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empreendedor

Ano I - Nº 1 - Junho/2010 | R$ 10,95

ec

Esta é uma publicação sustentável. Veja mais nas páginas seguintes

w w w . p e n s e v e r d e . c o m . b r

A caminho da sustentabilidade Confira a corrida das empresas automobilísticas para ficarem lado a lado com o meio ambiente

EDIFÍCIOS SUSTENTÁVEIS

Conheça sobre a nova tendência nas contrutoras

PROCESSO DE SANEAMENTO O caminho da água que vai para sua casa

TERCEIRO SETOR

O que ele está fazendo pela sustentabilidade

ECONOMIA DE PAPEL

Faz toda a diferença no orçamento

INDÚSTRIA

Entenda porque a indústria automobilística é exemplo


editorial

um começo essencial

expediente Editora-Chefe Jéssica Batista jessica@ecoempreendedor.com.br Chefes de reportagem Daniela Figueira Valéria Guedes reportagem@ecoempreendedor.com.br Redação Adriana Sanches, Carlos Camargo, Daniela Figueira, Daniele Arraes, Thiago Rodrigues e Valéria Guedes redacao@ecoempreendedor.com.br Produção gráfica Jéssica Batista criacao@ecoempreendedor.com.br Fotografia Adriana Sanches, Daniele Arraes, Thiago Rodrigues e Valéria Guedes foto@ecoempreendedor.com.br

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Deu um pouco de trabalho, mas está aí! A primeira edição da revista Eco Empreendedor cheira a novo e é para você, leitor, antenado nos assuntos sobre meio ambiente e sustentabilidade. Nosso grupo, ao decidir o foco da revista que está em suas mãos, pensou em falar sobre algo que está diretamente ligado às nossas vidas. Durante séculos, a depredação e o descaso com a natureza foram símbolos de progresso e dinheiro para muitos países. A fumaça tóxica disparada por muitas chaminés já foi motivo de orgulho e bom uso da tecnologia. Os recursos, aparentemente infindáveis, da natureza foram usados à exaustão, como no caso de algumas madeiras e até mesmo animais. Em seu lugar, foram devolvidos lixo e veneno, poluindo águas, terras e matando vidas. É irrefutável que vivemos em meio ao caos natural que foi criado, ou no mínimo intensificado, pela atividade exploratória do homem. Enormes catástrofes de origem ambiental são vistas frequentemente ao redor do mundo. Ao olharmos para os lados, aqui em São Paulo, o que vemos é a grande selva de pedra na qual a cidade se tornou. Um dos polos mundiais de comércio e indústria, a megalópole São Paulo é a locomotiva do país. Porém, muitas ações feitas por indústrias, empresas e cidadãos comuns interferem na natureza e agravam o foco da nossa discussão: a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade. Por isso, esperamos que essa edição seja um incentivo a mais para que você possa refletir sobre suas ações, rever conceitos e saber o que fazer na hora de ajudar a salvar o planeta.

Administrativo Daniela Figueira adm@ecoempreendedor.com.br Colaboração Alden Harada, Edilane Nogueira, Fábio Carleto,

Banco de imagens/Deviantart

Rogério Hanssen

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sumário Reuso de água em empresas é boa solução para economia

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pesquisadores

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Pneus verdes são tendência nos automóveis novos

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ecologicamente correto Indústria automobilística é exemplo de sustentabilidade

quem faz

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É preciso redobrar a atenção quanto à produção de papel

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economize


O futuro e os benefícios das edificações sustentáveis

pratique

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por aí ONGs que fazem trabalho voltado para o meio ambiente

filantropia

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Edilane Nogueira fala sobre consumo consciente

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artigo

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O que aconteceu pelo mundo que você precisa saber


pesquisadores

água:

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símbolo de vida e

desperdício Por Valéria Guedes

Dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, esta é fórmula química de um dos bens mais preciosos do planeta Terra, a água. De acordo com a Organização das Nações Unidas, uma pessoa necessita de 110 litros de água por dia, o suficiente para o consumo e higiene. Após a utilização, essa água é descartada no sistema de coleta de esgoto. A água limpa agora está imprópria para o consumo humano. O que fazer? Segundo o engenheiro hídrico Plínio Tomaz, a água proveniente do tratamento de esgotos, denominada água de reuso, não é adequada para beber, mas pode ser utilizada para fins não potáveis, como resfriamento de equipamentos, limpeza de

O estado de São Paulo é o maior polo industrial do Brasil e têm maior índice de concentração de riquezas, desperdício e contaminação de recursos naturais

ruas, rega de jardins, geração de energia ou em outros processos industriais. Dados da Sabesp mostram que na região metropolitana de São Paulo, são reaproveitados 948 milhões de litros de água por ano. Os custos são reduzidos e variam de R$ 0,48 por mil

litros para órgãos públicos e R$ 0,81 por mil litros para empresas privadas. Cada litro de água reutilizado corresponde a um litro de água disponível para o abastecimento público, contribuindo para a preservação dos recursos hídricos e do meio ambiente, bem como colabora para a economia financeira de diversas empresas. Transição para a sustentabilidade “A corrida pela industrialização não é mais desculpa para a falta de consciência em relação ao meio ambiente. Deve – se pensar em métodos de produção sustentáveis, bem como a substituição de matrizes energéticas poluentes por matrizes


Divulgação/Saae

Água da chuva

limpas”, diz o gestor ambiental Leo Urbini. Diversas ações podem ajudar na economia de água em uma organização: detectar e reparar vazamentos, trocar equipamentos convencionais por equipamentos economizadores, estudar meios de reaproveitamento da água e oferecer palestras educativas no ambiente de trabalho. Estabelecer metas claras como: redução de consumo e desperdício de água; conscientização de empregados, terceiros e clientes; agregação de valor ao negócio; redução de despesas e custos operacionais, tudo a fim de evidenciar a responsabilidade socioambiental no esforço de manter uma gestão sustentável.

