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nov | 2012 • Nº 50 • Mensal • O Cultura.Sul faz parte integrante da edição do POSTAL do ALGARVE e não pode ser vendido separadamente

novembro • Mensalmente com o postal em conjunto com o público

Acessibilidades dominam encontro ibérico de profissionais de museus p. 7

9.471 exemplares

www.issuu.com/postaldoalgarve

Festa da Pinha: o património imaterial em terras de Estoi p. 11


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Cultura.Sul

02.11.2012

Juventude, artes e ideias

Henrique Dias Freire

Editor do CULTURA.SUL

Venha de cima o exemplo! A responsabilidade de dirigir a política cultural do Estado cabe agora a Jorge Barreto Xavier, que tomou a 26 de Outubro posse como secretário de Estado da Cultura. Como vem com uma carreira feita na organização e gestão cultural, alguns acreditam que tem um perfil mais adequado do que o seu antecessor. Dez dias antes da sua tomada de posse, era garantido na página on-line do Governo que o Orçamento de Estado (OE) para 2013 iria manter-se nos humilhantes 190,2 milhões de euros. Ainda esta semana, nas actuais circunstâncias de grande contenção orçamental, o Governo veio ao Algarve dizer, no Carvoeiro, que é necessário cortar mais quatro mil milhões de euros no actual modelo de organização do Estado, propondo um debate sério sobre as “gorduras” do Estado. Se é sabido e defendido por qualquer OE que a cultura é um factor de coesão e de identidade nacional, o novo secretário de Estado tem aqui uma excelente oportunidade para começar a dar o exemplo, de grande valor simbólico, com a própria Secretaria de Estado da Cultura. Passar a fazer na “sua Casa” o que qualquer cidadão português e já muitos governantes e dirigentes de outros países europeus fazem: utilizar os transportes públicos ou viaturas próprias; acabar com o luxo das dezenas de viaturas de serviço e das centenas de motoristas da sua Secretaria de Estado. No dia em que o exemplo vier de cima, os portugueses serão os primeiros a legitimar os sacrifícios exigidos.

Ficha Técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Henrique Dias Freire

Maria do Carmo Loureiro

Professora do Ensino Secundário

Apanhados na/da crise!... Crise, crise, crise!… Estou farta de crise!.... Farta de ver/ouvir toda a gente a falar de crise... De viver em crise... De tentar arranjar culpados para a crise… Para além da crise (ou crises) que sentimos bem na pele, o importante é saber sair dela. É perceber porque e como aqui chegámos, e, sobretudo, saber que futuro queremos. Para nós e para os nossos filhos. Ao longo das últimas décadas, fomo-nos deixando arrastar, mais ou menos (in)conscientemente, mais ou menos culpados, para um

mundo de ilusões onde tudo era possível. Fácil. Descartável. Os direitos eram nossos. Os deveres dos outros. Quem assim não pensasse era, inexoravelmente, marginalizado. Esmagado. Humilhado, às vezes. Isto aconteceu em quase tudo o que diz respeito às nossas vidas. No acesso ao crédito fácil. No trabalho. Na educação. Na relação entre as pessoas. No sexo. Em tudo. O importante era o “parecer” e o “ter” ou, até, o “parecer ter”! ... E mais grave ainda, educámos os nossos filhos assim.

Agora, desesperados e aflitos, «apanhados de surpresa», queremos culpados. Para tudo. Para os erros dos «outros» e para os nossos. Aliás, a «culpa é sempre dos outros»! Esquecemo-nos, todavia, é de que os verdadeiros culpados não têm rosto e de que nós, tão sábios e tão atentos, permitimos e aplaudimos. Cegamente. Por isso e pensando nos mais jovens, vai sendo tempo de mudar. De os ajudar a vencer os tempos difíceis. De os ajudar a aprender a saber PENSAR e saber SER.

Espaço CRIA

Mercados locais, valores sociais

Ana Lúcia Cruz

Gestora de Ciência e Tecnologia no CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia

Quase todos os fins de semana faço um esforço para ir aos mercados locais. A promessa de produtos cheios de sabor e cor, sem recorrer ao apoio de pequenos artifícios, é cumprida. Com a carteira nitidamente mais vazia a felicidade é imensa e por vários motivos: 1) estou a contribuir claramente para a prosperidade dos produtores locais; 2) o sabor dos alimentos é muito mais intenso e agradável; 3) acabo por passear, ver pessoas e conversar com os produtores. Tudo bons motivos! Existe apenas um problema: o preço. Desde o aparecimento dos hipermercados, com os seus preços altamente competitivos e promoções, que levam qualquer um à loucura,

que os mercados municipais estão mais vazios (não estou a contar com os turistas). Mas por “mea” culpa falo. Acho que já todos sabemos que esta escolha tem um preço para a nossa economia, e por sinal um preço muito alto. Mas provavelmente até isto é questionável! As questões que me coloco como consumidora são: Que escolha fazer? Pouco sabor e preço baixo? Ou muito sabor e preço alto? Acreditem que já fiz a experiência durante alguns meses, mas a verdade é que no mercado consigo gastar mais dinheiro do que num híper. Mais ou menos, o dobro, por vezes o triplo e nem sequer estou a incluir a carne e o peixe. Mas garanto-vos que o sabor não tem comparação. De que forma isto está relacionado com o empreendedorismo e inovação? A agricultura é o negócio mais antigo do planeta. Ainda que por de base tradicional, os produtores procuram agora conjugar o saber fazer e a tradição com a integração de novos conhecimentos, quer como forma de diferenciação como na procura de maior rentabilidade do seu negócio. No entanto, o conceito de inovação deverá estar presente em qualquer negócio, e reforço de que quando falo em inovação, não me refiro a maquinaria ou sistemas complexos. Existem diferentes tipos de inovação, passíveis de serem integrados. Para ser mais específica, as nossas laranjas são as melhores, mas no entanto o sector está em crise e em luta constante pela sua

Paginação: Postal do Algarve

» patrimónios.S: Isabel Soares

Responsáveis pelas secções: » juventude, artes e ideias: Jady Batista » livro.S: Adriana Nogueira » momento.S: Vítor Correia » panorâmica.S: Ricardo Claro

