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porão zine

volume 1/jul de 2017

PUBLICAÇÃO ANTIFA

ENEMA NOISE LUVBUGS LAVA DIVERS RICARDO ELÉTRICO SPACE DOG IORIGUN


porão zine PUBLICAÇÃO ANTIFA

Salvador, Bahia, Brasil textos, diagramação e projeto gráfico Paula Holanda

contato Paula Holanda phzines@gmail.com

agradecimentos Cairo Melo, Carla Risso, Cleidiana Ramos e Márcio Matos

capa enema noise em Natal (RN), por Jonas Barbilhos

volume 1/jul de 2017


APRESENTAÇÃO O ato de registrar — através de texto, imagem ou som — é uma prática que eu valorizo cada vez mais, graças a artistas, produtores e criadores de conteúdo de outras gerações. Márcio Matos, idealizador do Bukowski Porão, é um deles. Em março de 2017, no Bukowski, Márcio arrastou aos meus pés uma caixa de papelão que continha quilos de fanzines, cartazes e bilhetes das décadas de 80, 90 e 2000. Era um grande acervo sobre artistas, produções e espaços culturais que foram negligenciados pela mídia massiva — muitos com os quais eu nem ao menosteria contato caso passasse a tarde explorando umapilha de periódicos tradicionais. A mídia alternativa (felizmente) surge para documentar trechos de história que, se dependessem dos veículos hegemônicos, seriam invisibilizados às gerações posteriores. Stephen Duncombe, pesquisador de mídia, cultura e comunicação, afirmou que “as pessoas criam zines para gritar ‘eu existo’”, mas eu iria mais além — as pessoas criam zines para gritar “isso existe”, “esse artista existe”, ou ainda “esse espaço existe”. Eu sinto necessidade de gritar “o Buk Porão existe” — e este fanzine surge a partir dela. Sem ofensas, mas as notas curtas escanteadas em pequenos retângulosdos cadernos de cultura não me soam gritos fortes o suficiente. O registro nunca é uma representação fiel do fato; o texto, a fotografia, a gravação — todo documento é uma narrativa guiada pelo ponto de vista daquele que o documenta. Quando entendi que cada registro é pessoal e singular — portanto, essencial à construção da memória — me vi obrigada a começar a documentar tudo aquilo que, para mim, precisava ser arquivado. Acredito que a documentação deve ser encarada por todoscomo uma missão a ser cumprida — então peço para que você, caro leitor, também grave, fotografe e escreva sobre suas percepções e experiências, caso ainda não tenha o hábito. Grite “eu existo”, ou “o que me interessa existe” — no futuro, quem sabe, seus gritos estarão dentro de uma caixa de papelão velha e inspirarão alguém a também gritar.


CONHEÇA O BUKOWSKI ¹ “O punk quebrou a barreira entre artista e público”, disse² Jello Biafra, em 1996, em entrevista para o primeiro volume do relançamento fac-símile do fanzine “Search and Destroy” (1977 — 1979). “Quem precisa de ídolos, quando se pode aproximar-se de um músico ao ponto de ver seus pingos de suor escorrendo pelas cordas de guitarra?”, indagou o ex-Dead Kennedys, após inúmeras críticas à cultura de massa e seus modelos mercadológicos. É sob essa perspectiva que funciona o Bukowski Porão, carinhosamente apelidado de “Buk”, espaço cultural no Centro Histórico que abriga não só os adeptos ao movimento punk, como qualquer um que queira fugir da monotonia que se instaurou no Rio Vermelho pós-gentrificação. Até mesmo os indivíduos mais deslocados, provenientes das subculturas mais imundas, se dizem acolhidos pelo carinho e calor humano que o Bukowski vem proporcionando desde 2015, quando foi fundado por Márcio “Verme” Matos. Em conjunto com o coletivo e biblioteca anarquista Maloca Libertária, o ex-técnico de informática alugou o segundo andar de uma casa ao lado da Escadaria do Passo, no Santo Antônio, e ali passou a realizar saraus de poesia mensalmente.

Com o passar das edições, os eventos contavam com um público cada vez maior e, consequentemente, as reclamações provenientes da vizinhança tornavam-se cada vez mais regulares. Para evitar maiores complicações, os produtores resolveram alugar e transferir os saraus para o porão do espaço, um ambiente escuro, solapado e com paredes grossas que retêm o som. “Um grande problema que enfrentamos ao produzir em Salvador é as queixas relativas ao barulho”, argumenta o produtor CR Moska, que auxiliou no gerenciamento do Bukowski de novembro de 2015 a junho de 2016. “Com as leis de fiscalização, quase ninguém consegue realizar eventos, e o Buk funciona perfeitamente nesse sentido”, conta. Com um ambiente sonoramente mais favorável aos saraus, a dupla passou também a realizar shows de punk. Em 5 de junho de 2015, o porão da casa foi oficialmente inaugurado como um espaço cultural onde aconteceriam apresentações musicais, feiras de zines e até mesmo espetáculos de teatro. Apesar da programação diversificada, o Bukowski Porão destaca-se principalmente como casa de shows dos mais variados gêneros. Inicialmente,