A capital de São Paulo é conhecida por sua garoa alternada com tempestades devastadoras, causando um verdadeiro caos na vida do cidadão paulistano. É tanta água que o sistema pluvial da cidade não suporta e transborda; causando enchentes. O primeiro mês de 2010 começou com um recorde de chuva na cidade. Dados coletados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências indicaram que em Janeiro choveu 628,9mm. O índice mais alto havia sido registrado em 1947, com 481,4 mm. Vale lembrar que 1 milímetro de água equivale a 1 litro de água por metro quadrado. A cidade de São Paulo tem 1.522,99 km2, que significa que em 1 mês caiu sobre nossas cabeças o equivalente a 524 milhões de litros de água. Uma solução para problema de desperdício de água e as enchentes constantes pode ser a captação da água de chuva e sua utilização para fins não potáveis. “A água pode ser captada pelo telhado e pelas calhas. A primeira parte coletada é descartada, pois apresenta um grau de contaminação bastante elevado. Depois de filtrada, a água é armazenada e pode ser utilizada para consumo não potável, como em bacias sanitárias, torneira de jardins e outros tipos de higienização” enfatiza o engenheiro Plínio Tomaz. A implantação de um sistema para o resgate de água da chuva é relativamente barato, podendo variar de 2 a 10 mil reais, dependendo da capacidade de armazenamento. A economia gerada compensa, tanto para as empresas como para o planeta, afinal, a água da chuva não custa nada.

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não custa nada


ecorreto

A s a e d c a 8 ec empreendedor junho/2010

as es t r om

Por Thiago Rodrigues

O

setor automobilístico está cada vez mais moderno com as inovações tecnológicas. Dessa vez, uma novidade ecologicamente correta promete chamar a atenção das pessoas para tão sonhada preserva-

torna o veículo mais ecológico e ajuda a preservar o meio ambiente. Parte do pneu vem de origem do petróleo e os pesquisadores têm como objetivo acrescentar em sua composição componente renováveis, c o m o a sílica, uma espécie de pó fino. “O pneu verde em síntese utiliza a mesma composição dos pneus convencionais acrescida do componente sílica. Ela pode ser obtida por meio do processamento de diversos componentes orgânicos, como por exemplo, casca do arroz”, explica Felício Felix analista técnico do Cesvi Brasil – Centro de Experimentação e Segurança Viária. Segundo pesquisas realizadas desde 1990, os pneus verdes poderão diminuir o esforço de contato ao solo, e assim diminuir o consumo de combustível dos veículos. “Diversos ensaios têm sugerido valores de até 5% de economia de combustível ou ainda, estimativas indicam

ntato c co

a i e g m o l o

ção do Meio ambiente. Trata-se da nanotecnologia, dos “Pneus Verdes” que está sendo estudada e, em breve pode chegar ao país. Com a mesma cor dos pneus comuns, os pneus verdes são uma grande aposta para as indústrias do segmento e para o mercado nacional. O que muda de um pneu para o outro é a sua fórmula, que


atualmente enfrenta o desafio de pneus, será diferente, pois sua rose adequar a esta tendência de lagem será mais macia, além do sustentabilidade ambiental, com consumo de combustível menor. potencial inclusive para a melhoO que vem sendo especuria dos índices alcançados até o lado pela mídia é referente à presente momento na otimização segurança dos pneus verdes, do consumo de combustível o se seria mantida convencioque repercute, por outro lado, em nais: “No quesito segurança, os necessidades ligadas a adequanovos pneus oferecem. Quanto ção da cadeia produtiva de insuà disponibilidade de seguranmos deste segmento, processos, ça, tem se mostrado de alta logística, investimentos em P&D e confiabilidade diante das mais tecnologia”, diz Felix. severas solicitações, tanto reA princípio os pneus verdes produzidas em ensaios, quanto têm uma difemonitoradas rença maior em em seu comvalores, e uma portamento promessa em cotidiano em ser mais um campo, uma Com uma proposta aliado a ajudar vez que já são positiva para o Meio o Meio ambienproduzidos e Ambiente, os futuros te. “O pneu vermontados em pneus verdes são de atualmente alguns veícugrandes apostas para custa em média los”, diz Felix. veículos mundiais 15% mais caro O analista com tecnologia do que um resdo Cesvi Brasil, ecologicamente pectivo pneu também explica correta convencional que os testes de mesma escom os novos pecificação, popneus estão rém, com a prosendo satisfamessa genérica tórios. “Seu dede economizar sempenho tem dois tanques de combustível ao demonstrado níveis satisfatórios longo de seu ciclo de utilização, de controle reagindo de forma além de evitar o reflorestamento compatível aos pneus tradiciode oito árvores. Acredita-se que nais frente às mais variadas soliem médio prazo seus valores já citações ao volante”, afirma Felix. sejam bem mais próximos”, conAlgumas empresas fabricancluiu Felix. tes de pneus no Brasil já produA indústria planeja dobrar zem os pneus verdes. A indústria em dois anos a produção destrabalha para vencer o desafio ses pneus para oferecer ao e apresentar definitivamente ao mercado automobilístico, além mercado um produto ecologicade acreditar que no futuro os vemente correto. “O mercado já ículos não serão mais vilões do comercializa estes pneus, o resmeio ambiente. pectivo setor da indústria é que

