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Á lv a r o CovõesA C

ultura é uma forma de fazer política

Basílicade Mafra

Charles Worth o pai da A lta - C o s t u r a Museus do Kremlinna Fundação Gulbenkian # 21.2014


Livros para executivos e empresas de Excelência O Protocolo é essencial na gestão de uma carreira de sucesso feita de reuniões, encontros, apresentações, jantares sociais, comunicação aos órgãos de comunicação social entre tantos outros eventos que fazem, cada vez mais, parte do dia-a-dia de um profissional exigente e conhecedor.


5 | Editorial 7 | Entrevista, Álvaro Covões 22 | O Sentido

do

Paladar, Aura Lounge Café

26 | Património, Basílica

de

Mafra

40 | Cultura, “Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem Nórdica no

Oriente”,

Museu

Museu Nacional

56| Cultura, “Tesouros o

do

na

do

de

do

Prado”,

Arte Antiga

Kremlin - Os Kzares

e

Fundação Calouste Gulbenkian 64 | Memória, Charles Worth, o

Pai

Alta-Costura

da

77 | Protocolo, Vasco Graça Moura 80| Protocolo, Primeiro-Ministro

de

condecorado

Timor-Leste em

Portugal

80 | Protocolo, IX Encontro COTEC Europa 86 | Protocolo, Secretário-Geral Ibero-americano condecorado

PORTUGAL PROTOCOLO Edição Digital Nº 21 | 2014

Director

João Micael

Jornalista Convidada Maria Dulce Varela Arte

Portugal Protocolo Design

Propriedade João Micael - Protocolo, Imagem e Comunicação

Unipessoal, Lda.

Rua Actor Augusto de Melo, Nº 4, 3º Dto. 1900-013 Lisboa Portugal Tel. +351 21 410 71 95 | Telem. +351 91 287 10 44 protocolo@portugalprotocolo.com www.portugalprotocolo.com

Registo ERC Nº 125909 INTERDITA A REPRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS POR QUAISQUER MEIOS

Por

vontade expressa do editor a revista respeita a ortografia

anterior ao actual acordo ortográfico.

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 3


www.p ort u galp rot oc olo.c om


E

d i t o r i a l

Cada vez mais Portugal é o palco preferencial para a exibição de colecções dos melhores museus do Mundo. O ciclo foi iniciado pela chegada do Hermitage de S. Petersburgo, museu de reputação mundial e que após longas negociações se acordou no envio de algumas peças de inestimável valor artístico referentes aos monarcas mais famosos. A aposta da Galeria de Pintura do Rei D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda, estava ganha, tendo-se tornado na exposição mais visitada de sempre e colocando Portugal no circuito internacional do Turismo Cultural. Álvaro Covões, personalidade entrevistada nesta edição, trouxe para o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, alguns dos mais célebres nomes da História da Pintura Ocidental - Rubens, Brueghel, Lorrain -, acervo do Museu do Prado, curiosamente fundado por uma portuguesa, a infanta Maria Isabel de Bragança, filha de D. João VI, e mulher do rei Fernando VII de Espanha, pois foi sua a iniciativa de reunir obras de arte dos monarcas espanhóis para criar um museu real, tendo sido inaugurado em 19 de Novembro de 1819, um ano após sua morte. Agora a Fundação Calouste Gulbenkian oferece ao público a oportunidade impar de conhecer os tesouros dos museus do Kremlin, mais concretamente, as ofertas de Estado aos Czares por parte dos soberanos iranianos e turcos. É a informação cabal do reconhecimento da importância de Portugal, particularmente de Lisboa na cena internacional - cultural e turística -, para a qual muito contribui a singular característica patrimonial portuguesa que urge recuperar, manter e dignificar. As manifestações culturais de um

país devem ser amplas – as de grande difusão e as de nicho-, e não somente apoiar as de consumo rápido e, muitas vezes de gosto e objectivos duvidosos; mas também ser alvo de investimento inteligente e sagaz, em movimentos artístico-culturais, que poderão desenvolver-se em elementos diferenciadores nacionais

de excepção. A Cultura não pode ser controlada pelo Estado, antes este deve criar as condições propícias fiscais ideais para a sociedade civil apoiar, financiar e acarinhar o seu desenvolvimento. Assim, o ambiente pouco saudável e oneroso da dependência de subsídios e, pior, do clientelismo tornar-se-iam obsoletos e garantiriam uma maior e, seguramente, mais competente, selecção e surgimento de criadores, artistas, pensadores e intelectuais com verdadeiro talento. João Micael | Director de Portugal Protocolo #21 | Portugal Protocolo 2014 | 5


E n t r e v i s ta ,

Com

Á lva r o C o v õ e s

à mesa com

um percurso que admite não ser,

de todo, linear, o nosso entrevistado

de hoje é um empresário bem-sucedido, um dos pioneiros, no nosso país, na

organização de festivais de música e na promoção de espectáculos, mas é

muito mais do que isso.

Álvaro Covões,

com quem nos juntámos num almoço no restaurante

Aura,

considera-se

politicamente incorrecto e acha que o

Estado

ainda se considera acima da lei e

que há interesses subterrâneos a dominar o que nos rodeia.

Queixa-se,

por outro

lado, de que ninguém nos ouve e que

vivemos num sistema perverso.

Covões, desde espectáculo, foi aí que

da família ao

Herdeiro

sempre ligada foi buscar os

conhecimentos e o gosto pela área.

