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Quinta-feira • 24 setembro 2020 • 1.00€

ÉPOCA BALNEAR

José Viegas já perdeu a conta aos salvamentos

no mar P3

SOCIEDADE Barbearia da Cáritas renova esperança de carenciados P4

ECONOMIA Marginália adapta-se para enfrentar pandemia P6

POLÍTICA

Quinzenário • Ano 1 • Nº8 Diretor: Rui Pires Santos

O futuro não tem limites A história do paraciclista Luís Costa, um exemplo de perseverança, que treina afincadamente para marcar presença nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. P12-13

JS quer ouvir população para criar manifesto P7

DESPORTO Emanuel Duarte com ambição na volta a Portugal P11

AMBIENTE Projeto do João D’Arens de novo chumbado P16 PUB

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Agricultura sobrevive em terra de turismo Testemunhos, problemas e oportunidades que se apresentam a quem no concelho subsiste com os produtos que o solo dá. P8-9

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Portimão Jornal • 24 SET 2020 • Nº8

ATUALIDADE

José Viegas tem uma concessão da Praia da Rocha e é uma referência no mundo dos nadadores salvadores  

O ícone do salvamento aquático

Podia ter sido cavaleiro, cantor ou jogador de futebol, e, em Londres, numa curta passagem, até foi aprendiz de cabeleireiro, mas deu sempre preferência à praia e ao mar. É a sua casa e a sua vida. FOTOS: EDUARDO JACINTO

O biquíni sempre a cair… José Viegas tem muitos episódios na sua vida, “dezenas deles de salvamentos, contando só os mais complicados”, incluindo alguns com enorme piada. Como este, do casal espanhol que alugou uma gôndola, que depois se virou. “A senhora não sabia nadar e o marido pouco. Lancei-me ao mar e dirigi-me a ela, que estava mais atrapalhada. O problema é que a espanhola, com a aflição, puxava o biquíni para baixo, deixando o peito à mostra. Abordei-a e tentei mantê-la à superfície, sempre a custo. O mais engraçado é que o marido não tinha a preocupação de ela se afogar, mas sim que eu lhe visse as maminhas…”. 

José Viegas no seu local de eleição, em pleno areal da Praia da Rocha Hélio Nascimento

J

osé Viegas tem 60 anos e uma vida inteira dedicada ao mar e aos salvamentos. Nado e criado em Portimão, onde sempre viveu, herdou da família a paixão pela Praia da Rocha. A concessão que hoje explora, aliás, é centenária. “Já sou a quarta geração.

Duas mortes a lamentar Dentro da normalidade em que decorreu a época balnear, há, contudo, duas mortes – dois homens, na casa dos 70 e 80 anos – a lamentar na Praia da Rocha, ambas devido a problemas cardíacos. De resto, confirma Viegas, as intervenções dos nadadores salvadores foram no sentido de socorrer pessoas aflitas, a maioria sem saber nadar, situações que, felizmente, foram rapidamente resolvidas. Não se registaram acidentes traumáticos. O balanço final será oportunamente divulgado.

Sempre foi esta a minha profissão, embora, de início, passasse o Verão aqui e depois fosse para Londres alguns meses. O que fazia lá? Era aprendiz de cabeleireiro. Nada tem a ver com isto, mas foi o que a minha tia arranjou. A ideia era aperfeiçoar o inglês”, conta Viegas, um bom conversador e figura querida e respeitada na Praia da Rocha, ou não fosse ele uma referência incontornável no mundo dos nadadores salvadores. “Comecei em criança a ajudar os meus pais na concessão. Aos 14 anos, o meu pai comprou umas gôndolas e eu comecei a explorar o negócio. Aos 18 fiz o curso de nadador salvador e mais tarde tirei o curso de formador, ligado à Marinha, na Escola de Autoridade Marítima, através do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). Sempre dei cursos, sobretudo aqui pela zona algarvia, formando nadadores salvadores”, explica José Viegas, cuja vida, está bom de ver, dava para escrever um livro. E ainda nem chegámos a meio...   Há cerca de cinco anos foi criada uma Comissão Técnica para segurança aquática e o portimonense teve honras especiais. Durante a cerimónia inaugural foi apresentado como ícone do

salvamento aquático no Algarve. “Fiquei sensibilizado, claro”, reconhece Viegas, que periodicamente vai a Lisboa para reuniões em que participam o diretor do ISN, representantes da Direção Geral da Autoridade Marítima, da Federação de Nadadores Salvadores, da Federação dos Concessionários e os quatro coordenadores do país (ilhas, norte, centro e sul).   Quase todos lhe passaram pelas mãos  Esta época balnear, prestes a acabar, foi muito atípica e sempre pautada pela incerteza. “Abrimos no dia 6 de junho, sempre a pensar se conseguíamos minimizar os prejuízos. Começou mal, o julho só melhorou na última semana e o agosto é que mexeu. Não se trata de um ano normal, mas foi talvez o suficiente para equilibrar as contas. Agora vamos pagar e ver se sobrou alguma coisa”, explica o dono da concessão, a terceira a contar do Miradouro da Praia da Rocha. A época acaba a 30 de setembro, mas a Capitania e a Câmara possibilitam que se prolongue mais uns dias, de modo a aproveitar o feriado de 5 outubro. “Quem quiser, pode continuar aberto mais uns dias e ao mesmo tempo

garante a segurança na praia”. José Viegas ainda é o presidente da Associação de Nadadores Salvadores do Barlavento Algarvio, mas já tomou a decisão de passar a pasta para um colega. A propósito dos nadadores salvadores, “praticamente todos passaram pelas minhas mãos, excetuando alguns que vieram do norte”. São 15 efetivos na Praia da Rocha, mas, fazendo contas ao que está para trás, desde 2000, Viegas arredonda para o milhar o número dos que ficaram com a sua marca. O próximo curso está previsto começar já em outubro, num total de 150 horas, o equivalente a mês e meio de aulas.  Ser bom observador é fundamental  O principal requisito de um nadador salvador, garante José Viegas, é “ser bom observador”. Outra faculdade importantíssima passa por “saber distinguir um grito de socorro de um de uma brincadeira”. Mas tudo isto, vinca, só se aprende com o passar dos anos. “Pode estar a falar com amigos, mas sempre virado para o mar.

E pressentir que alguém vai ficar aflito antes de o estar. Tudo isto é fundamental. Curiosamente, conheço bons nadadores salvadores que não são grandes nadadores, mas conhecem o mar, as correntes, os agueiros. Aqui? Não, não há muitos agueiros, só ás vezes, quando há sueste, junto ao Miradouro”. De um modo geral, as pessoas obedecem às recomendações dos nadadores, muitos deles mulheres. “Sempre houve. Em 1978 até me lembro de uma rapariga no meu curso. Agora há mais e são bastante respeitadas. Muitas delas têm grandes conhecimentos, que, inclusive, vão complementando com mais cursos”.  O fim da tarde aproxima-se e Viegas começa a preparar a concessão para o dia seguinte. Viver na praia, a bem dizer, está-lhe no sangue. “É uma paixão enorme. Não é fácil vir todos os dias, pelo que, acima de tudo, é preciso gostar. Podia ter sido cavaleiro tauromáquico, cantor – cheguei a cantar nos bares e até com bandas –, joguei à bola, mas, em primeiro lugar, está sempre a praia”.  

