Portuguese Cycling Magazine | Guia Volta ao Algarve 2014

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FOTOS: Jo達o Fonseca, voltaaoalgarve.com


GUIA VOLTA AO ALGARVE 2014

ÍNDICE 3 APRESENTAÇÃO 4 PERCURSO 7 STARTLIST 12 FAVORITOS 13 OUTROS FAVORITOS 14 SPRINTERS 15 ENTREVISTA COM TIAGO MACHADO 16 O “ESCARABAJO” DA CAJA RURAL 17 QUEM SÃO ESTES ÁRABES? 18 RELEMBRAR 2013 19 AGRADECIMENTOS

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ACOMPANHA A PAR E PASSO EM PCM-PORTUGAL.COM

FOTO: voltaaoalgarve.com

ESTÁ AÍ MAIS UMA “ALGARVIA” Luís Pinto Chegou a Volta ao Algarve! A 40ª edição da Algarvia irá ser corrida entre os próximos dias 19 e 23 de Fevereiro e depois de ter coroado vencedores como Tony Martin e Richie Porte, é altura de eleger o novo Rei do Algarve! A Volta ao Algarve teve a sua primeira edição em 1960, sofrendo depois um hiato entre 1962 e 1976, sendo que desde 1977 a prova decorre sem interrupções chegando à incrível marca de 40 edições, numa prova que já coroou homens como Alberto Contador, Tony Martin e Richie Porte! Agora é hora de definir um novo rei nas estradas algarvias, um rei que terá de enfrentar cinco dias de competição com o principal palco a ser o já habitual Alto do Malhão, um local que já viu grandes nomes do ciclismo mundial a levantar os braços em sinal da sua vitória. Esta 40ª edição tem uma lista de inscritos com grandes nomes, que prometem espetáculo e, como principal bónus, contará com a presença do atual campeão mundial, de

nacionalidade portuguesa, Rui Costa! Aliado a Alberto Contador, Tony Martin, Mark Cavendish e outros nomes presentes, estão todos os ingredientes reunidos para presenciarmos uma das melhores edições sempre da prova algarvia, a mais mediática prova portuguesa de ciclismo!

A Amarela é a camisola mais desejado no começo de mais uma edição da Volta ao Algarve.

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PERCURSO Davide Gomes A Volta ao Algarve deste ano aparece com um percurso renovado e que promete trazer mais incerteza quanto ao vencedor final. Um contrarrelógio mais curto que o habitual, uma etapa com quase 200km e várias subidas complicadas e o habitual final no Malhão são os ingredientes decisivos para a geral. A abrir e a fechar teremos chegadas que se esperam em pelotão compacto e onde os sprinters poderão mostrar toda a sua força e potência na discussão das etapas. A cidade de Monchique também está de volta à “Algarvia”, que não contava que uma chegada desde 2002 quando a etapa rainha terminou na Foia, o ponto mais alto do Algarve, e logo com uma etapa que promete fazer estrago com sobe e desce na serra antes de chegarmos ao final. O contrarrelógio este ano foi encurtado e colocado antes da etapa do Malhão e será menos preponderante na geral final, ao contrário da edição anterior onde Tony Martin decidiu a vitória da corrida a seu favor ganhando o CR com mais de um minuto de vantagem para o segundo classificado. O Malhão volta a ser o ponto alto da corrida mas desta vez será a ultima oportunidade dos corredores mexerem na corrida e levarem a vitória para casa, é de esperar uma etapa espetacular neste dia, um sábado em que a estrada promete encher.

1ªEtapa - 19 de Fevereiro - Faro » Albufeira - 160 km

A 1ª etapa marca uma chegada que já é um hábito vermos na Volta ao Algarve na cidade de Albufeira. Apesar de à primeira vista o parecer uma etapa feita para os sprinters este final já revelou ser muito matreiro. Com uma pequena rampa na entrada do último quilômetro e um depois um final em ligeira descida para a meta já vimos as “surpresas” por parte dos “punchers” sucederem-se neste local como foram os casos das vitórias de Benoit Vaugrenad em 2010, Phillipe Gilbert em 2011 ou Paul Martens no ano passado. Será por isso prever extremo cuidado por parte dos sprinters e das suas equipas na abordagem a esta chegada, porque não pode ser dado muito espaço a possíveis ataques no final que devido às caraterísticas da chegada serão muito difíceis de anular. A nossa aposta: Sacha Modolo

