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JESUÍTAS

Boletim trimestral . nº343 Julho/Dezembro 2011

MAGIS e JMJ Peregrinação 3 em Movimento

Informação aos amigos


JESUÍTAS Informação aos amigos

LISBOA Boletim trimestral | nº 343 Julho/Dezembro 2011 SANTO E FELIZ NATAL

BREVES DA PROVÍNCIA ........................................ 3 DA COMPANHIA DE JESUS EM RESUMO ........... 7 MAG+S E JMJ ........................................................... 8

Aproveitando a publicação do último Boletim deste ano, desejamos a todos os jesuítas, familiares, amigos, colaboradores e benfeitores, um Santo e Feliz Natal e um novo ano de 2012 pleno de Esperança.

PEREGRINAÇÃO 3 EM MOVIMENTO ..................12

boletim da PROVÍNCIA PORTUGUESA Julho/Dezembro 2011

MEIOS QUE UNEM O INSTRUMENTO COM DEUS...................................15

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Mosaico da Sagrada Família, de Mark Rupnik, SJ, que se encontra na capela São Pedro Canísio, Casa de Escritores, Roma.

Ficha Técnica Jesuítas – Informação aos Amigos – Boletim bimestral; Nº 343; Julho/Dezembro 2011 Director: Domingos de Freitas, SJ • Coordenação: Ana Guimarães • Redacção: Ana Guimarães; António Amaral, SJ; Avelino Ribeiro, SJ • Propriedade: Província Portuguesa da Companhia de Jesus • Sede, Redacção e Administração: Estrada da Torre, 26, 1750-296 LISBOA (Portugal) • Telef.: 217 543 060; Fax: 217 543 071 • Impressão: Grafilinha – Trabalhos Gráficos e Publicitários; Rua Abel Santos, 83 – Caparide - 2775-031 PAREDE • Depósito Legal: Nº 7378/84 • Endereço Internet: www.jesuitas.pt • E-mail: ppcj@jesuitas.pt • Foto: It’s a kind of Magis: camping, walking, reborning; experiência em Cabeceiras/Mondim de Basto.


Breves da PROVÍNCIA Nomeações O Padre Provincial fez as seguintes nomeações: - Ir. José Silva Almeida, Administrador Local da Comunidade do Colégio das Caldinhas; - P. Manuel Vaz Pato, Administrador Local da Residência do Sagrado Coração de Jesus, na Covilhã; - P. Pedro Rocha Mendes, Ministro da Comunidade do Colégio das Caldinhas; - P. José Maria Brito, Coordenador do sector social dos colégios e “Consultor da Casa” na Comunidade do Colégio das Caldinhas; - E. João de Brito, Adm. Local da Comunidade do Colégio da Imaculada Conceição (Cernache); - E. José Luís Artur, Vice-ministro da Comunidade do Colégio das Caldinhas; - P. Luís Onofre, Assistente Nacional dos Campinácios; - P. Nuno Tovar de Lemos, Assistente Local dos Leigos para o Desenvolvimento; - P. Afonso Seixas Nunes Assistente local dos Leigos para o Desenvolvimento, em Coimbra; P. João Carlos Pinto Ministro da Comunidade da Faculdade de Filosofia e Apostolado da Oração; - P. António Valério: membro da Comissão da Pastoral Juvenil e Vocacional (PAJUV); - P. José Maria Brito: membro da Comissão do Apostolado Social; - Esc. Nelson António Zidade: Administrador Regional em Moçambique; - Ir. César Francisco: Responsável pela Enfermaria de Braga; - Esc. Duarte Rosado: membro da Comissão do Apostolado Social; - P. Carlos Carneiro: Delegado para a Formação.

O diácono Nuno Branco será ordenado presbítero no dia 1 de Julho de 2012, no Mosteiro dos Jerónimos e celebrará a Missa nova a 8 de Julho, em Coimbra.

Tomada de posse O P. Alberto Teixeira de Brito tomou posse como novo Superior Provincial dos jesuítas em Portugal, no dia 19 de Julho, na Eucaristia presidida pelo seu antecessor, P. Nuno da Silva Gonçalves, celebrada na Igreja do Colégio de São João de Brito. Seguiu-se um lanche de confraternização onde estiveram presentes jesuítas, colaboradores, familiares e amigos.

Novo destino - P. Alfredo Dinis: ano sabático no Campion Hall, Oxford, Reino Unido.

Orações Pedem-se orações: - pelo P. Luís Archer (Comunidade da Brotéria - Lisboa); - por um irmão do P. Carlos Vasconcelos (Centro Inaciano do Lumiar - Lisboa);- por uma irmã do P. João Felgueiras (Díli - Timor); - pela mãe e por uma irmã do P. Jorge Sena (Centro Inaciano do Lumiar Lisboa); -por um irmão dos Padres António da Costa Silva e João Costa da Silva, respectivamente das Comunidades da Fac. Fil./A.O., Braga e do Colégio de Cernache; - por um irmão do P. Estêvão Jardim, Paróquia de Portimão, recentemente falecidos.

Ordenações sacerdotais Os diáconos Pedro McDade e António de Magalhães Santana foram ordenados presbíteros em celebração presidida por D. Albino Cleto, no dia 9 de Julho, na Sé Nova de Coimbra.

Decorreu, de 29 a 31 de Agosto, o Encontro que a Companhia de Jesus em Portugal organiza anualmente na casa de Exercícios de Soutelo. Contou com 104 inscrições, sentindo-se, como vem acontecendo ultimamente, a grande presença dos jesuítas mais jovens. O tema, desta vez, foi: «a crise do cristianismo e dos valores na Europa: a nossa resposta». Dividiu-se em três partes. A primeira tratou da «crise dos valores na Europa» e contou com uma conferência do Prof. António Barreto. A segunda abordou a «crise do cristianismo na Europa» e incluiu uma conferência de D. Manuel Clemente. A terceira debruçou-se sobre «a nossa resposta» e recorreu a uma conferência do P. José Frazão SJ. A cada conferência seguiu-se um período de levantamento de questões a respeito do conteúdo da mesma. Nas duas primeiras partes, esse período contou com a presença do conferencista. Na terceira parte, houve um painel com a participação dum elemento de cada sector apostólico na nossa Província Portuguesa: P. António Valério, pela Rentesp; P. Carlos Carneiro, pela Pajuv; Dr. António José Franco, pelo Gracos; P. Domingos Monteiro da Costa, pela Comissão das paróquias; P. Paulo Teia, pela Comissão do Apostolado social; P. Alfredo Dinis, pela Comissão do Apostolado intelectual. É evidente que existe já, nas nossas sociedades, bastante discurso sobre a crise dos valores e do cristianis-

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Encontro anual dos jesuítas portugueses

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Breves da PROVÍNCIA continuação

mo na Europa. Por isso, este Encontro de jesuítas não poderia ter a pretensão de produzir uma absoluta novidade a respeito da problemática discutida. O tema foi sobretudo o pretexto para que as pessoas presentes tivessem matéria de reflexão, num espaço que lhes era próprio.

