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www.taxicultura.com.br

Livros de mão cheia

Sebos paulistanos: uma rede de arte e cultura

Delícias do Natal

Faça sua ceia com sotaque português

São Francisco Xavier

Um mergulho na natureza ao lado da cidade

Odamar Versolatto A arte da periferia ao centro

Edição 17


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TAXICULTURA|Dezembro TAXICULTURA|Novembro


Divulgação

EXPEDIENTE

Diretoria Adilson Souza de Araújo Davi Francisco da Silva Fábio Martucci Fornerón Isabella Basto Poernbacher (editora@portodasletras.com.br) Redação Editor Waldir Martins MTB 19.069 Edição de Arte Carolina Samora da Graça Mauro Bufano Projeto Editorial Editora Porto das Letras Reportagem Arnaldo Rocha, Cida Nogueira, Daniela Gualassi e Miro Gonçalves

Editorial

Colaboradores Adriana Scartaris , Fernanda Monteforte, Fernando Lemos, Ivan Fornerón, Mery Hellen Jacon Pelosi e Vinnícius Balogh Fotografia de Capa Adilson Souza de Araújo

Da Periferia para o Centro

Revisão Naira Uehara

Aproveitamos essa edição de dezembro para celebrar nossa vocação para cultura e trazer uma entrevista exclusiva com o artista plástico Odamar Versolatto, que revela um personagem com uma trajetória muito peculiar, sempre caminhando no sentido de levar para o miolo da cena artística, signos e símbolos de sua origem na cidade industrial de São Bernardo do Campo. Uma paixão que, no decorrer dos anos, sempre caminhou da periferia para o centro.

a Chef Ilda Vinagre, que comanda a cozinha dos restaurantes Trindade e O bela Sintra, que preparou um menu genuinamente português.

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Vale lembrar que dentro de alguns dias estaremos em pleno verão, estação em que os cuidados com a pele devem ser redobrados. A Dra. Camila Haufbauer, médica dermatologista, apresenta dicas para a escolha adequada do seu protetor solar e ainda cuidados na hora de aplicá-lo para garantir o máximo de proteção.

Assessoria jurídica Paulo Henrique Ribeiro Floriano

Nesse mesmo sentido trazemos também uma rede de cultura e arte que existe na cidade de São Paulo que é uma verdadeira paixão para milhões de paulistanos e visitantes oriundos de outras cidades: as livrarias sebo. Quase imperceptíveis na geografia urbana da metrópole, elas chegam a mais de mil estabelecimentos, que, além da prática de compra e venda de livros usados - por preços bastante acessíveis, diga-se de passagem - contribuem para o trabalho de preservação de importantes raridades.

Para quem pretende aproveitar a virada do ano para dar um mergulho na natureza com muita paz e sossego, vale conhecer os encantos de São Francisco Xavier. Vizinho de Campos do Jordão, o distrito da cidade de São José dos Campos é uma alternativa perfeita para quem deseja romper por um tempo a correria da metrópole, mas sem ter que ir para muito longe.

Como já é tradição, na edição de dezembro aproveitamos para indicar aos leitores algumas opções de restaurantes que irão preparar um cardápio especial para quem deseja aproveitar todos os sabores e aromas de uma ceia de Natal, sem ter que gastar horas e horas na cozinha. Por isso, entramos em contato com

Para quem for permanecer na metrópole, vale a pena ir conhecer o incrível Teatro do Centro da Terra. Localizado no bairro do Sumaré, o espaço administrado pela Kompanhia do Centro da Terra mantém uma programação ininterrupta e variada para quem curte um espetáculo de teatro. Boa viagem e boa leitura! Os Editores

Diretor Fábio Martucci Fornerón

Comercial Suporte Administrativo Ana Maria S. Araújo Silva Bruna Donaire Bissi Assinaturas e mailling (assinatura@portodasletras.com.br) Impressão Wgráfica Tiragem 25.000 exemplares Distribuição Gratuita

TAXICULTURA é uma publicação da Editora Porto das Letras Ltda. Redação, publicidade, administração e correspondência: Rua do Bosque, 896, casa 24, CEP 01136-000. Barra Funda, São Paulo (SP). Telefone (11) 3392-1524, E-mail editora@portodasletras.com.br. Proibida a reprodução parcial ou total dos textos e das imagens desta publicação, exceto as imagens sob a licença do Creative Commons. As opiniões dos entrevistados publicadas nesta edição não expressam a opinião da revista. Os anúncios veiculados nessa revista são de inteira responsabilidade dos anunciantes.


SUMÁRIO | TAXICULTURA

06 Onde fica?

08 Capa

Beleza natural e tecnologia

Odamar Versolatto A arte da periferia ao centro

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18 12

São Paulo Tem

08

Especial

Teatro do Centro da Terra Paulistanos

Livros deTecnologia mão cheia

2830 30 22 28

32 32 30

Belezade Vida Qualidade

Qualidade Bandeira Bandeira Livre de vida São Francisco Xavier Livre Motivação: força que impele à ação Charme e Tecnologia Agenda Beleza

42 Horizonte 44Vertical Um amor lusco-fusco

ESPAÇO LEITOR

48

Para nós, sua participação é fundamental. Para enviar suas críticas, elogios, sugestões ou comentários basta enviar um email para: leitor@taxicultura.com.br Assim que recebermos sua mensagem entraremos em contato para atender a sua solicitação.

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TAXICULTURA|Dezembro

12 Tecnologia

Dicas e sugestões

13 Big Apple

Novidades da capital do mundo

26 28 Beleza 14 16 24 16 18 3838Agenda Cultural 40 36 Morar Bem 32 36 38

Um Mundo Todo

Ceiaum de Natal com Capa São Paulo: sotaque mundo todo português Qualidade de Vida

CuideAgenda da sua pele no verão Bandeira LIvre

São Paulo Morar Tem A Casa H Bem O melhor da cidade Morar Bem Mundo&Cia Capa


08

Odamar Versolatto A arte da periferia ao centro

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Livros de mão cheia

Delícias do Natal

Livrarias sebo: uma rede de arte e cultura

Faça sua ceia com sotaque português

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São Francisco Xavier

Um mergulho na natureza ao lado da cidade

Museu Afro

Duofel

Cookin’ Nanta

Nenhuma outra atividade pode ser mais importante para afirmar a plena cidadania da raça negra do que garantir o seu pleno acesso à cultura, arte e educação. Já visitei o Museu Afro algumas vezes e fiquei muito feliz ao ler a matéria publicada na edição 16 da Taxicultura. Seria importante que outros veículos de comunicação pudessem dar mais visibilidade ao trabalho lá realizado.

Emocionante a entrevista do Duofel publicada na edição 16 da TAXICULTURA. Apenas acho lamentável que artistas tão talentosos da nossa MPB, com mais de 30 anos de carreira, não sejam reconhecidos pelo grande público.

Fui ao espetáculo do Cookin’ Nanta e adorei. Muito engraçado, dinâmico, diferente mesmo. Contudo, o atendimento dispensado ao público no estacionamento do Teatro Geo também mostrou digno de nota. Depois de pagar R$ 25 reais é preciso enfrentar um verdadeiro tumulto, com as pessoas amontoadas em frente ao teatro esperando a chegada dos carros. Ao ser indagado o que acontecia nos dias de chuva o responsável por receber os tickets de pagamento deu uma gargalhada e respondeu: “aí, todo mundo fica molhado”. Lamentável.

Magda Carvalhal

Vânia Montagner

José Maria do Nascimento Prezada Vânia, Sua reclamação foi encaminhada à administração do teatro. A redação

Dezembro|TAXICULTURA

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ONDE

FICA?

Por Daniela Gualassi

Mistura de beleza natural e tecnologia Um desenho que remete às ligações entre arquitetura primitiva, tecnologia e antropologia num dos maiores parques de São Paulo

A

Davi Francisco

obra foi inaugurada no dia 3 de dezembro de 2010, em um grande parque paulista idealizado no final de 1980. O arquiteto responsável pelo projeto foi Decio Tozzi, autor inclusive de obras que integram o acervo arquitetônico do Museu Nacional de Arte Moderna do Centro Pompidou, em Paris. O desenho estabelece ligações com a antropologia e foi inspirado em povos africanos e pré-colombianos, que utilizavam esse tipo de construção para se abrigarem. Além de se protegerem de animais e da exposição ao tempo, facilitava a entrada de luz e circulação de ar. Portanto, essa mistura entre tecnologia atual e primitiva foi definida pelo arquiteto como uma oca diáfana. Recebeu o nome da antropóloga e professora universitária que pesquisou muito sobre movimentos sociais, a exprimeira dama Ruth Cardoso, falecida em 2008. Segundo Decio, o motivo da homenagem não podia ser diferente: “ela que estudou como antropóloga e defendeu como cidadã” o respeito e a valorização da cultura primitiva.

Você sabia?

Davi Francisco

Os primeiros 10 leitores que identificarem a localização da foto acima ganharão um par de ingressos para o teatro.

A oca diáfana é um orquidário e Ruth Cardoso tinha conhecida admiração por esse tipo de planta

Sua resposta deverá ser enviada para o e-mail:

leitor@TAXICULTURA.com.br

O resultado sairá na próxima edição junto com os nomes dos ganhadores.

Parque Trianon Na edição anterior mostramos a foto do parque Trianon, com abertura na avenida Paulista. Além de ser cartão postal da cidade de São Paulo, é um refúgio para quem trabalha nas proximidades. Inaugurado em 1892, símbolo da aristocracia cafeeira paulistana, com ares de jardim inglês, o parque é um dos remanescentes da Mata Atlântica.

