Portimão Jornal nº 16 | 28.01.2021

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Quinta-feira • 28 janeiro 2021 • 1.00€

Margarida Costa, uma bombeira de corpo e alma Muitos anos e histórias para contar sobre o longo percurso ao serviço da corporação P4-5

Quinzenário • Ano 1 • Nº16 Diretor: Rui Pires Santos

Fábrica de Janelas e Portas PVC e ALUMÍNIO Área de Exposição 200m2

Centro Industrial Vale da Arrancada, Lt.49 Coca Maravilhas - Portimão Tel.: 282 475 065 Email: geral@silvestre-e-sousa.pt

SOCIEDADE

O regresso da vida à ‘porta fechada’ Após um início de confinamento pouco efetivo, o encerramento das escolas contribuiu para um maior cumprimento das medidas de restrição por parte das pessoas. Até 24 de janeiro, concelho registava 287 infeções nas duas últimas semanas. Vacinação em lares já começou. P2-3

Compra de terreno na cidade permite ampliar cemitério P6

PRESIDENCIAIS Marcelo vence no concelho, Ventura foi segundo P16

OBRAS Novo 'tapete' beneficia Rua Infante D. Henrique P16

Escola de Boxe avança com Centro de Alto Rendimento

João Rosa: 40 anos dedicados à comunidade

O crescimento da modalidade leva a que o responsável do Centro de Treinos de Portimão pretenda criar um projeto inédito. P12-13

Recém reformado, o diretor deixa a EMARP em boas mãos. Dedica-se agora ao Clube Naval. P8-10 PUB


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ATUALIDADE

Câmara vedou acesso a principais pontos de passeio

Portimomenses obrigados a novo confinamento ANA SOFIA VARELA

Apesar dos números da pandemia serem alarmantes, ainda há muitos que teimam não usar máscara na via pública.

Comidas.pt, está a ser bem aceite desde que foi implementado, no dia 13 de janeiro. Em apenas três dias já tinha dado resposta a 317 pedidos de refeições, 1300 pessoas tinham instalado a aplicação para aceder ao serviço e 38 novos restaurantes tinham aderido à plataforma. Esta foi a forma de apoiar a restauração do concelho para que esta não pare a atividade durante o confinamento. Isto porque, os empresários não têm de pagar taxas para estar incluídos na nova plataforma e o cliente não tem de pagar os custos de entrega, pois é a autarquia que assume essas despesas.

Ana Sofia Varela

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entrada do país em confinamento, a 15 de janeiro, levou alguns residentes no concelho a um dever de recolhimento, mas o movimento só desceu para um nível significativo com a medida do Governo que levou ao encerramento dos estabelecimentos escolares. No fim de semana de 16 e 17 de janeiro, eram ainda muitos os aglomerados na zona ribeirinha da cidade, com algumas pessoas a circular sem máscara, e nos dias de semana havia também um intenso tráfego automóvel, como constatou o Portimão Jornal. O Governo, no dia 21 de janeiro, resolveu implementar medidas mais duras, como a interdição de saída do concelho aos sábados e domingos, o fecho de escolas e a proibição da venda ao postigo. Passou também para a esfera dos municípios a responsabilidade de vedar e fiscalizar o acesso aos locais mais ‘populares’ para passeios e outros espaços públicos. A autarquia portimonense resolveu, desta forma, colocar fitas e avisos em diversos bancos espalhados pela cidade e colocar baias de proteção às entradas das praias. Foram ainda encerrados os

A chuva ajudou ao cumprimento das regras no fim de semana passado espaços culturais e desportivos, sendo que os serviços públicos estão a funcionar apenas através de marcação prévia. O problema é que algumas das fitas já foram rasgadas e, na sexta-feira, havia muitas pessoas a passear no molhe da Praia da Rocha, levando a que tivesse de haver um reforço da vigilância. Ao que apurou o Portimão Jornal há também muitos pedidos de reserva de cidadãos de outros pontos do país para ficar em alojamentos locais, sobretudo na área de influência da Praia da Rocha, para aí passarem a época do confinamento. Num ponto de situação em relação ao número de casos, até dia 24 de janeiro, Portimão registava

287 infeções nas duas últimas semanas, das quais 210 estavam ainda ativas. O concelho permanecia, assim, na categoria de risco muito elevado e não tinha descido o número diário de casos ativos. O apelo, por isso, continua a ser ‘ficar em casa’ para evitar a propagação do novo coronavírus, ainda para mais numa altura em que os grandes hospitais no país, começam a ceder no que toca à resposta aos doentes. Vacinação no Lar Diogo Gonçalves iniciou-se dia 19 “A ansiada vacinação contra o covid-19 no Lar Diogo Gonçalves começou pelos idosos e funcionários, tendo suscitado uma in-

vasão de sentimentos de alegria e comoção, à mistura com um sorriso de esperança, próprios de quem muito tem abdicado e sofrido por conta desta paralisante pandemia”, referiu o Centro nas redes sociais, que se sente orgulhoso pela adesão integral e pelo sucesso da primeira fase de vacinação. “Estamos muito gratos aos excelentes profissionais do Centro de Saúde de Portimão, que são inexcedíveis e de uma inigualável simpatia”, acrescenta. Portimão à Mesa excede expetativas iniciais O serviço de entrega de refeições ao domicílio, criado pela autarquia em parceria com a empresa

Fundo de Apoio Empresarial com candidaturas até dia 31 A Câmara Municipal de Portimão criou um Fundo de Apoio Empresarial, com verbas da autarquia, para apoiar a tesouraria das empresas com domicílio fiscal ou sede no concelho de Portimão, que sofreram quebras abruptas de faturação, resultantes da pandemia. As candidaturas estão abertas até 31 de janeiro e darão oportunidade aos empresários ou profissionais liberais de aceder a um fundo com um milhão de euros. A medida é destinada a empresas com faturação não superior a 150 mil euros ou 60 mil euros no caso dos profissionais liberais em relação a 2019, e que apresentem quebras superiores a 40% em 2020. Têm direito a um apoio único no valor de dois mil euros. As inscrições devem ser feitas por email (candidatura.fundo@cm-portimao.pt). CM PORTIMÃO

Sete autarquias pagam aluguer dos contentores

Portimão amplia pediatria dedicada à covid-19 O Centro Hospitalar Universitário do Algarve fez um apelo às Câmaras Municipais para a necessidade de ampliação da área pediátrica dedicada à covid-19 na unidade de Portimão e a autarquia local assumiu a responsabilidade de instalar dois módulos, com dez contentores cada no espaço. Os módulos substituem duas tendas insufláveis da Proteção Civil Municipal, cedidas no iní-

cio da pandemia, e que agora regressam à reserva estratégica para situações de exceção. Assim, a Câmara de Portimão pagará a terraplanagem e a construção das infraestruturas de sustentação, tal como as redes de água, saneamento e eletricidade. A esta autarquia juntaram-se as de Aljezur, Lagoa, Lagos, Monchique, Silves e Vila do Bispo que suportam os custos inerentes à

instalação destes dois módulos, compostos pelo aluguer de 20 contentores climatizados com ar condicionado e casas de banho, que garantem 20 camas de isolamento em quartos individuais. Após um investimento inicial de seis mil euros para a instalação, o valor mensal de aluguer, enquanto for necessário, é de 7600 euros, divididos de forma igual por todos os municípios envolvidos.

Espaço passa a ter mais 20 camas de isolamento


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PESSOAS O primeiro trabalho que lhe deram foi o transporte de uma vítima mortal num acidente

Uma mulher que fez o 'estágio' de bombeira ainda na barriga da mãe Andou nas ambulâncias a salvar vidas e deu combate a alguns dos mais violentos incêndios que deflagraram no Algarve. Viu-se envolvida em situações muito difíceis e dolorosas, mas garante que não escolhia outra atividade. FOTOS: JORGE EUSÉBIO

pela frente encontramos alguém que conhecemos, as coisas tornam-se psicologicamente bem mais complicadas”. A sua ligação à área do socorrismo foi tão forte que, apesar de, atualmente, por motivos de saúde, já não estar no ativo, ouvir a sirene de uma ambulância é algo que continua a mexer consigo e a deixa em estado de alerta.

Margarida Costa, no decorrer da cerimónia em que foi promovida a chefe e passou ao quadro de honra Jorge Eusébio

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vida de Margarida Costa esteve desde sempre ligada ao mundo dos ‘soldados da paz’ portimonenses. Desde logo porque o seu pai era bombeiro e a mãe, costureira, fazia fardas de cotim para os elementos da corporação. De forma que, diz, “ainda na barriga dela, já eu andava nesse ambiente”. Isso fez com que, muito jovem, tenha resolvido seguir os passos do progenitor. Na altura, tirou um curso de socorrismo e começou a trabalhar nas ambulâncias. O primeiro serviço que lhe atribuíram ficou-lhe na memória: foi o transporte da vítima mortal de um acidente rodoviário ocorrido na zona da Mexilhoeira Grande. Contudo, a situação que a chocou mais foi a de “um atropelamento, na V6, de uma senhora irlandesa que estava na passadeira com uma criança de 2 anos”. Ao chegar ao local “fiquei com ela e um colega meu foi dar assistência à criança que tinha sido

arrastada”. Foram feitos todos os esforços para salvá-la, mas acabaria por falecer. Apesar da missão de socorrista ser muito dura e cheia de momentos maus, também lhe proporcionou grandes alegrias, sobretudo quando contribuía para que o desfecho dos acidentes não fosse fatal, conseguindo salvar a vida dos envolvidos. Para além de rapidez e da escolha das técnicas que, em cada situação, são as corretas para socorrer quem precisa, aquele trabalho criava uma envolvente emocional muito intensa, que ela e os seus colegas tinham de saber gerir da melhor maneira possível. Era frequente que familiares de pessoas que iam ajudar “estivessem ansiosas para que, rapidamente, as transportássemos para o hospital, mas, muitas vezes, essa não era a forma correta de abordar aquele caso específico”. Devido a esse tipo de circunstâncias, havia que lidar com a revolta e o desespero de muita gente. Nessas alturas, havia que tentar acalmá-las, explicar-lhes

que o risco de levar o paciente rapidamente para o hospital era maior do que a prestação de socorro no local. Nos primeiros tempos “não conseguia abster-me desse tipo de situações, mas aos poucos fui aprendendo a lidar com isso, tinha que prestar o melhor apoio possível a quem estava numa aflição, independentemente do que à volta se passava, do que se dizia e das emoções que se geravam”. Mas confessa que isso era bem