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esta economia em até um litro de combustível a menos por 100 quilômetros rodados”, comenta Felício Felix. Se for contabilizado, a cada cinco vezes que o tanque de combustível do automóvel é cheio, uma delas corresponde só para cobrir o combustível gasto pela resistência dos pneus durante a rodagem. Segundo o Detran (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), a frota de veículos até outubro de 2009 no Estado de São Paulo correspondia a 19.945.140 automóveis. Esses números correspondem ao plantio de 56 milhões de árvores por ano, além de 500 milhões de litros de combustíveis um dos desafios que a indústria fabricante de pneus enfrenta hoje, com o pneu verde, é exatamente manter os níveis de aderência e durabilidade em relação aos pneus tradicionais. Entretanto valores bem semelhantes já estão sendo observados. Um ponto importante a ser questionado é que durante o movimento do veículo o atrito da borracha e do solo é responsável por 20% de toda energia usada pelo carro para se movimentar. “O pneu verde oferece menor resistência à rolagem, ou seja, rola mais facilmente. Por mais que isto pareça óbvio, tal fato não pode reduzir o atrito nem a aderência”, explica Felix. Os pneus do “futuro” serão macios para circulação e ajudarão a não forçar todo o conjunto mecânico. Alguns condutores têm dificuldades de tirarem o veículo da inércia. Com esses


quemfaz

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Consciência ambiental A

s riquezas deixadas pela natureza são ignoradas e atualmente o lixo faz parte deste histórico, pois o processo de reciclagem que deveria ser cumprido por todos ainda não é ativo. A palavra reciclar passou a ser utilizada com mais frequência na década de 70, quando as preocupações ambientais passaram a ser tratadas com maior rigor, especialmente após o primeiro choque do petróleo, quando a ação ganhou importância estratégica. As indústrias recicladoras são também chamadas secundárias, por processarem matéria-prima de recuperação. Na maior parte dos processos, o produto reciclado é completamente diferente do produto inicial. No setor automobilístico, algumas montadoras já se conscientizaram deste fator tão importante e passaram a oferecer locais para coleta de resíduos automotivos, como vidro, borracha, plástico, me-

Por Daniela Figueira

tal, entre outros. A reciclagem é um conjunto de técnicas que tem por finalidade aproveitar os resíduos e reutilizá-los no ciclo de produção de outros objetos. É o resultado de uma cadeia de atividades, pela qual materiais que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são desviados, coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima para novos produtos. Ou seja, dentre tantos materiais de veículos que não são mais úteis para o setor automotivo. Montadoras como Fiat e General Motors aderiram à reciclagem e atualmente reciclam os materiais do segmento para este processo. A GM instituiu dentro das instalações da empresa os ‘Ecopontos’, locais de coleta que possibilitam a melhoria da separação dos resíduos reciclados dos não-reciclados. Neles, é feita a triagem antes de serem enviados ao destino final. Nos Ecopontos, os resíduos são avaliados e separados em contêineres divididos por cores, da seguinte forma: lixo comum (marrom), papel branco e pape-

lão (azul), plásticos (vermelho), sucata metálica (amarelo) e sucata de madeira (preto). Também é observado se os resíduos estão ensacados e dispostos nos respectivos contêineres corretamente. Além da reciclagem de resíduos comuns, a GM também recicla materiais como isopor, lubrificantes, peças metálicas, madeira e borra de tinta. Esses materiais são reaproveitados no processo de produção dos veículos. Segundo a marca, aproximadamente 8% dos para-choques dos veículos produzidos nas fábricas de São Paulo e São José dos Campos, ambas no Estado de São Paulo, possuem plásticos reciclados em sua composição. Já dos pneus são extraídas algumas matérias-primas, tais como tecido emborrachado, granulado de borracha, aço e massa de borracha, que servem como insumo para diversos produtos. “Há dois anos adotamos esse processo, que está sendo implementado em outras unidades. Nossa intenção é continuar fazendo um in-


Divulgação/Fiat

tenso trabalho junto aos nossos fornecedores mostrando a importância do reaproveitamento de materiais. Eles são auditados e avaliados, conforme a legislação vigente no País e também os nossos procedimentos internos da GM, que são bastante exigentes”, comenta Cláudio Eboli, diretor da GM do Grupo Global de Instalações - na América do Sul. A empresa se preocupa em fiscalizar todo o processo de reciclagem de resíduos nas unidades da General Motors, e é cuidadosamente gerenciado por profissionais especializados na área, responsáveis pelas elaborações de relatórios e auditorias. São pelo menos dois engenheiros ambientais em cada fábrica, que fazem o acompanhamento de todo o processo. O processo de reciclagem é

muito importante, não apenas para diminuir o acúmulo de resíduos, como também para poupar a natureza da extração inesgotável de recursos. No caso de materiais como plástico provêm da queima indevida e sem controle. Quando a disposição é feita em aterros, os plásticos dificultam sua compactação e prejudicam a decomposição dos materiais biologicamente degradáveis, pois criam camadas impermeáveis que afetam as trocas de líquidos e gases gerados no processo de biodegradação da matéria orgânica. Os metais são materiais de elevada durabilidade, resistência mecânica e facilidade de conformação, sendo muito utilizados em equipamentos, estruturas e embalagens em geral. A grande vantagem da reciclagem de metais é evitar as despesas da fase de redu-

