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OUTUBRO DE 2019 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

350 ANOS

de histórias e realizações


Editorial


MANAUS CHEGA AOS SEUS 350 ANOS EM PLENA TRANSFORMAÇÃO. Da antiga Barra do Rio Negro a grande metrópole capital da Amazônia, Manaus assume o protagonismo na luta para manter a floresta em pé e dá exemplo de preservação ambiental ao mundo com suas áreas protegidas. Tudo isso, e muito mais, você vai acompanhar nas nossas matérias sobre o I Fórum das Cidades Amazônicas e acerca de nossas áreas protegidas ambientalmente. Não poderíamos deixar de falar, em nossa edição de aniversário, sobre o local predileto eleito pelos manauaras, o complexo turístico Ponta Negra. Nesta edição, também produzimos uma matéria sobre todo o investimento realizado em Manaus, em relação ao abastecimento de água, que vem transformando a vida de pessoas para as quais a falta d’água agora é apenas um tormento do passado. Em nossa entrevista, trazemos a história de Maria de Nazaré Spencer, uma mulher que aos 94 anos conta um pouco de sua vida de muita luta, e como vivenciou a evolução de Manaus nesse período. Contamos também tudo que aconteceu na última edição do festival Passo a Paço, que bateu recorde de público e movimentou a cultura e gastronomia na cidade, iniciando os festejos dos 350 anos da capital amazonense.   Outra matéria que enfatiza um momento histórico de Manaus, é sobre a política de habitação municipal, que está ajudando a diminuir o déficit habitacional e mudando a vida de milhares de pessoas. Apresentamos também um artigo do historiador Auxiliomar Ugarte, sobre a origem do nome da cidade de Manaus. Em outra matéria falamos sobre a programação especial programada

para a comemoração do aniversário de Manaus, que traz o resgate cultural e a revitalização do patrimônio histórico do centro da cidade, além de apresentar mais um edição do Boi Manaus. Em nosso conteúdo, mostramos o trabalho desenvolvido nas creches municipais, que com sua agenda pedagógica, que figura como referência de educação, vem ajudando Manaus a ter um lugar de destaque na elite da educação brasileira. Como um grande presente de aniversário, Manaus se transformou em um imenso canteiro de obras espalhado por todas as zonas da cidade. Aqui apresentamos um pequeno resumo do andamento desses trabalhos, que vão melhorar a infraestrutura e a mobilidade na capital. Evidenciamos em nossa coluna “a Manaus que Faz” personagens do quadro do funcionalismo municipal, responsáveis pela grande diferença na vida das pessoas com o resultado de seu trabalho. Destacamos o secretário Municipal de Finanças, Tecnologia da Informação e Controle Interno, Lourival Praia, que recebeu o prêmio de “Economista do Ano” e gestora da escola municipal Waldir Garcia, Lúcia Cristina Cortez, referência no “Encontro Internacional – Educação 360”. Nossa tradicional coluna “As Cores de Manaus” apresenta as belezas naturais de nossa cidade, seu povo e sua cultura, expressa em fotografias clicadas por nossos fotógrafos. Buscamos evidenciar assuntos que, na comemoração do aniversário dos 350 anos de Manaus, marcam sua história, pela relevância na vida de cada um de nós. Desejamos que tenham uma boa leitura e se sintam parte dessa comemoração, que exalta a importância de Manaus na vida de seu povo, do Amazonas e do Brasil.


DESTAQUES FOTO: ALTEMAR ALCÂNTARA

FOTO: NATHALIE BRASIL

24 ÁGUA É VIDA FOTO: ALEX PAZUELLO

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FÓRUM DE CIDADES AMAZÔNICAS

ENTREVISTA MARIA DE NAZARÉ SPENCER

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FOTO: MARCIO JAMES

12 PONTA NEGRA

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MEIO AMBIENTE

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PASSO A PAÇO

Preservação como compromisso

Maior festival do Norte é recorde de público

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HABITAÇÃO

Política habitacional marca história

HISTÓRIA

Da Barra do Rio Negro à cidade de Manaus

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CRECHES Agenda pedagógica em destaque

EDUCAÇÃO TRANSFORMADORA Educação com acolhimento e inclusão


OUTUBRO DE 2019

Expediente FOTO: MANAUSCULT

ARTHUR VIRGÍLIO DO CARMO RIBEIRO NETO Prefeito de Manaus MARCOS ROTTA Vice-Prefeito de Manaus ERIC GAMBOA Secretário Municipal de Comunicação ELENDREA CAVALCANTE Subsecretária Municipal de Comunicação ULYSSES MARCONDES Edição Executiva ALINE RIBEIRO Diagramação ALEX PAZUELLO MARCIO JAMES NATHALIE BRASIL Fotografia ALTEMAR ALCÂNTARA DIEGO CAJA LEONARDO LEÃO MÁRIO OLIVEIRA Colaboração Fotografia BRUNA GRECO JOÃO PAULO GONÇALVES Repórteres

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JÚLIO PEDROSA Colaboração Texto

MANAUS 350 ANOS OBRAS

DERNANDO MONTEIRO Revisão

60 OUTUBRO DE 2019 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

350 ANOS

histórias e realizações

FOTO: DIEGO CAJA

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ECONOMIA EM DESTAQUE Equilíbrio fiscal e o melhor do ano

Manaus chega aos seus 350 anos como a capital da Amazônia e assume o protagonismo de uma capital que luta pelo meio ambiente, que resgata seu patrimônio histórico e que trabalha pelo bem-estar e a qualidade de vida de seu povo. Nossa capa retrata um pouco de tudo isso, destacando o Paço municipal e o rio Negro, símbolos do passado e do presente da capital amazonense. facebook.com/prefeiturademanaus @prefeiturademanaus @prefmanaus youtube.com/PrefeituradeManausOficial


MEIO AMBIENTE

FÓRUM DE CIDADES AMAZÔNICAS

FOTO: ALEX PAZUELLO

POR JOÃO PAULO GONÇALVES

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TODA A ATENÇÃO do mundo está voltada à Amazônia e, nesse momento, Manaus assume o protagonismo na luta por sua preservação. Prestes a comemorar seus 350 anos, a cidade realizou no mês de setembro o 1º Fórum de Cidades Amazônicas, ampliando a discussão em torno da preservação da floresta e suas riquezas naturais. O evento teve início no dia 5 de setembro, quando se comemora o Dia da Amazônia, e foi promovido pela Prefeitura de Manaus, em parceria com a Fundação

Konrad Adenauer e o Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade. O local escolhido para a abertura do evento foi o Pavilhão Princesa Isabel, no Complexo Armazém XV, do porto de Manaus, Centro, as margens do rio Negro. DEBATES Dentre as autoridades presentes, o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo,

Marcos Penido, disse que o fórum foi um importante instrumento para unir interesses em comum em prol da Amazônia. “Estivemos aqui juntos, trazendo o que São Paulo pode contribuir, entendendo um pouco das necessidades da Amazônia e aprendendo com a riqueza de quem vive neste local”, avaliou.

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FOTO: ALEX PAZUELLO

MEIO AMBIENTE

A atriz Tainá Duarte mediou o segundo dia de discussões

O secretário executivo da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), Gilberto Perre, lembrou do acordo firmado por todos os prefeitos do Brasil na COP de Paris. “Os prefeitos têm reafirmado o compromisso que foi assinado no acordo de Paris, de não permitir que a temperatura do mundo aumente mais de um grau e meio. E estamos aqui, em Manaus, para escrever um pacto que esperamos possa ser apresentado na COP do Chile. Essa é a prova de que os prefeitos têm consciência de que a Amazônia é fundamental para o mundo e que estão comprometidos com um crescimento sustentável”, declarou. O PACTO O evento foi responsável pela criação do Pacto das Cidades Amazônicas, documento final do fórum, resultado de uma discussão entre prefeitos e representantes dos 775

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municípios que compõem a Amazônia Legal brasileira, concentrando, aproximadamente, 23 milhões de habitantes. Entre as propostas colocadas no documento, os representantes destacaram que os municípios amazônicos devem se posicionar como grandes referências em sustentabilidade, desenvolvimento de políticas públicas, harmonizadas com marcos globais, que favoreçam a atuação em rede com governos, setor produtivo, organizações da sociedade civil e parceiros internacionais. O secretário-executivo do Iclei, Rodrigo Perpétuo, avaliou o fórum como um encontro histórico entre as cidades amazônicas, que começam a ter sua voz ecoada em grandes encontros nacionais e internacionais, que também discutem a importância da preservação e do investimento sustentável.

“Além das questões inerentes ao desenvolvimento urbano, precisamos pensar como a cidade se relaciona com a floresta, qual o papel adicional do município amazônico na conservação dela e como potencializar os ativos ambientais como insumo para geração de emprego e renda”, ressaltou. Outro ponto do pacto é a busca de investimentos para universalizar a oferta de saneamento básico na região e promoção da gestão de resíduos sólidos que incentivem o reaproveitamento de materiais, a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida da população que habita a região. “Temos que pensar numa Amazônia para pessoas, num desenvolvimento responsável da região e isso, com certeza, as cidades amazônicas podem contar com o apoio da Fundação Konrad Adenauer, para continuar promovendo esse diálogo e conectando os atores importantes para essa agenda”, destacou a coordenadora de Projetos da Fundação Konrad Adenauer, Marina Caetano. O próximo encontro entre as cidades amazônicas acontece em maio de 2020, em Porto Velho (RO), por conta do Fórum Internacional Amazônia +21. Nos dois dias de eventos o 1º Fórum das Cidades Amazônicas realizou painéis sobre economia, desenvolvimento urbano, sustentabilidade da floresta e cooperação regional descentralizada. “Esse é um momento importante para todos nós. O que foi discutido nesse fórum é a realidade das nossas necessidades e, principalmente, do que já está sendo feito em Manaus, que a torna um exemplo para outras cidades brasileiras”, ressaltou o titular da Secretaria Municipal


uma grande união em prol do desmatamento ilegal zero na Amazônia. O Pacto das Cidades Amazônicas, escrito às vésperas da 25ª Conferência Mundial do Clima, a COP 25, que acontece em dezembro 2019, na cidade de Santiago do Chile, serve como manual de responsabilidade sustentável com o propósito de criar um alerta mundial. Em conversa com o diretor da ONU na América do Sul, Alain Grimard, o fórum propôs o reconhecimento do dia 5 de setembro como Dia Internacional da Amazônia. “Para os amazônidas, o dia 5 de setembro de cada ano é o Dia da Amazônia. Seria um sonho se, em algum momento, as Nações Unidas adotassem esse dia como o Dia Internacional da Amazônia, seria um gesto sutil, generoso, e, claro, de solidariedade à floresta em pé e à exploração racional de tantas

riquezas que podem beneficiar em muito a humanidade inteira”, defendeu Grimard. REPRESENTATIVIDADE Devido as propostas pactuadas no 1º Fórum de Cidades Amazônicas realizado na capital amazonense, a Prefeitura de Manaus ganhou o reconhecimento pela Organização das Nações Unidas (ONU), sendo uma das dez prefeituras convidadas a participar dos debates das Reuniões de Coalizão, painéis da Cúpula do Clima da ONU, realizada em setembro de 2019 na sede da ONU, em Nova York, Estados Unidos. O evento reuniu, ao menos, 60 países, para discutir ações de redução nos impactos das mudanças climáticas. O encontro antecedeu a reunião com o secretário-geral da ONU, ocorrido no último dia 23 de setembro.

