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Quinta-feira • 22 outubro 2020 • 1.00€

MÁRIO FREITAS

O provedor que levava o povo às assembleias políticas P6-7

Quinzenário • Ano 1 • Nº10 Diretor: Rui Pires Santos

Fórmula 1 faz mexer economia portimonense Impacto da corrida pode chegar aos 130 milhões. Hóteis quase cheios. PUB

Fábrica de Janelas e Portas PVC e ALUMÍNIO Área de Exposição 200m2

Covid-19 obriga a um máximo de 27.500 espetadores num recinto de 95 mil.

GRIPE Saiba as datas e os locais de vacinação em Portimão P15

POLÉMICA Centro Industrial Vale da Arrancada, Lt.49 Coca Maravilhas - Portimão Tel.: 282 475 065 Email: geral@silvestre-e-sousa.pt

Investimento em eventos de promoção provoca ‘guerra’ política P5

P8-9 Prevista animação no Largo da Mó, Alameda, Jardim 1º de Dezembro e Zona Ribeirinha.

Hamilton pode bater recorde de vitórias de Michael Schumacher.

GRATO em risco de fechar valências Instituição Particular de Solidariedade Social está a sentir dificuldades e queixa-se da Segurança Social. Com o aumento de pedidos de auxílio e do número de sem-abrigo, devido à pandemia, teme ficar sem dinheiro. P2-3 PUB


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ATUALIDADE

Pedidos de auxílio têm vindo a subir e há cada vez mais sem-abrigo

E quando quem ajuda também precisa que alguém lhe dê a mão? Instituição Particular de Solidariedade Social não está com a ‘corda no pescoço’, mas prevê que, sem apoios externos, o dinheiro acabe até ao próximo Verão. FOTOS: ANA SOFIA VARELA

NÚMEROS ⇨ 39 funcionários ⇨ 120 sem-abrigo ⇨ 450 famílias apoiadas pela Equipa de Reinserção Social ⇨ 180 cabazes do BA e do FEAC distribuídos ⇨ 50 refeições diárias

Joaquim Magalhães assumiu a presidência da IPSS há dois anos e tem uma visão de futuro que espera ainda concretizar

Ana Sofia Varela

C

omo a maioria das associações de ajuda aos mais carenciados, também o Grupo de Apoio aos Toxicodependentes (GRATO), sediado junto à zona ribeirinha de Portimão, na Rua das Comunicações, sente na pele mais dificuldades e vive com os cêntimos contados. A pandemia da covid-19 criou mais obstáculos, mas o grande problema tem sido algo mais burocrático. É que, segundo conta Joaquim Magalhães, presidente da Direção do GRATO, a Segurança Social não atualiza as carreiras há vários anos, ainda que a associação o faça sempre que há uma alteração na situação dos funcionários. São 39 trabalhadores que têm os salários em dia, mas o responsável teme que o dinheiro não chegue até ao Verão. “Este ano, as despesas aumentaram e nós não temos receitas. Só o que nos paga a Segurança Social, e mesmo assim, desde 2009, que não atualiza estes valores. Ou seja, sempre que um funcionário do GRATO sobe na carreira ou sempre que, por força da lei, é

atualizado o salário, nós aumentamo-lo. Só que é um valor que sai do nosso bolso, porque não recebemos essa diferença da Segurança Social há 11 anos”, explica Joaquim Magalhães ao Portimão Jornal. Esta situação leva a que a IPSS

de Natal, o passeio de barco ou as sardinhadas que, este ano, o GRATO se viu impedido de promover devido à covid-19. Por enquanto, “está tudo controlado, mas se a situação atual se mantiver receio que até ao Verão acabe o dinheiro e nós temos 39

O Grato alargou serviços. Apoia estas minorias e dá a mão na hora da reintegração social, mas chega a muito mais utentes. São ajudados sem-abrigo, pessoas com carências económicas e beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) tente encontrar forma de arrecadar ‘rendimentos extra’ e a fazer uma enorme ‘ginástica’ para fazer face a todas as despesas. Um dos exemplos são os eventos de angariação de fundos, como o Jantar

funcionários a cargo”, lamenta. O futuro a longo prazo não se adivinha risonho, a não ser que consiga apoios de mecenas da sociedade civil ou de entidades. “O GRATO está aflito, mas

não vai falir amanhã. Temos os funcionários em dia e sabemos que o dinheiro da Segurança Social chega todos os meses, embora não seja o suficiente. É da verba para a manutenção que estamos a retirar para pagar esse complemento aos trabalhadores. Estamos a ‘espremer as continhas’ todas e não gastamos um cêntimo sem ter a certeza de que é estritamente necessário, pois somos muito rigorosos”, mas há muitas despesas. A Direção sabe que há sempre algum prejuízo quando apresenta as contas no final do ano, mas consegue esbatê-lo com esses eventos de angariação de dinheiro, daí as maiores dificuldades em 2020. Chegou a estar organizado em março um grande concerto solidário para o GRATO e para os Bombeiros Voluntários de Portimão com nomes como Wanda Stuart, Viviane, Wesley Seme, Afonso Dias, Grafonola Voadora, Nelson Conceição e a Banda Alhada, que foi cancelado. Daria cerca de 20 a 30 mil euros de receita a ambas as instituições. A mesma covid-19 que impede a angariação dessas receitas

leva também a gastos extra, ainda que nalguns casos haja apoios, como nas máscaras e gel desinfetante pagos pela Segurança Social. A Câmara Municipal atribuiu uma verba que dará para as embalagens das refeições distribuídas. “Antes, os utentes traziam 'tupperware' e nós enchíamos, mas agora tem de ser descartável. Gastamos dez mil embalagens em menos de dois meses”, contabiliza o presidente da Direção. Por outro lado, essas refeições são as que sobram das escolas do concelho, dos restaurantes locais, como ‘A Cozinha’ ou o ‘Icon do Algarve’, das pastelarias e que depois são doadas. Durante o confinamento foi mais complicado, porque as escolas estiveram fechadas e não houve sobras desses estabelecimentos. A pandemia está a colocar a nu as muitas fragilidades da sociedade e há cada vez mais pedidos às diversas instituições do concelho. Uma realidade que existe em todo o país e que demorará a passar. Há mais pobreza… Quando foi criado, o GRATO tinha como índole prestar apoio aos que tinham dependências de drogas ou álcool, mas esses são tempos que já lá vão, esclarece Joaquim Magalhães. “Isto já não é a ‘barraquinha dos coitadinhos’ ali ao pé do Rio Arade. É uma instituição séria, dinâmica e com visão de futuro”, recorda. O GRATO alargou serviços.


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ATUALIDADE BREVES Fundação em 1995 O GRATO foi inaugurado a 26 de abril de 1995 com o objetivo de prestar serviços à comunidade toxicodependente. Ao longo do tempo, tem vindo a criar novas e diferentes valências relacionadas com a exclusão social dos mais carenciados, como os sem-abrigo e famílias com menores rendimentos.

Rede Social articulada Se antes cada associação portimonense trabalhava de forma independente, desde que a Câmara Municipal de Portimão criou a Rede Social começou a existir interajuda e articulação entre entidades, o que leva a que o auxílio chegue a quem necessita mesmo e a que sejam evitados os apoios em duplicado.

Auxílio em diversas frentes GRATO está sediado na zona ribeirinha, na Rua das Comunicações Apoia estas minorias e dá a mão na hora da reintegração social, mas chega a muito mais utentes. São ajudados sem-abrigo, pessoas com carências económicas e beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI). E, nos tempos que correm, a verdade é que não são necessários muitos entraves na vida de alguém para ‘ir parar à rua’. Perder um emprego, uma casa, uma família é meio caminho para passar a depender da caridade de outros. No dia a dia do GRATO, há uma Equipa de Intervenção Direta na rua e uma de Reinserção Social que ajuda 450 famílias. A estas juntam-se a distribuição dos 180 cabazes do Banco Alimentar e do Fundo Europeu de Apoio a Carenciados (FEAC). Só as refeições são entre 50 a 60 por dia, quer pequenos-almoços, quer almoços. A articulação na rede social da Câmara Municipal levou a uma divisão de ‘tarefas’, havendo outras instituições como o Maps, a Associação Rio ou a Cruz Vermelha que garantem os jantares a estas pessoas, ainda que tenham valências e serviços direcionados a outros fins. …sobretudo a ‘envergonhada’ “Muitas pessoas deixaram de ter a possibilidade de se alimentar de forma adequada e vêm cá pedir comida às escondidas, porque