Jovens nadadores nutrem respeito e amizade pelo mentor


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Portimão Jornal • 24 SET 2020 • Nº8

SOCIEDADE

Serviço da Cáritas pretende auxiliar carenciados a valorizar imagem

Barbearia social ajuda na autoestima Bruno Santos lançou o desafio à entidade, que resolveu concorrer ao Prémio Municipal de Voluntariado em 2019 e ganhou. Ana Sofia Varela

F

ica num pequeno espaço ao fundo das escadas na Cáritas Paroquial da Nossa Senhora da Conceição, no antigo edifício da Caixa Agrícola, mas está apetrechado para receber todos quantos necessitam de uma mudança de visual para se sentirem valorizados, aumentarem a autoestima e reingressar no mercado de trabalho. Uma cadeira, pentes, máquinas e o trabalho de um jovem barbeiro voluntário que quis fazer algo mais para auxiliar são suficientes. A ideia de Bruno Santos foi apresentada à instituição há um ano e foi bem acolhida, tanto que concorreu ao Prémio Municipal de Voluntariado em 2019 e venceu. Foram entregues cinco mil euros para colocar o projeto em prática. O espaço foi inaugu-

rado a 10 de setembro e entrou em funcionamento no dia 15. Numa primeira fase, Bruno Santos receberá marcações para corte de cabelo e barba, para todas as terças-feiras, das 15h00 às 17h00. Ao Portimão Jornal contou que tirou o curso no ano passado e, como a sua mãe é voluntária na Cáritas, também ele mostrou vontade de ajudar a comunidade sem qualquer encargo. A Barbearia Social destina-se assim a pessoas com necessidades e a sem-abrigo, sendo o serviço gratuito. Basta que estejam inscritos na Cáritas ou noutra instituição sem fins lucrativos da Rede de Emergência Social de Portimão. Na inauguração, Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal, salientou que “ninguém pode ter autoestima se não gostar de si próprio e, se isso se verifica, perde-se o gosto pela vida e deixa-se

de lutar”. “Temos obrigação de abrir portas às pessoas mais desfavorecidas, indicando caminhos e propiciando estes serviços fundamentais”, acrescentou ainda a autarca que elogiou o trabalho da instituição. É que segundo Maria Manuela Santos, presidente da Cáritas Diocesana de Portimão, a instituição está a prestar ajuda a “397 famílias, com perto de 900 pessoas, quando em fevereiro passado havia apenas 187 famílias beneficiadas”. Tem cerca de 90 voluntários e diversas valências, como os bancos de alimentos e de roupas, a loja social, o refeitório social, que fornece 60 refeições diárias, de segunda a sexta-feira. Em relação a esta realidade, que poderá agravar-se neste Inverno, Isilda Gomes disse ao Portimão Jornal que a autarquia “concedeu um apoio a título ex-

ANA SOFIA VARELA

Novo apoio funciona por marcação às terças-feiras traordinário, a que chamou ‘contratos covid’, para apoiar as instituições que fornecem alimentação à população mais carenciada” e assegurou que quando esse apoio acabar, estará disponível para o “reforçar, pois quer fome zero no

concelho”. Também este ano, a Câmara Municipal de Portimão reforçou o Prémio de Voluntariado, atribuindo uma verba de 6500 euros. As candidaturas podem ser apresentadas até final de outubro. PUB

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Portimão Jornal • 24 SET 2020 • Nº8

SOCIEDADE Bar procura manter a tradição da música ao vivo

Espetáculos regressam ao palco do Marginália As regras estabelecidas pela Direção-Geral da Saúde implicam uma forte redução de clientes. Mesmo assim, Paulo Filipe procura não deixar cair o hábito de apresentar concertos neste espaço de diversão. FOTO: JORGE EUSÉBIO

ouvir música que conhecem e gostam do que virem sem saber o que vão encontrar”. Estava, portanto, encontrada a fórmula de sucesso. Ao longo

reu muito bem, tivemos cerca de 2500 pessoas em cada uma das duas noites”. Tal circunstância fez com que recebesse novo convite, agora

Paulo Filipe foi ver a que novas condições teria de sujeitar-se para continuar a trabalhar e até achou que teria mesmo de encerrar, de forma definitiva, o estabelecimento. Acabou no entanto por teimar em manter as portas abertas

O palco do Marginália voltou a receber bandas musicais Jorge Eusébio

O

bar Marginália voltou a ter música ao vivo, depois de mais de seis meses sem que o palco tivesse o uso para que foi criado. O responsável por este espaço, Paulo Filipe, lembra que tinha apresentado o último espetáculo em 8 de março. Agora, a sua ideia é retomar os concertos todos os fins-de-semana, embora com os condicionalismos que os tempos que atravessamos exigem, que são muitos e penalizadores para quem exerce a atividade. Este responsável refere que “houve alturas em que tinha aqui cerca de centena e meia de pessoas em noites de espetáculos ao vivo e agora só posso receber 28”. E todas têm de ‘curtir’ sentadas e, para além de bebida, consumirem também comida. Paulo Filipe desabafa que “custa um bocado perder, de alguma forma, as características deste bar, que assim se converte numa espécie de restaurante”, mas é a única forma de conseguir manter as portas abertas e, duas vezes por semana, apresentar

música ao vivo. Dias difíceis devido à pandemia Tal como os outros estabelecimentos do género, o Marginália atravessa, devido à pandemia, a fase mais delicada da sua existência. Antes de ser obrigatório, já Paulo Filipe tinha, de forma preventiva, tomado a iniciativa de entrar em confinamento e só há pouco mais de um mês reabriu portas, embora sem concertos. Assume que têm sido “tempos muito difíceis, pois continuámos a ter as mesmas despesas e muito menos receitas”. Para, de alguma forma, compensar a circunstância de ter menos lugares disponíveis no interior, a Câmara permitiu-lhe a instalação de uma pequena esplanada, o que “foi uma boa ajuda”. Só que, entretanto, começou a aumentar o número de casos de covid-19 no país, o que levou o Governo a decretar o Estado de Contingência, a partir de 15 de setembro, fixando regras mais restritivas para todo o país. Paulo Filipe foi ver a que novas condições teria de sujeitar-se para continuar a trabalhar e, em

determinada altura, até achou que teria mesmo de encerrar, de forma definitiva, o estabelecimento. Entretanto, leu a legislação com maior atenção, ouviu a opinião de advogados e considerou que valia a pena tentar continuar de portas abertas, embora considere que a lei não é totalmente clara em relação à sua atividade e que o Governo deve clarificar diversos aspetos. Apesar das dificuldades, continua, portanto, para já, a tentar, teimosamente, manter de pé um estabelecimento que os portimonenses se habituaram a frequentar para conviver e ouvir boa música. Um percurso com muitas ‘bandas sonoras’ Paulo Filipe ‘pegou’ no Marginália em 2010 e transformou-o num bar assumidamente de música ao vivo. Lembra que “nos primeiros quatro anos tínhamos praticamente só grupos de originais e não foi muito fácil singrar”. Depois apareceu o movimento das bandas de tributo que atraíam mais pessoas, “pois é mais fácil decidirem sair de casa para irem a um espaço onde sabem que vão

destes anos pelo palco daquele bar têm passado bandas de covers de todos os géneros musicais com exceção do eletrónico. E, apesar de não garantirem casas tão cheias, continuou a regularmente contar com grupos de originais, “pois acho que é importante terem onde atuar”. O número de clientes foi aumentando e a fama do bar também, o que levou a que, no ano passado, fosse desafiado pela autarquia local a fazer um Festival na Alameda da Praça da República, com várias bandas, que “cor-

para assegurar uma das noites do programa de fim-de-ano, que correu ainda melhor, “tivemos mais de 5 mil espetadores, foram experiências muito boas, que contávamos repetir este ano, só que, entretanto, a pandemia mudou tudo”. Agora, a grande prioridade é tentar sobreviver. Isso significa, no caso do Marginália, nesta fase, conseguir continuar a ter as suas portas abertas seis dias por semana (com exceção do domingo), das 21 horas à 1 da madrugada, com música ao vivo às sextas-feiras e sábados.

Apesar das dificuldades, o bar continua a funcionar


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Portimão Jornal • 24 SET 2020 • Nº8

POLÍTICA

Seis inquéritos até junho de 2021

JS ouve os cidadãos Resultados servirão para elaborar o Manifesto Autárquico da Juventude Socialista local. CM PORTIMÃO

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concelhia portimonense da Juventude Socialista (JS) lançará uma iniciativa de audição dos munícipes, com base em inquéritos, a partir de 1 de outubro até junho de 2021, tendo como tema ‘O que fazias por Portimão?’. Este é, aliás, o assunto de um programa que tem vindo a ser desenvolvido em 2020. Os questionários online abordarão a cultura, a solidariedade, a educação, a habitação, o desporto e a mobilidade, e pretendem conhecer as preocupações da população, sobretudo dos jovens portimonenses, explica a estrutura partidária. Os resultados apurados permitirão que seja elaborado um Manifesto Autárquico da JS de Portimão, que compile as propostas dos cidadãos. Cada tema será tratado no espaço de um mês, sendo que nas

Obra no Porto Comercial está em análise

BE e APS debatem dragagens Os representantes do Bloco de Esquerda João Vasconcelos (deputado), Jorge Ramos (distrital), e Marco Pereira (concelhia e Assembleia) reuniram com José Luís Cacho, presidente do Conselho de Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), no dia 11 de setembro, no Porto de Portimão. A reunião aconteceu devido às diversas preocupações e tomadas de posição de algumas entidades, em agosto, durante a fase de discussão pública do processo de Avaliação do Impacte Ambiental das obras de Aprofundamento e Alargamento do Canal de Navegação do Porto de Portimão. Segundo o presidente da APS garantiu ao BE, o projeto será objeto de alguns ajustes, entre os quais a retirada da bacia de rotação junto ao molhe e a diminuição do volume dragado para 3,5 milhões de metros cúbicos em vez de cinco milhões.

