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VENDA PROIBIDA

Exemplar de cortesia

05/2018 ISSN 2594-8180 Nº 39 R$ 21,90

POL TIC A Na RMVale elas dominam as urnas, mas são minoria no poder

ESPECIAL SAÚDE

Entrevista com Dr. Drauzio Varella falando sobre cuidados com a saúde. A longevidade e os segredos de uma vida saudável pág. 37


Regina Laranjeira Baumann Diretora Executiva

EDITORIAL

As mulheres enquanto pessoas políticas

REDAÇÃO Diretora de Redação e Comunicação Elaine Santos Editor-chefe Fernando Ivo Antunes Repórteres Tânia Campelo, Leonardo Gonzaga, Marcus Alvarenga e João Pedro Teles. Colaborador Otávio Baldim e Ester Jacopetti Estagiárias Beatriz Plaça, Giovana Bertti, Nathalia Prado e Letícia Keller Fotografia Pedro Ivo Prates

QUEM CONHECE, CONHECE BDO

COMERCIAL A matéria de capa surpreende ao mostrar números que chamam a atençãoUma das Big 5 Diretor de Relações Institucionais Eduardo Pandeló pelo contraponto quando analisada a importância da mulher no desenvolvi-Líder no middle market Diretora de Novos Projetos Cecilia Lima Executivos de Negócios mento da humanidade. Greice Kelly, Eduardo Rosa, Erika Garcia

21 escritórios no Brasil Juliane Silveira, Dimas Ferreira, Sandra Assunção Audit | Tax | Advisory

Mulheres já mostraram, desde sempre, que sua força, coragem e determinação são inabaláveis, especialmente quando se trata de proteger a família.

Criação e Diagramação José Linhares

Tecnologia da Informação Bruno Santos

O Estado nada mais é do que a família ampliada, porque com base nas decisões do Estado, serão as consequências para que a mulher proteja o seu bem maior.

Departamento Administrativo Patrícia Vale

Então, indaga-se, porque na política não há a participação efetiva da mulher na proporção do número de eleitores?

PARA ANUNCIAR: Ligue: 12 3204-3333

EDIÇÕES ANTERIORES: http://www.meon.com.br/revista

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Tel (55 12) 3941 4262

Tiragem auditada por:

Na reportagem, diversos pontos importantes são abordados mas, o mais www.bdobrazil.com.br relevante, me parece, é o fato de que o tema deve vir para a pauta de disMeon Comunicação Ltda Avenida São João, 2.375 –Sala 2010 - Jardim Colinas –São José dos cussão em todos os setores da sociedade, do lar ao trabalho, do colégio à Campos - CEP 12242-000 -PABX (12) 3204-3333 Email: metropolemagazine@meon.com.br roda de amigos. É imprescindível que a representatividade se faça de forma realmente efetiva, ou seja, que o Congresso, as Câmaras e o Executivo reflitam o pensamento da maioria e, para isso, teremos que assistir à ampliação da presença feminina. Regina Laranjeira Baumann Diretora Executiva A revista Metrópole Magazine é um produto do Grupo Meon de Comunicação | Tiragem: 15 mil exemplares

Cobertura e distribuição

RMVale 39 cidades

Sub-Região Litoral - População: 319.511 Sub-Região SJCampos - População: 1.068.962 Sub-Região Taubaté - População: 608.109 Sub-Região Aparecida - População: 350.430 Sub-Região Cruzeiro - População: 128.867

População:

2.475.879

Área 2014 (em km²):

16.192,67

PIB 2013 (em mil reais):

88.518.042,54


Que tal conhecer o maior acervo digital sobre a história de São José dos Campos? Ao navegar pela página do Pró-Memória, você pode mergulhar na história da cidade e acessar documentos de diversos períodos, da formação inicial de São José à fase sanatorial e aos anos da industrialização. São fotografias, atos oficiais, jornais, revistas e até ações judiciais dos séculos 19 e 20. O Pró-Memória é uma iniciativa da Câmara, Arquivo Público e Univap. Acesse o site da Câmara e descubra essa história que completa 15 anos em 2018.

