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w w w. p o r t u g a l p r o t o c o l o . c o m protocolo@portugalprotocolo.com


sumário

4| Editorial 5| Protocolo, Ten. Cor. Adriano Firmino 10| Entrevista, Comandante José Vicente Moura, Comité Olímpico de Portugal 14| Entrevista, João Lagos, Lagos Premium Events 18| Arte & Cultura, A Bandeira Nacional, Museu da Presidência da República 20| Entrevista, Jorge Baptista 22| Jogos Olímpicos Londres 2012, Embaixador Alex Ellis 24| Espaço, Estádio Nacional do Jamor 26| Opinião, Maria Olímpia Simões 27| Como deve ser, Margarida de Mello Moser 28| 1º Encontro Empresarial, Protocolo Social no Meio Profissional 30| Notícias, Concerto dos Mecenas, Palácio Nacional da Ajuda 32| Notícias, Funchal 500 Tall Ships Regatta 2008 33| Notícias, Audi Med Cup 2008 34| Empresas & Marcas, Breitling for Bentley HP e NBA PORTUGAL PROTOCOLO - Revista Trimestral | Nº 5 | 2008

Director João Micael Editor de Fotografia António Homem Cardoso Tratamento de Imagem Joana Regaleira Arte Portugal Protocolo Design Publicidade e R.P. Ana Ferreira Colunistas Margarida de Mello Moser | Maria Olímpia Simões Colunistas Convidados Embaixador Alex Ellis | Ten. Cor. Adriano Firmino Assinaturas protocolo@portugalprotocolo.com Propriedade João Micael - Protocolo, Imagem e Comunicação Unipessoal, Lda. Rua Actor Augusto de Melo, 4 - 3º Dto. | 1900-013 Lisboa Portugal Tel. +351 21 410 63 56 | +351 21 410 71 95 | Telem. +351 91 287 10 44 www.portugalprotocolo.com protocolo@portugalprotocolo.com Registado no Instituto de Comunicação Social nº 124967 Depósito Legal: 24 90 99/06 ISSN - 1646 - 6055 INTERDITA A REPRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS POR QUASQUER MEIOS

portugal protocolo nº5 | 3


editorial

A

importância

do

desporto

O desporto está intrinsecamente ligado à história da humanidade, o Homem usa a sua destreza física em honra das suas divindades, de ideais políticos, estéticos e bélicos. Jogos como o Tlatchtli1, os jogos olímpicos helénicos, as provas celtas, as justas medievais e os actuais desportos como o futebol e as olimpíadas da era moderna compartilham a mesma necessidade: regras de comportamento e o reconhecimento dos vencedores através de rituais e cerimoniais estabelecidos para o efeito, através da simbologia dos metais preciosos, a coroa de louro e de oliveira. O Desporto utiliza o Protocolo nas suas diversas actividades e cerimónias rituais, a nível amador, profissional e olímpico. Porque não tendo fronteiras, o desporto aglomera diversas nacionalidades, etnias, religiões e culturas; logo, todos estes aspectos distintos são alvo de uma particular e meticulosa atenção, para que os acontecimentos desportivos decorram numa atmosfera propícia ao excelente desempenho das suas principais personagens, os atletas participantes. Mas, estas não estão sozinhas nos palcos desportivos mundiais, outras desempenham papéis importantes nestes eventos, são elas os dirigentes desportivos, as autoridades oficiais, e, porventura militares, entre outras. Desde a acreditação, passando pelas relações com os órgãos de comunicação social, até à observação das regras protocolares próprias das entidades desportivas, que aliando-se às oficiais dos países anfitriões, tudo concorre para um outro objectivo, tão importante como o anterior, a criação de um ambiente sem incidentes, na gestão dos lugares para todos os convidados especiais e a sua devida recepção, bem como aquele aspecto que, actualmente, se tornou de vital importância – a Segurança. O Protocolo organiza e regula as cerimónias de abertura, a entrega de prémios e as de encerramento, sendo estas as mais visíveis são também as mais importantes. João Micael

1 Jogo sagrado dos astecas, precursor do basquetebol. 4 | portugal protocolo nº5


protocolo

10º Grande Prémio de Portugal–Algarve, F1 Motonáutica, 2008

Adequar desafios

aos

novos

O mundo dos desportos é seguramente, em matéria de organização de eventos, e com larga diferença, aquele que maior número de actividades suporta. Todo e qualquer evento, desportivo ou não, encontra-se profundamente dependente do tipo de enquadramento social em que decorre e quando a sua prática não respeita um conjunto de rigorosos princípios profissionais e pedagógicos, facilmente se transforma numa nociva actividade social.

e alimentadas pela capacidade multimédia actual, o desporto em geral e os eventos desportivos em particular, constituem-se num palco privilegiado para que os políticos se identifiquem com os cidadãos. Hoje em dia, e cada vez mais, a presença de entidades e personalidades nos grandes eventos desportivos reveste-se mais de um factor social e politico do que desportivo, em que esta componente assume um papel secundário ou meramente ocasional, quando, por exemplo, se assiste a um Torneio de Ténis em Wimbledon ou a um espectáculo no Teatro La Scala de Milão.

O desporto é algo mais que uma actividade que desenvolve as qualidades físicas do indivíduo que o pratica. Em redor daquele giram numerosos aspectos como se de uma grande empresa se tratasse, sendo sobejamente reconhecida a importância que a imagem tem na organização da competição, dando origem a que muitos eventos desportivos, pela repercussão social que têm, se convertam em espectáculos, mais que em simples a c o n t e c i m e n t o s d e s p o r t i vo s . Fa c e à s envolvências directas e indirectas, provocadas

O organizador de um evento desportivo deve participar desde a sua gestão e já lá vai o tempo em que o agente de protocolo se resignava a atribuir o aspecto formal à estética daquele, sendo que nos nossos dias, o responsável pelo protocolo integra-se total e permanentemente com a essência do evento. As instituições modernas, onde se incluem as desportivas, pretendem adquirir e manter uma imagem de acordo com os seus valores culturais, canalizando as suas projecções num conceito de perfeição e eficácia, utilizando o protocolo como instrumento idóneo da sua politica de gestão através da adequada aplicação portugal protocolo nº5 | 5


protocolo

da comunicação. Investir em protocolo significa investir em imagem, caracterizando os procedimentos num ponto de vista profissional, que transmita uma mensagem de seriedade e capacidade a quem se relaciona com a instituição em causa, mas apesar disso, hoje em dia existem entidades desportivas, nacionais e internacionais, que continuam a não atribuir a adequada importância ao assunto, deixando esta disciplina em mãos de pessoas que não têm qualificação profissional suficiente para poder oferecer um serviço de qualidade. Quantos eventos desportivos vimos que perderam projecção ou interesse porque a entrega de prémios foi um desastre ou porque a tribuna de honra não dispunha dos lugares devidamente atribuídos? Nos tempos modernos, toda e qualquer organização necessita de comunicar e exercer as suas habilidades de persuasão com o seu público, para atingir os seus objectivos. Um evento, bem planeado e programado, desperta a atenção, provoca a curiosidade e motiva o interesse, em que tudo é mensagem: o cenário, o ambiente, a integração da presidência, a integração dos convidados, a montagem e a logística, que se devem conjugar com inovação e criatividade, equilíbrio entre tradição e futuro e maior coordenação entre organizações e protagonistas. Carlos Fuente Lafuente afirmou a este respeito que “…Os actos por si mesmos são puras estratégias de uma ou várias mensagens, do colocar em cena de uma necessidade de comunicação. O acto poderá ser mais público ou privado, mas tem sempre uma finalidade…” Os desportos diferenciam-se entre si em numerosos aspectos, todos com repercussão nas respectivas actividades de planeamento e execução. O facto de serem individuais e colectivos, concentrados num ou em vários espaços, em recintos ao ar livre ou em recintos cobertos, com duração de mais ou menos tempo, ocorrerem em condições climáticas favoráveis ou desfavoráveis, terem lugar num ou noutro país, são características suficientemente influenciadoras em vários aspectos relacionados com a organização e particularmente com o protocolo. Senão vejamos: no caso de desportos individuais e colectivos, nas cerimónias de entrega de prémios não só varia o número de troféus a serem entregues, como também a dimensão do pódio de vencedores; mas mesmo nos desportos individuais, a cerimónia de entrega de medalhas num Campeonato do Mundo de Judo é substancialmente diferente da entrega do troféu de um torneio internacional de ténis, como assistimos anualmente em Roland Garros; nos desportos colectivos, e no caso do futebol, embora se dispute um jogo para atribuição dos terceiro e quarto lugares, 6 | portugal protocolo nº5

