__MAIN_TEXT__
feature-image

Page 1

Quinta-feira • 14 janeiro 2021 • 1.00€

PESSOAS

Amílcar Fonseca, uma referência do Portimonense e da cidade P12-13

Quinzenário • Ano 1 • Nº15 Diretor: Rui Pires Santos

‘Portimão à Mesa’ ajuda a restauração Iniciativa da Câmara Municipal conta com investimento inicial de 60 mil euros. Entrega de refeições em casa é gratuita. Clientes só pagam o que encomendam e empresários não têm custos de participação. P4

POLÍTICA Últimas Assembleias Municipais marcadas por insólitos P6

OBRAS Autarquia investe 800 mil euros em arranjos de ruas P15

COVID-19 100 camas no Hospital de Campanha reforçam resposta P16

ALVOR

Pandemia complica vida da Associação dos Dadores de Sangue do Barlavento P8-9

StartUp dá ‘luz’ a novos projetos e empresas Incubadora tem ajudado empresários a concretizar as suas ideias de negócio. P2-3

Junta de Freguesia tratou pinheiros em espaços públicos P15 PUB

Fábrica de Janelas e Portas PVC e ALUMÍNIO Área de Exposição 200m2

Centro Industrial Vale da Arrancada, Lt.49 Coca Maravilhas - Portimão Tel.: 282 475 065 Email: geral@silvestre-e-sousa.pt PUB


P2

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

ATUALIDADE StartUp Portimão apoia empresários

Uma ‘fábrica’ de projetos e empresas FOTOS: JORGE EUSÉBIO

Incubadora portimonense tem ajudado muitos empreendedores a transformarem em realidade as suas ideias de negócio. Jorge Eusébio

D

e portas abertas há cerca de três anos e meio, a StartUp Portimão tem funcionado, ao longo deste período, como a ‘casa-mãe’ de muitos empreendedores e empresários. A incubadora resulta de uma iniciativa da Câmara Municipal, em parceria com a empresa Territórios Criativos, que a gere. Nesta altura encontram-se instalados naquele espaço 22 projetos, nas áreas da energia, mobilidade, turismo, governança e qualidade de vida, envolvendo um total de 29 postos de trabalho. Uma das responsáveis dos Territórios Criativos é Teresa Preta, que faz “um balanço muito positivo do trabalho desenvolvido”. Lembra que, no início surgiram muitas críticas pelo facto da incubadora se instalar no Autódromo Internacional do Algarve, a vários quilómetros do centro da cidade. No entanto, essa circunstância “não teve qualquer tipo de consequências negativas, antes pelo contrário”.  Os pedidos de empreendedores para aí se instalarem surgiram desde o princípio, tendo, em várias fases, a capacidade ficado praticamente esgotada.  Por outro lado, têm sido fei-

A StartUp Portimão tem ajudado muitos empreendedores a transformarem os seus projetos em negócios cubadoras, empresários e empresas, como com entidades públicas e instituições de ensino”. Isso implica “não ficarmos fechados nas instalações físicas, mas também avançarmos com iniciativas de envolvimento da comunidade”. Uma delas intitula-se “Empreendedorismo nas escolas” e já chegou a 314 alunos de 14 turmas

Encontram-se instalados naquele espaço 22 projetos, nas áreas da energia, mobilidade, turismo, governança e qualidade de vida tos contactos muito proveitosos e até várias sinergias com empresas que participam em eventos ou provas do Autódromo e que, por ali se deslocarem, ficam a conhecer a StartUp e os empreendedores que nela trabalham. A lógica de Teresa Preta e dos seus colegas tem sido “a formação de parcerias não só com outras in-

de estabelecimentos de ensino do concelho. Essa e outras atividades encontram-se, atualmente, suspensas devido à crise pandémica que atravessamos. No entanto, continuam a ser desenvolvidas ações de formação e de contacto entre empreendedores, usando para o efeito, essencialmente, meios de

comunicação digital. Um deles, que até esteve para ser cancelado, um ‘Bootcamp’ (ação de formação intensiva), revelou-se um “grande sucesso”, uma vez que envolveu empreendedores de vários pontos do globo, tendo daí resultado diversos pedidos para instalação de projetos internacionais. Negócio com Espanha e Itália no horizonte Leonardo Mariano é um dos empreendedores que escolheram a StartUp Portimão para instalar e fazer crescer o seu negócio, o ‘Breakfastaway’. Trata-se de um serviço de entrega de pequenos-almoços ao domicílio que, atualmente, funciona em Lisboa, Porto e Braga e que, muito brevemente, irá, também, chegar a Portimão e Lagos e, a partir daí, expandir-se para todo o Algarve. Mas a ambição de Leonardo Mariano não é contida pelas fronteiras nacionais. Já está a pensar na internacionalização, tendo definido como primeiro ‘alvo’ a Es-

panha e, como segundo, a Itália. Através da sua plataforma online, diz o empresário, “qualquer pessoa, empresa ou instituição pode pedir a entrega de um pequeno-almoço de hotel em sua casa”. O projeto nasceu em 2018, com outros fundadores, mas foi este ano que registou o seu maior crescimento. A pandemia da covid-19 não teve, neste caso, consequências negativas, antes pelo contrário, pois “a empresa cresceu 45%”. Empresas pagam pequenos-almoços a funcionários A vertente que mais tem contribuído para esta evolução positiva é a corporativa. Muitas empresas têm os seus funcionários a trabalhar a partir de casa e, sobretudo quando há reuniões ‘virtuais’, algumas delas contratam os seus serviços para levarem o pequeno-almoço aos participantes. Ainda recentemente, diz Leonardo Mariano, “uma grande empresa contratou-nos para fazer uma entrega dessas, em simul-

NÚMEROS ⇨ Inauguração em 2017 ⇨ 22 projetos ⇨ 29 postos de trabalho tâneo, em Lisboa, Porto e Braga, que correu muito bem”. O seu modelo de negócio consiste na realização de parcerias com pastelarias que se situem nas zonas onde a empresa está implantada. Elas preparam os pedidos, que depois são levados à casa dos clientes através de estafetas. Outro importante nicho de mercado é o das ofertas. Há quem decida oferecer, nos aniversários ou em outras datas importantes, um pequeno-almoço a um familiar ou amigo, juntamente com uma mensagem de parabéns. Leonardo Mariano mostra-se entusiasmado com a evolução que a sua empresa tem tido e as pers-


P3

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

ATUALIDADE petivas que se lhe apresentam. Considera que “a pandemia veio forçar as pessoas e as empresas a utilizarem cada vez mais os canais digitais, acho que em menos de um ano atingiu-se, a esse nível, um patamar que, em condições normais, só alcançaríamos numa década”. Teletrabalho veio para ficar Por outro lado, acredita que o teletrabalho veio para ficar e que, por isso, o tipo de serviço que proporciona vai continuar a ter cada vez maior procura. E, como as coisas têm corrido bem e as previsões são positivas, o empresário não pensa introduzir grandes alterações no seu modelo. Quanto muito, em termos de diversificação, apenas admite “eventualmente, começar a entre-

Uma nova forma de projetar edifícios Outro dos empreendedores que funcionam a partir da StartUp Portimão é Nuno Rio, com o seu projeto empresarial ‘Planobim’. Tal como o nome indicia, trata-se de uma empresa que utiliza a tecnologia Bim (Building Information Modeling), através da qual é possível construir modelos tridimensionais digitais muito rigorosos e pormenorizados de edifícios, aeroportos e outros empreendimentos. A empresa de Nuno Rio, “trabalha, por um lado, na digitalização e criação de um modelo virtual de edifícios que já existem e, por outro, na criação, de raiz, deste tipo de modelos, mas para imóveis que ainda vão ser construídos”.

Os pedidos de empreendedores para aí se instalarem surgiram desde o princípio, tendo, em várias fases, a capacidade ficado praticamente esgotada gar lanches, a meio da tarde, mas não mais do que isso, quero manter a essência do negócio”. Vindo do outro lado do Atlântico, do Brasil, este contabilista e economista de 43 anos de idade arrancou com o seu projeto através do programa StartUP Visa, que dá facilidades de acolhimento a empreendedores estrangeiros que pretendam investir em Portugal. Isso implicava que se estabelecesse numa incubadora de negócio, tendo, já este ano, optado pela StartUp Portimão por entender que “as pessoas que a dirigem são bastante ativas e dinâmicas e prestam um importante apoio aos empreendedores, sobretudo ao nível da mentoria e dos contactos”.