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2ªEtapa - 20 de Fevereiro - Lagoa » Monchique - 196 km

A 2ª tirada da prova será a mais longa da prova com um total de 196 km. O tiro de partida será dado em Lagoa e a chegada acontecerá em Monchique depois de os corredores terem deixado atrás de si duas contagens de 3ª categoria, uma das quais a 6 km da meta e que poderá deixar em apuros quem não aparecer bem colocado na sua abordagem. Será a aqui que veremos acontecer a primeira seleção dos homens que estarão na discussão da vitória final. A nossa aposta: Rui Costa

3ªEtapa - 21 de Fevereiro - Vila do Bispo » Sagres - 13,6 km

Ao terceiro dia os corredores disputam uma das etapas decisivas da corrida, o contrarrelógio que liga Vila do Bispo a Sagres, com a final a acontecer junto da Fortaleza desta cidade. Mais curta que o habitual, a luta contra o cronómetro não será tão decisiva na geral final como nos anos anteriores, mas deixando a corrida lançada para a sua discussão no Alto do Malhão. A nossa aposta: Tony Martin

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4ªEtapa - 22 de Fevereiro – Almodôvar » Alto do Malhão - 164,5 km

Esta será a etapa rainha da prova, o tiro de partida é dado em Almodôvar no Alentejo e a chegada na famosa subida do Malhão em Loulé. A escalada apesar de curta (2,5 km) é duríssima com 10% de média e promete medir quem é o trepador mais forte em prova. No entanto este ano aparece no percurso uma contagem de 3ª categoria pouco antes do Malhão que promete deixar muitas pernas doridas com apenas um quilômetro mas 13% de inclinação média. Não há margem para dúvidas esta será a etapa decisiva da edição deste ano. A nossa aposta: Alberto Contador

5ªEtapa - 23 de Fevereiro - Tavira » Vilamoura - 155,8 km

Vilamoura acolhe a etapa conclusiva da “Algarvia” 2014 com um circuito final de 5 voltas ao estilo dos Campos Elísios no Tour. Os sprinters terão a oportunidade de fechar com chave de ouro a sua participação discutindo entre si a chegada no encerramento de mais uma Volta ao Algarve. A nossa aposta: Arnaud Demare

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STARTLIST

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FAVORITOS

O espanhol da Tinkoff - Saxo dá início à sua temporada de 2014 no Algarve, depois de dois anos afastado da prova portuguesa, em 2012 devido a suspensão e em 2013 optou por participar na Volta a Omã. Depois de um ano de 2013 abaixo do esperado, onde apenas conseguiu vencer uma etapa no início da temporada no Tour de San Luís e falhou a presença no pódio do Tour (o que lhe valeu muitas palavras amargas por parte de Oleg Tinkov) “El Pistolero” volta à prova onde já foi muito feliz, tendo chegado ao título em 2009 e 2010. Sendo em teoria o melhor trepador em prova (e por isso a nossa aposta para vencer no Malhão) já sabemos que onde está presente Alberto quer dar espetáculo e no Algarve não será certamente excepção. Com uma equipa recheada de homens de confiança tentará defender-se no contrarrelógio para dinamitar a corrida no Alto do Malhão e arrebatar o 3ª título em terras do Algarve.

O germânico é o atual detentor do cetro da prova Algarvia e tal como Contador tentará juntar mais uma vitória às duas que já tem no seu palmarés. O corredor da Omega apresentase aqui depois de já ter corrido a Volta ao Dubai, prova onde acabou no 4º lugar. Não há dúvidas que é o melhor contrarrelogista em prova, como provam as três camisolas arco-íris consecutivas na disciplina, mas a dúvida é se a luta contra o cronômetro será tão decisiva na geral final da corrida como foi em anos anteriores. Martin terá de abrir uma diferença confortável para partir para etapa do Malhão na liderança e conseguir defender-se dos ataques dos trepadores. E não podemos esquecer a etapa de Monchique onde o alemão terá evitar perder tempo, porque qualquer segundo pode ser para chegar à vitória.