na realidade, a cerimónia de entrega de prémios, que ocorre imediatamente a seguir ao respectivo jogo, só contempla a atribuição de troféus ao primeiro e segundo classificados; ainda nos desportos colectivos, no Torneio das 6 Nações em Rugby, também há lugar à atribuição de um troféu à equipa última classificada; no automobilismo, por exemplo, entregam-se prémios aos vencedores e à respectiva escudaria; no hipismo, além dos prémios que se entregam aos cavaleiros, coloca-se uma roseta no cavalo, e depois todos os conjuntos premiados dão uma volta de honra ao recinto; no ciclismo, na Volta a Portugal, vão-se atribuindo troféus em cada uma das chegadas à medida que a prova se vai desenrolando; não se pode comparar o ambiente, interesses e nível social que envolvem as corridas de cavalos em Ascot com, por exemplo e sem desprimor para a modalidade, o Campeonato E u r o p e u d e L u t a G r e c o - Ro m a n a ; e m determinadas modalidades os prémios entregamse por ordem da vitória, isto é, do primeiro ao terceiro, mas outros desportos cumprem a regra do terceiro ao primeiro. Todos estes aspectos, como se verifica, estão relacionados com a tradição, mas dão igualmente a ideia das diferenças protocolárias que existem conforme a modalidade ou disciplina de que se trate. Face às enormes envolvências e variantes do assunto, o protocolo, sendo um dos elementos constituintes da organização de um evento desportivo, relaciona-se e depende praticamente de todas as outras áreas, umas de forma mais directa e outras menos, como sejam a calendarização, os patrocínios, as relações públicas, as relações desportivas, os transportes, os alojamentos, a segurança, as acreditações, a comunicação, a logística, a bilhética, a atenção ao público e o voluntariado. Por outro lado, a recepção de entidades oficiais e desportivas, patrocinadores e convidados, gestão das tribunas, cerimónias de abertura e encerramento, cerimónias de entrega de prémios, outras cerimónias, desportivas e não desportivas, são da responsabilidade do protocolo. Actualmente, o protocolo desportivo padece da ausência ou escassez de normativas estatutárias ou orientações que legislem as diferentes situações protocolárias que se devem estabelecer, tornando imprescindível que cada organização tente resolver a questão isoladamente, gerandose situações insustentáveis e por vezes graves. Em todas as organizações desportivas resulta fundamental que se estabeleçam as precedências para as autoridades desportivas e não desportivas, na medida em que a sua falta é


protocolo

normalmente origem de conflitos, incomodidade e situações desagradáveis, que se podem evitar. Seria recomendável e desejável que no âmbito da responsabilidade da política desportiva se fixassem critérios e se criassem medidas que se considerem aceitáveis para a maioria e que fossem tomados em conta por todos. A partir daqui, cada organismo, federação ou organização desportiva deveria definir as precedências para os seus próprios eventos. Embora reconhecendo que existem algumas referências, estas são escassas, desprovidas e carentes de bases técnicas, estimando-se no entanto, e ao que à precedência diz respeito, que as autoridades desportivas deveriam ter um tratamento equiparado, todavia, rigorosamente colocadas. A verdade é que todas as incidências se vêm resolvendo na aplicação do protocolo oficial e das técnicas de organização de eventos. Na falta de orientações específicas nesta matéria por parte das entidades oficiais e responsáveis, na organização dos mais variados eventos desportivos, nacionais e internacionais, tem sido usual aplicar o que se encontra contemplado na Carta Olímpica, com as devidas adaptações. O estabelecimento de precedências é fundamental e necessário face à presença de autoridades nos grandes eventos desportivos. A organização e ordenamento de convidados devem responder a critérios do anfitrião, normativas internas e normativas da instituição. Para as autoridades institucionais convidadas segue-se o critério fixado pelas normativas específicas vigentes e em caso de igualdade ou equivalência de cargos, daremos precedência às autoridades desportivas, no entanto, funcionando a normativa das precedências como um guia, não se deve ser obsessivo com o protocolo. O anfitrião deve presidir ao evento mas pode ceder a presidência quando estiver presente uma autoridade política, a máxima autoridade desportiva vinculada à actividade em curso ou por razões de cortesia, a outras autoridades desportivas ou não desportivas. Em princípio, todo o evento desportivo, de carácter nacional, celebrado ou não num recinto desportivo, seja de competição ou não, deverá ser presidido pela máxima autoridade do desporto nacional que se encontre presente, sem deixar de ter em conta o estabelecido na Lei nº 40/2006, de 25 de Agosto, que respeita às Precedências do Protocolo do Estado Português. Em actividades de carácter internacional que se celebrem no nosso país, deverá considerar-se o disposto pela Federação Internacional que organize esse evento, em que a máxima autoridade desportiva do Estado

Português presente terá um lugar preferencial, que não significa presidir. Os trabalhos da equipa responsável pelo protocolo, integrada na organização de um evento, além da colaboração no planeamento, começam com os convites. Em regra, às autoridades e personalidades de grande relevância é enviada uma carta personalizada da parte do anfitrião, juntamente com um convite normal, ou inclusivamente, com uma acreditação. Às instituições é costume enviar vários convites para que o responsável da mesma os distribua, sendo que aos mesmos se juntará a indicação dos espaços reservados nas tribunas ou áreas adjacentes. Aos convidados de menor relevância são remetidos convites normais, individualizados. Em qualquer dos casos, o convite deve ser acompanhado de uma nota de protocolo, de tamanho inferior àquele, em que se reflectem aspectos que não devem constar no convite, tanto pela estética como pelo conteúdo, nomeadamente, pormenores importantes na hora de aclarar as questões dos convidados. Estes convites deverão ter um logótipo da entidade que organiza o evento e serão assinados pela máxima autoridade da mesma. No que respeita à recepção das entidades e convidados em qualquer tipo de evento, e os desportivos não são excepção, o anfitrião tem a obrigação de os receber e de se despedir. Quando o anfitrião é a autoridade mais conceituada de todas as assistentes do evento, não subsistem dúvidas a quem cabem essas funções, mas em certos casos estão presentes convidados com status superior, pelo que, por deferência, as mesmas deverão ser incluídas nesse acto, colocando-se por ordem de precedência na chamada “linha de cumprimentos”, localizada de acordo com os pormenores da chegada da alta entidade. Na acomodação dos lugares deverão ser tidos em consideração todos os aspectos relacionados com as precedências e resolvidos os sistemas que se elegeram para definir as presidências, para colocar as autoridades e as regras para situar os convidados, assim como os respectivos acessos, assentes numa clara justificação dos critérios adoptados. Na configuração das tribunas devem ser incluídas as autoridades desportivas, as autoridades políticas, os patrocinadores, os convidados de honra, os convidados especiais, os colaboradores e eventuais individualidades que pela sua importância se entenda que merecem ocupar um lugar especial. Se o espaço o permitir, poderá haver mais que uma tribuna, onde se colocarão as pessoas conforme os quadrantes e origens institucionais, segundo um critério que o anfitrião defina e obedecendo ao prescrito legal a que a matéria importa. É comum admitir um sistema de ordenação em que autoridades oficiais e desportivas ocupem lugares alternados, embora o razoável seja a atribuição de portugal protocolo nº5 | 7