têm vergonha. Vêm fora das horas de distribuição para ter algum recato”, confidencia ao Portimão Jornal o responsável pela IPSS. Os números relacionados com os sem-abrigo também têm vindo a disparar. São cerca de 120 os que estão sinalizados pela associação. “Há muitos mais do que no ano passado, sobretudo estrangeiros”, atesta ainda. As refeições são atribuídas por prioridade de necessidade, mas houve uma altura, este ano, em que o GRATO quase não tinha comida para alimentar tantas ‘bocas’. Joaquim Magalhães acredita que a situação ainda haverá de piorar. “Já está a acontecer. Nos primeiros tempos as pessoas ainda estavam na dúvida se teriam trabalho ou não”, mas agora a taxa de desemprego subirá com a época baixa do turismo. A alimentação é essencial, mas também o é a higiene e, com a pandemia, os balneários do GRATO ficaram fechados, pois ninguém pode entrar na instituição. A distribuição de comida e outros bens é feita à porta. “Entretanto, começaram a ir ao balneário camarário, mas houve uma altura em que a autarquia disse que não tinha um funcionário para lá ficar. Então, propus que um dia ou dois por semana, o GRATO assegurasse o funcionamento e, nos outros

dias, seriam outras associações. Distribuímos lá ou levam daqui os ‘kits’ de higiene, com champô, giletes e outros bens e tomam lá banho. Vamos começar a dar apoio na roupa de novo, porque temos muito vestuário para dar, mas tivemos de parar por causa das contaminações da covid. Já temos máquina de lavar e secar para tratar da roupa e começar a distribui-la. Há pessoas que vão lá acima tomar banho e vestem a mesma roupa. Não faz sentido, nem deve ser assim”, lamenta Joaquim Magalhães. Também para muitos sem-abrigo a morada oficial, onde vão buscar o correio e o RSI, é na sede do Grupo de Apoio aos Toxicodependentes. Além destes apoios, há o apartamento de Reinserção Social com cinco vagas para utentes das comunidades terapêuticas ou das prisões, com vista a reinseri-los na sociedade. Há ainda a Casa de Acolhimento Temporário para as mulheres sem-abrigo, que as retira das ruas e tenta ajudá-las a voltar ao trabalho. “Temos tido bastante sucesso, mas também estamos com dificuldades, pois a Segurança Social diz que a casa não tem as medidas regulamentares exigidas. É verdade que os quartos são pequenos, mas são bons, com ar condicionado e casa de banho e elas estão melhor ali do que na rua. A renda é cara

O Grupo de Apoio aos Toxicodependentes (GRATO) é uma das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que presta apoio a estas minorias da sociedade com mais valências em Portimão. Contabilizando todos os serviços, tem uma Equipa de Intervenção Direta, um apartamento de reinserção social, uma Casa de Abrigo Temporário para mulheres, uma Equipa de Protocolo de Rendimento Social de Inserção (RSI) e a Creche ‘Jardim do Sol’. Além da distribuição de alimentos e roupa, de acautelar a higiene aos utentes com o uso dos balneários camarários, apoia na renovação de documentos ou na ida a uma consulta médica. Desde a semana passada, integra também os Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS).

Órgãos Sociais A direção da IPSS é presidida por Joaquim Magalhães, tendo como vice-presidente a antiga deputada do PSD Antonieta Guerreiro. O tesoureiro é Armando Alves, o secretário é José Rangel e a vogal é Francisco Águas. A Assembleia Geral é liderada por Fernando Gião e o Órgão de Fiscalização é presidido por Maria Analídia Perdigão.

e o apoio que temos é uma verba da Junta de Freguesia de Portimão de cinco mil euros”, conta. A renda anual fica no dobro desse valor e não é fácil que um senhorio alugue um imóvel para este fim a um valor mais baixo. São visitadas todos dias por uma técnica que verifica se está tudo limpo e em ordem. Ampliação da creche ‘Jardim do Sol’ O GRATO passou a integrar, desde a semana passada, o programa dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS), que está vocacionado para a integração no mercado de trabalho, no meio familiar e a nível escolar. Pretende formar quem deixou os estudos, motivar a procura ativa de trabalho e apoiar na criação

de um currículo. O espaço e as valências são pagos com fundos comunitários e há ainda uma colaboração estreita com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). O desafio para o futuro passará também pela ampliação da creche ‘Jardim do Sol’, na Cruz da Parteira, que já tem projeto e será submetida a um novo programa de apoio à construção, semelhante ao PARES, assim que foi publicado em Diário da República. “Queria fazer mais duas salas, pois há necessidade de espaços para crianças entre os 3 e os 5 anos. Para já, o espaço atual tem capacidade para 40 crianças, das quais 33 são apoiadas pelas Segurança Social. É uma muito boa, foi construída de raiz e é muito conceituada”, destaca. PUB


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Portimão Jornal • 22 OUT 2020 • Nº10

SOCIEDADE Espaço com equipamentos topo de gama estará pronto em março de 2022

2,4 milhões mudam Escola de Hotelaria para antiga prisão O imóvel está devoluto há vários anos sem nunca ter tido o aproveitamento adequado. A obra ficará a cargo da ESTAMO e dará todas as condições necessárias para formar os profissionais de turismo. FOTOS: ANA SOFIA VARELA

Rita Marques admitiu preocupação com atuais condições da escola Ana Sofia Varela

A

Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão ganhará uma nova casa a partir de março de 2022, quando a obra de requalificação do antigo estabelecimento prisional, na Rua Professor Doutor Montalvão Marques, estiver concluída. Custará 2,4 milhões de euros e criará todas as condições de aprendizagem aos alunos que queiram enveredar por uma carreira ligada ao turismo. A assinatura do protocolo que permitirá esta intenção foi concretizada no dia 7 de outubro por Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, e por Alexandre Jaime Boa-Nova, presidente executivo da ESTAMO, no Teatro Municipal de Portimão. A sessão mereceu a deslocação de Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, que revelou o que sentiu quando visitou a atual Escola de Hotelaria e Turismo, na Pedra Mourinha. “Devo confessar que, quando

assumi funções, uma das minhas primeiras iniciativas foi conhecer ‘in loco’ as escolas. Foram momentos felizes, mas não deixo de partilhar que quando visitei a de Portimão fiquei preocupada. As

condições não eram seguramente as melhores e os alunos merecem muito mais. É, portanto, com especial felicidade que volvidos alguns meses estamos a celebrar este momento”, admitiu. Uma cerimónia dedicada aos alunos que querem materializar os seus sonhos e a todos os que entram e saem todos os anos, bem como aos docentes e diretores dos estabelecimentos tutelados pelo Turismo de Portugal. “Este é um dia feliz, para todos aqueles que passaram pela escola e para todos os que se vão formar na escola. Este ano tivemos números extraordinários no país com 3150 novos alunos que se juntarão a nós, à família do turismo, composta por 400 mil profissionais”, quantificou Rita Marques. Apesar dos tempos marcados pela difícil situação difícil, a secretária de Estado defende que ninguém deve perder a esperança no futuro, sendo necessário investir nele. Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, vai ainda mais longe no que toca às mais valias desta obra. “O edifício da antiga cadeia, localizado numa zona nobre de Portimão, era uma espécie de nódoa, mas agora, convertido em Escola de Hotelaria, será motivo de orgulho. Era um desperdício,

tendo em conta a funcionalidade que poderia vir a ter. Foi encontrada esta forma de rentabilizá-lo e esta decisão” é a mais acertada, defendeu a autarca. Ainda mais quando a Escola de Hotelaria e Turismo, mesmo com as suas limitações a nível de espaço físico, tem desenvolvido muito trabalho de qualidade. “Os nossos profissionais são reconhecidos em todo o Algarve e no país, por isso é um orgulho ter uma escola com esta capacidade de formação e de preparação de homens e mulheres para a sua atividade profissional”, sublinhou Isilda Gomes. O Algarve tem, na opinião da autarca, de continuar a distinguir-se por vários fatores para ser competitivo, entre eles o profissionalismo do setor.

Segundo ainda Pedro Moreira, diretor da Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão, entre março e junho, deste ano, formaram-se 3264 alunos, dos quais 143 são de formação inicial. O estabelecimento escolar consegue chegar a muitas mais pessoas com as sessões de curta duração. “Promovemos a certificação para o selo ‘Clean and Safe’ e tudo o que é Better Education for Turismo”, acrescentou o diretor. A nova infraestrutura, a nível do número de alunos, que estarão nas instalações a frequentar aulas presenciais, deverá manter-se. A principal diferença é que terão todas as condições e equipamento topo de gama, pois o atual é um edifício já bastante antigo e degradado. PUB

www.abracadabra.pt

282 070 772 Avenida São João de Deus, lote1, loja 1 - Portimão Junto ao Mercado Municipal de Portimão ESTAMO e Turismo de Portugal assinaram protocolo


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POLÍTICA

PSD contesta verba para promoção de Fórmula 1, MotoGP e Natal

Uma polémica de 450 mil euros Social-democratas consideram que a verba devia ser utilizada no apoio ao comércio local. Isilda Gomes destaca a importância dos eventos para a economia local e diz que o valor referido pelo partido ‘laranja’ está errado. D.R.

ba deveria ser utilizada na implementação de um Plano Anual de Recuperação do Comércio Local, um mecanismo de que este setor “bem precisará face à repercussão que todos iremos viver – e ultrapassar juntos – em função da pandemia que assolou todo o planeta”. 