Partido refere que resposta é tardia

PSD acusa PS de só agora ter acordado para estratégia de habitação duas primeiras semanas os inquéritos serão disponibilizados nas redes sociais (Facebook e Instagram) da JS Portimão. Numa segunda fase, a informação será tratada e estão previstas sessões de discussão dos resultados dos inquéritos, com datas e locais

anunciados mais tarde. ‘O que fazias por Portimão?’ é encarado pela estrutura política como um meio de participação pública e de partilha de ideias, incentivando os jovens a tornarem-se ativos nas decisões tomadas no concelho.

O Partido Social Democrata (PSD) diz que só agora, a um ano de distância das próximas eleições autárquicas, é que o PS acordou para a grave lacuna na ‘Estratégia Local de Habitação’, após dois anos de promessas. A estratégia foi aprovada a 9 de setembro em reunião extraordinária de Câmara Municipal, após apresentação pelo executivo socialista. O PSD recorda que o partido fez aprovar em 2018 uma proposta de acesso à habitação em Portimão, bem como outros documentos posteriores. Dizem que o documento apresentado em setembro de 2020 pretende dar resposta a diversos problemas identificados, mas que já o devia ter sido feito há muito tempo. PUB


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CENTRAIS Crise provocada pela pandemia mostra que a região precisa de diversificar a sua economia

Viver da agricultura num concelho de turismo

Testemunhos, problemas e oportunidades que se apresentam a quem subsiste com os produtos que a terra dá. FOTOS: JORGE EUSÉBIO

Jorge Eusébio

É

por volta das 4 horas da madrugada que começa a jornada de trabalho de Manuel Joaquim da Silva. Por essa altura, este agricultor de 65 anos de idade sai de casa em direção ao mercado grossista de Portimão, para vender as caixas de legumes que preparou na véspera. Nesta fase, o que mais produz são couves, mas nos seus terrenos, situados na zona das Alagoas, na freguesia de Alvor e com uma área total de cinco hectares, há também salsa, coentros, nabiças, espinafres e diversos outros tipos de vegetais. Depois de cumprida a primeira tarefa do dia, a de comerciante, regressa ao ponto de partida e ‘veste’ então a farda de agricultor. E, no campo, há sempre muito que fazer. Há que tratar do terreno, avançar com as plantações em função da época de cada cultura, arrancar as ervas daninhas, colher os vegetais e preparar o que vai vender no dia seguinte. “Farto-me de trabalhar”, desabafa Manuel Joaquim da Silva. A seu lado apenas tem um funcionário e, de vez em quando, os filhos, que “têm os seus empregos e vêm ajudar quando podem”. Para lhe aliviar a carga podia até contratar mais uma ou duas pessoas, mas tem receio, pois a atividade agrícola não dá muito dinheiro e “provavelmente não poderia mantê-los a trabalhar ao longo de todo o ano”. Por outro lado, aquela é uma atividade dura, o que faz com que não apareça muita gente com vontade de a abraçar. Assim, sobra para si boa parte das muitas tarefas que o trabalho exige. Tem instalado um sistema de rega automática e algumas máquinas que dão uma ajuda, como um pequeno trator e tudo o mais é feito à moda antiga: com uma enxada, muita vontade e força de braços. Em tempos, ainda comprou “uma máquina de plantar alfaces”, mas acabou por constatar que, como tem terrenos relativamente pequenos, a rentabilidade não era muita, pelo que acabou por vendê-la. Praticamente toda a vida de

Nunca falta que fazer na horta de Manuel Joaquim da Silva Manuel Joaquim da Silva tem estado ligada à agricultura, com “um intervalo de cerca de cinco anos em que andei nas obras”. Mas, mesmo nessa fase, não fez ‘férias’ completas da atividade, pois todos os momentos livres que tinha consumia-os na labuta do campo, a ajudar o pai. Às tantas resolveu que mais valia dedicar-se a apenas uma atividade e escolheu a agricultura. Por essa altura, e durante muitos anos, os campos à volta eram todos plantados, havia muita gente que vivia do que a terra dava. Entretanto, o turismo foi ganhando cada vez maior protagonismo e o setor primário passou a ser um parente pobre. Com a chegada em força das grandes superfícies, também muita coisa mudou, pois em vez de comprarem aos pequenos produtores e às lojas de bairro, as pessoas passaram a fazer as suas compras nas novas catedrais do consumo. Como não tem escala para isso, Manuel Joaquim da Silva não pode fornecer a sua produção aos grandes hipermercados, pelo que vende, no mercado por grosso,

aos pequenos comerciantes que aí se deslocam e que “são poucos”. Como, por isso, a entrada de dinheiro não é muita, para que o saldo no final de cada mês seja positivo, há que poupar, algo que há muitos anos se habituou a fazer. Diretamente do produtor ao consumidor Tal como Manuel Joaquim da Silva, também Francisco Germano e Vânia Santos vivem da comercialização de produtos agrícolas. Como não têm produção própria, vão comprar fruta e legumes a agricultores de vários concelhos algarvios e até alentejanos, os quais depois vendem aos consumidores finais. Desenvolvem este modo de vida há apenas cerca de quatro meses. Eram feirantes, mas o surgimento da pandemia trocou-lhes as voltas, pois as feiras e os mercados foram encerrados para evitar o alastramento do vírus. Em vez de ficarem deprimidos, a lamentar a má sorte e sem saber como pagar a renda da casa e todas as outras despesas que um casal com dois filhos tem, arre-

gaçaram as mangas e deram um novo uso à carrinha que usavam na sua atividade habitual. O primeiro passo era encontrar fornecedores, tarefa que, confessa Francisco Germano, “a princípio, não foi muito fácil, o que normal, pois as pessoas não nos conheciam”. Ao fim de algum tempo, a persistência deu resultado e conseguiram que lhes for-

neçam fruta, legumes, mel, azeite e azeitonas que lhes permita encher a viatura com regularidade. A outra tarefa fundamental que tinham pela frente era encontrar clientes suficientes para rentabilizarem o trabalho e a despesa de fazerem a ponte entre quem produz e quem consome. Para que isso acontecesse houve que passar a palavra aos seus poten-

O agricultor prepara as caixas de couve que vai vender no mercado


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CENTRAIS O peso do setor no PIB da região continua a ser pouco relevante. A agricultura (sem a componente florestal) deve valer cerca de 2,5% do total, subindo para 4,7% com a vertente da transformação agro-alimentar ciais clientes de que, em cada dia da semana, durante determinadas horas, podem encontrá-los nos sítios habituais, na cidade de Portimão, mas também na Mexilhoeira Grande e em Lagoa. Mas para quem não queira ou não tenha forma de fazer a deslocação, há outra opção. Através de um simples telefonema ou de mensagem no Facebook - que se tornou no principal meio de promoção do empreendedor casal – podem fazer as suas encomendas que são levadas a casa ou a um outro local e “não cobramos qualquer taxa adicional por isso”. Também não impõem limite mínimo de compras para a deslocação. A estratégia tem resultado, “já temos muitos clientes fiéis e o nosso objetivo no futuro será

conjugar este trabalho com o de feirantes”. Nesta altura até já estão a fazer isso, pois alguns mercados retomaram a atividade, mas “a afluência de pessoas e as vendas são bastante inferiores às que eram antigamente, pelo que só temos ido a quatro”, diz Francisco Germano. Setor com menos trabalhadores mas mais tecnologia Ao longo dos anos, o número de explorações agrícolas na região tem vindo a diminuir, tal como o de pessoas que se dedicam a esta atividade económica. No entanto, diz o diretor regional de Agricultura e Pescas do Algarve, Pedro Valadas Monteiro, “a área média de cada uma tem aumentado e assiste-se a uma

