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Quinta-feira • 25 março 2021 • 1.00€

Vera Pereira, uma mulher no mundo do futebol Funcionária da SAD do Portimonense é de Alvor e prefere bola à política. P10-11

Quinzenário • Ano 1 • Nº20 Diretor: Rui Pires Santos

COVID-19: Testes disponíveis para população

SOCIEDADE Um milhão de euros para recuperação da antiga lota P16

Parceria entre Câmara Municipal e Algarve Biomedical Center abre a possibilidade de qualquer cidadão residente no concelho se inscrever para ser testado. P4

AUTÁRQUICAS 2021

PSD decide entre independente, Rui André e Carlos Gouveia Martins Maratonas negociais decorriam até ao fecho desta edição entre as concelhias do PSD e CDS-PP para tentar formar uma coligação. Caso haja acordo, o candidato à Câmara deve ser um independente mas também ainda estão em cima da mesa as hipóteses do líder da concelhia 'laranja' ou do atual autarca de Monchique avançarem. P8-9

EDUCAÇÃO Obras na escola José Buísel concluídas em junho de 2022 P15

COVID-19 Autarquia reforça distribuição de máscaras P15

ECONOMIA Vales do comércio local prolongados até maio P16

AMBIENTE Bloco de Esquerda preocupado com Ria de Alvor P6

VERÃO

Hora muda a 28 de março P16 PUB


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Portimão Jornal • 25 MAR 2021 • Nº20

ATUALIDADE Desconfinamento por etapas e com muita cautela

Retoma à vida ‘normal’ deve ser feita com cuidados acrescidos Próxima fase será depois da Páscoa, a 5 de abril, com o regresso dos alunos dos 2º e 3º ciclos às escolas, a abertura de lojas até 200 metros quadrados com porta para a rua e a prática de modalidades de baixo risco. Parques infantis continuam encerrados. FOTOS: ANA SOFIA VARELA

sua área de residência”, justifica.

Já há algum movimento nas ruas do centro, mas ainda há muitos espaços fechados Ana Sofia Varela

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pós dois meses de confinamento obrigatório, devido à alta propagação da covid-19, o Governo traçou uma estratégia que prevê o regresso à normalidade em quatro etapas, num plano que se prolonga até 3 de maio. No entanto, apesar do calendário proposto, pode sempre haver lugar a ajustes, consoante o número de casos no país e por cada região ou concelho. A primeira fase de desconfinamento, que se iniciou a 15 de março, ficou marcada pela reabertura de creches, pré-escolar e primeiro ciclo, bibliotecas, arquivos, cabeleireiros, manicures, livrarias, espaços de comércio automóvel e de mediação imobiliária, bem como o comércio ao postigo. O que está previsto para as próximas quinzenas é um levantamento gradual das medidas que foram impostas desde 15 de janeiro, havendo apenas uma em que a decisão é remetida para os presidentes de Câmara. Fica, assim, nas mãos dos autarcas se se realizam feiras e mercados em cada concelho.

Ao que o Portimão Jornal apurou, para já, o único que tem autorização concedida para funcionar é o Mercadinho de Alvor, que se costuma realizar aos domingos de manhã, na zona ribeirinha daquela vila piscatória. Isto porque, a realização de feiras e mercados não alimentares é “avaliada caso a caso pela Subcomissão Municipal Permanente da Proteção Civil para a Covid-19” e, até à data ainda não tinha havido “mais nenhum pedido de avaliação”, refere fonte oficial. Não é expetável que a feira das velharias ou o mercado mensal se realizem tão cedo, pois o espaço onde costumam decorrer está ocupado pelo ‘drive thru’ e pelo Hospital de Campanha, que apesar de ter sido desmontado, pode ter de ser ativado a qualquer momento, caso a pandemia se agrave e assim o exija. Bancos de jardim Por sua vez, também a decisão de levantar a interdição à frequência de jardins, espaços verdes e similares é tomada pelo Governo, sem que seja posta em causa uma decisão contrária dos autarcas.

“Deixa de ser vedada a permanência em parques, jardins, espaços verdes e espaços de lazer, bancos de jardim e similares, sem prejuízo das competências dos presidentes de Câmara Municipal”, lê-se no decreto de lei 4/2021, de 13 de março. Em Portimão, a sinalética que impedia que as pessoas utilizassem os bancos de jardim ou de outras zonas em espaços públicos foi retirada, acompanhando a decisão do Governo. A mesma fonte justifica que o banco pode ser utilizado por quem, por exemplo, está a realizar um passeio higiénico e necessita de descansar alguns minutos. Nem todas as interdições foram levantadas Apesar da sinalética dos bancos ter sido retirada, há ainda alguns condicionalismos que se mantêm em vigor. Os locais mais procurados para passeios, como as zonas ribeirinhas ou as balneares ainda estão condicionadas no seu acesso. “Neste momento, ainda está em vigor o recolhimento obrigatório e não faz sentido que uma pessoa que mora na Ladeira do

Vau vá passear à Praia da Rocha”, esclarece a mesma fonte. A ideia da sinalética é a dissuasão e, apesar de já ter havido algum alívio nas medidas de restrição, em Portimão foi decidido que estes condicionalismos aos acessos das zonas mais populares para passeios se mantêm para evitar aglomerados, pois “as pessoas devem efetuar o passeio higiénico na

Parques infantis não podem ser utilizados Apesar da legislação ditar que os parques infantis permanecem encerrados, há sempre quem tente ‘furar’ a proibição imposta. A verdade é que o decreto de lei em vigor não permite a abertura destes locais. Aliás, o artigo 16º mantém o encerramento de instalações e estabelecimentos que integram o anexo i deste decreto e que, neste caso, inclui as atividades recreativas, de lazer e diversão, que englobam discotecas, bares e salões de dança, circos, parques de diversões, parques recreativos e similares para crianças, parques aquáticos e jardins zoológicos. Estes espaços ainda não estão contemplados no calendário das próximas fases de desconfinamento, sendo necessário esperar pelos próximos decretos de lei que regulamentam as medidas de restrição e os levantamentos propostos para verificar quando estes locais podem abrir. Contactada pelo Portimão Jornal, fonte oficial explicou que, “esta é uma questão legal nacional”, que estes parques “estão fechados e assim vão permanecer”, esclarecendo ainda que, “mesmo que não esteja vedado”, porque

Parques infantis ainda não têm data para abrir


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Portimão Jornal • 25 MAR 2021 • Nº20

ATUALIDADE as pessoas retiram a sinalética, “o seu uso pode ser alvo” de uma coima. Ainda há regras gerais a cumprir Antes da entrada na segunda fase de desconfinamento, agendada para 5 de abril, e até ao final do levantamento de todas as medidas, há regras gerais a cumprir. Uma delas é a obrigação de teletrabalho. Por sua vez, o Governo quer evitar que haja deslocações pelo país no período pascal e aglomerados entre familiares e amigos, por isso, impôs a proibição de circulação entre concelhos entre 26 de março e 5 de abril. Nas medidas gerais, constam ainda o encerramento dos estabelecimentos às 21h00 nos dias úteis e há um horário próprio para os fins de semana e os feriados. Segundo o decreto de lei, o retalho não alimentar continua a encerrar às 13h00, mas os estabelecimentos de retalho alimentar fecham às 19h00. A próxima fase A 5 de abril, caso as expetativas corram como previsto, voltam à escola os alunos dos 2º e 3º ciclos, abrem alguns equipamentos culturais como os museus e podem voltar a funcionar as lojas até 200 metros quadrados, desde que tenham porta voltada para a rua. Abrem ainda as esplanadas, que só podem ser utilizadas com um limite máximo de quatro pessoas por grupo, e são permitidas modalidades de baixo risco, como o golfe, ténis, natação. A segunda etapa fica para 19 de abril e a quarta para 3 de maio, com a abertura gradual de atividades e espaços quer comerciais, quer culturais. 67 casos em 14 dias põem Portimão em zona amarela Com a concretização da primeira fase do plano do Governo, o mo-

vimento no concelho voltou a subir, sobretudo devido à abertura das creches e escolas para os mais novos. Também houve procura pelos serviços que reabriram, como os cabeleireiros, manicures, espaços de beleza, massagens, barbeiros. Abriram portas as imobiliárias e os stands automóveis, bem como o comércio ao postigo, onde a compra de café ganhou destaque nestes últimos dias. A Câmara Municipal reabriu também a Biblioteca Manuel Teixeira Gomes. No entanto, apesar do calendário, António Costa, primeiro-ministro, deixou bem claro que é preciso que a população cumpra as indicações, entre as quais as relacionadas com o dever geral de recolhimento no domicílio e a do teletrabalho. A cada 15 dias, o Governo avaliará os atuais números e decidirá se passa para uma nova etapa de confinamento ou se o restringe de novo. A próxima avaliação deverá acontecer ainda esta semana. Isto porque, serão dois importantes números a ditar como se processa o desconfinamento, o Rt e o número de casos em 14 dias. Nesta última vertente, há dois fatores a ter em conta. Um

deles coloca o território numa zona amarela e acontece quando o número de casos confirmados ultrapassa os 120 por cada cem mil habitantes. No caso de Portimão, esta referência corresponde a 67 pessoas. A zona seguinte, a vermelha é a que situa os casos em 240 por cem mil habitantes representa 133 pessoas. Para a avaliação conta ainda a incidência do Rt, consoante esteja abaixo ou acima de 1. É ainda considerada a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, a nível do acompanhamento, internamento e cuidados intensivos, bem como a capacidade de testagem e rastreio. Estas variáveis, que têm vindo a estabilizar nos últimos dois meses com a implementação do confinamento obrigatório, vão assim condicionar a concretização deste plano. No entanto, na terça-feira, 23 de março, o concelho contabilizava com 83 casos acumulados em 14 dias, dos quais 58 estavam ainda ativos. Estes números têm em conta as novas contaminações e a diferença entre estas e as recuperações. Ainda assim, o Governo avalia os concelhos com base nos casos acumulados.