Quase apanhada pelo incêndio O combate a incêndios florestais é outra das missões mais conhecidas do trabalho dos bombeiros e Margarida Costa, enquanto chefe de equipas, participou em vários de grandes dimensões. Fazendo a comparação entre a forma como a luta contra o fogo era feita na altura e hoje, diz que “não tem nada a ver”. Há uns anos, o voluntarismo e a coragem individual e coletiva sobrepunham-se à organização e coordenação geral. Hoje, “os meios técnicos, logísticos e organizacionais são muito superiores”. Até ao nível do apoio alimentar as coisas eram muito diferentes nos seus primeiros tempos. A comida “era feita numas panelas muito grandes que íamos pedir aos hotéis, depois era transportada para o terreno e os bombeiros que conseguiam vir comer, vinham, os que estavam um pouco mais longe não o conseguiam fazer e passavam fome”. Há cerca de 15 anos, na zona de Monchique, viveu uma das situações mais perigosas da sua vida. À frente de um grupo de

No combate a incêndios, há uns anos, o voluntarismo e a coragem individual e coletiva sobrepunham-se à organização e coordenação geral mais difícil quando era chamada a emergências que envolviam familiares e amigos pois “aí, a gente treme toda, queremos sempre salvar todas as vítimas, mas quando

combate a incêndios, encontrava-se “numa zona em que, de repente, o fogo apareceu, vindo pelas copas das árvores”. Só teve tempo de gritar para

o motorista da viatura, que se encontrava a uma distância considerável, que fugisse, e ela e mais dois bombeiros seguiram noutra direção, por terrenos que já tinham sido ‘visitados’ pelas chamas. Acabaram por chegar a uma casa que tinha uma piscina, onde se refugiaram durante cerca de três horas. Depois de verem que o pior já tinha passado, “viemos a pé até à estrada principal, numa altura em que, soubemos depois, as televisões já tinham dado o alerta de que estávamos desaparecidos”. Confessa ter sido “um grande susto” que, de alguma forma, acabou por ser compensado quando se juntaram aos restantes bombeiros, “graças aos abraços e à alegria do reencontro”. Em 2016 esteve na frente de combate a outro grande incêndio que deflagrou no concelho de Monchique e que galgou muitos quilómetros de terrenos dos concelhos vizinhos, tendo por vezes, parecido ser impossível travá-lo. Margarida Costa foi destacada para a zona da Senhora do Verde. Recorda-se de “ter ido para lá no carro dos sapadores, que é mais pequeno do que os outros, e, curiosamente, com exceção do condutor, todos os elementos da equipa eram mulheres”. Onda de solidariedade Também acompanhou as operações de combate ao grande fogo de 2018, mas, desta vez, a partir do quartel, a coordenar a logística. Tinha a seu cargo a responsabilidade de que não faltasse comida aos mais de uma centena de operacionais que se encontravam no terreno. Nesses dias testemunhou a grande generosidade dos portimonenses, que desenvolveram uma forte onda de solidariedade para com os bombeiros. Estavam sempre a aparecer muitas pessoas que faziam questão de entregar alguma coisa, para dessa forma, também ajudarem, de forma indireta, na guerra às chamas. Em muitos casos, os produtos que levavam até não eram os


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PESSOAS

A bombeira só lamenta não ter ido ainda mais cedo para a corporação mais necessários naquela fase, mas acabavam por aceitá-los, pois “as pessoas ficavam sentidas e quase ofendidas se não o fizéssemos”. Ao fim de alguns dias, começaram a anunciar, através das rádios locais e das redes sociais, o material ou o tipo de alimentos que eram necessários e logo eles apareciam em abundância. No final, sobrou muita coisa, que acabou por ser doada a instituições de solidariedade. Uma profissão sem horário certo A profissão de bombeiro não tem

horário certo, o que pode causar algumas perturbações na vida familiar. Felizmente, o seu marido, como também é ‘soldado da paz’, percebia perfeitamente as exigências da atividade. Margarida Costa lembra que, “como havia períodos em que fazíamos turnos desencontrados, ficávamos vários dias sem, praticamente, nos vermos, pois quando ele estava a trabalhar, eu encontrava-me a descansar e quando ia para o quartel era ele que voltava para casa”. Admite que o mais afetado

pela profissão do casal tenha sido o filho, que nessas fases ficava na casa dos avós. Era frequente “sair do quartel diretamente para a casa dos meus pais para estar um bocadinho com ele e daí voltar para o serviço”. Nas férias, pai e mãe procuravam compensá-lo pelas muitas ausências registadas ao longo do resto do ano. Ainda assim, o jovem não parece ter ficado ressentido ou magoado, uma vez que, também ele, embora por um curto período de tempo, experimentou a vida de bombeiro. Enquanto lá esteve, garante, nunca teve tratamento especial da parte da mãe, “tal como eu nunca tive do meu pai, que era chefe”. Aliás, lembra, sempre que as coisas não corriam bem, era ela que ouvia as críticas mais fortes. Quando, mais tarde, se encontravam os dois a sós e ela se queixava do progenitor estar sempre a ‘dar-me na cabeça’, ele respondia que era para que os outros não pensassem que tinha tratamento especial por ser sua filha. Quando entrou para a corporação portimonense, a esmagadora maioria dos bombeiros eram homens, podendo-se contar o número de mulheres pelos dedos

de uma mão. No entanto, nunca sentiu ter sido discriminada, pelo contrário, “toda a gente me aceitou bem, sempre houve muito respeito por nós, mulheres. No fundo, éramos uma grande família, muito unida”. Isto apesar de, em trabalhos que exigiam maior esforço físico, uma vez ou outra ter havido alguém a sugerir que ela devia ficar no quartel. Isso, confessa, “fazia-me ‘ir aos arames’, pois sabia que era mais qualificada e tinha mais formação do que muitos colegas, para além de que, geralmente, não é a força física ‘bruta’ que resolve as situações, é o jeito, o conhecimento e a experiência que se tem”. A surpresa de receber o crachá de ouro A carreira ativa de Margarida Costa acabou precocemente, por motivos de saúde, tendo sido alvo, no final de 2019, na celebração de mais um aniversário dos Bombeiros Voluntários de Portimão, de uma homenagem pela sua dedicação à causa. Chamada ao palco, soube que ia ser promovida à categoria de chefe e ingressar no quadro de honra. Tratou-se de um momento marcante, não só por ter diante

de si todos os bombeiros locais e muitos convidados, mas por o ato ter contado com duas testemunhas muito especiais: o seu filho e o neto ainda bebé. Cerca de um ano antes já tinha sido alvo de uma outra homenagem, esta no decorrer da sessão do Dia da Cidade de Portimão de 2018. Aí, juntamente, com outras pessoas e instituições, recebeu o agradecimento do município pelo apoio que deu no combate ao incêndio que, uns meses antes, tinha colocado muitas vidas e bens em risco. No final da sua intervenção ficaria ainda mais emocionada, uma vez que lhe foi entregue o crachá de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, o galardão máximo que aquela entidade atribui. Essa emoção, recorda agora, deveu-se, em boa medida, “ao facto de ter sido uma completa surpresa, pois o comandante fez segredo e não me disse que iria receber o crachá”. Olhando para trás, em jeito de balanço, Margarida Costa diz que “valeu muito a pena ter vindo para os bombeiros”. Com o que hoje sabe, a única mágoa que guarda é “não ter entrado na corporação ainda mais cedo”. PUB

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SOCIEDADE Espaço com mil metros quadrados custou cerca de 350 mil euros

Autarquia amplia capacidade do cemitério com compra de terreno Intenção é deixar a infraestrutura no centro da cidade preparada para dar resposta, enquanto não está concluído o novo equipamento com crematório no Malheiro. JORGE EUSÉBIO

Ana Sofia Varela

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Câmara Municipal de Portimão comprou um terreno, adjacente à Rua Bento de Jesus Caraça, com mil metros quadrados para poder ampliar o cemitério e dar resposta às atuais necessidades. Ao que o Portimão Jornal apurou, o espaço foi adquirido por cerca de 350 mil euros e permitirá que a autarquia crie mais 90 catacumbas, 1560 ossários e sete jazigos. Apesar do projeto para a construção de um novo equipamento, com crematório, na zona do Malheiro, estar a avançar, o atual local para as exéquias fúnebres precisa de ser reforçado. “O cemitério existente tem de passar por uma fase de consolidação, pois não fechará, quando o outro estiver concluído. A grande necessidade, neste momento, deve-se à falta de ossários, aquelas gavetas mais pequenas”, pois é onde são colocados os restos mortais, quando termina o período legal de cinco anos da inumação e pode ser realizada a exumação, avança João Gamboa, vereador da Câmara Municipal de Portimão. “Temos uma lista de espera enorme”, acrescenta. Aliás, o responsável admite que as condições, neste momento, não são as mais dignas, pois os ossários que ainda não têm novo lugar estão na capela e, apesar das pessoas os poderem visitar não é o que a autarquia pretende. “Não nos passava pela cabeça estar a transportar quem foi sepultado ali para o novo complexo do cemitério. E, portanto, fazendo também falta as catacumbas e as gavetas, porque não há nenhuma disponível e há pessoas que querem adquiri-las, bem como os jazigos, decidimos comprar um terreno”, justificou. O objetivo é que o cemitério fique completo e com as melhores condições possíveis. E tanto assim é que a autarquia já avançou com a intervenção nesse terreno, a nível dos muros e dos arruamentos, estando essa etapa concluída. Já foi, aliás, ela-

borado o concurso para construir as infraestruturas no interior, estando prevista a criação, no total, de 1560 unidades destinadas a ossários, 90 catacumbas e 7 jazigos. A obra avançará por fases, sendo que a primeira, a das infraestruturas e ligações começou em outubro e custou quase 78 mil euros. A segunda fase que avançará a partir de março, dará resposta mais urgente e contemplará a criação de 560 ossários, 60 catacumbas, num prazo previsto de 90 dias e um custo de 212 mil euros. Esta ampliação permitirá, segundo o vereador João Gamboa, que os interessados possam adquirir um espaço para a construção de um jazigo. “Vai haver uma hasta pública em que as pessoas podem comprar o terreno e construi-lo”, assegura. “Neste cemitério não vamos vender sepulturas. As que temos são todas temporárias, portanto as pessoas são enterradas e, ao fim de um tempo, são retiradas para colocar outras. No entanto, no futuro, com a abertura do cemitério novo, a nossa intenção é que estas passem a ser definitivas. Ou seja, que quem quiser comprá-las possa fazê-lo. Isto não é uma alternativa ao novo projeto, nem pouco mais ou menos, é uma forma de complementar, porque o que existe no centro da cidade ficará para a vida, não tem limite temporal”, garante o vereador responsável. E esta é uma necessidade urgente, devido às faltas existentes. “Temos pelo menos 200 ossários que temos que instalar agora, a curto prazo, para responder à lista de espera. Faremos o restante na fase seguinte”, conclui João Gamboa. Providência contra novo cemitério não teve provimento Os últimos dados em relação ao projeto do novo cemitério davam conta de que um dos proprietários de um terreno situado no Malheiro, incluído no projeto da Câmara Municipal, tinha interposto uma providência cautelar, por considerar que estava a ser