Eventos de promoção à Fórmula 1 e MotoGP provocam 'guerra' política

Jorge Eusébio

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PSD de Portimão contesta a disponibilização, por parte da Câmara, de uma verba – que diz ser de 450 mil euros (com IVA incluído) - para ajudar a promover e dinamizar os dois grandes prémios que vão decorrer no Autódromo (Fórmula 1 e MotoGP) e o Natal. Este partido garante, numa ‘carta aberta aos portimonenses’, ser “profundamente favorável à

realização de grandes eventos”, o que levou os seus eleitos a votarem favoravelmente a atribuição de uma verba de 200 mil euros para garantir a vinda destas competições. No entanto, não concorda com o investimento dos referidos 450 mil euros para promoção, uma vez que as atividades que financia promovem indiretamente ajuntamentos sociais numa altura em que a pandemia da covid-19 continua a fustigar o país.

O PSD acrescenta que se devia ter tido “a coragem de dar-se o passo atrás numa decisão destas, pois não precisamos nem devemos perder a noção de responsabilidade em torno da Saúde Pública e do perigo do vírus, estejamos no Largo da Mó, na Alameda, no Jardim 1º de Dezembro ou na zona ribeirinha onde a Câmara Municipal entendeu montar  experiências diversificadas de animação”. O PSD defende que esta ver-

Coordenadora do BE esteve no CHUA

Catarina Martins ouviu preocupações dos profissionais A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda Catarina Martins deslocou-se à unidade de Portimão do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), na segunda-feira, 19 de outubro. Durante a visita à instituição foi acompanhada por João Vasconcelos, deputado algarvio, tendo ainda reunido com o Conselho de Administração para se colocar a par da situação e das dificuldades com que se debate o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no Algarve, quer no que toca à covid-19, quer nas especialidades, quer nas respostas noutras áreas. A responsável bloquista, no final da visita, afirmou que lhe foram transmitidas as preocupações com as diferenças remu-

neratórias das horas extraordinárias pagas aos médicos do SNS em relação aos prestadores de serviços externos. Para o Bloco de Esquerda é necessário investir mais no Ser-

ANA SOFIA VARELA

viço Nacional de Saúde, colocar mais profissionais, criar a carreira de técnico auxiliar de saúde e dignificar as condições de trabalho, melhorando a prestação de cuidados a quem precisa.

Isilda responde Na resposta, a presidente da Câmara, Isilda Gomes, diz que para garantir a realização da prova de Fórmula 1 “houve um investimento de 500 mil euros da parte das câmaras algarvias, tendo, realmente, a nossa parte sido de 200 mil”. Para além disso, foi decidido investir 350 mil euros na promoção não só das provas a realizar no Autódromo como nos eventos de Natal. A autarca lembra que “não fizemos eventos durante o Verão e sempre disse que concentraria as verbas que normalmente aí se

investiria nestas iniciativas”. Por outro lado, considera que os eventos de animação que decorrem na cidade são, de alguma forma, uma maneira de ‘levar’ a experiência da Fórmula 1 e da MotoGP “aos nossos cidadãos que não podem ir assistir às provas”. Quanto às questões de segurança sanitária garante que “em todos eles há o cumprimento das regras determinadas pela Direção-Geral da Saúde”. A autarca justifica o investimento efetuado essencialmente pelo impacto económico que estas provas têm. Numa altura em que o setor turístico está a ser tão afetado, “funcionam como um autêntico balão de oxigénio para um setor fundamental para a economia regional e local”. Quanto aos apoios ao comércio local, refere que “temos dado todos os que legalmente podemos e vamos continuar a fazê-lo”. PUB


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Portimão Jornal • 22 OUT 2020 • Nº10

PESSOAS Apaixonou-se por Alvor, depois de viver e trabalhar em Moçambique e Angola

O provedor que conseguia levar o povo às assembleias políticas Gerir lares de idosos é, por esta altura, uma missão muito complicada, pois “há a preocupação constante de que alguém contraia o vírus”, diz o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alvor, Mário de Freitas. JORGE EUSÉBIO

Jorge Eusébio

A

pandemia fez com que a instituição que Mário de Freitas lidera tivesse de alterar o seu modo de funcionamento para cumprir as regras da Direção-Geral da Saúde e, assim, diminuir o risco do aparecimento e disseminação do vírus. Uma das estratégias seguidas pela Misericórdia de Alvor foi “organizar os nossos recursos humanos no sistema de espelho”. Isso significa que, ao longo de cada semana, há três equipas a trabalhar por turnos e igual número de funcionários em casa. O objetivo é que, na eventualidade de surgir um foco de infeção entre o pessoal, ele fique circunscrito a quem está num determinado turno. Os elementos que o compõem serão colocados em quarentena e substituídos pelos de outra equipa. A mesa administrativa a que preside achou, também, que havia a necessidade de encerrar os centros de dia e de convívio. Dolorosa foi, igualmente, a opção de suspender a visita dos familiares dos idosos, pois “o nosso espaço não tem condições para que sejam feitas em condições de segurança”. Para tentar que a separação não doesse tanto, “colocámos no exterior uma rede separadora, possibilitando a que, a alguma distância, os familiares possam continuar a falar com os utentes, sem entrar nas instalações”. O provedor diz que as restrições causadas pela pandemia “têm afetado praticamente toda a gente, mas em especial, os mais idosos”. Por parte dos funcionários da instituição e de si próprio, “tudo fazemos para minorar a solidão que sentem, mas não é uma tarefa fácil”. Maior empregadora da freguesia O lar conta com 28 utentes, o centro de dia de Alvor era frequentado por 16 e o dos Montes de Alvor por 21. Outra valência da Misericórdia é uma creche que tem, nesta altura, 80 crian-

O provedor da Misericórdia de Alvor diz que uma das preocupações essenciais da sua equipa é procurar atenuar a solidão dos utentes do Lar ças – passarão a ser 84 muito em breve - e onde foram também tomadas as necessárias medidas de prevenção. Do património da instituição fazem ainda parte uma Igreja e um Museu Etnográfico. Para além da sua relevante missão de apoio social, a Misericórdia também tem uma função económica muito importante, uma vez que “é a maior empregadora de Alvor, com cerca de meia centena de trabalhadores”. O cargo, que exerce desde 2017, “de forma inteiramente gratuita, porque o que me move é apenas o sentido de missão”, tem-se revelado “uma extraordinária experiência humana, muito enriquecedora, naturalmente que com momentos alegres e tristes”. Ainda assim, não pretende recandidatar-se após o final do atual mandato, que termina em janeiro do próximo ano. Desde logo porque, como leva a sua tarefa muito a sério, o seu dia a dia é quase por completo vivido na instituição, sobrando-lhe pouco tempo para a família e o

lazer. Também considera que “as pessoas não devem eternizar-se nestes cargos” e que, “juntamente com a equipa que me acompanha, cumpri os objetivos assumidos”. Nesta altura, garante com orgulho, “a Misericórdia está devidamente organizada e não deve nada a ninguém”. O provedor faz, também, questão de destacar “o extraordinário trabalho” desenvolvido pelo Secretariado Regional da União das Misericórdia Portuguesas que, sob a liderança de Armindo Vicente, “muito tem feito para que estas instituições tenham conseguido responder de forma extremamente positiva à dura realidade com que nos deparamos”. De Moçambique para Alvor Mário de Freitas assume-se um apaixonado por Alvor, terra onde se instalou há 35 anos. No entanto, as suas raízes situam-se a muitos milhares de quilómetros, em Maputo (que na altura se chamava Lourenço Marques), onde

nasceu em 1944 e de onde acabou por sair em 1978. Quando se deu a Revolução do 25 de Abril era diretor administrativo de uma grande empresa que aí tinha plantações e unidades de processamento de amêndoa de caju. No período que se seguiu, o negócio passou a ser dirigido por uma comissão ligada ao novo poder político que, supostamente, tinha por missão dinamizá-la. Mário de Freitas transitou da anterior administração, mas cedo se apercebeu que aquela gestão não ia dar bons resultados. Ainda assim, “mantive-me por lá durante mais dois anos, a ver se as coisas mudavam”. Apesar do período conturbado que se vivia, apenas se lembra de ter tido um problema complicado, “por excesso de zelo das autoridades”. Um dia estacionou numa rua por onde ia passar a comitiva do então presidente Samora Machel. Os polícias que organizavam a deslocação entenderam que estava num local proibido e não