GANHADORES Débora Gelesson

João Carlos Santos

Cátia Simas

Lucas Felipe Noronha

Edmilson Xavier

Maria Cristina Solano

Roberta Galuso

Fátima Rocha

Alberto Lino

Gabriela Nunes

6 TAXICULTURA|Dezembro - Gostou da matéria? Você também a encontra em TAXICULTURA.com.br


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CAPA Universo-Maria-Art-Music-of-Odamar-Versolatto-

Grabriel Steffens

Por Waldir Martins

Odamar Versolatto A arte que caminha da periferia para o centro

N

ascido na cidade de São Bernardo do Campo, polo industrial localizado no ABC Paulista, onde, durante a sua juventude, a arte tinha pouco ou quase nenhum espaço, Odamar Versolatto marchou contra a corrente e fez da sensibilidade em captar diferentes realidades e

transformá-las em formas e cores o seu passaporte para o mundo. Depois de percorrer os quatro continentes e visitar nada menos que cinquenta e cinco diferentes países e expor em espaços como Galerie Nesle, Carrousel Du Louvre e Chalete Victoria, o artista escolheu dividir-se entre duas das maiores

metrópoles do mundo para estabelecer seu diálogo com o futuro: Paris e São Paulo. Em sua última estada no território tupiniquim para viabilizar a entrega de diversos trabalhos, Odamar Versolatto conversou com a TAXICULTURA sobre arte, cultura, urbanidade e cidadania. Acompanhe os melhores trechos dessa conversa.

8 TAXICULTURA|Dezembro- Seja gentil: deixe a revista a bordo para o próximo passageiro


Universo-Maria-Blues-Music

Taxicultura Como teve início a sua relação com a arte?

Odamar Versolatto Com dois anos de idade eu já tinha tido essa identidade com as artes plásticas. Como eu sou de São Bernardo do Campo, uma cidade industrial, era muito difícil que as pessoas entendessem essa aptidão artística. O máximo que era aceitável era tocar um instrumento na banda de música do bairro; fora isso, outras manifestações artísticas não eram admitidas.

Taxicultura E como você chegou às artes plásticas?

Odamar Versolatto Eu fazia muito desenho estranho e ninguém entendia aquilo como sendo um desenho ou um processo de criação. E era engraçado, porque eu tinha que explicar para as pessoas o que era; um dia, descobri que eu tinha que desenhar para que as pessoas entendessem. Então, descobriram que eu desenhava. Com quatro anos de idade já tinha coisas do realismo no desenho. Já tinha uma estrutura de desenho, não era um desenho interrompido, com traço interrompido.

Taxicultura E quando decidiu assumir esse caminho?

Odamar Versolatto Eu sempre amei essa coisa de trabalhar a arte e quando, com treze anos de idade, eu comecei a viajar, pegar carona e conhecer o Brasil, eu já sabia, identificava que o meu negócio era andar, e a única forma no mundo que permite que você possa caminhar e andar é fazendo arte. Podem dizer que um executivo de vendas vai viajar, porque tem de cuidar da distribuição, mas ele tem uma área para andar, e na arte não, se eu quiser ir para a Bolívia eu vou. Como resultado disso, aos 16 anos,

já conhecia a América do Sul e o Brasil inteiro. Já tinha ido para Rondônia, Macapá, Manaus, tinha visitado o Rio Negro e o Rio Amazonas, e tudo isso de uma forma muito simples, pegando carona, o que na época era uma coisa muito aceitável. E algumas caronas muito engraçadas, uma delas foi com o Raul Seixas e o Paulo Coelho. Nem conhecia os caras e não fazia a menor ideia do que eles se tornariam (risos). Era um Passat antigo e fomos de Salvador a Arempebe, onde conheci a sociedade alternativa. Voltei lá tempos depois, acho que na década de 80 e conheci os Novos Baianos. Nesse processo eu sabia que era a arte que iria me levar para o mundo. Também me envolvi com teatro, fui profissional de teatro por três anos, período que me fez entender como é que funciona a indústria da arte. O teatro é mais difícil ainda do que a música. A música é como se você vendesse roupa, o teatro é um pouco diferente; o teatro é como se você vendesse abajur, uma coisa que a pessoa tem que ter em casa, mas não é necessário. E não tem ninguém patrocinando, porque não é o salário que vai trazer o abajur, o abajur é a sobra do salário. Naquela época era fácil pegar um ônibus e ir para o Rio curtir circos, que era uma outra realidade, que não era uma realidade de teatro, era uma realidade mais de televisão e cinema. Era época em que tinha muita gente surgindo. No Rio havia o Circo Voador, o pessoal do Asdrubal [trouxe o trombone], com a Regina Casé, o Evandro Mesquita, a Patrícia Travassos, o Luiz Fernando Guimarães e em São Paulo, um grupo que fazia a “Aurora da minha vida”, que tinha a Cristina Pereira, era o pessoal do Naum Alves de Souza.

leitura de bordo dos taxis paulistanos - Dezembro|TAXICULTURA 9


divulgação

de 72/73, desenhava portões de ferro e era tido como pichador e não eram apenas palavras de protesto, havia todo um contexto. Eu comecei a viajar muito, conhecer outros lugares, e tinha 16 anos quando fui para os Estados Unidos e tive a oportunidade de sentar em lugares onde estavam Jean Michel Basquiat, Andy Wharol, Madonna, Ramones e descobri que eram gente igual às pessoas do meu bairro. Porque a dor e o sofrimento são iguais no mundo todo, assim como o prazer e a liberdade.

gabriel steffens

Hoje, depois de ter visitado cinquenta e cinco países em quatro continentes, olho o mundo e chego à conclusão de que alguém em Caculé do Norte, no sertão da Bahia, pode estar produzindo uma coisa muito legal. O europeu e o americano recebem muita informação e isso pode ser uma coisa muito bacana, mas também é uma coisa muito limitadora, porque é preciso ver o que vai fazer com tanta informação, como você opera com isso.

TAXICULTURA

A dor e o sofrimento são iguais no mundo todo, assim como o prazer e a liberdade

Suely Ruiz, Marie-Kerckaert e Odamar Versolatto duranrte exposição Art Show no espaço Universo Maria em Santo André

Taxicultura

Odamar Versolatto

Como você desenvolveu a sua técnica? Sempre foi uma coisa intuitiva?

O que a gente ainda não entende no Brasil é que a primeira fonte de receita das grandes cidades do mundo hoje é o turismo cultural. As pessoas não vão para Nova Iorque porque a cidade tem prédios de 180 andares; as pessoas vão porque tem a Times Square com shows, as peças na Broadway. Quando falamos de Paris, estamos falando de oitenta milhões de turistas. Quando falamos do Brasil, em 2010, foram cinco milhões. Veja que disparate, estou falando de um país e uma cidade!

Tudo é uma grande brincadeira. Como você aprende a fazer esse trabalho muito cedo, como você tem a coisa do desenho, que é a base de tudo, você desperta olhares. Vai incorporando técnicas e arriscando. Por exemplo, quando vieram os italianos para cá, para reforçar os vitrais que eram perdidos no Brasil, você pega um pouco de técnica com eles. Aí você conhece outro artista, como o Sacilotto, que foi muito importante para as artes brasileiras, um cara que era de Santo André e desenhava vaquinhas, e Ligia Clark o influenciou para que começasse a fazer concretismo. Terminou por se tornar o pai do concretismo no Brasil. Foi depois dele que vIeram o Volpi e o pessoal do concretismo. Faço pichação desde o “Anistia Já”, desde o “Abaixo a Ditadura”; des-

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No Brasil a arte não é acessível. Como o seu trabalho chega ao público?

Quando promovemos cultura aqui, promovemos cultura popular de uma forma muito elitizado, a gente não quer que o popular vá. Fui a uma exposição em Nova Iorque e aluguei os fones de ouvido, em que uma narração falaria sobre as obras que iria ver na exposição. Comecei a achar que a voz era conhecida e ao final descobri que era o David Bowie falando. No final, ele se apresenta e você se surpreende com o cuidado

TAXICULTURA|Dezembro - Seja gentil: deixe a revista a bordo para o próximo passageiro


Divulgação

com que o trabalho é feito. Não tem essa coisa de acelerar o teu ritmo para poder ver alguma coisa. Porque a todo o momento tem exposições, apresentações, envolvimento. E isso se reflete em muitos outros aspectos da vida; por exemplo, o Brasil não sabe que é preciso ocupar as ruas, que se não ocupamos as ruas, a violência ocupa. Porque aqui cada um tem a sua carroça, porque se as pessoas tivessem transporte coletivo, elas estariam andando pelos quarteirões, mas não, as pessoas chegam direto para suas garagens e deixam as ruas à mercê de quem quiser.

Taxicultura Quais foram os momentos mais importantes da sua carreira?

Odamar Versolatto

Apresentei dezenove trabalhos e vendi trinta e três, mas a encomenda mais importante que tive ali foi a do Cônsul da França, Jean Levy, que tinha vindo até Santo André ver a exposição. Ele se virou para mim e disse que eu precisava ir para Paris apresentar o meu trabalho. E aí, minha segunda exposição já foi em Paris, em um espaço que ele arrumou. Quando fui procurar essa galeria, que fica na Saint German, o prédio estava desativado, mas a mostra mexeu tanto com a cidade que reativou o prédio, que agora abriga a Fundação Van Gogh, que funciona lá até hoje.

TAXICULTURA Projetos em andamento?