Na primeira fase são instalados 560 ossários para suprir lista de espera existente prejudicado. “O local onde será construído o cemitério está inserido num Plano de Pormenor (PP) e esse documento mexe com os terrenos de diversas pessoas. Houve um proprietário que avançou com uma providência cautelar, mas já tivemos a resposta de que não teve provimento, ainda que tenha sido colocada também uma ação principal”, esclarece João Gamboa em declarações ao Portimão Jornal. Nessa altura, o vereador tinha levado à Assembleia Municipal um documento para aprovação que previa a concessão do crematório. Ou seja, haveria um concurso para que uma entidade se candidatasse à conceção, construção e gestão dessa valência. Isto porque, essa infraestrutura, apesar de ficar localizada paredes-meias com o novo cemitério, será autónoma. O projeto pode avançar em paralelo. Podia ter sido sujeito a votação na Assembleia. No entanto, o responsável preferiu adiar. “Estamos em fase de adjudicação e são contempladas duas vertentes, uma que está ligada

aos arruamentos que dão acesso ao espaço e a lotes de terreno de privados, com a colocação das infraestruturas necessárias, e outro da construção do equipamento”, afirmou. A Câmara Municipal não lançará, porém, a construção, enquanto não estiver clarificada a questão do terreno, pois tem de estar na posse da autarquia. Isto porque, o PP previa a periculação urbanística, ação que permite que os donos dos terrenos incluídos no projeto, os cedam à autarquia, com a contrapartida de que os espaços são reorganizados e cada um fica com uma parcela correspondente. “Não quer dizer que seja o sítio onde estava o dele, mas garante um lote na mesma, com a mesma capacidade de construção. E tanto que esta situação passou por todas as entidades, foi tudo aprovado, inclusivamente foi publicado”, explica ainda. Como estava pendente a decisão sobre a providência cautelar, a autarquia resolveu aguardar. Com a decisão de não ter sido aceite a providência, é possível continuar o processo.

“Quando digo que está parcialmente sanado, estou à espera que o proprietário conteste e não queira assinar este contrato. Mas a questão que se levantou na Assembleia Municipal é a providência cautelar, um instrumento jurídico que nos obriga a parar e, portanto, achámos melhor retirar o assunto da ordem de trabalhos. Hoje ainda não posso colocar a concessão na ‘rua’, ou seja lançar publicamente porque o terreno ainda não está registado em nome da Câmara, apesar de estar no plano. De qualquer maneira os projetos estão a andar e será uma questão de tempo”, explica. Ainda para mais, os restantes proprietários já começam a pressionar a autarquia para que a obra avance. Há também três entidades que querem concorrer à concessão do crematório, ao que apurou o Portimão Jornal, junto do vereador, até porque não faz sentido ser a Câmara Municipal a gerir aquela infraestrutura. “Será um modelo semelhante ao que já acontece em Faro e em Albufeira, porque é o que faz mais sentido”, conclui.


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RAIO X

A foto

ANA SOFIA VARELA

EDITORIAL . RUI PIRES SANTOS

Responsabilidade A abstenção é um problema já histórico nos últimos anos da democracia portuguesa. Apesar de as Presidenciais de 24 de janeiro terem sido as eleições com número mais elevado de abstencionistas, a pandemia também ajuda a justificar, em parte, a ausência dos portugueses. Mais do que nunca, este é um problema que exige uma reflexão prática, não teórica, da parte da classe política. Chega de teorias! É preciso fazer mudanças nos discursos, na postura, nas ideias e na forma de as apresentar. A campanha para esta eleição foi pobre, à semelhança do que foram as anteriores nas eleições dos últimos anos. É preciso pensar e ‘convidar’ os eleitores a pensar. É necessário falar dos problemas e das soluções. Essa é uma responsabilidade dos políticos! E há mudanças que têm de ser feitas, sob pena de, um dia, terem de ocorrer de forma mais abrupta, o que é de evitar.

PRAIAS CONFINADAS • A Câmara de Portimão voltou a colocar fitas e baias de proteção nos acessos às principais zonas balneares do concelho, bem como nos jardins e parques de lazer, de forma a tentar evitar a concentração de pessoas nesses espaços públicos. Trata-se de mais um incómodo provocado por um vírus que teima em não desaparecer.

A frase

As decisões relacionadas com a água têm que ser tomadas com dez anos de antecedência, porque são obras que demoram muito. A dessalinizadora é um processo caro, ainda que depois a longo prazo se torne rentável”. João Rosa

VACINAÇÃO

RICARDO FERREIRA

Os utentes dos lares de Portimão já começaram a ser vacinados contra a covid-19. É um passo fundamental para que se consiga conter a forte propagação que o vírus tem tido nos últimos dias e proteger uma das camadas populacionais de maior risco.

O guarda-redes do Portimonense 'agarrou' um ponto, ao defender uma grande penalidade, em Moreira de Cónegos, já em pleno período de compensação (90'+2), garantindo assim a igualdade, um resultado positivo que permite à equipa manter-se de fora dos lugares mais indesejáveis da tabela classificativa. Ricardo Ferreira não tremeu face a Steven Vitória e voou para a bola, detendo o disparo do jogador do Moreirense. Uma bela defesa!

DIREÇÃO-GERAL DOS ESTABELECIMENTOS ESCOLAS A Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes revela problemas e falta de condições, quer ao nível do edifício, quer de equipamentos básicos, para que possa funcionar com as devidas condições e com o mínimo de conforto para alunos e professores. A situação há muito que é conhecida, mas a entidade governamental responsável continua sem a resolver.

Mas também os cidadãos têm uma responsabilidade cada vez maior de participar nos atos eleitorais de forma consciente. No mundo atual, em constante mudança e de ideias muitas vezes vazias, é preciso estar presente, votar e não deixar que sejam outros a decidir o rumo da sociedade por nós. Sim, porque numa eleição não está em causa só uma decisão política, mas também uma ideia de sociedade, de valores e princípios. Parte sempre interessante de qualquer eleição, são os discursos após a divulgação dos resultados. E a avaliar pela retórica de todos, temos agora sete Presidentes da República! Mais uma vez, ninguém perdeu. Ana Gomes foi a mulher mais votada de sempre numa eleição Presidencial e ficou à frente de André Ventura. Este ganhou, porque quase conseguiu chegar ao segundo lugar e alcançar perto do dobro dos votos que os candidatos apoiados pelo Bloco de Esquerda e CDU obtiveram em conjunto. E por aí a diante. Em Portugal é sempre assim, em cada eleição, raramente alguém perde e todos ganham, apesar de só um ficar em primeiro. Neste caso, de forma mais do inequívoca, Marcelo Rebelo de Sousa. Neste Portimão Jornal, em período de confinamento, apresentamos mais uma edição marcada pela diversidade informativa, na qual damos voz a pessoas e mostramos as qualidades dos portimonenses. João Rosa, que deixou recentemente a EMARP, onde era diretor-geral, fala do sucesso e da gestão de rigor da empresa municipal, uma referência a nível regional e nacional. ‘Abrimos as portas’ da Escola de Boxe de Portimão, que está em crescimento, conta com, cada vez mais, praticantes e tem projetos ambiciosos para o futuro. Contamos ainda a história de Margarida Costa, uma bombeira dedicada à profissão, que apesar de já ter vivido situações difíceis não mudaria de carreira. Os resultados das Presidenciais no concelho e o confinamento fazem parte de mais um número do Portimão Jornal com conteúdos exclusivos, de proximidade, pensados para os nossos leitores. Obrigado a muitos de vós por fazerem do nosso o vosso jornal. FICHA TÉCNICA • DIRETOR Rui Pires Santos • REDAÇÃO Ana Sofia Varela, Hélio Nascimento e Jorge Eusébio • DESIGN E PAGINAÇÃO Vanessa Correia FOTOGRAFIA Eduardo Jacinto e Kátia Viola • DEPART. COMERCIAL Hélder Marques, 914 935 351 • PROPRIEDADE E EDITOR PressRoma, Edição de Publicações Periódicas, Unip. Lda., Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto, 8400-417 Lagoa • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Rui Pires Santos DETENTOR DO CAPITAL 100% Rui Pires Santos • NIF 508 134 595 Nº REGISTO ERC 127433 • DEPÓSITO LEGAL Nº 470747/20 SEDE DE REDAÇÃO Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto., 8400-417 Lagoa EMAIL portimaojornal@gmail.com • TELEFONE 282 381 546 | 967 823 648 • IMPRESSÃO LUSOIBÉRIA, Av. da República, nº 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa • TIRAGEM 3.500 exemplares • PERIODICIDADE Quinzenal ESTATUTO EDITORIAL: https://algarvevivo.pt/sobre-nos/


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ENTREVISTA João Rosa recorda pontos-chave de um percurso de 40 anos

