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Vem aí!

A essência e a ausência da voz A Revista do Opinião que você tem em mãos traz histórias em comum do cenário musical. São, no fundo, de certa forma, textos sobre o papel do vocalista e sobre sua relação com a essência de sua banda de origem. Nossa entrevista internacional deste mês apresenta Ed Kowalczyk, cantor do Live, uma das bandas mais interessantes dos anos 90 nos Estados Unidos. O músico vem em julho ao Brasil trazendo na bagagem as músicas de seu grupo de origem e de seu primeiro álbum solo, Alive (2010). A apresentação acontece no Opinião no dia 3 de julho. Situação inversa possuem as bandas Sublime e Raimundos, cujas trajetórias correram sem seus cantores originais. No primeiro caso, como você confere na coluna Diz Ae!, a carreira em ascendência de outro ícone da década de 90 foi interrompida bruscamente. Bradley Nowell, vocal do Sublime, morreu em 1996 sem provar o gosto do sucesso, justamente no momento em que a banda projetava-se internacionalmente. No caso do Raimundos, se a saída de Rodolfo não representou a interrupção da história de uma das maiores bandas de rock do Brasil, resultou em um súbito período de escuridão de que a banda começa a se recuperar gradualmente. Outra voz simbólica nessa edição é a de Bob Dylan, que completou 70 anos em maio. Na coluna Rock Movie, o cineasta Fabiano de Souza fala sobre Não estou lá, a cinebiografia de Dylan levada às telas por Todd Haynes. Convidamos nossos leitores a conhecer nas próximas páginas um pouco mais sobre essas histórias e curtir as imagens de alguns desses shows que rolaram em nossas casas. Erramos *A entrevista Bidê ou Balde desafinando, publicada na edição anterior, é de autoria de Francielle Caetano e Mario Arruda.

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Raimundos: os integrantes conversam sobre o novo DVD e o futuro da banda.

Ed Kowalczyk: o exvocalista do Live fala sobre o passado na banda, sua nova fase solo e a vinda ao Brasil em julho.

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Diz aê: Lelê Bortholacci resenha o show do Sublime no Pepsi on Stage e fala sobre a história peculiar de Rome como frontman

RAFA ROCHA/DIVULGAÇÃO

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Apanhador Só: a banda gaúcha relata as experimentações de seu segundo álbum, Acústico Sucateiro.

34 DIVULGAÇÃO

Em comemoração aos 70 anos de Dylan, o Rock Movie resenha a cinebiografia Não estou lá, de Todd Haynes.

CARLOS TADEU PANATO JR.

Expediente

Diretores: Alexandre Bertoluci, Alexandre Lopes, Claudio Favero, Diego Faccio, Gabriel Souza e Rodrigo Machado Editor: Gabriel Souza Editor de arte: Rodrigo Machado Jornalista responsável: Gabriel Pozzobom (MTB 14350) Colaboradores: Fabiano de Souza, Gabriel Pozzobom, Homero Pivotto Jr., Leandro “Lelê” Bortholacci e Marília Pozzobom. Fotografia: Camila Domingues, Carlos Tadeu Panato Jr., David Reis, Juliano Antunes, Paulo Capiotti e alunos do Espaço Experiência/PUCRS (Mariana Fontoura). Foto de Capa: Paulo Capiotti Projeto gráfico e diagramação: Fábian Chelkanoff Thier

06 - vem aí Revista do Opinião

Comercial: Duda Medina (duda.medina@opiniao.com.br) Colaborações, dúvidas e sugestões: revista@opiniao.com.br DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Pontos de distribuição: Opinião, Pepsi on Stage, Ufrgs, PUCRS, ESPM, lojas Vivo e Lancheria do Parque. Tiragem: 15.000 exemplares Acesse: www.opiniao.com.br www.pepsionstage.com.br www.twitter.com/revistaopiniao


Correspondente Vivo On What’s happening?

140

Confira o regulamento do Correspondente Vivo On em @revistaopiniao para saber como assistir ao show da Pitty, visitar o backstage e aparecer nesta página da revista! Para concorrer envie um SMS para 22210 até o dia 14 de junho respondendo:

“Por que eu mereço ser o Correspondente Vivo On no show da Pitty?” MARIANA FONTOURA

SMS é tarifado em R$ 0,31 + impostos

@revistaopiniao

Confira ao lado a cobertura do Correspondente Vivo On durante o show do Marcelo Camelo, no dia 12 de maio.

@revistaopiniao Porto Alegre, RS #04

#marcelocamelo @lucasdarte Lucas Duarte Bá pessoal, ontem tomei uma ceva com o marcelo camelo no camarim dele. To com o trofeu aqui em casa. (a garrafa) haha 13 May

@lucasdarte Lucas Duarte acabou gurizada. Agora vou conhecer o cara graças à @ revistaopiniao 13 May

@lucasdarte Lucas Duarte to no @opiniao curtindo um Baita show 13 May

@lucasdarte Lucas Duarte marcelinho com uma banda gigante 13 May

@lucasdarte Lucas Duarte vou mostrar minhas músicas pro camelo @revistaopiniao malz aee 12 May

Revista do Opinião, a casa de espetáculos de Porto Alegre. O templo do rock. www.opiniao.com.br

@lucasdarte Lucas Duarte aeeeeee gurizada to no show e vou no camarim do camelo 12 May

R$ Recarga

25,00 SMS

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Acesso livre R$

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Sobre a oferta: válida de 14/7/2010 a 31/1/2011 para Vivo Pré mediante cadastro e pagamento de taxa única de www.vivoon.com.br adesão de R$ 11,90 (promocionalmente isenta no DDD 48) e taxa de participação de R$ 12,00/mês, que, promocionalmente, poderá ser utilizada em serviços Vivo.

