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Quinta-feira • 13 agosto 2020 • 1.00€

JOÃO VASCONCELOS

“A crise que estamos a viver será bem pior do que a de 2010” P14-15

Quinzenário • Ano 1 • Nº 5 Diretor: Rui Pires Santos

Marcelo Rebelo de Sousa visita Portimão a 20 de agosto Presidente da República é recebido por Isilda Gomes e janta com autarcas da região. Impacto que a pandemia tem tido na economia da região dá mote às deslocações do governante. P4

Passeios de barco são aventura fantástica

PESSOAS Ilídio Poucochinho, um portimonense dos ‘sete ofícios’ P12-13

GASTRONOMIA ‘Arrebita Portugal’ anima centro da cidade P7

FÓRMULA 1

Paddock do Autódromo alberga 540 camiões P17

MOTOGP Miguel Oliveira vai acelerar em ‘casa’ P24 PUB

Navegar ao lado dos golfinhos e visitar grutas de rara beleza estão entre as preferências dos turistas, desejosos de desfrutar de viagens que se tornam inesquecíveis. P2-3 PUB


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Portimão Jornal • 13 AGO 2020 • Nº5

ATUALIDADE

Passeios de barco ao longo da costa algarvia continuam a ser uma das prioridades dos turistas

Golfinhos, grutas e pranchas numa aventura inesquecível

Eduardo Ferreira, do Ocean 4Fun, conta a história de uma atividade que ‘explodiu’ na última dezena de anos e que só na zona de Portimão já deve concentrar cerca de 50 operadoras. FOTOS: D.R.

Hélio Nascimento

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mbarcar na Marina da Praia da Rocha e zarpar para longe, tanto na direção das grutas como para pontos bem mais distantes da costa, é um dos momentos altos para quem está de férias no Algarve e mais concretamente em Portimão. Os turistas e veraneantes, tanto os nacionais como os estrangeiros, adoram este tipo de aventura, cuja oferta, aliás, acaba por ser diversificada. Partir à descoberta das grutas, acompanhar golfinhos em alto-mar ou utilizar as pranchas de paddle para mais passeios fazem parte do cardápio de dezenas de operadoras, que nos últimos anos têm vindo a apostar neste tipo de atividade. Por outras palavras, a trilogia praia, sol e mar continua a dar cartas, inspirando famílias inteiras a desfrutar de períodos que se tornam inesquecíveis. O Portimão Jornal esteve à conversa com Eduardo Ferreira, um dos três sócios do Ocean 4Fun, empresa no ativo há cerca de três anos. A ideia partiu de Pedro Santos, que já tinha ‘escola’ no ramo. “Foi ele o impulsionador, juntamente com o filho António. Convidaram-me para integrar o

Famílias inteiras desfrutam de passeios incríveis para mais tarde recordar “A visita às grutas foi o primeiro passo, mas agora temos mais três ‘tours’. Um deles tem

É possível observar famílias de roazes, de riscados e de golfinhos comuns. “Quando têm crias, são mais tímidos. Os jovens vêm brincar connosco, mas as fêmeas afundam” projeto, para coordenar os passeios, em virtude de ter também prática no turismo, embora a minha área seja mais a comercial. Começámos a operar entre 2017 e 2018”, conta Eduardo, de 50 anos, que, antes do turismo, se dedicava à arte da pesca. Agora, é também instrutor de paddle.

como pontos altos a gruta de Benagil e uma paragem na Praia da Marinha para um mergulho, outro inclui a entrada na gruta com as pranchas e o terceiro junta a observação de golfinhos em mar aberto com as famosas grutas”. A empresa dispõe de dois barcos, um mais pequeno, com lota-

ção para 11 pessoas, e um maior, um ‘speed catamaran’ com 35 lugares. De início, funcionava somente o mais pequeno, com saídas, sobretudo, para Benagil, durante o Verão, mas depois a atividade cresceu e o ‘catamaran’ possibilitou outro tipo de oferta, que levou, igualmente, ao aumento do staff – chegaram a ser oito os membros efetivos, mas agora, face à pandemia, são cinco. “No ano passado transportámos quase 200 clientes, número que baixou drasticamente, para cerca de 50. Há menos pessoas, e, por norma, fazemos somente dois passeios, um de manhã e outro à tarde. Sente-se a quebra, naturalmente. Não chegamos à lotação total, usamos desinfetante em todo o material e temos máscaras. Estamos certificados pelo Turismo de Portugal com o ‘Clean and Safe’ e esperamos que venham aí melhores dias”, comenta Eduardo, pouco depois

de ter dado saída a um ‘tour’ com uma dúzia de pessoas… no ‘catamaran’ que transporta mais do dobro. O mundo fascinante dos golfinhos Se a viagem às grutas permite ver paisagens de incrível beleza, a observação dos golfinhos encerra

qualquer coisa de extraordinário. É um passeio mais longo, que pode chegar às 14 milhas (cerca de 30 milhas ida e volta), uma vez que os cetáceos não ‘navegam’ junto à costa. Quando se acompanha os golfinhos, a visibilidade é a cem por cento! Um ‘tour’ imperdível, diz quem já fez. Se quiser embarcar nesta

Um pedido de casamento efetuado em plena gruta Entre as muitas histórias engraçadas que Eduardo testemunhou na azáfama das viagens, destaca a de um pedido de casamento. “É verdade. O casal era estrangeiro, de origem britânica, e o ‘sim’ foi dado na gruta de Benagil”, para gáudio da tripulação e restantes passageiros. “Também fazemos festas de aniversário, algumas devidamente combinadas com as famílias”. Outras, todavia, são esporádicas, bem como os ‘parabéns a você’ comumente ouvidos em alto-mar ou junto à costa e com as falésias por pano de fundo.


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ATUALIDADE aventura, fique a saber que vai observar famílias de roazes, de riscados e de golfinhos comuns. “Quando têm crias, são mais tímidos. Os jovens vêm brincar connosco, mas as fêmeas afundam”, explica Eduardo, referindo-se ao espetáculo único de interagir com os simpáticos cetáceos. “A regra é manter sempre uma distância segura e reduzir a velocidade da embarcação, ao mesmo tempo que pedimos aos nossos passageiros que não os alimentem nem façam barulho”. A excitação das crianças e também dos adultos cresce à medida que os golfinhos saltam e nadam junto ao barco, ao mesmo tempo que as máquinas fotográficas disparam a uma velocidade frenética. E se, porventura, não houver golfinhos à vista? “É raro, mas pode acontecer. Se assim for, não devolvemos o dinheiro do passeio, mas o cliente tem duas hipóteses: opta por nova viagem, tentando a sua sorte, ou escolhe outro passeio”, esclarece o empresário. Os bilhetes orçam entre os 20 e os 40 euros e uma viagem destas implica encher com 50 litros de gasóleo o depósito do barco. Apesar do espetáculo deslumbrante dos golfinhos, a viagem com maior procura continua a ser a das grutas. Ainda antes do Carvoeiro e até Benagil e à Praia da Marinha, os recantos criados pelo mar e pela natureza tornaram estas grutas – com nomes curiosos como Algar de Benagil, Farol, Leixão do Ladrão, Amor ou Catedral – mundialmente conhecidas. O passeio demora à volta de duas horas e meia e a procura parte, sobretudo, dos turistas nacionais. “Este ano tem sido assim, em parte devido ao risco vermelho decretado pelo governo britânico, que tem efeito dominó em mais países. Antes tínhamos muitos polacos e irlandeses, agora são os holandeses que mais nos procuram”, assinala Eduardo, garantindo que o turista português representa mais de cinquenta por cento dos clientes. Uma equipa polivalente e um ‘skipper’ experiente As viagens do Ocean 4Fun são sempre conduzidas por um ‘skipper’ (o mestre ou capitão do barco) e um marinheiro. “O nosso ‘skipper’ tem dezenas de anos de experiência e é o rosto de uma equipa polivalente”, sempre pronta a auxiliar os viajantes e preparada para falar inglês, francês, italiano e espanhol, consoante a nacionalidade do passageiro,

Eduardo Ferreira ao leme e sempre pronto a satisfazer a curiosidade dos passageiros que embarcam nestas viagens para além, claro, do português. Para mais ‘internacionalizar’ a empresa, a rececionista é polaca e dá conta do recado como poucos. E o próprio Eduardo não tem mãos a medir, deslocando-se amiúde para ir, de carrinha, buscar clientes aos hotéis, inclusive a Lagos. “Se é uma atividade rentável? Em períodos normais, é. E penso que vamos voltar a esses bons períodos, para mal já basta assim”, comenta o nosso anfitrião, confiante em melhores dias. O momento reflete-se nos operadores turísticos, com vários cancelamentos à mistura. “Vendemos também viagens em plataformas online, ‘ticket shop’ e outro tipo de reservas”, sendo que a concorrência é cada vez maior. “Há muita gente a fazer isto em Portimão. Devem ser umas 50 firmas, no concelho e zonas limítrofes, como Ferragudo, o que é muito para tão pouca gente. Ou seja, é bom para o cliente, mas é mau para o operador, visto que os preços ficam mais baixos”. No ano passado a empresa de Eduardo transportou sete mil pessoas, mas as contas de 2020 serão obviamente muito diferentes. Acrescente-se, por último, que nem todas as embarcações têm capacidade para fazer o ‘tour’ dos golfinhos, face à distância e aos procedimentos que são obrigatórios e dos quais já demos conta. Seja como for, o vaivém de barcos nas imediações da orla marítima é um espetáculo dentro do espetáculo abrangente destes passeios. A não perder.

O aparecimento dos golfinhos é o ponto alto destes circuitos

A fantástica paisagem oferecida pela gruta de Benagil


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POLÍTICA

Presidente da República dá continuidade ao ciclo de visitas

Marcelo Rebelo de Sousa janta com autarcas dia 20 As consequências da covid-19 e o impacto que esta tem tido na economia dão mote às deslocações do governante à região. Agora, será a vez de Portimão.

ANA SOFIA VARELA

Contas aprovadas em assembleia

Câmara reduz passivo em 6,2 milhões de euros As contas consolidadas de 2019 da Câmara de Portimão foram aprovadas no decorrer da última sessão da Assembleia Municipal. O documento contou com 12 votos favoráveis da bancada socialista, 8 contra dos representantes do PSD, Servir Portimão e CDU e 4 abstenções da parte dos eleitos do Bloco de Esquerda e da deputada independente, Cristina Velha. O ano fechou com resultados líquidos consolidados de 7,1 milhões de euros, dos quais 3,7 milhões referentes à Câmara, 3,4 milhões decorrentes da atividade da empresa municipal EMARP e 33 mil da ainda não extinta ExpoArade. De acordo com o documento, o passivo teve uma redução de 6,2 milhões de euros face ao ano anterior e o saldo que transita para este ano é de 39,3 milhões de euros.

Eleições internas no PSD

Carlos Gouveia Martins assume recandidatura Como se esperava, o atual presidente da concelhia de Portimão do PSD, Carlos Gouveia Martins, recandidata-se ao cargo, nas eleições internas que estão agendadas para o próximo dia 5 de setembro. A decisão é oficial e resulta, diz este dirigente partidário em comunicado, do facto de ter recebido “apoio unânime, inequívoco e motivador de um grupo muito alargado de portimonenses que vivem e sentem o PSD desde sempre ou desde tempos mais recentes”. Igualmente na base desta opção está a convicção de que o processo, que foi iniciado em 2018, “está a meio”, pelo que é necessário dar-lhe continuidade. A sua grande ambição política é “fazer deste PSD de Portimão, desta estrutura que liderará o processo autárquico, a primeira equipa a vencer as eleições autárquicas no concelho”. PUB

Principal figura do Estado vai ser recebida por Isilda Gomes

Ana Sofia Varela

M

arcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, estará em Portimão na quinta-feira, dia 20 de agosto, para jantar com os autarcas da região. Ao que o Portimão Jornal apurou ainda não há muitos pormenores sobre o local do jantar, nem se visitará algum espaço, associação ou entidade do concelho. Caso a agenda se mantenha será nesse dia que Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, desempenhará o papel de anfitriã, depois de o PR já se ter deslocado a outros municípios para estes jantares à porta fechada. Este ciclo tem servido para Marcelo Rebelo de Sousa acompanhar ‘a par e passo’ a evolução do turismo em cada concelho, percebendo também as limitações que estão a ser sentidas em outros setores da economia.

