__MAIN_TEXT__

Page 1

Quinta-feira • 19 novembro 2020 • 1.00€

Há mais de 60 anos a vender castanhas Figura carismática, José Matos tem 73 anos e é o vendedor mais antigo da cidade. P4

Quinzenário • Ano 1 • Nº12 Diretor: Rui Pires Santos

Novos casos impedem saída da lista

Concelho deverá manter-se com restrições apertadas. Festas e alguns comportamentos irresponsáveis continuam a contribuir para aumento de infeções. Autarquia lança campanhas de sensibilização e distribui 100 mil máscaras. P2-3

PUB

Fábrica de Janelas e Portas PVC e ALUMÍNIO Área de Exposição 200m2

Centro Industrial Vale da Arrancada, Lt.49 Coca Maravilhas - Portimão Tel.: 282 475 065 Email: geral@silvestre-e-sousa.pt

SOCIEDADE Isilda Gomes quer legislação para apoiar comércio local P16

MÚSICA Choque Frontal conta histórias dos artistas portugueses P10

MOTOGP Miguel Oliveira promete brilhar no Autódromo P15

Judocas portimonenses são exemplo na modalidade

Altino Leal: de enfermeiro a empresário de turismo

Joaquim Batista e Delfim Martins tornaram-se, nos últimos anos, os rostos de uma coletividade cujo modelo impressiona. P8-9

Nasceu em Trás-os-Montes, e fez ‘escala’ em Lisboa e na Suíça antes de se instalar em Alvor, com um parque de campismo. P12-13 PUB


P2

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

ATUALIDADE A 17 de novembro concelho contabilizava 190 infeções nos últimos 14 dias

Aumento de casos agrava situação de Portimão Na segunda avaliação do Governo para a atualização de concelhos com elevado nível de propagação da covid-19, o município ultrapassou a média de nove casos diários. FOTOS: ANA SOFIA VARELA

para se conseguir libertar desta lista. São cenários imprevisíveis, que mudam a cada dia que passa. Não ficou também claro em que data será a próxima avaliação do Governo. A única certeza é a importância do comportamento individual e dos cuidados que cada um deverá ter para proteger todos, pois o que está em jogo são as muitas consequências negativas nas áreas económica, social, cultural e desportiva da população portimonense. Apesar da maioria cumprir as regras, alguns não têm a mesma atitude e teimam em agir de forma irresponsável.

Primeiros cinco dias após o anúncio, Portimão já somava 80 novos casos confirmados

Ana Sofia Varela

O

número a reter é nove novos casos de covid-19 por dia. Esta é a média máxima diária que Portimão não pode voltar a ultrapassar se quiser sair da lista de concelhos de risco elaborada pelo Governo. Isto porque, à segunda avaliação divulgada a 12 de novembro após o Conselho de Ministros, Portimão tinha 148 casos ativos

nos últimos 14 dias e juntou-se a outros 190 municípios que têm de implementar um conjunto de medidas restritivas de circulação para evitar a propagação do novo coronavírus. Assim, desde a última segunda-feira, 16 de novembro, às 00h00, foram impostas limitações de circulação na via pública em determinados horários. Salvo algumas exceções, é proibido andar na rua a partir das 23h00 até às

Medidas do Estado de Emergência em vigor em todo o país - Possibilidade de realização de medições de temperatura corporal por meios não invasivos no acesso a locais de trabalho, estabelecimentos de ensino, meios de transporte, espaços comerciais, culturais e desportivos. - Possibilidade de exigir testes de diagnóstico para a covid-19 em estabelecimentos de saúde, estruturas residenciais, estabelecimentos de ensino, à entrada e saída de território nacional por via área e marítima, em estabelecimentos prisionais e noutros locais por determinação da Direção-Geral da Saúde.

5h00 nos dias úteis, período que é alargado nos fins de semana, com a medida a vigorar entre as 13h00 e as 5h00. O comércio e restauração passa a encerrar nestes dois dias, neste horário, penalizando a economia local, mas salvaguardando as questões da saúde pública, justificou António Costa, primeiro-ministro. Há vários cenários possíveis no que toca à manutenção ou saída de Portimão nesta lista, mas os primeiros números divulgados, após esta segunda avaliação, no dia 12, não são animadores. Os dados divulgados até ao fecho desta edição, na terça-feira, mostram que, no dia anterior, 16 de novembro, o município estava com 57 casos acima do limite definido, segundo as regras dos 240 casos por cada 100 mil habitantes, nos últimos 14 dias. Não pode ser ultrapassado um total de 133 novos casos, o que representa uma média diária de nove infeções. No entanto, na mesma data, a média diária da última quinzena centrava-se em 13,5, com picos no dia 12, a registar 21 casos, e

no dia 13 a contabilizar 26. Estas novas infeções de covid-19 deveram-se, sobretudo, a um surto identificado no Parque de Campismo de Alvor, que gerou muitos contágios. As autoridades de saúde fizeram um esforço para identificar os contactos dessas pessoas e conseguiram controlá-lo.

Campanha ‘Eu quero o meu Natal. Eu Escolho Cumprir’ A Câmara Municipal de Portimão estreou uma campanha de sensibilização que se prolongará até ao Natal, que pretende alertar a população para que cumpra as regras sanitárias divulgadas pela Direção-Geral de Saúde. A iniciativa começou a 5 de novembro, ainda antes da entrada de Portimão na lista de municípios de risco e chama-se ‘Eu quero o meu Natal. Eu Escolho Cumprir’. E são muitas as caras que já se juntaram a este movimento, como é exemplo Carlos Pacheco, Janine Medeira, autora do blogue ‘Poupadinhos e com vales’, o Môce dum Cabréste, os Giletes d’Aço,

Não pode ser ultrapassado um total de 133 novos casos, o que representa uma média diária de nove infeções Lamentam, porém, a morte divulgada no dia 15, relacionada com este surto, de um irlandês de 66 anos. Apesar de garantirem que este surto está controlado, uma festa no último fim de semana já provocou um novo. Portimão registava 80 casos, após a última avaliação, portanto não poderá ter mais do que uma média de cinco casos por dia,

Hugo Mendes, André Duarte, Jake Barroso, Rafaela Araújo, Rodrigo Dias ou Rita Gomes. Até ao Natal serão publicados nas redes sociais vídeos de sensibilização com estas figuras conhecidas dos portimonenses que apelam à responsabilidade de cada um. Palco para artistas locais ‘Portimão, Dá-te Palco’ e o ‘Palco


P3

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

ATUALIDADE é o Teu’ são dois projetos promovidos pela Câmara Municipal de Portimão, com o apoio do Marginália Bar, do Choque Frontal ao

agentes da Polícia de Segurança Pública, da Guarda Nacional Republicana, dos Bombeiros e elementos da Proteção Civil. Para

Apesar das autoridades de saúde garantirem que o surto do Parque de Campismo de Alvor está controlado, uma festa no último fim de semana já provocou um novo Vivo, da Alvor FM, e de Luís Loução Produções, que decorrerão nos próximos quatro meses para apoiar os artistas locais. Para estas duas iniciativas, a autarquia disponibilizará uma verba de 60 mil euros, o que representa o pagamento de um 'cachet' aos artistas que se situa entre os 500 euros, para um artista a solo, e os mil euros para uma banda. ‘Portimão, Dá-te Palco’, tem o primeiro espetáculo marcado para este sábado, dia 21 de novembro, continuando com cerca de 20 artistas ou bandas ao longo de novembro e dezembro. Marcado para um período posterior, o segundo projeto, intitulado ‘O Palco é Teu’, é um ‘open call’ a todos os músicos da terra, que terão a Black Box no Teatro ao seu dispor para apresentar os seus talentos. Os interessados devem candidatar-se através de um formulário que será disponibilizado no site da Câmara Municipal de Portimão (www.cm-portimao. pt) a partir de 11 de dezembro, Dia da Cidade. No caso do 'Portimão Dá-te Palco', a autarquia estabeleceu parceiras de curadoria com agentes culturais e promotores de espetáculos na cidade, para que nos sete dias de concertos previstos sejam concebidas outras tantas sessões, cada uma com os diversos géneros musicais protagonizados por artistas locais, sob a curadoria do agente cultural convidado. Todos os espetáculos, realizados sem público, serão transmitidos nas redes sociais e decorrerão nas matinés dos fins de semana de 21 e 22, e 28 e 29 de novembro, 5 e 6, 12 de dezembro. Sensibilização nos acessos às escolas A Câmara de Portimão promove até esta quinta-feira, 19 de novembro, uma campanha de sensibilização na comunidade escolar do concelho, onde participam

mostrar a importância do uso da proteção individual no combate à covid-19, foi colocada nos estabelecimentos escolares públicos e privados a mascote da Proteção Civil, com uma máscara feita por costureiras e aprendizes do Clube Desportivo, Cultural e Recreativo do Porto de Lagos.