Odamar Versolatto Milhões de projetos. Muitas coisas andando, muitas coisas para serem concluídas, mas, hoje em dia, meu grande projeto é conseguir produzir uma arte de qualidade, não para receber elogios hoje, mas uma arte para receber elogios a quinze, vinte anos. Aconteceu comigo uma coisa muito bacana, que mudou meu modo de ver al-

gumas coisas. Na minha terceira ou quarta exposição em Paris, uma crítica de arte fez um artigo muito pejorativo sobre o meu trabalho e isso me deixou muito confuso se estava no caminho certo. Agora, em setembro, ela escreveu outra crítica dizendo o quanto ela não conseguiu enxergar acerca do meu trabalho, de quantos anos eu estava produzindo à frente. Naquela época, há uns de-

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No processo de separação do terceiro casamento, no ano de 1993, descobri que gostava muito da minha própria companhia (risos) e resolvi que iria me dedicar a isso e comecei a produzir. Então, veio o quarto casamento que foi muito importante, porque a Sueli [Ruiz] comprou a ideia, ela se virou para mim e disse: ‘gosto disso e acho que você pode fazer isso’. Eu nunca pensei em fazer exposição, nunca pensei em me expor. E ela montou a primeira exposição e foi um sucesso de venda. Hoje, fico pensando e acho que vendi muito barato as telas (risos).

Odamar Versolatto com Érica Lorca durante o Polo Design Show 2012

zessete anos atrás, eu fazia figuras super-realistas, onde trazia a realidade para as obras e depois brincava com grafites e tudo o mais. Hoje, esses trabalhos são valorizados.

Taxicultura Qual foi o principal aprendizado nessa trajetória?

Odamar Versolatto O grande aprendizado disso tudo é a convicção de que se você viver como artista vai conseguir produzir alguma coisa e tirar seu sustento disso. Se você for uma pessoa que vive presa à riqueza e a ter tudo ao seu dispor, você vai produzir, mas aquilo, muito provavelmente, vai ser apenas um artesanato, para ser reproduzido em série. A arte não está na poesia que você se utiliza de palavras que o popular não vai entender. A arte está em articular signos que qualquer ser humano possa entender. Eu não sou classe A nem classe E, nem B+, nem C ou D, a minha categoria é outra, eu sou artista. O desafio é conseguir articular todos esses mundos, isso que faz um artista, não importa se ele está no Champs d’Elyssées ou no Morro da Mangueira.

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Neste caderno você encontrará dicas e novidades sobre o mundo da tecnologia

Aplicativos e ferramentas KASHU USB Flash Security

Muito útil para aquelas situações em que o seu computador é compartilhado no escritório ou em casa, e, por consequência, outras pessoas usam-no e acabam instalando novos softwares. E muitos podem ser indesejados. Muito útil porque a instalação de programas pode gerar vulnerabilidades no PC que vão de problemas no próprio funcionamento até a abertura para invasões digitais. Disponível nos sites de download na web, o installguard é fácil de operar e previne a instalação de aplicativos no seu computador.

PenDrives estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Mas são um meio de armazenamento muito inseguro. Por isso, sempre que precisamos emprestá-los ou conectá-los em um computador desconhecido, fica a impressão da vulnerabilidade. Um aplicativo que ajuda nessas situações é o Kashu usb Flash Security. Ele previne que se copie ou mesmo se acesse o conteúdo do PenDrive, criptografando os dados e protegendo-o através de uma senha segura.

Ultimate Password Saver

Whofollowswhom

As senhas são cada vez mais importantes no mundo digital. Redes sociais, fóruns, internet bank, webmails, perfis usuários em sites de serviços e tantas outras. Mas, com tantas senhas necessárias, fica difícil decorar. Para isso o aplicativo Ultimate Password Saver pode ajudar bastante. Ele guarda suas senhas no seu próprio computador, e de maneira segura. Gratuito e disponível nos sites de downloads na web.

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Installguard

Além do entretenimento, o Twitter é uma rede que pode ser muito útil também na busca de informações. Por isso, várias ferramentas são construídas ao redor do Twitter, usando os seus bancos de dados. Uma muito interessante é o site www.WHOFOLLOWSWHOM.com, que permite identificar entre até cinco Twitters, aqueles que compartilham os mesmos seguidores ou têm os mesmos Twitters seguidos em comum. Assim, você pode identificar as características de certos perfis antes de começar a segui-los.

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Picsay Está cada vez mais comum usarmos smartphones para nos conectar às redes sociais. No Brasil, aproximadamente 30% dos acessos às redes vêm de gadgets e não de PCs ou MACs. Como muitas dessas pessoas gostam de postar fotos, uma dica para usuários de sistemas ANDROID é o aplicativo PICSAY. Um editor de imagens ideal para e compartilhar fotos no Twitter, Facebook ou mesmo para se enviar por email. As imagens ficam mais bonitas e mais divertidas, com vários efeitos.

Fernando Lemos é especialista em Soluções de Tecnologia, palestrante, colunista em rádios e TV. Autor de artigos em jornais, revistas e sites na web, e idealizador do Projeto Tecnologia Para Todos® Web: www.fernandolemos.com.br | Palestras: palestras@fernandolemos.com.br

Apoio:

Em um encontro semanal na TV, Fernando Lemos traz as novidades do universo da Tecnologia®, entrevistas com muita gente bacana e muitas dicas interessantes! NET TV - CANAL 13 - NET CIDADE | 2as feiras - 09:30 3as feiras - 00:30 | 4as feiras - 13:30h | 5as feiras - 01:30h e 13:00h


Fernando Lemos apresenta o que há de mais moderno e o que vem por aí no universo da tecnologia

TECNOLOGIA

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Alguns sites interessantes na web. Vale a pena visitar...

Um site que traz os campeões de audiência na web, mais vistos e compartilhados. Organizados por categoria como novidades, músicas, games, esportes e filmes, por exemplo, para você ter acesso imediato ao que está mais em exposicão no momento com atualizações constantes.

www.ZOCIAL.TV

Muito bom para quem gosta de shows, teatro, festivais e eventos em geral. Um site onde as pessoas que já compraram seus ingressos, mas por algum motivo não poderão comparecer, podem colocar as suas entradas à venda. E bom também para quem estivar do outro lado, buscando ingressos que já estão esgotados nas bilheterias ou nas compras pela web. Funciona como um classificado de ingressos. O site traz imagens e várias informações obre os eventos, além de estar integrado ao Clube do Ingresso para garantir que não haja exploracão nos preços praticados.

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www.COMPREIENAOVOU.com.br

Um site que reúne os principais virais da web. E com botões de liga/desliga você assiste ou ouve as frases, sons, músicas e tudo de diferente que está chamando a atenção na web.

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www.FUNSWITCHER.com

Um site com uma proposta interessante. Permite que você armazene e manuseie na nuvem fotos em tamanho menor. Essa é uma alternativa excelente para trazer agilidade a quem gosta de postar fotos nas redes, blogs e sites em geral. Suporta arquivos de até 5mb de tamanho e após armazenar a sua foto, você recebe um link para endereçá-la sempre que precisar.

www.IMAGESHACK.com

Nós apoiamos:


BIG APPLE Por Vinnicius Balogh

Grand Central Terminal Divulgação

É muito comum os moradores de Nova Iorque chamarem a Grand Central Terminal de Grand Central Station. Esse é um templo vivo que ilustra bem o passado da cidade. Vale a pena olhar fixamente para o mural e seu teto celeste acima da vasta multidão no hall principal. No andar inferior é possível encontrar os tradicionais Slurp e o Kumamotos, além do lendário Oyster Bar (ja destacado nessa coluna). Quem visita a Grand Central não pode sair sem contar um segredo para o seu parceiro na Galeria Whispering: fique no final de qualquer rampa do Oyster Bar... sussurre na parede, você vai ser ouvido magicamente no lado oposto do pilar. Misture-se com os passageiros no mercado de culinária gourmet e não deixe de explorar as “secretas” passagens elevadas para uma vista espectacular sobre o concurso. Mesmo se você não tem para onde ir, pode passar horas neste terminal de mais de cem anos de idade e nunca se cansar. 87 E 42nd St, New York, NY 10017

Apaixonado por viagens e gastronomia, Vinnicius Balogh traz aos leitores da TAXICULTURA dicas e sugestões para curtir na metrópole mais badalada do mundo

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American Museum of Natural History

Fósseis de dinossauros? As teorias da evolução? Mostra do espaço planetário em cinema IMAX? É mesmo difícil de acreditar que tudo isso realmente existe em um só lugar. No Museu Americano de História Natural, mais de 32 milhões de espécies e artefatos culturais esperam sua exploração. Graças a seu destaque no papel de protagonista no filme Uma noite no Museu, o espaço atrai entusiastas, jovens fãs ansiosos para ver a baleia azul de 94 pés (28,6 metros), o esqueleto fossilizado de um tiranossauro rex, e o chiclete da Ilha de Páscoa. Esse, sim, é o programa de NY para todas as idades. 200 Central Park West, New York, NY 10024

Vinnicius Balogh é administrador de empresas e atualmente mora em Nova York, onde está realizando um Executive MBA na Columbia University Twitter: @vibalogh

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Inacreditável que um restaurante japonês em NY possa ter conquistado 2 estrelas no renomado guia Michelin de gastronomia. Nem no Japão um restaurante de ramen havia conquistado essa façanha. Vale explicar que ramen nada mais é do que uma sopa de macarrão, derivando seu sabor da carne de porco bem quente, com pedaços de carne de porco, cebolinha, ovo e, seguramente, nessa caso específico, vários outros segredos que conseguiram garantir tamanho reconhecimento... e o melhor de tudo: é barato. Um ramem não sai mais do que 15 dólares, suficiente para um bom jantar num restaurante estrelado. Entretanto, essa novidade já foi descoberta pelos turistas e locais, ou seja, esteja preparado para esperar sua vez. Mas adianto: você não vai se arrepender! 171 First Ave., New York, NY 10003 nr. 11th St.