Texto de Maria Dulce Varela Fotografias de João de Sousa #21 | Portugal Protocolo 2014 | 7


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

Vamos começar pelo assunto mais quente do momento que é a questão dos Miró. Continua interessado em fazer uma exposição com os Miró, agora que, parece, voltou tudo à estaca zero? Isso resultou de uma declaração minha... Eu sei que foi... Não sei se vai voltar tudo à estaca zero, esperemos que sim!!! Eu tenho uma história... Eu acabei por ficar envolvido, mais seriamente, neste mundo das exposições, por causa dos Miró. Eu li que havia uma colecção fantástica e que havia uma intenção de vender. Eu percebo a lógica. Eu percebo que os quadros, a colecção, não é do Estado. Pertence a uma massa falida. Existem dívidas para pagar e existem activos. E se o Estado quiser ficar com ela, tem de pagar aqueles activos... Mas, então, não acha que seria melhor passar os quadros à Caixa Geral de Depósitos e, então, a Caixa fazer a exposição...? Isso não existe. Os Miró são pertença da Parvalorem... Mas a Parvalorem é do Estado... ... Mas não é da Caixa... Para pagar as dívidas à Caixa... Não!... não!... não!... as dívidas são à Parvalorem. Fala-se em dívidas de cinco mil milhões e eu acho que as dívidas atingem os dez mil milhões. A grande questão é esta. Eu, na época, 8 | Portugal Protocolo 2014 | #21


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 9


E n t r e v i s ta ,

10 | Portugal Protocolo 2014 | #21

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

fiz uns contactos informais com as Finanças, no sentido em que, em princípio, para vender e para valorizar uma colecção, o ideal seria expôla. E, ao contrário do que se tentou depois disfarçar, o problema destas discussões é quando elas passam ao nível partidário. Assim, nunca chegamos a bom termo. Mas nunca quiseram realmente mostrar. Queriam era vender. Eles disponibilizaram-se, disseram que não tinham problema nenhum em que se organizasse uma exposição. Acordámos em que eu organizaria a exposição. O problema é que, quem sou eu para fazer uma exposição? Então, eu achei que queria ter um parceiro número um em Portugal. E quem era o parceiro? O parceiro número um em Portugal é a Direcção Geral de Património Cultural. Falei com o secretário de Estado da época, o Francisco José Viegas. Levei-lhe a ideia e falámos informalmente. Era necessário um museu, até pelas condições de segurança, os alarmes. E eu também precisava dos conservadores. Quem sou eu para pendurar os quadros daquele valor nas paredes. Francisco José Viegas achou uma óptima ideia. Mas antes, disse-me que precisava de alguém que o ajudasse a trazer a exposição da Joana Vasconcelos de Versalles para Queluz. E eu aceitei... porque aqui em Portugal está-se sempre a discutir o sexo dos anjos e não aquilo que interessa. Tinha visto a oportunidade, porque achei que, sob o ponto de vista não só cultural, mas também comercial, poderia ser

“A cultura é uma forma de fazer política. Dar Mundo ao povo. Significa desenvolvimento, riqueza...”

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 11


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

uma exposição muito importante. Entretanto, conseguimos transferir a exposição da Joana. Primeiro viabilizá-la e depois transferi-la para a Ajuda. Porque pensámos que faria mais sentido realizá-la aqui na Ajuda do que em Queluz…porque a Ajuda está no coração de Lisboa.

“…conseguimos

uma coisa

fantástica que foi chamar a atenção que nós somos um país do

Primeiro Mundo.”

12 | Portugal Protocolo 2014 | #21

Foi uma exposição com sucesso! Sim. Sim, bateu todos os recordes. Foi a exposição individual mais vista de sempre, em Portugal. Nós vendemos duzentos e vinte mil bilhetes. Era uma exposição dois em um. Isto era como os ovos Kinder-surpresa. Foi uma grande invenção de marketing. Porque no marketing existe um ramo de marketing lateral... Quando se esgota o mercado, já não conseguimos ter mais ninguém a comprar. Como é que fazemos? Vamos fazer com que se vendam milhões. O que é que fez o Kinder-surpresa. Juntou aos chocolates um brinquedo e passou a vender chocolates a quem não gosta de chocolates. Os miúdos que não gostam de chocolates compram ovos de chocolate, deitam o chocolate fora e ficam com o brinquedo. Isto fazia todo o sentido. Mostrar Arte Contemporânea com o único palácio real, talvez único no Mundo, que está tal e qual como se os reis lá vivessem... isto num país republicano... pareceume uma boa aposta. A França, por exemplo, tem esse problema. Com a revolução francesa, roubaram e destruiram aquilo tudo. A Rússia tem o mesmo problema... quando foi a revolução bolchevique também


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

saquearam os palácios reais todos. E nós conseguimos conservar aquilo tudo, à boa maneira portuguesa. Isto fazia todo o sentido. É evidente que a Joana é uma pessoa mediática. É evidente que a obra dela tem um reconhecimento público muito grande. Mas é evidente que a Ajuda... Também ajuda... E também conseguimos uma coisa fantástica que foi chamar a atenção que nós somos um país do Primeiro Mundo. Nós passamos a vida a ver os políticos apregoar que somos do Terceiro Mundo. Mas nós somos do Primeiro Mundo. E, portanto, no Primeiro Mundo há Cultura. As pessoas têm acesso à Cultura. Obviamente que o 25 de Abril criou este fenómeno, um bocado estranho, que foi o Estado a apropriar-se da Cultura. E, felizmente, chegámos a uma situação, ou infelizmente, que não há dinheiro e que o Estado não pode tomar conta da Cultura. E agora está entregue à sociedade civil. E agora estamos à experiência. Está agora a exposição conjunta do Museu do Prado com o Museu de Arte Antiga... Dessa também eu queria que falasse... tem sido uma aposta bem conseguida? Talvez menos que a Joana de Vasconcelos... é um patamar mais elevado... Primeiro, a Joana era o dois em um... e esta é um conjunto de quadros que estavam em exposição no Museu do Prado. Estamos a falar de pintura... eu acho que está a ser bom. Só para #21 | Portugal Protocolo 2014 | 13


E n t r e v i s ta ,

14 | Portugal Protocolo 2014 | #21

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s


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Á lva r o C o v õ e s

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 15


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

termos noção, nós, com a exposição, conseguimos quintuplicar o número de visitantes ao Museu dos últimos dez anos para cá. Só em Janeiro, quintuplicaram com a exposição. Agora, ainda o assunto Miró, só para terminar a resposta... os quadros do Miró, ainda para mais com este marketing todo, tornaram esta exposição apetecível. Os portugueses têm uma grande apetência para... os Miró. Miró é uma palavra quase portuguesa... Miró... mirar... então vamos mirar os Miró. Eu acho que é uma oportunidade única até para o valorizar... Se a decisão do Estado, que foi anunciada, for continuar o leilão, acho que tem interesse em valorizá-la. Mas os orgãos de comunicação social pouco ou nada falam de cultura… Isso leva-nos, na minha opinião, a outra questão... Eu não sei se vivemos em verdadeira democracia. Eu acho que o 25 de Abril ainda não se concluiu, porque a sociedade civil não tem um papel activo, a importância que deveria ter. É evidente que pode dizer assim: mas somos nós que votamos. Mas a escolha é limitada. As pessoas... é muito difícil ... o sistema está montado, de forma a que os partidos que já existem e que têm representação parlamentar recebem ajuda do Estado, os novos não recebem. Portanto, quando vão a eleições, têm que meter dinheiro do bolso. E os outros não, os outros são pagos pelo Estado. Isto é... perverso. 16 | Portugal Protocolo 2014 | #21


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

“…com a exposição (Prado em Lisboa), conseguimos quintuplicar o número de visitantes ao

Museu (Arte

Antiga) dos para cá.”