ção do minério a metal. Essa fase envolve alto consumo de energia e requer transporte de grandes volumes de minério e instalações caras, destinadas à produção em grande escala. A reciclagem de vidro significa enviar aos produtos de embalagens o vidro usado para que este seja reutilizado como matéria-prima para a produção de novas embalagens. O vidro é um material não-poroso que resiste a temperaturas de até 150°C sem perda de suas propriedades físicas e químicas. Esse fato faz com que os produtos possam ser reutilizados várias vezes para a mesma finalidade. O vidro é 100% reciclável, não ocorrendo perda de material durante o processo de fusão. Para cada tonelada de caco de vidro limpo, obtém-se uma tonelada de vidro novo.

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Esteira de reciclagem da Fiat


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Em 1996, cada carro produzido pela marca gerava 400 kg de resíduos. Hoje, este volume foi reduzido para 210 kg. Por outro lado, o percentual de resíduo reciclado subiu de 70% para 93%. Todo resíduo sólido gerado na fábrica tem um destino ambientalmente correto. As caixas de isopor que a Fiat recebe com embalagem de peças e componentes, são quatro toneladas por dia. Esse material tem destino certo, pois desde 1995, foi desenvolvida uma tecnologia pioneira no mundo para o picotamento e condensação do isopor, transformandoo em (poliestieno), utilizado como matéria-prima para a fabricação de peças plásticas como canetas, solas de sapato, utensílios domésticos etc. 100% do isopor recebido pela Fiat é reciclado através deste processo. O consumo de água da Fiat em 1996 era de 3 milhões m³ por ano. Em 2006, foi reduzido à metade. Em contrapartida, a quantidade tratada e recirculada desta água subiu de 60% para 92%. A meta é atingir 95%. O consumo de água por veículo produzido foi reduzido de 8 m³ para 3,2 m³, entre 1996 e 2006. A Fiat também controla totalmente as emissões atmosféricas de gases tóxicos, com pós-combustores dos fornos de secagem da pintura que consumiram um investimento de US$ 11,5 milhões. Para João Teodoro Freitas, gerente de marketing da Fiat, a reciclagem é um ato

Divulgação/GM

Além disso, cerca de 1,2 tonelada de matéria-prima deixa de ser consumida. Os pneus usados podem ser reutilizados para reciclagem após recauchutagem. Esta consiste na remoção por raspagem da banda de rodagem desgastada da carcaça e na colocação de uma nova banda. Após a vulcanização, o pneu recauchutado deverá ter a mesma durabilidade que o novo. A economia do processo favorece os pneus mais caros, como os de transporte de caminhão, ônibus e avião. A montadora Fiat também participa dessa ‘corrente’ ecologicamente correta. Desde a sua instalação no Brasil, em 1976, a Fiat tem se preocupado com a responsabilidade socioambiental que abrange desde o projeto de novos produtos, o processo produtivo e a utilização de veículos. Atualmente todos os materiais que sobram das produções de veículos Fiat passam por reciclagem e recebem nova vida em outros objetos. Já na construção da fábrica da Fiat em Betim/MG, foram instaladas as estações de tratamento de água, resíduos e ar. Em 1989, foi criada a área de Ecologia e Energia da Fiat. Em 1994, implantou-se a coleta seletiva e a reciclagem de materiais na Ilha Ecológica. A Ilha Ecológica está instalada em uma área de 30 mil m², dentro da fábrica, para onde são destinados todos os resíduos sólidos gerados no processo produtivo dos veículos.

Lixeiras de coleta seletiva da GM

muito importante para marca. “Preocupamo-nos em fazer a reciclagem de todos os resíduos possíveis e até da água utilizada, com isso, conseguimos economizar financeiramente e investir em projetos sociais da empresa”. Após entendidos os conceitos acima, segue uma tabela sobre a composição média dos materiais nos veículos. Destesmateriais, os destacados em vermelho somado a alguns tipos de plásticos (dependendo do modelo


A Ilha Ecológica da Fiat está instalada em uma área de 30 mil m², dentro da fábrica, para onde são destinados todos os resíduos sólidos gerados no processo produtivo dos veículos

Processos Segundo Emerson Feliciano, supervisor técnico do Cesvi Brasil, a reciclagem de automóveis, passa por dois processos de utilização: Reciclagem de Materiais: É o processo mais comum, em que apenas os materiais são preservados, perdendo a forma original da peça. A sua aplicação encontra-se difundida, uma vez que permite uma desmontagem destrutiva e menos dispendiosa. A reciclagem de automóveis com vista à recuperação dos materiais bases permite que o veículo seja reciclado com a utilização de tecnologia de Fragmentação em “Shreders” (tecnologia que ajuda na reciclagem sem o uso de produtos químicos).

Reutilização de Componentes: A reutilização de componentes é prioridade do ponto de vista ambiental (a que o CESVI hoje recomenda), uma vez que nesta, os recursos empregados na produção (sejam eles recursos materiais ou energéticos) são preservados. Consegue-se assim um menor impacto ambiental uma vez que não só o volume de material descartado é menor, como o consumo de energia e de matéria-prima durante a fabricação diminui.