TAXICULTURA|Dezembro - É leitura de bordo dos taxis paulistanos

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Momofuku Noodle Bar


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SP

TEM

Por Arnaldo Rocha

Teatro do Centro da Terra O nome não é uma referência aleatória, pois o teatro está mesmo incrustado a doze metros abaixo da superfície de um simpático edifício do bairro Sumaré

I

naugurado no dia 3 de setembro de 2001, o teatro mais underground da cidade é fruto da obstinação do arquiteto, empresário e diretor Ricardo Karman, que, durante dez anos, escavou e realizou obras no quarto e quinto subsolos do prédio, onde hoje atua a Kompanhia do Centro da Terra, que responde pela administração do espaço.

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A escolha do nome se deu por dois motivos principais: a própria característica subterrânea da sala de espetáculos, com capacidade para 96 pessoas, como também para prestar uma homenagem ao premiado espetáculo Viagem ao Centro da Terra, realizado, em 1992, pela então Kompanhia Teatro Multimidia de São Paulo, que veio a se transformar na atual Kompanhia.

Descentralizar a cultura Além dos subsolos, com sua inusitada sala de espetáculos, a trupe do Centro da Terra ocupa os quatro andares superiores do edifício, onde realiza seus ensaios e demais atividades dos seus núcleos de pesquisa - interpretação, dramaturgia e montagem - que garantem a programação ininterrupta do espaço, desde sua inauguração. De acordo com Ricardo Karman, a Kompanhia busca realizar um trabalho de integração com a comunidade da região, e para isso desenvolve, também, crescente atividade didática. “O Teatro do Centro da Terra é um teatro de bairro. Um bairro que sofreu, nos últimos anos, agressivo processo de adensamento urbano.

Suas características históricas foram modificadas e a população da região aumentou violentamente. Porém, o mesmo não se deu em termos de investimento cultural”, declara. Seguindo uma proposta de descentralização da cultura, a Kompanhia defende a importância de descentralizar a cidade e estabelecer nos diferentes bairros da cidade uma adequada infraestrutura urbana, capaz de atender as diferentes necessidades da população, de educação à saúde, de comércio à cultura. “Quanto mais equipado for o bairro, menos necessidade terá a população de deslocar-se e, consequentemente, irá resultar em menos trânsito, menos poluição e menos estresse”, argumenta Karman.

Formação dramática O Teatro do Centro da Terra se coloca não apenas como sala de espetáculos descentralizada, mas, também, como núcleo gerador de cultura local, com a realização de cursos e atividades de formação dramática. Para animar a visita dos espectadores, o Centro da Terra fez uma parceria com o Bar Gourmet Caravançará, que garante um cardápio de lanches rápidos feitos artesanalmente e uma fantástica variedade de cervejas. Vale a pena conhecer.

Serviço Teatro do Centro da Terra Rua Piracuama, 19 - Sumaré Fone: 11 3675 1595 http://www.centrodaterra.com.br

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TAXICULTURA|Dezembro - é leitura de bordo dos taxis paulistanos


Clínica de Reabilitação São Francisco Av Paulista nº 807 | 5º Andar | Sala 512 Bela Vista | São Paulo Fones: 11 4324-5595 | 11 4324 -5596 www.reabilitacaosaofrancisco.com.br

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ESPECIAL PorWaldir Martins

Livros de mão cheia Pe r co r r e r a s r u a s d o c e n t r o v e l h o d e S ã o Pa u l o em busca de livros usados pode ser uma divertida e muito interessante aventura para os apaixonados por cultura

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ideia que o brasileiro não é dado à leitura vai por terra quando se percorre a região central da cidade de São Paulo em busca de lojas que comercializem livros usados. Se for considerado apenas o entorno das Praças da Sé e João Mendes, já é possível localizar mais de vinte estabelecimentos especializados nessa atividade. Caso queiramos expandir essa busca para outras regiões, o número pode chegar a mais de mil unidades. Entre as mais tradicionais livrarias sebo do Brasil está o Sebo do Messias, considerado hoje como um patrimônio da cidade. Localizado na Praça João Mendes, 140, a um quarteirão do Tribunal de Justiça, o espaço, que foi fundado pelo mineiro, ex-lavrador, exgarçon Messias Antonio Coelho, transmite a sensação de uma verdadeira viagem no tempo. Além dos mais de 300 mil títulos que oferece aos seus clientes - entre livraria virtual e física - o sebo conta ainda com uma variada coleção de antiguidades, desde vídeos cassetes, gravadores de som e até videogames fora de catálogo, com seus respectivos cartuchos. Outra seção que atrai muitos colecionadores é a formada pelos antigos discos de vinil. Com um pouco de paciência é possível encontrar verdadeiras raridades. Para os mais românticos, há uma seção com títulos apenas do cantor Roberto Carlos.

Uma praça cercada de livros Também na região da Praça João

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Mendes, praticamente ao lado do Sebo do Messias, podemos encontrar o Sebo Nova Floresta, cujo acervo inicial foi criado a partir da biblioteca particular do Dr. Ali Ayoub, um médico que sempre teve nos livros um motivo de atenção especial. Contudo, não é o próprio Ali Ayoub quem cuida da loja; a administração fica por conta de seu irmão Ibraim Ayoub. Segundo José Amorim, antigo funcionário que há mais dez anos trabalha na livraria, os visitantes têm à sua disposição um acervo de cerca de 60 mil exemplares, que podem ser adquiridos em visitas realizadas na livraria, ou através do site na internet, hoje responsável por grande parte das vendas. “O fluxo de pessoas que entram na loja ainda é grande, mas a quantidade de vendas pela internet tem aumentado a cada dia. Juntando as vendas na loja e as feitas online, conseguimos até 300 vendas por dia”, afirma. Contando entre os seus clientes com um expressivo número de colecionadores, amantes da história da religião e afins, o acervo do Nova Floresta contém diversas raridades. “Aqui a grande procura é por livros de religião. Entre as raridades, possuímos até obras datadas do século 17, como uma Bíblia e um Zohar (livro sobre Cabala, misticismo judaico) em 23 volumes”, destaca Amorim. Paixão pelo romance A paixão pelos livros é uma característica da família de Maria da Conceição Gomes de Freitas, proprietária da rede de livrarias Sebo Red Star, com quatro lojas instaladas em diferentes pontos da cidade. “A livraria começou em 1987 em uma banca de jornal, na rua Brigadeiro Luiz Antônio, e hoje

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Os sebos de São Paulo formam uma rede de difusão cultural que tornam os livros, cds e dvd acessíveis a um número incrível de pessoas

possuímos em acervo de quase 200 mil exemplares”, conta. Ao contrário de alguns sebos que trabalham com foco em livros e publicações técnicas, voltado para estudantes das mais variadas áreas, como direito, odontologia e mesmo medicina, Conceição ressalta que nas livrarias da rede os romances estão sempre entre os mais vendidos. A livreira argumenta ainda que, como não poderia deixar de ser, a rede conta com diversas raridades em suas prateleiras. “Entre os livros raros, temos títulos da Lygia Fagundes Telles, do Gustavo Barroso e até uma primeira edição do romance Corpo de Baile, do Guimarães Rosa”, afiança.

Maristela Calil há 28 anos administra a Livraria e Antiquária Calil, um espaço dedicado à preservação de livros raros

Títulos leigos e técnicos Instalado nas proximidades da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na rua Quintino Bocaiúva, 285, a livraria José de Alencar é uma opção estratégica para quem procura livros de direito. O sebo, que nasceu no Bairro da Penha, na rua Benjamin Constant, há 15 anos, possui em seu acervo cerca de 100 mil exemplares. Para granjear esses títulos, o funcionário Oséias Viana informa que, além da procura habitual de interessados em vender ou trocar livros, realiza um trabalho de identificar e classificar diversas bibliotecas pertencentes a particulares, que por diferentes motivos pretendem se desfazer desse patrimônio. “Pessoas que são especialistas em suas áreas muitas vezes terminam por montar bibliotecas com um expressivo número de volume sobre os mais variados temas. Por vezes, quando essas pessoas vêm a falecer, seus familiares não querem ou não têm mais como ficar com os livros e nos procuram. Um exemplo que temos conosco é a biblioteca do grande processualista e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Moacir Amaral dos Santos”, relata. Além da área jurídica, Oséias declara que há muito procura por livros técnicos em geral, inclusive de literaturas recentes, uma vez que um grande número de pessoas, particularmente estudantes, se utiliza

Administada pela familia de Maria Conceição Gomes de Freitas, a rede de sebos Red Star começou em uma pequena banca de livros na Rua Brigadeiro Luiz Antônio da troca ou venda de livros para minimizar os custos de seus cursos. “A pessoa comprou, leu e já quer ou precisa comprar outro livro, então acaba vendendo ou trocando”, explica. Um amor de pai para filha “Mais que uma livraria sebo, um antiquário”, é assim que a proprietária da livraria Calil Antiquária, Maristela Calil, define a loja de livros antigos que há 28 anos herdou do seu pai, o livreiro libanês Calil Attalah, que iniciou o negócio no ano de 1944. Mas não foi só a livraria que Maristela herdou do seu pai; junto veio a paixão pelos livros, em especial livros antigos que tenham como tema o Brasil. “Literalmente cresci entre livros, tanto dentro como fora de casa”, afirma.

Além da compra e venda de livros usados, os sebos desenvolvem um importante trabalho de preservação de obras raras

“Aqui é um espaço agradável onde as pessoas entram e ficam à vontade, sem ninguém ficar perguntando que livro o cliente quer, ou se vai comprar alguma coisa. As pessoas vem e nós recebemos com muito carinho, o que faz com que a livraria Kalil seja um espaço diferenciado, que não é propriamente um sebo, prefiro ser qualificada com um antiquário” argumenta Maristela.