Colaboradores: AGECAL, ALFA, CRIA, Cineclube deFaro, Cineclube de Tavira, DRCAlg, DREAlg, António Pina, Pedro Jubilot. Nesta edição: Ana Lúcia Cruz, Fernanda Zacarias, Maria do Carmo

sobrevivência. No Algarve, esta atividade é caracterizada por pequenos produtores, incapazes de competir com os grandes e, em última instância, com os preços praticados pelos hipermercados. Como tal, os pequenos produtores têm dificuldade em responder às exigências dos principais agentes de mercado. Através do projeto ICS - Construindo um Sistema Cooperativo Mediterrâneo - propõe-se que a solução passe pela adesão às cooperativas. Concordo. Onde pode então surgir a inovação? No modelo de gestão. Segundo Jose Carlos Jiménez Mayordomo (professor na Escola de Economia Social de Andaluzia), o sistema cooperativo representa uma boa resposta à crise, mas o seu modelo de gestão devia aproximar-se ao modelo empresarial, mantendo contudo os princípios de solidariedade social locais, relacionando-os inclusivamente com as linhas de ação, a curto e longo prazo, da Cooperativa. Este professor vê as cooperativas como estruturas saudáveis, capazes de contribuir para uma economia mais justa. Contudo, estamos a falar de realidades diferentes. O nosso sistema cooperativo regional tem vindo a perder força, e apesar de alguns casos de sucesso, a verdade é que está pouco valorizado na nossa região, tal como a nossa produção local. Talvez esta inovação no modelo de gestão funcionasse como um antídoto para relançar o nosso sistema co-

operativo, contribuindo assim para o crescimento da nossa economia. No entanto, a solução passa também por nós, consumidores. De um modo geral, ir à praça pode ser mais caro, mas deixo-vos algumas dicas que tenho apreendido nestas minhas jornadas pelos mercados: 1) um molho de salsa ou coentros, dá para distribuir pelo resto da família - vem em maior quantidade que nos hipermercados. Além disso, o cheirinho destas ervas aromáticas é muito mais intenso, e podemos congelar; 2) as laranjas são melhores: mais sumarentas, doces, e garanto-vos que mais baratas. Experimentem no mercado em São Brás de Alportel; 3) os frutos vermelhos são mais baratos; 4) as sopas embaladas são feitas praticamente na hora, as quantidades estão mais ajustadas às nossas necessidades, são mais saborosas e mais baratas; 5) Sejamos criativos e empreendedores na altura de confecionarmos as nossas refeições. Tudo se aproveita. Façamos a experiência. Pessoalmente, ainda não terminei a minha e sei que este mês vou continuar a alternar entre um híper e os mercados municipais. Mas acredito que vou conseguir mudar os meus hábitos ao ponto de frequentar apenas o tradicional mercado semanal. Caso não consiga, não há problema! Afinal, as opções estão lá, só temos de escolher as que melhor se ajustam às nossas necessidades. Além disso, “hoje” pode não ser possível, mas “amanhã”…quem sabe.

Loureiro, Miguel Peres dos Santos e Raúl Grade Coelho

e-mail: geralcultura.sul@gmail.com

Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, Direcção Regional de Educação do Algarve, Postal do Algarve

on-line: www.issuu.com/postaldoalgarve Tiragem: 9.471 exemplares


Cultura.Sul

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cinema Cineclube de Tavira

Um mês de cada vez... Mais um mês de cinema de qualidade no cine-teatro tavirense (depois de quase 14 anos de actividades sem interrupção, chegamos ao ponto de programar um mês de cada vez, sem conseguirmos planear o futuro). Os destaques este mês são É NA TERRA, NÃO É NA LUA, um documentário fascinante sobre a Ilha do Corvo nos Açores; ELENA, filme russo do realizador do multi-premiado O REGRESSO, OSLO, 31 DE AGOSTO, do norueguês Joachim Trier, e last but not least TURQUAZE (TURCO-QUASE), um filme inédito entré nós, cuja exibição tornou-se possível através da gentileza do produtor Dirk Impens (Bélgica). Não percam estas (talvez últimas) sessões do Cineclube de Tavira! Continuamos a precisar da vossa ajuda na realização da nossa próxima iniciativa para evitar a falência do Cineclube de Tavira: um leilão de obras de arte (cada peça é oferecida ao Cineclube pelo seu autor ou proprietário), que terá lugar na galeria da Casa

Espaço AGECAL

Miguel Peres dos Santos

Mestrando em Gestão Cultural – Universidade do Algarve Sócio da AGECAL – Associação de Gestores Culturais do Algarve

destaque

As redes culturais são um território cultural, realidade ao nível europeu já com muitos anos. Em Portugal intensificaram-se nos primeiros anos do século XXI, sobretudo por organização e colaboração entre programadores, associações ou ins-

PROGRAMAÇÃO

www.cineclube-tavira.com 281 320 594 | 965 209 198 | cinetavira@gmail.com

SESSÕES REGULARES Cine-Teatro António Pinheiro | 21.30 horas

Cena do filme Elena das Artes em Tavira, no sábado, 8 de Dezembro, às 21.30 horas. Até à data de hoje recebemos cerca de 24 gravuras e pinturas para o leilão. Se tiverem uma(s) peça(s) em casa que possam dispensar (pinturas, desenhos, gravuras, litografias, colagens, fotografias – com ou sem moldura – esculturas em qualquer material e de qualquer

tamanho, artesanato, trabalhos de macramé ou malha, até aceitamos motorizadas, máquinas de relva, móveis e/ ou utensilhos de casa ou de cozinha exclusivamente concebidas e executadas de forma artesanal), tudo será bem vindo. Mais tarde iremos publicar a lista de todos os nossos benfeitores. Agradecemos pelo seu contributo!

2 NOV | É na Terra, não é na Lua, Gonçalo Tocha, Portugal 2011 (180’) M/6 4 NOV | Superclássico... A Minha Mulher Passou-se!, Ole Christian Madsen, Dinamarca 2011 (99’) M/12 8 NOV | Once Upon a Time in Anatolia (Era Uma Vez na Anatólia), Nuri Bilge Ceylan, Turquia/Bósnia Herzegovina 2011 (150’) M/12 11 NOV | TED, Seth Macfarlane, E.U.A. 2012 (106’) M/12 15 NOV | Turkwaze (Turc-Quase), Kadir Balci, Bélgica 2010 (96’) M/12 18 NOV | Take Shelter (Procurem Abrigo), Jeff Nichols, E.U.A. 2011 (120’) M/12 22 NOV | Elena, Andrei Zvyagint-

sev, Rússia 2011 (109’) M/12 25 NOV | The Flowers of War (As Flores da Guerra), Zhang Yimou, China/Hong Kong 2011 (146’) M/16

29 NOV | Oslo, 31. August (Oslo, 31 de Agosto), Joachim Trier, Noruega 2011 (95’) M/12

Redes culturais: potenciar a cooperação e a diversificação tituições culturais. Ao verificarmos as potencialidades destas estruturas, formais e informais, concluímos que permitem criar um discurso e programas comuns entre os profissionais da cultura e criadores de diversas origens e proveniências, permitindo o desenvolvimento de uma produção cultural diversificada assim como a sua divulgação, com uma nova abrangência social e diálogo intercultural. As redes podem ainda funcionar de forma especializada, agrupadas para gerar intercâmbios de conhecimentos, maior influência, presença e representação junto de organismos públicos. As redes culturais deverão orientar-se para a cooperação aplicada

e inovadora, centrar iniciativas na promoção e diversificação da oferta mediante a criação de ações e produtos que potenciem melhor os recursos, nomeadamente no turismo cultural, de modo a que tenham melhor rentabilização. Estas redes podem ainda assumir o risco de produção no âmbito da criação de cultura contemporânea, contribuindo em parceria com os municípios (que deverão ser os seus principais impulsionadores) para programas de responsabilização social e cultural, criando estratégias locais e regionais, para estimular a criatividade, criação de cidadãos formados e novos públicos. No Algarve ao longo de anos foram interlocutores com os agentes