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SMS ilimitado e acesso livre às redes sociais nas recargas de R$ 25,00 ou mais. Bônus válido em ligações locais, consumido após o saldo da recarga. Promocionalmente, até 31/1/2011, o bônus em reais poderá ser consumido antes do saldo da recarga. Esta promoção não convive com a promoção “Recarregue e Ganhe na Hora III”. Bônus mensal concedido mediante ativação de recarga participante (a partir de R$ 12,00). Saiba mais: consulte sobre limite diário de utilização do bônus, sites participantes para acesso às redes sociais, regras de utilização e demais restrições no regulamento da promoção em www.vivoon.com.br. Gmail™ e Orkut™ são marcas registradas de Google Inc. Facebook®, Twitter® e Hotmail® são marcas registradas de Facebook® Inc., Twitter® Inc. e Microsoft Inc., respectivamente.


O que rolou

O Show

Stratovarius Opini達o

Foto de Carlos Tadeu Panato Jr.

08 - o que rolou Revista do Opini達o


3Oh!3, 19/04 - Opini達o / Fotos de Carlos Tadeu Panato Jr.

Revista do Opini達o O que rolou - 09


O que rolou

Charles Master, 19/05 - Opinião / Foto de David Reis

BNegão & Seletores de Freqüência, 09/05 - Opinião / Fotos de Carlos Tadeu Panato Jr.

10 - o que rolou Revista do Opinião


Matanza, 15/05 - Opini達o / Foto de Juliano Antunes

Rock de Galp達o, 05/05 - Opini達o / Foto de Carlos Tadeu Panato Jr.

Monobloco, 07/05 - Pepsi on Stage / Fotos de Carlos Tadeu Panato Jr.

Revista do Opini達o o que rolou - 11


Opinião

Dia 18/6

MARIANA FONTOURA

Opinião

DIVULGAÇÃO

Restart

Reel Big Fish

Dia 29/6

Agenda

Próximos shows Esta agenda é temporária e pode ser alterada conforme a programação da Opinião Produtora. Acesse www.opiniao.com.br ou www.pepsionstage.com.br para maiores informações

A Day to Remember 8 de junho – Opinião

No dia 8 de junho é a vez do posthardcore do A Day to Remember abalar as estruturas do Opinião. Formada em 2003 na Flórida, EUA, o grupo tornou-se conhecido por unir vários gêneros em suas músicas, além da gravação de músicas populares de bandas como The Fray e da cantora Kelly Clarkson.

Velhas Virgens 9 de junho - Opinião

O Opinião será palco das gravações do novo DVD em comemoração aos 25 anos das Velhas Virgens no dia 09 de junho. Conhecidos pelo seu rock com letras irreverentes, a banda apresentará seus maiores sucessos nesse show que

deverá ser histórico.

Hibria

13 de junho - Opinião

Uma das bandas de metal brasileiras mais reconhecidas no exterior, a Hibria lança na Segunda Maluca do dia 13 de junho seu novo trabalho, Blind ride. A abertura da apresentação fica por conta da Penttagrama, banda cover de Metallica.

Tribo de jah

15 de junho – Opinião Tribo de Jah, uma das bandas de reggae mais queridas do Brasil, chega ao Opinião em junho acompanhada dos gaúchos da Produto Nacional. Com mais de 10 discos lançados ao longo dos quase 25 anos

Pitty 16 de junho - Opinião

A roqueira baiana volta ao Opinião no dia 16 de junho para o show de lançamento de seu último DVD, gravado ao vivo: A trupe delirante no Circo Voador (2011). Segundo a cantora, o título do novo trabalho foi inspirado em obras como “Sonhos de Uma Noite de Verão” e “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”. CAMILA DOMINGUES

12 - agenda Revista do Opinião

de estrada, os maranhenses vêm para transformar Porto Alegre na Jamaica na noite do dia 15 de junho.

Amado Batista

17 de junho – Pepsi on Stage

Com 36 anos de carreira e uma bagagem de 31 discos, Amado Batista chega ao Pepsi on Stage no dia 17 de junho. Dono de grandes hits como “Secretária” e “Seresteiro das noites”, o goiano apresentará todo o romantismo e o talento que sustentam a sua longa carreira.

Restart

18 de junho – Pepsi on Stage

Em junho é a vez dos coloridos tomarem conta de Porto Alegre. No dia 18 quem agita o Pepsi on Stage são Pe Lanza, Pe Lu, Koba e Thomas, os meninos do Restart. Depois de um ano atribulado, a banda volta à Capital com a promessa de não deixar ninguém parado.

