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22 de janeiro de 2013 Querido Diário, hoje o estado do tempo teve grande destaque no meu dia. As notícias cobriram, não só hoje mas durante quase toda a semana, inundações e estragos em edifícios devido ao vento e à chuva. Pessoalmente, adoro chuva. Muito mais do que o calor. Quando ao sol, sinto-me como que a derreter. Não me importo tanto quando estou à chuva. Talvez seja porque a chuva chega a todo o lado, a toda a gente e cai onde quer que lhe apeteça. Ainda gosto mais da chuva quando estou debaixo dos lençóis, com quilómetros de cobertores por cima de mim e a ouvi-la bater na minha janela. Estes momentos de conforto dão-me uma sensação de conforto muito difícil de esquecer. Também falaram da neve, branca como algodão. Falaram de como aldeias ficaram isoladas e serras cobertas por causa dela. Só vi neve duas vezes, menos do que quereria. Apesar disso, creio que numa das vezes confundi a neve com granizo, de modo que provavelmente só presenciei este fenómeno branco uma vez. Foi na Serra da Estrela, tinha eu 7, 8 anos. Tínhamos passado a noite num hotel nas proximidades e na manhã seguinte eu e a minha irmã, que tinha 5, 6 anos, estávamos ansiosíssimas pelo que íamos ver. O meu pai pegou no carro e, connosco lá dentro, começou a subir uma das montanhas. Por ser Inverno e estar tanto frio, pensámos que seria uma questão de segundos até podermos fazer bonecos de neve. Oh! como nos tínhamos enganado... A Serra estava desprovida de tudo: o que era visível era apenas uma superfície rochosa muito acidentada de cor castanha. Continuámos a subir: nada mudava e o desapontamento crescia. Até que, a escassos metros da estrada terminar, começámos a ver o que tanto esperávamos: neve! Foram tantas as sensações: o frio de enregelar os ossos e de fazer bater o dente, a alegria da luta de bolas de neve a que brincámos, as sensações visuais das cores (todas elas diferentes) dos casacos, gorros e luvas, o rubor nas nossas faces por felicidade, calor e frio e também dor quando sentíamos a neve em contacto direto com a pele. Naquela altura adorei a neve; hoje prefiro chuva. Por hoje é tudo, obrigada, Teresa


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