Portimão Jornal nº 34 | 07.10.2021

Page 1

Quinta-feira • 7 de outubro 2021 • 1.00€

Campeão Jody Lot quer voltar a ser número um É uma referência da pesca submarina e quer repetir os títulos europeus de 2011 e mundiais de 2012 e 2018. P8-9

Quinzenário • Ano 2 • Nº34 Diretor: Rui Pires Santos

SOCIEDADE

EVENTO

Estacionamento paga ambulância aos Bombeiros P3

Feira de S. Martinho deve regressar em novembro P16

POLÍTICA

DESPORTO

Carlos Natal desafia Ventura na liderança do Chega P15

Portimonense fez história ao derrotar Benfica na Luz P12

Novo conceito de pastelaria faz sucesso na cidade Uma francesa e um inglês abriram um negócio em plena pandemia e já conquistaram a ‘boca’ dos portimonenses. P11

João Vieira: Um percurso marcado pelas 'lides' políticas P6-7 AUTÁRQUICAS 2021

Portimão dá maioria ao PS Isilda Gomes saiu vencedora das eleições de 26 de setembro e conserva maioria absoluta dos socialistas, cumprindo os objetivos da sua candidatura. PSD mantém-se como segunda força política do concelho e coligação 'Portimão Mais Feliz' ficou aquém das expetativas. Chega elegeu um vereador e Bloco de Esquerda perdeu o representante que tinha na vereação camarária. P4-5

39.88%

17.54%

13.03%

10.16%

6.82%

5.11%

3.07% PUB


PUB

PUB


P3

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

ATUALIDADE

Valor foi angariado com a exploração do parque

Bombeiros compram ambulância com verbas de estacionamento D.R.

Receitas de vários anos permitiram adquirir a viatura que custou 60 mil euros.

A

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portimão conseguiu angariar, ao longo de vários anos, o valor necessário para adquirir uma nova ambulância, com a exploração do parque de estacionamento na Praia da Rocha, junto à Marina. As receitas alcançadas na época estival, este ano, permitiram que a entidade conseguisse completar o valor que necessitava para cumprir este objetivo da Direção para 2021. Esta compra está incluída no programa de modernização da frota de meios na área da emergência pré-hospitalar proposto pelo comando, explica a Associação em nota de imprensa. “O investimento, sustentado e consciente, sem criar dívida na instituição, só foi possível graças ao equilíbrio financeiro que, nos últimos anos, foi alcançado, através de uma gestão criteriosa dos orçamentos, os quais têm permitindo apostar na requalificação e

ampliação dos meios técnicos essenciais à intervenção do Corpo de Bombeiros”, a par da ampliação do quartel e destacamentos, onde se evidencia “a segurança coletiva e individual” destes soldados da paz, sublinha a Direção. Com estas verbas complementares, que resultam do apoio da comunidade, acrescidas dos apoios da Câmara Municipal de Portimão, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e das receitas da Associação, “tem sido possível ir mais além na capacitação operacional do Corpo de Bombeiros, aumentando o nível de resposta em quantidade e qualidade, procurando as melhores soluções para fazer face aos riscos coletivos do concelho”, justifica a mesma entidade. Segundo detalha ainda, a área da emergência médica assume cerca de 60 por cento da atividade operacional e exige um empenhamento significativo de meios e recursos. Desde o início do ano 2021

Nova viatura era um objetivo para este ano da Direção da Associação Humanitária foram registadas mais de cinco mil ocorrências de âmbito pré-hospitalar, muitas vezes exigindo o empenhamento de quatro a cinco ambulâncias em simultâneo, tri-

De 10 a 30 de outubro

Edição ‘2 em 1’ da ‘Mamamaratona’ será virtual As inscrições para a ‘Mamamaratona 2021’ estão abertas, podendo os interessados efetuá-las online no site do evento. Esta será uma iniciativa, com atividades na maioria virtuais, que decorrerá entre 10 e 30 de outubro. Com ações virtuais e presenciais, estas últimas respeitando as normas e indicações da Direção-

-Geral da Saúde, os participantes podem ainda inscrever-se no dia 7 outubro, no quiosque de informações do Aqua Portimão, entre as 10h30 e as 13h00 e das 14h00 às 16h30. O programa poderá ser consultado online (www.mamamaratona.com). A participação custa a partir de um euro, sendo o valor do do-

nativo livre, e contempla a oferta de um dorsal oficial do evento. Quem quiser, segundo a Associação Oncológica do Algarve, que promove a ação, poderá adquirir um kit solidário, com mochila, t-shirt e outros artigos promocionais de edições anteriores do evento, também com valor de donativo à escolha.

Esteve atracada para visitas na zona ribeirinha

Caravela Vera Cruz visitou Portimão Uma das embarcações mais importantes nas viagens portuguesas dos séculos XV e XVI esteve atracada na zona ribeirinha da cidade, dando a oportunidade de visitá-la e ficar a conhecer melhor as técnicas de navegação dos portugueses, as rotas comerciais e de exploração ou a vida a bordo das caravelas. Entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, a réplica daquele que foi o “mais importan-

te navio português do século XV”, a Caravela Vera Cruz foi vista por diversos alunos de escolas portimonenses e residentes. A entidade responsável pela iniciativa é a Associação Portuguesa de Treino de Vela (Aporvela) e esta iniciativa faz parte do projeto transfronteiriço ‘Magallanes_ICC Indústrias Culturais e Criativas’, da qual a Direção Regional da Cultura do Algarve é parceira.

puladas por bombeiros habilitados nesta área da emergência médica. Aliás, a Associação Humanitária afirma que este corpo de Bombeiros Voluntários portimo-

nense está entre as dez corporações no país com maior atividade operacional no que diz respeito ao Sistema Integrado de Emergência Médica.

Artista plástica Joke van der Steen

Casa Manuel Teixeira Gomes expõe ‘Diversidade de estilos e composições’ A mostra de pintura ‘Diversidade de estilos e composições’, da artista plástica Joke van der Steen, estará patente até 28 de outubro, na Casa Manuel Teixeira Gomes. A autora nasceu na Holanda, mas escolheu o Algarve para viver há vários anos. Quando começou a pintar, aos 45 anos, iniciou-se num estilo realista, tendo evoluído para uma forma mais abstrata. O espaço pode ser visitado de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 16h30, de forma gratuita.

Prémio de ‘Melhor Carreira Jovem’ FILIPE DA PALMA/CM PORTIMÃO

Daniela Silvestre vence ‘Hospitality Education Awards’ A formadora da Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão Daniela Silvestre venceu o prémio ‘Melhor Carreira Jovem’ dos prémios ‘Hospitality Education Awards’, no dia 27 de setembro. Técnica especializada na área da Gestão e da Restauração e Bebidas naquele estabelecimento tutelado pelo Turismo de Portugal, a jovem é licenciada em Gestão e está a concluir o mestrado em Direção e Gestão Hoteleira na Universidade do Algarve. O objetivo destes prémios é contribuir para a dignificação das profissões no setor do turismo e estimular a melhoria da qualidade formativa, com o intuito de dar resposta às necessidades das empresas nacionais.


P4

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

POLÍTICA Longa noite deu a vitória por maioria ao Partido Socialista

Isilda Gomes vê renovada confiança dos portimonenses PS voltou a ganhar a Câmara e Assembleia Municipais e as três Freguesias. Para o executivo camarário foram eleitos cinco elementos do PS, dois do PSD, um da coligação ‘Portimão Mais Feliz’ e outro do Chega. FOTOS: EDUARDO JACINTO

Ana Sofia Varela

A

noite de eleições autárquicas, a 26 de setembro, foi vivida minuto a minuto, no salão nobre da Câmara Municipal de Portimão e nas sedes de campanha dos partidos. À medida que mais mesas de voto iam comunicando os resultados apurados, muitas pessoas se iam juntando na autarquia para seguir, com atenção os gráficos. Só muito depois da meia-noite, o Partido Socialista saiu à rua para festejar aquela que descrevem como uma vitória, por maioria, conseguida a ‘pulso’. A noite terminou com a eleição de cinco elementos das listas socialistas para a Câmara Municipal. Ou seja, com a reeleição de Isilda Gomes, seguida de Álvaro Bila, que deixa a Junta de Freguesia de Portimão para assumir a vice-presidência, Filipe Vital, Teresa Mendes e João Gamboa. Já o PSD, conseguiu eleger Rui André, atual presidente da Câmara Municipal de Monchique a terminar o último mandato, e Ana Fazenda, que foi vereadora socialista entre 2013 e 2017, no executivo à data liderado por Isilda Gomes. A coligação ‘Portimão Mais Feliz’, que juntou CDS, Aliança e Nós, Cidadãos!, encabeçada por Luís Carito, conseguiu tornar-se a terceira força mais votada. Aliás, o médico e ex-vice-presidente da autarquia até 2013, foi eleito vereador, tal como Pedro Xavier pelo Chega.