Centro Comunitário São Cirilo

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O Cento São Cirilo é uma instituição que tem por missão acolher, alojar e apoiar preferencialmente imigrantes, em situação vulnerável, de risco ou exclusão, tendo por objectivo a promoção da autonomia e da integração. Em determinadas situações, está aberto a cidadãos nacionais. As principais vertentes de intervenção são o alojamento temporário e o apoio permanente. O serviço de alojamento temporário tem capacidade para 18 pessoas e o refeitório serve em média 1370 refeições por mês. Além das áreas de alojamento, dos balneários e do refeitório, existem uma biblioteca, uma cozinha, uma lavandaria, um espaço ecuménico, uma sala para formação e um espaço multiusos. Estão ainda disponíveis serviços de apoio médico e de enfermagem, psicológico, social, jurídico e de emprego, além dos apoios em refeições, balneários, lavandaria, banco de roupa, aulas de português, formações e informática.

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Novo Director da Faculdade de Filosofia Sob proposta do Reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e do Provincial da Companhia de Jesus, o Doutor Miguel Gonçalves é o novo Director da Faculdade de Filosofia (FacFil) do núcleo de Braga. A tomada de posse ocorreu em Setembro, sendo a primeira vez que esta função é desempenhada por um leigo. Foi nomeado Adjunto do Director e membro do Conselho de Direcção o P. José Manuel Martins Lopes.

Noviciado Entrou no Noviciado do Santíssimo Nome de Jesus, em Cernache, o Luís Maria da Gama Palha, de 21 anos.

Boletim “Jesuítas” O boletim “Jesuítas” é enviado gratuitamente a familiares, amigos e colaboradores. Se desejar contribuir para as despesas de publicação e envio, pode fazê-lo por transferência bancária para o NIB 0033 0000 000000 700 41 84, Millennium BCP, ou mediante envio de cheque em nome de Província Portuguesa da Companhia de Jesus, para Estrada da Torre, nº 26 - 1750-296 LISBOA. Em ambos os casos, solicita-se referência ao Boletim Jesuítas.


Breves da PROVÍNCIA continuação

O seu Curriculum Vitae ocupa 46 páginas, duma qualidade a que muito poucos se podem comparar. Foi professor em algumas das mais reputadas universidades do mundo. Publicou nas revistas científicas mais conceituadas. Recebeu toda a sorte de reconhecimentos como académico, cientista, homem de cultura. Mas foi sobretudo um homem simples e até pobre. Não porque era tímido ou socialmente desajeitado. Antes pelo contrário. Era um grande conversador, com genuíno prazer no contacto pessoal e sempre disponível para partilhar o que sabia, com quem quer que fosse, exercitando a sua extraordinária capacidade de tornar acessível as coisas mais complexas. Nunca foi o cientista excêntrico, pouco à vontade no mundo. Embora tenha vivido uma boa parte da vida fechado em laboratórios, fê-lo por sentido de responsabilidade para com a sua missão, porque era preciso para adquirir o conhecimento e a excelência científica. O esforço e sacrifício que isso lhe exigiu ficaram patentes quando, finalmente, pode começar a dedicar algum tempo ao trabalho pastoral directo com grupos de jovens. Que entusiasmo e gratificação isso lhe trouxe. O professor podia agora também exercer de padre, o especialista de nível mundial da genética molecular tinha agora tempo para acompanhar e escutar pessoas e celebrar a fé com elas. Era o que ele tinha pedido para fazer quando se tornou jesuíta: trabalhar com as pessoas, talvez adquirindo alguma formação em psicologia. Mas a missão que lhe deram foi a de ser cientista. E foi grande cientista. Mas era também um grande humanista, com grande sensibilidade estética (chegou a ser um pianista consumado, embora cedo tenha deixado de tocar), e grande conhecimento da filosofia, da literatura e da cultura clássica. Junto com a rigorosa investigação e o estudo profundo das questões de ponta sempre cultivou a paixão por comunicar de forma atraente e clara o seu saber, fosse a alunos ou simples curiosos. O aparecimento da bioética pediu-lhe a articulação multidisciplinar de todos estes saberes, que realizou

com brilhantismo. E, pela popularidade das questões, mais puxou pela sua exímia capacidade comunicadora que se exprimiu em exposições orais e textos que aliam a enorme clareza técnica com sugestivas metáforas e parábolas. Naquilo que sabia, na forma como o adquiriu e como era capaz de o partilhar estava a sua grandeza, medida em escalas humanas. Mas em toda a sua actividade, nos laboratórios, nas salas de conferências, nas conversas pessoais, ou nos seus escritos de divulgação, sempre transpareceu o cuidado, a paixão, a atenção respeitosa e fascinada pela vida, a começar ao nível das estruturas moleculares, mas focada sobretudo nas pessoas, nas suas histórias, nas suas experiências, nos seus dramas. Nesta paixão pela vida estava a sua simplicidade, sem máscaras nem adereços, bem revelada no sorriso, bom humor e simpatia espontânea que denunciavam a presença de alguém feliz, que amava a vida e a apreciou profundamente. Luís Archer foi um cientista da vida, e nisso foi grande. Teve uma vida dedicada à humanidade que procurou cientificamente compreender melhor, mas uma vida sobretudo apostada em promover e elevar a humanidade – a nossa qualidade humana –, fazendo-o sempre com toda a simplicidade. A simplicidade que só a grandeza verdadeira permite. Hermínio Rico, SJ

“Vontade de Deus, caminhos de felicidade” Decorreu no fim-de-semana de 25 a 27 de Novembro, no Santuário de Fátima, a 9ª SEEI (Semana de Estudos de Espiritualidade Inaciana), tendo os participantes sido mais de 500. Impunha-se fazer uma correcção ao nome, já que se trata não duma semana, mas dum fim-de-semana. Em 2008 teve lugar a última Congregação Geral, o órgão legislativo em que estão representados os jesuítas de todo o mundo, tendo sido aprovado o decreto “A colaboração no centro da missão”. A Companhia de Jesus tem consciência crescente do dom que são os colaboradores que trabalham connosco e que tendem a ser cada vez mais os leigos. O objectivo duma SEEI é o de criar laços com todos que se revêem na espiritualidade inaciana (diocesanos, religiosos e leigos) e de nos pôr cada vez mais a falar uma mesma linguagem, que vá ao encontro dos desafios com que hoje se depara a missão. Esta SEEI propunha-nos um percurso muito bem articulado. No serão de sexta-feira, tivemos a abertura, feita pelo P. Vasco Pinto de Magalhães. Seguiu-se o P. Nuno Tovar de Lemos que introduziu a temática do chamamento com a comunicação “Todos são chamados”, tendo apresentado um comentário ao quadro de Caravaggio, O chamamento de Mateus. Sábado de manhã, com a comunicação “ «Onde estás?» A graça e o custo da existência”, o P. José Frazão abordou o acolhimento ou não, desse chamamento que Deus dirige a cada um. Depois, o P. António Valério aprofundou o conteúdo desse chamamento “O que é a vonta-

