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PrecariAcções Abril 2013

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Boletim organizativo e de luta dos precários

Editorial Editorial

Editorial

Neste inicio do ano tivemos já a manifestação da CGTP a 16 de Fevereiro e a 2 de Março, a manifestação do movimento Que se Lixe a Troika. Certamente que muitas mais se seguirão. Este governo faz de tudo para agradar à troika e revela cada vez mais claramente que pretende destruir as conquistas dos trabalhadores e privatizar os nossos direitos. Temos agora em mãos a machadada de 4000 milhões de euros no financiamento do Estado Social. Com este enorme corte, a saúde e a educação públicas irão obviamente degradar-se, haverá certamente despedim entos e red ução de salários na função pública e os reformados e pensionistas verão o valor das suas prestações diminuído. Tudo em nome da poupança. Pergunte-se: poupança para quê? Obviamente, para enterrar todo o dinheiro nos bancos como já aconteceu com o BPN, BCP, CGD, BPI e Banif. Assim é fácil fazer negócio! Os resultados desta política todos nós a sentimos. Enquanto empobrecemos, os lucros da banca que vive à custa do nosso dinheiro e nos rouba diariamente através da dívida aumentam. Em 2012, o Santander Totta e o BPI do “candidato a sem-abrigo” Fernando Ulrich apresentaram lucros de cerca de 250 milhões de euros, seguidos do BES com a “módica” quantia de 96 milhões de euros. Nós sabemos da cumplicidade que existe entre o governo, o patronato e a banca. Ela salta à vista quando Franquelim Alves, um ex-gestor do buraco negro do BPN, é nomeado para secretário de Estado. Só temos uma solução, derrubar esta camarilha. Todos à rua! Vamos correr daqui a troika, o governo e a austeridade. Nós não precisamos deles, pelo contrário, eles é que precisam de nós. Urge um novo 15 de Setembro, urge um novo 25 de Abril!

PARECE PERSEGUIÇÃO AHT, ACW... ou Mais pressões?!?! Há alguns dias atrás todos nós recebíamos, pelo menos duas vezes por dia, um e-mail com a actualização do AHT de cada um. Não se percebe mesmo como é que as pessoas que gerem este call center não se apercebem que não é com pressão que vão melhorar resultados. Imaginem que estão a contar o vosso dia-a-dia às pessoas que conhecem. Pode muito bem ser assim: - “Ora, trabalho 5 dias por semana e tenho dois dias de folga. Não sei quais serão os dias de folga com mais de uma semana de antecedência, não sei a que horas entro nem a que horas saio com mais de uma semana de antecedência, não posso fazer planos de absolutamente nada exactamente por isso. Imagina que entro às 9h. Tenho de estar no local de trabalho pelo menos 10 min antes (mesmo com os atrasos nos transportes públicos ou mesmo com o trânsito e possíveis acidentes na estrada) porque se faço o log in um segundo depois do suposto, recebo imediatamente um e-mail a avisar dessa situação intolerável e a pedir para que não volte a acontecer. Depois começo a atender chamadas de 7 em 7 segundos, sem tempo para respirar. Em cada chamada não posso demorar mais de 11 min e o ACW não pode ultrapassar 1 min, caso contrário tenho logo coaches e RH a dirigiram-se a mim a pedir para despachar. Mas são os mesmos que nos exigem csats. Mas há chamadas que os clientes não sabem nada daquilo que estamos a dizer e temos que explicar pacientemente, o que demora tempo. Além disso, há troubleshooting que demora necessariamante mais que 11 min, não contando com o tempo que demoras a pedir o SN, o contacto telefónico, o e-mail e a explicar o suporte. Depois, temos intervalos e almoço a horas completamente diferentes a cada dia. Numa semana estou a almoçar às 12h e na outra às 15h45. Mas o que importa aqui não é a

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saúde dos ʻcolaboradoresʼ mas sim os resultados e as chamadas atendidas. Se d e m o r o m a i s q u e 11 m i n n u m a chamada, ou tenho alguém pessoalmente a perguntar-me o que se passa ou avisos no chat. Quando trabalho aos Domingos, sem receber mais por isso, tenho de perguntar às baratas tontas que lá andam a rodearnos se posso fazer o intervalo e almoço à hora marcada, porque o importante não é o bem-estar dos ʻcolaboradoresʼ mas sim o número de chamadas em espera. E ao final do dia, tenho hora marcada para sair, mas se houver chamadas em espera tenho de ficar.” - Isso parece-me escravatura mas deves ganhar razoavelmente bem, afinal representas uma das maiores empresas do mundo... - Ganho 500 eur. - !!!!!?????!!!!! Lower AHT increases CSAT, dizem alguns. NÃO, AHT menor significa mais chamadas atendidas, sinónimo de mais dinheiro para a IBM. Contratem mais pessoas!


SER DESPEDIDO Nem sempre pagam aquilo a que temos direito A possibilidade de se ser despedido nesta empresa está sempre presente nas nossas cabeças e pode acontecer a qualquer um em qualquer altura, tal como se viu no natal. A isto é o que se chama ser precário. Mas apesar desta precariedade estamos abrangidos sob a mesma lei que os restantes trabalhadores, isto é, o Código de Trabalho (CT). Convém estarmos a par de algumas coisas lá descritas para caso enfrentemos o despedimento, não deixemos que a Adecco e a Randstad nos roubem direitos consagrados. Tem sido normal chamarem pessoas para as despedir e usarem de vários estratagemas para não pagarem tudo aquilo que o advisor tem direito. Desde oferecerem menos pela indemnização até ameaçar com despedimento por justa causa. Se o despedimento calhar a um de nós eis algumas informações úteis presentes no actual CT: - a entidade patronal tem que avisar com a antecedência mínima de sete, 30 ou 60 dias conforme o contrato tenha durado até seis meses, de seis meses a dois anos ou por período superior respectivamente. Se a empresa não quiser que os advisors venham trabalhar durante esse tempo tem que pagar na mesma; - a entidade patronal tem que pagar o correspondente dos subsídios de férias e natal do período trabalhado nesse ano; - a entidade patronal tem que pagar 30 dias de retribuição por cada ano de trabalho para quem celebrou contrato antes de 1 de novembro de 2011. A partir de Outubro de 2012 são 20 dias de retribuição. Para quem celebrou contrato depois de Novembro de 2011 são 20 dias de indemnização; - caso a entidade patronal queira despedir por justa causa terá que apresentar uma nota de culpa ao trabalhador e este tem 10 dias úteis para responder. No entanto fiquem os colegas a saber que, antes de acordarem ou assinarem algo, poderão sempre informar-se na Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) sobre se as condições oferecidas no despedimento são ou não correspondentes ao que o trabalhador tem direito por lei. Para os que estão sindicalizados poderão recorrer ao apoio jurídico do sindicato.

CARTÃO REFEIÇÃO

Benéfico para nós ou para as empresas? Numa fase de agravamento de impostos sobre o rendimento do trabalho, é natural que a preocupação dos trabalhadores se concentre na possibilidade de evitar encargos e/ou despesas, mesmo que implique ficar menos protegido ou até comprometer direitos e outras condições futuras. As entidades patronais sabem que o momento é propício ao “salve-se quem puder”, e com o argumento de que estão a procurar minimizar os roubos infligidos pelo governo de que os trabalhadores estão actualmente a ser vitimas, as empresas, em matéria fiscal, procuram facturar benefícios bem vantajosos na opção desta ou doutra situação, neste caso concreto do subsidio de refeição a ser pago através de cartão. É o caso da Randstad que obrigou os trabalhadores a aceitarem o cartão ao contrário da Adecco que optou por dar a escolher. É um facto que o subsídio a ser pago através de cartão, comparativamente ao actual pagamento junto com o vencimento, resultará num pequeno benefício que se dilui numa “crise que está para nos roubar todos os dias”. A desvantagem de optar por dinheiro e não pelo cartão é que o subsídio acima dos 4,27€ conta para IRS e para a segurança social. No caso de se escolher manter o tipo de pagamento actual acrescentar-se-ia ao salário base 16,06€ (0,73€ x 22 dias). Mas será que reduzir os descontos é benéfico para os trabalhadores? Está claro que não é, tivermos em conta que esta pretensão das empresas em substituir o pagamento do subsídio de alimentação em numerário por um carregamento num cartão refeição, é uma medida que fomenta a delapidação da Segurança Social dos trabalhadores e contribui para a

redução da protecção social e das pensões de reforma de amanhã. As empresas não estão preocupadas com as dificuldades dos trabalhadores se pagam muito ou pouco de impostos. Com este sistema de “cartão refeição” as empresas lucram muito dinheiro com a diminuição significativa das contribuições (23,75%) para a Segurança Social que deixam de ser pagas pelas empresas em prejuízo dos trabalhadores, o qual se vai reflectir em diversas situações, como: baixa médica por doença; acidente de trabalho; licença de maternidade e de paternidade; subsídio de desemprego e pensão de reforma. A Randstad e a Adecco não podem mudar o que está definido no contrato que diz que é pago em numerário nem tão pouco obrigar os trabalhadores a assinar um papel a ceder a sua informação pessoal a terceiros (Bancos). Tem que ficar ao critério dos advisors de ambas as empresas de trabalho temporário qual o método que preferem para receber o subsídio de alimentação e nunca imposto unilateralmente.

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