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do veículo e características de construção) são os que são mais difíceis de realizar o descarte correto (conseqüentemente a reciclagem). O CESVI Brasil - Centro Técnico de Segurança Viária - ainda está estudando as particularidades destes materiais, assim como os fornecedores e processos de reciclagem/reutilização/destinação, argumenta Emerson Feliciano, supervisor técnico da Entidade. Para as montadoras GM e Fiat, a importância da reciclagem está ligada a diversos fatores como economizar energia, poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo do que é jogado fora, dando assim vida nova a outros objetos. “Nosso objetivo não é só atender à Legislação. A questão da reciclagem é uma política da GM, na qual seguimos normas muitas vezes até mais rígidas do que as oficiais”, conclui Eboli.


economize

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Os impactos da produ

N

o Brasil, a utilização dos diferentes tipos de papel é grande, mas poucas pessoas se mantêm informadas sobre o forte impacto ambiental que a produção desse material proporciona. Para se ter ideia, ao produzir uma tonelada de papel, são exploradas de duas a três de madeira, uma grande quantidade de água e muita energia, sem contar o uso de produtos altamente tóxicos na separação e no branqueamento da celulose, base para a produção do material. Segundo dados do Worldwatch Institute, o consumo mundial de papel cresceu mais de seis vezes desde a década de 50 e pode chegar a mais de trezentos quilos per capita por ano em alguns países. Esse consumo representa um sério risco à nossa saúde e ao meio ambiente, pois compromete a qualidade da água, do solo e dos alimentos. De acordo com a Bracelpa

(Associação Brasileira de Celulose e Papel), foram produzidos oito milhões de toneladas de celulose no país em 2002 e mais de 30% desse volume foi exportado. A produção de papel ficou com mais de 7,5 milhões de toneladas; desse valor 13,4% foram exportados. Um fator interessante é que o Brasil recicla metade de todo papel que é produzido aqui. Entre os papelões, por exemplo, cerca de 75% deles são reciclados. Mesmo assim, as indústrias brasileiras precisam fazer importação de aparas, rebarbas ou artefatos do papel no pré e pós-consumo para suprir as necessidades do mercado. Para minimizar os impactos ao meio ambiente, praticamente toda matéria-prima utilizada na produção de papel e celulose é extraída de áreas de reflorestamento, principalmente de eucalipto e pinus. Para a preservação ambiental, é importante a reciclagem de papel e papelão, que contribui para a redução do volume

de lixo e também evita a derrubada de árvores.Também vale ressaltar que para a produção de papel são empregados produtos químicos poluentes, como soda cáustica.As águas de lavagem libertadas são nocivas ao ambiente e, com a destruição das árvores, ocorre também a erosão do solo (com isso, há diminuição da qualidade do ar). Para se obter um tonelada de papel, é necessário derrubar de dez a vinte árvores adultas. Em contrapartida a produção de papel reciclado consome de duas a três vezes menos energia em relação ao papel novo e não é necessário cortar árvores. De acordo com pesquisas, a monocultura do eucalipto, por exemplo, consome tanta água que compromete os recursos hídricos. Segundo Daniela Carvalho, geógrafa e técnica da Fase (Organização não-governamental que atua na área sócioambiental), só no norte do Espírito Santo já secaram mais de 130 córregos depois que o eucalipto foi introduzido no Estado.


ção de papel no Brasil Por Carlos Camargo

O papel reciclado, embora não derrube florestas, gera impactos onerosos. O branqueamento do material, por exemplo, consome produtos químicos muito tóxicos. Um dos componentes desse processo, o ftalato, aditivo usado para dar plasticidade à tinta, se não for corretamente tratado, é altamente poluente. Os empresários de indústrias estão temerosos se a produção - cujo consumo cresce a taxas de 20% ao ano - está ajudando a reduzir impactos ambientais ou se é apenas uma ferramenta para atrair consumidores. De acordo com ABTCP (Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel), a vida útil do papel dura de quatro a sete reciclagens. E, a cada nova reciclagem, o papel perde qualidade e ganha novas funções. No seu primeiro estágio (papel virgem), ele pode, por exemplo, ser sulfite. Depois, reciclado, pode até voltar a sê-lo mas, para isso, precisa receber certa quantidade de papel virgem. Na reciclagem seguinte, pode se tornar embalagem de mercadorias. Em outra reciclagem, já se torna caixa de papelão. E, no último estágio, vira “miolo” de caixa de papelão. Para Antonio Gimenez, gerente de Negócios de Impressão da International Paper, é um mito dizer que o papel reciclado salva árvores.”Não há evidências que comprovem, com segurança, que o papel reciclado traga menos impactos para o meio ambiente do que o papel branco”, afirma. Um estudo realizado pela Esalq-USP mostra que a produção de papel 100% reciclado para imprimir e escrever pode gerar um volume de efluentes até seis vezes maior que o papel branco.

Dicas para diminuir gastos ■ Antes de imprimir, configure a impressão de forma correta. Organize seu documento, veja se as páginas que realmente são necessárias estão inclusas e evite a impressão daquelas que estão em branco; ■ Opte por documentos e manuais apenas em seu formato original e evite o acúmulo desnecessário de papel. Caso a impressão seja feita, tente imprimir na frente e no verso da folha; ■ Forme bloquinhos com folhas usadas que ainda estejam limpas e utilize-as como rascunho. ■ Folhas com face em branco podem ser reaproveitadas em testes de impressão. Quando você errar alguma, não amasse o papel nem o jogue fora.

