Page 1

E STA D O D E M I N A S

6

S E X T A - F E I R A ,

5

D E

A B R I L

D E

2 0 1 3

SUPERESPORTES

RUMO À PRIMEIRA MORTE REPORTAGEM ESPECIAL FOTOS: ZULEIKA DE SOUZA/CB/D.A PRESS

‘O CORPO DÓI MUITO’ ALOÍSIO CHULAPA ALOÍSIO JOSÉ DA SILVA 38 ANOS

● Nascimento: 27/1/1975, em Atalaia-AL ● Altura e peso: 1,88m e 93kg ● Posição: atacante ● Clubes: CRB, Flamengo, Guarani, Goiás, Saint-Etienne (FRA), Paris Saint-Germain (FRA), Rubin Kazan (RUS), Atlético-PR, São Paulo, Al-Rayyn (CAT), Vasco, Ceará, Brasiliense, Brusque-SC, Francana-SP e Gama-DF

LORRANE MELO

‘JÁ TENHO CARTEIRA DE TREINADOR’ PEDRO VENÂNCIO Rio – Prestes a completar 41 anos, Ramon conserva a mesma forma dos tempos em que era titular de um Vasco que conquistou quase tudo no fim da década de 1990. Os objetivos, no entanto, são diferentes. Na Cabofriense, que disputa a Segunda Divisão carioca, ele se diz motivado com a possibilidade de ser campeão pela 16ª vez na carreira. “Não parei porque sinto muito prazer em jogar futebol, da rotina do esporte. Meu corpo ainda

responde bem aos exercícios nos treinamentos, e acho que tenho condições de ajudar muito a Cabofriense”, afirma o armador, que chegou ao clube no início do ano. “Fui convidado pelo presidente para o projeto de uma temporada inteira. E estou muito feliz em poder jogar no Rio novamente. Cabo Frio é um lugar muito bom de se morar”, analisa o jogador mineiro, revelado pelo Cruzeiro, com boa passagem pelo Atlético, famoso pelas cobranças de falta e por se manter em grandes campeonatos por muito tempo.

não tem medo do fim. Depois de dar à mãe, dona Maria, casa, comida, e tudo o que tem de bom, ele precisa atender o último pedido da única mulher que faz seus olhos marejarem. Todo dia, ao telefone, ela pede ao filho – seu eterno menino – que volte aos seus braços e sossegue. O jogador já perdeu o pai, que, mesmo com o prato de comida contado – “Era só aquele e não tinha mais” –, não viu nada faltar à família e ainda lhe deixou uma casinha de herança. Mais um motivo para não decepcionar dona Maria. Uma casa na praia, com o “danone” – cerveja, para os íntimos – gelado, e um clube que comprou em Atalaia (cidade alagoana, a 30 minutos de Maceió, onde nasceu), além de um flat e dois carros importados, estão lhe esperando, e ele diz estar preparado. Não

para deixar o futebol completamente de lado. Mas para aproveitar ainda mais a vida. Além de cuidar dos três filhos (o sorriso se fecha quando ele pensa que a mais velha, Ana Luísa, pode estar namorando), o atacante quer, só durante a semana, revelar na Associação Aloísio Chulapa um novo "trombador" que leve o nome de Atalaia para o resto do mundo, como ele fez. Os sábados e domingos serão dedicados ao churrasco e à pelada com amigos. E quem sabe entrar para a política, espelhando-se no amigo Romário, a quem também homenageou dando o mesmo nome ao filho do meio, de 10 anos? Aloísio ainda quer ter mais um menino para batizá-lo de Rogério Ceni. E ser lembrado para também receber homenagens.

LÉO BORGES/NAJOGADA/AGÊNCIA O GLOBO

B

rasília – O amor, "daquele jeito, aquele sentimento", Aloísio Chulapa diz não ter encontrado nem nos braços da ex-mulher, a carioca com quem foi casado por 17 anos. O coração do atacante, que está noivo há quatro de uma alagoana que ele conhece desde criança, sempre esteve dominado. “O futebol foi minha grande paixão”, conta o personagem do sexto capítulo da série “Rumo à primeira morte”, sobre jogadores prestes a se aposentar. como se tudo já tivesse chegado ao fim. Como toda relação, vieram a rotina e o cansaço. As pernas já não acompanham os jogadores mais novos. O corpo dói muito depois do jogo. E nos treinos ele precisa ser poupado. São nada menos do que 38 anos. Quando fizer 39, em janeiro do ano que vem, Aloísio quer pendurar as chuteiras. E

RAMON MENEZES

RAMON MENEZEZ HUBNER, 40 ANOS ● Nascimento: 30/6/1972, em Contagem ● Altura e peso: 1,70m e 70kg ● Posição: armador ● Clubes: Cruzeiro, Bahia, Vitória, Bayer Leverkusen (ALE), Vasco, Atlético, Fluminense, Botafogo, Al-Gharafa (CAT), Atlético-PR, Joinville-SC, Caxias-RS e Cabofriense-RJ

AMANHÃ: CUCA E MARCELO OLIVEIRA CONTAM SUAS EXPERIÊNCIAS. E CAMPEÕES QUE SE PREPARARAM PARA O FIM

“Entre 1992 e 2010 só joguei na Série A dos países em que estive. A última foi no Vitória. Só em 2011, aos 39 anos, me mudei para o Joinville, para disputar a Série C, e ganhamos. Acho que tive uma carreira vitoriosa, bem construída”, diz. O momento mais marcante, para ele, foi a conquista da Copa Libertadores de 1998 pelo Vasco, quando o time contava também com um veterano em campo. “O Mauro Galvão foi importantíssimo para nos passar segurança naquele período. É importante haver jogadores experientes em um grupo.” Sobre a aposentadoria, o atleta garante encarar o assunto com tranquilidade. “Sei que em algum momento vai acontecer e que essa

hora está chegando. Se tiver de parar amanhã, faço isso sem problemas,poisjávivimuitascoisasboas dentro do futebol e sou muito grato por isso”, afirma Ramon, que, à exceção de uma fratura na fíbula em 2005, quando defendia o Botafogo, não teve muitas lesões sérias na carreira. “Sempre me cuidei e agora estou colhendo os frutos.” Ele já tem ideia bastante clara do que fazer quando deixar os gramados. “Já tenho minha carteira de treinador, mas na vida precisamos nos preparar para tudo o que formos fazer. Então, para iniciar essa atividade, preciso me qualificar mais, buscar mais informações e estudar mais. Meu objetivo é continuar ligado ao esporte”, conclui.

8 SEXTA-FEIRA  
Advertisement