E o Presidente da República admite que, quando começou o desconfinamento, o Algarve estava com “zero por cento de turismo, na transição de junho para julho, após a esperança dos feriados em junho, que se mostraram uma desilusão”. Neste momento, a região está entre os 40 e 50 por cento de ocupação, dependendo de cada concelho. “Há uma subida muito rápida, mas temos que admitir que ainda é pouco comparado com aquilo que era o panorama em anos anteriores. É um esforço muito grande que está a ser feito e, pelo menos, os autarcas não pararam, e têm apresentado o seu caderno reivindicativo ao governo”. Aliás, a este propósito, também Rui Rio, líder da oposição, visitou o Algarve no final de julho (ver página 6). Os problemas de fundo na região, como a ferrovia, a saúde, a água, mantêm-se e envolvem elevados investimentos. A par de um

pacote para essas fragilidades é necessário continuar a alavancar o turismo neste revés, “criando mecanismos para garantir o mais possível aquilo que é o emprego no setor. Todos temos a noção que, em Portugal, como noutros países, sobretudo os europeus, este processo do turismo é lento. E depende da evolução da pandemia, das economias na Europa e no Mundo, dos transportes aéreos”, tem vindo a alertar Marcelo Rebelo de Sousa. Mostra-se contente com os números de visitantes a subir, e com os relacionados com a pandemia a baixar, pelo menos na última semana, mas continua ponderado e comedido, sem mostras de grande efusão. Justifica ainda que a atenção dada ao Algarve está relacionada com a incidência fundamental do turismo na economia, em percentagem, em emprego, em criação de riqueza, em contributo para o país.

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Portimão Jornal • 13 AGO 2020 • Nº5

SOCIEDADE

Reunião decorreu no Auditório do Museu e foi realizada à porta fechada

Rui Rio ouviu profissionais da saúde em Portimão O líder social-democrata defendeu a criação do Hospital Central e afirma que no Algarve as deficiências neste setor prejudicam o turismo, alertando o Governo que é urgente tomar medidas. ANA SOFIA VARELA

gião, a saúde é seguramente uma das prioridades”. A verdade é que tem faltado capacidade de atração de profissionais de saúde para a região. Tanto que no início de julho foi

Cristina, o presidente do PSD de Portimão Carlos Gouveia Martins e outros militantes do partido. Ainda durante a visita à região, Rui Rio fez o diagnóstico da atualidade tendo conversado com

“Tenho a consciência de que a saúde é vital (...) se não houver um serviço de saúde fiável, isso afetará a principal atividade do Algarve que é o turismo”

Sindicatos, Ordem dos Médicos e representantes dos enfermeiros queixaram-se a Rui Rio Ana Sofia Varela

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pós quase duas horas reunido com diversos representantes do setor da saúde, no auditório do Museu de Portimão, a 30 de julho, Rui Rio, líder do Partido Social Democrata (PSD), defendeu a importância da construção do Hospital Central na região. Não escutou nada de novo, pois as queixas são as recorrentes, admitiu o presidente do partido que esteve dois dias na região para sentir o pulso à realidade deixada pela pandemia da covid-19. “Aquilo que ouvi dos profis-

sionais de saúde é algo que já tenho vindo a ouvir ao longo tempo e das vezes que me desloco ao Algarve. No entanto, é sempre bom voltar a escutar para não esquecer. O Serviço Nacional de Saúde (SNS), em Portugal, como todos nós sabemos, tem uma resposta deficiente face ao que são as necessidades dos portugueses, e no Algarve a situação é pior que no resto do país”, destacou Rui Rio. Isto é, clarificando a questão, o social-democrata afirma que os problemas são iguais, mas a uma escala maior. “Há, insistentemente, uma reivindicação justa e muito antiga da região no que toca a

um novo Hospital Central”, sublinhou. O líder do PSD refere que já visitou o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), que tem unidades em Portimão, Faro e Lagos, onde viu as “deficiências” existentes. “Tenho a consciência de que a saúde é vital em todo o lado, mas aqui também é, na exata medida em que, se não houver um serviço de saúde fiável, isso afetará a principal atividade económica do Algarve que é o turismo”, considerou. Foi por esta razão que Rui Rio disse que a seguir à vertente turística, que neste momento é dramática na re-

lançado um novo concurso de recrutamento, com alguns benefícios como alojamento, para as unidades de saúde da região, procedimento que ficou deserto. “A dificuldade em atrair médicos e, provavelmente, enfermeiros, não deveria de ser de difícil solução, porque atrair pessoas para ir para o interior será seguramente muito mais complicado. O problema que se coloca é que os médicos não sentem que haja as condições de trabalho que lhes permitam desempenhar bem a sua função e progredir técnica e cientificamente na carreira”, concluiu o líder. Na sessão, à porta fechada, participaram representantes de sindicatos, quer de médicos, quer de enfermeiros, e também da Ordem dos Médicos, bem como os deputados do PSD eleitos pelo círculo eleitoral de Faro, Cristóvão Norte, Ofélia Ramos e Rui

empresários, pescadores e agricultores. Insistiu na necessidade de o Governo avançar com ‘medidas adequadas’, e não meras soluções discriminatórias positivas. “O turismo é importantíssimo para a balança de pagamentos. Para lá das medidas transversais para a economia portuguesa, aqui há uma especificidade. O turismo é o setor mais afetado pela pandemia e o Governo tem a obrigação de olhar para esta região e para as suas especificidades”, referiu. O social-democrata anunciou ainda que o PSD apresentará um projeto de retoma da economia, contemplando os fundos europeus destinados a atenuar o impacto da pandemia em Portugal e com um “conhecimento exato da realidade”. Um programa que terá “um cuidado especial com o Algarve”, direcionado para as empresas “do turismo, da restauração e da hotelaria”, divulgou. PUB

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SOCIEDADE Evento arranca na Alameda no dia 21 de agosto

15 chefs mostram talento na festa da gastronomia ‘Arrebita Portugal’ ANA SOFIA VARELA

O palco não será a cozinha, mas os estabelecimentos comerciais como sapatarias, lojas de roupa, tabacarias, óticas e joalharias.

A

Praça da República, em Portimão, foi o cenário escolhido para acolher, entre 21 e 23 de agosto, a primeira edição do ‘Arrebita Portugal’, um evento que leva o melhor da gastronomia nacional a vários pontos do país. A intenção da Amuse Bouche, entidade que organiza o evento em associação com o Município de Portimão, é estimular a economia e o comércio locais, dinamizar as cidades e incentivar o turismo nacional. Esta é uma forma de reagir ao momento de incerteza vivido devido à pandemia da covid-19, sendo que a iniciativa pretende evitar o colapso da atividade económica através da criatividade em

movimento. Assim, durante três dias, 15 chefs, entre jovens cozinheiros em ascensão e nomes já consolidados do panorama nacional, confecionam pratos de ‘street food’ inspirados nas tradições da região algarvia e na cozinha do mundo, recorrendo para isso aos melhores produtos locais. Os chefs não têm como palco a cozinha, mas alguns dos mais icónicos espaços comerciais da cidade, estando previstos nos três dias da iniciativa cerca de oito mil visitantes, que serão apoiados no percurso definido por três dezenas de voluntários. A comida será servida pelos cozinheiros nos estabelecimentos

comerciais existentes no percurso, como sapatarias, lojas de roupa, tabacarias, óticas e joalharias. Cada chef terá a responsabilidade de criar um prato doce ou salgado, entre os cinco e os oito euros, para degustar ‘on the go’, utilizando na confeção produtos locais e da época. De forma a cumprir o plano de contingência definido pela Direção-Geral da Saúde, o ‘Arrebita Portugal’ tem lugar ao ar livre no centro da cidade, contemplando circuitos de sentido único, para evitar a aglomeração de pessoas, realizando-se na Praça da República e nas ruas do Comércio e Vasco da Gama, entre as 19h00 e as 23h00.

A Vasco da Gama é uma das ruas que recebe a iniciativa PUB

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SOCIEDADE CM PORTIMÃO

Luzes do logótipo foram reacendidas na ponte ferroviária

Sardinha continua a ser rainha mesmo com festival adiado CM PORTIMÃO

Os restaurantes estão prontos a satisfazer o apetite dos visitantes, para que ninguém esqueça o evento.

Novos equipamentos já distribuídos

Insufladores manuais e máscaras protegem nadadores-salvadores

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facto de não ser possível, este ano, realizar o tradicional Festival da Sardinha, devido às limitações impostas pela covid-19, não impede que a rainha do Verão, em termos gastronómicos, volte ao palco principal das atividades portimonenses. Assim, para honrar a efeméride, que desde 1985 constitui uma das principais marcas da cidade, a Câmara Municipal de Portimão reacendeu as luzes do logótipo do festival que foi instalado na ponte ferroviária, na edição de 2018. Esta ação teve como objetivo convidar residentes e visitantes a degustar a habitual sardinha assada, no prato ou no pão, acompanhada com a tradicional batata cozida e salada à algarvia, num

Ninguém passa sem provar uma sardinhada... dos vários restaurantes típicos situados na zona ribeirinha, que estão determinados a satisfazer o apetite de todos os clientes. Os empresários querem também contribuir para que a chama de um dos eventos âncora da cidade na época estival se mantenha viva. Entretanto, a Câmara Muni-

cipal de Portimão, entidade que organiza todos os anos o Festival da Sardinha, já anunciou as datas para 2021, que será entre 2 e 8 de agosto. A autarquia utilizou também as redes sociais para criar uma dinâmica de memórias, partilhando alguns dos momentos mais altos do certame ao longo das suas diversas edições.

Projeto piloto para reduzir os custos

Resíduos urbanos alvo de gestão ‘inteligente’ O Município de Portimão está a levar a cabo um projeto piloto, que, numa primeira fase, se traduz na sensorização dos sistemas de gestão de resíduos urbanos, gestão hídrica e estacionamento, como fator essencial para a viabilidade da estratégia e orientações

relacionadas com o conceito de ‘Smart City’, ou ‘Cidade Inteligente’. Em parceria com a empresa municipal EMARP, vão ser aplicados sensores nos contentores e na frota de recolha de resíduos, potencializando a criação de rotas

dinâmicas com base na capacidade do contentor, o que se reflete numa redução de custos imediata ao nível de desgaste de veículos e consumo de combustível. Para o efeito, já foi instalada uma antena no topo do edifício dos Paços do Concelho.

O Município de Portimão adquiriu 45 equipamentos insufladores manuais e cem máscaras integrais, com o objetivo de aumentar a proteção dos nadadores-salvadores e melhorar a capacidade de intervenção em caso de assistência a banhistas dentro de água. Estes novos equipamentos cumprem as orientações técnicas do Instituto de Socorros a Náufragos para atuação dos nadadores-salvadores no âmbito da covid-19. Os insufladores estão equipados com filtros HEPA (‘High Efficiency Particulate Arrestance’), o que permite uma maior capacidade de filtração, tendo sido distribuídos por cada um dos 45 postos de praia existentes nas praias de Portimão. Quanto às máscaras integrais, foram distribuídas individualmente por cada um dos nadadores-salvadores ao serviço na atual época balnear, de forma a evitar o contacto direto com eventuais vítimas.

Cidadania empreendedora junto dos mais novos

Programa ‘Iniciativa Jovem’ financia novas propostas O Geração XXI, programa de dinamização do setor de juventude do Município de Portimão, criou o programa “Iniciativa Jovem” que permitirá financiar projetos de jovens, estimulando o espírito de iniciativa e uma cidadania empreendedora junto dos mais novos. Desta forma, grupos informais ou jovens a título individual, com idades compreendidas entre os 13 e os 35 anos, poderão apresentar propostas para transformar o território e aceder a pequenos financiamentos, bem como a todo um processo de acompanhamento por parte da equipa da DYPALL Network, parceira neste projeto, no planeamento e implementação das suas ideias. Serão investidos um total de 7.000 euros, distribuídos entre pequenos e grandes projetos, financiados até 200 euros ou 500 euros, respetivamente, podendo ser abrangidas sete áreas prioritárias: participação democrática, cidadania e voluntariado; promoção de hábitos de vida saudáveis; sustentabilidade ambiental; inclusão social; segurança; cuidar do espaço público e solidariedade em relação à Covid 19. PUB


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ECONOMIA Incubadora de empresas celebrou o seu terceiro aniversário

Startup Portimão lança guias do empreendedor e do investidor JORGE EUSÉBIO

construiu-o. Depois sonhou que havia de nele ter corridas de Fórmula 1 e de Moto GP, lutou por isso e agora está a concretizar esses sonhos”.

