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2012 | Nº 14 | www.portugalprotocolo.com

Prémio Femina 2012 Notáveis Mulheres Portuguesas

Almoço no museu... Cultura e o meio empresarial

Património Nacional Palácio da Pena e Chalet da condessa d’Edla


Livros para executivos e empresas de Excelência O Protocolo é essencial na gestão de uma carreira de sucesso feita de reuniões, encontros, apresentações, jantares sociais, comunicação aos órgãos de comunicação social entre tantos outros eventos que fazem, cada vez mais, parte do dia-a-dia de um profissional exigente e conhecedor.


5 | Editorial 7 | Cerimónia de entrega do Prémio Femina 2012 45 | “Almoço no museu...”, no Museu Nacional de Arqueologia 57 | Património, Parque e Palácio da Pena 62 | Chalet e jardim da condessa d’Edla 65 | Protocolo, Posse da nova Procuradora Geral da República 66 | Protocolo, Visita de Estado a Portugal do Presidente do Peru 68 | Crónica, Conceição Matos

PORTUGAL PROTOCOLO Edição Digital Nº 14 | 2012

Director João Micael Arte

Portugal Protocolo Design

Colaborou nesta edição Margarida Ruas Propriedade João Micael - Protocolo, Imagem e Comunicação Unipessoal, Lda.

Rua Actor Augusto de Melo, Nº 4, 3º Dto. 1900-013 Lisboa Portugal Tel. +351 21 410 71 95 | Telem. +351 91 287 10 44 protocolo@portugalprotocolo.com www.portugalprotocolo.com Registo ERC Nº 125909 INTERDITA A REPRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS POR QUAISQUER MEIOS

Por vontade expressa do editor a revista respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico. nº13 | portugal protocolo | 3


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e d i t o r i a l Na terceira edição do Prémio Femina no ano de 2012, e devido à reputação adquirida pelo justo reconhecimento dos seus importantes objectivos no agraciamento da Excelência das Mulheres Portuguesas, decidi, em bom tempo, convidar a minha amiga Margarida Ruas, para com o seu olhar arguto feminino, contribuir para a sua realização. Nesta época de transe nacional, em que todos os Portugueses são invocados para, num espírito de solidariedade, contribuírem com o seu ânimo e os seus actos para a sua resolução, também o Prémio Femina pretende contribuir para aqueles que combatem valorosamente para dignificar a existência humana e minorar o seu sofrimento, como é o caso da Liga Portuguesa contra a SIDA. Assim, esta edição homenageia a sua importante luta sem tréguas contra a solidão, a marginalização, a falta de informação e as carências provocados pelo Síndroma da Imunodeficiência Adquirida. Manifesto sentido reconhecimento à ilustre Comissão de Honra, engrandecida por Emanuel Dimas Pimenta, arquitecto, urbanista e compositor de música erudita contemporânea; Leonel Moura, artista conceptual em fotografia, inteligência artificial e arte robótica; Miguel Ribeiro, médico e fotógrafo e Victor Rodrigues, doutor em Psicologia e Psicoterapeuta. A Madalena Rosalis, pela execução da peça de arte para o prémio Femina 2012, a convite do Espaço Sarmento, que a patrocinou. Aos patrocinadores da cerimónia como a Quinta Vale de Pardinhos, que proporcionou os excelentes vinhos para acompanhamento das iguarias servidas pel’ “A Commenda”. Às Hospedeiras de Portugal, pelo elevado padrão na Arte de Bem Acolher. A Clio – Artes Gráficas, parceiro de

Portugal Protocolo de sempre, pela qualidade dos programas dados à sua estampa. À IFT – Films, pelo registo em filme da cerimónia de entrega do prémio para memória. E, finalmente à Galeria 9Arte e a Seven Rabbits pelas magníficas ofertas às agraciadas da terceira edição do Prémio Femina.

A todos os amigos que, uma vez mais, se associaram ao ideal do prémio, com especial destaque para Angélica Santos pela dedicação demonstrada. E, essencialmente, às notáveis agraciadas que honram o “Prémio Femina” com as suas prestigiantes presenças. Bem Hajam. João Micael Director Portugal Protocolo e Presidente da Comissão de Honra do Prémio Femina nº13 | portugal protocolo | 5


Prémio Femina 2012

Pr é m io F e m in a 2012 e x e c u t ad o p o r M ad a l e n a R o s a l i s , pa t r o cin a do po r Espaço Sar m e nt o F o t o g r a f ia s de Po r t u g a l Pr o t o c o l o

A terceira edição da cerimónia de entrega do Prémio Femina 2012, decorreu no dia 7 de Novembro, na Sala “Vitorino Nemésio”, no restaurante “A Commenda”, no Centro Cultural de Belém, onde as agraciadas foram homenageadas pela sua Excelência nas mais variadas áreas. Este ano, uma nova categoria foi adicionada às originais – “Conservação do Ambiente e da Natureza”, e, também, honrou a nobre instituição Liga Portuguesa contra a SIDA, tendo recebido a sua presidente Maria Eugénia Saraiva como convidada de honra desta cerimónia. O Prémio Femina já se afirmou na sociedade portuguesa como uma iniciativa meritória no reconhecimento do valor e contributo femininos na construção de uma sociedade mais evoluída e progressista devido à paridade de género.