A pandemia fez com que o casal se visse obrigado a mudar de vida

ANA SOFIA VARELA

evolução muito relevante ao nível da tecnologia aplicada na produção”. Nos últimos anos têm vindo a ser feitos muitos investimentos, assentes em novas técnicas e com grande preocupação comercial, empresarial e de poupança de água, o que faz com que, hoje em dia, “tenhamos uma agricultura de precisão, competitiva e muito virada para a exportação”. Uma das culturas mais relevantes “continua a ser a dos citrinos, que recuperou de uma queda grande, com a reconversão de pomares antigos, muitos dos quais tinham sido abandonados”. As novas técnicas adotadas, sobretudo ao nível da rega e da fertilização, levaram a que “os atuais cerca de 15 mil hectares produzam um terço mais do que anteriormente, com 18 mil hectares”. Este responsável regional destaca o facto do setor primário algarvio ter vindo a diversificar a sua produção e, entre outras, refere a evolução de culturas como a dos abacates, frutos vermelhos e a vitivinicultura, que “conta com mais de quatro dezenas de produtores, com apostas não só nos tradicionais vinhos tintos, mas também nos brancos e rosés”. Outra área que tem vindo a implantar-se na região é a das

Pedro Valadas Monteiro defende apoios à agricultura familiar plantas ornamentais, com sete dos maiores viveiros nacionais. Trata-se de uma cultura com “forte componente de exportação”. Potenciar os recursos Contudo, apesar dos passos positivos que têm sido dados, e embora não haja dados atualizados, o peso do setor no Produto Interno Bruto (PIB) da região continua a ser pouco relevante. Pedro Valadas Monteiro estima que, atualmente, a agricultura (sem a componente florestal) valha cerca de 2,5% do total, subindo para “entre 4,5 e 4,7% se a ela acrescentarmos a vertente da transformação agro-alimentar”. Há, portanto, ainda muito a fazer para que os recursos agrícolas possam ser devidamente aproveitados e potenciados. Produtos como a alfarroba têm um grande aproveitamento, sendo utilizadas em alimentos para crianças, barras energéticas e doçaria, entre outros, o que faz com que o seu preço tenha vindo a subir, com isso aumentando a rentabilidade de quem a produz. O mesmo não acontece com muitos outros frutos, sendo importante que se faça investigação nesse sentido e se encontrem novas aplicações que façam com que se tornem mais valiosos. Remunerar os agricultores que cuidam da natureza Tal como noutras áreas, também este setor tem nos fundos comunitários uma oportunidade de se

financiar para crescer e se tornar mais competitivo. Durante algum tempo, devido às regras existentes, muitas candidaturas algarvias acabavam por não conseguir obter a classificação que lhe permitisse aceder a esses fundos. Contudo, diz Pedro Valadas Monteiro, essa é uma realidade que está a mudar, pois “com a alteração dos critérios, subiu substancialmente o nível de aprovação dos projetos”. Nesta altura, os serviços regionais de agricultura “têm em carteira para análise até ao final do ano à volta de 90 candidaturas, envolvendo investimentos superiores a 20 milhões de euros”. Mas, naturalmente que estes apoios são facultados a empreendimentos agrícolas de alguma dimensão, sendo a demonstração da sua viabilidade económica um fator essencial. Isso acaba por deixar de lado a pequena agricultura familiar que “é muito importante, em termos sociais e de ocupação de partes significativas do interior do Algarve”. Pedro Valadas Monteiro defende que o agricultor passe a ser encarado “não só como empresário, mas também como cuidador e protetor da paisagem e da natureza, pelo que deverá ser remunerado enquanto tal”. Trata-se de uma ideia que, na sua opinião, deverá começar a ser discutida a sério, de forma a que, eventualmente, possa vir a ser contemplada no próximo Quadro Comunitário de Apoio que está a ser preparado. PUB


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RAIO X

A foto

JOSÉ VIEGAS Podia ter sido jogador de futebol, cantor ou cavaleiro, mas acabou por ter uma vida ligada ao mar e aos salvamentos. Já livrou várias dezenas de pessoas de se afogarem e é responsável pela formação da grande maioria dos nadadores-salvadores que desenvolvem atividade nas praias algarvias.

BRUNO SANTOS MEMÓRIAS • A Junta de Freguesia de Alvor desafiou um grupo de cidadãos locais que partilham fotos antigas no Facebook a disponibilizá-las para ser feita uma exposição. O resultado final foi mostrado no domingo, numa das principais ruas da vila e despertou o interesse de muitos habitantes e visitantes. Agora, pode ser apreciada até ao dia 18 de outubro no Páteo do Palácio Abreu.

A frase

A vontade de apoiar quem mais precisa levou este jovem barbeiro a oferecer os seus serviços à Cáritas Paroquial da Nossa Senhora da Conceição. Uma vez por semana está disponível para, gratuitamente, cortar o cabelo e a barba a quem esteja inscrito naquela ou em qualquer outra instituição da Rede Social do concelho.

EMPRESA EKZ

O desporto realizou-me e deu uma volta completa à minha vida, a nível de bem-estar, confiança, de ver o mundo e de ter um orgulho imenso em representar os clubes e o país”. Luís Costa PUB

A futura Central Fotovoltaica Morgado de Arge, a construir no interior do concelho, representa um investimento de 35 milhões de euros, da empresa EKZ com a Smartenergy. Terá 110 mil módulos solares e a eletricidade a produzir no Morgado de Arge deverá suprir as necessidades de 7631 habitações, evitando a emissão de cerca de 34 mil toneladas de dióxido de carbono. As duas empresas suiças escolheram Portimão para o investimento. PUB


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DESPORTO

Emanuel Duarte, portimonense de gema, na Volta a Portugal

Gratuito e dirigido a toda a comunidade

“Quero fazer melhor e ficar no top-15” 

‘Karate 100 idade’ é projeto inovador 

O ciclista, que em 2019 foi 17º na geral e ganhou o Prémio da Juventude, promete prestigiar “a minha terra”. D.R.

O cartaz é sugestivo: ‘Karate 100 idade…avós raízes e nós’. Por outras palavras, estamos perante um projeto inovador, destinado a pessoas de ambos os sexos, mas com mais de 60 anos. Desenvolvido pela IJKA-Portugal, tem o apoio da Junta de Freguesia de Portimão e do Instituto Português do Desporto e Juventude (Delegação do Algarve) e vai ser orientado pelo Mestre Rui Caipira e por António Silvestre, instrutores da IJKA-Portugal. O ‘Karate 100 idade’ é dirigido a toda a comunidade e é gratuito. As inscrições continuam abertas (podem ser feitas através do 968077341) e as aulas, programadas para outubro, vão decorrer numa das salas da junta de freguesia de Portimão, junto à Teia d’Impulsos.  

A partir de 6 de outubro

Equipamentos desportivos abrem as portas à população 

Emanuel Duarte é o chefe-de-fila da equipa LA Alumínios Hélio Nascimento

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ou levar a bandeira de Portimão”, assume Emanuel Duarte, a poucos dias – começa este domingo, 27 de setembro – do início da Volta a Portugal em bicicleta, na qual será, de novo, o representante da cidade na prova-rainha do ciclismo português. Aos 23 anos, o chefe-de-fila da LA Alumínios, portimonense de gema, sabe que tem esse peso nos ombros, mas mostra-se preparado para corresponder. “Tenho muitos amigos portimonenses que também andam de bicicleta e vão estar de olho naquilo que faço. Querem que tenha uma época excelente. Não sei se a pressão é maior, mas prometo dignificar a minha terra”. Emanuel foi a grande revelação da última Volta a Portugal, obtendo o 17.º lugar e conquistando o Prémio da Juventude. Tratou-se, aliás, de um ano de excelência, já que, pouco depois, ganhou a Volta a Portugal do Futuro, prova destinada a ciclistas sub-23, vestindo a camisola amarela na 1.ª etapa e conservando-a até ao derradeiro dia. E agora? “Desde o início da preparação que o meu objetivo passa por fazer melhor do que no ano passado. Ficar no top-15 será bom”, garante o jovem, que, no recente Nacional de Rampa, obteve um brilhante 4.º lugar. “As sensações foram boas. Fiquei com

mais confiança para atacar o que tenho em mente, mas, atenção, na Volta não é só o estar bem fisicamente que conta. Também é preciso um pouco de sorte”, salienta, referindo-se, porventura, a uma queda ou a uma falha técnica. “A equipa encontra-se igualmente preparada. Estivemos uma semana na Serra da Estrela, em estágio, e tudo correu na perfeição”, diz o homem que vai ser o líder da LA Alumínios na Grandíssima. “Sou o chefe-de-fila, mas no ciclismo nunca se sabe”, vinca Emanuel, a propósito das contingências da modalidade e do apuro do momento de cada um dos componentes da formação. Para os responsáveis da equipa, aliás, segue um aplauso sentido. “A época foi atípica, como todos sabemos, sempre à espera de haver ou não calendário. Não foi bom, psicologicamente, e o trabalho de longa duração a que estivemos sujeitos provocou desgaste, mas valeu-nos sempre o apoio da LA Alumínios. Numa altura de enormes dificuldades, os nossos ordenados estiveram sempre em dia”, sublinha o ciclista. “Isto dá-nos mais garra e ninguém vai baixar os braços”, exclama, com o foco total na Volta a Portugal. 