PLANO DE DESCONFINAMENTO Regras Gerais - Teletrabalho obrigatório; - Proibição de circulação entre concelhos de 26 de março a 5 de abril; - Estabelecimentos fecham às 21h00 nos dias úteis; - Retalho não alimentar encerra às 13h00 aos fins de semana e feriados; - Espaços de retalho alimentar fecham às 19h00 aos fins de semana e feriados; - Uso de máscara obrigatório.

2ª fase ⇨ 5 de abril - Retomam as aulas presenciais os alunos do 2º e 3º ciclos e reabrem os ATL para estes ciclos de ensino; - Reabrem os equipamentos sociais na área da deficiência e os centros de dia; - Voltam à atividade museus, monumentos, galerias de arte e similares; - É permitida a abertura de lojas até 200 metros quadrados com porta para a rua; - Podem funcionar as esplanadas, com um máximo de quatro pessoas por grupo; - São permitidas as modalidades desportivas de baixo risco; - Atividade física ao ar livre até quatro pessoas e ginásios sem aulas de grupo.

3ª fase ⇨ 19 de abril - Alunos do ensino secundário e superior regressam ao regime presencial; - Formações voltam a poder ser realizadas presencialmente; - Reabrem cinemas, teatros, auditórios, salas de espetáculos; - Lojas de cidadão reabrem com atendimento presencial por marcação; - Voltam a funcionar todas as lojas e centros comerciais; - Abrem restaurantes, cafés e pastelarias, que no interior podem ter no máximo quatro pessoas por grupo, e no exterior, em esplanadas, podem ter dez pessoas por grupo, funcionando até às 22h00 nos dias úteis e até às 13h00 no fim de semana e feriados; - É permitida a prática de modalidades desportivas de médio risco; - Passa a ser permitida a atividade física ao ar livre até seis pessoas;

Em Portimão apenas pode registar menos de 67 casos

- Ginásios podem funcionar mas sem aulas de grupo; - São permitidos eventos exteriores, mas com diminuição de lotação; - Casamentos e batizados podem ser realizados, mas com 25 por cento da lotação.

4ª fase ⇨ 3 de maio - Restaurantes, cafés e pastelarias, podem ter, no interior, no máximo seis pessoas por grupo, e no exterior, em esplanadas, podem ter dez pessoas por grupo, funcionando sem limite de horários; - São permitidas todas as modalidades desportivas; - É possível a prática de atividade física ao ar livre e em ginásios; - Grandes eventos exteriores e eventos interiores podem ser promovidos, mas com diminuição de lotação; - Casamentos e batizados podem ser realizados, mas com 50 por cento de lotação. Lojas da cidade tentam recuperar perdas com a venda ao postigo


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Portimão Jornal • 25 MAR 2021 • Nº20

SOCIEDADE Qualquer interessado pode inscrever-se online ou na linha 'Proteção 24'

Aumento de casos leva Portimão a avançar com testagem massiva à covid-19 ANA SOFIA VARELA

Testes gratuitos serão efetuados pelo Algarve Biomedical Center no ‘drive thru’ instalado no Arena. Ana Sofia Varela

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Câmara Municipal de Portimão avançou, na terça-feira, 23 de março, com uma estratégia ambiciosa de combate à propagação da covid-19 no concelho, devido ao aumento do número de casos registado nos últimos dias e para tentar controlar potenciais surtos. Assim, é possível que qualquer residente possa inscrever-se e efetuar um teste gratuito antigénio no ‘drive thru’, instalado no Portimão Arena. A inscrição pode ser realizada online ou através da linha ‘Proteção 24’ (ver caixa), disponível 24 horas por dia, sendo ainda possível que seja solicitada uma solução para a deslocação até ao espaço onde é realizado o teste, caso o inscrito não tenha meio de transporte. Após a submissão individual da inscrição, cada utente receberá um e-mail de confirmação da receção dos dados. Com a devida antecedência, o inscrito voltará a receber uma outra mensagem com a confirmação do local, data e hora da marcação do teste antigénio. Esta medida só é possível devido a uma parceria entre a autarquia e o Algarve Biomedical Center (ABC). Surto na construção civil A Câmara Municipal de Portimão está preocupada com a forma como a pandemia tem vindo a evoluir no concelho, nos últimos dias, tendo reforçado as medidas com impacto imediato na segurança sanitária da comunidade. Além dos testes gratuitos a qualquer cidadão interessado, a autarquia está a responder, com rapidez, com ações de controlo de um recente surto detetado no setor da construção civil.

Qualquer cidadão poderá ter a oportunidade de fazer um teste gratuito Ao que o Portimão Jornal apurou, até dia 23 de março já tinham sido realizados rastreios em seis estaleiros, sendo garantido que todos os espaços deste género existentes no concelho serão testados. A Autoridade de Saúde Local iniciou uma testagem abrangente a todos os trabalhadores deste setor, com o apoio da Autoridade para as Condições do Trabalho, do Serviço Municipal de Proteção Civil e dos Bombeiros Voluntários de Portimão. O atual surto foi detetado logo no início, o que permitiu que os serviços de saúde e a autarquia, através da Proteção Civil, tenham conseguido responder de imediato, com ações para limitar a infeção de mais pessoas. “Uma vez que o surto se desmultiplicou face a eventos de natureza social, veemente desaconselhados neste momento, a equipa multidisciplinar de apoio à saúde pública, que inclui trabalhadores destacados pela autarquia na Proteção Civil Municipal, estão a trabalhar ininterruptamente para acompanhar de perto os contactos dos casos positivos, não apenas os funcionários, mas também as respetivas famílias e

amigos, colocando todos em isolamento, precocemente, de forma a quebrar as cadeias de transmissão”, explica a Câmara Municipal. Para as autoridades de saúde e para a Câmara, o objetivo prioritário é estancar este e futuros surtos de forma rápida e eficaz, evitando um retrocesso no desconfinamento em curso, devido à subida dos indicadores que servem de avaliação para o Governo. Ao que o Portimão Jornal apurou, os surtos neste setor da sociedade causam apreensão acrescida, até porque, além de afetarem a população portimonense, podem estender-se facilmente a concelhos limítrofes. É que é usual que os empreiteiros, subcontratem empresas ou trabalhadores, cuja atividade se estende a diversos locais da região. Em termos práticos, é com muita facilidade que alguém que está a trabalhar numa obra em Portimão, se desloca a outra obra em Lagoa, gerando novos surtos. É por esta razão que a atuação das entidades ligadas à saúde deve ser rápida. Neste momento, o eficaz controlo de surtos, seja em que setor for, tem de ser concretizado, devendo haver também consciência individual para evitar comporta-

mentos de risco, pois o que está em jogo é um potencial passo atrás que teria forte impacto na vida em sociedade e na economia local. Números acima da média Os últimos dados relacionados com o concelho de Portimão colocam-no já acima da linha mínima que o Governo traçou. Ou seja, ao fecho desta edição, na terça-feira, dia 23 de março, contabilizava 83 casos acumulados nos últimos 14 dias. Ainda que destes apenas 58 se encontrem ativos (a Direção-Geral de Saúde considera que um caso ativo pode passar a inativo em dez dias), o que contará para a avaliação que o Governo fará esta semana são os casos acumulados, em conjugação com o índice de transmissibilidade (Rt). A verdade é que o concelho conseguiu baixar de forma considerável o número de infeções durante o confinamento, mantendo a situação epidemiológica controlada, e em contraciclo com a realidade do país. Mas se antes o ponto de referência para estas avaliações era 133 casos em 14 dias, este número foi reduzido para metade nesta fase de desconfinamento. Ou seja,

ultrapassar os 67 casos fará com que o território entre numa zona amarela e os 133 casos põem Portimão numa zona vermelha. O número de casos conjugado com o Rt pode levar a que o Governo imponha medidas a nível nacional, mas também a nível local. Tendo em conta o cenário atual, caso a avaliação destes números a nível concelhio mostre que foram excedidos os parâmetros pré-definidos, o Governo pode impor, de novo, restrições em Portimão. Pode decidir voltar atrás em restrições já levantadas, como pode decidir que o concelho não passará para a etapa seguinte prevista no calendário.