últimos dez anos

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 17


E n t r e v i s ta ,

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Á lva r o C o v õ e s

Dizia-se que no Estado Novo as pessoas tinham que ser ignorantes para serem controlados. Agora, para os partidos parlamentares, quer à esquerda quer à direita, a forma de controlar o povo, para se manterem à tona de água, passa por controlar o povo culturalmente. Aliás, os orçamentos para a cultura são cada vez menores. Portanto, cria-se um desinteresse... a responsabilidade da cultura tem de ser da sociedade civil e não do Estado. Eu costumo dizer que quem nunca foi a um casamento sem um copo de água, não sabe o que é a vida. Nós temos que perceber que uma coisa são as obrigações do Estado, outra coisa é aquilo que o Estado pode fazer. Eu, pessoalmente, acho perverso estarmos a pôr idosos a passar fome e continuar a dar doze milhões ao CCB, sete milhões à Casa da Música. É perverso. Não é que não seja importante dar-lhes dinheiro. Acho que é importantíssimo. Mas eu não posso é ter uma pessoa, que descontou 40 anos que não tem família, a morrer na miséria. O Estado tem de fazer opções. Tem em mente fazer algo de importante para a Cultura em Portugal? A Cultura é uma área muito vasta. Eu trabalhei sempre com aquilo que chamam a baixa cultura. É aquilo que é engraçado. É aquilo que a bilheteira paga. É aquilo que é pouco... chega a mais pessoas e a bilheteira paga. E depois temos a alta cultura, que a bilheteira não paga. Só chega a 18 | Portugal Protocolo 2014 | #21


E n t r e v i s ta ,

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Á lva r o C o v õ e s

“…o 25 de Abril ainda não se concluiu, porque a sociedade civil não tem um papel activo, a importância que deveria ter.”

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 19


E n t r e v i s ta , alguns e é só do interesse de alguns. É evidente que há coisas importantes que temos que preservar. E é evidente que há artes mais difíceis, que não têm que morrer e, certamente, caberá ao Estado pagar essas artes. Agora em Portugal, fala-se muito nas parcerias público-privadas. Deveriam ser todas parcerias público-privadas. O Estado, nas parcerias que nós temos, só facilita. Só que quem paga tudo somos nós. Nós corremos o risco financeiro, pagamos tudo e o Estado ainda recebe. Isso é que é uma parceria público-privada. Eu tenho um instrumento, facilito, o privado quer arriscar, pronto. E eu acho que o caminho da cultura tem de ser esse. Tem de haver um cenário mais interessante, à partida... Poderá haver. E eu acho que isso poderá ser um caminho. Eu não conheço verdadeiramente a História. Se estamos num fim de ciclo económico ou no fim da primeira República. Isto porque a revolução de 26 que depois deu origem ao Estado Novo, foi uma reacção dos militares à falência do Estado. E, nessa época, eu nunca percebi porquê, o Teatro D. Maria esteve sempre concessionado à família Rey Colaço e esteve depois a explorar o S. Carlos. E isto aconteceu porquê? Porque não havia dinheiro. Se não houver dinheiro, a sociedade civil tem de substituir o Estado. E uma coisa é certa, quando a sociedade civil substitui o Estado, faz melhor. Melhor porquê? Porque tem o intuito comercial... 20 | Portugal Protocolo 2014 | #21

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

Como é que salta para a produção de espectáculos? Está no meu ADN. Devo ser a única pessoa no Mundo que faz produção nesta área. Esta aposta. A cultura é um bocadinho política. A cultura é uma forma de fazer política. Dar Mundo ao povo. Significa desenvolvimento, riqueza... E nessa perspectiva, não tem sido fácil...!? Nada na vida é fácil. Só nas telenovelas é que a vida é fácil. Tudo na vida dá trabalho. A vida é cheia de obstáculos. É preciso ser trabalhador, persistente... Eu fui educado para ter um modo de vida diferente da área da minha família. Aqui há vinte anos atrás, uma filha ou um filho que dissesse a um pai que queria ser cantora, escultora... era um drama na família. Hoje isso já não se passa. Por exemplo, um jogador de futebol ganha mais que um médico. Um actor de telenovelas ganha mais que um médico. Agora, as opções de carreira estão mais ligadas à parte monetária. Mas eu fiz carreira nos mercados financeiros e ganhei muito dinheiro. Hoje em dia, já não há mercados financeiros... Se a cultura está à frente de tudo, como é que se explica que a cultura seja a enteada do Estado? Agora, não há dinheiro!!! Mesmo a Cultura sendo do Estado... O Ministério das Finanças fecha ao Sábado e ao Domingo, mas as actividades da Cultura abrem ao Sábado e ao Domingo...