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Vantagens e desvantagens do papel reciclado


Divulgação/HeroTurko

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pratique

Construindo bem que mal que tem? Por Adriana Sanches

U

m tema que está em alta, mas nem todo mundo entende direito o que é. A conservação do meio ambiente e a busca por uma vida mais saudável tornou-se assunto fundamental na sociedade mas, o que fazer quando essa preocupação ultrapassa os limites pessoais e é expandida para sua casa, trabalho e até mesmo sua cidade? Sustentabilidade, preservação, efeito estufa e qualidade de vida: esses assuntos fazem parte do cotidiano. Com os deslizamentos ocorridos em São Paulo e Rio de Janeiro, um fator

Ações e Reações Nos empreendimentos verdes sempre existe a preocupação com a infraestrutura de transportes, por isso a localização estratégica é um dos fatores primordiais

para a escolha da região. Esse tipo de empreendimento, geralmente é levantado em locais que possuam metrô e pontos de ônibus nas proximidades, facilitando o acesso às principais vias da cidade. A ideia principal é realizar uma construção preocupada com a natureza, mas também que possua moradores com essa consciência. Além disso, esses quesitos aumentam o valor de revenda do seu imóvel e torna todo o ambiente mais saudável. “São pequenos detalhes que muitos consideram bobagem, mas no final do mês fazem toda a diferença”, ressalta Adalberto Franco Pellicciari, membro efetivo do conselho fiscal do CRECI, que menciona ainda a importância deste novo segmento para o mercado imobiliário. “Para um empreendimento ser considerado sustentável, ele deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito, saindo dos padrões de condomínios caros e passando e sendo acessível a todos. Com esse mercado, todos ganhamos, o mercado imobiliário ecologicamente correto deu um salto de 7,3%, para 15% em crescimento e expansão de investimentos”. >>

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A conservação do meio ambiente e a busca por uma vida mais saudável, são assuntos fundamental na sociedade. Construir de forma sustentável e que não grida o meio ambiente tornou-se prioridade para a construção civil

crucial chama nossa atenção: como planejar e construir imóveis seguros, com custo baixo e que possam evitar esse tipo de acidente. A construção civil consome entre 15 e 50% dos vários recursos naturais extraídos da natureza, sendo que 50% da produção de gases causadores do efeito estufa decorrem da cadeia produtiva dos empreendimentos imobiliários. Além disso, 30% do aquecimento global deve-se à concepção, construção, reforma e operação de edificações. Indo na contramão deste cenário, cada vez mais empreendedores dispostos a colaborar com a natureza e principalmente interferir positivamente no urbanismo das cidades, investem em ações sustentáveis e ganham novos compradores, gerando um retorno mais rápido do que o esperado pelas construtoras. E você acha que é muito caro e torce o nariz para as construções sustentáveis? Fique tranquilo e veja todas as vantagens de investir nas “edificações verdes “:


pratique

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A sustentabilidade de uma obra, além de ser ecologicamente correta, ajuda a economizar na compra de mais material. “Geralmente em construções de prédios sustentáveis, após a construção dos subsolos e do térreo, os demais pavimentos seguem um padrão, as-

sim alguns materiais podem ser reutilizados, por exemplo, as formas, já pensando nessa reutilização elas são feitas com chapas laminadas que são mais resistentes ao uso. Outros materiais não valem à pena nem serem feitos e assim são locados, como por exem-

plo, andaimes, escoramento metálico, elevadores, No final da obra, você pode chegar a reciclar 81% do lixo que seria descartado e serve para a confecção de novos materias” observa Paulo Gelesko, professor da faculdade de engenharia do Estado de São Paulo.

Ideias Verdes Nas construções ecologicamente corretas, tudo é pensado de forma sustentável, da construção à vida útil e manutenção do prédio. Isso se reflete em economia para o condomínio, maior aproveitamento dos recursos naturais e muito, muito mais qualidade de vida.

Resfriamento evaporativo - é o efeito de resfriamento dos telhados verdes. A água nas plantas, como a sedum, evapora no ar quente, o que resfria o ar. Esse processo é parecido com a maneira como a transpiração resfria nossa pele; Cinzas volantes - são os resíduos produzidos durante a queima do carvão. Para utilizar esse subproduto de maneira positiva, as empresas atualmente usam as cinzas volantes na produção de cimento. Usar cimento com cinzas volantes diminui a demanda pela criação de mais concreto, uma produção que libera dióxido de carbono na atmosfera;

Com um conceito que busca a criação de uma consciência de não desperdício e de sustentabilidade e a preocupação de minimizar o máximo possível o impacto sobre nosso ambiente natural, os empreendimentos da sustentáveis enfatizam estratégias em áreas distintas.