protocolo

lugares que separem as autoridades desportivas das restantes, que depois de definida a presidência e os lugares de honra, se colocarão, respectivamente, à sua direita e esquerda. Todo o grande evento desportivo deve inaugurar-se numa cerimónia de abertura, para definir o início oficial da competição. Por norma, estas cerimónias envolvem discursos breves das autoridades desportivas e políticas, em que as primeiras se referem ao esforço e trabalho desenvolvidos conducentes à realização do evento, assim como ao espírito desportivo que deve nortear todas as provas, e aos segundos, compete-lhes a declaração de abertura da competição. Não obstante, esta ordem pode sofrer alterações em muitas ocasiões causadas por diversas situações, constituindo-se numa demonstração de que o protocolo não só não é uma ciência exacta, como também se encontra ao serviço de objectivos concretos. Têm igualmente lugar as cerimónias do hastear das bandeiras e da entoação dos hinos, o desfile dos atletas e um espectáculo habitualmente subordinado a temas da tradição histórica e cultural regional ou nacional. Não há cerimónia desportiva que se preze que não utilize bandeiras. Estas não são apenas símbolos representativos dos países, mas também constituem um atractivo dos cenários. Num evento internacional é hasteada a bandeira da entidade desportiva responsável pelo evento, assim como a do país organizador, havendo lugar ao respectivo hino, e ocupando aquelas um local de destaque. As bandeiras correspondentes aos países participantes são hasteadas, ou já assim se encontrarão num determinado local onde se desenvolvem as provas e por vezes também no exterior do recinto, ficando expostas até final do evento, desde a direita em formato linear, ou do centro em alternância regular e por ordem alfabética no idioma do país organizador, aplicando o critério olímpico, com a excepção dos Jogos Olímpicos em que a bandeira da Grécia ocupa o segundo lugar. Se no caso de existirem bandeiras oficiais e bandeiras desportivas de carácter não oficial, deverão colocar-se separadamente. Por ocasião de eventos desportivos nacionais elege-se a bandeira nacional como símbolo máximo do torneio ou campeonato, assumindo a bandeira da Federação responsável pela organização, idêntica e proporcional posição de destaque, e a partir daqui, definem-se as regras para a colocação das restantes bandeiras representativas das entidades desportivas participantes. Em situações de eventos desportivos realizados em recintos cobertos, a colocação das bandeiras no interior do recinto não deve apoiar-se em mastros verticais. Nestes casos, utiliza-se uma fixação pela vertical, podendo as bandeiras manterem 8 | portugal protocolo nº5

a sua posição normal ou ficar fixas superiormente pela tralha. Outra diferença assenta no facto das bandeiras de mastro serem hasteadas manualmente enquanto as bandeiras de fixação vertical o são mecanicamente. Quando as competições não envolvem países mas sim clubes, não se utilizam as bandeiras representativas dos países, mas sim as bandeiras desportivas representativas dos clubes participantes e da entidade organizadora. As cerimónias de entrega de prémios, com variantes muito distintas consoante as modalidades, podem ser actos isolados ou únicos, ou podem ir decorrendo ao longo das provas. É o caso, respectivamente, de um Torneio de Golf, em que apenas ocorre uma cerimónia no final da competição, e que pode ou não ter lugar nas imediações do local onde se desenvolveu o torneio, ou de um Campeonato do Mundo de Equitação, em que os prémios se entregam no local principal das provas, à medida que as disciplinas da modalidade vão terminando. Durante o normal decurso das competições podem ter lugar outras cerimónias, desportivas ou não, nos recintos desportivos ou noutros locais, que pela sua importância e envolvência, merecem especial atenção da equipa de protocolo. Incluem-se nestes casos as recepções, as homenagens, o descerramento de placas comemorativas, banquetes, refeições oficiais, reuniões e entrevistas, que deverão ser preparadas de acordo com as orientações que forem determinadas para o efeito. Às cerimónias de entrega de prémios, que são uma atribuição exclusiva do protocolo, além dos desportistas, assistem as autoridades oficiais que estarão encarregadas de entregar os correspondentes troféus, constituindo uma comitiva que tomará o devido lugar destinado para o efeito. Num local prévio tem lugar a colocação das pessoas para o cortejo da comitiva, cuja ordem estará de acordo com a posterior localização nas imediações do pódio e com o critério que a organização entender, assim como também se confirmam as medalhas ou troféus que irão ser entregues, os ramos de flores ou outros objectos alusivos ao acto, o vestuário definido e a gravação do hino correspondente ao vencedor. O pódio, constituído por três níveis, contempla o 1º ao centro, cedendo a direita ao 2º lugar e a esquerda ao 3º. Deve estar localizado em frente à tribuna principal e o local do hastear das bandeiras deve ser lateral em relação àquele. Quando se trata de desportos colectivos, e


protocolo

consoante o número de atletas das equipas, o pódio deve ter as dimensões adequadas para o efeito, de modo a permitir uma acomodação espaçosa dos medalhados. Um locutor anuncia as entidades que entregam os prémios e quem os acompanha, no idioma do país organizador e em inglês. Conforme as situações e características específicas da modalidade e respectiva federação, podem-se entregar os prémios do 1º ao 3º lugar, ou na ordem inversa, como é o caso dos Jogos Olímpicos. Por fim, é anunciada a interpretação do hino do país do atleta vencedor e simultaneamente são içadas as três bandeiras correspondentes aos atletas agraciados, dispostas segundo o mesmo critério do pódio, tomando aqueles uma posição frontal às bandeiras, rodando nas suas posições. Normalmente, o hino do vencedor dura entre 30 a 40 segundos, na sua versão reduzida. As cerimónias de encerramento têm usualmente o mesmo formato que as cerimónias de abertura, embora com menor duração. Muitos eventos desportivos acabam por não definir um programa específico para a cerimónia de encerramento porque aproveitam os festejos da entrega de prémios para coincidir com o final do evento, que na maioria das ocasiões, traduz o encerramento da competição. Em eventos de grande projecção, as cerimónias de encerramento celebram-se imediatamente depois da entrega do último troféu da competição. A ordem dos discursos é a inversa à da cerimónia de abertura, havendo referência à forma como decorreu, sendo enaltecidos os valores desportivos, e terminando com a declaração de encerramento da competição. Tem lugar a passagem do testemunho, arreandose e hasteando-se, respectivamente, as bandeiras representativas do organizador que termina e as do organizador seguinte, acompanhando com os hinos. Normalmente tem lugar um espectáculo de diversão, culminando com um convívio entre todos os participantes. Uma das últimas preocupações e tarefas dos responsáveis pelo protocolo, após terminarem as actividades desportivas, é preparar e enviar os agradecimentos a todas as entidades que directa e indirectamente tiveram influência na realização do evento. Os agradecimentos contemplam factos formais da colaboração efectiva que teve lugar ou simplesmente manifestam o gosto e prazer tidos pelas respectivas presenças. Finalmente, mas não menos importante, é fundamental realizar uma reunião de rescaldo

e conclusões, elaborando um arquivo escrito ou digital, em que participam todos os elementos da equipa de protocolo e sob coordenação do responsável máximo por essa pasta, revendo e analisando pormenorizadamente todas as etapas do acontecimento, de modo a que os aspectos menos conseguidos possam ser revistos e rectificados, para eventual aplicação em futuras ocasiões nas condições ideais, num conceito de lições aprendidas. Não restam pois dúvidas que em qualquer evento, e particularmente nos desportivos, o responsável pelo protocolo deve trabalhar em equipa de modo a garantir o melhor êxito. A experiência diz que sempre surge um imprevisto, e nesse caso, há que reagir em tempo, encontrar uma solução possível, mesmo que não seja a melhor, adivinhando as consequências. As sequências das cerimónias especificas devem ser bem planeadas, e se possível, treinadas. O profissional de protocolo não pode permitir que aspectos menores interfiram na prossecução do seu plano, e como tal, deve estar sempre muito atento, prever desenvolvimentos inesperados, dividir tarefas e transmitir confiança aos seus colaboradores. O protocolo é a “Ciência da Excelência”, isto é, a técnica que atende à necessidade de alcançar a eficiência e a perfeição daquelas actividades ou acções humanas que têm por objectivo mostrar a imagem pública de uma instituição ou de uma empresa no âmbito da comunicação global. E por isso é algo que interessa a todos, quer seja uma instituição ou uma empresa, grande ou pequena, que pretenda dar boa imagem de si perante o seu público, e organizar os seus actos com brilhantismo e eficiência. Não se trata exclusivamente de uma mera técnica de ordenação ou colocação das autoridades ou das personalidades num acto público oficial, de instituição ou de empresa. O protocolo é, no nosso âmbito, algo mais do que uma ciência auxiliar ou mero recurso plástico formal para que os eventos respondam àquilo a que genericamente chamamos “a percepção do correcto”. O protocolo adaptou-se às novas realidades e costumes da vida moderna que forma parte da estrutura da actividade humana em que a boa intercomunicação e as relações fluidas são essenciais. A nós cabe-nos acompanhar.

