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Rotas, Percursos, Itinerรกrios Culturais e Trilhos em Portugal Setembro 2012

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Rotas, Percursos, Itinerรกrios Culturais e Trilhos em Portugal


Índice O Turismo ...................................................................................................................................... 3 O Turismo Cultural ........................................................................................................................ 3 Programa dos Itinerários Culturais do Conselho da Europa ......................................................... 5 O Caso Português .......................................................................................................................... 7 Metodologia ................................................................................................................................ 10 Conclusões .................................................................................................................................. 12 Anexos ......................................................................................................................................... 13 Anexo 1. Caminhos de Santiago: Dados Estatísticos 2011 registados na Oficina do Peregrino, em Santiago de Compostela ................................................................................................... 15 Anexo 2. Distribuição das Rotas por Região (Portugal Continental) ....................................... 16 Anexo 3. Rotas online com domínio próprio .......................................................................... 17 Anexo 4. Rotas online com informação de contacto disponível ............................................. 17 Anexo 5. Rotas online com informação disponível na Rede Social Facebook ........................ 18 Anexo 6. Rotas online com informação disponível em vários idiomas ................................... 18 Anexo 7. Rotas online (entidades promotoras com maior destaque) .................................... 19 Anexo 8. Rotas online com informações sobre o funcionamento .......................................... 19 Bibliografia .................................................................................................................................. 20

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O Turismo O Turismo é um sector estratégico ao nível do desenvolvimento sustentável, do crescimento económico, do emprego, contribuindo, de igual modo, para a coesão social e económica. Segundo dados fornecidos pela Comissão Europeia “a indústria do turismo da UE gera mais de 4% do PIB da UE, com quase 2 milhões de empresas que empregam cerca de 4% da mão-deobra total (aproximadamente 8 milhões de empregos). Quando se tem em conta sectores relacionados com o turismo, a contribuição estimada para o PIB é muito maior - o turismo gera indirectamente cerca de 11% do PIB da União Europeia e representa perto de 12% da mão-deobra”1. O potencial deste sector de actividade é imenso e requer uma estratégia concertada entre os diversos actores envolvidos, públicos e privados, de carácter local, regional e internacional. As motivações que sustentam a prática do turismo são diversificadas, reflectindo os interesses e as apetências dos que procuram uma nova experiência. No entanto, a eficácia de um destino turístico, independentemente da sua tipologia, não é da exclusiva responsabilidade de quem o selecciona e adopta por um determinado período de tempo. Os destinos turísticos são também o resultado de um investimento aturado, na perspectiva de criar valor e gerar necessidades, tornado um local, à partida, pouco atractivo, numa referência capaz de mobilizar pessoas. Podemos considerar várias tipologias ao nível do Turismo, tomando até como referência a classificação apresentada pelo Turismo de Portugal2, como os “10 produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo em Portugal”. Neste contexto, porém, iremos focalizar a nossa abordagem no Turismo Cultural.

O Turismo Cultural

O Turismo Cultural “é aquela forma de turismo que tem por objectivo, entre outros fins, o conhecimento de monumentos e sítios histórico-artísticos3”, capaz de exercer um efeito francamente positivo sobre estes, contribuindo para a sua manutenção, preservação e divulgação. No entanto, se os efeitos positivos são evidentes, os reflexos negativos não são menos notórios, nomeadamente no que concerne ao uso massivo e descontrolado dos monumentos e sítios.