Uma das grandes vantagens que este arquiteto e docente considera existir na adoção da tecnologia que utiliza é que “ela otimiza os processos de controlo e gestão dos investimentos, o que se reflete na diminuição de custos”. Há estudos internacionais que indicam que, por esta via, se conseguem “poupanças de 70% em trabalhos a mais”. Isso consegue-se porque, desde logo, o projeto tridimensional permite “conceber, de forma digital, todas as vertentes do edifício, de forma a que quando se chega à parte da construção praticamente o que há a fazer é ‘apenas’ a montagem de peças pré-construídas, sem erros e sem enganos”. Por outro lado, quando a equipa que está no terreno se depara

com qualquer problema imprevisto, “por exemplo, o solo ser diferente do que se esperava, temos a possibilidade de cruzar os dados de forma mais dinâmica e, numa manhã, tomar decisões para resolver a situação, o que, se calhar, em condições normais, levaria 15 dias”. Tecnologia ajudou a construir hospital em poucas semanas Praticamente no início da pandemia, um feito que espantou o mundo foi a construção de um hospital em poucas semanas, na China, um processo que teve por base esta tecnologia. Em face de todos estas vantagens, a utilização da tecnologia Bim já é obrigatória em vários países do mundo e “também deverá passar a sê-lo em Portugal, dentro de dois ou três anos”. A partir daí, alargam-se bastante as perspetivas de negócio da sua empresa. Numa primeira fase, “o impulso deverá ser dado pela administração pública e pelas grandes empresas privadas, devendo posteriormente ser propagado em cadeia pelo resto da economia”. Nuno Rio trabalha, profissionalmente, com esta tecnologia há já algum tempo. A ideia de criar uma empresa é antiga, mas só no início deste ano é que decidiu “colocá-la em prática”.  Apresentou-a à equipa da StartUp Portimão, que “teve uma grande abertura, disponibilizou-me um espaço, deu-me muito apoio e os resultados têm sido positivos, tenho o processo mais avançado do que esperava ter, nesta fase”. Este é primeiro desafio empresarial de Nuno Rio que, nos últimos 15 anos, tem estado ligado às áreas de projeto e construção de edifícios, enquanto profissional na área, bem como à formação profissional e ao mundo académico. Também teve uma passagem pela política autárquica, como vereador do PSD no concelho de Vila do Bispo. PUB

Grelhados no Carvão Tel: 282 423 377 | Tlm: 963704897 Porto de Pesca, Docapesca Parchal - Lagoa

Garrafeira Comida Tradicional Algarvia

ABERTO TODO O DIA GPS: 37º07’56.3’ ‘N 8º31’31.8’ ‘W

Sexta-feira ao Jantar • FADO Sábado ao Almoço e Jantar • MÚSICA AO VIVO

A tecnologia de Nuno Rio permite grandes poupanças na construção D.R.

Leonardo Mariano quer internacionalizar o seu negócio D.R.

Teresa Preta é uma das responsáveis da incubadora PUB


P4

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

SOCIEDADE Autarquia assume custos de taxas associadas

Câmara ‘dá a mão’ à restauração com projeto ‘Portimão à Mesa’ Funcionará de forma semelhante a diversos serviços já existentes, mas não terá custos para as empresas nem para os clientes, numa ação pioneira no país. FILIPE DA PALMA / CMP

Ana Sofia Varela

C

Nova ideia tem vantagens para clientes e empresários

hama-se ‘Portimão à Mesa’ e é o novo serviço de entrega gratuita de refeições ao domicílio, assumido pela Câmara Municipal, numa ação inédita e pioneira que pretende dinamizar a compra na restauração local. Lançada esta semana, numa altura em que são anunciadas novas medidas do Governo para um confinamento geral devido à covid-19, a plataforma será um impulso para os empresários do concelho. E fará toda a diferença, pois apesar de ser semelhante, por exemplo, à ‘Uber Eats’, neste caso, o cliente não paga qualquer taxa de entrega e o proprietário do restaurante ou pastelaria não paga para estar integrado na plataforma. Será a Câmara Municipal de Portimão a chegar-se à frente para cobrir todas essas despesas e ajudar a economia local. E deverá ser um serviço bastante concorrido, pois o cliente final terá como vantagem poupar mais de dois euros em cada entrega, em comparação com outros serviços. Ao que o Portimão Jornal apurou junto de fonte oficial da Câmara Municipal, na fase de lançamento, estão já incluídos cerca de 20 restaurantes do concelho. Da comida portuguesa, à italiana e até ao sushi, são várias as propostas. Isto porque, para pôr este projeto de pé, a autarquia con-

tou com a empresa ‘Comidas.pt’, sediada na StartUp, que já estava em atividade desde março. A expetativa é que muitos outros estabelecimentos entrem na ‘onda’ da venda online e consigam, assim, assegurar o atendimento aos clientes habituais, mas também conquistar novos públicos através desta enorme montra virtual. Ainda segundo a mesma fonte, a plataforma, que deverá ter entrado em funcionamento esta quarta-feira, 13 de janeiro, após o fecho desta edição, será assegurada durante três meses. Será utilizado o espaço online criado e gerido pela empresa ‘Comidas.pt’, que, para este caso, foi personalizado como ‘#PTMàMESA’. Está disponível através da web, de uma ‘app’, sendo também possível o cliente efetuar encomendas por telefone. O investimento previsto é de 59 mil euros aos quais acresce o IVA, sendo que este valor dependerá muito do número de aderentes e de encomendas efetuadas. Para já, a autarquia está disponível para investir 60 mil euros para três meses, valor que inclui as entregas gratuitas das encomendas, a mensalidade de cada restaurante aderente (presença na plataforma), e a criação da página ‘web’ e da ‘app’ Portimão à Mesa, acrescenta ainda fonte oficial. Na prática, as entregas serão feitas pelos agentes de distribuição ‘Portimão à Mesa’, geridos pela empresa contratada, – Co-

midas.pt - que já dispõe de uma equipa com formação adequada. Ao que o Portimão Jornal apurou, será também aberto o recrutamento para mais agentes, aberto à participação e colaboração local de empresas de táxis ou taxistas em nome individual, de empresas de transferes, de entregas ao domicílio, incluindo restaurantes com ‘delivery’ próprio. Com o lançamento do projeto, foi também disponibilizado um formulário de candidatura que pode ser acedido a partir do site do Portimão à Mesa. É também através do preenchimento de um formulário online que os empresários, proprietários de restaurantes e pastelarias, podem aderir à iniciativa e usufruir deste apoio da Câmara Municipal, que tem como objetivo ajudar a que mantenha a atividade em tempo de pandemia. Além dessa ficha, devem ainda enviar o menu, fotografias e logótipos do estabelecimento, bem como terem acesso à Internet através de um ‘smartphone’, ‘tablet’ ou computador de forma a receber as encomendas do ‘#PTMàMESA’. Os empresários que aderirem têm a vantagem de conseguir expor numa ‘montra virtual’ os produtos que comercializam, terão suporte especializado e poderão aumentar as vendas, chegando a mais clientes, sem terem que suportar as habituais comissões cobradas pelas empresas a operar no mercado de entregas.

D.R.

Campanha solidária de Natal

Grupo de estudantes da UALG ajuda Cáritas Paroquial A Portimão U, nova Secção Autónoma de Estudantes do Polo de Portimão da Universidade do Algarve, entregou, a 7 de janeiro, diversos bens recolhidos durante a Campanha Solidária de Natal realizada no Campus. Os produtos recolhidos foram entregues à Caritas Paroquial da Matriz de Portimão, que tem auxiliado os que mais precisam, e que, fruto

do atual momento de pandemia, fez quadruplicar o número de famílias a necessitarem de apoio social dado por esta entidade de solidariedade na cidade. Na entrega, os estudantes foram recebidos por Manuela Santos, responsável pela Caritas, que lhes deu a conhecer as instalações e os voluntários que cooperam naquele projeto.

Obras de Hellyx no átrio

Exposição ‘Transcendência e Transformação’ na Emarp A mostra ‘Transcendência e Transformação’ estará patente na Emarp até 12 de fevereiro. Hellyx, natural da Alemanha, começou a pintar em 2019 e expõe a sua forma de estabelecer uma ponte colorida entre o seu eu interior e o mundo exterior. O conjunto de pinturas pode ser visualizado no site (www.emarp.pt).

D.R.