A par de Alberto Contador e de Tony Martin, o nosso campeão do mundo, Rui Costa aparece também como um dos favoritos a conquistar a 40ª edição da Algarvia. Tal como Martin, o homem da Lampre também correu no Dubai, onde acabou em 15º lugar na geral, e ainda em Maiorca onde participou em duas das quatro corridas tendo uma prestação mais modesta, com um 20º e um 18º lugar. Rui continua ainda à procura do sucesso no Algarve tendo alcançado nos dois últimos anos o 5º lugar e levou também para casa a camisola de melhor português. Com exibições sempre consistentes no Alto do Malhão o contrarrelógio tendo sido o calcanhar de Aquiles do campeão do mundo e que o tem impedido de chegar mais longe na geral, mas este ano a situação é diferente com um contrarrelógio mais curto é provável que chegue ao Malhão ainda com fortes possibilidades de atacar a vitória. Não podemos esquecer também a etapa de Monchique (apontamos o Rui como o mais forte candidato a vencer) onde pode fazer a diferença tendo em conta que é dos trepadores que melhor finaliza em grupos pequenos.

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OUTROS FAVORITOS Existem ainda outros nomes que podem ser apontados à vitória para além dos referidos anteriormente, uma lista muito longa de homens que beneficiam com as diferentes vertentes da prova, seja o contrarrelógio, o final a subir no Malhão ou a etapa de Monchique.

Michal Kwiatkowski, segundo classificado do ano passado aparece aqui já em boa forma depois de ter vencido o Trofeo Serra Tramuntana com uma exibição de classe a subir e que rematou com um excelente ataque a poucos quilômetros da meta, tendo depois rolado num ritmo forte até à meta não dando a mínima hipóteses aos seus adversários. 11º Classificado no Tour de France deste ano mostrou que as longas subidas ainda não são o seu forte, mas numa subida curta e explosiva como o Malhão parece-nos que estará à vontade para acompanhar os melhores. No contrarrelógio é sem dúvida um dos mais fortes candidatos à vitória final e pode logo aí abrir um espaço importante para os seus adversários. É claramente um dos fortes candidatos à vitória final e poderia claramente estar juntos dos três homens anteriormente referidos.

Foto de OPQS: Kwiatkowski venceu em Maiorca

A Katusha, comandada pelo português José Azevedo, apresenta em Portugal também uma equipa muito forte e com o Simon Spilak à cabeça. No ano passado o esloveno teve uma primeira fase da época verdadeiramente fascinante, tendo sido 4º na Volta à Andaluzia, 6º no Paris-Nice, 1º no GP Miguel Indurain, 4º na Volta ao Pais Basco, 2º na Volta à Romandia (onde venceu a etapa rainha) e o nono na Volta a Suiça, no entanto ficou fora das escolhas da equipa russa para as Grandes Voltas. Adapta-se bem quer ao terreno montanhoso, quer ao contrarrelógio, a questão é mesmo se estará na melhor forma para atacar a prova Algarvia. Para além de Rui Costa, também a dupla portuguesa da Net-App Endura, Tiago Machado e José Mendes podem ser estar na discussão da vitória final. Esta é por norma uma corrida onde Tiago Machado anda com os melhores, tendo sido nos últimos anos o português que mais perto esteve da vitória, ao alcançar o terceiro lugar na edição de 2010. A mudança de ares para a equipa alemã deixou o minhoto com um novo ânimo e motivação para atacar a nova época, num conjunto onde assuma uma posição destaque. Também José Mendes é um lusitano

que assume um lugar importante nos alemães tendo em 2012 mostrando uma postura de forte combatividade na Volta à Espanha onde procura insistentemente a vitória numa etapa, que infelizmente acabou por não alcançar tendo tido como melhor lugar uma sétima posição no Angliru. A jovem estrela holandesa, Wilco Kelderman tem aqui no Algarve também um teste às suas capacidades para liderar a Belkin. O seu objetivo para a época de 2014 passa pela Volta a Itália. Apenas com 22 anos já mostrou que capacidades não lhe faltam especialmente no contrarrelógio, não fosse natural da Holanda, uma terra de roladores fortes. Em 2012 na sua primeira época no World Tour ao serviço da Rabonank deu logo nas vistas com o 7º lugar na Volta à Califórnia e o 8º no Critério do Dauphiné. No ano passado os seus melhores resultados foram a vitória na Volta à Dinamarca, o 5º lugar na Volta à Romandia e o 7º no Eneco Tour, resultados que demonstram que estamos perante um corredor muito versátil. De destacar ainda homens que aparecem numa segunda linha de favoritos como são os casos de Jonathan Castroviejo, Rafal Majka, Rein Taaramae, Sergey Chernetckii, Jan Barta, Thomas Voeckler ou Sergey Lagutin.