Uma excelente leitura para você e para o próximo passageiro - Dezembro|TAXICULTURA

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ESPECIAL A paixão de cuidar e preservar Para a proprietária da Livraria Calil, o trabalho das livrarias sebo vai muito além do comércio de livros usados. “Uma das especialidades desse trabalho é a preservação de livros”, declara Maristela. “Vivemos oitenta, noventa anos, e o que a livraria faz é cuidar desses livros, restaurando e encadernando, cuidando para deixar o exemplar em condições de leitura para mais trezentos anos, para as próximas gerações. Isso é importantíssimo, não é só ter o livro na estante”, finaliza.

Os visitantes têm à sua disposição centenas de milhares de títulos

Ex-lavrador, ex-garçon, Messias Antonio Coelho é o proprietário do Sebo do Messias, considerado hoje um patrimônio da cidade Maristela ressalta que, por possuir um acervo qualificado e com foco exclusivo em temas brasileiros, a Calil é objeto de consulta de um grande número de pesquisadores e colecionadores de livros antigos que, de algum modo, tenham foco no Brasil. Paradoxalmente à paixão por livros antigos, a livraria Calil é uma pioneira quando se trata em oferecer aos seus clientes o atendimento online, comum à grande maioria das outras livrarias sebo da cidade. “Quando instalei o sistema em 1997, falar em computador e internet era uma coisa do outro mundo. Os próprios livreiros reprovavam o que eu falava que era bom. Hoje, todo mundo está na internet”, relata Maristela. Amantes da arte e HQ Ainda para quem procura livros de arte e cultura, alguns estabelecimentos localizados na Rua Pedroso de Morais, como as livrarias Sebo Cultural, Dom Quixote, Alvorada e Universo, entre outros, podem ser excelentes alternativas. O sebo Flanarte, na Rua Sete de Abril, e o Corsário Alfarrabista, localizado na Rua Augusta, também são outras opções para o tema. Para aqueles que têm paixão pelas histórias em quadrinhos, uma excelente opção é a Rika Comic Shop. Localizada dentro da galeria Ouro Velho, a loja reúne todo tipo de quadrinhos. Além das HQs de super-heróis, os visitantes também podem encontrar material de terror e quadrinhos antigos que datam desde 1940, americanos e europeus.

Lojas/ Livraria Sebo Red Star Rua José Bonifácio, 210 - Sé Fone: 11 3105-2987 Rua Benjamim Constant, 48 - Sé Fone: 11 3101-3125 Sebo do Messias Praça João Mendes, 140 - Sé Fone: 11 3104-7111 Sebo José de Alencar Rua Quintino Bocaiúva, 285 - Sé Fones: 11 3112-1882 e 3104-3758 Sebo Nova Floresta Praça João Mendes, 25 - Sé Fone: 11 3242-3300 Livraria Calil Antiquária Rua Barão de Itapetininga, 88, 9º andar - República Fone: 11 3255-0716 Mania de Cultura Rua Doutor Rodrigo Silva, 34 - Sé Fone: 11 3107-1731 O Museu do Livro Rua Vieira de Morais, 897 - Campo Belo Fone: 11 5092-3872 O Corsarium Alfarrabista Rua Augusta, 1.492, loja 8 - Consolação Fone: 11 3284-1214 Livraria Sebo Cultural Rua Pedroso de Morais, 833 - Pinheiros Fone: 11 3031-6797 Sebo Dom Quixote Av. Pedroso de Morais, 824 - Pinheiros Fone: 11 3032-3001 Sebo Alvorada Av. Pedroso de Morais, 809 - Pinheiros Fone: 11 3815-7215 Sebo Universo Av. Pedroso de Morais, 824 - Pinheiros Fone: 11 3031-4801 Sebo Riachuelo Rua Riachuelo, 108 - Sé Fone: 11 3101-9162

Sebo Aliança Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 269 - Sé Fone: 11 3107-4809 Sebo Alternativa Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 2389 Jardim Paulista Fone: 11 3262-5228 e 3262-1117 Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 3450 Jardim Paulista Fone: 11 3887-5711 e 3052-3885 Av. Pedroso de Morais, 816 - Pinheiros Fone: 11 3031-0980 Sebo do Aurélio Av. Rio Branco, 325 - República Fone: 11 3224-8828 Flanarte Rua Sete de Abril, 264 - República Fone: 11 3129-5310 Sebo Liberdade Av. Liberdade, 86 - Liberdade Fone: 11 3115-1579 Sebo Machado de Assis Rua Álvares Machado, 50 - Liberdade Fone: 11 3115-2516 Rika Comic Shop Rua Augusta, 1371, sobreloja 10 e 11 Consolação Sebo Álvares Machado Rua Álvares Machado, 45 e 50 - Sé Fone: 11 3104-5093 Sebo Brandão Rua Cel. Xavier de Toledo, 234, sobreloja - República Fone: 11 3214-3646 Sebo Jurídico Central Rua Senador Paulo Egídio, 25 - Sé Fone: 11 3105-0520 Sebopédia Rua Líbero Badaró, 100 - Sé Fones: 11 3107-0774 e 3107-1831

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SÃO PAULO

UM MUNDO TODO Mauro Holanda

Por Cida Nogueira

Delícias do Natal

Elisangela Andrade

Cardápio especial para quem deseja aproveitar o melhor espírito natalino português, sem ter que encarar horas na cozinha

C

onhecida como uma dos maiores especialistas em gastronomia portuguesa de São Paulo, Ilda Vinagre, que comanda dois dos mais requisitados restaurantes da cidade, o A bela Sintra e o Trindade, desenvolveu para cada uma das casas, um cardápio exclusivo para quem deseja nestas festas de final de ano aproveitar o melhor de uma autêntica ceia portuguesa. Uma mesa de muitos aromas e sabores Tendo como referência o Ano de Portugal no Brasil, que teve seu início no último dia 07 de setembro, a ceia do A bela Sintra traz uma combinação especial de aromas e sabores, com uma entrada de carpaccio de melão com presunto Pata Negra, seguida por um bacalhau com miga de pão de ervas finas e frutos secos. Para aqueles que desejam uma alternativa ao bacalhau, Ilda Vinagre faz questão de ressaltar

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SÃO PAULO

UM MUNDO TODO Mauro Holanda

outros pratos da culinária lusitana, como, por exemplo, o pato com molho de framboesa; costeletas de cordeiro com arroz de brócolis; e o arroz de pato à nossa moda. Também fazem sucesso a cataplana de frutos do mar e o polvo à lagareiro. Para finalizar, a escolha fica entre uma torta de amêndoas com sorvete de baunilha; os tradicionais doces do convento como o pudim de queijo fresco; encharcada de fios de ovos ou a sericaia do Alentejo.

Arte que vai do prato ao ambiente

Mauro Holanda

Painel de Eduardo Kobra é destaque do restaurante Trindade

A entrada será uma salada de moela de pato confitado com vinagrete de laranja e o prato principal, bacalhau assado com jardineira de legumes e maionese de pimentões. Outra opção que vai estar disponível é o menu à la carte, composto por uma posta de bacalhau grelhado com batatas ao murro e brócolis; camarões à Trindade; arroz de polvo à Caio; filé de cordeiro à moda, entre outros. Para adoçar o final da noite de festa, torta de queijo com frutas secas, toucinho do céu, rocambole de chocolate com baba de moça ou canilhas de Santo Antônio. Com um espaço idealizado para receber confortavelmente os seus visitantes, o Trindade oferece um salão clean com estofados roxos, madeira rústica, luz natural através de claraboia, onde chama a atenção o painel de lona de caminhão do artista Eduardo Kobra, que retrata a Ribeira, bairro da cidade do Porto. Ao longo do pé direito alto, há um mezanino com espaço que comporta até 25 pessoas. Ao lado, se observa a bela adega suspensa e envidraçada com preferência para os vinhos com rótulos lusitanos.

Mauro Holanda

Para o restaurante Trindade, Ilda Vinagre foi buscar nas tradições do Alentejo a inspiração para o cardápio especialmente desenvolvido para a ocasião e que será servido na ceia do dia 24 e no almoço do dia 25 de dezembro.

Decoração moderna de A bela Sintra traz charme e requinte num ambiente amplo e confortável Divulgação - Trindade 23

A casa, que flerta com ares portugueses e modernidade, tem decoração assinada pelos arquitetos Miguel Vigil e Toninho Noronha, que utilizaram elementos lusitanos como o cobre, madeira e pedras nos detalhes e também apostaram nos espelhos em pontos estratégicos para imprimir charme e permitir uma visão ampla do ambiente. No salão há um espelho d’água composto por um jardim com palmeiras, onde foram posicionadas as mesas mais reservadas.

Onde Comer: A BELA SINTRA

Rua Bela Cintra, 2325 - Cerqueira César Fone: 11 3891-0740 www.abelasintra.com.br

TRINDADE

Rua Amauri, 328 - Itaim Bibi Fone: 11 3079-4819 | 3079-4861 www.trindaderestaurante.com.br

leitura de bordo dos taxis paulistanos - Dezembro|TAXICULTURA

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BELEZA Divulgação

Por Daniela Gualassi

Prepare-se: lá vem sol Divulgação

O verão está chegando e nada melhor do que aproveitar as delícias que a estação oferece. Mas lembre-se de proteger muito bem a sua pele!

