Issuu on Google+

E STA D O D E M I N A S

4

Q U A R T A - F E I R A ,

3

D E

A B R I L

D E

2 0 1 3

SUPERESPORTES

RUMO À PRIMEIRA MORTE REPORTAGEM ESPECIAL RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS

ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS

‘EU PAREI E VOLTEI’ RODRIGO POSSO RODRIGO POSSO MORENO 36 ANOS

● Nascimento: 16/5/1976, em Moreira Sales-PR ● Altura e peso: 1,86m e 86kg ● Posição: goleiro ● Clubes: Cruzeiro, Ipatinga, Rio Branco-MG, Tuna Luso, Remo, ABC-RN, Gama, Uberaba, Ermis Aradippu (CHP), Uberlândia, Social e Nacional

RENAN DAMASCENO

CALOTES NO PASSADO, NEGÓCIOS NO FUTURO Poços de Caldas – Poucos jogadores conhecem tão bem o interior de Minas quanto o goleiro Glaysson. Basta começar o aquecimento no estádio de um dos 13 clubes mineiros que ele defendeu em duas décadas de carreira para ser lembrado e aplaudido pelos torcedores locais. Há três temporadas na Caldense, sabe como poucos da realidade do futebol longe dos grandes centros. “Ficar rico a gente não fica, não. Se pegar um time que paga em dia, dá para ter um carro,

uma casa. Vive tranquilamente. O ruim é que tem muito time que acerta tudo e não paga. A gente entra na Justiça e mesmo assim fica sem receber. Tenho uma dívida do Democrata de Sete Lagoas desde 2007, que não recebo. Ficou para trás. Uns R$ 100 mil...”, lembra o jogador, que viveu situação semelhante no Araguari. “Eles me pagaram só o primeiro mês, depois ficou só no papo...” Aos 34 anos, Glaysson pensa em atuar até os 40. “Pretendo jogar bola até quando os times me

com a família, para se tornar jogador. Ele integrou as categorias de base do Cruzeiro e herdou a vaga de Dida no time profissional em 1999, mas se destacou no Ipatinga, na ascensão meteórica do time do Vale do Aço entre 2004 e 2008, sendo campeão mineiro em 2005, vice estadual e semifinalista da Copa do Brasil em 2006. Trocou as luvas pelas funções burocráticas depois de passar pelo Chipre em 2009 e ajudou o Tigre a ser campeão do Módulo II. “Parei em uma decisão errada, precipitada, para ficar mais com a família. Quando meu filho nasceu, eu queria que ele me visse jogando. E o cargo de diretor de futebol não era o que imaginava”, conta.

VIDA DE ESTUDANTE Rodrigo Posso ficou

quase uma temporada longe dos gramados e retornou no Uberlândia em 2010. Jogou

ainda no Social de Coronel Fabriciano antes de chegar ao Nacional. Garante que a idade lhe faz bem. “O trabalho de reação e velocidade é a mesma coisa. Treino o mesmo tanto que os mais jovens, mas me cuido mais.” Apesar de não pensar em assumir cargo de diretoria novamente, o goleiro não quer largar o futebol. Sonha ser auxiliar técnico. Na metade do curso de educação física, na Unileste, de Ipatinga, teve de trancar a matrícula para voltar aos gramados. Garante que leva vida tranquila, apesar de ter jogado boa parte da carreira no interior. “O salário não é o que todo mundo imagina. E às vezes se pode ficar cinco ou seis meses sem jogar ou defender um clube que não paga direito. É uma aposta, que vale a pena para os mais jovens. Tem de ir atrás do sonho, mas se preparar, estudar, para ter outra saída.”

ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS

O

goleiro Rodrigo Posso já experimentou os dois lados da bola. Chegou a se aposentar em 2009 e a atuar como diretor de futebol no Ipatinga, mas a saudade dos gramados e algumas decepções no novo cargo o fizeram voltar. Aos 36 anos, vive a incerteza: vai continuar jogando no segundo semestre ou parar de vez? “O calendário é pequeno: quatro, cinco meses. Se o time não conseguir vaga na Série D, estou desempregado. A maioria dos times do interior do Brasil só funciona no primeiro semestre”, comenta o goleiro, que tem contrato até maio com o Nacional. Ele abre a quarta reportagem da série “Rumo à primeira morte”, publicada desde domingo pelo Estado de Minas, sobre jogadores próximos da aposentadoria. Rodrigo Posso saiu de casa, em Moreira Sales-PR, aos 15 anos, abdicando do convívio

GLAYSSON

GLAYSSON LEANDRO RODRIGUES, 34 ANOS

● Nascimento: 1/3/1979, em Belo Horizonte ● Altura e peso: 1,84m e 92kg ● Posição: goleiro ● Clubes: Cruzeiro, Ipatinga, Democrata-GV, Grêmio Mauaense-SP, Olympic de Barbacena, Guarani, DemocrataSL, Mixto-MT, Uberlândia, Rio Branco, Villa Nova, Legião-DF, Uberaba, Volta Redonda, Nacional, Araguari e Caldense AMANHÃ: ANDRÉ LUÍS, ZAGUEIRO, CONFESSA QUE NÃO TEM PROJETO

quiserem e as pernas aguentarem. Por enquanto, estou indo bem, aguentando”, comenta o goleiro, que se preocupa com a forma. “Por ter tendência a engordar, tenho de me cuidar bem. Não posso comer de tudo. Às vezes, a gente viaja e fica em hotel bom, com churrasco bacana, e tenho de me segurar.”

VIDA DE EMPRESÁRIO Ao contrário da maior parte dos jogadores, Glaysson não pensa em seguir carreira no futebol depois de se aposentar, apesar de sempre brincar com o diretor de futebol da Caldense, Alex Joaquim, que ainda vai “arrumar uma mesinha no escritório do clube”. Ele se sente realizado

na profissão, pelas amizades e causos do futebol. No Cruzeiro, dividia o armário com o também goleiro Dida e sempre que chegava tinha de tirar as cartas de fãs do titular para acomodar suas roupas. Lembra e conta muitas histórias, sempre com sorriso largo. Mesmo sendo um cigano do interior, o atleta pretende viver em Belo Horizonte quando parar, para tocar os negócios da família. “Graças ao futebol, consegui minha casa, meu carro, montei uma empresa de aluguel de mesa para festa, uma loja de calçados, da qual minha mulher toma conta. Quero abrir mais negócios, mexer mais com aluguel, terreno...” (R.D)


6 QUARTA-FEIRA