Autarquia distribuiu kit com máscaras em todas as escolas do concelho Nos momentos de maior afluência nos acessos às escolas foram entregues aos pais e encarregados de educação ‘kits’, com uma máscara comunitária e um

Novas medidas dos concelhos de risco - Dever cívico de recolhimento domiciliário; - Proibição de circulação na via pública entre as 23h00 e as 5h00 em dias úteis; - Proibição de circulação na via pública entre as 13h00 e as 5h00 no fim de semana; - Celebrações limitadas a cinco pessoas, salvo se forem do mesmo agregado familiar; - Teletrabalho obrigatório e, na impossibilidade de praticar teletrabalho, obrigatoriedade de desfasamento de horários; - Estabelecimentos comerciais encerrados às 22h00; - Podem manter-se abertos as farmácias, consultórios e clínicas, funerárias, take away, postos de abastecimento e rent-a-car; - Encerramento dos restaurantes às 22h30 em dias úteis; - Proibidas as feiras e mercados de levante. É proibida a circulação na via pública entre as 23h00 e as 5h00 em dias úteis e a partir das 13h00 aos sábados e domingos, exceto em casos de… - Desempenho de funções profissionais, sendo necessária uma declaração da entidade patronal; - Deslocação a estabelecimentos de saúde ou farmácias; - Assistência a pessoas vulneráveis, onde se incluem pessoas com deficiência, filhos, progenitores, idosos ou dependentes; - Cumprimento das responsabilidades parentais;  - Passeios higiénicos ou passeio de animais de companhia, nas imediações do local de residência;  - Aquisição de bens alimentares e de higiene; - Urgências veterinárias;  - Regresso a casa após o cumprimento das deslocações permitidas.

NOTA: Não necessitam de declaração da entidade patronal os profissionais de saúde, trabalhadores de instituições de saúde e apoio social, agentes de proteção civil, forças e serviços de segurança, militares, civis das Forças Armadas, e inspetores da ASAE, magistrados, dirigentes dos parceiros sociais e partidos políticos representados na Assembleia da República, portadores de livre-trânsito legal, ministros de culto com credenciação da igreja ou comunidade religiosa, pessoal das missões diplomáticas, consulares e das organizações internacionais localizadas em Portugal.

folheto, onde são explicadas as regras determinadas pela Direção-Geral da Saúde. O apelo é o de que os encarregados de educação não se concentrem nos acessos a estes espaços, evitando ajuntamentos, quando vão levar e buscar as crianças e jovens à escola. 100 mil máscaras comunitárias serão disponibilizadas A Câmara Municipal de Portimão oferecerá mais de 100 mil máscaras comunitárias certificadas à

população. A medida serve para que todos os cidadãos, incluindo os que têm menos possibilidades económicas, tenham uma forma de se protegerem e evitarem a propagação da covid-19. As máscaras comunitárias (usáveis até cinco lavagens) serão distribuídas em diversos pontos, estando ainda a ser decididos quais os locais de recolha. Esta será uma ação conjunta da autarquia, da Proteção Civil Municipal e das Juntas de Freguesia. PUB


P4

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

SOCIEDADE Figura carismática da cidade, José Matos tem 73 anos e é vendedor há mais de seis décadas

“Castanhas? Quentinhas e boas!”

FOTOS: EDUARDO JACINTO

Uma dúzia custa dois euros e meio, mas “dou sempre mais duas ou três”, conta o homem que também já apregoou águas e sumos, pipocas e batatas fritas, e, claro, gelados e bolas de Berlim. Hélio Nascimento

Q

uentinhas e boas!”. O pregão mantém-se inalterável com o passar dos anos, e, no caso de José Matos, perdura há mais de seis décadas. “Aos 11 anos já vendia”, confessa o Zé das Castanhas, como é popular e carinhosamente tratado o homem que temos à nossa frente. Ao mesmo tempo que as pessoas fazem fila, indiferentes ao breu de mais um final de tarde deste Outono com pouca graça, o vendedor conta ao Portimão Jornal algumas das suas muitas histórias. De olho no assador, não vá a fagulha pregar uma partida, enche os saquinhos de papel e recebe dois euros e meio por cada dúzia de castanhas. “Dou sempre mais duas ou três”, replica, colado ao típico e velho carrinho em que se desloca e onde confeciona o produto. “Castanhas? Quentinhas e boas! No dia de São Martinho vendi 50 quilos”, regozija-se, admitindo, porém, tratar-se de uma data especial, já que a sua média diária oscila entre os 12 e os 15 quilos. “Foi o Lino do Vau, o pai,

Hotel Júpiter”, como o seu local de eleição. De outubro a março, todavia, são as castanhas. Esteve no Largo do Dique, depois perto da gasolineira na Zona Ribeirinha e há uns anos que se instalou na Rua D. Carlos I, junto ao Pingo Doce, onde é uma figura conhecida e respeitada, já que ninguém fica indiferente ao seu percurso e aos respeitosos 73 anos de vida. “As melhores são as de Trás os Montes e em especial de Bragança. Porquê? Não largam a pele. As de Monchique também não são más, mas largam a pele e este ano houve poucas. Se estiverem verdes, demoram mais tempo a assar”, aponta, numa espécie de manual de como bem assar a castanha, acompanhando a descrição com outros exemplos práticos e com os utensílios que transporta no carrinho. “Há 40 ou 50 anos vendia 50 quilos por dia. E quase nem dava conta. O material era bom de assar”, argumenta José Matos, certamente satisfeito com os elogios à sua volta. “São as melhores castanhas de Portimão”, garante uma senhora, que conseguiu estacio-

“Há 40 ou 50 anos vendia cerca de 50 quilos por dia. E quase nem dava conta. O material era bom de assar” que me trouxe para isto. Ando por aqui há quase 63 anos. Neste tempo, claro, porque de Verão são os gelados na praia. Este ano foi fraco, só as bolas de Berlim é que tiveram saída. E na areia”, prossegue, identificando o centro da Praia da Rocha, “na direção do

nar o carro para fazer a compra habitual. “A minha filha vem aqui desde os dois anos, gosta muito”, exclama outra, acompanhada de uma miúda sorridente e ávida de ter nas mãos o saquinho quente de onde emana o peculiar cheiro da castanha assada. “Conheço

O popular Zé das Castanhas, como é conhecido, abana o assador junto ao seu típico carrinho muitas pessoas desde o tempo em que eram bebés e que hoje são adultos e já com filhos”, orgulha-se o nosso homem. Também há ‘promoções’… O Zé das Castanhas queixa-se da falta de luz naquele espaço da avenida, mas, logo a seguir, sorri para o jornalista e é ele a lançar a questão: “Sabe que também faço promoções? Quais? Se alguém encontrar um bicho vivo dentro da castanha dou outro pacote de borla”, atira, com uma forte gargalhada, à medida que quase todas as pessoas que por ali passam lhe dirigem uma palavra e uma saudação. “Tenho muitos amigos”, justifica da forma mais simples possível. “Estou aqui das 10 às 19 horas, mas, se estiver a chover muito, não venho, não vale a pena, embora hoje em dia, tanto quanto me parece, só eu e o Sérgio e a Camila é que andamos na venda. Antes? Éramos aí uns 15 ou 16, na altura em que não era preciso licença”, diz José Matos, alentejano do Cercal que se ‘estreou’ a trabalhar nas areias de Vila Nova de Milfontes. “Vim muito miúdo para Portimão, onde continuo a viver. Olhe, andei com um saco de gelados às costas, depois com as castanhas, tem sido assim. Cheguei a vender águas e sumos, pipocas e batatas

fritas! Na praia é mais divertido”, sublinha, aludindo ao clima e ao grande número de veraneantes. O assador, agora, está vazio. Durante o dia, deve enchê-lo aí umas dez vezes, número que duplicou no recente São Martinho. As pessoas continuam no vaivém de quem regressa a casa, ao fim

da tarde, ou, então, de quem se desloca ali de propósito para “levar uma dúzia de quentinhas e boas”. Mas tem de ficar para amanhã. “Hoje já não tenho nem asso mais”, diz o vendedor. Em troca, recebe a compreensão geral e uma palmada nas costas. “Até amanhã, ti Zé!”.