Da vela às bicicletas Sendo ainda para muitos um ciclista pouco conhecido, sobretudo para aqueles menos atentos

ao mundo das bicicletas, importa acrescentar algo mais sobre Emanuel Duarte, que, em termos desportivos, até começou por fazer vela, e em “casa”, no Clube Naval de Portimão, tendo experimentado as classes optimist, laser e 420. Somou alguns triunfos e tinha a mira nos Jogos Olímpicos de 2016, mas a falta de apoios da federação levou-o a mudar de objetivo. “A vela é um desporto caro e já tinha pago muitas despesas do meu bolso. Estava na hora do ciclismo”, conta, com um sorriso elucidativo. A bicicleta fazia parte da sua rotina, enquanto preparação física para a vela, e foi num desses treinos que surgiu a oportunidade. “Acharam que tinha caraterísticas para o ciclismo e o senhor Carlos Reis, do Mato-Cheirinhos (uma coletividade do concelho de Cascais), fez o convite”. Emanuel tinha na altura quase 18 anos e a sua vida desportiva alterou-se num rápido piscar de olhos. Em 2018 começou a correr pela LA Alumínios, uma equipa já com tradições no ciclismo português, e no ano transato, em estreia na Volta a Portugal, terminou com o tal excelente 17.º lugar e com a conquista do Prémio da Juventude. A Câmara de Portimão homenageou-o na altura. As etapas de montanha são a sua especialidade, confessando “gostar mais das subidas longas”, em detrimento das explosivas.

Com uma oferta diversificada, o Município de Portimão vai iniciar, a partir de 6 de outubro, os diversos projetos relacionados com a época desportiva 2020/2021, privilegiando a ginástica de manutenção e adaptada, as modalidades de ginásio, o ténis, a natação, a hidroginástica, a hidroterapia, o ballet e a dança contemporânea. As atividades terão lugar no Pavilhão Gimnodesportivo de Portimão, no Pavilhão Desportivo da Boavista e nos Complexos Desportivos de Alvor e Mexilhoeira Grande, nos quais serão implementadas as medidas de segurança relativas ao plano de contingência aprovado pela Subcomissão Municipal Permanente de Proteção Civil – Covid-19.  Nesse sentido, o Município teve como principal preocupação responder à procura existente nos quatro equipamentos, assegurando a prática desportiva regular, pelo menos uma vez por semana. O objetivo é promover a saúde.  PUB


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PESSOAS A história do paraciclista que, aos 47 anos, quer voltar a dignificar as cores portuguesas

Luís Costa: o verdadeiro campeão “No dia seguinte a sair do hospital estava no ginásio com um colar cervical e sem uma perna”, conta o atleta, que, antes do acidente, fez atletismo federado e foi paraquedista. Agora, não larga a sua ‘handbike’. FOTOS: ANA SOFIA VARELA

do Rio de Janeiro de 2016 obteve o 8º lugar na sua classe, a H5, no contrarrelógio e também na prova de estrada.   Até Tóquio, de facto, há muito para batalhar. “Teremos duas Taças do Mundo, em abril e maio, de qualificação para os Jogos, depois o Mundial, em Portugal, no Autódromo do Estoril, que, mesmo não sendo de qualificação, tem enorme importância para o sele-

forma profissional, mesmo não o sendo. Tenho uma bolsa do IPDj, ou seja, recebo dinheiro todos os meses dos contribuintes e acho de bom tom merecer esse dinheiro”. As voltas que a vida dá  A esta altura, os nossos leitores menos identificados com a modalidade estarão certamente a perguntar ‘quem é o Luís Costa’. Quem é, de facto, este verdadeiro

“Numa semana, descanso um dia. Em seis dias, treino nove vezes. Acabo de jantar, muitas vezes, lá para as dez da noite”

Luís Costa na sua estrada predileta para treinar, entre Portimão e Monchique

Hélio Nascimento

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urante seis dos sete dias da semana a cena repete-se: Luís Costa e a sua ‘handbike’ partem à conquista de novas histórias para contar e de mais desafios para superar. O paraciclista trata por tu as bermas da estrada que liga Portimão a Monchique, num vaivém impressionante de destreza e persistência. Com tantas – e tão importantes – provas à porta tem mesmo de ser assim. “O objetivo imediato é fazer as corridas de outubro, que é um mês muito preenchido. Vamos ver se a covid deixa. É o que vai salvar a época, porque até agora só fiz uma prova em março, a Taça de Espanha, que até terei ganho, e o Campeonato Nacional de contrarrelógio, em Paredes, no mês passado”, enumera o atleta,

totalmente focado nas tais provas do próximo mês. “No dia 5 de outubro está prevista a Taça Portugal de contrarrelógio, no encerramento da Volta a Portugal em bicicleta, em Lisboa, o que será algo de espetacular, não só pelo percurso como pelo facto de estar inserida na Volta. Em termos de divulgação, é ótimo”, prossegue Luís Costa, porventura o mais conceituado dos paraciclistas portugueses, já com uma presença olímpica. “A seguir, estarei com a seleção nacional, na Áustria, para um evento com três provas em três dias, integrado no calendário internacional, e, depois, tenho uma prova internacional em Cáceres. São três semanas seguidas a competir, com o fim da época à vista, uma vez que outras corridas foram canceladas e não se prevê mais alterações”, explica, aludindo

às marcas deixadas pela pandemia na calendarização desportiva. Os Jogos Paralímpicos, claro!  Sempre aplicado nos treinos e a apontar, por estes dias, às corridas de outubro, Luís Costa tem, contudo, um alvo maior a nortear uma boa parte dos seus planos. Os Jogos Paralímpicos! Marcados para este ano, em Tóquio, foram adiados para 2021 pelos motivos sobejamente conhecidos. “É o objetivo principal de qualquer atleta. Estou integrado no projeto Tóquio, mas, até lá, há muitas outras provas pelo meio. E todas importantes, porque a qualificação não está encerrada. Portugal tem uma vaga garantida, mas o objetivo da federação é tentar a segunda. Está pendente. Se fosse agora, essa segunda vaga era nossa”, atira o homem que nos Jogos

cionador fazer a última escolha e preencher as vagas”, elucida Luís Costa, sabedor de que, nesta altura, “nada está garantido”, embora integre o Projeto Tóquio desde 2015. “Os atletas evoluem e as coisas mudam. Estou bem, mas há sempre a hipótese de um outro poder evoluir e, no momento das decisões, estar melhor do que eu. Por isso, o trabalho é contínuo e depois o selecionador é que decide”, considera, prometendo “não facilitar”. Neste contexto, aliás, o testemunho de Luís Costa mostra bem a fibra de que é feito. “Possuo estatuto de alto rendimento e mesmo durante o confinamento treinei em estrada, devidamente autorizado. Nunca baixei a guarda, planeando a época caso voltassem as provas. Encaro tudo de

campeão, que, amputado de uma perna, devido a um acidente de moto, em 2003, veste com indescritível orgulho as cores do nosso país!? “Nasci em Castro Verde e estou no Algarve há cerca de 20 anos. Cresci no Alentejo, no concelho de Aljustrel, e vivi a infância na aldeia de Montes Velhos, onde ainda hoje estão os meus pais e familiares. Fiz a tropa, saí depois do Alentejo e a vida, entretanto, deu muitas voltas. Vim para Portimão por motivos profissionais e cá estou”, resume o também inspetor da Polícia Judiciária, que, antes do acidente, foi paraquedista e atleta federado de atletismo. “Sempre fiz desporto na minha juventude. Fui federado no atletismo, desde os juvenis, mas, quer antes quer depois de fazer

Esperança em voltar às medalhas Quatro medalhas de prata em Taças do Mundo e outras tantas de bronze na mesma competição. Mais o bronze no Campeonato do Mundo de 2017 para o medalheiro de Luís Costa, que recorda estas conquistas de uma forma sucinta. “Na Taça do Mundo, de uma das vezes em que fui vice-campeão, fiquei a um ponto do ouro. É uma prova por etapas, em que a regularidade é o mais determinante. Mas tenho esperança de voltar às medalhas”, acentua, piscando já o olho ao próximo ano, durante o qual vão realizar-se o Campeonato da Europa, o Campeonato do Mundo, os Jogos Paralímpicos e a Taça do Mundo, tudo eventos de enorme relevância no calendário do paraciclismo. “Vai ser um ano em cheio!”, atira, com a força dos verdadeiros campeões.  