No decorrer da sessão foi feito o balanço da atividade desenvolvida e apresentados projetos futuros

As publicações têm como objetivo ajudar quem está a pensar instalar o seu negócio no concelho. Jorge Eusébio

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Startup Portimão assinalou, na passada segunda-feira, 10 de agosto, o seu terceiro aniversário, com o lançamento de guias de apoio a empreendedores e investidores. Editadas em português e inglês, as publicações “são uma boa ferramenta para quem quer instalar os seus negócios em Portimão”, referiu, na sessão de apresentação, Luís Matos Martins, o principal responsável pela dinamização da Startup Portimão. Através destes guias é feita a apresentação dos equipamentos, estruturas e apoios com que pode contar com quem queira apostar no concelho. Nas suas páginas podem, também, ler-se declarações e conse-

lhos de quem está habituado a criar empresas. Tim Vieira, empresário bem conhecido dos portugueses sobretudo devido à sua participação no programa televisivo Shark Tank, é um dos entrevistados e garante que “o que torna Portimão num bom lugar para investir é que é um ótimo lugar, com ótimas pessoas, ótimo clima e está no centro do mundo”. A quem está a dar os primeiros passos aconselha que “tente vender o seu produto online antes de o lançar, para ver se há interesse” e não estar de forma prematura a, autenticamente, jogar dinheiro à rua. É que, justifica, “muitas vezes ficamos cegos e pensamos que toda a gente vai querer o nosso produto e não é bem assim”. Incubadora junta duas dezenas de empresas A funcionar, desde o início, nas instalações do Autódromo Internacional do Algarve, a Startup Portimão conta, atualmente, “com um total de 20 empresas, responsáveis por 26 postos de trabalho”, referiu Luís Matos Martins. Ao longo dos seus três anos

de existência já levou a cabo 130 iniciativas e promoveu 198 horas de formação. Tem, também, desenvolvido junto das escolas um programa através do qual são transmitidas as bases do empreendedorismo aos mais novos, procurando-se que, desde muito cedo, se interessem por esta temática. Para os próximos tempos, a estratégia passa pela “angariação de mais startups e por criar condições para que haja um maior relacionamento entre os seus responsáveis”. No fundo, o que se pretende é dinamizar um ecossistema empreendedor, envolvendo o máximo possível de parcerias, até internacionais, que tragam mais-valias e contribuam para que a possibilidade de sucesso de todos os envolvidos seja maior. A Startup Portimão ”é um sonho transformado em realidade”, referiu na ocasião, a presidente da Câmara, Isilda Gomes. Sem a ideia original não seria possível ter-se avançado, mas “não basta sonhar, é preciso conseguir as condições e as pessoas certas para concretizar os projetos”. E, neste caso concreto, foram fundamentais para isso, adiantou, a equipa

liderada por Luís Matos Martins e o responsável pelo Autódromo Internacional do Algarve, Paulo Pinheiro, que disponibilizou as instalações. A ‘festa de anos’ teve lugar exatamente no dia em que era anunciado oficialmente que o Autódromo Internacional do Algarve vai receber uma prova de Moto GP, que se junta, assim, ao grande

Ultrapassar a crise Quando aos sonhos se juntam o trabalho árduo e a capacidade de inovação tudo é possível, inclusivamente ultrapassar os momentos complicados que vivemos, como consequência da pandemia da covid-19, prosseguiu a presidente de Câmara. Mas, para que isso aconteça “é importante que olhemos para o Algarve como um todo, não adianta muito trabalharmos de forma isolada, pois dessa forma é muito mais difícil ter sucesso”. A concluir a sua intervenção, Isilda Gomes manifestou a convicção de que, muito rapidamente, a região, os seus cidadãos e os empresários que aqui investem serão capazes de ultrapassar as circunstâncias difíceis com que nos deparamos. Também o secretário de Estado João Torres, que tem a seu cargo as pastas do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, deixou uma mensagem otimista. Nesta fase, assumiu que é importante a ajuda do Governo aos empresários e garantiu que isso tem acontecido. No que às empresas algarvias da sua área diz respeito, referiu, foram dados apoios de “mais de 3,2 milhões de euros”. No entanto, para além do dinheiro, alertou João Torres, é

O que se pretende é dinamizar um ecossistema empreendedor, envolvendo o máximo possível de parcerias, até internacionais, que tragam mais-valias prémio de Fórmula 1, já anteriormente garantido. Essa circunstância dupla foi aproveitada por Isilda Gomes para destacar a importância dos sonhos, da persistência e da competência. Naquele caso concreto, lembrou, “Paulo Pinheiro sonhou que havia de ter um autódromo e

fundamental que os empresários tenham “capacidade de adaptação e que procurem encontrar novas e inovadoras soluções para continuar a crescer assim que ultrapassemos esta fase mais complicada”, o que acredita ir acontecer provavelmente mais cedo do que imaginamos.


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A foto

RAIO-X ANA SOFIA VARELA

ARREBITA PORTUGAL Nesta fase difícil que atravessamos é preciso ter imaginação para encontrar formas inovadoras de dinamizar a economia sem ‘irritar’ ainda mais o vírus da covid-19. É nesse sentido que foi inventado o projeto ‘Arrebita Portugal’, que procura promover, ao mesmo tempo, os bons petiscos nacionais e o comércio tradicional da cidade.

CLUBE NAVAL DE PORTIMÃO O Clube Naval de Portimão continua a colecionar títulos e distinções. Uma das mais recentes é a certificação de grau Ouro que lhe foi atribuída pela Federação Portuguesa de Vela, que, por essa via, destaca, mais uma vez, o trabalho de alto nível que é levado a cabo pelos técnicos e velejadores do clube portimonense.

OBRAS NA AVENIDA • Estão a ficar quase concluídas as obras que decorrem num dos troços da Avenida Afonso Henriques. Aquela parte da via já está alcatroada, pelo que, nas próximas semanas, os carros vão voltar a poder circular nela. Depois, a intervenção prossegue no troço situado entre aquela zona e a do Largo do Dique.

A frase

Se não forem tomadas medidas urgentes e extraordinárias, também com apoios do governo, muita gente ficará para trás, muitas pequenas e microempresas encerrarão as portas e o desemprego e a miséria atingirão índices elevados.” João Vasconcelos

VERÃO A MEIO GÁS Os empresários continuam a trabalhar e, consequentemente, a faturar bastante menos do que é hábito, nesta altura do ano. É certo que a chegada do mês de agosto e as ‘campanhas promocionais’ do Algarve levadas a cabo por Marcelo Rebelo de Sousa fizeram aumentar o número de visitantes, mas isso não vai chegar para salvar a época e fazer dissipar os receios quanto ao futuro. PUB

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PESSOAS Depois de acabar o horário de trabalho “desligava a ficha e tornava-me outra pessoa”

Um homem com “uma vida cheia com um pouco de tudo” Ilídio Poucochinho é uma figura bem conhecida dos portimonenses. Fez teatro de revista, inventou uma rádio ‘pirata’, meteu-se na política, esteve nos bombeiros e foi animador nos jogos dos Portimonense e em vários certames, como a FATACIL ou o Festival da Cerveja de Silves. FOTOS: JORGE EUSÉBIO

que o texto tinha que lhes ser lido por outros elementos para que o decorassem de ouvido”. E todos desempenhavam os seus papéis com alegria, dedicando ao teatro muito do seu tempo e à borla, “só lhes pagávamos umas sandes, uns petiscos e umas bebidas”. Naqueles tempos, o ambiente nas coletividades era vibrante, pois “não existiam discotecas, bares ou outros sítios onde as pessoas pudessem juntar-se e divertir-se”. Eram realizadas muitas festas, peças de teatro, não só de revista, mas mais ‘sério’, e muitas outras iniciativas. Confessa que o Boa Esperança – onde, para além de ator, também foi dirigente – era, para si e para muitos outros, “uma paixão, um caso de amor, houve alturas em que estava lá mais tempo do que na minha casa”.

Ilídio Poucochinho fazia parte do grupo que antes do 25 de Abril recuperou a tradição do teatro de revista no Boa Esperança

Jorge Eusébio

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omeçou a vestir a ‘pele’ de ator cómico amador ainda antes do 25 de Abril de 1974, no Boa Esperança Atlético Clube Portimonense. Na altura, “os dirigentes acharam que a coletividade precisava de ‘sangue novo’ para dinamizar aquilo e, sobretudo, para voltar a pôr de pé o teatro de revista, que tinha tradições no clube, mas que se deixara de fazer”. Tratava-se de uma tarefa delicada, pois, por um lado, os textos tinham que provocar gargalhadas e palmas entre os espetadores, mas, por outro, não podiam despertar a ira do poder político de então, que, como se sabe, não era o maior apreciador do mundo da liberdade de pensamento e expressão. Havia ‘espiões’ que iam acompanhando a construção de cada peça e na apresentação era habi-

tual “termos um ou dois elementos da polícia na primeira fila” em missão de controlo. Ainda assim, garante que “nunca tivemos grandes problemas”. Desde logo porque “como não queríamos prejudicar o clube, tínhamos cuidado com o que dizíamos, sabíamos até onde podíamos ir e conseguíamos equilibrar bem as coisas”. E como, normalmente, as peças eram apresentadas no Carnaval, da parte dos ‘censores’ “havia alguma condescendência, davam-nos, como se diz em linguagem popular, um certo desconto”. Havia atores que tinham de decorar o texto de ouvido As revistas obtiveram, desde o princípio, grande popularidade e tornaram-se acontecimento na cidade. Isso fazia com que muita gente quisesse participar como ator e “todos os anos apareciam dezenas de candidatos, acabando

o elenco por ser escolhido a dedo e composto pelos melhores”. Entre outros, lembra que dele fizeram parte pessoas como “o Adriano Pereira, o Carlos Serpa, o Raul de Alvor, o Gonçalinho ou o

Uma das grandes chaves do sucesso era “irmos buscar pessoas típicas da terra, gente que todos conheciam, que tinham piada e que falavam a linguagem do povo”. Mesmo que tivessem

“Todas as pessoas deviam passar um ano ou dois numa associação para terem a noção do trabalho que implica e a experiência do que é integrar-se num grupo que não tem outro interesse a não ser ajudar e resolver problemas” Luís Conde”. Mais tarde também se destacou Carlos Pacheco, que acabaria por se tornar o principal responsável da revista.

algumas limitações ao nível da técnica de interpretação e não só. Ilídio Poucochinho lembra-se que “havia até atores analfabetos, pelo

As reivindicações das comissões de moradores Ao longo da sua vida passou por várias outras instituições recreativas e de apoio social, de que destaca um mandato na direção dos Bombeiros de Portimão. Foi uma “grande mas complicada experiência, pois havia muitas dificuldades financeiras e era um sufoco conseguir arranjar dinheiro para pagar as contas no final de cada mês”. Foi nesse período que “se fez o negócio que levou à abertura de um supermercado do Pingo Doce junto ao quartel, que foi a salvação dos Bombeiros”. Ilídio Poucochinho defende que “todas as pessoas deviam passar um ano ou dois numa associação para terem a noção do trabalho que implica e a experiência do que é integrar-se num grupo que não tem outro interesse a não ser ajudar as pessoas e resolver problemas”. Após a revolução de abril começou também a entrar em contacto com o mundo da política. A liberdade recém adquirida fez com que os cidadãos viessem para a rua lutar pelos seus direitos e pela resolução dos problemas que tinham. Com esse objetivo foram