Autoridades nacionais discutem preservação da floresta

FOTO: ALEX PAZUELLO

de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Antonio Nelson. A atriz Tainá Duarte foi uma das mediadoras do segundo dia de discussões e afirmou que “é uma honra fazer parte de um fórum como esse, ouvir pessoas e debater sobre o desenvolvimento sustentável. Acho que temos que, além de falar sobre isso, criar soluções para progredir e prosperar sobre o meio ambiente usando a força da juventude no cenário atual”, defendeu. PERSPECTIVA MUNDIAL No Dia da Amazônia, 5 de setembro, dia da abertura do evento, o Fórum de Cidades Amazônicas reuniu representantes de organizações nacionais e internacionais, a exemplo da Embaixada da Noruega e do governo da Alemanha, além do público que se inscreveu para participar, com o objetivo de promover

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COMPLEXO TURÍSTICO

PONTA N O LOCAL PREFERIDO DO MANAUARA POR BRUNA GRECO

FOTO: MARCIO JAMES

QUAL É O LUGAR MAIS BONITO DE MANAUS? Às margens do rio Negro, a Ponta Negra é considerada o lugar mais bonito de Manaus. De acordo com a pesquisa ‘A Cabeça do Manauara’, realizada pela Imarketing Agência Digital, 37,7% das pessoas que moram na cidade optaram pelo complexo turístico. Ao todo, mais de 1,2 mil questionários foram aplicados nos dias 19 e 20 de agosto deste ano.

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NEGRA

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COMPLEXO TURÍSTICO

FOTO: MARCIO JAMES

O cartão-postal situado na zona Oeste recebe centenas de visitantes, diariamente. Nos fins de semana, um público de aproximadamente 10 mil pessoas frequenta o local para a prática de exercícios físicos, recreação e contemplação da natureza. A Ponta Negra também é palco de alguns dos maiores eventos da capital, como o tradicional Réveillon e o Boi Manaus, contabilizando 230 eventos no período de janeiro a setembro deste ano. O complexo possui mais de

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cinco quilômetros de calçadão, um trecho de 1,6 quilômetro de praia, anfiteatro, mirantes, quadras poliesportivas, uma das melhores pistas de skate do país, academias ao ar livre, quiosques, feira de artesanato, Centro de Atendimento ao Turista, entre outros espaços. A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), administra e gerencia o patrimônio público com a responsabilidade de ordenar a ocupação na areia e preservar a segurança

dos usuários. Em parceria com vários órgãos, atividades e ações são realizadas para proporcionar qualidade de vida aliada ao esporte e lazer. FAIXA LIBERADA, SAÚDE GARANTIDA Em pleno funcionamento há 10 anos, a Faixa Liberada coordenada pela Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer – Semjel, faz parte dessas iniciativas. O projeto impacta diretamente na rotina de mais de 50 mil pessoas de todas


as faixas etárias, mensalmente. Iniciante na prática de atividades físicas, Kamilla Pantoja, 31, começou o ano com novas metas para garantir boa saúde. Dentre elas, comparecer com mais frequência nos dias de Faixa Liberada, na Ponta Negra. A administradora acredita que houve um aumento de público na procura de espaços que ofereçam bem-estar e lazer, gratuitamente. “A Faixa Liberada, implantada pela Prefeitura de Manaus, integra a população à Ponta Negra. A

movimentação neste lugar confirma a aceitação das pessoas. A via completamente liberada para atividades e modalidades esportivas, chama a atenção de quem busca por novas experiências, como eu”, disse Pantoja, que aproveita os finais de semana para correr, acompanhada da amiga Maitê Brasil, 36. A Faixa Liberada, na Ponta Negra, se tornou point de encontro dos manauaras, com o trecho livre da rotatória do Tropical Hotel até a rotatória da avenida do

Turismo. O espaço atrai mais de cinco mil pessoas nas noites de quarta-feira, de 17h às 22h, e nas manhãs de domingo, de 6h às 12h. O químico Miguel Lana, 68, morador antigo do bairro, conta que sempre reserva os domingos para pedalar e admirar a beleza do cenário onde mora. “Essa iniciativa estimula as pessoas a praticarem esportes e exercícios físicos com segurança. Eu gosto muito de pedalar e fico feliz em saber que existem outros pontos como esse, principalmente como alternativa

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COMPLEXO TURÍSTICO

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conferir a programação no site da Semjel, no endereço www. semjel.manaus.am.gov.br. PRAIA DA PONTA NEGRA Banhada pelas águas do rio Negro, a praia da Ponta Negra é a mais famosa da cidade, com movimentação garantida em tempos de sol e chuva. Por estar situado dentro do perímetro urbano, o espaço atrai muitos visitantes. Segundo as normas de uso estabelecidas pela prefeitura, a praia pode ser utilizada pelos banhistas todos os dias, contanto que não ultrapassem o cordão de isolamento e respeitem o horário de funcionamento, de 8h às 17h. Placas e sinalizações de orientação estão distribuídas nas áreas de uso permitido e regular. O espaço conta ainda com salva-vidas espalhados ao longo da areia. Os corpos permanentes de segurança, incluindo a Guarda Municipal, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, atuam dando apoio ao cumprimento das regras pelos usuários.

FOTOS: MARCIO JAMES

para pessoas da minha idade, que estão aderindo a um novo estilo de vida”, completou o ciclista. Nos últimos anos, o projeto Faixa Liberada se consolidou como opção de esporte e lazer nas comunidades. Dos seis pontos espalhados em Manaus, os mais populares estão situados na Ponta Negra e no bairro da Glória, na zona Oeste, e São José, zona Leste, oferecendo espaço amplo para as tradicionais caminhadas e corridas, passeios de bicicleta, patins e patinete, futebol de travinha, basquete, vôlei, tênis de mesa, aulões de ritmos, ações de embelezamento, pula-pula e animação da turma do parque Cidade da Criança. Os interessados em participar das faixas podem

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18 FOTO: ALTEMAR ALCÂNTARA

MEIO AMBIENTE


PRESERVAÇÃO É COMPROMISSO POR JÚLIO PEDROSA

A CIDADE DE MANAUS se destaca quando o assunto é a luta pela preservação da Amazônia, logo se firma como a primeira capital da região Norte a desenvolver mecanismos para a criação do Sistema Municipal de Áreas Protegidas. A cidade possui 4,75% do seu território composto por espaços ambientalmente protegidos, que incluem unidades de conservação e corredores ecológicos municipais. Além de incentivar a proteção do que já existe, a Prefeitura de Manaus estabeleceu como meta para o Planejamento Manaus 2030 o aumento da cobertura vegetal da cidade, com a criação de novas áreas protegidas e a requalificação do uso de áreas verdes de conjuntos habitacionais, que passam a ter uso recreativo por parte da população, estimulando assim a participação social e o envolvimento dos moradores com a proteção do verde. Atualmente, o índice de cobertura vegetal da cidade está na faixa de 40,1 metros quadrados por habitante, acima do mínimo estabelecido pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (Sbau), que é de 15 metros quadrados por habitante. Esse índice é usado como parâmetro para medir a quantidade de vegetação comparativamente ao número

total de habitantes de uma cidade. Com a finalidade de aperfeiçoar o sistema de gestão de áreas protegidas, foi criado este ano o grupo de trabalho técnico científico para instituir o Sistema Municipal de Áreas Protegidas, que possibilitará a definição do uso dos espaços ambientais públicos da cidade, a exemplo de áreas verdes, áreas de preservação permanente (APPs), reservas de desenvolvimento sustentável, reservas de patrimônio particular natural, parques e novas categorias de espaços que poderão ser criados, como bosques, parques lineares, pomares urbanos, jardins comunitários, entre outros.

“A criação do sistema municipal de áreas protegidas é uma das estratégias mais importantes da agenda ambiental municipal para garantia do cumprimento das metas instituídas no ‘Planejamento Estratégico Manaus 2030’. Ao mesmo tempo em que aumenta o raio de proteção de áreas na cidade, se alia também aos objetivos do Programa Arboriza Manaus, que amplia os índices de arborização urbana do município, com ações de reflorestamento em áreas verdes e de preservação permanente”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Antônio Nelson de Oliveira Júnior.

Parques da Juventude transformam dia a dia nas comunidades

FOTO: MÁRIO OLIVEIRA

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MEIO AMBIENTE

FOTO: NATHALIE BRASIL

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), vem sistematicamente ampliando o raio de proteção de áreas públicas. Em 2018, instituiu a APA Sauim de Manaus, com 1.050 hectares, o equivalente a mais de 10 milhões de metros quadrados, com a finalidade específica de definir estratégias de conservação para a espécie sauim-de-coleira, o sauim-de-manaus, criticamente ameaçado de extinção. Ao mesmo tempo, vem desenvolvendo estratégias visando a requalificação do uso de espaços protegidos, harmonizando esses espaços com práticas educativas, de lazer e esporte, a partir da implantação de parques da Juventude em áreas verdes (Programa Espaço Verde na Comunidade) e parques lineares em áreas de preservação permanente (margens de igarapés). Até o final deste ano, a cidade terá implantado 12 parques da Juventude em área verde. “Essas áreas se juntam ao patrimônio ambiental da cidade, composto por 11 unidades de conservação, entre as quais as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e dois corredores ecológicos urbanos (do igarapé do Mindu e da cachoeira Alta, do Tarumã), que têm importância fundamental para a manutenção do ecossistema no ambiente urbano”, afirma o diretor de Mudanças Climáticas e Áreas Protegidas da Semmas, Márcio Bentes. “O sistema municipal de áreas protegidas tem um potencial educativo e mobilizador muito grande, desde que desse participem muitos segmentos da sociedade”, opina a presidente do conselho gestor da APA Floresta Manaós, Angeline Ugarte. Segundo ela, é preciso envolver os sistemas de educação e de

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FOTO: NATHALIE BRASIL

saúde, bem como as lideranças comunitárias para que o sistema de áreas protegidas se torne um bom instrumento de gestão. “As lideranças precisam se manifestar não só com voz, mas ter as suas proposições de gerenciamento das áreas protegidas reconhecidas. São os moradores que vivenciam, primeiramente, tanto as benesses quanto os efeitos das degradações ambientais”, explica Ugarte.

