do ensino público para o privado, angariou 514 novos alunos. Coincidência? Dificilmente. quando há, no público, espaços e profissionais sub-aproveitados. Entre professores que desempenham, em alguns destes colégios, funções de empregado de secretaria por não haver Este facto é passível de comprovação por duas vias, não deixando profissionais destacados para o efeito, professores do público espaço para alegações de defesa: por um lado, o diretor da escola com horário zero e escolas públicas quase “às moscas”, o de São Mamede, Manuel António Madama tem em seu nome uma país parece afundar-se cada vez mais num mar de sargaço.


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A moda da marmita veio para ficar

Levar uma marmita já é tendência. Seja para a faculdade ou para o trabalho, com mais ou menos glamour, são muitos os que optam por levar a comida feita em casa. E, garantem, não faltam vantagens. São cada vez mais os adeptos da marmita e da comida caseira na hora do almoço fora de casa, seja no trabalho ou na faculdade, e as vantagens parecem ser muitas: da economia à nutrição. Helena Monteiro trabalha numa loja de bijuteria e há cinco anos que prepara as suas próprias refeições. "Além de ser mais económico, tenho acesso a comida mais saudável, feita por mim, e com mais variedade alimentar", afirma. Em caixinhas práticas e seguras, Helena leva de tudo: de carne a peixe, de saladas a massas. Anteriormente, Helena usufruía de um refeitório e, por isso, nunca teve de recorrer a restaurantes. O mesmo não aconteceu com Sónia Silva, empregada do comércio tradicional na rua de Cedofeita, que até há seis anos comia todos os dias fora. "Quando comemos fora, a qualidade da comida não é a mesma", garante. Por isso mesmo, por questões de saúde, começou a trazer os seus "tupperwares". A kitchenette que o seu patrão montou nas traseiras da loja acabou por ser "essencial". Helena diz sentir uma "saciedade diferente" quando é a "sua comida" e Sónia garante que sente "uma

diferença enorme a nível gástrico". Mas, além de considerarem a comida caseira muito mais saudável, esta é também uma opção por "questões de poupança". "Estamos a falar de uma poupança média de cinco euros por dia", afirma Sónia, cuja única preocupação é usar caixinhas próprias para o microondas.

mais satisfeita. "A única desvantagem que eu vejo é ter de vir carregada com mais um saco, mas tento trazer comida fácil de transportar e de comer", afirma. A liberdade de escolha é o que mais a fascina no facto de levar o almoço. "As minhas horas de almoço são sempre variadas e os locais também. Posso comer na cantina com os meus colegas mas também posso ficar no ateliê ou comer no jardim", conta. E até chegou a fazer piqueniques, já que muitos dos seus colegas começaram também a levar o almoço, inspirados por Joana. As ementas passam normalmente por massas, saladas e folhados de legumes, mas quando são comidas quentes a senhora do bar "faz o favor de aquecer a comida no microondas", o que lhe facilita muito a vida.

