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PORTUGAL POST 1993 : 20 ANOS : 2013

ANO XX • Nº 222 • Janeiro 2013 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351 • E Mail: correio@free.de • www. portugalpost.de • K 25853 •ISSN 0340-3718

A emigração antes e agora

Entrevista José Cesário, Secretário de Estado das Comunidades, concede grande entrevista ao PP // Págs 6 e 7

Em finais de Outubro, a comunicação social e as redes sociais portuguesas encheram-se de ternura comovida por um jovem enfermeiro de partida para a GrãBretanha, onde conseguira um contrato de trabalho. Antes de partir, Pedro Marques, de 22 anos, escreveu uma carta aberta ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, lamentando o seu destino de emigrante. Foi o que bastou para se tornar numa celebridade instantânea: deixou despedaçados todos os corações (virtuais) de quem tem conta no facebook e fez derramar lágrimas (de crocodilo?) a muito jornalista sem melhor que fazer. // P3 Foto: Manuel Dias

Alemanha 2013: o que vai mudar na legislação social e fiscal Os rendimentos que são tomados por base para a isenção de impostos passam, no presente ano, de 8004 € para 8130 €. Esta alteração significa que todas rendimentes adquiridas no presente ano de 2013 só estão obrigadas ao pagamento de impostos o que ultrapassa a essa

nova quantia alterada. Os descontos a efectuar não se aplicam para a caixa de doenças. Exemplificando: quem ganhar essa quantia anualmente não necessita de pagar impostos sobre ela, pagando só sobre o que a ultrapassa. // P17

n Comparticipação nas consultas médicas n Imposto sobre a habitação n Contribuição para os cuidados intensivos n A nova carta de impostos n Subsidio de educação n Descontos para a pensão e aumento das pensões n Cartão de identidade de deficiente n Taxa de televisão e de rádio n Pagamento de prémios por parte das “caixas de doença” n Etc

José Carlos Reis Arsénio é o novo Cônsul- Geral em Estugarda // P9

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PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

PORTUGAL POST

Editorial Mário dos Santos

Agraciado com a Medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993 Director: Mário dos Santos Redação e Colaboradores Cristina Dangerfield-Vogt: Berlim Cristina Krippahl: Bona Joaquim Peito: Hanôver Correspondentes António Horta: Gelsenkirchen Elisabete Araújo: Euskirchen Fernando Roldão: Frankfurt/M João Ferreira: Singen Jorge Martins Rita: Estugarda Manuel Abrantes: Weilheim-Teck Maria dos Anjos Santos: Hamburgo Maria do Rosário Loures: Nuremberga Vitor Lima: Weinheim Colunistas António Justo: Kassel Carlos Gonçalves: Lisboa Glória de Sousa: Bona Helena Ferro de Gouveia: Bona Joaquim Nunes: Offenbach José Eduardo: Frankfurt / M Luciano Caetano da Rosa: Berlim Luísa Coelho: Berlim Luísa Costa Hölzl: Munique Marco Bertoloso:  Colónia Paulo Pisco: Lisboa Rui Paz: Dusseldórfia Salvador M. Riccardo: Teresa Soares: Nuremberga Tradução: Barbara Böer Alves Assuntos Sociais: José Gomes Rodrigues Consultório Jurídico: Catarina Tavares, Advogada Michaela Azevedo dos Santos, Advogada Miguel Krag, Advogado Fotógrafos: Fernando Soares

PP celebra vinte anos

A

o iniciarmos o ano de 2013 é com orgulho que evocamos os vinte anos de publicação ininterrupta do jornal PORTUGAL POST. Publicámos o número experimental nos idos de 1993. Ao completarmos este ano o vigésimo aniversário não fica mal - e os leitores perceberão - lembrar que o PP foi fundado pelo seu director - autor destas linhas - com a convicção de que o jornal iria preencher uma lacuna no que respeita à informação junto da comunidade lusa neste país. O que, diga-se de passagem, veio a acontecer. Hoje o PP é uma forte e bem presente realidade junto dos portugueses e o seu único órgão de informação. Os 20 anos de publicação, mês após mês - sem contar com as edições especiais - são a prova que o jornal é hoje uma das principais instituições portuguesas na Alemanha. Não faz mal dizer que este jornal faz parte da história da presença portuguesa na Alemanha. Sem a existência deste jornal a vida lusa neste país teria sido mais pobre e, talvez, outra.

Foram 20 anos de altos e baixos, como é, de resto, natural em todas as coisas que se criam. Pelo caminho, o PP deixou quatro jornais que quiseram também disputar o mercado de leitores. O segredo para explicarmos o facto de termos chegado aqui sem mais nenhum concorrente parece-nos ter sido a confiança que soubemos construir com vagar, mas solidamente junto do público leitor; a proximidade e, talvez mais importante, a certeza de que só conseguiríamos sobreviver se fossemos sérios, críticos, independentes e plurais. Claro que não foi assim tão simples quanto isso. Durante esta caminhada de vinte anos, o que nos valeu foi o trabalho e a perseverança; a luta por aquilo que acreditávamos; as pessoas que estiveram quase desde início junto de nós e que se tornaram, também elas, a alma deste jornal. Sem muitas dessas pessoas a concretização deste projecto a longo prazo teria sido mais penosa para não dizer bastante difícil. Numa edição de aniversário, que será publicada durante o decorrer deste ano, vamos lem-

brar os nomes das pessoas que, para memória futura, ficarão também elas ligadas ao êxito e longevidade do PP. Durante estes vinte anos publicámos quase 240 jornais - contando com as edições especiais -, suplementos dedicados a diversas áreas -cultura, turismo, economia, associativismo, etc. -, revistas, publicações de cariz comercial, etc. Temos especial orgulho na criação de um prémio de Mérito e Dedicação em forma de uma medalha que, digamos assim, agraciou em actos públicos distintas personalidades da comunidade luso-alemã. O prémio, ao qual demos o nome de PORTUGALESER, em homenagem à comunidade portuguesa que viveu em Hamburgo no século XVI, pode vir a ser mais uma vez atribuído aquando dos 50 anos de presença portuguesa na Alemanha. Chegados aqui, resta-nos continuar como sempre o fomos, isto é, a querer ganhar cada mais a confiança dos leitores que são, em última análise, a razão de ser e a satisfação da nossa existência.

Um jornal de confiança Ó 20 anos de publicação ininterrupta

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PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

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A emigração antes e agora

O fadinho do emigra Em finais de Outubro, a comunicação social e as redes sociais portuguesas encheram-se de ternura comovida por um jovem enfermeiro de partida para a Grã-Bretanha, onde conseguira um contrato de trabalho. Antes de partir, Pedro Marques, de 22 anos, escreveu uma carta aberta ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, Cristina Krippahl

m finais de Outubro, a comunicação social e as redes sociais portuguesas encheram-se de ternura comovida por um jovem enfermeiro de partida para a Grã-Bretanha, onde conseguira um contrato de trabalho. Antes de partir, Pedro Marques, de 22 anos, escreveu uma carta aberta ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, lamentando o seu destino de emigrante. Foi o que bastou para se tornar numa celebridade instantânea: deixou despedaçados todos os corações (virtuais) de quem tem conta no facebook e fez derramar lágrimas (de crocodilo?) a muito jornalista sem melhor que fazer. Para nós, emigrantes de longa data, esta “fita” toda, não pode deixar de surpreender. A partida de milhões de portugueses desde os anos 50 do século passado nunca aqueceu nem arrefeceu nenhum dos nossos conterrâneos, salvo – e nem sempre – a família e os amigos mais chegados. Claro que no Portugal salazarento não havia facebook, e a comunicação social não se atrevia a fazer um drama da emigração, que, oficialmente não existia, apesar de servir – graças às remessas - para sanear as contas públicas e modernizar o país. Mas quem não era directamente afectado pela emigração, também não considerava esse um assunto com o qual valesse a pena perder tempo. Talvez porque então emigravam aqueles que nem como trolha ou criada conseguiam arranjar trabalho em Portugal. Os mais miseráveis, os que passavam fome e não tinham perspectivas, gente que não contava, portanto. Ou, pior, eram desertores que não queriam participar em guerras injustas em países africanos. Num país maioritariamente pró-colonialista, eram considerados traidores. Partiam com a convicção de que nunca mais poderiam regressar, nunca mais voltariam a abraçar os pais, os irmãos e os amigos. Poucos portugueses se deram e se dão ao trabalho de investigar o que significava emigrar a seguir à Segunda Guerra Mundial, quando países como a França – então principal destino de emigração portuguesa – precisavam muito de mão-de-obra, mas tinham muito pouco para oferecer em matéria de conforto. Quem emigrava para os “bidonvilles” dos arredores de Paris e outros centros industriais, não vinha com a escola feita, o curso de

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enfermagem, o contrato no bolso e a companhia de – pasme-se - “20 amigos”, para não se sentir muito só. Quem emigrava, deixava para trás a família, aceitava os trabalhos mais rudes e pior pagos, vivia em barracas onde entrava a chuva e soprava o vento pelas frestas. E não tinha muito tempo para chorar o seu destino nem escrever cartas a presidentes, - quando sabia escrever - porque tinha que trabalhar 14 e 15 horas por dia para comer e enviar dinheiro à mulher, aos filhos, aos pais e aos irmãos. Estava à mercê do patrão, porque não falava a língua nem conhecia as leis, e os sindicatos tardavam em interessar-se por estes intrusos necessários. A vaga de emigração forçada pelo

lamentando o seu destino de emigrante. Foi o que bastou para se tornar numa celebridade instantânea: deixou despedaçados todos os corações (virtuais) de quem tem conta no facebook e fez derramar lágrimas (de crocodilo?) a muito jornalista sem melhor que fazer.

certo que a situação melhorou um pouco nos anos 70 e 80, a partida para a “Europa” - à qual Portugal ainda não pertencia - era ainda bem diferente do que é hoje. Na falta de Germanwings e Ryanair, o avião era inacessível para a maioria, e o comboio e a camioneta eram uma aventura sobretudo insalubre, da qual muitos teriam prescindido com prazer. Uma vez no estrangeiro, nem pensar em “matar rapidamente saudades”, na Páscoa, no natal e em qualquer fim-de-semana prolongado. Nem se sonhava em receber regularmente a visita de familiares e amigos que “aproveitam” o apartamento em Londres ou Berlim para um belo passeio.

lava como tal, não desencadeava lamúrias pela sua triste sina longe da pátria, não suscitava lágrimas de pena pelo seu destino cruel e amargo, o seu fado não era motivo de lamentação na comunicação social. Pelo contrário, era, muitas vezes, tratado com arrogância e sarcasmo, porque misturava o português com o francês ou o alemão, porque construía casas com muitos azulejos, e provavelmente também porque da sua visita anual dependia a sobrevivência de toda a aldeia. Nos restantes onze meses do ano, quando o frio se tornava insuportável, a língua estranha arranhava os ouvidos e a saudade apertava demais, não havia computador para “skypar” com

A partida de milhões de portugueses desde os anos 50 do século passado nunca aqueceu nem arrefeceu nenhum dos nossos conterrâneos, salvo – e nem sempre – a família e os amigos mais chegados. Claro que no Portugal salazarento não havia facebook, e a comunicação social não se atrevia a fazer um drama da emigração, que, oficialmente não existia, apesar de servir – graças às remessas - para sanear as contas públicas e modernizar o país. desastre económico que se sucedeu ao 25 de Abril já aconteceu num país livre e democrático – ou a caminhar para lá. Mas, tal como nos anos 50 e 60, também então o destino desta gente não interessou ninguém em Portugal. Pelo contrário, a figura do “emigra” servia – e entre os mais mentecaptos continua a servir -, sobretudo para a chacota. Talvez por ser objecto de inveja pela “vida regalada” que levava lá na “estranja”. Mas se é

Não havia dinheiro para passar uns dias com filhos na “Europa”. E, para estes, as férias, quando possíveis, eram uma vez por ano, de preferência no Verão e na casa da família, na “terrinha”, para sair mais barato. Mesmo assim, o Mercedes comprado em segunda-mão e apinhado de família e bens de consumo impossíveis de obter em Portugal, não caía nas boas graças dos que lá tinham ficado. O emigrante, quando se reve-

a família e os amigos que ficaram para trás, ou smartphones para enviar fotos instantâneas do apartamento, do local de trabalho e do gato da vizinha. Impensável, até, telefonar para casa por um sim ou por um não: para a chamada ocasional havia primeiro que pôr dinheiro de lado. Falar com a família – muitas vezes com interferências tais que não se percebia metade do que diziam do outro lado - era dia de festa. E a chamada era sempre

feita do telefone público, para ser mais fácil controlar os francos e marcos que iam caindo – todos os segundos, parecia. Raras vezes se ligava de casa, onde o tempo passado ao telefone voava, e as contas no fim do mês depois ameaçavam o mealheiro reservado para as férias. Não tenho dúvidas – até por experiência própria – que a emigração, mesmo num mundo tão mirrado e confortável como é a Europa hoje – exige uma certa coragem e determinação. E, ás vezes, convenhamos, uma ponta de desespero, ou, pelo menos exasperação com a situação em Portugal. O que duvido é que hoje a emigração possa ser um acontecimento muito traumático para um jovem com boa formação profissional, amigos, conhecimentos linguísticos, contrato no bolso a rondar o equivalente a muito aceitáveis 2000 euros para um primeiro emprego (horas extraordinárias pagas à parte, regalias sociais, subsídio de férias e perspectivas de progressão na carreira incluidos). A União Europeia – que está muito na moda vilipendiar em Portugal – impede que o português seja tratado pelo patrão de forma diferente do autóctone. E o patrão, como tem interesse em conservar a mão-de-obra qualificada, investe nela, dá formação, organiza cursos de língua, excursões, assistentes sociais e, muitas vezes, um apartamento em condições. Trata-se, assim, de uma excelente oportunidade para conhecer outras terras e outras gentes, tudo sem o risco de passar fome e frio, ser abandonado quando doente e não receber o salário pontualmente todos os meses. Na verdade, uma temporada a trabalhar ou a estudar no estrangeiro – e a Europa é hoje um “estrangeiro” muito relativo – devia ser obrigatória para todos os jovens, não apenas portugueses. O trauma será muito maior para quem fica, porque o país perde gente qualificada, empenhada, necessária à construção do futuro. Por outro lado, os jovens que saem aprendem a conhecer realidades diferentes. Quando a crise passar – e há-de passar, mais tarde ou mais cedo – não terão dificuldades em regressar, se nessa altura ainda estiverem para aí virados, claro. Espero que sim, porque estou convencida que levarão na bagagem para Portugal, para além de uma experiência enriquecedora, uma mentalidade diferente. Deixarão, por exemplo, de aceitar sem protesto nem luta tudo o que está errado no nosso país, a começar pelo muito característico “nacional-coitadismo”.


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Notícias

PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

“Pedras de tropeço” para não esquecer Homens que salvaram irmãos na Zambujeira do Mar vítimas do Holocausto homenageados por jovens empresários luso-alemães Em várias cidades alemãs continuam a ser colocadas as „pedras de tropeço“, uma iniciativa do artista alemão Gunter Demnig. Ao todo, já há mais de 13,5 mil marcos em quatro países, lembrando as vítimas do Holocausto. „Aqui morou“ – um ser humano, um nome, uma data de nascimento. E o seu destino: a data da sua deportação, geralmente para um campo de concentração. Na placa de bronze ajustada numa pedra de 10x10cm não há espaço para mais. E mais não é necessário. Porque é precisamente esta a intenção do projecto de Gunter Demnig: „As pedras são colocadas diante dos últimos locais onde as vítimas do Holocausto residiram por vontade própria“. Quem passa por elas não tropeça literalmente, como o nome faz pensar, mas se depara „com a memória e o coração“, diz o artista plástico Gunter Demnig, o iniciador das pedras de tropeço, as Stolpersteine. Em 1993, Demnig teve a ideia de homenagear as mil pessoas de várias etnias de ciganos que haviam sido deportadas a partir de Colónia em apenas um dia. Com o tempo, o artista fixou placas em metal com a inscrição em vários pontos, marcando o caminho das casas das vítimas até o bairro de Deutz, em Colónia. Uma senhora que passou por ele uma vez disse-lhe que naquela parte da cidade nunca haviam vivido ciganos Aí ficou claro para Demnig: tanto as pessoas dessas etnias como judeus, vítimas da perseguição nazi, haviam se integrado de tal forma na sociedade local que a vizinhança não se apercebera das suas origens. Até Hitler subir ao poder na Alemanha, em 1933, a etnia de uns e as crenças de outros não haviam importado. E aí ficou claro para Demnig: Auschwitz e os outros campos de concentração eram o destino das vítimas. Mas o início desse fim estava ali,

aos olhos de todos, às suas portas, nas suas casas. “É no caminho diário de quem por aqui passa que se deve trazer à memória a tragédia que se viveu entre 1933 e 1945.” Porque as calçadas das ruas ninguém pode contornar. E lá estão elas, em tantas ruas, à frente de casas, ou lá onde antes havia casas, as pedrinhas de cor dourada, incorporadas no solo, marcam “aqui morou” alguém. Demnig enfrenta ainda hoje alguns obstáculos para dar continuidade à colocação das suas pedras nas calçadas. A presidente da comunidade judaica de Munique, por exemplo, vê as esculturas como atracção para neonazis e motivo para abusos perante as vítimas. Para Demnig “são argumentos falsos e injustos” – já que, para ver a pedra e ler o que lá está escrito, “é preciso curvar-se perante cada nome”. A ideia em que as “pedras de tropeço” se assentam é precisamente a de polir a memória ao se passar por cima delas: enquanto aquelas que estão em locais mais isolados oxidam, as que se encontram em ruas movimentadas brilham e o seu texto mantém-se legível. Não é possível atribuir um número total exacto à quantidade de vítimas do nazismo. A estimativa é de que tenha rondado os seis milhões. “Seis milhões de pedras você não vai conseguir colocar. Mas pode começar!”, foi o incentivo que Gunter Demnig recebeu de um padre no início do seu projecto. E Demnig pôs mãos à obra – literalmente. As primeiras pedras foram colocadas em Berlim, ainda que ilegalmente. Só mais tarde viria a luz verde para avançar. Depois foi a vez de Colónia e, desde 2000, o projecto flui. As pedras de tropeço custam 95 euros e são financiadas por doações e apadrinhamentos, normalmente por escolas ou associações. Hoje, elas podem ser vistas em cerca de 300 localidades na Alemanha, 11 na Áustria, 13 na Hungria e, desde o final de Novembro, na Holanda, o primeiro país a oeste da Alemanha a participar do projecto. Cortesia DW