A Camila e o Sérgio estão de volta

Lembram-se deles? São os vendedores de bolas de Berlim da Praia da Rocha, que contaram a sua história numa das primeiras edições do Portimão Jornal, e que, agora, estão instalados na Rua do Comércio, perto do Largo da Mó, um hábito que já tem aí uns nove anos e que se estende de novembro a fevereiro. “Sucedemos a uma senhora que vendia aqui. É uma espécie de sítio reservado para as castanhas e que serve, também, de algum chamariz para as pessoas visitarem as lojas”, explica o casal. Os clientes são sobretudo os idosos e as crianças, e, por isso, “não aumentámos o preço”, custando dois euros e vinte cêntimos uma dúzia de castanhas. No dia de São Martinho assaram 40 quilos.


P5

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

SOCIEDADE Escola de Hotelaria foi ponto de paragem do 'roadshow'

'Green Up' desafiou alunos a criar ideias para turismo sustentável ANA SOFIA VARELA

Turismo de Portugal apoiará propostas inovadoras que apostem em formas de otimizar recursos. Ana Sofia Varela

O

s alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão tiveram a oportunidade de participar numa sessão de esclarecimento sobre o programa ‘Green Up’, no dia 11 de novembro, e perceber se alguma das ideias que têm sobre sustentabilidade pode ser candidata a verbas desta iniciativa. Isto porque, o projeto do Turismo de Portugal que tem como parceira a Territórios Criativos pretende incentivar os futuros profissionais do setor a avançar com ideias que promovam a sustentabilidade a vários níveis. A intenção é preparar em-

preendedores que aproveitem o tema da sustentabilidade e o apliquem na procura turística. Maria Loureiro Lemos, coordenadora do ‘Green Up’, deu algumas ‘luzes’ sobre o que pode ser considerado elegível e explicou a essência deste programa. A valorização dos produtos e dos serviços endógenos, a sustentabilidade dos territórios e a promoção da economia circular são algumas das prioridades. Um dos grandes temas da ‘conversa’ com os alunos foi, por isso, o que está definido como ‘Objetivos de Desenvolvimento Social’. Incentivou também os alunos a não desistirem de uma ideia só porque julgam que será demasiado ‘cara’, pois, por vezes,

podem estar enganados. O ‘Green Up’ passa por todas as escolas de hotelaria do país, sendo depois selecionados 70 empreendedores. A formação de equipas será realizada num ‘Bootcamp’ de dois dias em Alvaiázere (distrito de Leiria), a 10 e 11 de dezembro. Em janeiro de 2021, as equipas serão acompanhadas na construção de 35 projetos de investimento, sendo depois selecionado um grupo de finalistas. A Grande Final está agendada para 7 de fevereiro, em Coruche. As limitações que a covid-19 criou têm de ser encaradas como uma oportunidade para acelerar a economia local, incentivando o

Docapesca investe 61 mil euros em LED

Substituição de lâmpadas melhora eficiência energética do porto de pesca O porto de pesca de Portimão será alvo de uma intervenção da Docapesca, entidade gestora da infraestrutura, que prevê a melhoria da eficiência energética do espaço. Assim, serão substituídas 18 luminárias e 34 projetores por equipamentos LED. O procedimento concursal ronda os 61 mil euros. Com esta alteração, a potência instalada é reduzida de 24.720 para 9.690 Watts, o que representa menos 61 por cento do consumo, permitindo ganhos ambientais e a diminuição da fatura energética.

Grelhados no Carvão

Porto de Pesca, Docapesca Parchal - Lagoa

Garrafeira Comida Tradicional Algarvia

ABERTO TODO O DIA GPS: 37º07’56.3’ ‘N 8º31’31.8’ ‘W

turismo. A procura pelos destinos só poderá ser bem aproveitada, segundo os responsáveis, se os

projetos potenciarem os produtos e os serviços locais, valorizando a identidade do território.

Famílias carenciadas podem inscrever-se

D.R.

Freguesia de Portimão entrega cabazes de Natal

D.R.

As inscrições para as famílias carenciadas da freguesia de Portimão receberem um Cabaz de Natal já podem ser realizadas, desde 12 de novembro. A Junta de Freguesia alerta que devido à covid-19, por razões de segurança, só serão aceites inscrições através de telefone (935 095  738), entre as 9h30 e as 16h00. É necessário o documento de identificação e comprovativo do rendimento mensal de todos os membros do agregado familiar. PUB

Tel: 282 423 377 | Tlm: 963704897

Maria Loureiro Lemos explicou a essência deste programa

Sexta-feira ao Jantar • FADO Sábado ao Almoço e Jantar • MÚSICA AO VIVO

PUB


P6

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

RAIO X

A foto

CM PORTIMÃO

EMARP A Empresa de Águas e Resíduos Sólidos de Portimão (EMARP) já doou mais de 19 mil euros à Associação Oncológica do Algarve (AOA). A verba resultou de uma campanha, que continua a decorrer, no âmbito da qual a empresa municipal entrega à instituição um euro por cada munícipe que faça a adesão à Fatura Eletrónica e outro tanto por quem adote a modalidade de pagamento por débito direto.

JUDO CLUBE DE PORTIMÃO Apesar da pandemia, o clube conseguiu aumentar o número de atletas. Esta grande expansão da sua atividade, ao longo dos últimos anos, deve-se ao modelo e ao ambiente que caracterizam o dia a dia do Judo Clube de Portimão.

COVID-19 DIA DO MAR • A Câmara de Portimão, a Junta de Freguesia de Alvor e a Agência Portuguesa do Ambiente aproveitaram esta efeméride para, numa ação simbólica, a 16 de novembro, apresentar duas esculturas de Carlos de Oliveira Correia, que ficarão expostas na zona ribeirinha de Alvor.

A frase

Contactei elementos do Governo para lhes pedir que encontrem uma solução legal ou, no caso disso não ser possível, que produzam legislação que permita às câmaras apoiar diretamente as empresas em dificuldades”. ISILDA GOMES

O novo coronavírus continua a não dar tréguas e a criar cada vez maiores dificuldades à população e às empresas. A colocação de Portimão na lista dos concelhos considerados de maior risco complicou ainda mais a situação. E os dados relativos ao aparecimento de novos casos indicam que muito dificilmente Portimão poderá sair desta ‘lista negra’, nos próximos tempos.

FICHA TÉCNICA • DIRETOR Rui Pires Santos • REDAÇÃO Ana Sofia Varela, Hélio Nascimento e Jorge Eusébio • DESIGN E PAGINAÇÃO Vanessa Correia FOTOGRAFIA Eduardo Jacinto e Kátia Viola • DEPART. COMERCIAL Hélder Marques, 914 935 351 • PROPRIEDADE E EDITOR PressRoma, Edição de Publicações Periódicas, Unip. Lda., Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto, 8400-417 Lagoa • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Rui Pires Santos • DETENTOR DO CAPITAL 100% Rui Pires Santos • NIF 508 134 595 Nº REGISTO ERC 127433 • DEPÓSITO LEGAL Nº 470747/20 • SEDE DE REDAÇÃO Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto., 8400-417 Lagoa EMAIL portimaojornal@gmail.com • TELEFONE 282 381 546 | 967 823 648 IMPRESSÃO LUSOIBÉRIA, Av. da República, nº 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa TIRAGEM 3.500 exemplares • PERIODICIDADE Quinzenal ESTATUTO EDITORIAL: https://algarvevivo.pt/sobre-nos/

PUB


PUB


P8

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

CENTRAIS

Judocas portimonenses são exemplo de boas práticas e têm espírito de equipa acima da média

Só mesmo um clube tão especial consegue ‘recrutar’ na Eslovénia  Joaquim Batista e Delfim Martins tornaram-se, nos últimos anos, os rostos de uma coletividade cujo modelo impressiona quem a visita e que até recebe elogios dos adversários. FOTOS: EDUARDO JACINTO