Noite Senhor F 19 de junho - Opinião

Afirmada definitivamente no calendário porto-alegrense, a noite Senhor F, uma das mais esperadas do mês, chega à sua quinta edição no dia 19 de junho. Dessa vez quem sobe no palco do Opinião são as bandas Catavento de Bolso, O Curinga e Volantes.


Opinião

Dia 14/8

DIVULGAÇÃO

Opinião

DIVULGAÇÃO

Black Label Society

Blind Guardian

Dia 6/9

Agenda

Próximos shows Esta agenda é temporária e pode ser alterada conforme a programação da Opinião Produtora. Acesse www.opiniao.com.br ou www.pepsionstage.com.br para maiores informações

Live

Reel Big Fish e Goldfinger

Rosa Tattooada

Ed Kovalczyk

29 de junho - Opinião

No dia 21 de agosto a Rosa Tattooada sobe novamente no palco do Opinião para comemorar o lançamento do DVD Ao Vivo no Bar Opinião, que chega em junho às lojas. Com mais de 20 anos de estrada, a banda ainda mostra toda sua vitalidade com a promessa de um show pesado.

3 de julho - Opinião

Uma das vozes mais marcantes do pop rock dos anos 90 vem a Porto Alegre pela primeira vez: Ed Kowalczyk, vocalista do Live, se apresentará no dia 03 de julho no Opinião. O músico relembrará clássicos de sua banda, como “I alone”, “Lightning crashes, “Selling the drama”, “Dolphin’s cry” e “Heaven”, além de apresentar composições de Alive, seu primeiro álbum solo.

No dia 29 de junho o Opinião recebe diretamente da ensolarada Califórnia dois grandes nomes do ska-punk: Reel Big Fish e Goldfinger. Os dois grupos passam pela primeira vez por Porto Alegre para promover seu som, que mistura a pegada dançante do ska com a energia do punk rock.

Mr. Big 10 de julho - Opinião

Em julho o Opinião recebe uma das mais talentosas bandas de hard rock dos últimos tempos. No dia 10, Mr. Big chega a Porto Alegre para satisfazer os fãs após um jejum de 7 anos, quebrado em 2009, onde a banda se reuniu em sua formação original para celebrar o seu 20º aniversário.

Black Label Society 14 de agosto - Opinião

DIVULGAÇÃO

Zakk Wylde, ex-guitarrista de Ozzy Osbourne e um dos ícones do heavy metal, vem com sua banda a Porto Alegre para se apresentar no Opinião. A Black Label Society visita o Brasil para fazer apenas duas apresentações, no Rio Grande do Sul e São Paulo.

21 de agosto – Opiniâo

Blind Guardian 6 de setembro - Opinião

Após quarto anos de seu primeiro show na casa, os alemães da Blind Guardian retornam ao Opinião para mostrar suas canções inspiradas na cultura medieval e nas mitologias nórdica e grega. A banda vem apresentar seu último CD, At the edge of time (2010).

Acústicos & Valvulados 20 de outubro - Opinião

Com vinte anos de muito rock’n’roll, os Acústicos e Valvulados se apresentam no dia 20 de outubro no Opinião para celebrar o sucesso das duas últimas décadas. Encabeçada por Rafael Malenotti, a banda se junta aos fiéis fãs porto-alegrenses para cantar sucessos como “Fim de tarde com você” e “Até a hora de parar”.

Revista do Opinião agenda - 13


Diz ae!

Sublime with Rome Texto Leandro “Lelê” Bortholacci Fotos Carlos Tadeu Panato Jr

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artista, abraça e consome MESMO. É claro, que nessa junção reggae/hardcore, o ska é o “meia de ligação” e aparece diversas vezes no som dos caras. Eric Wilson é um baixista daqueles “gente boa”; gordão, alto, volta e meia colocava um cigarrinho na boca... E é a cara do Celestino Valenzuela (os mais velhos sabem de quem eu tô falando). Praticamente não saiu da frente dos amplificadores. Baixistas de reggae geralmente são assim mesmo. Curtem tocar seu instrumento e adentrar o mundo dos graves. O batera original, Bud Gaugh, acabou não vindo para a turnê sul-americana, sendo substituído por Matt Ochoa, do Dirty Heads, que acabou cumprindo bem o papel nos reggaes, mas deixando bastante a desejar quando a coisa acelerava nos skas e hardcores. Voltando ao caso de Rome, ele assumiu uma literal “bomba”. Guardadas as devidas

proporções, seria como substituir o Sting no The Police; ou o Geddy Lee no Rush; Kurt Cobain no Nirvana... Complicado né, amigo? Mas o moleque encarou a parada, emprestou seu nome pra banda e tá aí “firmão”. Tive a oportunidade de ver eles no ano passado no SWU, em Itu e em Curitiba, 4 dias antes de POA. No SWU, Rome estava MUITO nervoso e se amparou apenas nos hits da banda pra fazer um show, no mínimo, sincero. Passaram-se 7 meses, e o que se vê no palco já é bem diferente. Vale ressaltar, também, que o público que lotou o Pepsi on Stage deve ter colaborado, e muito, pro garoto se sentir tão à vontade. As 6 primeiras músicas do show são dos discos mais famosos do Sublime (40 Oz. to freedom, de 1992, e Sublime, de 1996). Hits absolutos pra gauchada, “Don’t push”, “Garden groove”, “Right back”, “New thrash”, “Smoke two

Perder o “canário” ao mesmo tempo em que uma música da sua banda toma de assalto 90% das rádios de todo o mundo... É daquelas histórias que só o mundo da música propicia.