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PESSOAS criadas comissões de moradores em quase todos os bairros, tendo Ilídio Poucochinho feito parte de uma delas. Reivindicavam, sobretudo, a realização de obras de beneficiação de ruas e a instalação de serviços que hoje são básicos, como água, eletricidade e esgotos. Para definir prioridades e estratégias “realizavam-se o que se pode chamar de autênticas reuniões de condomínios, com 200 ou 300 pessoas” e, a partir daí, havia pressão sobre o poder político autárquico para que as intervenções avançassem. Este foi um movimento que “durou uma meia-dúzia de anos, entretanto, foi perdendo força, porque uma parte do que era essencial foi conseguido e também porque as pessoas acabaram por se cansar”. Envolvimento na política Entretanto, Ilídio Poucochinho tinha começado a envolver-se na política partidária, ao serviço do Partido Socialista (PS). Recorda-se que “as campanhas eleitorais eram muito diferentes das de hoje, nós é que fazíamos tudo, inclusivamente a cola para os cartazes que, depois, colocávamos em pontos estratégicos”. Sobretudo nos primeiros anos de democracia, “fazia-se política mais com o coração do que com a razão”. Isso levava a que, em vários pontos do país, por vezes se registassem situações menos agradáveis entre militantes e simpatizantes de partidos diferentes. Em Portimão, lembra, “não aconteceram situações graves porque a malta conhecia-se toda”. É claro que “às vezes o pessoal de outros partidos colocava os seus cartazes em cima dos nossos ou ia cortar os pendões que tínhamos colocado em determinados locais e, logo de seguida, éramos nós a dar-lhes troco, fazendo o mesmo com material deles, mas tudo sem grandes problemas”. Enquanto político foi eleito por duas vezes para a Assembleia de Freguesia de Portimão (de que é atualmente presidente), por

Radialista, animador, ator e político, fez quase tudo na vida menos vender caracóis... três para a Assembleia Municipal e “houve um mandato em que fui vereador suplente, tendo participado numa série de reuniões de câmara quando os eleitos efetivos não podiam ir”. Um locutor que oferecia lulas Outro marco na vida de Ilídio Poucochinho foi a participação no movimento que deu origem às chamadas rádios piratas. A ‘moda’ surgiu com maior intensidade a partir de 1984 e “às tantas já quase todas as terras tinham uma ou mais rádios”. Resolveu também criar uma e, juntamente com alguns amigos, “fui ter com os responsáveis de uma rádio que havia em Setúbal para saber o que era preciso”.   Veio de lá com a convicção de que com um investimento de mil contos conseguia pôr o projeto de pé. O que significava que “precisava de convencer, pelo menos, mais 9 pessoas a entrarem com 100 contos cada um”. Isso foi conseguido e a 3 de março de 1986 foi formalmente constituída a cooperativa dona da rádio. Ficou instalada no rés do chão do edifício Squash, na Praia da Rocha, que era propriedade de um dos fundadores, e tornou-se

um sucesso imediato. Era uma rádio diferente que “ia junto das pessoas, fazia muitos diretos do exterior e faláva do que interessava aos ouvintes”. A programação era feita de modo a que pudesse agradar “quer aos doutores e engenheiros quer aos padeiros”. Um dos programas mais populares era feito por Álvaro Rocha,

trevistado para uma rádio e um jornal nacionais. Pela negativa, um dos episódios de que se lembra desses tempos foi a inundação do estúdio, que ficou convertido numa autêntica ‘piscina’, mas rapidamente o problema foi resolvido. O projeto radiofónico acabou em dezembro de 1988, quando,

A seguir ao 25 de Abril, “as campanhas eleitorais eram muito diferentes das de hoje, nós é que fazíamos tudo, inclusivamente a cola para os cartazes que, depois, colocávamos em pontos estratégicos” um pescador que entrava em estúdio de manhã, vindo diretamente da faina. Fazia passatempos e, “quando não tinha mais nada para oferecer, dava algumas das lulas que tinha acabado de apanhar”. A sua genuinidade acabou por, inclusivamente, valer-lhe ser en-

por imposição legal, todas as rádios foram obrigadas a calar-se e a ficar à espera do resultado do concurso de legalização entretanto lançado. A Rádio Portimão concorreu, mas acabou por não ser contemplada com o cobiçado alvará. Ilídio Poucochinho considera

que o que se passou “foi uma injustiça” e que a decisão final teve a ver essencialmente com questões políticas. Outra das suas facetas foi a de apresentador de espetáculos e certames, como o Festival da Cerveja de Silves ou a Fatacil. Mais tarde, e durante muitos anos, foi, também, o animador de serviço dos jogos que o Portimonense fazia em casa. Era ele que dava a constituição das equipas, que se encarregava da publicidade ao intervalo e que relatava os golos. Nessas alturas – mas só quando os golos eram da equipa da casa – para dar maior impacto, “sem que ninguém percebesse, difundia uma cassete com aplausos no sistema de som, fazendo com que parecesse que se estava num estádio de outras dimensões e com muito mais gente”. Todas estas atividades eram exercidas paralelamente à sua profissão de ajudante de notário. Durante o dia, “só pensava em escrituras, autenticações e coisas do género, mas quando chegava às 5 horas da tarde desligava essa ‘ficha’ e passava a ser ‘outra’ pessoa”. Tudo isto contribuiu para que, sintetiza, tenha tido ”uma vida cheia com um pouco de tudo”. PUB


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ENTREVISTA João Vasconcelos é o ‘rosto’ dos bloquistas em Portimão

“Há uma gritante carência de habitação no concelho” Em entrevista ao Portimão Jornal, o responsável do Bloco de Esquerda aponta aquelas que acredita serem as prioridades do município, a forma como a pandemia está a afetar a população e contesta a ‘política do betão’. ANA SOFIA VARELA

Ana Sofia varela

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rofessor e mestre em História Contemporânea, João Vasconcelos foi eleito nas últimas eleições – autárquicas e legislativas – vereador do executivo não permanente na Câmara Municipal e deputado na Assembleia da República. É um nome conhecido em Portimão, sua terra natal, mas também na região há vários anos. Como viu a atuação da Câmara em relação à covid-19? Considero que as propostas apresentadas pela Câmara têm sido positivas, na generalidade, as quais vieram de encontro às que apresentámos para fazer face e minorar as graves consequências sociais e económicas que os portimonenses e empresas do concelho têm sofrido devido à pandemia da covid-19. As propostas do Bloco de Esquerda visam apoiar os mais vulneráveis, garantir direitos e serviços fundamentais a todos e mobilizar recursos em prol de uma comunidade solidária, não deixando ninguém para trás. No entanto, a Câmara devia e deve ir mais além. Como deve então proceder? Quem foi atingido pela pandemia e ficou sem recursos financeiros deve ficar isento do pagamento da fatura da água e não ficar com a dívida, pois a crise vai agravar-se. Por outro lado, os subsídios de apoio ao arrendamento e para aquisição de medicamentos de-

João Vasconcelos está na política em duas frentes, local e regional, mas o seu desejo é voltar a lecionar residência, o que até será inconstitucional, pois viola o direito à igualdade. Também as famílias que vivem nos bairros camarários e outros fogos de índole municipal devem ficar isentos do pagamento das rendas até final do Verão, prorrogável conforme o evoluir da situação. Por outro lado, as rendas cobradas aos ope-

“Provavelmente vamos assistir a algumas obras em vésperas de novas eleições autárquicas. O eleitoralismo sempre foi uma imagem de marca do PS e da Câmara em Portimão” vem ser atribuídos a todos os que vivem no concelho e não excluir quem tem menos de dois anos de

radores dos mercados (Mercado São João de Deus e Mercado por Grosso) devem ser reduzidas em

75%, em vez de 50%. Em alguns casos, até se justificará isentar estes operadores nos próximos meses, visto o volume de negócio ser muito residual. Qual o maior problema que identifica no concelho? É sem dúvida a falta de habitação. O atual executivo PS tem prosseguido o mesmo rumo dos anteriores: não investiu um único cêntimo em qualquer programa de habitação social ou de arrendamento a custos controlados para jovens casais e famílias necessitadas. Há uma gritante carência de habitação no concelho e a lista de espera aumenta cada vez mais. Por outro lado, o parque habitacional camarário encontra-se muito degradado e tarda a sua requalificação, o que foi uma das promessas do PS antes das eleições. Veja-se o estado calamitoso e de abandono em que se encontram certos bairros, como a Cruz da Parteira, Coca-Maravilhas, Cardosas e Bairro

Pontal. Provavelmente vamos assistir a algumas obras em vésperas de novas eleições autárquicas. O eleitoralismo sempre foi uma imagem de marca do PS e da Câmara em Portimão. E em cada uma das freguesias? De um modo geral, os problemas que as diferentes freguesias do concelho enfrentam são muito similares, embora com alguns problemas específicos, como é o caso da Mexilhoeira Grande por ser uma freguesia rural. Falta a habitação, as carências alimentares e outras agravam-se em tempos de pandemia e o desemprego é outro dos problemas. Outras carências verificam-se a nível de Centros Públicos de Apoio a Idosos e de uma rede de creches públicas gratuitas. Os impostos e taxas municipais, por força do Fundo de Apoio Municipal, a que a Câmara recorreu face a uma gestão desastrosa da parte dos executivos PS, continuam a ter um peso elevado

para as famílias e empresas de Portimão, Alvor e Mexilhoeira Grande. Esta freguesia, muito em particular, debate-se com a falta ou irregularidade de transportes públicos/Vai Vem, que não servem devidamente as suas populações. Que fragilidades ficaram a descoberto com esta pandemia? A pandemia colocou a nu as fragilidades do tecido económico local, comum a todo o Algarve, que assenta em mais de 80% na atividade turística. O peso excessivo do turismo impôs-se à custa da eliminação ou redução muito acentuada de outras atividades económicas, como a agricultura, pescas e indústria conserveira. A monocultura do turismo de ‘sol e mar’ acabou por capturar os investimentos no concelho e em toda a região e passou a assentar na sazonalidade, numa crescente precariedade, numa política de baixos salários e em ritmos intensos de trabalho. Agora com a


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ENTREVISTA pandemia, temos o crescimento do desemprego e da pobreza. Impõe-se assim a adoção de medidas extraordinárias canalizadas para pessoas e empresas. Tem sido crítico quanto à falta de recursos no Hospital. A situação pode piorar? As maiores dificuldades no Hospital do Barlavento fizeram-se sentir durante a governação do PSD/ CDS, às ordens da ‘troika’ estrangeira e, mais precisamente, quando foi feita a fusão com o Hospital de Faro (e Lagos), daqui resultando o CHA. Não houve investimentos

D’Arens é uma aberração ambiental (construção de três hotéis próximo da falésia) e até colide com o PROTAL que não permite construções na orla marítima, numa faixa terrestre de proteção de 500 metros. É considerada a ‘última janela virada para o mar’ em Portimão. Felizmente, temos uma cidadania ativa em Portimão em defesa de João D’Arens, que merece todo o meu apoio e do Bloco de Esquerda. O mesmo se passa com o novo Projeto da Quinta da Rocha, na Ria de Alvor, que é Rede Natura, área protegida. Há processos pendentes em