foram de meias medidas: detiveram-no. Só ao fim de “de cerca de oito horas acabei por ser libertado com um pedido de desculpas”. Como era habitual deslocar-se a Portugal duas vezes por ano, um dia, meteu-se no avião, com a promessa de regressar daí a uma semana e, ironiza, “ainda hoje devem estar à minha espera”. Consigo trouxe apenas os poucos bens que cabiam na mala, deixando para trás todo o património que tinha conseguido adquirir ao longo da sua vida. Tal como a generalidade das pessoas que viveram no continente africano durante muitos anos, os primeiros tempos em Portugal não foram fáceis. Sentiu dificuldades em adaptar-se ao clima e ao tipo de vida que encontrou. Lembra que “lá não vivíamos só para o trabalho, tínhamos muito tempo livre e podíamos dedicar-nos às atividades de que gostávamos”. Para além disso, “a convivência era muito diferente, era como se pertencêssemos todos à mesma família”


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PESSOAS Continuou ligado ao mesmo grupo empresarial, que possuía um escritório em Lisboa e queria enviá-lo para Angola. Durante cerca de um ano foi resistindo aos convites, mas lá acabou por ceder, “até por uma questão de gratidão,

Aí, juntamente com um sócio, abriu um gabinete de contabilidade. Mais tarde acabaria por vender a sua quota e foi trabalhar para Faro, durante cerca de três anos, onde criou empresas de informática e imobiliário.

O cargo, que exerce “de forma inteiramente gratuita, porque o que me move é apenas o sentido de missão”, tem-se revelado “uma extraordinária experiência humana” pois a empresa, ao longo desse período, tinha estado a pagar-me sem que estivesse a trabalhar”. De forma que voltou para África e manteve-se em Angola entre 1978 e 1983, como chefe de controlo financeiro da empresa que “atuava numa área geográfica maior do que Portugal”. Nova experiência em África De regresso ao país, acabou por fixar-se no concelho de Portimão.

Antes da Misericórdia de Alvor, um dos seus grandes desafios foi liderar a Associação de Dadores de Sangue do Barlavento do Algarve. A ideia base que garantiu o sucesso da missão a que a sua equipa se propôs era a seguinte: “se no Verão quase todos os portugueses estão no Algarve, então é necessário ir até eles para darem sangue”. Daí nasceram as colheitas nas praias e na FATACIL, que “se tornaram célebres”. Graças

ao esforço desenvolvido, “conseguimos que o Algarve se tornasse auto-suficiente em termos de sangue, e que, inclusivamente, o fornecesse aos hospitais do Alentejo e de Lisboa”. No que diz respeito à sua vertente associativa, Mário de Freitas destaca também a intervenção que tem tido nos Bombeiros Voluntários de Portimão, primeiro na Mesa da Assembleia e, desde 2013, na direção e garante sentir “muito orgulho por estar ligado a um dos melhores e mais eficientes quartéis do país”. Mobilizar o povo para ir às assembleias de freguesia A política local foi outra área que Mário de Freitas experimentou. Em representação do PSD foi eleito para as assembleias de freguesia, primeiro, de Portimão e, depois, de Alvor. Aí conseguiu a proeza de, em muitas sessões, ter casa cheia, graças à forma como mobilizava a população. Não era um objetivo fácil de atingir pois “já nessa altura muito pouca gente acreditava na política”. Para além disso fazia parte da oposição num concelho em que o PS era, desde sempre, o partido dominador.

Mário de Freitas verificou que nas periferias de Alvor havia muito por fazer. Lembra-se que “algumas vias de comunicação eram autênticos caminhos de cabras e quando chovia havia muitas pessoas que praticamente ficavam presas nas suas habitações pois os terrenos à volta inundavam”. Zonas situadas a poucos quilómetros do centro não tinham eletricidade, o sistema de recolha de lixo era deficiente, havia ruas sem nome e casas sem número de polícia, o que fazia com que os seus habitantes tivessem de percorrer longas distâncias só para ir buscar o correio. Na sua qualidade de membro da Assembleia de Freguesia resolveu ‘agarrar’ nesses temas e tentar fazer com que quem mandava os resolvesse. É claro que, na maior parte das vezes, aquilo que alguém da oposição diz acaba por, na prática, ser irrelevante, teria muito mais força se a sala estivesse cheia de gente. Daí que cerca de uma semana antes de cada assembleia “ia, de porta a porta, dizer às pessoas que levaria à sessão seguinte um determinado assunto do seu in-

teresse e convidá-las a participar na assembleia, no período de intervenção dos cidadãos”. E assim aconteceu muitas vezes, para visível embaraço da bancada socialista. Só que, entretanto, o seu relacionamento com o PSD foi-se degradando, por considerar que não estava a ter o apoio que se justificava da parte do partido. Ao saber disso, o PS convidou-o para fazer parte, como independente, das suas listas, o que acabou por acontecer, tendo, no mandato 2009/13, sido presidente da Assembleia de Freguesia, em representação daquele partido. Mais tarde, esteve a um passo de ir parar à Câmara, uma vez que estava colocado em 4º lugar da lista de Isilda Gomes, mas acabou por não ser eleito. Da sua passagem pela política diz guardar, sobretudo, boas recordações dos problemas que ajudou a resolver enquanto esteve na Assembleia de Freguesia de Alvor, pois “quem passa hoje nas zonas das Alagoas, Montes de Alvor, Dourada e outras zonas da freguesia depara-se com um panorama muito diferente, para melhor, do que existia nessa altura” PUB


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CENTRAIS

Concelho “está um brinco” para receber, no domingo, o Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1

Isilda Gomes e Paulo Pinheiro querem todos a vestir a camisola  Presidente da Câmara e administrador do Autódromo sensibilizam as pessoas no sentido de, agora, ser ainda mais importante respeitar as normas de segurança, para que a corrida seja um sucesso. Curva Portimão Curva Samsung

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Bancada Portimão 2

Curva Lagos

Bancada Lagos

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Curva Sagres

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4 VELOCIDADE MÁXIMA

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Bancada Oeste

6.B

Hélio Nascimento

O

espetáculo vai começar! Quando a bandeira baixar, no próximo domingo, pelas 13h10, os 20 carros que darão início ao Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1 terão 66 voltas a percorrer. E mesmo com os lugares a preencher no Autódromo Internacional do Algarve ainda por definir, uma coisa

Bancada Principal Inferior

Bancada Solverde

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Curva Galp

1 Bancada Sul

Bancada Principal Superior

agrado de todos os especialistas neste desporto, sejam eles pilotos, adeptos ou analistas. O número crescente de casos de covid-19 levou a Direção Geral da Saúde a fazer alguns alertas, apontando desde logo para a redução de espetadores no Autódromo, o que os responsáveis acataram de imediato. Nada disso interferiu na incrível azáfama dos últimos dias, já que, como salien-

tou Isilda Gomes, “queremos que tudo esteja um ‘brinco’, porque os olhos do mundo vão estar aqui”. A presidente da Câmara Munici-

Número de voltas: 66 Perímetro: 4,653 km Total da corrida: 306,826 km HORÁRIO Dia 23 | sexta-feira 11h00-12h30 Treino livre 1 15h00-16h30 Treino livre 1 Dia 24 | sábado 14h00-15h00 Qualificações

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“Pelas últimas informações de que disponho, num raio de 50 quilómetros em torno de Portimão, todas as unidades hoteleiras estão praticamente esgotadas” Isilda Gomes é certa: a televisão vai mostrar a muitos e muitos milhões de pessoas o que o circuito portimonense tem de tão especial e que é do

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Curva Torre VIP

1 Curva 1

ZONA DE INÍCIO DRS

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7 Bancada Norte

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Peão

Bancada Portimão Curva 10 Craig Jones

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INFOGRAFIA: O JOGO

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pal aproveitou a conversa com o Portimão Jornal para reiterar um imenso ”orgulho, porque vamos ter as duas maiores provas do desporto motorizado num autódromo elogiado por todos os pilotos e equipas que já o experimentam”, e, ao mesmo tempo, muita “responsabilidade, pelo facto de serem as primeiras provas com público e pelo rigoroso plano de prevenção da covid-19 que fazemos questão de aplicar”.  Isilda Gomes abordou também o impacto da realização de um grande prémio de Fórmula 1 em Portugal. “Pode chegar aos 130 milhões de euros, entre ganhos diretos e indiretos, e de uma coisa tenho a certeza - a injeção de capital nesta altura do ano será uma preciosa lufada de ar fresco para as nossas empresas. Mas para isso é fundamental que toda a gente vista a camisola,  usando máscara e respeitando o distanciamento, para que tudo corra bem e esta grande aposta desportiva seja um sucesso, a repetir nos próximos anos”.  Paulo Pinheiro, administrador do Autódromo, falou igualmente ao nosso jornal, corroborando as palavras da autarca. “É fundamental que as pessoas se saibam