PUB


P6

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

POLÍTICA Aprovação do Orçamento arrancada a ferros

Assembleia Municipal ‘apresenta espetáculo’ nunca visto em Portimão Muita discussão estéril, abandono dos trabalhos, transmissões no Facebook e até ameaças de continuar a conversa em tribunal marcaram as últimas sessões daquele órgão autárquico. JORGE EUSÉBIO

Jorge Eusébio

P

ortimão correu o risco de ver passar o ano de 2020 sem que a proposta de Orçamento apresentada pela Câmara fosse votada e aprovada pela Assembleia Municipal. Mas, depois de duas sessões recheadas de episódios nunca anteriormente vistos naquele órgão, à terceira foi de vez e os deputados municipais lá acabaram por aprovar o documento, com os votos favoráveis dos eleitos do PS, a três dias do final do ano. Conforme noticiámos na anterior edição do Portimão Jornal, o valor global do Orçamento é, para já, de 67 milhões de euros. A esta verba serão acrescentados, muito proximamente, cerca de 25 milhões de euros, que deverão

reunião a discutir a legalidade da mudança de hora (das 21h00 para as 18h00) que, uns dias antes, tinha sido decidida pelo presidente daquele órgão, João Vieira. Os eleitos da oposição, em especial os do Servir Portimão, entendiam que o regimento não havia sido cumprido, enquanto que os do PS defendiam que aquela é uma competência que cabe ao presidente, pelo que nada havia a opor. Depois de uma discussão muito acesa e ‘acidentada', com, inclusivamente, ameaças da questão ser levada aos tribunais, passou-se então a discutir os assuntos que constavam da ordem de trabalhos. Contudo, numa altura em que um deputado socialista apresentava as suas razões para votar contra a proposta de transmissão das

O epílogo da saga deu-se no dia 28 de dezembro, altura em que finalmente se chegou ao ponto da ordem de trabalhos de discussão e votação do Orçamento transitar do ano passado. A maratona da Assembleia Municipal, que foi dividida em três etapas, iniciou-se no dia 18 de dezembro, com uma sessão muito turbulenta. Os deputados municipais levaram uma parte substancial da

sessões da Assembleia pela internet, apresentada pelo PSD, deu-se mais uma ‘bronca’. A presidente da Câmara, Isilda Gomes, alertou os presentes para o facto dos dois eleitos do Servir Portimão terem transmitido, através dos seus telemóveis,

Uma das reuniões terminou com apenas os deputados do PS na sala parte da sessão pelo Facebook e, em protesto, abandonou a sessão, levando consigo os vereadores do PS e os responsáveis de diversos departamentos municipais que ali se encontravam. Apesar deste abandono, e depois de uma interrupção, João Vieira entendeu continuar os trabalhos, com a discussão de mais propostas e moções. A segunda ‘etapa’ desta sessão da Assembleia Municipal deu-se na segunda-feira seguinte (dia 21) e começou tal como acabara,

com os lugares destinados à presidente da Câmara e vereadores permanentes vazios. De acordo com uma mensagem de Isilda Gomes, a razão para a ausência devia-se ao facto de terem sido detetados dois casos de covid-19 entre funcionários da autarquia que levaram a que os membros socialistas do executivo fossem testados e tivessem de se manter em isolamento. Após uma discussão de cerca de meia hora, primeiro os vereadores não permanentes e, depois,

todos os deputados municipais da oposição resolveram abandonar os trabalhos. O presidente da Assembleia Municipal ainda tentou continuar a sessão, mas acabou por se verificar não haver quórum para o efeito e assim se concluiu mais uma sessão pouco ou nada produtiva. O epílogo desta saga deu-se no dia 28 de dezembro, altura em que finalmente se chegou ao ponto da ordem de trabalhos de discussão e votação do Orçamento, que acabaria por ser aprovado.

D.R.

Governo quer que ida às urnas seja segura

Eleições presidenciais serão a 24 de janeiro e terão novas regras

Sete candidatos serão sujeitos a escrutínio pela população

O Governo quer que as próximas Eleições Presidenciais, marcadas para dia 24 de janeiro, sejam seguras no que toca a evitar a propagação do covid-19. Por esta razão serão implementadas algumas medidas como o voto antecipado, mais mesas para permitir distanciamento e

evitar aglomerações, bem como a utilização de uma caneta pessoal. Assim, segundo a tutela, as habituais canetas presas por um cordel não vão existir, de forma a evitar a partilha de objetos entre centenas de pessoas. Cada pessoa deve levar a sua caneta para exercer o direito ao voto.

Também quem estiver em isolamento ou nos lares de idosos votará antecipadamente, numa articulação com as autoridades de saúde. Os candidatos para estas eleições são Ana Gomes, André Ventura, João Ferreira, Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa Matias, Tiago Mayan e Vitorino Silva.


P7

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

RAIO X

A foto

D.R.

STARTUP PORTIMÃO Ao longo de cerca de três anos e meio, a incubadora portimonense tem ajudado muitos empreendedores a transformarem os seus sonhos e projetos em negócios viáveis e inovadores, alguns deles com ambições que ultrapassam as fronteiras da região e do país.

CÂMARA MUNICIPAL A autarquia portimonense lançou um serviço de entrega gratuita de comida ao domicílio. Trata-se de um mecanismo de apoio aos restaurantes e pastelarias do concelho, que, assim, podem continuar a vender as suas refeições a quem as encomende sem qualquer custo adicional.

COVID-19 MAIS DOIS CENTROS DE ACOLHIMENTO • Para fazer face à vaga de frio que se tem feito sentir, a Câmara de Portimão avançou com uma série de medidas, entre as quais se destaca a ativação de mais dois centros de acolhimento temporário para a população sem-abrigo.

A frase

(...) tive um percurso bonito, independentemente de dar muita pancada. Se dava? Dava, porque tecnicamente não era assim tão bom e tinha de fazer alguma coisa para jogar…”. Amílcar Fonseca

A pandemia voltou a atacar em força, exigindo a tomada de novas medidas, a nível nacional, regional e local. Uma das consequências desta nova vaga é o aumento da pressão sobre os hospitais. Para tentar ultrapassar esse grave constrangimento, voltou a ser instalado no Portimão Arena um Hospital de Campanha com uma centena de camas.

FICHA TÉCNICA • DIRETOR Rui Pires Santos • REDAÇÃO Ana Sofia Varela, Hélio Nascimento e Jorge Eusébio • DESIGN E PAGINAÇÃO Vanessa Correia FOTOGRAFIA Eduardo Jacinto e Kátia Viola • DEPART. COMERCIAL Hélder Marques, 914 935 351 • PROPRIEDADE E EDITOR PressRoma, Edição de Publicações Periódicas, Unip. Lda., Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto, 8400-417 Lagoa • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Rui Pires Santos DETENTOR DO CAPITAL 100% Rui Pires Santos • NIF 508 134 595 Nº REGISTO ERC 127433 • DEPÓSITO LEGAL Nº 470747/20 SEDE DE REDAÇÃO Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto., 8400-417 Lagoa EMAIL portimaojornal@gmail.com • TELEFONE 282 381 546 | 967 823 648 • IMPRESSÃO LUSOIBÉRIA, Av. da República, nº 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa • TIRAGEM 3.500 exemplares • PERIODICIDADE Quinzenal ESTATUTO EDITORIAL: https://algarvevivo.pt/sobre-nos/

Estatuto Editorial 1 – O Portimão Jornal é um jornal quinzenário ao serviço do desenvolvimento do concelho de Portimão e do reforço da sua identidade histórico-cultural, que informa com rigor e verdade. 2 – O Portimão Jornal assume o compromisso de respeitar os princípios deontológicos da Imprensa e da Ética Profissional, de modo a não prosseguir apenas fins comerciais, nem abusar da boa-fé dos leitores, encobrindo ou deturpando a informação, de acordo com o artigo 17º da Lei da Imprensa.

3 – O Portimão Jornal é um projeto editorial profissional, com uma redação que pauta a sua prática pelo Código Deontológico dos Jornalistas. 4 – O Portimão Jornal é um jornal plural, equidistante de todas as forças políticas e, por isso, aberto à participação de todos os quadrantes da comunidade, da política aos movimentos ou grupos cívicos, do desporto à cultura, do tecido empresarial ao cidadão anónimo.

5 – O Portimão Jornal não enjeita uma participação ativa na promoção do debate de ideias. 6 – O Portimão Jornal é o espelho da sociedade que justifica a sua existência, mas não se limita a dar reflexos das realidades quotidianas. 7 – O Portimão Jornal reconhece e respeita o direito da vida privada de todos os cidadãos e não discrimina raças, credos ou ideologias.