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PESSOAS competição, o desporto era uma constante do meu dia a dia. Corria, treinava e estive quatro anos e meio no serviço militar, onde o culto da forma física está sempre presente. E fui paraquedista”, recorda Luís Costa. “Ou estamos em forma ou sofremos muito”, diz ainda, enfatizando um particular gosto pelo desporto e pela boa forma física. “O paraciclismo? Quando tive o acidente já ia ao ginásio em Portimão. Pensei muito no que fazer…e no dia seguinte a sair do hospital estava no ginásio com um colar cervical e sem uma perna”.   Não há um lamento ou um qualquer assomo de desconforto nas declarações do atleta paralímpico. “No ginásio, em menos de um ano, recuperei peso – cerca de 20 quilos, que tinha perdido – e quando dei por mim era um armário sem uma perna. Durante 10 anos só fiz ginásio, mas, a dada altura, já sentia claustrofobia. Sabe, sou campaniço, nasci no campo, e estar entre quatro paredes já me saturava. Procurei então uma alternativa e pensei na canoagem, até que, em 2012, via os Jogos de Londres na televisão e o Zanardi era o homem do momento”. Os olhos de Luís Costa ganham ainda um brilho mais intenso quando se refere ao italiano, ex-piloto de Fórmula 1, que ficou sem as duas pernas na sequência de um acidente.   “Lembrava-me bem do acidente dele e não admira que nesses Jogos a imprensa lhe desse bastante importância. Foi bom

O dia devia ter 48 horas… Luís Costa representa o Centro de Ciclismo de Portimão/Belmira Cruz, “que me acolheu este ano para poder alinhar, finalmente, por um clube da terra”, depois de ter corrido pelo Sporting-Tavira e W52. “O meu dia a dia? É muito apertado e devia ter 48 horas”, opina o paraciclista, que se levanta cedo e às 9 horas já está a treinar. Depois almoça, vai trabalhar na PJ de Portimão e, dia sim dia não, efetua outro treino ao fim da tarde. “Numa semana, descanso um dia. Em seis dias, treino nove vezes. Acabo de jantar, muitas vezes, lá para as dez da noite”.  A sua preparação decorre nas estradas da região, sobretudo na estrada que liga Portimão a Monchique. “É uma estrada polivalente, com extensão plana, que permite treinos específicos para velocidade. Há igualmente subidas, aliás, das poucas zonas em que posso fazer subidas de 30 ou mesmo 40 minutos. E às vezes vou direto ao autódromo, para zonas de sobe e desce, o chamado carrossel. Num sítio ou noutro, há condições, e assim evito a EN125, quer pelo muito tráfego quer pela sujidade na berma”.  Por falar em tráfego: Luís Costa não receará os automóveis? “Eu receio! Esta estrada tem berma e tenho esse cuidado, nunca saio da zona indicada. Se alguém me atingir tem de andar distraído, pois eu circulo sempre na berma. Mas tenho mais medo dos carros que vêm de frente, porque há retas longas e há quem faça ultrapas-

“As provas são de um dia só, curtas e explosivas, não é fácil. Já atingi o meu pico de potência, tenho noção disso, mas a experiência pode valer nas provas de fundo” e chamou a atenção para o paraciclismo e para todo o desporto adaptado. Comecei então a interessar-me e ao fim de poucos meses tinha a minha handbike e competia a sério. Três meses depois já estava na seleção, a participar numa Taça do Mundo. Foi tudo tão rápido”, reconhece Luís Costa, que, aproveitando a força dos braços, encontrou “o desporto que me realizou e deu uma volta completa na minha vida, a nível de bem-estar, confiança, de ver o mundo e de ter um orgulho imenso em representar os clubes e o país”. Só alegrias. 

sagens. Pensam que venho longe, mas não. Imagine, se eu vier a 40 ou 50 km/h, a minha velocidade mais a dele…”, argumenta, montando um hipotético cenário que, felizmente, nunca aconteceu. Acompanhamento à distância  O treino de Luís Costa é muito específico e não obedece a simples contas de quilómetros ou de trajeto. “Vai até onde? Quantos quilómetros? Isso é o que menos interessa. Tenho um plano de treinos, diário, com acompanhamento à distância, graças às novas tecnologias, coordenado pelo

Mesmo a um ano de distância, os Jogos Paralímpicos de Tóquio são o grande objetivo do atleta técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo, o professor Gabriel Mendes, que me acompanha desde 2015. É graças a ele que tenho evoluído, com meios técnicos ao meu dispor”, narra o atleta, falando do potenciómetro, uma ferramenta essencial para o ciclismo e para quem faz competição, em detrimento dos treinos por frequência cardíaca. “É a potência momentânea, por patamares, o que de verdade importa. O tempo de potência, consoante o vento, a temperatura, o perfil. Cumpro o treino de acordo com o plano traçado pelo Gabriel, que é todo gravado, para depois o descarregar numa plataforma da internet e enviar. O professor tem acesso ao meu treino e faz as correções que julgue então necessárias”.   O selecionador nacional, José Marques, está também a par das performances do paraciclista, sobretudo para intervir quando chegam as provas de cariz internacional. “Nessa altura, discutimos a tática, depois de reconhecer o percurso e de ver, por exemplo, se tem mais ou menos subidas”, relata Luís Costa, que não dá mostras de cansaço apesar de ter acabado a sessão de treino pouco antes da conversa com a reportagem de Portimão Jornal. “Esta manhã fiz um teste de contrarrelógio e fiquei satisfeito com os dados registados, mas sim, estou cansado. Não é todos os dias que dou o litro, mas dia sim dia não…”.  O dia de ‘hoje’, convenhamos,

ainda não acabou. Luís Costa vai almoçar e depois apresenta-se na Polícia Judiciária de Portimão. Qual será, a propósito, a opinião dos colegas, no que diz respeito à carreira desportiva do nosso protagonista? “Teria de perguntar

a eles. Gosto de pensar que têm orgulho, e que, mesmo sem tanta disponibilidade para os acompanhar no trabalho, dou o melhor em tudo. No desporto também, claro. O bom senso existe e ficamos todos a ganhar”.

“Vamos com cuidado para o motor não partir” Luís Costa tem 47 anos. Nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, no próximo ano, terá 48. “Não direi que estou velho, até porque nesta modalidade a média de idades é alta. Mas ter 48 anos torna as coisas um pouco mais difíceis. O nível geral deu um grande salto qualitativo, os adversários andam na casa dos 20, 30 e 40 anos e aparecem indivíduos com sangue novo e muita explosão. As provas são de um dia só, curtas e explosivas, não é fácil. Já atingi o meu pico de potência, tenho noção disso, mas a experiência pode valer nas provas de fundo. No sprint é mais complicado. A ‘experiência de maratonista’, porém, ajuda a manter um nível elevado durante mais tempo”.   Luís Costa exemplifica com alguns casos em que a sua experiência pode fazer a diferença, nomeadamente em não atacar quando não é necessário e nem ir atrás de algum ‘fugitivo’ que terá poucas hipóteses de se isolar. “É preciso uma certa ratice. Temos de poupar energia para os últimos quilómetros”, acrescenta, reconhecendo que a conquista da medalha de bronze no Mundial de 2017 terá sido o seu “grande momento”.  “Os anos de 2017 e 2018 foram bons e muito parecidos. Agora, preciso de gerir melhor as situações e procurar atingir o pico ideal no momento certo. Sonho? Já estive nos Jogos Paralímpicos de 2016 e quero chegar ao próximo, para procurar lutar pelas medalhas. Talvez fosse mais fácil há dois ou três anos atrás. Desta feita teremos aí um grupo de dez atletas que pode chegar às medalhas. No Rio de Janeiro não foi assim. Tenho pena que o meu pico espetacular, em 2017, não tivesse surgido um ano antes. Mas vamos com cuidado, para o motor não partir”, graceja.  