Dia 25 | domingo 13h10-15h10 GP Portugal de F1 comportar e que tenham respeito pelas diretrizes e normas. Façam o que tenham a fazer, mas sempre em segurança, sem colocar em causa o esforço e o trabalho dos outros, que andam há largo tempo a estudar os melhores procedimentos, e, claro, privilegiando sempre a saúde. Todos desejamos que a corrida seja um orgulho e há muito a respeitar”, sustenta o ‘pai’ do evento. “Tem havido muito trabalho na prevenção, e, embora mais afastado do nosso raio de ação, aproveito todas as oportuni-

dades para sensibilizar as pessoas, apesar do forte contingente policial que vai estar no Autódromo”, estimado em cerca de mil agentes, incluindo seguranças.     Um fim de semana inesquecível  Inicialmente estimado em 40 mil pessoas, o número de espetadores será, já se sabe, inferior, em virtude dos dados mais recentes da pandemia, como Paulo Pinheiro reconhece. “Não há hipóteses de outro enquadramento e estamos a colocar a fasquia abaixo dos 30 por cento da lotação do Autódromo”, tudo apontando para que estejam 27.500 pessoas nas bancadas. “Tudo isto vai obrigar a uma maior rigidez nos procedimentos, nos acessos, nos torniquetes”, prossegue o CEO do Autódromo, lembrando que um evento destes é bom para Portimão, para a região algarvia, para os algarvios e para todo o país.  “É bom para a restauração, para os hotéis, para os táxis, para as lojas, para os alugueres. Depois das privações de março e abril e das dificuldades que muitas empresas e empresários ainda sentem, é agora possível começar a dar a volta à situação. Mas, repito: em primeiro lugar está a segurança! Que as

Duas semanas em limpezas e restaurantes preenchidos O Autódromo está situado na freguesia da Mexilhoeira, que, como é habitual quando o movimento no circuito – seja até de simples testes – aumenta, sente a adrenalina da ocasião. Agora, tratando-se da prova rainha do desporto motorizado, a azáfama faz-se sentir há já alguns dias, como dá conta José Vitorino, o presidente da Junta. “Andámos atarefados com todo o processo de limpeza, na zona envolvente, sobretudo a nível das valetas e dos sumidouros, por onde a água escorre. Durante duas semanas, quatro pessoas limparam tudo à volta do Autódromo”.  Em contínuo estado de alerta, no bom sentido do termo, a Mexilhoeira esgotou já as dormidas, em termos de turismo rural, e os restaurantes continuam a receber pedidos e reservas. “Estou convencido de que a restauração vai estar sempre preenchida. Sei que alguns locais foram já contactados e outros, que só funcionam por marcação, estão na mesma linha”, sublinha José Vitorino. De facto, restaurantes como O Tasco, A Oficina, Fonte da Pedra, Vila Lisa e Solar do Farelo vão ter todo o tipo de clientes às suas mesas. 


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CENTRAIS “É bom para a restauração, para os hotéis, para os táxis, para as lojas, para os alugueres. Depois das privações de março e abril, é agora possível começar a dar a volta à situação” Paulo Pinheiro pessoas sejam rigorosas e que os visitantes saiam daqui a dizer que foi um fim de semana inesquecível e o melhor da vida deles”. Em relação a este particular, Isilda Gomes revela que  “pelas

últimas informações de que disponho, num raio de 50 quilómetros em torno de Portimão, todas as unidades hoteleiras estão praticamente esgotadas”. O concelho, a bem dizer, veste de gala. “Espaços

verdes alindados, comércio e restauração devidamente preparados para bem receber os nossos visitantes, ou seja, Portimão vai embelezar-se ainda mais para receber quem chega, fazendo questão de mostrar a sua identidade, do património à cultura, sem esquecer a nossa saborosa gastronomia. Para isso, contamos com o empenho e dedicação de todos, sobretudo do tecido empresarial, para surpreendermos quem nos visita com a nossa tradicional hospitalidade, profissionalismo e simpatia”, destaca a presidente da Câmara.    Ambiente festivo sem paralelo  Para lá do que se vai passar e ‘aquecer’ o Autódromo, não faltará outro tipo de animação à cidade, denominado ‘Portimão Motor Sports’, que, aliás, já está em marcha, como conta Isilda Gomes. “Mais do que um con-

junto de eventos de animação, pretende ser um conceito e uma marca que afirma Portimão como a cidade do Autódromo e como uma terra de braços abertos para receber os grandes fãs dos desportos motorizados. Uma cidade que faz questão de mostrar a sua identidade: património, cultura e gastronomia”.   Assim, para além das corridas, há muitas outras emoções a viver na cidade, como as várias ações de animação e decoração da cidade, em que os espectadores são convidados a conciliar a assistência às competições com uma visita à cidade, em locais estratégicos, como o Largo da Mó, Alameda, Jardim 1º de Dezembro e Zona Ribeirinha de Portimão. “Nestes locais, os adeptos irão encontrar experiências diversas e imensa animação no âmbito dos desportos motorizados, ao mesmo tem-

po que grandes écrans vão estar instalados, sendo possível ver os treinos e as competições. E, como complemento a este programa, vamos distribuir uma bandeira de xadrez pelos diversos estabelecimentos de Portimão, para que possamos recriar, na medida do possível e com as precauções devidas, um ambiente festivo tão característico destes eventos desportivos globais”, frisa a autarca. Do Autódromo a Portimão, em suma, é isso que se espera: um ambiente festivo que encha de orgulho os portugueses. “Falo regularmente com os responsáveis da FIA e tenho testemunhado o apreço que têm pelo traçado, pelas infraestruturas e pelo cuidado que colocamos em campo, bem como pelo apoio da cidade. É um circuito de que todos gostam e isso deixa-nos deveras orgulhosos”, finaliza Paulo Pinheiro.

Tiago Monteiro foi o único português a ir ao pódio na Fórmula 1

Zonas cegas e curvas rápidas garantem “corrida divertida”  FOTOS: D.R.

Tiago Monteiro, o português com melhor palmarés na Fórmula 1, considera que a corrida do próximo dia 25 tem tudo para ser um grande acontecimento. “A prova vai ser, certamente, interessante de visualizar e muito divertida. As zonas cegas e as curvas rápidas proporcionarão um espetáculo de imensa beleza e intenso despique, muito embora a Mercedes, por aquilo que tem provado e pelas performances obtidas, parta mais

uma vez como favorita. Não tenho dúvidas de que é a equipa mais forte e que vai dominar, a menos que surjam algumas complicações, nomeadamente ao nível de eventuais alterações climatéricas ou de problemas mecânicos”, comenta o antigo piloto ao Portimão Jornal, que fala ainda de “três ou quatro pontos de ultrapassagens” suscetíveis de aumentar o interesse do público. Para Tiago Monteiro, a pista

do Autódromo Internacional do Algarve está no mesmo patamar das “melhores pistas do mundo de Fórmula 1”. “Foi criada e desenhada para isso, bem pensada e construída para receber as máquinas e os pilotos. Apesar de só agora ser palco de uma corrida desta natureza, tem todos os requisitos, inclusive em termos de qualidade”, atesta o volante natural do Porto, de 44 anos, que em 2005 e 2006 correu no “grande circo” e obteve um pódio – 3.º lugar – no Grande Prémio dos Estados Unidos, em 2005.   Para Portugal, prossegue Tiago Monteiro, “é um momento histórico no mapa do desporto automóvel e não só”, uma vez que há 24 anos que não se disputava uma corrida destas em solo nacional. “Este Grande Prémio serve até para reforçar a posição de Portugal no mundo, tanto no desporto como fora dele, visto que já temos dado provas daquilo que somos capazes de fazer e de construir. O Autódromo do Algarve tem qualidade mundial e isso é um dado que, logo à partida, joga a nosso favor. Acredito que vai ser um evento de primeiríssima grandeza”.  Pedro Matos Chaves, outro piloto luso que experimentou estas sensações ímpares, explicou quais serão os principais desafios de Hamilton e compa-

nhia no circuito de Portimão: “É uma pista muito divertida, que puxa muito pelos pilotos, é um desafio grande. Na volta de qualificação, que é mais rápida, a entrada na reta da meta deve ser espetacular. A curva 1 também vai ser engraçada, visto que depois do gancho da reta por trás das boxes há ali uma primeira direita que acho que será muito gira.   Estes carros são fantásti-

cos em curvas rápidas e fazem a diferença pelo peso e sobretudo pela aerodinâmica. Mas a volta de qualificação, em que os motores estão no auge, julgo que será dos momentos mais emocionantes para o público em geral”. Além de Tiago Monteiro e de Pedro Matos Chaves, recorde-se que Nicha Cabral e Pedro Lamy foram os outros portugueses a correr no ‘circo’ da Fórmula 1. 