Hélio Nascimento

O

Judo Clube de Portimão é um modelo de organização, gestão e boas práticas sociais e desportivas. Não admira que a reportagem do Portimão Jornal tivesse sido recebida com imensa cordialidade e simpatia, quer pelos responsáveis, quer, também, pelos atletas. “Temos um ambiente muito saudável e uma dinâmica própria, de que nos orgulhamos. Creio que todos se sentem bem e gostam de estar aqui. É a nossa forma de estar, extensiva, igualmente, aos pais dos miúdos. Aliás, se alguém traz um amigo para treinar, é claro que vai ficar connosco”, explica Joaquim Batista, o presidente e anfitrião, que, a par de Delfim Martins, o coordenador técnico, nos deram conta de uma história de sucesso. “O espírito de equipa é único e tem sido reconhecido pelos adversários. Trata-se de uma onda sempre positiva, que leva os outros clubes a quererem interagir com os nossos judocas”. Só mesmo um clube tão especial, note-se, consegue ir buscar um jovem à Eslovénia para participar no Nacional de Equipas de juvenis. Aconteceu há cerca de um ano e é um registo de todo singular, em primeiro lugar, porque o Judo Clube de Portimão (JCP) nunca tinha participado em nenhuma pro-

Enorme positividade e espírito construtivo caracterizam os treinos diários do JCP va nacional por equipas. “Era um desejo grande”, recorda Delfim Martins, destacando então as dificuldades que se depararam aos algarvios para formar uma equipa, já que, no caso do judo, a participação obriga a categorias de peso e, claro, alguma competitividade. “É fácil para

os clubes de Lisboa, por exemplo, mas, para nós, foi complicado, porque nos faltavam dois atletas para fechar o conjunto”. A Federação, há uns anos, abriu o leque de participação, para facilitar este processo, permitindo que os presentes na prova possam inscrever um atleta de

Os responsáveis orgulham-se de lançar a semente e apostar na juventude

outro clube – desde que este não entre na competição – e um máximo de dois estrangeiros. É aqui que surge o esloveno,

conta Delfim, ainda hoje maravilhado com a história, tal como Joaquim Batista, que prossegue a narrativa. “Entrámos em contacto

O Judo Clube de Portimão conquistou a medalha de bronze no Nacional de Equipas de juvenis do ano passado, na primeira competição do género em que participou Bor Zupan de seu nome, que, numas férias anteriores, ficara apaixonado pelo JCP. “Veio cá treinar, um bocado na brincadeira, e gostou tanto que não faltou a um treino durante 15 dias, obrigando os pais a viajarem de Vila do Bispo – onde tinham instalado a caravana – a Portimão. Fez amizades e manteve a chama acesa com os nossos judocas, via redes sociais”,

e os pais do Bor concordaram. O Delfim foi buscá-lo ao aeroporto e depois dormiu em minha casa”.   Plantar a semente   O reforço que faltava foi recrutado ao Sintrense e o resto é uma aventura das que nunca se esquece. “O ambiente era intenso, ao qual não estávamos habituados, e calhou-nos o Sporting logo na


P9

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

CENTRAIS primeira eliminatória. Ganhámos e os miúdos galvanizaram-se. Só parámos nas meias-finais, perdendo com o Benfica, e conquistando, depois, a medalha de bronze. Ninguém nos conhecia e todo o mundo ficou espantado. Veja que entre as seis equipas que disputaram as medalhas, cinco eram da zona de Lisboa e nós os únicos intrusos”.

guindo colher. Frutos esses que não passam, em primeiro lugar, pela obtenção de resultados e títulos. “A nossa cultura é a de fugir à medalhite”, garantem, um princípio assente na ideia de que o mais importante é ver muitos judocas em ação e, de preferência, num ambiente agradável e familiar. O espaço – uma cave bem perto da Piscina Municipal de Porti-

Os pais recebem um orçamento detalhado para ficarem a par de tudo o que se passa. O JCP, aliás, reconhece que tem uma influência enorme na educação dos jovens atletas, mas, ao mesmo tempo, ‘exige’ que as famílias cooperem Curiosamente, a obtenção de resultados não é o objetivo primeiro do JCP, que foi fundado em 1988, embora, na altura, já houvesse judo na cidade, ainda que de forma algo ‘dispersa’. O grande crescimento surgiu nos últimos anos, com o cunho de dirigentes e técnicos entusiastas, que se esmeraram em melhorar as condições da sala, em organizar a coletividade e em atrair e captar cada vez mais jovens. Joaquim Batista, 2º dan e empresário no ramo dos seguros, e Delfim Martins, 2º dan (quase 3º) e arquiteto de profissão, são os principais rostos desta transformação. O crescimento tem sido sustentado, sob o lema de ‘plantar a semente’, uma expressão engraçada que os responsáveis utilizam para ilustrar o trabalho de base e os frutos que, depois, vão conse-

mão – é acolhedor e funcional e está sempre muito bem cuidado, o que desde logo transmite a maior das seguranças aos encarregados de educação. Depois, em termos de organização, o clube é um modelo a seguir. “A nossa gestão é rigorosa e acho que temos uma atitude profissional, mesmo sendo completamente amadores. Entregamos um orçamento detalhado aos pais, para ficarem a par de tudo o que se passa”, explica o presidente. O JCP, aliás, reconhece que tem uma influência enorme na educação dos jovens atletas, mas, ao mesmo tempo, ‘exige’ que as famílias cooperem e sejam igualmente responsáveis.     Número de atletas subiu  Em cada final de época, o Judo Clube de Portimão promove uma festa intitulada ‘Cintos de ouro’,

através da qual distingue os atletas “com mais vontade, aplicação nos treinos, cooperação e companheirismo”. Uma ação pedagógica de largo alcance, pela qual, curiosamente, os judocas ‘combatem’ com um entusiasmo idêntico, ou até talvez superior, ao que levam para o tapete em dias de competição. Desta feita, face à pandemia, a cerimónia foi adiada para data oportuna. Registe-se, contudo, que o fecho das instalações, devido à covid-19, não significou uma paragem total. “Durante o confinamento, para manter o espírito de união, fizemos comunicações diárias com os judocas. Foram mais de 70, com desafios físicos, pequenos filmes e até a confeção de bolos. Depois, começámos a sair para a rua, para correr e conviver. A cola não se pode perder”, diz Delfim, aludindo ao espírito ‘sui generis’ da coletividade. A verdade é que o número de atletas subiu – são agora 130 – graças, possivelmente, a esses treinos ao ar livre, já que vários praticantes convidaram amigos que, depois, se renderam ao encanto do judo. Hoje, todas as áreas das instalações estão devidamente marcadas, sobretudo na zona dos tapetes, com o cumprimento escrupuloso das regras sanitárias, e, como nada é deixado ao acaso, os atletas dispõem agora de duas preciosas ferramentas para ajudar na sua evolução. “Temos uma nutricionista, que cuida de uma boa performance física e otimiza a força, sendo que o peso, no judo, tem de ser bastante vigiado, e apostámos também numa preparadora física, que dá um treino-extra, aos sábados de manhã, para os atletas de alta competição”.    Formar treinadores  Joaquim Batista e Delfim Mar-

Manuel Batista “O judo vai ser sempre a minha vida” Manuel Batista tem 15 anos, é cinturão negro (1º dan) e faz judo há 11 anos. É filho do presidente do JCP e a ‘culpa’ de gostar tanto da modalidade vem dos tempos de criança e das traquinices de então, sobretudo pelas ‘lutas’ em que se envolvia amiúde. “Quando assisti à primeira aula, ficou logo uma imensa paixão. Até hoje. Não há um dia que não queira vir treinar”, confidencia o jovem, que também é bom aluno, com um sorriso de orelha a orelha.  O ano passado sagrou-se campeão nacional de juvenis e depois conquistou o bronze no Nacional de equipas da categoria. “Foi a primeira vez que o clube participou num campeonato destes. Era o meu último ano de juvenis e a última prova que disputava na categoria. Deparámos com um ambiente competitivo nunca visto, que, todavia, nos deu força e empolgou, tanto a mim como aos meus colegas. Aliás, ficámos espantados! O certo é que todos os combates nos correram bem, apesar de muito difíceis”, recorda o judoca. “Superámo-nos como ninguém esperava, quer os outros clubes, quer nós próprios” salienta, na linha da história contada por Delfim Martins e Joaquim Batista na peça principal desta reportagem do Portimão Jornal. Manuel Batista é agora cadete e dá aulas aos mais petizes, na linha do que sucede com os atletas mais velhos e mais qualificados. “O clube sempre incentivou a ajudarmo-nos uns aos outros. Esta é a minha segunda família e não podia deixar de o fazer. É quase pagar uma dívida, no sentido de contribuir para que o Judo Clube de Portimão seja cada vez mais uma melhor instituição. Um sonho? O principal é sempre o de ir aos Jogos Olímpicos. Quero competir, ganhar e marcar presença nas grandes provas, para, depois, quando deixar de combater, continuar ligado ao judo. Está no sangue e vai ser sempre a minha vida”. 

tins são, também, os treinadores de serviço, embora cada classe tenha o seu monitor, que é, na circunstância, um atleta mais qualificado. “Vai ganhando experiência e se quiser seguir a carreira tem de tirar o curso. O nosso papel passa por formar novos treinadores”, argumentam, em uníssono.   “E agora? Isso é futurologia. Vamos seguir a nossa linha com uma equipa fora de série, todos juntos”, incluindo Maria, a esposa de Joaquim que marca presença diária para ajudar em tudo o que é preciso, e os pais dos judocas. Em suma, um combate a estes dias in-

certos com “enorme positividade e espírito construtivo”. Mesmo sem um calendário de provas para os seus escalões (de formação), a verdade é que Delfim continua a planear as provas, “incutindo os valores do judo, trabalhando a resiliência e treinando para os campeonatos”. O Judo Clube de Portimão tem o apoio do Município, beneficiando dos contratos-programa em vigor, mas, de resto, prefere seguir um caminho independente, caso da logística dos transportes para as deslocações, que são “suportadas por nós e pelos encarregados de educação”. 