Canal 7 da NET e 9 da VIVO TV www.camarasjc.sp.gov.br /camarasjc /camara_sjc /camarasjc /camarasjc

CÂMARA MUNICIPAL SÃO JOSÉ DOS CAMPOS A vida da cidade passa por aqui

Universidade do Vale do Paraíba


10 | Revista Metrópole – Edição 39

SUMÁRIO Pedro Ivo Prates

Matéria de Capa

26

POL TIC A Na RMVale elas dominam as urnas, mas são minoria no poder

20 ENTREVISTA Capitão Reis fala sobre trabalho e

EDUCAÇÃO 62 Garanta nota máxima no Enem. Siga as dicas dos especialistas

dos Marins evidencia riscos

TURISMO 54 Turismo ecológico é um dos rotei-

SUPERMÃES 34 Elas não medem esforços por

ros mais belos da região e possui diferentes níveis de dificuldade

seus filhos especiais Pedro Ivo Prates

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ESPECIAL SAÚDE 37 Metrópole Magazine traz o melhor

Divulgação

Divulgação

Freepik

desafios no dia a dia do Corpo de Bombeiros da região

LUTO 58 Caso do francês morto no Pico

da saúde na RMVale e uma entrevista exclusiva com Drauzio Varella Divulgação

BUSINESS 32 Flávio Alvim estreia coluna de negócios, política e tecnologia

12 14 18

Espaço do Leitor Aconteceu& Frases&

66 70 72

Arquitetura& Gastronomia& Coluna Social


Maio de 2018 | 11

Artigo&

Vera Parodi, colunista Meon

Coaching e sua Evolução Pensava eu que a utilização do Coaching era da década de setenta quando Timothy Gallwey publicou o livro O Jogo Interior do Tênis, direcionado para treinadores e atletas de tênis – afinal a palavra coaching significa treinador, em inglês. Como a abordagem do tema foi tão completa, passaram a usar esse conhecimento em todas as áreas do desempenho e performance humana. Mas vamos fazer uma viagem pela história. No século V antes de Cristo, Sócrates já induzia seus interlocutores à reflexão através da Maiêutica. Dizia que o educador não seria uma fonte de saberes, e sim aquele que ajuda o aluno a gerar sua autonomia. Sendo a mãe de Sócrates parteira, o filósofo dizia que sua mãe

fazia parir corpos, e ele praticava o parir de almas, extraindo delas o conhecimento através de perguntas poderosas e sábias. O profissional de Coaching também busca revelar as potencialidades do coachee, através de PPS - Perguntas Poderosas de Sabedorias. Assim como é representado nos mitos gregos, o Coaching se propõe a mostrar um novo mundo para o coachee, libertando-o da ignorância sobre como sentir, pensar e agir para atingir a conquista de suas metas. Nesse processo, o ser humano passa pelo autoconhecimento e a autorresponsabilidade para o início da ação maciça que irá levar aos resultados desejados. A palavra coach vem do húngaro “Kocsi”,

que denominava as carruagens por volta do Século XV na vila com o mesmo nome e lugar. Significava algo que promovia mudança e transformação. O termo cocheiro na Idade Média era a pessoa que realizava a mudança no espaço. Os coaches de hoje promovem a mudança nas mentes dos coachees, conduzindo-os do estado atual para o estado desejado traçando metas e objetivos. No século XIX, eram os tutores e treinadores e, em 1840, na Universidade de Oxford, na Inglaterra, a palavra “Coach” passou a designar o tutor particular de um estudante. Mais de 100 anos depois, em 1980 o termo foi usado para treinador esportivo. E assim vai... Gratidão, gratidão, gratidão!

Pedro Ivo Prates


12 | Revista Metrópole – Edição 39

Espaço do Leitor Edição 38 – Abril de 2018

Feedback

RMVALE

MEI

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ISSN 2594-8180

ABRIL DE 2018 | Nº 38 R$ 21,90

solução ao desemprego Número de microempreendedores individuais na RMVale cresce 98%

Metropole_Abril_38_2_NOVO.indd 1

A edição de abril da Metrópole

Camargo, que ficou à frente da autar-

Magazine traz em sua reportagem de

quia por quase oito anos. Nesta edição

capa uma análise sobre a relação entre

da revista, também há reportagem sobre

a queda do número de pessoas emprega-

estudantes que renunciaram da rotina e

das com a evolução dos microempreen-

adquiriram técnicas para alcançar bons

dedores. Desde 2013, a quantidade de

resultados e superar obstáculos edu-

pessoas que resolveram empreender na

cacionais e profissionais. Já para que o

RMVale cresceu 98%. Em São José dos

leitor se programe, foi apresentada uma

Campos, por exemplo, são 28.903 MEIs.

série de dicas sobre pontos turísticos da

A entrevista do mês foi com o ex-reitor

região que podem ser visitados durante

da Universidade de Taubaté, José Rui

as férias.

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Lucas Faria Gostei da dica de Bananal. Vou me programar pra conhecer a cidade.

Saúde&

Bruno Quero parabenizar o Guilherme Mandicelli pelo linda crônica.