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http://ec.europa.eu/enterprise/sectors/tourism/index_pt.htm Turismo de Portugal: City Break; Gastronomia e Vinhos; Golfe; Resorts Integrados; Saúde e Bem Estar; Sol e Mar; Touring Cultural e Paisagístico; Turismo de Natureza; Turismo de Negócios e Turismo Náutico. www.turismodeportugal.pt (30 Janeiro 2012) 3 Carta de Turismo Cultural. ICOMOS (1976) 2

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Tendo em conta esta realidade, o ICOMOS4 elaborou a Carta de Turismo Cultural (1976) reconhecendo, desde logo que “o Turismo é um efeito social, humano, económico e cultural irreversível”, cuja “influência no campo dos monumentos e sítios é particularmente importante, e só pode aumentar”.5 Neste contexto, o documento elaborado no âmbito do Seminário Internacional de Turismo Contemporâneo e Humanismo (Bruxelas, 1976), reflecte a necessidade de concertar esforços entre “as entidades representativas do sector turísticos e as de protecção do Património Natural e Cultural, “convencidas de que a preservação e promoção do Património Natural e Cultural para o benefício da maioria somente se pode cumprir dentro de uma ordem pelo qual se integrem os valores culturais e os objectivos sociais e económicos que formam parte da planificação dos recursos dos Estados, regionais e municípios”i, No claro cumprimento da Convenção Internacional para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural6. Reconhecendo que o Turismo, devido à sua crescente importância pode contribuir para obter crescimento económico e emprego, reforçar a coesão económica e social e promover a identidade europeia, a Comissão Europeia propôs o primeiro programa plurianual a favor do Turismo Europeu (1997-2000), denominado “Philoxenia”, com o objectivo de estimular a qualidade e a competitividade do turismo europeu, tendo especialmente em conta o desenvolvimento equilibrado e sustentável do sector, a satisfação das necessidades dos turistas e a utilização racional dos recursos naturais, culturais e de infra-estruturas. O Turismo Cultural pode ser entendido, ainda, num sentido mais lato, enquanto uma oferta organizada em eixos temáticos estruturantes, de âmbito regional, nacional ou internacional, vulgarmente designada por “Rota Cultural”. O conceito das Rotas Culturais corresponde a uma crescente procura dos turistas relativamente a novos destinos culturais, capazes de potenciar experiências únicas e diversificadas, que permitem usufruir do Património nas suas diferentes manifestações: Material, Imaterial e Natural. Há locais que falam por si, e cujo significado e valor simbólico são, por si só, instrumentos que garantem visibilidade. Outro há, porém, que requerem uma estratégia mais elaborada, que não raras vezes, se revela insuficiente. Neste contexto, a criação de uma Rota Cultural, capaz de envolver várias entidades e, desse modo, potenciar energias, constitui uma solução com resultados francamente positivos e dinamizadores de toda uma região.

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International Council for Monuments and Sites: www.icomos.org Carta de Turismo Cultural. ICOMOS (1976) 6 Convenção Internacional para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural (1972) 5

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Programa dos Itinerários Culturais do Conselho da Europa De acordo com dados estatísticos disponíveis7, O continente europeu é a principal região de destino das viagens internacionais de touring cultural e paisagístico realizados pela população europeia, nomeadamente a região Ocidental, sendo que França, Itália, Espanha e Alemanha são os destinos preferenciais. Apesar da motivação subjacente à pratica do Turismo Cultural ser muito diversificada e nem sempre ter por objectivo o percurso de um determinado itinerário, é cada vez mais notória uma apetência por Rotas de conteúdo geral ou temática, a que certamente não será alheia um crescente reconhecimento de uma identidade comum, europeia, que ultrapassa, em muito, quaisquer fronteiras administrativas, económicas ou linguísticas. O Instituto Europeu dos Itinerários Culturais traduz, de uma forma muito particular, esta realidade. O Instituto Europeu dos Itinerários Culturais surgiu em 19978, no quadro de um acordo entre o Conselho da Europa e o Grão-Ducado do Luxemburgo, com sede na abadia de Neumunster, tendo como objectivo dar início ao programa dos Itinerários Culturais do Conselho da Europa, com base na promoção de projectos de turismo cultural que valorizem o património num contexto de desenvolvimento local, numa estratégia de desenvolvimento sustentável das regiões. Em 2008, através da Carta de Itinerários Culturaisii, o conceito de itinerário cultural é definido como “uma via de comunicação terrestre, aquática, mista ou outra, determinada materialmente, com uma dinâmica e funções históricas próprias ao serviço dum objecto determinado. O itinerário cultural deve também reunir algumas condições: a) Ser o resultado e o reflexo de movimentos interactivos de pessoas e de trocas pluridimensionais contínuos e recíprocos dos bens, das ideias, dos conhecimentos e dos valores sobre os períodos significativos entre povos, países ou regiões ou continentes; b) Ter gerado uma fecundação mútua, no espaço e no tempo, das culturas implicadas, que se manifeste tanto no seu património tangível como intangível; c) Ter integrado, num sistema dinâmico as relações históricas e os bens culturais associados à sua existência”. Este documento refere ainda que a sua implementação deverá “apoiar-se necessariamente sobre os elementos patrimoniais tangíveis que constituem os testemunhos e a confirmação física da sua existência”61. Os itinerários culturais representam processos evolutivos, interactivos e dinâmicos das relações humanas, realçando a rica diversidade das contribuições dos diferentes povos para o património cultural, permitindo uma concepção contemporânea dos valores do património para a sociedade, enquanto recurso para um desenvolvimento social e económico durável. Estes percursos reconhecem e valorizam o restante património, que ele seja constituído por monumentos, sítios, paisagens culturais, etc., favorecendo não só a compreensão e a comunicação entre povos, mas também a cooperação para a conservação do património.

