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issue 1 dezembro 2019 nerve.com.br

CULTURA O TEMPO TODO

DAY MOLINA FALA COM EXCLUSIVIDADE SOBRE SUA MARCA NALIMO e COMO É FAZER PARTE DO FASHION REVOLUTION TRABALHANDO COM MODA consciente


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DEZ2019 NERVE ISSUe 1

NERVE .com.br

CART A AO LEITOR

DES TA Q UES DAY MOLiNA + MODA CONSCIENTE + FASHION REVOLUTION

PAGS 6-7

SUMÁRIO ai weiwei

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day molina

6-7

boy pablo

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fomento artes

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vivendo de arte

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novidades cinema

10-11 12

CONFIRA o que achamos da AMOSTRA sobre AI WEWEI NO CCBB-RJ

DISSECAMOS AS MELHORES NOVIDADES DE NOVEMBRO

PAGS 4-5

PAGS 10-11

BOY PABLO PASSOU PELO RIO E O NERVE TEAM ACOMPANHOU TUDO

BACURAU LEVANDO O CINEMA NACIONAL PARA O MUNDO

PAG 8

PAG 12

EXPEDIENTE D i r e t o r a d e r e d a ç ã o : E v e ly n M u r a d Editora chefe: Bruna Brito P r o d u t o r E x e c u t i v o : M a t e u s S a n t ’A n n a R e d a t o r e s : B r u n a B r i t o , E v e ly n M u r a d , Jeniffer Amorim, Jonas Orlando e M a t e u s S a n t ’A n n a Diretora de arte: Bruna Brito R e v i s ã o : E v e ly n M u r a d

Nossa revista tem como proposta falar sobre cultura de forma clara e dinâmica, fazendo com que o leitor se sinta parte do movimento e tenha sempre interesse em estar aqui. Nosso foco sempre será na questão social, no cenário político e, com isso, criticar o que acreditamos ser preciso mudar ou se transformar. Nesta edição nós trouxemos uma matéria sobre a nova exposição do Weiwei, que passou pelo CCBB do Rio de Janeiro; uma resenha sobre o show do Boy Pablo, que fez sua estréia no Brasil e, no cinema e uma coluna a respeito de Bacurau e Coringa. ALÉM DISSO, nossa equipe buscou sobre pessoas que vivem de arte no Brasil e assim, desenvolvemos uma reportagem sobre a chamada pública de fomento a arte em Niterói. Nossa matéria principal é sobre moda consciente, que conta com uma entrevista e photoshoot exclusivos com a stylist e ativista Day Molina.

BRUNA BRITO EDITORA-CHEFE @PORTALNERVE


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AI WEIWEI EXTERIORIZA SUAS RAÍZES Por Bruna Brito

(Fotos: Bruna Brito)

“Tudo é arte, tudo é política.” Essa é uma das várias frases dispostas nas paredes do CCBB-Rio espaço que atualmente abriga a exposição “Raiz” do artista plástico chinês, Ai Weiwei. Com curadoria de Marcello Dantas, o trabalho conta com 60 peças do arsenal do artista, que também se encontram expostas no Paço Imperial, na Praça XV de novembro, de 21 de agosto até 4 de novembro. A amostra também passou pela Oca no Parque Ibirapuera, em São Paulo, contendo 70 peças, dez a mais que a versão carioca, sendo assim, a maior exposição do artista até então. Além disso, algumas das obras foram criadas no Brasil, quando ele fez residência artística de sete meses explorando comunidades brasileiras e criou peças inéditas com sementes, tecidos e referências locais. Ai Weiwei é um forasteiro. Sempre político, ativista e corajoso, ele utiliza a arte para comunicar sua visão insólita do mundo e suas problemáti-

