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JESUÍTAS

Boletim . nº 347 janeiro/abril 2013

Informação aos amigos

“A Colaboração no Centro da Missão” CAFJEC Comunidade Francisco Xavier


LISBOA Boletim trimestral | nº 347 janeiro/abril 2013

JESUÍTAS BREVES DA PROVÍNCIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 DA COMPANHIA EM RESUMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 CAFJEC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 COMUNIDADE FRANCISCO XAVIER . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 COLÉGIO DE SANTO INÁCIO DE LOIOLA. . . . . . . . . . . . . . . 18

boletim da PROVÍNCIA PORTUGUESA Janeiro/Abril 2013

MEIOS QUE UNEM O INSTRUMENTO COM DEUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

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Ficha Técnica Jesuítas – Informação aos Amigos – Boletim; Nº 347; Janeiro/Abril 2013 Diretor: Domingos de Freitas, SJ • Coordenação: Ana Guimarães • Redação: Ana Guimarães; António Amaral, SJ; Avelino Ribeiro, SJ • Propriedade: Província Portuguesa da Companhia de Jesus • Sede, Redação e Administração: Estrada da Torre, 26, 1750-296 LISBOA (Portugal) • Telef.: 217 543 060; Fax: 217 543 071 • Impressão: Grafilinha – Trabalhos Gráficos e Publicitários; Rua Abel Santos, 83 Caparide - 2775-031 PAREDE • Depósito Legal: Nº 7378/84 • Endereço Internet: www.jesuitas.pt • E-mail: ppcj@jesuitas.pt • Foto: Encontro do Papa Francisco com o P. Adolfo Nicolás, Superior Geral dos Jesuítas


Breves da PROVÍNCIA Concessão últimos votos

Exercícios Espirituais para jesuítas

O Padre Geral, Adolfo Nicolás, concedeu a Profissão de Quatro Votos, ou “últimos votos”, aos padres Filipe Martins, Francisco Rodrigues, José Eduardo Lima e Lourenço Eiró.

Realizam-se dois turnos de Exercícios Espirituais para jesuítas, no Rodízio: de 22 a 30 de julho, com o P. António Santana, e de 14 a 22 de outubro, com o P. João Santos.

Novo destino e missão

Encontro da PPCJ 2013

O P. Luís Ferreira do Amaral foi destinado a trabalhar no JRS, na Tailândia, a partir do final da Terceira Provação. À semelhança do que fez, durante dois anos, no Quénia, o P. Luís irá implementar e desenvolver um projeto de educação à distância, Jesuit Commons, que alcançou resultados muito positivos no campo de Kakuma.

Decorre de 28 (ao jantar) a 31 de agosto (ao almoço), em Soutelo, o Encontro anual da PPCJ que tem este ano por tema central a reflexão, discussão e aprovação do Plano Apostólico da Província para o quinquénio 2013-2018.

Destinos

Madrid, sábado 16 de Março 2013. Os cinco ordinandos prostram-se no chão da igreja de S. Francisco Xavier e S. Luís Gonzaga, no bairro da Ventilla, enquanto a assembleia entoa o canto das ladaínhas: “oh, rogad, hombres y mujeres de Dios!” À variedade de proveniencia dos presentes - vindos de Espanha, Portugal, Alemanha e tantos outros sítios - junta-se a diversidade dos santos e santas, invocados para serem intercessão na vocação e ministério do Björn Mrosko, Carlos Carvalho, João Goulão, Paulo Duarte e Pedro Cameira, ordenados diáconos da Igreja, na Companhia de Jesus, para o mundo. Quatro portugueses e um alemão. Cinco companheiros jesuítas que dão um passo mais na resposta à chamada do Senhor. Primeiro entraram no noviciado, depois estudaram filosofia e, antes de chegarem à etapa actual da teologia, entregaram-se ao apostolado no magistério. Uma chamada à qual respondem cada dia, na missão recebida e no desejo de fidelidade nas coisas grandes e pequenas. A partir de agora, a entrega ganha uma nova forma através do serviço da Palavra e do altar, última etapa antes do sacerdócio. Apesar do frio e da chuva, o ambiente da celebração foi de luz e calor. As centenas de amigos, familiares e companheiros, a força e a beleza do coro, tal como a proximidade manifestada por D. Fidel Herráez, bispo auxiliar de Madrid, envolveram-nos a todos numa atmosfera de alegria e acção de graças. O fim de semana inten-

Ordenações presbiterais Serão ordenados presbíteros os Esc. Carlos Sivano e Marco Cunha, respetivamente, no dia 28 de julho, em Lifidzi, Região de Moçambique; e no dia 29 de junho, no Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso. A missa nova do P. Marco Cunha será no dia 30 de junho, às 15h, na Trofa e a do P. Carlos Sivano no dia 5 de agosto, em Mitande, no Niassa.

Orações Pedem-se orações: - pelo P. José Luís Neto (Comunidade de Cernache), P. Cristiano Oliveira (Comunidade do Porto), pelo P. João Caria (Comunidade do CIL - Lisboa) e pelo P. Augusto Vila-Chã (Comunidade da FacFil/AO), recentemente falecidos. - por uma irmã e uma sobrinha do Ir. Júlio Guirione (Comunidade da Cúria Regional - Maputo - Reg. Moç.); por um irmão do P. António Pereira dos Reis, (Comunidade do CIL – Casa Xavier - Lisboa); pela mãe do P. Jorge Oliveira (Comunidade da Charneca) e pela mãe do P. Vasco Pinto de Magalhães (Comunidade do Porto).

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A partir de Setembro, vários são os novos destinos e missões, a saber: - o P. Rui Nunes fará a Terceira Provação em Salamanca, de setembro 2013 a abril 2014; - iniciam o 1º ciclo de Teologia o Esc. Duarte Rosado, em Roma; o Esc. João de Brito, em Madrid, e o Esc. Manuel Cardoso, em Paris; - para a etapa do magistério são destinados os Esc. João Manuel Silva, no Colégio de Cernache, e o Esc. João Sarmento, que terminará os estudos na Faculdade de Belas Artes do Porto, residindo na Comunidade de Nª Srª de Fátima.

Ordenação diaconal em Madrid

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Breves da PROVÍNCIA continuação

so começou com uma vigília de oração na véspera, e prolongou-se no domingo, com uma missa lusitana presidida pelo Provincial, P. Alberto Brito. Entre os sorrisos e as lágrimas, os muitos beijinhos e abraços, da serenidade profunda brotou o agradecimento. Os recém-ordenados não escondem a sua gratidão diante de “tanto bem recebido”, manifestado na amizade de todos os que os acompanharam de longe ou de perto. Damos graças a Deus pelo testemunho da sua consagração a Deus e aos outros, e pedimos para que sejam cada vez mais imagem daquele que nos diz: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. António Ary, SJ

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P. José Pereira dos Reis (1929-2012)

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O P. José Pereira Reis (1929-2012) teve o seu primeiro contacto com a Companhia de Jesus através do seu tio, o Irmão Gonçalves. Entrou em 1941, com 11 anos, para a Escola Apostólica em Macieira de Cambra onde permaneceu 5 anos. Daí passou para o noviciado da Costa, em Guimarães (1946-48), seguindo-se três anos de Juniorado e outros três de Filosofia, em Braga. Durante o Magistério (1954-57), esteve no Colégio São João de Brito. A Teologia foi feita em Chantilly, França (1957-61). Foi ordenado sacerdote aos 30 anos (1960), a que se seguiu a Terceira Provação em Salamanca. Voltou para Portugal, para o Colégio das Caldinhas, onde permaneceu até ao dia em que o Pai o chamou à Sua presença. Em tempos de Internato, foi Prefeito. Durante décadas, foi professor de Francês e Latim, teve algum apostolado na periferia do Colégio das Caldinhas e ajudou na sua administração. Nos últimos anos, a sua saúde foi-se deteriorando gravemente. Era estimado e visitado por um grupo de professores com quem teve amizade até ao fim da sua vida terrena. Para nós, seus companheiros, o P. Reis será sempre aquele que estava pronto para uma boa conversa, o sacerdote das homilias que ligavam tão bem a Escritura e o mundo, o jesuíta mais velho que perguntava sempre pelas actividades do fim-de-semana e, claro, o homem de feitio determinado. Para nós, jesuítas, ficará a recordação do seu amor a Jesus e do seu desejo de se manter sempre atual nas coisas da Igreja. Obrigado P. Reis. Agradecemos à família do P. Reis pela presença, carinho e amor que sempre lhe dedicou até ao fim da sua vida. José Luís Artur SJ