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European Travel Monitor (2004) O Programa de Itinerários Culturais do Conselho da Europa foi criado em 23 Outubro 1987, em Santiago de Compostela, tendo passado por várias fases de implementação. http://www.cultureroutes.lu/php/fo_index.php?lng=en&dest=bd_pa_det&unv=qs 8

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O Conselho europeu da Europa reconhece as seguintes Rotas Culturais9: - Caminhos de Santiago (1987)10 - A Hansa (1991) - Parques e Jardins (1992) - Heinrich Schickhardt (1992) - The Via Francigena: Canterbury - Roma (1994) - The Vauban and Wenzel Routes (1995) - The Routes of El Legado of Andalusi (1997) - European Mozart Ways (2002) - The Route of the Castilian Language (2002) - The Phoenician’s Route (2003) - The Iron Route in the Pyrenees (2004) - The Saint Martin of Tours Route (2005) - Tue European Route of Jewish Heritage (2005) - The Cluniac Sites in Europe (2005) - The Routes of Olive Tree (2005) - The Via Regia (2005) - Transromanica (2007) - The European Iron Trail in Central Europe (2007) - The Route of D. Quixote (2007) - The Saint Michal Ways (2007) - The Iter Vitis Route (2009) - The Route of Cistercian Abbeys (2010) - European Cemeteries Route (2010) - Prehistoric Rock Art Trail (2010) - European Route of Historical Thermal Towns (2010) - The Route of Saint Olav Ways (2010) Em preparação: - Route of Roma Culture and Heritage - Cultural Routes in the South Caucasus Para além das Rotas Culturais reconhecidas pela Conselho Europeu, existem vários exemplos de carácter nacional que se destacam pela sua diversidade e pela forma sistemática como se organizam e operam a sua divulgação. A título de exemplo, podemos citar o Turismo da Alemanha11, que disponibiliza 150 rotas (nacionais e europeias); o Turismo de Espanha12, que apresenta 84 rotas.

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Cultural Routes of the Council of Europe (http://www.coe.int/t/dg4/cultureheritage/culture/Routes/default_en.asp), Consulta: 18 Janeiro 2012). Em 8 de Dezembro de 2010, foi aprovada a Resolução CM/RES(2010)52 que estabelece as regras de atribuição da certificação das “Rotas Culturais do Conselho da Europa” 10 Ver Anexo 1. Caminhos de Santiago: Dados Estatísticos 2011 registados na Oficina do Peregrino, em Santiago de Compostela. Os Caminhos de Santiago foram classificados pela UNESCO em 1993. 11 Turismo na Alemanha: http://www.germany.travel/pt/index.html 12 Turismo de Espanha: www.spainisculture.com 6