Os três homens que, no início de Outubro, na Zambujeira do Mar (Odemira), salvaram de afogamento dois irmãos alemães foram homenageados por grupo de jovens empresários e profissionais luso-alemães. “Numa altura em que se celebra a vida, a solidariedade, a abnegação, o amor ao próximo e o altruísmo, queremos celebrar com quem põe esses valores em prática”, afirmou Valter Barreira, presidente dos Jovens Empresários e Profissionais da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã (WJP, de Wirtschafts Junioren Portugal). No jantar de Natal dos WJP, em Cascais os jovens empresários pretendem “reconhecer publicamente o ato” dos três homens que, a 03 de Outubro, quando dois irmãos de nacionalidade alemã foram arrastados pela corrente na praia da Zambujeira do Mar, na

costa alentejana, se lançaram ao mar e os resgataram. Emanuel Duarte, Francisco Mendes e Pedro Rebelo, pertencentes à associação de bodyboard local, levaram de volta à praia Lug e Zora Lutz, de 12 e 15 anos, respectivamente. O menino ficou ileso, mas a menina encontrava-se inanimada. Após mais de meia hora de manobras de suporte básico de vida, por parte de nadadores-salvadores voluntários e profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a jovem alemã foi reanimada, mantendo-se em coma durante 12 dias no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. A 17 de outubro, regressou para a Alemanha com a família, já consciente, mas ainda em recuperação. O acontecimento sensibilizou Valter Barreira, que encara os três homens como “heróis do mar” e “uma inspiração”.

O presidente dos WPJ considera que esta homenagem, que contará com um elemento da Embaixada da Alemanha em Portugal, serve também para transmitir uma “lição” aos associados, uma vez que os “valores humanistas são inspiradores para os próprios negócios”. Referindo-se às relações com a Alemanha no contexto da ajuda financeira a Portugal, Valter Barreira afirmou que “o Homem, enquanto ser social, é superior a qualquer quezília ou conjuntura económica ou financeira”. “Acho que é bom haver notícias sobre os inúmeros pontos que nos unem, ao invés de só haver notícias que nos podem separar”, vincou. Dos WJP, com sede em Lisboa, fazem parte mais de 50 membros, que se dedicam a actividades relacionadas com os negócios, o social e a cultura que possam desenvolver as relações entre Portugal e a Alemanha.

Rota dos emigrantes nos anos 70 retratada no projecto Borderline na Guimarães 2012

Um autocarro com 13 realizadores de quatro nacionalidades percorreu a rota dos emigrantes nos anos 70 para retratar a emigração na Europa, ao abrigo do projeto Borderline, estreado no passado mês em Guimarães. Com paragem em 10 cidades e com mais de 5 mil quilómetros de „asfalto, terra, neve e lama“, os realizadores, com idades entre os 21 e os 31 anos, entrevistaram quem „passa a fronteira à procura de uma vida melhor“ e conviveram com várias comunidades de „expatriados“. Uma das produtoras de Borderline, Mariana Pinho, explicou que esta foi uma „viagem em terra“ mas também „pelo imaginário de quem parte à aventura e seja o que Deus quiser“.

Um romeno, um polaco, um mexicano, um brasileiro, uma grega, uma equipa holandesa e quatro portugueses partiram, a 07 de Novembro, num autocarro „carinhosamente“ chamado Gina, uma „autêntica Torre de Babel sobre rodas“. O objectivo, explicou a produtora, „era filmar cinco curtas-metragens sobre a saudade, a forma de colmatar essa saudade, vidas, percursos, motivações e dificuldades de quem troca o país em que nasceu por outro à procura de uma vida melhor“. Entre as várias histórias retratadas, Mariana Pinho apontou duas „marcantes“ para a equipa. „O convívio com uma comunidade romena em Marselha e a história de uma mulher que na Geórgia era médica e em Genebra é empregada

doméstica“, referiu. Alias, disse, „focámos com alguma intensidade as empregadas domésticas porque houve muitos portugueses que emigraram para este destino“. Além das histórias e das vidas que retrata, Borderline foi „uma aventura“ para os participantes. „Foi um teste aos limites de cada um. Pela dificuldade de comunicação, falta de descanso, 17 pessoas num autocarro, avarias, mau tempo, falta de travões. Aconteceu de tudo. No final apercebemo-nos que criámos laços e nos ficamos a conhecer melhor a nós mesmo“, afirmou Mariana Pinho. Passaram por Paris, Genebra, Marselha, Granada, Madrid, S. Sebastian, Covilhã, Porto e „finalmente“ Guimarães.


Notícias

PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

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Casal alemão à conquista Europa a partir do Alentejo Um casal alemão criou uma marca de artigos de moda e decoração em madeira de oliveira, que exporta de um monte na freguesia de São Luís, em Odemira, para vários países europeus. A «Alentejo Azul» começou a «desenhar-se» no final da década de 1980, mas foi há cerca de cinco anos, após os produtos serem colocados numa plataforma de vendas na Internet, que o negócio mais cresceu. Stephan Thielsch, de 55 anos, e Anette Wörner, de 47, ambos oriundos do norte da Alemanha, conheceram-se e apaixonaram-se em Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira. Apaixonados também por Portugal e pelo «carinho das pessoas», decidiram ficar e radicaram-se num monte na localidade de Cortinhas, freguesia de São Luís (Odemira), onde estão instaladas a marcenaria e a loja. As primeiras peças de artesanato nasceram de um lote de madeira de oliveira comprado em 1988, «bastante caro» e com recurso ao crédito, disseram. Esses artigos, espelhos de parede e pequenas mesas com tampos em xisto, «não tiveram muita saída», o que os fez optar por peças menores, como botões e brincos. Segundo o casal, o projecto PUB

Um casal alemão criou uma marca de artigos de moda e decoração em madeira de oliveira, que exporta de um monte na freguesia de São Luís, em Odemira, para vários países europeus.

foi-se desenvolvendo «pouco a pouco» e, actualmente, dá trabalho a oito pessoas, embora nem todas a tempo inteiro. Para Hélder Campos, de 35 anos, de São Luís, arranjar emprego na oficina dos alemães, há cerca de oito anos, foi «ouro sobre azul». O funcionário mais antigo da empresa trabalhava na construção civil, mas o desemprego levou-o a procurar alternativas e agora assegura que é um ofício gratificante, lamentando apenas ter de se

vender as peças mais bonitas. Da „Alentejo Azul“ sai uma variada gama de produtos, como fruteiras, taças, pratos, saboneteiras, cadeiras, bancos, mesas, brincos, pulseiras, ganchos para cabelo ou alianças de casamento. A maioria dos artigos é feita a partir de madeira de oliveira, mas também são utilizados a cortiça, o xisto e o vidro. Em 2010, algumas peças feitas com garrafões e garrafas de vinho reutilizados participaram na exposição de design português

promovida pelo Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque (EUA). Apesar de terem as peças à venda na sua e noutras lojas e de participarem nalgumas feiras de artesanato, a aposta no sítio na Internet DaWanda, onde têm disponíveis 372 produtos, foi o impulso para o crescimento do projecto. Essa plataforma permite-lhes vender em todo o mundo, embora a maioria dos pedidos cheguem de Alemanha, Áustria, França, Suíça e Inglaterra.

Farmacêuticas ocidentais fizeram ensaios clínicos em pacientes da Alemanha de leste Grupos farmacêuticos ocidentais fizeram, nos anos 1980, testes de medicamentos em pacientes de hospitais da Alemanha de leste que nem sempre eram informados, noticiou hoje um jornal alemão, que cita documentos encontrados nos arquivos alemães, noticia a agência Lusa. ?“Temos documentos que atestam contratos entre empresas farmacêuticas ocidentais e instituições da RDA sobre testes de medicamentos“, indicou à agência noticiosa France Presse uma colaboradora dos arquivos alemães, confirmando parcialmente o artigo do jornal. ?Segundo o diário Tagespiegel, que estudou os documentos ao pormenor, mais de 50 firmas assinaram

contratos com o ministério da Saúde da Alemanha de leste para a realização de 165 ensaios clínicos entre 1983 e 1989. ?Esses testes poderão ter representado até 860.000 marcos alemães, a moeda da Alemanha ocidental, muito apreciada na RDA [República Democrática Alemã] comunista, acrescentou o jornal. ?O diário citoua diferentes empresas da época, algumas das quais mudaram de nome após fusões ou aquisições: Bayer, Schering, Hoechst (integrada na Sanofi), Boehringer Ingelheim ou Gödecke (hoje Pfizer). ?Por vezes, os pacientes não era informados dos ensaios clínicos, acrescentou o artigo, referindo sete

casos concretos de doentes de que dizem não ter tido conhecimento desses testes. ?A televisão regional alemã MDR, que tem estado a trabalhar sobre este assunto, citou o caso de um paciente de 60 anos, Gerhard Lehrer, nos cuidados intensivos após um enfarte no hospital de Dresden em 1989. ?Após tomar medicamentos „especiais“, „que não se encontravam à venda“, prescritos por um médico do hospital, o seu estado ainda piorou. ?Esses medicamentos, de que a mulher de Lehrer guardou alguns exemplares, revelaram-se placebos para um estudo encomendado pela Hoechst, de acordo com testes encomendados agora pela MDR.?

Na maior parte do ano, expedem uma média de 500 encomendas por mês, mas estas podem ultrapassar as 3.000 por altura do Natal. Anette Wörner garantiu que a distância e os portes de correio não atrapalham o negócio, até mesmo quando se trata das peças maiores e mais pesadas. «Quem compra uma mesa por mil euros não vai desistir por causa do custo do transporte de 120 euros», exemplificou. A realizar um volume de vendas que ronda os 100 mil euros por ano, o casal disse acreditar que o projecto vai crescer, embora reconheça algumas limitações. «Aqui é Parque Natural [do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina], não podemos construir mais nada e a oficina está nos limites», confessou a empresária. Nestes dias, a oficina tem trabalhado «em força» em manípulos de madeira de oliveira encomendados por uma fábrica italiana, que pretende comercializar uma «edição especial» de máquinas de café. Os artesãos preparam-se também para começar a satisfazer as encomendas feitas para o Natal, que, de acordo com Stephan Thielsch, «representam cerca de 40 por cento do total de vendas».


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Grande Entrevista

PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

Entrevista // José Cesário,

As pessoas não pagam o ensino. O Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, esteve em Berlim no passado dia 27 de Novembro, para participar no que foi o primeiro seminário consular regional na Alemanha durante o presente mandado. O Portugal Post esteve na Embaixada de Portugal em Berlim para falar com o Secretário de Estado, sobre vários assuntos relevantes para a comunidade portuguesa residente neste país, no contexto mais alargado das medidas de austeridade do actual governo, que afectam toda a diáspora portuguesa, em sede dos serviços consulares, do ensino do português e da cultura portuguesa no estrangeiro, entre outras matérias.

Dr. José Cesário falou-se da temática da nova emigração no seminário consular? Já há números oficiais? Sim, falámos. Regista-se um crescimento de acordo com os dados oficiais. Há um saldo anual positivo com um aumento que não é extraordinário. Houve uma inovação relativamente à tendência da redução da comunidade que se verificava há bastantes anos. E, neste último ano, verificou-se um aumento de duas mil e tal pessoas em toda a Alemanha. É um país procurado por muita gente mas não se regista um aumento extraordinário. Há mais licenciados do que aqui há alguns anos. Para começar temos muita gente preparada hoje em dia porque foi feito um investimento muito grande a nível da educação dos jovens. Há muitos jovens licenciados mas também quadros de empresas que ficaram desempregados. Os novos emigrantes têm um denominador comum que será, porventura, a maior parte não falar alemão, visto a língua estrangeira que se aprende mais nas escolas portuguesas ser o inglês. Neste caso, penso que eles precisarão do apoio consular e de acompanhamento. Por exemplo, se necessitarem fazer um requerimento junto das autoridades alemãs. E, a minha pergunta é, se se tem em vista designar um conselheiro social exactamente para corresponder a esta nova situação? Não está previsto. Nós temos na Alemanha um número significativo de técnicos do serviço social e é a eles a quem compete providenciar esse acompanhamento. Vamos ser claros. A maior parte das pessoas que se dirigem à Alemanha, ao virem para este país, têm já, naturalmente, a noção de que o alemão é indispensável. Por isso é que não vêm mais! Porque será que vão para a Suíça, por ventura, anualmente, vinte e tal mil, trinta mil, porque é que vão para França muito mais do que isso? E também para o Reino Unido, Angola e Brasil? Para a Alemanha o saldo é de dois mil. Muita gente tem consciência que o alemão é indispensável e que é uma língua que não se aprende de um dia para o outro. Não é perceptível, não é uma língua latina. A partir daí há uma maior dificuldade de relação. Julgo que existe essa consciência e que as

pessoas cada vez mais estão preparadas para isso. Agora, admito que seja preciso dar mais alguns esclarecimentos no sentido de as pessoas perceberem melhor isso. Estamos com uma campanha de esclarecimento a correr desde Maio deste ano, através de várias vias, procurando alertar as pessoas para esses aspectos. Que vias de esclarecimento estão a utilizar? Temos uma campanha genérica dirigida ao candidato a emigrante em geral que está a ser feita por via televisiva, radiofónica, através de alguns jornais, nomeadamente “A Bola”, através de folhetos, desdobráveis e cartazes que estão em proeminência nalgumas paróquias.A Alemanha ainda não está considerada porque as nossas prioridades são os países para onde se dirige mais gente. Para onde é que se dirige mais gente? Claramente, Angola, a Suíça, o Luxemburgo, o Reino Unido, a França, o Brasil, estes são os países em que há mais oportunidades e que são mais acessíveis. A Alemanha tem um problema de ordem linguística. Não deixou de se ensinar alemão aos portugueses mas não é com a dimensão com que se ensina o inglês. E considerando este factor da emigração, que é relativamente pouco significativo na Alemanha, quando comparamos com outros países, há novas linhas de orientação do Senhor Secretário de Estado para os serviços consulares considerando este aspecto? Uma reforma decisiva que temos neste momento, e que é a maior de sempre na rede consular, e que traduz e implica que finalmente os nossos consulados possam aproximar-se das comunidades, é a implementação das novas permanências consulares com os novos equipamentos móveis para a recolha dos dados biométricos para os passaportes, cartão de cidadão e registos. Essa é a grande linha de orientação. Como é que isso funciona? Em variadíssimas cidades da Alemanha temos os nossos funcionários com equipamento, que é móvel, igual ao que temos nos postos, e que se deslocam às comunidades e tratam do

que é preciso junto das pessoas, ou seja a generalidade dos actos que as trazem aos consulados. Há um dia e sítio fixo para a prestação de serviços nas várias localidades? Há sim. Há dias fixos, há uma agenda, há cidades em que a periodicidade é mais frequente, noutras cidades é menor. Aliás, a experiência arrancou aqui e em França, em simultâneo, e quero dizer-lhe que nós desde Maio, nos países em que já estamos a desenvolver esta experiência, atendemos mais de cinco mil pessoas fora dos postos consulares. Esta é a grande mudança. E estão a pensar em alargar este tipo de serviços itinerantes geograficamente? Há um conjunto de cidades, que no caso da Alemanha é significativo, mas os chefes de posto têm autonomia para sugerir alterações no sentido de reduzir ou no sentido de aumentar esse número. Não somos nós a partir de Portugal que vamos determinar onde e quantas vezes é mais importante fazer a permanência. Os chefes de posto têm, neste aspecto, uma função de grande relevo. Para terminar esta faceta da entrevista, qual é o balanço que o Senhor Secretário de Estado faz da actual situação consular aqui na Alemanha? Apesar dos dois encerramentos que houve, a Alemanha continua a ter, em termos relativos, uma das maiores redes consulares que nós temos em todo o mundo. Estamos a falar de quatro postos para uma comunidade que, oficialmente para os alemães, é de 115 ou 116 mil pessoas. Nós sabemos que é superior, terá mais uns vinte, trinta, ou mesmo, quarenta mil, seguramente, mas, mesmo assim, é uma cobertura muito elevada. O que, aliás, é muito evidente pelo trabalho consular, rendimento e produção, que não é exagerada. Nós desejamos que seja maior, apelamos, aliás, às pessoas para que vão aos consulados, tratem dos seus assuntos nos consulados, nas permanências consulares, procurem naturalmente obter os documentos e alertamos para que não caiam em situações irregulares de irem tirar os documentos a Portugal, residindo fora de Portugal, sem declarar a residência oficial. Imagine uma pessoa que tem averbado no seu cartão de cidadão uma residência em Portugal e tem uma carta de condução, por exemplo, da Alemanha. Isto é uma situação completamente irregular que origina multas e as pessoas devem acautelar estas situações. As pessoas até podem tirar os documentos em Portugal mas têm sempre de declarar o local onde residem. Tenho consciência, que para muitas pessoas é difícil deslocaremse ao consulado e é, por esta razão, que estamos a fazer estas permanências.