I. Joaquim Teixeira Roriz - Memória “Com a ajuda do Senhor tudo é leve e santo” “Como fazeis, caro Irmão, para atender a tantas coisas e permanecer sempre tão calmo e tranquilo, sem nunca perder a paciência?” Ele respondeu-me: “Padre, eu faço boamente o que posso; o resto fá-lo o Senhor, que

tudo pode. Com a sua ajuda tudo é leve e suave, porque servimos a um bom patrão”. Resposta verdadeiramente digna de uma alma eleita e adornada das mais belas e sólidas virtudes religiosas. Transcrevi, do Ofício de Leitura da Liturgia das Horas da Memória Litúrgica do Irmão Francisco Gárate, SJ (1857-1929), beatificado pelo Beato João Paulo II em 1985, este diálogo do Cardeal Pedro Boetto, SJ (18711946), Arcebispo de Génova, com o Irmão Gárate, e a conclusão que o acompanha, que o próprio Cardeal refere numa das suas Cartas. Retrato perfeito do Irmão Roriz! No dia 10 de Outubro de 1985, quando o Irmão Gárate foi beatificado, o Irmão Roriz já era jesuíta desde 7 de Setembro de 1971 e encontrava-se no Seminário da Torre, como era então conhecida a Residência do Imaculado Coração de Maria e Casa de Exercícios, o atual Centro de Espiritualidade e Cultura (CEC), em Soutelo. Aqui faleceu no dia da memória litúrgica de S. João da Cruz, 14 de Dezembro de 2012, meia hora depois da celebração da Missa, onde tinha comungado pela última vez. Também como o Irmão Gárate que nasceu próximo de Loiola, o Quim (assim era carinhosamente tratado em família e na comunidade) era natural do lugar da Torre, na freguesia de Areias, a paróquia onde está implantado o Colégio das Caldinhas. Viu a luz deste mundo no dia 6 de Junho de 1941, no seio de uma família numerosa e muito cristã. Ele era o segundo mais velho. Depois de trabalhar numa fábrica e de ter feito o serviço militar, foi servir no Colégio. E foi de lá que, aos trinta anos incompletos, transitou para o Noviciado. Vinha maduro e sólido, fiel, simpático e bom companheiro. Seguiu a formação normal de cada jesuíta e foi aceite definitivamente na Companhia quando proferiu os seus “últimos votos”, no dia 31 de Outubro de 1984, Memória Litúrgica de Santo Afonso Rodrigues, SJ, (1533-1617) que, como ele, foi Irmão e entrou na Companhia “para santo”. Sempre viveu em Soutelo. E “a nossa irmã, a morte temporal” (São Francisco de Assis) veio buscá-lo, repentinamente, com espanto de todos. Encontrei-o já morto à entrada da Casa, deitado no chão pedregoso e acimentado, levemente inclinado para o lado direito, parecendo dormir. Mas, vendo melhor na penumbra daquela tarde (eram 18.15) de um dia invernoso, tinha o cérebro esfacelado. Ao verificar, dias depois, os seus papéis, encontrei alguns apontamentos de retiros, numa letra quase ilegível. Foi de lá que consegui transcrever as duas frases

Boletim “Jesuítas” O boletim “Jesuítas” é enviado gratuitamente a familiares, amigos e colaboradores. Se desejar contribuir para as despesas de publicação e envio, pode fazê-lo por transferência bancária para o NIB 0033 0000 000000 700 41 84, Millennium BCP, ou mediante envio de cheque em nome de Província Portuguesa da Companhia de Jesus, para Estrada da Torre, nº 26 - 1750-296 LISBOA. Em ambos os casos, solicita-se referência ao Boletim Jesuítas.


que figuram na sua pagela de santa saudade: “O Senhor chamou a quem quis dentro de nós. Somos chamados para sermos amados”; e esta outra que o P. Sebastião Faria achou que deveria terminar com um ponto de admiração: “Quem é que me consola senão Deus? O fim do mundo, esta coisa tão bonita!”. Faz-nos muita falta. Já não ouvimos o seu despertador às 5 da manhã; já não o vemos a rezar; a fazer o seu dever em silêncio; o seu sorriso bem-humorado; já não o oiço dar-me os parabéns pela vitória do Sporting… Agora, as pessoas que vêm a Soutelo perguntam por ele: onde está? Está em Deus, no Céu, “esta coisa tão bonita”, em admiração eterna e gloriosa. Mário Garcia, SJ

Fim de semana monástico O desafio era sair da nossa rotina e durante dois dias entrar num mosteiro para encontrar a Deus no silêncio e na vida em comum. Um Abade, o P. Nuno Tovar de Lemos, um Capelão, o P. Miguel Almeida e trinta e oito irmãos, cinco dos quais responsáveis pela animação e organização das atividades e tarefas essenciais à vida de um Mosteiro, o irmão copeiro, o irmão quinteiro, o irmão sineiro e as duas irmãs encarregues do trabalho e da formação musical dos monges fundaram a pequena comunidade que esteve em Palmela, entre18 e 20 de Janeiro, a participar nesta atividade do Circulo Vieira, o “fim de semana Monástico”. Para trás deixámos as nossas vidas de todos os dias, profissões, compromissos e até os laços familiares. Sem adereços ou gadgets, vestimo-nos todos de igual, jeans, camisas brancas e camisolas azuis escuras, uma espécie de hábito dos nossos tempos, e entregámo-nos à simplicidade da vida do Mosteiro de S. Pacómio, temporariamente recebido na Casa de Oração de Santa Rafaela Maria. Para cada irmão uma cela, na qual nos esperava o essencial para os dias que se seguiram, um horário, um livro de orações e a Regra do Mosteiro Temporário de S. Pacómio. Depois do acolhimento, seguiram-se as apresentações, as recomendações e a primeira introdução às alegrias monásticas que fomos convidados a viver. Assim, chegou o primeiro tempo de oração comunitária, Completas, a oração do final do dia que deu lugar ao grande silêncio que preencheu a noite. Às 8h30, a missa marcava o início do novo dia e de uma vida diferente. A partir daqui entrámos num ritmo intenso. Olhando para o programa poderia parecer difícil cumprir tudo. Pensado ao minuto, o nosso tempo estava dividido entre formação, oração individual e comunitária, refeições, silêncio, leituras, trabalho e descanso. Uma harmonia pautada pela regra do Mosteiro que nos indicava como estar em cada momento, a disponibilidade para os irmãos,

a obediência e prontidão, a entrega a cada tarefa, o ser capaz de estar inteiro em cada momento, bem como o parar ao toque do sino, com prontidão, mesmo quando isso implicava deixar alguma coisa a meio. Partilhámos as tarefas que oferecemos a Deus, cantámos a uma só voz e movemo-nos como se fôssemos um só corpo em sintonia com os irmãos, valorizando a comunidade em vez das nossas realizações pessoais. Experimentámos a liberdade interior que nos permite, não só ter tempo para tudo, como ter melhor tempo para aquilo que fazemos pela dedicação e entrega com que o fazemos, seja a rezar, a trabalhar, nos momentos a sós com Deus, a copiar um salmo, a cantar ou a dançar. E porque os Santos foram alegres, também os irmãos se alegraram num divertido serão monacal em que todos participaram, fazendo uso de toda a criatividade e boa disposição. Fortalecidos pela palavra e animados pelo essencial, levamos a Regra que nos fica para os dias comuns e o sino que ressoa nos nossos corações, empenhados, com alegria, a transformar em vinho a água das nossas vidas. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Mariana Freire de Andrade

450 anos de comunidades inacianas de leigos O ano de 2013 assinala os 450 das comunidades inacianas de leigos. Em 1563, Jean Leunis, SJ iniciou a Prima Primaria no Colégio Romano. Esta tornou-se a primeira comunidade a que se afiliaram as Congregações Marianas (ou Congregações de Nossa Senhora) que rapidamente se espalharam pelo mundo. Estas comunidades de leigos foram um importante instrumento de preservação e transmissão do carisma inaciano em todas as áreas da vida, e desempenharam um papel de valor incalculável durante a Extinção da Companhia de Jesus (1773-1814). As Congregações Marianas tiveram um impacto fortíssimo na vida social e moral durante séculos. Em 1967, a Prima Primaria integrou a Comunidade de Vida Cristã (CVX) e assim continua o seu testemunho ininterrupto do carisma inaciano entre os leigos.

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Breves da PROVÍNCIA continuação

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Breves da PROVÍNCIA continuação

Este jubileu de 450 anos é uma ocasião importante para a família inaciana. A CVX mundial tomou a iniciativa de celebrar este marco e convidou outros grupos inacianos a associar-se. São vários os tipos de eventos organizados a nível local e internacional como forma de promover a reflexão sobre o papel das comunidades laicas inacianas na Igreja e no mundo; um dos eventos foi a peregrinação na Europa que culminou com o encontro em Roma de delegações de vários países.

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Padre José Luís de Gonzaga Neto

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O nosso Padre Neto viveu nesta Comunidade do Colégio da Imaculada Conceição – Cernache durante 36 anos. Mas antes de referir a sua vida nesta casa, vou percorrer o seu percurso até aqui chegar. Natural de Santo Estêvão de Barrosas, Lousada, Douro Litoral, nasceu a 22 de Junho de 1930. Com treze anos foi estudar para a Escola Apostólica de Macieira de Cambra, durante cinco anos. Terminada esta fase de estudos e mantendo o desejo de entrar na Companhia de Jesus, fez o Noviciado no Mosteiro da Costa em Guimarães. Proferiu os votos religiosos a 8 de Setembro de 1950. O estudo de Humanidades Clássicas foi dividido entre Guimarães e Soutelo de 1950 e 1953. Veio a concluir a licenciatura em Filosofia em 1956 na Faculdade de Filosofia em Braga. Seguiu-se o Magistério de três anos em Boroma, Moçambique. Estudou Teologia em S. Cugat, Barcelona, Espanha de 1959 a 1963. E recebeu o dom da Ordenação Sacerdotal a 1 de Julho de 1962. A Terceira Provação fê-la, durante um ano, em Dublin. Terminada assim a formação, foi de novo enviado para Moçambique, onde esteve de 1964 a 1976. Para além do trabalho pastoral, exerceu com dedicação vários serviços nas nossas comunidades e instituições: ecónomo, director da Escola de Professores, superior de comunidade e pároco, entre outras. Passou por Lifidzi, Ulóngwe e Quelimane. No entanto, dado a situação instável antes e depois da independência de Moçambique, no ano de 1976, entrou em estado de choque psicológico, pelo que regressou a Portugal. Veio para a Comunidade do Colégio de Cernache. Numa longa primeira fase, o seu estado de saúde limitou-o muito. Posteriormente foi pouco a pouco recuperando, pelo que pôde colaborar pastoralmente com os párocos das localidades circundantes. Durante muitos anos, foi todos os Domingos e Dias Santos celebrar a Eucaristia a Traveira, onde era muito estimado pela população. Contudo, pela doença que tinha sofrido e pela idade, encontrava-se já muito limitado. Em Dezembro passado, após ter estado internado no hospital durante onze dias, veio a falecer no dia 28 por uma ocasional obstrução das vias respiratórias. Era um homem naturalmente bom que, tanto durante a doença como fora dela, nunca causou problemas