cas. Porém, tamanha bravura e comprometimento com a verdade, lhe trouxe inúmeros riscos. Foi vigiado, perseguido, agredido e preso. Logo ao nascer, em 1957, foi classificado como inimigo do Estado chinês devido ao posicionamento político de seu pai, o poeta chinês Ai Qing, um dos primeiros intelectuais a serem politicamente cerceados. Viveu de maneira ilegal em Nova York por quase dez anos, esteve perto da morte após sofrer dano cerebral uma vez que foi espancado por realizar denúncias em seu blog, este

que sofreu censura e foi cancelado. O artista ainda teve seu estúdio destruído e foi encarcerado em Pequim por suas publicações. Hoje, mora com a família em Berlim, na Alemanha. Encontrou na arte seu lugar e fez dela sua nacionalidade. Ele utiliza elementos da fotografia, marcenaria e escultura para criar obras fortes, recheadas de indagações urgentes sobre nossa sociedade. Questio-

na o passado e as tradições, do mesmo modo que indaga também, o presente e a fragilidade de sociedades ditas democráticas. Acredita que para dar espaço ao novo, se deve deixar ir tudo aquilo que é velho e arcaico. Como faz em “Grapes” (2010), onde apresenta uma série de bancos de madeira da dinastia Qing (1644- 1911) confeccionados por artesãos. Objetos que quando dispostos como um cacho de uvas, são ressignificados ao perder sua função, se tornando ultrapassados. A série “Deixando Cair uma Urna da Dinastia Han”, é outra forma como ele demonstra seu desapreço pelas tradições. A peça mostra o artista, jovem, atirando propositalmente ao chão uma urna cerimonial de cerca de 2.000 anos, da Dinastia Han, período da civilização chinesa. No Brasil, o processo criativo de Ai Weiwei foi intenso, Marcello Dantas, chamou de “Mutuofagia” a forma como o artista se


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alimentou da cultura nacional e como foi acolhido pelo país. “Batizei esse processo como ‘mutuofagia’, que significa dois seres vivos comendo um ao outro. Diferente do canibalismo, é um jogo mútuo, em que um morde o outro. E foi o que aconteceu. Weiwei comeu o Brasil e o país também o comeu”, explica Dantas. No trabalho de mesmo nome, produzida ao lado de Sérgio Coimbra, o artista se coloca em posição de alimento, demonstrando subserviência e abrindo espaço para criar um diálogo de trocas culturais. Ao lado de artistas brasileiros, ele expõe um diálogo sobre meio ambiente e identidades abafadas por uma política de crescimento distante da sustentabilidade e inclusão. Dentre outros trabalhos que foram gerados em solo nacional, se destacam obras feitas com raízes de pequi-vinagreiro, árvore típica da Mata Atlântica, retiradas da Bahia e que se encontra em risco de extinção. Se ressaltam também os trabalhos feitos em couro bovino marcados a ferro e fogo, que dissertam sobre questões étnicas como o preconceito racial e a exploração do corpo negro, trazendo frases de compositores e pensadores brasileiros como Paulo Freire, Abdias do Nascimento, Zumbi dos Palmares, Seu Jorge, Marcelo Yuka e Wilson Cappellete, escritos no alfabeto armorial elaborado por Ariano Suassuna. É interessante salientar obras já conhecidas como ”Forever Bicycles” (“Bicicletas para sempre”) que é constituí-

WeiWei que dirigiu o documentário “Human Flow”, onde ao longo de um ano, o artista acompanhou de perto a crises de refugiados em 23 países, incluindo França, Grécia, Alemanha, Iraque, Afeganistão, México, Turquia, Bangladesh e Quênia.

da por mais de mil bicicletas de aço inoxidável, demonstrando a ligação do artista com a arquitetura ao fazer uma clara referência ao meio de transporte que durante anos, foi o mais usado em seu país de origem. “Sunflower seeds” (“Sementes de girassol”) é outra obra im-

ponente que foi desenvolvida por meio de milhões de sementes feitas em porcelana pintadas à mão por artesões chineses, mostrando delicadeza e fragilidade por meio do material, além de expressar a perda da individualidade dentro dos processos de produção em massa no mundo capitalista. No entanto, é na intitulada “Lei da Viagem (Protótipo B)”, criada após uma temporada na ilha grega de Lesbos, que Weiwei entrega sua maior crítica. Formada por um barco inflável de 16 metros de comprimento, que comporta centenas de figuras humanas fabricadas em PVC, a obra faz referência a crise migratória e ao sofrimento dos refugiados. Tema recorrente nos trabalhos de Ai