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P. Luís Archer: a simplicidade da grandeza

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de de Deus?”. Da parte da tarde, com três flashes do filme Dos homens e dos deuses, apresentados pelo P. Rui Nunes, foi introduzida a temática nuclear, apresentada pelo P. Vasco “Discernimento”. Seguiu-se o painel que pretendia estender a reflexão a três campos indissociáveis do discernimento: a Irª Marina Santos aci falou do “Acompanhamento”; o Nuno Sacadura Botte, da CVX, falou de “Discernimento e sinais”; e a Dr.ª Inês Bandeira e Cunha falou de “Crises e patologias”. No Domingo, de manhã, o P. Gonçalo Castro Fonseca procedeu à apresentação de “Vontade de Deus e felicidade. Um apontamento estético”, tratando a temática da SEEI recorrendo às várias linguagens da arte. Finalmente, ainda da parte da manhã, o Senhor Dom António Couto apresentou a comunicação conclusiva “Com Cristo segundo o Espírito e caminhos de felicidade”, a que se seguiu a Eucaristia final, por ele presidida. Enfim todo um itinerário em que, mediante o discernimento e adesão à vontade de Deus, o Espírito Santo nos guia, imprimindo uma crescente felicidade à existência. Concluía com uma palavra de agradecimento à Marta Pupo, da CVX, que coordenou secretariado e logística, fazendo-se rodear dum grupo de voluntários com grande dinamismo, frescura e criatividade. Luís Maria da Providência, SJ

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De novo em Timor

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No passado dia 27 de Outubro, acompanhei o P. João Felgueiras na sua viagem de regresso a Díli, depois de ter recuperado a saúde, em Portugal, durante alguns meses. Estão confiados ao Secretariado das Missões, desde há alguns anos, uns fundos para apoio à Escola Amigos de Jesus, que pertence à Fundação Amigos de Jesus, uma ONGD registada em Timor, que é autónoma da Companhia, mas intimamente ligada à mesma Companhia. Durante a minha estadia, a convite do P. João Felgueiras, participei numa reunião da Fundação “Amigos de Jesus” com a Direcção da Escola. Foi uma reunião muito importante, na qual se delinearam algumas orientações quanto ao futuro da mesma escola, o seu número de alunos e o cuidado por preservar a qualidade didatico-pedagógica. Esta “pequena “ escola funciona em dois edifícios: o novo, que foi inaugurado em 2008, com seis salas de aulas, e o antigo, que funciona nas antigas instalações, num terreno junto ao Centro Juvenil Padre António Vieira, também com seis salas de aula. Por esta escola passam, diariamente, perto de 700 crianças da 1ª até à 6ª classe, pois as aulas funcionam em dois turnos, de manhã e à tarde, nas 12 salas de aulas disponíveis. Participei ainda na reunião havida com o Superior Regional de Timor, P. Mark Raper, e os “curadores” da Fundação Amigos de Jesus, na qual foram abordadas várias questões que contribuíram para clarificar melhor a questão dos “laços especiais” que deverão exis-

tir entre a Companhia de Jesus e a Fundação Amigos de Jesus. Esses ”laços” vinham referidos numa carta do então Superior Regional, P. Adolfo Nicolás, ao P. João Felgueiras, quando lhe deu autorização e apoio na criação da Fundação Amigos de Jesus. Após esta reunião muito frutífera, o P. Mark Raper elaborou uma carta que enviou à Fundação Amigos de Jesus sugerindo vários modos de actuação e colaboração no campo pedagógico, espiritual e eventualmente administrativo. É próprio da Companhia de Jesus estabelecer acordos de parceria com entidades autónomas mas muito ligadas à espiritualidade e maneira de ser da Companhia, prevendo-se que neste contexto a Escola e a Fundação Amigos de Jesus possam progredir e melhorar as suas actividades. Tive também a oportunidade de contactar com a comunidade de Taibesi, sempre muito hospitaleira, assim como com outros jesuítas pertencentes a outras comunidades. Deixo uma palavra de agradecimento ao Centro Juvenil Padre António Vieira, na pessoa de Rosalina Dias, sempre disponível em ajudar os senhores padres jesuítas. Não deixei de aproveitar a ocasião de desfrutar das águas do Pacífico bem como de aproveitar a deslocação do P. José Alves Martins até Maliana, onde foi dar um curso de formação aos zeladores do Apostolado da Oração. No dia 8 de Novembro, já estava de regresso tendo chegado a Lisboa dia 9, depois de horas sem fim de voo. Afonso Herédia, SJ

AO reúne milhares de fiéis em Fátima Realizou-se, em Fátima, a peregrinação anual do Apostolada da Oração, participada por mais de 80 000 pessoas, a 16 de Outubro, dia da memória litúrgica de Santa Margarida Maria Alacoque, cuja vida está ligada às origens e história da grande devoção moderna ao Sagrado Coração de Jesus. A celebração da Eucaristia foi presidida por Sr. D. Manuel Clemente, Bispo do Porto. Deixaram o Noviciado do Santíssimo Nome de Jesus, o José Maria Salinas e o Manuel António.


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Memória do Ir. Manuel Carlos No passado dia 4 de Novembro partiu para o Pai o irmão Manuel Carlos, com a bonita idade de 96 anos e 76 de Companhia! Encontrava-se na enfermaria da comunidade da Faculdade de Filosofia/AO, em Braga, onde tinha passado os últimos meses, apesar de pertencer à comunidade do Colégio das Caldinhas. Foi aí, no colégio, que viveu a maior parte da sua vida, depois de ter passado pelo seminário da Costa, em Guimarães, e pelo seminário menor em Macieira de Cambra. Foi principalmente sapateiro (dos jesuítas e alunos internos; o administrador Francisco Cunha recorda que as primeiras chuteiras que teve foram feitas por ele), condutor (dizia, com ironia, ser “o melhor condutor da província”) e comprador. Pessoas que com ele privaram falam de uma presença discreta, bem disposta, cordial e com grande espírito de serviço. Era também um homem piedoso e com grande devoção a Nossa Senhora. Natural de Santiago, Magueija (Lamego) , onde nasceu em 08/02/1915. Entrou na Companhia em 07/09/35. Era irmão de Joaquim Carlos, Irmão quinteiro em Soutelo, que faleceu no grave acidente, em 1970, no regresso de Cernache, onde tinham ocorrido as ordenações desse ano. José Luís Artur, SJ

Da Companhia EM RESUMO

Nomeações do Padre Geral O Padre Geral nomeou: - com a aprovação do Secretário de Estado do Vaticano, Director da revista La Civiltà Cattolica, o P. Antonio Spadaro; - Secretário para a Colaboração com os Outros, o P. Anthony da Silva, da Província de Goa; - Presidente da Conferência da América Latina o P. George Cela Carvajal - Assistente do Secretariado para a Justiça Social e a Ecologia, o P. Xavier Jeyaraj, da Província de Calcutá. - Superior Regional da Tailândia, o P. Agustinus Sugiyo Pitoyo; - Provincial do Brasil Meridional, o P. Vicente Palotti Zorzo; - Provincial de Goa, o P. Rosário Rocha.