Um predestinado chamado Lewis Hamilton O britânico Lewis Hamilton chega ao Algarve líder incontestado do Mundial de Fórmula 1, depois de ter igualado, na última corrida, o recorde de vitórias do alemão Michael Schmacher no ‘grande circo’. Hamilton (Mercedes) precisou de menos um ano, mas de mais 13 corridas para igualar o recorde de 91 triunfos de Schumacher, registo que possuía desde 2006. Schumacher ainda detém o recorde de títulos conquistados – sete – e Hamilton, que somou o primeiro triunfo logo no ano de estreia, no Canadá, demorou 13 anos a igualar os tais 91 triunfos de Schumacher e pode, este ano, igualar os sete títulos mundiais. O britânico detém, já, o recorde de pódios na modalidade (160 contra 155 de Schumacher) e de ‘pole positions’ (96 contra as 68). Ao todo, ao longo da sua carreira, Michael Schumacher partiu para 306 grandes prémios de Fórmula 1, enquanto Hamilton soma, por ora, 261 disputados. 


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RAIO-X

A foto

A frase

JORGE EUSÉBIO

CEMITÉRIO • A Câmara de Portimão adquiriu, por 349 mil euros, um terreno situado junto ao atual cemitério. A autarquia vai, agora, investir mais 245 mil euros na construção de 60 catacumbas e 560 ossários.

O edifício da antiga cadeia era uma espécie de nódoa, mas agora, convertido em Escola de Hotelaria, será motivo de orgulho” Isilda Gomes

FICHA TÉCNICA • DIRETOR Rui Pires Santos • REDAÇÃO Ana Sofia Varela, Hélio Nascimento e Jorge Eusébio • DESIGN E PAGINAÇÃO Vanessa Correia FOTOGRAFIA Eduardo Jacinto e Kátia Viola • DEPART. COMERCIAL Hélder Marques, 914 935 351 • PROPRIEDADE E EDITOR PressRoma, Edição de Publicações Periódicas, Unip. Lda., Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto, 8400-417 Lagoa • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Rui Pires Santos DETENTOR DO CAPITAL 100% Rui Pires Santos • NIF 508 134 595 Nº REGISTO ERC 127433 • DEPÓSITO LEGAL Nº 470747/20 • SEDE DE REDAÇÃO Rua Dr. João António Silva Vieira, Lote 3, 3º Dto., 8400-417 Lagoa EMAIL portimaojornal@gmail.com • TELEFONE 282 381 546 | 967 823 648 IMPRESSÃO LUSOIBÉRIA, Av. da República, nº 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa • TIRAGEM 3.500 exemplares • PERIODICIDADE Quinzenal ESTATUTO EDITORIAL: https://algarvevivo.pt/sobre-nos/

MÁRIO DE FREITAS

LUÍS COSTA

SEGURANÇA SOCIAL

Durante muitos anos foi o principal rosto de uma associação que inovou na forma como se faz colheitas de sangue, tendo convencido meio mundo a colaborar nas suas ações. Agora é provedor da Misericórdia de Alvor onde, com a sua equipa, tem a ingrata tarefa de tentar manter a normalidade possível no lar, fechar as portas à entrada do novo coronavírus e atenuar a solidão dos utentes.

Depois de ter sido campeão nacional, o paraciclista portimonense brilhou, agora, na primeira importante competição internacional deste mês, a Extremadura European Cup, onde venceu na sua categoria, a H5. A participação nesta prova teve como objetivo a preparação para a época de 2021 em que terá pela frente o Europeu, o Mundial e os Jogos Olímpicos.

O Grupo de Apoio aos Toxicodependentes (Grato) corre o sério risco de ficar sem dinheiro até ao Verão. Uma das razões essenciais para isso é o facto da Segurança Social não atualizar, há vários anos, os vencimentos dos trabalhadores da instituição que subiram de carreira. Esta não é a primeira vez que uma IPSS se queixa da Segurança Social por não cumprir com as suas obrigações.

EDITORIAL . RUI PIRES SANTOS

GRATO dá sinal de alerta 1- O ano de 2021 será, previsivelmente, um dos mais difíceis da década devido aos efeitos da covid-19. O Algarve e Portimão já o começam a sentir devido ao pouco turismo deste Verão e ao desemprego que, em consequência disso, tem vindo a subir. O pânico, com o ‘alarme’ diário do número de novos infetados, não ajuda e o efeito psicológico vai contribuindo ainda mais para a depressão económica e social. Uma Instituição Particular de Solidariedade Social – o GRATO – começa a sentir ainda mais dificuldades, que acrescem a outras já existentes. Mais identificada por apoiar toxicodependentes, este

grupo tem, no entanto, uma atividade que vai muito mais além. Conta com uma Equipa de Intervenção Direta, um apartamento de reinserção social, uma Casa de Abrigo Temporário para mulheres, uma Equipa de Protocolo de Rendimento Social de Inserção (RSI) e a Creche ‘Jardim do Sol’, além de distribuir alimentos e roupa a inúmeras famílias do concelho. A instituição queixa-se do incumprimento da Segurança Social que não atualiza as carreiras há vários anos, ainda que a associação o tenha feito, tendo de assumir a diferença. Com o número de sem-abrigo a aumentar, bem como a necessidade de novos apoios so-

ciais, a impossibilidade de realizar eventos de angariação de receitas extraordinárias, devido à covid-19, está a dificultar-lhe a vida. Por esta altura, em que o cenário provocado pela pandemia parece estar a complicar-se, será necessária maior atenção do Estado para com as IPSS e o papel que irão desempenhar nos próximos largos meses. 2 - Portimão está no mapa mundial este fim de semana com o regresso do Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, que pela primeira vez se realiza no Algarve. Cerca de 30 mil pessoas vão estar nas bancadas que têm capacidade para 95 mil. Parecem estar reunidas as con-

dições para que o evento seja um sucesso organizativo, à semelhança de outras grandes iniciativas internacionais que decorreram em Portugal. Que Portimão deixe aqui uma porta aberta para o futuro e a continuidade da prova no nosso país… sem pensar demasiado na covid-19. 3- Uma nota para o Portimonense que, à quarta jornada, somou a primeira vitória da época na I Liga no passado fim de semana, com um importante triunfo na Madeira frente ao Marítimo. Estes três pontos podem ser o tónico que a equipa precisa para um verdadeiro arranque de campeonato rumo a

uma época mais tranquila do que a anterior. 4- A terminar, quero deixar uma palavra de agradecimento não só aos nossos leitores, como a muitos comerciantes do concelho pela preferência, carinho e atenção para com o Portimão Jornal. Aos leitores por esgotarem o jornal e por serem já fiéis à nossa publicação e aos comerciantes por reservarem nos seus estabelecimentos uma área de exposição para o jornal. Obrigado e, como já perceberam, estamos cá para sermos um parceiro vosso e para contribuirmos para um concelho mais positivo e dinâmico.


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DESPORTO

Portimonense rubrica exibição de excelente nível e vence o Marítimo, no Funchal, por 2-1

Golos de Dener e Anderson carimbam primeira vitória 

Paulo Sérgio elogiou o comportamento dos jogadores e deu a entender que jovem autor do golo do triunfo vai dar muitas mais alegrias, sobretudo por estar ainda em processo de crescimento. D.R.