Sete razões para aderir à marmita Em tempo de crise, a poupança económica é claramente uma das razões mais apelativas, mas muitas outras razões já fizeram das marmitas uma autêntica tendência. E há marmitas para todos os gostos, cores e feitios. A marca Smartlunch, que disponibiliza as marmitas com glamourpara os mais vaidosos, abriu recentemente uma nova banca no NorteShopping, em Matosinhos. Marta Soares, a responsável pela marca, diz que as Comer onde e quando se quiser marmitas "estão a fazer sucesso no Porto", é uma das maiores vantagens depois de já terem conquistado Lisboa. Para preparar as refeições, Joana acaba por ter de dispensar algum tempo, mas a mãe vai Mas, além da questão monetária, parecem ser ajudando nesta tarefa. Já Tiago Teixeira, do muitas mais as vantagens em se levar marmita. 3.º ano de Línguas, Literaturas e Culturas, faz A marca apresenta mais seis: uma comida mais tudo sozinho, excepto quando "há sobras do saudável, a possibilidade de controlo em dieta, dia anterior". O aluno da Faculdade de Letras a redução de custos, um menor desperdício da Universidade do Porto diz que, para ele, de tempo, a rentabilização dos restos, a não é uma questão de poupar dinheiro ou estimulação de criatividade nas receitas e, de nutrição. "No início achei que fosse mais quando vier o bom tempo, o tirar partido do barato começar a levar comida de casa, mas ar livre. Na blogosfera, são muitos os bloguers por acaso apercebi-me que não é", quando que já aderiram à moda, mas o novo costume comparado com a cantina ou o bar da faculdade. parece também não ter passado despercebido aos estudantes universitários, compradores As ementas também são simples, entre saladas, assíduos no Porto, segundo Marta. tostas mistas e comida "muito à base de pão", conta - e nem acredita que sejam ementas No entanto, ainda não cativaram Joana Miranda, mais nutritivas ou equilibradas. Para Tiago, aluna do 3.º ano de Artes Plásticas - Escultura, a real vantagem é mesmo poupar tempo e na Faculdade de Belas Artes da Universidade incómodos nas filas do almoço. "É mais pela do Porto. A estudante de Granja ruma todos possibilidade de comermos todos juntos, longe os dias até ao Porto para ter aulas e leva com da pressão da hora de almoço", explica. Entre ela o almoço, mas "nuns saquinhos super os jardins da faculdade, as salas ou o bar, há simples e numas caixinhas mesmo banais". Ser muitos locais tranquilos por onde escolher. vegetariana, não apreciar a comida disponível E, na faculdade de Tiago, a moda já parece na cantina por ser "pouca em quantidade e ter cativado muitos adeptos. Só no seu grupo nutrição" e gastar muito dinheiro em material de amigos, são muitas vezes "cerca de dez" e para o curso foram as razões que levaram Joana é frequente ver outras pessoas com comida a aderir à moda da marmita. E não podia estar levada de casa. É a moda da marmita.

"Got Food", um movimento pelos animais

animais e que "já ajudava várias associações do norte do país como voluntária". A primeira recolha de donativos foi feita na loja de animais do irmão e, a partir daí, surgiram novas oportunidades. O movimento, criado em 2010, organiza eventos em restaurantes, lojas e bares noturnos. Estes espaços atribuem uma percentagem das vendas, que reverte a favor dos animais, ou permitem uma recolha de alimentos.

O "Got Food" ajuda várias associações de animais no Porto e angaria donativos através de eventos em diversos espaços. Criado em 2010, é o primeiro projeto no país que funciona O "Got Food" é o primeiro projeto em Portugal que funciona como como uma ponte entre as um elo de ligação entre as associações e o público. Segundo Mariana associações e o público. Cúria, esta novidade "aumenta a confiança das pessoas nos peditórios", incentivando-as a ajudar. Além disso, nas campanhas, "todos os donativos Criado em 2010, o Got são fotografados" e "é tudo divulgado", pois "todos têm o direito de saber Food é o primeiro projeto para onde foi o seu euro ou a sua saca de ração". Apesar da crise, têm tido no país que funciona como uma ponte entre as associações e o público. muito apoio, pois "as pessoas sabem que podem ajudar como quiserem". Inspirado na campanha norte-americana "Got Milk?", o Got Food é um movimento que se dedica à organização de eventos para ajudar Desde que foi criado, este projeto tem ajudado animais a encontrar diversas associações de animais no Porto. A ideia surgiu com a vontade novos donos e a viver com melhores condições. Assim, segundo de duas amigas fazerem uma venda de roupa usada e, com o dinheiro Mariana Cúria, o "Got Food" existe para "contrariar a falta de vontade" obtido, ajudar associações de defesa e proteção animal. Mariana e "para as pessoas deixarem de dizer que não sabem como ajudar". Cúria, uma das fundadoras do projeto, refere que sempre gostou de


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“Neste talho corta-se soja e tremoço”