Texto Adriano Firmino portugal protocolo nº5 | 9


josé vicente moura

José Vicente Moura, capitão-de-mar-e-guerra, reformado, desenvolveu paralelamente à sua vida militar uma actividade desportiva como nadador. Posteriormente começou uma carreira no dirigismo desportivo na área da natação. Já no Comité Olímpico, começou como secretário-adjunto, depois vogal, segue-se a vice-presidência e finalmente como presidente, cumprindo o seu terceiro mandato consecutivo.

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josé vicente moura

Como eram os Jogos Olímpicos da Antiguidade? Tanto quanto se sabe eram jogos só para os cidadãos helénicos livres, excluindo escravos e as mulheres, que não podiam participar nem assistir aos jogos. Eram jogos com maiores preocupações religiosas do que físicas. Os antigos gregos adoravam os deuses do Olimpo, que apesar de serem divinos se comportavam como humanos. Os gregos tinham uma verdadeira paixão pela beleza física, tanto feminina como masculina, e, portanto, os jogos também visavam homenagear o ideal de beleza nos atletas. Os seus feitos atléticos, de certa forma, imolavam-nos aos seus deuses. Durante o período dos jogos havia uma trégua tácita nas guerras no mundo grego, anunciada por mensageiros. Os jogos eram tão importantes que um atleta vencedor, não recebia directamente qualquer prémio monetário, somente uma coroa de louros, mais tarde de ramos de oliveira, tornava-se um semi-deus adorado por todos. Houve evolução desde os primeiros Jogos Olímpicos Modernos em 1896, em Atenas? H o u ve u m a s é r i e d e a c o n t e c i m e n t o s interessantes. Após a descoberta das ruínas da cidade de Olímpia, no século XVIII, pelo inglês Richard Chandler, havia um grande interesse pela arqueologia e pelo passado clássico. Já com o barão Pierre de Coubertin, interessado pelos desportos e após uma visita a uma escola em Rugby na Inglaterra, ficou tão impressionado com a educação daqueles jovens, baseada no desporto para mais tarde seguirem a carreira das armas que decidiu recuperar o ideal dos jogos olímpicos gregos num congresso em Paris. Aí foi, também, criado o Comité Olímpico Internacional, para a organização dos primeiros Jogos Olímpicos, em Atenas. Com o barão Pierre de Coubertin os jogos eram realizados com uma atitude muito utópica – não se aceitavam participações femininas, nem atletas profissionais, somente os amadores e em que o mais importante era participar e não ganhar. Com a sua saída os jogos evoluíram globalmente, já se recebendo todos os países, inclusivamente os países de Leste. A partir de 1984, em Los Angeles, o profissionalismo entrou finalmente nos jogos olímpicos. Os Jogos Olímpicos, de Los Angeles, atingiram uma outra notoriedade global? Sim. Porque o investimento financeiro foi imenso, em infra-estruturas e foram organizados por entidades privadas com fins lucrativos. A partir de então os jogos olímpicos tornaram-se num evento muito lucrativo a todos os níveis, e, nunca mais faltaram candidaturas de várias cidades à sua organização. portugal protocolo nº5 | 11


josé vicente moura

Qual o cerimonial, ou, cerimoniais mais importantes dos Jogos Olímpicos? Como se processam? Há cerimoniais próprios como o acender da chama olímpica em Olímpia pelo método antigo, em que se acende a tocha com a ajuda de um espelho hiperbólico por mulheres vestidas como as antigas sacerdotisas. Esta é como um farol anunciador, que se desloca pelos continentes difundindo a paz e a mensagem que os jogos serão realizados na cidade anfitriã onde a chama finalizará o seu percurso. Este cerimonial termina no estádio olímpico construído nessa cidade, depois do desfile da apresentação dos atletas participantes e finalmente entra um atleta transportando a chama que se dirige à pira olímpica acendendoa. Também aí os atletas e os árbitros fazem o juramento, segurando a bandeira olímpica, comprometem-se a competir cumprindo as regras desportivas com fairplay. Normalmente são libertadas centenas de pombas como símbolos da paz. Os jogos são iniciados com uma frase pronunciada pela personalidade oficial mais importante, geralmente o chefe de Estado do país anfitrião: “Declaro os Jogos Olímpicos da Era Moderna oficialmente abertos”. O içar da bandeira olímpica é feito ao som do hino olímpico, para além da presença das bandeiras dos países participantes. Esta bandeira fica hasteada juntamente com as bandeiras do Comité Olímpico Internacional e do país anfitrião à parte das restantes bandeiras nacionais. Há, claro, o cerimonial da entrega das medalhas onde num pódio aquelas são distribuídas e é imposta uma coroa de louros, seguindo-se a execução do hino nacional do país do atleta vencedor. Este é o cerimonial que nenhum atleta esquecerá. Há um Protocolo Olímpico? Sim. Este é definido pelo Comité Olímpico Internacional, sendo o Protocolo oficial da inteira responsabilidade do país organizador. Isto, por vezes, origina alguns problemas. O comité olímpico organizador só dá estatuto de grande entidade ao chefe de Estado e ao Primeiroministro, excluindo desta categoria os ministros que nem podem representar o Primeiro-ministro na sua ausência, os secretários de estado, por exemplo, nem estão contemplados oficialmente, só como convidados particulares do presidente do comité olímpico do seu país. Nem sempre esta organização e reconhecimento 12 | portugal protocolo nº5


josé vicente moura

de precedências é compreendido e aceite provocando algumas situações desagradáveis. Quais as diferenças mais relevantes na organização dos Jogos Olímpicos de um outro evento desportivo internacional? A diferença mais relevante é, naturalmente, o estatuto do Comité Olímpico Internacional e dos seus membros. Estes têm todos os direitos, privilégios e apoios. São os “depositários” do olimpismo internacional, e comportam-se como tal. Diferenciam-se dos restantes comités olímpicos nacionais. Já nos outros eventos desportivos internacionais tal não acontece. É entidade máxima o presidente internacional desse desporto e os restantes estão igualmente equiparados. Quais são os cuidados extraordinários na sua realização, na recepção e acolhimento de atletas, convidados oficiais e VIP? Dá-se sempre muita atenção a este aspecto. A nossa principal preocupação é os resultados, bem como dar total apoio aos atletas – este é o nosso objectivo! Paralelamente há a comitiva olímpica que não integra a missão olímpica – são convidados especiais como membros do governo, parentes de atletas, particulares, etc. Há vários níveis de acreditação, e esta indica o que se pode fazer, assistir, onde estar. São direccionadas para o tipo de convidados, como por exemplo, o dirigente da missão do atletismo só poderá assistir às provas daquela modalidade. Portugal reúne as condições ideais – humanas e logísticas – para a realização dos Jogos Olímpicos? Há possibilidade de se organizar jogos olímpicos em Portugal. Não agora, mais tarde. As estruturas constroem-se, bastando para tal haver dinheiro. Identifico dois problemas para a sua realização: a existência de um número suficiente de medalhas justificativo da realização dos jogos – não seria compreensível que, ao fim de alguns dias, os atletas portugueses estivessem todos eliminados, criando um ambiente de desapontamento. Por outro lado é necessário que os portugueses acreditem em si mesmos. O que se verifica cada vez menos.

Texto João Micael Fotografias Homem Cardoso portugal protocolo nº5 | 13


joão lagos

Figura incontornável do desporto de elite de Portugal, João Lagos tem uma longa e reconhecida carreira no mundo desportivo, no ensino e comunicação social especializada. Organizou eventos desportivos como o golfe, ténis, hipismo, motonáutica, rugby, volei de praia, surf, ciclismo, automobilismo e vela. Foi várias vezes campeão nacional absoluto no ténis, tendo participado várias vezes, como jogador e capitão, na selecção nacional na Taça Davis. Além de outras distinções foi reconhecido como “Personalidade do Século XX” no ténis por parte da Confederação do Desporto, bem como o grau de Comendador da Ordem de Mérito, no dia 10 de Junho de 2005. 14 | portugal protocolo nº5