Tinha mais uma pergunta sobre o Conselheiro Social porque, segundo o que percebi, a função deste é de coordenar os técnicos e estabelecer contactos com as instituições do país relevantes. Suponho que os técnicos sociais não se movem a este nível e, além disto, também é de presumir que um conselheiro social terá conhecimentos mais aprofundados sobre a legislação alemã e a portuguesa na matéria. Como é que dão a volta a isto? Muito fácil. Sabe que nós temos aqui neste momento uns sete ou oito conselheiros sociais. Cada um dos nossos diplomatas que aqui está também tem de ser conselheiro social. Aqui, em Berlim, há um conselheiro social? Não, aqui em Berlim há vários diplomatas que podem e devem tratar dos dossiers sociais. Isto na relação com as autoridades alemãs. Se assim não fosse, como é que seria, por exemplo, em certos países, como o caso do Brasil, Angola, Venezuela? Nalguns desses países nunca tivemos conselheiro social. E a dimensão dos programas sociais é enorme. A dimensão dos dossiers bilaterais em matéria de legislação e acordos é enorme. Esse trabalho tem de ser assegurado em primeiro lugar pelos nossos diplomatas, completados pelos técnicos naquilo que os técnicos puderem fazer. Nas questões mais práticas e, eventualmente, até técnicas. Pensemos num caso prático. Um emigrante da primeira geração, que fale mal o alemão e se tenha reformado, precisa de resolver vários assuntos ligados à nova situação, tais como requerimentos de reforma, subsídios, suplementos, etc. Ele dirige-se ao consulado, digamos, aqui em Berlim ... Em princípio isso não é matéria para o consulado. Se o consulado tiver as condições técnicas pode fazêlo, mas essa é a missão típica do movimento associativo, por ventura, em parceria como o conselheiro social. Há uma prática nalguns países que não é a prática generalizada da rede consular. Compreendemos as dificuldades de relação e, sobretudo, de comunicação. Sabemos que alguns dos nossos técnicos fazem esses trabalhos mas, em boa verdade, isso é um trabalho complementar à acção consular. Disponibilizamos esse serviço havendo condições para tal. Outra matéria é a questão da abordagem dos dossiers de natureza social na relação com o estado alemão e, a esse nível, há, indiscutivelmente, pessoas que o façam. Neste aspecto específico, da relação com o público, há os funcionários técnicos e, no futuro, há a potencialidade de converter funcionários em técnicos. É uma coisa que se tem verificado em vários postos.

José Cesário. Foto: Gonçalo Silva São formados nessa matéria ou já têm formação? Eu conheço vários que nos últimos anos foram reconvertidos em técnicos. Posso citar de memória uma meia dúzia de casos na Suíça, em França. O Dr. José Cesário falou do movimento associativo e o seu papel de apoio. Porém alguns afirmam que o movimento associativo está a morrer. Quais são as suas sugestões para que esse movimento não morra? Como é que o movimento associativo nasceu? Nasceu porque os emigrantes da primeira geração sentiram necessidade de encontrar espaços onde pudessem partilhar aspectos da sua vida, conviver, no fundo, ajudar a ultrapassar dificuldades e a manter um contacto com as raízes, com as tradições, a cultura. Tendo também em consideração questões da comuni-


Grande Entrevista

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Secre tário de Estado das Comunidades

Vão de dar um pequeno contributo Sugeriram-me fazer-lhe uma pergunta relativamente ao Conselho de Integração, onde não existe representação portuguesa. Parece que isto poderá ter a ver com a falta de um movimento associativo suficientemente forte para que sejam propostas pessoas para integrarem o dito conselho. Embora, e tradicionalmente, no seio da comunidade portuguesa não se registar quaisquer problemas de integração na sociedade alemã. Quer comentar? É um dos aspectos em que vale a pena nós trabalharmos de maneira a que alguns dos actuais ou futuros protagonistas possam ter em consideração este aspecto muito importante da relação com as autoridades alemãs. As nossas comunidades devem ter um espírito de participação na vida pública local. Os portugueses que estão na Alemanha, em França, nos Estados Unidos, além da sua relação com o país de origem, têm obviamente a relação com o país de acolhimento, onde fazem as suas vidas, onde pagam os seus impostos, portanto faz sentido que tenham intervenção na vida pública local e que intervenham também candidatando-se a lugares, ocupando funções. Isto é um aspecto importante para a nossa comunidade aqui. Há pessoas que falam muito da relação connosco e seria desejável que essas pessoas gastassem algumas energias a dialogar com as autoridades locais. E isto é muito importante. Temos países em que já temos portugueses no governo. Temos deputados, presidentes de câmara e temos mesmo relações com essas pessoas. Levamolos a Portugal, tentamos dinamizar redes com esses protagonistas e na Alemanha é desejável, numa comunidade com essa dimensão e com um nível de integração razoável, e é bom que tenha cada vez mais cargos e esses poderes. E é um desafio para todos nós, a começar pelos que estão cá. cação num país como a Alemanha. No contexto em que hoje se vive, muitos desses aspectos continuam a ser actuais. Se é verdade que há associações que estão moribundas, há outras que não estão, e que estão bem activas, cheias de projectos. Há realizações, há eventos, há convívios, há o apoio a quem necessita. Veja o exemplo das missões católicas que também é uma forma de associativismo muito ligado à igreja. Portanto, há aí um campo muito vasto. O maior problema tem a ver com as pessoas, com os protagonistas. Tem a ver com o facto de serem precisos novos protagonistas que ajudem e completem os mais antigos. Jovens que possam inovar. Agora esta área de que estamos a falar, a área do acompanhamento social é uma área em que os portugueses têm uma tradição enorme. Há muitas instituições de apoio social na Europa e fora dela.

Na actual terminologia anglosaxónica sobre emigração, estas pessoas são descritas como “hifenated”. Ou seja, estão a cavalo entre duas culturas e são uma boa ponte de comunicação entre Portugal e outros países, no nosso caso, a Alemanha. Sem dúvida! Tivemos em Portugal há poucos meses vários senadores norte-americanos, deputados do Canadá, presidente de câmara de França, vereadores da África do Sul, do Brasil, da Venezuela, luso-descendentes e alguns de primeira geração. O coordenador, o responsável no condado de Miami-Dade pela educação e segurança é um português nascido em Lisboa. O presidente de Câmara de um local na Namíbia era, até há pouco tempo, um português nascido na Madeira. Temos casos desses em todo o lado. E, quando passamos para as segundas gerações, esses casos aumen-

tam significativamente. Veja em França. Mas a segunda geração já terá perdido algum contacto como o nosso país! Não. Neste momento estamos a verificar uma grande ligação. Quando falo da segunda geração, falo das segundas gerações, e estamos a verificar uma ligação impressionante a Portugal. Devo dizer-lhe que nós temos visto nalguns países, em França, e aqui também, as pessoas a chegarem, a vontade que têm de se ligar ao país, e de levar lá visitantes, levar lá os amigos. As pessoas têm consciência das dificuldades do país mas vê-se muita gente com muito orgulho em mostrar o país. O nosso país tem coisas muito boas. E a propósito das segundas gerações, gostaria que falássemos um pouco sobre o ensino do português e da cultura portuguesa na Alemanha. Segundo o presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Fernando Gomes, nos Estados Unidos e no Canadá, as pessoas sempre pagaram os cursos de língua portuguesa. Pagam nas escolas comunitárias. Na Europa havia uma situação de excepção, em que os cursos eram pagos pelo Estado português, nomeadamente, na Alemanha. Na Europa há de tudo. Na maioria dos casos são pagos pelo Estado português. Concentremo-nos na Alemanha, país em que os cursos eram pagos pelo estado português. No âmbito das medidas relacionadas com a crise vai passar a haver uma propina. Tem havido bastantes protestos contra esta propina e as pessoas têm dificuldade em aceitar a perda de um privilégio. Como vê esta situação? Primeiro aspecto, as pessoas não pagam o ensino. As pessoas vão de dar um pequeno contributo , que se vai situar entre os 110 e os 120 euros por ano, 10 euros por mês, considerando que essa verba se vai destinar a passarem a ter uma coisa que não tinham, isto é, a certificação das aprendizagens que os filhos fazem e passarem a ter programas que não tinham. Esse programa obedece a critérios internacionais? São programas feitos pelo Instituto Camões de acordo com o quadro europeu de línguas. Prevê certificações dos níveis A1, A2, B1, etc. que são qualificações reconhecidas internacionalmente? Exactamente, fundamentalmente a nível europeu. Os professores vão

passar a ter acções excepcionais e integradas de formação no terreno, virão formadores de Portugal e haverá também formadores locais. Haverá uma introdução de um conjunto de factores que vão dar qualidade ao sistema. Obviamente que nós assumimos perante as pessoas que não temos meios para fazer isto mas, se não o fizermos, o que existe não é nada. Não podemos ter um sistema de ensino em que o próprio estado que o paga não avalia o que se faz. Tem de haver qualidade. Infelizmente, a verdade é que não temos condições financeiras para poder pagar tudo aquilo que desejamos e talvez algumas pessoas não saibam mas, não temos só alunos do básico e do secundário, temos 57 mil alunos do básico e secundário e temos mais de 100 mil alunos no ensino superior em todo o mundo. O português é ensinado no mundo. Embora sejamos 250 milhões de falantes (oito países em que o português é língua oficial, mais um território) o esforço de internacionalização do ensino do português é, fundamentalmente, de Portugal, porque o contributo de outros países é muito pequeno. O esforço dos outros países lusófonos é muito reduzido e situa-se normalmente a nível do ensino superior. Nós temos escolas onde temos professores nossos, pagos por nós, a darem aulas em que a maioria dos alunos não é portuguesa. São lusófonos. Por exemplo, nas escolas europeias em França, aqui na Alemanha. Isto é um esforço que nós fazemos pela língua. As pessoas têm de perceber que o português é uma língua de oportunidades, uma língua de negócios e que está em expansão. O português é a língua mais falada no hemisfério sul, é a terceira língua mais falada em todo o ocidente, é uma das mais faladas no facebook. Isto é uma oportunidade para as pessoas. Cada professor que colocamos no estrangeiro custa três vezes aquilo que ele custa em Portugal. Ao pedirmos uma pequena comparticipação assumimo-lo, é num contexto extraordinário, em que a responsabilidade é exclusivamente nossa, não oneramos os cursos integrados, para podermos dar a estes cursos essa qualidade que eles não têm. Não tem nada a ver com o facto de em outros países pagarem os cursos integralmente. Tem a ver com outra coisa, a necessidade de darmos outra dimensão, outra qualidade àquilo que fazemos. A propina já entrou em vigor? A propina foi aprovada recentemente através do decreto-lei que regula o regime jurídico do ensino português no estrangeiro. Em breve sairá uma portaria que a vai regular e fixar o seu valor, e ela vai-se aplicar ao ano lectivo 2013-2014. Sendo paga aquando das inscrições dos alunos para esse ano. Então ainda não foram feitas as

inscrições? As inscrições vão ser feitas em inícios de 2013 para o ano lectivo seguinte. No artigo 74, alínea i), Parte I, Direitos e Deveres Fundamentos, da Constituição Portuguesa, é consagrado o direito ao ensino da língua portuguesa e ao acesso à cultura portuguesa dos filhos dos emigrantes. Embora, não se mencione a gratuitidade do mesmo na lei fundamental. Como avalia o argumento da inconstitucionalidade da propina neste contexto legal? Entendemos que não há inconstitucionalidade nenhuma. Não é por acaso que a lei de bases do sistema educativo determina que o ensino do português no estrangeiro é uma modalidade especial da educação escolar, em igualdade de circunstâncias com a formação profissional, com o ensino artístico, com a educação de adultos, em que, nalguns casos, há lugar a pagamentos Portanto, a questão da inconstitucionalidade não se coloca. Em qualquer caso, estamos num estado de direito. Havendo inconstitucionalidade há um órgão competente para a determinar que é o tribunal constitucional. Se for determinada nós acolhemos a decisão. Mas as pessoas têm de estar conscientes de um facto: nós temos um orçamento para o ensino do português no estrangeiro, que é o que é! Nós não deixaremos de introduzir no sistema a qualidade que ele merece ter. Nesse caso, talvez fosse importante, explicar isso mesmo aos pais. Isto é: que a certificação, a internacionalização, os materiais e todos os outros aspectos deste tipo de ensino implicam um esforço financeiro grande por parte do estado português. Mas é isso mesmo que estamos fazer. As pessoas têm de perceber que para haver exames, certificados, formação, planos de leitura temos que ter mais funcionários, mais professores no Instituto Camões, mais do que temos e isto não cai do céu! Portanto, para isso, temos que lhes pagar e é para isso que a propina se destina. Temos muitos alunos em localidades extremamente isoladas, onde não é possível ter um professor para apenas um, dois ou três alunos. Isto é válido em todo o mundo. Vamos ter de desenvolver uma modalidade de ensino à distância que possa servir esses alunos, das formas mais variadas, e essa modalidade não existe, sobretudo, se for monitorizada. Nós queremos ter uma plataforma de bi-learning. Ora bem, é para estes aspectos que o valor da propina será dirigido.

Entrevista conduzida por Cristina Dangerfield-Vogt, em Berlim


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Comunidade

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Semanas de Cultura Portuguesa 2013 em Hamburgo

Cultura portuguesa na “cidade mais portuguesa da Alemanha” Há quem chame Hamburgo “a cidade mais portuguesa da Alemanha”. Devido ao seu caráter marítimo, a cidade hanseática une-se por fortes laços históricos à nação dos descobridores e navegantes. Ainda hoje, com cerca de dez mil residentes, a comunidade lusa é a mais numerosa da Alemanha. Com mais de 40 restaurantes e mais de 70 pastelarias, a gastronomia portuguesa marca presença sem igual, sendo o chamado “Portugiesenviertel”, ao pé do porto com a estátua de Vasco da Gama e a Rickmer Rickmers (a ex-Sagres), o seu centro. A Associação Luso-Hanseática (Portugiesisch-Hanseatische Gesellschaft) com mais de 300 sócios, tem desenvolvido, durante os seus 16 anos de existência, uma vasta atividade em prol do intercâmbio cultural. Para janeiro e fevereiro estão programadas Semanas de Cultura Portuguesa com três exposições, três palestras, uma noite de fado, um serão literário e uma prova de vinhos portugueses. Na sua maioria, esses eventos terão lugar no Kulturhaus Eppendorf (Julius-Reincke-Stieg 13ª/Martinistr. 40). Aí, as semanas culturais serão inauguradas a 18 de janeiro, às 20 horas por um concerto de fado pelo grupo Fado-Nosso (Francisco Fialho e Henrique Marcelino acompanhados por Francisco Pereira na guitarra portuguesa e Michel Pereira na viola). Ao mesmo tempo inaugurar-se-á a exposição Um olhar hanseático sobre Portugal – Hanseaten sehen Portugal com fotografias de cinco fotógrafos da Associação Luso-Hanseática. Essa exposição, que já foi exibida no Consulado

Navio Escola Ex-Sagres II ancorado no porto de Hamburg diante do ”Bairro Português”. (ver neste página texto sobre a história do veleiro·

BERLIM Tia Emilia, uma mercearia sobre rodas

Geral de Portugal, em outubro e novembro do ano passado, estará patente até meados de março. As três palestras no Kulturhaus Eppendorf, que terão início às 19:30 horas, tratarão de temas tão diversos como Goethe – Pessoa. Ein deutschportugiesischer Dialog por Prof. KarlEckhard Carius (31 de janeiro), Portugal in Hamburg por Dr. Peter Koj (14 de fevereiro) e Mit der Linie 28 durch Lissabon por Claus Bunk (21 de fevereiro). O último evento será abrilhantado por uma prova de vinhos organizada por Carlos Vasconcelos dos restaurantes Porto e Nau. A 28 de janeiro, as três conceituadas tradutoras hamburguesas Barbara Mesquita, Maralde Meyer-Minnemann e Karin von Schweder-Schreiner vão ler trechos de autores portugueses traduzidos por elas. O serão terá lugar, sob o título Nicht nur saudade, na livraria Christiansen, Bahrenfelder Straße 79, com início às 20 horas. As duas outras exposições são Portugiesische Streifzüge – Impressões de Portugal com obras de duas artistas alemãs (Kerstin Wagner e Gudrun Bartels) e dois artistas portugueses (António Alonso e Manuel Gamboa), patente na galeria do Bergedorfer Kulturzentrum LOLA (Lohbrügger Landstr. 8), entre 24 de fevereiro e 31 de março, e, em janeiro e fevereiro, Grüße von der Blumeninsel, com desenhos a aguarela da ilha de Madeira, da autoria da conhecida pintora e ilustradora Marlies Schaper (restaurante Nau Ditmar-Koel-Straße 13, em pleno “Portugiesenviertel”).