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Á lva r o C o v õ e s

Se fosse mesmo Ministro da Cultura, se tivesse poder nesta área, quais seriam as suas prioridades? Em primeiro lugar, temos aqui um problema que é, em Portugal, ninguém querer ser ministeriável. Em primeiro lugar, porque é muito mal pago. E as pessoas, se são ricas, podem-se dedicar a obras de solidariedade. Eu entendo que ser ministro é a mesma coisa que estar a dedicar-se a obras de solidariedade. ... eu acho que, em Portugal, estamos a viver uma época de caça às bruxas. Quando alguém vai para um lugar público, estamos todos a tentar saber se ele roubou chupa-chupas quando andava na escola. Os santos estão no céu, não estão na terra. O que se deve exigir é que a pessoa seja boa, competente e que seja séria. Especula-se logo com situações menos claras da vida, mas toda a gente tem situações menos claras na vida. Vamos imaginar que seria conselheiro do Ministro da Cultura. Para já queria ter o turismo na pasta, porque o futuro deste país é o turismo. Nós destruimos o nosso tecido industrial com o 25 de Abril. É certo que era um mercado pequeno. O tecido industrial estava virado para 25 a 30 milhões de pessoas, com um vasto território, com as províncias ultramarinas, e com uma economia muito fechada e protegida. Se me perguntarem qual é a indústria que consegue duplicar as receitas hoje, eu digo, é o turismo. Nós só temos hipótese de atrair mais turistas, se amplificarmos os conteúdos. E aí está a colecção dos quadros Miró que vai

percorrer o Mundo. Até à decisão de vender ou não vender, vamos fazer uma exposição desses quadros, que se for bem trabalhada, com o apoio de uma entidade privada e se tivermos uma óptica de mercado, podemos com isso trazer milhares de pessoas a Lisboa. A Lisboa ou Porto, onde seja. Porque nós precisamos de conteúdos. Não podemos esquecer que temos dez milhões de habitantes, mas o ano passado tivemos 13 milhões de visitantes1. Recebemos mais pessoas das que cá existem. Isto é um caso único.

1

Nota da Redacção: Os últimos números

apontam para 16 milhões de visitantes. #21 | Portugal Protocolo 2014 | 21


O Sentido

De Nada

novo no

do

Paladar

Aura!!!

melhor que uma sucessão de óptimas iguarias para enriquecer uma conversa.

Foi

no

Aura

que estivemos

com mais um convidado da

Portugal Protocolo, Covões,

o

Álvaro

e que nos deliciámos

um fantástico menu… Texto de Maria Dulce Varela Fotografias de João de Sousa 22 | Portugal Protocolo 2014 | #21


O Sentido

do

Paladar

E começámos com uma Casca de Mexilhão gratinado em broa de milho tostada e lima caramelizada. Aguçámos o vosso apetite? Um preparado com manteiga, sumo de lima, alho e salsapicados, pimenta e sal q.b. deram o pontapé de saída para o mexilhão assim coberto, que acabaria panado na broa de milho ralada. Depois do forno que dourou a broa, o toque final foi dado pela lima caramelizada. Tudo isto regado com um “Muros Antigos Loureiro 2011”, delicioso e suculento, aromático, com uma suave acidez! Como prato principal, uma verdadeira delícia – a perna de cordeiro de leite assada, acompanhada de esparregado de acelga e cebola salteada. Limpa a perna de toda a gordura, ela foi marinada com cebola, alho francês, aipo, alecrim e mais umas coisinhas #21 | Portugal Protocolo 2014 | 23


O Sentido

do

Paladar

(o segredo está na alma do negócio) e envolta em vinho branco. Depois, a responsabilidade do produto final foi do forno… uma verdadeira maravilha, a que o acompanhamento veio enriquecer o resultado final. “Vinhas Velhas Tinto 2010” foi o vinho escolhido com critério. Um delicioso tinto muito fino e aromático (com um invulgar perfil “borgonhês), elegante e indicado para acompanhar carne vermelha e caça. E finalmente, fechando com chave de ouro, uma tarde folhada de maçã Aura, que estava absolutamente “de babar”. Para o resultado final, contribuíram (e muito) as maçãs verdes, o gengibre, a geleia de maçã e o molho de baunilha, não esquecendo o gelado, também ele de baunilha. Claro que o “Madeira Malvasia 10 Year Old” deu o toque final nesta magnífica sobremesa. Que tal??? 24 | Portugal Protocolo 2014 | #21


O Sentido

do

Paladar

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 25


P at r i m ó n i o , B a s í l i c a

A Basílica

ocupa a parte

central da fachada, ladeada pelas torres sineiras e ostenta a primeira cúpula (octogonal) construída em

26 | Portugal Protocolo 2014 | #21

Portugal.

de

Mafra


P at r i m ó n i o , B a s í l i c a

de

Mafra

Página anterior Basílica de Mafra (fachada) © José Paulo Ruas/DGPC Em cima, Órgãos do Evangelho e Epístola na capela-mor ©Henrique Ruas IGESPAR #21 | Portugal Protocolo 2014 | 27


P at r i m ó n i o , B a s í l i c a Foi concebida segundo o risco do alemão Johann Friedrich Ludwig, ourives e oficial de engenharia militar que vivera longos tempos em Roma, onde estudara arquitectura. A Basílica de Mafra integra uma importante colecção de escultura em mármore de Carrara. A não-existência de grandes escultores em Portugal ao tempo obrigou o Rei a recorrer à encomenda estrangeira, que, mais tarde, servirá de paradigma para a formação de artistas nacionais. Assim, o Rei irá encomendar a mestres italianos aquela que será a mais significativa colecção de escultura barroca italiana fora de Itália. Para esta encomenda, o monarca vai formular exigências muito precisas sobre os materiais — os mármores mais perfeitos e sem veio algum — e de grande rigor iconográfico, de acordo com os cânones da ContraReforma. Assim, nos nichos da fachada estão quatro estátuas em mármore de Carrara. No nível superior, à esquerda, São Domingos e, à direita, São Francisco, ambas atribuídas a Carlo Monaldi e, no inferior, Santa Clara e Santa Isabel da Hungria, atribuídas a Giovanni Battista Maini. Pelo pórtico de três arcos se entra na Galilé, grande átrio abobadado revestido de pedra liós branca e azul e que se prolonga pelos corpos das torres sineiras. Aos lados das portas da igreja, São Sebastião, mártir, e São Vicente, mártir e patrono de Lisboa, em mármore de Carrara, da autoria de 28 | Portugal Protocolo 2014 | #21