joão lagos

Como nasceu a empresa Lagos Premium Events? A Lagos Premium Events não é propriamente uma empresa mas sim uma "bandeira" ou marca sob a qual se aglutinam os eventos "Premium" promovidos pelas empresas do Grupo, com maior destaque para a João Lagos Sports S.A. É uma designação que surge quando transferimos uma parte significativa do nosso esforço e trabalho para a organização de eventos de nível "Premium", com estatuto e dimensão internacional, que contribuem não só para a divulgação da modalidade em causa mas simultaneamente para a promoção além-fronteiras da imagem do nosso País. Que eventos organiza actualmente? Referenciando exclusivamente os eventos "Premium" regulares (anuais) do nosso portfolio actual, temos o Estoril Open (ténis), o Portugal Trophy (vela) e a "Volta a Portugal" (ciclismo). No seguimento da Grande Partida do Lisboa-Dakar em 2006 e 2007 (a edição de 2008 foi abruptamente cancelada na sequência de ameaças terroristas), com o qual pretendemos manter um ligação futura, iremos lançar ainda em 2008 uma nova e importante prova de Todo-o-Terreno integrada no Dakar Series e que manterá no futuro a ligação Portugal / África. Em anos anteriores, para além de eventos na área do golfe (Open de Portugal, Madeira Open e Estoril Open), do hipismo (Gala Equestre), da Motonáutica (Lisbon Grand Prix) e do Surf (Figueira Pro), entre muitos outros, merece destaque particular a organização da Tennis Masters Cup em Lisboa no ano 2000, que marcou decisivamente a nossa credibilidade internacional. É importante o uso do Protocolo no seu trabalho? O Protocolo constitui uma preocupação natural e constante nas nossas organizações, onde a presença de entidades oficiais ao mais alto nível é uma constante. Contudo, tendo em conta que os eventos desportivos são encarados pelas entidades oficiais com maior "à vontade", a importância do Protocolo acaba por ser algo relativizada, em nossa opinião com efeitos indesejáveis. A dificuldade com que o promotor se depara para saber ao certo e com antecedência quem marcará presença nas funções oficiais (por exemplo a cerimónia de distribuição de prémios), obriga a um esforço de improviso nada aconselhável em questões de Protocolo, exponenciando a possibilidade de gaffes protocolares. E se algumas personalidades por um lado não dão grande atenção às atempadas confirmações de presença, por vezes quando o tal improviso as prejudica não têm a mesma postura "desportiva"... portugal protocolo nº5 | 15


joão lagos

às atempadas confirmações de presença, por vezes quando o tal improviso as prejudica não têm a mesma postura "desportiva"... Quais as diferenças mais relevantes na organização de um evento desportivo internacional de elite? No fundo, se não considerarmos uma provável maior complexidade logística e organizacional pela dimensão do evento, nada mais o diferencia de um qualquer evento desportivo nacional que se preze, onde o selo de qualidade e objectivo de excelência devem ser igualmente elevados. Quais são os cuidados extraordinários na sua realização, na recepção e acolhimento de convidados VIP? Durante muitos anos os eventos desportivos não eram mais do que isso, eventos centrados na competição desportiva, onde a envolvente protocolar e de RP pouca expressão tinha. Hoje em dia a realidade é bem diferente, já que as grandes realizações desportivas constituem veículos de comunicação e de desenvolvimento de acções RP para os seus patrocinadores de valor muito significativo. Aliás o Estoril Open, evento de notoriedade assinalável no tecido desportivo nacional, construiu muito do seu sucesso nessa componente corporate, até para poder compensar e ultrapassar a enorme décalage de audiências de que Ténis sofria há 20 anos atrás.

As grandes realizações desportivas constituem veículos de comunicação com valor muito significativo.

Portugal reúne as condições ideais, humanas e logísticas, para a realização destes eventos? Não tenho dúvidas de que existe em nós, portugueses, excelentes capacidades organizativas, largamente demonstradas em grandes realizações como a Expo 98, o Tennis Masters Cup 2000 ou o Euro 2004, entre outras. O nosso grande calcanhar de Aquiles continua a residir nas infra-estruturas, já que o património nacional para eventos de grande dimensão se confina praticamente aos novos estádios de futebol construídos e remodelados para o Euro 2004 e ao Pavilhão Atlântico, o que é muito pouco se quisermos ser mais competitivos a nível internacional. Que falta para se atingir a Excelência neste campo? Naturalmente não podemos esquecer a dimensão do mercado nacional, que cerceia bastante a possibilidade de realização de grandes eventos,

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joão lagos

nomeadamente quando estão sujeitos a processos de candidatura ou concorrência internacional rigorosos onde a capacidade financeira constitui factor preponderante. Contudo, a maior limitação reside ainda no parco leque de infra-estruturas de qualidade de que dispomos, que permitam aos eventos atingir esse nível de excelência. Qual o episódio mais exemplificativo do correcto uso do Protocolo que tenha contribuído para o sucesso de um evento e da sua organização? Na medida em que o Protocolo não constitui um factor decisivo de sucesso nos eventos desportivos, apesar da sua importância, não

me ocorre nenhum exemplo marcante nesse sentido. Recordo contudo uma experiência negativa por parte de um membro do Governo que, ao não ser convidado a participar a cerimónia de entrega de prémios (não nos apercebêramos da sua presença pois não tinha sido anunciada), sentiu--se pessoalmente atingido e reagiu de forma desadequada pondo fim a uma parceria que se desenvolvia há anos (iniciada em Governo anterior) abruptamente e sem dar qualquer tipo de explicações.

Texto João Micael Fotografias Homem Cardoso

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arte & cultura Museu da Presidência da República

A Bandeira Nacional Após a vitória da revolução republicana de 5 de Outubro de 1910, os novos dirigentes vêm na redefinição dos símbolos nacionais uma das suas prioridades. O Hino da Carta é substituído pela marcha A Portuguesa, a bandeira azul e branca pela verde e rubra. Porém, a ruptura não é pacífica. Especialmente no que respeita à bandeira e às suas cores em particular a polémica é violenta e duradoira. Tendo constado junto da opinião pública que o recém-empossado Governo estaria inclinado em manter na bandeira as cores azul e branca da monarquia constitucional, a ala republicana mais radical dá a conhecer o seu desacordo. Para esta, as cores azul e branco representam a decadência da monarquia dos Bragança. Reclama antes a evocação da bandeira da jornada revolucionária de 3 a 5 de Outubro e da primeira bandeira a ser desfraldada depois da implantação da República, de cores verde e encarnada, bipartida verticalmente, vermelha junto à tralha, ocupando o verde a maior parte, com a esfera armilar de ouro assente em fundo azul, encimada por uma estrela de prata com resplendor de ouro. Procurando solucionar a questão, a 15 de Outubro de 1910 o Governo nomeia uma comissão para o estudo da Bandeira e do Hino Nacionais. Dela fazem parte eminentes personalidades da vida nacional: o pintor Columbano Bordalo Pinheiro; o escritor Abel Botelho; o jornalista João Chagas; e dois destacados combatentes do 5 de Outubro, o tenente Ladislau Pereira e o capitão Afonso Palla. A 29 de Outubro a comissão apresenta o seu projecto. Em tudo idêntico à bandeira da revolução, apenas se altera a localização das cores e a sua proporcionalidade, ficando agora o verde junto à tralha e ocupando maior espaço o vermelho. A proposta é apreciada em Conselho de Ministros realizado no dia seguinte e são sugeridas algumas modificações. A segunda versão da comissão é avaliada e aprovada pelo Conselho de Ministros menos de uma 18 | portugal protocolo nº5


