Page 86

EMPRESA QUE SE DEDICA AO RESTAURO DE MÓVEIS ANTIGOS O meu nome é Ângela Moreira, tenho 41 anos e sou formada em design de interiores e mobiliário pela ESAD. Quando concluí o meu curso, fui trabalhar para Paços de Ferreira, onde abri uma empresa de fotografia e aí dediquei 14 anos da minha vida a fotografar móveis. Gosto muito do que faço, mas a maternidade trouxe novidades. A pensar na Tiara e no Salvador, eu e o meu marido comprámos terrenos na zona de Macedo de Cavaleiros, onde construímos uma quinta para produzir azeite chamada “Quinta das Tiarinhas”. Como apoio ao nosso negócio, comprámos uma casa com mais de 300 anos, numa destas caricatas aldeias de xisto no interior de Macedo. A casa situa-se numa freguesia chamada Salselas e era a antiga casa do falecido padre Acácio. As crianças adoram a casa e chamaram-lhe a “Casa do Amor”. Quando comecei a desenvolver o projeto de restauro, deparei-me com aquelas lindas paredes de xisto, contudo percebi que mobiliário moderno não fazia sentido naquele espaço. Comecei a procurar mobiliário de século, encontrei peças lindíssimas, mas eram muito escuras e a casa ficaria sinistra e pesada…

ÂNGELA MOREIRA

GLAMOUR

O mobiliário antigo Quando disponibilizamos algum do nosso tempo a observar um móvel com mais de 30 anos confrontamo-nos com algo de surpreendentemente nobre , quer pela utilização da excelência e qualidade das suas madeiras maciças, como pelos apontamentos em talha, baixos relevos ou maqueterias utilizadas. Nalguns, visualizamos autênticas esculturas. É mesmo isto o que eu quero, trabalho genuíno, nobre e original. Nos dias de hoje, já não é permitido o fabrico de mobiliário em madeira maciça, devido a questões de desflorestação e ecologia. A lei, estabeleceu, e bem, na minha opinião, limites para a utilização destes materiais. Com o “acelarar” do ritmo de vida, as famílias também começaram a optar por móveis mais lisos, económicos e fáceis de gerir. Mas, voltemos

86 | PORTUGAL EM DESTAQUE

ao Glamour dos móveis antigos… Antigamente, não existiam vernizes. Os móveis eram encerados e assim conservados por quem os adquiria. As cores e desenhos que nalguns existiam eram em geral tristes ou pesados… Há cerca de 35 anos aparecem as primeiras peças envernizadas. Normalmente em peças dos anos 70 e D. Maria com belíssimas maqueterias. Contudo, estes vernizes, ao fim destes anos perderam qualidade e estalaram. Decidi pegar em algumas peças que descobri em lojas de antiguidades e penhoras, onde estes se amontoavam, com um cheiro de mofo esperando um fim misericordioso. Se visitarem o meu site mobiliarioantigo.com, vão ver estas peças… algumas delas custaram apenas 25€. Enviei-as para polidores meus conhecidos, cujo trabalho era de confiança…

Edição n.º28  
Edição n.º28  
Advertisement