de

Mafra

Carlo Monaldi, 3ª década do século XVIII. As restantes estátuas da Galilé representam os fundadores e reformadores das principais ordens religiosas da Igreja Católica. Construída em pedra lioz da região de Mafra e Sintra, a igreja tem forma de cruz latina, com 58,5 m de comprimento e 43 m de largura máxima no cruzeiro, que ostenta a primeira cúpula (octagonal) feita em Portugal. Tem uma capela-mor, duas capelas principais no cruzeiro, duas capelas colaterais, e, ao longo da nave, seis capelas laterais e dois vestíbulos. Nas capelas colaterais e laterais e nos dois vestíbulos encontram-se as restantes 40 estátuas de escultores italianos como, por exemplo, o Anjo Tutelar do Reino de Portugal atribuído a Fillipo della Valle, o arcanjo S. Gabriel, de Giovanni Battista Maini ou ainda Santa Ana. Tem ainda 45 tribunas. O retábulo da capela-mor é da autoria de Francesco Trevisani e representa A Virgem, o Menino e Santo António. É uma das primitivas telas de encomenda Joanina que permaneceu no seu lugar, pois quase todas as telas das outras capelas foram substituídas por retábulos em mármore executados pelo mestre italiano Alessandro Giusti e seus alunos da Escola de Escultura de Mafra, aqui criada em 1753, reinado de D. José, como forma de colmatar a ausência do ensino desta arte no Reino. Joaquim Machado de Castro, admitido como ajudante principal de Giusti em 1756, foi o mais importante nome de


P at r i m ó n i o , B a s í l i c a

de

Mafra

quantos pertenceram a esta Escola. De encomenda Joanina são ainda os lampadários em bronze dourado executados em Itália por Joseph Zapatti. Eram tão brilhantes que William Beckford, na sua estada em Mafra em 1787, os tomou por ouro. Também D. João VI, monarca que tinha uma especial preferência pelo Paço de Mafra, irá encomendar as banquetas dos três altares do cruzeiro e os respectivos relicários, também em bronze dourado, que foram executadas no Arsenal de Lisboa sob a direcção do escultor João José de Aguiar. Datam também deste reinado os seis órgãos da Real Basílica, encomendados a António Machado Cerveira e Joaquim Peres Fontanes, os dois maiores organeiros da época. Estão decorados om aplicações de ferragens executadas no Arsenal de Lisboa representando motivos vegetais, arquitectónicos, instrumentos de escrita e musicais. Os ornamentos e a efígie de D. João VI, colocados no topo do órgão da Epístola, foram modelados pelo italiano Carlo Amatucci. Lord Byron, referindo-se a este conjunto de órgãos nas suas cartas, escrev e serem os mais belos que ainda vi, quanto a decoração. Junto à Basílica fica a Sacristia com arcazes em madeira do Brasil, entalhados por Félix Vicente de Almeida, Mestre-entalhador da Casa Real. No topo, uma capela dedicada a São Francisco, representado numa tela de Inácio de Oliveira Bernardes colocada sobre o altar. Da Sacristia se entra na Casa dos

Lavabos onde se destacam quatro grandes pias em pedra lavrada e os armários destinados a guardar as almofadas e os missais. Estes armários têm ainda gavetinhas para os sacerdotes colocarem cada um o seu amicto e sapatos que usam no Ministério do Altar. Ao centro, outro armário em pedra destinado aos cálices já prontos para a celebração, às galhetas e às caixas de hóstias.

Texto Isabel Yglésias de Oliveira

Páginas seguintes, Basílica vista do Zimbório © Sérgio de Medeiros #21 | Portugal Protocolo 2014 | 29


P at r i m 贸 n i o , B a s 铆 l i c a

30 | Portugal Protocolo 2014 | #21

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Mafra


P at r i m 贸 n i o , B a s 铆 l i c a

de

Mafra

#21 | Portugal Protocolo 2014 | 31


P at r i m ó n i o , B a s í l i c a

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Mafra

Em cima, Trombetas do Ór gão do Evangelho © PNM P á g i na a o lado, Capel a-mor © Sér g i o d e M edeir os P á g ina s seg uintes, Ba nq ueta d a C a pela d a Sa g ra d a Fa m í lia ( pormenor central - José de Aguiar) © Ga b ri ela C ordeir o 32 | Portugal Protocolo 2014 | #21


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#21 | Portugal Protocolo 2014 | 33


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34 | Portugal Protocolo 2014 | #21

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#21 | Portugal Protocolo 2014 | 35


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P á g ina s seg uintes, Em ci m a , Basílica © L u í sa O l i v e i ra /D GP C P á g i n a ao lado, C o rre d o r d a s C a p e l a s L a tera is © L u í sa O l i v e i ra /D GP C 36 | Portugal Protocolo 2014 | #21

Galilé, com as estátuas de S. Pedro Nolasco (Pietro Bracci, c. 1730), e S. Caetano, (Bernardino L ud ov i si - 1 7 3 3 ) , © L uí s Pa v ã o/I GESPA R São Francisco (Inácio de Oliveira Bernardes), © Gabriela Cordeiro


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Mafra

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38 | Portugal Protocolo 2014 | #21

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Mafra


P at r i m 贸 n i o , B a s 铆 l i c a

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Mafra

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Cultura, Rubens, Brueghel, lorrain. A Paisagem nórdica do museu do prado

Primeira Exposição do Museu Nacional do Prado em Portugal Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga “Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem Nórdica do Museu do Prado”. A o la d o P ETER PA U L RU BEN S Atal an ta e Me l e a gro C a ç a n d o o Ja v a l i d e C á li d on c . 1 6 35 -1 6 3 6 Ó l e o so b re tela 1 6 0 x 2 6 0 cm © M a d ri d , M u se u N a c i o n a l d o Pra d o P á gi n a s seg ui ntes P E T E R PA U L R UBENS e JA N B R U E G H E L , O VELHO V i sã o d e S a n t o Hub er to c . 1 6 17 -1 6 2 0 Ó l e o so b re ma d eira 6 3 x 1 0 0 cm © M a d ri d , M u se u N a ci o n a l do Pra d o P á gi n a s 4 4 e 4 5 JA N B R U EG H EL , O VEL HO B o d a C a mpestre c. 1 6 2 1 -1 6 2 3 Ó l e o sob re tela 8 4 x 1 2 6 cm © M a d ri d , M u se u N a ci o n a l do Pra d o P á gi n a s 4 6 e 4 7 DA V I D T EN I ER S , O J O VEM Pa i sa ge m c o m Cig a nos c. 1 6 4 1 -1 6 4 5 Ó l e o sob re tela 1 7 7 x 2 3 9 cm © M a d ri d , M u se u N a ci o n a l do Pra d o Fotografias cedidas pelo MNAA 40 | Portugal Protocolo 2014 | #21