P8

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

CENTRAIS Associação lança apelo à ajuda da sociedade civil

Dadores de Sangue debatem-se com um futuro complicado Tanto a falta de verbas como a descida das dádivas, devido à pandemia, levam a que a organização, fundada a 11 de dezembro de 1989, peça auxílio a quem puder ajudar. FOTOS: ANA SOFIA VARELA

Ana Sofia Varela

O

s tempos que correm não têm sido fáceis nem para a comunidade, nem para empresas e muito menos para entidades sem fins lucrativos. É o caso da Associação dos Dadores de Sangue do Barlavento Algarvio (ADSBA), que apesar de estar sediada em Portimão, tem ações em diversos concelhos algarvios e que, nesta época, se debate com duas dificuldades. Além de contar apenas com o apoio do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, de algumas Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, em 2020, houve “muito menos subsídios”, conta João Menau Reis, presidente da Direção. Por outro lado, a pandemia provocada pela covid-19 levou a que as pessoas receassem ir ao hospital para doar sangue e que as habituais iniciativas de recolha, como as que acontecem durante a Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa (FATACIL), fossem canceladas. Com menos dinheiro e menos sangue, a realidade desta entidade é complicada. “Temos aguentado a instituição com algumas verbas de um fundo de maneio que tínhamos para construir a nossa sede. Era um dos nossos objetivos. Não a fizemos, mas, felizmente, é com esse valor que nos temos governado”, confessa, preocupado com o futuro. Isto porque, os subsídios que a ADSBA recebe não chegam

João Menau Reis avança que estão a ser gastas as verbas para o novo edifício para colmatar as necessidades. Apesar de funcionar apenas com uma trabalhadora a tempo inteiro, com a boa vontade de alguns voluntários e de ser deslocalizada para a sede uma equipa médica do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) para efetuar as colheitas, o dinheiro não chega para fazer face às despesas. “Temos estado a pedir às Câmaras Municipais e às Juntas de Freguesia. A nossa ideia era pedir também às empresas, mas não

Testemunho “É um bem que todos deviam fazer” Pedro Guerreiro

“Comecei a dar sangue quando estava em Lisboa e, depois, tornei-me dador habitual, porque sinto essa necessidade. Acho que é um bem que todos deviam fazer. Não custa nada e é positivo para a vida de outras pessoas. Os jovens têm um bocado de receio de serem dadores, mas, na minha opinião, isso é um ‘tabuzinho’ que está na cabeça das pessoas e que tem de ser desmistificado. Tento sempre partilhar fotos e explicar tudo o que se passa aqui para incentivar outras pessoas a darem sangue também”.

tem sido fácil, pois apesar de podermos passar um recibo de donativo que pode ser descontado no IRS, os empresários não estão muito recetivos”, admite. Outra das formas de ajudar tem sido o donativo de 0,5 por cento do Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), que não implica nenhum gasto para o cidadão, mas nem isso tem chegado. Se houve alguns anos em que a ADSBA ainda conseguia angariar algum dinheiro desta forma, agora isso não acontece. “Havia muito menos instituições a beneficiar. Em Portimão eram quatro, mas na atualidade, se calhar, já são mais de dez e as pessoas dividem-se. Vão dando oportunidade a umas e as outras e, as verbas, até nesse ponto, têm baixado bastante”, resume João Menau Reis. Não é por esta razão que os órgãos sociais desistem ou baixam os braços, pois tem havido um esforço grande em manter a associação ‘viva’, continuando a missão da colheita de sangue.

No que toca às recolhas, os atuais níveis das reservas nacionais não deixam antever nenhuma catástrofe, mas também estão muito longe dos ideais, com valores muito mais abaixo do que noutros anos. E a verdade é que há picos que fazem com que a necessidade de sangue seja mais sentida, como o Inverno. “Durante a pandemia, a partir de março, os hospitais estiveram meio parados, direcionando todos os esforços para o tratamento da covid-19. Em novembro, já estavam a tratar as pessoas que tinham procedimentos para realizar. É claro que se há mais operações, há mais desgaste e a necessidade de sangue aumenta”, relaciona João Reis. Também neste ponto a pandemia afetou a atividade desta entidade. Recolhas no Algarve suspensas Apesar de ser sediada em Portimão, a ADSBA promove muitas iniciativas de recolha de sangue noutros concelhos. A associação promove ações em Lagoa, Tavira, Faro, Quarteira, Lagos, Mon-

Horário da ADSBA Segunda a sexta-feira 9h00 às 16h00 Rua Poeta António Aleixo - Portimão 282 417 295

chique. “Fazemos em qualquer local, desde que nos seja solicitado. Normalmente são empresas, escolas ou pessoas ligadas à área social que nos contactam. Vamos ver as instalações, falamos com o hospital e, se for possível, organizamos uma ação de recolha”, refere João Reis. Aliás, o CHUA compromete-se a apenas realizar colheitas através da ADSBA. Agora só há colheitas na sede Com a pandemia, o hospital passou a ser um local onde as pessoas evitam dirigir-se, por isso uma das mudanças que a covid-19 trouxe foi a realização das colheitas na sede da Associação, junto à Avenida 25 de Abril, em Portimão. “As pessoas estacionam os carros, entram na sede, fazem a inscrição e doam o sangue. Não


P9

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

CENTRAIS Um dos rostos da Associação hĂĄ 30 anos JoĂŁo Menau Reis tem dedicado as Ăşltimas trĂŞs dĂŠcadas Ă Associação de Dadores de Sangue do Barlavento Algarvio, fundada hĂĄ 32 anos. Foi vogal 20 anos, seguiu-se a vice-presidĂŞncia durante quatro e, nos Ăşltimos seis, estĂĄ na Direção como presidente. Abraçou a causa, mas recorda os altos e baixos de quem vive de verbas do Instituto PortuguĂŞs do Sangue, autarquias e entidades locais. Acredita tambĂŠm que seria importante o Estado promover mais incentivos aos dadores. O Ăşnico que ainda subsiste ĂŠ a isenção do pagamento da taxa moderadora. “Estava a pensar, por exemplo, em incentivos em termos do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) ou outras alternativasâ€?, alerta. Se houvesse mais estĂ­mulos concretos, talvez houvesse mais pessoas a dar mais sangue.

Quem pode dar sangue? Carmen Rey Ê a mÊdica responsåvel pelo atendimento na sede hå receio nenhum, ao contrårio do hospital, em que as pessoas têm medo de apanhar a covid-19. Estamos no centro da cidade, mas num local com pouco movimento�, mostra. Os apelos são para a doação de sangue e a mensagem que agora passa tambÊm Ê a de que Ê se-

Procedimento seguro A mÊdica Carmen Rey garante que dar sangue continua a ser um ato seguro, mesmo com a covid-19. Houve algumas mudanças com esta nova realidade como o facto de as colheitas terem deixado de ser realizadas na Unidade de Portimão CHUA e terem pas-

“Temos aguentado a instituição com verbas de um fundo de maneio para construir a nossa sede. Era um dos nossos objetivos. NĂŁo a fizemos, mas ĂŠ com esse valor que nos temos governadoâ€? guro, uma vez que, na associação sĂŁo seguidas todas as normas da Direção-Geral da SaĂşde. HĂĄ tambĂŠm um pedido Ă população mais jovem, que, regra geral, se mobiliza mais quando hĂĄ apelos relacionados com a medula Ăłssea, para que se tornem dadores habituais.

sado a ser efetuadas na sede da Associação de Dadores, na Rua Poeta António Aleixo, para evitar juntar muitas pessoas no hospital. TambÊm os planos para as recolhas fora de portas, foram adiadas ou suspensas. Sentada à secretåria do con-

sultĂłrio na sede da ADSBA começa por explicar que houve outras alteraçþes nos procedimentos. Assim, agora, alĂŠm do questionĂĄrio habitual, hĂĄ um outro conjunto de perguntas relacionadas com a covid-19. Algumas perguntas sĂŁo se o dador teve “febre, algum sintoma respiratĂłrio ou contacto com alguĂŠm confirmadoâ€?, enumera a mĂŠdica. TambĂŠm foi incluĂ­do o controle da temperatura corporal e mais medidas de higienização dos espaços, alĂŠm das que jĂĄ eram normais. No entanto, Carmen Rey descansa os dadores ao recordar que ainda “nĂŁo foi demonstrada a transmissĂŁo deste vĂ­rus atravĂŠs do sangue. TambĂŠm ĂŠ verdade que ĂŠ um vĂ­rus novo sobre o qual ainda se pode descobrir muito, mas os vĂ­rus respiratĂłrios conhecidos nĂŁo se transmitem atravĂŠs da transfusĂŁoâ€?. Outra das mudanças ĂŠ o controle pĂłs-dĂĄdiva. “Damos sempre os nossos contactos e pedimos para nos avisarem se tiverem febre nas duas semanas seguintes a terem vindo cĂĄ ou se souberem que, nas semanas anteriores, hou-

Qualquer pessoa pode candidatar-se a ser dador Ter entre 18 e 65 anos Ser saudåvel Ter peso acima dos 50 quilogramas Hå algumas condicionantes que podem causar impedimento, como algumas doenças ou a toma de determinadas medicamentaçþes. Por sua vez, quem jå recebeu uma transfusão de sangue jå não pode ser dador. Por vezes, pode tambÊm haver uma restrição temporåria, o que não significa que não possa ser dador nunca mais. As entidades efetuam um controle, atravÊs de um pequeno questionårio, para apurar as condiçþes do dador. Em regra, os homens podem doar atÊ quatro vezes por ano e as mulheres três vezes.