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OS SPRINTERS Relativamente aos sprinters, esta Volta ao Algarve está bem servida: Mark Cavendish, Arnaud Démare, Sacha Modolo, Juan José Lobato, Bryan Coquard, Alessandro Petacchi, Mark Renshaw e depois existem ciclistas que podem surpreender, algo que aconteceu o ano passado quando o Paul Martens venceu uma etapa que era ideal para a vitória de um dos homens rápidos do pelotão.

concorrência aumentar.

começa

a

rumou para turma de Unzué. Em 2014 já demonstrou alguns resultados interessantes, principalmente na Volta ao Dubai, onde fez um 2º e um 4º lugar em etapas. Contará com a ajuda de José Joaquin Rojas, que não deverá ser o sprinter principal visto que vem de uma

Quanto ao Arnaud Démare, é um nome francês em afirmação, um campeão mundial em sub23 e que espera que este ano seja finalmente o ano em que fica com o seu nome marcado em definitivo no pelotão mundial e nada melhor do que começar a fazêlo no Algarve, onde irá ter concorrência forte. Um outro nome francês que está a ter um Tal como aconteceu o ano excelente início de temporada passado, é de prever que os já com várias vitórias é Bryan homens mais rápidos do Coquard da Europcar que pelotão apenas tenham promete nos próximos anos hipótese de brilhar na primeira e lutar por um lugar entre os na última etapa, sendo que os sprinters de topo, Foto de Team Lampre Merida: Modolo já venceu olhos vão estar todos centrados demonstrando que a nova três etapas este ano num só homem: Mark geração de franceses vem Cavendish! É o atual campeão com fome de vitórias e o lesão contraída na Austrália. britânico, um ex-campeão Algarve pode ser o paraíso Agora surgem dois nomes mundial, vencedor de 43 para dois dos franceses mais interessantes, Alessandro rápidos do pelotão mundial. etapas em Grandes Voltas e Petacchi e Mark Renshaw, que ainda vencedor da camisola Relativamente ao Sacha devem vir ao Algarve com da regularidade nas três Modolo, é um outro ciclista que funções de serem lançadores provas! É um sprinter que está a ter um grande início de do Mark Cavendish mas que, dispensa apresentações e, temporada, já com várias em caso de falha deste, têm depois de ser apontados por vitórias e a mudança para a perfeita capacidade de muitos como o melhor sprinter equipa da Lampre mostrou-se lutarem pela vitória e de sempre, quererá voltar a uma aposta acertada! Apesar surpreender os restantes mostrar merecer esse estatuto da sua equipa não vir ao sprinters que estejam à espera já na prova algarvia, numa Algarve com uma formação de ver o britânico a levantar os altura em que a sua construída só à sua volta, a braços. verdade é que pode contar No entanto, há que estar com o Roberto Ferrari e o sempre atento a possíveis Maximiliano Richeze para o surpresas, como são os casos levarem nas melhores de Roberto Ferrari, Maximiliano condições às chegadas Richeze Danilo Napolitano, compactas. Lucas Haedo, Edgar Pinto e A equipa espanhola da Adrien Petit que estarão Movistar traz ao Algarve Juan atentos a qualquer descuido José Lobato que, depois de dos seus adversários para Cavendish apareceu neste início da época com uma temporada de 2013 tentarem levar de vencida uma peso a mais, que o tem deixado longe do onde fez a sua estreia no das etapas desta 40ª Volta ao caminho das vitórias World Tour na extinta Euskaltel Algarve!

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ENTREVISTA COM TIAGO MACHADO Cristiano Teixeira fiquei privado de poder participar na nossa Grandíssima e assim correr na Algarvia acho que é de certa forma uma maneira de agradecer aos portugueses o apoio que eles me transmitem ao longo do ano. 3-Terminaste já por 6 vezes nos 6 primeiros nesta corrida. Será este o ano que chegas ao lugar mais alto do pódio?