Revitalizações unem lazer e meio ambiente

TIPOS DE ÁREAS PROTEGIDAS Foram estabelecidos dois tipos de unidades de conservação. A de proteção integral, onde só são permitidas atividades de pesquisa e de turismo, quando bem normatizada, e as unidades de conservação de uso sustentável, onde pode haver ocupação e diferentes tipos de empreendimentos, de pequeno, médio

e grande portes. Temos os dois grupos de unidades de conservação geridos pela Prefeitura de Manaus. A gestão de áreas protegidas não é uma tarefa simples, é preciso que haja especialistas tanto das ciências da natureza quanto das ciências sociais, lidando com questões que estão conectadas com o entorno.

FOTO: NATHALIE BRASIL

NOVAS ÁREAS Estão em execução as obras de implantação de parques da Juventude em cinco áreas verdes de conjuntos da cidade: Monte Sinai, Jardim Primavera, Colina do Aleixo, Hileia II e Núcleo 15. Todos com previsão de inauguração ainda este ano. As obras dos parques da Juventude Jardim Primavera e Colina do Aleixo integram o Programa de Infraestrutura Urbana e Ambiental de Manaus, desenvolvido pela Unidade Executora de Projetos (UEP), da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), com recursos oriundos do Ministério das Cidades e financiamento da Caixa Econômica Federal. As intervenções ficam situadas no entorno imediato do Corredor Ecológico Urbano do Igarapé do Mindu e visam à proteção das margens do igarapé. Serão realizadas também intervenções nas áreas verdes dos conjuntos Lula e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em 2020. Já se encontram implantados os parques da Juventude dos conjuntos Subtenentes e Sargentos, Campo Dourado, loteamento Nascentes das Águas Claras (1 e 2), Titio Barbosa Castelo Branco 2, Rio Xingu e Flamanal.

Projetos contam com envolvimento da comunidade

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ABASTECIMENTO

FOTOS: ALEX PAZUELLO

ÁGUA É VIDA POR BRUNA GRECO

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VOCÊ SABIA que Manaus é cercada pela maior bacia hidrográfica do mundo? Quando se trata de água, a cidade se destaca por ser contemplada com uma de suas maiores riquezas naturais. Os rios são importantes para a captação e distribuição de grande parte de água para consumo, preparação de alimentos, higiene e irrigação do solo em áreas agrícolas. Buscando o acesso desburocratizado ao abastecimento de água tratada, a Prefeitura de Manaus criou a Agência Reguladora do Município (Ageman), com a responsabilidade de regular e fiscalizar os serviços prestados a mais de dois milhões de habitantes pela concessionária de água. “Em pleno funcionamento, a Ageman surgiu em dezembro de 2017, com independência total, para dar segurança jurídica aos contratos de concessão dos serviços públicos delegados pelo município e fazer o equilíbrio entre o poder concedente, que é a Prefeitura de Manaus, os usuários e a concessionária”, disse o diretor-presidente da agência, Fábio Alho, garantindo o monitoramento de metas cumpridas, recursos complementados e a boa prestação de serviços programados até 2045.

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ABASTECIMENTO

Neste ano, o saneamento básico recebeu um investimento de um valor aproximado a R$ 160 milhões. CENÁRIO ATUAL Manaus atende mais de 98% da área urbana da cidade, beneficiando mais de 500 mil residências com ligação de água disponível. Ao todo, o abastecimento conta com a capacidade de produção de água tratada de 10,1 metros cúbicos por segundo, sendo 9,7 metros cúbicos de captação superficial e 0,4 metros cúbicos de subterrânea, 20 mil metros de adutoras com diâmetros de 150 a 1.800 milímetros;

FOTOS: MARCIO JAMES

Estação de tratamento de água garante qualidade do abastecimento em Manaus

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182 reservatórios com capacidade de armazenamento de mais de 200 metros cúbicos; 3,8 quilômetros de rede de distribuição de água; além das quatro estações de tratamento de água em operação e 50 poços ativos. “Em menos de um ano, a concessionária Águas de Manaus já entregou cinco novos reservatórios, ampliando a capacidade de toda a cobertura na cidade. Até o final deste ano, é possível chegar à cobertura completa de água tratada em todos os parâmetros, com cloro e purificada, para consumo direto como consta na meta contratual”,

explicou Alho. O diretor-presidente ressaltou ainda que, para reforçar o saneamento, mais de 18 mil metros de novas redes de abastecimento foram implantadas em áreas ainda não atendidas, 11 mil metros de duplicação de adutoras de transferência de água, a substituição de cinco quilômetros de adutora, a substituição de mais de 19 mil metros de redes de distribuição, além do aumento de aproximadamente 20 milhões de litros de reserva de água. Dentro do planejamento de esgotamento, a cidade avança com a ampliação ou substituição de mais


40 mil metros de redes de esgotos e nove sistemas de esgotamento sanitário sofrerão por intervenções civis e eletromecânicas. “São 536 quilômetros de rede coletora e interceptores, 61 estações elevatórias de esgoto, 49 sistemas de coleta e tratamento em conjuntos habitacionais e áreas centrais da cidade, 82 estações de tratamento de esgoto e cerca de 1.500 metros cúbicos por mês de esgoto tratado e coletado”, comentou Fábio Alho, declarando que esse serviço estima um atendimento direcionado a mais de 400 mil habitantes. Todo volume de água disponível

nas comunidades passa pelo monitoramento e controle de qualidade, baseado na portaria 2914/11, do Ministério da Saúde, com análises mensais de captação, tratamento, distribuição e reserva. RESERVATÓRIOS Cinco novos reservatórios de água estão no cronograma da concessionária Águas de Manaus, previstos para serem entregues até o fim deste ano. Totalizando um aumento em 20 milhões de litros de água armazenados na capital, as unidades beneficiarão diretamente mais de 450 mil pessoas, em todas

as zonas cidade. Desses, três reservatórios já estão funcionando nos bairros Jorge Teixeira, Cidade Nova e Compensa, atendendo os moradores das zonas Leste, Norte e Oeste. O reservatório da Compensa tem capacidade para armazenar cinco milhões de litros de água, captada e tratada na Ponta do Ismael. Com capacidade de guardar 7,5 milhões de litros, o reservatório do Jorge Teixeira atende mais de 100 mil moradores. Entre as unidades entregues no primeiro semestre, o reservatório do Cidade Nova pode armazenar até 7 milhões de litros, contemplando

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ABASTECIMENTO Qualidade de vida garantida

FOTO: ALEX PAZUELLO

aproximadamente 200 mil pessoas com água tratada. Para o diretor-presidente da Águas de Manaus, Renato Médicis, os novos reservatórios reafirmam o compromisso da empresa com a cidade. “Os novos reservatórios, juntamente com as expansões de rede que estamos implantando pela cidade, vão nos colocar em um novo patamar e ajudar a resolver problemas antigos. Vamos promover grandes transformações na cidade, atuando sempre com seriedade e transparência”, complementou. Os reservatórios da Cidade de Deus e Colônia Santo Antônio serão inaugurados nos próximos meses. O Distrito Norte possui, atualmente, outros dois reservatórios que, juntos, somam 7,5 milhões de litros. Com a unidade inaugurada, vai operar com 14,5 milhões de litros. Além de dobrar a reserva de água tratada nas zonas Norte e Centro-Oeste, a nova unidade vai ajudar a reduzir as oscilações na pressão de água nos bairros abas-

tecidos a partir do Distrito Norte, além de facilitar a implantação de expansões de redes na área. Esse grande investimento está sendo realizado pela empresa Águas de Manaus, para dotar a cidade de captação e tratamento de esgoto, cobrindo 80% da capital até 2030, conforme o aditivo 5, firmado pela atual gestão, como poder concedente, com a antiga concessionária. Antes, a meta de 80% deveria ser atingida apenas em 2045 e os maiores investimentos seriam realizados nos últimos anos. NOVOS INVESTIMENTOS Nos próximos cinco anos, o compromisso da concessionária de água é investir 880 milhões, para dar continuidade à ampliação dos serviços de água, abrangendo a expansão do abastecimento nas zonas Norte e Leste, prioritariamente; consolidar a implantação da Tarifa Social; e a universalização do sistema de esgotamento sanitário, implantando 80% do sistema de coleta e tratamento até 2030.

Novos reservatórios ampliam abastecimento em Manaus 28


29 FOTO: NATHALIE BRASIL


ENTREVISTA

MARIA DE NAZARÉ SPENCER uma das moradoras mais antigas de Manaus

FOTO: ALEX PAZUELLO

POR BRUNA GRECO

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FOTO: ALEX PAZUELLO

MARCO ZERO da capital, o centro de Manaus preserva belezas e patrimônios públicos que resgatam o início de sua história ao longo de 350 anos. Além de diversos pontos turísticos, a localidade também faz parte da vida de um povo acolhedor e que se orgulha de suas raízes, como Maria de Nazaré Spencer. Descendente de escravos barbadianos, “dona Nazinha”, como é conhecida carinhosamente na zona Sul, está prestes a completar 95 anos de idade e tem grande parte de sua jornada registrada na rua Frei José dos Inocentes, uma das mais antigas do Centro. Nazinha nasceu após a abolição da escravidão, que no Amazonas se deu quatro anos antes da promulgação da Lei Áurea, em 1888. Mãe de 18 filhos, avó de mais de 50 netos e bisavó de 40 bisnetos, primeira baiana do Grêmio Recreativo Escola de Samba Aparecida e devota da padroeira do Brasil, carrega no corpo e na memória as marcas oriundas do racismo e representa com dignidade a garra da mulher negra e manauara.