Comissão de Honra João Micael Presidente da Comissão de Honra Director de Portugal Protocolo Emanuel Dimas Pimenta Arquitecto, urbanista e compositor de música erudita contemporânea Leonel Moura Artista conceptual em fotografia, inteligência artificial e arte robótica Miguel Ribeiro Médico e fotógrafo Victor Rodrigues Doutor em Psicologia e Psicoterapeuta


Prémio Femina 2012 Prémio Femina 2012 de Honra Maria da Assunção Esteves Primeira Mulher a ascender à Presidência da Assembleia da República Portuguesa. Deputada à Assembleia da República, em dois mandatos. Juiz do Tribunal Constitucional, e assistente de Direito Público na Faculdade de Direito de Lisboa, em Direito Constitucional e Direitos Fundamentais. Membro Sociedade Portuguesa de Filosofia. Presidente da 1ª Comissão parlamentar - Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República. Membro da Comissão de Veneza, Conselho da Europa - Comissão para a Democracia pelo Direito. Vicepresidente, membro do Conselho de Jurisdição Nacional e membro da Comissão Política Nacional do Partido Social Democrata. Vice-Presidente do Instituto Sá Carneiro. Presidente da Assembleia de Freguesia dos Prazeres. Presidente do Movimento Europeu Portugal. Deputada ao Parlamento Europeu (2004-2009): Comissão de Assuntos Constitucionais, Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos Subcomissão dos Direitos do Homem, Delegação Parlamentar de Cooperação UE Rússia. Membro do grupo especial do Parlamento Europeu para a Constituição Europeia e o Tratado de Lisboa. Publicou os livros “A Constitucionalização do Direito de Resistência”, “Estudos de Direito Constitucional”, “O Tratado de Lisboa”; escreveu artigos vários em revistas académicas e jornais, Expresso, Público, DN. Foi co-autora na obra colectiva “Dicionário de termos europeus”.

Fotografia Presidência da Assembleia da República nº14 | portugal protocolo | 9


Prémio Femina 2012 Por mérito nas Artes de Palco, Cinema e Televisão São José Lapa

Fotografia João Silveira Ramos 10 | portugal protocolo | nº14

É actriz e encenadora. Estreou-se em 1972 na Casa da Comédia, com a peça “Desejase Mulher”, de Almada Negreiros, encenado pela sua irmã, a actriz e encenadora Fernanda Lapa. Logo após o curso de Formação de Actores, que concluiu na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, estreou-se na encenação, dirigindo Amélia Videira na peça “A Húngara”, do italiano Mario Fratti. foi fundadora da companhia de teatro “A Centelha”, depois contratada pelo Estado para desenvolver durante cerca de um ano, no distrito de Viseu, um projecto de animação, promoção e descentralização do teatro. Paralelamente leccionou a disciplina de Movimento e Drama, na Escola do Magistério Primário de Viseu. Entretanto é chamada a colaborar com Filipe La Féria na peça “A Paixão” de Pier Paolo Pasolini, de René Kalisky, na Casa da Comédia. Fixa-se como actriz residente do Teatro Nacional D. Maria II, após a participação em Fernando Talvez Pessoa, de Jaime Salazar Sampaio, numa encenação de Artur Ramos. A partir daí salienta a sua interpretação nas peças “Mãe Coragem”, de Bertolt Brecht, encenada por Jean-Marie Villigier, “Guerras do Alecrim e Manjerona”, de António José da Silva e “O Leque de Lady Windermere”, de Oscar Wilde, com Carlos Avilez, e “Passa por Mim no Rossio”, autoria e encenação de Filipe La Féria. Como encenadora, “12 Mulheres e 1 Cadela”, adaptação da obra de Inês Pedrosa, para o Teatro da Trindade (2005) e “Sonho de Uma Noite de Verão”, no Espaço das Aguncheiras (2006).


Prémio Femina 2012 Por mérito nas Artes Plásticas Sofia Areal Nascida em Lisboa em 1960, iniciou a sua formação em 1979 no Reino Unido, no Hertsfordshire College of Art and Design em St. Albans. De regresso a Portugal, estudou nos ateliers de Gravura e Pintura do Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual) em Lisboa. Expõe colectivamente desde 1982 e individualmente desde 1990. Além da pintura e do desenho, trabalha também nas áreas da ilustração, tapeçaria, design gráfico e cenografia. Está representada em várias colecções institucionais em Portugal, como no C.A.M. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian; na Fundação de Serralves; na Fundação Carmona e Costa; na Fundação D. Luís I; na Fundação PLMJ, Lisboa; na Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada; Museu de Arte Contemporânea do Funchal; no Museu de Arte Contemporânea de Elvas; câmaras municipais de Ponta Delgada e Palmela; na Biblioteca Municipal de Ponte de Sor; nos Bancos Espírito Santo e Banco Mais, e na colecção Vodafone. E no estrangeiro, como FEVAL, em Badajoz, Espanha e na Caixa Nova da Galiza, em Vigo, Espanha. O seu trabalho está também presente em numerosas colecções particulares em Portugal e no estrangeiro.