14 - diz ae! Revista do Opinião

ome Ramirez tem o peso do mundo em suas costas. Aos 22 anos, trocou a (tão sonhada por muitos) tranquilidade de viver ao sol de Long Beach, na Califórnia, por substituir um dos maiores ícones da música feita nesta mesma praia. Bradley Nowell, o vocalista original do Sublime, morreu em 1996, vítima de uma overdose de heroína, no mesmo mês em que seu maior hit, “Santeria”, estourava nas rádios do mundo inteiro. Imagine-se você na pele de Bud Gaugh e Eric Wilson, respectivamente, baterista e baixista do Sublime original: perder o “canário” ao mesmo tempo em que uma música da sua banda toma de assalto 90% das rádios de todo o mundo... É daquelas histórias que só o mundo da música propicia. Mas eles se reergueram: com a ajuda dos amigos e de outras bandas parceiras, formaram o Long Beach Dub All Stars, gravaram dois discos e seguiram em frente. E ao encontrar Rome, talvez tenham recebido a bênção da “verdadeira segunda chance”. A voz de Rome Ramirez é IMPRESSIONANTEMENTE parecida com a de Bradley. O tom agudo e despretensioso é perfeito para o mix de reggae e hardcore que o Sublime faz. Na real, eles foram a banda que levou essa mistura (eternizada pelos Bad Brains) às grandes massas, amplamente amparados pelo respaldo dado pelo público surfista, que quando abraça uma banda/


E aos 13 anos de idade eu sentia todo o peso do mundo em minhas costas; eu queria jogar mas perdi a aposta - Marvin, Titãs

joints” e “Get ready” foram tocadas em sequência; a banda já sentiu que “tava em casa” quando o Pepsi inteiro entoou “I smoke two joints in the morning, I smoke two joints at night; i smoke two joints in the afternoon, and it makes me feel all right”. Esse era o clima... O repertório se baseou praticamente nestes dois discos, sendo intercalados por diversas músicas novas, que farão parte do álbum já batizado de Yours truly, como “Spun”, “My age” e o já lançado single “Panic”, todas muito bem recebidas pelo público. A dobradinha “Date rape” e “Wrong way” surpreendeu os mais desavisados lá presentes. Quem só conhecia o Sublime por seus reggaes melosos que tocaram no rádio deve ter se apavorado quando a roda abriu AFÚ em “Date rape”, um hardcore/ ska “arretado da porra”, daqueles que os Raimundos fazem melhor do que ninguém. Aliás, falando em Raimundos, Rome Ramirez estava com a camiseta da banda brasiliense, que ele ganhou do Digão em Curitiba no fim de semana anterior, onde tocaram no festival Lupaluna. O auge do show chega com “What I got”, pra mim a música mais bonita do Sublime. Creio que poucos shows em Porto Alegre tiveram uma música cantada do início ao fim por TODO o público, como aconteceu neste momento do show. Foi tão forte que após o fim da música a galera continuou gritando o refrão, a ponto de fazer a banda voltar a tocar o som, em cima do vocal da multidão. Me chamou a atenção que, assim como no SWU e em Curitiba, Rome homenageia o falecido

vocalista soltando um “rest in peace, Bradley” ao final da frase “Let the lovin’, let the lovin’ come back to me”. Emocionante. Logo depois ele emenda “Badfish”, um clássico reggaezinho daqueles com voz quase sussurrada, também cantado em alto volume pela plateia portoalegrense. Acho legal ressaltar aqui que Porto Alegre é uma cidade que adotou uma cultura “sublimeana”, muito impulsionada pela galera da Second Hand, banda que abriu o show. Justíssima a escolha deles para a abertura! No final tivemos a parte mais “rock” do show, quando a banda executou a música “Under my voodoo”, composta por Bradley em homenagem ao seu ídolo, Jimi Hendrix. E Rome mostra que é um ótimo guitarrista exatamente nessa música. O show encerra com “STP”, única música do disco Robbin’ the hood, de 1994. No bis, outra música nova, “Take it or leave it”, e o encerramento com o megahit “Santeria”. Engraçado que Rome tem o costume de, nessa música, chamar alguém da plateia para cantá-la ou tocála junto. Dessa vez ele não fez isso. Talvez esteja aí a maior prova do quanto ele estava à vontade naquela noite na nossa cidade. Uma cidade que surpreende pessoas que, como eles, vêm de longe e não têm ideia que chegarão aqui e encontrarão milhares de fãs que sabem cantar músicas de quase 20 anos atrás, ainda que a banda tenha ficado inativa desde 1996! Que o simpático Rome consiga seguir na boa com esse “peso” que ele carrega, e que eles possam mesmo voltar a tocar aqui. Tenho certeza que a casa enche de novo...