Inscrições para teste Linha Proteção 24 808 282 112 Formulário online https://www.cognitoforms. com/ABCAlgarveBiomedicalCenter/AgendamentoTesteDeRastreioAntigénioÀCOVID19AgCOVID19TestingForm


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Portimão Jornal • 25 MAR 2021 • Nº20

SOCIEDADE Proteção Civil participou em exercício internacional de simulação

Plano Municipal de Emergência testado para resposta a tsunami Experiência permitirá melhorar os procedimentos e mecanismos utilizados, para os corrigir e ajustar, criando capacidades e automatizando processos. CM PORTIMÃO

Cenário fictício colocou em teste a resposta a um sismo de 8.6 na escala de Richter

O

Serviço Municipal de Proteção Civil de Portimão participou no ‘NeamWave21’, a 10 de março, um exercício internacional de simulação e resposta a um tsunami, que teve como principal objetivo testar a prontidão deste sistema de alerta. Através da ação realizada a ní-

vel local, o município juntou-se à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera, bem como a outras entidades em todo o território nacional para testar os procedimentos de comunicação a implementar após a chegada da mensagem de alerta de tsunami.

Dique rebentado causa perigo de inundações

Bloco de Esquerda preocupado com Ria de Alvor O deputado João Vasconcelos, eleito pelo Bloco de Esquerda no Algarve, reuniu-se com a administração da Docapesca, na semana passada, e um dos assuntos que levantou foi o ponto de situação sobre o dique que rebentou na Ria de Alvor. Segundo o parlamentar, a tutela diz que a obra de arranjo arrancou em setembro de 2020, mas que devido às vicissitudes da zona, o ritmo tem sido muito lento”. A Docapesca garantiu, porém, que a intervenção estaria concluída até ao Verão. Outra das questões levantadas foi se a empresa está disposta a anali-

sar, facilitar e repensar as taxas cobradas às marítimo-turísticas, considerando que estas empresas têm estado a sofrer fortes constrangimentos devido à pandemia. Segundo o deputado, a Docapesca referiu que alterou todas as licenças das marítimo-turísticas, tendo as mesmas passado a semestrais, invés de anuais. A empresa admitiu estar “aberta a colaborar com todas as empresas que solicitarem ajuda, adiantando”, no entanto, disse que era preciso ter em conta a situação financeira que atravessa nesta altura, reproduziu João Vasconcelos.

O cenário fictício traçado centrou-se na ocorrência de um sismo registado às 9h07, cujo epicentro se localizou na proximidade do mar de Marrocos, com uma magnitude de 8.6 na escala de Richter e uma profundidade de 27 quilómetros. Neste exercício foi testado o Plano Municipal, bem como o

sistema de aviso à população, da qual teriam, hipoteticamente, resultado 924 vítimas mortais, 3089 desalojados e 9506 habitações destruídas e outros danos materiais consideráveis. A necessidade de realojar pessoas levou a que fossem traçados itinerários para as Zonas de Concentração e Apoio à População (ZCAP), existentes nas três freguesias, e até locais de alojamento temporário, situados em oito unidades hoteleiras, com recurso a 58 autocarros. Ainda neste exercício, Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão, assegurou a direção política da gestão de emergência, enquanto autoridade municipal de proteção civil, em estreita articulação com o Posto de Comando Municipal, dirigido pelo respetivo coordenador e que funcionou no quartel dos Bombeiros de Portimão, onde todo o processo de decisão conduziu às ações consideradas fundamentais para uma oportuna resposta e assistência à população, face às diferentes situações apresentadas, descreve a autarquia. No dia seguinte ao exercício foi realizada uma reunião com to-

dos os intervenientes no Centro Municipal de Emergência e Proteção Civil de Portimão, que levou a um balanço positivo da participação. Portimão está a implementar, desde 2018, um sistema inovador e robusto de aviso à população para o risco de tsunami, de âmbito municipal, através de uma rede de sirenes instaladas na zona costeira e ribeirinha, bem como um plano de evacuação das áreas de maior risco, com pontos de encontro seguros definidos para receção de pessoas. Neste exercício internacional de simulação e resposta a um tsunami, além do Serviço Municipal de Proteção Civil participaram ainda os membros do Centro de Coordenação Operacional Municipal, como a Autoridade Marítima, Bombeiros, Cruz Vermelha Portuguesa, Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública e Polícia Judiciária. A iniciativa internacional realizou-se em formato ‘Command Post Exercice’ e durou oito horas, contando com o apoio da Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão e de diferentes divisões da autarquia.

Já foram desenvolvidos 40 projetos

Teia D’Impulsos celebra dez anos com exposição itinerante A Associação Teia D’Impulsos comemorou dez anos no dia 16 de março, tendo assinalado a década com a apresentação de um novo logotipo e está a ser preparada uma exposição, que deverá ser itinerante e passar por diversos locais da região a partir de maio. Até maio, está ainda prevista a realização da 3ª edição do e-Teia d’Ideias, sendo a próxima esta quinta-feira, 25 de março, a Prova de Apuramento Nacional de Vela Adaptada, o Mercado da Bagageira, que retoma em abril, Convocados para Ajudar, o Sábado Solidário, Arade Azul, Atividade FOrA. A entidade sem fins lucrativos destaca que numa década foram

desenvolvidos mais de 40 projetos e 1588 ações, com impacto em milhares de pessoas quer da região como de fora, onde se desta-

D.R.

cam a Rota do Petisco, a Vela Solidária, os Teia D’Ideias, os Cool Market ou o Festival da Oralidade do Algarve.


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Portimão Jornal • 25 MAR 2021 • Nº20

RAIO-X

A foto

ANA SOFIA VARELA

EDITORIAL . RUI PIRES SANTOS

Dança de nomes para as autárquicas A cerca de seis meses das eleições, são muitas as movimentações dentro dos partidos para a escolha dos cabeças de lista às próximas autárquicas em Portimão. Com Isilda Gomes e Álvaro Bila confirmados como números um e dois na lista do PS à Câmara Municipal, ainda que não tenham sido oficializados, o PSD está também em processo de escolha do seu candidato, em coligação com o CDS-PP. Já terão existido mesmo sondagens para avaliar vários nomes e, à data do fecho desta edição, Carlos Gouveia Martins, atual líder da concelhia, Rui André, presidente da Câmara de Monchique a terminar o terceiro e último mandato, e um independente eram as hipóteses em cima da mesa. Aliás, esta última era mesmo a hipótese mais forte.

REPUXO MEDIÁTICO • A cidade de Portimão passou a ter mais um atrativo. Trata-se de um jacto de água de 15 metros de altura, que tem luz à noite, o qual foi instalado pela Câmara junto à ponte ferroviária. O repuxo ganhou, de imediato, grande protagonismo mediático nas redes sociais, com centenas de comentários, uns a favor outros contra, o que levou a que um grande número des pessoas se deslocassem ao local para apreciar o novo ‘monumento’. Com uma vantagem acrescida: é que com o vento que tem feito, muitos aproveitaram a oportunidade para fazer exercício e ao mesmo tempo apanhar um duche.

A frase

Sofro com o futebol, mas agora já um bocadinho menos. Fui-me vacinando, mas ainda sofro com as derrotas e fico muito feliz com as vitórias. Sem público, a sensação é outra e, às vezes, até parece que estou num jogo treino”. Vera Pereira

Ainda que o perfil estivesse traçado dentro da coligação, ainda por formalizar, existem correntes a defender escolhas diferentes e não estarão fora de equação que alguns dos nomes em cima de mesa possam ir na mesma lista. Certo é que os social democratas parecem querer apostar forte nestas autárquicas, reunir ‘tropas’, unir partidos numa coligação com a união e a força que tem faltado em sucessivas eleições, em que foram derrotados pelos socialistas. Nos próximos dias, deverá ser conhecido o nome do candidato escolhido e ficarão desfeitas as dúvidas. Os restantes partidos acertam ainda os nomes, aguardam respostas aos convites efetuados, mas pretendem acelerar processos até final de abril e revelar os cabeças de lista aos vários órgãos autárquicos. O confinamento não ajudou e colocou um ‘travão’ nas reuniões e nas decisões dos partidos. Certo é que abril será um período fértil nos anúncios oficiais de candidatos e respetivas listas. Neste Portimão Jornal, apresentamos a boa notícia do acordo entre a Câmara Municipal de Portimão e o Algarve Biomedical Center (ABC) que vai permitir que os portimonenses possam realizar testes à covid-19 por marcação, quando acharem que possam estar infetados. Esta é uma medida importante na tese da testagem massiva defendida pelos especialistas como uma das melhores formas de evitar surtos da doença após o desconfinamento. Mais uma vez, a autarquia foi pró-ativa e inovadora nas medidas de combate ao novo coronavírus e tomou uma decisão importante.