Berlim Uma jovem berlinense, inspirada pelas suas visitas a Portugal, instalou uma mini-mercearia ambulante (sobre rodas) com produtos genuinamente portugueses no mercado de rua na Kollwitzplatz, em Prenzlauer Berg, Berlim, Tia Emília é o nome da mercearia ambulante. Para além das especialidades tradicionais (azeite, café, flor de sal, sardinhas em conserva, Tia Emília oferece ainda produtos que muitos de nós temos na nossa memória: pasta dentífrica Couto, sabonete Lavicura, Alfazema de Portugal, etc. Uma ideia para as lojas portuguesas espalhadas pela Alemanha.

Navio Escola Ex-Sagres II no porto de Hamburg O Rickmer Rickmers é um veleiro, armado em barca de três mastros, ancorado como navio museu no porto de Hamburgo. Como Sagres serviu como navio-escola da Marinha Portuguesa, entre 1927 e 1962. O navio foi construído nos estaleiros Rickmers Werft em Bremerhaven, na Alemanha e lançado à água em 1896 e colocado ao serviço do armador Rickmers Reismühlen, Rhederei und Schffibau AG com o nome Rickmer Rickmers. O navio, construído em ferro, armou, inicialmente, em galera. Na marinha mercante alemã, o navio foi utilizado, sobretudo, no transporte de algodão entre o Extremo Oriente e a Europa. Em 1902 um temporal danificou-lhe a mastreação. Depois da reparação, o navio passou a armar em barca. Em 1912 o navio foi vendido ao armador de Hamburgo, Carl Christian Krabbenhöf, sendo rebatizado Max. Na sequência da Primeira Guerra Mundial, em 1916, o Governo de Portugal decretou o apresamento dos navios alemães e austro-húngaros ancorados nos portos portugueses. O Max, que se encontrava, então, no porto da Horta foi apresado e, a pedido do Governo Britânico, emprestado ao Reino Unido. Durante o resto da guerra, o navio foi usado pelos britânicos, com o nome Flores. No final da guerra foi devolvido a Portugal, sendo aumentado ao serviço da Armada Portuguesa em 1924, com a designação NRP Sagres. Em 1927 foi decidida a sua conversão em navio-escola para cadetes da Escola Naval. Foi o segundo navio-escola da Marinha Portuguesa a ter aquela denominação, depois da antiga corveta Sagres, sendo, por isso, também conhecido por Sagres II. Por vezes, devido à ignorância da existência daquela antiga corveta, o Sagres II é referido como Sagres I. Na Marinha Portuguesa a Sagres II ficou célebre mundialmente pelas cruzes de Cristo nas suas velas. Em 1958 o navio venceu a regata Tall Ships’ Races. Em 1962 o Sagres II foi substituído, como navio-escola da Marinha Portuguesa, pelo Sagres III (antigo NE Guanabara da Marinha do Brasil). O navio foi então rebatizado Santo André e reclassificado como navio depósito. Em 28 de abril de 1983 o Santo André foi entregue à associação alemã Windjammer für Hamburg, que, em troca, entregou à Marinha Portuguesa o NRP Polar. O navio foi restaurado e transformado em navio museu, ancorado, no porto de Hamburgo, com o nome original Rickmer Rickmers. Fonte. Navio Museu Rickmer Rickmers


Comunidades

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José Carlos Reis Arsénio é o novo cônsul em Estugarda

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Fala o/a Leitor/a A prepósito de uma seminário “Mulheres Portuguesas na Alemanha”

José Carlos Reis Arsénio é, desde Outubro do ano passado, o novo Cônsul-Geral de Portugal em Estugarda. Com um licenciatura superior em Relações Internacionais, José Arsénio iniciou a sua carreira diplomática em 1996 como Adido de Embaixada no Serviço do Protocolo do Estado. Exerceu tarefas inerentes ao Serviço do Cerimonial e Deslocações e à Divisão de Dispensas e Privilégios do Corpo Diplomático acreditado em Lisboa. Devido à sua fluência nas línguas alemã e inglesa foi destacado como acompanhante dos Chanceleres da Alemanha, Helmut Kohl e Gerhard Schröder, do MNE Klaus Kinkel. Em Julho de 1999 foi colocado como número dois na Embaixada de Portugal na Cidade do México onde acompanhou os assuntos políticos e bilaterais, os assuntos económicos e comerciais, os assuntos culturais, assim como desempenhou a função de Encarregado da Secção Consular. Em finais de 2003 foi colocado na Representação Permanente de Portugal junto da OSCE (Organização de

Segurança e Cooperação Europeia) em Viena tendo sido responsável pelos pelouros da região da Ásia Central, Região do Cáucaso, Dimensão Política e Militar, Dimensão Económica e Ambiental, e Comité de Segurança e Terrorismo. Numa curta declaração ao PP, o Cônsul-Geral enunciou uma mão cheia de objectivos que procurará concretizar enquanto durar a sua missão em Estugarda. De de todos, destacam-se a intenção em promover uma maior proximidade entre o Consulado e a Comunidade.; melhorar o atendimento e assistência que o Consulado presta à Comunidade; intensificar o contacto com as várias individualidades, núcleos e associações da Comunidade.; dar maior acompanhamento às questões sociais da Comunidade; procurar uma maior sensibilização da Comunidade para a importância do ensino do português; procurar contactos com empresários, empresas e associações empresariais e, por último, proporcionar uma maior divulgação da cultura portuguesa.

Quem são estas três senhoras sentadas a uma mesa à nossa frente? Estas foram as perguntas que me fiz. Eu sabia que se tratava de um seminário subordinado ao tema. “Mulheres Portuguesas na Alemanha“, e, por curiosidade, fiz questão de participar. As mulheres que participaram nessa „soirée“ eram poucas, talvez umas dez, não me recorda exactamente. Estavam também presentes dois homens, um deles o escultor Filipe Mirante, o outro acho que era um alemão casado com uma portuguesa... Na mesa, à qual se sentavam as três senhoras, estava pousado um cartaz escrito com letras maiúsculas: Academia de Saberes. Devo dizer que o cartaz me impressionou, sonhando que iria aprender ou conhecer algo daqueles „Saberes“. Acreditei que as damas ali presentes, cuja idade revelavam alguma experiência, me iriam transmitir essa sabedoria. Em vez disso, tivemos de ouvir um discurso em que se valorizavam. D. Manuela Aguiar, mencionava da sua juventude, referia a sua amizade com a D. Graça que datava de longos anos, desde a infância, acho. Por sua vez, D. Graça fazia questão de falar da sua tese de doutoramento na Sorbonne... Sorbonne, a Universidade que não passa despercebida para quem se conhece no meio universitário... D. Manuela de Aguiar e D. Graça falaram, falaram e, quando D. Rita abria a boca para abordar outros assuntos que vinham a propósito, era interrompida pela D. Manuela que lhe parecia mais importante nomear os seus encontros culturais com este/a ou aquele/a durante o tempo em que foi secretária das Comunidades. Só ilustres pessoas, “le Crème de la crème”... Porém, de vez em

quando, abordava a importância do nosso papel de mulheres migrantes ... Por exemplo, sugerindo a escrita de histórias acontecidas... E assim se passou o tempo. Filipe Mirante, apesar de ser homem, falou, mas falou bem. Talvez, porque deixara suavizar a garganta com um copo de Monte Velho que ia esvaziando aos poucos. Invejei-o, pois também gostaria de ter bebido uns bons golos. No entanto, tive coragem para me levantar, descer ao restaurante UDP e pedir um copinho... Assim, tive de esperar que as Doutoras terminassem a palestra, cujo tema na íntegra não cheguei a entender. Penso, contudo, que não era para entender, pois como disse Franz

Kafka um dia a Max Brod, ao escrever aquela longa carta „Bief an den Vater“ que nunca chegou a enviar ao pai, a carta existia na escrita, mas não para ser lida. Assim é a vida... O importante é viajar e ser criativa, querer bem às mulheres migrantes, fazer algo pela sua existência. Tudo isso é indispensável ao êxito colectivo... É essencial para tal iniciativa haver pessoas que se deslocam de Portugal para entreabrirem novas portas. Com esta esperança, desejo que aquelas três senhoras cheguem a um bom porto de migrantes com a sua nau, contando que eu não me encontre nela.. Sofro muito de enjoo. Neusa Sobrinho Amtsfeld

portuguesas e alemãs, como concebido pelo FESTIVAL BERLINDA, não deve ser confundido com o contentamento nem rejeição desta ou daquela medida adoptadas por um determinado governo. ��� O FESTIVAL BERLINDA não é um festival das lusofonias do mundo, como erradamente escrito no artigo, mas sim um Festival de Cultura dos Países de Língua Portuguesa. – A página de Facebook do grupo Portugueses em Berlim, como é do conhecimento de CDV, é administrada por várias pessoas. À altura, um dos então administradores terá feito

postagens apelando à participação na manifestação de 15.9.2012. A afirmação de que eu teria sido responsável pelas mesmas, sabendo CDV da existência de vários administradores, levanta suspeitas quanto às motivações, porventura pessoais, de semelhante erro. - A presença de um jornalista, no meu caso, de uma editora de um órgão de informação, numa manifestação, não deve por razões óbvias ser associada à simpatia nem à antipatia pela mesma, visto ser parte fundamental do desempenho competente de funções profissionais, i.e., informar

os leitores sobre a atualidade sociopolítica. - A insinuação por parte de CDV, de uma suposta tomada de posições extremas e um imaginado desprezo pela Embaixada Portuguesa por minha parte, como fantasiado no artigo, merece-me o maior distanciamento. Aguardando a publicação na íntegra deste comunicado, visando repor a verdade dos factos, Muito atentamente, Inês Thomas Almeida Editora do magazine Berlinda.org Diretora do FESTIVAL BERLINDA

Aspecto do “Seminário”. Foto: Fonte Facebook

Direito de Resposta

“Que se lixe a Troika em Berlim Berlim, 11 de dezembro de 2012 À direção do Portugal Post Excelentíssimos Senhores, Face às graves incorreções de conteúdo e falta de ética profissional no artigo publicado no nº219 do vosso jornal, edição de outubro de 2012, página 7, intitulado „Que se lixe a Troika em Berlim“ e assinado por Cristina Dangerfield-Vogt (doravante mencionada como CDV), venho por esta via solicitar a publicação integral deste comunicado, em exercício do Direito de Resposta, tal como previsto pela lei portuguesa ao abrigo do Artigo 24º da Lei de Imprensa de 2/99

de 13 de janeiro de 1999 e pelo artigo 11 da lei alemã do Estado da Renânia do Norte-Vestfália sobre imprensa, de 24 de maio de 1966. Passo aos esclarecimentos: – O evento „Diálogos Económicos“ não foi organizado pela AICEP com o patrocínio da Embaixada de Portugal, mas sim pelo FESTIVAL BERLINDA, em cooperação com a AICEP, Embaixada de Portugal e Landesvertretung Baden-Württemberg. - O desejo de fomentar a economia portuguesa através do estreitamento de laços entre empresas


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Entrevista

PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

Alfredo Cardoso e Francisco Pinto da Costa, coordenadores das secções do Partido Socialista em Münster e Estugarda

Não entendemos a escolha de Mainz para fazer permanência consular

Alfredo Cardoso, coordenador da secção do PS em Münster

Francisco Pinto da Costa, coordenador da secção do PS em Estugarda

De acordo com o que anunciámos, publicamos nesta edição a segunda entrevista com dirigentes locais de partidos com representação na Alemanha. Depois do PSD, cabe agora ao PS responder a perguntas que nos pediram para colocar por escrito. Contrariamente ao PSD, que tem um único responsável na Alemanha, o os interlocutores desta entrevista

são os coordenadores de Estugarda e Münster, Francisco Costa e Alfredo Cardoso, respectivamente. O que se pretende com estas entrevistas é valorizar a actividade cívica e política da comunidade que, tomando à letra o espírito da democracia, se organizam para, em seu entender, responderem às necessidades sociais e políticas dos cidadãos.

Quantos militantes têm o PS na Alemanha e de que forma é que está organizado? O PS na Alemanha está organizado através de secções que actuam de acordo com a vontade dos seus membros/militantes e respondem perante os órgãos nacionais. Que sentido dão à vossa organização aqui na Alemanha. Ou para perceber melhor a pergunta: que utilidade tem em termos concretos o partido estar organizado da maneira que está? Há uma ideia errada, mas radicada nas pessoas de que os partidos servem apenas para oferecer “tachos”, trabalho ou emprego, quando, na verdade, os partidos organizam os cidadãos na sua vontade e actividade política, baseados em ideias e princípios comuns. Esta actividade é normalmente realizada através de estruturas conforme os seus estatutos. O PS nas comunidades portuguesas no estrangeiro está organizado em secções, que devem ter um número mínimo de militantes e possuir um Secretariado e Assembleia de Militantes democraticamente eleitos. Houve tempos que existiram, nas comunidades estrangeiras, federações que coordenavam e organizavam as secções. Hoje, por decisão dos órgãos nacionais, deixou de haver federações, pelo menos, a federação que

existia na Alemanha deixou de funcionar. Quem é o porta-voz do PS na Alemanha? Pelo facto de não haver, na Alemanha, nenhuma federação, nenhuma estrutura de nível médio e respectivo coordenador, não existe um Presidente de federação, o qual em tempos funcionava como porta-voz da Alemanha. Num momento de grandes dificuldades que o país e os portugueses atravessam, que tipo de intervenção politico- partidária tem tido o PS junto dos portugueses neste país? A intervenção de um partido, como o PS, junto dos portugueses numa comunidade no estrangeiro não é igual à que se verifica em Portugal. O factor “estrangeiro” condiciona essa mesma actividade. Deste modo, é através de informação, formação e de convívios sociais que transmitimos as nossas posições políticas sobre a situação nacional (em Portugal) ou local (país de acolhimento).Para tanto, realizamos encontros e organizamos reuniões com a presença de dirigentes nacionais e de camaradas residentes nas comunidades que possam abordar temas interessantes. Enquanto partido da oposição, quais são os problemas da comuni-

dade lusa neste país que merecem a vossa atenção? O maior problema da comunidade lusa na Alemanha é essencialmente a falta ou a diminuição do apoio consular, que, por muito que surjam soluções alternativas e modernas, não preenchem, em pleno, as necessidades dos portugueses que vivem na Alemanha. O PS na Alemanha tem lugar na Comissão Nacional do partido, a exemplo do que acontece, por exemplo, com o PSD Alemanha? Por decisão do Secretariado Nacional é reservado às estruturas do partido no estrangeiro um ou mais lugares na Comissão Nacional. Neste momento, o PS da Alemanha não tem nenhum representante na Comissão Nacional.

Há alguma tomada de posição do PS na Alemanha sobre o encerramento dos postos consulares de Osnabrück e Frankfurt? Os militantes do PS na Alemanha participaram em todas as posições que a comunidade portuguesa entendeu organizar para protestar contra o encerramento dos postos consulares de Osnabrück e Frankfurt, através de manifestações ou abaixo assinados. Também transmitimos ao Grupo Parlamentar do Partido na AR o descontentamento dos portugueses pela decisão do Governo PSD-PPD/CDS.. Em termos de politica para as comunidades, o que é que distingue o PS do PSD? Em muita coisa. Citamos uma que é importante: A História ensina-nos que quando Por-

Desde que ano é que o PS está organizado na Alemanha? Como se sabe o PS foi formado em 1973, precisamente, na Alemanha. As crónicas de altura falam que existiu apoio de portugueses residentes na Alemanha. Se olharmos para uma pedra colocada à entrada da sede do partido estão os nomes dos fundadores do partido. Muitos deles estiveram na Histórica Reunião da fundação do Partido. Aliás, o último camarada fundador citado na pedra comemorativa era, na altura, residente na Alemanha, tendo estado na referida reunião Logo após o 25 de Abril surgiram, por toda a Alemanha, vários núcleos que mais tarde se transformaram em secções. Dois anos mais tarde, foi organizada e eleita uma Federação.

tugal é governado pelo PS há uma grande preocupação para dinamizar, junto das comunidades portuguesas no estrangeiro, o apoio consular no aspecto social . Quando o governo é do PSD, que olham as comunidades portuguesas no estrangeiro apenas como factor económico e reestruturam – leia-se “cortam” - a rede consular e diplomática, o que predomina é uma visão economicista. Qual a posição do PS face às permanências consulares e que contribuição poderá dar para melhorar esse serviço consular? As permanências consulares foram instituídas para colmatar as falhas da protecção e serviço consular proveniente de encerramento de postos consulares, mas também, para servir Comunidades mais longínquas do posto consular competente. Por isso a escolha dos locais dessas permanências é importante, pois devem servir comunidades afastadas e não interesses locais. Assim, não entendemos muito bem certas escolhas, como por exemplo, Mainz que fica muito perto (não muitos quilómetros) de Frankfurt que é também servida por uma permanência. Se a lógica é servir locais onde estão sediados Bancos de Poupança Imobiliária (Bausparkassen), cremos, então, ser coerente criar locais de atendimento em Ludwigsburg ou Schwäbisch Hall, ambas muito perto do Consulado de Stuttgart. De que forma é que o PS tem encarado a chegada de portugueses que vêm à procura de nova vida neste país e como é que as autoridades diplomáticas devem actuar para apoiar esses portugueses, que em muitas situações, se encontram abandonados? A situação económica em Portugal é desastrosa o que obriga muitos compatriotas a procurarem novos rumos. Aliás, um responsável do actual governo de coligação, em Portugal, incitou os portugueses a emigrarem. Muitos partem para o estrangeiro sem procurarem informação sobre o país que escolheram. Quando cá chegam sentem-se abandonados e sem rumo. As Missões Diplomáticas e Consulares, se não estavam devidamente organizadas para os portugueses já aqui residentes, muito menos, conseguem apoiar os que agora procuram o “milagre Alemão”. São as Associações Portuguesas e a Caritas Alemã que muitas vezes substituem as representações consulares na protecção e apoio desses Portugueses recém-chegados. Torna-se urgente que o Governo PSD-PPD/CDS, especialmente o seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, olhe de uma outra maneira para os novos desafios que surgem nas comunidades e não unicamente para a parte económica e o investimento estrangeiro. MS


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Crónica Por Joaquim Nunes

Emigrantes: pessoas sem presente?! esta escapámos: passou o 21 de Dezembro e o mundo não acabou... Ficou uma certa curiosidade pela cultura dos Maias, um povo que foi vítima da invasão de poderes e culturas agressivas, e assim teve o seu “fim do mundo” mais cedo do que o seu calendário previra. Fim do mundo ou fim de civilização, fim de época.