De acordo com um estudo publicado em 201113, verifica-se também o desenvolvimento de novas tendências ao nível do Turismo Cultural, o que se traduz no aparecimento de diferentes nichos de mercado, nomeadamente: - Turismo Criativo: tem por objectivo o desenvolvimento do potencial criativo do indivíduo, nomeadamente através da participação em cursos e acções de formação; -Turismo Educativo: na maioria dos casos, tem por objectivo a aprendizagem de uma língua estrangeira; - Turismo Gastronómico: tem por objectivo a participação em festivais gastronómicos, a visita a restaurantes, etc; - Turismo Religioso: motivado por questões de ordem religiosa; - Turismo Espiritual e Holístico: tem por objectivo o desenvolvimento espiritual do indivíduo; - Turismo de Saúde e Bem estar; - Turismo de Voluntariado: tem por objectivo disfrutar de uma experiência com as populações locais; - Turismo de Rotas Migratórias: prática turística comummente atribuída aos emigrantes quando regressam aos seus locais de origem.

O Caso Português Um estudo promovido pelo Turismo de Portugal em 2006, e realizado pela THR (Asesores en Turismo Hotelería y Recreación, S.A.)14, apresenta o “Touring Cultural e Paisagístico” como sendo um dos 10 Produtos Turísticos Estratégicos do nosso país. Neste contexto, o “Touring” é definido como “Percursos em tours, rotas ou circuitos de diferente duração e extensão, em viagens independentes e organizadas”, cuja principal motivação é “descobrir, conhecer e explorar os atractivos de uma região”, algumas assumindo um carácter mais genérico, outras um carácter mais específico, focalizado num determinado tema (ex. as Rotas). Segundo dados divulgados pelo European Travel Monitor, este é um sector em franco crescimento, tendo-se verificado que, entre 1997 e 2004, as viagens internacionais de Touring dos europeus cresceram 7,9%. Mesmo nos casos em que a principal motivação não é o Touring, verifica-se que o mesmo está incluído no programa de viagem, o que constitui um facto igualmente a considerar. No contexto Europeu, Portugal não constitui uma primeira opção, no que diz respeito a destinos turísticos, como é possível verificar nos dados fornecidos pela World Tourism Organization.

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Impact of European Cultural Routes on SME’s innovation and competitiveness”. Provisional Edition (2011) 14 10 Produtos Estratégicos para o Desenvolvimento do Turismo em Portugal. Touring Cultural e Paisagístico”, Turismo de Portugal, 2006 7


Países Europeus mais visitados: País (+10)15 Nº de Turistas (milhões) França 76.8 Espanha 52.68 Itália 43.63 Reino Unido 28.13 Turquia 27 Alemanha 26.88 Austria 22 Ucrânia 21.20 Rússia 20.27 Grécia 15.01 Fonte: World Tourism Organization (2010) www.world-tourism.org

No entanto, e mesmo não constituindo o destino privilegiado dos turistas que visitam este continente, Portugal tem uma variedade de recursos, tanto Culturais como Naturais, alguns dos quais classificados pela UNESCO, que possuem um grande potencial, podendo constituir-se como marcas distintivas da oferta turística nacional, nomeadamente:

Bens Classificados Centro Histórico de Angra do Heroísmo, Açores Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, Lisboa Mosteiro da Batalha Convento de Cristo, Tomar Centro Histórico de Évora Mosteiro de Alcobaça Paisagem Cultural de Sintra Centro Histórico do Porto Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa Floresta Laurissilva na Madeira Centro Histórico de Guimarães Alto Douro Vinhateiro Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico Fonte: www.unesco.org

Ano 1983 1983 1983 1983 1988 1989 1995 1996 1998 1999 2001 2001 2004

Para além deste Património, Portugal tem também uma vasta oferta cultural associada ao Património Cultural Material, Imaterial e Natural16.