ve algum contacto confirmado ou se fizeram o teste, entretantoâ€?, conclui. Todos os tipos sĂŁo necessĂĄrios Neste momento, todos os tipos de sangue sĂŁo necessĂĄrios. Isto porque, “houve uma quebra de doaçþes e, no inĂ­cio da pandemia, muita da atividade mĂŠdica ficou parada, com cirurgias suspensas. No entanto, esta situação, prolongando-se no tempo, nĂŁo permitirĂĄ manterâ€? as reservas, conta. As pessoas tĂŞm receio, mas a atividade hospitalar a nĂ­vel de qualquer serviço de saĂşde retomou e, agora, tem-se mantido,

destaca. Os gastos, nesta altura, sĂŁo maiores do que no inĂ­cio da pandemia. Se a situação da descida das reservas se tornasse catastrĂłfica, o primeiro passo seria adiar todos os procedimentos cirĂşrgicos que nĂŁo sĂŁo urgentes. HĂĄ sempre uma reserva porque todos os dias hĂĄ acidentes ou situaçþes que pedem estes recursos. “Ainda assim, hoje jĂĄ hĂĄ programas que ajudam a gerar as melhores condiçþes possĂ­veis ao doenteâ€?, no caso de uma operação, “de forma a minimizar o uso de transfusĂŁo ou, se precisarem, que seja o menos possĂ­velâ€?, refere a mĂŠdica responsĂĄvel.

PUB

PUB

PUB Peixe fresco Fruta e legumes Mercearia

 

   

          Â? Â?Â?Â?Â?Â?     ­Â?Â?Â?Â? 

Tlm.: 961 363 501 Portimão loja 1 | R. Infante D. Henrique • loja 4 | Avenida 25 Abril Parchal /Coviran - loja 5 Lagoa loja 2 - junto à igreja • loja 3 - R. António Pinto Pateiro ArmazÊm lote 3 - Zona Industrial


P10

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

CULTURA

D.R.

Candidaturas para iniciativa até 15 de janeiro

Autarquia apoia músicos locais com ‘O Palco é teu’

Concerto solidário ‘Tempo de Fado’

GAMP comemorou sexto aniversário

O objetivo é que os artistas do concelho possam ter um espaço para atuar e serem pagos pelo espetáculo, minimizando as quebras de rendimento. ANA SOFIA VARELA

O Grupo de Amigos do Museu de Portimão celebrou seis anos, a 16 de dezembro, com o concerto ‘Tempo de Fado’, no Teatro Municipal que contou com uma plateia solidária. O evento permitiu assinalar também o centenário do nascimento de Amália Rodrigues, através da interpretação de alguns dos seus fados pela voz de Adriana Marques, a viola de José Santana e a guitarra de Vítor do Carmo. Quem assistiu ao espetáculo levou bens alimentares e de higiene para serem doados à ‘Associação de Reformados do Pontal – Portimão e Não Só’.

Está aberto o período para sugestões

Câmara apela a ideias para 'Março Jovem’ A Câmara Municipal de Portimão já está a trabalhar na próxima edição do ‘Março Jovem’ e incentiva a juventude local, entidades e escolas a apresentar contributos. “Em tempos de pandemia, queremos reinventar o formato deste evento, com um programa arrojado, inclusivo e diversificado, adaptado às imposições da Direção-Geral da Saúde, assente na criatividade e na otimização dos recursos existentes, privilegiando-se atividades on-line, em espaços abertos e/ou ao ar livre”, descreve a autarquia. PUB

Black Box do Teatro Municipal será local do espetáculo Ana Sofia Varela

O

prazo para a candidatura à iniciativa ‘O Palco é teu’ termina já esta sexta-feira, 15 de janeiro. A ação, promovida pela Câmara Municipal de Portimão, foi uma forma de colocar músicos locais a atuar, sendo remunerados pelo concerto. É, assim, um ‘open call’ a todos os artistas da terra, que terão ao seu dispor o palco da Black Box do Teatro Municipal de Portimão para apresentar os seus talentos. As candidaturas são elegíveis a todos os projetos musicais, cujos autores vivam em Portimão, ou

então bandas em que pelo menos um dos elementos seja residente na cidade. Tem que ter, pelo menos, o mínimo de um ano de atividade artística comprovada e ter sofrido quebra de rendimentos ou suspendido a atividade devido à pandemia provocada pela covid-19. Para se inscreverem, os interessados apenas precisam de enviar um email (portimaoopalcoeteu@cm-portimao.pt) com um breve currículo que ateste que cumprem os requisitos solicitados, com os seus dados (morada completa e Número de Identificação Fiscal), e uma memória des-

critiva, com até 2500 caracteres) do projeto musical. Pode ainda ser enviado um vídeo que tenha até cinco minutos de duração. Os concertos, após a seleção, decorrerão no primeiro trimestre de 2021 e serão abertos ao público, mas sujeitos à limitação da sala, desde que não haja agravamento das medidas de prevenção de propagação da covid-19 pelo Governo. Os espetáculos serão também transmitidos, depois, nas redes sociais do município. Está em causa um apoio financeiro de 500 euros para cada artista individual e de mil euros por cada banda.

www.abracadabra.pt

Artistas percorreram principais pontos da cidade

Portimão despediu-se de 2020 com concertos em movimento O concelho de Portimão despediu-se de 2020 e deu as boas vindas a 2021 sem a habitual animação cultural e o tradicional fogo de artifício, mas criou a iniciativa ‘Réveillon em Casa – Música à

Porta’. Assim, para cumprir as regras e recomendações da Direção-Geral da Saúde, dois camiões de grandes dimensões circularam durante o dia 31 de dezembro por

282 070 772 Portimão, ao som dos concertos ao vivo protagonizados por César Matoso, Filipa Sousa, Gabriel de Rose e Filipe Knox, tendo por cabeças de cartaz DJ Ari Girão e Virgul.

Avenida São João de Deus, lote1, loja 1 - Portimão Junto ao Mercado Municipal de Portimão


PUB


P12

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

PESSOAS

Amílcar Fonseca continua a ser uma referência do Portimonense e é também uma figura da cidade

“O futebol deu-me duas coisas sem preço: a família e os amigos”  Brilhou como jogador e treinador e agora dá cartas no golfe, a modalidade que lhe serviu de ‘refúgio’ após deixar a bola. Do baú das memórias, emerge a paixão pela terra que o acolheu. FOTOS: KÁTIA VIOLA

carreira também por causa dessa mágoa de não subir. Dizia em minha casa que se subisse à I Divisão nunca mais treinava, porque devemos ficar com o melhor e não com o pior. Fiquei imensamente aborrecido. Éramos a melhor equipa da Honra, e, por razões que não quero agora comentar, aconteceu. Lutávamos com Alverca, Rio Ave, Ovarense e Naval, também candidatos, mas, para mim, o Portimonense era a melhor equipa. Tenho dificuldade em aceitar algumas coisas, embora reconheça que também houve culpa própria. A mágoa, essa, ficou. Fiquei mais chateado do que todo o mundo. Era o mais chateado em Portimão.

Amílcar orgulha-se da sua carreira no mundo do futebol e destaca o percurso de muitos anos em Portimão Hélio Nascimento

G

rande parte da vida de Amílcar Fonseca está umbilicalmente ligada a Portimão. Chegou para jogar futebol, construiu família, depois foi treinador e por cá ficou. Tem 66 anos, adora viver na cidade e encontrou no golfe mais motivos para se considerar uma pessoa feliz. À conversa com o nosso jornal, conta

histórias e revela sentimentos. Conte lá como começou esta sua ligação a Portimão. Chegou em 1981, mas não ficou logo por cá… Fiz duas épocas como jogador e fiquei quase, porque já namorava a minha mulher. Mas não fiquei logo definitivamente. Ainda fui jogar no Estoril, no Estrela da Amadora e depois é que vim para Portimão. Pensava que ia acabar no Estrela,

“Quem investe no clube tem de ser ajudado” “Hoje em dia, a realidade do futebol é diferente. Se calhar, as pessoas ainda não se adaptaram totalmente e até existe alguma descrença ou mesmo separação que não tem razão de ser. Parece que há algum medo por ser uma SAD a gerir o futebol, mas continua a ser o Portimonense e as pessoas responsáveis tudo fazem para melhorar as condições de trabalho e formar boas equipas”, argumenta Amílcar, quando confrontado com o momento atual do conjunto alvinegro. “O ano passado não correu bem, mas estou convencido que tem tudo para recuperar a estabilidade. Não sei se vou exagerar, até porque não sei o que se passa na cabeça das pessoas da SAD, mas acho que, a médio prazo, o Portimonense pode vir a ser um Braga. No entanto, quem está à frente do clube e quem investe tem de ser ajudado, porque um investidor necessita de ter resultados e tudo isto custa muito dinheiro”.

mas o Bernardino Pedroto, que começou a carreira de treinador no Silves, convenceu-me a jogar mais um tempo. Estava na praia, já com uns quilos a mais, e lá tive de comer uns iogurtes. Acabei por ir ajudá-lo. Subimos de divisão, foi bom para ele e para a cidade. Acabou até por ser treinador do Silves? Orientei a equipa do Silves, depois, nos últimos cinco jogos da outra época. Como treinador, ganhei em Olhão, na Cova da Piedade e ao Lusitânia dos Açores. Não pensei ser treinador, não estava nas minhas previsões, até porque às vezes sou radical: acaba e acaba mesmo, para mim acabou, cheguei mesmo a dizer à minha mulher, mas os jogadores do Silves pediram-me e acabei por ficar. Fui tirar o curso e a seguir estive no Quarteirense, o que me deu enorme prazer. É uma terra que ficou no meu coração e onde o trabalho foi excelente, com uma subida de divisão. E posso afirmar que só não subi à I Divisão porque não me deixaram. Foi na altura em que o presidente Manuel João me ‘engatou’ e vim treinar o Portimonense.