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ENTREVISTA

FOTO: ALEX PAZUELLO

Eu tenho orgulho de ser negra e não mancho o nome de minha família. No passado, a rua Frei José dos Inocentes registrou as marcas e humilhações que sofri pela cor da minha pele, e hoje essa mesma rua prestigia a minha vitória e o respeito que conquistei. Todos me conhecem, eu sou a nega Nazá, de pé no chão.”

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Quem é Maria de Nazaré Spencer? Eu nasci aqui na rua Frei José dos Inocentes, no marco zero do centro histórico. Fui uma criança criada sem pai e sem mãe, criada praticamente como escrava na casa de terceiros. Durante toda minha infância passei fome, me alimentava de restos de comida numa cuia, andava descalça, era espancada e sofria aquilo que o negro vivencia até hoje. Eu carrego marcas de agressão em todo o corpo, não tive oportunidade de estudar e presenciei uma parte da guerra, onde tudo começou a faltar na cidade, principalmente comida. Eu tinha que dormir nas filas das mercearias, famosas “cobrinhas”, para comprar os insumos para os meus patrões e às vezes era até obrigada a roubar. Na época, os patrões da cidade tinham muito dinheiro, mas eu não tinha conhecimento porque era criada como “bicho”. Eu não tinha liberdade, não tinha familiares com quem desabafar, mas tinha muitos amigos. Deus me deu essa graça. Esses nunca me deixaram faltar um prato de comida ou uma boa diversão. Mas, tudo isso é passado, e só tenho a agradecer a Deus por eu ser quem sou. Eu tenho orgulho de ser negra e não mancho o nome de minha família. Todos me conhecem, eu sou a nega Nazá, de pé no chão. A partir de quando sua vida se manteve longe da escravidão? Ainda morando com a mulher que dizia me criar, mas que me tinha como sua escrava, fui torturada cruelmente ao ponto de ficar

hospitalizada. Um homem influente na política, que também morava na rua de casa, acompanhou o caso e essa mulher se prejudicou por conta de suas atitudes. Ao me afastarem dela, passei a seguir a minha vida, sempre com muita dignidade. Na minha juventude tive muitos filhos e não tinha apoio social, mas o tempo ensina e eu venci essa batalha. É dolorido demais ver um filho chorando de fome, e eu não tinha estudo para conseguir um emprego. Então, minha comadre me viu em uma triste situação, muito nova e sem conhecimento, e resolveu me ajudar. Ela me convidou para trabalhar numa lavanderia, chamada Brasil. Eu aceitei e passei a ser lavadeira no estabelecimento ganhando dois mil réis por semana. Quando recebi meu primeiro salário, eu abracei o meu patrão e dancei com ele toda molhada no meio da lavanderia. Os olhos dele se encheram de lágrimas, ele sabia da minha história. Naquele momento, eu me ergui como pessoa, mostrando a garra da mulher negra e manauara. Com tantos anos de história, qual o segredo da vida? Antigamente, Manaus não era desenvolvida como hoje. Não existiam canetas, usava-se apenas uma pena com tinteiro. Eu não tive muita chance de estudar, estudei pouco, mas eu coloquei todos os meus filhos na escola. Eu passei tudo que uma mãe pobre passa. Eu fui lavadeira e dona de somente um vestido. Mesmo depois de lavar muita roupa na

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ENTREVISTA

beira do rio São Vicente, quando chegava em casa não desamparava meus filhos. Eu sempre cobrava as tarefas de aula e, quando eu não sabia, pedia ajuda dos meus vizinhos. Hoje, continuo com a mesma cobrança, mas agora com meus netos e bisnetos, porque a educação é a base de tudo. Eu me entristeço e me revolto de ver nas ruas, mulheres e mães que ficam nas esquinas acompanhadas de seus filhos pedindo esmola da população. Nós estamos em Manaus, uma terra boa para plantação e colheita. As nossas crianças devem estar dentro da sala de aula, porque é o estudo e o trabalho que dignificam o homem. Temos a bandeira brasileira que diz “Ordem e progresso”, então temos que orientar os pequenos nessa prática.

De onde vem sua devoção à santa Padroeira do Brasil? Quando criança escutava muitas histórias de milagres realizados por Nossa Senhora Aparecida. Por ser descendente de escravos e sofrer na pele as dores do racismo, tinha o hábito de orar bastante e pedir proteção de Deus, para que nenhum mal me atingisse, porque todos nós temos os nossos momentos. Assim, me tornei devota da Padroeira do Brasil e tenho certeza que sem sua intercessão e minha imensa fé, não estaria aqui. O dia 12 de outubro é sagrado para mim. Todos os anos acordo cedo para preparar uma feijoada e decorar a casa, para receber familiares e amigos, num grande festejo à Padroeira. Eu sou assim, estou sempre orando pelo povo, pelas autoridades governamentais, pela nossa cidade, país e mundo. FOTO: ALEX PAZUELLO

Qual sua relação com o bairro Nossa Senhora Aparecida? O bairro Aparecida faz parte da minha história em todos os sentidos. Como já disse, os moradores daquela área sempre me acolheram como se eu fosse da família. Então, tenho por eles uma enorme consideração e respeito por tudo que fizeram por mim e meus filhos. O bairro é composto por dois lugares que sou completamente apaixonada: a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, na rua Alexandre Amorim, e a escola de samba, na rua Ramos Ferreira. Eu sou uma das fundadoras da agremiação e a primeira baiana, até hoje desfilo na avenida do samba,

representando minha Mocidade. Eu brinco no Carnaval desde os meus 15 anos de idade, quando a festa ainda acontecia na avenida Eduardo Ribeiro. Na época, fazíamos instrumentos como tambor e tan-tan, queimávamos jornais para esquentar os tambores e o xeque-xeque, rodeadas de pessoas que saíam cantarolando fantasiadas pelas ruas. As comunidades saíam nas ruas cantarolando, vestidas com fantasias e prontas para muita alegria. Eu tenho muita saudade desse tempo, que não volta mais.

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FOTO: ALEX PAZUELLO

ENTREVISTA

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Alô, Manaus, o paraíso da minha vida! Alô Manaus, Manaus de Aparecida! Eu adoro a minha terra! Faço parte da história do Amazonas e isso me valeu tudo.” Nos últimos anos, quais as mudanças que a senhora já notou no Centro? O Centro mudou muito nos últimos anos e isso engrandece a nossa história. Os lugares que mais gostei de ver a transformação foi na rua Marechal Deodoro, que antes era asfaltada de borracha e, hoje, recebeu cobertura moderna. A nossa praça Dom Pedro II carrega a memória da história da seringueira. E hoje, já conta a história da cidade em tecnologia no museu, aqui pertinho da minha casa, no Paço da Liberdade. A praça da Matriz, onde muitos prefeitos e servidores do povo se catequisaram na catedral, foi reformada e está completamente linda. Os jovens têm que valorizar tudo isso e, principalmente, essa parte da cidade. A minha rua Frei José dos Inocentes é um bom exemplo dessas mudanças no Centro. Antigamente, quando o rio enchia ou chovia muito, essa área toda

alagava. Mas, com a chegada da infraestrutura, esse problema acabou. A prefeitura tem feito um bom trabalho na cidade. Eu me identifico com a atual gestão municipal. Como protagonista desses 350 anos de Manaus, qual será sua homenagem à cidade? Eu adoro a minha terra. Eu me orgulho de ser filha deste lugar, negra, pobre e escrava quando criança. E eu agradeço muito a Deus por eu ser do jeito que sou, porque a vida está boa. E em comemoração ao aniversário da nossa cidade, eu vou pedir a colaboração dos vizinhos da rua Frei José e do entorno, para prepararmos um bolo quadrado e fazermos uma grande alvorada no Coreto, na praça Dom Pedro II. Eu desejo muitas bênçãos a Manaus, que Nossa Senhora proteja seu povo de todo o mal. Que todos os manauaras sejam felizes!

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FESTIVAL

FOTO: MARCIO JAMES

PASSO A PAÇO 2019 POR BRUNA GRECO

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A 6ª EDIÇÃO do maior “Festival de Artes Integradas da Amazônia” levou mais de 200 mil pessoas às ruas do Centro Histórico de Manaus. O projeto de ocupação cultural denominado “Passo a Paço” aconteceu durante quatro dias, de 5 a 8 de setembro, dando início às ações comemorativas em alusão ao aniversário de 350 anos da cidade, celebrado em 24 de outubro. Inovando a cada ano, o evento superou a expectativa do público presente - o dobro da edição anterior, e de todos os colaboradores envolvidos na realização dessa grande festa, com uma megaestrutura em uma área de mais de 45 mil metros quadrados no entorno do Paço da Liberdade, localizado na rua Gabriel Salgado.

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FESTIVAL

“O Passo a Paço é um dos maiores festivais do Brasil em dimensão e público. Mais uma edição com recorde de participantes só vai comprovar o carinho do povo pelo centro de Manaus e a potência do evento na região Norte”, destacou o diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Bernardo Monteiro de Paula. O festival contou com mais de 30 horas de programação repleta de shows musicais, exposições e intervenções teatrais, visitas ao Museu da Cidade de Manaus, feira de artesanato, feira gastronômica, três palcos, banheiros químicos, distribuição de preservativos e orientações educativas ao longo do percurso.

FOTO: NATHALIE BRASIL

PALCO PLATAFORMA MALCHER Situado às margens do rio Negro, o palco Plataforma Malcher instalado dentro do porto de Manaus, recebeu grandes personalidades durante os três primeiros dias do Passo a Paço. A DJ amazonense May Seven foi quem abriu o circuito de apresentações. As pratas da casa DJ Carol Amaral, banda Gramophone, Coletivo 333, Bumba Meu Rock, Márcia Novo e Santaella, representaram com muito entusiasmo o cenário da música local. Com repertórios na ponta da língua, os cantores nacionais Ludmilla, Fagner, Emicida, Zeca Pagodinho, Liniker e os Caramelows, e a atração internacional CeeLo Green, levaram o público ao delírio. “Essa é uma oportunidade empolgante para mim: é a minha primeira vez em Manaus, mas já estive em São Paulo e Rio de Janeiro antes, e o Brasil como um todo tem me

Liniker e os Caramelows

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FOTO: NATHALIE BRASIL

Baco Exu do Blues mostrou porque é a maior revelação do rap nacional

“Nós precisamos de lugares acessíveis e quando a prefeitura se preocupa com a gente conquistamos o respeito de mais pessoas e novas portas e novas experiências se abrem. Então, em nome de todos os portadores de deficiências especiais, eu me sinto grata. Além de homenagear minha cidade do coração, o evento alavanca o turismo e garante a renda de muitas famílias”, comentou a mineira.

abraçado como uma família estendida, em que eu recebo muito carinho pelas cidades em que passo”, disse o rapper americano, antes de esbanjar satisfação no palco Malcher. PALCO BANANA Inédito no festival, o palco Banana esteve localizado ao lado da Alfândega, ocupando o estacionamento do complexo portuário da cidade. Com um conceito “Cult & Brega”, a programação foi comandada pelas atrações locais Anne Jezini, James Rios, Mady e seus namorados, irmãs Lary Go & Strela e pelas bandas Oblivion e Saturno. Já o cenário nacional trouxe os sucessos de Sidney Magal, Baco Exu do Blues, Letrux, Jaloo, Roberta Miranda e o “rei do arrocha”, Guto Lima. Os intervalos foram embalados pelos hits do DJ BSRapha. Em busca da integração de todos os visitantes, a Prefeitura de Manaus montou uma área reservada às pessoas com necessidades especiais. Morando na cidade há 30 anos, a cadeirante Cleonice Petillo, 47, aproveitou para curtir uma boa música ao lado do esposo.