O orgulho de ter a Bandeira da Ética O Judo Clube de Portimão recebeu há poucas semanas a Bandeira da Ética, um galardão do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) que distingue as boas práticas desportivas. A Bandeira é renovada de dois em dois anos e a coletividade portimonense foi a primeira – e única, na altura – do Algarve a ser alvo desse reconhecimento, que foi agora renovado. “É um orgulho enorme. Dá prestígio. É um prémio para as boas práticas desportivas, do tipo não basta ser, é preciso demonstrar. É isso que temos feito, mantendo uma atitude que promove os valores da ética desportiva. Fomos o primeiro clube do Algarve a ter esta certificação, que é abrangente, ou seja, contempla todas as modalidades”, explica Joaquim Batista. Neste momento, são quatro os emblemas algarvios a quem foi atribuída a Bandeira da Ética. Delfim Martins e Joaquim Batista preparados para mais uma sessão de trabalho


P10

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

CULTURA Cantores bem conhecidos têm passado pelo programa

Um choque frontal de muita música e conversa Há vários anos que um programa de rádio proporciona aos seus ouvintes mais fiéis a possibilidade de assistirem a concertos gratuitos e ficarem a conhecer alguns dos segredos dos artistas convidados. FOTOS: JORGE EUSÉBIO

O popular cantor e compositor José Cid foi um dos convidados Jorge Eusébio

J

osé Cid, António Manuel Ribeiro, Diogo Piçarra e Marco Rodrigues são alguns dos muitos nomes bem conhecidos do panorama musical português que já atuaram à borla em Portimão. A convite de Ricardo Coelho e Júlio Ferreira, foram protagonistas do programa Choque Frontal ao Vivo que, com grande regularidade, tinha lugar no Teatro Municipal de Portimão (TEMPO). Ao longo de cerca de uma hora, cada um deles intercalava a interpretação de temas que marcaram as respetivas carreiras com uma conversa informal com os entrevistadores, na qual revelavam facetas bem pouco conhecidas das suas vidas. Quem não obtinha um dos cobiçados convites podia ouvir a gravação, que era transmitida no sábado seguinte na Rádio Alvor. Os espetáculos ao vivo tiveram início em 2017 e desenvolveram-se com uma cadência quase mensal. O aparecimento do vírus covid-19 acabou por interromper esta tradição, mas os dois amigos resolveram que não haveriam de acabar o ano sem voltar ao TEMPO e esta noite (quinta-feira, 19 de novembro) têm como convidada a

cantora algarvia Carolina Fonson. Ricardo Coelho lembra que “as primeiras edições decorreram na Black Box, um espaço que era pouco utilizado e que achávamos ser o ideal para acolher o programa, que queríamos que fosse intimista”. A escolha era, também, uma forma de jogar pelo seguro, pois, confessa, “tínhamos algum receio sobre o que seria a recetividade do público, pensávamos que se lá conseguíssemos meter 30 ou 40 pessoas já seria bastante bom e, como é pequena, a sala iria parecer estar cheia”. Uma estratégia que não falha Só que assim que anunciavam no Facebook um novo programa, logo os convites (gratuitos) desapareciam e começou a ficar claro que a Black Box não chegava para as ‘encomendas’. Deram, então, o ‘salto’ para o pequeno auditório do TEMPO que tem capacidade para 125 pessoas e que, apesar disso, muitas vezes, acabava por também se revelar pequeno. Por exemplo, revela Júlio Ferreira, “tivemos uns dias muito complicados e umas noites muito mal dormidas antes da atuação do José Cid. É que havia muitas pessoas que queriam ir assistir, nós queríamos que elas fossem, mas

não tínhamos forma de as colocar lá porque a lotação da sala ficou de imediato esgotada”. Ainda houve a possibilidade de usarem o grande auditório, mas rejeitaram-na, pois “aí perdia-se a essência do programa, que é aquela intimidade entre o artista e o público”. Mas como é que se consegue convencer um artista que, até, pouco depois acabaria por receber um Grammy, a fazer centenas de quilómetros para vir atuar à borla em Portimão? Aparentemente, não foi muito difícil, tal como não tem sido com outros convidados. A estratégia seguida para quem vem de longe é realizar o programa um dia antes ou depois de concertos que eles já tenham agendado na região. No caso de José Cid, quando receberam o seu mais recente disco, repararam que havia na contracapa um número de telemóvel para marcação de entrevistas e ligaram. Esperavam que fosse o contacto do seu agente, mas afinal foi o próprio compositor e cantor a atender. Aproveitaram a oportunidade, convidaram-no, ele ficou muito interessado e foi confirmar à agenda em que data estaria no Algarve para um concerto. Nesse dia, veio umas horas mais cedo,

esteve no Choque Frontal durante a tarde e à noite foi então fazer o outro espetáculo. Mas, embora alguns nomes sonantes já tenham passado pelo programa, a verdade é que Ricardo Coelho e Júlio Ferreira não fazem questão que isso aconteça com frequência, até porque um dos seus grandes objetivos até é o de promover bandas e cantores pouco conhecidos cujo trabalho mereça ser divulgado. Humor, vinho e pizza Mas o Choque Frontal não é aberto apenas a músicos, também o

humor tem contribuído com bons representantes, casos de Fernando Mendes, Serafim ou o algarvio Môce dum Cabréste. A pintura tem, igualmente, lugar cativo, através do talento de João Sena, que, a partir de determinada altura, começou a pintar telas exclusivas e, ironiza Júlio Ferreira, “acaba por ser, de nós três, o que mais trabalho tem”. Sempre com ideias novas, os apresentadores resolveram reservar alguns minutos para, em cada edição, promover um vinho algarvio, que, no final, os espetadores podem provar e até já têm uma pizza com o nome do programa. Outra iniciativa foi o lançamento dos Prémios Choque Frontal, através dos quais destacam músicas, autores e intérpretes. Convidados e ideias para enriquecer o programa não faltavam, público também não, pelo que tudo indicava que 2020 iria ser um ano para recordar. Entretanto, chegou a covid-19 e todos os planos ficaram sem efeito. Depois deste último concerto – que, excecionalmente, decorre no grande auditório do TEMPO, para que seja possível cumprir todas as normas de higiene e segurança – o Choque Frontal volta a entrar de férias até que haja condições para o regresso à sua ‘casa’ habitual, o pequeno auditório do principal espaço de espetáculos de Portimão.