1-Começaste a época a semana passada no Challenge de Maiorca. Os resultados foram os esperados? A condição física é a que querias neste momento? Os resultados valem o que valem. Não foi o que queria mas também não está longe de o ser. Subi ao pódio, é bom, uma classificação secundária, mas tendo em conta os valores que tenho tido nos treinos acho que estou numa boa condição física. Só que, agora que foram as primeiras competições haviam ciclistas que já estavam mais rodados. Agora no Algarve a história vai ser outra certamente. 2-Vais para o 10º ano de profissional e 10ª participação na Algarvia. Esta é uma corrida fundamental na preparação? A par da Volta a Portugal é a corrida que mais gosto em Portugal, de uns anos para cá e de ter ido para o estrangeiro

O sonho comanda a vida mas estou ciente que há aí ciclistas com mais argumentos do que eu mas se estive na discussão da prova estes anos todos poderei também estar este ano e quem sabe com um pouco mais de sorte do meu lado talvez consiga dar a volta ao contexto. Sei das dificuldades que vou ter e acredito que é possível, agora não vou sair daqui já derrotado, longe disso. Sei é que pensar pelo menos estar na discussão da prova é possível 4-O crono este ano é relativamente mais curto. Acreditas que será a subida ao Malhão a criar as maiores diferenças? Como já é tradição a subida ao Malhão não fazia a classificação geral porque depois o contra relógio era muito longo e ficava desproporcionar à subida que tínhamos de véspera, agora creio que com um contra relógio mais curto o Malhão irá ter um papel ainda mais fundamental nas contas finais da prova. 5-Nova equipa, objetivos. Satisfeito decisão tomada?

novos com a

Até agora estou porque fomos convidados para o Tour, se eu trabalhar como trabalhei nos anos anteriores acho que poderei ter a minha oportunidade finalmente de este ano me estrear na prova que todos sonham mas ainda é muito precoce dizer que foi a escolha acertada porque ainda só fiz a primeira prova a semana passada mas acho que estou contente com aquilo que encontrei na NetApp. É uma equipa muito bem organizada, boa estrutura e com boas condições para trabalhar. 6- Quais são as corridas mais importantes que irás fazer nos próximos meses? A breve prazo irá ser o TirrenoAdriático, que é uma corrida que pertence ao calendário World Tour e para já essa é a corrida que gostava de estar o mais à frente possível. É uma corrida que é uma grande montra e que eu no passado já fiz bem. 7-O ano passado estiveste no Giro mas este ano poderás estar no Tour. Já pensas nisso ou ainda é cedo? Ainda é cedo para pensar nessas coisas porque ainda agora temos as primeiras pedaladas e a época está a iniciar mas claro que uma pessoa pensa sempre quando se deita na cama no mês de Julho, isso é algo que nós próprios não conseguimos controlar. Mas sem stress porque se for muito bem, se não for paciência, sei que poderei ter outras oportunidades noutros anos.

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O “ESCARABAJO” DA CAJA RURAL Davide Gomes

Os colombianos estão de volta à alta-roda do ciclismo internacional. Nairo Quintana, Rigoberto Urán, Sergio Henao, Carlos Betancur, Darwin Atapuma entre outros nomes voltaram a mostrar as capacidades do “escarabajos” quando o terreno inclina rumo ao céu, o céu Europeu que está ainda longe quando comparado com o sul-americano. Surge então este ano no plantel da Caja Rural um novo colombiano que promete dar nas vistas, Heiner Rodrigo Parra Bustamonte nascido em Sora, na província de Boyaca em 9 de Outubro de 1991. Parra, o jovem colombiano de apenas 1,59 metros de altura e 52 quilos de peso, no seu primeiro ano profissional em 2010 correu a Volta à Colombia do Futuro onde venceu juntamente com a sua equipa, a EPM-UNE o contrarrelógio por equipas da 1ª etapa. Em 2011 e 2012 continuou na mesma equipa mas sem alcançar vitórias. Até