Socialistas sairam para o Largo 1º de Maio onde festejaram a vitória O Bloco de Esquerda foi o grande derrotado da noite, tendo perdido o vereador que tinha conquistado em 2017. Na Assembleia Municipal, Isabel Guerreiro foi a vencedora das votações, tendo o PS conseguido 12 mandatos, enquanto os restantes 15 foram distribuídos pelas restantes forças políticas. No entanto, como conta com os três presidentes de junta, por inerência, consegue igualar os números, passando a ser tido em consideração o voto de qualidade do presidente da Assembleia em caso de empate. Maria da Luz Santana foi a vo-

Discurso direto "Agradeço a confiança" Isilda Gomes • Presidente socialista reeleita

“Depois de anos tão difíceis, de dois mandatos muito difíceis, receber esta confiança por parte dos portimonenses, significa muito para mim. Significa, inclusivamente, que tenho uma maior responsabilidade, porque se me deram os seus votos, quer dizer que confiaram em mim para, no futuro, traçar um Portimão melhor para todos. E é isso que tenho de fazer. Estou emocionada. Esta foi uma campanha muito complicada e, sinceramente, obter maioria absoluta neste contexto é de facto motivo para agradecer aos portimonenses”.

tos pela primeira vez e ganhou a Assembleia de Freguesia de Portimão, ainda que sem maioria, enquanto em Alvor foi escolhido, de novo, Ivo Carvalho, e na Mexilhoeira Grande José Vitorino. Nos primeiros minutos, após conhecer os resultados finais, Isilda Gomes mostrou-se satisfeita pela vitória, em declarações ao Portimão Jornal. “Receber esta confiança por parte dos portimonenses, significa muito para mim, e tenho uma maior responsabilidade”, admitiu. Referiu ainda que “há muito para fazer”, e que “os portimonenses sabem-no”, pois sempre foi muita “franca, frontal e transparente”. “Sabem que temos muito para fazer, mas também sabem que temos condições para o poder fazer. Temos projetos, temos dinheiro e, agora, vamos trabalhar para dar aos portimonenses aquilo que eles precisam e merecem”, prometeu Isilda Gomes. E foi mesmo em frente à Câmara Municipal, onde passará mais um mandato de quatro anos, que a atual presidente fez o discurso de vitória, onde afirmou, para todos os que a quiseram ouvir e não arredaram pé, que os dias de campanha “foram momentos de

unidade, de trabalho sério pelos e para os portimonenses”. “A nossa campanha foi uma campanha limpa. Não precisámos de falar de ninguém para que os eleitores nos dessem a sua confiança e é, por esta razão, que a minha primeira palavra de agradecimento é para os portimonenses”, acrescentou, reconhecendo ainda o trabalho da vasta equipa que a acompanhou nos últimos dias. A presidente reeleita confessou, inclusive, que já fez parte de muitas campanhas na sua vida política e nunca uma foi tão difícil como esta. No entanto, esta foi também aquela onde se sentiu mais apoiada. “Hoje contamos os votos. A democracia é isto mesmo. Ganha quem tem mais votos. E penso que ninguém perde, pois todos lutaram” para ser vencedor, ainda que tenha sido o PS a conseguir o maior número. PSD em segundo Numa análise aos resultados eleitorais de 26 de setembro em Portimão, Rui André disse ao Portimão Jornal que pensava que, desta vez, haveria mais participação no ato eleitoral. “Isso não aconteceu, infelizmente”, e, apesar da forte abstenção, a maioria

dos que foram votar “elegeram o mesmo executivo, com cerca de oito mil votos, o que comparado com os 50 mil possíveis, é bastante escasso”, constatou. “De alguma forma, quase não legitima o exercício das funções”. Considera que deverá ser algo a trabalhar no futuro. “Incentivar os cidadãos a participarem mais, porque as pessoas demitem-se” desse direito e dever, “das escolhas no seu concelho”, argumenta o novo vereador social-democrata na Câmara de Portimão, que tomará posse na noite do próximo dia 11 de outubro, no Teatro Municipal. Esta realidade é provocada, por um lado, pelo facto da política local não ter tido em conta as pessoas, que se sentem afastadas, e, por outro lado, há algum descrédito quer da política, quer da forma como esta é feita, com os políticos a trabalharem só de quatro em quatro anos, a fazer obras em ‘cima do joelho’ para tentar iludir as pessoas, que cada vez menos, gostam dessas atitudes ‘popularuchas’”, justifica. Apesar de esperar melhor resultado, Rui André promete trabalhar na oposição para construir um projeto que daqui por quatro anos saia vencedor.


P5

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

POLÍTICA RESULTADOS DAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 2021 CÂMARA MUNICIPAL 39.88% (8.606 votos)

PS PSD

13.03% (2.811 votos)

1

CHEGA

10.16% (2.192 votos)

1

BE

Espera pelos resultados prolongou-se pela noite dentro

6.82% (1.471 votos)

CDU

5.11% (1.102 votos)

PAN

3.07% (662 votos)

ASSEMBLEIA MUNICIPAL PSD

Reações imediatas À mesma hora que Isilda Gomes subiu ao palco para o discurso de vitória, a coligação ‘Portimão Mais Feliz’ congratulou democraticamente os vencedores, sem esquecer a lançar ‘farpas’. “Não esqueçamos, nem ignoramos, as pressões, ameaças, abuso de poder, uso indevido de meios do município para uma campanha eleitoral partidária, nem obras de última hora que mais não pretenderam do que convencer o eleitorado a dar o benefício da dúvida”, escreviam na página de facebook os responsáveis. A coligação promete uma “apertada fiscalização e vigilância” pelos autarcas eleitos pelo ‘Portimão Mais Feliz’, cumprindo os compromissos assumidos para os próximos quatro anos, e, aproveitou ainda para recordar o PSD que, por ter “abandonado a coligação inicial, acabou por conceder a vitória ao PS”. Por sua vez, João Vasconcelos admitiu a derrota na Câmara Municipal, com a perda de um eleito, mas destacou que o Bloco de Esquerda continuará a ter representação na Assembleia Municipal e

nas Assembleias de Freguesia de Portimão e Alvor, numa luta que será para continuar. O Partido Comunista Português, a nível regional, sublinhou que “a não eleição de vereadores da CDU, nos concelhos de Faro, Olhão ou Portimão, onde tal constituía um objetivo assumido (até porque tal representaria a recuperação de posições perdidas em 2017), não apaga o amplo reconhecimento que se verificou sobre o papel da CDU ao longo de toda a campanha eleitoral”. Nesses casos, o partido promete continuar a “trabalhar e a lutar para suprir e colmatar as consequências dessa ausência”. O Chega felicitou o PS pela vitória e registou os mais de 10 por cento de votos obtidos, o que permitiu a eleição de um vereador na Câmara, três deputados na Assembleia Municipal e representação em todas as freguesias. “Estaremos atentos, iremos questionar e fiscalizar, planear e construir ideias e pontes nos próximos quatro anos para desenvolver o concelho com políticas de proximidade”, escreve o Chega. O também estreante PAN encara estes resultados como uma “vitória total”. “Conseguimos eleger uma deputada municipal e garantir que as nossas ca[u]sas terão continuidade. Conseguimos eleger um membro da Assembleia de Freguesia de Portimão”, referiu.

12

38.37% (8.279 votos) 12.36% (2.667 votos)

3

CHEGA

10.99% (2.372 votos)

3

7.55% (1.629 votos)

CDU

5.66% (1.222 votos)

PAN

3.86% (833 votos)

ABSTENÇÃO

(28.634 inscritos)

5

16.75% (3.615 votos)

PORTIMÃO MAIS FELIZ BE

“Estaremos cá para fazer um contraponto, apesar de não termos muito peso no executivo. Posso garantir que serei a voz dos que não tem voz e mesmo daqueles que não votaram”, concluiu.

57.03%

VOTOS EM BRANCO 2.80% (604 votos) VOTOS NULOS 1.60% (345 votos)

PS

Muitos militantes e simpatizantes felicitaram Isilda Gomes

ABSTENÇÃO

(28.634 inscritos)

2

17.54% (3.785 votos)

PORTIMÃO MAIS FELIZ

5

57.03%

2

VOTOS EM BRANCO 2.91% (627 votos) VOTOS NULOS 1.55% (334 votos)

1 1

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE ALVOR 51.22% (1.256 votos)

PS PSD

13.38% (328 votos)

PORTIMÃO MAIS FELIZ

9.71% (238 votos)

1

CHEGA

9.26% (277 votos)

1

BE

6.48% (159 votos)

1

CDU

5.26% (129 votos)

1

2

8

ABSTENÇÃO

(2.784 inscritos)

53.17%

VOTOS EM BRANCO 3.06% (75 votos) VOTOS NULOS 1.63% (40 votos)

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE PORTIMÃO 37.18% (6.421 votos)

PS PSD PORTIMÃO MAIS FELIZ CHEGA BE CDU PAN

16.67% (2.878 votos)

7.28% (1.257 votos)

ABSTENÇÃO

(24.342 inscritos)

4 3

14.58% (2.518 votos) 10.64% (1.837 votos)

9

58.50%

2

1

VOTOS EM BRANCO 2.84% (491 votos) VOTOS NULOS 1.53% (264 votos)

5.42% (936 votos) 1 3.86% (666 votos) 1

ASSEMBLEIA DA MEXILHOEIRA GRANDE 49.57% (921 votos)

PS PSD CHEGA CDU BE PORTIMÃO MAIS FELIZ

16.90% (314 votos) 9.74% (181 votos)

1

2

6

ABSTENÇÃO

(1.508 inscritos)

44.8%

7.48% (139 votos) 5.87% (109 votos) 5.71% (106 votos)

VOTOS EM BRANCO 2.58% (48 votos) VOTOS NULOS 2.15% (40 votos)


P6

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

PESSOAS Deixa a liderança da Assembleia Municipal de Portimão

João Vieira sai da política ativa mas não larga a bandeira do PS Enquanto presidente da Junta de Freguesia de Alvor ajudou a organizar a resistência da população contra a retirada do Salva-vidas, que é um dos símbolos da terra. JORGE EUSÉBIO

a ficar” e que, por entender que aquele não era o rumo certo para o concelho, se envolveu na procura de uma outra solução que não passasse pela apresentação de Luís Carito como candidato do PS. A escolha, que considera acertada, acabou por recair em Isilda Gomes, que avança agora para o seu terceiro e último mandato. Olhando para os elementos que a acompanham na Câmara, João Vieira está convencido que “as coisas vão correr bem, temos gente de valor no executivo e muita obra para executar e concluir neste mandato”.