“A felicidade da profissão de engenheiro é fazer obras que beneficiem uma comunidade” ANA SOFIA VARELA

Durante quatro décadas esteve nos Serviços Municipalizados, tendo depois sido um dos percursores da atual Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão, que é reconhecida a nível nacional como uma entidade bem gerida. Ana Sofia Varela

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o dia 2 de dezembro, João Rosa faria 40 anos de carreira profissional, sendo que metade foi passada à frente da EMARP. Reformou-se em 2020 e foi, no final de setembro, que deixou os destinos da empresa nas mãos de uma equipa que considera muito boa. Em entrevista ao Portimão Jornal, o portimonense, nascido em Lobito, revisitou alguns dos mais importantes pontos da gestão da empresa, as dificuldades e a importância das obras que não estão à vista. Explicou ainda as bases que deixou para a criação de uma dessanilizadora que aproveitará água tratada na ETAR, que não pode entrar na rede de abastecimento, para utilizá-la na rega de espaços verdes e campos de golfe. Reformou-se há cerca de seis meses. Sente que deixou uma equipa preparada para continuar o seu trabalho? Sim. Se bem que ela ficará desfalcada. O financeiro e o homem dos resíduos [Luís Fernandes] também se vão reformar. Os que

como nós. Sempre tivemos uma gestão horizontal, aberta, em que todos sabiam o que o outro diretor estava a fazer. Podíamos substituir qualquer um de nós sem qualquer problema. É claro que a gestão dele será diferente da minha, mas é um técnico competente e desejo-lhe muitas felicidades. Espero que a EMARP continue por muitos e bons anos, pois foram criadas equipas muito boas. Como é que começou na EMARP? Assim que conclui o curso fui trabalhar para um gabinete com um amigo de infância. Entretanto, o diretor dos Serviços Municipalizados soube onde eu estava e mandou-me chamar. Era um projeto desafiante, a secção técnica, não havia dúvida. Íamos promover o arranque da Estação de Tratamento de Água (ETA) das Fontainhas e era uma situação que estava muito complicada. Na altura, fartei-me de estudar para pô-la a trabalhar. Os Serviços foram crescendo, mas ficaram só com a atividade da água, porque a eletricidade passou para a EDP e, mais tarde, tornou-se mais fácil

“Sabe quando custa por ano dez por cento das perdas? Aqui em Portimão custava 50 mil euros. Temos 20 por cento, são cem mil” ficaram nas águas e saneamento, o Lucas e o Caetano, têm muita experiência. O diretor-geral que me substituiu, o Pedro Romão, já tinha alguma experiência da Portimão Urbis. Esteve connosco uns anos e aprendeu a funcionar

de gerir. O engenheiro Moura reformou-se e eu substitui-o como diretor delegado. Como foi o percurso daí para a frente? Fui passando por vários presiden-

João Rosa foi o rosto da EMARP durante vários anos por uma gestão de proximidade e de rigor tes da Câmara Municipal de Portimão, com os quais aprendi muito. O mais desafiante foi o Nuno Mergulhão. Ele disse-me: “João, a Câmara não vai gerir mais a vertente de saneamento, nem de resíduos”. Na altura, entregaram a recolha de resíduos e a limpeza a uma empresa privada e correu muito mal. Tivemos de avançar. Havia uma grande dificuldade em arranjar pessoas para trabalhar, porque foi um ano de explosão económica e não podíamos competir com os salários que a iniciativa privada oferecia. Então disse ao Nuno que só restaria uma solução: criar uma empresa municipal para alargar o leque de funcionários. É que a lei portuguesa à data dizia que para ser funcionário público tinha de ser português e havia muitos imigrantes que poderíamos contratar. Ele deu-me todo o apoio e avancei com a minha equipa para a criação da empresa. Ficámos com a água e também com o sa-

neamento. Um ano depois preparámos e avançámos com o setor do resíduos. Infelizmente, o engenheiro Nuno Mergulhão veio a falecer. Portimão muito lhe deve! Ele tinha uma visão integrada? Tinha uma visão de futuro! Seguiu-se o Manuel da Luz. O resto desse mandato correu bem, já o segundo não correu tão bem. Ficou marcado pela intenção de fusão entre a EMARP e a Portimão Urbis? Na altura foram criadas muitas empresas municipais. No fim, ficou só a Urbis. Para sobreviverem têm que ter recursos e ser auto-sustentáveis. Aquela era uma empresa prestadora de serviços, mas de outro tipo. Só sobrevivia com contratos-programa que a Câmara fazia com ela. Ora, começaram a falhar os contratos-programa, a Urbis começou a entrar em défice financeiro... Não há milagres!

Depois seguiu-se a doutora Isilda. Felizmente, ela teve a coragem suficiente para pegar nisto, porque estava mesmo muito mal. A EMARP também teve um papel importante nessa fase? É como tudo, temos que nos ajudar uns aos outros. Falou-se na altura que chegou a financiar ordenados de funcionários camarários? Pontualmente sim. É claro que o cobertor não é muito grande e quando tapamos de um lado, destapa do outro. Houve prioridades, deixámos de pagar a algumas empresas, o que me fazia muita confusão. Foi por isso que fiquei com os cabelos brancos, porque a minha maneira de ser não é ficar a dever. É pagar tudo na hora. No entanto, conseguimos endireitar. Houve um ligeiro ajuste no tarifário e os portimonenses ajudaram e continuam a ajudar.


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ENTREVISTA O valor da fatura é um tema muito sensível, sempre sujeito a críticas? É um ciclo que nunca acaba. Felizmente, porém, os portimonenses têm uma grande vantagem. Apesar de não ter nascido cá, sou também portimonense. E uma grande vantagem é que quando as pessoas demonstram trabalho, ninguém se importa de pagar. É claro que há críticas, aceitámo-las e são sempre bem vindas, mas o sucesso da EMARP deve-se aos utilizadores que diziam pagar a água mais cara do mundo. Na verdade não é bem assim, pois há no

para melhorar o bem-estar dos portimonenses? Algumas coisas. Hoje Portimão tem uma rede de infraestruturas inegável e bem dimensionada. É claro que tudo isto tem o seu ciclo de vida e não pára. As infraestruturas envelhecem como nós, têm que estar sempre a ser substituídas e renovadas. Então pode dizer que se sente realizado? O meu pai dizia que os engenheiros fazem as obras, as obras ficam e nós partimos. Um artista também deixa as obras, mas aqui

“Quando cheguei a Portimão, as coisas eram complicadas. Não havia água em certas povoações, esgotos, o lixo era descarregado onde é hoje a Biblioteca” Algarve quem pague bem mais. No princípio quando cheguei a Portimão, as coisas eram muito complicadas e as pessoas já nem se recordam. Não havia água em certas povoações, não havia esgotos, o lixo era descarregado onde é hoje a Biblioteca, depois apareceu um ‘dumper’ que começou a descarregar o lixo noutro local. Isto evoluiu muito... Era preciso essa tal visão integrada? Sim. É claro que devo também muito ao meu pai que foi meu colega. Era um engenheiro muito bom. Eu não lhe chegava aos calcanhares e, muitas vezes, aconselhava-me com ele. Tinha muita experiência. O engenheiro Moura fez um ótimo trabalho na eletricidade e na conceção das redes. Hoje, Portimão não tem problemas face ao avolumar da construção devido ao que foi feito naquela altura na rede elétrica. Houve outras intervenções importantes no passado. A zona baixa era inundável? Essas obras também já vêm do tempo do engenheiro Mergulhão. Ele entendeu que teríamos que o fazer e nós demos sequência à ‘embalagem’ da autarquia. Esventrámos a cidade toda. É preciso uma coragem muito grande. Os presidentes de Câmara são avessos a fazer obras subterrâneas, porque não se veem. Mas ele teve essa coragem, e hoje não há problemas com inundações. Olhando agora para o seu percurso, acredita que fez muito

é diferente, pois é o benefício da comunidade. A felicidade da profissão de engenheiro é precisamente essa, a de fazer obras que beneficiem uma comunidade e não só uma pessoa. Do que se orgulha mais? De criar uma empresa que, penso eu, a nível local e regional é uma referência. É reconhecida. Quando saí, a EMARP estava muito bem financeiramente. Tinha um suporte financeiro que permitirá aguentar os prováveis prejuízos de 2020. E também trabalhar ao longo destes 40 anos com várias equipas. A EMARP é o que é graças aos trabalhadores, dirigentes, técnicos e administração. Foram tempos difíceis. Até fiquei com o cabelo todo branco (risos). Entrou-se numa espiral... Quando uma pessoa começa a entrar numa rampa descendente, não pára um momento para pensar e penso que isso foi o que faltou ao executivo anterior. Parar, pensar e agir de outra forma. Depois foi uma loucura completa. Houve uma atenção com as pessoas em dificuldades durante a pandemia? O executivo entendeu e deu uma série de facilidades. Ninguém corta a água a ninguém neste período de pandemia, as dívidas são pagas a prestações, 12 ou 18, houve taxas que foram abolidas... Estava numa função com muita dinâmica. Sente muita diferença agora no dia a dia? Agora é diferente. Aqui [no Clube Naval de Portimão] é muito mais