FARMÁCIAS COM SERVIÇO NOTURNO MARÇO 25 Rosa Nunes • 26 Amparo • 27 Arade • 28 Rio 29 Central • 30 Pedra Mourinha • 31 Moderna ABRIL 1 Carvalho • 2 Rosa Nunes • 3 Amparo • 4 Arade 5 Rio • 6 Central • 7 Pedra Mourinha

IVO CARVALHO

ANTIGA LOTA

COVID-19

A Freguesia de Alvor festejou, no passado dia 11, o 33º aniversário da sua elevação à categoria de vila. Devido à situação pandémica que atravessamos, as celebrações foram quase exclusivamente feitas nas redes sociais. No próxima sexta-feira é apresentado o novo logotipo e imagem da Freguesia e, ao mesmo tempo, está a arrancar a obra de requalificação da Estação Salva-Vidas.

Este icónico edifício, que se encontra em avançado estado de degradação, vai finalmente ser alvo de uma profunda intervenção que lhe permitirá voltar a ter o ‘brilho’ de outras eras, mas agora adaptado a novas funções.

Portimão esteve, ao longo de várias semanas, a registar um número residual de novos casos, o que antevia uma tranquila transição para a fase de progressivo desconfinamento. Contudo, devido a alguns surtos, o concelho voltou a ver aumentar de forma preocupante o número de pessoas infetadas pelo vírus.

FICHA TÉCNICA • DIRETOR Rui Pires Santos • REDAÇÃO Ana Sofia Varela, Hélio Nascimento e Jorge Eusébio • DESIGN E PAGINAÇÃO Vanessa Correia FOTOGRAFIA Eduardo Jacinto e Kátia Viola • DEPART. COMERCIAL Hélder Marques, 914 935 351 • PROPRIEDADE E EDITOR PressRoma, Edição de Publicações Periódicas, Unip. Lda., Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto, 8400-417 Lagoa • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Rui Pires Santos DETENTOR DO CAPITAL 100% Rui Pires Santos • NIF 508 134 595 Nº REGISTO ERC 127433 • DEPÓSITO LEGAL Nº 470747/20 SEDE DE REDAÇÃO Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto., 8400-417 Lagoa • EMAIL portimaojornal@gmail.com • TELEFONE 282 381 546 | 967 823 648 • IMPRESSÃO LUSOIBÉRIA, Av. da República, nº 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa TIRAGEM 3.500 exemplares • PERIODICIDADE Quinzenal • ESTATUTO EDITORIAL: https://algarvevivo.pt/sobre-nos/


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Portimão Jornal • 25 MAR 2021 • Nº20

CENTRAIS Oposição procura fechar listas conjuntas em Portimão

PSD e CDS em maratonas negociais para formar coligação Listas abrangentes, envolvendo vários partidos e independentes, preferencialmente com ligação ao PS. Esta é a base do processo negocial que tem sido levado a cabo, nas últimas semanas, pelo PSD e CDS. FOTOS: ANA SOFIA VARELA

Jorge Eusébio

E

m declarações ao Portimão Jornal, o presidente da concelhia social-democrata, Carlos Gouveia Martins, e o líder regional do CDS, José Pedro Caçorino, manifestaram interesse em chegar a um entendimento que permita formar “listas fortes e abrangentes” que lhes dê maiores possibilidades de, finalmente, conseguirem derrotar o PS. Depois de várias rondas negociais, à data do fecho desta edição (23 de março) parecia estar-se bem perto de um acordo que possibilite a apresentação de uma candidatura única. Na altura, o nome do candidato à presidência da Câmara ainda não estava fechado, mas as informações que recolhemos indicavam que o mais provável é que seja um independente. A escolha de um nome forte que dê algumas garantias de obtenção de um bom resultado é, de resto, o principal problema com que os negociadores se têm deparado e que levou ao arrastar do processo. Rui André não fecha portas a Portimão Da parte do PSD, Carlos Gouveia Martins e Rui André (atual presidente da Câmara de Monchique) têm sido os nomes mais falados, nos meios políticos locais, como potenciais candidatos à presidência da autarquia. Contactado pelo Portimão Jornal, Rui André confirma que houve uma abordagem nesse sen-

Carlos Martins tem sido um dos nomes falados como candidato

José Pedro Caçorino diz preferir um independente

altura, qualquer decisão”. O autarca acrescenta que, para já, “o meu compromisso é com Monchique e com a população local, é conseguir pôr em marcha uma série de projetos”. Contudo, lembra que, por imposição legal, não pode concorrer a um novo mandato naquele concelho, pelo que dentro de alguns meses passará a ser, politicamente, “um homem livre e, como gosto de desafios, não fecho a porta

çorino diz que, em princípio, não se oporia a um eventual nome social-democrata, mas não esconde que a sua preferência vai no sentido de ver um candidato independente a encabeçar a lista para a Câmara. Isto desde que se trate de alguém que seja uma mais-valia política, que “não divida, antes pelo contrário, seja fator de união e de agregação de vontades”. De preferência, que até consiga ir buscar votos junto de uma parte do eleitorado que, tradicionalmente, vota no PS. Esta ideia de atrair eventuais descontentes socialistas, não necessariamente para o topo da lista para a Câmara, mas eventualmente para outros lugares também parece fazer parte da estratégia do PSD. Carlos Gouveia Martins confirma ter havido contactos com pessoas conotadas com essa área política, quer por sua iniciativa, quer por iniciativa das próprias.

José Pedro Caçorino não esconde que a sua preferência vai no sentido de ver um candidato independente a encabeçar a lista para a Câmara tido, mas acrescenta que “não ficou nada acertado, não houve, na

a nenhum”. Os adeptos da sua candidatura

dizem que se trata de alguém com experiência autárquica e com perfil vencedor. Para além disso, lembram que tem fortes ligações a Portimão, onde possui casa e família. Também estudou na cidade e aí desenvolveu uma parte da sua atividade profissional. Os que preferem a solução Carlos Gouveia Martins entendiam tratar-se de uma escolha natural, tendo em conta o percurso que fez ao longo dos últimos quatro anos de combate à maioria do PS, na Assembleia Municipal, e de, enquanto presidente da concelhia, ter conseguido unir as diversas fações que sempre existiram no interior do partido. Posto perante esta questão, Carlos Gouveia Martins procura evitá-la e contrapõe que o que o motiva é fazer parte de uma solução vencedora. A difícil busca por um candidato independente forte Da parte do CDS, José Pedro Ca-

E assume que alguns elementos que, inclusivamente fizeram parte de órgãos autárquicos socialistas antes da ‘fase’ Isilda Gomes, teriam condições para integrar as equipas da oposição, eventualmente até como cabeças de lista a juntas de freguesia. Mas para conseguir afastar o PS do poder todos os votos contam, pelo que este dirigente diz querer formar uma coligação o mais abrangente possível, envolvendo, para além do CDS e de independentes, também a Iniciativa Liberal, a Aliança e o NOS Cidadãos, com quem tem desenvolvido conversações. PS com processo mais adiantado Mais avançado na escolha dos nomes que vai apresentar às eleições está o PS. Conforme informamos, em primeira-mão, na anterior edição do Portimão Jornal, o partido já decidiu apresentar Isilda Gomes e Álvaro Bila como


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CENTRAIS os primeiros nomes da lista à Câmara. Para a presidência da Assembleia Municipal avança a antiga presidente da Junta de Portimão e vereadora Isabel Guerreiro. Quanto às juntas de freguesia, em duas delas a situação também está resolvida, uma vez que os atuais presidentes se recandidatam: José Vitorino, na Mexilhoeira Grande, e Ivo Carvalho em Alvor. Apenas para a Junta de Portimão ainda há dúvidas, uma vez que não é fácil encontrar alguém com a popularidade que tem Álvaro Bila e que possa garantir uma votação sem grandes sustos para aquele órgão.

trutura local bloquista ainda não decidiu que nomes irá apresentar e que “os candidatos não têm de ser sempre os mesmos, pode haver algumas novidades nestas eleições”. Na sua opinião, o que é importante é que a equipa a constituir lute por um bom resultado nas urnas e se possível retire a maioria absoluta ao PS que “governa o concelho há quase meio século”. Também o PCP ainda não escolheu quem o vai representar nas próximas autárquicas. Ao que apurámos, o processo está a desenvolver-se mas, muito provavelmente, só no próximo mês de abril é que ficará fechado.