Fotografia Atelier Sofia Areal nº14 | portugal protocolo | 11


Prémio Femina 2012 Por mérito nas Artes Musicais e Bel Canto Rita Redshoes É compositora, arranjadora, produtora e letrista que conta com dois discos na sua carreira a solo. "Golden Era", disco galardoado e de estreia, e "Lights & Darks" deram a conhecer a sua música ao nível nacional. Para além da presença em inúmeros palcos portugueses, Rita Redshoes tem-se destacado em actuações no Festival South By Southwest, nos EUA, no Eurosonic, na Holanda ou no Festival Peace & Love, na Suécia. Iniciou o seu percurso como baterista num grupo de teatro de escola, passou por inúmeros projectos musicais onde tocou vários instrumentos (Atomic Bees, Photographs, Rebel Red Dog, David Fonseca) e tem colaborado em bandas sonoras. Estudou canto lírico e piano finalizando o Curso Profissional de Música e Novas Tecnologias. Mais recentemente participou, juntamente com Paulo Furtado, na criação da banda sonora do filme “Estrada de Palha” de Rodrigo Areias e percorreu o país com o espectáculo “The Other Women – O mundo nas canções d’Elas”, onde evoca alguns dos grandes nomes da música mundial numa homenagem às autoras, compositoras e intérpretes que pela sua criatividade a inspiraram desde que despertou para a música.

Fotografia Paulo Segadães 12 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012 Por mérito na Conservação do Ambiente e da Natureza Lurdes Carvalho Foi Directora de Serviços de Conservação da Natureza e, de 2004 a 2008, Vice-Presidente do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade. Participou em planos de ordenamento e em comissões directivas de áreas protegidas, no desenho da Rede Natura 2000 e no seu Plano Sectorial, foi membro da Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional; durante vários anos foi a representante de Portugal, na Comissão Europeia, em Comité Habitats e nos Grupos de Trabalho Científico da CITES, integrou delegações nacionais a diversas COP sobretudo da Convenção de Washington/CITES, com destaque para representações europeias durante a Presidência de Portuguesa, em Kyoto e em Nairobi, onde participou no Comité Científico, em nome da União Europeia. O seu grande desafio aceite em 2008, foi coordenar a implementação do Plano de Acção para a Conservação do Linceibérico em Portugal, promovendo projectos e acções que conduzam à melhoria do habitat da espécie que é o felino mais ameaçado do mundo. Em contínua ligação com Espanha as tarefas do dia-a-dia na coordenação do plano de Acção consistem no assegurar direcção executiva do Centro Nacional de Reprodução de Lince ibérico, procurando reunir as condições necessárias para o seu bom funcionamento e, simultaneamente, articular as diversas medidas em aplicação no terreno através da Comissão Executiva onde, com os parceiros, se coordenam actividades no terreno, se partilha responsabilidade, informação, dificuldades e sucessos!

Fotografia Portugal Protocolo nº14 | portugal protocolo | 13


Prémio Femina 2012

Por mérito na Ciência Sofia Duarte É doutoranda no Programa de Formação Médica Avançada do Instituto Gulbenkian de Ciência, onde se dedica ao estudo das epilepsias do primeiro ano de vida, associadas a perturbações do desenvolvimento, tais como os erros de metabolismo congénitos. Tem já resultados que apontam para uma possível correlação entre a presença destas perturbações e casos de epilepsia em recémnascidos, com implicações para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes, que conduzam a prognósticos mais favoráveis. Foi galardoada com o prémio “Cientista Eminente de 2012” na Europa, na área da neuropediatria pelo International Research Promotion Council. O trabalho em Neurologia Médica/Neuropediatria agora distinguido aborda o diagnóstico de um problema genético que confere susceptibilidade a complicações anestésicas potencialmente fatais. 14 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012

Por mérito no Desporto com resultados notáveis, e, que tenha contribuído para o prestígio nacional e de Portugal Marina Frutuoso de Melo Nasceu a 2 de Março de 1979, na freguesia de Pedroso, Vila Nova de Gaia. Estudou no Colégio Alemão do Porto, é licenciada em Engenharia das Ciências Agrárias pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Iniciou a sua actividade equestre aos 6 anos de idade. Primeira e única amazona a vencer o Campeonato de Portugal de Cavaleiro de Obstáculos. Este feito foi este ano de 2012 repetido pela sexta vez, tendo mesmo obtido um recorde europeu: hexa-campeã de Cavaleiro de Obstáculos. Cavaleira internacional desde 1999, treinadora de modalidade, membro da equipa portuguesa desde 2001.