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Cultura, Rubens, Brueghel, lorrain. A Paisagem nórdica do museu do prado O Museu Nacional de Arte Antiga recebeu a primeira exposição em Portugal composta exclusivamente por obras do Museu Nacional do Prado, o mais importante museu de Espanha e um dos mais importantes do Mundo. De 3 de Dezembro a 30 de Março, o MNAA, que alberga a mais importante colecção pública do país, do século XII ao século XIX, expondo 57 pinturas dos grandes mestres da paisagem do século XVII. Esta mostra resulta de um convénio histórico assinado entre os dois museus, que tem como objectivo a realização de projectos conjuntos que promovam o conhecimento de ambas as colecções. Com “RUBENS, BRUEGHEL, LORRAIN. A Paisagem Nórdica do Museu do Prado” o MNAA inicia um novo caminho na produção das suas grandes exposições, associando-se à produtora Everything is New, cujos rigor e profissionalismo na organização de eventos se encontram amplamente reconhecidos, possibilitando uma optimização dos circuitos difusores e um acréscimo de eficácia na relação com o turismo nacional. Na segunda metade do século XVI, começa a observar-se uma mudança nas temáticas usadas pelos artistas do norte da Europa, sobretudo dos Países Baixos, que os italianos designavam na época por “nórdicos”. Ao longo do século XVII, pintores e coleccionadores afastam-se dos motivos heróicos, característicos da pintura histórica, acercando-se de temas mais quotidianos, que passam a considerar dignos de serem representados. Entre esses temas, encontra-se a paisagem, que acaba por tornar-se num género pictórico independente. Esta exposição encontra-se dividida em nove núcleos, correspondentes às diversas tipologias da paisagem, 42 | Portugal Protocolo 2014 | #21


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Cultura, Rubens, Brueghel, lorrain. A Paisagem nórdica do museu do prado surgidas na Flandres e na Holanda: “A Montanha: encruzilhada de caminhos”, “O Bosque como Cenário: a vida no bosque, o bosque bíblico e a floresta encantada, encontro de viajantes”, “Rubens e a Paisagem”, “A Vida no Campo”, “No Jardim do Palácio”, “Paisagem de Gelo e de Neve”, “Paisagem de Água: marinhas, praias, portos e rios”, “Paisagens Exóticas, Terras Longínquas” e, ainda, “Em Itália Pintam a Luz”. Os mais destacados mestres da paisagem nórdica do século XVII compõem esta mostra, com obras tão importantes como Paisagem Alpina, de Tobias Verhaecht, A vida no Campo, A Abundância e os Quatro Elementos e Boda Campestre de Jan Brueghel o Velho, além de A Visão de Santo Huberto, pintada em colaboração com Rubens, Paisagem com Ciganos e Tiro ao Arco, de David Teniers, ou os dramáticos Cerco de Aire-sur-la-Lys, de Peeter Snayers, e Bosque, de Simon de Vlieger. As duas tipologias mais características das paisagens pintadas por artistas do norte da Europa – a paisagem de inverno e a paisagem de água – estão representadas, entre outras, pela delicada pintura “O Porto de Amesterdão no Inverno”, de Hendrick Jacobsz. “Um Porto de Mar” ou “Desembarque de Holandeses no Brasil”, de Jan Peeters, aludem a terras longínquas, às quais o comércio marítimo fez chegar os holandeses. Por último, Rubens, o grande mestre da paisagem nórdica, com a soberba pintura “Atalanta e Meleagro Caçando o Javali de Cálidon”. A exposição termina com algumas das paisagens encomendadas pelo rei Felipe IV de Espanha a Claude Lorrain e a Jan Both, para decorar o Palácio do Bom Retiro de Madrid. Dois jovens pintores que iniciaram em Roma a chamada paisagem italianizante. #21 | Portugal Protocolo 2014 | 47


Cultura, Rubens, Brueghel, lorrain. A Paisagem nórdica do museu do prado

P á g i na a o lado C laude Gell ée, d ito C laude Lorrain ( C ha m a g ne, c. 1 6 0 0 - R om a , 1682) Pa isa g em com M oisés sa lv o d a s águas, 1 6 3 6 -1641 Ó leo sob re tela , 2 0 9 x 1 38 c m ©M a d rid , M useu N a ciona l d o Pr ado P á g ina s 5 0 e 51 D enis van Alsloot ( Bruxela s, 1 5 6 0 /1 5 8 0 -1 6 2 6 /1628) Festa d e N ossa Senhora d o Bosq ue, 1616 Ó leo sob re tela , 1 5 3 x 2 3 5,5 c m Assina d o e d a ta d o no ca nto inferi or esq uer do: « d eoni s v a n [ entrela ça d o] Alsloot./F. 1616» ©M a d rid , M useu N a ciona l d o Pr ado Páginas 52 e 53 P ieter Brueghel, o Jovem ( Antuérpi a , 1 5 6 4 -1 6 3 7 /1638) Pa i sa g em d e nev e com a rm a d ilha pa ra pá ssar os, c. 1601 Ó leo sob re m a d eira , 4 0 x 57 c m ©M a d rid , M useu N a ciona l d o Pr ado P á g ina s 5 4 e 55 P ieter B out ( Bruxela s, 1 6 5 8 -1719) C a rna v a l sob re o g elo, 1678 Ó leo sob re m a d eira , 2 8 x 42 c m ©M a d rid , M useu N a ciona l d o Pr ado 48 | Portugal Protocolo 2014 | #21


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Tesouros do Kremlin - Os Czares e o Oriente Ofertas da Turquia e do Irão no Kremlin de Moscovo Exposição na Fundação Calouste Gulbenkian

P á g i na a nteri or, Sela. I sta m b ul, m ea d os d o século X VI I M oscov o, M useus d o K rem li n

Fotografias cedidas pela Fundação Calouste Gulbenkian

Em ci m a , M a ça d e a pa ra to ( porm enor) . I sta m b ul, m ea d os d o século X VI I #21 | Portugal Protocolo 2014 | 57