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Em 2007, dados mais recentes apurados, Portugal ocupava o 19º lugar no ranking dos países europeus mais visitados, contabilizando 12.32 milhões de visitantes. 16 1 Parque Nacional, 13 Parques Naturais; 9 Reservas Naturais, 6 Paisagens Protegidas e 5 Monumentos Naturais 8


Apesar de contar com recursos singulares, bem distribuídos no território nacional e com boas acessibilidades, existem carências e deficiências que dificultam uma cadeia de produção de valor eficaz e a satisfação do turista de Touring, a qual é constituída por numerosos e diversos componentes e requer um elevado grau de cooperação entre os sectores público e privado. Segundo uma pesquisa do European Travel Monitor (2004), Portugal recebe 1,7% das viagens internacionais de Touring realizadas pelos europeus, o que representa quase 750 mil visitantes, o que quer dizer que apenas 6% do número de turistas que se desloca a Portugal (12 milhões), corresponde a indivíduos cuja motivação principal é a viagem de Touring. No passado mês de Setembro de 2010, realizamos o levantamento exaustivo de todas as Rotas Culturais existentes no nosso país, sem nenhum outro critério que não a sua inequívoca relação com o Património Cultural. O resultado desta pesquisa, como é possível verificar em anexo, traduz-se uma grande diversidade de Rotas, dinamizadas por entidades públicas e privadas, e distribuídas por quase todo o país. Algumas são frequentemente citadas, outras há facilmente reconhecidas e por muitos já percorridas, no entanto, a sua esmagadora maioria não possui qualquer visibilidade e mantem-se no anonimato. As razões para o desconhecimento a que algumas das Rotas identificadas estão entregues são diversas e, algumas até, assumem alguma complexidade. A ausência de divulgação e promoção de umas e a inexistência de informação, associada a uma organização deficitária e à inexistência de infra-estruturas capazes de dar uma resposta eficaz e credível a quem procura este tipo de produto, são alguns dos factores que comprometem a eficácia do Touring Cultural em Portugal. Efectivamente, a eficácia do Touring Cultural depende da criação de condições mais favoráveis para a “exploração, conhecimento e fruição do território”, nomeadamente a “articulação de uma variada oferta de rotas, tours ou circuitos; por um bom sistema de sinalização e informação turísticas; adequação dos horários de funcionamento das atracções à actividade turística; ampla rede de áreas de descanso e de serviços básicos, tais como estações de serviço, oficinas, assistência em viagem, etc; implementação de padrões de qualidade nos equipamentos e serviços; rede de alojamento, restaurantes e serviços comerciais de qualidade que não esteja concentrada apenas nas grandes cidades; e, sobretudo, elevado grau de cooperação e coordenação entre os diversos agentes públicos e privados, quer entre si, quer entre uns e outros”.17

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10 Produtos Estratégicos para o Desenvolvimento do Turismo em Portugal. Touring Cultural e Paisagístico”, Turismo de Portugal, 2006 9


Metodologia O levantamento efectuado diz respeito a Rotas, Percursos ou Itinerários Culturais com informação disponibilizada na Internet, tendo sido realizado em Setembro de 2012. Estamos perante um levantamento exaustivo, embora, obviamente, possa existir informação que não conste deste trabalho. Neste contexto, foram analisados os sites das seguintes tipologias de entidades: - Autarquias; - Empresas; - Associações; - Organismos da Administração Pública; - Entidades do Turismo; - Outros.

Consideraram-se, para efeitos deste levantamento, as Rotas, Percursos ou Itinerários construídos com base em informação de natureza patrimonial (Património Cultural) e, em alguns casos, Rotas de carácter ambiental, em que é evidente a articulação com recursos patrimoniais.