Bloco e PCP ainda não escolheram candidatos João Vasconcelos poderá voltar a ser o candidato do Bloco de Esquerda à presidência da Câmara. O facto de ser vereador, deputado na Assembleia da República e o principal rosto do partido, não só no concelho mas em toda a região, indiciam que essa é uma probabilidade muito forte que, no entanto, não é para já confirmada por este dirigente. João Vasconcelos diz que a es-

CHEGA já tem candidatos Uma das novidades destas eleições é a participação do CHEGA. O presidente da distrital deste partido, João Graça, diz que já estão escolhidos os cabeças de lista para a Câmara, Assembleia Municipal e duas juntas de freguesia. As informações que recolhemos indicam que falta apenas saber quem vai liderar a equipa para a Freguesia da Mexilhoeira Grande. No entanto, este dirigente

escusou-se a divulgar os nomes, uma vez que “ficou definido que vai ser o líder do partido, André Ventura, que se desloca na próxima semana ao Algarve, a fazer a apresentação pública dos nossos candidatos na região”. Em princípio, o partido deverá apresentar-se, em listas próprias, em todos os 16 concelhos algarvios, com equipas constituídas a “cerca de 80% por militantes e 20% por independentes”. Nas eleições presidenciais, André Ventura conseguiu 4.127 votos em Portimão, o que equivaleu a 19% dos votos expressos, sendo este um dos concelhos em que teve melhores resultados. Isso faz com que haja a expectativa de um bom resultado nas autárquicas, mas João Graça procura não colocar a fasquia muito alta, pois “trata-se de eleições diferentes”. De qualquer forma, espera que o CHEGA consiga eleger representantes nos diversos órgãos autárquicos, incluindo a Câmara de Portimão. Para além destas candidaturas, poderá surgir mais uma, pois, segundo apurámos, há movimentações no sentido de ser constituída uma lista independente.

Rui André não fecha portas a um desafio político em Portimão

João Vasconcelos deve voltar a ser o candidato do Bloco PUB


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PESSOAS

Vera Pereira cumpriu um mandato na Assembleia de Freguesia e é funcionária da SAD do Portimonense  

Alvorense de alma e coração prefere o futebol à política 

Começou a trabalhar muito cedo, é acérrima defensora dos direitos dos animais e adora passar as folgas junto aos pescadores, aproveitando para dar agradáveis passeios de barco pela Ria. FOTOS: KÁTIA VIOLA

Hélio Nascimento

E

studou “o essencial” e começou a trabalhar cedo, no ramo da hotelaria, numa altura em que “não imaginava que ia chegar ao Portimonense”. O seu caminho também já se cruzou com o da política, mas Vera Lúcia Pereira é, acima de tudo, uma cidadã ativa. Natural de Alvor, onde continua a viver, tem 40 anos e não perde a oportunidade de navegar pela Ria, onde se sente como “peixe na água”. Quem quiser encontrá-la, nos seus dias de folga, o melhor é procurar na zona ribeirinha e de certeza que a vai descobrir à conversa com amigos e pescadores. Tempo livre, porém, não há muito. Vera é funcionária da SAD do Portimonense e o mundo do futebol profissional, bem se sabe, é deveras exigente. E preenchido. Quanto à política, bem… pode esperar. Mas já lá vamos. “Estive sempre ligada à hotelaria, até que, em 2005, fiquei desempregada e comecei a procurar trabalho. No site do Portimonense reparei que havia uma vaga, para o departamento de publicidade, e fui à entrevista. Acabei por ser a escolhida e cá estou”. Vera nem passou muito tem-

Vera Pereira é uma 'mulher de armas' e considera-se feliz por ter o seu dia a dia bastante preenchido po a lidar com a publicidade, tendo transitado pouco depois para a secretaria, onde “era preciso alguém para ajudar o Jorge Dias”. Fazia o que era necessário, tipo ir às Finanças, à Segurança Social e

Três ‘filhos’ no plantel “Um dia escrevo um livro, embora alguns episódios não sejam para contar”, atira Vera Pereira, quando confrontada com algumas histórias divertidas desta sua vivência no mundo do futebol. A escolha recai na “relação especial” que acaba por ter com os jogadores, “às vezes quase de mãe e filho, em especial para com os que vêm de fora, porque se eu fosse para uma terra estranha também gostava que alguém cuidasse de mim”. E depois, é normal, “ganhas mais carinho com alguns”. No atual plantel do Portimonense “costumo dizer que tenho três filhos”, passa a contar. São eles o Lucas Fernandes, o Aylton e o Beto, este o último a ser adotado. “Todos têm uma humildade que dá gosto, mas o Beto é diferente, todos os dias agradece, está sempre recetivo. Apesar de estar agora a atravessar um momento bom na carreira, não lhe chega à cabeça este relativo sucesso. Espero que assim continue e que tenha muito sucesso!”, sublinha Vera, rendida ao ponta de lança. “Gosto de todos eles, note-se. Uma coisa que a pandemia nos tirou e que sinto muito a falta é agora não poder abraçá-los e beijá-los, como fazia antes”, acrescenta ainda. 

tratar de outros assuntos do dia a dia do clube, numa altura em que o presidente dos alvinegros era João Cintra. Em 2018, a convite da administração, deixou o clube e passou para os quadros da SAD, que foi então constituída, estreitando ainda mais a sua ligação ao futebol, começando por dar apoio aos jogadores, função agora mais exigente, até porque tem a seu cargo o Gabinete de Apoio às Famílias. “Acompanho o jogador desde que chega à cidade, cuidando da sua adaptação e de tudo o que é preciso fazer. Depois, quando vêm as famílias, oriento quem as vai buscar e trato da respetiva instalação, até escolherem sítio para viver, bem como da legalização no país. Ajudo também na procura de colégios, para os que têm crianças, embora prefira que sejam os próprios pais a proceder a essa escolha. Mas os jogadores também se ajudam uns aos outros, sobretudo aqueles que já se conhecem e têm laços de amizade”.

Candidata independente no Servir Portimão Cidadã ativa e preocupada com as necessidades do concelho, sobretudo da sua vila, Vera Pereira foi candidata nas eleições autárquicas e acabou por ser eleita para a Assembleia da Junta de Freguesia de Alvor em 2013 e 2017. “A política não era o meu forte, embora cumprisse sempre o dever cívico em tempo eleitoral. Ser de esquerda ou de direita pou-

seus direitos e deveres. Fui convidada pelo José Pedro Caçorino, como independente, para integrar a coligação Servir Portimão, e, em meia hora, depois de falar com os meus pais e a minha filha, resolvi aceitar”, conta Vera, explicando a razão da conversa, porque, como diz, “isto da política tem um lado bom e um lado mau e tinha de proteger a minha filha, que na altura tinha dez anos”. Logo em 2013, os resultados

“Os dias nunca são iguais, dedico-me ao trabalho e tenho prazer no que faço. Depois, estou rodeada de pessoas espetaculares, que me tratam lindamente e não faltam com nada” co me dizia, desde que houvesse respeito pelos cidadãos e pelos

foram animadores e cumpriu o seu mandato na Assembleia da


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PESSOAS Freguesia. Quatro anos volvidos, em 2017, “as coisas já não correram tão bem, embora o desfecho

impediu de fazer o seu trabalho, que levava a cabo, sobretudo, nos dias de folga. “As pessoas é que

“Tive dificuldades em lidar com pessoas da minha lista que da primeira vez defendiam uma opinião e da outra apresentavam uma opinião diferente. Percebi que o melhor era afastar-me” tivesse sido o mesmo”. A coligação chamou-se então Servir Mais Portimão e Vera voltou a tomar posse, mas, desta feita, suspendeu o mandato. “Porquê? A política é complicada, pelo menos aqui em Portimão, e acredito que também é difícil nos outros lados. A menos que integres uma lista que vai ganhar… se não lá vêm as críticas e há pessoas que se fartam das pressões e argumentam que o cargo lhes prejudica o trabalho, para, depois, abandonarem. No meu caso, tive dificuldades em lidar com pessoas da minha lista que da primeira vez defendiam uma opinião e da outra apresentavam uma opinião diferente. E eu tenho um problema, que é dizer o que sinto, prontamente. Na circunstância, percebi que o melhor era afastar-me”.  Vera adianta que em plena campanha foi alvo de uma cirurgia, devido a um problema inesperado, mas não foi isso que a

me desiludiram”, incluindo as da sua lista, como já referiu. “Há problemas que me tocam de perto, principalmente os de Alvor. Não percebo como alguém pode ser marginalizado por não pertencer a certo núcleo”, queixa-se, apontando algumas coisas que deviam ser rapidamente feitas na freguesia. “No primeiro mandato andámos quatro anos ‘a bater’ no parque ilegal de caravanas, na falta de apoio às instituições”, e, para cúmulo, até havia “velórios que chegaram a ser feitos quase no meio de uma esplanada de café, coisas que podem parecer pequenas, mas que não o são para quem lá vive”.   Cadelas em casa e gatos no quintal A participação de Vera na sociedade estende-se aos animais, sendo uma acérrima defensora dos direitos dos mesmos. Fá-lo por