Retratando as motivações para que milhões de pessoas deixassem seus países de origem, como miséria, perseguição política e a guerra, abrindo um espaço mais amplo para o ponto de vista de quem estava verdadeiramente inserido dentro daquela narrativa. Premiada pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como a Melhor Exposição Internacional de 2018, “Raiz” não é uma exposição que necessita de grande conhecimento teórico do espectador para captar seu significado, basta liberdade de pensamento e empatia. É sobre sociedade, realidades contemporâneas e em qual lugar dessa equação nos encontramos inseridos. Se trata de questionar sempre, a tudo e todos, inclusive a nós mesmos. Ai Weiwei nos convida a compreender o interno e externo para que possamos ser mudança. Esquecer o individualismo e observar que fazemos parte de um grande organismo, pois, como o próprio artista afirma: “Os seres humanos não dominam o universo. Somos passageiros temporários. ” Inspirado em um poema de seu pai, Qing Ai, que fala sobre a comunicação entre as árvores através de suas raízes, a exposição “Raiz” reúne o que há de melhor sobre a obra de Ai Weiwei; o poder da ação e a liberdade de questionar.


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D A Y

Por Mateus Sant’Anna

(Fotos: Mateus Sant’Anna)

M O L I N A

& MODA CONSCIENTE FASHION REVOLUTION

Todos sabemos que as tendências ditam a moda em cada Fashion Week desde muito tempo. Porém, o que muita gente ainda não sabe é que a reutilização de roupas, brechós e bazares estão em alta na vida de quem ama o mundo fashion. O movimento já tem um nome: “Upcycling”, que nada mais é que a reutilização de roupas antigas para criar uma nova. Desse modo, conseguimos reutilizar as roupas já criadas, contribuindo assim com o Slow Fashion - alternativa socioambiental criada em 2004 - que visa melhores condições aos trabalhadores do meio, a não extração excessiva de recursos naturais e, claro, a conscientização para que as pessoas entendam que não se precisa de algo novo de fábrica para ser ou estar bonito e bem visto. Por isso, chamamos a stylist, ativista e uma das representantes do Fashion Revolution

no Brasil - movimento criado em 2014 após a queda do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, matando cerca de 1300 pessoas - e fundadora da marca ‘Nalimo’, Day Ana Molina, a Day, para uma entrevista exclusiva a respeito do tema.

De onde surgiu essa vontade de ser ativista? Eu sempre tive uma maneira de enxergar o mundo um pouco diferente do senso comum, assim meio fora da caixinha. E eu acho que isso foi uma característica muito forte desde o início da minha juventude, que é pensar as coisas um pouco a frente do meu tempo. Então, pra mim, sempre foi um processo muito natural experimentar roupa do brechó, de enxergar uma oportunidade em uma roupa que já tenha sido usada, mesmo que em um tempo onde as pessoas não viam a moda desse jeito e tinham muito preconceito

com brechó. Essa atitude, por si só, já era revolucionária, já era subversiva.

no que consiste O FASHION REVOLUTION? O Fashion Revolution é um movimento global, que está em vários países, e sua ideia é provocar questionamentos que estimulem o consumo menos acelerado, mais consciente e mais inteligente, já que quando você questiona o que consome, você faz um movimento novo de selecionar e interagir melhor com sua roupa para que ela não tenha um desgaste e sim uma durabilidade maior. O movimento é uma força muito importante de transformação já que trazemos questões e questionamentos que fazem o consumidor pensar, consumir de forma consciente e até melhorar a vida do produtor. Muita gente, hoje em dia, passa a usar roupa de brechó - o que é ótimo - por causa da condição financeira, porém nem todos têm consciência de como esse movimento impacta de fato na sociedade.