Depois de quase meio século de atividade política, João Vieira diz sentir-se realizado Jorge Eusébio

A

vida política de João Vieira está ligada ao PS desde o 25 de Abril de 1974. A maior parte da sua atividade foi desenvolvida na Assembleia Municipal, durante muitos anos como chefe da bancada socialista e nos últimos seis como presidente daquele órgão autárquico. Um percurso que termina esta segunda-feira, 11 de outubro, quando der posse aos novos eleitos autárquicos. A sua subida à presidência daquele órgão ocorreu “em circunstâncias muito difíceis e penosas para mim, para os meus camaradas e, de certeza absoluta, até para os nossos adversários políticos, o da morte do meu amigo Francisco Florêncio”, o homem que, na altura, exercia o cargo. Como é regra na Assembleia Municipal, foi escolhido através de votação interna. Nas eleições seguintes apresentou-se ao eleitorado a encabeçar a lista do seu partido para a Assembleia Municipal e, logo aí, garante que “as-

sumi que no final do mandato me retiraria”. Essa ‘promessa’ foi cumprida a 26 de setembro. Por vontade própria, não era o seu nome que aparecia no topo da lista do PS, mas o da advogada Isabel Guerreiro, que se prepara para ser a sua sucessora. João Vieira diz ter gostado de exercer aquele cargo, apesar de muitas das sessões que dirigiu terem sido difíceis e até turbulentas, sobretudo no relacionamento com alguns dos eleitos da bancada Servir Portimão. Uma escolha de candidato surpreendente O autarca diz que, como lhe competia, “sempre tive uma atitude de defesa da Assembleia Municipal e das respetivas bancadas no relacionamento com a Câmara”, o que, por vezes, provocava alguma ‘fricção’ política entre eleitos do mesmo partido mas de órgãos diferentes. Apesar disso, deixa muitos elogios à presidente da Câmara, Isilda Gomes, “uma grande mu-

lher, que ultrapassou grandes dificuldades políticas e pessoais e que sempre terá o meu apoio naquilo que eventualmente precisar”. Lembra que, no primeiro mandato, “a autarquia não tinha dinheiro para nada, era muito difícil dar a volta à situação que a equipa liderada pela Isilda encontrou e a verdade é que isso foi conseguido”. Os problemas financeiros vinham do passado, sobretudo dos últimos anos da governação de Manuel da Luz. Recorda as muitas e ferozes críticas que a oposição fez na altura e ao longo dos anos seguintes à política desenvolvida nessa fase, pelo que "estranho que o CDS tenha, nestas eleições, apresentado Luís Carito como seu candidato", uma vez que era o vice-presidente e responsável pelas finanças da autarquia. Nessa altura, João Vieira tinha como função defender, na Assembleia Municipal, o seu partido. No entanto, a nível interno, admite que nem sempre as coisas eram pacíficas e diz que com alguma

frequência questionava a orientação que estava a ser seguida. Inclusivamente, lembra que num dos últimos anos do mandato de Manuel da Luz, juntamente com outros elementos da sua bancada, recusou-se a votar favoravelmente o orçamento até que dele fossem retiradas opções como, entre outras, a privatização de parte da Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão

População não deixou sair o Salva-vidas de Alvor Apesar da maior parte da sua intervenção política ter tido a Assembleia Municipal por palco, a função de que guarda melhores recordações foi a de presidente da Junta de Freguesia da sua terra, Alvor, cargo que exerceu entre 1983 e 1989. Eram tempos complicados, pois a autarquia não tinha verbas próprias para a realização de obras, tendo que ser a sua função a de andar continuamente a tentar convencer o presidente da Câmara e a sua vereação a levarem a cabo as intervenções que eram necessárias e que a população pedia. Dessa altura, um dos episódios marcantes que recorda foi “a tentativa feita, no ano de 1983,

Um dos maiores sustos que apanhou foi quando se reuniu com o dono de um restaurante que tinha salários em atraso dos funcionários e o homem colocou uma pistolaem cima do balcão (EMARP). Adianta também que “estive para sair da Assembleia, mas alguns camaradas convenceram-me

de levarem daqui o nosso Salva-vidas”. A população foi mobilizada e, no dia em que isso era supos-


P7

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

PESSOAS D.R.

to acontecer, veio para a rua, impediu a retirada da embarcação e evitou, assim, “a perda de um elemento histórico da freguesia, que hoje está a ser recuperado e valorizado”. Destaca, sobretudo, o papel que então tiveram as mulheres dos pescadores, que, para evitar represálias sobre eles, estiveram na primeira linha da contestação. Outro dia marcante foi o de 11 de março de 1988, em que o Parlamento aprovou a proposta de que Alvor voltasse a ter o estatuto de vila, que lhe tinha sido retirado cerca de dois séculos antes. Negociação com pistola em cima do balcão A ligação de João Vieira à política e ao PS iniciou-se a seguir ao 25 de Abril de 1974 e, ao longo de algum tempo, desenvolveu-se a par da atividade de sindicalista. Tal como muitas pessoas do concelho e da região, trabalhou em hotéis e acabou por se envolver na reivindicação por melhores condições para si e os seus colegas. Foi dirigente do Sindicato da Hotelaria e Turismo, cuja sede regional um grupo de elementos do Barlavento quis instalar em Portimão. João Vieira recorda que

“enchemos 4 ou 5 camionetas de pessoal e abalámos para uma sessão em Faro, onde fizemos a proposta, a qual não foi bem acolhida pela malta daquela zona, que ia correndo connosco”. Enquanto sindicalista tinha como missão negociar com os patrões, quer para tentar melhorar as condições salariais dos trabalhadores, quer, simplesmente, para exigir que cumprissem o que estava acordado. Um dos maiores sustos que apanhou foi numa situação em que foi falar com um empresário para tentar que pagasse os salários em atraso dos funcionários do seu restaurante, situado na baixa de Portimão. Chegou, entrou e o dono do estabelecimento, de imediato “colocou uma pistola em cima do balcão e perguntou-me o que estava ali a fazer”. Passado o momento da surpresa inicial, por se deparar com uma técnica negocial bem pouco ortodoxa, lá conseguiu dizer ao que ia, o homem justificou os atrasos com a falta de dinheiro, “acabámos por chegar a um acordo e ele foi pagando aos poucos o que devia aos trabalhadores”. Como se sabe, o pós-25 de

Abril foi um período muito intenso, com as emoções à flor da pele e de grande agitação política. Em Portimão isso também aconteceu, mas “não tivemos situações extremas, houve um ou outro episódio mais complicado, situações que eram próprias da época, mas que não tiveram consequências graves”. Uma das que ocorreram no Algarve e que podia ter sido explosiva foi a do assalto ao edifício do Governo Civil de Faro por parte de manifestantes, em outubro de 1975. Assim que a notícia chegou, João Vieira e muitos outros portimonenses deslocaram-se à capital do distrito para tentar impedir essa ocupação. No momento da partida diz sentir-se “realizado” do ponto de vista político, apesar de nunca ter feito parte do executivo camarário ou de ter sido eleito para o Parlamento, o que alega ter acontecido por indisponibilidade própria, devido aos compromissos profissionais, pessoais e familiares que tinha. Não pretende exercer mais funções políticas, mas sempre que haja eleições promete voltar a pegar na bandeira do PS e a ir de rua em rua, em busca de votos para o seu partido.

Mais uma hora por dia

Quinta Pedagógica tem novo horário A Quinta Pedagógica de Portimão atualizou o horário de funcionamento e está, agora, a funcionar entre segunda-feira e sábado, das 9h30 às 17h30. Aquele equipamento municipal está, deste modo, aberto mais uma hora por dia. Também está previsto, segundo a Câmara, que os ateliês de fim de semana sejam retomados a partir de novembro. Este é um espaço a funcionar na zona da Aldeia Nova da Boavista, que tem entrada gratuita, e que pretende incentivar a reaproximação ao campo, à vivência e aos valores do mundo rural.