D

O mundo não acabou, mas mais um ano passou, um novo ano aí está. A nossa “cultura” do tempo convida-nos não só a mudar de página, mas a mudar de calendário, como se começasse mesmo algo de diferente, de verdadeiramente novo. Como se o dia 1 de Janeiro fosse de outra qualidade que o dia 31 de Dezembro. Como se houvesse dois tempos, o antes e o depois. Como se o único dia que merece verdadeiramente o nome de “hoje” fosse este 1º de janeiro. O que veio antes pertence ao passado. O que vem depois pertence ao futuro. Só este dia é presente. Parece-me que esta percepção

do tempo tem muito de certo: vivemos (apenas) no dia de hoje. O dia de ontem é passado, água que já correu, o dia de amanhã não existe ainda. Só o dia de hoje é agua que faz mover moínhos. Que bom era se pudéssemos viver cada dia do ano com o optimismo e a confiança do dia de ano novo ! Cada dia que passa é um convite a viver do presente e no presente, fazendo da vida uma surpreendente novidade e uma ocasião a não desperdiçar de modo algum. Nem as heranças do passado nem as preocupações com o futuro nos deviam distrair do presente. Porque a vida se vive no tempo presente. Um amigo meu, que dedicou muita da sua reflexão à emigração (e sobre ela escreveu uma tese de doutoramento), caracterizou os emigrantes portugueses (na Alemanha) como pessoas sem presente. Emigrámos em nome do

futuro, à procura de uma vida melhor para si e para seus filhos. Em nome do futuro, andámos por aqui (tempo demais) sem nos instalar, sem nos “acomodar”, sem saborear o presente, “poupando” a vida para

sente!? Para aliviar as dificuldades desta terra estranha, e em condições pouco convidativas, havia de um lado as imagens de um passado devidamente “maquilhado” e bem filtrado para que só o positivo ficasse, e, do outro lado, a fantasia do futuro. Um dia, teremos tudo, um dia “havemos de levar uma vida” como deve ser. Não estaremos aqui para “gastar” a vida, mas sim para economizar. “Privamo-nos” hoje (e aqui) , “teremos” amanhã (lá, “na nossa terra”). Algo semelhante àquilo que pregava um certo tipo de religião: sofrer o presente aqui na terra, para merecer as alegrias do céu... Emigrantes: pessoas sem presente?! Felizmente que esta mentalidade está a mudar. E tem mudado claramente e a ritmo acelerado nos últimos anos. Não é só a segunda e terceira geração que exigem “presente” e para “já”, mas também a primeira geração descobriu (às vezes numa experiência

2013 Bom ano novo ! a viver no futuro. Futuro que, supostamente, só em Portugal seria possível. Lá construímos a casa que aqui precisávamos, com todas as comodidades de que nos privávamos no presente e nos prometíamos saborear no futuro. Viver em atitude de poupança, viver a vida como uma conta bancária! Emigrantes: pessoas sem pre-

dolorosa) que não é possível adiar a vida. Que só se vive realmente no presente. Quem sabe se posso viver o futuro para que andei até agora a poupar?! Felizmente que são cada vez mais aqueles e aquelas que “investem” no presente, como única forma de preparar o futuro. Investir no presente quer dizer, por exemplo, dar mais tempo e atenção à qualidade de vida, com a procura de dignidade de habitação, de mais tempo para si e para a família, mais preocupação com a formação escolar e profissional dos filhos... Viver no presente é preocupar-se com o meio em que vivemos, é participar, é responder aos desafios e aproveitar as chances que o “aqui e agora” proporcionam, em termos políticos, sociais e culturais. Vamos arranjar mesmo uma agenda, um calendário, onde cada dia que passa ocupe mais espaço que um simples número, mas seja diante de nós uma página em branco, a escrever dia a dia. Não queiramos ser pessoas sem presente ! Bom ano novo ! PUB


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Opinião Por Maria do Rosário Loures

Portugal: a crise está para durar ue bom seria entrar no ano novo com um sorriso e não pensar mais na crise. Mas ela faz-se sentir e parece não querer acabar! Aqui pela Alemanha um ou outro canal televisivo apresenta e repete programas sobre Goldmann & Sachs, um banco de investimento americano, um dos maiores do mundo, que se tornou nos últimos anos um símbolo de especulação excessiva e desenfreada no sector financeiro e com grande ligação ao poder político.

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O actual presidente do Banco Central Europeu até foi vice-presidente e director executivo desta casa. Dizem e escrevem que o Goldmann tem especulado contra o Euro com operações complexas e bem opacas. E depois ainda temos as agências de rating que colaboram com o seus pareceres para a aceleração das futuras „Bancarrotas“, uma tarefa que levam muito a sério!. A Alemanha apesar da sua divida de mais ou menos 2042 triliões de Euros continua devido ao seu Know-how „Made in Germany“ em

veículos de procura global, tal como máquinas de precisão e produtos químicos especiais continua bem classificada nas listas dessas agências. Contudo a actual crise de países como Portugal, Espanha, Itália e não podendo esquecer a Grécia levam a uma queda da exportação alemã, sua grande fonte para o „aguenta-adívida“. Quando estou em Portugal todos acusam a Merkel por causa da austeridade imposta pela Troika e aí tenho mesmo que esclarecer que na Alemanha ninguém tem direito à reforma a partir do 50º aniversário a não ser que tenha um grande problema de saúde, que os reformados aqui na Alemanha não recebem dinheiro de férias nem o décimo terceiro mês e que não existe salário mínimo, que até existe gente por esta terra a ganhar de 3 a nove Euros à hora. Que um dos temas mais tratados no ano que passou foi sobre a pobreza infantil e a dos reformados; a diferença entre Portugal e a Alemanha é que um se encontra na pobreza e o outro fala sobre ela! Mas que frase acabei de escrever agora! Também aqui por estas terras do senhor Goethe a corrida à sopa dos po-

bres tem aumentado grandemente e não se sabe quando vai acabar. Por sua vez em Portugal algumas muitas pessoas dão a culpa do estado económico em que Portugal se encontra ao antigo primeiro-ministro José Sócrates como se ele tivesse governado Portugal deste a Revolução dos Cravos até ao seu último dia de governação. Ninguém pensa nas reformas, altas ou baixas, que se paga ao povo português, dinheiro que vem saindo de uma caixa para onde durante 48 anos pouco ou nada entrou, não esquecendo os montantes que foram necessários para financiar o regresso, a acomodação e alimenta-

ção de grande parte do povo português que teve de fugir das antigas colónias após a sua independência. Depois, depois e mais depois todos gastaram mais do que produziram sem que o povo português vivesse como gente rica. Já alguém esqueceu a mudança de casa de muita da indústria que em Portugal residia para os países onde os salários ainda são muitíssimo mais baixos? Nós temos a mania de dizer que antigamente era tudo bem melhor! Os monarquistas e outros seres nunca ligados a este sistema, mas que perderam a confiança nos políticos que

têm governado Portugal e o mundo republicano, gritam por um senhor reizinho esquecendo as dívidas que certos reis fizeram junto dos Fugger ao ponto de levarem, tal como a Espanha há 450 anos, o seu reinado à falência. A propósito de bancarrota! Os nossos vizinhos espanhóis foram 12 vezes à falência e Portugal 4 vezes. A última portuguesa deu-se em 1902 e demorou dez anos a ser negociada. Nessa altura, sofreram os contribuintes, os funcionários do Estado, mas também os credores internos e externos, que viram esfumar-se 30% dos empréstimos que tinham feito ao reino português. Fernando Pessoa escreveu „Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela vá a falência….“ Que no ano de 2013 e os outros anos que estão para vir os governantes portugueses e outros interpretem esta frase e abram todos os caminhos para que Portugal e os seus países venham a ser países sorridentes neste nosso mundo. Utopia? Deixem-me sonhar! PUB

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Modo de Vida

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Os novos nómadas estão em casa em lado nenhum, e em todo o lado Salvador M.Riccardo repente o meu apartamento em D eLisboa comecou a parecer-me pequeno. Fui acumulando livros e móveis, que agora preenchem em demasia o espaco disponível. Pensei em mudar de casa. O problema é que ainda não tinha a certeza se Lisboa era a cidade onde poderia fazer sentido eu viver no futuro. Eu adoro Lisboa, mas esta crise que invadiu a Europa e se alastra a todos os países dá que pensar. No passado o normal para qualquer “wannabe” era desejar ter raízes numa cidade e ser sócio dos bons clubes locais. Hoje estar imobilizado é sinónimo de classe média. Os novos nómadas estão em casa em lado nenhum, e em todo o lado. Em 2012 o que faz sentido é estar sempre em movimento. Consultei o mapa da Europa mas não fui capaz de me decidir. Sempre gostei de cidades trendy ou então de boas estâncias balneares à beira mar. Eram umas dezassete horas quando cheguei ao Largo de São Carlos. O apartamento que ia visitar ficava no último andar do prédio que tem a loja Marc Jacobs no rés-dochão. Em frente do outro lado do

largo ficava o Teatro São Carlos. Era uma das minhas praças preferidas em Lisboa. O vendedor da agência chegou com algum atraso. O apartamento a visitar tinha 4 quartos, 3 em suite, 4 salas de banho e uma sala gigantesca.

O anúncio que me chamou a atenção destacava a aplicação de um novo conceito que coloca a cozinha como o centro e hub da casa. A cozinha deixa de ser um espaço onde se prepara unicamente a comida para passar

a ser um espaço de entretenimento com o ambiente de uma sala de estar. No futuro as pessoas só vão querer ter em casa 3 espaços capazes de lhes proporcionar todo o conforto e qualidade de vida – explicou o vende-

dor – a cozinha, o quarto e a sala de banho. A vida social com a família e os amigos vai passar a ter lugar em cozinhas enormes com zonas de lazer e incorporando a sala de jantar e que vão substituir as actuais cozinhas e salas de estar. Gostei bastante da cozinha que incorporava resinas, materiais em polyester e em bambu. A cor verde maçã dava um ar contemporâneo a esta cozinha que o vendedor explicou ser a tendência de cor para 2013. Os armários eram cilíndricos e as portas translúcidas. O preco pedido era uma pequena fortuna! Sempre preferi este tipo de apartamento a um condomínio fechado. Nunca me senti confortável em condomínios fechados, rodeados de muralhas e fossos para nos protegerem dos perigos que vêem do exterior. Prefiro sentir que faço parte da vida agitada das ruas da cidade. As nossas cidades converteram-se em metrópoles do medo, em fortalezas amuralhadas para nos proteger dos perigos que possam vir do exterior. A cidade já não é um refúgio mas antes pelo contrário a fonte essencial de todos os perigos, transformandonos em cidadãos obcecados com a segurança e em simultâneo sempre inseguros com esta. PUB

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Portugueses no Mundo

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Face à nova vaga de imigrantes portugueses, tem surgido, por vezes, em praça pública em Moçambique a expressão depreciativa “nova colonização”. Um termo todavia contestado pelo sociólogo José Brás que ressalta

aspectos positivos da recente imigração de portugueses: “trazem uma nova dinâmica, nova experiência em termos de trabalho, abordagem de trabalho.

A nova vaga lusófona em Maputo Glória Sousa

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ncontrámo-nos no local combinado, junto de um edifício em construção. Entrámos no recinto da obra e Gonçalo dá-me um capacete branco, igual ao que acaba de pôr na cabeça. Subimos os vários andares ainda da cor de cimento, e entre os ruídos ensurdecedores do martelar e soldar, o engenheiro civil português, Gonçalo Fernandes, vai conversando com Aurélio Lucas, o encarregado geral da obra. Quer saber sobre o andamento dos trabalhos, como acontece todas as manhãs. Depois da fiscalização matinal, Gonçalo confessa-me que a construção está atrasada alguns meses. Pouco me surpreende, a obra está a ser executada por uma empresa de construção civil portuguesa que, tipicamente, se pauta por incumprimentos de várias ordens. Mas sinceramente pouco me interessava o prédio de 16 andares, para 45 futuros apartamentos de luxo, que nasce numa das avenidas do coração de Maputo. Queria conhecer o trabalho de Gonçalo, um dos vários portugueses que formam a nova vaga de imigrantes na antiga colónia. Na verdade, a capital de Moçambique está a atrair milhares de portugueses, sobretudo nos últimos dois anos. Fugindo da crise económica e financeira em que Portugal mergulhou, os portugueses voltaram a olhar para a antiga colónia, que é encarada agora como terra de oportunidades. Enquanto que em Portugal o mercado se encontra “saturado”, como disse Gonçalo Fernandes, em Moçambique acontece “exactamente o contrário, há muita coisa para fazer ao nível da habitação, de alguns edifícios de serviços, comércio, portanto tem muito para crescer”, justifica. Foi por isso que a empresa portuguesa de arquitectura para a qual trabalha decidiu apostar neste mercado, há cerca de três anos. O engenheiro civil português chegou há quatro meses a Maputo e não pensa regressar tão cedo. De facto, o potencial de negócios, assim como o clima de estabilidade política e social tornam Moçambique cada vez mais atractivo a empresas e cidadãos estrangeiros. Nos primeiros nove meses de 2012, o país recebeu mais de 11 mil e 800 pedidos de cidadãos estrangeiros para trabalhar, com destaque para os sul-africanos, portugueses e chineses, segundo o Ministério do Trabalho. A proximidade cultural e da língua facilita a imigração de portugueses, que se têm fixado sobretudo na capital. Trocam o emprego precário ou a falta dele, em Portugal, por emprego seguro em terra de clima agradá-

vel, povo acolhedor e praias bonitas, dizem. O Consulado Português de Maputo refere que estão inscritos cerca de 17 mil portugueses residentes, referindo-se às províncias sul de Maputo, Gaza e Inhambane. Contudo, o número poderá ser bem superior, já que muitos cidadãos não estão inscritos. A maioria dos portugueses são jovens adultos qualificados que vem com contrato de trabalho. E as empresas operam sobretudo nas áreas da construção civil, restauração, banca, consultoria, entre outras. Há sete anos, Nuno Pestana apostou num restaurante unicamente de gastronomia típica portuguesa. No seu espaço, na avenida Julius Nyerere, vêm para a mesa os tradicionais queijo da Serra, carnes de porco preto de Serpa ou bacalhau, por exemplo, fazer as delícias de clientes de várias nacionalidades. É daí que assiste ao crescimento “brutal”, conforme disse, do número de compatriotas em Maputo. Nuno Pestana diz que muitos chegam tarde de mais para investir e com “expectativas mais elevadas do que aquelas que, na realidade, o país lhes tem para dar”. Ainda que seja um país fértil para novos negócios, exige muito investimento: “é um país caro, a matéria-prima é cara, a mão-de-obra não é tão cara, mas acaba por sair cara pela falta de formação que tem, a habitação é cara, o meio de transporte é caro. Tudo isto dificulta muito o investimento em Moçambique”, detalha Nuno Pestana. Também o empresário português Domingos Freitas, depois de fechar as portas na sua loja, lamenta que “80% dos portugueses chegam com muita Foto: Glória Sousa / PP

esperança, acreditam que vão resolver os problemas económico-financeiros da crise que se vive na Europa”. Há nove anos que Domingos decidiu fixar exclusivamente os seus negócios em Maputo, nas áreas do mobiliário, têxteis-lar e vinhos, tudo produtos portugueses. Confessa-me que está desiludido com a comunidade portuguesa e que tem já em Moçambique mais amigos do que os que deixou em Portugal. Aos compatriotas que chegam, Domingos Freitas alerta que aqueles que “vêm com pouco dinheiro na esperança de que vão resolver as suas situações, é melhor esquecer porque vão sair daqui pior do que vieram”. Empresário experiente de 59 anos, Domingos Freitas explica que capital, tempo e paciência e são três factores essenciais para se investir no país. Se ainda dúvidas restassem, Gonçalo Fernandes dissipá-las-ia. Comenta que a empresa de arquitectura para a qual trabalha precisou de três anos de investimentos para, somente agora, começar a colher os primeiros frutos. O engenheiro português conta: “é preciso dar a perceber que estamos aqui de boa fé e que queremos implementar as nossas ideias e ser uma mais-valia para o país, de alguma forma. Temos dificuldades em abrir portas, em conseguir entrar no mercado de forma aberta”. Os empresários portugueses queixam-se de inúmeras barreiras à entrada no mercado moçambicano. No entanto, as próprias empresas lusas, principalmente no sector da construção, têm criado problemas. A fama de pouco sérias confirma-se. Agostinho Vuma, presidente da Federação Mo-