Hélio Nascimento

O

Willyan e Dener festejam o tento 'fabricado' pelos dois

Portimonense alcançou a primeira vitória da presente época, vencendo o Marítimo, no Funchal, por 2-1, depois de ter estado a perder. Um êxito significativo, à 4.ª jornada, transmitindo ao grupo de Paulo Sérgio a tranquilidade e confiança necessárias para atacar o campeonato, que, como se sabe, ainda agora vai na sua fase inicial. O triunfo tem mais sabor se acrescentarmos que aconteceu na casa do adversário, que, por sinal, tinha ido ganhar ao Dragão na ronda anterior. Os insulares adiantaram-se no marcador, já na segunda parte, de

penálti, mas a recuperação dos algarvios foi convincente: primeiro, Dener empatou, surgindo lesto para dar a melhor sequência a um desvio de Willyan, e, poucos minutos passados, Anderson vestiu a pele de herói, finalizando um centro de Aylton, depois de uma jogada bonita, que envolveu também Fabrício e Lucas Fernandes.   “Fizemos um jogo muito personalizado, de muita competência, e estou muito satisfeito por sair daqui com os três pontos. Os jogadores mereciam, deram uma resposta fantástica, brutal, trabalharam muito bem a bola, estou muito feliz por eles”, sintetizou Paulo Sérgio, que, a respeito do extremo brasileiro Anderson – 22

anos e a cumprir a segunda época em Portimão – teve palavras muito curiosas:  “Não é a primeira vez que o Anderson acrescenta algo ao jogo. Não é só pelo golo, mas já num jogo anterior mexeu muito com a nossa dinâmica. Tenho falado muito com ele, é um jogador que o seu processo de crescimento passa também por conseguir fazer isto e ter este rendimento quando começa a jogar de início. Não quero que ganhe um rótulo de arma secreta”, disse ainda Paulo Sérgio.  O Portimonense, que soma agora quatro pontos, volta a atuar fora na próxima jornada, em Tondela, em partida marcada já para a noite de amanhã, sexta feira. PUB

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OPINIÃO

Pedro Manuel Pereira Historiador A população que habita o planeta encontra-se a ser reorientada por um movimento global que visa estabelecer uma nova ordem mundial, usando como uma das suas estratégias, a subversão sexual, cultural, religiosa e de dominação política. O movimento está centrado no Ocidente e embora os cidadãos adultos façam parte da equação, os principais alvos são as crianças e os adolescentes. Fazendo uso de uma política totalitária (marxismo cultural) este movimento vem-se apossando da educação para a propaganda e promoção dos seus fins, doutrinando ideologicamente as crianças e os jovens, trabalhando na mudança dos seus sistemas internos de valores morais e éticos, principalmente os religiosos, dado que este é o único freio, segundo os próprios doutrinadores, capaz de travar os seus avanços, os seus desígnios. Logo a estratégia dessa ideologia, é desconstruir tudo o que constitua um escolho, uma pedra no seu caminho. Os doutrinadores da famigerada ideologia de género (o referido movimento) consideram como meta a alcançar, a ocupação de todos os espaços da sociedade, desde os órgãos de comunicação social, às discussões sociais, políticas (incluindo no Parlamento), culturais, e principalmente nas escolas, desde o ensino pré-primário até às universidades, aberração que se vem verificando também em Portugal. Na educação, o intuito é desconstruir valores familiares, morais e religiosos, colocando a criança em conflito com a sua realidade, as suas tradições familiares, para provocar no núcleo familiar da casa do aluno, um permanente conflito de valores. Num primeiro momento, os discursos

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O ataque às famílias e à sociedade ocidental visam acabar com o preconceito contra as “minorias sexuais” (LGBTT’s), o que permite a promoção “da igualdade entre os seres humanos”. Isto seria aceitável e natural, se não usassem como estratégia a relativização moral e religiosa, impondo ideologias políticas, tentando convencer com falácias apelativas e emocionais que o género binário (titulo que dão à heterossexualidade, que tem apenas dois géneros, masculino e feminino) só é considerado normal dentro de uma sociedade heteronormativa, porque segundo esses doutrinadores afirmam falaciosamente, “uma sociedade religiosa e proselitista normatizou este modelo e proíbe os outros géneros (não binários) de existirem”. Todo isto numa perfeita afronta relativamente à Ciência e à Natureza, onde os sexos de todos os animais são dois: masculino e feminino. Mentiras propaladas centenas de vezes, acabam sendo aceites como “verdades”. E é dessa forma que se doutrinam alunos e a sociedade, com apelos, políticos, mediáticos e até falácias “jurídicas”, ameaçando, alienando e manipulando, de forma repetitiva, fazendo uma lavagem cerebral a todos os que possuem uma mente fraca, aqueles que os escutam sem um mínimo de senso crítico. A grande questão que se coloca neste momento, é como vencer a inércia de profissionais, políticos, pais, líderes religiosos, para que verdadeiramente se debrucem, preocupem e ajam perante uma matéria de transcendente importância para a humanidade. Se é um facto que a tal ideologia de género (não é a legitima igualdade de género consignada da Constituição da República Portuguesa de que somos defensores) carece de verdade científica, por outro lado existe uma falta de organização de molde a agir concertadamente contra esta doutrinação marxista cultural. Até quando seremos assediados pelo que uma minoria activista constituída pelos discípulos

de Gramsci querem impor politicamente à sociedade? A inércia que se verifica por banda dos cidadãos que estão atentos a esta ofensiva política, advém do medo de serem taxados e rotulados como homofóbicos ou transfóbicos, ou discriminados e marginalizados como se tivessem cometido um crime horrendo, caso tomem posi-

tãos. Alguns desses países aprovam até mesmo o suicídio assistido de crianças e a eutanásia. Os sistemas de valores são construídos pelo indivíduo, dentro dele, a partir de um equilíbrio entre a educação familiar - o mundo social no qual se encontra inserido - e o que a criança aprende na escola, onde passa a maior parte de sua

A sociedade tem vindo a ficar refém de uma ideologia que não se contenta em requerer o que entendem por “seus direitos”, mas sim em punir quem não a apoia, quem pensa de forma diferente, com a conivência de governos ções frontalmente contra esta agressão às crianças e jovens e à sociedade em geral. Em alguns países, muitas pessoas têm perdido a sua paz, o seu emprego, e sido perseguidas judicial e socialmente, por apenas discordarem dos canalhas missionários (eles e elas) da ideologia de género. Poucos têm coragem e disposição para enfrentar essa seita, optando pelo silêncio e, é exatamente neste silêncio, nesta omissão que esses grupos crescem. A isso chama-se estratégia de doutrinação. A sociedade tem vindo a ficar refém de uma ideologia que não se contenta em requerer o que entendem por “seus direitos”, mas sim em punir quem não a apoia, quem pensa de forma diferente, lamentavelmente, em muitos casos, com a conivência de governos. A Europa vive o drama da sua pré fragmentação, do desmembramento da sua matriz cultural, possuindo tão só, cerca de 38% da população formada por cris-

vida. A ideologia de género ao afrontar os pais causa um desequilíbrio que pode ser responsável por muitos conflitos de repercussões infindas. Não é honesto que se utilizem ideologias políticas construídas por adultos, com crianças, usando-as como cobaias. “Esquecem-se” que as crianças têm o direito de serem crianças, de serem respeitadas e protegidas na sua integridade, nas suas crenças, nos seus sistemas de aprendizagem de valores no seio da família, que incluem as tradições familiares, princípios morais, éticos, religiosos, transmitidos pelos seus pais e educadores de geração em geração. As raízes históricas da família devem ser preservadas. Não obstante, assistimos cada vez mais ao ataque desenfreado por banda da seita atrás referida contra a sociedade tradicional, como o fim de desmantelar as famílias tradicionais, tendo como última etapa a criação de uma sociedade aberrante e contranatura.

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ÚLTIMAS

Até 30 de outubro, para minimizar riscos de contágio

Vacinação contra a gripe já tem datas Campanha dirigida a pessoas com 65 ou mais anos decorre em diferentes locais do concelho. D.R.

Locais e Datas DIAS 21, 22 E 23 | 10H00  Av. 25 de Abril, junto à Piscina Municipal DIA 26 | 10H00  Ladeira do Vau, junto à Associação Cultural e Desportiva da Ladeira do Vau  

DIA 27 | 10H00 Aldeia do Carrasco, junto ao Clube Recreativo Carrasquense Grupos prioritários já começaram a vacinação

J

á teve início a época de vacinação contra a gripe nos grupos de risco e a Junta de Freguesia de Portimão, em parceria com a Câmara Municipal e a Unidade de Saúde Móvel de Portimão, resolveu dividir por vários locais do concelho todo o processo de vacinação para evitar deslocações aos Centros de Saúde. Assim, desde de 21 de outu-

bro e até ao dia 30 foram definidos locais e horas onde os grupos prioritários, nomeadamente pessoas com idade igual ou superior a 65 anos ou com diabetes, se podem vacinar na sua zona de residência. A intenção desta iniciativa é minimizar os riscos de contágio, face à atual situação de contenção e propagação do covid-19, de

DIA 28 | 10H00 Pedra Mourinha, junto ao Clube Desportivo Recreativo da Pedra Mourinha  DIA 29 | 10H00  Aldeia da Companheira, junto ao Centro Social Desportivo e Cultural da Companheira DIA 30 | 10H00  Alameda - Praça da República acordo com as medidas impostas, nomeadamente pela Direção Geral da Saúde.