arte & cultura Museu da Presidência da República semana depois, a 6 de Novembro. Respeitando na globalidade o projecto anterior, é suprimida a estrela e são introduzidas ligeiras alterações à esfera armilar. A 29 de Novembro o Governo Provisório aprova o último projecto, ao que se soube pela maioria de um voto, e estabelece por decreto o 1 de Dezembro como o Dia da Festa da Bandeira, dia em que simultaneamente se celebra a Restauração da Independência em 1640. É o primeiro feriado da jovem República e a primeira grande festa cívica por ela realizada. Na manhã de 1 de Dezembro, frente à Câmara Municipal de Lisboa, a Escola Naval e a Escola do Exército em parada militar e ao som de A Portuguesa prestam homenagem à bandeira verde e rubra. Todavia, a controvérsia não termina. Multiplicam-se os projectos de bandeira, travam-se de razões os seus autores, discutem-se as cores, as armas e a simbologia. As cores são o principal ponto de discórdia. Ao apoio dado ao verde e rubro por Afonso Costa, António José de Almeida ou Teófilo Braga, opõe-se o azul e branco defendido por não menos prestigiadas figuras, de que são exemplo Guerra Junqueiro, Braamcamp Freire, Lopes de Mendonça ou Sampaio Bruno. Os primeiros evocam o verde e rubro da bandeira içada na malograda revolta de 31 de Janeiro de 1891 no Porto e a posterior propaganda republicana, os segundos sublinham a tradição histórica, falam do branco e azul como espelho da alma nacional, lembram que a bandeira verde e rubra içada na varanda do município de Lisboa a 5 de Outubro estava ladeada por duas bandeiras azuis e brancas. O plebiscito reclamado pelos partidários do azul e branco não é aceite pelo Governo e a 19 de Junho de 1911, na sessão de abertura da Assembleia Nacional Constituinte, é sancionado o projecto aprovado anteriormente: “A Bandeira Nacional é bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde-escuro e escarlate, ficando o verde-escuro ao lado da tralha. Ao centro, e sobreposto à união das duas cores, terá o escudo das Armas Nacionais, orlado de branco e assentando sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro”. Dias depois é publicado o parecer técnico sobre as medidas e proporções da bandeira nacional, das bandeiras regimentais e do Jack para os navios. O triunfo da bandeira verde/rubra corresponde à confirmação simbólica dos princípios ideológicos e políticos da propaganda republicana. A matriz democrática, positivista, nacionalista e colonial, laica e anti-clerical do republicanismo histórico é consagrada. O vermelho é a cor dos movimentos revolucionários e populares, o verde a cor destinada por Comte aos pavilhões das nações positivistas do futuro; o escudo das quinas e a esfera armilar a evocação dos dois momentos mais altos da história portuguesa – a fundação da nacionalidade e a epopeia marítima. Pelo contrário, a expulsão do azul-branco é a ruptura com a monarquia e com o culto católico de Nossa Senhora da Conceição. O verde e o vermelho são, aliás, as cores sempre presentes em toda a iconografia que simboliza a República entre 1891 e 1910, ou seja, durante o “período de propaganda” do republicanismo. Por esta ser, mais que a bandeira nacional, a bandeira da República, com uma legitimidade sobretudo política, o seu reconhecimento é complexo. Nem entre os republicanos a opção é consensual. Os actos de desrespeito e repúdio são inicialmente frequentes, mesmo entre os militares. Apenas o tempo e a travessia das vicissitudes políticas e militares a confirmam definitivamente como símbolo nacional.

Susana Martins Diário da Assembleia Nacional Constituinte, n.º 1, sessão de 19 de Junho de 1911, p. 1. Fotografia - Imagens de Luz-MPR

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jorge baptista

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Trabalha para a FIFA desde 1991 como media officer, tendo sido convidado para este cargo após o seu desempenho como chefe de imprensa no mundial sub-21 em Portugal, no estádio da Luz. Mais tarde ingressou na UEFA em 1998, trabalhando desde então nos campeonatos mundiais e europeus, bem como em competições como a Liga dos Campeões, os sub-17, 19 e 21. Desenvolve, desde 2007, a actividade de formador na FIFA, realizando seminários de comunicação aos media a alguns países, como a Namíbia, a Guiana Inglesa e o Brunei. Acha, também, que algumas equipas, portuguesas incluídas, deveriam assistir a estes seminários pois são deficitários no campo da comunicação e da imagem.


jorge baptista

Há um Protocolo Desportivo? Há, obviamente, regras e normas internacionais da FIFA e das federações no mundo do futebol. Quando se disputam os jogos internacionais há um protocolo específico, inclusivamente, existe um departamento especializado nessa área. Onde se vê esse Protocolo? Nas competições internacionais, como a Liga dos Campeões e os campeonatos europeus e mundiais – marcação de lugares, a relação com os meios de comunicação social, a atribuição de bilhetes de oferta às diversas personalidades, o relacionamento com os patrocinadores, o acompanhamento aos presidentes, a visita aos campos antes dos jogos, o acolhimento dos árbitros, as forças policiais, o almoço ou jantar entre as equipas, a troca de presentes, e, particularmente a comunicação com o departamento de protocolo do clube adversário e as entidades oficiais locais. O Protocolo no futebol é diferente do usado nos outros desportos? É o mais mediático, mas, não é muito diferente dos outros desportos. Quais são os maiores eventos no futebol? Em Portugal são os grandes derbies, como por exemplo o Benfica-Sporting, a final da Taça de Portugal, e, a nível internacional os jogos das selecções, a Liga dos Campeões e os campeonatos europeus e mundiais. Qual é a reputação dos portugueses no meio do futebol? Antigamente éramos considerados “picuinhas”, no sentido de se tomar uma postura de diva. Tempos houve, em que certas organizações “fugiam” dos portugueses, porque estes punham tudo em causa, protestavam por tudo, devido a um certo complexo de inferioridade, e, outras vezes devido ao seu contrário. Hoje, já é diferente, também devido há internacionalização de alguns jogadores e treinadores. Os estrangeiros aprenderam a separar o trigo do joio, não generalizando a sua opinião somente pela nacionalidade. O Euro 2004 foi o marco da diferenciação na percepção dos portugueses no futebol, porque a sua organização foi impecável, o ambiente e envolvimento do povo português alterou a sua imagem junto dos estrangeiros. Texto João Micael Fotografias Homem Cardoso portugal protocolo nº5 | 21


jogos olímpicos londres 2012

As Olimpíadas de Londres Um grande evento desportivo e uma oportunidade para negócios Há já mais de um século que os Jogos Olímpicos são um símbolo de união entre nações e culturas. Hoje em dia os Jogos reflectem a diversidade global de culturas, idiomas e religiões – unidas pelo desporto. As excelentes Olimpíadas deste ano em Pequim mostraram-nos a todos o que os Jogos Olímpicos podem alcançar. 22 | portugal protocolo nº5


jogos olímpicos londres 2012

A Grã-Bretanha tem orgulho no sua herança olímpica e desportiva. Os Jogos Olímpicos de 1908 e 1948 realizaram-se em Londres. Foi na Grã-Bretanha que tiveram origem muitos dos desportos mais populares a nível mundial. É também o país onde se realizam alguns dos maiores eventos desportivos, nomeadamente Wimbledon, Grand National, FA Premier League, e a Maratona de Londres. O anúncio de que a candidatura de Londres tinha saído vitoriosa foi feito pelo Comité Olímpico Internacional em Singapura em Julho de 2005. Londres teve que enfrentar a difícil concorrência de algumas das principais cidades mundiais, tais como Paris, Moscovo, Nova Iorque e Madrid. O resultado é um tributo à extraordinária dedicação e imaginação daqueles que contribuíram para tornar um sonho na realidade actual. A nação uniu-se em torno deste projecto. Um dos factores que marcam a diferença e contribuíram para o sucesso da nossa candidatura, é o modo como está direccionada para os jovens – encorajando um número cada vez maior a manter uma boa condição física e a praticar desporto, e encorajando-os, independentemente das suas proezas físicas, a oferecerem os seus serviços à causa olímpica como voluntários. Pensamos que a escolha de Londres para acolher os Jogos Olímpicos de 2012 foi acertada. Londres é uma das cidades do mundo onde existe maior diversidade. Os londrinos falam 300 idiomas e as suas raízes estendem-se a todos os cantos do globo. Um quarto dos londrinos nasceu fora do Reino Unido. Um em cada três londrinos pertence a uma minoria étnica. Consideramos que os Jogos de Londres 2012 são importantes por serem não só uma celebração do desporto, mas também um factor de regeneração. Estão a transformar uma das

zonas mais degradadas de Londres, à semelhança do que aconteceu com a regeneração de uma das zonas mais bonitas de Lisboa por ocasião da Expo98. Irão criar milhares de postos de trabalho e habitações, oferecer novas oportunidades para negócios na zona de Londres, deixando também um legado a todo o país, dado que haverá competições olímpicas em Glasgow, Cardiff, Weymouth, Birmingham, Manchester e Newcastle. As Olimpíadas de Londres 2012 representam muito mais do que uma grande oportunidade para exibir talentos desportivos; são uma oportunidade para promover competências e talentos entre a comunidade local e para promover o comércio e o emprego. Números recentes mostram que mais de uma em cada 10 pessoas que estão a trabalhar no Parque Olímpico em Londres estavam desempregadas; um terço das 2.275 pessoas que lá trabalham vivia na zona; calcula-se que cerca de 10.000 trabalhadores da construção civil estarão empregados quando o contracto atingir o seu ponto mais alto em 2009/10. Isto mostra como os Jogos podem ser um elemento catalizador da mudança económica e social. Mas tão importante como o legado dos Jogos de 2012 em termos de infra-estruturas, será o legado em termos de emprego duradouro e competências para as pessoas locais e para o sector da construção no Reino Unido. Apelamos a pessoas e empresas para que façam parte deste projecto: façam parte de um país que tem estado na primeira linha do combate contra as alterações climáticas; um país reconhecido como o melhor local na Europa para se ser bem sucedido no comércio global; um país inclusivo, virado para o futuro, dinâmico e inovador, que é visitado todos os anos por cerca de 32 milhões de pessoas. Por tudo isto, a minha mensagem para todos em Portugal é: venham fazer parte deste grande projecto! Alex Ellis, Embaixador Britânico em Portugal