çambicana de Empreiteiros, relata que se tem “testemunhado à entrada de muitas empresas falidas ou que não existem no mercado português”, pelo que “é importante encontrar uma forma de filtrar as empresas, em particular portuguesas”. Também Domingos Machava tem uma opinião pouco abonatória dos empresários lusos. A frequentar o quarto ano do curso de Economia, na Universidade Eduardo Mondlane, o estudante confessa que existe a “concepção de que o português não vem desenvolver o país, vem à procura de negócio”. “Aqui temos a ideia de que trabalhar para um português, o português não paga, é muito orgulhoso”, acrescenta. Cruzando algumas ruas de Maputo, Osvaldo Macama conta-me que ele e os seus colegas taxistas moçambicanos são os primeiros a perceber a entrada, cada vez mais visível, estrangeiros e, em particular, de portugueses. Apesar de salvaguardar as afinidades com o povo português, Osvaldo conta o que o preocupa: “se eles chegarem com projectos para impulsionarem o desenvolvimento do país, abrirem empresas, isso é bom. Mas o que está a acontecer é que vêm tantos que alguns, sem nenhum conhecimento, acabam ocupando os poucos locais de trabalho que a gente tem em Moçambique. Notamos que alguns moçambicanos perdem emprego no lugar de um estrangeiro”. O risco de perda de postos de trabalho por parte de moçambicanos a favor dos estrangeiros assim como as diferenças salariais têm alarmado cidadãos e organizações sindicais em Moçambique. Mas o sociólogo mo-

çambicano José Brás considera que “a chegada de estrangeiros, em termos de postos de trabalho não tem ainda, pelo número, um quadro preocupante para a grande maioria”, pois “nós [moçambicanos] temos uma mão-deobra com fraca qualificação e os postos de trabalho que os estrangeiros têm ocupado tendem a ser mais especializados”. Face à nova vaga de imigrantes portugueses, tem surgido, por vezes, em praça pública em Moçambique a expressão depreciativa “nova colonização”. Um termo todavia contestado pelo sociólogo José Brás que ressalta aspectos positivos da recente imigração de portugueses: “trazem uma nova dinâmica, nova experiência em termos de trabalho, abordagem de trabalho. É uma nova sociedade portuguesa, não é a mesma de há 200 anos atrás, é uma sociedade com uma nova visão, com técnica e qualificação”. Vista como terra de oportunidades para muitos moçambicanos e estrangeiros, Maputo pinta-se assim uma metrópole de várias culturas, ritmos, músicas. José Ventura dá música, todas as quintas-feiras, num bar da capital. A desilusão com o emprego em Portugal levou-o a fazer as malas. E mesmo sem contrato de trabalho, decidiu acompanhar o irmão que vinha para Maputo. Na capital moçambicana vê novas oportunidades, e o hobbi que tinha como DJ em Portugal passou a ser a sua profissão. Agora, tal como grande parte dos portugueses, José Ventura não tem data para voltar: “passado 5 dias de cá estar disse: conto ficar cá 30 anos. Já passou um, só faltam 29 anos para sair daqui”.


Sociedade

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A Universidade de Bahcesehir inaugurou o seu primeiro campus universitário na Europa no início deste ano lectivo. A afluência de estudantes tem sido tão grande que já se procuram novas instalações para o próximo ano. Universidade internacional turca abre campus universitário em Berlim

O exemplo da Turquia

Prof Dra Süheyla Schröder, directora do campus de Berlim da Universidade de Bahcesehir. Foto: PP Bahcesehir é uma Universidade privada sem fins-lucrativos, com sede em Istambul, cuja língua de ensino é o inglês. Já com parcerias, centros de estudos e campus universitários espalhados por três continentes, em Nova Iorque, Washington, Toronto, Hong Kong, entre outros, chegou agora a Berlim. O seu presidente, Enver Yucel, disse ao Portugal Post que o objectivo é formar os seus estudantes como cidadãos globais aptos a viver e a trabalhar no nosso mundo global, criar cidadãos do mundo que sejam pontes de entendimento entre culturas diferentes e que se movimentem confortavelmente entre elas. Esta Universidade disponibiliza vários graus académicos em direito, economia, engenharia, arquitectura, gestão de empresas, comunicação, etc. Segundo o sítio bachelorsportal.eu, todas as faculdades estão acreditadas na Europa. Süheyla Schröder, a directora do campus de Berlim, afirmou em entrevista ao Portugal Post que a Universidade Bahcesehir está acreditada internacionalmente e que, apenas na Alemanha existem ainda algumas questões por resolver nesta matéria. Em conjunto com Rita Süssmuth, presidente do Consórcio Turco-Alemão das Universidades, e o “Senado berlinense da área da educação, estamos a ultimar a acreditação dos graus académicos em Berlim. A nossa Universidade segue

o processo de Bolonha e recebemos acreditação do Conselho Universitário Europeu. Estamos também em conversações para resolver o problema dos vistos de estadia tanto dos professores como dos estudantes.” “Escolhemos Berlim para o centro das nossas actividades académicas na Europa por esta cidade ser o centro da actividade política, económica e cultural na Europa e ter muitos estudantes internacionais e, também, por a comunidade turca ter um peso significativo. Mas, o nosso grupo-alvo não são só os turco-descendentes, são também os alemães e todos os outros europeus. Somos uma Universidade internacional, com docentes e alunos internacionais de diversos países, com campus universitários e centros de estudos implantados do Japão aos EUA. A educação passou a ser global – e a nossa visão assenta nesta premissa.” Süheyla Schröder realçou também que os estudantes alemães e os europeus têm muito a ganhar com uma Universidade que faculta aos seus estudantes uma experiência e uma aprendizagem verdadeiramente internacionais, além de revolucionária em termos de mobilidade e flexibilidade, e ainda de aprendizagem em lugares excepcionais, como por exemplo, Silicon Valley para os estudantes de IT. Um dos aspectos interessantes é o ensino de cooperação

internacional “ICE“ implicar um trabalho de parcerias com empresas segundo o mote “my campus is my office”. “Neste sistema em que, por exemplo, engenheiros da Siemens dão aulas aos nossos alunos e, por sua vez, os nossos alunos fazem estágios na Siemens, os estudantes da nossa Universidade têm a oportunidade de ganhar experiência na sua área de estudo antes do início da sua vida profissional” – acrescentou a directora do campus de Berlim. À pergunta, afinal o que é turco na Universidade de Bahcesehir, respondeu com um sorriso que a pergunta era interessante, e que sendo uma Universidade global e o ensino em inglês, com os materiais de estudo escritos em inglês e os livros usados americanos e ingleses, haveria também, evidentemente, uma ligação à Turquia. “Seguimos as tendências de ensino internacionais, mas o nosso centro principal é em Istambul e a Universidade foi estabelecida nesta cidade de acordo com a lei turca; muitos dos nossos alunos são internacionais; muitos dos nossos professores são de origem turca, mas estudaram na Europa e nos EUA. Também temos algumas matérias ligadas à Turquia, ou disciplinas de estudos comparativos entre a Turquia e outros países, principalmente na área das ciências sociais. A nossa Universidade é global e internacional - em Istambul, a ca-

valo entre a Europa e a Ásia - e tem uma estratégia de cooperação com parceiros académicos e empresariais internacionais, além de centros académicos e campus universitários implementados no estrangeiro”, – concluiu. Mencionou ainda a parceria da Universidade com o Museu de Arte Islâmica em Berlim sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão no âmbito de um programa que pretende estabelecer pontes entre a diversidade cultural da cidade. “A nossa actividade não se limita à educação, aposta também no diálogo intercultural” – acentuou Süheyla Schröder. À pergunta se iriam sobreviver numa cidade com três Universidades estatais de renome e mais três Universidades privadas (ditas de elite), com um riso franco afirmou: - “Não tenho dúvidas que sobreviveremos, porque temos uma boa infra-estrutura, somos diferentes, flexíveis e rápidos ao nível das decisões e o nosso projecto académico caracteriza-se por uma qualidade e oportunidades claramente superiores às das outras Universidades privadas. Além disso, temos parcerias com as Universidades públicas de Berlim. E, na actual situação, em que há longas listas de espera para entrar nas Universidades estatais, devido à convergência do Abitur ao cabo de 13 e 12 anos de estudos, e ao apelo que a cidade consegue ter junto dos estudantes do resto do país – este é o momento certo para implementarmos o nosso projecto e sermos a escolha mais adequada aos objectivos dos estudantes”. E há ainda o aspecto de os turco-descendentes estarem saturados com a forma enviesada como se sentem tratados na Europa e preferirem uma instituição internacional com raízes turcas para prosseguirem os seus estudos. Se considerarmos que há cerca de cinco milhões de cidadãos de origem turca - (este número inclui apenas os cidadãos com passaporte turco, não incluindo os turcodescendentes a viver na Europa), as nossas chances para o continente são exponenciais”. Fomos falar com alguns dos estudantes de Bahcesehir. Ebru é uma estudante que iniciou os seus estudos de vídeo e cinema em Bahcesehir Istambul e, no segundo ano do curso, frequentou a UTAD em Vila Real, durante dois semestres, ao abrigo do programa Erasmus. Agora em Berlim ficará um semestre. No semestre seguinte fará um intercâmbio com Itália. Can, um estudante de fotografia, que também estudou em Portugal, disse-me gostar muito de fado e que encontra semelhanças entre o estilo turco “arabesk” e o nosso património imaterial da humanidade. Dos quatro estudantes com quem falámos, todos eles escolheram Portugal por nada saberem acerca do país e terem curiosidade pela nossa cultura que sentiam como menos europeia. Ficaram com boas recordações das terras lusas e

lembraram que a nostalgia e a saudade portuguesas também existem em Istambul e se chamam “huzun”. A Universidade de Bachesehir foi fundada em 1998 e faz parte de um império da educação, o grupo Ugur Education. Enver Yucel, que é também o presidente do grupo, afirmou que o objectivo é formar jovens esclarecidos através de um ensino global. Com 130 mil alunos inscritos nos estabelecimentos de ensino do grupo, o seu empenhamento num ensino universal segue o caminho da implementação de uma visão futurista – a de criar jovens adultos mais tolerantes e capazes de estabelecer pontes transculturais. Com este fim o presidente do maior grupo na área da educação na Turquia, viaja pelo mundo participando em colóquios e conferências em que apela à paz, ao diálogo intercultural e ao investimento na educação dos jovens. A aproximação dos povos através do intercâmbio cultural, por oposição ao conflito de civilizações, a abordagem dos problemas globais e a procura de soluções, a imigração e a transnacionalidade serão os temas dos colóquios e conferências a realizar no campus de Berlim. Para o próximo ano, está prevista uma conferência conjunta com a Universidade de Richmond sobre a crise financeira na Europa e o papel da Alemanha, sendo também convidados a participar políticos e docentes dos países periféricos da zona Euro em crise, entre os quais se prevê a representação de Portugal. O grupo não se fica pela abertura do campus de Berlim e negoceia actualmente a aquisição de um edifício para a constituição de um Gymnasium nesta cidade, especializado na área das ciências, ao abrigo da leiquadro alemã para o ensino secundário. Resta saber como esta visão, ideias futuristas e desafios ao “status quo” serão recebidos numa sociedade caracterizada por um grande conservadorismo e tradicionalismo na área do ensino, que se perde em discussões de pormenor, esquecendo a capacidade de pensar em linhas gerais e, sobretudo, uma cidade e um país que não sabe, ou não quer, usar o potencial da multiculturalidade dos seus cidadãos para se impor globalmente, e em que muitos dos seus cidadãos etnicamente alemães sentem medo da diferença e, mesmo, da internacionalização. Mas, uma coisa parece certa, o grupo Ugur Education vem ocupar o que parece ser um nicho do mercado na Alemanha e na Europa ainda não explorado. “- É um desafio para Berlim, uma cidade que parece funcionar em câmara lenta quando a comparamos com Istambul” – resumiu um dos estudantes da Universidade de Bahcesehir que passou um semestre em Portugal. Cristina Dangerfield-Vogt

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Consultório Miguel Krag, Advogado Portugal Haus Büschstr.7 20354 Hamburgo Leopoldstr. 10 44147 Dortmund Telf.: 040 - 20 90 52 74

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O consultório jurídico tem a colaboração permanente dos advogados Catarina Tavares, Lisboa, Michaela Ferreira dos Santos, Bona e Miguel Krag, Hamburgo

Michaela Ferreira dos Santos, Advogada Theodor-Heuss-Ring 23, 50668 Köln 0221 - 95 14 73 0

Direito à montagem de uma parabólica por parte do inquilino Miguel Krag, Advogado, Hamburgo

Como nos demais países europeus, existe entretanto em Portugal uma multiplicidade de estações de televisão com uma grande variedade de programas. Mas, na maior parte dos casos, estes não são captados na Alemanha através da tv-cabo, razão pela qual muitos portugueses aqui residentes compraram já uma antena parabólica. No caso de se viver em casa alugada, surgem muitas vezes problemas com os senhorios que, não muito raramente, consideram a chamada „saladeira“ como sendo uma impertinência óptica. Entretanto, já muitos tribunais alemães foram confrontados com este objecto, entre eles o Tribunal Constitucional de Karlsruhe. Estando em causa a questão de os senhorios serem ou não obrigados a autorizar a montagem de

parabólicas, nas sentenças proclamadas a tal respeito, não só foi dada razão aos inquilinos, mas também aos senhorios. O direito à instalação de uma antena parabólica tem a sua origem no direito à informação, vinculado na Constituição da República Federal da Alemanha. Segundo a opinião dos tribunais, a captação de vários programas constitui um elemento fundamental e necessário para a suficiente informação dos cidadãos. Desta forma, todo o cidadão – quer alemão, quer estrangeiro – terá direito a uma antena parabólica, desde que não exista tv-cabo no prédio onde reside. No caso de a tv-cabo estar disponível, os inquilinos alemães não terão direito à instalação de uma parabólica, dado que poderão receber as suas informações através das estações de televisão captadas por cabo. Relativa-

mente aos cidadãos estrangeiros, o caso é diferente. Muitos deles, só conseguem captar uma estação de televisão do seu país através do cabo, dando-se igualmente o caso de não conseguirem captar mesmo nenhuma. Segundo a opinião dos tribunais alemães, deverá ser considerado legítimo o interesse que os cidadãos estrangeiros têm na captação de várias estações de televisão do seu país. Assim, deverá ser-lhe possibilitada tal captação. Obviamente que não terão direito a captar todos os canais televisivos existentes no seu país. Deverá serlhes garantida uma informação básica, traduzida na captação de algumas estações de televisão. Assim, se os cidadãos estrangeiros tiverem a possibilidade de captar vários canais televisivos do seu país através da tv-cabo disponível no prédio onde resi-

dem, mesmo que tenham despesas adicionais, o senhorio estará no direito de proibir a instalação da antena parabólica. Se a garantia de informação básica traduzida na captação de vários canais estrangeiros só for possível através de uma antena parabólica, o inquilino terá então direito a proceder à instalação da mesma. Esta deverá ser efectuada por um técnico da especialidade, a custas do locatário, num sítio que dê o menos possível nas vistas.

Natália da Silva Costa Advogada / Rechtsanwältin, LL.M. E-Mail: info@ra-natalia-costa.de http://www.ra-natalia-costa.de

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2013 - Alteracões Sociais

PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

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Alemanha 2013: o que vai mudar na legislação social e fiscal São muitas as surpresas que o início deste ano nos trouxe. Algumas parecem querer aligeirar financeiramente o nosso fardo quotidiano. Outras, mesmo que à primeira vista não pareçam, irão pesar um pouco mais. Alguns bens essenciais irão aumentar como a electricidade, gás, as rendas de casa, entre outros. Estes aumentos já, infelizmente, se vão familiarizando connosco ao longo dos anos. Além destas alterações descritas há outras mais, mas o escasso espaço impede-nos de as descrever a todas. Aqui vos deixo as alterações essenciais que terão mais a ver com a nosso vida diária.

com mais amplitude este apoio do Estado, o que iremos repetir numa das próximas edições. Este constitui já o desejo de alguns leitores.

José Gomes Rodrigues

3. Pensão por educação dos filhos Mulheres cujos filhos tiverem nascido antes de 1992, receberão por cada filho um ponto que equivale a um ano de descontos, que se somará à sua futura pensão. Os filhos que venham a nascer após 1992 ser-lhesão concedidos três pontos, como que se tivessem trabalhado e descontado durante três anos suplementares. Estes pontos correspondem à média dos ordenados que é anualmente calculado e dado a conhecer

Impostos a mais e impostos a menos 1. Quantia básica Os rendimentos que são tomados por base para a isenção de impostos passam, no presente ano, de 8004 € para 8130 €. Esta alteração significa que todas as fontes financeiras adquiridas no presente ano de 2013 só estão obrigadas ao pagamento de impostos o que ultrapassa a essa nova quantia alterada. Os descontos a efectuar não se aplicam para a caixa de doenças. Exemplificando: quem ganhar essa quantia anualmente não necessita de pagar impostos sobre ela, pagando só sobre o que a ultrapassa.

teira dos consumidores. 5. Os tão badalados mini - jobs Quem acumula um emprego complementar ou um trabalho reduzido, os assim chamados “mini-jobs” poderá auferir mensalmente um pouco mais de ordenado, sem que se lhe seja aplicada qualquer redução. Em vez dos 400€, agora passarão a poder receber 450€ isentes de impostos ou de

2. descontos para a pensão e aumento das pensões Os descontos para a pensão estatal baixam para dos 19,90% anteriores, para 18,9% no presente ano. A partir do mês de Julho, as reformas nos antigos estados aumentarão 1%; na ex-Alemanha do Leste, aumento ficará pelos 3%.