Os cânceres de pele correspondem a 25% dos tumores malignos registrados no Brasil

Dra. Camila Haufbauer orienta o uso diário de protetor solar

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C

om a entrada em cena do verão, todo mundo não vê a hora de curtir a sua praia, piscina e passeios ao ar livre. Mas não se iluda, pois, aliados às radiações solares, diversos agentes externos como poluição, ar condicionado e fumaça de cigarro podem danificar seriamente a sua pele, além de provocar o seu envelhecimento precoce. Nunca é demais lembrar que a cada ano os níveis de radiação solar UVA e UVB ficam mais intensos, aumentando a agressão à derme, camada mais profunda da pele, como também da epiderme, camada mais superficial, podendo resultar em queimaduras de diferentes graus e o surgimento de câncer de pele.

TAXICULTURA|Dezembro - é leitura de bordo dos taxis paulistanos


BELEZA

Para minimizar esses danos, a Dra. Camila Haufbauer orienta o uso diário de protetor solar, mesmo para quem está dentro de sua rotina de trabalho na cidade, tanto no verão, como também no inverno. ”Quem pensa que deve usar o protetor solar apenas quando vai para a praia está completamente enganado. O fator 30, por exemplo, pode ser ideal pra quem trabalha em escritório, quando as pessoas devem aplicar uma vez ao dia antes de sair para almoçar. Quem tem uma atividade mais intensa ao ar livre, a aplicação deve ser feita a cada duas ou três horas, enquanto tiver luz solar”, recomenda a especialista.

Portanto, é muito importante você conhecer o seu tipo de pele para melhor se proteger do sol. Peles secas exigem uma loção mais cremosa, já as oleosas, o uso

De acordo com estudos realizados pelos principais laboratórios, o fator de proteção do protetor solar (FPS) fica garantido desde que seja feita a aplicação de dois miligramas do produto em cada centímetro quadrado do corpo. Portanto, no momento de utilizar o protetor, agite bem o produto para garantir que os ingredientes estejam bem homogêneos e aplique em todas as áreas do corpo

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A dermatologista alerta ainda que, embora todas as áreas do corpo que ficam expostas aos raios solares devam necessariamente receber proteção, o rosto sempre merece um cuidado especial. “Alerto sempre meus pacientes que a atenção com o rosto deve ser maior. Por isso, é importante verificar as informações do produto para escolher um protetor indicado para cada tipo de pele”, explica. “Algumas pessoas têm pele oleosa, os homens com barba, por exemplo, não gostam de usar um protetor muito gorduroso”, continua.

Cuidados na aplicação

que podem ser expostas ao sol. Certifique-se que seja formada uma película protetora sobre a sua pele. Vale lembrar que o Inca - Instituto Nacional de Câncer orienta o uso de protetores solares com pelo menos 30 minutos de

de loções em gel e oil free. Quem possui um tipo de pele normal, geralmente se adapta às diferentes opções. Pessoas de pele negra não estão isentas de proteção e devem usar pelo menos um com fator 15.

antecedência à exposição ao sol. Redobre

Não se esqueça de verificar se o protetor solar é capaz de bloquear os raios UVA e UVB. Essa escolha sempre deve ser cuidadosa, pois, mais do que a sua vaidade, o que está em jogo é a sua saúde.

rarmos que os cânceres de pele corres-

o cuidado com as crianças e tanto nelas, quanto nos adultos, aplique a loção antes de sair de casa e reaplique todas as vezes

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O protetor ideal para cada tipo de pele

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Proteção é para todo dia

que entrar na água ou transpirar bastante. O cuidado não é exagerado se considepondem a 25% dos tumores malignos registrados no Brasil. Aproveite para curtir a melhor estação do ano, mas com proteção total.

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QUALIDADE

DE VIDA

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Por Fernanda Monteforte

Motivação: força que impele à ação Uma mesma situação pode ser interpretada como um grande problema ou uma grande oportunidade

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realidade nada mais é do que a leitura que se faz dela. E é importante notar que, normalmente, o que define essa ótica e as escolhas que fazemos a partir dela não são os resultados externos, mas sim, o movimento interno que nos impele à ação: aquilo que nos motiva.

Fernanda Monteforte é consultora de qualidade de vida e ministra aulas do Método DeRose Maiores informações: Tel.: 11 4125-6658 fernanda.monteforte@ metododerose.org

Como uma força intrínseca, seu combustível depende de sonhos e desejos individuais que devem ser respeitados de forma a preservar o que o ser humano tem de mais digno, íntegro e precioso, que é a sua liberdade de escolha. Ao mesmo tempo, algo que motive visceralmente uma pessoa pode ser enfadonho para outra e, via de regra, os estímulos externos não são capazes de mudar esse panorama. O entusiasmo não pode ser comprado Quem já educou seus filhos deve lembrar que uma criança se sente muito mais motivada quando percebe o valor humano naquilo que faz. Quando despertamos em nossos filhos a satisfação de cumprir uma tarefa, como, por exemplo, contribuir na organização do lar como uma gostosa brincadeira, tendo

prazer em fazer uma atividade bem feita, os resultados se tornam muito mais efetivos, do que quando simplesmente lhe ofertamos um presente. O presente pode até suprir uma expectativa imediata, mas não gera uma mudança de comportamento perene. Como eternas crianças, ao longo da vida, percebemos que o dinheiro é extremamente importante, mas, como o presente, não é suficiente para lastrear a motivação. Nossa ambição em suprir os anseios internos é maior que uma simples recompensa e a relação com o dinheiro se torna muito mais prazerosa quando ele se torna consequência, fruto de um trabalho bem feito. O prazer de assumir desafios Motivados, sentimo-nos capazes de inovar, criar, realizar desejos, experimentar o novo, alcançar o que para muitos seria impossível. Quando a ação encontra eco no coração, vivenciamos a vontade de mudar e produzimos a capacidade de empreender novas oportunidades sem medo de arriscar, nem tampouco, de errar. E, quando erramos, aprendemos. Cada percalço amplia a experiência e nos fortalece para conquistarmos excelência para nos tornarmos cada dia melhores naquilo que fazemos. Quando buscamos a concretização dos nossos ideais e preservamos os nossos valores internos, assumimos as rédeas da nossa vida, uma experiência de grande valia e prazer. Como certo dia filosofou um amigo, tornamo-nos capazes de extrair o “S” da palavra CRISE. Motivados, nos imbuímos de poder interno para recriar a nossa realidade.

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BANDEIRA

LIVRE

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PorWaldir Martins

São Francisco Xavier

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Esse pequeno distrito de São José dos Campos, praticamente dentro do espaço urbano da cidade, oferece ao visitante contato com uma natureza selvagem e exuberante

ergulhado em um vale da Serra da Mantiqueira, com uma área de 322 km², São Francisco Xavier fica a apenas duas horas e meia da cidade de São Paulo e mantém todas as características de um pequeno povoado do interior, onde tradições como o artesanato típico e as festas religiosas atraem um número expressivo de turistas. Área de proteção ambiental, São Francisco é o destino de pessoas que buscam o turismo contemplativo e a prática de esportes radicais, oferecendo aos visitantes desde passeios leves, com cavalgadas, caminhadas e visitas às cachoeiras da região, bem como atividades mais radicais como pedaladas na montanha, tirolesa e trekking, onde a aventura é garantida. O distrito possui também uma rampa de voo livre e vários pontos com altitudes apropriadas

para praticar paraglider, além de diversos rios e córregos apropriados para a canoagem. O circuito das artes São Francisco Xavier possui quatro ateliês Arte da Roça, Tânia Negrão, Manacá da Serra e o Ateliê de lãs Máscaras - onde os visitantes poderão ter acesso a trabalhos desenvolvidos com diferentes técnicas, como, por exemplo, reproduções de flores nativas e exóticas da Mata Atlântica em compensado e alto relevo em epóxi, com pinturas tão perfeitas que se confundem com as flores e folhas originais da natureza, ou ainda peças de cerâmica utilitárias e para decoração, feitas manualmente e queimadas em fornos de alta temperatura. Único em seu gênero na América Latina, Estados Unidos e Canadá, o Ateliê de lãs Máscaras confecciona máscaras venezianas, mito-

lógicas greco-romanas e de teatro commedia dell’arte. Cada máscara é uma peça de arte exclusiva destinada à decoração residencial e uso pessoal, produzida por meio de antiga técnica veneziana de empapelamento, conhecida como Cartapesta. Turismo em harmonia com a natureza Para atender o aumento da procura por São Francisco, tanto pelas suas festas tradicionais como para o turismo ecológico, o distrito dispõe de uma excelente infraestrutura, onde o visitante poderá encontrar uma variedade de pousadas e até áreas de camping. Um fenômeno que vem marcando a cidade é o expressivo número de pessoas que, após conhecer a região, constroem casas de campo, devido ao delicioso clima de montanha. “Quem ainda não conhece São Francisco

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São Francisco Xavier integra o Circuito Turístico da Mantiqueira e tem como atrativos a natureza exuberante, eventos e festas

Xavier precisa programar uma visita. Quem já conhece, sempre volta e indica aos amigos. É um lugar maravilhoso, calmo e encantador, onde a natureza e a receptividade do povo local deixam os frequentadores muito à vontade”, relata Agnes Pereira Rogério, chefe da divisão de Turismo da Prefeitura de São José dos Campos.

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Praça Cônego Antonio Manzi Os moradores usam a praça para encontros, feiras de artesanato e atividades culturais e de lazer. Cachoeira pública Pedro David Com 15 metros de altura, em várias quedas, tem estrutura com vestiários, banheiros, área para alimentação e playground. Serra do Queixo D’Anta Fica a 1.740 metros de altitude, na divisa com Sapucaí-Mirim (MG), e tem vista panorâmica para cidades do Vale do Paraíba.