às outras pessoas. Para ele tudo estava bem; quando no hospital lhe perguntava como se sentia ali, respondia que estava num hotel de cinco estrelas. Nunca o ouvi dizer mal de ninguém. As suas preferências futebolísticas iam inteiras para o Vitória de Guimarães, muito provavelmente por lá ter vivido durante alguns anos de formação. Tinha uma notabilíssima memória para factos, datas e nomes; era muitas vezes ele que nos resolvia as dúvidas sobre acontecimentos e pessoas; ainda há muito pouco tempo, tendo ido cumprimentar os funcionários da cozinha e refeitório do colégio, soube dizer a cada um a data do aniversário. Mas o seu coração permaneceu sempre em Moçambique, pois quando queríamos manter uma conversa com ele, era o assunto indispensável. O Senhor tem-no junto de si a interceder por nós que sentimos a sua ausência; era uma presença amiga e discreta. José Carlos Belchior, SJ

P. João Caria (1927-2013) 54 anos ao serviço da educação O Padre João Caria Leitão foi o educador que, por um período mais longo, trabalhou no Colégio São João de Brito (54 anos), dedicando-lhe praticamente toda a sua vida sacerdotal e académica. Durante este tempo, exerceu diversas tarefas: orientador espiritual dos alunos, animador da liturgia, organizador das actividades extraescolares de formação religiosa e desportiva, prefeito de disciplina e professor de várias matérias. Veio a falecer na madrugada de 18 de Fevereiro de 2013, na Comunidade do Centro Inaciano do Lumiar, em Lisboa (de que faz parte o Colégio São João de Brito), após cinco meses de doença grave e progressiva. Nasceu no Pedrógão (Penamacor), a 21 de Julho de 1927. Entrou na Companhia de Jesus, em Guimarães, a 7 de Setembro de 1944. Ali fez o Noviciado e o Juniorado (1944 a 1949). Estudou Filosofia em Braga, de 1949 a 1952, vindo fazer o seu período de estágio (magistério) a Lisboa, ao Colégio São João de Brito, exercendo as funções de professor e de prefeito de disciplina, de 1952 a 1955. Nos quatro anos seguintes (1955 a 1959), estudou Teologia em Oña, Burgos (Espanha), tendo recebido a Ordenação Sacerdotal, em Loiola (Espanha), ao fim do terceiro ano de Teologia, no dia 30 de Julho de 1958. Terminados os estudos de Teologia, fez a “Terceira Provação” em Salamanca (Espanha), no ano lectivo de 1959/60. E, no Verão de 1960, iniciou a sua actividade apostólica e pedagógica no Colégio São João de Brito, em Lisboa, onde permaneceu toda a vida. Foi variada a sua actividade no Colégio. Para além de prefeito e de professor de religião, ciências naturais e desenho, durante os três anos de estágio (magistério), foi, durante mais de 30 anos, prefeito de disciplina, professor de religião, português, francês, ciências naturais


e desenho. Exerceu, durante mais de uma década, as funções de director para o Curso Noturno, sendo também membro do Conselho Escolar e Pedagógico. Responsabilizou-se também, durante alguns anos, pelas actividades desportivas dos alunos do Colégio. Com jeito e sensibilidade artística, foi o fotógrafo “oficial” de muitas gerações de alunos. Na Comunidade jesuíta, serviu, por períodos de aproximadamente seis anos, como Ministro (ViceSuperior), Admonitor (Conselheiro do Superior) e Consultor da Casa, cargos em que manifestou sempre muito zelo e prudência. Soube também estar atento aos pedidos de colaboração pastoral, aos fins-de-semana, por parte de alguns párocos, tanto nas celebrações eucarísticas dominicais como nas confissões, em especial no Advento e na Quaresma. Caracterizaram toda a acção do Padre João Caria uma especial firmeza de convicções, uma notável fidelidade aos compromissos assumidos e um perseverante espírito de serviço, com que se disponibilizava para as tarefas e para os ministérios que assumia. Não será exagero dizer que, ao longo da sua vida, o Padre João Caria exerceu funções de trave-mestra da acção educativa do Colégio: pelo seu zelo e preocupação quanto à vida estudantil; pelo seu diálogo franco, de crítica e de louvor, em relação aos educadores; e pelo seu conselho e assistência concreta aos responsáveis, nomeadamente ao primeiro diretor não-jesuíta do Colégio. Eram como que naturais nele o respeito e a delicadeza no relacionamento com todas as pessoas, o que lhe granjeou simpatia e amizade, tanto por parte dos seus companheiros jesuítas como de outras pessoas, nomeadamente de antigos alunos, que nunca deixaram de o contactar e de o convidar para as suas festas familiares, para presidir aos seus casamentos e para celebrar os batizados dos filhos, mesmo quando já gravemente doente. Foi muito concorrido o seu funeral, no dia 19, ficando sepultado no cemitério do Lumiar. João Caniço, SJ

Treze novos diáconos em Roma Desde 2 de Abril, a Igreja Católica passou a contar com treze novos diáconos, entre os quais dois portugueses: o Frederico Cardoso de Lemos e o Gonçalo Machado. A ordenação diaconal decorreu na Igreja do Gesù - a Igreja-Mãe da Companhia de Jesus, no centro de Roma. A celebração foi presidida pelo Cardeal Gianfranco Ravasi - Presidente do Conselho Pontifício para a Cultura - e teve na assembleia a presença de familiares, amigos e colegas dos ordinandos. A comunidade portuguesa estava bem representada, tanto na assembleia, como entre acólitos e concelebrantes – sendo de destacar a presença de D. Carlos Azevedo e do provincial P. Alberto Brito.

Na homilia, o presidente da celebração lembrou Maria Madalena, a chorar junto do túmulo, para recordar que não basta a visão, como também não basta a razão, para reconhecer o Senhor. Só quando Jesus chama pelo nome Maria é capaz de o reconhecer; ou seja, através do chamamento pessoal. O Cardeal Ravasi quis, dessa forma, fazer um paralelismo com a vocação dos candidatos ao diaconato ali presentes. Depois chamou a atenção para as duas dimensões que constituem a missão do diácono - o serviço da Palavra e o pôr-se ao serviço dos outros –, e finalizou a homilia recordando que serão sempre vasos de barro pelo que, nos momentos difíceis, poderão encontrar a consolação no saberem-se portadores de um tesouro. Depois, os treze ordinandos - dois portugueses, dois vietnamitas, dois venezuelanos, um peruano, um italiano, um polaco, um bielorrusso, um croata, um bengali e um indonésio - fizeram as suas promessas de consagração ao ministério do diaconato na Igreja, do exercício do ministério com humildade e caridade ao serviço do povo cristão, de cuidar do mistério da fé anunciando-a por palavras e obras segundo o Evangelho e a Tradição da Igreja, de viver este serviço no celibato, de rezar com a Igreja, de conformar a Cristo toda a sua vida e de obedecer ao Bispo diocesano e ao legítimo Superior. "Sim, quero, com a ajuda de Deus" - foi a resposta que cada um deu às perguntas feitas pelo Bispo no momento que antecedeu a ladainha dos santos e a imposição das mãos. A ordenação diaconal - depois dos tempos de Noviciado, do estudo da Filosofia e do Magistério, e ao fim de três anos de Teologia - é o último grande passo antes da ordenação sacerdotal. De facto, trata-se já da entrada no primeiro grau do sacramento da ordem. Por isso, os jesuítas em Portugal têm razões para agradecer a Deus pelo Frederico e pelo Gonçalo e têm a responsabilidade de pedir as graças de que eles mais precisem no seu caminho em direcção ao sacerdócio, com vista ao maior serviço da Igreja. João Delicado, SJ

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Breves da PROVÍNCIA continuação

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Breves da PROVÍNCIA continuação

P. Cristiano Oliveira

boletim da PROVÍNCIA PORTUGUESA Janeiro/Abril 2013

O P. Cristiano de Oliveira nasceu no dia 28 de Dezembro de 1928, em Foz do Douro, Gondomar (Porto). Entrou na Companhia de Jesus na Costa, em Guimarães, no dia 7 de Setembro de 1947. Acabado o Noviciado, fez dois anos de Juniorado ainda em Guimarães e o terceiro ano já em Soutelo (Braga). Estudou Filosofia na Faculdade de Filosofia de Braga, de 1952 a 1955 e fez o Magistério no Instituto Nun’Alvres, Caldas da Saúde, de 1955 a 1958. Partiu para San Cugat (Barcelona-Espanha), em 1958, onde estudou Teologia até 1962. Recebeu a Ordenação Sacerdotal em Lisboa, no Colégio de S. João de Brito, no dia 30 de Julho de 1961. Em 1962, foi destinado à Residência do Porto. Naquela cidade, estudou Biologia durante quatro anos na Universidade, acumulando também o cargo de Diretor do então Centro Académico e, mais tarde, duma Escola Noturna, na Ramada Alta, para estudantes trabalhadores, colaborando também em alguns Ministérios da Residência, particularmente na Igreja anexa. De 1986 a 1995, foi Superior da mesma Residência do Porto; e, desde 1992 também Ecónomo local. Desde 1989, e durante alguns anos, foi Encarregado da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, anexa à Residência, e colaborou no Centro Universitário CREU-IL desde a sua abertura.