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Prémio Femina 2012 Por méritos relevantes no Empreendedorismo e Excelência Profissional Marianela Mirpuri Em 1975 completou, na Suíça, os seus estudos superiores na área que sempre lhe interessou, os idiomas. Regressou a Portugal e completou o curso de Tradutor-Intérprete do Instituto Superior de Línguas e Administração. Apesar da formação académica se ter centrado na Literatura e Línguas, o interesse e o desenvolvimento profissional centrouse na gestão de empresas. No final dos estudos, abre a sua empresa Luxor-Congressos e Promoções e organiza vários Congressos e eventos nacionais e internacionais. Entrou nos negócios de Aviação na família no início dos anos 90, como Project Manager da Air Luxor e desenvolveu importantes negócios internacionais nesta área, nomeadamente a criação e implementação da UAT (United Air Taxis) e da Netjets Europa. Com o crescimento da Air Luxor e uma nova estratégia internacional, foi nomeada Vice-Presidente para a área marketing e vendas, sendo responsável por este sector em todas as empresas do Grupo Mirpuri em Portugal e no estrangeiro. Criou no início dos anos 2000 a Masterjet, operadora de jactos privados com presença em Portugal, Suíça e França, da qual foi CEO até 2008. Neste momento é Presidente da Jetlink, SA que representa a fábrica de aviões Cessna. É consultora internacional da Lexicon India, para a área de negócios entre a India e os países de língua portuguesa. É sócia e responsável pelos negócios internacionais da Manifesto Moda, empresa inovadora na área dos tecidos inteligentes. 16 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012 Por actos de Humanitarismo em prol da dignidade e direitos do Ser Humano Joana Daniel Wrabetz Em São Tomé e Príncipe, Ilha Terceira e Massachussets, USA, promoveu vários projectos de solidariedade e desenvolvimento local, onde se destacam “Um Lápis para São Tomé” e “Uma Lâmpada para São Tomé”, para a recolha de material escolar, brinquedos e material eléctrico. Fez o Mestrado Europeu em Direitos Humanos e Democratização em Veneza, tendo concluído com uma tese premiada sobre os direitos das crianças que nasceram de mulheres violadas em tempo de guerra, desenvolvido no Instituto de Direitos Humanos Boltzman em Viena, Áustria. Colaborou com a Representação Portuguesa junto à OSCE em Viena, como perita em Tráfico de Seres Humanos, tendo sido nomeada Chefe de Equipa do Observatório do Tráfico de Seres Humanos, do Ministério da Administração Interna. Foi seleccionada Ponto focal para o Portal Anti Tráfico da Comissão Europeia e mais tarde foi eleita membro do grupo de peritos em Tráfico de Seres Humanos da Comissão Europeia. Tem participado em inúmeros projectos, conferências e publicações, promovendo alguns dos temas como a conferência Internacional “Servidão Doméstica e Mendicidade: Formas Invisíveis de Tráfico para Exploração Laboral” Fez do Observatório do Tráfico de Seres Humanos um ponto de referência incontornável quer a nível nacional como internacional, no âmbito do estudo e disseminação de informação e conhecimento sobre o fenómeno do tráfico de pessoas em Portugal.

Fotografia Portugal Protocolo nº14 | portugal protocolo | 17


Prémio Femina 2012 Por mérito na Literatura Ana Hatherly É escritora, artista plástica e professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde co-fundou o Instituto de Estudos Portugueses, é diplomada em Cinema, pela London Film School, licenciada em Filologia Germânica, pela Universidade de Lisboa, e doutorada em Estudos Hispânicos, pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Anteriormente leccionou na Escola de Cinema do Conservatório Nacional, e no AR.CO, em Lisboa. Existem cópias dos seus filmes no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e no Arquivo da Cinemateca Portuguesa. Paralelamente desenvolveu uma carreira como artista plástica, iniciada na década de 1960, com um extenso número de exposições individuais e colectivas, em Portugal e no estrangeiro. Foi membro da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores e ajudou a fundar o P.E.N. Clube Português, ao qual presidiu. Foi ainda membro destacado do grupo da poesia experimental, nas décadas de 1960 e 70, além de se ter dedicado à investigação e divulgação da literatura portuguesa barroca, fundando as revistas Claro-Escuro e Incidências. Em 1978 foi agraciada pela Academia Brasileira de Filologia do Rio de Janeiro, com a Medalha Oskar Nobiling; em 1998 obteve o Grande Prémio de Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores; em 1999 o Prémio de Poesia do P.E.N. Clube Português; em 2003 o Prémio de Poesia Evelyne Encelot, em França, e o Prémio Hannibal Lucic, na Croácia. Foi agraciada com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 2009. 18 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012 Pelo estudo e divulgação da cultura, história e sociedade portuguesas no estrangeiro e na Lusofonia Raquel Henriques da Silva É doutora em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa onde é professora e coordenadora do Mestrado em Museologia e directora do Instituto de História da Arte. Foi directora do Museu do Chiado e do Instituto Português de Museus e vogal da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. É membro do Conselho de Administração da Fundação ArpadSzenes - Vieira da Silva. Tem diversas obras publicadas nas áreas da Museologia, Urbanismo e Arquitectura, e Artes Visuais.