conta própria, sem qualquer ligação a associações. “Os gatos do bairro são alimentados por mim e pela minha mãe. Trato também da esterilização e pago do meu bolso as despesas com o veterinário. Quantos tenho? Todos os que andam na rua e que vivem no meu quintal”, exclama, com um sorriso, perante a surpresa causada ao jornalista. Se os gatos andam na rua, as cadelas – e são quatro – passam mais tempo em casa. E todas têm histórias engraçadas e curiosas. A Sandy, por exemplo, estava abandonada em Santarém. “Tive conhecimento através do Facebook e fiquei encantada com a cadela, mas uns dias depois li que ia ser adotada. Afinal não foi, e, quando dei por mim, já tinha enviado a mensagem a dizer que ficava com ela”, recorda a alvorense, dando ainda conta das boleias que a Sandy apanhou até chegar a Alvor, com paragens e ‘mudança de transporte’ em Lisboa e Lagoa. “Depois ofereceram-me a Minnie, ainda bebé, e a seguir nasceu, por ‘acidente’, a filha da Sandy, que se chama Kyara”. A última dá pelo nome de Belinha e foi encontrada nas imediações do estádio do Portimonense. Delegada aos jogos e pertinho do relvado As funções de Vera no futebol estendem-se às quatro linhas, literalmente falando. Já foi delegada aos jogos da equipa de sub23, o que implica sentar-se no banco, ao lado dos técnicos e dos suplentes. “Fui substituir uma

A política pode esperar “Voltar à política? Acho que não, até porque fiquei dececionada com a última experiência”, sustenta Vera, de pronto, sem precisar de pensar. Há poucos dias, porém, recebeu um convite para integrar nova lista nas próximas autárquicas. “Já recusei, até porque tenho muito trabalho e responsabilidade. Além disso, é disto que gosto”, aludindo ao futebol e ao Portimonense. “Os dias nunca são iguais, dedico-me ao trabalho e tenho prazer no que faço. Depois, estou rodeada de pessoas espetaculares, que me tratam lindamente e não faltam com nada. Só tenho de elogiar o trabalho e o esforço desta administração”, vinca, deixando transparecer a satisfação que lhe vai na alma. Voltando à política, que mudanças preconizaria para a freguesia de Alvor? Desta feita, Vera reflete um bocado, antes da resposta. “Mudava, sobretudo, essa mania de criar grupos ou fações dentro da minha vila. E aproveitava mais as qualidades de cada um, de modo que todos pudéssemos ser mais úteis para o benefício comum”.

pessoa e não tive quaisquer problemas, até porque já tinha feito o mesmo no Alvorense, nos campeonatos distritais”, acrescentando assim mais um item para juntar ao currículo. É verdade: entre 2008 e 2012 deu uma mãozinha no clube da sua vila, integrando uma direção composta maioritariamente por mulheres, e, como tinha mais conhecimento do mundo do futebol, coube-lhe sentir as emoções do jogo ali bem pertinho do relvado. O futebol, está visto, é um mundo cada vez menos exclusivo dos homens, concorda Vera, embora, em sua opinião, prefira ver e ouvir os protagonistas masculinos a comentarem os jogos. E haverá algum tipo de discriminação? “No Alvorense, para ser sincera, senti que em certas ocasiões temos de nos ‘aguentar à bronca’, mas aqui,

jogo de treino”. Seja como for, reconhece, o futebol “mexe com o sentimento das pessoas”. De barco, na Ria, ao lingueirão… Além do apoio aos jogadores e às suas famílias, Vera Pereira dá assistência à administração da SAD “no que for preciso”, fazendo a ponte entre os dirigentes e os funcionários. Ao mesmo tempo, é a responsável pelas compras de quase tudo, desde material de escritório ao que a equipa possa precisar, sem esquecer o supermercado e a lavandaria. “Creio que vou continuar no futebol enquanto me quiserem. E enquanto, é claro, me sentir bem e com capacidade para desenvolver o meu trabalho e fazer o que me é solicitado. Gosto muito do que faço”, sustenta a mulher que nos tempos livres, quando está de

“Acompanho o jogador desde que chega, cuidando da sua adaptação. Depois, quando vêm as famílias, oriento quem as vai buscar e trato da respetiva instalação, até escolherem sítio para viver”

Apesar da 'proximidade', Vera garante que nunca será treinadora

no Portimonense, nada disso, é tudo mais pacífico. Treinadora? Nunca serei”, garante, com total convicção. No banco, ou na bancada, será que Vera também é sofredora no decorrer dos jogos? “Sofro, mas agora já um bocadinho menos. Fui-me vacinando, mas ainda sofro com as derrotas e fico muito feliz com as vitórias. Acho que já me consigo distrair um pouco”, opina, acrescentando que “sem público a sensação é outra e às vezes até parece que estou num

folga, adora passar os dias na Ria de Alvor. “Gosto de me juntar com os amigos. Quando não estou a trabalhar, em especial ao fim de semana, vou para a zona ribeirinha conversar com os pescadores. Pesca? Não tenho jeito nem paciência, mas vou ao lingueirão, de barco, com os tais amigos. Levamos comida e bebida e se o vento nos deixar passamos lá horas e horas”, confessa, dando mais uma prova genuína de que é uma alvorense de alma e coração.


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DESPORTO

D.R.

Corridas no Autódromo continuam a sofrer os efeitos da crise

Miguel Oliveira resignado com a falta de público

“É uma notícia triste, mas esperada”, disse o piloto português, enquanto a hotelaria e o turismo falam em “excesso de zelo” por parte das entidades responsáveis.

Atleta de vela adaptada precisa de apoio D.R.

Hélio Nascimento

M

iguel Oliveira venceu a corrida de Portimão do Mundial de MotoGP em novembro passado, depois de conquistar a ‘pole position’ e dominar a toda a linha, uma proeza que, embora comemorada em larga escala, não teve público nas bancadas. Cinco meses depois, de novo com os maiores nomes do motociclismo em solo algarvio, as bancadas do Autódromo vão estar outra vez vazias de adeptos. “É uma notícia triste, mas um pouco esperada”, admitiu o piloto de Almada, resignado com a decisão do Governo, que “temos de respeitar”, embora lamentando a falta de público num evento “tão prestigiado” como o MotoGP. Recorde-se que foi avançado, há poucos dias, que eventos como o Grande Prémio de MotoGP e de Fórmula 1 e a I Liga de Futebol não terão a presença de público. Mesmo sem caráter oficial – a informação foi veiculada por fonte do Governo – tudo indica que assim seja, na sequência do período de desconfinamento, que se prolonga até maio. A administração do Autódromo enviara já à Direção-Geral de Saúde um detalhado plano de segurança, que incluía a obrigatoriedade de todos os adeptos terem um resultado negativo num teste para poderem aceder ao circuito, mas não parece que a proposta surja efeito. Recorde-se que a corrida de

de fundos para participar em Mundial Guilherme Ribeiro, velejador do Iate Clube Marina de Portimão, lançou um ‘crowdfunding’ para tentar garantir a participação nas duas provas mais importantes de vela adaptada em 2021. O atleta portimonense está a tentar reunir 4900 euros, o orçamento para conseguir ir às competições, estando a angariação a decorrer online (https://bit.ly/3t6EU53). No texto da campanha, Guilherme Ribeiro explica que gostaria de participar no Campeonato Europeu de Vela Adaptada, que terá lugar em Medemblik, na Holanda, previsto para junho, e no Campeonato Mundial de Vela Adaptada, em Palermo, Itália, agendado para outubro.

Golo de Fali Candé não chega para pontuar

Portimonense perde com FC Porto em jogo de incidentes  

Piloto português defende prestígio no circuito portimonense Fórmula 1, em outubro, gerou grande controvérsia, devido ao aglomerado de público e incumprimento do distanciamento mínimo, mas, na verdade, não foram verificados quaisquer surtos daí resultantes. A ausência de público no Mundial de MotoGP e no de Fórmula 1, marcados, respetivamente, para 18 de abril e 2 de maio, foi já fortemente criticada pelos setores da hotelaria e turismo, nomeadamente por Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), que aludiu a “excesso de zelo” por

parte do Governo, que “autoriza eventos como casamentos, em recintos fechados, mas não permite a assistência a eventos desportivos” ao ar livre, como o futebol, a Fórmula 1 e o MotoGP. O responsável da AHETA considerou que a presença de público seria possível “se fossem cumpridas regras de segurança, de distanciamento social, tendo em conta a evolução positiva da pandemia” em Portugal, sublinhando que “fazia sentido não autorizar uma lotação esgotada, mas sim uma lotação limitada a um certo número de espetadores, que não poria em causa as questões de segurança”.  