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espaço

O Estádio Nacional do Jamor O Estádio Nacional pretendia melhorar a “formação física da mocidade” e permitir a realização de exercícios e de jogos que gerassem, cultivassem ou demonstrassem a destreza e a força dos indivíduos e dos grupos”

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espaço

A promessa feita por Salazar, em 1933, de construir um estádio, começou a tomar forma um ano depois, com o Plano Geral de Distribuição de uma Cidade olímpica, desenvolvido pelo Arqt.º Jorge Segurado, no espaço vizinho ao da projectada Cidade Universitária, no Campo Grande, em Lisboa. O Estádio Nacional foi construído noutro local, na Cruz Quebrada a 10 km de Lisboa. A sua relação com o ambiente envolvente, no plano de 1939, delineado pelo Arqt.º Jacoberty rosa e pelo Eng.º Almeida e Brito, já incluía uma ligação ao rio Tejo e a construção de equipamentos construídos na parai da Cruz Quebrada – uma marina, cais fluvial e clubes náuticos. A sua construção iniciou-se em 1938, sob a tutela do então ministro das Obras Públicas e Comunicações, o Eng.º Duarte Pacheco, tendo ficado concluído em 1944. Exceptuando o hipódromo e as obras fluviais, o programa de construção foi praticamente cumprido. Este previa: estádio de atletismo e futebol, praça da maratona, miradouro da BoaViagem, campos de treinos, estádio de ténis, courts de ténis, piscinas, hipódromos, marina, clubes náuticos, cais fluvial, acampamentos para a mocidade Portuguesa, campistas e para atletas, o Parque Florestal da Encosta do Esteiro, oito parques de estacionamento, estação de eléctricos, estação de comboios, miradouro do grande estádio, capela, farol, depósito de água, caracol de Santa Catarina, parque de jogos e o Instituto Nacional de Educação Física. A disposição do estádio de atletismo e futebol, comum na Antiguidade Clássica, aproveitando o declive natural do terreno, construindo aí as bancadas. Esta integração paisagística permitiu a construção daquela estrutura capaz de acolher 48 000 pessoas. Este tipo de arquitectura era também muito usual nos regimes fascistas, como o projectado Foro Mussolini, em 1927 para Roma; a nova Chancelaria do III Reich, em Berlim, projectada em 1938 e a imponente Universidade de Moscovo, nas colinas de Lenine. O Estádio Nacional de atletismo e futebol foi inaugurado durante a II Guerra Mundial, e, contou com a presença de cerca de 60 000 pessoas. A cerimónia oficial de inauguração, organizada por António Ferro, decorreu no dia 10 de Junho de 1944, contando com uma grandiosa festa desportiva. A cerimónia incluiu uma parada desportiva, tendo sido o estádio decorado pelos pintores Carlos Botelho e José Rocha. Mais de 3000 rapazes da Mocidade Portuguesa,

vestidos de branco, bem como a classe de ginástica feminina da FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), participaram naquela parada. Este festival foi filmado pelo realizador António Lopes Ribeiro, num documentário que mostrava a cerimónia de inauguração e ainda o decorrer das obras de construção do estádio. O Complexo Desportivo do Jamor foi, no fim do século passado, aumentado com novos equipamentos: piscinas, parque urbano, pista de corta-mato). Também o estádio foi remodelado, os anteriores 48 000 lugares passaram a 37 700, com a instalação de cadeiras de plástico. Foi construído, também, um sistema de iluminação. Para Jorge Paulino Pereira estas alterações retiraram “parte do seu carácter majestático, tornandose mais um recinto desportivo, talvez mais apetrechado, mas menos nobre na aparência…” Agradecimentos ao Instituto do Desporto de Portugal Bibliografia: Revista “História”, Ana Assis Pacheco Revista Olisipo, Jorge Paulino Pereira Fotografias: Instituto do Desporto de Portugal portugal protocolo nº5 | 25


opinião

Os Jogos Olímpicos antigos, eram um festival religioso e atlético da Grécia antiga, que se realizavam no santuário de Olímpia, em honra de Zeus. Eram um acontecimento único, tudo parava para a realização dos jogos, até as guerras pois tinham um carácter religioso e ético. Após diversos estudos atribui-se o ano de 776 a.C. à primeira edição destes festivais religiosos e atléticos. Zeus, era o pai e o soberano dos deuses, a quem foi erigida uma estátua em mármore cristalizado, da autoria de Fídias, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, colocada no santuário construído em sua memoria, (ainda hoje se podem ver as ruínas) na cidade de Olímpia, num local paradisíaco no centro

de um bosque. Estes festivais eram constituídos por diversas provas como: Corridas Pedestres que incluíam a corrida de 192 metros, o comprimento do estádio sendo esta prova a mais antiga e de maior prestígio, já que o seu vencedor daria o nome aos jogos, duplo estádio e corrida com armas; Corridas Equestres que incluíam as corridas de carro ou de cavalo de cela; Luta onde era obrigado provocar e derrubar três vezes o adversário, para se consagrar vencedor; Pugilato, em que se atacava só com os punhos, e os concorrentes envolviam os dedos com tiras de couro; Pancrácio era uma combinação de luta e pugilato, por vezes levava o concorrente à morte, onde tudo era permitido excepto enfiar os dedos nos olhos, atacar a região genital ou morder e, o Pentatlo que era composto pelo lançamento do disco, por vezes feito de pedra, bronze ou ferro, com mais de 2,5kgs., lançamento do dardo, salto em comprimento, corrida de estádio e a luta. Estas provas duravam 5 dias e terminavam com uma 26 | portugal protocolo nº5

procissão, liderada pelos atletas vencedores até ao Templo de Zeus, onde eram premiados um por um com uma coroa de louro atribuída pelos juízes, os espectadores atiravam pétalas e folhas sobre os vencedores e à noite havia grandes festas e banquetes. Esta é a história conhecida e resumida do início d o s j o g o s o l í m p i c o s , o s q u a i s f o ra m interrompidos após a guerra do Peloponeso. O renascimento dos Jogos Olímpicos, depois de 16 séculos da sua extinção, foi realizado com a preciosa mão de Pierre de Fredy, pedagogo francês, Barão de Coubertin, onde esperava reviver a antiga tradição grega e unir os povos. Assim em 1894, contando com a presença de representantes de 15 Países, fundou o Comité Olímpico Internacional (C.O.I), organismo que ainda hoje controla todo o mundo olímpico. Dois anos depois, realizava-se em Atenas os primeiros jogos olímpicos da era moderna contando com 285 atletas de 13 países. A partir daqui as olimpíadas são realizadas de 4 em 4 anos e a cidade onde se realizam os jogos é decidida numa reunião do C.O.I., sete anos antes da prova. Existem centenas de desportos mas nem todos são considerados olímpicos, para serem aprovados têm que ser praticados por homens em pelo menos 75 países e em 4 continentes, e, por mulheres em pelo menos 40 países e em 3 continentes. O Hino dos Jogos Olímpicos foi composto por Spirou Samara, baseado num poema de um poeta grego Costis Palamas e foi ouvido pela primeira vez na primeira edição dos jogos olímpicos modernos, em 1896. A Tocha Olímpica, arde pela 1ª vez em 1936 em Berlim. Esta tocha é acendida em Olímpia e chega ao estado olímpico desse ano, sempre acesa. O criador desta cerimónia foi o alemão Carl Diem e recorda a tradição grega que se acendia uma fogueira no altar da Deusa Hera durante a realização dos festivais. A Bandeira Olímpica, idealizada pelo Barão de Coubertin, é toda branca, com os cinco anéis entrelaçados e é a bandeira actual dos jogos olímpicos. A primeira bandeira foi costurada em Paris e apareceu pela primeira vez oficialmente em 1914 mas só foi hasteada em 1920 em Antuérpia. Os anéis representam os continentes (azul a Europa, amarelo a Ásia, verde a Oceânia, e o verde a América) O Lema Olímpico “Citius, Altius, Fortius” – traduzido para português significa “mais rápido, mais alto, mais forte”, foi criado por um monge francês chamado Didon amigo do Barão de Coubertin. Maria Olímpia Simões