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Prémio Femina 2012

Margarida Ruas, presidente da Comissão Executiva do Prémio Femina 2012 e Victor Rodrigues, membro da Comissão de Honra do Prémio Femina 2012

Karin Pierre, embaixatriz da Bélgica, Ursula Elfenkämper, embaixatriz da Alemanha e Bernhard Wrabetz, embaixador da Áustria 20 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012

João Novais de Paula, agraciada Joana Daniel Wrabetz, Maria Helena Daniel e Magda Novais de Paula

O deputado Ricardo Baptista Leite, a vereadora da Câmara Municipal de Odivelas, Sandra Pereira, Sílvia Rocha, da Liga Portuguesa contra a Sida e a deputada Maria Paula Cardoso 22 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012

Angélica Santos e António Frutuoso de Melo,

Luís Abreu, Vera Cristo e a agraciada Marianela Mirpuri nº14 | portugal protocolo | 23


Prémio Femina 2012

Sofia Castel-Branco Silveira, a agraciada Lurdes Carvalho e Rodrigo Serra

A agraciada São José Lapa com Leonel Moura, membro da Comissão de Honra e António Prates

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Prémio Femina 2012

A agraciada Sofia Areal e Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a Sida

Inês Sena, Bruno Pereira, Anabela Tomás, Carlos Pereira, a agraciada Rita Redshoes, Paulo Furtado, Patrícia Pinto e Natália Fernandes nº14 | portugal protocolo | 25


Prémio Femina 2012

Sandra Sarmento, Maria Eugénia Saraiva e Rodrigo Sarmento, patrocinador da peça Femina 2012

A agraciada Sofia Duarte e Jorge Epifânio

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Prémio Femina 2012

Margarida Fernandes, Maria Eliza Oliveira, a agraciada Lurdes Carvalho e Conceição Bernardo

A agraciada Rita Redshoes e João Micael, presidente da Comissão de Honra do Prémio Femina 2012

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Prémio Femina 2012

Sofia Moreno, Miguel Beleza e Conceição Bernardo

Virgínia Goes e Miguel Pereira Alves 28 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012

António Prates, Luciana Dimas Pimenta e João Micael, presidente da Comissão de Honra do Prémio Femina 2012

Cristina Castel Branco Júdice, a agraciada Raquel Henriques da Silva e Margarida Ruas, presidente da Comissão Executiva do Prémio Femina 2012 nº14 | portugal protocolo | 29


Prémio Femina 2012

Inês Lapa Lopes, a agraciada São José Lapa e Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a Sida

Mónica Matias, a agraciada Marianela Mirpuri e a mãe Maria de Lurdes Mirpuri, e Francisco Matias nº14 | portugal protocolo | 31


Prémio Femina 2012

Anne de Albuquerque Taylor e Manuel Carmo

Mesa da agraciada São José Lapa 32 | portugal protocolo | nº14


PrĂŠmio Femina 2012

Mesa da agraciada Joana Wrabetz

Mesa da agraciada Joana Wrabetz nÂş14 | portugal protocolo | 33


PrĂŠmio Femina 2012

Mesa da agraciada Sofia Duarte

Mesa da agraciada Lurdes Carvalho 34 | portugal protocolo | nÂş14


PrĂŠmio Femina 2012

Mesa da agraciada Raquel Henriques da Silva

Mesa da agraciada Raquel Henriques da Silva nÂş14 | portugal protocolo | 35


PrĂŠmio Femina 2012

Mesa da agraciada Rita Redshoes

Mesa da agraciada Rita Redshoes 36 | portugal protocolo | nÂş14


Prémio Femina 2012

João Micael, criador e presidente da Comisssão de Honra do Prémio Femina

Margarida Ruas presidente da Comisssão Executiva do Prémio Femina 2012 e Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a SIDA 38 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012

A agraciada Marianela Mirpuri recebe o Prémio Femina 2012 das mãos de Emanuel Dimas Pimenta

A agraciada Lurdes Carvalho recebe o Prémio Femina 2012 das mãos de Emanuel Dimas Pimenta nº14 | portugal protocolo | 39


Prémio Femina 2012

A agraciada Rita Redshoes recebe o Prémio Femina 2012 das mãos de Leonel Moura

A agraciada Sofia Areal recebe o Prémio Femina 2012 das mãos de Miguel Ribeiro 40 | portugal protocolo | nº14