Portinado retoma todas as atividades antes do confinamento. Os horários das atividades serão os que vigoravam antes do último encerramento, assim como as regras de utilização que se manterão as mesmas, com na-

As expulsões de Paulo Sérgio e Sérgio Conceição ‘marcaram’ o jogo entre o Portimonense e o FC Porto, ganho pelos campeões nacionais, por 2-1. Os dois treinadores envolveram-se numa acalorada discussão, com ameaças à mistura, sensivelmente a meio da segunda parte, na sequência de um livre a favor dos portistas, e o árbitro não teve outro remédio senão expulsá-los. A caminho dos balneários, foi precisa a intervenção de elementos dos dois bancos e dos agentes de segurança para evitar males maiores. Os alvinegros mostraram-se muito organizados e podem queixar-se da falta de sorte, já que o FC Porto festejou através de autogolos: primeiro foi Lucas Possignolo, à beira do intervalo, a introduzir a bola na própria baliza, e depois, na marcação de um livre, o esférico foi ao poste e tabelou nas costas do guarda-redes Samuel para se anichar no fundo das redes. Pelo meio, o golo de Fali Candé, o seu primeiro na liga, revelou-se insuficiente para a soma de qualquer ponto. Por falar em Fali Candé, tanto ele como Beto foram convocados para representar a seleção da Guiné-Bissau, o que sucede pela primeira vez na carreira de ambos, mas Beto, com queixas físicas, acabou por ser dispensado. Os jogos são com a Suazilândia, já amanhã, e com Congo, no dia 30.

Futsal sofre goleada frente ao Sporting

Alvinegros entraram a perder e nunca se recompuseram…

A partir do próximo dia 5 de abril

A Portinado, Associação de Natação de Portimão, retoma no próximo dia 5 de abril todas as atividades na Piscina Municipal, na linha do funcionamento que estava em vigor no passado mês de janeiro,

Velejador lança angariação

tural ênfase nas medidas de segurança imposta pela Diração-Geral da Saúde. A secretaria da piscina estará igualmente aberta a partir do dia 5 de abril, entre as 16 e as 20 horas.

Não correu nada bem a deslocação da equipa de futsal do Portimonense a Lisboa, para defrontar o Sporting, no Pavilhão João Rocha, já que a goleada sofrida – 10-0 – não deixa grande margem para análises. Os alvinegros entraram mal, permitindo que os leões marcassem cedo, logo aos dois minutos, com um autogolo, e, a partir daí, nunca conseguiram ‘entrar no jogo’. Na classificação, ocupam agora o sétimo lugar, mas com menos um jogo do que as equipas que estão logo à frente, ou seja, ainda com todas as hipóteses de lutar pelo quarto posto.


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OPINIÃO

Pedro Manuel Pereira Historiador A população que habita o planeta encontra-se a ser reorientada por um movimento global que visa estabelecer uma nova ordem mundial, usando estratégias de subversão sexual, cultural, religiosa e de dominação política. O movimento está centrado no Ocidente e embora os cidadãos adultos façam parte da equação, os principais alvos são os adolescentes e as crianças. Fazendo uso de uma política totalitária, uma autodenominada ‘esquerda’ da ideologia de género, vem-se apossando da educação para a propaganda e promoção dos seus fins, doutrinando ideologicamente as crianças e os jovens, trabalhando na mudança dos seus sistemas internos de valores educacionais, morais e éticos, principalmente os religiosos, dado que este é o único freio, segundo os próprios doutrinadores, capaz de travar os seus avanços, os seus desígnios. Logo a estratégia dessa ideologia, é desconstruir tudo o que constitua um escolho, uma pedra no seu caminho. Os doutrinadores da famigerada ideologia de género consideram como meta a alcançar, a ocupação de todos os espaços da sociedade, desde os órgãos de comunicação social, às discussões sociais, políticas (incluindo no Parlamento), culturais, e principalmente as escolas, partindo do ensino pré-primário até às universidades. Na educação, o intuito é desconstruir valores familiares, morais e religiosos, colocando a criança em conflito com a sua realidade, as suas tradições familiares, para provocar no núcleo familiar uma guerra de valores. Desta forma, o alvo é a desestabilização da Família, transformando a mesma tida desde os alvores da Humanidade como factor de protecção social e individual num factor de ‘risco’. Embora este cenário se aparente a uma

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Uma nova SS (Seita Sinistra) ataca qualquer ‘teoria da conspiração’, coisas de ‘fanáticos’, está bem longe dessa realidade, porque na verdade é desta forma que os doutrinadores têm conseguido desestabilizar a sociedade, através da tentativa de destruição da célula mater da sociedade - a Família tradicional - usando a estratégia da promoção da luta entre classes, com a capa de promoção da "luta contra a homofobia, generofobia, transfobia" e mais o raio que os parta. Num primeiro momento, os discursos visam acabar com o preconceito contra as ‘minorias sexuais’ (‘géneros’ e LGBTT's), o que permite a promoção "da igualdade entre os seres humanos". Ora a defesa deste princípio encontra-se consagrada na Constituição da República Portuguesa e nas demais das sociedades ocidentais, para além da Carta Universal dos Direitos Humanos, esta, desde 1948. Deste modo, os adeptos desta seita tentam impor a ideologia de género (marxismo cultural teorizado por Gramsci, nos anos 20 do século passado) que considera que o sexo é uma construção social. Toda esta verborreia mental é debitada nas escolas num perfeito confronto relativamente à Ciência e à Biologia que prova que os sexos de todos os animais (onde se incluem os seres humanos) são dois: masculino e feminino, sendo as opções sexuais do livre arbítrio de cada qual, do foro íntimo de cada um e respeitáveis, portanto. Mentiras ditas centenas de vezes acabam sendo aceites como ‘verdades’. E é dessa forma que se doutrinam alunos e a sociedade, com apelos, políticos, mediáticos e até falácias ‘jurídicas’, ameaçando, alienando e manipulando de forma repetitiva, fazendo uma lavagem cerebral a todos aqueles que os escutam sem um mínimo censo crítico por parte destes. A grande questão que se coloca neste momento, é como vencer a inércia de profissionais de ensino e outros, políticos, pais, líderes religiosos, para que verdadeiramente se debrucem, preocupem e ajam perante um assunto de transcendente importância para a humanidade, quando em Portugal

por exemplo, os manuais escolares foram ‘recauchutados’ pela ‘gerência’ do actual Ministério da Educação com a inclusão desta aberração curricular. Se é um facto que a ideologia de género carece de verdade científica, por outro lado existe uma falta de organização de molde a agir organizadamente contra essa doutrinação marxista cultural. A inércia que se verifica por bando dos cidadãos que estão atentos a esta ofensiva política, advém do medo de serem taxados e rotulados como homofóbicos, transfóbi-

social no qual estamos inseridos - e o que aprendem na escola, onde passam parte do tempo da infância e da juventude. Os comissários políticos da ideologia de género, ao afrontarem os pais, causam um desequilíbrio que pode ser responsável por um sem fim de conflitos de toda a ordem, sendo que a sua intenção é mesmo essa. Não é honesto que se utilizem ideologias políticas concebidas por adultos com crianças, usando-as como cobaias. As nossas crianças têm o direito de serem crianças, de serem respeitadas e protegidas na sua integridade, nas suas crenças, nos seus

“Não é honesto que se utilizem ideologias políticas concebidas por adultos com crianças, usando-as como cobaias. As nossas crianças têm o direito de serem crianças, de serem respeitadas e protegidas na sua integridade” cos e outros rótulos afins e das perseguições que lhes possam ser movidas, como aconteceu por exemplo há poucos meses com a perseguição a dois alunos de excelência e aos pais, noticiado em inúmeros meios de comunicação social (audiovisuais e imprensa). A sociedade está ficando refém de uma ideologia, que deseja punir quem pensa de forma diferente do que a seita pretende impor. A Europa vive o drama da sua pré fragmentação, do desmembramento da sua matriz histórica/cultural, possuindo tão só, cerca de 38% da população formada por cristãos. Alguns desses países aprovam até mesmo o suicídio assistido de crianças e a eutanásia, como em Portugal neste último caso.

sistemas familiares de valores, que incluem as tradições familiares, morais, éticos, religiosos e culturais ancestrais transmitidos pela sua família de geração em geração. As raízes históricas das famílias devem ser preservadas. Não obstante, assistimos cada vez mais ao ataque desenfreado por banda da SS (seita sinistra) atrás referida contra a sociedade tradicional, com o fim de desmantelar as famílias e criarem um tipo sinistro, obscuro de sociedade moldado pela seita. Precatem-se. *Escrito sem a aplicação do novo acordo ortográfico

Os sistemas de valores são construídos pelos seres humanos, a partir de um equilíbrio entre a educação familiar - o mundo PUB

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ÚLTIMAS

D.R.