calmo. Nós somos donos do nosso tempo, gerimo-lo e não temos patrões. Quando desempenhamos pontos-chave nas empresas temos sempre alguém acima de nós. Há diretrizes e temos que cumprir os objetivos e não pense que os dirigentes não têm de fazê-lo também. A administração é constituída pela presidente da Câmara, na liderança, e pelo presidente da Junta de Freguesia de Portimão, como vice-presidente, que também têm de cumprir esses objetivos. DESSALINIZADORA NA COMPANHEIRA A EMARP investiu na energia verde em paralelo, certo? Como é uma empresa ambiental, sempre houve essa preocupação. Ajudar as pessoas a reciclar, a poupar, a não fazer gastos de água desnecessários, porque é um bem que é escasso. Recolhe os ‘monos’ e os ‘verdes’, um serviço que agora é totalmente gratuito. Tem linhas de contacto rápido e não é preciso ninguém colocar móveis e eletrodomésticos junto às ilhas ou nos passeios. São diversas valências a funcionar. A EMARP, neste momento, tem um projeto que sempre defendi, mas que por outras questões, se calhar por incompetência minha, nunca avançou, foi sendo protelado. Avançará agora. Estão a criar as bases para fazer uma dessalinizadora na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira para a rega dos espaços verdes e campos de golfe. Essa questão foi mencionada na inauguração da ETAR... Sim, eles [Águas do Algarve] não fizeram a parte que lhes competia, mas a EMARP fará a dessalinizadora, porque há vários problemas de intrusão na água que lá chega. Fomos isolando a rede de esgotos, mas ainda chega lá alguma, pois não há sistemas de esgotos estanques. O teor do mar anda à volta de 30 ou 40 mil miligramas de sal por litro. Lá chega cerca de dez por cento e é preciso retirar esse sal. Não será uma dessalinizadora com um grau tão apurado, mas a água sairá pura. Avançámos também com uma segunda rede, já feita em grande parte, mas que terá de ser alargada, que servirá para abastecer essa água a quem tem jardins, vivendas, aos espaços verdes. Haverá um segundo contador para a rega. É possível usá-la para a agricultura? Não. É só para jardins e campos de golfe. Os espanhóis tentaram colocar as dessalinizadoras a trabalhar para o consumo humano e

a água das barragens para a agricultura, que é o grande consumidor do momento. Não chega nem para um nem outro. Com a pouca chuva que ocorre a sul do Tejo, há problemas em encher as barragens. Os espanhóis fizeram e bem as trasfegas do norte para o sul do país e conseguem ter uma agricultura sustentada, ainda que os ambientalistas os condenem um pouco. A nível macro ainda não está definido o que sucederá. O ministro disse que ia ver, mas em Portugal não se passa do vamos ver. Era urgente tomar uma decisão? Estas decisões relacionadas com a água têm que ser tomadas com dez anos de antecedência, porque são obras que demoram muito. A dessalinizadora é um processo caro, ainda que depois a longo prazo se torne rentável. E ainda existe muita perda de água na rede? Sim. Agora foi criado um programa de investimento, com recursos financeiros da comunidade europeia para substituição da rede de distribuição e adutoras em baixa. É preciso que os executivos o assumam como uma prioridade. Fazer casas dá muito mais nas vistas do que as infraestruturas enterradas, mas hoje esta passou a ser uma prioridade, porque não temos recursos. Perde-se muita água. Anda à volta de 40 a 50 por cento. Há municípios que perdem isso tudo e não pode ser. Não só porque estão a defraudar os consumidores, que têm de cobrir esses custos, mas também porque são valores que poderiam ser alocados para habitação social por exemplo. Depende da grande coragem dos presidentes e eles, felizmente, já estão a mudar de posição e a investir na substituição das redes. Isilda Gomes, encontrou grandes problemas financeiros na Câmara, mas teve essa coragem com as obras na baixa? Ainda bem. Se fizermos as contas... Sabe quando custa por ano dez por cento das perdas? Aqui em Portimão custava 50 mil euros. Temos 20 por cento, são cem mil euros. Além do dinheiro, é menos um recurso que vai para o mar. No concelho há água em todos os locais? Água em todo o sítio é impensável. Os custos de exploração são muito onerosos. Há pessoas que preferem viver no meio da montanha. É uma opção que fazem. Claro que há qualidade de vida para morar no interior. O saneamento resolve-se mais rapidamente, mas a água é um problema mais difícil. Recolha

de resíduos há. Há aglomerados, três ou quatro, como a Pereira, Montes de Cima, que não têm água, mas será ligada ainda que não seja para já. Quando uma pessoa põe um tubo para quatro ou cinco casas, essas infraestruturas são pagas por todos os consumidores, pois reflete-se na tarifa. Tem de ser ponderado e decidido, porque há investimentos prioritários. RECICLÁVEIS NÃO SÃO COMPETÊNCIA DA EMARP Aceitava bem as críticas quando havia problemas na recolha dos recicláveis? A responsabilidade é da Algar, mas teimam em acusar a EMARP? É a EMARP, pois... Isso é o eterno problema da prestação de serviços feita por privados. Em Portugal, ao contrário da Europa, tentaram a privatização, mas todos já chegaram à conclusão que não funciona. São tarifas reguladas. Ora, o privado não gosta da regulação. Têm de obedecer a uma tarifa regulada por uma entidade o que não lhes permite grandes aventuras em termos económicos. A Algar está numa situação complicada? Está financeiramente muito mal, porque a entidade reguladora diz que não cumpriu os objetivos e, por tal, não houve aumento de tarifa. Se calhar, abruptamente, vamos ter de pagar esses prejuízos ao longo do tempo e ninguém ponderou essa situação. Sei que a Algar colocou uma ação contra a entidade reguladora, mas não será fácil. Se o serviço já era mau quando era público, agora ficou dez vezes pior, porque não há hipótese. Vão ter de fazer cortes. Não sei qual será o futuro, mas penso que os reciclados vão, forçosamente, ter de passar para os municípios e também tem muitos custos. São camiões, pessoal. O prejuízo da Algar, salvo erro já será de quatro milhões. É mau, é muito mau. Está ali um menino nos braços dos senhores presidentes de Câmara para resolver, porque têm 49 por cento. É uma faca de dois gumes. Interessa aos municípios pagar pouco pelo serviço, mas são responsáveis pela gestão da Algar? A tarifa devia ser sempre uma situação de compromisso. Sempre! A entidade reguladora impôs aquela tarifa. O Governo diz que terão de pagar o dobro de 2019 nas tarifas. Assim, do pé para a mão, numa situação económica difícil. Qual é a credibilidade disto? Vamos todos nós pagar as taxas e a duplicar, mas a tarifa não duplica, nem pouco mais ou menos, diminuiu até. Que critérios são esses?


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ENTREVISTA João Rosa é o presidente da Direção da coletividade

Uma nova face para o Clube Naval de Portimão FOTOS: D.R.

Em 2018, João Rosa avançou com uma candidatura à Direção do Clube Naval, que foi a vencedora. Num ano de pandemia há ideias e projetos para avançar. Quando chegou, implementou logo mudanças? Sim. Fazia falta. Vamos submeter à apreciação da Câmara um plano estratégico para a atividade desportiva ligada ao mar. O Clube Naval terá mais atividades e será autossuficiente em termos económicos. Claro que isso consegue-se não só com os associados, mas também com um recurso às marítimo-turísticas, que terão infraestruturas. Não é algo novo no país. Viana do Castelo, no norte, e a Madeira já o têm. É uma questão que tem vindo a ser falada... Vou só dar uma ‘luzinha’. O nosso armazém, onde guardamos os barcos, será demolido para criar um posto náutico, que marcará um pouco a diferença. O arquiteto terá de casar a arquitetura do Museu com esse Clube Náutico. Portimão merece, dada a atividade que tem. Não temos recursos financeiros para avançar com um projeto desta envergadura, mas quando comparamos o custo-benefício verificamos que um atleta formado nesta área ganha autossuficiência, desenvoltura. Têm de tomar decisões, porque estão sozinhos num barco. O percurso de um jovem aqui, como na atividade escolar, começa a aumentar e tendem a ser líderes. Conseguimos que algumas escolas secundárias inserissem no programa a atividade náutica como a vela, o remo, o surf. Infelizmente, a pandemia trocou-nos as voltas. O Naval de Portimão é um clube com força? É. Sem dúvida! Tem bons atletas e ganhamos prémios em várias modalidades. É um clube que, se houver acordo da equipa, que é de luxo, para elaborar o plano estratégico, marcará a diferença. Havia um projeto para os sócios. Qual o ponto de situação? Não evoluiu e explico-lhe porquê. Preparámos o dossier para a candidatura a fundos, mas ainda estamos ‘provisórios’. A licença

Atual edifício do Clube Naval junto ao Museu será demolido para dar lugar a um mais moderno que a APS nos dá é anual. Para recorrer aos fundos comunitários precisamos de uma licença a, pelo menos, 20 anos. Está tudo feito, falta o cumprimento da lei, pois estas infraestruturas iam passar para a gestão do município, mas continua tudo igual. Já pedimos para alargar o prazo, mas a APS é intransigente. Continuamos a pagar-lhe as rendas, mas não se vê investimento. Conseguimos ‘uma lança em África’ que foi os molhes e a colocação de correntes para um quebra-mar que já está preparado para o novo que será feito a seguir. Será uma obra vossa? É nossa, mas a APS pagou as correntes e as ‘poitas’ e nós a colocação e a amarração. Se calhar vamos acrescentar mais para as marítimo-turísticas terem melhor possibilidade para carga e descarga de passageiros. Cada vez são mais e é uma componente turística que Portimão não pode desprezar, porque movimenta muito a cidade. Daí advirá, com certeza, suporte financeiro para efetuarmos investimentos, se a Câmara assim o entender, quando tiver a gestão da zona ribeirinha. São poucos lugares? São, mas queríamos aumentar muito mais. A Marina de Portimão está mais vocacionada para as grandes embarcações. As ma-

rítimo dão muita vida à baixa da cidade e devia haver mais cafés, mais instalações sanitárias, locais para os passageiros ficarem enquanto esperam. Além dos combustíveis, da aquisição de embarcações, de reparações, muitas pessoas trabalham já neste setor. Temos lecionado muitos cursos para a licença de navegação a quem quer enveredar por essa área. Não conseguem aumentar mais, porque não têm lugar, não há capacidade de acostagem. Uma outra infraestrutura era, e sobre essa ainda não posso falar muito, no Parque de Feiras ou nas proximidades para que haja uma abrangência desde a zona norte até à foz. Esse projeto de que falou no início era o estacionamento vertical dos barcos? Exato. Isso resolvia-nos um problema, porque temos uma lista de espera muito grande. As pessoas só precisam do barco, a maior parte delas, ao fim de semana. Se estivessem em estacionamento vertical, as embarcações ficavam bem arrumadas, depois de lavadas. Também vamos fazer uma lavagem automática, porque gastamos muita água e é um bem escasso. Essa estrutura permitirá que os sócios tenham um tempo de lavagem gratuito, mas se demorarem mais têm de pôr uma moeda.