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A sua presença serena contribuiu, ao longo dos anos, para o bem-estar da Comunidade do Porto, de que foi Superior ao longo de quase 10 anos. No ano 2000, foi nomeado Superior da comunidade religiosa do Colégio das Caldinhas e chamado a colaborar na Oficina – Escola Profissional do Instituto Nun’Alvres, escola essa que dirigiu com muita sabedoria e inovação pedagógica, incutindo nos alunos e professores o gosto pela aprendizagem e pelo crescimento integral da pessoa humana, até à declaração da doença que o limitou completamente, em Maio de 2012. A 6 de Fevereiro de 2013, o Senhor chamou-o para Si. A partida do P. Cristiano deixa muitas saudades em todos aqueles que ao longo da sua vida com ele privaram e tiveram a oportunidade de o conhecer: um homem discreto, com uma enorme cultura geral, um espírito aberto e uma dinâmica pedagógica sempre criativa. Sem dúvida, um grande amigo, um bom companheiro e um excelente profissional. Pelo entusiasmo com que falava e pelos grandes e elogiosos testemunhos de quem sente que deve a sua formação humana e cristão ao P: Cristiano, podemos dizer que na sua vida houve dois grandes amores: a Escola Nocturna, onde hoje se encontra construído o Centro S. Cirilo e a OficINA, nas Caldinhas. Paz à sua alma. Deixou de pertencer à Companhia de Jesus o Esc. João Raposo (Comunid. Pedro Arrupe - Braga).


Ordenação diaconal na Beira O nosso companheiro Carlos Mário Sivano, sj foi ordenado diácono no V Domingo da quaresma, 17 de marco. Estiveram presentes 11 sacerdotes e o bispo ordinante, Sr. Dom Luis Ferreira da Silva, SJ. A igreja paroquial de São João Batista de Matacuane estava cheia, assinalando-se a presença de familiares, de religiosas, de membros das 13 comunidades da Paróquia, entre as muitas outras pessoas que participaram nesta celebração. O coro de mais de 100 pessoas e dois grupos de dançarinas animaram a cerimónia, profunda e cheia da alegria do Espirito, que durou mais de três horas. No final da missa, o Diácono Carlos cumprimentou as pessoas. Seguiu-se um almoço festivo e uma tarde de recreação.

“Até já exames” “Descanso a Teu lado depois da agitação”. Foi este o mote, entoado no hino, que dominou o passeio do Centro Académico de Braga (CAB) “Até já exames”. 51 universitários, o diretor, P. António Valério, e alguns animadores do CAB, deslocaram-se entre os dias 22 e 24 de fevereiro à capital espanhola, Madrid. Três dias para largar os livros, para esquecer os exames, para abandonar a rotina, mas, mais que isso, três dias para fazê-lo com Ele. No fundo, para conhecermos ou reconhecermos que Ele nos pode acompanhar em todos os momentos da nossa vida, mesmo nos de descanso, de euforia, de diversão. O tema do passeio – "Há uma linha que separa" – vai muito para além da fronteira física entre Portugal e Espanha. Vai até às nossas fronteiras interiores, até às linhas que nos separam dos outros. Até às linhas que nos separam de nós próprios. Até às linhas que nos separam do amor, que nos separam do perdão, que nos separam d’Ele. E o objetivo desta viagem era, senão atravessar estas linhas, conhecê-las e fazer delas uma meta a ser ultrapassada. O primeiro dia foi quase completamente dedicado à viagem, mas entre as tentativas nem sempre falhadas

de adormecer, os snacks partilhados e a desafinação do hino, houve tempo para conhecermos, melhor ou pior, aqueles que partiam ao nosso lado para Madrid. Aqueles que se arriscaram nesta aventura connosco, porque o fizeram, com que objetivo o fizeram, quem eram e o que queriam ser… A chegada à capital começou com uma pequena caminhada em direção ao Centro de Formación Padre Piquer, local onde ficámos a dormir. E, apesar de a noite já se ter debruçado sobre Madrid há várias horas, ainda nos aventurámos a percorrer as ruas e praças da cidade pela primeira vez. O dia seguinte começou bem cedo com uma breve oração, depois da qual partimos para um dia livre, de visita à cidade, com a proposta de parar nalgum momento do dia e refletir. Refletir sobre aqueles que me rodeiam. Refletir sobre aquilo que somos e aquilo que mostramos ser. Sobre o quanto nos conhecemos e o quanto nos relacionamos com Aquele que nos conhece verdadeiramente. Fazer deste dia não só uma visita turística aos pontos-chave da cidade, mas deixarmo-nos absorver verdadeiramente por ela. Conhecermos as pessoas que a pisam todos os dias, conhecermos os rostos que já fazem parte da paisagem. E viajarmos também por dentro de nós mesmos, deixar que tudo aquilo que vemos, tudo aquilo que tocamos, tudo aquilo que sentimos nos influencie de algum modo. Este dia culminou com um peddy-papper cheio de desafios e com passagem pelos locais mais emblemáticos de Madrid, seguido da eucaristia na paróquia de San Francisco de Borja. O último dia, já em tom de despedida, permitiunos visitar os locais que ainda não tínhamos visitado ou que queríamos mais fortemente guardar na memória e desfrutarmos de mais algum tempo com aqueles que, apesar de conhecermos apenas há dois dias, eram já tão próximos de nós. A viagem encerrou-se, já a meio da tarde, fora da agitação da capital, na cidade que deu nome ao tratado que dividiu o mundo para Portugal e Espanha – Tordesilhas. Aí, contando com o calor humano para afastar o frio e com o Douro ao alcance dos olhos, celebrámos a eucaristia. A transfiguração de Cristo levou-nos a olhar

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mais uma vez para nós próprios e a pensar quais são as linhas que separam aquilo que eu sou daquilo que eu posso ser. A pensar quem eu era antes de Madrid, quem eu fui durante estes três dias e quem eu quero ser, o que eu quero alcançar, o que quero que Ele transforme na minha vida. Houve também tempo para um momento de partilha que revelou, mais do que a intimidade do grupo, o quanto este passeio foi para lá do exterior, do supérfluo, da viagem turística, o quanto mexeu, mais ou menos, com o nosso íntimo, com a nossa forma de ver o mundo e, para muitos, com a nossa relação com Deus. Ana Margarida Cunha

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"Rockstock"

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São 11h da manhã e pelas janelas do Centro Cultural do Outeiro percebe-se que chove ininterruptamente, suscitando sérias dúvidas se as pessoas vão arriscar sair de casa nesta manhã cinzenta de domingo para assistir a um concerto de Rock. Ao mesmo tempo, faz-se o soundcheck no palco, ensaiam-se uma ultima vez as músicas a um canto do salão e limpam-se os vestígios da Festa da Pinha, que ali decorrera na noite anterior, ainda com o som marcante da concertina a soar nas nossas cabeças. Está quase, vamos ver quem aparece... Esta era a sensação dominante naquela manhã entre todos os envolvidos no RockStock Outeiro, a mais recente proposta dos Campinácios ao escalão Lambretas (11º e 12º anos). O desafio era bastante simples: alunos e animadores formarem uma banda que embarcaria numa digressão de um único concerto numa aldeia alentejana, o Outeiro! A sua concretização seria um pouco mais complexa. A preparação foi longa e durante meses os animadores foram sonhando este fim-de-semana. Reuniões, trocas de emails, telefonemas para juntas de freguesias, deslocações à aldeia, divulgação nas turmas, construção de uma guitarra elétrica gigante... No fundo houve de tudo e, especialmente, houve empenho de todos os envolvidos para que este projeto se concretizasse.