“ELEMENTOS DA VIDA” Até 25 NOV | Galeria de Artes da Praça do Mar - Quarteira Exposição de pintura de José Capitão-Mor. Artista autodidacta nunca frequentou uma escola de pintura, mas a curiosidade e o gosto levaram-no a experimentar várias técnicas e materiais

culturais, sobretudo as Câmaras Municipais e também a Direção Regional de Cultura, mas o final da primeira década deste século ficou marcado pelo surgimento de redes culturais de iniciativa municipal, como é o caso da Rede de Museus do Algarve, que promove o desenvolvimento de projetos de cooperação (como a premiada exposição conjunta “Algarve, do Reino à Região”) e formação entre museus da região, ações que promoveram uma melhor eficácia dos meios, através da partilha equilibrada dos recursos disponíveis, ou a Rede Movimenta-te, que reúne os cinco municípios que compõe o Algarve Central, que pretende a criação de pontes entre a identi-

dade cultural local e as artes performativas contemporâneas. Ainda será necessário percorrer um grande caminho, através do entendimento entre as instituições públicas e privadas, grupos culturais, associações, criadores e cidadãos. Só através do debate e da cooperação, será possível organizar operações e estratégias para conceção de programas territoriais e ações conjuntas, que impulsionem o desenvolvimento e a diversidade artística, agora mais afetada com a grave crise económica que o País e o Algarve atravessam, evitando assim a estagnação ou mesmo o desaparecimento da “oferta” cultural da região.

“CONCERTO COM TRIO DE CORDAS” Dia 22 NOV | 21.30 | Centro Cultural de Lagos O Trio de Cordas da Academia de Música de Lagos é composto por João Pedro Cunha, em violino; Sunita Mamtani, em violoncelo; e Gina

Grigore, viola d’arco


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Cultura.Sul

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panorâmica

••Museologia

Alcoutim acolhe Encontro Internacional de Profissionais de Museus

O I Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus (ETPM) teve lugar no Castelo de Alcoutim nos passados dias 18 e 19 de Outubro e juntou cerca de 50 profissionais da área da museologia do Algarve e da Andaluzia onde o tema principal foi ‘Museus e Acessibilidades’. O encontro, organizado pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM) e pela Associação de Museólogos e Museógrafos da Andaluzia (AMMA), contou com a colaboração e co-organização da Associação Transfronteiriça Alcoutim Sanlúcar (ATAS), bem como da Direcção Regional de Cultura do Algarve. Os profissionais de museus do Algarve e da Andaluzia utilizaram o encontro com o intuito de conhecer e partilhar as boas práticas que ambas as regiões têm vindo a desenvolver em prol da melhoria dos espaços museológicos de cada lado da fronteira, sobretudo no campo das acessibilidades. Esta temática foi o ponto comum de discussão nas dez palestras realizadas. Dália Paulo, directora regional de Cultura, ouvida pelo POSTAL, sublinhou a importância deste evento enquanto celebração do trabalho realizado durante o ano pelos profissionais de museus de ambas as regiões. A “troca de experiências, perceber as metodologias utilizadas e de que maneira nos podemos entreajudar é o principal propósito deste encontro, assim como definir parcerias entre os museus do Algarve e da Andaluzia para projectos concretos”, observou. Elena Gil, directora da AMMA, em declarações ao POSTAL, falou da “importância de perceber aquilo que está a ser feito de cada lado da fronteira e se nos deparamos com as mesmas dificuldades”. “O objectivo é que o património cultural de ambas as regiões fique acessível a mais gente”, revela esta responsável. Maria Luísa Figueiredo, delegada regional da APOM e membro da ATAS, confirmou ao POSTAL que os objectivos do ETPM “foram concretizados” e considera que “a aproximação permitiu conhecer melhor a realidade museológica de ambos os países através dos testemunhos e imagens trazidos pelos oradores, com os estimulantes contributos lançados durante os momentos de debate”.

Sessão inaugural do encontro Novas tecnologias chamam jovens aos museus Quanto à tríade de acessibilidades discutidas durante o encontro,

Dália Paulo revela a importância das vertentes propostas à discussão no evento e garante que a acessibilidade física é sempre uma preocupação, até porque “a maior parte dos

nossos museus está em edifícios históricos e tem algumas limitações que são necessárias ultrapassar”. Não obstante, esclarece que a acessibilidade aos museus não

fica por ali e reitera a importância da acessibilidade de conteúdos, no sentido de os “trabalhar para o público em geral”, com a comunicação visual a assumir também bastante relevo no sentido de “organizar exposições de forma a chegar a todos os públicos”. As novas tecnologias como ferramentas fundamentais no propósito de melhorar a acessibilidade dos espaços museológicos ao público foi outra vertente explorada pelos especialistas convidados. Elena Gil afirma que “há preocupação com o facto dos jovens não se interessarem por museus” e vê nas novas plataformas como “as redes sociais, as aplicações móveis e as páginas web”, uma forma de os seduzir. Neste campo, também Dália Paulo vê nas novas tecnologias uma forma de chegar a mais públicos, partilhando a opinião de que “se as pessoas não vêm ter connosco, vamos nós ter com elas ao seu quotidiano” e que com as novas plataformas sociais é possível “chamar os jovens aos museus e comunicar com eles fora do respectivo espaço físico”. Finalizado o I Encontro Transfronteiriço vão ser publicadas as actas, cuja responsabilidade fica a cargo da AMMA e está previsto a realização de novo encontro, em 2013, na Andaluzia.

Alcoutim conta cinco mil anos de História Alcoutim enquanto terra de fronteira e apostada em explorar, preservar e partilhar os vários núcleos museológicos que tem para oferecer foi escolhida para receber o I Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus. O Castelo de Alcoutim, local onde decorreu o evento, remonta ao século XIV e aquele que outrora foi mandado construir como defesa de fronteira foi agora palco de partilha entre portugueses e espanhóis. Mas há mais para ver em Alcoutim, que tem sabido conservar importantes testemunhos da presença humana desde a pré-história. Antas e menires neolíticos, achados referentes à actividade mineira, e restos arqueológicos de povoados fortificados tornam o roteiro arqueológico local numa experiência

que atravessa mais de cinco mil anos de história. Francisco Amaral, presidente da Câmara de Alcoutim, disse ao POSTAL estar “muito orgulhoso com a escolha de Alcoutim para receber o encontro” e sublinha que a decisão “premeia a nossa forte aposta na museologia”. O autarca lembra que “o Guadiana é a razão principal para que haja tantos vestígios arqueológicos no concelho” e garante que em Alcoutim se tem “recuperado muito material arqueológico, que tem sido restaurado”, o que obrigou, segundo o edil, a “uma ampliação do Museu de Arqueologia no Verão Menir do Lavajo passado”. No que se refere ao tema das lha a preocupação e garante que acessibilidades aos espaços muse- o seu executivo “tem trabalhado ológicos, Francisco Amaral parti- no sentido de tornar os espaços

museológicos do concelho mais acessíveis do ponto de vista físico e comunicacional”.