“São necessários mais profissionais de saúde, mais investimentos e avançar com a construção do Hospital Central do Algarve. Estes profissionais, em tempos de pandemia, têm sido uns verdadeiros heróis” e faltaram os recursos humanos e materiais. A transformação em CHUA com o governo anterior não resolveu os problemas e quem mais sofre são os utentes. São necessários mais profissionais de saúde, mais investimentos e avançar com a construção do Hospital Central do Algarve. Estes profissionais, em tempos de pandemia, têm sido uns verdadeiros heróis e devem ser revalorizados a nível das condições remuneratórias e de trabalho. Quais são as preocupações dos munícipes? São aquelas que preocupam o comum dos cidadãos, que é a garantia de trabalho devidamente remunerado e com direitos, ter pão para a mesa para as suas famílias perante a grave crise que têm pela frente. Os munícipes desejam o alívio da carga fiscal, o direito a um ambiente sustentável, ao bem-estar e à qualidade de vida. Uma das batalhas do BE de Portimão é a ambiental. Tem faltado coragem para travar projetos? Um outro grande problema que temos no concelho é a continuação da mesma política ambiental por parte do atual executivo PS, prosseguindo e até agravando as políticas do ‘betão’ que anteriores executivos aplicaram. É mais do mesmo, tudo virado para o turismo e não se tem em conta a diversificação económica, as alterações climáticas e as áreas sensíveis e ecológicas. O projeto de João

tribunal e o promotor utilizou uma cartografia não oficial onde omite habitats protegidos e, mesmo assim, há pareceres favoráveis da parte do ICNF e da CCDR do Algarve. O executivo permanente não devia ter aprovado o Pedido de Informação Prévia perante estes factos. Desta forma, por requerimento do Grupo Parlamentar do BE foi aprovada a audição na Assembleia da República de várias entidades para um cabal esclarecimento do novo projeto. Quais devem ser as prioridades da autarquia? Devem orientar-se para os apoios a quem mais precisa. A crise que estamos a viver será bem pior do que a de 2010 e se não forem tomadas medidas urgentes e extraordinárias, também com apoios do governo, muita gente ficará para trás, muitas pequenas e microempresas encerrarão as portas e o desemprego e a miséria atingirão índices elevados. Desta forma, deve ser apoiado o comércio local com o aperfeiçoamento da entrega de bens essenciais em casa das pessoas mais vulneráveis, em articulação com associações. Criar ou aumentar programas de apoio de refeições, para as pessoas que o requeiram, garantindo que a fome não volta ao concelho - escolas e famílias. Devem ser criados programas de apoio ao comércio tradicional, em articulação com os pequenos comerciantes e as suas associações

representativas. Um dos setores que estava a ser deixado para trás é a dos artesãos e vendedores ambulantes. A pretexto da pandemia a Câmara tinha decidido não atribuir licenças este ano para este setor desenvolver a sua atividade, ao contrário do que acontece noutros municípios, o que se tornava incompreensível. Felizmente que imperou o bom senso e a situação foi revertida, como defendeu o Bloco de Esquerda. Estas pessoas fazem parte dos mais débeis e necessitados e devem ser ajudadas. Também são gente e merecem ser tratadas com dignidade. E noutras áreas? Relativamente às escolas, a Câmara deve disponibilizar os apoios e meios, contribuindo para a segurança, em tempos de pandemia, de alunos, docentes e restante comunidade educativa, em articulação com as direções escolares, professores e governo. Algumas cantinas escolares devem continuar abertas durante o Verão, destinadas a alunos carenciados e filhos de pais mobilizados para o combate à covid-19. Garantir computadores ou tablets, com acesso à internet gratuita, para todos os alunos da escolaridade obrigatória. Devem ser alargados os beneficiários da Tarifa Social da Água e implementar a automatização da atribuição. Garantir que as pessoas em situação de sem abrigo não continuam ou voltam para a rua e criar condições para a abertura de ‘Centros de alojamento de emergência’ para estas pessoas, com direito a refeições, higiene pessoal e apoio na saúde. E a nível da economia? Para responder às famílias e às atividades económicas locais deve o município proceder à isenção ou redução de taxas municipais no

“Acima de tudo sou professor” Quando é que entrou na política? Logo no dia a seguir ao 25 de Abril, quando estudava em Silves e comecei a participar nas manifestações de estudantes, que tiveram lugar na cidade contra os ‘bufos’ (aqueles que denunciavam os opositores à PIDE), e pela construção de uma escola pública democrática. O BE perdeu eleitorado nas últimas autárquicas. Como está a ser preparada a campanha? A campanha é preparada todos os dias, dentro das possibilidades e vontades de cada um. Naturalmente que a partir de agora, mesmo em tempos de pandemia, reforçaremos as nossas visitas e contactos com os munícipes e outras entidades do concelho. Também nos órgãos municipais serão apresentadas diversas propostas para ajudar a diminuir os efeitos da crise económica e social que atingirá muitas famílias e empresas no concelho. Tem estado mais ocupado com a política nos últimos anos. Sente falta de lecionar? Acima de tudo sou professor e não faço da política profissão. Pretendo terminar a atividade de docente exercendo-a, antes de passar à aposentação daqui a alguns anos. Naturalmente que sinto a nostalgia do ensino, do contacto com os alunos, professores e restante comunidade. E atividade política faz-se sempre, tal como o fazia antes de ser deputado. Como viu a adaptação dos professores durante a pandemia? A classe docente foi muito maltratada pelos governos Sócrates e PSD/CDS. Mas os governos de António Costa – o anterior e o atual – continuam a esquecer os professores. E a castigá-los vergonhosamente. Onde está a valorização dos professores e a dignificação das suas carreiras? Foi tudo deitado fora. O Bloco de Esquerda apresentou no Parlamento várias propostas para a recuperação e contagem integral do tempo de serviço, mas PS, PSD e CDS chumbaram-nas. Uma boa educação dos alunos também assenta numa boa motivação dos seus professores. Os professores tiveram de se adaptar a esta nova conjuntura de pandemia, mas foram confrontados com os problemas do ensino à distância – que nunca pode funcionar como uma alternativa durante muito tempo. E porquê? Conduz a uma maior discriminação entre os alunos, especialmente oriundos de famílias mais carenciadas e desestruturadas.

uma vez por todas, a um direito constitucionalmente consagrado, que define também a segurança e a saúde das populações, uma

“Os impostos e taxas municipais, por força do FAM, continuam a ter um peso elevado para as famílias e empresas de Portimão, Alvor e Mexilhoeira Grande” que concerne à ocupação de domínio público, feiras e mercados e no âmbito da higiene e salubridade. Também deve ser eliminada a derrama e reduzido o IMI bem como a participação variável no IRS para o ano de 2021. O direito a uma habitação digna tornou-se mais urgente durante a atual pandemia. Torna-se imperioso a definição de uma política de habitação digna, que responda, de

vez que, a habitação é, para além de uma base fundamental para a estabilidade pessoal e familiar das populações, uma ferramenta de saúde pública. Para finalizar, há mais alguma área onde é importante atuar? A cultura é um pilar fundamental da democracia. Com a pandemia verificou-se o cancelamento ou adiamento de muitos espetáculos

e outras atividades culturais, deixando os trabalhadores sem rendimentos. Deve a Câmara garantir apoios a estes trabalhadores, muitos em regime de recibos verdes, e atribuir outros apoios de emergência, de caráter extraordinário e transitório, destinados a proteger a atividade cultural e criativa local e a minimizar os prejuízos sofridos pelos respetivos agentes (artistas, técnicos, mediadores e estruturas) em situações de efetiva paragem ou redução da atividade. Continuar a apoiar o associativismo local, mas com critério e parcimónia, pois algumas destas entidades nada ou muito pouco desenvolvem no âmbito da cultura, desporto, recreio e mesmo social. Também deve a Câmara integrar todas as trabalhadoras e trabalhadores precários, como forma de salvaguardar o emprego e rendimentos dignos a quem trabalha. A higienização dos transportes públicos/Vai Vem precisa de ser reforçada e serem melhoradas as carreiras garantindo transportes gratuitos para todos.


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DESPORTO Portimonense pronto para atacar o campeonato

“A atitude da Liga   credibiliza o futebol”  Theodoro Fonseca e Edgar Vilaça, responsáveis da SAD, consideram que as irregularidades de Setúbal e Aves não justificam quaisquer desculpas. FOTOS: PORTIMONENSE FUTEBOL SAD

Treinador decidiu rapidamente o futuro da sua carreira

Assinou contrato de duas épocas

Paulo Sérgio de corpo e alma

Jogadores alvinegros vão continuar a festejar em palco de primeira

Hélio Nascimento

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Portimonense vai continuar a jogar na I Liga. Para os seus responsáveis, não há outras leituras a fazer, depois de o organismo máximo que gere o futebol profissional ter desclassificado V. Setúbal e Aves, que não cumpriram os prazos de entrega dos pressupostos que atestam estar um clube ‘legalizado’ para competir no escalão máximo. Ao contrário dos avenses, que não recorreram para o Conselho de Justiça, os sadinos avançaram com a sua defesa, que, contudo, foi rapidamente desmontada pela maioria dos críticos e analistas, que tiveram acesso a alguns documentos que provam o incumprimento do emblema do Sado. Entre outras irregularidades, a SAD do Setúbal não reporta à Segurança Social os salários dos

seus jogadores desde abril passado. Em abril, maio e junho, não foi enviado qualquer ficheiro com as remunerações mensais dos jogadores previstas nos contratos. E, por último, há dívidas de diversa natureza, nomeadamente a Sandro, treinador demitido em outubro de 2019 e que reclama 22.500 euros, e à SAD do Estoril, no valor de 250 mil euros, relativa à transferência do jogador Dankler. Como se tudo isto não bastasse, a última certidão de não dívida válida enviada pelos setubalenses data de fevereiro último, ou seja, daí para cá não voltaram a provar a regularidade da sua situação fiscal. Depois de ter sido convidado a ocupar – e de ter aceite – o lugar do Setúbal, o Portimonense tem optado por um discurso prudente, mas, ao mesmo tempo, revelando atenção para com todas as jogadas de bastidores.

Ouvidos por Portimão Jornal, o dono da SAD, Theodoro Fonseca, e o vice-presidente Edgar Vilaça, coincidiram no comentário. Em primeiro lugar, elogiam “a atitude da Liga, que credibiliza o futebol”, e, depois, salientam que “não pode haver solidariedade para os incumpridores”, sobretudo num caso como este, em que Setúbal e Aves foram os únicos a “falharem na entrega dos pressupostos”.   Agora, o Conselho de Justiça deve pronunciar-se na próxima semana, mas o veredito não irá, certamente, alterar o quadro legal. Depois, por mais novos recursos que o Setúbal faça (o Aves já ‘desistiu’ de se tentar defender), o certo é que a bolinha com o nome Portimonense estará no sorteio da I Liga de dia 28, e que, em setembro, lá por volta de dia 20, o emblema alvinegro volta a atuar ao mais alto nível. 

Paulo Sérgio renovou com o Portimonense por mais duas épocas, reiterando, na altura, a satisfação de trabalhar num clube que lhe oferece todas as condições e, mais importante do que isso, “onde sou desejado”, reportando-se à perfeita sintonia com a administração da SAD e com a empatia que criou com a massa associativa. “O que se passou no final do último jogo foi forte e deixou marcas. Apesar de a equipa, nessa altura, estar condenada à descida, os adeptos pediram a minha continuidade, o que me ajudou a tomar a decisão”, conta o treinador.   A decisão de continuar em Portimão foi tomada “24 horas após a vitória sobre o Aves, independentemente de saber se iríamos jogar na I ou na II Liga”. O quadro alterou-se, reconhece o técnico, “porque, felizmente, vamos jogar no escalão principal, mas as expetativas são iguais, ou seja, quero dignificar a profissão que desempenho e focar-me ao máximo no trabalho e na época que está à porta”.  Sobre o plantel para

2020/21, o comentário ainda é prudente. “Vamos manter muitos jogadores e procurar reforços para os lugares onde estamos mais deficitários. Queremos dar continuidade ao trabalho desenvolvido, para fazer um campeonato digno, ambicioso e com qualidade de jogo. E espero que os adeptos se orgulhem de nós”, acrescenta Paulo Sérgio, de 52 anos e desde fevereiro no Portimonense. Para já, há dois reforços garantidos: Welinton Júnior, um avançado que assinou por três épocas, e Raphael Aflalo, um guarda-redes que se comprometeu por quatro temporadas. Ambos são brasileiros, chegam do Aves e ficaram com cláusulas de rescisão de 20 milhões de euros. O guardião tem 24 anos, 1,90 metros e é visto pelos responsáveis dos alvinegros como um elemento de enorme potencial. O seu compatriota Welinton, de 27 anos, pode atuar nas costas do ponta de lança ou nos flancos, e, no Aves, marcou dez golos em 25 jogos, sendo o grande destaque da equipa. 


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DESPORTO Paulo Pinheiro revela ao nosso jornal alguns dos números impressionantes da Fórmula 1

Mais de meio milhar de camiões para ‘arrumar’ no Autódromo  Administrador do circuito fala da responsabilidade da logística de um evento desta natureza e regozija-se com a procura de bilhetes, mostrando total confiança no sucesso da corrida. D.R.