Começou então a treinar o Portimonense em 1991. Sim, mas fiquei nove anos, embora de modo intercalado. Subimos duas vezes à Honra. Lembro-me que vim trabalhar com um argentino (Pablo Centrone), que passado pouco tempo se foi embora e prossegui eu. Felizmente, correu tudo bem. Foi gratificante ser treinador do Portimonense e tive a felicidade de trabalhar com uma pessoa que, tenho de o dizer, devia ser mais reconhecida. O trabalho do engenheiro Estevão, presidente de

Nessa altura já era um lisboeta radicado? Já, é verdade. Tive a felicidade de vir para cá numa época espetacular. Enquanto jogador, no plantel, tínhamos aí uns sete internacionais. Até me lembro de ir à Alemanha e havia quatro jogadores do Portimonense nessa seleção B. O grupo era muito forte e respeitado. O treinador era o Artur Jorge, que sucedeu ao Manuel Oliveira, e ele assumiu que íamos jogar para os primeiros lugares. Não saiu assim tão bem, creio que terminámos no sexto lugar, mas formávamos uma equipa grande, enorme mesmo. O clube, hoje, também está bem, mas nessa altura a equipa era fortíssima. Nesse período, aliás, o Portimonense não tinha de

“Os jogadores deviam ter também um compromisso social e não só desportivo” então, revelou-se fantástico. Confesso que não vejo muitas pessoas reconhecerem o seu mérito e darem valor ao que ele fez pelo clube, no período em que o nosso amigo Walter Gomes era vice-presidente. Esteve quase a subir à I Divisão. Esse é um facto que ficou na cabeça de todos. Aliás, abandonei a

se preocupar em procurar jogadores…eram os jogadores que se ofereciam! As condições eram excelentes, tal como o valor da equipa. Socialmente, como eram esses tempos? Em termos sociais, Portimão está agora muito diferente. Nesse tempo todos podíamos deixar o carro


P13

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

PESSOAS a minha mulher, podia até treinar fora de Portimão, mas tinha a vida familiar estável e ponto final. Continuo adepto do futebol e associado do Portimonense, isso sim.

“Vou chorar sempre pelo Vítor Oliveira”   O tema faz vir as lágrimas aos olhos, mas Amílcar enche o peito e não se furta ao comentário. “O Vítor? Sou uma pessoa sentimental e choro com facilidade, por isso não foi surpresa desatar a chorar quando soube da triste notícia. Comovo-me com facilidade, repito. Mas vou chorar sempre, porque o Vítor foi das melhores pessoas que conheci na minha vida”, sublinha, a propósito do falecimento de Vítor Oliveira, uma figura incontornável do mundo do futebol e com estreita ligação a Portimão e ao Portimonense. “Nunca jogámos na mesma equipa, mas defrontámo-nos várias vezes. O que convivemos, essencialmente aqui, é o suficiente para dizer que me vou encontrar com ele de certeza absoluta. Está eternamente na minha memória. Era uma pessoa espetacular, com caráter e frontalidade. Um ser humano que vou admirar sempre. Fiz o programa do Bar da Sport TV com ele e, segundo a própria produção, foi dos que deu mais gozo, foi dos melhores”, adianta Amílcar, com a voz embargada. “Não sei, porém, se quero voltar a ver esse programa. É um peso enorme! Ia começar a treinar golfe com o Vítor, era uma promessa que ele tinha feito. Acredito que ainda vou jogar com ele…”.

aberto, embora o Marinho do Vau, uma figura que me adorava, ficasse sempre ao pé do meu carro… Não era preciso perguntar se eras de Portimão, porque todos se conheciam. A Casa Inglesa e o Paquito, na Praia da Rocha, eram os locais mais emblemáticos e mais procurados pelas pessoas para conviver. As pessoas eram boas. Hoje também são, mas somos muitos… E esse ambiente transmitia-se aos jogadores? Creio que os jogadores do meu tempo ainda hoje são acarinhados. Ao invés, acho que os que jogaram cá na época passada e se foram embora já ninguém se lembra deles. O peso social é agora bastante diferente. Em várias conversas com amigos  sempre disse que os jogadores deviam ter também um compromisso social e não só desportivo. A afluência aos estádios, por exemplo, tem a ver com relações de aproximação dos atletas com os sócios e adeptos.  Isto é muito, muito importante, mesmo que nem todos o vejam assim. Conhecer e identificar é primordial e é através destes pormenores que se constroem famílias, no caso desportivas. O calor de um jogo pode ser o reflexo desse ambiente. Toda a gente nos conhecia e falávamos com todos. Vou mesmo ao ponto de dizer que não havia ninguém na cidade que não conhecesse os jogadores do Portimonense. É por tudo isto que é uma pessoa muito respeitada na cidade?  Dizem que sou respeitado, mas eu acho que não faço mais do que a minha obrigação. Sempre fui bem recebido e bem tratado, por isso é minha obrigação proceder da mesma maneira. Hoje é tudo diferente,

como já disse, mas é uma pena. O futebol ganhava mais com o carinho de quem vivia o clube a toda a hora. Lembro-me de ouvir dizer ‘estive com este jogador, falei com aquele outro esta tarde’, enfim, tudo isto trazia o tal calor e falava-se muito mais do Portimonense. E

A carreira como jogador teve muitos pontos altos… Sim, no Belenenses e no Estoril, antes de chegar a Portimão. Um dado engraçado, o Facebook tem-me dado coisas extraordinárias. Não tinha a noção do valor que me davam. Hoje, vejo pessoas a escrever sobre mim, que não conheço, mas que acompanharam a minha carreira e deixam elogios, de tal modo que já me convenci que fui um bom jogador. Essas pessoas não me conhecem pessoalmente, mas acho que não é por favor que o dizem. Aliás, tenho amizades espalhadas em todos os pontos do país. O futebol deu-me duas coisas sem preço: a família e os amigos. Esteve quase a jogar no Sporting?  Não fui jogador do Sporting porque escolhi o Portimonense. No tempo do João Rocha cheguei a assinar, mas o Manuel João e mais quatro dirigentes foram a Lisboa para falar comigo. O Delgado, que

“Nunca tinha jogado e até mudava de canal na televisão quando dava golfe. Fui um dia treinar, tomei-lhe o gosto, vi que tinha algum jeito e nunca mais parei” iam sempre à bola. Por isso é que eu digo que vim para a cidade numa altura muito boa e é igualmente por isso que me considero feliz. Depois do Portimonense ainda treinou outros clubes? É verdade. Treinei o Louletano, o Imortal e fiz dez jogos no Lagoa. O Zé Teodósio pediu-me. Ganhámos nove e depois ele disse-me para não ganhar o último jogo porque não tinha mais dinheiro para pagar prémios de vitórias. Veio então o adeus. Porquê?  Toda a gente me faz essa pergunta, inclusive os meus amigos. Sou uma pessoa romântica e frontal, só faço as coisas por amor e carinho. E em tudo. Quando me empenho, seja até em algum trabalho em casa, tem de ser feito com carinho, senão, não faço. Confesso que perdi um bocado esse espírito dos relvados, e, então, resolvi não treinar mais. Não foi fácil, mas a minha imagem era boa e vou ficar com ela. Ponderei a decisão, falei com

tinha sido meu colega no Belenenses, pediu-me por tudo para ir jantar com eles. Tinha já o compromisso com o Sporting, mas lá fui. Jantámos no Califa e o Manuel João sempre a insistir, ‘faça lá uma proposta, faça’, e eu acabei