Traz estas ideias da EMARP? É verdade (Risos). Há quem esteja ali muito tempo a lavar o barco e, além de ter custos, é um bem que tem de ser poupado. Qual é a situação financeira do clube? É estável. Temos reservas financeiras que nos permitem encarar a pandemia, até porque será um ano complicado. No entanto, como não há atividades desportivas, o dinheiro é acumulado. O objetivo não é chegar ao fim com lucro, que anda sempre à volta de cem mil euros. A intenção é investir nas atividades desportivas, nas estruturas e em condições para os

sócios. O lucro é representativo e dá-nos um conforto financeiro, mas não é estanque. Amealhar sem investir não é para mim. Os projetos são sempre necessários e as pessoas têm de semear para evoluir. Havia também o imóvel na Praia da Rocha? Do windsurf, sim. Está a funcionar. Fizemos lá uns balneários muito bons, porque estavam num estado muito mau. Parecia um terceiro ‘mundismo’. Renovámos tudo. No edifício do armazém fizemos um ginásio, pintámos, melhorámos e pouco mais, pois é para ir abaixo.


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DESPORTO

André Reis é o responsável pela expansão da modalidade e tem na manga um projeto de excelência

Crescimento da Escola de Boxe faz sonhar em grande escala

Está na calha a criação de um Centro de Alto Rendimento, para desportos de combate, com o apoio do Município. Será algo inédito no país, com um retorno fantástico, inclusive para a cidade. FOTOS: KÁTIA VIOLA

Hélio Nascimento

H

á boxe em Portimão! E do bom! André Reis é o rosto do projeto que ganhou maior visibilidade a partir de 2012 e que agora, para além de encantar quem pratica, está a adquirir uma dimensão suscetível de trazer para a cidade um retorno assinalável, como mais adiante se verá. “Já havia boxe por aqui, pelo que, na altura, a ideia foi formalizar e legalizar um clube, com o nome de Portimão, de modo a projetá-lo. Foi assim que surgiu a Escola de Boxe. A ideia, repito, foi pegar no que já havia, porque tínhamos atletas em atividade e eram dadas aulas”, explica André Reis, de 38 anos, fundador, treinador e presidente da associação que continua a crescer. “Tenho levado o projeto por diante. Faço boxe desde os 14 anos, de forma lúdica, num período em que nem havia muitas condições. Por isso, o objetivo foi proporcionar aos jovens essas condições para poderem compe-

André Reis e uma jovem praticante durante uma sessão de treino. O boxe em Portimão vai ganhando mais adeptos tir e ir mais além”, prossegue André Reis, que recebeu a reportagem do Portimão Jornal em pleno

“Ganhámos o primeiro ‘round’ e vamos ganhar o segundo!” Queiramos ou não, a pandemia acaba por ser tema obrigatório nestas reportagens. André Reis encolhe os ombros e comenta: “Curiosamente, durante a primeira vaga, acabámos por perceber que o projeto tem pernas para andar. Houve um retrocesso, alguns alunos não vieram e o Centro fechou. As despesas, essas, mantiveram-se, mas, com os apoios institucionais devidos, que são de grande agrado, em especial da nossa Câmara Municipal, que nunca faltou com o apoio, cá estamos. Vamos para o segundo ‘round’! Ganhámos o primeiro e queremos ganhar o segundo, que vamos ultrapassar mais uma vez”, promete, utilizando um termo do boxe – o ‘round’ – para definir o que lhe vai na alma. O Centro fechou agora de novo, face às regras anunciadas pelo Governo, mas os atletas podem fazer exercício no exterior. “A equipa de competição, mesmo sem provas, vai manter a atividade física. Aliás, isso permite maior capacidade para enfrentar este vírus e nós incentivamos, sempre presentes e com aulas online. Por serem atletas de competição estão sempre ativos, já está na natureza deles”, enfatiza André Reis, a propósito da equipa, que dispõe de nove atletas preparados e ‘em forma’ para quando abrir a competição. Este grupo integra maioritariamente homens, mais uma jovem cadete quase pronta para atuar. Para além de três seniores, os restantes elementos dividem-se pelos escalões de cadetes, juvenis e juniores.

Centro de Treinos, localizado na zona da Coca Maravilhas. À medida que começavam a chegar os atletas, para as respetivas sessões de treino, a vasta área ganhava outra cor, muito embora as notícias de então apontassem no sentido de que as instalações não tardariam a ter de fechar, devido às novas restrições subjacentes à pandemia. Mas desta situação já voltaremos a falar. “Boxe no Algarve? Há história, sim senhor, mas, quando falo com pessoas que estão fora da modalidade, a ideia é essa, que não existe ou então tem reduzida expressão. Mas temos clubes com muitos anos de prática, em especial no sotavento, com uma história rica e bons resultados alcançados em provas internacionais, casos do Campinense e do Arena de Faro. Existe mesmo história. Aqui no barlavento, porém, é diferente, os exemplos são poucos e a tradição escasseia”, comenta o responsável, clarificando uma questão certamente desconhecida da maioria do público. Os primeiros títulos, os miúdos e as senhoras Fundada em 2012, como já se dis-

se, a Escola de Boxe de Portimão começou a ter resultados logo no ano seguinte. “Nós legalizámos o que já tínhamos, ou seja, havia atletas que treinavam bastante e estavam por isso em condições

tras paragens, seguindo as suas carreiras universitárias. Daí que o nosso foco seja a formação, ensinando miúdos desde os 6 anos, incutindo-lhes valores e mostrando a necessidade de fazerem

“Os miúdos apaixonam-se pelo boxe, veem filmes e séries, e os pais, que ao princípio pensam que esta prática é violenta, acabam depois por incentivar os filhos” de competir e obter bons resultados. Em 2013 entrámos em provas, com elementos muito bem preparados, conquistando de imediato alguns títulos nacionais e regionais”, recorda André Reis, referindo que as camadas jovens foram sempre a prioridade e a principal aposta do clube. “Os cadetes e juniores são os escalões de maior expressão. Chegando a seniores, alguns dos atletas acabam por rumar a ou-

exercício físico, dando-lhes também a entender que o boxe não é um desporto violento e que a formação é a razão de existência da escola”, esclarece o mentor. E os pais? Como reagirão ao verem os seus filhos escolherem uma modalidade por muitos catalogada de algo violenta? André Reis sorri, como se já esperasse a questão. “Temos sempre essa parte em equação, é verdade. Os miúdos apaixonam-se pelo boxe,


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DESPORTO

A equipa de competição e outros alunos e atletas junto ao local destinado à modalidade veem filmes e séries e entusiasmam-se ainda mais, e os pais, que ao princípio pensam que esta prática é mesmo violenta, com sangue e tudo, acabam depois por mudar de opinião. Chegam aqui, analisam como tudo decorre e são eles, os próprios pais, a vir ter connosco e a incentivar os filhos”. Neste contexto, a Escola de Boxe é igualmente muito procurada por senhoras, sejam mais ou menos jovens, algumas das quais apostam na competição e registam resultados de vulto. “Tivemos aqui uma atleta feminina que teve grandes vitórias, tendo

pessoal. E está na moda porque é procurado por muitos modelos, na tal linha de melhorar a componente física e ser útil na defesa pessoal. Temos a Sara Sampaio, por exemplo, que deu uma entrevista a fazer boxe. E agora foram os pilotos da Fórmula 1 a divulgar que fazem boxe como preparação. Ou seja, tudo isto teve desde logo uma grande projeção mundial”. Alto Rendimento é um sonho que se torna cada vez mais real André Reis é enfermeiro de profissão, no barlavento algarvio (CHUA), e está, por assim dizer,

“O Centro de Alto Rendimento é um projeto de raiz, uma caminhada que estamos a iniciar, para projetar estes desportos e até acrescentar outras valências” representado o clube ao mais alto nível, sempre com resultados e títulos nacionais”, confirma André Reis. No seu entender, aliás, o boxe feminino está na moda. “É um desporto saudável, que permite desenvolvimento físico, cardiorrespiratório e também defesa

em duas frentes de luta. Na do boxe e na da saúde. “Não estou na linha da frente do covid, mas na outra, que as redes sociais dizem que não existe. Estou lá eu e outros colegas para que os doentes melhorem e possam sair do hospital”, assevera, com uma bicada para quem muito

O empenho e o entusiasmo são uma constante no Centro de Treinos

diz e pouco acerta. O assunto do momento, porém, no que ao boxe e ao Centro de Treinos diz respeito, é outro. André Reis toma balanço, por assim dizer, e revela ao Portimão Jornal um objetivo que, embora para realizar a médio prazo, todos os dias ganha consistência e faz sonhar. “Temos um projeto para criar um Centro de Alto Rendimento de desportos de combate, numa parceria com o Município. Levará o seu tempo, mas estamos a lançar as primeiras pedras. Queremos que seja uma referência em Portimão e um espaço para estágios de vários desportos de combate, com uma abrangência enorme, algo que não existe no nosso país”, atira o treinador que também é presidente. “Temos tudo: sol, praia, clima bom e condições ideais para receber equipas nacionais e internacionais de excelência, incluindo seleções. Basta acreditar, trabalhar e ir em frente. Isso implica sair daqui, do Centro de Treinos. Será um projeto de raiz, uma caminhada que estamos a iniciar, para projetar estes desportos e até acrescentar outras valências. Vamos crescer e ficar aptos para receber todo o tipo de equipas e seleções”, considera André Reis. Este Centro de Alto Rendimento terá instalações próprias, já identificadas na cidade. “É um sonho que se torna cada vez mais real. Quando o projeto é apresentado às pessoas, muitas dizem que é megalómano, mas que é possível. Trará muito a Portimão, nomeadamente em termos de turismo, fora do Verão, levando a apostar em outros tipos de iniciativas, como o turismo desportivo. É um projeto que envolve muito dinheiro e muito retorno, porque, para além do aspeto desportivo, é uma forma de trazer pessoas à cidade fora da época alta”. Portimão Boxe Cup apontada para maio Desde o primeiro dia, a Câmara

Sete modalidades no Centro de Treinos O Centro de Treinos é “o bebé” de André Reis, como ele próprio o costuma batizar. “Surge como local para treinar. De início juntámo-nos ao Taekwondo e estivemos nas instalações deles, numa parceria que dura até hoje. Como vimos que o projeto tinha pernas para andar, em 2015 arrancámos para um primeiro centro, com 450 metros quadrados de área, e percebemos, dois anos depois, que tínhamos dimensão para formar um clube maior” conta o nosso anfitrião. É assim que surge o atual Centro de Treinos, na Coca Maravilhas, numa área de quase 1000 metros quadrados de treino, que junta várias modalidades. “O objetivo foi esse, o de reunir várias associações num só local. São sete modalidades, com muitos jovens a frequentar as aulas, e, acredito, estamos a meio de um projeto de crescimento para o futuro”, adianta André Reis, com um brilhozinho nos olhos. Taekwondo, Judo, Karaté, Jiu-Jitsu, Krav Maga e Kick Boxing são as outras vertentes de desportos de combate e artes marciais que dividem o aprazível espaço, para além, é claro, do boxe. Estas instalações foram inauguradas no dia 11 de fevereiro de 2017 e a ocupação máxima é a regra. “Nas horas ‘premium’, ao fim do dia, de segunda a sexta, estamos cheios, sucedendo o mesmo aos sábados. É esta a gestão que faço, como responsável, dividindo horários e espaços”. O boxe tem 110 praticantes, e, no total de todas as disciplinas, o Centro alberga mais de 300 atletas. “Suportamos as despesas – o espaço é alugado – com a quotização, que é naturalmente extensiva a todos os clubes. É exclusivo para artes marciais e desportos de combate e é uma área que, arrisco-me a dizer, não sei se há muitas com esta dimensão”.