QUADRO DE HONRA O Grande Prémio de Portugal do próximo dia 25 de outubro será o 17.º da história, mas o primeiro no Autódromo do Algarve. Até agora, o Estoril tinha sido o palco privilegiado, muito embora a Boavista e o Monsanto tenham igualmente recebido a corrida… há mais de 50 anos. Eis as datas, os locais e os vencedores: 

A montagem do ‘circo’ obriga a trabalho árduo e competente Hélio Nascimento

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rabalho, trabalho e mais trabalho. Assim se resume o dia a dia de quem faz do Autódromo Internacional do Algarve (AIA) a sua casa, durante este tempo de muita adrenalina e expetativa, com o foco a apontar, naturalmente, para a realização do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, marcado para 25 de outubro. Desde o momento em que os ‘patrões’ do ‘circo’ confirmaram o circuito portimonense como palco de um dos maiores eventos do desporto, não há mesmo mãos a medir. E Paulo Pinheiro que o diga… “Foram as superbikes, temos a Fórmula 1 e há muitas outras provas ao longo do ano que temos de preparar. Dá muito trabalho, mas ainda bem, estamos cá para isso”, disse ao Portimão Jornal o administrador do AIA. “São me-

ses complicados e com processos muito intensos, mas a minha equipa dá total confiança e justifica todos os agradecimentos”, prossegue Paulo Pinheiro, que, sobre a Fórmula 1, é pragmático. “Queremos que a corrida seja um sucesso. Agora, estamos principalmente focados na promoção, divulgação, preparação e alojamento de todas as equipas. Oxalá tudo corra bem. Acho que sim. Vai ser muito bom para o Algarve e para o nosso país. Este evento é o maior dos últimos anos em Portugal, talvez desde o Euro’2004, e o de maior divulgação mundial de sempre”.  A repavimentação do circuito, segundo Paulo Pinheiro, “é coisa simples, basta dar cumprimento à obra e pronto, o asfalto fica em condições”. O mais problemático, convenhamos, é tratar da “parte comercial e da organização propriamente dita”. Neste contexto, o CEO do Autódromo atira com

números espantosos. “Vamos ter de arrumar 540 camiões dentro do paddock”, um número que impressiona tudo e todos, sobretudo aqueles que estão menos identificados com todo este processo logístico da modalidade. “A parte operacional é agora a que mais tempo preenche. A vertente comercial, os bilhetes, o planeamen-

24.08.1958 23.08.1959   14.08.1960 21.10.1984 21.04.1985   21.09.1986

Boavista Monsanto Boavista Estoril   Estoril   Estoril  

Stirling Moss (Vanwall) Stirling Moss (Cooper) Jack Brabham (Cooper) Alain Prost (McLaren) Ayrton Senna (Lotus-Renault) Nigel Mansell (Williams-Honda)

20.09.1987 25.09.1988 24.09.1989 23.09.1990 22.09.1991 27.09.1992 26.09.1993 25.09.1994 24.09.1995 22.09.1996

Estoril   Estoril   Estoril   Estoril   Estoril   Estoril   Estoril   Estoril   Estoril   Estoril  

Alain Prost (McLaren) Alain Prost (McLaren-Honda)     Gerhard Berger (Ferrari)  Nigel Mansell (Ferrari)  Ricardo Patrese (Williams-Renault)  Nigel Mansell (Williams-Renault) Michael Schumacher (Benetton-Renault) Damon Hill (Williams-Renault) David Coulthard (Williams-Renault) Jacques Villeneuve (Williams-Renault)  

lhas”. Por falar em bilhetes, Paulo Pinheiro confirma aquilo que se tem escrito e ouvido.  “A procura

“A procura tem sido espetacular, muito acima daquilo que a própria estrutura da Fórmula 1 esperava. Os bilhetes esgotam rapidamente, num abrir e fechar de olhos” to de todo o trabalho e o estacionamento, por exemplo, obrigam a que não haja distrações nem fa-

tem sido espetacular, muito acima daquilo que a própria estrutura da Fórmula 1 esperava. Os bilhetes

esgotam rapidamente, num abrir e fechar de olhos, logo na altura em que são postos à venda”, garante, aludindo à procura desenfreada do ‘papelinho mágico’ que permite o ingresso no circuito portimonense. Mesmo sem uma certeza absoluta no que concerne ao número de espetadores permitido nos dias de treinos e de corrida, uma coisa é certa: a F.1 arrasta multidões! Curiosamente, e a terminar, Paulo Pinheiro confessou ser um “apreciador nato” de todas as notícias da Comunicação Social, nomeadamente as que versam sobre o mundo motorizado, revelando admirar o projeto do Portimão Jornal, o que, modéstia à parte, nos deixa orgulhosos… 

Britânico da Kawasaki voltou a brilhar no circuito internacional do Algarve

Jonathan Rea sem rival no Mundial de Superbikes Mais do mesmo! O britânico Jonathan Rea (Kawasaki) voltou a dar recital e dominou o Mundial de  Superbikes, que se disputou no passado fim de semana, no Autódromo Internacional do Algarve, ascendendo à liderança do campeonato.

O piloto da Kawasaki começou por vencer no sábado e repetiu a performance, ganhando, no domingo, a corrida da ‘superpole’, a abrir, e a corrida principal, a seguir, ascendendo assim à liderança do Mundial, com quatro pontos à melhor. De resto, Rea é o

denominador comum da especialidade: trata-se do pentacampeão mundial e em Portimão já cantou vitória por uma dúzia de vezes. Rea deixou o  britânico Scott  Redding  (Ducati), anterior líder, na segunda posição, a 4,360 segundos, ficando o holandês Mi-

cahel Van der Mark (Yamaha) em terceiro, a 4,453. Com estes resultados, Rea tem agora 136 pontos, contra os 132 de Scott Redding.  Na categoria  Supersport, que também animou o circuito portimonense, triunfou o italiano

Andrea Locatelli  (Yamaha), que lidera o campeonato, com 125 pontos. Já nas  Supersport  300 a vitória coube ao holandês Scott Derque (Kawasaki), numa corrida em que o português Tomás Alonso (Kawasaki) foi 22.º entre 25 participantes. 


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CULTURA CM PORTIMÃO

Carlos Pacheco diz que o feedback tem sido ótimo

Comédia ‘Marafada

Quarentena’ lotada A peça tem tido uma boa adesão dos espetadores. Ana Sofia Varela

N

Até dia 29 o espetáculo sobe ao palco às quintas, sextas e sábados

o início desta semana já só havia oito bilhetes para as próximas sessões da peça ‘Marafada Quarentena’, protagonizada pelo elenco do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense, no Teatro Municipa. Um papel na porta do equipamento cultural, no fim de semana passado, atestava, aliás, que as sessões entre 6 e 8 de agosto estavam esgotadas, o que revela o sucesso que a iniciativa teatral tem tido junto da comunidade. Ainda assim, o ator Carlos Pacheco afirma ao Portimão Jornal que os bilhetes têm esgotado sem-

pre à hora do espetáculo e que o feedback que lhe chega é que “as pessoas estão encantadas”. “Está a ser um bom espetáculo e está a dar-me muito gozo ver depois o tipo de reação que estamos a gerar. Na verdade, isto não é uma revista, não tem todo aquele brilho, as músicas e as diferentes histórias. No entanto, as cenas são hilariantes”, conta o encenador. Mais importante que a adesão ao espetáculo é a mensagem de segurança que está a ser passada aos cidadãos. “Os espetadores sentem-se mesmo em segurança, tal é a exigência. Por exemplo, os bancos têm uma cobertura descartável, há todo um rigor na entrada e saída das pessoas, além do distanciamento praticado”, destaca Carlos Pacheco. “A nossa responsabilidade é

criar índices de segurança, fazendo com que as pessoas voltem a sentir confiança. Na área teatral quase que sou pioneiro. Arrisquei fazer esta peça de teatro, sem saber que rentabilidade iria ter, com diversas adaptações à realidade atual”, avança. A medição da temperatura do elenco, evitar a proximidade social e a não partilha de qualquer produto, de maquilhagem, por exemplo, fazem agora parte do quotidiano. Apesar de não estar a esgotar num ápice, por via das dúvidas, quem quiser assistir ao espetáculo deve reservar com alguma antecedência para não ficar sem lugar. A ‘Marafada Quarentena’ sobe ao palco às quintas-feiras, sextas-feiras e sábados, às 21h30, até dia 29 de agosto. As entradas custam dez euros e podem ser adquiridas online (https://tempo.bol.pt/). PUB

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Portimão Jornal • 13 AGO 2020 • Nº5

SAÚDE

Consumo de refeições pré-feitas, snacks e refrigerantes aumentou consideravelmente

“As pessoas estão com dificuldade em controlar hábitos alimentares” Joana Cruz, nutricionista no ‘Espaço We’, em Portimão, explica que apesar de mais gente ter começado a fazer exercício físico, inclusive em casa, o sedentarismo aumentou. EDUARDO JACINTO

nho carências, preciso de comer alimentos com muita densidade nutricional que me satisfaçam, de modo a comer as quantidades certas de outros e não ter que consumir em excesso e gastar o dobro do dinheiro. Isto é controverso, pois quem tem dificuldades financeiras está a gastar mais e a comer pior, quando conseguia gastar menos e comer melhor através do simples ato de juntar a sopa à sua alimentação e comer nas quantidades certas”, explica. “O indicado é a sopa, um terço do prato com legumes ou salada, apenas 100 gramas de carne ou peixe e leguminosas”, informa a nutricionista. “Os portugueses estão habituados a bem mais que isso, mas não há necessidade de tanta comida”, acrescenta. Entre os hábitos mais difíceis de largar está o açúcar, reconhece a especialista em nutrição Tatiana Pimentel

O

novo coronavírus trouxe uma onda de confinamento obrigatório para os portugueses. Pelas redes sociais pudemos ver que muitos começaram a fazer exercício físico a partir de casa, mas a população tornou-se mais sedentária e o consumo de refeições pré-feitas, snacks e refrigerantes aumentou consideravelmente. “Houve muita gente a iniciar-se no exercício físico, mas mudaram os hábitos alimentares para pior. Passei o confinamento todo a fazer consultas e as pes-

soas estiveram e estão com muita dificuldade em controlar os hábitos alimentares. Comeram mais vezes por estarem muito tempos em casa devido às alterações nas suas rotinas, ao stress e aos pedidos de takeaway”, explica Joana Cruz. “Entre os hábitos mais difíceis de largar está o açúcar”, salienta. “É um vício do qual o corpo fica altamente dependente, chegando a criar autênticas ‘ressacas’ em quem o está a cortar da alimentação. Depois evitar as nossas comidas de Inverno, com muito sal e gordura, também é muito complicado”, acrescenta.