O Outeiro é uma pequena aldeia junto a Monsaraz que tem uma comunidade católica bastante fragilizada dada a carência de pároco. Por isso, desde há 5 anos, que uma Comunidade Francisco Xavier (CFX) tem acompanhado esta população, dedicando-lhes um fim-desemana por mês, partilhando a sua vivência da Fé Cristã. Quando lhes propusemos levar os alunos do secundário para os ajudar nessa missão, fomos muito bem recebidos. Chegados ao Outeiro dividimo-nos em três grupos que teriam de trabalhar em perfeita sintonia, o trabalho de cada um condicionaria o trabalho dos outros dois. Um grupo dedicou-se ao espetáculo e à música, ensaiando a céu aberto para que todos os habitantes do Outeiro pudessem ouvir e juntar-se. Outro grupo, chamado de Porta-a-porta, partiu em missão por 16 aldeias vizinhas de casa em casa a convidar toda a gente para o nosso concerto e, para alem disso, a conhecer e dar-se a conhecer a cada pessoa que estava por trás das portas a que batiam. Por fim, o grupo da Logística que, trabalhando de forma bastante discreta, quase invisível, certificava-se que os outros grupos tinham tudo o que precisavam para desempenhar as suas funções sem se preocuparem com pormenores logísticos. Às 16h de Domingo, enquanto se arruma o Centro Cultural, ainda não estamos bem cientes do que acabou de acontecer. Uma missa com vários rostos novos que há muito não participavam na vida religiosa em comunidade, um almoço partilhado pautado pela alegria de reencontros e de cantares alentejanos e por fim um concerto preparado com muito gozo e carinho em que até o Luís (um dos adolescentes do Outeiro) atuou. Não contámos quantas pessoas vieram, não foram tantas como as casas em que entramos e as pessoas que convidámos, mas para as que vieram foi um momento único e marcante que estamos certos valeu muito o esforço e dedicação. O que nos juntou e marcou o ritmo do fim-desemana foi Deus, que nos convida a ter uma fé vivida e que transparece em tudo o que fazemos, seja na alegria de um concerto, na dedicação do trabalho ou na amizade com que se ajuda alguém mais sozinho. Esta foi a imagem que o RockStock deixou no Outeiro e que cada um de nós trouxe para a sua vida lisboeta. Filipe Próspero, antigo aluno do CSJB

Atravessar o deserto Como já vai sendo tradição, tivemos mais um “Atravessar o Deserto”, no CUMN, em Coimbra. Um dia de retiro no meio da Quaresma, para ouvir e falar de Deus, ou talvez melhor, para estreitar a relação com Deus. Sob orientação do Padre Carlos Carneiro, no “Ano da Fé”, o tema foi a fé. A opção pessoal da fé, que cada um faz, construída com base na relação que vai estabelecendo com Deus. Relação pela qual, cada um, opta em liberdade.


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Retiro de Quaresma Os dias passam a um ritmo alucinante e de repente percebemos que se aproxima a Páscoa. E se não paramos um pouco para pensar e deixar que Deus faça maravilhas em nós, corremos o risco de nos distanciarmos Dele e do que é verdadeiramente importante na nossa vida. E por isso há que parar. Pensar. Realinhar ideias e estratégias. E nada melhor do que um dia de retiro, no Rodizio. E assim foi no passado sábado 2 de março, um dia inteiramente dedicado ao tema de São Pedro. Fomos

todos convidados a seguir o exemplo deste Apóstolo e relembrados de que tudo pode ser bem vivido com a graça de Deus. Com alguma serenidade, parei e tentei calar os ruídos do dia-a-dia que ainda me perturbavam. E escutei as vozes serenas e confiantes do P. Carlos Azevedo Mendes e do P. Nuno Tovar de Lemos, que nos desafiavam a vivermos o amor incondicional que Deus tem por cada um de nós. Resta saber se este dia de paragem teve impacto na minha Quaresma... Claro que sim, já passaram uns dias e continuo a absorver o tanto que aprendi: viver todos os dias com esperança, confiança e abandono em Deus, que providenciará sempre as forças necessárias para eu tudo conseguir suportar. E esta mensagem permanecerá depois da Quaresma, da Páscoa e todos os dias ao longo da minha vida: abandonar-me e deixar que Nosso Senhor dê sentido ao que eu sou. Inês Cunha Alves

Tríduo Pascal no Rodízio Os preparativos para a Páscoa estiveram ao cuidado da Casa de Retiros de Santo Inácio e da CVX-Sul. As celebrações litúrgicas, os pontos de meditação individual, as orações comuns guiadas e a possibilidade de conversa pessoal, em ambiente de recolhimento, foram preparados para que o Tríduo Pascal fosse vivido de forma íntima e profunda, quer através da participação livre nas celebrações abertas, quer através de retiro completo com estadia na casa. Acompanhamos Jesus e, com Ele, percorremos o caminho de uma nova Páscoa, a Sua Páscoa, uma passagem que fazemos com Jesus que diz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6a). As circunstâncias humanas ditaram uma passagem dolorosa – dor causada pela injustiça, violência, perseguição, falsidade, omissão, medo, dúvida, tristeza, desencanto, confusão, ignorância, desânimo, desorientação, desespero, dor que oprime a humanidade, e, porque dor que não vem de Deus, dor que Jesus sofre com a humanidade e pela humanidade. Com Jesus percorremos caminhos de contradição, desconcertantes e, como Ele, somos convidados a fazer essa passagem, tornando-a sagrada, uma via-sacra, a via-sacra que abraçamos quando acolhemos a vida como um dom e a vivemos como expressão do Amor de Deus. Jesus vive o absurdo da dor, mas não deixa de ser presença viva de serviço, de perdão, de solidariedade, de atenção, de cuidado, de ternura, de consolo, de confiança, de entrega, de fidelidade. Confiando-se à vontade do Pai, Jesus ama e só pode amar porque “Deus é Amor” (1Jo. 4,8b). A Cruz, imagem de aparente fracasso, dá lugar ao túmulo vazio, porque vazio é o sentido da morte quando Cristo ressuscitado é a Vida, é a Verdade, é o Caminho. Continuação de Boa Páscoa! Susana Matos

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A fé como experiência da liberdade, da autenticidade, da felicidade possível que só o amor permite. A fé que não é um peso, pois constitui uma escolha feita em verdade, por cada qual, ao optar, conscientemente e em razão, por seguir o modelo que é Jesus Cristo. Seguir um caminho de desafio, com dúvidas e com perguntas constantes, na busca de O encontrar. Como se alimenta a fé? Com a relação. Relação enquanto experiência de diálogo entre Jesus e eu próprio, a oração, e experiência de diálogo entre mim e o outro, a caridade. Como se evita o cansaço? Através da paciência, ao permitir o dinamismo de ver e viver a realidade para além do momento. Esperar, pacientemente, pelo momento certo. Um processo de identificação ao Senhor, uma história de amizade, uma vivência de confiança. Confiamos porque sabemos quem Ele é. Conhecemo-Lo. Não da experiência física, olhos nos olhos, do conhecimento, mas do conhecimento que vem da oração. Acredito em muito mais do que no Jesus, que se fez carne, do momento da História. Relaciono-me com Aquele que já existia antes e que agora continua, está vivo, porque ressuscitou. E, portanto, continua a revelarse de muitas formas a cada um de nós. A fé coincide com a confiança, com o “querer crer”. Com a opção, da minha liberdade, de acreditar naquele Jesus que está disponível para mim. Crer por vontade própria. Querer a relação de amor com Ele. Amar que na bíblia são três palavras com três significados: amas-Me, conheces-Me; amas-me, és Meu amigo; amas-Me, dás a vida por Mim. Amas-Me?... Então, põe o amor em prática. Cuida do outro. Apascenta. É o amor que nos faz pessoas Em jeito de conclusão, fica uma certeza: Deus acredita em cada um de nós, porque nos conhece. Conhece melhor do que qualquer um de nós se conhece a si próprio. E, se Ele acredita em nós, então… E, como alguém pediu em oração: “Que eu nunca desfaleça porque nunca encontrei.” Alexandra Gaudêncio

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Da Companhia EM RESUMO Nomeação do Papa Bento XVI

Nomeações do Padre Geral:

ção das celebrações do aniversário da restauração da Companhia de Jesus em 2014. A celebração da Eucaristia em conjunto, e numa ocasião com toda a comunidade, foi um momento privilegiado para pedir luz ao Senhor. Por último, uma das sessões foi dedicada à partilha pessoal dos consultores sobre consolação, desolação, preocupações e esperanças para o ano a começar. O “tempo forte” realiza-se três vezes por ano e ajuda o Padre Geral a acompanhar o trabalho feito e a planear o futuro.

O Padre Geral nomeou o P. António Moreno Superior Provincial da Província das Filipinas (PHI).

A renúncia do Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI nomeou o Senhor Arcebispo de Huancaio, no Peru, Mgr Pedro Ricardo Barreto Jimeno, membro do Conselho Pontifíco para a Justiça e a Paz.

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Solidariedade na formação dos jesuítas

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Numa carta datada de 12 janeiro e enviada a todos os Superiores Maiores, o Padre Geral “pede apoio para resolver uma importante situação de necessidade na Companhia de Jesus: algumas Regiões e Províncias não têm condições para suportar todas as despesas dos seus membros em formação. Por outro lado, outras Províncias têm mais recursos do que aqueles de que necessitam. A CG 35ª sublinhou a responsabilidade da partilha imprescindível para suportar a formação dos jesuítas em várias partes do mundo. (...) Para responder às diretivas da CG 35ª e para promover a solidariedade, interdependência e apoio mútuo como membros desta mínima Companhia, peço que demos juntos alguns passos de forma a encontrarmos um caminho de sustentação dos custos de formação nos vários locais do mundo!” E depois de dar algumas linhas práticas conclui: “Com esta carta quero encorajar o desenvolvimento do processo a nível local e das Conferências para que sejam dados os passos por mim sugeridos e para ajudar a preparar o trabalho que tem de ser feito a nível internacional. (…) Este é o início de um processo que se desdobra de formas diferentes consoante as circunstâncias locais e que nos ajudará a crescer na solidariedade como companheiros de Jesus”.