Municipal tem sido o grande parceiro das ideias e iniciativas de André Reis e da Escola de Boxe. “Acreditou quando isto ainda não era nada, e depois, quando viu a dimensão do projeto, nunca mais o largou, o que é bastante satisfatório”. A Junta de Freguesia de Portimão e várias empresas da cidade, “que nunca nos abandonaram e não deixaram o projeto cair”, estão igualmente a contribuir para o sucesso. “Objetivo imediato? Continuar a mostrar que o boxe não é violento, que pode ser praticado por todos, convencendo e trazendo pessoas para a prática de exercício físico, ao mesmo tempo que incutimos aos jovens os valores e respeito pelos outros”, insiste André Reis. Na calha está também a Portimão Boxe Cup, uma prova que “no ano passa-

do, infelizmente, não passou do papel, embora já tivéssemos inscritos”, na linha da Algarve Boxe Cup, um torneio da Associação, realizada em Portimão, que “foi espetacular e serve de lançamento para esta Portimão Boxe Cup, que é mais um dos meus sonhos”, revela o mentor. A pandemia adiou, no ano passado, a estreia desta prova, com atletas internacionais e a nata nacional. Agora, aponta-se a maio. “Ainda acreditamos, mas vamos ser realistas e, se calhar, não será possível este ano. Mas vai haver e cá estaremos”, promete André Reis, um ‘lutador’ por excelência, disposto a levar por diante uma série de projetos que engrandeçam a cidade e o desporto. Para já, ver a sua Escola de Boxe repleta de jovens entusiastas e promissores, é a maior das satisfações.


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OPINIÃO

Do mito sebastianista no imaginário nacional

Pedro Manuel Pereira Historiador A derrota militar portuguesa na batalha de Alcácer Quibir (El-Ksar-el-Kibir) em 4 de Agosto de 1578, constitui uma das mais negras páginas da História de Portugal, cujos ecos se continuam a sentir. Não obstante, estamos em crer, que passados que são mais de quatro séculos dessa tragédia, Portugal ainda não se recompôs da mesma. Continua um país órfão. O mito sebastianista mantém-se presente no inconsciente colectivo. Talvez ninguém o tivesse retractado tão bem até hoje, como Fernando Pessoa. Ciclicamente em tempos de grave crise política, económica e social, o colectivo nacional reaviva a vaga esperança de que algo ou alguém venha «numa manhã de nevoeiro» salvar os portugueses da desgraça. O sentimento de orfandade não expressada, assola então os portugueses, até que um qualquer pretenso salvador assuma com mão de ferro os destinos da governança do reino. Só no século XX ele foi um Sidónio Pais, um Salazar, alguns dos capitães de Abril, um Sá Carneiro, um Cavaco Silva... Portugal continua a ser um reino sem rei, no inconsciente colectivo do seu povo. Um presidente da República, qualquer que ele seja, não chega nem tem cariz para preencher o vazio de um soberano, de um pai da pátria, de um paizinho da nação.

Mário Soares, enquanto presidente, quase chegou a preencher esse vazio, só não o personificando dada a limitação constitucional de poderes, de regime e… porque não era um monarca. A batalha de Alcácer Quibir mobilizou pela parte portuguesa os melhores e mais poderosos membros da aristocracia, o melhor da sua juventude e avultadas somas de capitais, fruto sobretudo de enormes empréstimos, não obstante o exército se encontrar francamente em mau estado, quer em termos de disciplina, quer em organização. Para além das forças portuguesas, existiam também, mercenários espanhóis, italianos e alemães. A empresa teve o «empurrão» do papa Gregório XIII que promulgou uma Bula a favor dessa expedição. Em abono da verdade se refira, no entanto, que o rei Filipe II de Espanha enviou a D. Sebastião uma embaixada chefiada pelo Duque de Medinaceli a fim de o dissuadir dos seus intentos de passar ao Norte de África. Perto de Alcácer Quibir, as forças portuguesas, compostas por 15.000 infantes, 1.500 cavaleiros, para além de algumas centenas de criados, mulheres, escravos, etc., que constituíam a retaguarda logística, mais uns quantos partidários de Mulay Muhammad, foram destroçados pelo exército do sultão Mulay ‘Abd al-Malik, composto por 8.000 infantes e 41.000 cavaleiros, para além das tropas regulares. Com D. Sebastião pereceu a nata da aristocracia e do exército do País, num total aproximado de 7.000 homens, para além

dos milhares de feridos e prisioneiros, muitos deles remidos ao longo dos anos pelos seus familiares, a troco de avultados cabedais, que levou à ruína poderosas famílias. Com o desaparecimento do soberano (em

seio, tal a quase nula resistência encontrada, à excepção da movida por D. António, derrotado na ribeira de Alcântara, junto com o seu improvisado exército de sete a oito mil homens. Escapou e fugiu

Portugal continua a ser um reino sem rei, no inconsciente colectivo do seu povo. Um presidente da República, qualquer que ele seja, não chega nem tem cariz para preencher o vazio de um soberano combate numa manhã de nevoeiro), estava aberta a porta para a União Ibérica, não obstante a aclamação régia do Cardeal D. Henrique, que tomou assento no trono com sessenta e seis anos de idade e uma saúde débil. Quando por sua morte por tuberculose, em 31 de Janeiro de 1580, deixou o reino sem sucessor. Assim, D. António, Prior do Crato, assume-se como o candidato natural, tendo o apoio de grande parte das massas populares e é aclamado rei em Santarém. Como tantos outros, houvera ficado prisioneiro na batalha de Alcácer Quibir, tendo no entanto, obtido depressa o resgate. O duque de Alba e as suas tropas invadem o País por ordem de Filipe II de Espanha. Mais se diria que foi um tranquilo pas-

para França onde foi reconhecido como de iure rei de Portugal, tendo continuado a luta contra os espanhóis com o auxílio da Inglaterra e da França. Teve como seu último baluarte, a Ilha Terceira, que se rendeu a Filipe II em 1583, aclamado que tinha sido nas Cortes de Tomar em 1581 rei de Portugal com o título de Filipe I. Só no dia primeiro de Dezembro de 1640, O País retomaria de novo a sua independência, que durou até à sua adesão à Comunidade Económica Europeia, passados mais de quatrocentos anos. *Artigo escrito sem aplicação do Novo Acordo Ortográfico

CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO Delegação Regional do Algarve

A DECO INFORMA… No ACT4ECO, procurámos sistematizar esta informação, entre muitas outras questões relevantes para a eficiência energética da sua casa. Uma caldeira demasiado pequena para a sua necessidade não será capaz de proporcionar conforto durante os dias mais frios do ano, por mais que funcione. Mas, se o objetivo for melhorar o conforto e aumentar a eficiência energética, a flexibilidade é mais importante do que a capacidade deste equipamento. Se optar por um sistema capaz de funcionar em apenas dois modos ON ou OFF, conhecido como sistema de aquecimento a uma fase, enfrentará oscilações de temperatura. Por outras palavras, o sistema liga-se e funciona em plena capacidade até que o termostato atinja a temperatura

“Será que uma caldeira é o melhor equipamento de aquecimento para a minha casa?” pretendida, desligando-se de seguida. Daí as variações de calor e, consequentemente, de níveis de conforto. Porém, se a escolha recair sobre um sistema de aquecimento de duas fases, terá um ciclo de aquecimento mais longo e lento, eliminando-se o rápido aquecimen-

de temperatura demasiado bruscas. Com este sistema, poderá programar a caldeira para trabalhar a 60% e a 100% da sua capacidade. Mas existe também o sistema modulador que opera em níveis muito precisos. Alguns modelos podem funcionar a 40% da

Se o objetivo for melhorar o conforto e aumentar a eficiência energética, a flexibilidade é mais importante do que a capacidade deste equipamento to que muitos consumidores consideram desconfortável. Terá maior controlo da temperatura ambiente e evita mudanças

capacidade e aumentar em 0,5%, se o termóstato assim o exigir. Ao optar por este sistema, poderá gerir a temperatura com

muita precisão, até porque, normalmente, trabalham continuamente a uma potência muito baixa. Este sistema pode atingir uma eficiência que pode ir até aos 98%, o que significa que 98% do combustível que entra no sistema regressa como calor. Qual o senão deste sistema? É o mais dispendioso e como tal é uma questão de ponderar este investimento, tendo em conta as necessidades de aquecimento da casa. Informe-se com a DECO e o ACT4ECO. ACT4ECO é uma plataforma aprendizagem online sobre eficiência energética onde encontra informação que te ajudam a fazer as mudanças certas lá em casa. Junta-te a nós em https://act4eco.eu.