Ricardo Coelho e Júlio Ferreira apresentam o programa


PUB


P12

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

PESSOAS Empreendimento teve parto difícil mas sucesso imediato

O transmontano que ‘inventou’ um parque de campismo em Alvor A história de um enfermeiro que veio do norte do país para se transformar em empresário do setor turístico na freguesia e que tem a grande paixão pelas viagens. FOTOS: JORGE EUSÉBIO

Jorge Eusébio

A

ltino Leal nasceu em Trás-os-Montes e fez ‘escala’ em Lisboa e na Suíça antes de se instalar em Alvor, onde resolveu criar um parque de campismo que, na altura, deu forte impulso ao turismo local. O processo iniciou-se no ano a seguir à revolução do 25 de Abril, e abriu portas em 1977. Atualmente, estende-se por cerca de cinco hectares e tem capacidade para acolher cerca de 90 'mobile homes' – autênticas casas sobre rodas de 20 a 30 metros quadrados – bem como zonas para autocaravanas e para as tradicionais tendas. Embora tenha dedicado algumas décadas da sua vida a desenvolver o empreendimento, aquele até nem era um sonho seu, mas do irmão, cujo entusiasmo acabou por o ‘arrastar’. Mais tarde, acabariam por desfazer a parceria e Altino Leal assumiu por inteiro o projeto, cuja concretização se revelou extremamente difícil. O processo burocrático envolveu as entidades ligadas não só ao turismo, como à agricultura e às estradas, entre outras. Por fim, lá conseguiu uma licença precária por parte da Câmara e foi possível avançar com a vedação do terreno e a construção das infraestruturas necessárias. Negócio de sucesso Assim que abriu portas verificou que aquele era um negócio com pernas para andar. “Desde o princípio que tivemos muitos clientes, não só portugueses, mas também de outras nacionalidades, especialmente espanhóis e italianos”. Lembra-se de nesses tempos, numa altura em que o parque tinha dimensões bem mais reduzidas do que as atuais, “termos tido aqui mais de 1.300 pessoas”. Nos primeiros anos ficava em Alvor apenas durante uns meses, arrancando, de seguida, para a Suíça, onde trabalhava como enfermeiro, deixando a gestão a cargo de um empregado. Mais tarde acabou por ser ele próprio a assumir integralmente as rédeas

Altino Leal lembra que foi difícil ultrapassar o processo burocrático para construir o parque do negócio. Nessa fase, e “como forma de me integrar na comunidade, passei também a fazer trabalho de enfermeiro em Alvor em part-time”, uma experiência que durou pouco tempo. Altino Leal lembra-se que quando chegou, a freguesia era muito diferente do que é hoje, "em termos turísticos, havia a Torralta e pouco mais e quanto a restaurantes, existiam aí uns três ou quatro”. As infraestruturas eram muito deficientes, “praticamente não havia rede de esgotos, por exemplo” e a ‘febre’ das grandes superfícies ainda não tinha aparecido. Isso permitia que o minimercado que instalou no interior do empreendimento se revelasse quase como que uma máquina de fazer dinheiro, tal era o volume de negócios. Nos anos de 1977 e 1978 era frequente “haver dias em que faturávamos 400 ou 500 contos, o que eram verbas bastante elevadas para a altura”.

Reforma e viagens Mas, entretanto, os anos foram passando e, há cerca de uma década, Altino Leal achou que estava na altura de descansar um pouco. Como não conseguiu convencer os filhos a tomarem conta do negócio, acabou por alugá-lo.

é necessário fazer. Natural de Trás-os-Montes, Altino Leal cedo rumou à capital do país em busca de melhores oportunidades de vida. Começou por trabalhar na construção civil, mas, em determinada altura, soube que ia abrir um curso para

Envolveu-se num grupo que editava publicações contra a guerra colonial. Palma Inácio “esteve lá a convidar-nos para entrar em atos revolucionários, mas não nos envolvemos nisso” Contudo, embora fora do ‘ativo’, e como vive no interior do parque, continua a preocupar-se com ele e a percorrê-lo regularmente para verificar que trabalhos de reparação ou beneficiação

enfermeiros e o seu irmão incentivou-o a inscrever-se. Confessa que, “até pensava que era uma profissão de mulheres, mas acabei por aceitar o desafio, apesar de não saber nada daquela área”.

Devido a um problema numa perna, ficou livre da tropa e após ser formado como enfermeiro começou a trabalhar no Hospital Júlio de Matos. Só que, entretanto, começaram a chegar-lhe rumores de que, como eram precisos mais soldados para África, ainda podia ter que cumprir o serviço militar e resolveu abalar, “meio clandestino”, para a Suíça para trabalhar num hospital de Lausanne. Embora se tratasse de uma sociedade conservadora e muito diferente da portuguesa, conseguiu adaptar-se sem problemas de maior, até porque rapidamente aprendeu a língua francesa. Aí casou, teve filhos, mas continuou a manter uma forte ligação a Portugal. Envolveu-se num grupo que editava algumas publicações contra o Salazarismo e a guerra colonial e ainda teve contactos com uma pessoa que colaborava com Mário Soares e também com Palma Inácio, “que esteve lá a convidar-nos para entrar em atos revolucionários, mas


P13

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

PESSOAS não nos envolvemos nisso”. Um grande susto Uma das grandes paixões da vida de Altino Leal são as viagens, que acabaram por dar-lhe a conhecer o Algarve e o levaram a investir na vertente turística. Sempre que há uma oportunidade, faz a mala e vai à descoberta do mundo. Antes de arrancar não costuma fazer grandes planos. Prefere ir à aventura do que em viagens devidamente programadas, o que lhe permite ter um con-

nhou um valente susto numa das viagens realizadas pelo continente sul-americano. Estava na Venezuela e queria dar um ‘saltinho’ à Colômbia. Aconselharam-no a não o fazer devido ao perigo de, pelo caminho, se deparar com um grupo das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e correr o risco de ser raptado. Mas, como insistia em realizar a viagem, acabaram por indicar-lhe uma pessoa que fazia aquele percurso com frequência no seu carro, que funcionava como uma

Uma das grandes paixões da vida de Altino Leal são as viagens. Sempre que há uma oportunidade, faz a mala e vai à descoberta do mundo, sem fazer grandes planos tacto mais próximo e verdadeiro com as comunidades locais e ficar a conhecer a realidade que existe para lá dos roteiros turísticos. Devido a essa atitude, apa-

espécie de táxi. E “lá fomos por uma estrada montanhosa e quando chegamos à fronteira, como os funcionários o conheciam bem, nem sequer nos mandaram

parar”. Na povoação mais próxima tomou o autocarro em direção a Bogotá, mas “já de madrugada, a viatura pára no meio de uma floresta e aparecem uns indivíduos com metralhadoras nas mãos”. O seu primeiro pensamento é que tinha caído nas mãos dos guerrilheiros, mas “afinal eram polícias que queriam ver se havia armas ou explosivos no autocarro”. Depois de duas ou três semanas na Colômbia seguiu para o Equador também numa viatura ‘informal’. Novamente, passou a fronteira sem que lhe pedissem documentos, foi à procura de uma pensão, sendo, então, abordado por um polícia que lhe pediu o passaporte. Depois de o folhear, perguntou-lhe como é que chegara ali se não tinha carimbos de entrada na Colômbia e no Equador. Em risco de ser preso, Altino Leal respondeu que pensava que havia um sistema parecido com o europeu, em que se pode passar de um país para o outro sem passaporte. A solução que lhe arranjaram foi ter de voltar à Colômbia, pagar uma multa e voltar a entrar no Equador, agora de forma legal. Apesar deste susto, conti-

O empreendimento impulsionou o turismo local nuou a manter uma forte paixão pela América do Sul. A ponto de ter adquirido uma casa no Brasil, onde vive ao longo de uma parte do ano. E mantém o mesmo hábito de viajar sem fazer grandes planos. É comum “chegar ao terminal do autocarro e meter-me

no primeiro que aparece sem me preocupar para onde vai”. E, embora haja a ideia de que se trata de um país muito violento, nunca teve problemas de maior, tendo apenas uma vez sido roubado e ficado sem um fio de ouro. PUB


P14

OPINIÃO

Pedro Manuel Pereira Historiador “Dêem-me o controlo sobre a moeda de uma nação e não terão de se preocupar com os que fazem as suas leis”. Mayer Amshel Rothschild (1743-1812) Os verdadeiros donos do mundo, na actualidade, não são os governantes das nações, mas antes, dirigentes de grandes grupos multinacionais industriais (química e farmacêutica, entre outros) e financeiros, bem assim como dirigentes de instituições internacionais opacas, como por exemplo: a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), o GATS (Acordo Geral Sobre Comércio dos Serviços), o AMI (Acordo Económico Internacional, sob a égide da OCDE), a MONSANTO (Propriedade da Bayer) e/ou os bancos centrais, caso da FED (Reserva Federal Americana), do FED (Fundo Europeu de Desenvolvimento), do Banco do Japão, do Tesouro Britânico, do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial, e do Banco Central Europeu, entre outros, para além de imensas ONG’s (organizações não governamentais). O poder destas organizações é exercido à escala planetária, enquanto o poder dos Estados se limita, quando muito, a uma reduzida dimensão nacional. Desta forma, o poder das sociedades multinacionais através dos seus fluxos financeiros ao longo dos últimos anos, sobretudo a partir dos alvores dos anos 90, tem vindo a ultrapassar o poder dos Estados, dominando-os, tendo como seus «funcionários» os dirigentes políticos das nações, quase todos, previamente inscritos e instruídos no Clube Bilderberg, grupo da elite política e económica internacional nascido em 1954, com a finalidade de “promover o diálogo entre a Europa e a América do Norte”, que uma vez por ano se reúne à porta fechada em locais de países diferentes, em “concí-

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

A ilusão democrática lios” secretos, rodeados de brutais aparatos militares e policiais de segurança. Tome-se como exemplo, os dirigentes políticos portugueses que têm participado nesses encontros anuais, cujos nomes (dos que se sabe) o leitor pode encontrar na internet, e que por sua vez estendem os seus dedos às regiões e concelhos mais apetecíveis do país através dos seus homens de mão, cumprindo ordens em cadeia de instituições industriais, económicas e financeiras internacionais.