“Tempo Forte “ De 2 a 5 de janeiro, a Consulta do Padre Geral teve o seu “tempo forte”: quatro dias de reflexão sobre vários assuntos relacionados com a missão e o governo da Companhia de Jesus. Durante este tempo, os Consultores e os Secretários para a Promoção da Fé, Justiça Social e Ecologia e para a Colaboração com Outros examinaram a implementação da reestruturação das Províncias em curso, o apoio que pode ser dado às Províncias em discernimento apostólico sobre as instituições apostólicas e o planeamento de pessoal para as Casas Romanas Interprovinciais, uma das prioridades da Companhia universal. Foram também discutidos relatórios de vários grupos de trabalho sobre assuntos como a missão, o governo, a formação e a organização da Cúria. Foi igualmente abordado o trabalho realizado pela Comissão de prepara-

Caros Irmãos em Cristo, Ontem, o Santo Padre, Papa Bento XVI, anunciou a sua renúncia ao "ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro". Recebemos o anúncio do Santo Padre com respeito e admiração pela sua liberdade espiritual, pela sua humildade e pelo seu profundo amor pela Igreja. Recordamos a consoladora experiência do encontro com ele há cinco anos atrás, durante a 35ª Congregação Geral, quando o Santo Padre expressou a sua confiança e a sua proximidade à Companhia de Jesus, e a convidou a "alcançar aqueles lugares físicos e espirituais onde outros não chegam ou têm dificuldade em chegar" (Discurso de Sua Santidade Bento XVI na 35ª Congregação Geral). Somos profundamente gratos pela confiança e pela inspiração que o Papa Bento nos concedeu durante os anos do seu pontificado. No espírito do quarto voto que une de modo particular a Companhia de Jesus ao Romano Pontífice, rezemos pelo Papa Bento XVI e renovemos o nosso compromisso com a missão que confiou à Companhia. Por fim, com toda a Igreja, rezemos de modo especial a fim de que o Espírito Santo seja luz e guia na busca e na escolha de um novo Sucessor de Pedro. Continuamos a crer que o Senhor ressuscitado é fiel à sua promessa de estar com a sua Igreja sempre. Fraternalmente Vosso em Cristo, Adolfo Nicolás, S.J.

"Habemus Papam" O tradicional anúncio da eleição papal repetiu-se mais uma vez: “Habemus Papam”. Concluem-se, deste modo, semanas especiais e inesquecíveis em que vivemos dias intensos de emoção e expectativa. De tal modo que a Quaresma de 2013 assumiu, de um modo inesperado, o sabor do Advento e os tons da nossa oração foram passando da manifestação da gratidão ao pedido insistente de que o Espírito Santo inspirasse os cardeais na escolha do sucessor de Pedro. Fazer a retrospectiva das últimas semanas é lembrar acontecimentos únicos: presenciámos a renúncia do papa Bento XVI; expressámos-lhe a nossa gratidão profunda; acompanhámos com emoção e afecto a sua despedida. Agora, o nosso olhar volta-se para o futuro: “Habemus Papam” e o seu nome é Francisco. “O Espírito


Da Companhia EM RESUMO continuação

Santo e nós decidimos” – podem dizer, confiantes, os cardeais que participaram no Conclave. É tempo de alegria e de esperança renovada porque a barca de Pedro prossegue o seu rumo, confiando na presença do seu Senhor. A tarefa é imensa e não pode esperar! É tempo de partir para o largo e de lançar as redes! Conte connosco, Santo Padre!

Gratidão e Alegria

Carta do Papa Francisco ao P. Geral Querido Padre Nicolás Foi com grande alegria que recebi a amável carta que me enviou, em nome próprio e da Companhia de Jesus, por ocasião da minha eleição à Cátedra de São Pedro, na qual me assegura a sua oração pela minha pessoa e pelo meu ministério apostólico, assim como a sua total disponibilidade para continuar a servir incondicionalmente a Igreja e o Vigário de Cristo, segundo o carisma de Santo Inácio de Loiola. Agradeço-lhe cordialmente esta manifestação de apreço e proximidade, à qual respondo reconhecidamente, pedindo ao Senhor que ilumine e acompanhe todos os jesuítas, de modo que, fiéis ao carisma recebido e seguindo os exemplos dos santos da nossa amada Ordem, possam ser com a ação pastoral, mas sobretudo com o testemunho de uma vida inteiramente entregue ao serviço da Igreja, Esposa de Cristo, fermento evangélico no mundo, procurando incansavelmente a glória de Deus e o bem das almas.

Com estes sentimentos, peço a todos os jesuítas que rezem por mim e me encomendem à amorosa proteção da Virgem Maria, nossa Mãe do céu, e eu dou-lhes a Bênção Apostólica, que torno extensiva a todas aquelas pessoas que colaboram com a Companhia de Jesus nas suas atividades, beneficiam das suas boas ações e participam da sua espiritualidade. Francisco Vaticano, 16 de março de 2013

O Papa Francisco e o Padre Geral Em resposta ao convite do Papa Francisco, pelas 17h30 do domingo 17 de março, cheguei à Casa de Santa Marta, que foi usada pelos Cardeais participantes no Conclave. O Papa estava à porta e acolheu-me com o habitual abraço jesuíta. A seu pedido, foram tiradas algumas fotografias e, perante as minhas desculpas porque não me ajustava ao protocolo, o Papa insistiu que o tratasse como a qualquer outro jesuíta, por “tu” e não usando o tratamento de “Sua Santidade” ou “Santo Padre”. Ofereci ao Papa Francisco todos os recursos de que dispõe a Companhia de Jesus, já que na sua nova situação vai necessitar de pessoas, grupos de aconselhamento e reflexão, etc. Mostrou-se agradecido pela minha oferta e, quando o convidei para tomar uma refeição na Cúria, respondeu que iria sem dúvida. Houve total sintonia na nossa maneira de sentir acerca de uma variedade de temas de que falámos, e eu fiquei convencido de que trabalharemos muito bem em conjunto para o serviço da Igreja e em nome do Evangelho. Houve um entendimento mútuo, com paz e humor, falando do passado, do presente e do futuro. Deixei a Casa de Santa Marta convencido de que o Papa contará, com muito gosto, com a nossa colaboração na vinha do Senhor. No final, ajudou-me a vestir o casaco e acompanhou-me à porta. Isto proporcionou-me uns quantos cumprimentos dos guardas suíços ali presentes. Um abraço jesuíta, de novo, como forma natural de cumprimentar e receber um amigo. Adolfo Nicolás, SJ

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Em nome da Companhia de Jesus, dou graças a Deus pela eleição do nosso novo Papa, Cardeal Jorge Mário Bergoglio, SJ, que abre para a Igreja um caminho cheio de esperança. Todos nós, jesuítas, acompanhamos o nosso irmão na oração e agradecemos-lhe a generosidade da aceitação da responsabilidade de guiar a Igreja neste tempo crucial. O nome “Francisco” que o Santo Padre adotou, evoca em nós o seu espírito evangélico e de proximidade aos pobres, a sua identificação com pessoas simples e o seu compromisso com a renovação da Igreja. Desde o primeiro momento em que apareceu perante o povo de Deus, deu testemunho visível da sua simplicidade, da sua humildade, da sua experiência pastoral e profundidade espiritual. “É caráter próprio da nossa Companhia ser (…) uma associação (…) ligada por um vínculo muito singular de amor e serviço ao Romano Pontífice.” (Normas Complementares, nº 2, §2). Assim, partilhamos a alegria de toda a Igreja e, ao mesmo tempo, “exprimimos-lhe a nossa disponibilidade renovada para sermos enviados para a vinha do Senhor”, de acordo com o espírito do nosso voto especial de obediência que de uma forma tão particular nos une ao Santo Padre (Congregação Geral 35ª, Decreto 1, nº 17). Adolfo Nicolás, SJ

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C.A.F.J.E.C.

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Os Jovens em Caminhada são um Movimento da pastoral juvenil da Diocese de Braga. Fundado em 1975, que conta actualmente com cerca de 50 grupos de cariz paroquial, espalhados por toda a Diocese. São fundamentalmente dois os objectivos dos Jovens em Caminhada: a evangelização aprofundada dos jovens que os leve à adesão livre e consciente ao projecto de Jesus Cristo e o compromisso na transformação da sociedade. Os grupos reúnem semanalmente, nas suas paróquias, para partilharem temas de formação humana e cristã. A nível diocesano, existe uma equipa que, ao longo do ano, para além de visitar os diversos grupos fornecendo-lhes subsídios de formação, organiza e orienta vários tipos de actividades, nomeadamente: Cursos de Jovens, Páscoa Jovem, Retiro, Festival da Canção, Festival dos Reis, Acampamento, etc. Em 17 de Janeiro de 1988, surge uma ideia, lançada pelo nosso Assistente P. José Rui Costa Pinto, jesuíta. E os jovens animadores do Movimento Juvenil Jovens em Caminhada agarraram-na a sério! Vamos construir um centro que seja espaço para as acções de Formação do Movimento e, ao mesmo tempo, um espaço para acolher aqueles jovens que não se sentem amados, que vagueiam sem rumo pelas ruas das nossas terras... Vamos aceitar o desafio de sermos cristãos, atentos aos “gritos” de tantos que clamam por uma vida mais digna e mais humana! O nome está dado: C.A.F.J.E.C que significa Centro de Acolhimento e Formação Jovens em Caminhada. A partir de então, os Jovens em Caminhada “arregaçaram as mangas”, deram azo à sua imaginação, criando eventos para angariação de fundos que permitissem a construção desta casa. A Câmara de Braga cedeunos o espaço: a antiga Casa da Roda ou também chamada casa dos Paivas, bem no centro da cidade, que viria a fazer renascer o seu objectivo de acolher os mais desprotegidos. Esta casa, construída no século XVI, estava em ruínas, mas pouco a pouco, com a ajuda de tantos, o sonho torna-