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Portimão Jornal • 28 JAN 2021 • Nº16

ĂšLTIMAS

Corrida de MotoGP estå garantida com Miguel Oliveira à cabeça

Escutas garantem entrega de mil refeiçþes por mês

‘Primavera quente’ no AutĂłdromo Internacional

Autarquia renova protocolo com Agrupamento de PortimĂŁo do CNE

Se o novo coronavĂ­rus nĂŁo estragar os planos, para alĂŠm das motos, Mundial de ResistĂŞncia, FĂłrmula 1 e Volta ao Algarve assentam arraiais na regiĂŁo.

D.R.

O Agrupamento de Portimão do Corpo Nacional de Escutas (CNE) viu ser renovado o protocolo anual que tem com a Câmara Municipal, a 8 de janeiro. O protocolo prevê a cooperação operacional e logística, sendo que a autarquia suporta os encargos com equipamentos e consumíveis essenciais para a operacionalização de um dispositivo logístico de apoio às operaçþes de proteção civil e socorro. Estå subjacente ainda uma capacidade de produção e distribuição de uma mÊdia de 400 refeiçþes por hora, podendo escalar em caso de necessidade face a um acidente grave ou uma catåstrofe. A unidade do CNE trabalha diretamente com o Serviço Municipal de Proteção Civil em diversas missþes, assegurando ainda funçþes de apoio social à população, como Ê o caso da distribuição de alimentação e outros bens a todos quanto se encontram, nesta altura, isolados devido à pandemia da covid-19. Desde março, as equipas do CNE têm assegurado a entrega diåria de refeiçþes, num total de mil por mês.

Atleta jĂĄ treina com os alvinegros

João Vigårio reforça equipa de futsal do Portimonense

Classe rainha do motociclismo de regresso, jĂĄ entusiasma adeptos HĂŠlio Nascimento

A

ssim a pandemia o permita e o Algarve – e PortimĂŁo em particular – poderĂĄ ter uma Primavera ‘quente’, com eventos desportivos de grandeza, praticamente todos jĂĄ garantidos, muito embora a situação da saĂşde aconselhe calma e prudĂŞncia. O AutĂłdromo Internacional serĂĄ o palco de excelĂŞncia dos meses de abril e maio, com a realização do Mundial de ResistĂŞncia, a 4 de abril, e do MotoGP, a 18 abril, estando agendada mais uma corrida do Mundial de FĂłrmula 1 para 2 de maio, apesar de

esta ainda nĂŁo estar confirmada. Por Ăşltimo, a Volta ao Algarve em bicicleta, que estava marcada para o prĂłximo mĂŞs de fevereiro, foi adiada para maio, realizando entre os dias 5 e 9. No caso da ‘Algarvia’, que coincidirĂĄ com o inĂ­cio da Volta a ItĂĄlia, ĂŠ provĂĄvel que Chris Froome, Vincenzo Nibali e JoĂŁo Almeida, alguns dos nomes mais sonantes das 14 equipas WorldTour entĂŁo inscritas, nĂŁo venham a marcar presença, tal como estava previsto. De resto, todo o calendĂĄrio velocipĂŠdico estĂĄ a ser reorganizado e sĂł mais lĂĄ para a frente as certezas serĂŁo absolutas. No caso do MotoGP, as pri-

meiras manifestaçþes de regozijo nĂŁo se fizeram esperar. JoĂŁo Fernandes, presidente da RegiĂŁo de Turismo do Algarve, fala em “grande notĂ­ciaâ€? e estima um impacto na ordem dos seis milhĂľes de euros, enquanto Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de PortimĂŁo, destacou a “projeção mundialâ€? de uma prova de topo, que trarĂĄ Ă regiĂŁo “milhares de pessoasâ€?. Depois, bem, depois temos Miguel Oliveira, que venceu o ano passado, para gĂĄudio de um paĂ­s inteiro. “LĂĄ vamos nĂłs outra vez!â€?, disse o piloto de Almada, deixando jĂĄ os adeptos com ĂĄgua na boca.

O atleta JoĂŁo VigĂĄrio, que joga na posição de ‘pivot’ e que estava no Futsal AzemĂŠis desde 2019/2020, ĂŠ o novo reforço da equipa do Portimonense. “Jogador muito mĂłvel e de grande capacidade ofensiva, fez 116 golos entre 2014 e 2020, dos quais 79 foram apontados ao serviço de equipas da I DivisĂŁo, tendo sido o terceiro melhor marcador do principal escalĂŁo em 2015/2016â€?, descreve o clube. A formação do desportista foi repartida pelo Unidos Pinheirense e Gondomar SC, sendo que, jĂĄ sĂŠnior, representou clubes como o Gondomar SC, A Mogadouro, Bom Pastor, ACR Vale de Cambra, Farlab e CS SĂŁo JoĂŁo. Foi, porĂŠm, no Unidos Pinheirense que fez grande parte da carreira, sendo um dos obreiros das duas subidas Ă I DivisĂŁo Nacional desta equipa em 2013/2014 e 2015/2016. O atleta jĂĄ treina com os restantes elementos da equipa alvinegra.

Entrega de material escolar

Núcleo de Direito apoia Agrupamento de Escolas da Bemposta O Núcleo de Direito do Algarve e o Rotary Clube de Albufeira entregaram material escolar a alunos do Agrupamento de Escolas da Bemposta, em Portimão, no dia 15 de janeiro. As duas entidades juntaram, assim, um conjunto de bens e deslocaram-se ao estabelecimento escolar onde entregaram o que conseguiram recolher a Sandra Tenil, diretora do Agrupamento, e aos professores Cidålia Gonçalves e Jorge Pinto. PUB

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A FECHAR

Quinta-feira • 28 janeiro 2021

CM PORTIMÃO

André Ventura foi o segundo candidato mais votado

Portimão dá vitória a Marcelo Rebelo de Sousa

Rua Infante D. Henrique está a ser pavimentada

Votação nas três freguesias pouco diferiu da realidade concelhia, regional e nacional, ao dar a reeleição ao atual Presidente da República e ao colocar o representante do Chega em segundo. ANA SOFIA VARELA

Ana Sofia Varela

M

arcelo Rebelo de Sousa, atual Presidente da República, foi o candidato mais votado em todo o país, conseguindo, assim, a desejada reeleição. Em Portimão, os resultados das Eleições Presidenciais, que decorreram no domingo, 24 de janeiro, foram semelhantes às de muitos outros concelhos do país, com André Ventura, no segundo lugar, a angariar uma votação significativa, deixando para trás os outros candidatos. O representante do Chega só foi ultrapassado por Ana Gomes, a nível nacional, com a contagem das últimas freguesias em Lisboa e no Porto. Na votação global no concelho de Portimão, Marcelo Rebelo de Sousa conquistou 55,63% dos eleitores (12082 votos), seguido por André Ventura com 19% (4127 votos), por Ana Gomes, com 11,59% (2518 votos) e por Marisa Matias com 5,07% (1101 votos). Com menor expressão ficaram João Ferreira, com 3,48% (755 votos), Tiago Mayan Gonçalves, com 2,92% (634 votos) e Vitorino Silva, com 2,31% (501 votos). Foram ainda registados 231 votos em branco (1,04%) e 199 votos nulos (0,9%). A absten-

A principal artéria de entrada em Portimão a partir da ‘ponte velha’, a Rua Infante D. Henrique, está a ser alvo de obras de melhoramento do pavimento, desde dia 26 de janeiro. A intervenção decorrerá até 2 de fevereiro, próxima terça-feira, e já implicou o corte ao trânsito de ligeiros na ponte, entre a rotunda de acesso ao porto de pesca, desde a Rua Infante de Sagres, no Parchal, até ao cruzamento das Ruas Serpa Pinto e Infante D. Henrique, em Portimão, no dia 26 e 27 de janeiro. Durante todo o tempo em que decorrer a obra, a circulação está vedada a veículos pesados com mais de 5,5 toneladas. A empreitada nesta via será progressiva.

Vales para descontar no comércio local prolongados até março A medida ‘Valorizar o Comércio Local’ está suspensa enquanto durar o Estado de Emergência decretado por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, até às 23h59 de 30 de janeiro. A validade dos vales é prolongada por um mês, ou seja, até 28 de março de 2021. Esta ação é uma iniciativa da Câmara Municipal de Portimão que resulta de uma parceria com a Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve, a Associação Portimonense do Comércio e Serviços e a Associação Turismo de Portimão e que visa desenvolver o estímulo à economia local, num momento de dificuldade para o comércio e restauração do concelho. Presidente diz que reeleição não será um cheque em branco ção ficou-se pelos 54,96%, tendo votado neste concelho 22148 cidadãos de um total de 49173 inscritos. Analisando cada freguesia, os resultados de Portimão foram muito semelhantes às contas finais do concelho, sendo de assinalar que, em Alvor, Tiago Mayan Gonçalves conseguiu mais votos do que João Ferreira. Já na Mexilhoeira Grande ganha destaque o facto de Vitorino Silva ter ficado em quinto lugar, à frente de João Ferreira e de Tiago

Mayan Gonçalves. Ainda na noite eleitoral, no dia 24, no discurso de vitória, Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu a avaliação dos portugueses, que decidiram “renovar a confiança” nele, ainda para mais, quando se avizinham fortes desafios sociais e económicos gerados pela pandemia da covid-19. Afirmou também saber que esta reeleição não será, porém, “um cheque em branco” passado pelos portugueses, prometendo tentar dar respostas adequadas.

Portimonense: Ricardo Ferreira foi ‘herói’ em Moreira de Cónegos O guarda-redes Ricardo Ferreira tornou-se a principal figura do Portimonense, ao defender um penálti, no período de descontos, garantindo assim um ponto importante, na deslocação a Moreira de Cónegos. O empate (2-2) surge depois da vitória (1-0) sobre o Belenenses, o que permitiu à equipa algarvia dar um razoável salto na classificação, afastando-se dos lugares mais indesejáveis, muito embora a distância que separa as equipas da metade inferior da tabela continue a ser diminuta. Frente ao Moreirense, o Portimonense foi o primeiro a marcar, por intermédio de Lucas, mas consentiu, ainda na primeira parte, que o adversário desse a volta ao marcador. Dener, de cabeça, em lance de bola parada, fixou a igualdade. PUB

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