Pico do Selado É o ponto mais alto do município, com 2.082 metros de altitude. Localizado nos limites com Camanducaia (MG) e Joanópolis, é ideal para a prática de alpinismo. No inverno, a temperatura fica entre 5 e 12 graus negativos, com eventual queda de neve. Pedra Redonda Excelente para o alpinismo sem equipamentos, a Pedra fica a 1.925 metros de altitude, no limite com Camanducaia e Serra do Selado. Pedra Chapéu do Bispo Está a 1.913 metros de altitude e é excelente local para alpinismo sem equipamentos, alcançando temperaturas de 12 graus negativos no inverno.

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Principais atrações

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Dentro de um processo de fortalecimento do turismo local, o distrito passou a integrar o Circuito Turístico da Mantiqueira, investindo em diferentes eventos, como o Festival Literário Mantiqueira, que ocorre entre os meses de maio e junho; a Semana do Meio Ambiente, também no mês de junho, além da festa de aniversário do distrito, que acontece no mês de agosto.

Como chegar

Pedra Pouso do Rochedo Localizada a 1.300 metros de altitude, na Serra de Santa Bárbara, oferece paisagem de águas límpidas, ligeiras, por entre pedras, que formam piscinas naturais e pequenas quedas.

Pela Via Dutra - Vindo de São Paulo Siga até São José dos Campos e pegue a saída do Km152; siga pela marginal da rodovia, passe por baixo do viaduto e pegue a alça de acesso do mesmo. Basta seguir as placas para SFX.

Cachoeira do Roncador

Pela Ayrton Senna - Vindo de São Paulo Siga até o Km 96 da Carvalho Pinto, acesse a Rodovia dos Tamoios (SP 99) no sentido São José dos Campos, e entre no anel viário. A partir daí é só seguir as placas.

Tem 45 metros de altura e fica na confluência do Ribeirão Roncador com o Rio do Peixe. Pouso do Rochedo Trilha com oito quedas de cachoeira.

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TAXICULTURA|Dezembro - leitura de bordo dos taxis paulistanos


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Caminhar para se divertir, para conhecer ou ver, de form

Parque do Guarapiranga e Solo Sagrado

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Realizada no dia 25 de novembro O Parque Ecológico Guarapiranga é lugar de boas surpresas. Seu Museu do Lixo, com incríveis objetos retirados da represa - de carro a fotocopiadora... contrasta com a Trilha da Vida que, realizada de olhos vendados, convida a refletir sobre nossa relação com nós mesmos e com o mundo. De lá, o belo percurso em barco pelas águas da Guarapiranga, mostrou-nos um espaço ainda a ser devidamente desfrutado pelos paulistanos: nem só de concreto vive o homem! Para fechar, na outra margem, enquanto em Interlagos as máquinas “voavam”, caminhávamos tranquilos pelo Solo Sagrado com seus jardins, lagos, carpas e construções, contemplando e desfrutando da representação do paraíso na terra, imaginado por Mokiti Okada, também conhecido como Meishu-Sama (“Senhor da Luz”, em português).

Informações e inscrições


Dia 16 de dezembro Manhã de domingo. Ótimo dia e horário para caminharmos pelas ruas de São Paulo, em grande estilo. E o Clube da Caminhada preparou um roteiro emoldurado pelas obras de Ramos de Azevedo, arquiteto que marcou a paisagem e a cultura paulistana com obras como Theatro Municipal, Pinacoteca e Casa das Rosas, dentre tantas outras. Sobre as obras conhecidas, é uma oportunidade para revermos detalhes sob outros ângulos; para as que não conhecemos, vale pelas surpresas que a cidade guarda ao alcance de todos. É para ver, curtir, fotografar e levar na memória afetiva que temos pela pauliceia desvairada. E, falando em memória afetiva, não por acaso a caminhada terminará no Mercado Municipal, ótimo lugar para celebrarmos os encontros de 2012 e bendizer ano novo que se avizinha.

www.clube da caminhada.com.br Tel.: 11 3294-9373 E-mail: fale@clubedacaminhada.com.br www.facebook.com/clubedacaminhada http://tinyurl.com/clubedacaminhada

Marcelo deOliveira

São Paulo através das obras de Ramos de Azevedo

lubasi

Próxima Parada

Angelo Perosa

rma diferente, outros lugares, outras caras, outras tribos


MORAR

BEM

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Por Cida Nogueira

Casa H, do arquiteto Figueira de Mello, no interior paulista, é um oásis para o convívio familiar e receber amigos

Os ambientes combinam elementos naturais como pedra e madeira, com sofisticadas peças de decoração

Madeira e vidro com todo estilo Projeto de casa aposta na integração de vidro e madeira para harmonizar jardins e interiores

D

esenvolvido pelo arquiteto Erick Figueira de Mello, o projeto da Casa H, com sua área externa de 1.100 m², aposta na perfeita harmonia que o vidro e a madeira oferecem quando se pretende buscar alternativas para integrar os mais diversos ambientes.

Sempre trabalhando com soluções práticas e funcionais, Figueira de Mello optou por uma

construção térrea com ambientes planos, voltados tanto para o convívio em família, quanto para receber muitos amigos.

Integrar ambientes Aproveitando-se do fato de estar dentro de uma fazendo no interior paulista, rodeado por verde e integrando interiores e jardins, o projeto, personalíssimo, apresenta uma construção no formato da letra H, que é a inicial do sobrenome do proprietário. Mais do que uma simples vaidade, a estrutura, ousada e inovadora, limita em cada um de seus “braços” os ambientes de uso social e íntimo, oferecendo a interligação dos espaços de lazer e

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TAXICULTURA|Dezembro- Uma excelente leitura para você e para o próximo passageiro


MORAR

BEM Divulgação

estar. Ao mesmo tempo, quando desejado, resguarda a privacidade dos moradores. A ligação do H é feita por um hall envidraçado até mesmo no teto, de onde pendem cortes de linho para quebrar a luminosidade intensa. O vidro da cobertura é conjugado a um pergolado de alumínio rodeado por lindos jardins e um lago.

Transparência e visibilidade O aspecto que predomina em todos os ambientes é rústico-chique, com o uso abundante de vidro e uma singular combinação de elementos naturais como pedra e madeira com sofisticadas peças de decoração. Além disso, a aplicação de transparências nas janelas e portas permite um maior e melhor alinhamento da madeira, usada em abundância por toda a casa. Com tons amenos, o material está no revestimento de paredes, junto à lareira, em uma parcela do piso interno e externo, nas

Junto à varanda e um extenso gramado, a piscina está no limite da área construída

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esquadrias, no forro e em parte dos móveis. “Sempre uso madeira, pedra e vidro; elementos naturais são as características dos meus projetos. Madeira dá calor, é um material nobre e nacional. Para compor o desenho desta casa, a variedade escolhida foi a garapeira”, explicou Figueira de Mello.

O prazer de ser e o estar A varanda da piscina é ligada ao home theater. Essa grande área externa possui um espaço gourmet e, em uma de suas extremidades, abriga ainda uma sauna. Além do home theater, outras salas se voltam ao ambiente de descanso que percorre toda a fachada principal, ao lado da piscina. A decoração da casa foi escolhida pelos próprios moradores. O destaque fica para a sala de estar, onde o duo de poltronas do modelo Diz, de Sérgio Rodrigues, é combinado à tela Avenida São João, assinada por

A sala de estar é decorada com um duo de cadeiras do modelo Diz, de Sérgio Rodrigues, e lareira com acabamento em madeira ebanizada

Divulgação

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Eduardo Kobra, e à luminária de piso Arco, da Wall Lamps.

O hall tem amplas portas envidraçadas

De frente para jardins exuberantes, a ampla varanda acompanha toda a fachada da porção social da residência

leitura de bordo dos taxis paulistanos - Dezembro|TAXICULTURA

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AGENDA Dezembro EVENTOS

Galeria L’Oleil

Teatro Oficina

“É tudo nosso” A exposição de artes visuais está na galeria L’ Oleil, na Aliança Francesa, desde 11 de novembro, trazendo fotos, gravuras, pinturas, utilizando materiais e técnicas diversificadas, e ainda vídeos e performances. A mostra conta com 70 artistas, entre eles, Jaime Prates, fundador do coletivo Tupinãodá, Carlos Mossman que, além de trabalhar na São Paulo Fashion Week, realizou o movimento Hot Spot, Flávia Lemos, que usa como suporte para o seu trabalho a cerâmica, a consagrada fotógrafa de moda Bia Ferrer, os multiartistas Ida Feldman e Gilberto Garcia. Juntamente com a exposição, o professor Luiz Bayón Torres reuniu mais de 30 artistas em uma instalação chamada Símbolos, projeto que visa explorar temas de livre interpretação, com peças produzidas em resina. A curadoria é de Danilo Blanco e Fernando Zelman.

ACORDES A Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona do diretor José Celso Martinez Correa está em cartaz na cidade com o espetáculo Acordes, uma versão livre da ópera de Bertold Brecht e Paul Hindemith “Das Badener Lehrstück Vom Einverständnis“, escrita no ano de 1929. O novo musical dirigido por José Celso, e com codireção de Catherine Hirsh, Marcelo Drummond e Camila Mota, segue até 23 de dezembro, sempre às sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h.