A análise da informação de cada uma das Rotas, Percursos e Itinerários disponibilizadas online foi efectuada com base na seguinte grelha de análise: - NUT: identificação da região em que se insere a Rota, Percurso ou Itinerário. No caso de envolver mais do que uma NUT, foi considerada a designação “Portugal”;

- Região: identificação do concelho ou de uma unidade territorial, nos casos em que envolve mais do que um concelho, onde se insere a Rota, Percurso ou Itinerário;

- Designação: nome que identifica a Rota, Percurso ou Itinerário;

- Endereço web: endereço onde é feita referência à Rota, Percurso ou Itinerário, da responsabilidade do seu promotor;

- Entidade Gestora: entidade promotora e/ou gestora da Rota, Percursos ou Itinerário; - Site próprio: Rota , Percurso ou Itinerário com domínio próprio;

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- Informação em texto: existência de informação em formato de texto sobre a Rota, Percursos, Itinerário; - Site em português: existência de informação em português sobre a Rota, Percurso ou Itinerário; - Site em inglês: existência de informação em inglês, independentemente do formato, sobre a Rota, Percurso ou Itinerário; - Site em espanhol: existência de informação em espanhol, independentemente do formato, sobre a Rota, Percurso ou Itinerário; - Imagens: existência de algum tipo de registo gráfico sobre a Rota, Percurso ou Itinerário; - Contacto para marcações: existência de um contacto (telefónico ou email) para marcação das visitas; - Programa de visita: existência de mais do que programa de visitas para a mesma Rota, Percurso ou Itinerário; - Visita em várias línguas: possibilidade de visita guiada em mais do que um língua; - Mapas e plantas: existência de algum tipo de mapa e/ou planta sobre a Rota, Percurso ou Itinerário; - Documentos para download: existência de documentos para download sobre a Rota, Percurso ou Itinerário; - Redes Sociais: presença das Rotas, Percurso ou Itinerário nas Redes Sociais.

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Conclusões

A investigação desenvolvida permite-nos verificar a existência de um número elevado de Rotas, Percursos e Itinerários com carácter Patrimonial, um pouco por todo o país. Esta realidade reflecte, de forma inequívoca, a importância e a diversidade do Património Cultural Português (ver Anexo 2).

À diversidade de Rotas, Percursos e Itinerários corresponde uma grande variedade de entidades que geram e/ou tutelam esses mesmos produtos turísticos (ver Anexo 7), com especial prevalência para os Municípios.

Tendo em conta o elevado número de Rotas, Percursos e Itinerários cuja referência encontramos online, verificamos que a informação existente sobre as mesmas é insuficiente, no que diz respeito à forma e ao conteúdo. Se, por um lado, os conteúdos são limitados, não incluindo informação relevante (como, por exemplo, os contactos), deparamo-nos, muitas vezes, com informação desactualizada e pouco precisa. Por outro lado, a informação em outras línguas, que não o português, é reduzida, constituindo um constrangimento ao potencial turístico destas iniciativas.

O número de Rotas, Percursos e Itinerários com site próprio é igualmente reduzido, reflectindo uma estratégia que não privilegia a criação de uma marca e de uma comunicação eficaz, nomeadamente através da utilização das Tecnologias da Informação. Esta realidade é particularmente visível pela reduzida ligação às Redes Sociais. Segundo os dados recolhidos, apenas 4 Rotas possuem uma ligação à rede social Facebook.

A informação disponibilizada permite-nos, ainda, verificar a fraca rentabilização do potencial económico e turístico deste produtos, a que não será certamente alheia a inexistência de uma estratégia concertada, capaz de envolver diferentes parceiros e potenciar sinergias numa determinada região.

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Rotas: Palavras-Chave AÇUDE | Arte | Artesanato | Atlântico | Augusta | Azeite | Baldios | Banho | Barroco | Batalha | Castanheiros | Castelos | Castro | Cavalos | Cerâmica | Cetáceos | Cister | Condestável | Contrabando | Dão | Descobridores | Dinastia | Dinossauros | Eléctricos | Elevadores | Ermida | Espigueiros | Fojo | Fragas | Gastronómica | Golfe | Gótico | Gourmet | Gravuras | Heróica | Igrejas | Industrial | Jacobeu | Javali | Judaica | Laranjais | Literatura: | Mármores | Mato | medievais | megalíticas | Mel | Menires | Mineiro | Miradouros | Míscaro | Moinho | Montanha | Mosteiro | Museus | necrópoles | Ordem | Outeiro | Padrão | Pão | Papel | pastor | Património | Peregrinos | Planalto | Pombal | Ponte | Popular | Pré-História | Pré-Industrial | Pré-Romanico | Quartzo | Queijo | Queirosiana | Quintas | Rei | Religioso | Ribeira | Rio | Romana | Românico | Romarias | Rupestre | Ruralidade | Sabor | Sabores | Sal | Santuários | Serra | Solares | Tabernas | tanoeiros | Tradição | Vinha | Vinho | Vulcões | Xisto |