Bombas de calor e poços geotérmicos - são mecanismos usados para aquecer e resfriar uma construção. Eles usam o solo como uma fonte de calor durante o inverno e como um local para depositar o calor durante o verão; Água Cinzenta - é a água que escoa pelas pias e pelos chuveiros das construções. Embora não seja potável, pode ser usada para irrigar as áreas verdes; Sistemas fotovoltáicos são painéis de células solares que convertem a luz solar em energia; Água potável - é a água limpa o suficiente para ser ingerida;

Escoamento - é a água da chuva que pode acumular elementos prejudiciais antes de retornar para as fontes de água; Chaminé solar - é um sistema de ventiladores que pode absorver e eliminar o ar quente de uma construção durante dias quentes e circular ar quente pelo local quando estiver frio do lado de fora; Novas Gerações - Então, será que conseguimos estimular o seu interesse por construções sustentáveis? Pense no futuro do nosso país, da sua região e acima de tudo dos seus futuros familiares, afinal, certamente serão eles os maiores beneficiados por todo esse investimento.


poraí Por Jéssica Batista

Hora do Planeta no Brasil serve para alertar sobre o aquecimento global, já que tem mais hidrelétricas gerando energia. Segundo o WWF, (Fundo Mundial Para a Vida Selvagem e Natureza, em português), na primeira edição, em 2007, duas milhões de pessoas desligaram as luzes. Em 2009, quando o WWF Brasil realizou pela primeira vez a Hora do Planeta no país, quase um bilhão de pessoas em todo o mundo apagaram suas luzes. Este ano, 125 países e regiões dos sete continentes participaram do evento.

O diretor James Cameron e o produtor Jon Landau anunciaram, em Los Angeles, o lançamento de DVD e Blu-ray do filme Avatar e aproveitaram a data para divulgar a iniciativa de plantar um milhão de árvores em parceria da 20th Century Fox Home Entertaiment com a Earth Day Network, organização internacional sem fins lucrativos que coordena programas do Dia da Terra, anualmente. O filme estará disponível em Blu-ray e DVD no Brasil a partir do dia 22 de abril, Dia da Terra, seguindo o mesmo calendário dos Estados Unidos.

Guerra às sacolas A campanha de incentivo ao uso de sacolas reutilizáveis em supermercados deve fechar este ano com a economia de 1,5 bilhão de sacolas plásticas. A estimativa foi anunciada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante a divulgação da campanha Saco é um Saco. Segundo ele, foram menos 600 milhões de sacos plásticos lançados no meio ambiente desde o ano passado - o total de sacolas plásticas fabricadas no Brasil por ano é 18 bilhões de unidades.

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Avatar e meio ambiente

Cuecas feitas de fibra de bananeira A empresa australiana de roupas íntimas Aussiebum cria linha masculina feita com fibras de bananeira. Com essa iniciativa, ela se afirma como a primeira produtora mundial de cuecas feitas com material ecológico. Para garantir o conforto, a peça é uma mistura de 27% fibra de banana, 64% algodão e 9% lycra. O tecido ajudaria a reduzir o consumo de outros materiais usados normalmente na fabricação de cuecas. Ele não requer cuidados diferentes da maioria das roupas íntimas e cada peça é vendida por US$26,61, aproximadamente . Veja o comercial em nosso site: www.penseverde.com.br

Fotos: Divulgação/Google

No dia 27 de março deste ano, monumentos como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, a Ponte Octavio Frias de Oliveira, em São Paulo, o Palácio de Cristal, em Curitiba e o Arco da Praça Portugal, em Fortaleza, foram apagados às oito e meia da noite em adesão à Hora do Planeta, um ato simbólico contra o aquecimento global. A campanha teve origem na Europa, na qual a matriz energética se baseia em usinas à base de carvão mineral, cuja queima é um dos principais contribuintes do aquecimento global. A campanha


Divulgação

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filantropia

E

m meio a tantas dificuldades e baixa autoestima, projetos sociais que visam inserção e recolocação de pessoas portadoras de necessidades especiais no mercado de trabalho e continuidade de uma vida comum, projetos sociais surgiram e possibilitam essa alternativa. O Projeto Tear é um deles e visa promover a reabilitação psicossocial de portadores de transtornos mentais por meio de inclusão social e geração de renda, respeitando o tratamento aplicado individualmente aos beneficiados e foco na sustentabilidade. O projeto oferece sete diferentes oficinas de trabalho: gráfica, reciclagem de papel, vitral, mosaico, marcenaria, velas artesanais e tear para capacitar

profissionalmente pacientes encaminhados pelas instituições de saúde do município de Guarulhos, São Paulo. Os objetos de artesanato produzidos nas oficinas são comercializados e o valor arrecadado é revertido para dar continuidade ao tratamento dos pacientes, além de contribuir para a autossustentabilidade do projeto. Os participantes recebem uma “bolsa oficina” de acordo com o valor arrecadado nas vendas dos produtos confeccionados e com a avaliação da participação de cada um, observando critérios como assiduidade, responsabilidade, iniciativa, criatividade, relação com o grupo e desempenho na tarefa específica. A psicóloga Valéria Bianchini, que trabalha no projeto desde 2003, diz que nas oficinas,

a palavra de ordem é reaproveitamento: “Nós não podemos ver uma caçamba que pulamos dentro”. O grupo recebe diversas doações de entulhos, pedaços de madeira, papelões, garrafas de vidro e retalhos de pano e sempre tenta dar uma finalidade para elas. Os produtos, criações dos pacientes, são destinados para clientes, de acordo com suas necessidades, ou vendidas na Loja Tear. Uma área trabalha em conjunto com a outra: “Um rack que é construído pela marcenaria pode ser confeccionado pelos vitrais e assim por diante”, completa. Outro projeto que visa responsabilidade social é a Casa Hope, entidade totalmente filantrópica que dá total apoio biopsicossocial e educacional a crianças e adolescentes carentes portadores de câncer e seus