por fazer. E ele aceitou! Telefonei para os responsáveis do Sporting e consegui que me libertassem. Foi assim que cheguei a Portimão. E jogar na seleção, que sensações? Fiz aí uns doze jogos, entre seleção B, esperanças e principal. Nesta, Portugal venceu 2-0 a Espanha, com golos do Nené e do Nogueira. Mas se perguntam qual o momento mais importante… foi outro. O que mais prazer me deu foi quando fui internacional B, num jogo em Faro, com a Checoslováquia. O guarda-redes era o Bento e ganhámos 2-0. Sabia que se fosse internacional nesse jogo era o primeiro – e único – jogador do Oriental a ter tal estatuto. O Oriental era o meu clube, do bairro onde nasci. Foi algo incrível! Considero o momento mais alto da minha carreira. Por sinal, uma carreira bem bonita…  Fui sempre titular em todos os clubes e convocado para as seleções. Sim, acho que como jogador tive um percurso bonito, independentemente de dar muita pancada. Se dava? Dava, porque tecnicamente não era assim tão bom e tinha de fazer alguma coisa para jogar… E tem saudades desses tempos, do futebol em geral?   Tenho, mas vejo futebol quase todos os dias e compensa. Fico desiludido com algumas coisas, mas o futebol vai fazer sempre parte da minha vida. Como é que surge o golfe, agora o seu desporto predileto?  Foi uma maneira de esquecer, de continuar a ter atividade física. O meu amigo José Manuel Trindade, que explorava a concessão e o bar da Marina, todos os dias me desafiava. Nunca tinha jogado e até mudava de canal na televi-

O antigo internacional português é agora um apaixonado pelo golfe

são quando dava golfe. Fui um dia treinar, tomei-lhe o gosto, vi que tinha algum jeito e nunca mais parei. Sou feliz também devido ao golfe. Considero-me um bom amador, já fui handicap 3 e continuo a praticar. Praticamente todos os dias vou ao campo de golfe, aqui em Portimão, o Alto Golf. Muita gente não sabe que a cidade é das únicas do país que tem um campo de golfe praticamente no seu interior. E farta-se de ganhar… Tenho troféus em número superior aos do futebol. Já ganhei muita coisa e fiz quatro ‘hole in one’ (jogada em que o golfista coloca a bola no buraco com apenas uma pancada). É preciso um pouco de sorte, mas consegui quatro, e, como tem direito a diploma, ninguém pode negar. Tenho pena que a federação de golfe – embora faça, porventura, o que pode – não apoie mais a iniciação, mesmo nas escolas. Com campos municipais, o golfe desenvolvia-se imenso em Portugal. Se é um desporto caro? Não é assim tão caro, mas é dispendioso. Mas o golfe é viciante. Não há nenhuma modalidade que seja mais viciante. Bates uma bolas e queres bater mais dez, cem ou duzentas.  Somos o país com o melhor golfe do mundo, em termos de condições, e, com os tais campos municipais, acredito que as pessoas podiam ser mais felizes e mais saudáveis. Gosta de viver em Portimão?   Adoro viver em Portimão! Nós (dirigindo-se ao jornalista) encontramo-nos muitas vezes nas caminhadas, o espaço de que dispomos é aliciante e isso é extremamente saudável. É uma cidade onde até podes jogar golfe e fazer todo o tipo de desporto. Portimão reúne uma oferta grande e tem tudo para que uma pessoa cá viva e se sinta bem.


P14

OPINIÃO

Francisco Serra Loureiro Solicitador Com a morte de um ente querido, altura de grande carga emocional, não é fácil ter o discernimento de que as obrigações fiscais do falecido continuam a perdurar e que, inclusivamente, novas obrigações se constituem para os seus herdeiros ou legatários. De facto, com a morte surge uma série de obrigações fiscais que não podem deixar de ser cumpridas. Falamos, em primeira instância, do cumprimento de obrigações declarativas, nas quais o cabeça de casal tem a responsabilidade de comunicar o óbito ao serviço de Finanças competente até ao final do terceiro mês seguinte ao falecimento. Nessa comunicação deve indicar todos os herdeiros e ainda relacionar os bens que existiam no património do agora falecido para que passem a constar no acervo hereditário. Com a referida comunicação, os bens passam a integrar um património autónomo que só deixará de existir após efetuada

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

Os impostos partilha ou, eventualmente, alienação de todos os bens para terceiros. Até lá, este património autónomo será responsável pelo pagamento das dívidas da herança, nomeadamente em questões fiscais, e pelo pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). Com a atribuição dos bens a este património, os herdeiros ou legatários ficam sujeitos a pagar 10% a título de Imposto de Selo (IS) sobre o valor recebido, seja por herança ou por testamento. No entanto, a Lei prevê que o cônjuge, descendentes ou ascendentes do falecido fiquem isentos desse pagamento. Quando as partes entenderem terminar a indivisão de bens, não tendo alienado os bens por acordo de todos, a possibilidade passa pela partilha dos mesmos pelos diversos herdeiros e também, neste caso, observamos tributação. Desta forma, o sujeito passivo responsável pelo pagamento do imposto já não é a herança, mas sim os partilhantes dos bens. Mas não todos. Somente aqueles que recebam bens imóveis em maior quota do que tinham direito pelas quotas legalmente atribuídas serão sujeitos ao pagamento de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de

Imóveis (IMT) e ainda de IS, sendo que o valor a pagar será calculado somente em função do excesso de quota parte que cada um levar. Como exemplo, imaginem dois irmãos como partilhantes da herança do seu pai, já viúvo. Da herança constava um prédio urbano com um valor patrimonial de 100.000€. Considerando que cada um teria direito a metade (50.000€), se os irmãos decidirem que o prédio fique na sua totalidade para um dos irmãos, este receberá a mais do que tinha direito - 50.000€, ou seja, a outra metade do prédio (que pertencia por herança ao seu irmão). Será esta metade excedente que irá ser tributada, uma vez que a outra já lhe pertencia por via da sucessão do seu pai. Mas, se pensa que as questões tributárias terminam por aqui, engana-se. Devemos ter sempre em conta uma eventual consideração de mais valias no Imposto sobre Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) em data posterior. Por fim, um último alerta. Se os partilhantes prescindirem de receber as tornas devidas (dinheiro em contrapartida do imóvel que foi adjudicado a outro) estamos

perante uma doação que será também ela tributada em sede de IS à taxa de 10% (observando as isenções já referidas). Por estes e outros motivos, nada como ser aconselhado por quem tenha o domínio destas matérias tributárias, garantido que,

Com a morte surge uma série de obrigações fiscais que não podem deixar de ser cumpridas acrescido à dor do falecimento, não surjam problemas inesperados numa altura tão delicada das nossas vidas. *Artigo publicado ao abrigo da parceria entre o Portimão Jornal e a Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução

PUB


P15

Portimão Jornal • 14 JAN 2021 • Nº15

ÚLTIMAS

D.R.

Pacote de 800 mil euros em pavimentações

Câmara Municipal melhora estradas junto ao Bairro Pontal Estão previstas mais intervenções em diversos pontos do concelho, identificados como prioritários devido ao estado de degradação, como é exemplo a Rua Infante D. Henrique. ANA SOFIA VARELA

Prevenção contra lagarta do pinheiro

Junta de Freguesia de Alvor tratou 60 árvores em espaços públicos A Junta de Freguesia de Alvor realizou uma ação de prevenção em 60 pinheiros de diversos espaços públicos da vila nos últimos dias. O tratamento por endoterapia consiste em injetar no tronco um produto fitofarmacêutico que se infiltra no sistema vascular da planta para travar o desenvolvimento da lagarta do pinheiro. A Junta de Freguesia alerta, porém, que esta ação obriga a que as lagartas desçam dos ninhos pelos ramos dos pinheiros até ao chão e que, num contacto com pessoas ou animais, podem observar-se reações alérgicas mais ou menos graves. “As processionárias libertam milhares de pelos urticantes que se dispersam pelo ar, ao ponto de causarem reações alérgicas nas pessoas e nos animais, como irritações nos olhos, urticária e dificuldades respiratórias”, esclarece, acrescentando que caso algum cidadão se depare com uma lagarta do pinheiro, não lhe deve tocar, informação que deve também ser passada às crianças.