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Anexos

Anexo 1. Caminhos de Santiago: Dados Estatísticos 2011 registados na Oficina do Peregrino, em Santiago de Compostela Indicadores Peregrinos Meio de deslocação A pé Bicicleta Cavalo Carro Motivação Religiosa e outros Religiosa Não Religiosa Nacionalidades (10+) Espanha Alemanha Itália Portugal França Estados Unidos da América Irlanda Holanda Reino Unido Canadá Ponto de Partida (10+) Sarria S. Jean P. Port León Cebreiro Roncesvalles Ponferrada Tui Porto Astorga Pamplona Outras cidades portuguesas Valença do Minho Ponte de Lima Lisboa Braga Chaves Póvoa de Varzim Idades De 30 a 60 anos Menores de 30 anos Maiores de 60 anos

Nº 183.366 153.065 29.949 341 11 93.147 78.969 11.250 98.822 16.596 12.183 8649 8166 3726 2677 2398 2389 2362 39.158 19.416 10.662 10.168 9348 8141 7720 6539 5955 4237 2815 828 647 255 149 41 105.736 52.142 25.488 15


Caminhos percorridos Caminho Francês Caminho Português Caminho do Norte Via da Prata Caminho Primitivo Caminho inglês Outros Caminhos Muxia-Finisterra Profissões (5+) Empregados Estudantes Técnicos Reformados Liberais

132.652 22.062 11.729 8061 5544 2720 396 202 43.596 31839 25.082 20.399 18.862

Anexo 2. Distribuição das Rotas por Região (Portugal Continental)

49 22 55

208

Norte Centro Alentejo Algarve Grande Lisboa

222

16


Anexo 3. Rotas online com domínio próprio

54

Sim

Não

521

Anexo 4. Rotas online com informação de contacto disponível

153

Sim Não

422

17


Anexo 5. Rotas online com informação disponível na Rede Social Facebook

4

Sim Não

580

Anexo 6. Rotas online com informação disponível em vários idiomas 700 600

584

500 400 300 200 86

100

52

0

Português

Inglês

Espanhol

18


Anexo 7. Rotas online (entidades promotoras com maior destaque)

96

Municípios Turismo

380

Anexo 8. Rotas online com informações sobre o funcionamento

153

422

19


Bibliografia - Convenção Internacional para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural (1972) - Carta do Turismo Cultural (1976) - Conception d’un itineraire culturel sur la Nouvelle-France, Centre Interuniversitaire d’Études Québécoises, Laboratoire de Géographie Historique, Université Laval, Elodie Tribot, 2004 - European Travel Monitor (2004) - 10 Produtos Estratégicos para o Desenvolvimento do Turismo em Portugal. Touring Cultural e Paisagístico”, Turismo de Portugal, 2006 - Carta de Itinerários Culturais (2008) - PÉREZ, Xerardo Pereiro, “Turismo Cultural. Uma visão antropológica”. Revista de Turismo y Patrimonio Cultural, nº 2 (2009) - World Tourism Organization: www.world-tourism.org (2010) - “Impact of European Cultural Routes on SME’s innovation and competitiveness”. Provisional Edition (2011) Sites das instituições identificadas ao longo do texto

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Carta do Turismo Cultural. ICOMOS (1976) ICOMOS (2008). www.icomos.org

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Rotas, Percursos e Irinerários Culturais  

uma iniciativa do pportodosmuseus.pt

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