É talho, mas não vende carne. Foi criado para gerar controvérsia e despertar a atenção do público. Uma aposta nacional que oferece alternativas à carne animal, com produtos vegetarianos de qualidade. É novidade em Portugal mas já existe há dois anos na Holanda. “De Vegetarisch Slager” foi desenvolvido por Jaap Kortweg, agricultor biológico, Mark Westmaas e por dois professores, Rob Van Haren e Niko Kofferman. Os produtos vendidos têm a mesma aparência e sabor da carne mas a diferença está na composição: são feitos à base de soja e tremoço orgânico.

gera controvérsia mas é propositado. Segundo Ivone Mesquita, responsável pela iniciativa, “O grupo de pessoas que desenvolveu este conceito e produtos quer captar o público não vegetariano” uma vez que “a ideia base é de reduzir o consumo de carne e peixe com base no aumento da sustentabilidade do nosso planeta”. O “frango” e a “carne” moída são dois dos produtos mais procurados. Além de económicos e rápidos, a principal vantagem passa pela possibilidade de se cozinhar pratos tradicionais “sem contribuir para o sofrimento dos animais”. Ao contrário do que era de esperar, os alimentos têm tido uma boa aceitação até pelos mais novos.

No site oficial, estão disponíveis várias dicas que os clientes podem consultar e experimentar com os produtos que compram. Os mais criativos podem até criar as próprias Em Portugal, chama-se “Talho Vegetariano” e a ideia é promover um receitas e partilhar no facebook do “Talho Vegetariano”. estilo de vida mais saudável, contribuindo para a sustentabilidade e defesa do bem-estar dos animais. A iniciativa surgiu há 3 meses e O projeto conta já com alguns pontos de vendas dos tem como principal objetivo alargar a oferta de alimentos e refeições produtos em lojas ou cafés no Porto, Lisboa e Beja e, em vegetarianas no país. Os produtos são importados e atualmente breve, estarão disponíveis nas grandes superfícies comerciais. o “Talho Vegetariano” é embaixador da marca holandesa. O nome

Cicloturismo é cada vez mais procurado pelos não profissionais O ciclismo já não é só para profissionais. Durante a semana e principalmente ao domingo vemos centenas de pessoas pelas ruas com as suas bicicletas. Novos ou velhos, o objetivo em comum é combater o sedentarismo que a vida moderna promove. Na Maia, um grupo de amigos decidiu unir-se e todos os domingos fazem o mesmo percurso de 60km até à Povoa de Varzim. Joaquim Pereira tem 38 anos e afirma que “começou tudo com uma brincadeira” quando alguns familiares lhe desafiaram a experimentar. Já Aurélio Duarte, com 46 anos, pratica ciclismo há mais de 20 anos porque é o que lhe dá mais prazer. Apesar de nunca ter sido alertado para a necessidade de praticar desporto, Aurélio refere que o ciclismo ajuda a sentir-se bem consigo próprio. Sem seguir qualquer tipo de regime ou dieta, o ciclista diz que nota diferenças desde que começou a fazer exercício pois sempre teve problemas de tensões, colocando em risco a própria saúde. Agostinho Oliveira, empregado da construção civil, diz que o seu emprego exige imensos esforços e, como tal, sente necessidade de se abstrair da rotina. Assim, anda de bicicleta todos os dias, depois de sair do local de trabalho. Para um melhor rendimento, Agostinho tenta sempre manter uma alimentação saudável e equilibrada. Desde que começou a fazer exercício diariamente tem notado inúmeras diferenças. Os valores do colesterol e da glicose baixaram e já não tem mais uma vida sedentária. Já Jorge Barbosa viu no ciclismo uma solução para o seu problema. Há 3 anos em fisioterapia e operações, o ciclista afirma que “as dores de costas melhoraram imenso” desde que começou a andar regularmente de bicicleta. Apesar dos esforços, Jorge não segue qualquer tipo de plano alimentar. No entanto, confessa que se tivesse cuidado a alimentação sentia-se uma pessoa “bastante mais saudável.” O cicloturismo é uma ótima alternativa para desportistas que não querem ou não têm tempo para praticar ciclismo de competiação. A modalidade tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos ao longo dos anos.