7 qual seu ponto de vista sobre isso? O brechó é uma coisa revolucionária nos tempos de hoje porque é a galera da geração Y, é o formador de opinião, o que tem senso crítico. Inclusive, é a pessoa que vai identificar o trabalho de uma curadoria boa e que vai sempre optar por um reuso democrático, onde não vai pesar só para um lado específico. Sobretudo, ainda vai se optar de pagar “mais caro” em uma roupa de reuso em bom estado do que “mais barato” numa roupa produzida num processo que sacrifica a vida de tantas pessoas para acontecer.

se inspiras nas grandes grifes globais? É importante dizer que eu vejo essas grifes como grandes referências de estéticas. Às vezes uma modelagem, uma paleta de cores, uma renda me inspiram. Mas a minha grande inspiração mesmo está na rua.

e o seu processo criativo? como funciona? Acho muito legal contar um pouco sobre isso porque eu sou muito apaixonada pelo que eu faço. Moda me inspira o tempo todo, tomando um café, ou uma cerveja com os amigos, no trânsito olho para determinada pessoa e penso “O que ela deve gostar de vestir?” e vem um turbilhão de ideias. Eu acho que moda é muito mais do que roupa, é, pra mim, uma grande interação com a vida. A gente não pode pensar historicamente em nenhum momento na vida, desde que a gente se entende como sociedade, sem moda. Então acho que o que mais me inspira é o cotidiano, é conversar, é a comunicação.

QUANTO MAIS CONSUMIMOS, MAIS ESTAMOS CONTRIBUINDO PARA A DEGRADAÇÃO SOCIAL E AMBIENTAL

Day Molina finaliza a entrevista dizendo que “quanto mais consumimos, mais estamos contribuindo para a degradação social e ambiental”. Por isso, se tivermos de consumir que seja de forma sempre sustentável.


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B O Y PA B LO n o ri o d ja n e i r o

Por Bruna Brito e Jeniffer Amorim

amigos e assim, o grupo foi formado. Os integrantes são, Gabriel (Guitarra), Eric Tryland (Piano e backing vocals), Henrik Åmdal (Baixo) e Sigmund Vestrheim (Bateria). A conexão entre eles foi tanta que se encontram juntos até hoje dividindo o palco em turnês pelo planeta. Em apenas três anos, a banda foi de pequenas apresentações em sua cidade local para eventos musicais mundiais como o Coachella e o Primavera Sound que reúnem grandes nomes do cenário musical atual. O som de Boy Pablo pode ser definido como uma mistura de Lo-Fi, Indie, Pop-Rock e uma leve pitada de Psicodélico. Suas letras discorrem sobre dilemas da adolescência como romances que não

deram certo até a ociosidade da vida. O quinteto teve seu primeiro single, ‘Flowers’ lançado em 2016 e os custos arcados pelo irmão de Nicolas, que lhe deu a gravação como presente de aniversário. Contudo, a grade explosão aconteceu para eles em 2017 com a divulgação do seu clipe de estreia ‘Everytime’, que atualmente possui 24 milhões de visualizações no youtube e outros 40 milhões de reproduções no Spotify. Além disso, Boy Pablo conta com dois EP’s intitulados “Roy Pablo” e “Soy Pablo”, o primeiro contendo 6 faixas e o segundo, 7 faixas. Em junho deste ano, lançaram uma parceria com o músico Jimi Somewhere, chamada ‘Never Cared’. Atualmente se encontram em turnê mundial, que passou por solo brasileiro, no Rio de Janeiro, em 14 de novembro, no Circo Voador

(Fotos: Divulgação)