Nomeação do Secretário da Companhia O Padre Secretário da Companhia de Jesus nomeou Assistente do Director do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Cúria Geral, o P. Roy Sebastian Nellipuzhayil, da Região do Nepal.

Novo Director Diocesano do AO

Últimos votos No dia de Todos os Santos, proferiu os últimos votos o P. Miguel Gonçalves Ferreira, na Igreja do Colégio de São João de Brito, em Lisboa. No dia da Imaculada Conceição, na Igreja da Imaculada Conceição, na Casa da Torre, em Soutelo, proferiram os últimos votos os PP. Álvaro Balsas e José Frazão Correia.

Renovação Províncias

das

estruturas

das

A 27 de Setembro, o P. Geral enviou uma carta a todos os Superiores Maiores, a acompanhar o documento intitulado A renovação das estruturas das Províncias ao Serviço da Missão Universal, um “importante documento para estudo, reflexão orante e implementação em todas as Regiões, Províncias e Conferências. Este documento preenche um dos mandatos da Congregação Geral 35ª “com o objectivo de serviço melhor a nossa missão universal” (cfr. Dec. 5, nº 26). Depois de examinar os desafios internos e externos que a Companhia de Jesus enfrenta hoje, a Congregação apelou a que fossem re-imaginadas as formas como nos organizamos para viver a nossa vida e missão jesuítas. Com todas as mudanças que temos experimentado, como podemos repensar as nossas estruturas para melhor servir a Igreja e o mundo? (...) Este processo requer indiferença inaciana e liberdade interior, que nos permitem passar além dos interesses próprios, das ideologias e de afectos desordenados de modo a podermos abraçar a vontade de Deus. Em simultâneo, este processo chama-nos a aprofundar a nossa identidade jesuíta. Santo Inácio e os seus primeiros companheiros eram oriundos de países e de culturas diferentes e sentiram em profundidade o impacto da diversidade e conflitos históricos.

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No seguimento da proposta apresentada pelo anterior Provincial, P. Nuno da Silva Gonçalves, o Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa nomeou o P. Rafael Morão para o cargo de Director Diocesano do Apostolado da Oração. Sucede ao P. Abel Paulo Guerra que desempenhou esta tarefa nos últimos anos.

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Servidores DA MISSÃO DE CRISTO MAG+S e JMJ

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Ao longo do ano 2011 muito se falou, também neste Boletim, acerca do MAGIS 2011: anunciando, dando a conhecer, desafiando à participação neste programa inaciano em torno das Jornadas Mundiais da Juventude de Madrid. 99 Portugueses entre os 18 e os 30 anos, vindos de Norte a Sul do país, aceitaram o convite e juntaram-se a outros 2500 vindos do mundo inteiro (52 países) para viver em conjunto esta experiência de encontro com Deus, em Igreja e a partir da espiritualidade inaciana. O intuito era ajudar as pessoas a crescer através de um método muito inaciano: a "experiência". Durante 20 dias, cada um viu-se confrontado com pessoas, contextos, actividades novas (e muitas vezes inesperadas) e depois convidado a reflectir sobre o vivido, a tomar consciência dos sentimentos e “moções” interiores.

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O choque inicial com o encontro em Loyola das cerca de 3000 pessoas envolvidas deu o pontapé de saída para que cada um deixasse a sua “zona de conforto”: culturas, línguas, expressões artísticas, formas de rezar e de celebrar foram postas em comum, despertando curiosidades e desejo de abertura ao outro. Distribuídos em pequenos grupos (20-25 pessoas) de 3 ou 4 países, os participantes rumaram para as 100 experiências que durante mais de dois anos reflectiram, sonharam, rezaram e trabalharam para lhes proporcionar um encontro com Deus, com os outros e consigo mesmos. A caminhar, a cuidar dos mais pequenos, a trabalhar no campo ou em artesanato, Deus está presente e actuante, e deixa-se encontrar. "Ver Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus". A riqueza do contexto internacional e a possibilidade de criar laços verdadeiros permitiram uma partilha próxima e profunda. Através de momentos de oração, da eucaristia diária, de conversas em pequenos grupos, entre tantas outras ocasiões informais, as vivências interiores foram postas em comum, permitindo a cada um crescer na arte do discernimento: de que modo Deus me tem tocado? O que é que Ele me desafia a fazer? No reencontro em Madrid, não estavam os mesmos de Loyola: cada um trazia consigo vivências, histórias, descobertas e sobretudo novas amizades. Durante os dias das Jornadas o “Colegio del Recuerdo” foi a casa comum, lugar de descanso e de avaliação, onde a experiência da Igreja universal tinha rostos e nomes conhecidos. A experiência das Jornadas anteriores de Paris, Roma, Toronto, Colónia e Sydney permitiu consolidar o modelo, clarificar os contornos da proposta, e cimentar os elementos-chave da pedagogia “magis”. Durante vários anos, dezenas de pessoas estiveram nos bastidores deste

evento: jesuítas, outros religiosos e religiosas, leigos, amigos e colaboradores. A diversidade de pessoas e de propostas esteve presente e foi querida desde início, manifesta nos tipos de experiência propostos: peregrinação, arte e criatividade, acção social, ecologia, espiritualidade, fé e cultura. Em Espanha e Portugal foram-se formando grupos para preparar cada uma das 100 experiências, de Barcelona a Lisboa, dos Pirenéus ao Alentejo. Criatividade e colaboração foram as palavras de ordem, num esforço conjunto vivido pelas centenas de voluntários envolvidos e testemunhado pela equipa da “Oficina Magis”. Em Portugal, sob a coordenação do P. Filipe Martins, foram organizadas 14 experiências, por 14 equipas de gente generosa, ligada de diversos modos à espiritualidade inaciana: paróquias, movimentos, congregações religiosas femininas de espiritualidade inaciana (Escravas, Doroteias, Coração de Maria e Filhas do Coração de Maria), além de tantos outros amigos. Cada grupo preparou uma experiência, imaginando que gostaria de participar nela, e daí saíram ideias óptimas e originais. Numa quinta perto de Ourém, a Margarida Alvim coordenou a experiência “Na tua Terra”, cruzando espiritualidade e ecologia. As “anciãs” dos Leigos para o Desenvolvimento, Daniela Vieitas e Isménia Silva, proporcionaram aos participantes da “Teatro Benfeito” uma experiência artística e cultural numa aldeia perto de Castro Daire. As peregrinações foram quatro, no Gerês, na Serra da Estrela e a caminho de Fátima, cada uma com a sua singularidade: à mistura com um campo de férias ao jeito do CAMTIL (“It’s a kind of Magis”), com uma vertente evangelizadora (“Caminhos velhos, rastos de peregrino”) ou então cultural (“Rota da Lã e do Queijo”). Em Lisboa, as Filhas do Coração de Maria proporcionaram um encontro