Revista do Opinião DIZ AE! - 15


Backstage Marcelo Camelo recebeu o “Correspondente Vivo On” Lucas Duarte nos bastidores do Opinião. O ganhador da promoção ficou surpreso com a possibilidade de conhecer o artista. A cobertura dele você confere na página 7. Foto de Carlos Tadeu Panato Jr.

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backstage

Poucos minutos antes da apresentação, BNegão se divertia num papo com seus amigos em Porto Alegre. Foto de Carlos Tadeu Panato Jr.

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Backstage Em visita a Porto Alegre, os Raimundos curtiram um churrasco com a galera da Opinião Produtora antes da apresentação na casa, no dia 26 de maio. Fotos de Carlos Tadeu Panato Jr.

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Backstage Backstage Backstage backsta 1 - O músico chegou cedo no Opinião para animar a Segunda Maluca do dia 9 de maio. Foto de Carlos Tadeu Panato Jr.

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3 - Uma das principais atrações do El Mapa de Todos, a Contra Las Cuerdas foi importada de Montevidéu especialmente para o festival. Acima, um momento de descontração no camarim.Foto de Carlos Tadeu Panato Jr.

2 2 - A Apanhador Só também era só alegria na abertura do show do Marcelo Camelo. “Foi muito legal tocar com um monte de gente curtindo nos ver ali no palco”, disse o vocalista. Foto de Carlos Tadeu Panato Jr.

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TCHÊ ROCK

18 - tchê rock Revista do Opinião


Texto Marília Pozzobom Fotos Rafa Rocha/divulgação

A Apanhador Só é diferente do que se espera de uma banda gaúcha. Talvez pela sonoridade, totalmente distinta do que se está acostumado; talvez pelos sorrisos que iluminam o palco e que nos fazem sorrir junto. Em 2010, a banda se fixou na cena musical brasileira com o CD Apanhador Só, muito bem recebido pela crítica – e que levou três troféus no Prêmio Açorianos de 2011. Em uma velocidade espetacular, lançaram o segundo Como foi abrir o show do Marcelo Camelo? Tu é fã dele? Foi muito massa, e também foi uma honra dividir o palco com o Camelo. Ele é um sujeito que a gente curte bastante e acompanhou muito o trabalho com o Los Hermanos na adolescência, principalmente o Ventura e o Bloco do Eu Sozinho. Vocês são do Sul, mas têm um pezinho lá em cima. Quais são as influências da banda no Brasil e fora dele? É muito difícil nortear as influências, porque todo mundo ouve muita coisa. E também vai mudando: num mês um tá ouvindo uma coisa, no outro tá ouvindo outra. Não sei, acho que gostos em comum... Pode ser o Drexler, o Radiohead. Música brasileira, no geral: tanto os compositores mais consagrados quanto os mais malditos – e os no meio do caminho. Tu me falou que é fã do Tom Zé... Bah, é, do Tom Zé eu posso dizer que eu sou fã. Eu acho que do Tom Zé a gente traz muitas referências. Inclusive em letra de música tem referências a ele. Tom Zé, Jards Macalé, Sérgio Sampaio, Caetano, Chico Buarque... Tem uma cambada da música brasileira que deixou um legado volumoso pra gente. De onde surgiu a idéia do Acústico Sucateiro?

álbum, Acústico Sucateiro, no qual as músicas do primeiro trabalho foram vertidas para o formato acústico utilizando sucata e que circula através da troca de cassetes antigos por fitas com o álbum. Em maio, o quarteto subiu o palco do Opinião para abrir o show de Marcelo Camelo. Kumpinski, vocalista e guitarrista da banda, bateu um papo com a Revista do Opinião sobre o show, a rápida ascensão e os projetos da banda.

E a das fitas? Começou com a Carina Levitan, mais ou menos em 2005, quando ela fazia a percussão sucata no formato plugado mesmo. Depois ela saiu pra estudar em Londres e acabou que a gente virou um quarteto só com baixo, guitarra e bateria. Aí agora, em 2010, tendo a necessidade de fazer formatos acústicos em programas de rádio ou TV, a gente retornou com a sucata pra fazer uns arranjos mais interessantes no formato acústico, pra ir além da voz e do violão. E daí acabou que a gente fez arranjo para algumas músicas, vimos que estava legal e decidimos gravar. E daí saiu o disco, que é o nosso segundo álbum. Não é de inéditas, mas funciona como segundo álbum porque as músicas mudaram muito, ganharam uma roupagem muito diferente. Já as fitas nasceram de uma vez que a gente tava divulgando o disco e comentamos sobre LPs, que todo mundo tá fazendo agora. Aí nos deram a ideia de fazer o mesmo com as fitas, que hoje são um material sucateado já. E não é difícil conseguir as fitas? É, a gente conseguiu em uma loja 540 fitas fechadinhas onde gravamos o Acústico Sucateiro e reutilizamos as outras pelas quais o pessoal troca. E os fãs receberam bem esse segundo álbum? Puta, tá sendo muito legal. Tem bastante gente que diz que até prefere o Acústico Sucateiro – o