PALCO ARENA Outra novidade da sexta edição do festival foi o “Passinho”, reali-

zado no Coreto e no palco Arena, montado no estacionamento do Paço da Liberdade. Os espaços foram totalmente pensados para a diversão e segurança da garotada. A programação reuniu mais de 19 mil pessoas no último dia do evento. Além da Gandhicats, o grupo Di Bubuia e os cantores Marcella Bártholo, Lorenzo Fortes e Raylla Araújo abrilhantaram o Coreto com muito talento, remetendo as crianças ao famoso programa de TV “The Voice Kids”. Os grupos Barbatuques, Show da Zelda, K-pop e o FutParódias assumiram as apresentações do palco Arena, fazendo o público movimentar o corpo e cantar músicas infantis. Para Michel Oliveira, 37, essa ideia de adaptar ambientes para as crianças é uma ótima oportunidade para estimular a socialização desde a infância. “Prestigiar o Passo a Paço foi a maneira que encontrei para mostrar parte da cidade e a nossa bela cultura aos meus filhos Miguel e Milena. E tudo isso com muita organização, sem nenhum problema, somente com muita diversão e alegria”, disse o professor.

FOTO: NATHALIE BRASIL

Uma das atrações principais do domingo, Marcella Bartholo agitou o 'Passinho'

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FESTIVAL

FOTO: NATHALIE BRASIL

panhada de sua equipe na barraca da Zefinha Bistrô, com um cardápio diversificado. Os pratos de comidas comercializados pelos proponentes respeitaram o valor mínimo de R$ 5 e o valor máximo de R$ 20.

OCUPAÇÕES ARTÍSTICAS Um dos maiores sucessos de teatro de bonecos, o Giramundo invadiu as ruas do Centro e despertou a curiosidade do público durante a programação do Passo a Paço. Em homenagem aos seus quase 50 anos de existência, a história do grupo de Belo Horizonte foi contada em uma exposição instalada no Les Artistes Café Teatro, na avenida 7 de Setembro, por meio de intervenções artísticas. “A gente está muito feliz de estar aqui com um pouquinho do Giramundo. Estamos contentes de fazer parte de um evento grandioso, que ocupa espaços públicos para valorizar suas raízes e dar oportunidade para artistas locais e de fora. Eu espero que este festival continue por muito tempo e que esse público maravilhoso permaneça prestigiando e valorizando esses momentos. Eu só tenho a agradecer a Manaus e

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aos manauaras por nos receberem tão bem”, falou Beatriz Apocalypse, diretora artística do Giramundo. FEIRA GASTRONÔMICA É impossível prestigiar o Passo a Paço e não cair na tentação de se deliciar com uma boa gastronomia. Nessa edição, o entorno da praça Dom Pedro II foi tomado por 40 espaços divididos em barracas do chef, novos chefs, food truck e futuros talentos. “Eu acho o Passo a Paço, desde o início, uma grande ideia. É um festival que acolhe o público em geral, com qualquer poder aquisitivo. Para nós da gastronomia, é muito importante mostrar o nosso trabalho e chegar mais próximo de todos. Então, o Passo agrega entretenimento à população com preço acessível, e com diversão pura. Manaus merece um evento como esse”, ressaltou a chef Selma Reis, que esteve acom-

MUSEU DA CIDADE Protagonista do Passo a Paço 2019, o Museu da Cidade de Manaus manteve seu pleno funcionamento nos quatro dias de evento. Ao todo, mais de 16 mil visitantes, entre manauaras e turistas, circularam pelo lugar, apreciando a beleza arquitetônica e a exposição permanente e tecnológica “A Cidade de Manaus: História, Gente e Cultura”. Em meio à multidão, estava o peruano Lucho Comemucho, acompanhado da esposa e filha, que aproveitou o evento para desbravar a história e a cultura da cidade. “Nosso trabalho nos permite viajar bastante, porque trabalho com arte. Agora estamos nesta cidade maravilhosa, que é Manaus, muito generosa e de gente muito solidária. Estou apaixonado pelo evento e o museu, que tem muita beleza e possui uma linha cronológica para interagirmos. As imagens são lindas também”, afirmou o artista. AÇÃO SOLIDÁRIA Pela terceira vez sucessiva, o Fundo Manaus Solidária participou com um estande localizado em frente ao prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre a avenida 7 de Setembro e a rua Governador Vitório. No local, a população teve acesso a informações das atividades e ações desenvolvidas pelo órgão e sobre como fazer parte da campanha #ManausSolidária, que auxilia pessoas em situação de risco social.


FOTO: NATHALIE BRASIL

Museu Cidade de Manaus foi o protagonista do festival

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HABITAÇÃO

UM LAR PARA MORAR

FOTO: MARCIO JAMES

POR JOÃO PAULO GONÇALVES

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PODER CHEGAR em seu lar e deitar a cabeça no travesseiro, depois de um dia cansativo de trabalho, protegido pelo teto da casa própria, é o sonho de muitos que, nos últimos anos, vem se concretizando. Essa é a realidade de 25 mil famílias manauaras beneficiadas pelos projetos habitacionais da Prefeitura de Manaus, que garantiu a elas uma melhor qualidade de vida, bem-estar e conforto. Manaus, mais uma vez, marca história com uma administração municipal que construiu mais casas populares que todas as outras administrações juntas, nesses seus 350 anos de história. Isso restabeleceu uma política de habitação que se encontrava apagada e que nada fazia para diminuir o déficit habitacional.

CIDADÃO MANAUARA A prova disso são as obras para a construção dos 500 novos apartamentos da primeira etapa do habitacional Manauara 2, que seguem a pleno vapor, com praticamente todas as unidades levantadas. Em dezembro de 2016, foram entregues as primeiras 748 unidades, no Cidadão Manauara 1, localizado no bairro Santa Etelvina, zona Norte da cidade, beneficiando famílias de baixa renda que moravam em áreas de risco.

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HABITAÇÃO

Obras a todo vapor

As obras das novas unidades habitacionais do conjunto Manauara 2 alcançam 90% de execução e devem ser entregues no início de 2020. Além disso, mais 500 seguem com 50% das obras concluídas na segunda etapa do conjunto habitacional. O cidadão Manauara 2 já conta com a implantação da via de acesso e a uma área institucional, onde serão construídos os prédios públicos, como uma escola e uma Unidade Básica de Saúde (UBS). “As obras estão bem avançadas e nós vamos avançar muito mais no programa habitacional”, garantiu o

subsecretário de Habitação e Assuntos Fundiários (Subhaf), Arimateia Viana. REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA A Prefeitura de Manaus também está realizando o maior Programa de Regularização Fundiária de sua história, já totalizando a regularização de 9 mil imóveis definitivos. Os títulos já concedidos atendem todas as zonas da cidade, de um lote previsto de 20 mil títulos definitivos. A meta é que sejam disponibilizados, até o final de 2020, 50 mil títulos.

Essa ação faz parte da política pública municipal de regularização fundiária, permitida por meio da Lei Federal 13.465/17, que estabelece os parâmetros legais para regularizar áreas de propriedade particular, desde que observados os requisitos legais. A legislação permitiu dirimir litígios novos e em andamento no município de Manaus. A ação de regularização contempla famílias de baixa renda e o registro de imóvel, e na segunda fase do projeto o intuito é expedir, prioritariamente, em nome de mulheres chefes de família. FOTOS: MARCIO JAMES

Cidadão Manauara II, etapa A em fase final

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HABITAÇÃO

FOTO: MAURO SMITH

FOTO: MARCIO JAMES

FOTO: MARCIO JAMES

SERVIDOR PÚBLICO Inédito na capital, o Programa Habitacional do Servidor Público firmou parceria com o mercado imobiliário privado, por meio de 11 construtoras e quatro instituições financeiras. Com a venda de 1,6 mil imóveis até outubro de 2019, entre casas e apartamentos, foram injetados na economia local, sobretudo na cadeia produtiva da construção civil, R$ 300 milhões. Atualmente, o programa atende servidores com renda salarial de R$ 1,8 mil a R$ 9 mil. O objetivo é dar ao servidor a oportunidade de adquirir o imóvel próprio e a meta é alcançar 22 mil servidores municipais, oferecendo condições especiais de financiamento dos imóveis. INCENTIVOS E ISENÇÕES A prefeitura também incentivou entidades do “Minha Casa, Minha Vida”, habilitadas junto ao governo federal, para construírem, disponibilizando isenção de impostos, alvará e emolumentos. Como, por exemplo, o loteamento residencial Orquídea com 600 unidades habitacionais, e o Instituto de Ação Social Vida e Saúde do Amazonas (Iasvisam) com 500 unidades, além de outras entidades. A Prefeitura de Manaus vem atuando em várias frentes, no que diz respeito à política habitacional. Outro exemplo é a isenção de taxas para a construção de moradia popular, beneficiando mais de 11 mil famílias com dispensa de ITBI e IPTU, pelo período de 5 anos, nos residenciais Viver Melhor 1, 2 e 3, bem como para as famílias do residencial Cidadão Manauara I, na zona Norte.