Investimento na eficiência enérgica

Porto de Pesca do Rio Arade

A rua na proximidade da escola gerava diversas queixas dos pais Ana Sofia Varela

A

Câmara está a realizar uma intervenção nas Ruas da Central e Jaime Palhinha, perto do Centro Escolar do Pontal e da Escola Secundária Poeta António Aleixo, que provocou condicionamentos ao trânsito, mas que foram temporários. A empreitada, que levou a que fosse colocado um novo pavimento nas vias de circulação rodoviária para regularizá-las, deverá es-

tar concluída ainda esta semana. A intervenção começou na Rua da Central, entre a EDP e o Centro Escolar do Pontal, e no início desta semana já tinha o alcatrão novo, faltando apenas ser pintada a sinalização. Seguiu-se a Rua Jaime Palhinha, à frente da entrada da Escola Secundária Poeta António Aleixo e que também está quase a ser concluída. No entanto, ao que o Portimão Jornal apurou, haverá mais intervenções a realizar em breve,

incluídas num pacote de cerca de 800 mil euros de obras que têm como objetivo melhorar a circulação do trânsito na cidade. Outra das artérias que será alvo de melhorias e que está integrada neste conjunto de obras é a Rua Infante D. Henrique, uma das principais vias de entrada na cidade, pois liga à ponte velha e é bastante utilizada. Com diversas irregularidades, este é um dos outros pontos prioritários para a autarquia.

Derrotas em Vila do Conde e Braga, para os respetivos campeonatos

Futebol e futsal do Portimonense registaram resultados negativos A equipa de futebol do Portimonense entrou bem o ano, com uma vitória sobre o vizinho Farense (2-0, bis de Beto), mas não conseguiu dar sequência a este resultado, tendo averbado, na última jornada, uma derrota em Vila do Conde, frente ao Rio Ave (3-0). O onze de Paulo Sérgio continua a ocupar um dos últimos lugares da tabela, mas as diferen-

ças pontuais são mínimas. Nakamura (guarda-redes), Ewerton (médio) e Bruno Moreira (avançado) reforçaram já o grupo e os dois últimos até atuaram perante os vilacondenses, prevendo-se que as contratações não fiquem por aqui. Saída confirmada é a de Welinton, para o Shonan Belmare do Japão, o que vai render um milhão de euros para o cofre da SAD dos algarvios, em mais um

bom negócio, na senda da transferência de Gonda. Em relação ao futsal, o desaire em Braga (6-5) foi inglório: o cinco de Pedro Moreira empatou a cerca de 20 segundos do final, mas, mais alguns segundos volvidos, acabou mesmo por perder. Grande destaque para Júnior, que, de volta ao Portimonense, assinou um poker (quatro golos) e rubricou estupenda exibição.

terá iluminação LED A Docapesca adjudicou uma empreitada de melhoria da eficiência energética no Porto de Pesca do Rio Arade, no valor de 56 mil euros. A intervenção prevê a substituição de 18 luminárias e 34 projetores por equipamentos LED. Com esta alteração, a potência é reduzida de 24720 para 9690 Watts, ou seja, menos 61 por cento, o que permitirá ganhos ambientais e uma menor fatura energética. A Docapesca refere ainda que em 39 destas luminárias serão montados elementos de proteção anti-aves e que o quadro geral do posto de transformação também será substituído.

Acelerar negócios e universidade são temas

StartUp promove dois ‘networking breakfast’ A StartUp Portimão organiza duas sessões da iniciativa ‘networking breakfast’, em ambiente virtual, nas próximas sextas-feiras. Assim, já neste dia 15, às 9h30, decorre o ‘networking para acelerar o teu negócio’, com Henrique Monteiro Wadsworth, do projeto ‘Conta Connosco’. Esta será, segundo a StartUp Portimão, uma oportunidade de os participantes ficarem a saber como podem contactar com os profissionais voluntários deste projeto que estão disponíveis para partilhar experiências. A inscrição deve ser feita online (http://bit. ly/sp15jan2021). Já no dia 22 de janeiro, às 9h30, o tema que Hugo Barros, economista e doutorando em Gestão da Inovação, abordará será ‘A relação entre a universidade e o empreendedorismo’. O convidado é também o coordenador da Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia (CRIA) da Universidade do Algarve. A inscrição pode ser realizada também online (http://bit. ly/sp22jan2021).


A FECHAR

Quinta-feira • 14 janeiro 2021

D.R.

Agravamento da pandemia leva a nova ativação

Hospital de Campanha volta a estar ativado no Portimão Arena Infraestrutura está operacional desde abril, mas o aligeiramento de casos antes de Verão levou a que tivesse sido desativada. CM PORTIMÃO

CHUA acusou pressão e colocou em funcionamento a estrutura Ana Sofia Varela

O

agravamento da situação pandémica originada pela covid-19 levou a que o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) ativasse, em 10 de janeiro, o hospital de campanha que tem estado instalado desde abril no Portimão Arena e que se manteve sempre preparado para qualquer emergência. A estrutura está pronta para receber pacientes com o novo coronavírus e tem integrado desde o final de 2020 a fase quatro do plano de contingência estabelecido pelo CHUA. Esta situação

implica que o equipamento seja acionado quando o hospital de referência esgota a capacidade de internamento e é necessário recorrer a espaços externos, explica a Câmara Municipal de Portimão em nota de imprensa. “Apesar de se prever inicialmente que a infraestrutura hospitalar instalada no Portimão Arena apenas se mantivesse em prontidão até final do Verão passado, todo o dispositivo continuou operacional, num investimento considerável por parte do Município de Portimão, assumido como uma medida preventiva face ao possível desenvolvimento da co-

vid-19”, justifica. A unidade conta com cem camas, 22 das quais articuladas, possuindo no conjunto três enfermarias com quartos individuais, num total de 30 camas, e oito com quartos múltiplos, que representam 64 camas, acrescendo ainda uma unidade com seis camas para doentes críticos. Tem ainda áreas de decisão clínica, apoio médico e reuniões setoriais, bem como espaços de apoio psicossocial e de aprovisionamento e as áreas de apoio e de gestão de esforço dos profissionais. Estas valências estão agora a funcionar em permanência 24 horas por dia num importante apoio de reforço ao Serviço Nacional de Saúde. Este Hospital de Campanha está apetrechado com equipamento médico  de monitorização, diagnóstico e tratamento de doentes críticos, representando um investimento de 200 mil euros por parte da Câmara de Portimão, assegura ainda a autarquia. As valências não se esgotam no tratamento à covid-19, pois também permitirá à Proteção Civil Municipal responder a outras situações de acidente grave ou catástrofe, como sismos, tsunamis, grandes incêndios ou outros cenários que causem um elevado número de vítimas.

Covid-19: Concelho de novo na lista de risco Portimão voltou a entrar na lista de municípios com mais de 240 casos de covid-19 em cada cem mil habitantes, na categoria de risco elevado, na última avaliação do Governo, que precedeu a renovação do Estado de Emergência. A 7 de janeiro, o concelho registava 177 casos acumulados nos 14 dias anteriores, tendo nesse dia confirmado 30 novas infeções, o número mais elevado desde 15 de novembro. Ainda esta semana serão divulgadas mais medidas pelo Governo, como o confinamento geral.

Atletas Jéssica Para e Fedra Flosa do Clube de Ténis lideram ranking O Clube de Ténis de Portimão e Praia da Rocha terminou o ano de 2020 com duas atletas a distinguirem-se nos rankings, tanto a nível regional como nacional. O clube destaca que, no escalão sub-12, a atleta Fedra Flosa ficou no topo algarvio, enquanto Jéssica Para conquistou os objetivos estipulados para a época ao culminar, pela segunda vez, em primeiro lugar do ranking nacional. Desta vez conseguiu o feito no escalão sub-14, após já o ter feito no último ano no escalão sub-12. É ainda ressalvado o esforço do clube em ter conseguido colocar a maior parte dos atletas em provas nacionais num ano atípico e a contrariar o decorrer normal do calendário.

Quinta Pedagógica propõe dar pequeno-almoço aos animais A Câmara Municipal lança um novo projeto, a partir de 19 de janeiro, intitulado ‘Vem dar o pequeno-almoço aos animais da Quinta Pedagógica de Portimão’. A ação permitirá que os participantes conheçam de perto o que cada animal come, reconheçam os alimentos que ingerem e compreendam a necessidade de fornecer uma alimentação equilibrada em função das necessidades que estes têm. Assim, todas as semanas, às terças e quintas-feiras, às 9h30, um técnico da Quinta Pedagógica de Portimão receberá um grupo, limitado a quatro pessoas ou a um agregado familiar, e acompanhá-lo-á numa visita guiada, durante a qual os participantes podem inteirar-se do trabalho desenvolvido em relação à alimentação dos animais. As crianças menores de 12 anos devem ser acompanhadas por um adulto. No final, os participantes serão convidados a alimentar patos, galinhas e burros, entre outros residentes da Quinta. A participação é gratuita, mas a inscrição é obrigatória e deve ser realizada por email (quinta.pedagogica@cm-portimao.pt). PUB

CENTRO DE JARDINAGEM Garden Center Parchal - Lagoa Construção e Manutenção de Jardins Garden Maintenance & Landscaping

282 094 787 +351 916 846 990 paulo@pgs-gardens.com www.pgs-gardens.com

Profile for Portimão Jornal

Portimão Jornal nº 15 | 14.01.2021  

Advertisement

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded