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PrecariAcções Agosto 2013

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Boletim organizativo e de luta dos call-centers

Editorial Editorial

EDITORIAL

O governo não tem dado tréguas no ataque que tem feito aos trabalhadores e Cavaco Silva, sempre apoiante desta política de austeridade do governo, promulga tudo o que lhe chega às mãos. Desta vez, com a desculpa de tornar os serviços públicos mais eficientes, aumentaram cinco horas semanais ao horário dos trabalhadores da função pública. Muitos trabalhadores do sector privado acham esta medida positiva baseados na injustiça que vêem entre os direitos e regalias dos trabalhadores do público e do privado. É verdade que existem essas diferenças. Reflictamos um pouco sobre essa questão. Em primeiro lugar os direitos que os trabalhadores do público têm não são nada a que todos os trabalhadores não devessem ter direito. E em segundo lugar as regalias de que tanto se fala são muitas vezes direitos básicos necessários a todos ( como a assistência médica). Além disto é negativo para qualquer trabalhador, seja ele do público ou do privado, que o critério para igualar as suas condições seja descer as dos que estão um bocadinho melhor. Pelo contrário, o critério deve ser exactamente o oposto, isto é, subir as condições dos menos favorecidos. É normal que governo, os empresários e os meios de comunicação social, estejam sempre a martelar na cabeça das pessoas esta divisão artificial entre trabalhadores do público e do privado pois, afinal de contas, nada melhor para eles do que ter os trabalhadores divididos, a discutir quem tem mais e quem tem menos enquanto que eles se riem à custa do que tiram a todos. Contra a austeridade e o roubo sistemático deste governo os trabalhadores do privado e do público têm de estar lado a lado contra quem os saqueia. Ou não é do interesse de todos que este governo e a sua política caiam? Não esqueçamos também que a redução de direitos aos trabalhadores do público é um primeiro passo para retirar direitos aos do privado. Afinal foi isso mesmo que aconteceu com a questão dos subsídios de férias e natal.

E O SALÁRIO OH..É PEQUENO Já sabemos que o aqui ganhamos é pouco mas alguns recebem menos do que outros. Clarificando...os colaboradores da Adecco ganham menos nos dias de feriado que os colaboradores da Randstad. Obviamente é inadmissível que trabalhadores que prestam serviços para as mesmas empresas ( Apple e IBM), a desempenhar as mesmas tarefas, nos mesmos dias, vejam uma remuneração inferior ao fim do mês, comparando com o recibo do colega da Randstad. Os colaboradores da Adecco deveriam ver o seu salário aumentado para pelo menos ser igual ao dos outros colegas da outra empresa de trabalho temporário. Está claro que os salários deveriam era ser aumentados para toda a gente. Muita gente que trabalha nesta empresa há anos e que se esforça diariamente por ter uma boa performance nunca viu essa boa performance ser recompensada. Volta e meia lá mandam um email a agradecer o esforço e que com isso a empresa conseguiu crescer..mas prémios ou dinheirinho que muita falta faz é que nada. Mais descontentes e desmotivados ficam os advisors quando ficam a saber das condições oferecidas por este mesmo trabalho noutras cidades. Por exemplo..em Lisboa, no outro call center da apple em Portugal, os advisors para cima de 1000 euros. E nós fazemos a mesma coisa e muitas vezes nem 600 euros nos pagam. Já o pessoal em Cork ganha bem mais e com muitos privilégios que nós não temos. Quanto é que as ETT's e a IBM estão a ganhar por cabeça afinal? Certo certinho é que nós não estamos a ganhar o que merecemos nem o que valemos. Nota: os valores referenciados para os advisors em Lisboa partem da palavra de gente que saiu de cá e foi para lá trabalhar. Já os valores para Cork podem ser confirmados neste link: www.bestjobs.ie/bt-jobdgeraudmgi-664764.htm

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SHIFT BID II Todos já sabemos o que é e o que significa. Todas as linhas tiveram a oportunidade de escolher continuar no rotation plan ou passar para o shift bid, para esse sistema maravilhoso que tanto prometeu e que afinal se revelou noutro sistema injusto. Primeiro, não se pode deixar de referir que cada linha teve o seu representante para ir às reuniões do shift bid e para passar as informações aos restantes colegas. A pergunta que não quer calar é “quem elegeu esses representantes?”, “com que critérios foram eles escolhidos?”. Não se pode deixar de referir este aspecto pois nas diferentes linhas as informações não eram exactamente iguais e a opinião de cada representante influenciou a votação de cada linha de conjunto... Depois, mais um aspecto que não se pode deixar de notar é que o shift bid tem coisas boas e coisas más, como é natural, mas é um facto que as

linhas que escolheram manter-se no rotation plan foram aquelas que já têm, pelo menos, um dia de folga fixo por semana; todas as restantes, que sempre sofreram com a incerteza dos horários e das folgas, muito dificilmente duas folgas seguidas, foram as que escolheram o shift bid pois advinha essa promessa.

a hipótese de ser propositado começa já a ser cada vez uma certeza. Além de tudo isto, o shift bid que prometia ser um sistema infalível mostra-se incompreensível: os primeiros lugares no ranking não conseguiram o horário escolhido, os lugares medianos têm os mesmos horários que os últimos. Como explicam isto? Com certeza, o shift bid trouxe coisas positivas mas está na hora de nos regermos por outro sistema! Colegas, não pedemos ser dois ou três a reivindicar, temos de ser todos. Com duas mãos se parte, muito facilmente, um pau mas 50 (ou mais) é impossível!

Ter duas folgas seguidas e ter mais fins-de-semana são duas coisas que todos almejamos mas o critério de melhor desempenho não pode ser o critério a ter em conta! Todos nós, e sabemos muito bem disso, temos meses melhores e outros piores, por razões pessoais (problemas familiares, stress, etc), mas também por razões que nos são externas (menos chamadas, menos surveys, surveys injustos que não são para nós, pressão, etc). Todos já perceberam que ninguém está contente com os horários e folgas mas a forma que tanto demoraram a dar foi, mais uma vez, insuficiente e baseada na injustiça! Já perceberam que algo de errado se passa, o que nos leva à segunda pergunta que não quer calar: as tentativas falhadas são já tantas que

MUDAM-SE AS CARAS MAS... Recentemente, um bocado por todos os pisos, fomos agraciados com a presença do novo chefe. Muita gente pensou que, com a chegada duma pessoa de fora, as situações irregulares pelas quais temos que passar iriam entrar nos eixos. Situações como pagamento errado de salários, problemas como o horário não sair a tempo e horas, má e pouca formação nos novos produtos ou nas novas competências que nos são atribuídas, etc.. Ora tudo isto se manteve na mesma, isto é, estamos sozinhos e desamparados e continuamos a irregularidades. Mas agora, com o novo chefe, até temos direito a novas situações. Primeiro vemos o chefe a passear-se pelos pisos a verificar quem tem ou não a fita da respectiva entidade patronal ao pescoço quando ele próprio não usava uma. Depois,

numa atitude mais autoritária, vimos colegas a ficarem sem pertences pessoais retirados enquanto eram

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dados os tais passeios. Ora se ter o telemóvel em cima da mesa vai contra os procedimentos não é a retirar o brinquedo das mãos, tal como na escola, que se resolvem essas situações. Mas quem é que o chefe pensa que é? Nosso dono? Se há procedimentos a não ser cumpridos pelos advisors há formas correctas de se actuar e a que se assistiu não é a correcta. Não precisámos que se preocupem com males menores. Precisámos que se preocupem com o bem-estar e satisfação dos advisors para assim podermos dar o serviço de qualidade que nos é exigido. Precisámos que ouçam o que os advisors têm a dizer e que resolvam, na medida do possível, situações que nos estão a prejudicar. Ouvidos moucos já há muitos e não nos faz falta outro par!

de:

Email: precariaccoesbraga@gmail.com Blog: precariaccoesbraga.blogspot.com [2]


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