Uma associação vocacionada para a saúde A Pata Vermelha é uma instituição de solidariedade sem fins lucrativos e destina-se a apoiar, na área da saúde, animais desprotegidos. Assim, foi criada uma farmácia solidária cujos medicamentos são oferecidos a associações e a particulares que não tenham possibilidade de pagar as despesas veterinárias. Segundo Helena Pessoa, coordenadora da Pata Vermelha, a principal característica deste projecto é a componente da especialização, uma vez que “atua exclusivamente na área da saúde” e ajuda várias instituições e grupos que protegem animais por todo o país. Esta instituição publica diariamente casos de animais que precisam de ajuda. Deste modo, qualquer pessoa pode ajudar e intervir de forma solidária. A Pata Vermelha vende ainda artigos na loja-online e promove apadrinhamentos e desparasitações de animais necessitados. Todos os lucros revertem para tratamentos ou intervenções médicas urgentes


20 | INTERNACIONAL

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Obama vence eleições nos Estados Unidos Obama é reeleito presidente dos Estados Unidos da América. A luta foi, contudo, renhida. Mitt Romney, adversário da corrida à Casa Branca, conquistou o apoio de vários Estados, entre eles o Ohio. Até ao resultado das eleições os americanos viveram momentos de inquietação: democratas e republicanos estiveram em dúvida até ao último minuto. O resultado das Eleições norte-americanas de 2012 foi conhecido pelas 3h (hora central). Obama havia conquistado 90 votos a mais que Mitt Romney: 200 contra 290. O democrata esperou pelos resultados da votação no McCormicK Palace, acompanhado por familiares, amigos e apoiantes. Quando foi dada a notícia, Obama não hesitou em registar na rede social Twitter que “Isto aconteceu graças a vocês. Mais quatro anos”. Nos EUA, o resultado obtido em cada Estado é tido em consideração. Em termos leigos, a população vota num determinado candidato, o que leva à formação de um colégio eleitoral dentro desse Estado, composto por delegados. O colégio eleitoral soma 583 delegados dos 50 estados e do distrito de Columbia (Washington DC). Otimista, Romney não preparou discurso de derrota. Desanimados, os republicanos não estavam à espera do resultado. Por outro lado, os democratas comemoraram a vitória de Obama numa celebração ainda maior do que a primeira conquista, em 2008. Antes de serem conhecidos os resultados, Obama cumpriu o seu ritual: reservou tempo para se dedicar ao seu desporto favorito, o basquetebol. As pesquisas de intenção de voto realizadas na América e divulgadas poucos dias antes da eleição mostravam um empate técnico entre Barack Obama e Mitt Romney.

Votos da comunidade latino-americana decisivos na reeleição de Obama

A população latino-americana teve um papel preponderante na decisão quanto à presidência dos EUA. Através da observação da infografia é possível inferir que 71% dos latinos votaram em Barack Obama e 27% no candidato republicano. Os votos de Mitt Romney prevaleceram nos Estados do Sul. Os Estados mais populosos, como Nova York e Califórnia privilegiaram o democrata.


21 | INTERNACIONAL

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Tráfico e violência aumentaram na Guiné-Bissau

No último relatório enviado ao Conselho de Segurança da ONU, o seu secretário-geral Ban Ki-Moon garante que o tráfico de droga se intensificou bastante na Guiné-Bissau e que a violência contra opositores e ativistas aumentou desde o golpe de estado de 12 de Abril, liderado pelo general António Indjai. No documento apresentado na semana passada, o secretáriogeral da Organização das Nações Unidas considera que os atos são crime e devem ser punidos por lei, tal como o desrespeito pela legalidade constitucional, consequência do golpe. Para Ban Ki-Moon há duas datas marcantes, as quais fez questão de referir no relatório. A primeira foi dia do golpe de estado, que fez com que o tráfico de droga aumentasse na Guiné, e que, afirma, tem a colaboração de membros das forças de defesa e segurança e das elites políticas. A segunda data é o dia 21 de outubro, altura em que houve um ataque a uma base militar que fez dezenas de vítimas mortais e que os críticos viram como algo encenado para justificar uma perseguição aos opositores do regime. Desde esse dia, a ONU registou um aumento de perseguições a indivíduos não concordantes com o novo regime, e consequente prisão e tortura das vítimas.

