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Ficha de Estudo

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Tema

Formas de organização social, movimentos social, pensamento político e ação do estado Tópico de estudo Conflitos político-culturais pós-Guerra Fria, reorganização política internacional e os organismos multilaterais nos séculos XX e XXI.

Entendendo a competência Competência 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais. A competência refere-se à capacidade de associar eventos do passado aos diferentes temas e conflitos que as sociedades contemporâneas possuem. Com esta competência, portanto, exige-se que o candidato possua conhecimento do conteúdo de História, informação acerca dos assuntos cotidianos do Brasil e do Mundo, além da capacidade de relacionar essas informações.

Desvendando a habilidade Habilidade 15 – Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história. No caso dessa habilidade, o que se requer do candidato é a capacidade de examinar criteriosamente inúmeros conflitos de natureza complexa e variada ocorridos no Brasil e no Mundo.

Situações-problema e conceitos básicos A Primavera Árabe, sua diversidade e implicações geopolíticas em um mundo globalizado Há uma coisa que todo mundo tem que fazer: alimentar-se. Algumas pessoas comem muito; outras comem pouco; uns se alimentam mal, outros bem. Mas isso não importa: de um jeito ou de outro, todo mundo tem que comer alguma coisa, e essa necessidade acabou por se transformar em um dos principais elementos de caracterização das mais diferentes culturas. Veja só: comidas muito temperadas talvez revelem sociedades onde a tradição comercial sempre esteve presente. Alimentos leves, à base de frutas, cereais e verduras podem indicar culturas com forte experiência coletiva da agricultura. Sociedades industrializadas e com pressa, comidas industrializadas com refeições rápidas. E por aí vai. Isso pode ser meio esquemático, meio determinista, mas serve no mínimo como metáfora. Quer ver outro bom exemplo? A comida árabe é variada, absorveu os mais diferentes sabores, temperos, pratos e formas de preparo. Isso indicaria pluralidade, diversidade, cosmopolitismo? No início de 2011, os meios de comunicação do mundo inteiro veicularam notícias sobre diversos movimentos de revolta social e política contra ditaduras do norte da África e parte do Oriente Médio. A imprensa, sempre precisando achar um bom título para suas manchetes, chamou esses eventos de “Primavera Árabe”. O nome acabou servindo bem. Afinal de contas, a expressão “primavera” já foi usada em outras situações semelhantes de renovação política e social, como foram os casos das primaveras “dos povos” (1848) e “de Praga” (1968). Mas o que havia de comum e de diferente nessa nova, “Árabe”? Nós já nos acostumamos tristemente com as notícias de terrorismo, homens-bomba, atentados, conflitos árabe-israelenses, ataques militares, sequestros e outras insanidades que alguma crise qualquer deseja justificar no

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Oriente Médio. Esse noticiário acabou confundindo nossa visão. Afinal são sempre notícias tão parecidas, vindas de um lugar tão estranho às nossas referências sociais. Então muita gente mistura árabe com muçulmano, Oriente Médio com Norte da África, judeu com israelense, entre outras confusões. Por isso a “Primavera Árabe” foi simplificada no nome e no conceito. Mas já deu para ver que as coisas não são tão simples assim, não é? Olhe só o infográfico a seguir. Ele mostra um pouco dessa diversidade.

Os países da ”Primavera Árabe”

O que se pode dizer, resumidamente, sobre o que aconteceu no norte da África e parte do Oriente Médio, em 2011 e 2012, é que vários movimentos de massa, com lideranças populares espontâneas, valendo-se de redes sociais atuais – como o Facebook, o Twiter e o Youtube – foram às ruas exigindo o fim de tiranias que duravam décadas. Em outros casos, a exigência foi em torno dos direitos civis, das liberdades individuais, pela conquista da paz e da democracia plena. Esses são os casos da Tunísia, do Egito, da Líbia, da Síria, do Yemen e do Bahrein. A onda acabou atingindo a Arábia Saudita, a Jordânia, o Marrocos, a Argélia, o Irã, o Afeganistão, o Paquistão, o Iraque e até Israel. É bem verdade que a “Primavera Árabe” permite a discussão de um sem número de problemas. Entre eles, os que podemos chamar de “questões de fundo”, ou seja, os grandes temas estruturais da região: conflitos árabeisraelenses, tentativas e desafios para a paz no Oriente Médio, petróleo, água, radicalismos religiosos, terrorismo, presença norte-americana, são apenas algumas das mais conhecidas polêmicas. Um outro nível de problemas, que podemos chamar de “questões de superfície”, ou de temas conjunturais, vieram associados aos eventos recentes da “Primavera Árabe”. Entre eles devem ser mencionadas as lutas por liberdades, a importância do aspecto religioso no processo, as incertezas quanto aos desdobramentos políticos, sociais e econômicos em um futuro breve e, claro, o papel exercido pelas redes sociais. É óbvio que tantos países, com tantas diversidades políticas, sociais e culturais não poderiam ser postos “no mesmo saco”. A necessidade de perceber uma tendência comum, porém, acabou se impondo. Nada novo nisso. Eventos semelhantes, como o fim das ditaduras latino-americanas no início dos anos 1980 e a queda dos regimes socialistas do Leste europeu entre 1989 e 1991, tiveram tratamento semelhante. Afinal, eram regiões com governos de tendências relativamente identificadas com alguma forma de tirania, e que caíram como se sob um “efeito dominó”, uns atrás dos outros.

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Com tantos detalhes, tantas particularidades, a “Primavera Árabe” faz lembrar os deliciosos pratos da região: muitos temperos, muitas texturas; alguns cozidos, outros fritos e alguns crus. Carnes, verduras e massas; molhos apimentados, agridoces e ácidos. De qualquer forma, todos eles provocam uma impressão de fascínio e surpresa no paladar. Ah, que fome!

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Ciências Humanas - Ficha 105