como deve ser

Não há desporto sem protocolo e algumas modalidades desportivas têm até regras de protocolo bastante rígidas. Mas há também muitas regras de cortesia que não são obrigatórias e não constam dos regulamentos que regem as modalidades e que se tornaram uma tradição. O Protocolo Desportivo tem mais visibilidade nos grandes acontecimentos internacionais, onde os países, as delegações, os dirigentes, os atletas e os espectadores, através de atitudes carregadas de simbolismo, trocam cumprimentos e agradecimentos e prestam as devidas honras protocolares. Os jogos olímpicos foram e são sempre um bom exemplo da rigidez e da flexibilidade do protocolo, pela diversidade de modalidades envolvidas, pela diversidade de povos e países que neles participam e pelos diversos protocolos e tipo de cortesias que é preciso ter em conta e conciliar, numa organização daquelas dimensões. E mais do que a propósito dos jogos olímpicos deste ano, e no âmbito das regras de comportamento que dizem respeito a todos e a cada um dos membros de uma delegação olímpica, cabe aqui falar do comportamento dos atletas nacionais que se deslocaram a Pequim e que tiveram a ousadia de, em plenos jogos, aproveitar o tempo de antena para fazer as suas reclamações e exigências, bem como dos dirigentes que não souberam estar à altura dos acontecimentos, dando uma imagem pouco digna da representação portuguesa. Não era o tempo e não era com toda a certeza o lugar. Pode dizer-se que foi uma belíssima “queda” protocolar. Mas voltemos ao protocolo propriamente dito. As Bandeiras e os Hinos dos Países intervenientes numa competição, a quem é prestada a homenagem e honra devidas em competições que envolvem dois ou mais países ou quando os atletas sobem ao pódio para receber uma medalha de ouro, são um ponto alto do protocolo desportivo. As regras de comportamento e os trajes são formalidades que fazem parte do dia a dia de muitas modalidades e podem ir desde o vestuário do praticante ao vestuário e ao comportamento mais ou menos elegante e mais ou menos rígido do espectador. As corridas de cavalos de Royal Ascot são um bom exemplo da rigidez de regras que não podem ser infringidas sob pena de os espectadores verem a sua entrada barrada no recinto do acontecimento. Este ano, a Rainha Isabel II, impôs rigorosas regras de protocolo para Royal Ascot, no que se refere ao traje,

proibindo as mulheres de mostrarem os ombros e de usarem mini-saia, cujo uso foi considerado impróprio. Estas corridas são um dos mais tradicionais eventos da elite britânica, famoso pelos chapéus usados pelas espectadoras. Quem assistiu às corridas na presença da Rainha cumpriu rigorosamente as regras de protocolo criadas pelo Duque de Devonshire e aprovadas pela soberana: - Os homens com fatos de três peças e chapéu alto; - As mulheres, de chapéu, ombros e pernas cobertos e com vestidos ou conjuntos de calças; as alças, com mais de 25 mm de largura.

O Desporto não existe se só tiver atletas, precisa de espectadores para que a competição tenha visibilidade, para que exista de facto. É fundamental que, à partida, algumas regras de convivência estejam definidas para serem cumpridas, porque mesmo com regras, passamos a vida a ouvir falar de ausência de desportivismo e de falta de fair play. E o protocolo e a etiqueta valem para todos: para atletas, para dirigentes e para espectadores.

Margarida de Mello Moser portugal protocolo nº5 | 27


1º encontro empresarial

Protocolo Social no meio Profissional As empresas privadas e as entidades oficiais organizam, cada vez mais, reuniões e eventos com um forte impacto social. Pela importância que estes acontecimentos têm, são colocados aos profissionais novos desafios a nível protocolar que obrigam a um maior profissionalismo. Para dar resposta a estas e outras questões, o Gabinete Portugal Protocolo e o IAEC, realizaram o I Encontro Empresarial no dia 24 de Junho, no Hotel Avenida Palace, em Lisboa. Naquela sessão, num ambiente informal e descontraído, foi debatida a importância do Protocolo Social no Meio Profissional, onde houve lugar para a colocação de questões e dúvidas sobre esta temática. Este debate foi conduzido por Henrique Pietra Torres, especialista na área do Protocolo. Este encontro visou igualmente a vertente de entreajuda onde foram leiloadas peças de relevantes artistas portugueses: uma pintura de Virgínia Goes, uma edição de colecção do livro “29 Janelas de Maluda” de António Homem Cardoso, a colecção “Aqua Librae” de Manuel Carmo, uma peça de cerâmica de Dário Vidal e uma peça de joalharia de Filipe Caracol, cujo valor reverteu a favor da SOL – Associação de Apoio às crianças infectadas pelo Vírus da Sida e suas Famílias, representada por Teresa de Almeida, presidente da associação, como convidada de honra. 28 | portugal protocolo nº5


1º encontro empresarial

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4 1. Margarida Lima Fonseca, Leonor Correia de Sá, João Micael, Teresa de Almeida e Maria do Rosário Ramos 2. Virgínia Goes 3. Manuel Carmo 4. Filipe Caracol 5. Piedade Polignac de Barros 6. Maria Hermínia Caetano Ramos

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notícias

Palácio da Ajuda homenageia mecenas e voluntários Mecenas e doadores do Palácio Nacional da Ajuda foram homenageados, no dia 25 de Outubro, num concerto de música clássica com a actuação do barítono Luc Lalonde, os pianistas Wonny Song e David Triestam, o violinista Alexander da Costa, que interpretaram obras de Ravel, Stenhammmar e Beethoven; e entrega de diplomas a 17 voluntários para distinguir o seu "trabalho excepcional" no palácio. Esteve presente a Secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes dos Santos e o director do Instituto de Museus e Conservação, Manuel Bairrão Oleiro. Após o concerto foi servida uma ceia, oferecida pela Nestlé, aos convidados desta homenagem.

Secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes dos Santos 30 | portugal protocolo nº5


notícias

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3 1. O barítono Luc Lalonde 2. Isabel Silveira Godinho e Manuel Bairrão Oleiro 3. Entrega de diplomas 4.Isabel Silveira Godinho e 5. Embaixadora do Peru, Luzmila Zanabria e João Micael

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notícias

Funchal 500 Tall Ships Regatta 2008 O Funchal recebeu, em Outubro, os grandes veleiros participantes na Tall Ships Regatta Funchal 500 Anos. O programa, integrado na comemoração dos 500 anos de instituição como cidade pela coroa Portuguesa, a primeira a ser instituída nos vastos domínios dos Descobrimentos, foi variado e promoveu a interacção entre a população da cidade e os tripulantes: como a visita a alguns dos mais emblemáticos veleiros do mundo; o cocktail oferecido pelo embaixador do México, no navio Cuauhtemoc a Miguel de Albuquerque, presidente da Câmara Municipal do Funchal e convidados; a exposição fotográfica "Tall Ships Race - Funchal 500 Anos - Na rota dos Grandes Veleiros", de Leonel Nóbrega e a assinatura de protocolo de cooperação entre o Funchal e Ílhavo.

1. Comandante do navio Cuauhtemoc, embaixador e embaixatriz do México, Miguel e Elizabeth de Albuquerque e um oficial do veleiro mexicano 2. Assinatura do protocolo d ecooperação entre o Funchal e Ílhavo, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal

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Audi Med Cup 2008 A final do circuito de regatas líder mundial – o Troféu de Portugal: Audi Med Cup, teve lugar em Portimão, em Setembro. Este foi o segundo ano consecutivo em que esta cidade recebeu este evento internacional. O circuito de regatas contou, este ano, com 20 equipas oriundas de dez diferentes países, entre eles Portugal.

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1. João Lagos e Manuel da Luz 2. Bebé Arnoso e João Sachetti 3. Helena Gil, António Ponces de Carvalho e Margarida Ruas. 4. Júlia e Sílvio Santos 5. Manuel e Daiana Pinto Coelho, Madalena Mendonça, António e Sandra Garcia Pereira

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Revista Portugal Protocolo Nº5 "Protocolo no Desporto"