se uma realidade! É que, para além das iniciativas dos próprios jovens, houve várias pessoas anónimas que nos ajudaram, bem como a própria Companhia de Jesus e a Segurança Social. As obras terminaram em 1994, tendo ocorrido a inauguração no dia 19 de Fevereiro desse ano. A casa tem dois andares: no primeiro andar temos uma zona com quartos para os acolhidos e uma outra zona com camaratas (com capacidade para cerca de 60 pessoas), destinada aos cursos de formação e outras actividades de fim-de-semana. No rés-do-chão, está a cozinha, a sala de jantar, o gabinete médico, a sala de direcção, a sala de estar dos acolhidos, gabinetes de atendimento e uma sala grande polivalente. Possui ainda um pátio interior que se torna muito agradável sobretudo no Verão. Nestes 19 anos de existência, o C.A.F.J.E.C. já acolheu mais de 3500 jovens que transportam consigo histórias de vidas marcadas pelo sofrimento, pelo vazio, pelo frio da rua, pela solidão, pela marginalização... Estes jovens são referenciados por diversas instituições (Segurança Social, serviços sociais da Câmaras, paróquias, …) ou vêm-nos bater directamente à porta. E o momento da entrada fica logo marcado pelo “abraço do Pai”, tantas vezes assumido pelo próprio P. Costa Pinto. Tratando-se de uma IPSS, temos um protocolo com a Segurança Social que contempla a ajuda para 12 jovens (dos 17 aos 30 anos). Este subsídio cobre metade das nossas despesas, sendo que tudo o resto continua a ser dádiva generosa dos nossos benfeitores e amigos, para além dos próprios Jovens em Caminhada. Estes, por exemplo, na altura do Natal, enchem a nossa despensa com géneros alimentares que andaram a recolher nas suas paróquias. Durante a semana contamos com o trabalho de 5 funcionários (um Assistente Social; um Monitor; um Recepcionista; uma Cozinheira e um Guarda-nocturno) e alguns voluntários; ao fim-de-semana todas as tarefas são feitas pelos jovens da Equipa Diocesana dos Jovens em Caminhada, em regime de voluntariado. Esta Equipa conta, para além do P. Costa Pinto, com cerca de 30 pessoas entre operários, estudantes, médicos, psicólogos,


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engenheiros, professores, assistentes sociais, ..., o que favorece uma variedade muito grande de acções. Os jovens acolhidos têm todas as manhãs uma reunião em que definem o programa do dia, para além de fazerem auto e hetero-avaliação. Alguns saem cedo para o trabalho ou para o estudo (alguns estão a fazer cursos técnico-profissionais); os que ficam no centro desenvolvem actividades de vários tipos, tais como, desporto, visitas de estudo, dinâmicas de grupo, ida à videoteca, ida à piscina, etc. Nos meses de verão, vão refrescar-se, uma ou duas vezes por semana, nas águas do mar ou do rio. Todos colaboram nas tarefas de limpeza e de organização do próprio centro. Um dos objectivos fundamentais do Centro é a reinserção profissional e social dos jovens, bem como a reaproximação com a família de origem. Não é uma tarefa fácil, mas devemos louvar o Senhor pelo êxito que temos alcançado com dezenas dos jovens acolhidos. Outro objectivo de capital importância é proporcionar aos jovens acolhidos a recuperação da sua auto-estima e autoconfiança, a interiorização de regras e normas de convivência em comunidade, a aquisição de valores que possam nortear a vida nova que procuram. Ao longo do ano, o C.A.F.J.E.C. é também espaço onde são realizados vários Cursos de formação humana e cristã para os jovens dos nossos grupos de Jovens em

Caminhada. E é muito bonito ver-se a interligação entre os jovens dos grupos e os acolhidos! Abertas as portas, o C.A.F.J.E.C. tem sido espaço de Encontro: • Encontro com um Deus Fiel e Surpreendente... que nos faz acreditar que, em cada um dos mais de 3500 jovens acolhidos que por aqui passaram, Ele está presente e desafia a nossa entrega generosa e desinteressada, tornando-nos sinal visível do seu amor preferencial pelos pobres e marginalizados; • Encontro com um Jesus que nasce, de forma tão simples e tão gratuita, nas vidas dos jovens que aqui vêm fazer Cursos de Formação. • Encontro de irmãos que, vivendo unidos no mesmo Senhor, fazem deste espaço uma Igreja presente, simples e próxima... Falar do C.A.F.J.E.C. é falar de um projecto que pretende tornar realidade, no nosso mundo de hoje, o insondável mistério de comunhão entre Deus e o homem, realizado em Jesus de Nazaré: “ Tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber, estava nu e vestistes-Me, andava errante e acolhestes-Me...” (Mateus 25, 31-46). Helena Sarmento

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Comunidade Francisco Xavier

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Quem vê a CFX a trabalhar, queima num instante todas as imagens que geralmente temos do Cristianismo: uma organização mundana e ultrapassada, um conjunto de tarefas que se repetem, coisas que se podem ou não fazer. Não, nada disso. É o exemplo vivo que Cristo nos chega da maneira mais criativa e espantosa. Para perceber melhor tudo isto, a explicação deve ser procurada no exemplo de São Francisco de Xavier. Quando há 500 anos começou a aventura pelo Oriente, não saberia que seria o nosso modelo inspirador. Por onde passava, fundava e refundava comunidades cristãs, deixando nelas o seu testemunho e as estruturas que lhes permitiam continuar a crescer na fé, mesmo depois da sua partida. A CFX pretende ajudar essas comunidades a organizarem-se, para manterem viva a sua fé, construindo uma Igreja mais participativa, sem estar totalmente dependente do sacerdote que, com as inúmeras atividades das inúmeras “paróquias” às quais está alocado, muitas vezes só consegue uma contacto esporádico com cada uma das suas comunidades. Tal como S. Francisco Xavier, a CFX não fica no mesmo local para sempre, mas apenas durante o tempo necessário até concluir, juntamente com a comunidade local, que está mais preparada para seguir por si própria. Somos uma comunidade de leigos da Igreja católica, com idades entre os 26 e 40, com todo o tipo de profissões. As várias missões são conferidas à CFX pelos Bispos das dioceses onde trabalha e são desenvolvidas em estreita coordenação com os párocos locais, assim é na aldeia de Outeiro e Telheiro em Monsaraz, desde 2009. Uma caminhada numa Páscoa jovem conduziria a toda esta aventura de amor que são os 10 anos da CFX, celebrados ao longo do ano 2013.

Mais do que uma semana pontual de missão num sítio, porque não fazê-lo de forma mais continuada e presente? Começou assim em Folques, Diocese de Coimbra. Volvidos 5 anos e depois de ser longamente rezado e examinado diante de Deus, partimos para nova missão. Hoje somos 17 missionários, espalhados em 2 grupos de CFX, Norte e Sul, orientados e acompanhados desde o início por um dos fundadores e nosso Assistente Espiritual, Pe. Nuno Tovar de Lemos sj. As linhas mestras da CFX, existem sob a forma de Carta de Missão que define a nossa identidade e objectivos. São quatro os meios principais que ajudam a construir a nossa comunidade e que hão-de permitir, com a ajuda de Deus, dar fruto e superar qualquer obstáculo que surja: oração, caridade, sentido de missão e simplicidade de vida. Existe por isso uma Direcção (Assistente Espiritual, Presidente, Secretário e Tesoureiro), coordenadores locais (Norte e Sul), candidatos, membros e colaboradores. Um fim-de-semana por mês, partimos para a missão que nos foi confiada no Alentejo. O Sábado de manhã é passado em silêncio, oração e partilha, sob as orientações


Servidores da MISSÃO DE CRISTO continuação

Outeiro, lugar de todos os bailes e porque não também lugar de dança com Deus? As horas que antecedem o nosso regresso ao trabalho pela tarde, são cada vez mais contadas, pois temos à nossa espera um clube de jovens e uma aldeia que nos quer receber nas suas casas, como se o próprio Senhor Jesus quisesse estar e escutar o tanto que lhe querem dizer. Na sua forma de estar em missão, a CFX privilegia a relação pessoal com aqueles a quem é enviada. Tenta não criar dependências mas, pelo contrário, trabalhar em conjunto com os cristãos locais, de modo a incentivar a sua capacitação como agentes de evangelização, durante o período que está presente na comunidade local e depois da sua partida.