os shows eram produzidos exclusivamente por Márcio e CR, que sempre foram entusiastas do punk e costumavam dedicar os eventos da casa ao movimento. Com o passar dos meses, bandas e produtores de fora começaram a solicitar pautas no local, o que proporcionou uma maior variedade de estilos musicais. Hoje, a casa acolhe artistas e produções de todos os gêneros, apesar de continuar priorizando o punk e o hardcore. “Só não aceitamos bandas nazifascistas”,

pontua Márcio. Ao longo de mais de dois anos, o Buk tem se firmado como um espaço de resistência que abraça produções independentes, movimentos autogestionários e velhos e novos amantes da arte autônoma.

¹ Trecho de um texto originalmente escrito em março de 2017, para um e-book organizado por Cleidiana Ramos. ² Tradução por Alexandre Matias, para o livro “Alguém come centopeias gigantes?” (2015).

Foto: Geovana Cortês


Foto: Gabi Lvlv6


entrevista

ENEMA NOISE FALA SOBRE ÁLBUM NOVO, HISTÓRIA DA BANDA E MEDO DA MORTE!

O enema noise é uma banda de noise e post-hardcore de Brasília (DF) que está em atividade desde 2009 e já passou por múltiplas formações. Atualmente, ela é composta por Murilo Barros (guitarra), Rafael Lamim (voz, baixo) e Daniel Freire (voz, bateria). O grupo acaba de realizar uma turnê pelo Nordeste que passou por sete cidades e, no dia 15/07, a banda fez seu primeiro show em Salvador — e último da turnê — no Bukowski Porão, integrando a grade da 11ª edição do Festival NHL. Essa entrevista foi realizada logo após o show do trio, que, diga-se de passagem, foi uma das melhores apresentações que vi acontecer na cidade.


COMO O ENEMA NOISE COMEÇOU? Lamim — Em 2009, eu já tocava com o Murilo usando esse nome. O Daniel entrou em 2012. A banda já mudou de formação muitas vezes e, antes de 2012, lançamos álbuns dos quais hoje não gostamos — na época, as composições eram feitas em inglês. Para mim, nossa discografia só começa de fato em 2012, com o EP “mais do menos” — é um split com a banda Valdez, também de Brasília. Depois, em 2014, lançamos o “manual prático do desapego” e mais recentemente, em 2016, lançamos um EP homônimo. Agora, estamos preparando o lançamento do nosso disco novo.

VOCÊS PODEM ME FALAR SOBRE OS PRIMEIROS TRABALHOS DA BANDA, ANTERIORES AO “MAIS DO MENOS”? Lamim — Eu estou no enema noise desde o começo, então sempre direcionei a banda para o que eu gostaria de fazer. Inicialmente, eu tinha uma ideia de sonoridade que passou a não condizer com o tipo de som que estávamos fazendo na prática. Eu comecei pensando em rock industrial, queria compor em inglês e utilizar elementos eletrônicos. Assim que o Murilo entrou, passamos a ter influências ligadas ao post-hardcore, que combina muito mais com a nossa proposta — queríamos fazer um som tosco e com intensidade. O post-hardcore segue bem essa linha, muito mais do que as coisas que eu costumava ouvir na época. Algumas das pri-

meiras músicas da banda fui eu quem fiz sozinho, outras com o Marcelo Melo, nosso antigo baterista. Com a saída dele e com a entrada do Daniel, nós passamos a fazer um som muito mais orgânico. A banda já teve várias formações e nós evitamos tocar músicas antigas, pois elas não nos representam mais.

E COMO SURGIU A DECISÃO DE PASSAR A COMPOR EM PORTUGUÊS? Daniel — Pô, a gente fala português. Murilo — É mais honesto. Lamim — Brasileiro quando compõe em inglês reproduz uns clichês muito ruins, “girl-não-sei-o-quê-lá-I-love-you”, “baby-não-sei-o-quê”. Eu me pergunto o que as pessoas que têm o inglês como língua nativa pensam quando ouvem essas músicas.

COMO FUNCIONA O PROCESSO DE COMPOSIÇÃO DO GRUPO? Daniel — O Lamim faz as bases e nós acrescentamos nossas contribuições. Raramente compomos durante ensaios, quase sempre ensaiamos com as canções pré-definidas. A gente tem feito várias letras em conjunto, mas em geral, cada um escreve sozinho as letras das músicas em que canta.

VOCÊS ESTÃO SE ADAPTANDO BEM À NOVA FORMAÇÃO? Lamim — O João Morais, nosso antigo baixista, deixou a banda pouco antes de sairmos em turnê. Eu era o guitarrista, mas adotamos uma nova formação para facilitar o andamento


dos shows. Está sendo muito tranquilo, nós já trocamos de instrumento algumas vezes e nos shows eu troco com o Murilo em algumas músicas — eu fico na guitarra, ele no baixo.