que nos deixa felizes por um lado e um pouco estranhados por outro, né? Esse é pra ser o formato não oficial da banda. Na verdade, o que acabou acontecendo é que a banda tomou dois rumos e tem esses dois projetos dentro dela mesma. O roteiro do clipe de “Um rei e o Zé” é teu, em parceria com o Felipe Zancanaro e a assessora de imprensa de vocês, a Pamela Leme. Tu gosta de participar da criação dos materiais da banda? Seria talvez mais do que gostar, é uma necessidade que a gente tem de centralizar um pouco a produção por ser uma banda independente, por não ter o escritório de uma grande empresa cuidando de tudo. Até por isso, acaba sendo criada uma coerência estética e de ideias dentro do projeto; é a gente que escolhe quem vai fazer o projeto gráfico do disco, a gente que escolhe quem vai ser a produtora do clipe e, de alguma forma, a gente que tem contato com todas as partes. Se são bem direcionados, esses contatos acabam criando uma unidade quase sem querer entre elas que dá a cara da banda. E vem clipe novo por aí? A gente tá planejando fazer com alguma música do Acústico Sucateiro. Estamos vendo algumas ideias pro clipe, mas ainda estamos fechando com qual música vai ficar melhor.

Revista do Opinião Tchê, rock - 19


Raimundos

Opini達o Foto Carlos Tadeu Panato Jr.


master

22 - master Revista do Opini達o


Revista do Opini達o master - 23


A vidA

master

Após o

Live

p

Texto Gabriel Pozzobom Fotos Divulgação

ara algumas bandas, a voz de seu cantor é a essência da obra. É o caso de grupos como Cranberries, Pearl Jam e outros ícones dos anos 90. Assim como é o caso de Ed Kowalczyk, “a voz do Live”. A banda, conhecida por canções como “Lightning crashes”, “I Alone” e “All over you”, encerrou sua trajetória em 2009 após desentendimentos internos. Mas Ed seguiu em carreira solo, e em julho visita Porto Alegre com a turnê do disco de estreia Alive (2010). Antes de sua apresentação, o músico conversou com a Revista do Opinião sobre o novo momento de sua vida. Você teve algum receio de começar a carreira solo após seu sucesso com uma banda da dimensão do Live? Eu nunca senti nenhuma forma de apreensão ou medo de começar esse novo capítulo na minha vida. Eu sabia que se eu continuasse a fazer o que sempre havia feito no Live, fazendo as melhores músicas e as melhores performances que eu poderia fazer, isso seria o ideal. E o que Alive significa em sua vida? Uma mudança de rumos ou a continuidade de uma trajetória? Eu acho que são as duas coisas. É uma mudança no sentido de que os músicos que me acompanham hoje estão trazendo novos ares e novas energias, mas minha paixão e intensidade como músico e

compositor permanecem as mesmas. Alive, assim como os outros álbuns do Live, é bastante intenso, espiritual e religiosamente falando. Você é membro ou simpatiza com alguma religião? Eu retornei recentemente ao meu caminho da minha juventude no Cristianismo. Dito isso, eu também roubei uma página do manual do Bono, no sentido de tornar Alive um album que poderia falar e inspirar as pessoas de todos os estilos de vida. Quem mais você considera suas maiores influências nesse novo álbum? Eu pesquisei uns quantos guitarristas evangelistas como Blind Willie Johnson nos meses anteriores às gravações. É claro que o meu álbum é um trabalho contemporâneo, mas eu me senti

24 - master Revista do Opinião

meio que guiado pela intensidade do Blind Willie Johnson. Eu quis o mesmo equilíbrio entre coibição e explosividade que caracteriza as gravações dele. Então você acha que ainda é possível encontrar o mesmo tipo de referências à filosofia e à religião orientais como nos outros trabalhos do Live, ou isso já seria passado? Essas referências, claro, não estão presentes em Alive. Porém elas constroem a tapeçaria da minha jornada como homem e como compositor, e ainda são relevantes nesse sentido. Eu ainda toco toda a minha obra com a mesma paixão de sempre – ou maior. Você se vê como alguém envolvido com causas humanitárias? Digo isso tendo em vista o seu apoio


a causas e ONGs especialmente relacionadas a problemas sociais em países pobres. Sim, eu me vejo. Eu comecei recentemente uma parceria com a Visão Mundial. Desde o final do ano passado, mais de 200 crianças foram apadrinhadas graças aos meus apelos durante os shows, graças à generosidade dos meus fãs! Nós também estamos juntando colaborações para construir poços artesianos na área rural da Zâmbia, a fim de fornecer água para as crianças e seus familiares em extrema necessidade. Voltando à turnê: quais são as suas expectativas para os shows na América Latina? Vai ser uma turnê incrível! Eu só tenho lembranças ótimas das minhas experiências no Brasil, e estou confiante de que essa turnê deve

acrescentar mais algumas. O que você espera conhecer durante sua visita ao Brasil? Essa vai ser a minha primeira viagem a Porto Alegre, e a primeira visita dos membros da minha banda ao Brasil! Você pode ser o nosso guia pelos locais da cidade [risos]. Você conhece algum músico ou banda da cena local da América Latina? Eu estou na expectativa de encontrar as coisas mais incríveis da cena musical brasileira e da cultura do Brasil nessa viagem! Traga pra mim alguns CDs… Eu troco pelos meus [risos]. O que o público pode esperar de seus shows

no Brasil? Músicas do Live ou, de maneira geral, canções de seu último trabalho? Os fãs que viram esse show com a minha nova banda dizem que está melhor do que nunca! Eu devo tocar alguns dos hits do meu trabalho no Live, como “Lightning crashes”, “I alone”, “Pain lies on the riverside” e outras, assim como uma boa seleção do meu novo álbum. Mas todas as canções ganharam uma energia nova e incrível da minha nova banda. Sabemos que é meio cedo para perguntar, uma vez que Alive foi lançado há menos de um ano, mas você tem planos de finalizar um segundo álbum solo em breve? Eu estou compondo no momento um novo álbum, e espero lançar ele na primavera de 2012. Mas antes eu vou detonar no Brasil!