Portuguesa na ONU contra violência infantil

Em Assembleia Geral, a ONU pediu extensão do mandato da portuguesa Marta Santos Pais até 2015. Até ao momento, a lusa tem exercido o cargo de Representante Especial para a Violência contra Crianças. A representante de Ban Ki-moon reagiu à aprovação manifestando o seu "forte empenho para continuar com o trabalho de advocacia global no sentido de acabar com a invisibilidade e impunidade em torno de incidentes contra crianças em todas as regiões". A resolução defende a extensão do mandato por três anos para "um desempenho eficaz e sustentabilidade das actividades nucleares". Até agora, as actividades de Marta Santos Pais têm sido financiadas por países contribuidores, como Espanha, Itália ou Portugal. Estiveram presentes mais de 90 patrocinadores, entre eles Angola, Brasil, Dinamarca, Finlândia, França Alemanha, Japão, Moçambique, Portugal, Suécia e Reino Unido.

Nomeada representante especial de Ban Ki-moon em Maio de 2009, Marta Santos Pais esteve ligada à UNICEF desde 1997, primeiro como directora de Avaliação, Políticas e Planeamento e mais tarde como directora do Centro de Investigação Innocenti. Autora de diversas publicações sobre Direitos Humanos e da Criança, foi ainda membro da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança e participou na elaboração dos protocolos internacionais sobre o assunto.

Rádio australiana nega ilegalidade na morte de enfermeira Enfermeira de origem indiana morreu após um telefonema falso feito pela 2Day FM para o hospital onde estava internada a duquesa de Cambridge. Após o contato falso da rádio australiana 2Day FM morreu uma enfermeira que terá dado informações sobre o estado de saúde de Kate Middleton. O diretor da rede de rádio Austereo, detentora da 2Day FM, classificou o episódio que levou a enfermeira Jacintha Saldanha, 46 anos, à morte como “trágico”. A mesma estação de rádio defendeu no entanto que nenhuma lei foi violada pelos apresentadores Mel Greig e Christian Michael, responsáveis pelo telefonema.


22 | INTERNACIONAL

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Turquia: Alemanha vai enviar tropas e mísseis na missão da NATO A capital da Turquia pediu apoio da aliança atlântica na defesa contra a Síria. Damasco não pretende utilizar armas químicas para combater oposição. Foi no âmbito de uma missão de defesa contra ataques da Síria solicitada pelo Governo de Ancara à NATO, que a Alemanha vai enviar mísseis Patriot e 400 soldados para a fronteira dos turcos, Em comunicado, os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da Alemanha referiram que o Governo alemão aprovou a participação na missão. Além disso, contará também com forças dos EUA e da Holanda. Este mandato irá durar até 31 de Janeiro de 2014. “A Turquia é (...) o parceiro da NATO mais afectado pelo conflito na Síria e aquele que está mais exposto às potenciais ameaças [do recurso a armas químicas] do regime de Damasco”, referiu Thomas de Maiziere, ministro da Defesa alemão. O mesmo responsável desvalorizou o “refrão dos países da NATO” quanto à possibilidade do uso de armas químicas pelo Exército sírio: “Vou repetir pela centésima vez que mesmo que essas armas existissem na Síria, nunca seriam utilizadas contra o povo sírio. A Síria é um país responsável, jamais cometeria suicídio”, frisou Mekdad numa entrevista à cadeia libanesa Al-Manar TV. Entretanto, a questão síria será abordada hoje pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton e Sergei Lavrov, num encontro bilateral com a presença do mediador internacional da ONU Lakhdar Brahimi, à margem da reunião da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Dublin.