Com apenas 19 anos, Nicolas Pablo Muñoz, mais conhecido por seu nome artístico Boy Pablo, já é aclamado no meio alternativo. Filho de pais chilenos, porém nascido na Noruega, o rapaz que veio de Bergen, segunda maior cidade norueguesa, compõe as próprias músicas ao lado de sua banda, também amigos de escola e alguns dos quais dirigem ao seu lado a gravadora independente 777. Pablo encontrou sua verdadeira paixão em compôr aos 13 anos. No entanto, foi aos 16 que a música virou uma realidade. Após querer participar de um festival musical no colégio e não ter ninguém com quem tocar, resolveu juntar alguns

e

e depois por São Paulo, no Popload Festival, que ocorreu no dia 15 de novembro. No Rio, Boy Pablo e seus amigos fizeram um show de estreia que irá ficar cravado para sempre na mente dos fãs cariocas. Eletrizante fez do pequeno Circo Voador, ainda menor para toda sua energia. Ao apresentar “Feeling Lonely”, o público cantou a plenos pulmões. Tocou as já mencionadas “Everytime”, “Flowers”, “Dance, Baby”, e também o novo single, “Never Cared”. Fez dois covers das emocionais “50 Souls and a Discobowl” dos The Lionheart Brothers e “Perdido de Amor” de Antonio Carlos Jobim, Luiz Bonfá e João Gilberto. Ponto alto do show onde Pablo cantou em português comovendo os corações brasileiros. Assim, Boy Pablo definitivamente conquistou o título de show mais divertido do ano.


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teatro e circo. O resultado final

pela Lei de Incentivo à Cultura,

Municipal das Culturas e da Fun-

E ISS, reforçam Niterói como o

serva um valor total de R$2,5mi,

veste em cultura em termos per-

mil; artes visuais, R$375 mil; cir-

Victor de Wolf ressalta que Ni-

mil; literatura, R$125 mil; música, R$650 mil; e teatro R$650 mil. O secretário de cultura de Niterói, Victor de Wolf, que tomou posse em julho de 2019, estima que quase cem projetos deverão ser beneficiados. “A Secretaria de cultura e a FAN não produzem cultura e arte. Ela está inserida dentro de uma politica cultural que busca fomentar arte e os artistas.”, destaca o secretário. No edital, apenas pessoas jurídicas registradas em Niterói e que tenham trabalho comprovado na área cultural há pelo menos dois anos poderiam se inscrever. Admite-se também o Microempreendedor Individual (MEI) constituído a qualquer tempo, desde que seja residente da cidade de Niterói há pelo menos dois anos. Com essas iniciativas, somadas a outros investimentos ao Município e ao fomento indireto

cidades. “É um sonho ser secretário de cultura daqui porque é uma população que compreende a cultura. O MAC, por exemplo, é o nosso símbolo. A cidade tem intrinsicamente ligação com as artes, então o cidadão gosta dos seus artistas e vê suas atividades”, destaca o secretário. A chamada pública pretende estimular a diversidade de expressões culturais, a ocupação de espaços do município e realização de festivais. Além disso, incentiva pesquisa, a formação na área cultural e a criação de produtos como livros, CDS, esculturas, espetáculos e quadros. O intuito é contribuir com a política de transparência e democratização do acesso de artistas ao financiamento público. Para ter acesso ao edital completo acesse o endereço eletrônico www.culturaniteroi.com.br, no menu “Chamadas e Licitações”.

produção de objetos e técnica. A arte é subjetiva e sua percepção também pode variar conforme as pessoas e os meios a que estão inseridos. O professor de música e compositor Nelson Orlando Neto considera arte tudo que transcende o comum, quando alguém consegue utilizar sua técnica somada a sua experiência e acaba produzindo algo que surpreende a si próprio. “Arte é o alimento primordial da alma de um ser humano, tão importante quanto o alimento do corpo, tem o potencial de transformar, curar, motivar, acalentar e fazer o ser humano sublimar seus problemas”, acrescenta Nelson.