Carências económicas afetam Com a pandemia da covid-19, chegaram também dificuldades financeiras a muitas famílias. Terá isto impacto na alimentação? A nossa entrevistada diz que sim, embora refira que isso pode ser evitado facilmente. “Quanto há carências económicas temos piores hábitos alimentares. Há uma procura por alimentos baratos, muito calóricos que matem a fome, que deem para ‘esticar’ e que não são nada saudáveis. As pessoas com carências económicas são aquelas que comem menos sopa e legumes, o que é uma contradição porque se tePUB

Mais procurada por mulheres Joana Cruz admite que é o sexo feminino quem mais a procura, mas que isso não significa que se preocupem mais que os homens. “Acho que há um estigma social associado à questão da mulher. O facto de ser mais aceite pela sociedade o homem ter barriga ou uns quilos a mais faz com que a mulher sinta mais pressão para perder peso. Também é certo que as taxas de excesso de peso são um bocadinho superiores na mulher do que no homem”, conta. No entanto, refere que quando o trabalho começa, os homens cumprem mais. “Quando o homem decide fazer, faz, e normalmente fá-lo de uma forma muito

assertiva, não anda a ‘enrolar’ a questão. São muito mais resistentes a dar o primeiro passo, (consulta de nutrição), mas depois de começarem comportam-se melhor, o que gera, claro, ótimos resultados”, refere. Alimentação muda-nos como pessoas “Uma alimentação saudável tem o poder de melhorar a nossa vida no geral. Em primeiro lugar pela existência do ‘efeito de influência entre comportamentos’, que faz com que quando temos uma alimentação saudável estejamos mais disponíveis para praticar atividade física e vice-versa. Consegue-se influenciar um comportamento com o outro e isso pode logo mudar-nos um bocadinho, porque nos disponibiliza para outros comportamentos saudáveis”, afirma a nutricionista, prosseguindo: “Além disso, pode mudar ao ponto de nos tirar sintomas que ‘atrapalhavam’ a vida. Por exemplo, alguém que há dez anos vivia com a síndrome do cólon irritável e tomava muita medicação, sentia-se constrangida e não queria sair de casa por não saber o que podia acontecer, nem podia ir a um restaurante por não saber o que podia comer. Este problema é finalmente superado com mudanças na sua alimentação. Isto muda tudo na vida daquela pessoa, que antes vivia presa em casa e agora está finamente livre para fazer o que lhe aprouver sem medos,” relata. PUB


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OPINIÃO

Como mudar a Administração do Condomínio? Manuel Pascoalinho Solicitador

Quando a empresa de gestão do condomínio não corresponde às expectativas gerais dos proprietários, verificam-se, com frequência, dificuldades em exonerar o administrador. Ora, nestas circunstâncias, é possível alterar o rumo dos acontecimentos. Para tal, é necessário: - Convocar, em primeiro lugar, todos os condóminos para uma Assembleia Geral Extraordinária, na qual conste da Ordem de Trabalhos a exoneração da administração, subscrita por, pelo menos, um quarto do capital investido no edifício. Bastará, depois, votar a proposta de exoneração e registar o resultado em ata; - A convocatória deverá seguir o requisito temporal previsto no Código Civil, ou seja, ser enviada em carta registada com aviso de receção com, pelo menos, 10 dias de antecedência, indicando o lugar, a data e a hora. O desconforto comum criado pela incompetência dos administradores ou empresas

de gestão de condomínios é muito frequente, mas não obriga a que as Assembleias fiquem reféns da incapacidade dos agentes. Para tanto, devem os proprietários acautelar e precaver este tipo de situações, garantido a existência de um Regulamento de Condomínio. Obrigatório à luz da legislação em vigor, através dele podem-se antecipar resoluções várias para estes problemas, nomeadamente a exigência de execução de contratos de prestações de serviços no âmbito da gestão. Neste caso em concreto, poderá incluir-se uma cláusula despenalizadora para a antecipação do terminus das funções, desde que suportada pelos referidos 25 por cento dos condóminos. Há ainda a destacar eventuais atos de negligência ou má gestão que possam prejudicar gravemente o condomínio ou qualquer condómino. Nesta situação, o proprietário poderá agir judicialmente contra o administrador e requerer ao Tribunal a exoneração, acompanhada até de pedido de indeminização, se a ela houver lugar. Não podemos, todavia, deixar de sublinhar que, nestas circunstâncias, deverá apenas ter-se em conta a real incompetência para as funções em causa e não meramente uma atitude punitiva iniciada por

algum condómino que teve um qualquer desentendimento com a administração. Na realidade, os proprietários são e devem ser sempre os únicos decisores na vida de um condomínio, mantendo-se atentos e colaborantes para garantia do seu investimento. Tudo isto poderá ser facilitado e mesmo objeto de concórdia através da existência de um Regulamento Interno, registado em conservatória. Na falta deste, o adminis-

Hoje em dia são cada vez mais frequentes os litígios graves e os conflitos permanentes entre vizinhos por falta de regras comportamentais, aceites aquando da aquisição de uma qualquer fração num edifício. Conclui-se, portanto, que quer para exonerar um administrador ou para penalizar um condómino que ofenda os direitos dos restantes, é imprescindível que se salvaguardem estes pelos meios que a Lei nos coloca à disposição. E a garantia da existência de um Regulamento Interno eficaz é fundamental.

Na realidade, os proprietários são e devem ser sempre os únicos decisores na vida de um condomínio, mantendo-se atentos e colaborantes para garantia do seu investimento. trador deverá apresentar uma proposta, sujeitando-a a sufrágio, com as alterações e sugestões que qualquer condómino entenda por conveniente colocar.

*Artigo publicado ao abrigo da parceria entre o Portimão Jornal e a Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução

CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO Delegação Regional do Algarve

A DECO INFORMA… O governo aprovou alterações à legislação relativa às moratórias de crédito que tem permitido às famílias e às empresas mais afetadas pela paragem da atividade económica, no contexto da pandemia, suspenderem o pagamento das prestações do crédito à habitação. O prazo para adesão à moratória, que pode ser aplicada apenas ao capital ou englobar também os juros, tinha terminado no final de junho, mas foi prorrogado até 30 de setembro. As medidas excecionais devem ser aplica-

“A adesão às moratórias representa algum custo para o consumidor?” das aos consumidores que vejam os seus rendimentos reduzidos, numa ótica de médio ou até de longo prazo. As consequências financeiras desta crise serão, previsivelmente, prolongadas e o seu impacto na situação laboral dos trabalhadores poderá estender-se pelos próximos meses ou anos. Apesar de já na sua redação inicial afirmar que a moratória não vai representar um acréscimo de custos para o consumidor, o documento legislativo em vigor leva a que

o pedido de suspensão das prestações não seja totalmente gratuito. Os bancos contabilizam os juros decorridos durante o período de suspensão do crédito e adicionam-nos ao capital em dívida. Na prática, apesar de ficarem até 12 meses sem receberem os reembolsos dos créditos concedidos, no final do processo, os bancos irão obter um ganho extra, que vai acabar por ser superior ao que existiria, caso a carência de capital fosse a única parcela em causa. Esta última opção é possível, quer nesta

moratória, quer nas definidas pelos bancos. Contudo, significa que o consumidor terá de suportar os juros durante o período de suspensão. Esta alteração legislativa, apesar de ter vindo clarificar a sua aplicação e aumentar a sua abrangência, não alterou este aspeto que temos vindo a reivindicar: a suspensão do pagamento total das prestações, com o adiamento do seu prazo, sem custos adicionais para o consumidor.

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Portimão Jornal • 13 AGO 2020 • Nº5

OPINIÃO

O Palácio Sárrea Grafias em Portimão Pedro Manuel Pereira Historiador Situado no centro histórico da cidade de Portimão, o Palácio Sárrea Garfias encontrava-se enquadrado por alguns imóveis de relevante traça arquitectónica. Destacava-se este imóvel de entre a arquitectura civil histórica desta localidade, quer pela sua volumetria quer pela sua originalidade, remontando a origem da sua edificação ao século XVI. De linhas marcadamente neoclássicas, encimava o seu frontão ondulado umas águas-furtadas. No seu interior e não obstante as sucessivas obras de adaptação que sofreu ao longo dos anos, ainda conservava, até ser derrubado para dar lugar em 2008 ao TEMPO-Teatro Municipal de Portimão, muita da decoração de finais do século XVIII, nomeadamente, alguns estuques originais ricamente trabalhados, lambris e azulejos datados do primeiro quartel do século XX. A divisão que melhor preservava a decoração de estuque do tecto era a antiga sala de audiências do antigo Tribunal.

família que encimava a frontaria do edifício, foi substituído por um «outro» identificando o Tribunal que nele funcionou durante largas décadas. O mesmo, ainda hoje se encontra na frontaria da recriada fachada deste edifício. A partir do átrio de entrada, subindo as escadas, podia observar-se, no tecto, o escudo da República com a legenda: Paços do Concelho. A área total do edifício ocupava grande parte do quarteirão e, como todos os monumentos com história, quase que podemos dizer ter sido um imóvel com «personalidade», dado nele ter ficado impressa de forma indelével, a personalidade dos seus antigos proprietários.

Grandes partes das divisórias das várias dependências encontravam-se concebidas em estilo «gaiola», solução arquitectónica frequente desde finais do século XVIII.

Defronte, construído posteriormente, porém organizado e ordenado de harmonia com a fachada deste solar, encontra-se o Jardim 1º de Dezembro (concluído em 1931 e recentemente restaurado) ladeado por magníficos painéis evocando etapas da História de Portugal, com uma escadaria ladeada ao topo por duas estatuetas em estilo Arte Nova, realçando a imponência e dignidade do edifício, por onde nos últimos séculos passou boa parte da história de Portimão. Até aos anos trinta do século XX, este largo que é um jardim, tinha por nome: José Libânio Gomes, pai de Manuel Teixeira Gomes.

Com a venda do edifício tempos após a implantação da República, o brasão de

Das janelas do 1º andar avistava-se, além do jardim e do casario, o magnífico espe-

lho de água que é o rio Arade. Nas suas traseiras, a poucos metros, a Igreja Matriz de Portimão. Este solar, tal como tantos outros edifícios notáveis por este país fora, ao longo dos tempos foi utilizado para fins bem diversos daqueles para os quais havia sido destinado, pelo que hoje se torna impossível saber quais as estruturas originais que

Acresce, que duas das entradas das antigas muralhas da cidade se situavam a poucos metros deste palácio. A porta da Guarda à esquerda e a porta de S. João à direita, o que vem reforçar a importância estratégica da construção deste imóvel. Os Sárrea eram grandes proprietários fundiários, sabendo-se que só no concelho de Portimão possuíam a Quinta da Donalda

Grandes partes das divisórias das várias dependências encontravam-se concebidas em estilo «gaiola», solução arquitectónica frequente desde finais do século XVIII. constituíram a primitiva casa senhorial, tanto mais que foi totalmente demolido para dar lugar a um imóvel de traça com gosto duvidoso. Construído em data incerta, antes do terramoto de 1755 (provavelmente entre os séculos XVI e XVII) foi propriedade de Manuel José da Serra Garfias Tavares Torres, tendo sido reedificado na traça que ostentou até à sua demolição, entre 1793 e 1796, por Joaquim Ignácio Pacheco de Sárrea. Importante e abastada família local, os Sárrea Garfias estiveram na origem da Empreza de Abastecimento d’Águas Sarrea Prado e Commandita, que servia a Vila Nova de Portimão.

e a Quinta do Poço do Bispo. Em simultâneo desempenharam elevados cargos militares, tais como, governadores militares da Vila, escudeiros e cavaleiros fidalgos do rei. Além disso, a quase totalidade dos filhos varões foram cavaleiros professos da Ordem de Cristo. Desempenharam prestigiados e importantes cargos na administração civil. Assim, em 1727 encontramos Luís Simões Sárrea (que comprou a Quinta da Donalda) como juiz da Alfândega de Portimão, Gaspar Simões Sárrea de Telles Moniz feitor e recebedor do consulado da mesma alfândega, em 1761, Manuel José Sárrea Tavares para além das funções referidas, era almoxarife e juiz dos direitos da portagem de Vila Nova de Portimão, e por aí fora...

Ao longo dos anos, o interior do imóvel sofreu bastantes alterações em função das necessidades orgânicas do seu espaço. As primeiras de que há registo deram-se em 1915 quando da instalação dos Paços do Concelho, tendo-se seguido outros serviços públicos, entre os quais, a cadeia, o Cartório Notarial, a Biblioteca Municipal, a Escola Primária, o Posto de Turismo, Correios e Telégrafo, a Guarda Nacional Republicana, o Registo Civil e Predial, a Repartição de Finanças e o Tribunal da Comarca.

Desta forma se compreende a importância desta família no seio da oligarquia dominante do concelho e até da região, acrescida pela prática de casamentos entre famílias poderosas.

A grandiosidade do edifício era proporcional à importância que tiveram os seus proprietários ao longo dos tempos, assumindo-se como um símbolo do seu poder político, social e económico. Por outro lado, a escolha da localização do imóvel não foi aleatória, uma vez que se encontrava estrategicamente situado em função da estrutura da antiga malha urbana, ou seja, próximo do rio e em simultâneo, suficientemente distante. Próximo da antiga Alfândega e do porto, assim como da Igreja Matriz e das principais vias de comunicação.