Crônicas & Poesia

Reforma da despedida Divulgação

E é preciso arrumar o elevador, instalar bebedouro na área de lazer, tirar a infiltração da casa das máquinas... Eu cresci indo ao apartamento da minha avó. Quando tinha uma nota de pesar no elevador, já batia aquele frio na barriga: “Quem foi desta vez?”. Tentava reconhecer pelo nome. Depois pelo apartamento. Se não sabia quem era, perguntava pra alguém, alguma referência, algum sinal. Poderia ser aquela senhora do perfume forte que atacava minha rinite toda vez que subia o elevador comigo, ou aquele senhor que conversava horas e horas com o porteiro todo santo dia. O pai do amigo dos meus pais e até o pai de um amigo. E teve a vizinha da minha avó, mas ela não morreu no prédio. Ela esperou se mudar e morreu um mês depois. Se ficasse aqui, talvez pudesse aguentar mais um tempo e ainda ganharia uma coroa de flores. No fim, foi só a nota de pesar no elevador. Os avisos, conforme eu fui crescendo, foram aumentando. E o tempo de elevador era o mesmo. Fui lidando com a morte com mais naturalidade.

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facebook.com/portalmeon

Dias desses, faleceu uma senhora que quando me via no elevador falava sempre a mesma coisa: “Você é o neto da Mirtes, do 43B? Ah, eu vi você pequenininho, gordinho, jogando bola. Olha que coisa mais linda que você está. Prazer em revê-lo”, era sempre assim o discurso. Vou sentir falta de escutar. Vou sentir falta de lembrar que eu era criança e vou passar a lembrar que a vida voa. Tem gente que eu tenho até vergonha de encontrar no elevador. É o caso de uma senhora, daquelas pessoas que se mantêm intactas, sem nenhum sinal da partida, nem com a comum falta de memória. Lembra tudo do meu passado infantil e de toda a molecada do prédio. Não tem uma vez que eu entre no elevador e ela não relembre um episódio, jogando na cara e dando o troco da bronca que não foi dada na época, como se fosse adiantar alguma coisa. Por dentro, eu dou risada. Por fora, finjo que não lembro do que ela está falando. O que seria da minha infância sem isso? Se não tivesse zoeira, não seria infância. E parece que foi ontem. Sim, parece que foi ontem que era raro encontrar uma nota de pesar no elevador. Agora já é comum, o índice de mortalidade cresce exponencialmente no “Edifício Mansão do Vale”. E, quando menos esperamos, as surpresas podem vir durante uma viagem de elevador. Apesar de eu ser do tipo que sempre se prepara para o “impreparável”, vou pedir para que deus não mexa com a pessoa do apartamento 43B, por gentileza. Não estou preparado para essa nota de pesar, nem que eu suba todos os dias de escada para não ter que vê-la.  Guilherme Mendicelli – Escritor e Jornalista

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Cada vez mais negligenciado, o sono é atropelado pela urgência dos afazeres e a obrigação da disponibilidade 24h

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Eu estava chegando em casa e, no quadro de avisos do elevador, dei de cara com um comunicado do síndico: “A partir deste mês, por motivo de redução de despesas, o condomínio não enviará mais coroa de flores para os moradores que falecerem” Essa é uma ação política que eu queria ver mais representantes com coragem para fazer. Quase uma “reforma da despedida”, enquanto a “da previdência” causa polêmica por aí. E alguns idosos do condomínio já estão arrumando briga porque não vão receber coroa a partir de agora. Muita gente está morrendo no prédio. Edifício antigo é assim. O segundo mais antigo da cidade. A maioria dos moradores deve ter comprado o imóvel na planta, lá em mil novecentos e bolinha. Minha mãe, quando era jovem e morava aqui com a mãe dela, minha avó, já brincava com os netos dos primeiros proprietários. E eu comecei a sentir isso pelo quadro de avisos do elevador. Se enviarmos coroa de flores para um, precisaremos enviar para todos. Logo, o dinheiro em caixa vai diminuir.

Dormir bem: um privilégio para poucos

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A

July Silva Eu tenho sono muito leve e após ler a reportagem decidi procurar especialista.

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instagram.com/portalmeon

Bananal: cultura e turism

ventureiros, românticos, apaixonados pela natureza e aficcionados em história. Qualquer que seja o perfil do turista ou a época do ano, o município de Bananal não decepciona. Cercada pela Mata Atlântica, entre as serras da Mantiqueira e Bocaina, a cidade conta com piscinas naturais de águas claras e fundo de areia branca e picos ideais para prática de voos livres e de rapel. Suas dezenas de cachoeiras, como a do Bracuí e a Sete Quedas, também são um convite aos praticantes de ecoturismo. O município abriga a Estação Ecológica de Bananal, com 884 hectares, que tem como principal objetivo inicial a proteção dos remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo e da Serra da Bocaina, servindo como área de pesquisa para diferentes profissionais e estudantes da área de meio ambiente.