Técnico em Arranjos Musicais e criador do método ‘Tijolos Musicais’, uma proposta lúdica e intuitiva de leitura e escrita musical, ele lamenta que o poder do dinheiro sufoque tantos artistas genuínos e promova tantos aproveitadores. “Pena que este alimento não é oferecido a todos e que poucos se tornem artistas”, afirma Nelson. Seu sonho é criar uma escola onde a música e as artes em geral, aliadas à diversas atividades, visem o respeito ao próximo, aos valores humanos e ao autruismo e que possam gerar seres humanos capacitados a quebrar paradigmas e mostrar novas formas de pensar o mundo.

R E S U L T A D O sai a partir do dia 4 de novembro. que permite deduções de até A ação, por meio da Secretaria 20% em impostos como IPTU DE C H A M A DA P Ú B L I CA

D E dação de Arte de Niterói (FAN), re- município do Estado que mais in-

FOMENTO ARTES

ÀS sendo divididos entre as diferentes centuais, 1,55% do orçamento, SA i R á áreas: Para artes urbanas, R$375 o equivalente a R$43,4 milhões.

A I N DA E M 2 0 1 9 co, R$ 125 mil; dança, R$200 terói é uma ilha perto das outras Por Evelyn Murad

(Foto: Evelyn Murad)

A fim de democratizar a cultura, a Prefeitura Municipal de Niterói lançou um edital de fomento direto às artes que irá selecionar projetos culturais de artes urbanas, visuais, dança, literatura, música,

v i v e n d o d e

a r t e

n o

b r a s i l Por Jonas Orlando

Atualmente o Brasil possui uma população aproximada de 209 milhões de habitantes dos quais estima-se que 9% vivem exclusivamente de Arte. Segundo o dicionário brasileiro, arte é a habilidade para execução de uma finalidade prática ou teórica realizada de forma consciente, controlada e racional ou o conjunto de meios e procedimentos através dos quais é possível a


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NOVIDADES 16 11

2 9 11

2 7 11 WATERMELON SUGAR HARRY STYLES O single é a segunda amostra de seu novo álbum de estúdio intitulado “fine line” que será lançado no dia 13 de dezembro. Apesar das inúmeras especulações sobre o significado da música, em inglês, “Watermelon Sugar” é um apelido para um tipo de droga, com sabor de melancia, que se assemelha com a Heroína no Brasil. A expectativa para seu segundo álbum é alta já que seu antecessor, o disco autointitulado de “Harry Styles”, foi bem recebido pelo público e pela crítica. Com uma melodia mais simples e romântica, watermelon sugar tem um refrão vigoroso e viciante que ficará em sua cabeça por dias.

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MY NAME IS DARK GRIMES com o intuito de explorar os lados obscuros do ser humano, my name is dark fala sobre os desafios de quem sofre de insônia e ainda cita o sentimento de perseguição e a falta de confiança. é single de seu novo álbum “miss_anthrop0cene”, sucessor do art angels, lançado em 2015. Apesar de não ter um gênero definido, my name is dark mistura pop com uma vibe rock que mescla perfeitamente com uma nostalgia inexplicável. “Meu novo álbum se chama ‘Miss_Anthrop0cene’. É um disco conceitual sobre a deusa antropomórfica da Mudança Climática: uma diaba/ rainha da beleza psicodélica que vive no espaço e aprecia o fim do mundo”, revelou grimes.

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bliding lips the weeknd

are u gonna tell her tove lo Tove Lo liberou o mais novo Remix da música “Are U Gonna Tell Her ft Mc Zaac” com o Heavy Baile. A música original já tem o clipe gravado e será lançado nos próximos meses. A cantora se encontra em turne mundial com o recente “Sunshine Kitty”, que já fez sua passagem pelo Brasil nesse ano de 2019. Tove disse que ama seus fãs brasileiros e disse também que amou fazer a parceria com o Mc Zaac, “depois de tanto ouvir, decidimos que precisávamos mergulhar no funk imediatamente” contou a cantora.

wiked lips iggy azalea ‘Wicked Lips’ é o novo EP da Iggy Azalea, formado por quatro músicas, sendo uma delas intitulada como “The Girls”, conta com a parceria de Pabllo Vittar. Iggy lançou o álbum “In My Defense” esse ano, com o hit ‘Started’ e esse é o segundo grande lançamento da cantora em 2019. Azalea declarou no twitter que se seu álbum não fizesse sucesso ela iria dar uma pausa na carreira, os fãs ficaram loucos com hipótese de não ter a intérprete de Fancy (2014) por aí e fizeram o álbum ter sua relevância, chegando a ganhar um EP de presente de natal.