Projeto Guri apresenta espetáculo “Calungá”, com Naná Vasconcelos O Projeto Guri, programa de formação musical do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura, apresentará no dia 16 de dezembro (domingo), às 17h, no Teatro Sergio Cardoso, o espetáculo “Calungá - o mar que separa é o mar que une”, com a participação especial do percussionista Naná Vasconcelos. O espetáculo aborda o universo afro-brasileiro e evoca a travessia dos escravos negros até o Brasil. O mesmo mar que os separou de seu continente, uniu povos e agregou influências, deixando como herança a contribuição para a formação da identidade cultural brasileira. Com entrada gratuita, o show marca lançamento do DVD do espetáculo, que também será distribuído gratuitamente aos espectadores. Teatro Sergio Cardoso Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista 16 de dezembro (domingo), às 17h Entrada franca http://www.apaacultural.org.br/sergiocardoso

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Teat(r)o Oficina Rua Jaceguai, 520 - Bixiga Fone: 11 3106-2818 Até 23 de dezembro Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia) e R$ 10,00 (moradores do Bixiga, mediante comprovação de residência; clientes do cartão Petrobras e acompanhante; e para quem for de bicicleta)

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Teatro Sergio Cardoso

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Galeria L´Oleil Av. Santo Amaro, 3921 - Brooklin Fone: 11 97251-0145 Até 15 de dezembro de 2012 De segunda a sexta, das 9h às 21h Aos sábados, das 9h às 12h Entrada franca

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EVENTOS

Instituto Moreira Sales As origens do Fotojornalismo - O Cruzeiro Não tem como falar em fotojornalismo no Brasil sem citar a revista O Cruzeiro. Pioneira em fotorreportagens, foi lançada em 1928 tornando-se um influente veículo de comunicação e formadora da opinião pública. A exposição relata um pouco sobre a história da revista entre os períodos de 1940 a 1960, abordando a temática indígena, cultural e política. A curadoria da mostra é da professora e curadora do Museu de Arte Contemporânea da USP, Heloise Costa, e de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles. A exposição que ficou em cartaz no Rio de Janeiro e Poços de Caldas-MG está em São Paulo desde de 23 de novembro de 2012. Instituto Moreira Salles Rua Piauí, 844, 1º andar - Higienópolis Fone: 11 3825-2560 Até dia 31 de março de 2013 De terça a sexta, das 13h às 19h Sábado, domingo e feriado, das 13h às 18h

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EVENTOS MAC USP

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Choque Cultural Portais Dimensionais Visíveis a Olho Nu O artista paranaense Rafael Silveira expõe seu mais novo trabalho “Portais Dimensionais visíveis a olho nu” na galeria Choque Cultural. Rafael utiliza uma mistura de surrealismo e figuras dos comix dos anos 50 e 60 trazendo muita autenticidade para seu trabalho, que já é considerado um grande expoente da atualidade. Sobre a sua obra, o artista relata que “visualmente há uma mistura de parque de diversões e circo com gabinetes de curiosidades”. Outro diferencial é que o próprio artista entalha suas molduras, esculpindo e ornamentando-as. Também compilou um livro, em 2007, chamado “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais”, pela editora Arte e Letra. A exposição teve início no dia 21 de novembro e ficará até 22 de dezembro.

MAC USP Rua da Praça do Relógio, 160 - Cidade Universitária Fone: 11 3091-3039/3328 De 29 de novembro a julho de 2013 Terça e quinta, das 10h às 20h Quarta, sexta, sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h

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Caixa Cultural

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BGA - Brazil Golden Art A mostra BGA - Brazil Golden Art traz 70 artistas brasileiros contemporâneos e será inaugurado no dia 14 de dezembro no MuBE (Museu Brasileiro de Escultura e Exposição). A coleção da Golden Art é a primeira a receber fundo de investimento do Brasil, tendo como objetivo principal construir uma coleção que represente parcela significativa da arte contemporânea brasileira, valorizando assim o seu trabalho. Participam deste projeto artistas de destaque como Adriana Varejão, Ernesto Neto, Janaína Tschäpe, Luiz Zerbini, Waltercio Caldas, entre outros. A exposição vai até 03 de janeiro e segundo Heitor Reis, sócio-fundador da BGA Investimentos, o mercado internacional está vendo com bons olhos o trabalho dos artistas brasileiros.

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MuBE

Folhas de Viagem Exposição da artista francesa Laura Martins, dos brasileiros Bartolomeo Gelpi, Gustavo von Ha e do coletivo formado pelos artistas Guilherme Fogagnoli, Maíra Endo e Samantha Moreira, estará a partir de no MAC USP (Museu de Arte Contemporânea na Universidade de São Paulo). O olhar que a fotógrafa Laura tem sobre as diferenças estruturais da cidade resultaram em trabalhos intitulados como “Uma cidade para todos” e “Palavras que nós carregamos, palavras que nos carregam.” Para Bartolomeo Gelpi, a inspiração se baseia no autorretrato de Amadeo Modigliani, do acervo do MAC USP, que está exposto nesta mostra. A influência das cores de Tarsila do Amaral, na fase Pau-Brasil, marca o trabalho de Gustavo von Ha.

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Choque Cultural Rua João Moura, 997 - Pinheiros Fone: 11 3061-4051 Até 22 de dezembro De terça a sexta, das 11h às 18h Sábado, das 15h às 18h

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Klumb: A Corte do Brasil É conhecida a lenda que o Imperador D. Pedro II não era muito dado aos assuntos políticos de sua época e sim na descoberta de novas tecnologias e das transformações pelas quais a cidade sofria em seu desenvolvimento. Deste interesse surge a ideia de contratar o fotógrafo alemão Revert Henry Klumb, que passa a acompanhar a vida na Casa Imperial, registrando o cenário e o cotidiano no final do século XIX. Os acervos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e do Museu Imperial de Petrópolis estão sendo expostos juntamente na Caixa Cultural São Paulo. Além das fotografias, a exposição será composta por imagens litografadas (técnica usada para baratear os custos do uso da fotografia) e uma série de estereoscópias (série que empregava um recurso ótico que simulava o 3D). Caixa Cultural Praça da Sé, 111 - Centro Fone: 11 3321-4400 Até 06 de janeiro de 2013 De terça-feira a domingo, das 9h às 21h

MuBE - São Paulo Av. Europa, 218 - Jardim Paulista Fone: 11 2594-2601 De 14 de dezembro a 3 de janeiro De terça a domingo, das 10h às 19h

leitura de bordo dos taxis paulistanos - Dezembro|TAXICULTURA

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Crônicas de uma São Paulo que ninguém vê

HORIZONTE

Ilustração e texto: Ivan Fornerón

VERTICAL

UM AMOR LUSCO-FUSCO

E

la ligou pra Eletropaulo a fim de reclamar sobre um problema de luz na rua. Mesmo antes de ouvir a informação já foi contando toda a história, que era uma escuridão tremenda e que ela tinha medo até pra colocar o lixo fora. É tão escuro que quando venta eu nunca sei se são passos de gente andando ou alguém sussurrando pra mim, dizia, você acha que eu posso viver assim? Faz mais de um mês que a luz do poste tá queimada, liguei várias vezes e ninguém toma uma providência!

Sabe, eu levantava numa perdição só, abria a janela e ficava me sentindo uma mariposa enfeitiçada com a luz

Do outro lado da linha, um funcionário calmo e atencioso tentava orientá-la, mas só depois de algum tempo conseguiu falar. Minha senhora, a iluminação da rua é de responsabilidade da Prefeitura, mais precisamente do Ilume, o Departamento de Iluminação, é pra lá que a senhora deve ligar. Eu sei, ela disse, eu já fiz isso, mas não adiantou, inclusive piorou, você acredita? Piorou como, ele quis saber, eles não atenderam a sua solicitação? Atenderam sim, ela respondeu, atenderam bem demais até, só que pra pior. Imagine você que a luz que eles colocaram era tão forte, mas tão forte que tava me cegando. Então eu tornei a ligar pra pedir que eles mudassem a lâmpada por uma mais fraca... Mas minha senhora... Não, peraí, me escuta: a luz entrava em casa de tal jeito que eu já não conseguia mais ficar à vontade, e me sentia invadida, completamente vigiada. Além do mais, você quer saber? Nem te conto da bruta insônia que tava me dando. Você tá me ouvindo? Tô, sim, senhora. Ah, você é tão gentil! Como é que você se chama mesmo? Luis Antônio, senhora. Então Luis Antônio, a luz entrava pelos vãos da minha janela, parecia raio de sol. Você imagina isso, Luis Antônio? Meia-noite eu levantava pensando que era meio-dia, meu filho! Sabe, eu levantava numa perdição só, abria a janela e ficava me sentindo uma mariposa enfeitiçada com a luz. Já tenho idade,

meu filho, eu quero é paz nessa minha vida! Se eu soubesse que ia ser isso, não tinha pedido nada! Senhora, a senhora quer o telefone do Ilume? Já tenho todos os telefones de lá, Luis Antônio, e pode me chamar de Marisa, viu? E eu já resolvi o problema com eles... eu tinha avisado, fazia mais de mês que eu tava reclamando e nada. Aí eu falei: se vocês não trocarem a lâmpada eu vou atirar pedra! Mas minha senhora, isso é vandalismo! Vandalismo? Vandalismo é invadir a vida de uma mulher recatada como eu! Além do mais, nem fui eu que quebrei. Pedi pros garotos da rua, dei uns trocados... Luis Antônio, que pontaria tem essa meninada, viu? Benza Deus! Minha senhora... Marisa, Luis Antônio, Marisa! Dona Marisa... Só Marisa, Luis Antônio! Tudo bem, Marisa, por que a senhora fez isso? Porque a vida é assim, Luis Antônio, acende, apaga, acende, apaga... Você sabia que antigamente era tudo lampião? Coisa mais linda! Dona Marisa... Você tem a voz tão bonita, Luis Antônio! Quer vir tomar um café? Quando você pode?

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Taxicultura - Edição 17  

A revista do passageiro