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Afonso Espregueira - experiência em Ceuta e Tânger O MAG+S enviou-me para Ceuta e Tânger, com espanhóis e italianos (e portugueses, claro), para conhecer um mundo tão diferente aqui tão perto. A experiência, inserida nas categorias de acção social, fé e cultura e espiritualidade, baseou-se sobretudo no contacto com várias instituições que trabalham nas duas cidades, revelando-nos um espaço de fronteira de desenvolvimento, de cultura, de religião... Esta questão da fronteira é muito visível em Ceuta, onde termina a Europa e começa África. Esta é, portanto, uma cidade multicultural, abarcando quatro religiões diferentes: cristianismo e islamismo, em maioria, e judaísmo e hinduísmo, uma minoria. Os distintos credos partilham uma área geográfica, em paz, mas não existe uma grande interacção social entre estes. Ceuta é também uma porta de entrada para o continente europeu e portanto lida diariamente com a questão das migrações clandestinas. Assim, durante o tempo aí passado, visitámos um centro de acolhimento de imigrantes e instituições que os apoiam, bem como uma mesquita, para conhecermos os diferentes pontos de vista existentes. Tânger é já um mundo completamente diferente, claramente mais pobre e dominado por uma cultura e uma religião distintas da nossa. Os cristãos são uma clara minoria e, então, procurámos conhecer o seu papel naquela sociedade. Um marroquino nasce e morre muçulmano, pelo que é proibida a evangelização. Exige-se, pois, criatividade para esse trabalho. E ela existe. Em Tânger, os pouquíssimos movimentos católicos realizam sobretudo uma tarefa de acção social, outra forma de dar a conhecer Jesus, sendo aceites e respeitados nesses termos. Esta experiência ajudou-me a perceber que o nosso mundo é plural, havendo muito por fazer no campo económico e no campo da partilha e do diálogo intercultural. Não basta partilhar um espaço. Importa também reconhecer qualidades na diferença e cooperar.

Teresa Ramos - Responsável pela experiência P6 – Gerês "It's a kind of Magis" O que me marcou mais foi ver como nas diferentes limitações culturais, pessoais e espirituais do grupo, a atitude geral era de uma enorme abertura ao que Deus nos vai colocando no caminho, encarando qualquer situação - dificuldades, momentos mais consoladores, no aderir a propostas que não supúnhamos imaginar - uma oportunidade de contribuir para a maior glória de Deus.

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com a “Pobreza(s) na Cidade”, enquanto outro grupo experimentava “Diversidades cruzadas” num bairro de realojamento em Sacavém. No Norte, o João Pedro e a Andreia Quintela, dos Campinácios, levaram alegria aos hospitais do grande Porto com a experiência “Magistic”. Já no Alentejo, em Monsaraz, um grupo fez a experiência de “Moldar a vida “, trabalhando o barro nas olarias tradicionais. Isto para referir apenas alguns exemplos... No final, a alegria profunda foi partilhada por todos, participantes e organizadores do MAGIS 2011. Uma alegria agradecida por tanto bem recebido, semente que cada um quer levar para frutificar no regresso às rotinas do dia-a-dia, agora transformadas pelo “mais”, entregando com muito afecto: “Tomai Senhor e recebei...” António Ary, SJ

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Marina Teixeira - o que levei do MAGIS para a vida Muito naturalmente, a primeira coisa que me vem há cabeça quando oiço “MAG+S” são as inúmeras memórias que tenho dessas semanas: as pessoas, as actividades, a experiência, as orações, até mesmo o cansaço que se ia instalando à medida que os dias intensos se iam sucedendo. E essas memórias ficam, é claro, mas não são elas que mais tocam a minha vida concreta de todos os dias. Do MAG+S trago o desafio de uma mudança de perspectiva, este desafio de viver constantemente em modo magis. Não se trata da alegria desmedida, ou da espera de viver apenas o extraordinário. Viver em modo magis é querer viver nesta lógica de mais: de me dar mais, de me pôr mais ao serviço, de querer viver sempre mais a partir da profundidade. Na prática, vou-me recordando a olhar cada dia com um olhar de tranquilidade, consciente de que ninguém prometeu que iria ser fácil mas que ao mesmo tempo sou sempre desafiada a sair da minha zona de conforto e a encontrar na correria da rotina aquele cansaço consolado que me descansa.

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Sofia Machado JMJ - Madrid Quanto a mim, é impossível falar de JMJ sem referir duas coisas: quase 2 milhões de jovens e uma tempestade dos diabos (ou deveria dizer "dos anjos?"). Acho que o que de mais bonito tem as JMJ é realmente a grandeza e simplicidade simultâneas que se sentem no ar. Ninguém fica indiferente à alegria que se vive. Estava um calor de morte? Estava. Esperávamos horas para conseguir comer? Sim. Não víamos nada e ficávamos sempre longe do Papa? Sim. E daí? Podia não chegar à praça do Sol, mas enquanto esperava pelos ecrãs, entrava logo numa canção ou num "Free huggs" com os 3 americanos, os 2 taiwaneses e os 10 tugas que estavam ao meu lado na rua. É essa a beleza de verdadeiramente nos sentirmos "todos diferentes, mas todos iguais". Bom, mas o que realmente me marcou foi aquela tempestade em cuatro Vientos. Aliás, não foi a tempestade, foi o silêncio sepulcral que se fez quando saiu o Santíssimo e a tempestade simplesmente parou, e o facto de ter voltado a desabar quando esse momento terminou. Foram os cânticos entoados no meio da chuvada, a resistência das pessoas, os joelhos no chão molhado e os sorrisos em cada cara que quase voava com o vento. Foi exigente, assustador. Mas no fim fica a sensação de paz dentro do coração. A paz de saber que é Ele que nos mantém ali, juntos, contra toda e qualquer tempestade. E no fim, é Ele que vem trazer a bonança. Para mim foi muito importante sentir-me parte deste grupo tão grande e tão forte que são os jovens da Igreja Católica. A experiência de comunidade, muito vivida no MAGIS, ajudou-me a crescer e a perceber que é em comunhão e partilha que se vive. De que me vale ter uma relação muito próxima com Deus se não for capaz de O partilhar com os outros? E isto de "O partilhar", de levá-l’O onde quer que vá não é fácil nem é directo. É feito de maneira diferente por cada um, com os seus defeitos e qualidades. Naquela tarde, parecia que o Papa falava para mim quando dizia "não tenham medo de encontrar a vossa vocação, e segui-la, seja ela qual for". Com os meus dons, com os meus medos, Deus chama-me a acender a Sua chama nos corações do mundo. Foi, sem dúvida alguma, uma experiência inesquecível.