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P á g i n a a o lado, Pu n h a l c o m ba inha . Tu r q u i a , p ri m e i ra m e t a d e d o sé c ulo X VI 58 | Portugal Protocolo 2014 | #21

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Uma amostra da sumptuosa colecção do Kremlin de Moscovo em exposição desde o dia 28 de Fevereiro, no Museu Gulbenkian, no âmbito da exposição Os Czares e o Oriente, com o comissariado científico de Inna Vishnevskaya, Olga Melnikova e Elena Yablonskaya. É a primeira vez que o acervo oriental desta colecção, constituída fundamentalmente pelas luxuosas ofertas aos czares provenientes do Irão safávida e da Turquia otomana dos séculos XVI e XVII é mostrado na Europa, fora dos Museus do Kremlin. Este acervo, único entre as colecções museológicas do mundo, inclui tecidos, armas, arreios de cavalo e jóias, ou seja, objectos que durante muito tempo foram essenciais na vida quotidiana da corte russa, usados como adornos nos actos oficiais dos czares, nas campanhas militares e nas cerimónias religiosas nas igrejas do Kremlin. A exposição apresenta uma preciosa selecção de 66 peças provenientes essencialmente do Irão, Turquia e Rússia, criadas nas oficinas das cortes desses países. Preservadas nos Museus do Kremlin de Moscovo durante muitos séculos, estas criações dos mestres orientais representam um testemunho das relações económicas, políticas e diplomáticas entre a Rússia e os seus vizinhos orientais.


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N esta página, Cantil. Turq uia , prim ei ra m eta d e d o século XV II Página ao lado, C anec a. Presente d o pa tri a rca d e C onsta nti nopla , C iri lo I L uc ar is, ao czar Mikhail Fiodorovitch, em 1632. I st a m b ul, prim ei ro terço d o século X VI I M oscov o, M useus d o K r emlin 60 | Portugal Protocolo 2014 | #21


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Anteriormente apresentada na Arthur M. Sackler Gallery da Smithsonian Institution, em Washington, a mostra desenvolve-se em torno de quatro núcleos temáticos:

ortodoxos. Os comerciantes turcos aproveitavam qualquer oportunidade para levar os seus produtos à Rússia, usando as embaixadas dos representantes ortodoxos.

A Horda de Ouro As peças mais antigas desta mostra relacionam-se com a arte da Horda de Ouro, uma parte do imenso Estado que surgiu entre os séculos XII e XV, e que resultou da conquista mongol que subjugou muitos principados russos. Esta arte assimilou as tradições da cultura mongol, assim como muitos elementos da cultura dos povos que habitavam os seus vastos territórios – búlgaros do Volga, cumanos, eslavos, persas e gregos.

A Rússia dos czares Os objectos oriundos do Irão e da Turquia tornaram-se essenciais na corte moscovita e tiveram um impacto relevante na actividade das oficinas do Kremlin. Muitas destas peças, como por exemplo os tecidos preciosos, eram reutilizadas pelos mestres do Kremlin na confecção de paramentos, capas e selas de cavalo. Por vezes, estes objectos orientais serviam de inspiração aos mestres moscovitas na produção de obras de arte.

O Irão no período safávida A maior parte das peças provenientes do Irão dos séculos XVI-XVII chegou à Rússia pela mão dos diplomatas. Pensa-se que as relações entre estes dois países terão começado na segunda metade do século XV. Serão mostradas peças significativas (armas, arreios para cavalos e tecidos decorativos) oferecidas no âmbito de missões diplomáticas. A Turquia otomana Os documentos russos dos séculos XVI-XVII contêm informações sobre o avultado número de embaixadores e comerciantes turcos que visitavam a corte do czar, bem como os representantes dos patriarcados e episcopados 62 | Portugal Protocolo 2014 | #21

Página ao lado, Í cone d e N ossa Senhora d o Leite. M oscov o,século XV I


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Memória, Charles Worth,

Com a Exposição Mundial de 1900, em Paris, entrou em cena a Alta-Costura francesa. Charles Frederick Worth apresentou, no Pavillion de l’Élégance, as suas valiosas criações envergadas por Duse e Sarah Bernhardt, estrelas do mundo do espectáculo. O mundo, atónito, rendeu-se ao seu fascínio e Paris torna-se a capital da Moda. 64 | Portugal Protocolo 2014 | #21

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A lta - C o s t u r a

Em c ima, C ha rles Fred erick Wor th, 1892. A o lado, I m pera tri z I sa b el d a Áustria , com a s fa mosas estrela s d e d ia m a ntes, v esti d a pela ca sa Wor th. R etra to d e Fra nz X a v er Wi nterha lter, 1865.


Mem贸ria, Charles Worth,

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Memória, Charles Worth,

P á gi n a ao la d o, E l i s a b e t h d e C a r a m a n- C h i m a y, c o n d e s s a G reffuhle, c o m ve st i d o d e b a i l e d e Wo r t h; 1 8 9 6 . P á gi n a s se g ui ntes, Impe r atri z Eu gé n i a d e Fra n ça ro d e a da pela s s u as damas d e h o n o r, ve st i d a p o r Wo r t h , retra to pi n tado p o r Fra n z Xa v e r W i n t e rh a l t e r, 1 8 5 5 . 66 | Portugal Protocolo 2014 | #21

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Worth, nascido em 13 Outubro de 1825, no Lincolnshire, Inglaterra, foi o fundador da Alta-Costura. Chegou a Paris com 20 anos para trabalhar na Gagelin’s, uma loja especializada em roupas de seda, bordados e outros artigos de luxo. Entretanto casa-se com Marie Vernet, colega de trabalho, que se torna sua musa inspiradora para as suas criações, além de se tornar modelo para apresentar as roupas para as clientes – tornando-se a primeira modelo vivo a desfilar roupa. Abre, mais tarde, em 1858, com o sueco Otto Bobergh, a sua casa de costura na Rue de La Paix. Em 1871, dirige finalmente sozinho o seu império. Uma das primeiras clientes pertencentes à alta sociedade foi a Princesa Metternich-Winneburg, mulher do embaixador austríaco. A partir de então, a sua influência estendeu-se a toda a corte de francesa. Ao assinar as suas criações como se tratassem de obras de arte, atribuiu a si próprio o estatuto de grande celebridade. Apresentava as suas novas colecções anualmente, com novas propostas promovendo desta maneira inovadora a comercialização da sua griffe – privilégio vendido bastante caro. No entanto as suas criações não foram tão vanguardistas como o seu apuradíssimo sentido comercial e de marketing. O costureiro combinava, com mestria, a técnica inglesa de corte com a elegância francesa. Foi criada para si a palavra couturier, pois até então só tinham existido couturières – modistas. Em 1864, transformou a crinolina, então com uma aparência desconfortável,