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FOTO: MARCIO JAMES

Programa de regularização fundiária já entregou 9 mil títulos definitivos

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HISTÓRIA

DE CIDADE DA BARRA DO RIO NEGRO A CIDADE DE MANAUS

POR AUXILIOMAR SILVA UGARTE PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS E DOUTOR EM HISTÓRIA SOCIAL PELA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

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QUANDO FORAM DORMIR na noite do dia 4 de setembro de 1856, pouquíssimos habitantes da capital da Província do Amazonas – os membros de sua elite político-administrativa – sabiam que, a partir daquela data, a Cidade da Barra do Rio Negro mudara seu nome para Cidade de Manaus (Manáos, segundo a grafia da época). No dia 5 de setembro, a maioria dos habitantes ficou sabendo de tal mudança, quando um grupamento militar percorreu as ruas da cidade, anunciando que a mesma havia mudado de nome – projeto votado na Assembleia Provincial, tornando-se a Lei nº 68 (de 4 de setembro de 1856), com a sanção de João Pedro Dias Vieira, então presidente da Província do Amazonas. A proclamação do novo nome da capital amazonense, realizada pelo referido grupamento militar, soou para boa parte dos ouvidos citadinos como um presente coletivo, uma vez que coincidia com o sexto aniversário de criação da Província do Amazonas. Pelo menos, foi esta a percepção expressa no editorial do jornal “Estrella do Amazonas”, edição número 168, de 6 de setembro de 1856, página 4 – pertencente a Francisco José da Silva Ramos – quando, um dia após essa proclamação altissonante, a mesma foi registrada. O vocábulo Manáos/Manaus não era desconhecido daqueles citadinos. Ele nomeava tanto um igarapé – que lhes servia de balneário –, quanto um regato de águas cristalinas – que lhes servia como abastecedor de água potável. Esse vocábulo, que nomeava os dois cursos d’água, ficara como memória da presença de famílias da nação Manau, que ajudaram a


aumentar o povoamento do Lugar da Barra, ainda na segunda metade do século XVIII, segundo o testemunho do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, em 1787, em “Diário da Viagem Filosófica ao Rio Negro”. Talvez, uma parte daqueles citadinos não lembrava ou não sabia, embora outra parte lembrasse ou soubesse que o referido vocábulo Manáos/Manaus já havia sido empregado, também, como nome da sede da extinta Comarca do Alto Amazonas da Província do Pará, quando o Lugar da Barra mudou de condição jurídica e de nome, passando a ser Vila de Manaus, durante 15 anos (18331848), por ato administrativo do governo da Província do Pará: “Artigo 27. O Lugar da Barra do Rio Negro fica erecto em Villa com a denominação de Manáos...” e “Artigo 40. Ao termo da Villa de Manáos ficam unidos os das Villas de Tefé e Mariuá, sendo o primeiro a cabeça dos termos” (Divisão das Comarcas e Termos da Província do Pará, feito em cumprimento do artigo 3º do Código de Processo Criminal. Secretaria de Governo da Província, 25 de junho de 1833. Pará - Belém, Typographia do Correio, 1933, p. 2). Em fins de 1848, a Vila de Manaus mudou de condição jurídica e nome, passando a ser Cidade da Barra do Rio Negro, segundo a Lei nº 145, de 24 de outubro de 1848. A Comarca do Alto Amazonas teve, então, uma cidade como sua sede, durante quase dois anos. Foi esta Cidade da Barra do Rio Negro que – com a sanção de Dom Pedro II, nos inícios de setembro de 1850 – tornou-se a capital da Província do Amazonas: “Art. 2º.

A nova Província terá por Capital a Villa da Barra do Rio Negro, enquanto a Assembleia respectiva não decretar a sua mudança” (“Lei nº 582, de 5 de setembro de 1850”. In Colecção de Leis do Império do Brasil de 1850. Rio de Janeiro, Typographia Nacional, 1850, Tomo 11, Parte 1ª, Seção 36ª, p. 271). Porém, note-se que, no referido artigo da supracitada lei, registrou-se um equívoco redacional quanto à condição jurídica da capital da recém-criada Província do Amazonas, uma vez que o legislador, não sabendo que a mesma já tinha a condição de Cidade da Barra do Rio Negro, apresentou-a na condição de Vila da Barra do Rio Negro. Pelo uso contínuo do nome Cidade da Barra do Rio Negro, durante os seis anos de sua vigência como denominação da capital da Província do Amazonas (18501856), tanto em documentos da administração pública quanto em outros registros de grande circulação (jornais, por exemplo), parece que o equívoco presente no artigo 2º da Lei 582 foi ignorado. E parece, também, que esse intervalo temporal foi suficiente para que pessoas simpáticas ao vocábulo Manaus – o qual deveria compor o nome da capital amazonense – passassem a amadurecer sua retomada oficial, tal como existira na denominação Vila de Manaus. Possivelmente, foi essa a razão que animou o projeto de lei, na Assembleia Legislativa Provincial do Amazonas, que ao receber a votação exigida, tornou-se, posteriormente, a Lei nº 68, de 4 de setembro de 1856. Aquela proclamação altissonante feita pelo grupamento militar encontrou boa acolhida entre os

citadinos da capital amazonense, pois segundo o “Estrella do Amazonas”, a “mudança do nome da capital foi geralmente aplaudida”, uma vez que “todos acham o nome de Manáos mais nosso e mais significativo”. Na coincidência do sexto aniversário de criação da Província do Amazonas e da proclamação da lei que tornava a Cidade da Barra do Rio Negro em Cidade de Manaus, houve muitas festividades, segundo, ainda o jornal dirigido por Silva Ramos: “Durante o dia e a noite, em todas as ruas e praças, subiam ao ar repetidas girandolas; e toda a população exprimia entusiasticamente o júbilo de que se achava possuída”. Em nossa opinião, o segmento da elite político-administrativa da Província do Amazonas, que conseguiu mudar o nome da capital amazonense para Cidade de Manaus, também conseguiu mobilizar os sentimentos afetivos daqueles citadinos. Possivelmente, os mesmos não tiveram receio de se identificar ao nome de uma nação indígena amazoníndia, embora sendo uma nação que não mais existia e sobre a qual – nas circunstâncias da retomada de seu nome oficialmente – havia mais lendas do que conhecimento histórico verídico. Ao que tudo indica, ali principiou nova configuração de identidade em relação à capital amazonense; ora, se nem todos os seus 10.309 habitantes ficaram entusiasmados com a mudança ocorrida, nem por isso a mesma deixou de fascinar uma grande parte daquele contingente demográfico, segundo podemos captar da referida edição do jornal “Estrella do Amazonas”.

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FOTO: LEONARDO LEÃO

MANAUS 350 ANOS

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COMEMORAÇÕES COM MUITA CULTURA COM MUITO PLANEJAMENTO, a Prefeitura de Manaus realiza inúmeras obras para presentear a cidade pela passagem de seus 350 anos. Mas é na semana comemorativa do dia 24 de outubro, data oficial do aniversário, que muitos eventos acontecem para festejar a data junto à população. O mais tradicional deles é o Boi Manaus, que anualmente integra o calendário da programação de aniversário da cidade. Pelo quinto ano

consecutivo, o evento vai ocupar um dos principais cartões-postais da capital, o complexo turístico Ponta Negra, zona Oeste. O evento é gratuito e acontece nos dias 23 e 24 de outubro, quando mais de 30 artistas de boi-bumbá se apresentam em quatro trios elétricos. Essa será a 22ª edição do evento e contará com referências como David Assayag, Sebastião Júnior, Israel Paulain, Arlindo Júnior, Márcia Siqueira, Klinger Araújo, entre outros.

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FOTO: ALTEMAR ALCÂNTARA

MANAUS 350 ANOS

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FOTO: LEONARDO LEÃO

te estão: “Anaconda” (1997), “Tainá uma aventura na Amazônia” (2001), “Tainá 2 – a aventura continua” (2004), “Espelho D’Água – uma viagem no rio São Francisco” (2004) e “Amazônia – o planeta verde” (2012). Óscar Ramos morreu em 13 de junho deste ano, por volta de 5h50, no Hospital Beneficente Portuguesa, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

RESGATE HISTÓRICO Após um minucioso trabalho de resgate, será apresentado à população o “Hino de Manaus” em uma belíssima apresentação com orquestra no Paço Municipal, Centro Histórico de Manaus, no dia 24 de outubro. A composição, de Nicolino Milano e Thaumaturgo Sotero Vaz, datada de 1906, teve uma nova versão, mantendo os acordes originais, porém com suas partituras reeditadas para orquestra, piano, bandas marciais e corais. O responsável por repaginar o instrumental do “Hino de Manaus” é o maestro Otávio Simões, que também regeu a captação do áudio, reeditado pela orquestra Amazonas Filarmônica e o Coral do Amazonas. CENTRO CULTURAL Ainda no dia 24 de outubro, acontece a inauguração do Centro Cultural Óscar Ramos, que vai ocupar as dependências das casas mais antigas da cidade, a 69 e 77, localizadas na rua Bernardo Ramos, no centro histórico. O novo centro cultural homenageia Óscar Ramos (1938-2019), artista plástico, designer gráfico,

diretor de arte e cenógrafo. Considerado um dos principais nomes da cultura contemporânea do país, o amazonense também foi curador e responsável por inúmeras exposições regionais e nacionais. No cinema, sua atuação foi bastante consistente. Atuou na direção de arte de longas-metragens nacionais e internacionais e filmes publicitários, como por exemplo, “O Gigante da América” (1978), de Júlio Bressane, e “O Escorpião Escarlate” (1990), de Ivan Cardoso, pelo qual foi premiado no Festival de Gramado. Entre sua filmografia mais recen-

PAVILHÃO UNIVERSAL As comemorações seguem no dia 25 de outubro, quando será inaugurado o Pavilhão Universal, retornando à praça Adalberto Vale e completando mais uma fase do resgate do patrimônio do centro histórico. O Pavilhão foi desmontado da praça Tenreiro Aranha e passa a ser remontado na praça Adalberto Valle. A Tenreiro Aranha recebeu obras de revitalização e recomposição do piso em pedra portuguesa, onde antes estava a estrutura. Logo serão entregues à população não só o Pavilhão, como as duas praças totalmente revitalizadas, dando uma nova cara ao centro histórico. FOTO: ALTEMAR ALCÂNTARA

Um espaço dedicado à vida e obra de Óscar Ramos

Pavilhão Universal retorna ao seu lugar de origem

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FOTO: NATHALIE BRASIL FOTOS: ALEX PAZUELLO