Chávez indica possível sucessor na sequência de uma metástase O Presidente venezuelano Hugo Chávez será submetido a uma nova cirurgia e assinalou, pela primeira vez, que poderá não cumprir o seu novo mandato à frente do Governo. Numa mensagem à nação, Chávez disse que houve um crescimento do cancro contra o qual tem lutado desde há um ano e que “é absolutamente imprescindível” uma nova cirurgia – a quarta num ano e meio. O presidente venezuelano nomeou desde já o seu possível sucessor – o vice-presidente Nicolas Maduro – no caso de ficar inabilitado de continuar à frente do Governo. “A minha opinião firme, absoluta, total, irrevogável é a de que, neste cenário, vocês devem eleger Nicolas Maduro como novo Presidente da Venezuela”, afirmou. Hugo Chávez foi reeleito em Outubro para um quarto mandato, de seis anos. A posse está marcada para dia 10 do próximo mês. No entanto, de acordo com a Constituição venezuelana, se nos quatro primeiros anos ficar impedido de governar, terá de haver novas eleições. Até à posse, o vice-presidente concluirá o actual mandato, caso Chávez não o possa fazer. Chávez regressou de Cuba, onde foi submetido a exames e tratamentos na semana anterior, para pedir autorização à Assembleia Nacional para voltar ao país de Fidel Castro, para a nova cirurgia. A autorização é necessária para que o chefe de Estado se ausente por mais de cinco dias. O cancro de Chávez foi diagnosticado em meados de 2011 mas os detalhes sobre o tipo de cancro ou sobre real condição da saúde do Presidente venezuelano não são publicamente conhecidos.

Rebeldes sírios conquistam base militar no norte do país A oeste de Alepo, na base de Sheik Suleiman, não foram encontradas nem mísseis terra-ar nem armas químicas. Os rebeldes que combatem o regime do Presidente Assad, na sua grande maioria jihadistas pertencentes à Frente al-Nusra, tomaram o controlo da base militar de Sheik Suleiman, na zona oeste de Alepo, no Norte da Síria. Uma vitória de estratégica e vitória na batalha pelo controlo da segunda maior cidade do país. O comandante Abu Jalal, chefe do batalhão “Ahrar Darret Ezza” (única unidade do Exército Livre da Síria a participar nesta ofensiva ao lado dos islamistas radicais), disse à AFP que não foram encontradas nenhumas armas químicas nem mísseis terra-ar.


23 | ESPAÇO OPINIÃO

PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ

Editorial Na primeira edição do Preto no Branco são abordadas diferentes temáticas de política, economia, desporto e cultura: todas atuais, de interesse e que se destinam a um público-alvo vasto, sedento de informação. A crise é um tema presente em quase todas as editorias, uma vez que domina, atualmente, a esfera pública nacional (noticiosa ou não). Assim, o Preto no Branco investigou os hábitos dos portugueses em termos de saúde, daí o enfoque na Reportagem “Portugueses e Desporto: a Crise não é motivo para deixar o Ginásio”. O ginásio Solmaia abriu-nos portas e, surpreendentemente, os resultados não revelaram o esperado – um ano após o aumento do IVA para 23%, os utentes não prescindem de fazer exercício físico em ginásios. Apesar de haver “objetivos que se relacionam mais com a saúde em geral e […] objetivos que se prendem mais com a parte estética”, como refere Armando Ribeiro, personal trainer, é notório que a saúde destes portugueses continua a estar em primeiro plano. Curioso, por outro lado, é averiguar a relação “ida ao ginásio – crise”: através de uma infografia estática, localizada no website do Preto no Branco, é possível ilustrar os benefícios não só a nível físico, da prática desportiva, como os benefícios psicológicos: o bem-estar, o bom humor e o aumento da atenção são pequenos fatores que contribuem, mesmo que “em pequenas doses”, para um estilo de vida mais saudável. O Preto no Branco ainda visa a abordagem de temas atuais de forma clara e objetiva, quer de índole nacional quer internacional, desde a Crise no Governo às Eleições Norte-americanas. No entanto, é ao mesmo tempo dado destaque à cultura – entrevista ao jornalista e cronista do Público, Jorge Marmelo, e apostando no espírito crítico sob diversas formas: a crítica cinematográfica de Annie Hall e a crítica ao espetáculo Broadway Baby. Desta forma, o Preto no Branco pretende ilustrar uma variedade de conteúdos nem sempre encontrada na imprensa nacional (quer em formato online quer em formato impresso), de modo a trazer aos leitores novas realidades, novos contextos e novos saberes. Exemplo disso é a panóplia de entrevistas realizadas pelo jornal, que visam aproximar o leitor do tema e do entrevistado, como a entrevista a João Sarabando, Tiago Aboim, Rute Azevedo e Edgar Cardoso, entre outros. A inspiração para este tipo de abordagem – direta e sem rodeios – proveio do conhecimento de acontecimentos que considerámos de particular interesse, como o confronto de duas ideologias políticas por parte de dois estudantes de diferentes juventudes partidárias e a construção do Colégio Luso-Internacional do Porto. O Preto no Branco é uma edição única, mas que, ainda assim, pretende cultivar conhecimento e atualidade e instruir a nível cultural. Primando pelos valores do jornalismo, tem como objetivo informar e dar a conhecer. Defendemos um jornalismo claro, revelador e isento de sensacionalismo. Atrativo, Preto no Branco é um jornal focado na sociedade portuguesa atual e no Mundo.