‘Bliding Lights’ é a mais nova música do The Weeknd. o Astro Canadense esteve sumido durante um tempo, mas recentemente lançou uma nova música. Depois de ter divulgado o single “Heartless”, ele lançou a moça música na última sexta. A música, ele diz sentir falta de um amor, além da vibe dos anos 1980, comprovando mais uma vez que a era disco/ balada está de volta; e muitas pessoas o criticaram por insistir em fazer música para ex, outras já amaram exatamente pelo mesmo motivo. Blinding Lights apareceu em um comercial de carros e deve estar no próximo projeto do cantor, que ainda não tem data de lançamento.


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NOVIDADES NOVIDADES NOVIDADES NOVIDADES NOVIDADES NOVEMBRO NOVIDADES NOVIDADES NOVIDADES NOVIDADES NOVIDADES


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CINEMA

RESENHAS Por Jeniffer Amorim

BACURAU

A

expectativa para a estreia de Bacurau foi enorme, não só por suas passagens premiadas internacionalmente, mas também por encarar questões políticas sem medo. Se você ainda não assistiu, prepare-se! Repleto de metáforas e sarcasmo, o longa conta a história de uma remota e empoeirada vila do nordeste do Brasil que foi misteriosamente tirada do mapa. Cercada por arbustos e cactos, uma pequena comunidade unida, que preza pelo coletivo, chama Bacurau de lar, trazendo cor e vida ao que de outra forma seria um lugar hostil. Em meio à seca e ao isolamento, além de lidarem com um prefeito corrupto e impiedoso, precisam lutar contra uma nova ameaça que pretende dizimar o pequeno pedaço de terra. Bacurau, a cidade, é a principal protagonista do enredo ao lado da resistência que é muito bem acentuada até o último minuto. Ao invés de estabelecer uma única personalidade como personagem principal, os cineastas nos fornecem a experiência de vários protagonistas interessantes e de traços marcantes como audaciosos heróis. A trilha sonora plena que, sem muito esforço, arranca sensações e emoções do público. Gal Costa e Geraldo Vandré preenchem o espaço com a musicalidade digna de elogios por agregar tão bem ao enredo sendo uma crítica que, dentro do contexto abordado, segue

C

oringa segue Arthur Fleck, um membro cronicamente tímido e oprimido da cidade de Gotham, que está tentando viver a vida em uma sociedade hostil que, a cada passo, quer derrotá-lo. Parecendo mais uma obra cinematográfica de Paul Thomas Anderson do que um enredo nascido de quadrinhos, Coringa nos apresenta um estudo de caráter perturbadoramente real de um cara desconsiderado pela sociedade. Não é difícil notar a provocação e as mensagens sociopolíticas de homens solitários e deprimidos que expressam verdadeiro ressen-