descobrindo ummundo por Daniele Arraes

familiares, além dos transplantados de medula óssea, rim, fígado e pâncreas, vindos de todo o Brasil. Em 2009, a instituição realizou 15.827 atendimentos, oferecendo serviços de moradia, alimentação com uma dieta balanceada e acompanhamento nutricional, vestuário, medicamentos, total assistência no transporte aos hóspedes, serviço social, assistência psicológica, escola/ apoio pedagógico, recreação dirigida, assistência odontológica, terapia ocupacional, oficinas e cursos de capacitação profissional, como: informática, panificação e estética, todos extensivos aos acompanhantes dos pacientes atendidos. Segundo a presidente e fundadora da instituição Claudia Bonfiglioli que, há 13 anos administra a entidade, o foco da Casa Hope não é a doença e, por isso, os trabalhos de terapia ocupacional, cursos e oficinas oferecidos possibilitam ao

paciente dar continuidade ao tratamento de uma forma mais amena: “A necessidade de ter esses serviços surgiu pelo simples fato de que fica complicado levar a vida normalmente quando se está em tratamento e frequenta hospitais todos os dias. Essa foi a alternativa encontrada para superar esse desafio e, com ajuda de empresas parceiras, isso se tornou possível”, diz Claudia. Atualmente a Casa Hope tem 188 leitos, área de lazer, dois refeitórios, salão para eventos, biblioteca, brinquedoteca, salas de

aula, artes, TV, leitura e de convivência, além de outros espaços distribuídos em aproximadamente 6.000 m² de área construída.

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novo Para ajudar essas instituições, acesse os sites: http://www.hope.org.br http://www.projetotear.org.br

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artigo

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Consumo consciente O

Quantas vezes nos questionamos em relação à origem do produto? Se houve emprego de mão de obra infantil ou quase escrava? Se o preço é realmente justo? Se existe um descarte adequado? É muito importante saber qual é a origem do produto, muitas vezes acreditamos que estamos comprando algo aparentemente ecológico, como alguma peça artesanal provenientes da floresta amazônica, mas que na verdade “extraiu” algo que pertencia ao equilíbrio da floresta. Outra situação muito comum no nosso país são os produtos piratas que alimentam a “indústria” do crime, além de não pagarem impostos, direitos autorais etc. Como consumidor desempenhamos um papel fundamental na sociedade, ditamos moda, costumes e regras, mas com tudo isso existe a responsabilidade perante as nossas escolhas. O ato de consumir causa impacto. Mas se por um lado o consumo é cada dia mais crescente é possível notar que a preocupação com relação ao Meio Ambiente também é. Embora ainda ocorra de maneira “tímida”, as pessoas estão buscando cada vez mais alternativas sustentáveis, como o consumo de produtos orgânicos, a prática da coleta seletiva etc.

Hoje é possível ir ao supermercado e notar que os costumes estão mudando, como por exemplo, a substituição das sacolas plásticas por outra durável e consumo de produtos que além de utilizarem menos embalagens, essas ainda podem ser recicladas. É crescente também a utilização de produtos retornáveis, recarregáveis, recicláveis. Grandes empresas, escolas e bancos estão incentivando a redução do consumo de materiais descartáveis, substituindo os copos de plásticos por canecas ou garrafas e utilizando papel reciclado no lugar do branco. A informação é a nossa principal ferramenta, mas transmitir o nosso conhecimento é extremamente importante. Precisamos sim fazer a nossa parte e exigir que os nossos vizinhos, amigos ou parentes, façam a parte deles também.

Edilaine Nogueira Gestora ambiental do Instituto Recicle.

Banco de imagens

consumo consciente é um dos temas ambientais que vem sendo muito abordado nos vários canais de comunicação... Consumo consc i e n t e Quantas vezes nos também é questionamos em conhecido relação à origem do como susproduto? Se houve tentável e emprego de mão de responsáobra infantil ou quase vel, diferenescrava? Se o preço te do que é realmente justo? Se a maioria existe um descarte das pesadequado? soas imagina ele não está associado exclusivamente às questões ambientais, vai além de uma postura ambientalmente adequada. O social, econômico e o ambiental estão sempre interligados – isso é sustentabilidade. Não adianta termos uma postura aparentemente correta no ponto de vista ambiental se não nos preocuparmos com as questões sociais. São muitas as perguntas que deveríamos fazer antes de consumir...


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Perguntar sempre se é possível ser melhor, mais simples, mais responsável. O jeito Coca-Cola Brasil de viver positivamente.

189 milhões de embalagens coletadas no Brasil. 1.300 toneladas de embalagens recolhidas pelo Programa Reciclou, Ganhou em 2007. 900 milhões de litros de água poupados. Para a Coca-Cola Brasil viver positivamente é buscar maneiras novas e eficientes de participar com responsabilidade do processo produtivo, da vida das comunidades em que atua, das iniciativas cada vez mais urgentes pela proteção do meio ambiente. Saiba tudo de positivo que nós estamos fazendo e também está ao seu alcance. Acesse:

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Revista Eco Empreendedor  

Primeira edição da Revista Eco Empreendedor, destinada ao público interessado por saber das novidades do meio ambiente e sustentabilidade.