Servidores da MISSÃO DE CRISTO continuação

Filipe Costa Lima - Responsável pela experiência P7 – Reguengos de Monsaraz A experiência P7 - 'Moldar a Vida' - realizou-se em São Pedro do Corval, a capital nacional da olaria, onde continuam a trabalhar vários oleiros e de acordo com os processos artesanais. A proposta foi proporcionar aos 25 participantes - oriundos de Espanha, Itália e Lituânia e com idades entre os 18 e os 25 anos - uma experiência desinstaladora, que permitisse um crescimento pessoal a vários níveis e que os preparasse para a experiência das Jornadas, mostrando em simultâneo um pouco da nossa cultura, com especial destaque para a alentejana. Para promover esta finalidade, deixámos um desafio exigente: que fizessem a experiência de trabalhar em olarias debaixo do calor do Agosto Alentejano, com o objectivo de produzir as píxides, cálices e patenas para a missa final do Magis. Ao longo dos dias tivemos a oportunidade de conhecer e participar nas diferentes fases do processo de produção até à conclusão dos trabalhos, que levaram para Madrid. A presença da célebre imagem do 'barro nas mãos do oleiro' que o profeta Jeremias nos deixou foi inevitável e marcou de forma decisiva as nossas criações. Os exemplos e as imagens ganham mais vigor quando são experimentados. Houve também tempo para muitas outras actividades: refeições alentejanas, visitas a Évora e a Monsaraz, jantar e serão de agradecimento aos oleiros (preparados pelos peregrinos), um bailarico, uma festa para a aldeia (com cânticos e danças populares portuguesas)... Tudo isto foi preparado numa lógica de peregrinação rumo às JMJ, muito marcada pelos momentos de oração e celebração, que foram dando um sentido mais profundo a cada actividade e a cada dia. Foi uma semana muito rica para todos, tendo ficado bem evidente a famosa hospitalidade portuguesa. Para isso muito contribuíram a simpatia e a generosidade da população e dos oleiros de São Pedro, sem os quais nada disto teria sido possível. Obrigado!

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Nadine Golczyk: participante alemã na experiência P4 – Lisboa/Sacavém A minha experiência social levou-me até Lisboa. Éramos um grupo de 25 jovens adultos do Chile, Irlanda, Espanha e Alemanha. Fiquei espantada com a rapidez com que nos tornámos verdadeiramente “um corpo”, um grupo forte ao serviço do bairro social a que fomos enviados. A confiança mútua foi dada e recebida com muita naturalidade, crescendo e aprofundando cada vez mais. A diferença de línguas e de culturas não desapareceu, mas deixou de constituir um obstáculo. O nosso “Livro do Peregrino” ajudou-nos a rezar em espanhol e inglês. A oração da manhã introduzia uma orientação espiritual para o dia, que depois se reflectia nas diversas situações vividas. Sim, é possível buscar a Deus na variedade de experiências da vida. O bairro no qual trabalhámos, com a sua população maioritariamente imigrante, confrontou-nos com muita pobreza, sofrimento e injustiça. Ao mesmo tempo, encontrámos alegria, vitalidade e risos imensamente libertadores. O desejo daquelas pessoas de simplesmente partilharem as suas vidas foi para mim o mais incrível, abrindo-me novos caminhos para Deus. Nunca me senti estranha e descobri quão pouco importam as palavras, sobretudo junto das crianças. Era sensível o sentido de respeito, aceitação e abertura ao outro: todos falámos a linguagem universal do coração e dos sorrisos no olhar. Brincar, dançar, cozinharmos juntos exigiu os talentos de todos – bem como a aprendizagem junto daqueles cuja missão diária é sobreviver. Os momentos de silêncio do dia, a eucaristia e o Círculo Magis (pequeno grupo de seis onde uma partilha mais profunda era possível) reflectiam a nossa busca de Deus, nos rostos e nos acontecimentos, nas dificuldades e alegrias. Durante uma semana, em Lisboa, experimentámos verdadeiramente o “magis” de S. Inácio, “mais” alegria, sensibilidade “mais” profunda aos outros, “mais” proximidade com Cristo, “mais” confiança... Obrigado Magis2011. (Traduzido do inglês – Texto completo original publicado em www.jesc.net)

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Sentir e SABOREAR Peregrinação 3 em Movimento

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Camtil, Campinácios e Gambozinos nas Jornadas Mundiais da Juventude 2011

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Há projectos que custam a arrancar, que carecem de meios materiais e humanos, que são demasiado arriscados, complexos e exigentes. Este foi um desses projectos. Nasceu no mês de Novembro de 2010, quando os Jesuítas ligados à Pastoral Juvenil decidiram fazer adaptações nas actividades do verão de 2011, concretamente nos Campos de Férias, para promoverem a participação no MAGIS e nas Jornadas Mundiais da Juventude em Madrid (JMJ). De comum acordo, os 3 Movimentos de Campos ligados à Companhia de Jesus (Camtil, Campinácios e Gambozinos) resolveram diminuir o número de Campos do verão, assim como substituir os Campos dos mais velhos por uma Peregrinação a Madrid. Como costuma acontecer com as coisas de Deus, pareciam faltar todos os meios para realizar esta aventura de verão: Como no Evangelho da multiplicação dos pães (Jo 6,1-14), em que Filipe pergunta a Jesus «Onde havemos de comprar pão para toda esta gente comer?» o mesmo tipo de perguntas começaram a surgir: Onde vamos arranjar o dinheiro para as JMJ? Onde vamos arranjar animadores? Onde vamos arranjar tempo? Mas, como sempre, o Senhor estava por perto e começou a trabalhar nos corações daqueles que acreditam. As JMJ 2011 e o encontro com o Papa eram demasiado importantes para não promover uma Peregrinação dos Jesuítas. Abriram-se inscrições nos 3 Movimentos para Camaleões, Lambretas e Gambozinos mais velhos e foram convidados os animadores. Os participantes pagavam metade dos custos, enquanto a outra metade seria angariada pelo grupo. Logo se motivaram os 65 inscritos e os 15 animadores na organização de acções de angariação de fundos. Contámos com a preciosa ajuda dos vários Movimentos na dinamização dum Arraial, noite de fados, trabalho rural, noite de cinema, lavagem de carros, etc. e muitos generosos donativos. De certa forma, a Peregrinação começava já em andamento e os peregrinos