Prémio Femina 2012

A agraciada Sofia Duarte recebe o Prémio Femina 2012 das mãos de Miguel Ribeiro

António Frutuoso de Melo recebe, em nome da agraciada Marina Frutuoso de Melo, o Prémio Femina 2012 das mãos de Victor Rodrigues nº14 | portugal protocolo | 41


Prémio Femina 2012

A agraciada São José Lapa recebe o Prémio Femina 2012 das mãos de Victor Rodrigues

A agraciada Raquel Henriques da Silva e João Micael

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Prémio Femina 2012

A agraciada Joana Daniel Wrabetz e João Micael

As agraciadas com o Prémio Femina 2012 nº14 | portugal protocolo | 43


Almoço no museu...

MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA “O Futuro dos Museus Europeus”

Visita de eminente museologista em Portugal para primeiro “Almoço no museu...”

Imagem em cima Cabeça feminina ou cabeça dita de Júlia Milreu. Faro Época Romana. Secs. I-II d.C., Mármore Museu Nacional de Arqueologia Inv. 994.6.3 Fotografias de Portugal Protocolo

Agradecimentos pelos apoios prestados à realização do “Almoço no museu...” Museu do Pão, pelo magnífico almoço servido aos convidados Museu Nacional de Arqueologia

O programa “Almoço no Museu…”, criado por Margarida Ruas e João Micael, organizado por Portugal Protocolo, promove o importante e inovador encontro dos mundos da Cultura e o Empresarial para a discussão e debate de ideias e projectos, com a presença de convidados de honra, que analisarão e discursarão sobre temáticas empresariais e culturais. Os encontros ao almoço serão realizados mensalmente, iniciando-se o programa no Museu Nacional de Arqueologia, em Belém, a zona mais emblemática da capital e ponto de partida da aventura ultramarina que tornou Portugal na primeira Potência Global do Mundo. O convidado de honra do primeiro almoço foi o Professor Massimo Negri, director do European Museum Academy, que visitou Portugal para a inauguração deste inovador programa e proferiu uma palestra com o tema “O Futuro dos Museus Europeus”. nº14 | portugal protocolo | 45


Almoço no museu...

Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia

Varanda do Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia 46 | portugal protocolo | nº14


Almoรงo no museu...

O convidado de honra e orador, Prof. Massimo Negri

Margarida Ruas e Joรฃo Micael nยบ14 | portugal protocolo | 47


Almoรงo no museu...

Carin Bramรฃo e Isabel Neves

Maria Ester Torres e Julieta Cunha Gonรงalves 48 | portugal protocolo | nยบ14


Almoço no museu...

Margarida Ruas, Paul Schmidt, embaixador do Luxemburgo, João Micael e Prof. Massimo Negri

Margarida Ruas, Sérgio Carvalho, director do Museu do Pão e do Museu da Cerveja e António de Carvalho director do Museu Nacional de Arqueologia nº14 | portugal protocolo | 49


Almoço no museu...

Maria José Albuquerque, do Museu Nacional de Arqueologia e Pedro Raposo Magalhães

Margarida Prieto e Miguel Ribeiro

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Almoço no museu...

Mónica Abílio, do Museu do Pão e Miguel Melo e Sousa, do Museu da Carris

Dulce Anahory e Isabel Santiago, da Fundação Portuguesa das Comunicações e Isabel Nunes nº14 | portugal protocolo | 51


Almoรงo no museu...

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Almoço no museu...

O director do Museu Nacional de Arqueologia, Margarida Ruas e João Micael dão as boas vindas aos convidados e apresentam o prof. Massimo Negri nº14 | portugal protocolo | 53


Almoรงo no museu...

O Prof. Massimo Negri, durante a palestra 54 | portugal protocolo | nยบ14


Almoço no museu...

Em cima à esquerda Ana Isabel Santos conduz a visita à reserva do Museu de Arqueologia com o prof. Massimo Negri Em cima à direita Prof. Massimo Negri e Sérgio Carvalho, durante a visita ao Museu da Cerveja Em baixo á esquerda Prof. Massimo Negri, Margarida Ruas e João Micael no fim da visita na Praça do Comércio

Portugal Protocolo manifesta o seu agradecimento aos inestimáveis apoios prestados pelo Museu Nacional da Arqueologia, especialmente ao seu director, Dr. António de Carvalho e seus colaboradores, ao Museu do Pão pelo excelente almoço servido aos convidados, e ao Museu da Cerveja pela visita à sua exposição que completou excelentemente a visita do ilustre convidado de honra.

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património, Parque e Palácio da Pena

Implantados no topo da serra é fruto do génio criativo de D. Fernando II, príncipe de Saxe-Coburgo e Gotha e rei consorte casado com a Rainha D. Maria II.

Fotografias cedidas por Parques de Sintra - Monte da Lua Em cima, fotografia NES

O Parque e o Palácio da Pena são o expoente máximo, em Portugal, do Romantismo do séc. XIX, e o mais importante polo da Paisagem Cultural de Sintra - Património Mundial. Construído a partir de 1839 em torno das ruínas de um antigo Mosteiro Jerónimo erigido no século XVI por D. Manuel I, e que D. Fernando adquiriu, o palácio incorpora referências arquitectónicas de influência manuelina e mourisca que produzem um surpreendente cenário “das mil e uma noites”. Em torno do palácio, o Rei plantou, com espécies vindas de todo o mundo, o Parque da Pena (85ha) que é o mais nº14 | portugal protocolo | 57


patrimรณnio, Parque e Palรกcio da Pena

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património, Parque e Palácio da Pena

importante arboreto existente em Portugal. Depois de visitar a Pena, o compositor Richard Strauss escreveu: “Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Grécia e o Egito e nunca vi nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, está o castelo do Santo Graal.” O convento quinhentista adquirido por D. Fernando II exerceu sobre o Rei um enorme fascínio, radicado na sua educação germânica e no

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patrimรณnio, Parque e Palรกcio da Pena

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património, Parque e Palácio da Pena

imaginário romântico da época que a serra, e a valorização estética das ruínas, atraíam. O projeto inicial era, apenas, a recuperação do edifício para residência de verão da família real, mas o seu entusiasmo levou-o a decidir-se pela construção de um palácio prolongando o convento. No parque, traduzindo a expressão da estética romântica e aliando a busca do exotismo à impetuosidade da natureza, o Rei desenhou caminhos sinuosos que conduzem o visitante à descoberta de locais de referência ou de onde se desfrutam vistas notáveis: a Cruz Alta, o Alto de Sto. António, o Alto de Sta. Catarina, a Gruta do Monge, a Fonte dos Passarinhos, a Feteira da Rainha e o Vale dos Lagos. Ao longo dos caminhos, com

o seu interesse coleccionista, plantou espécies florestais nativas da Europa e de muitas regiões distantes, em especial da América do Norte, da Ásia e da Nova Zelândia e Austrália: faias, sequóias, tuias, fetos arbóreos, metrosíderos magnólias, rododendros e cameleiras. O arvoredo enquadra pavilhões e pequenas edificações, compondo um cenário de inigualável beleza natural mas, também, de grande relevância histórica e patrimonial.

Página anterior Lago, fotografia de PSML Nesta página Palácio da Pena, fotografia de Nuno Cardal nº14 | portugal protocolo | 61


p at r i m ón i o, c ha l e t e jar d i m d a c o n d e s sa d ’ E dl a

O Parque da Pena inclui também o Chalet e Jardim da Condessa d’Edla, recentemente reabertos ao público após um longo processo de recuperação e restauro. Fotografias cedidas por Parques de Sintra - Monte da Lua Em cima, fotografia de Emigus Página ao lado À esquerda, Chalet, fotografia de Emigus À direita, pormenor do jardim, fotografia de PSML 62 | portugal protocolo | nº14

O Chalet da Condessa d’Edla foi construído pelo Rei D. Fernando II e sua segunda mulher, Elise Hensler, Condessa d’Edla, entre 1864 e 1869, segundo o modelo dos Chalets Alpinos então em voga na Europa. É um edifício com uma forte carga cénica caracterizado pela marcação horizontal do reboco exterior, pintado a imitar um revestimento em pranchas de madeira, e pelo uso exaustivo da cortiça como elemento decorativo, forrando molduras de portas e janelas, beirados, varandas e troncos de árvore adossados às fachadas para suporte de trepadeiras. A localização do Chalet é notável pois, situado no extremo oposto do parque


patrimón i o, c ha l et e jar d i m d a c o n d e s sa d ’ Ed l a

em relação ao palácio, mantém com este uma importante relação visual que é acentuada pela proximidade de um dramático conjunto de blocos de granito, as Pedras do Chalet, e por um vale a que é sobranceiro. Da varanda do Chalet avistava-se o mar e, das Pedras, as muralhas do Castelo dos Mouros, recortando a serra e, ao fundo, o palácio. O jardim envolvente, agora também recuperado, integra exóticas coleções botânicas, miradouros com vistas para o palácio, bem como para o Chalet e o Castelo dos Mouros, e espécies botânicas provenientes de todo o mundo, de que são especial exemplo os fetos arbóreos da Austrália e Nova Zelândia, plantados no Vale. nº14 | portugal protocolo | 63


Protocol o

Cerimónia de Posse à Procuradora Geral da República

O Presidente da República conferiu posse à Procuradora-Geral da República, Dra. Joana Marques Vidal, que ocupará o 10º Lugar na Lei das precedências do Protocolo do Estado Português.

Fonte: © 2006-2012 Presidência da República Portuguesa nº14 | portugal protocolo | 65


P r o t o c ol o

Visita Oficial a Portugal do Presidente da República do Peru

Fotografias: © 2006-2012 Presidência da República Portuguesa 66 | portugal protocolo | nº14

O Presidente da República do Peru, Ollanta Humala, foi recebido pelo Presidente Aníbal Cavaco Silva, no Palácio de Belém, no início da sua Visita Oficial a Portugal. Após as honras militares à chegada, os dois Presidentes tiveram uma reunião, com as respectivas delegações, seguida dum almoço oferecido pelo presidente em honra do seu homólogo. Na reunião realizada no Hotel Tivoli para empresários sobre as oportunidades de investimentos no seu país, o


Protocol o

Presidente Ollanta Humala, salientou a excelente oportunidade de, nesta visita, se estabelecer pela primeira vez uma relação directa entre Portugal e Peru “sozinhos, aparentemente, podemos fazer mais, mas juntos vamos mais longe”, e sublinhou a importância fundamental da cultura como suporte do desenvolvimento. “O tempo já não vale ouro, mas, água”, disse, apontando a importância dos investimentos neste sector. Neste sentido, o embaixador do Peru em

Lisboa, Nestor Popolizio, tem exercido uma diplomacia com uma estratégia muito inteligente e unindo os corações dos dois países. Margarida Ruas

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c r ó n i c a , C o n c e i ç ã o M ato s Gostas de mim? Acordei. 10h00. Tempo de devolver os movimentos ao corpo. Tempo de devolver o pensamento voluntário. Tempo... Que verbo vou escolher para hoje? Ficar? Ficar. Ficar à espera de respirar em modo acordado. Ficar à espera de sentir a audição em modo manhã. Ficar à espera de deixar os sonhos em modo espera. Ficar, só? Ficar, só. Ficar na horizontal? Ficar na horizontal. Ficar na expectativa de que me vais ligar. Vais-me ligar? Vais dizer-me que gostas de mim? Vais encher-me o dia de certeza? Vais? - Olá. Bom dia! - Bom dia! Que fazes? - Nada. Fico. - Ficas? - S im. Fico. Fico à espera das tuas palavras... - Das minhas palavras? - Sim. Alguma coisa terás para me dizer, não? - És complicada. Não sei o que esperas de mim. - Não sabes? Provavelmente deveria ter escolhido outro verbo para este dia. Por exemplo, ir. Ir. Ir às compras, ir ao jardim, ir à livraria, ir à padaria, ir à biblioteca, ir ver o mar, ir... Deixar para depois o que já sei que ficou ontem. Ou então, por exemplo imaginar. Imaginar que sou outra. Imaginar que sou feliz. Imaginar que tu és outro. Imaginar que tu és feliz. Imaginar que somos um só. Imaginar que somos felizes. - Não me dizes nada? - Mas que queres que te diga? - Sei lá. Podias dizer que gostas de mim. - Gosto. (Gosto?) - Gostas muito? - Gosto muito (Pouco). Hoje escolhi o verbo mentir. Mentir que gosto ti (gosto?). Mentir que gosto muito (pouco). Que gosto da vida que tenho (que não tenho). Que gostava de gostar de gostar. Não tenho coragem para te dizer. Que não és a minha vida. Que não és o meu outro. Que não és o meu verbo preferido. Que nunca o vais ser. Porque o meu verbo preferido é sou. Eu sou. E tu não me deixas ser eu sou. Tu queres que eu seja eu sou assim. E eu não sou assim. - Eu não sou complicada. - Não, tu não és complicada. - Então, porque achas que sou? 68 | portugal protocolo | nº14

- Porque tu és assim. - Mas se eu sou assim, sou igual a ti, não? - Não, não és igual a mim. Porque eu não sou assim. Amanhã é dia de escolher outro verbo. Um verbo que seja corajoso. Um verbo que enfrente as bestas. Um verbo que incentive a vida. Um verbo que incentive a crueza. Um verbo que não seja assim. Um verbo que exija explicações. Um verbo que queira ser. Um verbo que queira estar. Um verbo que

queira gostar. - Se eu me vestisse de noite, gostavas mais de mim? - Vestir de noite? - Sim. Ser tranquila, discreta, apagada? - Tu não consegues ser assim. - Não quero ser assim. - Não sejas assim. - Se eu me vestisse de dia, gostavas mais de mim? - Vestir de dia? - Sim. Ser luz, movimento, cheiro, cansaço? - Tu não consegues ser assim. - Não quero ser assim. - Não sejas assim. - Mas afinal, gostas de mim ou não? Gostas de mim como? - Gosto de ti como gostava de mim. - Gostavas de ti? - Sim, já não gosto.


PORTUGAL PROTOCOLO - MAGAZINE #14  

Sumário edição Portugal Protocolo nº14“Prémio Femina 2012”3 | Sumário 5 | Editorial7 | Cerimónia do Prémio Femina 201245 | Almoço no Museu N...