Acresce que a sua margem de acção, tem vindo aos poucos a ser limitada, face aos acordos económicos internacionais, para os quais os cidadãos não são consultados nem tão pouco informados. Todos os tratados elaborados nos últimos anos, como o GATT (em português: Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), a OMC (Organização Mundial do Comércio), e a NAFTA (North American Free Trade

Não podemos escolher o cozinhado, mas podemos escolher o molho. E já agora, porque os rótulos ideológicos cada vez mais não passam disso mesmo: onde começa a chamada “esquerda” e acaba a dita “direita”?

Invariavelmente, esses líderes políticos quando deixam o poder, quer em Portugal quer um pouco por todo o mundo, vão servir quem já serviram. De entre os ex e actuais líderes políticos, vários têm sido os que têm participado nos encontros anuais à porta fechada deste clube secreto. Alguns continuam estrelas em ascensão, caso de Durão Barroso, António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Rui Rio e outras criaturas, outros já se apagaram, porque se finaram ou porque a sua prática de trambiqueiros, indiciados de crimes económicos e fiscais e em alguns casos, cadastrados, se tornaram demasiado incómodos para os outros membros do elitista Clube Bilderberg. A dimensão tentacular económica das multinacionais mais ricas que a das nações, é por isso o principal recurso de financiamento dos partidos de todas as tendências na maior parte dos países, assumindo, encapotadamente, o verdadeiro poder político nas actuais democracias. Esta, é uma das razões por que actualmente a democracia, no sentido mais lacto do termo, deixou de constituir uma realidade na maior parte dos países. Os responsáveis das organizações que exercem o poder real, não são eleitos, nem o povo é informado das suas decisões, é evidente. Por isso, os dirigentes dos partidos políticos no poder dos Estados, mais não constituem que meros executores dessas organizações.

mentado por uma micro bateria, tudo isto rastreado ao segundo através de satélites que permitem obter a localização exacta do indivíduo, podendo, assim, devassar a vida privada de todos e de cada um, entre outras grilhetas menos sofisticadas como a da Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (SWIFT), consórcio interbancário com sede em Bruxelas, que rastreia centenas de milhares (ou milhões) de transacções financeiras

Agremeent), por exemplo, visam um único objectivo: a transferência do poder dos Estados para as organizações não eleitas, de acordo com um processo em curso chamado de mundialização ou globalização. “A democracia é a etapa política que precede imediatamente a oligarquia”. Aristóteles (384 aC - 322 aC) A suspensão progressiva das liberdades democráticas como temos vindo a assistir, não é passível no actual contexto, de provocar qualquer revolução, porque os governantes vêm mantendo uma democracia de fachada, iludindo os cidadãos, enquanto deslocam o poder real para novos centros de decisão. A pretexto da segurança colectiva, instalam câmaras de videovigilância em todos os sítios possíveis, chips electrónicos nos veículos automóveis, implementam cartões de identificação unificados (cartões de cidadãos), controlam as telecomunicações fixas e móveis, incluindo a localização de qualquer telemóvel em tempo real, mesmo que desligado e sem bateria, graças ao IMEI inscrito no microchip nele instalado, ali-

diariamente, quer de empresas, Estados ou de simples cidadãos através dos multibancos e/ou as ATM. “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”. In Triunfo dos Porcos. George Orwel Por tudo isto, embora os indivíduos continuem a votar, o seu voto é vazio de conteúdo, porque votam em candidatos políticos que após tomarem posse dos cargos, na verdade não detêm o poder real. Desta forma perde sentido, face à prática presente dos governos eleitos, que a questão de decidir entre programas políticos ditos de «direita» ou de «esquerda» seja importante, porque mais não constituem do que uma mera formalidade que o cidadão cumpre ao colocar o voto na urna quando há eleições. Em suma: não podemos escolher o cozinhado, mas podemos escolher o molho. E já agora, porque os rótulos ideológicos cada vez mais não passam disso mesmo: onde começa a chamada “esquerda” e acaba a dita “direita”?

PUB

PUB

PUB Peixe fresco Fruta e legumes Mercearia

282 457 107

966 054 800

portichavesptc@hotmail.com

RUA CEL ARMANDO DA SILVA MAÇANITA, 15 R/C ESQ (EM FRENTE AO C.C. AQUA, JUNTO À CRACEP)

Tlm.: 961 363 501 Portimão loja 1 | R. Infante D. Henrique • loja 4 | Avenida 25 Abril Parchal /Coviran - loja 5 Lagoa loja 2 - junto à igreja • loja 3 - R. António Pinto Pateiro Armazém lote 3 - Zona Industrial


P15

Portimão Jornal • 19 NOV 2020 • Nº12

ÚLTIMAS

Mundial de MotoGP termina no próximo domingo, em Portimão

Miguel Oliveira quer dar uma alegria aos adeptos O piloto português deseja fechar com chave de ouro, fazendo “uma boa corrida para obter um bom resultado”.

Paulo Sérgio com muitas baixas

Portimonense joga em Leiria para a Taça de Portugal O Portimonense inicia amanhã, dia 20, às 21h00, a sua participação na Taça de Portugal desta época, deslocando-se a Leiria, para defrontar a equipa local, em jogo onde o treinador Paulo Sérgio vai ter de proceder a algumas alterações, em virtude de uma onda de lesões que afetam o plantel às suas ordens. O médio Pedro Sá e o avançado Fabrício estão em dúvida, enquanto Lucas Fernandes é baixa certa: o criativo brasileiro sofreu uma rotura de ligamentos no joelho direito e dificilmente voltará a atuar esta temporada. Será, na circunstância, uma oportunidade para os elementos menos utilizados mostrarem o seu valor, numa altura em que urge melhorar os índices de confiança – e de finalização – para a desejada recuperação no campeonato.

D.R.

Equipa de Pedro Moreira ocupa o 5º lugar

Futsal perde com Benfica mas dá excelente imagem A equipa de futsal do Portimonense continua a rubricar um excelente campeonato, muito embora tenha perdido na última jornada, frente ao Benfica, por 5-3. Os pupilos de Pedro Moreira ocupam o 5º lugar, com 14 pontos, numa classificação que é liderada por Benfica e Sporting. No pavilhão da Luz, os tentos dos algarvios foram apontados por Caio Júnior, Rochato e Divanei.

Prova chegou a estar agendada para este mês

Rallye Casinos do Algarve

Miguel Oliveira e a sua KTM preparados para brilhar no Autódromo Hélio Nascimento

E

stou muito ansioso por correr em Portimão, muito embora numa situação bastante diferente daquela com que sonhara”, declarou Miguel Oliveira, em vésperas da partida para o Algarve, onde este domingo, dia 22, no Autódromo Internacional, disputa o último Grande Prémio da temporada do Mundial de MotoGP. “Mesmo sem público, vamos tentar interagir com os adeptos e os fãs, com ligações pela televisão. Já o disse e repito: estou fortemente empenhado em fazer uma boa corrida e tentar obter um bom resultado no circuito de Portimão”, sublinha o piloto de Almada, símbolo maior – e único – do país no que concerne ao desporto motorizado. No último Grande Prémio, disputado em Valência, Miguel Oliveira terminou na sexta posição, depois de ter partido do 10º lugar na grelha de partida. Mesmo assim, desejava ter feito melhor. “O arranque foi bom, mas tornou-se muito  difícil manter o ritmo, sobretudo  em  dois pontos do circuito, onde perdia tração. São  pequenos detalhes que são frustrantes, pelo que o  sexto foi o lugar possível”, analisou o

português, confirmando que os problemas de anteriores corridas foram resolvidos. “Foi um dia diferente, com temperatura alta, e, por isso, usámos o regulador de altura traseira, o que tem impacto na temperatura do pneu”, justificou Miguel Oliveira, a propósito do desgaste dos pneus.  Questões técnicas à parte, a prova portuguesa já não influi da atribuição do título mundial, conquistado por Joan Mir (Suzuki), que, aos 23 anos, é o mais novo produto da formação espanhola de campeões de motociclismo, que dominaram a última década da modalidade, com nove títulos em dez possíveis. Joan Mir destacou-se, sobretudo, pela enorme regularidade revelada num ano de todo atípico, devido à pandemia. O campeonato esteve órfão do seu principal dominador, o espanhol Marc Márquez (Honda), que conquistou os quatro campeonatos anteriores e, desta feita, sofreu uma queda grave logo na corrida inicial. Voltando a Mir, por pouco não era o primeiro campeão sem vitórias, pois venceu somente um Grande Prémio. Depois de duas desistências nas três primeiras provas, a partir da Áustria, quando subiu ao pódio pela primeira vez com um segundo lugar, só por uma vez fez pior do que quarto

adiado para dezembro

HORÁRIO Dia 20 | sexta-feira 11h00 Treinos Livres 1 15h00 Treinos Livres 2 Dia 21 | sábado 11h00Treinos livres 3 14h00 Qualificação Dia 22 | domingo 13h10 Corrida