que em 2013 se deu a mudança para a equipa 472 Colombia, uma equipa que habitualmente corre em provas europeias. Esta equipa representa também a Colômbia em provas da Taça das Nações como a Volta a França do Futuro. Parra deu nas vistas nas suas passagens na Europa ganhando uma etapa na Ronde de l’Isard tendo arrebatado também a camisola da montanha e o 12º lugar da geral, o 5º lugar no Tour d’Alsace e por fim o 7º lugar na Volta a França do Futuro onde fez 4º na etapa rainha. O seu treinador definiu-o como um corredor “com uma boa capacidade para mudanças de ritmo e muito explosivo” rematando que as “ subidas com rampas duras são as suas favoritas, porque é um corredor ofensivo e com capacidade para manter esforços altos”. Parra vai estrear-se pela Caja Rural na prova algarvia, apesar

Foto de Laurent Brun: Parra na Volta a França do Futuro

de não se esperar à primeira vista uma grande exibição é um corredor a ter em conta visto que os navarros irão trazer até Portugal uma equipa secundária será uma oportunidade para começar a dar nas vistas e pelas palavras do seu treinador esta prova parece ter na subida ao Malhão uma etapa ao seu jeito. É um ciclista que temos particular interesse em seguir a sua nova aventura europeia, que porventura poderá passar de novo por Portugal com uma participação na Volta, onde a Caja Rural é já presença habitual.

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QUEM SÃO ESTES ÁRABES? António Pereira Na última década, o desporto profissional tem experimentado o crescimento e a expansão da economia dos Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo Pérsico. Esses países começaram a sua jornada no mundo do futebol, onde vários grandes jogadores foram atraídos pelos petrodólares, acabando até as suas carreiras nesses países. Além disso, grandes equipas europeias como o Manchester City e o Paris Saint Germain foram comprados por Xeques do continente asiático, mostrando dessa forma o grande potencial económico que possuem. No que ao ciclismo diz respeito, o surgimento da Sky Dive Dubai é mais um passo importante para o crescimento do ciclismo asiático. Falando especificamente da equipa que vem ao Algarve Francisco Mancebo é o “cabeça de cartaz” com um currículo recheado de vitórias e postos de honra, mas manchado pelo caso “Operação Puerto” que o fez “refugiar-se” no ciclismo norte-americano nas últimas épocas nas quais obteve a confiança necessária para recuperar credibilidade, disfrutar do ciclismo e continuar a obter uma série de bons resultados. O espanhol tem ainda a particularidade de já ter corrido em Portugal em 2008, ao serviço da Fercase - Paredes Rota dos Móveis (atual LA), antes disso é do conhecimento geral o seu percurso. Outro espanhol presente é Oscar Pujol, ciclista versátil, capaz de se adaptar a qualquer disciplina dentro do ciclismo ou não fosse ele também um praticante de Mountain Bike e Ciclocrosse, mas desde 2012 que tem passado por alguma instabilidade na carreira devido à crise que tem afetado o ciclismo e não teve escolha se não correr em formações do Irão, Indonésia ou Taiwan. Em relação à sua forma recente, o corredor parece estar algo fatigado devido às muitas provas que tem realizado desde Novembro passado, algo que ficou patenteado no recémterminado Tour do Qatar onde foi mesmo último classificado no contra relógio. Passemos agora a outro europeu, no caso Alexandre Pliuschin, um jovem moldavo que nas camadas jovens sempre se revelou um todo terreno. Atualmente com 27 anos, este antigo vencedor do Tour de Flandres em sub 23 (2007), teve um ano de 2013 ao serviço da IAM completamente desastroso, inclusive participou na Volta a Portugal mas nunca se deu por ele, terminando no 76º posto. Pliuschin começa a ter pouco espaço na carreira para cometer deslizes pelo que pode e deve encarar esta mudança para a Sky Dive como uma oportunidade única de virar a página na sua carreira e para já, parece tentado a fazê-lo, uma vez que no recente Dubai Tour foi possível verificar uma postura ofensiva e atacante. Deixando os europeus e passando para outros continentes, a equipa apresenta no Algarve um sprinter que parece atravessar um bom momento, trata-se do argentino Lucas Sebastian Haedo, que no entanto nunca foi um sprinter de topo nem mesmo em comparação com o seu irmão (Juan José Haedo). Chegou ao World Tour em 2010, depois de algumas épocas regulares no circuito norte-americano, primeiro na Saxo Bank e depois na Cannondale, não conseguiu uma única vitória pelo que não havia volta a dar se não baixar de escalão. Assinou pela Sky Dive onde terá maior responsabilidade e importância, aqui no Algarve terá duas etapas ao seu jeito este corredor que traz como cartão-de-visita uma regularidade recentemente conseguida no Dubai Tour e no Tour do Qatar. Da América partimos para África e encontramos neste alinhamento Rafaa Chtioui, Maher Hasnaoui, Adil Jelloul e Soufiane Haddi. Destes 4, Rafaa Chtioui e Adil Jelloul têm maior experiência e qualidade, Chtioui correu alguns anos na Europa pelo que não terá que passar pela adaptação às corridas europeias, no entanto, em 2013 viu-se sem equipa e correu todo o ano pela Seleção da Tunísia ou como individual, aliás foi nessa condição que se sagrou Campeão Nacional de Estrada e de Contra Relógio, além desse título conseguiu ainda em 2013 vencer uma manga do Challenge du Prince (Marrocos), agora chega ao Algarve com rodagem do Dubai Tour e do Tour do Qatar. Quanto a Adil Jelloul, o marroquino sempre desde cedo se revelou um dos principais corredores africanos dos últimos anos e um assíduo dominador do calendário magrebino e prova disso é o facto de ter terminado o ano de 2013 como líder do UCI Africa Tour. Em relação aos dois restantes, Soufiane Haddi é o atual Campeão Marroquino de Estrada mas a nível europeu tem pouca experiência e resultados ainda menos, salientando-se apenas o 10º lugar obtido em 2012 numa prova disputada na Polónia pelo que é de esperar que passe incógnito, o mesmo deverá acontecer com o tunisino e actual Vice-campeão Nacional de Estrada e Contra Relógio Maher Hasnaoui que não tem qualquer experiência em corridas europeias. PCM-PORTUGAL: A COMUNIDADE LUSÓFONA DE CICLISMO E PCM