2. Subsidio de educação Os pais que decidirem cuidar da criança em casa, receberão 100 € mensais a partir do primeiro de Agosto do presente ano novo.. 3. Cartão de identidade de deficiente Este cartão, que é requerido junto das entidades de saúde das diversas câmaras, irá ser mais prático, que irá ser exarado em formato de cartão bancário. As anteriores cartões continuarão a ter a devida validade, até que expire o seu prazo . 4. Comparticipação nas consultas médicas Com o novo ano entra em vigor a isenção da participação de 10 € por cada trimestre. Deste modo diminuirá a burocracia. Este buraco será preenchido pelo fundo estatal para a saúde. Finalmente se decidiu, depois de muita discussão nos bastidores políticos. 5. Pagamento de prémios por parte das “caixas de

4. Imposto sobre o tabaco Os fumadores já se terão dado conta que, ao comprar o seu primeiro maço de tabaco neste ano, tiveram de pagar algo mais. Tal deve-se ao aumento dos impostos sobre este artigo. Apesar do aumento não ter sido exagerado, mas deixa mais leve a car-

7. Em caso de falha de intervenção médica As caixas devem ter no futuro uma atitude mais activa, apoiando o paciente nos casos em que haja indícios duma anomalia numa intervenção cirúrgica ou engano, mesmo que involuntário em qualquer tratamento. É a nova lei dos direitos do paciente que o exige.

Outras alterações diversas 1. Taxa de televisão e de rádio Janeiro do novo ano brindou-nos com novidades neste sector. O pagamento da taxa no valor de 17,98 € abrangerá todos os elementos do agregado familiar que vivam debaixo do mesmo teto. O pagamento reduzido de 5,76 € para o rádio e Internet deixa de ser cobrado. Se algum elemento do agregado familiar está inscrito ma GEZ, entidade responsável por esta cobrança e paga cumulativamente esta taxa, então não tarde em requerer a isenção, mas por escrito, caso contrário continuarão a debitar-lhe as taxas na sua conta.

2. Imposto sobre a habitação O aumento do valor deste imposto fará aumentar o custo das rendas de casa. Este aumento será aplicado nos condomínios, fazendo aumentar deste modo os gastos com a habitação (Nebenkosten). 3. A nova carta de impostos A carta de impostos em papel acabou com o findar do ano 2012. A partir deste ano, o processo de descontos é feito por computador. Os dados pessoais que estavam anteriormente inseridos na carta de impostos, são inscritos num banco de dados centralizado nas finanças. O patrão terá de, servindo-se da rede electrónica, de os inserir na central de dados. É o assim chamado Elektronische LohnSteuerAbzugsMerkmale - ELStAM. Este novo processo exige do patrão uma maior elasticidade, responsabilidade e a recorrer ao uso desta tecnologia. Todas as alterações do trabalhador, como mudança da classe de impostos, número de filhos ou estado civil, devem ser comunicados nas finanças para que esta altere os dados no banco de dados.

cuidados intensivos O ordenado mensal diminui um pouco, pois o desconto para o seguro de cuidados intensivos irá passar de 1,95% para 2,05%. Os solteiros ou os casais sem filhos descontarão também um pouco mais ou seja de 2,2º% passarão a descontar 2,23%. Este aumento, segundo os legisladores, provocará um ligeiro aumento na participação financeira das caixas, em caso de se usufruir das diversas ajudas.

contribuição para a caixa de doenças ou reforma.

Alterações na legislação social 1. Reformas e social Quem descontou 40 anos na caixa de reformas e ao mesmo tempo tenha paralelamente descontado privadamente para um seguro com o intuito de melhorar financeiramente a sua reforma e, mesmo assim os recursos económicos sejam insuficientes e não chegue à quantia mínima base para a sobrevivência sua e dos familiares a seu cargo, o “Grundsicherung”, então irão ser compensados com aumentos de forma a ultrapassar esse valor mínimo. Já nestas páginas descrevemos

pelo competente ministério ao publico em geral. Esta desigualdade de tratamento esta a ser, entretanto, discutida, podendo haver uma alteração logo que haja uma decisão concludente.

Caixas de doenças e a nossa saúde 1. Doação de órgãos Todas as caixas de doença são obrigadas a informarem os seus associados sobre a possibilidade e as facilidades de tratamento por parte da caixa do paciente que necessitar dos órgãos. Além disso, terão direito a que lhe sejam pagos os tempos de baixa que dure todo o tratamento pós-operatório por parte da caixa do beneficiário do órgão.

doença” Algumas “caixas de doença” poderão pagar alguns prémios aos seus associados que preencham certas condições. O seu valor oscilará entre os 30 e os 100€ ano, dependendo da caixa a que se esta associado. Outras caixas elevarão esta participação para tratamentos ligados à Osteopatia. Esta doença baseia-se numa teoria que defende que todos os sistemas do corpo trabalham em conjunto e relacionam-se entre si. Os transtornos num sistema podem, deste modo, afectar o funcionamento dos outros. Estes reembolsos são facultativos. Queira informar-se junto da sua caixa sobre as condições e o seu valor. 6. Contribuição para os

2. Alteração nos pontos na carta de condução Os pontos que são acumulados em Flensburg por violação às regras de trânsito serão atribuídos de um a dois pontos por cada infracção e conforme a gravidade da mesma, e não mais com o máximo de sete pontos, como anteriormente. Em contrapartida a carta de condução será retida ao alcançar-se o máximo de oito pontos. Dá-se com uma mão e retira-se com a outra. 3. Empresas de promoção de emprego Nos últimos anos têm surgido no mercado alemão diversas empresas que se dedicam à activação, formação profissional com o intuito de provocar uma maior integração no mercado de trabalho de desempregados ou jovens sem formação profissional. Trabalham em estreita colaboração financeira com o Instituto Nacional de Emprego (Arge). No futuro e, para evitar empresas duvidosas neste sector, todas elas vão ter de ser certificadas exigindo-se o cumprimento de melhores condições e de qualidade.


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"O filho de José e de Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo." Todos conhecem a história do filho de José e Maria, mas nesta narrativa ela ganha tanta beleza e tanta pungência que é como se estivesse sendo contada pela primeira vez. Nas palavras de José Paulo Paes: "Interessado menos na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, a arte magistral de Saramago excele no dar corpo às preliminares e à culminância do drama da Paixão"

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A Mão de Diabo é o décimo romance de José Rodrigues dos Santos, autor da Gradiva que já vendeu mais de um milhão de exemplares e está publicado em dezoito línguas. Este novo livro aborda a crise, um tema relativamente ao qual a sociedade está particularmente sensível. Seguramente despertará a curiosidade dos leitores.

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Agenda & Sugestões As informações sobre os eventos a divulgar deverão dar entrada na nossa redacção até ao dia 15 de cada mês Tel.: 0231 - 83 90 289 Fax :0231-8390351 Email: correio@free.de

Permanências Consulares 2013 Consulado-Geral em Hamburgo O Consulado-Geral de Portugal em Hamburgo vai realizar permanências consulares nas cidades de Osnabrück, Nordhorn, Cuxhaven e Bremerhaven, onde poderá requerer todos actos consulares praticados nos postos consulares, como p.ex. cartão de cidadão, passaporte, procurações, actos de registo civil, inscrição no recenseamento eleitoral, etc.

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OSNABRÜCK NOTA (às sextas-feiras) Local: Centro Português de Osnabrück, Bünderstr. 6, 49084 Osnabrück Datas: 25.01.13 - 15.02.13 - 01.03.13 - 22.03.13 - 05.04.13 19.04.13 - 03.05.13 - 24.05.13 - 07.06.13 - 21.06.13 Horário: 10.00 horas às 15.00 horas

NORDHORN (aos sábados) Local: Centro Português de Nordhorn, Heideweg 13, Nordhorn Datas: 06.04.13 – 18.05.13 Horário: 10.00 horas às 15.00 horas CUXHAVEN (aos sábados) Local: Centro Cultural Português, Präsident-Herwigstr. 33-34, Cuxhaven Datas: 09.02.13 - 23.03.13 - 04.05.13 - 15.06.13 Horário: 10.00 horas às 15.00 horas BREMERHAVEN (às segundas-feiras) Local: Moliceiro Grill (Markttreff), Neumarktstr. 12, Bremerhaven Datas: 14.01.13 - 04.03.13 - 22.04.13 - 27.05.13 Horário: 10.00 horas às 15.00 horas

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Permanências Consulares Consulado-Geral de Portugal em Dusseldorf Ó 10.01.2013 – MINDEN – Local: Centro Português de Minden, Memelstr. 6. Horarário: das 10h00 às 13h00 e das 13h30 às 15h30. Marcação obrigatória: Tel.: 0211 – 138 78 25 Ó 17.01.2013 – MESCHEDE – Local: Associação Portuguesa de Meschede, Hennestr.12. Horarário: das 10h00 às 13h00 e das 13h30 às 15h30. Marcação obrigatória: Tel.: 0211 – 138 78 25 Ó 22.01.2013 – MÜNSTER – Local: Missão Católica de Münster, Beelerstiege 3. Horarário: das 10h00 às 13h00 e das 13h30 às 15h30. Marcação obrigatória: Tel.: 0211 – 138 78 25 1.01. a 2.02.2013 – BERLIM - Fátima Mendonça expõe "House of Carousels" Local: Galerie Michael Schultz GmbH & Co. KG. Mommsenstraße 34
. 10629 Berlim 
 1.01. a 2.02.2013 – BERLIM Rui Faustino em concerto. Local: The Great Heisenberg . Schillerpromenade 11, 12049 Berlin


Exposição 18.01 a 28.02. - HAMBURGO Exposição: Um olhar hanseático sobre Portugal – Exposição colectiva de seis membros da Associação Luso-Hanseática. Kulturhauses Eppendorf (JuliusReincke-Stieg 13a/Martinistr. 40) 31.01.2012 – HAMBURGO 19:30 Uhr Goethe – Pessoa. Ein deutsch-portugiesischer Dialog Lichtbildervortrag von Prof. Karl-Eckard Carius (Universität Vechta) über ein Kunst-Projekt an der Deutschen Schule Lissabon. Eintritt: € 5,-, PHG-Mitglieder frei. Ort: Kulturhaus Eppendorf, Julius-Reincke-Stieg 13a

Ana Moura em digressão alemã

02.02.13 Friedrichshafen, Bahnhof Fisch-

bach 03.02.13 Mainz, Frankfurter Hof05.02.13 Nürnberg, Tafelhalle 06.02.13 München, Muffathalle 08.02.13 Berlin, Passionskirche 10.02.13 Bremen, Schlachthof 11.02.13 Hamburg, Laeizhalle 13.02.13 Ulm, Roxy 14.02.13 Karlsruhe, Tollhaus 15.02.13 Köln, Kulturkirche 16.02.13 Trier, St. Maximilian Klosterkirche

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Aprenda a Viver Sem Stress

Ver na página 18

poesias de amor e de outros sentires Vidro Côncavo Tenho sofrido poesia como quem anda no mar. Um enjoo. Uma agonia. Saber a sal. Maresia. Vidro côncavo a boiar Doi esta corda vibrante A corda que o barco prende à fria argola do cais Se uma onda que a levante vem logo outra qua a distende. Não tem descanso jamais. António Gedeão

PORTUGAL POST Nº 222 • Janeiro 2013

Saúde e Bem estar

Receitas Culinárias

STRESS

Escalopes de Porco com maçã

O stress é uma reacção de adaptação do organismo diante de uma situação difícil ou de perigo. O Dr. Peter G. Hanson, autor do livro „O Prazer do Stress“, relata que 80% das enfermidades estão relacionadas com o stress, pois têm um forte componente psicossomático. O stress não existe por si só, e sim é produzido pelo homem de acordo com a interpretação que ele faz sobre as circunstâncias que o rodeiam. Um acontecimento determinado poderá afectar a duas pessoas de diferentes maneiras, isto é, segundo a reacção ou atitude que cada um tenha diante do problema.

Ingredientes: 800 gr de lombo de porco Sal q.b. Farinha para polvilhar 3 colh. sopa de óleo 2 colh. sopa de margarina 2 maçãs reinetas 1 garrrafa pequena de sumo natural de maçã 2 hastes de salsa Receita: Corte a carne em escalopes finos, de preferência todos do mesmo tamanho. Tempere com sal e polvilhe com farinha. Aqueça o óleo e a margarina numa frigideira. Frite os escalopes com a salsa até alourarem por igual. Coloque num prato, depois de devidamente escorridos. Lave, corte em meias luas, retire as sementes às maçãs e salteie-as na gordura. Reserve noutro prato, depois de as escorrer. Num pirex, coloque em camadas as maçãs e os escalopes alternadamente. Regue com o sumo de maçã, cubra o pirex e leve ao forno para cozer brandamente durante cerca de 30 minutos. Bom apetite

As reacções principais do organismo durante um estado de forte stress são: a) Dilatação da pupila b) Secura da boca e garganta c) Fechamento dos vasos e artéria do rosto, braços e mãos, motivo pelo qual eles se tornam pálidos d) Aceleração dos batimentos cardíacos com a finalidade de transportar oxigénio a todo o corpo. e) As glândulas supra-renais injectam uma certa quantidade de cortisona com a finalidade de desinflamar o corpo, no caso de este receber algum golpe. Esta é a razão por que uma pessoa, fortemente stressada tem um sistema imunológico débil. O que acontece é que tanto a cortisona como a adrenalina bloqueiam as células -T produzidas pelo sistema imunológico para defender o organismo de elementos estranhos que o irão agredir. f) O fígado injecta na corrente circulatória um coagulante sanguíneo para prevenir um derrame no caso de feridas graves. g) Os brônquios dilatam-se com a finalidade de absorver mais oxigénio. h) Injecta-se glicose através do fígado com a finalidade de que os músculos tenham a energia de que necessitam nesse momento. i) Produz-se uma sudação intensa em todo o corpo, principalmente nas mãos, tendo isto a finalidade de retirar o excesso de calor gerado pelo organismo. j) Todo o organismo põe-se em estado de alerta máximo e prepara-se para lutar ou fugir. O stress, quando se mantém com pouca intensidade, não prejudica o organismo e, ao contrário, ajuda a pessoa a ficar activa. Nós todos necessitamos ter uma dose de bom stress. O problema aparece quando esse stress é excessivo e duradouro, porque nesse caso esgotam-se as energias vitais da pessoa, atentando contra a sua estabilidade vital. ALGUNS FACTORES INDICADORES DE STRESS SÃO: • Dores de cabeça frequentes • Taquicardia ou fortes batimentos do coração • Hipertensão • Dores musculares do pescoço, nuca e costas • Ansiedade, angustia e vontade de chorar • Cansaço, fadiga ou debilidade • Insónia ou pesadelos • Depressão ou tristeza • Gastrite, colite ou úlcera estomacal • Falta de concentração e perda de memória • Alergia ou asma de origem nervosa • Impotência ou frigidez Consulte o seu médico Fonte: saúde e bem-estar

Creme de Cogumelos Ingredientes: 500g de cogumelos frescos 50g de manteiga 1 colh. de sobremesa de cebola picada 0,5 litro de leite 2 colh. de sopa de farinha 7,5 dl de caldo de galinha 2 dl de natas Sal e noz moscada ralada q.b. Receita: Prepare o caldo de galinha. Limpe e lave muito bem os cogumelos e corte-os em fatias. Faça um refogado com 25g de manteiga e a cebola. Junte os cogumelos e tempere com sal. Vá mexendo até à água dos cogumelos se evaporar. Retire duas colheres de sopa dos cogumelos e reserve para a decoração. Prepare um molho branco: ferva o leite e, à parte, derreta a restante manteiga. Junte a farinha e mexa rapidamente com uma colher de pau, para não encaroçar. Adicione aos poucos o leite a ferver, mexendo sem parar, deixando cozinhar durante 5 minutos. Misture na panela dos cogumelos, adicione o caldo de galinha, misture bem e deixe cozinhar durante mais uns minutos. Retire do lume e bata no liquificador. Rectifique os temperos e junte as natas e um pouco de noz moscada ralada. Leve ao lume, sem deixar ferver. Deite a sopa numa terrina e enfeite com os cogumelos reservados. Pode servir com torradinhas. Bom apetite

RIR Estão dois alentejanos encostados a um chaparro à beira da estrada, quando passa um automóvel a grande velocidade e deixa voar uma nota de 50 euros que vai cair no outro lado da estrada. Passados cinco minutos, diz um alentejano para o outro: - Cumpadri, se o vento muda temos o dia ganho.