Crónica Uma crise de manifestações Estamos numa altura em que só se fala da crise, em que toda a gente fala da crise e em que ninguém sabe bem o que é a crise. Enfim... Falam, falam, falam e não dizem nada, já dizia o outro. Depois de googlar o termo “crise”, descobri que a crise é um conceito utilizado em áreas tão distintas como a medicina, a economia e a psicologia. No tempo da teoria marxista, a crise económica era um momento de transição para a recessão. Hoje em dia já não é bem assim. Aliás, hoje em dia a crise económica passa a crise psicológica num abrir e fechar de olhos. Psicologicamente falando, a crise é uma mudança biológica, psicológica ou social em que as pessoas ficam emocionalmente destabilizadas. E, nestes momentos, a atitude e o comportamento dos afetados é essencial. Aparentemente, estas crises não têm nada a ver uma com a outra. Mas isso é só aparentemente, porque a crise económica que atravessamos levou à crise psicológica da maioria dos portugueses. Eu explico: O país está mal, isso é verdade e ninguém pode negar. Mas não está mal para toda a gente. Por exemplo, os estudantes estão sempre a manifestar, porque não têm dinheiro para pagar as propinas, mas se formos ao centro do Porto a uma quinta-feira à noite, encontramos centenas de estudantes de copo de cerveja na mão. Tudo bem que uma cerveja não tem o mesmo valor que as propinas, mas se os universitários não beberem cerveja durante o ano letivo, garanto-vos que no final do ano têm dinheiro para pagar as propinas. Depois há os professores, que também reivindicam os seus direitos (e com todo o direito, note-se) a qualquer custo. Eu percebo que é necessário mostrarmos o nosso desagradado, e que fique claro que não estou contra as manifestações, mas é preciso penalizar os outros por causa disso? A cada greve geral que se faz o país pára e não produz, ou seja, se já não há dinheiro, assim muito menos; a cada greve geral que se faz há pessoas que morrem por falta de assistência médica, há crianças que não têm onde ficar porque as escolas estão fechadas, há pessoas que se matam a trabalhar por uma vida melhor mas nesses dias não podem porque não têm transportes. É isto a crise? Greve atrás de greve, manifestações violentas. É assim que o povo encara a crise? É assim que o povo quer ultrapassar a crise? É que com esta atitude não vamos a lado nenhum, povo português. Se o governo apresentasse uma nova medida de austeridade todos os dias, não fazíamos mais nada senão andar em manifestações. É preciso reivindicar, é verdade, mas mais importante que isso é lutar, mais importante do que falar é fazer. Pscicologicamente falando, em tempos de crise a atitude e o comportamento das pessoas afetadas é essencial. E não é por irem 200 mil pessoas com uns cartazes catitas para a porta da Assembleia da República todos os dias que as coisas vão mudar. Ana Mota


PRETO NO BRANCO, QUINTA-FEIRA 12 DEZ 2012

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Meteorologia

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Ficha técnica Directores: Ana Mota Filipa Barbosa Inês Ramos Raquel Cascarejo Jornalistas: Ana Mota Filipa Barbosa Inês Ramos Raquel Cascarejo


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