Revista do Opinião MASTER - 25


O que rolou

Helloween, 03/05 - Pepsi on Stage / Fotos de Carlos Tadeu Panato Jr.

26 - o que rolou Revista do Opini達o


O Oque querolou rolou

Macaco Bong, Festival El Mapa de Todos, 14/04 - Opini達o / Foto de Paulo Capiotti

28 - o que rolou Revista do Opini達o


El Mató a un Policía Motorizado, Festival El Mapa de Todos, 14/04 - Opinião / Foto de Paulo Capiotti

Contra las Cuerdas, Festival El Mapa de Todos, 13/04 Opinião / Foto de Paulo Capiotti

Macaco Bong, Festival El Mapa de Todos, 14/04 - Opinião / Foto de Paulo Capiotti

Revista do Opinião O que rolou - 29


O que rolou

El Mató a un Policía Motorizado, Festival El Mapa de Todos, 14/04 - Opinião / Foto de Paulo Capiotti

El Mató a un Policía Motorizado, Festival El Mapa de Todos, 14/04 - Opinião / Foto de Paulo Capiotti

30 - o que rolou Revista do Opinião

Gepe, Festival El Mapa de Todos, 12/04 - Opinião / Foto de Paulo Capiotti


Arthur de Farias & Seu Conjunto, Festival El Mapa de Todos, 12/04 - Opini達o / Foto de Paulo Capiotti

Superguidis, Festival El Mapa de Todos, 14/04 - Opini達o / Foto de Paulo Capiotti

Superguidis, Festival El Mapa de Todos, 14/04 - Opini達o / Foto de Paulo Capiotti

Revista do Opini達o O que rolou - 31


O que rolou

Marcelo Camelo, 12/05 - Opini達o / Fotos de Carlos Tadeu Panato Jr.

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Rock movie

Eu sou um outro Texto Fabiano de Souza Foto Divulgação

C

omo criar um filme sobre Bob Dylan? Essa pergunta não saía da cabeça de Todd Haynes enquanto ele cruzava os Estados Unidos, dirigindo seu carro, ouvindo uma fita cassete do mestre do folk. Como criar um filme sobre um artista? Para Haynes, um artista é sua vida, arte e todo o universo criado em torno dele – algumas vezes por ele mesmo. Um artista é um camaleão que só pode ser retratado por um caleidoscópio de imagens. Cubo mágico sem solução, antena da raça, metamorfose ambulante. Talvez por isso o filme de Haynes sobre Bob Dylan chame-se Não estou lá (I’m not there, 2008). Talvez por isso seis personagens representem facetas do inventor de “Blowin’ in the wind”. A “história” começa com Woody, um garoto negro mentiroso. Ele é o Dylan inventado, fake, o emblema de um passado lendário que o compositor criava para si e para a mídia. Aparecendo quase como um narrador, surge Arthur. Interrogado em uma delegacia, o personagem encarna o poeta juvenil, rebelde, um modelo de inspiração para Robert Allen Zimmerman, que roubou seu codinome de Dylan Thomas.

Já Jack Rollins (Christian Bale) passa rapidamente do cantor defensor dos direitos humanos para o polemista que, depois da fama, desafia os padrões da catalogação midiática. Isso explica um pouco os vexames em homenagens e sua conversão à igreja. Amém. Nesse furacão, acrescenta-se Robbie (Heath Ledger), um astro de cinema. Ele é

apresentado como aquele que eternizou Jack Rollins em um filme. Assim, Dylan não só é lembrado com alguém que esteve na frente e atrás das câmeras, mas visto como uma celebridade, buscando preservar a intimidade da vida privada, já dolorosa por si. Mas talvez o Dylan mais marcante seja Jude, graças à performance antológica da musa Cate Blanchett. Jude é a passagem da música acústica para a guitarra elétrica, é a briga com a imprensa, o convívio entre Beatles e beats, o consumo de drogas que desafia o corpo. Por fim, aparece Billy (Richard Gere), o senhor grisalho que vive um exílio pessoal. No ambiente rural, busca raízes e encontra o isolamento necessário para voltar ao mundo. Like a rolling stone. Esses seis personagens vão se alternando na tela – eles se misturam, se alimentam. Um pouco como as canções de Blood on the tracks (1974). Neste álbum, histórias de uma música têm eco em outra, criando uma narrativa que mescla passado, presente e futuro. Essa concepção de Dylan, digna de um Fernando Pessoa, de um Borges do rock, está toda no filme de Todd Haynes. Viva a fita cassete! Viva o septuagenário!