sendo de uma militância artística que enfrentou, com resistência e resiliência, a ditadura. Não há coincidência ou acaso, tudo foi muito bem pensando para ‘Bacurau’ não ser só entretenimento. Com uma premissa ‘western’ e tons variantes de ficção científica, terror e ação, Bacurau cumpre muito bem seu papel narrativo movendo a trama de uma maneira tão peculiar que mantém o telespectador entretido a cada cena. A obre difere do que estamos acostumados a ver no cinema nacional, como dramas mornos e comédias banais: Ademais, é uma história que podemos chamar de universal por conta dos elementos centrais que a compõe. Sem perder a autenticidade, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles nos entrega um roteiro único e direto, abordando uma história que se cruza com as adversidades do nosso país. O longa-metragem reflete fielmente o atual cenário político que, envolto por violência, censura e opressão, segue sendo marcado pela resistência dos habitantes. Ficar assustado é a principal primeira reação que nós temos com um retrato tão cru da sociedade em que vivemos. Não existe alegoria ou qualquer tampa buraco, Bacurau preenche tela como nenhum outro filme preencheu desde ‘Cidade de Deus’, filme de 2002, timento paranoico em relação às figuras políticas e controle governamental. Coringa é um daqueles filmes que vão ficam marcados, não só na memória de quem assistiu, mas na história do cinema. Começando pelos ótimos acertos na construção do personagem, direção impecável de Todd Phillips e uma ambientação magnífica. A performance de Joaquin Phoenix, a trilha sonora de Hildur Guðnadóttir e a fotografia de Lawrence Sher fazem deste filme uma experiência fantástica e arrepiante, para dizer o mínimo. Cada tomada é perfeita e, para um filme de ritmo um tanto lento, é realmente necessária e perceptível. O enredo pode ter sofrido um pouco com sua simplicidade, mas todos os outros aspectos deste filme o compensam. Entrar nesse filme cego, sem ter uma ideia de como seria sua história por ja termos visto as obras passadas com outros atores, provavelmente teria feito uma experiência melhor. As filmagens promocionais lançadas como marketing cobriram muitas das cenas “icônicas”, o que foi um pouco decepcionante, pois alguns momentos da trama ficaram previsíveis. Mas, entendemos que não é uma marca do filme, e sim uma marca do marketing para ele. Com mais

com a direção impecável de Fernando Meirelles, que assim como Kleber Mendonça, não deixou de retratar a realidade na arte como deve ser. A construção dos atos de violência foi gerada por um trabalho de câmera incrivelmente bem feito e intimista. Sem deixar de lado a direção de arte, que teve um papel importante nisso, a cinematografia parte de uma ideia com bastante expressão dos personagens, resultando em momentos singulares que serão muito lembrados futuramente. Há certa carência de tensão gradativa até o clímax final, dado que, não existe qualquer tipo de ponto de interrogação ou inquietação, todas as respostas são entregues sem aviso prévio. Contudo, não requer nenhuma demanda para ser surpreendente em cada aspecto apresentado. Um filme como bacurau nunca foi tão necessário e com um timing tão perfeito. A direção conjunta de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles conseguiu captar, com maestria, uma sinceridade sem desculpas, a carência de um povo esquecido, o sotaque, o verde, a peculiaridade e o nordeste em si.

CORINGA de duas horas de duração, ele lentamente entra em sua mente, aumentando o terror para finalmente liberar uma recompensa verdadeiramente insana. Cada cena foi aprimorada em mil níveis devido à atraente composição orquestral. Finalmente, o próprio personagem-título, Coringa. Joaquin Phoenix se torna uma pessoa completamente diferente nessa performance, ele é quase irreconhecível. A cada passo, cada minúsculo movimento de cada músculo de seu corpo personifica sua interpretação brilhante de Arthur Fleck com maestria. Phoenix fez história, sua performance apresenta camadas assustadoras, a sensação de querer mais filmes do personagem é enorme. Heath Ledger teria ficado extremamente orgulhoso se pudesse testemunhar isso. Por fim, Coringa é uma descida à loucura humana, crua, visceral, e surpreendentemente eufórica. Este pode ser o filme mais importante da década. O personagem retratado pode não ser político, mas a história certamente é e nos atinge com um soco de realidade.


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NERVE ISSUE 001 DEZEMBRO DE 2019  

Nossa revista chega à internet trazendo um conteúdo alternativo para você que ama cultura! Nesta edição trouxemos a Day Molina, ativista e s...

NERVE ISSUE 001 DEZEMBRO DE 2019  

Nossa revista chega à internet trazendo um conteúdo alternativo para você que ama cultura! Nesta edição trouxemos a Day Molina, ativista e s...

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