Na sequência da implantação da República, em 1915 o solar foi adquirido pelo executivo autárquico, tendo nele sido instalados os Paços do Concelho e uma Escola de Artes e Ofícios. Da venda do imóvel não se conhecem os verdadeiros motivos. Em 1951 os Paços do Concelho mudam-se de novo, desta feita, para onde se encontram actualmente: o Palácio Visconde Bívar, situado no Largo 1º de Maio, classificado como Imóvel de Interesse Público datado do século XVIII, de estilo neoclássico.

Adeptos de D. Miguel, quando da guerra civil de 1832-1834, entre liberais e absolutistas, defenderam a causa destes últimos. Terminada a guerra, foram perseguidos pelo novo regime, iniciando-se a partir de então, a perda de poder e da influência ancestral desta família.


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282 426 216 282 459 226 282 968 133 282 450 300 112 117 282 422 440 282 417 717 282 417 714 282 420 750 808 250 143 282 405 400 808 282 112 282 400 265

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ÚLTIMAS

CARLOS ALMEIDA

Projeto sensibiliza para boas práticas alimentares

‘Prato Certo’ volta em setembro online CM PORTIMÃO

Serão entregues duas novas receitas por mês a todos os beneficiários do cabaz alimentar.

WINDSURFING NA BAÍA DE LAGOS

Clube Naval de Portimão

A

Casa Manuel Teixeira Gomes foi o local escolhido para marcar o arranque do projeto ‘Prato Certo’, no dia 29 de julho, em Portimão, com uma atividade que dará mote a outros formatos de sessões, com recursos às novas tecnologias. O projeto que reúne os 16 municípios algarvios, era para ter sido iniciado em março, mas devido ao novo coronavírus, a covid-19, e pela impossibilidade de realizar ações presenciais de educação alimentar foi adiado. Desta forma, a Câmara Municipal de Portimão, em colaboração com a equipa do ‘Prato Certo’, lançou agora um novo desafio de transformar estas sessões em virtuais, com ajustes na programação. Estavam previstas para Portimão 36 ações, dirigidas a públicos prioritários e à comunidade local, com o apoio da Unidade Móvel de Educação Alimentar, uma espécie de “cozinha sobre rodas” onde uma equipa composta por nutricionistas, ‘chefs’ e educadores sensibilizarão para a necessidade crescente de uma alimentação saudável. A diferença é que agora haverá recurso às novas tecnologias para evitar que haja aglomerados e para o projeto chegar a todos quanto deles necessitam. Este programa coloca a alimentação saudável, económica e apetitosa no centro da vida da

tem dois campeões nacionais Vasco Chaveca, em Fórmula Fin, e Miguel Matinho, em Fórmula Foil Open, sagraram-se campeões nacionais de windsurfing, nas provas que decorreram na baía de Lagos. Apesar do vento forte, os velejadores portimonenses exibiram-se em grande plano, tendo ainda conquistado um título de vice-campeão, através de Luís Fonseca. Os destaques, contudo, não ficam por aqui, já que Carlos Clímaco foi o melhor veterano, e Rodrigo Fonseca o melhor júnior.

Estão previstas várias ações dirigidas à comunidade local comunidade, dotando-a de ideias e instrumentos que ajudem os indivíduos, famílias, cuidadores e técnicos a optarem por escolhas certas à mesa. É promovido pela associação In Loco e cofinanciado pelo CRESC Algarve - Portugal Inovação Social, tem como investidores sociais o Município de Portimão e os restantes concelhos do Algarve, e pretende levar até 2021 o ‘Prato Certo Sobre Rodas’ junto das escolas, de cuidadores, dos ‘avós’ e da comunidade em geral. Receitas mensais para beneficiários No seguimento desta primeira ação, realizada no final de julho em Portimão, serão disponibilizadas duas novas receitas por mês, aplicáveis a todos os beneficiários do cabaz alimentar, distribuído pela vasta rede de associações e instituições. São estas que asse-

guram, ao longo de todo ano, a resposta do Município que é complementada com um conjunto de outras iniciativas sociais, refletindo a dinâmica da rede social de Portimão. Para a implementação deste projeto no terreno, a Câmara conta com o apoio de várias instituições de apoio social e escolas, bem como alguns serviços da autarquia, como são os casos dos Centros de Convívio Sénior, Centros Comunitários do Município, Quinta Pedagógica de Portimão e Mercado Municipal de Portimão. Durante essa sessão, no âmbito do ‘Prato Certo sobre rodas - beneficiários cabazes’. foi entregue um conjunto de materiais, com dicas de rentabilização dos produtos constituintes do cabaz, exemplos de refeições possíveis de confecionar com esses produtos, conselhos de congelamento, armazenamento e confeção.

Processo de inscrição decorre até 11 de setembro e pode ser feito online

Escola de Hotelaria e Turismo inicia segunda fase de candidaturas A segunda fase de candidaturas da Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão decorre até 11 de setembro, sendo de notar, porém, que as vagas são limitadas. Esta instituição, uma das 12 Escolas do Turismo de Portugal, forma todos os anos profissionais de excelência que são uma mais valia para o

setor da hotelaria na região algarvia, contando, na sua oferta formativa para o próximo ano letivo, com dois cursos de dupla certificação: Técnico de Restaurante/ Bar e Técnico de Cozinha e Pastelaria. Ambos são direcionados a alunos que concluíram o 9.º ano de escolaridade e são isentos do

pagamento de propinas. A EHT Portimão detém ainda mais dois cursos de especialização tecnológica – Gestão em Restauração e Bebidas e Gestão e Produção de Cozinha – cujos alunos interessados deverão possuir o 11.º ano completo e frequência do 12.º ano.

HÁ DUAS DATAS PARA OS DIFERENTES CICLOS

Vouchers para manuais escolares disponíveis este mês Os vouchers para o levantamento dos manuais escolares gratuitos podem ser descarregados na plataforma online Mega durante este mês pelos alunos ou encarregados de educação. São apontadas duas datas para diferentes ciclos do ensino. Assim, desde segunda-feira, dia 3 de agosto já estavam disponíveis os vouchers para os 2º, 3º, 4º, 6º, 8º, 9º, 11º e 12º anos de escolaridade. No caso dos anos de início de ciclo, como o 1º, 5º, 7º e 10º, apenas podem ser descarregados a partir de 13 de agosto. É necessário, porém, verificar se a escola já emitiu os vouchers.

COM ELOGIOS AO TRABALHO DO PORTIMONENSE

Associação do Algarve destaca cumprimento das regras A Associação de Futebol do Algarve (AFA) ficou particularmente agradada com as deliberações e decisões da Comissão de Auditoria da Liga, pelas quais o Portimonense foi convidado a manter-se na I Liga. O assunto, que é do conhecimento público, mereceu da parte do executivo de Reinaldo Teixeira os mais fortes aplausos, que aproveitou para enaltecer aquilo que os alvinegros têm feito em prol do desporto e da região. “A decisão da Liga Portugal reconhece, de certa forma, os méritos inequívocos de um projeto sério e ambicioso que nasceu no seio de um clube prestes a celebrar 106 anos e que na sua vertente atual, ao nível profissional, com a criação do projeto Portimonense Futebol SAD, veio fortalecer os honrosos pergaminhos do Portimonense Sporting Clube, através de um projeto sólido com infraestruturas de excelência, nomeadamente ao nível do relvado, já reconhecido pelas instituições do futebol português como um dos melhores para a prática da modalidade no país”, comentou a AFA. Para além deste mérito, o organismo sublinha ainda que a desclassificação de V. Setúbal e Aves é a punição adequada para os infratores. “A decisão em causa nada tem que ver com o nível das instalações desportivas e com o investimento já realizado, mas, sim, com o grau de relevância com que o cumprimento das regras e a aplicação dos critérios a todas as sociedades desportivas, de modo justo e imparcial, devem ser tratados”. 


A FECHAR

Quinta-feira • 13 agosto 2020

D.R.

Portimão também recebe uma corrida do Mundial de MotoGP

Temos ‘dobradinha’! Miguel Oliveira a acelerar em casa leva ao rubro Isilda Gomes, Paulo Pinheiro e até o Presidente da República. D.R.

Casa Manuel Teixeira Gomes recebe mostra de cerâmica até final do mês Na Casa Manuel Teixeira Gomes está patente, até ao final do mês, a exposição de Cerâmica Contemporânea, com obras dos ceramistas Elsa Figueiredo, Ricardo Lopes, Nelson Martins e d’António. Trata-se de trabalhos de cerâmica de autor, em que a criatividade está ao serviço de uma forma de expressão artística que acompanha a história da humanidade. Continua também visitável, até ao final do mês de agosto, a exposição “Círculos do Universo”, pintura em vidro sobre tela, de Joaquim Pragana.

Classe rainha do motociclismo confirmada no Autódromo no mês de novembro

Hélio Nascimento

T

er aqui o Miguel Oliveira não tem palavras”, disse Paulo Pinheiro ao Portimão Jornal, sem disfarçar a emoção de mais uma vitória retumbante. “Há vários anos que temos tentado trazer para o Algarve uma corrida de MotoGP. Ficámos sendo um circuito de reserva, trabalhámos para isso, mas queríamos mais”, acrescenta o CEO do Autódromo. “O anúncio da prova de MotoGP é o culminar de 12 anos de trabalho, que nos permite colher os frutos de tudo o que fizemos. Passámos um carrossel de dificuldades, com momentos difíceis e outros bons, mas hoje temos uma alegria”, fez ainda questão de sublinhar. A boa nova é recente e foi confirmada no início da semana: a última prova do Campeonato

do Mundo de MotoGP vai decorrer no circuito de Portimão, entre 20 e 22 de novembro, cerca de um mês depois do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, marcado para 25 de outubro. Para Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal, é uma espécie de “tempestade perfeita”. Mas o mais curioso das suas declarações estava guardado para o momento em que se dirigiu a Paulo Pinheiro – “conseguiste a dobradinha”, parafraseou, aludindo à realização das corridas de Fórmula 1 e MotoGP em palco algarvio. Tudo isto surge num momento alto do desporto motorizado português, dando brilhante sequência ao título mundial conquistado por António Félix da Costa, na Fórmula E, e ao 6.º lugar de Miguel Oliveira no último Grande Prémio de MotoGP, a sua melhor classificação de sempre

desde que compete a este nível. “Para mim, estar na MotoGP e correr diante dos meus adeptos será, com certeza, uma sensação incrível. É uma coisa realmente especial que acho que alguns italianos e espanhóis percebem”, comentou o piloto de Almada, reconhecendo “ter um impulso extra e uma grande motivação para conseguir um bom desempenho na corrida algarvia. Por último, também Marcelo Rebelo de Sousa não ficou indiferente à notícia: “É um triunfo para Portugal, para o Algarve e para a diplomacia no domínio desportivo. É o reconhecimento de que, em momentos diferentes, em outubro e novembro, as autoridades desportivas internacionais acreditam na evolução da situação sanitária portuguesa”, destacou o Presidente da República.

Núcleo de Alzheimer Portugal com sede no município A Câmara Municipal de Portimão cedeu instalações à Alzheimer Portugal para que a associação possa instalar nesta cidade uma sede do núcleo do Algarve. O início das atividades está previsto para setembro, mês mundial desta doença, sendo que este espaço terá carácter regional e contará com um gabinete de apoio na demência. O atendimento será presencial na sede situada na Urbanização do Pimentão, cave do lote 2, na zona dos Três Bicos. Funcionará em dias úteis, das 9h00 às 12h30.

Cutelaria tradicional em exposição na EMARP ‘Cutelaria tradicional’ é o nome da exposição ao público patente na EMARP, até 11 de setembro, da autoria de Pedro Coelho, Hugo Nunes e Christian Goldmann. Mais do que uma mostra de cutelaria artesanal, esta exposição é a celebração da amizade e espírito de entreajuda entre três amigos artesãos, unidos pela paixão pela arte, pelo desejo de criar peças únicas e pela necessidade de expressar o seu espírito criativo, materializado em forma de facas. Pedro Coelho é natural de Lisboa e vive no Algarve desde 1973, enquanto Hugo Nunes nasceu e vive em Portimão. Já Goldmann é sul-africano, mas reside em Portugal há muitos anos. PUB

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Portimão Jornal nº 5 | 13.08.2020  

Portimão Jornal nº 5 | 13.08.2020  

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