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dando-lhe uma forma mais atraente, alisando a parte dianteira das saias deixando apenas uma cauda. Alguns anos depois, adicionou a anquinha – tournure –, na parte de trás dos seus modelos, criando a silhueta dominante da Belle Époque. A partir de 1880, a fama e o êxito de Worth eram tais que o costureiro servia às clientes no seu atelier paté de foie gras, lagosta, pastéis e champagne. Worth nunca mudava de ideias e raramente concordava em alterar as suas obras. A sua clientela contava com as cabeças coroadas da Europa - a imperatriz Eugénia de França, a elegante consorte de Napoleão III; a trágica Sissi, imperatriz da Áustria e a rainha Vitória de Inglaterra, entre tantas outras. A alta sociedade americana rendeu-se ao seu talento, bem como a famosa actriz inglesa Lillie Langtry e a soprano australiana Nellie Melba. O pintor Franz Xaver Winterhalter imortalizou em retratos reais as suas criações em tule de seda e profusamente decoradas com bordados dourados. O pai da Alta-Costura morreu em Março de 1895, em Paris, prosseguindo o negócio nas mãos dos seus descendentes. Contudo, seu estilo entrou em declínio com a ascensão de Paul Poiret.

P á g i na a o lado, C a sa co, 1889 P á g i na s seg uintes, pá g . 5 6 - Vestid o d e noi te, 1884 pá g . 5 7 - Vesti d o d e b a i le d e M rs. Wa lter H. Pa g e, cria d o pelo filho J ea n-P hi lippe Wor th, q ue conti nuou o seu tra b a lho a pós a m or te do costureiro. pá g . 5 8 - Vestid o d e noi te, 1880 pá g . 5 9 - Vestid o d e noi te, 1890 70 | Portugal Protocolo 2014 | #21


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P r o t o c o lo ,V a s c o G r a ç a M o u r a

O Presidente

da

República

condecorou o escritor

Graça Moura da

Ordem

Espada,

com a de

condecorado

Vasco

Grã-Cruz

Sant’Iago

da

durante a homenagem

que foi prestada ao homem de cultura e personalidade pública, em na

31

de Janeiro,

Fundação Calouste

Gulbenkian,

em

Lisboa.

Fonte: © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa #21 | Portugal Protocolo 2014 | 77


P r o t o c o lo ,V a s c o G r a รง a M o u r a

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condecorado


P r o t o c o lo ,V a s c o G r a ç a M o u r a

condecorado

Fonte: © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa #21 | Portugal Protocolo 2014 | 79


P rotocolo ,P rimeiro -M inistro

O Presidente

da

de

T imor -L este

em

P ortugal

República

recebeu, em audiência, o

Primeiro-Ministro

de

Timor-

-Leste, Xanana Gusmão,

em

Fevereiro.

Fonte: © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa 80 | Portugal Protocolo 2014 | #21


P rotocolo ,P rimeiro -M inistro

de

T imor -L este

em

P ortugal

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P rotocolo , IX E ncontro COTEC E uropa

O Presidente

República ofereceu um jantar, no dia 11 de Fevereiro, no âmbito do IX Encontro da COTEC Europa, ao Rei de Espanha e ao Presidente da República de Itália. da

No jantar que teve lugar no Palácio da Cidadela de Cascais, esteve também presente o Vice-Presidente da Comissão Europeia e Comissário do Empreendedorismo e Indústria, o Ministro da Economia, o Ministro da Educação e Ciência, o Ministro da Indústria, Turismo e Energia de Espanha e a Ministra da Educação, Universidades e Investigação de Itália.

Fonte: © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa 82 | Portugal Protocolo 2014 | #21


P rotocolo , IX E ncontro COTEC E uropa

O Presidente da República participou, com o Rei D. Juan Carlos de Espanha e o Presidente italiano, Giorgio Napolitano, na Sessão de Encerramento do IX Encontro COTEC Europa, que teve lugar na Fundação Champalimaud, no dia 12 de Fevereiro, em Lisboa, tendo proferido uma intervenção. No encerramento do Encontro, e antes dos Chefes de Estado, intervieram os Presidentes das COTEC dos três países, o Ministro da Economia de Portugal, António Pires de Lima, e o Vice-Presidente da Comissão Europeia e Comissário da Indústria e do Empreendedorismo, Antonio Tajani.

Chefes

de

Estado

de

Portugal, Espanha e Itália Encerramento

do

no

IX Encontro

COTEC Europa

Fonte: © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa #21 | Portugal Protocolo 2014 | 83


P rotocolo , IX E ncontro COTEC E uropa

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P rotocolo , IX E ncontro COTEC E uropa

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P rotocolo , S ecretário -G eral I bero -A mericano

condecorado

O Presidente da República recebeu, em audiência, o Secretário-Geral IberoAmericano (SEGIB), Enrique Iglesias, a quem seguidamente agraciou com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique no dia 14 de Fevereiro.

Fonte: © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa 86 | Portugal Protocolo 2014 | #21


P rotocolo , S ecretรกrio -G eral I bero -A mericano

condecorado

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Já pensou em conversar com uma antiguidade? Peritagem e caracterização de peças trazidas pelos visitantes, por especialistas reconhecidos SÁBADOS – 15 HORAS 22 Fevereiro – PRATAS PORTUGUESAS 15 Março – JÓIAS 12 Abril – RELÓGIOS DE PULSO 10 Maio – PORCELANAS DA CHINA 7 Junho - MARFINS Palestras abertas ao público em geral ENTRADA LIVRE condicionada à capacidade da sala - 80 lugares sentados

Anonimato garantido Casa-Museu Medeiros e Almeida Rua Rosa Araújo, 41 – Lisboa


Portugal Protocolo #21