CRECHES

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AGENDA PEDAGÓGICA MUNICIPAL POR JOÃO PAULO GONÇALVES

BOA PARTE do avanço da educação no município se deve ao crescimento do número de creches em Manaus, que em 2013 possuía apenas uma, e agora contabiliza 19 unidades em pleno funcionamento. Atualmente, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) atende a 5.450 crianças, de 0 a 3 anos de idade. Aumentar consideravelmente o número de creches e aliar isso ao comprometimento dos professores da rede municipal de educação fortalece as inúmeras conquistas da Prefeitura de Manaus, que se traduz em um grande salto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que amargava a 23a posição e agora figura em 9o lugar, entre a elite da educação brasileira. Inicialmente, deixar o filho em uma creche cria um momento de muita apreensão para os pais, ao assistirem o início da vida escolar de suas crianças. Por isso, a Semed tem se destacado com uma agenda pedagógica pioneira, que promove

experiências transformadoras aos novos alunos, e tudo isso com um diálogo direto com os pais, que enriquece as experiências do universo de aprendizado de seus filhos, dentro e fora da escola. Isso se deve a um conjunto de atividades que enaltece o trabalho no ensino e aprendizagem dos bebês, com jogos e dinâmicas interativas, de acordo com suas vivências. Para a gerente do Programa de Gerências de Creches (PGC), Wissilene Brandão, da Secretaria Municipal de Educação (Semed), quando o trabalha começa no berço, o processo de ensino e aprendizado de qualquer criança é muito mais avançado. “O papel da Agenda Pedagógica é que se você pega um bebê, independentemente da sua classe social e consegue fazer um trabalho com uma base educacional boa, é muito provável que essa criança vá dar belos frutos em seu aprendizado quando estiver em séries mais avançadas”, destacou.

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CURRÍCULO ESCOLAR O trabalho desenvolvido nas creches municipais conta com o currículo escolar “Vivências e Saberes”, baseado no desenvolvimento de experiências para as crianças. Além disso, com a agenda curricular que cada aluno recebe da prefeitura, familiares e professores mantêm diálogo diário sobre as diversas situações que acontecem dentro e fora da escola. O Programa de Gerência de Creches (PGC), também vem atuando na capacitação de profissionais. Essa proposta reflete na qualidade

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FOTOS: NATHALIE BRASIL

CRECHES

da educação, que está ligada ao desenvolvimento dos programas desenvolvidos nas creches. O quadro funcional das creches é composto por uma equipe de profissionais multidisciplinares, entre eles professores, pedagogos, técnico de enfermagem, auxiliar administrativo e manipuladores de alimentos. “Essas orientações são sistematizadas a partir de uma equipe técnica, onde nós vamos criando estratégias, como teatro, leituras, gincanas esportivas e dinâmicas em salas de aula, para que essas

ações venham de encontro com a necessidade da nossa comunidade escolar e também dos nossos bebês”, explicou a diretora da creche municipal Luzenir Farias Lopes, Tathiane Cunha. ESTRUTURA A estrutura das creches abrange salas de aula, de atividades e multiuso, fraldário, lactário, solário, pátio coberto, refeitório, banheiros comuns e adaptados, área externa, recepção, secretaria, almoxarifado, sala de professores, sala de direção e coordenação, cozinha, despensa, lavanderia, depósito de material de limpeza e depósito de lixo. Das 19 unidades de educação infantil instaladas no município, 15 são próprias e quatro são conveniadas. Com as inaugurações de creches e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), a rede municipal de ensino de Manaus passa a atender aproximadamente 52 mil crianças, de um a cinco anos, que estudam em 266 unidades de ensino. A secretária municipal de Educação, Kátia Schweickardt, lembrou da importância de as famílias colaborarem com a educação, acompanhando seus filhos no aprendizado. “Isso, com certeza, vai fazer com que a gente busque esse resultado. Não é uma conquista da Semed, nem do prefeito, mas da cidade de Manaus”, disse, ressaltando que o lema da secretaria é “Família e Escola, todos responsáveis pela educação”. O processo de melhoria na qualidade do ensino coloca as creches municipais em um patamar competitivo, inclusive, com as melhores escolas particulares. “Pegamos o ensino municipal no 23º lugar do


Ideb. Hoje estamos lutando para obter uma média de 6,4 na Prova Brasil e ficarmos em 8º lugar. Até o momento, Manaus detém a 9ª posição entre as escolas municipais, e isso não é apenas a tradução de números, é a tradução da estratégia, do planejamento, da execução e do comprometimento de todos”, afirmou a secretária. PAISAGISMO Além da infraestrutura e servidores qualificados, as creches de Manaus contam com projeto de paisagismo e arborização, que torna o espaço mais humanizado. O trabalho foi desenvolvido pelo departamento de Arborização e Sustentabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). São árvores de espécies frutíferas e florestais, como acerola, graviola, araçá-boi, rambutã, biribá e pau-pretinho, e canteiros com jardins floridos compostos por espécies ornamentais. Os espaços também receberam grama e podem ser utilizados pelas crianças em atividades de educação ambiental.   RECONHECIMENTO Em reconhecimento à categoria, nos últimos anos, a Prefeitura de Manaus concedeu aos docentes do município reajustes salariais acima da média brasileira, ampliou as oportunidades de qualificação profissional, criou o “Programa de Tutoria Educacional”, realizou concurso público, além de efetivar investimentos acima do que é exigido pelo Ministério da Educação (MEC). O convívio diário e a dedicação de alguns professores fazem com que, para alguns alunos, eles sejam como membros da família, como conta Evelim Lopes, que estuda na

escola municipal Paula Aliomar, na comunidade Tarumã-Açu, na área ribeirinha do rio Negro. “Eu não tenho pai e é dos professores que eu recebo incentivo, coisa que eu não tive em casa. Na escola encontrei tudo isso e é graças aos professores que pretendo continuar estudando. Eles me incentivam e dizem que posso alcançar tudo o que eu quiser, com dedicação e esforço, para proporcionar uma vida melhor para a minha família”, relata a adolescente, que está no 9° ano do ensino fundamental.    EDUCAÇÃO EM NÚMEROS A Prefeitura de Manaus conta

hoje com mais de 15,7 mil servidores atuando na educação municipal. Desses, 12,9 mil são professores que colaboram de forma fundamental na educação dos mais de 240 mil alunos matriculados nas 499 unidades da Semed Manaus. É a terceira maior rede de educação do Brasil e que conquistou um índice de aprovação de 93% dos alunos regularmente matriculados no ano passado. Além disso, Manaus apresenta redução de mais de 70% no abandono escolar. Nos últimos 18 anos, de acordo com dados disponibilizados pelo MEC, a rede educacional de Manaus nunca obteve uma taxa de abandono tão baixa.

Dezoito novas creches foram inauguradas nos últimos sete anos 59


OBRAS

POR TODA MANAUS

FOTO: MARCIO JAMES

POR JOÃO PAULO GONÇALVES

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COMO PARTE DAS COMEMORAÇÕES de aniversário de 350 anos da cidade de Manaus, a prefeitura vem realizando diversas obras de infraestrutura, que estão mudando a cara da cidade, construindo uma agenda positiva sobre mobilidade urbana, trazendo mais qualidade de vida e comodidade para quem vive em uma metrópole que está cotidianamente se desenvolvendo. Umas das principais obras em andamento na capital amazonense é a construção do complexo viário Ministro Roberto Campos, que em cinco meses já chega a 55% dos serviços finalizados, dando forma ao novo anel viário da Constantino Nery. A meta da Prefeitura de Manaus é entregar a obra em tempo recorde de dez meses, ou seja, cinco meses antes do prazo contratado. “Começamos a obra em abril e, em cinco meses, ultrapassamos os 50% dos trabalhos executados. Isso porque uma prefeitura organizada

faz as coisas andarem direito. Os empresários do Consórcio Manaus trabalham empenhados, porque sabem que executou, mediu, faz-se o pagamento. Enquanto está todo mundo pendurado (Estados e municípios), nós temos equilíbrio fiscal e previdenciário, com dinheiro em caixa e de parceiros para tocar as nossas obras”, destacou o Secretário Municipal de Infraestrutura (Seminf), Kelton Aguiar. O complexo viário Ministro Roberto Campos irá interligar as zonas Centro-Sul e Oeste, por meio de duas passagens subterrâneas entre as ruas Pará e João Valério com a avenida São Jorge. A obra alcança 100% das estacas de sustentação já implantadas, fazendo a contenção do solo, que possibilita o trabalho das escavações subterrâneas no trecho da João Valério e Pará.

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FOTO: MARCIO JAMES

OBRAS

Complexo Viário Roberto Campos será entregue em tempo recorde

“Está concluída a primeira etapa da obra e por isso é possível se dar início às escavações subterrâneas, trabalhando cuidadosamente com as questões da interferência, como a rede de adutoras e de gás, sendo a parte mais delicada da obra”, relatou a engenheira fiscal da obra, Iglete Acióle. Após as escavações, será concluída a implantação de toda tubulação da rede de drenagem profunda, que possui a função de realizar a captação das águas das chuvas do complexo viário e destiná-las ao igarapé da Cachoeira Grande, na zona Oeste. Ao fim do projeto, a população também irá contar com novas e modernas estações de transporte coletivo, que correspondem à construção das estações de ônibus que vão atender o Bus Rapid Transit, o BRT.   MANOA Outra nova obra de infraestrutura viária que irá causar um grande impacto na mobilidade urbana é a construção do complexo viário do Manoa, na zona Norte. A Prefeitura de Manaus apresentou a obra,

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que será composta por duas pistas aéreas construídas sobre uma rotatória, além de alças de acesso. O projeto também faz parte do pacote de obras em comemoração aos 350 anos da cidade. Os trabalhos do novo sistema viário do Manoa já foram iniciados com a instalação do canteiro de obras e perfuração do solo, para instalação de estacas que servirão como alicerce para a construção. Durante o período da obra, previsto para 360 dias, há um planejamento para alterações no tráfego de veículos. Com uma área de abrangência de 283 mil metros quadrados, o complexo viário é composto por um

viaduto, que transpassará por cima de uma rotatória, e um sistema binário de tráfego na área dos bairros Mundo Novo e Cidade Nova. Orçada em R$ 47,1 milhões, a obra será executada pelo consórcio formado pelas empresas JNasser Engenharia Ltda. e Construtora Soma Ltda., vencedoras da licitação. REQUALIFICA O programa de Requalificação Viária de Manaus, o “Requalifica”, está na terceira etapa e avança em mais frentes de trabalhos, simultaneamente, por toda a cidade. São obras de infraestrutura que vão recuperando vias com novo pavimento asfáltico em todas as zonas da cidade. As melhorias integram o pacote de obras em comemoração aos 350 anos da cidade. Os moradores da estrada do Cetur, que recebeu 7,2 quilômetros de nova via, fizeram questão de acompanhar o início das obras. “A estrada do Cetur é muito longa e é um dos principais acessos ao Tarumã. Estamos contentes que a pista receberá novo asfalto”, comemorou o morador Fabrício Andrade. O trabalho de recapeamento nas vias envolve o processo de fresagem, que é a retirada do asfalto FOTO: NATHALIE BRASIL