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RECORDAR 2013

Etapa 1: Paul Martens surpreendeu os sprinters e arrebatou a 1ª etapa na chegada a Albufeira, sendo o 1º camisola amarela da prova batendo Tiago Machado e o seu colega de equipa Theo Bos.

Etapa 2: Theo Bos foi o rei na chegada a Lagoa. O antigo campeão do Mundo de pista bateu o italiano Giacomo Nizzolo e o português Bruno Sancho. Arrebatou assim a camisola amarela e arrancou para uma etapa cheia de sucessos onde contou 12 vitórias.

Etapa 3: O colombiano Sergio Henao venceu no Alto do Malhão arrancando forte para deixar atrás Rui Costa e Lieuwe Westra, tornando-se assim no 3º homem a vestir a amarela.

Etapa 4: Tony Martin sem dificuldades venceu o contrarrelógio final da prova, numa ligação entre Castro Marim e Tavira, deixando o segundo classificado a mais de um minuto. Levava assim para casa a sua segunda algarvia.

Pódio Final: Hugo Sabido (Metas Volantes), Giacomo Nizzolo (Pontos), Rui Costa (Melhor Português), Manuele Boaro (Montanha), Tony Martin (1º da Geral), Lieuwe Westra (3º da Geral e Lieuwe Westra (2º da Geral)

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Todo estre trabalho foi inteiramente concebido pela comunidade PCM-Portugal: A Comunidade Lusófuna de Ciclismo e PCM Um obrigado especial a todos que colaboraram na concretização deste trabalho como foram o Luís Pinto, o Davide Gomes e o António Pereira na escrita dos artigos, o Cristiano Teixeira pela sua entrevista e o Pedro Caetano pelo seu excelente trabalho que no grafismo de todo este projecto. Ainda agradecer a todos os Moderadores, Administradores e Membros em geral pelas suas pequenas mas valiosas ajudas e pelo apoio que foram essenciais para o sucesso deste projecto. Por fim um obrigado ao Tiago Machado pela sua disponibilidade e prontidão na sua entrevista. Esperemos que gostem deste Guia e que seja útil para saberem mais sobre a Volta ao Algarve e os ciclistas que estarão presentes na prova.

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