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OPINIÃO

Pedro Manuel Pereira Historiador O leitor já se interrogou por que razão da temporada Outono/Inverno 2019/2020 não há notícias detalhadas sobre o habitual e sazonal surto gripal? Nem agora, passada a Primavera e em pleno Verão, como acontece todos os anos? Ninguém surge constipado… com a habitual gripe. No Verão, até costuma ser bem complicado quando alguém contrai um vírus gripal… Já agora e a talhe de foice… O leitor ainda se recorda do surto gripal da temporada de 2018/2019? Sabe que continuou até ao Verão de 2019? Recorda-se que os hospitais e centros de saúde estiveram entupidos esses meses com gente contagiada pelo malfadado vírus? Sabe o leitor que por via dele morreram milhares de pessoas, de acordo com a DGS? E mais umas dezenas de milhar com pneumonias, broncopneumonias e outras maleitas associadas a esse vírus?

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Pandemia de terror os números dos “infectados” podem ser grotescamente aumentados inflacionando miseravelmente os dígitos constantemente manipulados pela Organização Mundial de Saúde, pela indústria farmacêutica, pelos governos, e depois ampliados pela comunicação social corporativa ao serviço dos governos serventuários dos genocidas, sugerindo ridiculamente que o covid-19 poderia ser pior do que o surto de gripe em 1918 (pneumónica) atribuído falsamente à Espanha, mas de origem chinesa, afirmando de forma ordinária e mentirosa que o covid-19 transformou praticamente todas as pessoas em criaturas submissas a qualquer medida tomada, ou ordem dada ostensivamente, para impedir a propagação do vírus.

Com base em dados imprecisos e incompletos, as pessoas estão a ser alvo de propaganda terrorista por banda dos traficantes de medo para que abram mão das suas liberdades enquanto seres humanos e cidadãos.

A contaminação ou contágio por covid-19 está a ser usada para aterrorizar os cidadãos, submetendo-os impotentemente ao mais recente e sinistro passo da elite global para assumir um controle muito maior das vidas dos seres humanos.

Como resultado da pandemia de medo, os direitos humanos à privacidade, liberdade de movimento, e liberdade de reunião, por exemplo, consagrados na  Declaração Universal dos Direitos Humanos  proclamada na Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de dezembro de 1948, foram no contexto desta “pandemia”, pública e completamente rasgados com proibições de reuniões, requisitos de duvidosa legalidade para “distanciamento social” e vigilância ainda maior das actividades privadas dos cidadãos, que em muitos países foram acatadas por esses, como carneiros a ir para o redil.

Como o medo de contrair o vírus (e as suas consequências hipoteticamente mortais)

Negados os direitos fundamentais (que pode consultar no mesmo site) incluindo aqueles que impedem a prisão ou detenção arbitrária, o distanciamento entre seres humanos, o direito de reunião, a liberdade de deslocação, a prestação de assistência

Para um resumo global abrangente, que monitora as respostas dos governos individualmente à “pandemia” que afecta as

Conhecemos muitas pessoas em Portugal que se encontram fechadas em casa aterrorizadas desde o passado mês de Março. A propaganda do terror bolsada pelos meios de comunicação social ao serviço do poder, tem alimentado bem este pavor. Mas também a indústria farmacêutica encontra aqui um riquíssimo filão para a engorda dos seus lucros. A “pandemia” do coronavírus vai, inevitavelmente, provocar a breve trecho uma crise alimentar e uma mega depressão económica global. A maior da história moderna, para além de uma “epidemia” de doenças

Com base em dados imprecisos e incompletos, as pessoas estão a ser alvo de propaganda terrorista por banda dos traficantes de medo para que abram mão das suas liberdades enquanto seres humanos e cidadãos.

O medo propagandeado e manipulado, destrói o conhecimento e a evidência, como a história demonstrou infinitamente ao longo dos séculos. Basta atentar ao que fez Joseph Goebbels (o ministro da propaganda de Hitler), como é que os nazis fizeram isso e com grande sucesso, na Alemanha Nacional-Socialista.

O leitor sabe que em Julho passado morreram 10.390 pessoas em Portugal, e só 159 destas mortes, ou seja, 1,5%, se deveu ao Covid-19? Sabia ainda que a DGS ainda não deu uma explicação para o brutal aumento de mortos nesse mês?

O golpe foi planeado para tomar medidas imediatas para garantir que os direitos e liberdades fundamentais, conquistados depois de muitos séculos de luta, sejam liquidados e as pessoas aceitem uma nova e miserável realidade, acagaçadas que andam. Por isso a ideia de um vírus “pandémico” é um verdadeiro golpe de mestre de um aparente programado genocídio humano.

liberdades cívicas e os direitos humanos, com foco nas leis de emergência, contingência e correlativas, consulte por exemplo: https://www.icnl.org/covid19tracker. Mas aconselhamos o leitor a ler com cuidado, para que eventualmente não venha a vomitar durante a consulta dos dados da realidade fidedigna exposta no site acima referido.

médica adequada e atempada a patologias diversas, etc., etc., que existiam anteriormente, constactamos que destas, na prática “desapareceram” por decisão de muitos governos ao redor do mundo, incluindo Portugal. Mais de 150 países no mundo usaram uma variedade de medidas ilegais e, por vezes inconstitucionais, variando de “bloqueios” e toques de recolher a leis marciais, “cercos sanitários”, e suspensões de parlamentos a favor de regimes a descambar para ditaduras e, ditaduras já instaladas, de forma a exercerem um controle mais completo das sociedades nacionais.

do foro psiquiátrico e outras, sem contar com o exponencial aumento de suicídios. Nesse o caso, os danos causados ​​pela “pandemia” do vírus chinês, caso dos direitos, liberdades, segurança económica, governação democrática, economia global e meio ambiente, serão de todo o modo irreparáveis ​​e levará muitos anos a ser restaurada uma versão parcial dos direitos conquistados pelos cidadãos na era pré-covid.

Quem lucra com a pandemia? Em primeiro lugar, o poder político, devido ao facto de suprimir liberdades cívicas, restringir a liberdade de circulação e de reunião e de confinar as pessoas numa espécie de prisão domiciliária, obrigatoriamente ou de forma consentida por via do terror induzido. PUB

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ÚLTIMAS

Filipinho considera que o futsal do Portimonense vai entusiasmar

“A equipa está mais madura”

Sábado Solidário para apoiar instituições

O campeonato começa dia 3 de outubro, com a receção ao Braga, e o capitão garante que o compromisso será total. D.R.

Hélio Nascimento

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ilipe Soares, o capitão da equipa de futsal do Portimonense, não tem dúvidas de que o grupo está preparado para entrar de pé direito no Campeonato Nacional, depois da ‘rodagem’ adquirida na época passada, quando se estreou no principal escalão da modalidade. “A equipa está mais madura e mais personalizada. Mantivemos o núcleo duro, já que houve poucas entradas e poucas saídas, e essa base vai certamente ser fundamental para um bom início de campeonato”, assevera o jogador, uma das maiores referências do plantel de Pedro Moreira. A estreia está marcada para 3 de outubro, com a receção ao Braga, persistindo ainda algumas dúvidas – motivadas pelos cuidados inerentes à covid-19 – se será no Pavilhão da Boa Vista ou no Gimnodesportivo da cidade. “É um bom sinal começar em casa. Queremos ganhar e mostrar a nossa garra”, prossegue Filipinho, o nome por que é conhecido o jogador no mundo do futsal. “O Braga tem uma boa equipa, mas já sabemos que todos os jogos serão complicados”, alerta, prevendo as

A Teia d’Impulsos continua a apelar à solidariedade, agora com uma ação que necessita da ajuda dos portimonenses: no terceiro sábado de cada mês, todos os que queiram podem contribuir com a angariação de produtos alimentares que, depois, serão entregues a diferentes instituições de cariz social do Município. Esta ação solidária decorre no Mercado Municipal, entre as 8h30 e as 14h, com a recolha dos produtos que, em cada sábado, serão destinados a apoiar as instituições que mostraram interesse em participar no projeto, casos do MAPS (17 de outubro), Associação Flor Amiga (21 de novembro) e Projeto Rio (19 de dezembro). Para além do Mercado Municipal, o Sábado Solidário tem outro ponto de entrega no Espaço Raiz, na Rua Francisco Daniel, na Pedra Mourinha, durante a realização do Mercado da Bagageira, que acontece também a cada terceiro sábado do mês.