Nas instalações desportivas e pavilhões escolares

Município isenta pagamento de tarifas Na sequência de anterior informação, o Município de Portimão aprovou por unanimidade, em recente reunião de câmara, a proposta de isenção de pagamento de tarifas pelo movimento associativo nas instalações desportivas municipais e nos pavilhões desportivos escolares, relativas à época desportiva 2020/2021. Esta medida excecional resulta da necessidade sentida pela au-

tarquia em apoiar e incentivar os clubes e associações locais a não desistir e a não deixar de estar presentes no desenvolvimento da atividade desportiva e do desporto, perante as adversidades provocadas pela atual pandemia. A medida, que vigora entre setembro de 2020 e junho de 2021, abrange 25 clubes nas mais diversas modalidades indoor, coletivas e individuais. Nestes tempos com-

plicados, em que os cidadãos são convocados a procurar soluções para reativar as diversas áreas, a isenção agora aprovada reconhece como interesse municipal o trabalho realizado pelas coletividades desportivas, o que legitima o seu papel empreendedor, sendo política local apoiar o associativismo na prossecução dos seus objetivos, que não devem ficar suspensos ou ser cancelados. PUB

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Portimão comemora 160º aniversário do escritor

Tertúlia recordou trasladação de Manuel Teixeira Gomes A tertúlia ‘O Regresso de Teixeira Gomes’ decorreu a 18 de outubro para assinalar os 79 anos da morte do escritor e antigo Presidente da República”, natural de Portimão. Nessa sessão foi recordado um dos principais eventos de contestação ao Estado Novo ocorridos na cidade a 18 de outubro de 1950, por ocasião da trasladação dos restos mortais de Manuel Teixeira Gomes, da Argélia para o cemitério local. A cerimónia deu origem a uma manifestação da oposição que desencadeou perseguições e prisões arbitrárias, a cargo da PIDE e das forças militares. Na tertúlia participaram a vereadora Teresa Mendes, Margarida Tengarrinha, ativista política e coorganizadora da manifestação de há 70 anos, e José Alberto Quaresma, diretor científico da Casa Manuel Teixeira Gomes. Esta é uma das ações integradas nas comemorações do 160º aniversário do nascimento do ilustre portimonense, que se prolongam até 11 de dezembro.

Vitória na categoria de seniores masculinos

Pedro Amaral venceu Taça de Portugal de BMX Race O atleta Pedro Amaral, do Clube Bicross de Portimão (CBP), venceu, no dia 10 de outubro, a Taça de Portugal de BMX Race na categoria de seniores masculinos, que decorreu na pista da Belavista, em Setúbal. As contas finais acertaram-se com uma corrida que atraiu corredores de fora do país, que se revelaram os mais fortes na jornada. Bruno Cardoso, português radicado em França, triunfou diante de toda a concorrência, relegando o espanhol Alejandro Kim (Yellow Mad BMX) para a segunda posição. O terceiro lugar foi suficiente para Pedro Amaral conquistar a Taça, devido à regularidade, no conjunto das três provas pontuáveis.

Duas vitórias e dois empates

Futsal do Portimonense invicto Altamente positivo. É este o rótulo que se pode aplicar ao futsal do Portimonense, invicto após as primeiras quatro jornadas do campeonato, e ocupando, por tabela, a 4.ª posição, com oito pontos, a quatro dos líderes Benfica e Sporting. Os pupilos de Pedro Moreira somam duas vitórias e dois empates, e, na última jornada, empataram 3-3 (golos de Wendell, Miranda e Caio Júnior) no reduto do Futsal Azeméis. Na próxima, recebem o Candoso.  O percurso dos alvinegros vem assim confirmar a melhoria e qualidade já evidenciadas na última metade da época passada, antes de as competições serem interrompidas devido à pandemia. Para esta temporada, além de manter o núcleo duro, o plantel foi reforçado “cirurgicamente” e o grande objetivo é a qualificação para a fase seguinte do campeonato, que, pelas primeiras indicações, parece perfeitamente ao alcance da equipa.   PUB


A FECHAR

Quinta-feira • 22 outubro 2020

D.R.

Projeto pedagógico tem crianças como destinatários  

Igualdade de Género tem ‘Viagem para a Amizade!’  Paraciclista Luís Costa

O tema é assinalado no próximo dia 26 e visa promover, pela inclusão, o companheirismo e o combate ao bullying.

vence prova internacional D.R.

O portimonense Luís Costa venceu a sua categoria, a H5, na Extremadura European Cup, uma competição internacional de paraciclismo que decorreu em Espanha. A Equipa Portugal conseguiu, no total, quatro pódios, juntando à vitória de Luís Costa uma outra, de Flávio Pacheco, na classe H4, enquanto Bernardo Vieira foi o segundo classificado na prova C1, tal como Telmo Pinão, em C2. Além dos quatro elementos da Equipa Portugal, participaram mais seis paraciclistas lusitanos: João Pinto foi quarto em H3, Rúben Garcia conseguiu igual posição em H4 e João Monteiro não destoou em C4. Paulo Teixeira foi quinto em C3, o mesmo lugar alcançado por Hélder Maximino em C5, classe em que Manuel Ferreira foi sétimo.

Dário Guerreiro e Makumba

É

já a 26 deste mês que Portimão vai assinalar o Dia Municipal para a Igualdade de Género, através da apresentação do projeto pedagógico ‘Viagem para a Amizade!’, que, a partir das 10h00, será transmitido online na plataforma digital Youtube, tendo como destinatárias as crianças do pré-escolar e os alunos do 1º ciclo do concelho. Este é um projeto pedagógico destinado a promover, pela inclusão, o companheirismo e o combate ao bullying, tendo sido criado pela cantora Susana Félix.   Tem como público-alvo as crianças do pré-escolar e os alunos do 1.º ciclo, que são sensibilizados para a promoção de comportamentos justos e iguais, ao acompanharem o vídeo disponibilizado durante 15 horas no Youtube.

Para além da narrativa fantasiada, o projeto inclui três composições desenvolvidas por Susana Félix e inspiradas no conteúdo do livro A ‘Viagem para a Amizade!’, que será apresentado na ocasião com uma dinâmica teatral e a realização de uma atividade pedagógica.   Consciencializar a comunidade  O Município de Portimão tem em curso o Plano Municipal para a Igualdade de Género (20172021), com vista à consciencialização da comunidade local para as questões que a temática envolve quanto à linguagem, à parentalidade, aos direitos laborais, ao combate de estereótipos e, sobretudo, ao respeito de cada um. A implementação deste plano passa pelo desenvolvimento de ações de

sensibilização e formação sobre várias temáticas inseridas na defesa dos direitos das mulheres e promoção da igualdade de género.   Segundo um inquérito da TALIS (Teaching and Learning International Survey), divulgado pela OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico em 2019, o bullying nas escolas portuguesas do ensino básico decresceu para cerca de metade em cinco anos.   Como resultado do trabalho de sensibilização que vem sendo concretizado junto dos alunos, apenas 7,3% dos estabelecimentos de ensino reportaram a ocorrência de bullying ou intimidação entre estudantes, por oposição à média de 14% nos 48 países e economias abrangidos pelo inquérito.

animam as noites do TEMPO ‘Vou ficar’ é o nome do segundo solo stand up comedy de Dário Guerreiro (Môce dum Cabréste). O pequeno algarvio revela-nos a razão de ainda não ter saído de casa da mãe, as consequências disso e uma enxurrada de desabafos viscerais e escatológicos, num “espetáculo de humor com laivos de música mal amanhada, onde a sociedade é confrontada consigo mesma na conjuntura que deu aos jovens desta geração. Faremos os possíveis para que não haja nudez”, lê-se no anúncio da representação, marcada para dia 24 de outubro, no TEMPO, a partir das 21h30.  No sábado seguinte, dia 31, também pelas 21h30, é a vez do Club Makumba animar a noite portimonense, num concerto Halloween, em que se “abre a janela para uma viagem pelas sonoridades do Mediterrâneo e pela África imaginada, para uma música sem preconceitos e sem fronteiras”. 

Hora muda a 25 de outubro O horário de Inverno está à porta e a partir deste domingo, dia 25, os dias começam a ficar ainda mais ‘pequenos’. Assim, na madrugada de sábado para domingo, os ponteiros do relógio atrasam 60 minutos, de modo a que, quando forem duas da manhã, passará a ser uma hora.  PUB

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Portimão Jornal nº 10 | 22.10.2020  

Portimão Jornal nº 10 | 22.10.2020  

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