O regresso a casa é sempre revestido de que pouco foi feito, e muito há a fazer. Sempre seguros e confiantes, que a tarefa que Ele nos pede é semear e preparar. Ao Céu caberá colher. Em 10 anos muitos foram os que passaram pela CFX, outros nunca saíram. Será difícil concentrar escrito, o tanto que foi e que ainda é vivido. Resta-nos em silêncio e docemente gozá-lo interiormente, reconhecendo-o como fruto de salvação nas nossas vidas. Leonor Botelho Ainda que divididos pelo trabalho, não há fimde-semana de Missão que não nos encontremos todos na Celebração da Palavra, animados pelo mesmo Espírito que aquele momento, todos conduz. A celebração do Seu amor por nós, dos que ali vão uma vez por mês, aos que ali fielmente o amam no silêncio da imensidão do branco alentejano. Ali a Senhora da Orada, escuta, ampara e a guia todos até ao Seu filho. A quietude da manhã de Domingo trás o “Deus na Rua”, para muitos a única altura em que escutam o Evangelho do dia e meditam sobre a Palavra. Um dos membros da CFX faz a pregação e lança um desafio a ser vivido até à nossa próxima vinda. O sítio não podia ser melhor escolhido, acontece sempre no centro cultural de

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do Patriarca desse fim-de-semana (cargo que passa por todos os membros). Pela tarde rumamos até aos locais de missão: Outeiro e Telheiro. Dividimo-nos em dois Pelouros – Jovens e Visitas. Para os jovens guardamos as corridas, os jogos, a música e catequese; depois do sucesso da experiência MAGIS, em 2011, formaram um Clube Evolução MAGIS. Os restantes dividem-se de forma organizada em equipas de 2/3 e partem para as visitas. Batem a todas as portas levando companhia que por vezes não existe. Encetam-se conversas, trazem-se outras mais antigas, sempre num ambiente acolhedor e sereno, onde o mais importante é deixar a presença D´Ele que não desiste mesmo que a idade comece a levar a melhor sobre a saúde, ou onde reina a tristeza de quem se sente só. Em alguns casos a visita da CFX é aguardada como se de família se tratasse. Os enchidos e os queijos reinam sempre à mesa.

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Sentir e SABOREAR

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Colégio de Santo Inácio de Loiola

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A construção de uma escola não é coisa para dois dias. Antes de as carteiras se completarem com os alunos, antes de os quadros se cobrirem de textos; há muito que explorar desde os “comos” aos “porquês”. Porquê uma escola em Timor? E para quê? E como construí-la? Com que recursos, e sob que condições? A abertura do Colégio de Santo de Inácio de Loiola, em Kasait – uma pequena aldeia a cerca de 18 quilómetros de Díli – perfaz um arco de pouco mais de 100 anos da história da Companhia de Jesus em Timor Leste e do seu compromisso com a educação, quando, nos começos do século XX, um grupo de missionários jesuítas portugueses inaugurava o Colégio de Rapazes, em Soibada. De então a esta parte, as montanhas de Timor foram chão para muitas gincanas de angústia e resistência. Em 2002, Timor-Leste amanhecia para uma fase nova da sua História. Porém, com a independência veio também a urgência: havia muito que refazer, por dentro da memória do povo – ainda em estado de luto – e por fora, nas fachadas de todo o país – ainda a chorar fogo. O problema dos recursos – humanos e de infraestruturas – era notório, e muitos dos que poderiam levantar o país estavam irremediavelmente derrubados. Foi sobretudo por isto, considerando a necessidade de pessoas habilitadas para participar na construção do país, que a Companhia de Jesus em Timor, ainda em 2001, começou a embalar a hipótese de iniciar um novo projeto educativo. Não obstante o inegável crescimento do país ao longo destes seus primeiros 10 anos de idade, não deixam de ser também notórias – como em todos os processos de crescimento – algumas dificuldades, nomeadamente ao nível da planificação do Sistema de Ensino. A falta de programas e respetivos manuais; a falta de infraestruturas e materiais; a falta de professores qualificados e, claro, a língua: tudo isto constitui um enorme desafio ao qual ainda não foi possível dar uma resposta eficaz. Arrancar com uma nova escola numa altura em que todos se perguntam “como é que isso se faz?” tem por isso, naturalmente, enorme significado e arrasta consigo imensas esperanças.

O processo A história remota desta escola leva-nos até aos começos do milénio, altura em que um grupo de jesuítas timorenses lançou a proposta. No entanto, em termos efetivos, o projeto arrancou em 2010. De aí a esta parte, muito tem acontecido: reflexão sobre o modelo educativo em e para Timor-Leste; constituição de uma equipa de colaboradores, jesuítas e leigos, para a edificação do colégio; programação do plano de seleção e formação de professores, académica e espiritual (tendo em conta a identidade católica e jesuíta da escola); projeto arquitectónico; admissão dos alunos; campanhas de angariação de fundos; construção do complexo escolar.

O resultado deste esforço – inicial, apenas, dado que a construção da escola só culminará em 2018 – são 87 alunos do 7º ano de escolaridade, provenientes, uns, de Díli e, outros, das povoações circundantes de Liquiça-Kasait e 11 professores (entre timorenses, um australiano, um japonês, um filipino, um indonésio e um português). Quando abrimos as portas, no passado dia 15 de Janeiro, com um terreno onde 1/9 da área é escola e os restantes 8/9 são estaleiro, temíamos que alunos e pais torcessem o nariz. Mas não: estavam radiantes. Uma escola a cheirar a novo, com carteiras fabricadas há cinquenta anos por um irmão jesuíta alemão para uma escola japonesa (!) mas com a elegância das antiguidades estimadas; salas amplas rasgadas a vento e arvoredo; espaço para correr. Cada ano receberemos até 90 alunos. A escola estender-se-á do 7º ao 12º anos de escolaridade. Para chegar à escola, muitos dos alunos têm que acordar às 5h para preparar a “marmita”, tomar o pequenoalmoço, correr para a rua a esperar a carrinha alugada pelos pais dos alunos de Díli que, de outra forma, não poderiam atravessar a distância da cidade à escola a tempo e horas. O Noé diz-nos, do alto dos seus curtos 12 anos: “Isto é muito importante para nós; faz parte do nosso processo de aprendizagem”. A Jacinta faz coro com ele, e diz-nos: “Tem que ser assim, se queremos ficar inteligentes”. Pouco tempo antes de a escola abrir, algumas pessoas de Kasait diziam-nos, no final de uma missa: “Esta escola é muito importante para a nossa juventude e para o futuro de Timor. Nos anos da resistência, nem capela tínhamos. No Natal tínhamos que subir a Bazartete a pé, e por lá ficávamos durante uma semana, para as celebrações. Depois, aos domingos, juntávamo-nos em grupo e íamos até Díli, à missa. Hoje tudo isso vem para aqui: os nossos jovens vão poder estudar aqui, e vão poder conhecer a sua fé”. Por este motivo, o Colégio de Santo Inácio tem investido na formação de professores e na tentativa de aplicação de estratégias pedagógicas que tornem o ensino do e em português mais estimulante e animador. Felizmente, temos contado com inúmeros apoios, inclusivamente vindos de Portugal. Tudo isto tem composto um quadro entusiasmante. Há desafios, sim: e ainda bem. O futuro está aberto. A escola, também. Rui Fernandes, SJ (adaptado)


Meios que unem O INSTRUMENTO COM DEUS

Maio

Junho

Exercícios Espirituais

Exercícios Espirituais

2 DIAS 24 a 26 | “amigos de rua”, em Soutelo, com Teresa Olazabal

3 DIAS 07 a 10 | em Soutelo, com a Drª Alzira Fernandes 20 a 23 | no Rodízio, com o P. Miguel Gonçalves Ferreira

3 DIAS

4 DIAS

09 a 12 | pé descalço, com o P. Miguel Almeida 09 a 12 | pé descalço, com o P. Miguel Gonçalves Ferreira 16 a 19 | na Costa Nova, com o P. Carlos Carneiro 16 a 19 | em Soutelo, com o P. Dário Pedroso 16 a 19 | no Rodízio, com o P. António Vaz Pinto 16 a 19 | no Rodízio, com o P. Francisco Rodrigues 16 a 24 | em Soutelo, com o P. António José Coelho 30 a 02 Jun | pé descalço, em Soutelo, com o P. António Valério

06 a 10 | em Soutelo, com o P. Carlos Carneiro 12 a 16 | no Rodízio, com o P. António Júlio Trigueiros 7 DIAS 07 a 14 | pé descalço, com o P. Filipe Martins 09 a 16 | no Rodízio, com o P. Luís Mª Providência 8 DIAS 04 a 12 | em Fátima, com o P. António Coelho 14 a 22 | em Soutelo, com o P. Manuel Bello 21 a 29 | em Soutelo, com o P. Rui Nunes

8 DIAS 15 a 23 | em Fátima, com o P. Luís Mª Providência

Julho

12 | para crianças, em Palmela, com o Esc. João Brandão, SJ 16 a 19 | “Liturgia da Vida”, no Rodízio, com o P. Roque Cabral 31 a 02 Jun | para casais, com o P. Gonçalo Castro Fonseca

Exercícios Espirituais 3 DIAS 18 a 21 | no Rodízio, com o P. António Santana 18 a 21 | em Palmela, com o P. Afonso Seixas 7 DIAS 14 a 21| vocacionais, em Palmela, com o P. Nuno Tovar de Lemos 23 a 30 | em Soutelo, com o P. António Vaz Pinto 8 DIAS 01 a 09 | em Soutelo, com o P. João Carlos Onofre Pinto 08 a 16 | em Fátima, com o P. Gonçalo Eiró 18 a 26 | em Fátima, com o P. Lourenço Eiró 21 a 29 | em Palmela, com o P. Vasco Pinto de Magalhães 22 a 30 | no Rodízio, com o P. Manuel Morujão 22 a 30 | em Soutelo, com a Drª Alzira Fernandes e o P. José Carlos Belchior 23 a 31 | em Soutelo, com o P. Nuno Branco 30 DIAS 22 a 22 Ago | em Soutelo, com o P. Luís Mª Providência

Consulte o programa anual em www.jesuitas.pt

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