começavam a conhecer-se. Em cerca de dois meses juntámos cerca de 13.000€ para a inscrição nas JMJ. Só com um milagre tal foi possível. Esta Peregrinação contou com os participantes do último escalão dos 3 Movimentos, reunidos dos 4 cantos do país: de Braga a Évora, passando por S.Tirso, Porto, Coimbra, Abrantes, Lisboa e outras localidades. Estava garantida a diversidade, não só da proveniência física, mas também de feitios, culturas e fé pessoal. Também a equipa de animadores incluiu voluntários de cada Movimento, mais 5 Jesuítas (2 Noviços, 2 Filósofos e 1 Padre). A experiência teve como nome “3 em Movimento” e constou de duas etapas: Um mini Campo de férias, em Mirandela, de 12 a 15 de Agosto; seguido da participação nas JMJ 2011 em Madrid, de 16 a 22 de Agosto. O Tema da nossa Peregrinação foi o mesmo dos restantes Campos de verão: “Sobre esta pedra” (Mt. 16, 18). Este tema estava em perfeita sintonia com o tema Geral das JMJ “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na Fé” (Col. 2, 7). O Papa mostrou o desejo que esta JMJ ajudasse os jovens cristãos de todo o mundo a fundamentarem a sua Fé, esperança e Amor em Cristo e na sua Igreja. Tal como Jesus disse a Pedro, diz também a cada um de nós: Tu és filho de Deus e sobre a pedra que tu és, com os irmãos, edificarei a minha Igreja. Nesta peregrinação, aprofundámos o valor da nossa Fé, numa celebração


mundial da Fé da Igreja, da qual cada um é uma pedra viva. Ao longo dos dias passados em Madrid, numa experiência única de comunhão com o Papa Bento XVI e com muitos milhares de jovens de todo o mundo, fizemos juntos um caminho de oração, partilha, e celebração que nos permitiu redescobrir Jesus Cristo presente nas nossas vidas. Juntos fomos fazendo a festa das JMJ, que se manifestou em momentos de profunda comunhão interior com Deus e em momentos de enorme alegria e celebração em Igreja. A aventura começou com o Campo de férias em Mirandela, num local de sonho! Nenhum de nós tinha feito um Campo com 80 pessoas! Desde a roda, às refeições, à Capela, tudo era maior… Nos 3 dias de Campo fizemos algumas actividades que nos prepararam interiormente para aproveitar da melhor forma a Peregrinação. As equipas de serviço ajudaram os participantes a conhecerem-se melhor, criando uma relação mais próxima com os outros. No dia 15 partimos para Madrid, levando na mochila apenas o essencial, com o entusiasmo de quem deseja encontrar-se com o Papa e com o seu Deus. Fomos recebidos no Colégio dos Jesuítas P. Piquer em Madrid, perto da Pl. Castilla. Dormimos nas salas de aula, juntamente com peregrinos de outros grupos do Paraguai, Estados Unidos e Espanha. O pequeno-almoço era servido no Colégio, enquanto as restantes refeições eram adquiridas mediante senhas, em restaurantes da cidade. A presença do Espírito Santo foi constante. Como Peregrinos que fomos, passámos necessidades, fome, sede, cansaço… mas a alegria que sentíamos fazianos esquecer tudo isso. Havia sempre alguém pronto a animar. Essa alegria concretizava-se nos cânticos – “Firmes en la fe, firmes en la fe…”; nas danças nas ruas – “italiani, bati le mani!”; nos Bons-dias-Senhor – oração pessoal no Parque do Retiro; nas refeições simples e nos banquetes – Salads and Co.; nos espectáculos – O Musical Wojtyla; nas grandes celebrações – a Via Crucis na Plaza Cibeles; e em tantos outros momentos marcantes da Peregrinação. A cidade pulsava de vida e de cor em cada rua e em cada praça.

O momento mais marcante (e mais desejado) foi a Vigília de oração com o Papa e a Missa de encerramento, Sábado e Domingo, no Aeródromo de Cuatro vientos. Como Jesus, que quis nascer em Belém mas não teve lugar na hospedaria, também o nosso grupo, quando chegou cansado ao local, não tinha lugar no respectivo sector… mais uma vez soubemos superar esta dificuldade com paciência. No início da Vigília, os céus escureceram e começou um temporal de vento, chuva e trovoada que não deixaram o Papa falar. Foi um momento indescritível, em que as forças da natureza se fizeram sentir com toda a sua potência… o Papa esperou… e os milhares de jovens presentes aguentaram o vendaval, esperando as palavras de ânimo do seu Pastor. Após cinco minutos, Bento XVI dirigiu-se aos jovens dizendo: “Obrigado por essa alegria e resistência… a nossa força é maior que a chuva. Obrigado. O Senhor, com a chuva, envia-nos muitas bênçãos. Também com isto sois um exemplo…”. É difícil de descrever os sentimentos daquela noite, em que a tempestade e a multidão se juntaram para inundar de alegria aquela noite de Festa e oração. Após as palavras do Papa, seguiu-se um momento de adoração do Santíssimo. O profundo silêncio que se instalou no recinto foi impressionante e todos se uniram em oração diante do Senhor. No final da Vigília, o Papa dirigiu-se ainda aos jovens portugueses com estas palavras:

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Sentir e SABOREAR continuação

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Sentir e SABOREAR continuação

“Meus queridos amigos, convido cada um e cada uma de vós a estabelecer um diálogo pessoal com Cristo, expondo-Lhe as próprias dúvidas e sobretudo escutandoO. O Senhor está aqui e chama-te! Jovens amigos, vale a pena ouvir dentro de nós a Palavra de Jesus e caminhar seguindo os seus passos. Pedi ao Senhor que vos ajude a descobrir a vossa vocação na vida e na Igreja, e a perseverar nela com alegria e fidelidade, sabendo que Ele nunca vos abandona nem atraiçoa! Ele está connosco até ao fim do mundo.” Papa Bento XVI, na Vigília das JMJ, Sábado, 20 Agosto 2011 A noite foi passada ao relento, entre o convívio e algum descanso. No dia seguinte de manhã, sob o peso do cansaço, ainda restavam forças para a Eucaristia final. O Papa presidiu à Missa de encerramento das JMJ e na sua homilia, convidou os jovens a edificarem e enraizarem a sua Fé em Cristo, na sua amizade com Ele, colocando-O no centro das suas vidas. Esta relação de amizade deve ser vivida em Igreja, alimentada pelos Sacramentos, pela partilha e pelo testemunho. Mas deve ser uma experiência também comunitária. Nessa noite, fomos jantar no centro de Madrid. A alegria que sentíamos foi exteriorizada em plena Plaza Callao, onde o nosso grupo cantou e dançou numa roda gigante improvisada no passeio. Os grupos de várias nacionalidades que iam passando associavam-se à festa