Programa Requalifica presente em toda a cidade


FOTO: DIEGO CAJA

antigo, preparando o solo para receber a nova pavimentação em Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), que garante a qualidade no serviço. Ao final do Requalifica - que envolve mais de 300 servidores públicos, toneladas de massa asfáltica, caminhões, tratores, espargidores e equipamentos específicos – a Prefeitura de Manaus espera ter alcançado mais de 461 quilômetros de novo asfalto, beneficiando quase 600 ruas em toda a cidade. DISTRITO A Prefeitura de Manaus e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) desenvolvem o projeto de recuperação da malha viária do Distrito Industrial 1, desde maio deste ano. Os dois lotes já contratados começaram a ser executados logo após o lançamento com o trabalho de fresagem - retirada do asfalto antigo - na bola da Samsung. O processo licitatório do lote 1, o maior e mais crítico, contempla aproximadamente 36 quilômetros de vias, incluindo a bola da Suframa, que recebem serviços como recapeamento asfáltico, pavimentação rígida, drenagem profunda e superficial, entre outros. A recuperação da malha viária do Distrito é um compromisso para com a economia local. No valor de R$ 150 milhões destinados para a obra, serão gastos R$ 136 milhões, juntamente com acompanhamento do Ministério Público Federal. Equipamentos modernos estão sendo utilizados na obra, entre elas uma nova máquina de fresagem, capaz de fazer 300 metros quadrados por hora, o que dá grande agilidade ao serviço.

Asfalto de qualidade toma conta de Manaus

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COLUNA

A Manaus que faz EDU CAÇÃO TRANS FORMA DORA

FOTO: ALEX PAZUELLO

POR BRUNA GRECO

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POR APLICAR uma pedagogia inclusiva e transformadora, a gestora da escola municipal Waldir Garcia, localizada no bairro São Geraldo, zona Centro-Sul, Lúcia Cristina Cortez de Barros Santos, 53, foi convidada pelos jornais “O Globo” e “Extra”, para palestrar no Encontro Internacional – Educação 360, realizado em setembro deste ano, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro e falar sobre a conquista do título de “Escola Transformadora”. Quando surgiu esse interesse pelo mundo da Educação? Tenho 53 anos e sou do Rio Grande do Norte. Desde criança sonhava em ser professora, e ainda menor de idade ajudava os professores de educação infantil da escola onde cursei o ensino médio. Depois tive a oportunidade de iniciar o magistério a partir do programa Logos, criado pelo Ministério de Educação para graduar professores leigos sem formação. Em 1991 mudei para Manaus e dei continuidade aos meus estudos, na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e me formei em licenciatura em letras. Também me especializei em gestão escolar e fui aprovada em 1995 no concurso da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Fui convidada a assumir a direção de uma escola municipal. Participei do processo seletivo de Diretores e passei a ocupar a direção da escola municipal Waldir Garcia, onde já atuo há 14 anos. Quais os passos primordiais para conquistar o título de “Escola Transformadora”? A Waldir Garcia é a primeira escola municipal da região Norte a

A nossa escola se tornou referência pelo acolhimento aos refugiados e pela forma que trabalhamos a inclusão receber o título de “Escola Transformadora”. A unidade de ensino se tornou referência no país pelo acolhimento aos refugiados e pela forma eficaz que trabalhamos a inclusão. Nós provamos que, mesmo as crianças não sabendo falar a nossa língua, elas são inclusas e respeitadas pela comunidade escolar. Recebemos estrangeiros desde 2013 e para essa integração usávamos a metodologia do programa Mais Educação, no contraturno. O governo federal suspendeu o programa e nós tivemos que encontrar uma nova pedagogia. A Semed nos procurou para apresentar o Coletivo Escola Família do Amazonas (Cefa), que tinha um projeto de educação integral para as escolas do município. Daí iniciamos possibilitando a melhor interação dos alunos, praticando os quatro pilares fundamentais da educação integral que são: trabalho em grupo, empatia, criatividade e o protagonismo. Como foi ser convidada pelo ‘O Globo’ e ‘Extra’ para participar do encontro internacional – Educação 360? Eu sempre cogitei assistir ao fórum Educação 360 como participante e, de repente, eu sou convidada pelo “O Globo” e “Extra” para estar no encontro como

palestrante, entre o master class, constituído por mestres e doutores reconhecidos em nível nacional e internacional. Essa conquista só foi possível, porque estou rodeada de uma equipe competente e de profissionais comprometidos com a educação do futuro do nosso país. Para nós, é uma sensação de dever cumprido e a confirmação de que estamos no caminho certo. Na escola Waldir Garcia conseguimos a inserção de crianças estrangeiras da Bolívia, Haiti e Venezuela, além de estudantes com diversos tipos de deficiência, se tornando referência em inclusão no Brasil. O que Manaus representa para você? Manaus é meu encanto! Essa cidade é a terra das oportunidades. Por exemplo, eu vim de outro Estado, mas conquistei meu espaço aqui e estou consolidando minha carreira profissional. Ao longo desses 28 anos que moro aqui, só posso retribuir minha gratidão, desempenhando meu papel de gestora educacional do projeto com muito amor e satisfação. Neste lugar eu me sinto acolhida, me sinto parte, me sinto segura. Aqui eu sou reconhecida, valorizada e totalmente feliz. Eu só tenho a agradecer a esta cidade maravilhosa.

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COLUNA

A Manaus que faz ECO NOMIA EM DESTA QUE

FOTO: MÁRIO OLIVEIRA

POR BRUNA GRECO

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MANAUS É RECONHECIDA nacionalmente como modelo fiscal a ser seguido, como case em saúde econômica equilibrada. Além do gestor municipal, um dos responsáveis por esse reconhecimento é o economista Lourival Litaiff Praia, 47, natural do município de Alvarães, que atua há 23 anos no serviço público municipal. Desde 2017, passou a exercer o cargo de secretário de Finanças, com o compromisso de colocar a capital em posição de destaque por meio de avanços na gestão e modernização tributária. Lourival Praia acaba de ser eleito “Economista do Ano” pelo Conselho Regional de Economia do Amazonas. O prêmio é mais um fruto da excelência em Responsabilidade Fiscal, consolidada pela prefeitura nos últimos anos. Quando surgiu esse interesse pelo mundo da Economia? Eu cheguei à capital em 1981, para dar início a minha jornada de estudos. Cursei meu ensino médio na escola técnica, na época com 18 anos de idade. Após a conclusão, passei a trabalhar no Distrito Industrial como técnico em eletrônica. Então, comecei a assistir nas mídias as reportagens de diversos economistas tratando sobre inflação. O tema me chamou atenção e optei por cursar ciências econômicas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Depois de graduado, me especializei na área de Finanças Públicas com ênfase em Política e Planejamento Governamentais. Aos 23 anos, fui aprovado no concurso da Semef como assistente fazendário. Ao longo de toda a minha carreira fui dedicado a orçamento, e em atuação na Prefeitura de Manaus, tive

Manaus é a minha cidade. Por isso trabalho e me dedico para conquistar uma economia saudável para a região experiência como gerente, chefe de divisão, diretor, subsecretário e, em 2017, fui nomeado secretário de Finanças. Como foi ser eleito o “Economista do Ano 2019”? A Secretaria Municipal de Finanças (Semef), ao longo desses anos, me oportunizou uma grande evolução profissional dentro da atual gestão municipal. Eu me senti muito honrado e agradeço os amigos que votaram e me elegeram “Economista do Ano 2019” pelo Corecon-AM. O fato de meu nome ter esse reconhecimento é um reflexo das ações impactantes para sociedade em que estive dedicado dentro da Prefeitura de Manaus. Todo esse trabalho foi feito para garantir a qualidade das finanças, o apoio de recuperação do regime próprio de Previdência, a melhoria da ambiência de negócio e, principalmente, o aumento de capacidade de investimento no município. Ao lado do nosso gestor maior, eu gerenciei de perto essas ações desenvolvidas em prol da população e da nossa cidade, mas esse alcance só foi possível graças ao empenho de uma equipe comprometida com a receita e a

gestão de despesas, e preparada tecnicamente. Como é ser economista em Manaus? Ser economista na cidade de Manaus é um bom negócio, até porque futuramente existirão poucos empregos formais, registrados e oficializados dentro da Consolidação das Leis do Trabalho. Assim, as pessoas terão que ser empreendedoras e os economistas terão grandes espaços para isso, porque em si ele é um empreendedor. Se o economista souber trabalhar com projetos ou finanças privadas ou públicas, ele praticamente pode se considerar um empreendedor. No Brasil quem conduz os rumos da nação, em grande parte, são os economistas. Então, isso é uma referência muito significativa. O que Manaus representa para você? Manaus é a minha cidade. Não vejo possibilidade de construir uma nova história longe desta terra. Aqui estão os meus principais motivos para viver, que são os meus pais, meus irmãos, minha família e muitos amigos. E é por isso, que trabalho e me dedico tanto para conquistar uma economia saudável para a região.

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#ASCORESDEMANAUS Em nossa edição de aniversário, a coluna fotográfica "As cores de Manaus" traz um pouco do encanto de uma cidade, que além de sua beleza natural, apresenta sua cultura e a sua maior riqueza: o povo manauara. Você pode acompanhar mais trabalhos de nossos fotógrafos na internet, utilizando a #ascoresdemanaus.

FOTO: NATHALIE BRASIL

FOTO: NATHALIE BRASIL

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FOTO: MARCIO JAMES

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#ASCORESDEMANAUS

FOTO: MARCIO JAMES

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FOTO: NATHALIE BRASIL

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#ASCORESDEMANAUS

FOTO: ALEX PAZUELLO

FOTO: MARCIO JAMES

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FOTO: ALEX PAZUELLO

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Revista Manaus Outubro 2019  

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