Cultura.Sul

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panorâmica

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Ricardo Claro/Pedro Ruas

Museus e acessibilidade em análise O I Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus realizado nos passados dias 19 e 20 de Outubro em Alcoutim juntou cerca de meia centena de profissionais das mais variadas instituições públicas e privadas, e diferentes localizações geográficas, nomeadamente do Algarve, Alentejo e Andaluzia, assim como de várias cidades, como Porto, Lisboa, Madrid, Granada e Sevilha.  Foi num ambiente de partilha de conhecimentos, experiências profissionais e pessoais, de estreitamento de laços de proximidade e amizade entre os participantes de Portugal e Espanha que decorreu este Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus organizado pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM) e pela Associação de Museólogos e Museógrafos da Andaluzia (AMMA) e coorganizado pela Associação Transfronteiriça Alcoutim Sanlúcar (ATAS) e Direcção Regional de Cultura do Algarve. O evento procurou promover a aproximação entre profissionais de Museologia de ambos os lados da fronteira com o objectivo de trocar opiniões, apresentar projectos e dialogar sobre a problemática das acessibilidades na sociedade actual. E foi o que aconteceu durante dois dias distribuídos por duas conferências especializadas e três mesas redondas, muito participadas e com excelente nível de debate por parte de um público altamente especializado. Os oradores foram escolhidos entre alguns dos melhores especialistas nas temáticas da acessibilidade física, acessibilidade virtual e acessibilidade de conteúdos e comunicação pública nos Museus de Portugal e Espanha. As comunicações apresentadas fo-

mico e o Palácio da Galeria de Tavira. Novas pontes para futuros projectos

Comunicação de Pedro Homem de Gouveia, arquitecto da Câmara Municipal de Lisboa ram todas apoiadas por projecção de imagens, o que valorizou e enfatizou uma temática que tem vertentes muito práticas. Três vertentes da acessibilidade A reflexão e problematização sobre os programas de acessibilidades nos museus estiveram presentes na conferência inaugural onde foram partilhadas experiências realizadas, com vários grupos de trabalho, em diferentes locais da Andaluzia. Seguiram-se as mesas redondas, nomeadamente sobre a temática da legislação europeia e conceitos chave sobre acessibilidade física nos museus; a temática de acessibilidade virtual

Interacção com a mesa digital promovida pela M&A Digital

nos museus onde se debateram as redes sociais, projectos de guias virtuais e o acesso online às colecções dos museus; e por último, a temática das acessibilidades de conteúdos e comunicação pública nos museus, cuja apresentação de projectos e visões sobre a problemática de acesso à informação de pessoas com diferentes tipos de incapacidades gerou um interessante debate sobre diferentes experiências e conhecimento de questões sobre desenho de exposições, mensagens acessíveis a todos e sobre as dificuldades que os próprios profissionais enfrentam no dia a dia. A conferência de encerramento incidiu sobre os desafios de trabalhar num ambiente em constante trans-

formação, principalmente quando os museus procuram ser autossustentáveis e acessíveis a todos os públicos. Este I Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus não foi composto só de conferências e debates, realizaram-se também visitas a vários espaços museológicos, onde se puderam constatar algumas das soluções apresentadas para alguns desafios. Sem dúvida que ainda têm de ser trabalhadas muitas das questões debatidas para melhorar as acessibilidades nas três vertentes e alcançar todos os públicos, daí a importância do encontro ter tido visitas a espaços museológicos. Foram visitados o Núcleo de Museológico do Castelo de Alcoutim, o Núcleo Museológico Islâ-

Visita ao Palácio da Galeria em Tavira

Os profissionais de Portugal e Espanha discutiram sobre uma problemática que é idêntica em ambos os países, mas que muitas vezes parece tão distante e diferente. Debatidos os problemas e dificuldades, abriram-se novas perspectivas e novas vias de comunicação entre os museólogos de ambos os países, estes procuram agora novos projectos e colaborações sobre as acessibilidades nos museus. A organização e coorganização consideram que o objectivo foi concretizado, sendo que ficou em aberto a possibilidade de realizar o II Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus, provavelmente do outro lado da fronteira. A concretização deste primeiro encontro numa fase tão complexa a nível social e económico de ambos os países, foi um imenso desafio, mas acima de tudo um prazer observar a partilha de experiências e preocupações. Acreditamos que se criaram novas pontes para futuros projectos em comum. O I Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus contou com o apoio da Câmara Municipal de Alcoutim, da Junta da Andaluzia, com o patrocínio da empresa M&A Digital e da Segafredo e com a colaboração da Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, da Rede Museus do Algarve e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve. Maria Luísa Francisco Delegada Regional da Associação Portuguesa de Museologia


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Cultura.Sul

02.11.2012

momento

“Manif anti-Troika e pela Cultura”

Espaço ALFA

Raúl Grade Coelho

Vice-presidente da Assembleia Geral da ALFA

Existem várias razões que ligam a fotografia à época festiva que se aproxima da maioria dos lares, o nosso conhecido Natal. É uma festa de cariz religioso que assinala o nascimento de Jesus Cristo fazendo a nossa memória recuar no tempo recordando os tempos passados em amena alegria com os familiares e amigos. Ora bem, é precisamente nisso que se insere a fotografia. Fotografar para mais tarde recordar aqueles momentos tão preciosos passados entre as pessoas mais queridas e em paz. Existem também as chamadas compras de Natal e é nessa área que mais uma

O Natal fotográfico vez a fotografia se insere de diversas formas. Há sempre quem tenha a ideia de oferecer uma máquina fotográfica que em poucos momentos passou a ser uma peça fundamental de companhia da pessoa a quem foi oferecida. Aliada também à célebre árvore de Natal onde se colocam os presentes há também as próprias fotografias. Estas são oferecidas na sua maioria em molduras que servem para embelezar a sala onde se coloca a imagem e para sempre servirem de recordação quando as pessoas amigas reparam em tal objecto ilustrativo. Nos tempos de hoje há mais uma coisa que pode ofecerer a si próprio ou a qualquer amigo. Ser membro da ALFA – Associação Livre Fotógrafos do Algarve que lhe permite ter conhecimentos mais aprofundados da máquina fotográfica que ofereceu ou lhe foi oferecida. Contribui assim para dar um colorido especial ao Natal que muitas vezes está conotado com o célebre Pai Natal que no seu espírito alegre oferece a tal máquina fotográfica. Mais magia de Natal em www.alfa.pt.