portuguesa, ensinando algumas danças e brincadeiras dos seus países. Regressámos a Portugal na 2ª feira, 21 de Agosto. Esta Peregrinação foi certamente um momento marcante para todos os participantes e animadores. Entre a Festa interior (do coração) e exterior (das multidões), foi-nos dada a oportunidade única de vivermos a comunhão da Igreja Universal, numa semana de actividades muito variadas. Jesus Cristo esteve presente connosco e animou cada um a continuar este caminho de crescimento na sua Fé pessoal. Uma palavra de agradecimento muito especial à Direcção da Peregrinação – Miguel Pessoa Jorge (Director); Ana Isabel Salgado (Mamã); Marta Bello (Dir. Adjunta) – que mostrou uma dedicação incansável a este Projecto, desde a angariação de fundos até ao final da estadia em Madrid. Um obrigado ainda à Capelania dos cinco Jesuítas que souberam animar espiritualmente os Bons-dias-Senhor, as Missas, as conversas pessoais e os momentos de oração. Finalmente, os animadores, que foram mostrando como o amor se prova mais em gestos do que em palavras, servindo sempre o grupo de peregrinos com uma disponibilidade total. Até 2013, no Brasil! O Capelão Lourenço Eiró,SJ

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Em movimento, para as JMJ

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Este ano tivemos um campo especial, éramos “3 em movimento” a preparar-nos para as jornadas mundiais da juventude. A razão da nossa ida era, em primeiro lugar, o encontro com o Papa. Mas tudo o que se criou à volta deste encontro tornou esta experiência muito mais forte. Antes das jornadas, tivemos um campo de quatro dias em que nos preparámos interiormente para este grande acontecimento que nos esperava e desenvolvemos as relações dentro do nosso grupo. Tivemos bastante tempo de oração mas também muito tempo de diversão e descontracção que, como acontece normalmente nos campos, permite uma união espectacular entre todos. Em Madrid, foi fantástico o ambiente que se criou. Todas as actividades que nos foram propostas que faziam mesmo parte das jornadas levaram também ao ambiente criado: jovens fisicamente tão diferentes unidos a gritar pelo Papa, todos nas ruas de Madrid para o mesmo. A via sacra, onde estavam mais de 100 000 jovens unidos em oração foi, para mim, um momento muito marcante. A vigília também foi sem dúvida um momento crucial das jornadas. A quantidade de jovens que estava em Cuatro Vientos só para estar com o Papa e que, mesmo com chuva, ficaram lá e não baixaram os braços nem pararam de festejar… foi espectacular! A quantidade de pessoas de tantos países diferentes, unidas neste objectivo de partilha do testemunho que o Papa tinha para nos passar, deu uma dimensão muito especial a este encontro. Se pensarmos bem, não há espectáculos de música, greves, encontros de associações, não há nenhum encontro que junte tanta gente como este encontro mundial da juventude com o Papa! Madalena Guimarães


Meios que unem O INSTRUMENTO COM DEUS

Janeiro

Março

Exercícios Espirituais

Exercícios Espirituais

3 DIAS 12 a 15 | em Soutelo, com o P. José Frazão 12 a 15 | em Palmela, com o P. Nuno Tovar de Lemos e a Irª Maria Vaz Pinto, aci 12 a 15 | em Palmela, com o P. António Vaz Pinto 19 a 22 | em Soutelo, com o P. Afonso Seixas Nunes 19 a 22 | no Rodízio, com o P. Luís da Providência 19 a 22 | no Rodízio, com o P. Sérgio Diz Nunes “Conhecer” 26 a 29 | na Costa Nova, com o P. Gonçalo Castro Fonseca 26 a 29 | em Soutelo, com o P. José Carlos Belchior 8 DIAS 07 a 15 Soutelo P. Dário Pedroso

3 DIAS 08 a 11 | em Soutelo, com a Ir. Marta Silva, aci e P. Luís da Providência 08 a 11 | no Loreto, com o P. Gonçalo Castro Fonseca pé descalço 15 a 18 | no Rodízio, com o P. António Júlio Trigueiros 15 a 18 | no Rodízio, com o P. João Norton 15 a 18 | no Rodízio, com o P. Sérgio Diz Nunes “Comprometer-se” 15 a 18 | em Fátima, com o P. Dário Pedroso 22 a 25 | em Soutelo, com o P. Dário Pedroso 29 a 01 Abr | em Soutelo, com o P. Carlos Carneiro 29 a 01 Abr | no Rodízio, com o P. António Vaz Pinto 29 a 01 Abr | no Rodízio, com o P. Dário Pedroso 30 a 02 | em Soutelo, com o P. João Carlos Pinto 7 DIAS 28 a 4 Abr | no Rodízio, com o P. Domingos de Freitas

Exercícios Espirituais 3 DIAS 02 a 05 | em Soutelo, com o P. Gonçalo Castro Fonseca 17 a 20 | em Soutelo, com o P. Rui Nunes 18 a 21 | no Rodízio, com o P. José Carlos Belchior 18 a 21 | no Rodízio, com o P. Gonçalo Castro Fonseca 23 a 26 | em Soutelo, com o P. Vasco Pinto Magalhães pé descalço 23 a 26 | no Loreto, com o P. Afonso Seixas e António Ary, sj - pé descalço 4 DIAS 17 a 21 | em Soutelo, com a Drª Alzira Fernandes 17 a 21 | em Palmela, com o P. António Júlio Trigueiros 17 a 21 | em Palmela, com o P. Miguel Almeida pé descalço 6 DIAS 16 a 22 | em Soutelo, com o P. António Vaz Pinto 7 DIAS 14 a 21 | em Palmela, com o P. Carlos Azevedo Mendes 8 DIAS 02 a 10 | em Soutelo, com o P. Luís da Providência 18 a 26 | no Rodízio, P. Sérgio Diz Nunes

8 DIAS 12 a 20 | em Soutelo, com o P. António Costa Silva 15 a 23 | em Fátima, com o P. António José Coelho 30 a 07 | em Soutelo, com o P. Mário Garcia

Abril Exercícios Espirituais 3 DIAS 12 a 15 | no Loreto, com o P. Gonçalo Castro Fonseca e o António Ary, sj - pé descalço 12 a 15 | em Palmela, com o P. Carlos Carneiro 19 a 22 | em Soutelo, com o P. Domingos de Freitas 19 a 22 | em Soutelo, com o P. Miguel Goncalves Ferreira - pé descalço 4 DIAS 27 a 01 Mai | em Soutelo, com o P. Vasco Pinto Magalhães 8 DIAS 20 a 28 | em Soutelo, com o P. António Costa Silva

Consulte o programa anual em www.jesuitas.pt

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Fevereiro

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Jesuítas - Informação aos amigos