Iniciativa na sede em Alvor

‘Percursos na Primeira Pessoa’ no ACRA A Associação Cultural e Recreativa Alvorense (ACRA) 1º de Dezembro promove todas as quartas-feiras, às 14h30, a atividade ‘Percursos na Primeira Pessoa’, com Fernando Barnabé. Segundo a ACRA, este é um espaço onde os participantes conversam sobre diversos assuntos, esclarecem dúvidas, partilham aflições e preocupações. PUB


P8

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

CENTRAIS

De mergulho em mergulho e com muitas aventuras para contar, Jody Lot é uma referência da pesca submarina

“Quero voltar a ser campeão do Mundo”

ANA SOFIA VARELA

Tem a ‘base’ montada em Alvor e faz-se ao mar com a mesma alegria de quando era miúdo, embora o nascimento do filho o tenha obrigado, para já, a alterar algumas das suas opções. Hélio Nascimento

P

or estes dias, Jody Lot prefere a companhia do filho e da mulher. Continua a ir ao mar, naturalmente, à procura de peixe e de marisco, mas a competição pode esperar. Não se pense, porém, que o algarvio, que já foi duas vezes campeão mundial de pesca submarina, desistiu de tentar levar mais uma vez a bandeira portuguesa ao lugar mais alto do pódio. “Vou à pesca, estou ativo e a trabalhar, mas não tenho participado em provas. Este ano, aliás, houve menos, e menos verbas, sobretudo para as competições internacionais, mas, de resto, foi uma temporada calma, que aproveitei para estar com a família”. O

nascimento do filho, que fez agora 10 meses e se chama Ocean, mudou-lhe as rotinas. “Sim, é verdade”, assume Jody, justificando também com o muito tempo que é preciso despender para preparar uma prova de topo. “Já viu o tempo que se passa fora de casa na preparação de um Mundial ou de um Europeu? Por isso, dediquei-me mais à família. Estes momentos do meu filho bebé passam depressa e há que aproveitar. Para o ano podemos até ir todos juntos, eu para competir e a família para me dar apoio”, argumenta o pescador-mariscador, com um sorriso franco, durante a conversa com a reportagem do Portimão Jornal, que decorreu na zona ribeirinha de Alvor, nas arrecadações dos

As regras da competição e o café com o filho A pesca submarina é altamente seletiva, no que concerne à competição, logo a começar por ser feita em apneia e depois por variadas regras que definem o que o atleta pode e deve fazer. “Cada campeonato traça as espécies que podemos apanhar e cada peça tem de ter um peso mínimo para ser válida. Se um determinado peixe tiver menos peso do que o mínimo exigido, é certa a penalização”. Depois, as várias espécies têm pontuações distintas. A título de curiosidade, Jody Lot foi campeão do mundo em 2018 com 57 peças válidas, 32 capturadas no primeiro dia e 25 no segundo. Mas a tarefa é complicada, “porque os peixes fogem muito e não se deixam apanhar com facilidade”. Na calmaria de uma tarde junto à Ria de Alvor, a conversa flui com calma e naturalidade. Jody sabe que há tempo para tudo, mas, agora, quer estar mais presente em casa, com o filho e a mulher. “Antes de ir para o mar vou tomar um café e levo o meu filho, cujo nascimento mudou tudo por completo. Se pudesse, tinha já mais um ou dois. Mas ela disse-me que para isso era melhor arranjar outra mulher”, brinca o campeão, acrescentando, de pronto, que “está tudo bem assim”.

Jody Lot e o mar por perto, na simbiose perfeita do homem com a natureza pescadores, o local por excelência onde traça os planos para novas aventuras no mar. “Atenção, que ainda quero voltar a ser campeão do Mundo”, atira Jody, de rompante, dissipando quaisquer dúvidas sobre o tema. Este período de maior calma é somente um parêntesis numa carreira de muito e muito sucesso, sempre num ‘combate’ enérgico com o mar. “Vou voltar a competir, claro. Quero ganhar o título mundial outra vez. Só as festas valeram a pena”, confessa, com uma gargalhada à mistura, aludindo às comemorações de que foi alvo e aos momentos inesquecíveis vividos com os companheiros de seleção e com os amigos.

da hora. Sei que não há muito dinheiro para campeonatos internacionais, mas podia ter havido uma outra calendarização, que permitisse, por exemplo, que os atletas tentassem obter ajudas locais ou mesmo municipais. Agora, em cima do joelho, é mais difícil”, explica Jody, sem esquecer que o

Três títulos especiais Jody Lot foi campeão da Europa e da África em 2011 e campeão do Mundo em 2012 e 2018, três títulos muito especiais e os mais significativos. O último Mundial disputou-se recentemente, em Itália, e foi ganho por um italiano, mas o algarvio, que também tem vários títulos nacionais, como se sabe, ficou em casa, por opção, o que não invalida que dê mostras de algum aborrecimento. “A Seleção foi feita em cima

lado familiar e em especial o nascimento do filho pesaram muito na decisão de não se candidatar a um lugar na seleção. “Este Mundial em Itália obrigava a muita prospeção e tempo de adaptação do corpo, porque o mergulho era de 40 metros para baixo e em Portugal não mergulhamos tão fundo”, adianta, quase que a justificar o 17º lugar de André Domingues, que foi o melhor português, e o 12º lugar coletivo. “A pandemia também complicou,

mas, repito, os apoios conseguem-se, precisamos é de tempo, não é de um dia para o outro. Ou seja, creio que há outras maneiras de planear estas competições”. Jody não se arrependeu de ter ficado por cá, prosseguindo a sua atividade de pescador e mariscador. “Onde? Em todo o lado. Te-

“Estes momentos do meu filho bebé passam depressa e há que aproveitar. Para o ano podemos até ir todos juntos, eu para competir e a família para me dar apoio”

mos de nos moldar às condições, ao melhor local e conciliar. Tanto posso ir para Carvoeiro como para Sagres, depende do que contei”, salienta o campeão, pronto a mergulhar em qualquer sítio. E às vezes também pesca à cana. O fascínio do azul do mar e… a cozinha Natural de Lagos, mas praticamente desde sempre a viver em Alvor, filho de pai indonésio e mãe holandesa – daí o nome –,


P9

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

CENTRAIS D.R.

Jody Lot chegou a tirar o curso de cozinheiro. “Trabalhava num restaurante, depois tirei o curso, e tudo isto é muito bonito, mas… ou fazes uma coisa ou fazes outra”, assegura, aludindo às contínuas e desgastantes horas de atividade numa cozinha. “Não dá para conciliar, não dá para trabalhar numa cozinha e ao fim de semana ires para o mar, sobretudo se te dedicares à com-

de nadar entre os peixes. “Estava habituado ao mar e às rochas, apanhava caranguejos e gostava de ver os peixes, mas aquele primeiro contacto, mais a sério, debaixo de água, marcou-me o futuro. Mal vi o azul do mar, os peixinhos ali ao pé de mim, o silêncio à minha volta, enfim, fiquei fascinado!”. Quer na pesca, que acaba por ser o seu sustento, quer na via desportiva, Jody Lot é uma refe-

“Nós ‘falamos’ com eles, tipo contacto entre o homem e o peixe, o olhar, o sentir... Num cardume de sargos, por exemplo, se tens um referenciado e queres atacar um maior, este pode vir a fugir...” petição”, repete, falando de um horário “que se estende de manhã à noite e que ainda implica, às vezes, teres de ir fazer as compras”. O mergulho, esse, vem de tenra idade. Começou aos 7 anos, incentivado pelo pai e pelo irmão, e, desde então, não mais deixou de experimentar esta sensação única

rência na vila onde vive. “Alvor é a minha base”, exclama, radiante pelos contactos diários com tantos amigos e pescadores que também fazem do mar o seu quotidiano. “Tenho imensa empatia com os pescadores, que me conhecem bem e fazem muitas perguntas. Quais? Querem saber o que vejo

Uma corvina de 49 quilos num registo inesquecível Jody Lot tem mil e uma aventuras e outras tantas proezas que guarda com orgulho. Para além dos títulos nacionais e internacionais, nunca esquece a captura de uma corvina de 49 quilos, pescada em Sagres, num mergulho à volta dos 12 metros. “Ainda é o maior troféu! É inesquecível e é difícil bater um recorde assim, mas até pode ser que venha a conseguir. A corvina de grande porte é um peixe difícil de encontrar, é necessário estar no sítio e na altura certas, enfim, é uma raridade, e, quando as capturamos, é excelente”. As douradas e os pargos também dão muita luta, para lá “dos mais pequenos, como os sargos, que cada vez me dão mais 'pica', porque são difíceis de apanhar, parecem mais espertos”, brinca o algarvio. E se for marisco? A variedade também existe, e, “daqui até à Costa Vicentina, há sempre navalheiras, lingueirão, bruxinhas, percebes e mexilhão para apanhar”.