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Vítor Correia


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Cultura.Sul

02.11.2012

Espaço Educação

Estatuto do Aluno e Ética Escolar: conduta centrada em normas e regras

destaque

O ano letivo 2012-2013 iniciou-se com a entrada em vigor da Lei nº 51/2012, de 5 de Setembro, que aprovou o Estatuto do Aluno e Ética Escolar e estabelece os direitos e deveres do aluno dos ensinos básico e secundário e o compromisso dos pais ou encarregados de educação e dos restantes membros da comunidade educativa na sua educação e formação, revogando a Lei nº 30/2002, de 20 de dezembro, alterada pelas Leis nºs 3/2008, de 18 de janeiro e 39/2012, de 2 de setembro. Altera, ainda, os artigos 26º e 27º do Decreto-Lei nº 301/93, de 31 de Agosto, e considera remetidas para disposições homólogas ou equivalentes do presente Estatuto todas as remissões feitas em legislação anterior para o estatuto do aluno dos Ensinos Básico e Secundário ora revogado. No essencial, a Lei 51/2012 introduz mudanças que vão na direção de um novo equilíbrio entre direitos e responsabilidades e entre o poder dos alunos, dos encarregados de educação e dos professores. Preconiza o reforço da autoridade dos professores e enfatiza os deveres dos discentes e responsabilidades dos encarregados de educação, procurando implementar uma cultura de disciplina, de exigência e de promoção do mérito dos alunos. Trata-se de um documento importante e cujas implicações na vida da escola necessitam e obrigam a análise e debate por toda a comunidade escolar, o que tem estado a acontecer, tendo em vista a adaptação/atualização dos Regulamentos Internos, enquanto instrumentos normativos da autonomia das escolas. O Estatuto do Aluno e Ética Escolar responsabiliza os alunos pelo exercício dos seus direitos (art.º 7º) e pelo cumprimento dos deveres (art.º 10º) e dá enfâse ao respeito pela autoridade do professor e à integridade física e psicológica de todos os membros da comunidade educativa. Adaptado às exigências do mundo atual e com impacto na vida escolar, o Estatuto vem atualizar, em

termos de enunciação, deveres que têm a ver com a não utilização de quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente telemóveis, equipamentos, programas ou aplicações informáticas, a não captação de sons ou imagens nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas, e a não difusão, na escola ou fora dela, nomeadamente, via internet ou através de outros meios de comunicação, de sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do respetivo professor e/ou diretor da escola. Outro dos deveres do aluno é a reparação dos danos por si causados a qualquer membro da comunidade educativa ou em equipamentos ou instalações da escola ou outras onde decorram quaisquer atividades associadas à vida escolar e, não sendo possível ou suficiente a reparação,

indemnizar os lesados relativamente aos prejuízos causados. O novo Estatuto, para além de evidenciar o desenvolvimento dos valores nacionais e a cultura de cidadania, vem garantir os direitos do aluno a beneficiar de medidas adequadas à recuperação de aprendizagens, a usufruir de prémios ou apoios e meios complementares que reconheçam e distingam o mérito, a ver salvaguardada a segurança na escola e a beneficiar, designadamente, da especial proteção consagrada na lei penal para os membros da comunidade escolar. O acesso a medidas adequadas à recuperação das aprendizagens em falta obriga a que as situações de ausência às atividades escolares sejam justificadas, devendo o Regula-

“FORMAS DE TERRA E FOGO” Até 25 NOV | Museu de Portimão Em exposição esculturas de Sara Navarro (re)criadas pela arte do fogo, que transmitem algo de primitivo, pré-histórico ou arqueológico, e evocam a arte e a cultura de outros tempos, de outros lugares

mento Interno da Escola explicitar a tramitação conducente à aceitação da justificação, bem como as consequências do seu eventual incumprimento e os procedimentos a adoptar. A ultrapassagem dos limites de faltas injustificadas constitui violação dos deveres de frequência e assiduidade e obriga o aluno faltoso ao cumprimento de medidas de recuperação e ou corretivas específicas podendo, no caso de incumprimento reiterado, conduzir à aplicação de medidas disciplinares sancionatórias previstas no presente Estatuto. Todas as medidas disciplinares corretivas e sancionatórias prosseguem finalidades pedagógicas, preventivas, dissuasoras e de integração, visando de uma forma sustentada, o cumprimento dos deveres do aluno, o respeito pelos

docentes e demais funcionários, bem como a segurança de toda a comunidade educativa. Devem, pois, estas medidas ser aplicadas em coerência com as necessidades educativas do aluno e com os objetivos da sua educação e formação, por referência ao desenvolvimento do projeto educativo da escola e nos termos do respetivo regulamento interno. Neste sentido, o Estatuto do Aluno e Ética Escolar ao responsabilizar os alunos e corresponsabilizar os encarregados de educação, prevendo inclusive a aplicação de coimas, torna importante que todos o conheçam bem como o Regulamento Interno da escola para que o compromisso, explicitado através de declaração de aceitação anual, contribua para que o cumprimento integral seja assumido de forma consciente e responsável.

“PORTUGAL EUROPEU: MEIO SÉCULO DE HISTÓRIA” Entre 3 e 26 NOV | Galeria de Arte Pintor Samora Barros - Albufeira Exposição reúne um conjunto significativo de imagens de documentos, fotografias de época, citações e referências da história diplomática portuguesa contemporânea


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Contos de Outono na Ria Formosa

A Visita

Pedro Jubilot

pjubilot@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt

São quase três da tarde e há muito barulho no antigo café do centro da cidade onde espero o Jaime. Entretenho-me a ler uma revista do jornal de domingo enquanto ele não vem. Pouco depois chega. Toma uma bica, acende um cigarro lights e diz simplesmente: Vamos?! Vamos visitar os pais como quase todas as quartas à tarde. Também costumo ir sozinho quando me apetece. Acho que ele faz o mesmo. Deixamos os carros estacionados no centro, junto às ruas das lojas e dos cafés. Fazemos o caminho a pé. Porque é perto e porque gostamos de ir assim um ao lado do outro, vagarosamente, conversando. Amanhã é dia um. Deve vir muita gente, comenta o Jaime. Pois. É feriado. É natural. É o dia de Todos-os-Santos e as pessoas gostam dos festejos… dos dias…, vou murmurando. Então e que tal de semana? Não trabalhas hoje, pois não!? Ontem pensei que não me ias ligar, que tivesses ido para Lisboa, Sevilha ou… Não ! Não! Continuas sem ser aumentado… pre-

cisas que te empreste algum? Não!, respondo de novo. Que tens hoje? Estás aborrecido? Apenas sonolência de meio de tarde neste clima esquisito. Foste sair ontem à noite, é o que é, diz sorrindo. Sim. E depois fiquei a ler até quase de manhã, confirmo-lhe. Chegamos ao portão. Já cá estão muitas bancas a vender flores e lamparinas e outras coisas que não sei o que são. Quase nunca trazemos flores. Queres levar flores?

Não! Mas dá qualquer coisa àquele homem ali. Aponto-o com um gesto de cabeça. O homem disse obrigado e mais qualquer coisa que não entendi ao Jaime e continuamos o trajecto até à campa onde estão enterrados juntos. Sentamo-nos numa pedra ali ao lado e cada um de nós deixa-se ficar a falar com eles em silêncio. Às vezes também falamos os dois em voz alta, mas hoje está muita gente em volta. E apenas nos despedimos: Adeus pai! Adeus mãe! Até depois.

Que o meu irmão repete. E vamos embora. Lá fora confesso-lhe: Tive muitas saudades dos dois esta semana, mais do que nunca. O Jaime não responde e passado um bocado pergunta-me se já não ando com aquela rapariga que conheceu há uns meses. Não! Foi trabalhar para Lisboa, informo-o. Queres ir lá jantar hoje? Recuso o convite. Vou jantar fora com o Mário e o Filipe… Então aparece lá amanhã.

Está bem. Depois telefono-te. Ele entra no carro, baixa o vidro automático e dá-me um cd. Eu agradeço enquanto ele liga o motor. Depois diz: Ah! É verdade… a Carla foi hoje ao médico. Vou agora buscá-la. Acha que está grávida. Não temos primos, tios nem avós. Isso acontece. Não estou a divagar, nem a inventar. É de facto assim. Ele tem a mulher com quem vive. São uma família. Eu tenho-o a ele. Mesmo só duas pessoas podem ser uma família.

LUSODOC estreia-se no cine-teatro de Loulé O Cine-Teatro Louletano recebe, entre os próximos dias 15 e 17, a primeira edição da LUSODOC - Mostra de Cinema Documental de Loulé. O cinema realizado nos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é geralmente pouco conhecido em Portugal. Exibido quase sempre fora dos grandes circuitos comerciais, constitui um desafio reflectir acerca da sua importância na sociedade e na memória colectiva. Assim, o principal objetivo desta Mostra de Cinema Documental de Loulé é olhar o filme documentário como uma janela sobre o mundo. Nesta primeira edição vão estar representados o Brasil, Angola e Moçambique. O evento divide-se entre painéis teóricos e de debate promovidos pelos convidados e a posterior exi-

bição de documentários. Assim, no dia 15, pelas 16 horas, acontece o primeiro painel, dedicado ao Brasil, com a presença de Mirian Tavares, coordenadora do CIAC (Centro de Investigação em Artes e Comunicação), e da realizadora brasileira Liliana Sulzbach. Pelas 18 horas é apresentado o documentário “A Invenção da Infância” e, pelas 21.30 horas, “O Cárcere e a Rua”, ambos desta realizadora. Na sexta-feira, 16 de Novembro, o destaque vai para Moçambique. Às 16 horas, Sílvia Vieira, investigadora do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) do Algarve, e Pedro Pimenta, que para além de outras funções na sétima arte é actualmente membro do júri de festivais internacionais como o FESPACO, o FilmRio, o Festival Cinéma du Réel

e DocsLisboa, apresentam um painel de debate. Às18 e 21.30 horas, vão ser apresentados, respetivamente os documentários moçambicanos “Salani”, de Isabel Noronha e Vivian Altman, e “Hóspedes da Noite”, de

Licínio Azevedo. No encerramento da LUSODOC, a 17 de Novembro, o dia é dedicado a Angola. Paulo Cunha, investigador da área da programação de Cinema e Audiovisual da Capital Europeia da

Cultura 2012, e o realizador angolano, Kiluanje Liberdade, são os apresentadores do painel, que decorre a partir das 16 horas. “Oxalá Cresçam Pitangas”, documentário de Kiluanje Liberdade e Ondjaki, e “A Minha Banda e Eu”, também de Kiluanje Liberdade, serão exibidos às 18 e 21.30 horas. Para a organização, esta Mostra reveste-se de grande importância para a Lusofonia, bem como para a projecção do cinema dos países de língua oficial portuguesa, servindo como mais um exemplo dos laços culturais que unem estes países. Os bilhetes para os documentários têm um custo de dois euros e a entrada é livre para estudantes, mediante a apresentação de cartão de estudante. Os painéis de debate têm entrada livre.


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livro

«Existe no meio do tempo a possibilidade de uma ilha» Adriana Nogueira

Classicista Professora da Universidade do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

A literatura é tão mais interessante quanto a capacidade que tem de nos fazer ver a realidade, que pensávamos conhecida e confortável, de outra forma, por vezes bem inquietante. Falo hoje de um livro que, sem me dar conta, despertou-me para uma situação em que já tinha reparado, mas não tinha tomado consciência com tanta intensidade. Já explico mais adiante, pois ainda não apresentei o autor, Michel Houellebecq, francês, com uma longa obra, de onde se destaca a poesia, os artigos, os contos, os argumentos de cinema e os seus 5 romances, três deles premiados. Em 2010 ganhou o Goncourt, o mais importante galardão da língua francesa. No entanto, Michel Houellebecq cria polémica à sua volta, de cada vez que publica, pois a sua causticidade incomoda, não deixando ninguém indiferente às suas opiniões. O(s) Futuro(s) No romance A possibilidade de uma ilha (de 2005, traduzido e publicado pela Dom Quixote em 2006) também o leitor não consegue ficar indiferente à perspetiva de futuro que nos apresenta Houellebecq: o romance intercala a narrativa de Daniel, um humorista, «um observador acerbo da realidade contemporânea», que conta a história da sua vida, com as narrativas dos seus clones Daniel 24 e Daniel 25, que vivem mais de mil anos depois, num mundo de neo-humanos, que dos humanos guardaram as memórias mas não as emoções. Apenas os clones dos animais (aqui um cão, chamado Fox) as mantêm: «A bondade, a compaixão, a fidelidade, o altruísmo permanecem, pois, perto de nós como mistérios impenetráveis, embora contidos no espaço limitado do invólucro corporal de um cão» (p.67). Porém, estes clones aguardam o advento dos Futuros, de quem falam como a salvação da raça. O mundo onde estes clones habitam é também povoado por selvagens, humanos que não se deixaram clonar, e são caçados e mortos quando apanhados. Contudo, para alguns neo-humanos exercem um grande fascínio… mas sobre isto não posso escrever, pois não devo estragar o prazer da vossa leitura. Regressando à estrutura da obra:

pode parecer um livro de ficção científica (um género de que ainda não falei nestas páginas), mas não me lembraria de assim o classificar. Talvez porque as narrativas dos clones, ao longo das primeiras 352 páginas, serem mínimas: duas ou três contrastando com cada capítulo do Daniel 1, alguns com 40 páginas. A realidade dos nossos dias é mostrada pelos clones de uma maneira assustadora. Referindo-se à vaga de calor que matou muitas pessoas em França, em 2003, diz Daniel 24: «Nas semanas que se seguiram, este mesmo jornal [Libération] publicou uma série de reportagens atrozes, ilustradas por fotografias dignas dos campos de concentração, relatando a agonia dos velhos amontoados em salas comuns, nus em cima das camas, de fraldas, gemendo ao longo do dia sem que ninguém fosse re-hidratá-los ou estender-lhe um copo de água (…). “Cenas indignas de um país moderno”, escrevia o jornalista, sem se aperceber de que elas eram a prova, justamente, de que a França estava a tornar-se num país moderno, de que só um país autenticamente moderno seria capaz de tratar os velhos como puros dejetos, e que tamanho desprezo pelos antepassados teria sido inconcebível em África ou num país da Ásia tradicional. A enérgica indignação suscitada por estas imagens desapareceu rapidamente, e o desenvolvimento da eutanásia provocada – ou, cada vez com mais frequência, livremente consentida – viria, ao longo das décadas que se seguiram, resolver o problema». (p.78) O narrador aborda outros assuntos sensíveis do nosso mundo: para além da eutanásia ou falência da sociedade em cuidar dos seus mais velhos, como aqui mencionado, o sexo e a religião são outras matérias que ele trata sem tabus e com alguma violência. Uma seita que defende que fomos criados por extraterrestres faz tudo, sem escrúpulos de alguma espécie, para conseguir impor-se como a religião dominante. Daniel, na verdade, não é uma personagem muito simpática: egoísta, sem grande consideração pelas pessoas, cru, defensor de ideias indefensáveis, politicamente muito pouco correto… Porém, se conseguirmos ultrapassar a eventual resistência que estas características nos possam provocar, vamos conseguir ver nele um crítico mordaz da hipocrisia da sociedade, que narra os acontecimentos e sentimentos da sua vida de um modo sincero e sem falsas autocomiserações.

O escritor francês Michel Houellebecq Lolitas Mas o que me fez escolher este livro para este mês foi uma série de factos que se sucederam e que para ele convergiram. Passo a explicar: Como optei, há muitos anos, por não ter televisão, sempre que alguma circunstância mo permite, vejo os canais com curiosidade. A distância temporal dá-me também distância de análise. Foi assim que, num quarto de hotel, a fazer as malas no regresso de um colóquio, vejo num programa da manhã uma senhora a fazer sugestões de adereços para esta estação do ano. Expressões como «que divertido!», «que engraçado!», «não são só as nossas filhas que podem usar! Nós também!», enquanto mostrava protetores de orelhas «muito fofinhos!», óculos cor-de-rosa, em forma de coração, «muito divertidos!», gorros com olhinhos e orelhinhas, os quais a apresentadora ia colocando, com visível gozo, e perguntando: «mas isto não é para a nossa idade, pois não?». A outra insistia: «Por que não? Nós também podemos usar estas coisas! São muito divertidas!», enquanto lolitas iam entrando, com saltos altíssimos desconjuntados nos seus corpos quase infantis, mostrando esses adereços por cima de roupas pretas coladas ao corpo. Fez-se um clique. Eu sabia que já tinha lido uma descrição daquilo a que estava a assistir. «Michel Houellebecq!», teria eu gritado, se estives-

se alguém comigo para me ouvir. E apressei-me a apanhar um transporte para casa, para verificar no livro o texto exato. Na viagem, a CP gentilmente ofereceu-me uma revista cor-de-rosa, que fui folheando, cheia de gente a posar para as câmaras, depois de galas e outras festas. E é nesse momento que me salta à vista uma modelo, vestida por um estilista português, de calção curtíssimo, blusa com folhos, e uns brincos enormes, com uns ursinhos ou um bonequinho do género! «Houellebecq! Preciso de ler o Houellebecq!» Numa outra folha, depois de anúncios de cremes que fazem uma senhora de 60 parecer 35 anos, está uma mãe de cabedal preto a modelar o corpo, e a filha a contrastar, vestida como uma adulta séria. Noutra página, depois de anúncios de mais cremes de rejuvenescimento, uma mãe que dizia que a filha era mais clássica do que ela, que gosta de roupa juvenil. Horas depois cheguei a casa, fui à estante e abri A possibilidade de uma ilha. Felizmente tinha uma ideia de onde estava o que procurava. Isabelle, que vem a casar com Daniel, era chefe de redação de uma revista chamada Lolita e já tinha dirigido uma outra chamada 20 Ans. Quando se conhecem, falam sobre esta e outras revistas, inclusive masculinas. Mas a questão que se punha era a mesma: «cuidados a ter com o corpo, tratamentos de beleza, tendên-

cias. Nem um pelo de cultura, nem um grama de atualidade; nenhum humor» (p. 34). E Isabelle conta como foi contratada, por um milionário discreto, dos que mandam mas não aparecem nas revistas que dominam: «a 20 Ans era uma revista comprada essencialmente por raparigas de quinze, dezasseis anos, que queriam mostrar-se à vontade em tudo, em particular no sexo; com Lolita, ele pretendia efetuar o desfasamento inverso. “O nosso alvo começa aos dez anos… disse ele; mas não há um limite superior”. Apostava no facto de que as mães tenderiam cada vez mais a copiar as filhas. Como é evidente, há qualquer coisa de ridículo numa mulher de trinta anos que compra uma revista chamada Lolita; mas não mais do que um top justo ao corpo, ou uns mini-shorts. Apostava no facto de que o sentimento de ridículo, que fora tão forte entre as mulheres, em particular entre as francesas, desapareceria aos poucos, em benefício do puro fascínio por uma juventude sem limites. O mínimo que se pode dizer é que ganhou a aposta. A idade média das nossas leitoras é de vinte e oito anos – e aumenta praticamente todos os meses. (…) É natural que as pessoas sintam medo de envelhecer, sobretudo as mulheres, sempre assim foi, mas agora… Ultrapassam tudo o que se possa imaginar; creio que enlouqueceram por completo». Não é ficção.


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património

••Vivências no algarve - património cultural imaterial

A Festa da Pinha, uma manifestação do património imaterial de Estoi

Fernanda Zacarias Antropóloga

As festas populares fazem parte da especificidade cultural das comunidades, representam manifestos das suas vivências, usos e costumes, transmitidos de geração em geração e são recriadas ao longo dos tempos por essas mesmas comunidades. Todos os anos, nos dias 2 e 3 de Maio, na Aldeia de Estoi, no Concelho de Faro, é celebrada a Festa da Pinha, uma tradição secular, que segundo fontes orais remonta a mais de dois séculos. Na sua génese podemos encontrar uma vertente religiosa e outra de carácter pagão. A Génese Terão sido os almocreves, parceiros comerciais do Morgado do Ludo, os prenunciadores desta festa. As viagens dos almocreves efetuadas por caminhos hostis e perigosos tinham como meio de transporte as carroças puxadas por mulas ou cavalos e eram efetuadas entre o Algarve e o Alentejo, tendo como finalidade a permuta de produtos regionais. Do Algarve levavam frutos secos (figos, alfarroba e amêndoa), peixe e produtos importados que chegavam via marítima aos portos do Algarve. Do Alentejo traziam cereais e cortiça. Aquando destas viagens, eram confrontados com inúmeros obstáculos que punham em risco as suas vidas:

Cavaleiros trajados a rigor desfilam pelas ruas de Estoi Salteadores e lobos eram alguns dos perigos com que muitas vezes se deparavam. Segundo rezam os mais antigos, a génese da festa remonta a tempos imemoriais, quando um grupo de almocreves numa das suas viagens de regresso à aldeia pernoitou num acampamento, sendo aqui cercados por uma alcateia de lobos. Desesperados, rezaram à Nossa Senhora do Pé da Cruz suplicando-lhe auxílio, o que para eles seria um milagre. A súplica foi atendida e em agradecimento concretizaram uma festa em homenagem a Nossa Senhora do Pé da Cruz, a cuja ermida chegaram já noite cerrada à luz de archotes. Aí, acenderam uma fogueira como forma de gratidão para com a sua padroeira. Desde então, a festa passou a fazer parte de uma tradição que perdura até aos dias de hoje. Era para o Ludo, lugar onde havia

um importante porto marítimo designado de Farrobilhas, que os almocreves se deslocavam para acertar contas com o Morgado do Ludo e festejavam o sucesso das transações, comendo, bebendo e divertindo-se através das abarcas, lutas efetuadas entre duas pessoas em que o vencedor era aquele que primeiro conseguisse derrubar o outro. Ao cair da noite, cumprindo a tradição, regressavam à aldeia empunhando enormes tochas de rama de pinheiro acesas. O cortejo terminava junto à Ermida do Pé da Cruz, onde faziam uma enorme fogueira em agradecimento à sua padroeira. A organização social da festa A festa que inicialmente era executada pelos almocreves, passou em tempos mais recentes a ser organizada, primeiramente por uma comissão

destaque

“DEUSAS PAGÃS E OUTRAS”

Até 24 NOV | Galeria Municipal de Albufeira Exposição de pintura de Carmen Santos que surgiu de uma vontade de honrar e glorificar o elemento feminino da criação

constituída propositadamente para o efeito, após o 25 de Abril, pela Associação dos Jograis António Aleixo e posteriormente, pela Junta de Freguesia de Estoi. A Festa da Pinha é um acontecimento que marca fortemente o sentimento de pertença desta comunidade às suas tradições. Nos dias que antecedem o evento, começam os preparativos: a ornamentação dos carros e dos animais que irão fazer parte do cortejo, com palmas e flores vistosas e multicolores, em que prima a originalidade de cada um. Ao mesmo tempo, preparam-se os comes e bebes que irão fazer parte do piquenique que terá lugar no sítio do Ludo em Almancil. A festa inicia-se pela manhã do dia 2 de Maio, no Largo do Mercado, com a concentração dos participantes do desfile formado pelos cavaleiros tra-

jados a rigor (calça preta, cinta preta ou vermelha, colete, camisa branca, lenço vermelho ao pescoço e chapéu preto) à frente e atrás, por carroças, camiões e tratores vistosamente decorados, que desfilam para o público, gritando entusiasticamente: “Viva à Pinha!”. Em seguida, partem em direção ao Ludo, local onde se irá realizar o piquenique, formado por diversas iguarias e bebidas e um convívio animado por espetáculos de música e dança. É ao final do dia que se inicia o regresso à aldeia. Nesta altura, já bastante alegres e empunhando enormes archotes, partem em direção a Estoi, chegando já noite cerrada. No Largo da Liberdade, frente à igreja matriz, são recebidos por uma enorme multidão e por um espetáculo composto por música e fogo-de-artifício. Em seguida, desfilam pela aldeia dando “Vivas à Pinha”, até à Ermida do Pé da Cruz, onde lançam os archotes e alecrim para uma fogueira acendida em homenagem à sua padroeira. A festa continua com música, dança e muita alegria até de madrugada, terminando no dia 3 de Maio, dia de Vera Cruz, com uma missa de Ação de Graças a Nossa Senhora do Pé da Cruz. A festa como promotora de novos contextos sociais, económicos e culturais Um dos eventos culturais associados à Festa da Pinha desde finais da década de 60 do século XX, é o concurso dos jogos florais, um concurso dedicado à poesia, composto por modalidades diversas dentro desta temática. A festa também serviu de motivação para o aparecimento recente de um mercado de produtos regionais e artesanais, permitindo desta forma, dinamizar mais a freguesia, a nível social cultural e económico. Promover e preservar a tradição no contexto das gerações mais jovens deu origem a um novo evento festivo: A “Festa da Pinha Infantil”, uma recriação recente da festa tradicional, que se efetua habitualmente no dia 25 de Abril e onde as crianças são os intervenientes.

“ORQUESTRA DE SOPROS DO ALGARVE” Dia 24 NOV | 21.30 | Centro Cultural de Lagos Concerto junta a Orquestra de Sopros do Algarve ao conhecido músico algarvio Beto Kalulu.


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Espaço Cultura

Ser mais acessível O auditório do Castelo da vila fronteiriça de Alcoutim acolheu nos passados dias 19 e 20 de Outubro mais de meia centena de profissionais, portugueses e espanhóis, que, durante duas jornadas de intensa troca de experiências e de apresentação de projetos inovadores, debateram sobre Museus e Acessibilidades – o tema do 1.º Encontro Transfronteiriço de Profissionais de Museus do Algarve e Andaluzia. O Encontro, uma iniciativa conjunta da AMMA / Asociación de Museólogos y Museógrafos de Andalucía e da APOM / Associação Portuguesa de Museologia, contou com o patrocínio da ATAS / Associação Transfronteiriça Alcoutim Sanlúcar e da Direção Regional de Cultura do Algarve, e teve um amplo apoio do Município de Alcoutim. Os temas em debate dizem respeito a toda a so-

«A vila fronteiriça de Alcoutim acolheu durante dois dias mais de meia centena de profissionais dos museus, que debateram entre si como tornar estas instituições mais acessíveis, adequando as atenções dispensados aos diferentes tipos de utentes e elevando o nível dos serviços prestados à sociedade. ciedade e envolvem a mais ampla gama de museus e de monumentos visitáveis: a superação das barreiras físicas (particularmente em edifícios históricos com um elevado grau de proteção); as tecnologias de informação e comunicação como fator decisivo para que as pessoas portadoras de deficiência possam desenvolver-se social e culturalmente com total normalidade; e, ainda, as formas de comunicar com os diferentes utentes, prestando do modo mais adequado

a cada caso a informação que cada qual requer. A presença de credenciados técnicos, todos eles com uma larga e diversificada experiência, que exercem a sua atividade nos museus nos domínios da museologia e da museografia, de académicos, docentes e investigadores da ciência dos museus, e de estudantes de museologia, permitiu uma multifacetada abordagem dos temas em discussão e enriqueceu os debates, mais centrados na preocupação com as pessoas

e na sustentabilidade das soluções do que em propostas tecnicamente sofisticadas e desajustadas dos meios usualmente disponíveis. O Encontro integrou ainda visitas comentadas ao Núcleo de Arqueologia do Museu de Alcoutim e, por cortesia do Município de Tavira, ao Palácio da Galeria / Museu da Cidade e ao Núcleo Islâmico do Museu Municipal de Tavira. Direção Regional de Cultura do Algarve

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