Dois deles em outubro

Mais eventos com o ‘carimbo’ da StartUp

“Cresci com a ajuda dos colegas”, diz o ala dos alvinegros habituais dificuldades na maioria dos desafios a disputar.   Em termos pessoais, o ala, de 25 anos, garante que se sente “pronto para mais uma época”, depois de “ter crescido com a ajuda dos colegas”. De resto, diz ainda, “o nosso compromisso é maior e tanto individual como coletivamente acredito que o Portimonense vai estar à altura e tem tudo para corresponder às expetativas”.  Os alvinegros, recorde-se, têm cinco reforços: Guta, Kanika, Caio Júnior, Wendel e Moreira. Os atle-

tas que transitaram são Miranda, Divanei, Filipinho, Caio Ruiz, Paulinho Rocha, Deivão, Bruno Miguel, Paulinho Martins e André Rochato. “Os reforços vêm para ajudar. A integração foi fácil e o acolhimento também”, remata Filipinho, destacando ainda o trabalho da equipa técnica, essencial para o entrosamento das “caras novas” e para aumentar a dinâmica de uma equipa que terminou 2019/20 em grande. Que 2020/21 seja melhor!

Monumentos megalíticos vão recriar oficinas da Antiguidade

Uma aula de História em Alcalar dedicada à arqueologia

É já neste sábado, 26 de setembro, que os monumentos megalíticos de Alcalar serão palco das Oficinas da Pré-História, propiciando, a quem se inscrever, uma autêntica aula de História, ficar

Teia d’Impulsos em novo projeto

a perceber como há milhares de anos se moldava o barro, talhava, gravava e pintava. Integradas nas Jornadas Europeias do Património, as oficinas têm o cunho do GAMP - Grupo de Amigos do Mu-

seu de Portimão, que tem vindo a desenvolver alguns projetos em estreita articulação com o Museu de Portimão e a Direção Regional de Cultura do Algarve, dos quais se destaca a atividade ‘Um Dia na Pré-História’, que costuma atrair centenas de pessoas a Alcalar. Esta ação, aliás, constitui uma alternativa àquela iniciativa, que este ano foi suspensa devido à atual situação pandémica, prevendo-se que seja retomada em 2021. As quatro oficinas de talhe, de placas de xisto, de barro e de pintura rupestre, a realizar das 10h00 às 18h00, abordarão os domínios da arqueologia experimental, da arte e arqueologia e da animação pedagógica.

A StartUp de Portimão continua a desenvolver e a promover iniciativas de vária ordem, assentes no empreendedorismo, como foi caso da ação ‘Como tirar partido da rede de contatos’, através de Luís Matos Martins, CEO dos Territórios Criativos. A próxima está marcada para dia 29 e tem a curiosidade de ser em inglês: ‘How to approach an investor’, com Erik Brits. Já em outubro, dia 7, o workshop programado denomina-se ‘Apoios ao investimento’ e terá Gonçalo Correia, consultor e especialista em projetos de investimento empresarial, a liderar. Por último, dia 22 de outubro, será a vez de ‘Adaptação à mudança’, com Maria Loureiro de Lemos, especialista em marketing estratégico.

Alunos da cidade de Portimão

Junta de Freguesia oferece material Todos os alunos que frequentam o 1º ano do 1º ciclo do ensino básico, da rede pública na freguesia de Portimão receberam material escolar no início deste ano letivo 2020/2021. A Junta de Freguesia de Portimão tem tomado esta iniciativa há alguns anos para os pequenos estudantes que se estreiam na escola, mas este ano, devido ao agravamento da situação socioeconómica devido à pandemia, o projeto foi alargado a todas as crianças até aos 14 anos de idade, de agregados em situação de carência económica. A iniciativa tem como objetivo dar as boas vindas aos alunos que, agora, iniciam o seu percurso escolar e minimizar os encargos das famílias, explica a Junta de Freguesia.

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Quinta-feira • 24 setembro 2020

Portimonense arranca

Projeto já esteve em consulta pública duas vezes

Empreendimento no João D’Arens chumbado

com uma igualdade (1-1) O Portimonense recebeu e empatou (1-1) com o Paços de Ferreira, no arranque da I Liga, num jogo marcado por um final louco, em que o árbitro, já nos descontos, assinalou um penálti a favor dos alvinegros e depois anulou-o, atendendo às indicações do VAR, e, na jogada seguinte, puniu a equipa da casa também com um castigo máximo, de novo após solicitação do VAR. A igualdade, porém, subsistiu, já que o guarda-redes Samuel defendeu o penálti. Os golos foram apontados por Lucas Possignolo (45’+1), na própria baliza, e por Fabrício (52’), que assinalou assim da melhor forma o seu regresso a Portimão.

A operação de loteamento UP3 na linha da costa mereceu de novo uma avaliação de impacte ambiental desfavorável. CM PORTIMÃO

O

projeto que previa a construção de três unidades hoteleiras no João D’Arens, perto da Praia do Vau, viu ser chumbada a Declaração de Impacte Ambiental pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve. O documento emitido a 11 de setembro compila os pareceres de diversas entidades, entre as quais o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) que considera que as maiores condicionantes ao desenvolvimento do projeto, do ponto de vista da geologia e geomorfologia, estão relacionadas com os riscos “sísmicos e de subsidência, devido ao desenvolvimento da carsificação em profundidade”. A CCDR destaca ainda os diversos comentários desfavoráveis dos cidadãos e a petição, com mais de duas mil assinaturas, contra a criação do empreendimento. Também revela a posição da Câmara Municipal de Portimão que, na qualidade de entidade licenciadora e apesar de mencionar a conformidade da proposta da operação de loteamento apresentada com os parâmetros urbanísticos previstos no Regulamento do Plano de urbanização (PU) da UOPG3, defende que “a concretização desta operação urbanística vem criar uma pressão acrescida sobre os espaços naturais envol-

Central Fotovoltaica é investimento de 35 milhões de euros A primeira pedra da futura Central Fotovoltaica Morgado de Arge, a construir no interior do concelho, foi lançada no dia 14 de setembro e representa um investimento de 35 milhões de euros. O terreno, localizado junto ao Porto de Lagos, tem uma área de cem hectares e terá capacidade para produzir 90.MWh de eletricidade renovável por ano. A infraestrutura resultará do investimento da empresa EKZ, um dos maiores fornecedores de energia da Suíça, com a compatriota Smartenergy, especializada na área das energias renováveis. Terá 110 mil módulos solares fotovoltaicos, sendo prioridade dos promotores minimizar o respetivo impacto na paisagem envolvente.

Electric Daisy Carnival agendado para junho de 2021 na Praia da Rocha O maior festival de música eletrónica Eletric Daisy Carnival foi anunciado para a Praia da Rocha entre 18 e 20 de junho. No ano em que comemora 25 anos, Portugal foi o país escolhido para o regresso à Europa. Os bilhetes já estão em pré-venda e custam a partir de 129 euros, enquanto as entradas VIP custam mais de 199 euros. A par deste evento, já tinham sido anunciados os festivais Rolling Loud e Afro Nation para este ano, mas como foram adiados para 2021, decorrerão na mesma altura que Electric Daisy Carnival. CCDR tomou em consideração os pareceres de várias entidades ventes e a transformação irreversível da estrutura da paisagem e do padrão de ocupação do solo condicionando o projeto a medidas adicionais de gestão da flora e vegetação natural, e à implementação de um programa de monitorização das espécies protegidas identificadas no EIA, assim como da avifauna”.

A CCDR sublinha ainda que “atendendo a que os impactes negativos identificados são nalguns fatores muito significativos, não minimizáveis e impeditivos ao desenvolvimento do projeto, a CA propôs a emissão de parecer desfavorável ao Projeto da Operação de Loteamento da UP3 de Hotelaria Tradicional de Portimão”.

365 Algarve volta em dose dupla O programa cultural 365 Algarve regressa ao concelho de Portimão com duas propostas para o início de outubro. Assim, no dia 2, o restaurante ‘Faina’, junto ao Museu de Portimão, é o cenário do ‘Ventania Music & Food Experience’, às 20 horas, com o concerto Water Tan Dun, o jantar para Línguas de Fogo e DJ Tupimambo. O evento é promovido pelo Teatro Experimental de Lagos e custa 30 euros (concerto e jantar). Já no dia 3 de outubro, às 21h30, a mesma entidade leva ao Teatro Municipal de Portimão ‘Terras’, a nova criação da KALE - Companhia de Dança. A entrada custa cinco euros. PUB

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Portimão Jornal nº 8 | 24.10.2020  

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