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Um pai infeliz e um filho estupefacto O pai de Albert era um comerciante bem sucedido. Possuia bens e tinha conquistado uma riqueza considerável. Depois de se ter separado, nunca meteu uma mulher debaixo do seu tecto e, por isso, viveu uma vida de quase abstinência no que diz respeito às mulheres. Caro Portugal Post, Em Dezembro, mês do Natal e quadra em que as pessoas se querem bem umas às outras, é um pouco duro escrever sobre histórias tristes; coisas que nos espantam por julgarmos que não acontecem, ou pelo menos não acontecem no nosso círculo. A história que quero contar passou-se com um amigo meu, ou melhor, um ex-namorado. Como já lá vai há muito tempo – cerca de 10 anos , pode-me falhar um ou outro detalhe. Ressalvo que ele não tinha a nacionalidade portuguesa. Diga-se a verdade é que eu nunca tive namorados portugueses, nem agora preciso. Estou casada e muito feliz com o meu marido. Mas isto não vem ao caso. Nunca pensei que algum dia pudesse contar a história que esse meu ex-namorado me contou. Foi ao ler estas histórias que o jornal publica que me levou a sentar ao computador

e escrevê-la recorrendo àquilo que a minha memória tinha registado. Esse meu amigo tinha já quase vinte e sete anos quando viu pela primeira vez o pai. Quando ainda muito pequeno, com quase dois anos, a sua mãe tinha abandonado o pai e partira para uma outra cidade levando o seu único filho. Não altura em que se tinham separado, os pais eram muito jovens: a mãe teria aí uns 29 anos e o pai cerca de três anos mais. Quer dizer que desde os seus quase dois anos de idade o meu ex-namorado – que se chamava Albert – não se recordava como era o seu pai. Convém dizer, como o Albert me contou, que a sua mãe tinha falecido três anos depois de ter abandonado o pai, passando ele a viver com uma sua tia, irmã de sua mãe. O pai de Albert era um comerciante bem sucedido. Possuia bens e tinha conquistado uma riqueza consi-

derável. Depois de se ter separado, nunca meteu uma mulher debaixo do seu tecto e, por isso, viveu uma vida de quase abstinência no que diz respeito às mulheres. No dia em que Albert recebeu um telefona de um parente para lhe dizer que o seu pai estava um pouco doente e que o queria ver tão depressa quanto possível, Albert foi possuído por um enorme desejo de conhecer o pai e, porque não, conhecer as razões da separação do pai e da mãe quando eram ainda tão jovens e com uma vida longa pela frente para ser vivida. Albert resolveu então telefonar ao pai e marcar um dia para o ir visitar. Durante o telefonema viveu como o pai tinha ficado emocionado ao ouvir a sua voz. Tratava-o como “querido Albert, meu querido filho...”. Ficou com a impressão de que o pai pensava muito nele e isso reforçou nele ainda mais o desejo em o visitar.

Por: Paulo Freixinho

r Palavras cruzadas

Receba PORTUGAL POST em sua casa por apenas 22,45 € /ano HORIZONTAIS: 1 - Depois de. Carícia. 2 - Corpo esférico. Austero. 3 - Abertura no alto da muralha de uma fortificação por onde se visava o inimigo. Aperfeiçoar (fig.). 4 - Prefixo (novo). Graceja. Capital da Letónia. 5 - Eles. Adição. Sofrimento. 6 – (...) Rodrigues, o milionésimo imigrante da Alemanha (1964). 7 - De modo irregular. Diante de (prep.). Protactínio (s.q.). 8 - Vaga. Atmosfera. Preposição que indica companhia. 9 - Inchação. Muito gordo. 10 - Da raia. Irritar. 11 - Reunião festiva, nocturna, dentro de casa particular, teatro ou clube. Cura. VERTICAIS: 1 - Ventarola. Reduzir a pó. 2 - Diz-se de uma variedade de pedra muito porosa, que serve para polir ou limpar, resultante da solidificação rápida da lava. Pernas altas de pau. 3 - Substância gordurosa e inflamável, extraída a partir de certas plantas ou sementes, de animais ou minerais. Povoação rústica. 4 – Desloca-se para fora. Senhor (abrev.). Gostar muito de. 5 - Essência odorífera. Nome feminino. 6 - Elas. Magnetiza. Alternativa. 7 - Mau humor (fig.). Caverna profunda e medonha. 8 - Ajustar. Preposição que designa posse. Anotação musical para indicar repetição. 9 - Voz dorida e plangente. Substância de que são feitos os favos das abelhas. 10 - Santo a quem é dedicado um templo ou capela. Colocar-se em posição conveniente para ser pintado ou fotografado. 11 - Discursar. Fruto silvestre.

No dia em que apanhou o comboio para ir visitar o pai, Albert levava um bilhete de ida e volta e uma maleta para passar uns dois ou três dias. Queria sobretudo conhecer o pai, estar e falar com ele sobre aqueles anos de ausência. Quando chegou a casa do pai, Albert foi acolhido com abraços e lágrimas de contentamento que corriam pelas faces do velho, misturadas com frase soltas como “que homem que estás, meu filho?! E belo... que belo rapaz que tenho!” Exclamava o pai de Albert enquanto o apertava nos braços e o beijava enternecido. A casa era grande, como muitas divisões. O pai de Albert tinha apenas uma mulher a dias, que duas vezes por semana lhe tratava da casa. De resto vivia sozinho naquele caseirão. Essa foi a primeira queixa do pai, numa velada tentativa de dizer que aquela casa poderia também servir para ele viver. Depois da recepção, o pai mostrou a casa ao filho. Albert notou que ele passou por uma porta sem a abrir. “É uma casa grande filho, às vezes perco-me e sinto-me muito só nela”, dizia o velho ao filho. Referindo-se à porta que não tinha aberto, o pai disse-lhe que era aquela a sala onde a sua mãe passava o tempo deitada no sofá ou no chão, perto da lareira, a atender os telefonemas dos amigos. “ela tinha muitos amigos”, disse o velho. -E amigas, não tinha? – perguntou Albert. Depois de um prolongado silêncio, o pai disse-lhe: “Não, filho, ela só tinha amigos, quase todos amantes” disse o pai assim de forma frontal e sem pejo – “essa foi a razão da nossa separação”. Incrédulo, Albert olhava o pai como a perguntar se ele estaria no seu perfeito juízo quando lhe falava assim da sua mãe. -“Como assim?” – Interrogou Albert com o peito apertado ao ouvir semelhante revelação. “Meu filho” – disse o pai - “sei que quando digo isto pensarás que eu não estou a regular bem, mas, para minha grande tristeza, é a verdade. A tua mãe mantinha às descaradas três ou quatro amantes ao mesmo tempo. Eu sabia. Também ela não escondia nada. Inicialmente quando desconfiei havia discussões e conflitos ao ponto de a ameaçar com violência. Depois com o tempo vi que ela era assim e resignei. Eu amava-a muito. Para mim era dolorosa a situação, mas eu não tinha forças para a deixar. Pensava que poderia convencê-la a ter uma vida de esposa normal. Disse-lhe que estava disposto a aceitar tudo: os amantes e que, pouco a pouco, juntos poderíamos sair da situação e encontrar o nosso caminho. Depois tu nasceste e eu vi no teu nascimento a salvação para o nosso casamento. Inicialmente, como poderás imaginar, coloquei dúvidas se tu serias meu filho. Ela garantiu-me que sim e

eu acreditava nela. O defeito da mentira ela não tinha. Uma vez vim mais cedo do trabalho (tu tinhas aí uns seis meses), encontrei-a bem vestida como era seu hábito e pronta para sair. Na altura tínhamos uma governanta que também tomava conta de ti. Perguntei-lhe se a podia a acompanhar no passeio pela cidade que ela queria fazer. Disse-me que não, que ia ao médico. Nesse dia não me contive e, depois dela sair, segui-a para ver com quem se encontrava. Dirigiu-se para o centro da cidade, bem longe do consultório médico. Entrou num hotel luxuoso e sentou-se no bar do hotel. Eu encontrava-me num sitio onde poderia observar tudo sem ser visto. Cerca de vinte minutos depois vi chegar o seu médico. Cinco minutos depois, vi-os subirem para os andares dos quartos do hotel. Como vês, meu filho, nem o médico lhe escapara. Percebi que a tua mãe não queria relações com homens, mas sim aventuras. Estava-lhe no sangue. Ela não suportava um homem durante algum tempo. De modo que comecei a ver em cada homem das nossas relações um amante da tua mãe – era uma psicose terrível! Eu tentava falar com ela, manifestava-lhe o meu amor e dizia-lhe que estava pronto a ajudá-la e que não me importava suportar os seus amantes desde que ele me prometesse que iria tentar sair dessa situação doentia. Ela nada dizia. Passado uns tempos achei estranho as visitas diárias que ela fazia ao escritório da empresa. Passava pelo escritório e falava comigo para me dizer que ia ali e acolá. Nessa altura eu tinha um sócio com quem me dava muito bem e tinha-o como muito fiel. Antes da tua mãe fazer aqueles inesperadas visitas aos escritórios da empresa, tinha convidado esse sócio para um jantar em casa. Enquanto jantava-mos notei algum incómodo no rosto e nos gestos desse meu sócio que, com um ar estupefacto, me olhava de maneira muito estranha. Pedi para me levantar da mesa e, simulando uma ida à casa de banho, vi pela frincha da porta da sala de jantar que ela, sem sapatos, colocava um pé entre as pernas do meu sócio. Quando ela começou a ir aos escritórios da empresa não duvidei um minuto das suas intenções. Como este caso, poderia contar-te tantos outros Um dia, ela disse-me que ia visitar a sua irmã por uns dias e que te levava com ela. Foi a última vez que vos vi, até hoje” O meu amigo não soube explicar muito bem por que razão é que o seu pai lhe contou a história da mãe. Mas hoje penso que o pobre homem só quis justificar a ausência de quase trinta anos em relação ao filho, quis dizer-lhe que o abandono do filho não tinha sido por falta de amor de pai. Maria I. Munique

SOLUÇÃO: HORIZONTAIS: 1 - Após. Afago. 2 - Bola. Severo. 3 - Ameia. Limar. 4 - Neo. Ri. Riga. 5 - Os. Soma. Dor. 6 - Armando. 7 - Mal. Ante. Pa. 8 - Onda. Ar. Com. 9 - Edema. Obeso. 10 - Raiano. Irar. 11 - Sarau. Sara. VERTICAIS: 1 - Abano. Moer. 2 - Pomes. Andas. 3 - Óleo. Aldeia. 4 - Sai. Sr. Amar. 5 - Aroma. Ana. 6 - As. Imana. Ou. 7 - Fel. Antro. 8 - Avir. De. Bis. 9 - Gemido. Cera. 10 - Orago. Posar. 11 - Orar. Amora.


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Economia & Negócios

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Conselho da Diáspora Portuguesa

Conselho criado quer “diáspora de influência” a fazer lobby por Portugal O Conselho da Diáspora Portuguesa, recentemente constituído, visa „acarinhar a diáspora de influência“ e dar informação de qualidade sobre Portugal a 300 conselheiros que farão „lobby“ discreto para promover a imagem do país no exterior. A associação, com 25 membros fundadores, foi formalmente constituída numa cerimónia no Palácio de Belém, em Lisboa, em que o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros receberam os primeiros cartões de conselheiro de Portugal no mundo. O promotor e presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa, Filipe de Botton, agradeceu ao chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, que será presidente honorário da associação, e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, vice-presidente honorário, o seu „apoio inequívoco“. O conselho, que irá reunir 300 portugueses residentes no estrangeiro e que têm „forte reputação e fortíssima credibilidade“ nas sociedades de acolhimento, surge porque não há nesta diáspora „um conhecimento profundo do que se passa em Portugal“, explicou o responsável aos jornalistas. „Atestámos isso na última reunião que tivemos em Maio de 2012“, em

que os 26 directores portugueses de empresas no estrangeiro „tinham uma imagem totalmente distorcida do que se passa em Portugal“, acrescentou o também presidente da Logoplaste. Para Filipe de Botton, „Portugal hoje é um país dinâmico, competitivo e em que a qualidade objectiva é muito superior à qualidade percebida“. „É fundamental que tenhamos gente a falar por nós fora de portas“, reiterou. A missão do Conselho da Diáspora será por isso transmitir aos 300 conselheiros „informação de qualidade“ que permita a esses „’opinion makers’ (...) passar uma opinião do que é hoje Portugal“. Não se trata, sublinhou o presidente do Conselho da Diáspora, de fazer campanhas mediáticas que envolvam grandes financiamentos, mas sim de promover uma „actuação discreta“ destes conselheiros. „Trata-se de usar essas pessoas que têm uma fortíssima capacidade de influenciar nas sociedades de acolhimento onde estão e dar-lhes as munições, dar-lhes as armas para poderem reforçar a imagem de Portugal“. Filipe de Botton sublinhou ainda que o objectivo do Conselho não é substituir as instituições que já existem, como o Governo, a Agência para o Investimento e Comércio Externo

de Portugal ou as embaixadas, mas complementar o seu trabalho, por exemplo, fazendo chegar „uma palavra discreta“ a empresas que estejam a pensar investir em Portugal através de um dos conselheiros. „Tudo o que puder ser feito para complementar o que já é feito é bemvindo. Temos de usar todas as armas e Portugal nunca usou suficientemente a arma da diáspora“, lamentou o promotor da iniciativa, para quem „a diáspora portuguesa nunca foi acarinhada ou tratada com respeito“. Sublinhando tratar-se de uma

„iniciativa totalmente nova“, Botton disse que o objectivo é uma atitude diferente para com a diáspora, que vá além do „mercado da saudade“. „Portugal tem de ser capaz de fazer o seu próprio ‘lobby’ aberto, positivo, construtivo para ajudar o seu próprio país“, afirmou. Constituído na sequência de um encontro promovido em Maio pelo Presidente da República, que convidou 26 directores gerais ou presidentes de empresas multinacionais sediados fora de Portugal, o Conselho da Diáspora tem como membros fun-

dadores 25 desses líderes empresariais, incluindo António Horta Osório, do Lloyd’s Bank, ou José Alberto Duarte, da SAP. Mas a ideia é alargá-lo a outras áreas, como a ciência, a arte ou a cidadania, disse ainda Botton, que exemplificou: „Se pensar, tem um português à frente da Educação na região da Florida (...); se pensar quem foi a melhor investigadora do ano na Suíça há um ano, foi uma portuguesa; o responsável para a epilepsia e a neuropediatria na Europa é um português“.

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Última • Nº 222 • Janeiro 2013

Portugal 2013 o ano de todos os medos O ano de 2013 será, sem dúvida, o ano de todos os medos. O que era mau vai ser  pior com o aumento de impostos e  novos cortes nas despesas de saúde, educação e prestações sociais.

Ana Cristina Silva, Lisboa *

V

iajo diariamente de comboio entre os subúrbios e Lisboa. Os rostos dos passageiros reflectem novas angústias. As conversas fúteis sobre os filhos e sobre os maridos ou as mulheres foram sendo substituídas por cálculos complicados sobre a perca de rendimento e tentativas atabalhoadas de reprodução de discursos sobre balelas economicistas, tentando confusamente orientar-se na desorientação das previsões económicas. A revolta e

a desesperança predomina como um nevoeiro que entrasse no comboio e que a todos envolve. O governo que desgoverna Portugal tomou posse há ano e meio. As escolhas políticas transformaram-se no caminho da cruz para a maior da população do país. Se me dissessem há um ano que esta seria a evolução de Portugal, eu não acreditaria. Sim, jamais acreditaria que em tão pouco tempo fossem destruídos os fundamentos de uma sociedade. Os princípios de solidariedade social foram substituídos por uma lógica assistencialista, renegandose a dignidade de pensionistas e desempregados com sucessivos cortes nas prestações sociais. O trabalho foi objecto de alargamento de horários e de novos impostos para supostamente aumentar a competi-

tividade e salvaguardar os “sacrossantos” compromissos com os mercados. Temos uma classe média asfixiada, que mal pode fazer face aos compromissos assumidos em tempos de maior prosperidade, que passa fome para não perder a casa, mas não é suficientemente miserável para ter direito a ajuda. Nos hospitais, doentes crónicos e oncológicos sofrem cortes na assistência médica, mas as administrações hospitalares garantem que está tudo sob controlo. Temos crianças a desmaiar de fome nas esco-

las, porém também aí o ministro da tutela dá garantias que nenhuma criança sofrerá. Este país deixou de ser para as pessoas. Os governantes admitem os sacrifícios, porém falam como se as suas políticas não atingissem a população e as pessoas fossem tão imateriais como os especuladores financeiros que mergulharam a Europa na crise das dívidas soberanas. Os discursos do primeiro-ministro transmitem o orgulho de estarmos no bom caminho, mas o povo deste país sente que esse caminho só o leva na direcção do abismo. Sua Excelência, o primeiroministro apenas se interessa por implementar a sua doutrina neo-liberal, mesmo que à custa do bem-estar da maioria do seu povo. O ano de 2013

será, sem dúvida, o ano de todos os medos. O que era mau vai ser pior com o aumento de impostos e novos cortes nas despesas de saúde, educação e prestações sociais. As políticas recessivas de subserviência à “troika” virão acompanhadas de mais desemprego e irão agravar o deficit orçamental. Mais jovens qualificados irão para o estrangeiro à procura de oportunidades que não têm no seu país. Tudo isso poderá ser verificado através de números e fará a abertura de telejornais. Muitos comentadores irão explanar na televisão sobre o falhanço do governo nas suas previsões, mas esses exercícios intelectuais não passarão de bordados no vácuo porque a insegurança, a desesperança, a infelicidade e o desespero terão invadido, entretanto, as pessoas. E esses sentimentos não fazem parte do universo dos cálculos dos nossos governantes. *Escritora e professora universitária     

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