debaixo de água e como apanho os peixes”, adianta, de novo com um brilho nos olhos. A componente física A atividade profissional de pescador e mariscador encaixa às mil maravilhas com o treino inerente a quem pretende ser campeão na pesca submarina. “Quanto mais água, melhor”, atira Jody, abordando a capacidade física que é preciso manter. Por isso, natação, corrida, ginásio e até a bicicleta completam o ritual da preparação, várias vezes com a prática de surf pelo meio. O algarvio chegou a aguentar três minutos debaixo de água, sem respirar, visto que a pesca submarina é feita em apneia, sem recurso a botija. “Com treino, consigo essa marca, mas agora é mais difícil. Antes, sentia-me mais à vontade. Cada vez tenho ‘menos apneia’, ao que não é estranho o aumento do peso – tenho aí mais uns dez quilos – e as diferenças no corpo. É como os lutadores, que se cansam mais quando ficam pesados”, opina Jody, hoje com 40 anos. “Em Portugal, somos bons nos mergulhos baixos, à volta dos cinco metros, mas, em certos campeonatos, a distância pode quintuplicar”. Por outras palavras, “durante uma hora somos capazes de ir aos 25 metros cerca de vinte vezes, mas, se a profundidade andar pelos cinco, podemos quase triplicar os mergulhos”. Jody Lot representa atualmente o Clube Naval de Portimão, depois de ter vestido as cores do Portisub e do Estoril. “Estou há quase três anos no Clube Naval e o clube tem sido impecável. Não falha com nada e o apoio até é maior do que aquilo que esperava”. Por falar em apoio, o mergulhador tem sempre ajuda no barco. “Nas provas nacionais há um parceiro, o que já não é mau, mas o ideal é dispormos de três, em especial nas competições internacionais. Fica um no barco e vão dois à água, que se vão revezando. Joga-se a fateixa, procura-se

30€ ano

Receba o Jornal confortavelmente em sua casa. Envie email para portimaojornal@gmail.com Dados a indicar: nome, data de nascimento, morada e número de contribuinte.

o peixe, sobe-se ao barco e mais à frente volta-se a lançar a fateixa”, conta, elucidando o vaivém típico da faina, que inclui ainda a precisão de sondas e sonares para localizar os cardumes. O saber ‘falar’ com os peixes “Falo com os peixes, cada vez mais”, argumenta Jody. A frase já não causa muita admiração ao jornalista, devido a anteriores conversas com o pescador, mas não deixa de ser enigmática. Na verdade, a pesca tem, para além da componente técnica, uma outra psíquica. “Uma pessoa pode estar muito bem fisicamente, mas, se não souber porque é que os peixes estão aqui e não ali, porque vão para acolá quando há vento, porque comem isto em vez daquilo, enfim, sem perceber estas coisas é difícil conseguir uma boa pescaria”, garante o algarvio. PUB

PUB

Assine o Portimão Jornal

Cada mergulho é uma aventura e cada peixe um troféu

Cuidamos do seu automóvel Revisões - Diagnósticos ⋅ Ar condicionado Tratamento de Faróis Virgilio Bicho ⋅ Mecânica Geral +351 966 218 711 ⋅ virgilio.bicho@gmail.com Urb. da Passagem, Lt.11, 8400-612 Parchal

Ventos, marés, correntes, temperaturas da água e a tal “psicologia dos peixes” são alvo de estudo pormenorizado em vésperas de uma grande competição. “A prática e o instinto levam-nos a compreender o comportamento dos peixes e depois disso é mais fácil apanhá-los”, adianta, revelando que tudo isto acaba por ser um segredo. “Perguntam como se faz, eu explico como, mas a grande pergunta é o porquê. Às vezes faço assim, mas porque fiz assim? Correntes, altura do ano, tudo influencia o peixe. Nós ‘falamos’ com eles, tipo contacto entre o homem e o peixe, o olhar para ele, ver se ele já te sentiu. Num cardume de sargos, por exemplo, se tens um referenciado e queres atacar um maior, este pode vir a fugir... importa é fixares um, é como com um leão numa savana”, ironiza Jody. PUB


P10

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

RAIO-X A foto

EDUARDO JACINTO

EDITORIAL . RUI PIRES SANTOS

Uma vitória do PS e ‘meia’ de PSD e Chega É certo que numas eleições, sejam elas quais forem, o triunfo é sempre daqueles que somam mais votos ou que conquistam o poder. Também assim foi em Portimão com a vitória do PS e de Isilda Gomes, com uma maioria que contrariou as expetativas dos seus adversários políticos. Contudo, para quem esteve atento, essa maioria, não terá sido assim tão surpreendente… Por outro lado, da noite eleitoral surgiram mais dois 'vencedores': o PSD e o Chega. Os social-democratas porque obtiveram um resultado dentro do esperado, somando mais votos que a coligação 'Portimão Mais Feliz', tida como a força que estaria em melhor posição para desafiar Isilda Gomes. Depois porque deu razão à alteração de posição de Carlos Gouveia Martins – pressionado pela distrital do partido – de se coligar com Luís Carito. Sozinho, ainda que com o apoio do PPM e MPT, o PSD fez o seu trabalho e conquistou um resultado aceitável, superior às expetativas de muitos. O Chega porque, depois de tanta turbulência interna em Portimão, conseguiu eleger um vereador e pode dar-se por satisfeito. Melhor seria quase impossível.

INSTITUTO DE CULTURA • A Universidade Sénior de Portimão, cuja base de trabalho está instalada na Casa das Artes, arrancou o novo ano letivo com uma sessão de convívio, em que, além da intervenção da presidente Maria Fernanda Teixeira, houve lugar para a poesia, alguns passos de dança, passagem de modelos e um momento musical. Os alunos, que deverão rondar a centena e meia, animaram a inauguração e vestiram a pele de ‘artistas’, espalhando boa disposição e mostrando que os ‘seniores’ têm muito para dar à vida.

A frase

Vou voltar a competir, claro. Quero ganhar o título mundial outra vez” Jody Lot

ISILDA GOMES

PORTIMONENSE

JOÃO VASCONCELOS

A atual e futura presidente da Câmara foi a grande vencedora das eleições, ao conseguir resistir às investidas dos seus tradicionais adversários políticos e até de antigos camaradas. Agora, com renovada maioria absoluta, muito dinheiro para gastar e obras para lançar, tem todas as condições para fazer um tranquilo e produtivo terceiro e último mandato.

Uma vitória a todos os títulos notável, em pleno Estádio da Luz, perante o líder Benfica, justifica o maior dos destaques para a equipa de futebol do Portimonense, que subiu ao 5º lugar do campeonato. O treinador Paulo Sérgio e os jogadores protagonizaram uma tarde memorável, que fica para a história, também por ser a primeira de sempre na Luz.

O candidatura bloquista colocou a fasquia alta para estas eleições, mas tudo correu mal. Não conseguiu aumentar a votação nem sequer tirar a maioria absoluta ao PS. Ainda por cima, viu o Chega passar-lhe à frente e perdeu o vereador que tinha. Um domingo negro para João Vasconcelos.

A maior derrota da noite acabou por ser a do 'Portimão Mais Feliz' e de Luís Carito, mas também do CDS que apoiou a coligação. Ainda que tenham realizado uma campanha dinâmica e criativa, não conseguiram atingir o seu principal objetivo, que seria vencer ou impedir a maioria socialista ou, pelo menos, obter uma melhor votação que o PSD. É certo que elegeu um vereador e com isso terá uma voz na autarquia, ainda que sem grande expressão perante a maioria do PS. Por fim, e perante a surpresa de muitos, outro dos derrotados foi o Bloco de Esquerda. Apesar do bom trabalho e desempenho de João Vasconcelos na oposição e da visibilidade que dispõe enquanto deputado na Assembleia da República, o BE ficou sem o seu vereador na autarquia. Tal facto dever-se-á, em parte, ao fenómeno do Chega e também ao 'Portimão Mais Feliz', que terão retirado alguns votos aos bloquistas. A CDU também não teve uma noite feliz, e foi relegada para o penúltimo lugar da ‘tabela classificativa’ das forças políticas do concelho. O estreante PAN, sem obter um resultado brilhante, terá alcançado os objetivos, elegendo um deputado na Assembleia Municipal e outro na Assembleia de Freguesia de Portimão. Um dos vencedores deste ato eleitoral foi também e mais uma vez a abstenção. Continua acima dos 50 por cento e parece continuar a merecer pouca atenção por parte da classe política. Mais do que nunca, mais do que palavras, é altura de tomar medidas concretas que incentivem as pessoas a participar na vida pública e política. Até à data, por cá, como em todo o país, este tema apenas tem merecido umas meras palavras de circunstância por parte dos partidos, mas as ações são muito poucas. É certo que milagres não existem e esta será uma 'batalha' morosa até que comece a dar frutos. Por isso, impõe-se, desde já, uma coordenação para fazer face a esta realidade, porque um dia, quando a abstenção atingir os 60 ou 65 por cento, será sinal de enorme – mesmo enorme – descredibilização e falta de fé nas lideranças políticas, num caminho que poderá não ter retorno.


P11

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

ECONOMIA

Bolachas caseiras chegam a Portimão pelas mãos de casal estrangeiro

Negócio cozinhado durante a pandemia abre portas à inovação FOTOS: KÁTIA VIOLA

Camille e Jonty ficaram apaixonados pelo Algarve e decidiram abrir uma pastelaria com um novo conceito. Rafael Duarte

S

ão bolachas de origem americana com um toque francês. É uma mistura invulgar, mas promete fazer parte do dia a dia dos portimonenses. A ‘Le French Cookie’ chegou à Rua João Anes, uma das transversais à Rua Direita, em julho e já angariou muitos fãs. A receita chega através de um casal estrangeiro que se apaixonou pela região e que agora quer conquistar os algarvios com esta novidade. “Reparámos que a maioria das pastelarias são tipicamente portuguesas e não há tanta variedade. Então trouxemos um conceito diferente. O elemento inovador é a massa comestível, que é preparada para se poder comer crua. Tiramos os ovos e tratamos a farinha antes”, explica ao Portimão Jornal Camille, que, embora não seja a autora destas bolachas, é quem está na origem desta pastelaria. “O meu namorado Jonty fez estas bolachas, pela primeira vez, como surpresa para o meu melhor amigo. Nós gostámos muito e estávamos sempre a pedir-lhe para as confecionar. Cada vez saía melhor e então decidimos abrir um negócio”, conta a empresária. Quando Jonty partilhou a sua arte com o público foi um sucesso. No entanto, recorda que, no início, não foi bem assim. “A primeira vez que fiz bolachas foi

através de uma receita que li na Internet. Não correu bem. Sabia que podia fazer melhor e, por isso, não gostei. Fiz um pequeno curso online de pastelaria para saber como ligar estes ingredientes. Agora temos a receita final”, descreve. Receita que se multiplicou para bolachas que podem ser comidas em copo ou numa sandes com gelado e tudo pode ser acompanhado por um batido. “A bolacha de chocolate preto com flor de sal do Algarve é a última novidade e tem saído muito bem, mas vamos experimentar outras. O dobro do chocolate com cacau na massa e chocolate branco em vez de chocolate de leite ou preto”, revela Jonty. Apaixonados pelo Algarve A pastelaria abriu portas em julho deste ano, mas o casal vive em Alvor desde janeiro de 2020. Camille é francesa e Jonty é inglês, mas mudou-se para França quando tinha 12 anos. Os dois viviam em Chamonix, uma zona montanhosa naquele país. Ficaram ligados ao Algarve e quem fez a ponte entre os dois países foi Chris, o irmão de Jonty. Isto porque o autor das receitas, “queria aproximar-se do irmão, que vivia em Portimão e era instrutor de saltos de paraquedas. Então, fizemos muitas férias no Algarve e, quando acabei o curso de arquitetura, decidimos ir para

Casal decidiu arriscar com novo negócio em plena pandemia

Novas bolachas têm sido um sucesso e a carteira de clientes tem vindo a aumentar Alvor, porque conhecíamos bem” aquela vila, diz Camille. E não foi preciso muito tempo para se adaptarem. Jonty já surpreende os amigos com o seu nível de português, enquanto Camille está ainda mais avançada depois de ter trocado as aulas de francês por outras de português com uma explicadora. Passaram do frio para o calor algarvio e essa é mesmo a grande diferença que assinalam. “O clima é totalmente diferente, mas também há semelhanças, porque são dois locais turísticos e, por isso, estamos habituados a esta sazonalidade”, afirma. É por conhecerem esta realidade que procuraram criar um espaço destinado a quem vive em Portimão. “Os residentes estão a viver tudo no Verão e depois tudo pára para eles. Eu já conheço esse ritmo da sazonalidade e quero combatê-lo”, afirma Camille, que, tendo esse objetivo, decidiu abrir a pastelaria no centro da cidade. Reconhece que estar num local mais resguardado traz as suas desvantagens, mas explica que as redes sociais ajudam a atrair portimonenses e turistas. Por estarem numa rua apertada por onde passam carros, os clientes habituais até aproveitam para fazer os pedidos sem sair da viatura. E, por vezes, quando o objetivo é comprar muitas bolachas, nem sequer é preciso sair de casa, porque a ‘Le French Cookie’

aceita e até aconselha a que esses pedidos sejam feitos através das redes sociais. “O mais difícil para nós, nesta fase, é o facto de nunca sabermos quantos clientes vamos ter durante o dia. Por essa razão, estamos a tentar fazer um número modesto de bolachas e, se for preciso, fazemos mais. Porque são frescas todos os dias”, explicou Camille. Abrir um negócio quando muitos fecham A grande pergunta que se colocou a Camille e Jonty antes de abrirem a pastelaria foi apenas uma: é seguro fazê-lo em altura de pandemia? Mas rapidamente Camille encontrou uma resposta. “Nós passámos um grande período de tempo sem fazer nada.

Tinha acabado o curso de arquitetura e ainda não tinha trabalhado. Entretanto, a minha avó faleceu e recebi algum dinheiro. Então, decidimos abrir um negócio, porque também era um sonho nosso. Sabíamos que estávamos numa pandemia, mas a vida continua. A bolacha é algo do quotidiano e, mesmo em pandemia, as pessoas vão querer sempre algo guloso para comer ou partilhar com os amigos”, argumenta a empreendedora. Arriscaram e não se arrependem da decisão tomada. “Não sabia como ia ser a reação das pessoas, mas foi uma boa surpresa. O feedback tem sido muito positivo e gosto muito desta relação com os clientes”, reforçou, por sua vez, Jonty.

CAMILLE

JONTY

Tirou o curso de arquitetura em França, mas não trocou as bolachas pelas maquetas. Além de ajudar Jonty, trabalha com uma associação que pretende fazer projetos em espaços públicos em Portimão. “É muito cansativo, porque trabalho de manhã na arquitetura e depois ajudo-o. No entanto, vale muito a pena e é incrível ter contacto com os clientes”.

Revela-se um especialista em bolachas, mas por detrás do avental está um músico. Em França e mesmo no Algarve dava concertos e acabou por deixar os palcos, apesar de continuar com os ensaios. “Quero que este negócio aumente. Esse é o meu objetivo no futuro, mas, antes disso, quero fazer bolachas novas e outras variedades”, declara.


P12

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

DESPORTO Algarvios nunca tinham conseguido vencer no Estádio da Luz

Prova da Taça de Espanha de paraciclismo

Portimonense faz história

Luís Costa ganha em Valência De regresso à competição, depois dos Jogos Paralímpicos, o portimonense Luís Costa venceu, na sua classe, no III Grande Prémio de Valência, uma prova da Taça de Espanha de paraciclismo, que decorreu no dia 2 de outubro. Num circuito muito rápido e quase plano, fez a prova a solo praticamente desde o início e “sempre a dar-lhe gás”, como o próprio reconheceu, a uma média muito interessante, na ordem dos 37 km/hora. “Mais parecia um contrarrelógio… foi divertido”, resumiu Luís Costa.

Um golo do central Lucas Possignolo permitiu à equipa de Paulo Sérgio derrotar o líder Benfica e subir ao 5º lugar. D.R.

Mundial de Superbikes ao rubro no Autódromo

Rea vence e ameaça Razgatlioglu Foi no domingo, dia 3 de outubro, com o Autódromo Internacional do Algarve já devidamente emoldurado, em virtude da ‘abertura total’ ao público, que Jonathan Rea averbou a 15ª vitória em Portugal na 11ª e antepenúltima ronda do Mundial de Superbikes, ao cumprir as 19 voltas ao circuito portimonense, na distância de 87,248 quilómetros, em 32.21,137 minutos, à média de 161,809 km/hora. O piloto britânico, hexacampeão mundial em título, partiu do 10º lugar da grelha, assumindo o comando à sexta volta, ao ultrapassar o turco Tropak Razgatlioglu (Yamaha), atual líder do Mundial e vencedor da corrida no sábado, dia 2. Com mais esta vitória no circuito algarvio – a terceira, este ano, em Portugal, depois dos dois triunfos de maio no Estoril – Rea reforçou o segundo lugar do Mundial de pilotos, com 454 pontos, menos 24 pontos do que o turco Razgatlioglu, líder com 478, e mais 30 do que o seu Scott Readding (424). Lucas e restantes companheiros fazem a festa em pleno relvado Hélio Nascimento

U

ma equipa de heróis! É assim, com toda a justiça, que os jogadores do Portimonense merecem ser chamados, depois de uma vitória histórica no Estádio da Luz, perante o Benfica, que, além de líder do campeonato, acabara, poucos dias antes, de derrotar o colosso Barcelona. Um golo de Lucas Possignolo, de cabeça, na sequência de um canto apontado por Lucas Fernandes, colocou os alvinegros em vantagem, sensivelmente a meio da segunda parte. Depois, sobretudo nos minutos finais, perante o ‘forcing’ dos encarnados, foi a vez de dar as mãos e segurar o 1-0, algo que foi conseguido com classe e organização. O treinador Paulo Sérgio montou uma estratégia perfeita, reforçando o eixo central (Willyan a central e Pedro Sá a trinco) sem nunca abdicar dos lances ofensivos, colocando na frente Fabrício

e Aylton, que mais tarde foram rendidos por Aponza e Angulo. O guarda-redes Samuel rubricou uma atuação para mais tarde contar aos netos, Fali Candé tirou o pão da boca a Otamendi e a Gonçalo Ramos, mas, bem vistas as coisas, todos os jogadores cumpriram à risca o plano traçado, tanto em termos de organização como de concentração e lucidez. O Portimonense averbou o quarto jogo fora de casa sempre a pontuar (três vitórias e um empate) e subiu ao 5º lugar da classificação, uma posição que enche de orgulho os adeptos e a cidade. O campeonato sofre agora uma interrupção, para dar lugar a dois jogos da Seleção Nacional (ambos marcados para o Estádio Algarve), reatando-se no dia 24 deste mês, com a receção ao Estoril. A felicidade dos protagonistas “Como presidente, não posso estar mais orgulhoso desta equipa e do modo como ela trabalha e se porta dentro do campo. É histó-

D.R.

rico poder dizer que ganhámos pela primeira vez no Estádio da Luz”, afirmou Rodiney Sampaio, líder da SAD, encabeçando uma série de declarações dos intervenientes, todos eles felizes pelo momento. “É uma vitória que fica marcada na minha vida e na minha carreira. Falámos muito durante o jogo, sempre ligados em cada lance, dizendo uns aos outros que a vitória tinha de ser nossa”, salientou o central Lucas Possignolo, o autor do golo. “Vamos a qualquer estádio sempre para ganhar e discutir o jogo. A humildade e o trabalho são os nossos trunfos”, disse ainda. Por último, o guarda-redes Samuel referiu ter sido “um jogo muito difícil, porque o Benfica impôs um ritmo forte desde o início, mas a nossa equipa portou-se sempre bem, soube jogar um pouco mais atrás e defendeu na perfeição”. No seu entender, “esta vitória traz um moral extra”.

Organização da Federação Portuguesa da modalidade

III Triatlo de Portimão marcado para dias 16 e 17 O III Triatlo de Portimão, que inclui várias competições a ter lugar na Praia da Rocha, realiza-se nos dias 16 e 17 de outubro, sendo organizado pela Federação de Triatlo Portugal, com o apoio da

Câmara Municipal e de diversas associações locais. Estão incluídas as provas a contar para o Campeonato Nacional Individual de Triatlo, na Distância Standard (elites e grupos

de idade), o Nacional de Juvenis de Aquatlo, o Nacional de Clubes por Estafetas e o Campeonato Nacional de Triatlo Militar. As inscrições estão abertas até dia 11.

Sensibilização da prevenção do cancro da mama

Concelho celebra ‘Outubro Rosa’ com caminhadas e tertúlia A Câmara Municipal de Portimão associa-se, de novo, à campanha internacional ‘Outubro Rosa’ que pretende sensibilizar a população para a prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama, em parceria com a Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Associação Oncológica do Algarve. No dia 9 de outubro, serão promovidas várias caminhadas solidárias e uma tertúlia. As caminhadas terão lugar a partir das 10h00 nas três sedes de freguesia do concelho, partindo uma da zona ribeirinha de Portimão, junto ao Clube Naval, outra com ponto de encontro no Complexo Desportivo de Alvor e a outra a partir do Complexo Desportivo da Mexilhoeira Grande. A tertúlia ‘Outubro Rosa’ decorrerá a partir das 11h00, na sala Nuno Mergulhão do Clube Naval de Portimão, e contará com Joana Xavier, investigadora auxiliar no Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde da Universidade do Algarve, como oradora.


PUB


P14

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

OPINIÃO

Autorização de Residência para Investimento ou 'Golden Visa' Karlla Quintanilha Solicitadora

A Autorização de Residência para Investimento, doravante designada 'ARI', constitui uma inovação legislativa, pois foi criada com o objectivo de captar investimento estrangeiro em território nacional. A ARI tem um âmbito de aplicação subjectivo mais restrito, pois aplica-se a cidadãos de países terceiros que não da União Europeia (UE), e está em vigor desde outubro de 2012. Assim, os cidadãos de países estrangeiros que preencham os requisitos poderão entrar em território nacional e circular na UE sem necessidade de obterem visto de entrada. Para tanto, bastará que os interessados procedam ao pedido nos termos das disposições legais e regulamentares em vigor. A ARI poderá ser concedida numa das seguintes situações: transferência de capitais no montante igual ou superior a um milhão de euros; criação de, pelo menos, dez postos de trabalho; aquisição de bens imóveis de valor igual ou superior a 500 mil euros; aquisição de bens imóveis cuja construção

tenha sido concluída há, pelo menos, 30 anos ou que estejam localizados em área de reabilitação urbana e realização de obras de reabilitação dos bens imóveis adquiridos no montante global igual ou superior a 350 mil euros; transferência de capitais no montante igual ou superior a 350 mil euros que sejam aplicados em atividades de investigação desenvolvidas por instituições públicas ou privadas de investigação científica, integradas no sistema científico e tecnológico nacional; transferência de capitais

Recentemente, foram aprovadas alterações que excluem determinados concelhos do país no montante igual ou superior a 250 mil euros que sejam aplicados em investimento

ou apoio à produção artística, recuperação ou manutenção do património cultural nacional, através de serviços da administração direta central e periférica, institutos públicos, entidades que integram o setor público empresarial, fundações públicas, fundações privadas com estatuto de utilidade pública, entidades intermunicipais, entidades que integram o setor empresarial local, entidades associativas municipais e associações públicas culturais, que prossigam atribuições na área da produção artística, recuperação ou manutenção do património cultural nacional; transferência de capitais no montante igual ou superior a 350 mil euros destinados à aquisição de unidades de participação em fundos de investimento ou fundos de capitais de risco vocacionados para a capitalização de empresas, que sejam constituídos ao abrigo da legislação portuguesa, cuja maturidade, no momento do investimento, seja de, pelo menos, cinco anos e, pelo menos, 60% do valor dos investimentos seja concretizado em sociedades comerciais sediadas em território nacional; e transferência de capitais no montante igual ou superior a 350 mil euros destinados à constituição de uma sociedade comercial com sede em território

nacional, conjugada com a criação de cinco postos de trabalho permanentes, ou para reforço de capital social de uma sociedade comercial com sede em território nacional, já constituída, com a criação ou manutenção de postos de trabalho, com um mínimo de cinco permanentes, e por um período mínimo de três anos. Recentemente, foram aprovadas alterações que excluem determinados concelhos do país do âmbito de aplicação objetivo do investimento, como forma de estimular o investimento nos concelhos do interior, pelo que sendo o artigo meramente informativo, não dispensa a consulta das recentes alterações legislativas. Temos dúvidas acerca dos benefícios de tais alterações, mas o tempo dirá se serão benéficas. Como sempre dissemos, cada caso é um caso, pelo que o interessado deve sempre aconselhar-se com o seu Solicitador. *artigo publicado ao abrigo da parceria entre o Portimão Jornal e a Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução

PUB


P15

Portimão Jornal • 07 OUT 2021 • Nº34

ÚLTIMAS D.R.

No próximo ano letivo o espaço estará funcional

Antiga cadeia renova-se para ser Escola Hoteleira Investimento de recuperação do estabelecimento prisional ascenderá aos 2,3 milhões de euros. ANA SOFIA VARELA

Escola estará terminada no Verão de 2022 Ana Sofia Varela

A

s obras na antiga cadeia de Portimão, junto ao Estádio Municipal, já estão a decorrer e vão mudar todo o sentido do espaço. De um estabelecimento prisional, aquela infraestrutura passará a ser a ‘segunda casa’ para os alunos que frequentam a Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão. Uma prisão que se renova para ser um centro de formação que dará condições muito mais dignas aos estudantes que, neste momento, estão num edifício na Pedra Mourinha que não oferece as condições dignas para o serviço que presta. A intervenção custará 2,3 milhões e estará aberta a tempo do próximo ano letivo, em setembro

de 2022, conforme prometeram os responsáveis durante a visita de Rita Marques, secretária de Estado do Turismo ao local, no dia 29 de setembro. A governante sublinhou que “há uma relação umbilical entre a tutela e as escolas, pois o turismo é um setor de pessoas para pessoas”. “Muitas vezes, preocupamo-nos muito mais com quem nos visita e esquecemos os empresários e trabalhadores, aqueles que criam este setor”, admitiu. Por isso, defende que é necessário mudar o ‘chip’ e pensar que Portugal devia ser o ‘melhor destino turístico a capacitar pessoas, a exportar e importar talento”, continuando a apostar na formação, referiu. A antiga cadeia será, por esta razão, um novo espaço impor-

tante no coração da cidade, para a formação dos futuros profissionais. “No dia 27 de setembro do próximo ano, Dia do Turismo, cá estaremos para ver os alunos a entrar. Esta é só mais uma das nossas escolas fantásticas, com uma taxa de empregabilidade de 95 por cento. Não podemos ter boa formação se não tivermos bons equipamentos e este vai ser inovador e de altíssima qualidade, não só para alunos de Portimão, mas também os que vêm de fora”, resumiu Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal. E esta intervenção é, para Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, “mais um sonho tornado realidade”, num projeto que se arrasta há vários anos, “herdado do anterior executivo e para o qual foi necessário arranjar uma resposta”. O espaço será um passo “importantíssimo para o turismo, quer em Portimão, quer no Algarve, pois se queremos ter um turismo de excelência temos que ter bons recursos humanos”, argumentou. O investimento será, portanto, em prol da qualificação dos profissionais, o que aumentará a competitividade a nível do destino. Na Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão há mais de 160 alunos de vários cursos, como Cozinha, Restaurante e Bar, Cozinha e Pastelaria, Gestão de Restauração e Bebidas e Gestão e Produção de Cozinha, sendo que neste novo espaço serão criadas oito salas de aula, duas cozinhas com equipamentos adequados e modernos, laboratórios, bar e restaurante e auditório, prestando melhores condições para o ensino.

FICHA TÉCNICA DIRETOR Rui Pires Santos • REDAÇÃO Ana Sofia Varela, Hélio Nascimento e Jorge Eusébio DESIGN E PAGINAÇÃO Vanessa Correia • FOTOGRAFIA Eduardo Jacinto e Kátia Viola DEPART. COMERCIAL Hélder Marques, 914 935 351 • PROPRIEDADE E EDITOR PressRoma, Edição de Publicações Periódicas, Unip. Lda., Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto, 8400-417 Lagoa CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Rui Pires Santos • DETENTOR DO CAPITAL 100% Rui Pires Santos NIF 508 134 595 • Nº REGISTO ERC 127433 • DEPÓSITO LEGAL Nº 470747/20 • SEDE DE REDAÇÃO Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto., 8400-417 Lagoa • EMAIL portimaojornal@gmail.com • TELEFONE 282 381 546 | 967 823 648 • IMPRESSÃO LUSOIBÉRIA, Av. da República, nº 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa • TIRAGEM 3.750 exemplares PERIODICIDADE Quinzenal • ESTATUTO EDITORIAL: https://algarvevivo.pt/sobre-nos/

Eleições para a presidência do Chega

Carlos Natal concorre contra André Ventura Carlos Natal anunciou, a 2 de outubro, que se candidatará à Direção Nacional do Chega, concorrendo contra o líder demissionário André Ventura, depois do Tribunal Constitucional ter levado o partido a eliminar a II Convenção e o III Congresso, que levou a alterações estatutários indevidas. O empresário portimonense, que chegou a ser indicado pelo partido encabeçar a lista à Câmara Municipal de Portimão nas eleições autárquicas de 26 de setembro, tendo depois sido afastado, apresentou um manifesto na sua página de facebook. O militante reclama que quer ser ouvido. “Ao longo dos últimos dois anos, o partido cresceu exponencialmente, absorvendo uma enorme massa humana descontente com o panorama político português”, mas, “ao mesmo tempo que o partido crescia, decrescia o número de militantes fundadores do partido, descontentes com o rumo que o Chega começava” a tomar e por não haver “canais para poder falar, expressar sentimentos, vontades e apontar caminhos”, argumenta. O portimonense descreve ainda que foram tomadas medidas, “muitas delas, autocráticas e com tiques de autoritarismo”. “Trapalhadas, indefinições, falta de liderança, ‘deixa andar’, não intervir e permitir que as situações fujam ao controlo, são o dia a dia do partido”, descreve. Carlos Natal afirma que não quer abrir divisões e que a intenção é “abrir um espaço de diálogo, pensamento e debate sobre o futuro do Chega”. CM PORTIMÃO

Intervenção custa 263 mil euros e arrancou esta semana

Estrada entre Penina e Cruz da Parteira começou a ser arranjada A Câmara Municipal de Portimão iniciou esta semana, no dia 4, as obras de requalificação da estrada que liga a Penina à Cruz da Parteira, conhecida por V5. A empreitada será realizada por fases, em cada um dos sentidos de trânsito, com o auxílio de semáforos móveis, e custará cerca de 263 mil euros. Iniciou-se no sentido Penina/ Portimão, antes da ponte sobre a linha do comboio, e tem uma duração de três meses. A autarquia tinha decidido adiar a intervenção em julho, para não gerar transtornos acrescidos nos meses de Verão.

FARMÁCIAS COM SERVIÇO NOTURNO OUTUBRO 7 Central • 8 Pedra Mourinha • 9 Moderna • 10 Carvalho 11 Rosa Nunes • 12 Amparo • 13 Arade • 14 Rio • 15 Central 16 Pedra Mourinha • 17 Moderna •18 Carvalho • 19 Rosa Nunes 20 Amparo


A FECHAR

Quinta-feira • 7 outubro 2021

D.R.

Mercado Mensal e Feira de Velharias retomam atividade

Feira de S. Martinho poderá voltar em novembro Após longos meses sem feiras e mercado, outubro marca o regresso destas iniciativas junto ao Portimão Arena.

Liga Portuguesa organiza D.R.

Ana Sofia Varela

A Liga Portuguesa Contra o Cancro, através do Grupo de Apoio de Faro, promove uma ação de rastreio à pele, este sábado, 9 de outubro, entre as 9h00 e as 13h00 e as 14h00 e as 18h00, junto ao Museu de Portimão. A ação contará com uma médica dermatologista, sendo gratuita e destinada à comunidade. No entanto, a medida é dirigida, sobretudo, a pessoas com mais de 50 anos, historial familiar de cancro de pele, com mais de 50 sinais (nevos), com pele e olhos claros ou com uma profissão que implique exposição solar. Os interessados podem inscrever-se por email (grupoapoiofaro@ligacontracancro. pt) ou por telefone (910 449 978), devendo indicar o nome completo e o contacto telefónico.

A

Câmara Municipal de Portimão deverá tomar uma decisão acerca da realização da tradicional Feira de São Martinho durante esta semana. Ao que o Portimão Jornal apurou, o evento deverá ter lugar entre 5 e 14 de novembro, no Parque de Feiras e Exposições, junto ao Portimão Arena, depois de uma interrupção devido à pandemia. É provável que a iniciativa seja promovida, ainda que com um plano de contingência adequado à atual situação pandémica e com algumas condições a implementar para evitar a propagação da covid-19. À data do fecho desta edição, na terça-feira, dia 5, ainda não havia certezas quanto a este evento, mas tudo indica que, com o alívio das medidas do Governo, se se mantiver o cenário atual, aquele espaço volte a ser invadido por carrosséis, vendedores de castanhas e farturas, e vendedores de artigos diversos. Aliás, Faro já anunciou que a Feira de Santa Iria retoma a atividade na próxima semana. Em Portimão, este mês já foram retomados o Mercado Mensal, que decorre sempre na primeira segunda-feira do mês, entre as 8h00 e as 15h00, e a Fei-

rastreio do cancro da pele

‘Morte de um caixeiro viajante’ sobe ao palco do Teatro Municipal

Após paragem devido à covid-19, Feira de S. Martinho regressa ra das Velharias, ao primeiro e terceiro domingo do mês, entre as 8h30 e as 12h30. Aliás, se a Feira de São Martinho se realizar de facto, a edição de dia 7 de novembro da Feira das Velharias não acontecerá, pois o espaço estará ocupado. Mesmo na primeira edição, no dia 3 de outubro, a Feira de Velharias esteve a ‘meio gás’, pois a maioria das pessoas não tinha conhecimento desta retoma e a chuva afastou os curiosos e os visitantes assíduos. Por sua vez, só

participaram os operadores com ingresso adquirido em março de 2020 e que não puderam, desde então, participar nesta feira, não sendo comercializados novos ingressos para esta data. A venda de ingressos para as edições seguintes já se iniciou a 4 de outubro, sendo que os interessados podem reservar um espaço na área administrativa dos Mercados de Portimão, a funcionar no piso 1 do Mercado da Avenida São João de Deus, nos dias úteis, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h30.

O Teatro Municipal de Portimão recebe, no dia 16 de outubro, às 21h00, a peça de teatro ‘Morte de um caixeiro viajante, de Arthur Miller’, com encenação de Jorge Silva Melo. Escrita no imediato pós-guerra, em 1949, é um sentido ‘requiem’ por uma sociedade que se baseia no triunfo individual, na competição, na exploração. É também um dos retratos mais magoados do ‘Sonho Americano’. O espetáculo é apresentado no âmbito da Rede Eunice Ageas, projeto de difusão de espetáculos produzidos e coproduzidos pelo Teatro Nacional D. Maria II. A entrada para o espetáculo custa dez euros e pode ser adquirida online (tempo.bol.pt) e na bilheteira do Teatro.

8º Rally Cidade de Portimão agendado para este fim de semana A prova competitiva regional do calendário oficial da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, o Rally Cidade de Portimão, decorre este fim de semana, nos dias 9 e 10 de outubro. A competição, que entra na 8ª edição, conta para o ‘Campeonato Sul de Ralis’ e para o Troféu Khumo Tyre Asfalto’, sendo organizada pelo Clube Automóvel do Sul. PUB


Millions discover their favorite reads on issuu every month.

Give your content the digital home it deserves. Get it to any device in seconds.