Fabiano de Souza é professor e cineasta

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Na pista

A nova onda dos

Texto Homero Pivotto Jr. Fotos Carlos Tadeu Panato Jr. Os nomes Rodrigo Aguiar Madeira Campos, 40 anos, e José Henrique Campos Pereira, 45, podem soar sem importância fora do contexto. Mas a verdade é que eles são ídolos de uma geração. Mais que isso, até: são protagonistas de uma profecia. É a dupla, mais conhecida respectivamente como Digão e Canisso, que até hoje faz valer a predição de que o “Raimundos nunca vai se acabar”, vaticinada na música “Marujo”, lá do clássico primeiro disco, Raimundos, de 1994. Depois de um período em baixa com a saída do vocalista Rodolfo, outras mudanças na formação logo na sequência (como a saída do baterista Fred) e perrengues desnecessários, o grupo volta à ativa com a gana de uma onda havaiana gigante. Para marcar o começo de uma nova fase, o Raimundos gravou em São Paulo, no fim de 2010, um DVD batizado de Roda viva, que faz um

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apanhado da carreira e traz ainda uma nova composição. O show oficial de lançamento – o primeiro com o registro em mãos –, rolou dia 26 de maio, no Opinião. Mesmo com seus vinte e poucos anos de história, o quarteto dá indícios de que ainda tem disposição pra ir mais longe. Afinal, parafraseando o próprio grupo brasiliense: “se algo deu errado, não é tão ruim assim/ se ainda não deu certo é porque não chegou no fim”. “As pessoas achavam que, porque o Rodolfo saiu, o Raimundos acabou. Enquanto tiver pelo menos dois amigos juntos dentro da banda, ela vai acontecer. E acho que o DVD é o ponto zero do nosso recomeço”, sentencia o guitarrista Digão, que agora também assume o vocal e acumula as funções de compositor e empresário. Canisso complementa: “Não adianta a gente tentar acabar que os moleques


não deixam! Isso é tipo o elixir da juventude, o que mantém a gente vivo.” A estabilidade na formação, aliás, foi crucial para a retomada da harmonia. Além de Digão, atualmente, o Raimundos é composto pelo guitarrista Marquim [integrante desde 2001], pelo baixista Canisso – que saiu em 2002 e retornou em 2007 –, e pelo baterista Caio, recrutado em 2007. No fim de 2010, os Raimundos atiçaram a curiosidade dos fãs por material inédito com o single “Jaws”, inspirado na onda norteamericana de mesmo nome que leva surfistas do mundo inteiro ao Havaí. O som não faz concessões para agradar nem público nem mídia: é rápido e pesado, cheio de riffs fortes de guitarra. Se a banda já não andava aparecendo na playlist das rádios, a julgar pela nova música, deve continuar bem longe das mais pedidas. “Eu não quero entrar no esquema do que tá rolando hoje. O mainstream brasileiro não me interessa. “Jaws” é um suicídio radiofônico; mesmo assim toca direto no Multishow e foi um dos clipes mais pedidos do canal. Isso não tem preço” – lasca o guitarrista. Apesar não compactuar com o esquema industrial fonográfico vigente no país, o Raimundos ainda ostenta o título de uma das bandas de rock que mais venderam álbuns em território tupiniquim, com aproximadamente 13 milhões de exemplares comercializados. Mas os tempos são outros, e o grupo sabe que é preciso adaptar-se. “Existe uma cobrança porque a gente vendeu e agora não vende mais. Mas espera aí: ninguém mais vende! A vida de um músico agora é show, apresentações ao vivo. O CD nada é mais do que um cartão de

visitas. Você tem de gastar e gravar porque, se não fizer isso, não estará divulgando suas músicas”, diz Digão. Como vender discos nunca foi o objetivo principal de a banda existir, o Raimundos não se deu por vencido. A satisfação de empunhar um instrumento e dividir essa emoção com o público é tão grande que, ao menos para Canisso, a possibilidade de abandonar a música nunca foi cogitada. “Graças a Deus eu tenho dois dos meus quatro filhos na universidade e banquei tudo com o meu baixo”, contou o baixista por telefone, logo depois de pedir ao caçula Pedro, numa demonstração de orgulho, para cantar “Esporrei na manivela”. A ideia de lançar um DVD surgiu para mostrar ao público, literalmente, a nova cara do Raimundos. “Temos uma estrutura bacana, mas sem megalomania. A gente não precisa disso para que as pessoas prestem a atenção no que fazemos. Só precisamos da banda mesmo”, dispara Digão. Canisso acrescenta que “era o momento de registrar que a banda estava forte ao vivo e não devia nada para nenhuma das outras formações... Tipo o último prego do caixão para a gente desvencilhar-se do passado e seguir em frente.” Mesmo com a turnê de divulgação do mais recente trabalho a todo o vapor, a banda já tem inclusive motivos para um novo material de inéditas. Nas palavras de Digão: “Não gosto de falar mal dessa molecada que está aí, pois respeito a época deles. Mas o velho e bom rock’n’roll é outra coisa. A galera mais nova está precisando de uma orientação. Já que ninguém vai tomar essa atitude, dá licença!”

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Revista do Opinião #04  

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