Intervenção custa 3,4 milhões de euros

Obras da EB José Buísel estarão concluídas em 2022 Estabelecimento escolar está a passar por uma remodelação quase total, sendo que uma das medidas mais importantes é a retirada de amianto. ANA SOFIA VARELA

Jovem portimonense mantém-se no programa

Afonso Silva destaca-se no ‘The Voice Kids’ O jovem portimonense Afonso Silva, com apenas 11 anos, tem dado cartas no programa de televisão ‘The Voice Kids’, que está a ser transmitido na RTP, ao domingo à noite. No último programa, no dia 21, passou mais uma etapa. O pequeno artista começou a cantar aos 6 anos, quando entrou na Escola de Fado do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense. O seu percurso conta com a participação no Grande Prémio do Fado da RTP, na revista do clube e no espetáculo ‘Feiticeiro de Oz’, sendo o seu sonho entrar num musical do Filipe La Feria. Além de todas estas vertentes, ainda faz sapateado e está a aprender a tocar violino.

Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes

Núcleo de Estudantes de Direito promove conferências

Empreitada prevê a retirada de todo o fibrocimento

A

requalificação da Escola Básica Professor José Buísel iniciou-se a 1 de fevereiro e está a decorrer a bom ritmo, sendo que a Câmara Municipal de Portimão considera expetável que estas estejam concluídas em junho de 2022. A intervenção custa 3,4 milhões de euros, sendo que a autarquia teve uma comparticipação de 1,5 milhões de euros, ficando o restante a cargo da tutela. O valor e a duração da obra são elevados, pois, conforme es-

clarece a autarquia, o estabelecimento escolar pertencente ao Agrupamento Escolar Manuel Teixeira Gomes, situado junto à Avenida Paul Harris, sofrerá uma remodelação profunda. Assim, serão substituídas todas as infraestruturas, sobretudo ao nível das redes de água, luz, esgotos, comunicações, segurança e intrusão. A Câmara destaca ainda que será refeito todo o sistema de segurança contra o risco de incêndio e serão substituídas as telas da cobertura, bem como as

coberturas de amianto das zonas de circulação exterior. A empreitada contempla ainda intervenções que visam melhorar as condições de climatização, iluminação e acústica, sendo que abrange as salas de aulas e as salas específicas, a cozinha e o refeitório, o auditório, o pavilhão desportivo e o campo de jogos, bem como os espaços sanitários. Neste momento, os trabalhos em curso estão a ser realizados a nível das paredes, tetos, pavimento e janelas.

Candidaturas até 12 de abril

StartUp promove 2º Bootcamp de Aceleração Online no Algarve O 2º Bootcamp de Aceleração Online no Algarve, organizado pela StartUp Portimão, decorre nos dias 21 e 22 de abril e 19 e 20 de maio. A iniciativa destina-se a empreendedores, portugueses ou

estrangeiros, com startups ou projetos em fase de aceleração, de preferência nas áreas das Smart Cities. Podem candidatar-se pessoas oriundas de qualquer região de Portugal, ainda que seja privile-

O Núcleo de Estudantes de Direito do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (NEDISMAT) está a promover um ciclo de conferências online, onde dá a conhecer as profissões ligadas a esta área. Assim, no dia 31 de março, às 17h00, o evento será dedicado aos profissionais ligados à investigação, tendo como base as forças de segurança e de investigação criminal, enquanto, no dia 7 de abril, também às 17h00, a iniciativa será dedicada aos profissionais ligados à magistratura. D.R.

Associações do concelho diponibilizam kits

Portimão reforça distribuição de máscaras giada a participação dos que têm atividade ou residência no concelho. As candidaturas são gratuitas e devem ser feitas até às 12h00 de 12 abril, online (http://bit.ly/ SPbootcamp2021).

A Câmara Municipal de Portimão reforçou os pontos de distribuição de máscaras comunitárias, com mais kits, nesta primeira fase de desconfinamento, sendo que os cidadãos podem agendar o levantamento gratuito. Os interessados podem contactar as associações, cuja lista está disponível online (https://bit.ly/3eK7sgO) e, se tiverem dúvidas podem telefonar para a Linha Proteção 24 (808 282 112). As máscaras podem ser levantadas nas Juntas de Freguesia, nos Bombeiros e em diversas associações que existem no concelho.


A FECHAR

Quinta-feira • 25 março 2021

D.R.

Obras deverão desenvolver-se ao longo de cerca de seis meses

Edifício da antiga lota requalificado

Começou por servir como central elétrica, depois foi convertido em lota e mais tarde acolheu os famosos restaurantes da sardinha. D.R.

ção, o rés-de-chão ficará dotado de uma ampla sala multifunções, preparada para receber eventos culturais e recreativos e nas suas traseiras ficará um espaço devidamente equipado para funcionar como cafetaria. A isto juntam-se algumas outras salas de apoio, quer no piso térreo, quer no 1º andar, bem como instalações sanitárias.

Vai ser este o aspeto do edifício depois de intervencionado Jorge Eusébio

O

edifício da antiga lota de Portimão vai, finalmente, ser alvo de profundas obras de remodelação. O projeto há muito que estava elaborado, a Câmara tinha desenvolvido o respetivo concurso ao longo do ano passado, mas para que fosse legalmente possível avançar com a intervenção teve de ficar à espera do visto prévio do Tribunal de Contas, que o emitiu há cerca de duas semanas. Ficaram, dessa forma, cumpridos todos os passos para que, diz o vereador responsável por este pelouro, João Gamboa, “se possa recuperar um dos imóveis mais icónicos da cidade”.

A empreitada vai ter um custo de quase um milhão de euros (960 mil euros) e uma vez iniciada, a empresa vencedora do concurso deve concluí-la no prazo máximo de 180 dias. Os trabalhos vão incluir a substituição da cobertura e o reforço das paredes e de toda a estrutura, bem como a modernização das redes de água, eletricidade e telecomunicações. O projeto, diz João Gamboa, “prevê que se mantenha a traça original, de forma a que o edifício tenha a remodelação que merece, mas sem perder o visual conhecido de todos os portimonenses e dos muitos turistas que nos visitam”. Uma vez concluída a interven-

Um edifício com história Situado junto à ‘ponte velha’, embora seja conhecido como a antiga lota, a verdade é que objetivo original deste edifício, construído no longínquo ano de 1916, foi o de servir como central eléctrica. A partir de 1950 e até por volta de 1980 passou, então, a ter a função pela qual é mais conhecida e mais tarde albergou os famosos tradicionais restaurantes de sardinha assada. Foi por essa altura que se tornou um dos espaços mais frequentados de Portimão e o seu cartão de visita mais icónico. Para isso muito contribuía o facto de os barcos, acabados de vir da pesca, atracarem numa zona do rio situada mesmo em frente, permitindo aos turistas assistir, ao vivo, à tradicional descarga das canastras de peixe. Este ritual terminou aquando da construção do porto de pesca no outro lado do rio. Devido a isso e também à passagem dos restaurantes para a zona entre-pontes, o edifício perdeu não só a sua função mas também o seu protagonismo.

Horário de Verão entra em vigor no dia 28 de março Portugal volta a adotar o horário de Verão no próximo domingo, dia 28 de março, sendo necessário adiantar os ponteiros do relógio nessa madrugada. Assim, quando for uma hora, segundo esta mudança, passam a ser duas horas. A hora legal estará em vigor até 31 de outubro, altura em que o país volta ao regime de Inverno.

Censos 2021 começa a partir de abril adaptado à pandemia A operação de recolha de dados sobre a população portuguesa, o Censos 2021, terá início no mês de abril e será realizado, de preferência, através da Internet. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a partir de 5 de abril todos os alojamentos receberão uma carta com a informação necessária para a resposta, pela Internet, aos documentos distribuídos pelos recenseadores. A pandemia obrigará a um plano de contingência, prevenindo riscos quer para a população, quer para os recenseadores, garantindo, ao mesmo tempo, a qualidade da execução da operação estatística. Haverá, conforme explicou o INE, sendo disponibilizada também a opção preferencial pela recolha de informação pela Internet, sendo disponibilizada uma linha telefónica de apoio à população, bem como a possibilidade de responder ao Censos 2021 por telefone. Esta opção é direcionada para quem não tem acesso a meios tecnológicos ou que não pode ter contacto com outras pessoas por razões de saúde pública.

Medida ‘Valorizar o Comércio Local’ foi prolongada até maio A medida ‘Valorizar o Comércio Local’, promovida pela Câmara Municipal de Portimão, esteve suspensa durante o período de confinamento, mas à medida que o plano de reabertura elaborado pelo Governo vá avançando, voltará a ser possível descontar os vales. Isto porque, a maioria dos estabelecimentos esteve fechado durante estes últimos dois meses e, só a partir de abril, alguns começam a abrir portas de novo. Assim, a validade dos ‘vouchers’ entregues foi prolongada até 31 de maio. PUB

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Portimão Jornal nº 20 | 25.03.2021  

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