(11º em França). A tal impressionante regularidade que ditou leis.   Miguel Oliveira ocupa o 10º lugar no Mundial e teve o seu ponto alto na Áustria, quando foi o primeiro a cortar a meta. Na classificação atual, entre o campeão Mir (171 pontos) e português (100), estão Franco Morbidelli (142), Alex Rins (138), Maverick Viñales (127), Fabio Quartararo (125), Andrea Dovizioso (125), Pol Espargaro (122), Jack Miller (112) e Takaaki Nakagami (105). Agora, em Portimão, quer fechar com chave de ouro e levar a sua KTM a lugares do topo. Amanhã e sábado decorrem os treinos e a corrida, já se sabe, é no domingo, dia 22. 

A prova que encerra os Campeonatos de Portugal de Ralis e do Sul de Ralis foi adiada para dezembro, sem que a organização tenha ainda avançado com uma data definitiva, até ao fecho desta edição. O Rallye Casinos do Algarve esteve agendada para 14 e 15 de novembro, nos concelhos de Portimão, Lagoa, Lagos e Monchique, ainda que sem a presença de público, mas a atual situação de pandemia levou ao adiamento da prova, com a Direção Regional de Saúde do Algarve a revogar um parecer favorável anterior. Segundo esta autoridade, “um evento desta dimensão, além de poder aumentar o número de casos na região, iria ainda ocupar tempo essencial das forças de segurança e outros profissionais”, que são “imprescindíveis atualmente na prevenção da covid-19”, revela o Clube Automóvel do Algarve, que organiza a competição. Face à importância que a prova apresenta na discussão do título de campeão nacional de ralis, a organização propôs uma nova data em dezembro, desde que estejam reunidas as condições sanitárias necessárias, não tendo havido até ao fecho desta edição, uma confirmação sobre a nova data.

Droga escondida em contentores do lixo

Polícia Marítima apreende 132 quilos de droga A Polícia Marítima de Portimão apreendeu 132 quilogramas de estupefacientes na madrugada de dia 6, na sequência de um alerta sobre uma descarga suspeita na zona da Praia da Rocha. O piquete deslocou-se para aquela zona do concelho, tendo-se cruzado com uma viatura de matrícula estrangeira, que viajava em sentido contrário e a alta velocidade. O veículo correspondia ao descrito no alerta, o que levou a que a Polícia Marítima o perseguisse. Os ocupantes da viatura viriam a abandoná-la na sequência de um despiste, segundo relata a Autoridade Marítima Nacional. Os elementos efetuaram ainda uma inspeção na zona e encontraram quatro fardos de droga escondidos dentro de contentores de lixo.


A FECHAR

Quinta-feira • 19 novembro 2020

D.R.

Autarca pede legislação que permita avançar com o processo

Isilda Gomes quer que autarquias possam apoiar empresários A edil quer criar um programa que permita atribuir ajuda direta ao setor empresarial que se debate com uma forte crise. ANA SOFIA VARELA

Jorge Eusébio

A

presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes, quer juntar aos apoios sociais que já existem outros que possam ser entregues diretamente aos empresários do concelho que se encontram em dificuldades. Isso mesmo foi avançado pela autarca, numa recente mensagem em vídeo que fez à população, na qual dizia estar “a trabalhar numa fórmula” que permita ajudar não só as famílias, mas também as empresas que, devido à crise pandémica, correm o risco de fechar e de ter de despedir os seus trabalhadores. Em declarações ao Portimão Jornal, Isilda Gomes diz querer avançar rapidamente com esse processo, mas, lamenta, “o problema é que de todos os contactos que fiz, a vários níveis, recebi a informação de que não há, atualmente, forma legal de o fazer: as câmaras não podem entregar ajudas financeiras diretas às empresas”. Em face disso, “contactei elementos do Governo para lhes pedir que encontrem uma solução legal ou, no caso disso não ser possível dentro do atual quadro, produzirem nova legislação que o permita”.

Alguns espetáculos no Teatro Municipal foram adiados A atual situação pandémica vivida em Portimão já levou ao adiamento de espetáculos que estiveram agendados para esta semana no Teatro Municipal. A humorista Ana Arrebentinha iria subir ao palco esta sexta-feira, dia 20, mas, entretanto, o evento foi adiado para 2021. Também ‘O Jovem Conservador de Direita’ que teria lugar no dia seguinte foi cancelado. O único espetáculo que ainda se mantinha agendado ao início desta semana, ao fecho desta edição, era ‘A Loja dos Brinquedos’, promovido pela Associação Cultural Dancenema. O evento terá lugar no dia 28 de novembro, às 17h00, no Grande Auditório, com duração de 30 minutos. Os bilhetes custam entre 3 euros, para crianças dos 3 aos 12 anos, e 5 euros para adultos.

Lions Clube abre candidatura para Prémio Literário

Segunda fase da pandemia veio criar mais dificuldades ao comércio Na resposta acabou por lhe chegar uma boa notícia, a de que o executivo de António Costa se prepara para suprir essa lacuna e aprovar, numa das próximas reuniões do Conselho de Ministros, a necessária alteração. A autarca espera que “isso seja feito quanto antes e que as regras a definir permitam que os empresários em dificuldades possam candidatar-se rapidamente, com o mínimo possível de burocracia”. Isto porque, “a situação que muitos vivem é grave e como a Câmara tem algumas possibilida-

des de os ajudar a limitar as perdas não faz sentido que o processo se vá arrastando”. As novas regras mais apertadas que resultaram da integração de Portimão na lista dos concelhos com risco elevado de contágio veio complicar ainda mais a situação. No entanto, lembra Isilda Gomes, “não nos podemos esquecer que a quebra de receitas não é de agora, ela já vem ocorrendo desde março, pelo que há que fazer o que for possível para evitar mais encerramentos e despedimentos”.

As candidaturas ao Prémio Literário Lions Clube de Portimão estão abertas até 31 de dezembro. Esta entidade pretende valorizar a produção escrita, sobretudo, junto das camadas mais jovens e divulgar a cultura, incentivando a criatividade, a leitura e a escrita. A intenção do Lions Clube é também proporcionar condições que permitam a reflexão, o debate, a crítica e o convívio com o público, proporcionando a visibilidade do movimento que move esta entidade. Os interessados em participar podem obter mais informações através de email (concursolionsclubedeportimao@gmail.com).

Associação Alvorense 1º Dezembro distribui fruta e legumes A Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1º Dezembro distribui frutas e legumes a pessoas e famílias às terças-feiras. Esta é uma iniciativa que conta com o apoio do Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve e da Junta de Freguesia de Alvor. Isto porque, a ACRA defende que nesta fase sente necessidade de reforçar a sua missão e responsabilidade social. “Todos temos um dever jurídico, ético e moral de cuidar dos outros”, continuando a prestar apoio a quem mais precisa. Os interessados podem obter mais informações acerca desta iniciativa através de telefone (913 125 612). PUB

CENTRO DE JARDINAGEM Garden Center Parchal - Lagoa Construção e Manutenção de Jardins Garden Maintenance & Landscaping

282 094 787 +351 916 846 990 paulo@pgs-gardens.com www.pgs-gardens.com

Profile for Portimão Jornal

Portimão Jornal nº 12 | 19.11.2020  

Advertisement