O QUE INSPIRA VOCÊS? Daniel — A verdade é que nós passamos muito tempo sem fazer nada, nos encontramos para fazer nada, conversar sobre nada ou fumar maconha — esse ócio é o que nos inspira a ser uma banda, é o que nos faz querer movimentar as coisas ou sair de onde estamos. Brasília é muito entediante, os brasilienses não têm senso de tradição e os projetos da cidade acabam do nada. Você raramente consegue fazer algo interessante por lá e, quando surge uma oportunidade, te interrompem no meio do processo.

paços e aplicar multas. Os artistas e produtores culturais de Brasília estão realizando eventos em lugares vazios e distantes, ultimamente tem acontecido um movimento de ocupação de espaços abandonados da cidade.

E COMO ESTÁ A CENA INDEPENDENTE DE BRASÍLIA? Lamim — Tem acontecido muita coisa em Brasília, mas não necessariamente estamos imersos em um cenário de bandas com um estilo semelhante ao nosso. Nossas amizades e parcerias não têm similaridades estéticas, relativas à sonoridade — somos amigos de bandas muito diferentes. Nós não temos um cenário de hardcore ou post-hardcore na cidade.

OS BRASILIENSES ENVOLVIDOS COM VOCÊS DIALOGAM MUITO COM A PRODUÇÃO CULTURAL QUE CONHEÇO CENA DE GOIÂNIA? SEMPRE COMENTAM SOBRE A LEI DO Daniel — Não, só ciladas. Lamim — Goiânia tem vários fesSILÊNCIO ¹. Lamim — Um show como esse que acabamos de fazer, a essa hora, nunca aconteceria em Brasília. Daniel — Cara, nem fodendo. Lamim — Nós nem temos um lugar como esse por lá. O último evento que produzi foi vetado pela polícia às oito horas da noite. E nem são os moradores das redondezas das casas de show quem mais reclamam do barulho, mas os moradores de quadras mais nobres e afastadas — existe uma visão elitista por trás de tudo isso, e ela tem força suficiente para fechar es-

tivais e bandas estabilizadas, mas não consigo pensar em nenhuma com a qual faria sentido o enema noise dividir o palco. Além disso, Brasília estádentro do Goiás, mas nós não somos goianos, então acho que eles nos enxergam como uma banda de fora.

E COM O RESTO DO BRASIL, COMO FUNCIONA O INTERCÂMBIO? VOCÊS TÊM CIDADES OU ESTADOS PARCEIROS?


Daniel — O Rio de Janeiro é sempre muito legal com a gente. Eu gosto muito da DEF. O Nordeste tem sido maravilhoso, os vínculos que fizemos foram muito bons e as bandas são sensacionais. Adoro a Amandinho e fiquei de cara com o show da Ricardo Elétrico, essa banda explodiu a minha cabeça. Em minha opinião, o Nordeste tem se mostrado a melhor região da turnê. Lamim — O Nordeste tá ganhando. Daniel — De disparada.

POR QUE VOCÊS TÊM OPTADO PELA GRAVAÇÃO CASEIRA? Murilo — O custo-benefício é maior e você não tem que ficar lidando com dono de estúdio, técnico de som. Daniel — É um saco ter que lidar com datas e prazos, também acho bem complicado depender de outras pessoas para ter o seu próprio trabalho finalizado. No mais, algumas das minhas principais referências têm trabalhos gravados em casa — gosto muito de Wavves e Thee Oh Sees, por exemplo. O Nathan Williams gravou os primeiros álbuns da banda de uma maneira muito amadora.

avanço da tecnologia tem facilitado bastante o “faça-você-mesmo”. Com um notebook ou até mesmo com um smartphone, você faz um beat, triplica sua voz e acrescenta simuladores de sanfona e harpa em meia hora.

O QUE VOCÊS PODEM ME FALAR SOBRE O ÁLBUM NOVO? Daniel — O nome do nosso próximo disco é “eventos inevitáveis”. Será um LP com 10 músicas inéditas. O conceito do álbum está relacionado ao fatalismo, tragédia e morte — nele, falamos sobre diversos tipos de morte, como afogamento, incineração, causas naturais. A morte é algo que acontece e a sociedade ocidental lida muito mal com ela, acho que precisamos aceitar o fato de que vamos todos morrer um dia — a morte não é boa e nem ruim, apenas inevitável. E de certa forma, é justamente a morte que nos motiva a viver. Diante da imortalidade, não teríamos urgência para fazer nada. Lamim — As nossas músicas não surgem com uma proposta de apreciação à negatividade, mas nossas composições são como um exorcismo, um expurgo; então sempre compomos sobre temas trágicos, que nos intrigam.

VOCÊS ACHAM QUE ESTÁ ACONTE- VOCÊS NÃO TÊM MEDO DE MORRER? CENDO UM MOVIMENTO CRESCENTE Daniel — O medo de morrer é instintivo, faz parte do lado mais aniDE GRAVAÇÃO CASEIRA CASEIRA NO mal e natural que temos dentro de BRASIL? nós. E veja bem, eu não pretendo Murilo — Sim. É mais barato e o

morrer agora.


QUAIS SÃO OS PLANOS PARA O FUTURO DA BANDA? Daniel — Não morrer. Murilo — Não morrer é um excelente plano. Gostaria de fazer turnês semelhantes a essa que nós fizemos agora. Lamim — Adoraria fazer outras turnês como a que acabamos de fazer. Conhecemos uma parte significativa do país e fizemos shows em uma frequência que nunca tínhamos feito — o enema noise nunca tocou em três fins de semana seguidos. Ainda precisamos tocar em Minas Gerais e eu queria tocar mais no Sul, Rio Grande do Sul, Paraná. Daniel — Eu já quero voltar para o Nordeste. Lamim e Murilo — Eu também. ¹ A Lei Distrital nº 4.092, de 30 de janeiro de 2008, popularmente conhecida como “Lei do Silêncio”, decreta que o volume do ruído não pode ultrapassar 70db durante o dia (entre as sete da manhã e as dez da noite) e 50db durante a noite (entre as dez da noite e as sete da manhã) — nos domingos e feriados, o período se extende até às oito da noite. A punição inclui advertências e multas que variam de R$20 a R$200 mil. Os espaços que descumprem a lei podem ser embargados ou interditados pela Polícia Militar.

TRACKLIST DE “EVENTOS INEVITÁVEIS”: 1. queimada 2. morte pela água 3. no futuro escuro o dia 4. força 5. ordem 6. querer e ter 7. morte pela morte 8. bayer + monsanto 9. acabe sua banda ruim 10. eventos inevitáveis

Ilustrações: Leonardo Oliveira


resenha

“PLUSH”, LAVA DIVERS O ato de externar vulnerabilidades e, ao mesmo tempo, permanecer demonstrando firmeza é uma missão deveras desafiante — não são todos os que conseguem. No entanto, essa dificuldade parece ser superada com muita naturalidade em “Plush”, primeiro disco cheio do Lava Divers (MG). A banda, que iniciou suas atividades em 2014 (e está em sua formação original desde então) é integrada por João Paulo “Joe” Porto (voz, guitarra), Glauco Ribeiro (voz, baixo), Eddie Shumway (voz, guitarra) e Ana Zumpano (voz, bateria). “Plush” é um álbum denso, com bases instrumentais dinâmicas e consistentes que remetem imediatamente a bandas como Japandroids e Cloud Nothings. São 11 canções inéditas, muitas em que Joe e Ana vomitam versos sobre falhas, incômodos e fraquezas. No entanto, suas vozes ecoam com tanto vigor que as composições mais soam como resistência do que como recaída. O disco de estreia do Lava Divers — sucessor de um EP homônimo (2014), primeiro trabalho em estúdio do grupo — promove uma perspectiva pouco explorada a temáticas que rondam a angústia, os transtornos mentais e relacionamentos amorosos. “Plush” pode ser interpretado como um álbum sobre medo, mas não sobre fracasso — o medo de si, o medo dos outros, ou até mesmo o medo de (não) sentir. O álbum, todavia, está longe de ser uma obra essencialmente derrotista ou melancólica — ele é intenso, potente e agressivo. Apesar de ter 11 faixas muito diferentes entre si, “Plush” é um disco bem amarrado e apresenta uma identidade bastante característica, de sonoridade envolta por múltiplos clássicos da década de 90 — “Mellon Collie And The Infinite Sadness” (1995), “Bandwagonesque” (1991) e “Washing Machine” (1995) são alguns exemplos possíveis. É explícita também a influência de Kim Deal, The Breeders e Pixies, principalmente em sua era “Surfer Rosa” (1988).


lançamento: 27/07 midsummer madness

A evidente performance de Ana e as contribuições substanciais de Eddie e Glauco demonstram que cada integrante é uma peça-chave do grupo — o Lava Divers é uma banda que se opõe ao clássico modelo “frontman e o resto”, em que aparentemente não existe uma hierarquia entre os membros e todos se destacam ao cumprir suas respectivas funções. O álbum foi gravado e mixado no estúdio Rocklab, em Goiânia (GO), por Gustavo Vazquez (MQN) — que também produziu o EP da banda. No entanto, “Plush” diferencia-se bastante de “Lava Divers”, principalmente por ter uma sonoridade relativamente mais limpa e comercial. Contudo, a essência inicial não se perde nessa

Arte de capa: Moviola Mídia Livre

Um dos pontos mais fortes de “Plush” está no notável equilíbrio em relação à participação vocal e instrumental dos membros da banda. Em muitos momentos, a alternância entre as vozes se faz facilmente associável aos britânicos do Yuck — especialmente em “Glow & Behold” (2013) e “Stranger Things” (2016), álbuns nos quais a baixista Mariko Doi ganha um maior protagonismo como vocalista. transição, realizada com bastante maturidade e responsabilidade. Até então, “Plush” encabeça facilmente as listas de melhores álbuns nacionais do ano. Vamos torcer para que o Lava Divers não seja o tipo de banda que atinge o seu auge logo no debut. Até mesmo as piores faixas do disco — “Gasoline” e “Eddie Shumway Is Dead” — são boas músicas. Em contrapartida, as melhores — “Tearsfall”, “My Boy” e “Great Mistake” — são excelentes.

nota: 9,0


entrevista RICARDO ELÉTRICO

A Ricardo Elétrico é uma banda de Salvador (BA) formada por Lucas Nunes Vercetti (voz, guitarra), Alon Graziliano (voz, baixo) e Aniel Soares (bateria). O power trio está em atividade desde 2011 e faz “música estranha” — rótulo atribuído por seus próprios membros — que flerta com emo, indie e math rock. Em sua discografia, consta apenas um EP sem título (2013) — no entanto, o grupo pretende lançar seu primeiro LP ainda esse ano. Foto: Bruna Castelo Branco


COMO A RICARDO ELÉTRICO COMEÇOU? Lucas — Eu montei uma banda com outro guitarrista, Aniel era amigo dele e entrou na bateria, então chamei um amigo para o baixo — éramos um grupo de quatro. A banda era bem ruim e durou pouco, fizemos apenas um show. Em nosso último ensaio, que aconteceu no final de 2011, os únicos integrantes que compareceram ao estúdio fomos eu e Aniel. As horas já estavam pagas, então usamos o suposto ensaio para tocar, compor e fazer improvisações. Aniel era amigo de Alon e o chamou para tocar com a gente em uma nova banda — a Ricardo Elétrico, no caso.

E O MATH ROCK? COMO VOCÊS CONHECERAM? Aniel — A primeira vez que eu ouvi a expressão “math rock” foi através de uma banda do Steve Albini, a Shellac. Eu a conheci há uns dez anos por acaso e gostei muito, era uma das bandas que mais ouvia na época. Não me lembro de como cheguei à Shellac, acho que o Albini produziu algum disco do Nirvana, mas foi a partir dela que comecei a pesquisar mais sobre o math rock e passei a ouvir bandas como Giraffes? Giraffes!, Auto!Automatic!! e Meet Me In St. Louis. Lucas — Eu tenho uma prima que sempre curtiu música estranha, aí na época em que eu ainda ouvia Oasis e Metallica, ela me apresentou Cap‘n Jazz e, depois disso, eu passei a ouvir American Football e This Town Needs Guns. Mas acho que sempre existiu certa estranheza em vários

subgêneros além do math, muito mais do que se pensa — o Radiohead, por exemplo, é uma banda que sempre faz experimentações relativas aos tempos, aos ritmos quebrados. Acho que, nesse sentido, até Raul Seixas experimentava. Eu sempre tive contato com técnicas estranhas, mas só passei a perceber isso depois que comecei a estudar teoria musical. Ainda não sei se somos uma banda de math rock, pois sinto que não temos conhecimento técnico o suficiente. Aniel — No começo da banda, quando começamos a conversar sobre math rock, eu disse “não acho que seremos uma banda de math, mas seria legal se um dia isso acontecesse”. Acho que até hoje não somos. Alon — Eu não ouvia muito math rock quando conheci Aniel e Lucas, comecei a ouvir por influência deles, gosto mais de rock progressivo. Mas o math se aproxima bastante do progressivo, são dois subgêneros estranhos, com tempos estranhos.

O SOM DA RICARDO ELÉTRICO É ESTRANHO OU SÃO OS OUTROS QUE TÊM POUCAS REFERÊNCIAS? Lucas — É estranho, é estranho demais. Não existe nenhuma referência que vá te preparar para ouvir a Ricardo Elétrico. E é isso que faz uma banda ser banda — por mais que alguém tente fazer um som genérico e sem personalidade, sempre haverá a essência própria de quem criou esse som. Mas se sua essência não é interessante, não tem como sua música ser. Aniel — Nem as nossas próprias refe-


rências refletem no som que nós tocamos. Mas quem não está acostumado a ouvir música estranha deve ouvir nossa banda e achar uma bosta.

novas um para o outro. Os três tinham noção do que queriam construir para o EP liricamente falando, então não foi difícil compor e as letras acabaram casando bem com as melodias.

COMO VOCÊS PENSAM EM LETRAS E COMO AS MÚSICAS DA BANDA SÃO E COMO VOCÊS SE SENTEM EM RELACONSTRUÍDAS? VOCÊS COMEÇAM PELA ÇÃO AO EP? Lucas — Eu gosto muito, muito do PARTE LÍRICA OU INSTRUMENTAL? EP. A única coisa que me incomoda é Lucas — Na época em que estávamos compondo para o EP, todo mundo era poeta e tinha letras no computador, então juntamos tudo o que escrevemos e criamos as músicas com base nessa mistura. “Coelhos Espaciais” foi basicamente uma criação de Alon, “Acorde! Aproxime-se... Eu Estive Observando Você!” é uma parceria entre os três, eu escrevi “Às Vezes Eu Acho Que As Pessoas Não Percebem Como É Solitário Ser Uma Criança”. Enfim, todos escrevem suas próprias letras, então juntamos tudo e ao final alguém filtra ou tenta dar algum sentido ao que foi escrito. Para o LP, eu estou escrevendo as letras praticamente sozinho. As músicas são sempre feitas em cima das linhas instrumentais, sempre começamos pelas melodias e depois tentamos encaixar palavras.

VOCÊS TÊM FACILIDADE PARA COMPOR EM PARCERIA? Lucas — As letras da banda são meio desconexas, mas combinam com as melodias das músicas. As composições do EP não foram difíceis de serem escritas — quando não estávamos lendo e opinando sobre as letras juntos, estávamos mandando coisas

que nós éramos bem inexperientes na época da gravação, então acabamos acatando algumas decisões com as quais eu acredito que não concordaria hoje em dia. Houve uma evolução imediata logo após o lançamento do EP, começamos a fazer músicas bem diferentes e muito melhores, muito mais condizentes com a proposta da banda — acho que, se tivéssemos esperado um pouco mais para lançá-lo, talvez ele fosse melhor. Mas tenho muito orgulho do EP e o ouço regularmente. Alon — Nós evoluímos muito, felizmente. As músicas novas têm construções mais interessantes, as letras do EP têm métricas muito quadradas e sem variação. Mas enquanto baixista, o que eu fiz para o EP me agrada tanto quanto o que eu executo agora. Aniel — O EP é estranho — quando o escuto, não consigo me perceber nas músicas. Nós o gravamos em 2012/2013 e acho que o que fazíamos ainda não representava completamente a proposta da banda.

É IMPRESSÃO MINHA OU AS PESSOAS REAGEM MELHOR AOS SHOWS DO QUE


ÀS GRAVAÇÕES? VOCÊS ACHAM QUE A BANDA TEM MAIS FORÇA AO VIVO? Alon — Não sei se isso tem mais a ver com a nossa execução ou com o repertório, que tem músicas novas que nunca foram gravadas. O EP é muito diferente do nosso show. Aniel — O que temos gravado não representa a banda, nossos shows são bem melhores. Por sorte, tem gente que nos vê ao vivo e pensa “até que vale a pena ouvir o som desses caras”.

COMO ESTÁ O ANDAMENTO DO ÁLBUM NOVO? Lucas — O andamento está indo bem, já temos umas seis ou sete músicas prontas e com certeza lançaremos ainda esse ano. Acho que em dezembro, de preferência perto do Natal, quando todos estarão com o 13º para comprar o CD. Para o nome, estamos pensando em “A Teoria do Efeito Ri-

cardo Elétrico”, ou “O Teorema do Efeito Ricardo Elétrico” — eu gosto desses nomes, mas até então, ainda não definimos nada.

QUAIS SÃO AS INFLUÊNCIAS DO ÁLBUM NOVO? O QUE VOCÊS ANDAM OUVINDO? Lucas — Nada do que estamos ouvindo está influenciando diretamente na sonoridade do álbum, acho que será um disco muito cru e autêntico. Eu, particularmente, passei o ano inteiro ouvindo Sufjan Stevens e Neutral Milk Hotel. Ah, e trap music — muitamúsica sobre gangsters, dinheiro e putaria. Então a minha playlist é só trap music e Sufjan Stevens, basicamente. Alon — Principalmente rap nacional. Racionais Mc’s, Sabotage, GOG. Aniel — Estou ouvindo muito XXYYXX, que não tem nada a ver com o que a gente toca. E muito cloud rap também, Bones, Yung Lean. E um baterista chamado Richard Spaven.

VOCÊ VIU ESTES INSTRUMENTOS? Lucas e Alon tiveram seus instrumentos roubados na saída de Simões Filho, por volta das 10h, no dia 17/08. A guitarra de Lucas é uma Epiphone Les Paul Junior Alpine White e o baixo de Alon é um Eagle SJB 006 Sunburst. Caso eles sejam encontrados, favor entrar em contato com: (71) 9362-6136 ou (71) 8721-4319.


resenha

“DIAS EM LO-FI”, LUVBUGS Apesar da simplicidade singela, visceral e genuína, nota-se que as melodias da LuvBugs (RJ) — duo formado por Rodrigo Pastore (voz, guitarra) e Paloma Vasconcellos (bateria) — são resultantes de um grande caldeirão de múltiplas referências noventistas. É perceptível a influência de Pavement, Dinosaur Jr. e The Jesus and Mary Chain; ademais, a estética da banda carrega marcas dos ícones do grunge — a exemplo de Nirvana, Silverchair e Alice In Chains. O potencial da dupla para criar músicas grudentas — e espontâneas — vai muito além do que o rótulo de “noise pop” pode delimitar. As faixas são tão contagiantes que uma única execução basta para que se memorizem ao menos os refrões — “noise bubblegum” é um rótulo mais conveniente. A sonoridade é crua e desleixada, todavia, facilmente digerível aos que não gostam de sujeira. As composições simplórias e melodias uniformes remetem aos grupos de twee dos anos 80 e 90, tais quais Beat Happening, Vaselines e CUB. A relação contrastante entre barulho e inocência — atingida também por bandas como My Bloody Valentine e The Pains Of Being Pure At Heart — proporciona uma sensação de juventude açucarada, quase inofensiva. A essência de banda de garagem, explícita em trabalhos anteriores ao novo álbum da dupla, “Dias em Lo-fi” — sendo eles, “LuvBugs” (2012), “Coração Vermelho” (2014) e “Enxaqueca” (2015) — permanece presente nesse último lançamento. No entanto, “Dias em Lo-fi” tem ritmos mais lentos, uma menor variedade de timbres e uma mixagem mais intimista. A identidade da LuvBugs — em suma, definida por linhas de bateria regulares e power chords empastados de fuzz — apresenta traços da onda de garage rock que ganha força principalmente a partir de 2008/2009. Apesar de manter timbres similares a nomes como King Tuff, Ty Segall e Thee Oh Sees, a banda soa ainda mais rudimentar em “Dias em Lo-fi”, principalmente por conta dos ritmos mais lentos do que os


lançamento: 13/07 violeta discos

O conceito primordial de “Dias em Lo-fi” apoia-se na banalidade — estresses cotidianos, passeios de bicicleta e sextas-feiras na casa da namorada são alguns exemplos de temáticas abordadas. O álbum não foi produzido com a intenção de ser vanguardista, mas é justamente essa falta de pretensão que faz este e outros tantos discos serem cativantes. Além disso, se escutadas com mais de atenção, as letras de “Dias em Lo-fi” revelam-se bem profundas, com uma gama de interpretações muito maior do que a princípio parece ser. O álbum foi gravado metade em casa, metade no Estúdio Floresta, no Rio de Janeiro (RJ), já a mixagem foi produto dos irmãos Victor e Vinicius Damazio (Sereno) — com quem Rodrigo e Paloma criaram o Violeta Discos, em janeiro de 2017. O Violeta Discos foi idealizado com a proposta de abraçar a estética crua e a política do “faça-você-mesmo”, elementos explícitos nas atividades de ambas as bandas en-

Arte de capa: Teenage Micha

convencionais — que trazem à memória as baladas arrastadas de “Rocket to Russia” (1977), tais quais “I Don’t Care”, “I Wanna Be Well” e “Here Today, Gone Tomorrow”.

volvidas com o selo, que até então tem dois (bons) lançamentos no catálogo — “Dias em Lo-fi” e “Adivinhar o Futuro das Estrelas”. O segundo LP da banda soa um pouco menos empolgante do que o primeiro, “Enxaqueca”. “Dias em Lo-fi”, contudo, é o disco ideal aos que preferem calmaria à agitação. Apesar de não ser o trabalho mais dinâmico da dupla, é um álbum agradável que merece ser conferido, bem como todos os outros da discografia da LuvBugs.

nota: 8,0


SPACE DOG ESTREIA COM PEDIDO DE BIS! Um evento histórico — lê-se: “o primeiro show da Space Dog” — pôde ser testemunhado gratuitamente por um público de aproximadamente 20 pessoas no Quanto vale o show? do dia 11/07 (Noite NHL: Zaul + Space Dog), no Dubliners Irish Pub. O famigerado Fábio “Fabão” Esteves (voz) — mais conhecido por dar origem às bandas Ostra Brains (RJ) e Fracassados do Underground (BA) — batizou com um show cru, urgente e sem firulas o seu mais novo grupo de garage rock — integrado também por Jones Braga (voz, guitarra), Amanda Paraíso (voz, baixo) e José Dantas (bateria). A banda não se rendeu aos covers e executou, de forma repetitiva e a pedido do público, um repertório de oito músicas autorais — o setlist completo tinha menos de meia hora, no entanto, eles conseguiram realizar uma apresentação de quase duas. O single “Get Down”, por exemplo, foi tocado três vezes. O grupo, que apesar da simplicidade, tem um vasto leque de influências — de The Cramps a Ty Segall, passando por The Who, The Kinks e Jimi Hendrix — agora prepara o videoclipe de “Blow Your Mind” e seu primeiro EP, que será intitulado de “Laika”. Segue o setlist do show de estreia:

SPACE DOG BLOW YOUR MIND MY FIX GET DOWN COME ON KID FUCKIN’ MY LOVE I DON’T WANNA KNOW DEAD MAN


LANÇAMENTO DUPLO EM FEIRA DE SANTANA: KOSMOS + IORIGUN Um novo espaço cultural, para a felicidade dos feirenses entediados, abriu suas portas no Jardim Cruzeiro, em Feira de Santana (BA). No dia 29/07, a Kosmos Multiespaço foi inaugurada com apresentações de Navelha, banda de blues e country rock já conhecida na cidade, e Iorigun, uma nova aposta local que faz lo-fi com rastros de noise, new wave e dream pop. Idealizada e gerenciada pelo coletivo Kosmos — criado em junho de 2017 e formado por Paulo Victor “PV” Aragão, Marcelo Mizushima, Vinícius Lisboa e Bárbara “Babalé” Ariela — a Kosmos Multiespaço é um local residencial (onde moram, com exceção de Vinícius, todos os membros do coletivo) que terá seus cômodos — e sua calçada — utilizados como ambientes para a efetivação de eventos dos mais variados campos artísticos. A inauguração, que teve um público de pouco mais de 100 pessoas, foi realizada no pequeno estúdio do espaço, o Netuno, que funciona como laboratório para ensaios e gravações desde junho de 2014. O show de estreia da Iorigun — formada por Iuri Moldes (voz, guitarra), Fredson “Fred” Lima (guitarra), Moysés Martins (voz, baixo) e Leonel Oliveira (bateria) — teve participação do ilustre Marcos “Marquinhos” Menezes (Navelha, Rivendell) e um clima de euforia tanto por parte da banda quanto por parte do público. Os meninos da Iorigun são rostos conhecidos no cenário feirense — Iuri é ex-Cine Íris, Moysés é ex-Magdalene and the Rock and Roll Explosion, Fred e Leonel são ex-Rivendell e atualmente integram a Expedição Gatos Atômicos. Dizem que são os projetos paralelos aqueles que mais costumam vingar. A banda já divulgou o primeiro single, “Downtown”, tem influências de Beach Fossils, DIIV e Foals e agora se encontra em processo de gravação. À esquerda: “Sitting Dog”, por Gordon Browne (1858 — 1932), para o livro “Contos de Hans Christian Andersen”.


QUALQUER UM PODE FAZER UM FANZINE SOBRE QUALQUER COISA Você produz ou pensa em produzir conteúdo, mas não se sente representado pelos formatos convencionais, institucionais e industriais? Você tem uma ideia que considera subversiva, ou uma ideia qualquer que gostaria que fosse compartilhada? Tem interesse por um tema e acredita que pode abordá-lo de uma maneira melhor do que já estão abordando, ou por um tema que sequer está sendo abordado? Se a sua resposta for “sim” para ao menos uma dessas perguntas, talvez esteja na hora de criar um fanzine!

idealizando o zine O primeiro passo para a confecção de um fanzine é escolher o tema que você gostaria de abordar em sua publicação. Pense nos assuntos que mais te interessam ou te intrigam e, a partir deles, desenvolva uma ideia que você gostaria de compartilhar com os outros. Feito isso, pense agora no tipo de linguagem que você quer usar para transmitir essa ideia — texto, fotografia, colagem, desenho: qual a melhor maneira de apresentar o seu conteúdo? Qual a técnica que te deixa mais confortável para expressar o que você pensa?


Leia o máximo que puder sobre a temática que você escolheu abordar e sobre outras temáticas que têm relação com ela, pesquise o que já foi produzido sobre o assunto para não cair em redundância. Procure por referências textuais e visuais, elas te ajudarão em momentos de bloqueio criativo. Agora que você tem uma ideia e escolheu uma técnica, pense no espaço que você gostaria de ter para organizar o conteúdo — isso define o número de páginas e o formato do seu fanzine. Caso você queira imprimir a publicação, fazer o orçamento é essencial para a escolha destes elementos. O orçamento também te ajudará a definir a tiragem do seu material e quanto você cobrará por ele. Pense em um nome para o seu fanzine. Faça amigos que são artistas — se você quer ter fotografia no seu zine e não sabe fotografar, por exemplo, pode propor parcerias ou solicitar colaborações. Antes de partir para a prática, faça um boneco — o boneco é um rascunho do seu produto final, que esboça onde ficarão os elementos da sua publicação. Considere o espaço que você tem disponível para dispor o conteúdo e faça o planejamento dessa disposição — arquitetar o seu fanzine previamente te ajudará muito durante o processo de diagramação. A confecção pode ser realizada de maneira manual ou pelo computador, bem como a sua distribuição. Em ambos os casos, você precisa conhecer as ferramentas que utilizará para colocar as suas ideias em prática e então distribuí-las. Estude os materiais físicos ou os programas de editoração, busque por diferentes plataformas de divulgação, faça contatos e conheça espaços culturais que poderão te ajudar na distribuição do seu fanzine. É ideal que seu fanzine tenha um editorial, um endereço para contato e um indicativo de mês e o volume da publicação. Credite todos os co-produtores ou colaboradores da publicação, sempre. E lembre-se: qualquer um pode fazer um fanzine sobre qualquer coisa.


PORÃO ZINE VOLUME 1  

Primeiro volume do Porão Zine. O Porão Zine é um fanzine de jornalismo musical com artigos, entrevistas e resenhas sobre a produção nacional...

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