13/04/2018 16:14:39

Um passeio pelo passado Quem chega a Bananal volta no tempo, entrando no mundo das “Cidades Mortas” evocadas por Monteiro Lobato. O conjunto arquitetônico colonial do município é preservado pelo Condephaat. Diversos dos imóveis típicos da chamada “Arquitetura do Café”, do século XIX, ficam na Praça da Matriz (Praça Pedro Ramos), como a casa de dona Laurinha , o Hotel Brasil e a bela Igreja Matriz. Nessa praça, um chafariz e um antigo coreto, do início do século XX, reforçam o ar provinciano de Bananal e atraem turistas para fotos. Certas fazendas históricas antes habitadas pelos barões do café estão em lamentável estado, enquanto outras, bem conservadas, foram transformadas em hotéis. Se você considerar que no valor das diárias estão incluídas refeições, verá que os preços são razoáveis pelo conforto que oferecem. Os hóspedes são alojados na própria sede da fazenda ou em chalés vizinhos. As opções de lazer são variadas, de banhos

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twitter.com/portalmeon

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98218-4888

de piscina ou de cachoeira a caminhadas e passeios a cavalo. Você pode sentar-se na varanda e saborear um café, vendo a tarde cair, como faziam os barões nos tempos do Império. Outro exemplo de riqueza histórica de Bananal é a farmácia mais antiga em funcionamento no país. Fundada em 1830 por um farmacêutico francês, é cuidadosamente preservada, com piso de mosaicos franceses, balcões em pinho de riga, antigos frascos, caixa registradora do tempo do onça, balanças de precisão e outros aparelhos utilizados na preparação de remédios, móveis e compêndios de medicina, a maior parte em francês. Bananal é rica em artesanatos em cerâmica e madeira, mas sua maior especialidade é o crochê. A cidade fica a 160 km do Rio de Janeiro e a 310 km de São Paulo. Para chegar até o município, uma sugestão é ir pela via Dutra até Barra Mansa (RJ) e pegar a saída para Bananal. Por este caminho, a estrada apresenta boas condições.

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Divulgação

Aconteceu&

Ponte estaiada é tema de enquete no Meon e bate recorde de visualização

R$ 40,1 milhões - Embraer encerra 1º trimestre com prejuízo

O primeiro trimestre de 2018 encerrou com resultados negativos para a Embraer, que apresentou os números que revelam o prejuízo de R$ 40,1 milhões. Segundo Nelson Salgado, vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores, as entregas do primeiro trimestre geralmente apresentam sazonalidade e tendem a ser menores em relação aos demais trimestres do ano. Os dados da empresa também apontaram a queda na entrega de aeronaves entre janeiro e março de 2018 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Porém, a estimativa na venda e entrega para o ano ainda segue a mesma, entre 85 e 95 unidades da aviação comercial e entre 105 a 125 jatos da aviação executiva (70 a 80 jatos leves e 35 a 45 jatos grandes). A Embraer fechou o trimestre com o aumento da dívida, com um total de financiamentos de R$ 13,9 milhões, com prazo médio de endividamento para 5 anos e 7 meses. 

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A construção da ponte estaiada no Jardim Colinas, em São José dos Campos, vai melhorar o trânsito. Esta é a opinião de 56% dos leitores do Meon que participaram da enquete que ficou disponível por 10 dias no portal. Ao todo, foram 28.314 votos. Deste total, 1% citou que a obra, chamada de “Arco da Inovação”, será um ponto turístico. Já 37% dos votos foram contrários à construção, dizendo que há outras prioridades no município. 5% afirmam que a ponte não vai ajudar o trânsito. A obra terá custo de R$ 62,9 milhões e foi apresentada pelo prefeito Felicio Ramuth (PSDB) como a solução para os problemas de congestionamento no trecho de ligação da região central com a zona oeste da cidade. 


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Maio de 2018 | 15

Ex-vereador de Taubaté, Carlos Peixoto morre em acidente na Dutra Carlos Peixoto, de 43 anos, foi vítima de acidente de carro na madrugada do dia 27 de abril, no km 147 da via Dutra, em São José dos Campos. Peixoto estava sozinho no veículo e teria perdido o controle do carro, que capotou diversas vezes. Peixoto foi vereador em Taubaté entre 2005 e 2012 e presidiu a Casa em 2007, 2009 e 2012. 

Pedro Ivo Prates

Alberto Marson, medalhista olímpico em 1948, morre em São José

Alberto Marson, faleceu aos 92 anos, de insuficiência respiratória devido a uma infecção pulmonar. Marson conquistou medalha de bronze com a seleção brasileira de basquete na Olimpíada de Londres, em 1948. Em São José, Marson foi professor de educação física, técnico e jogador do Tênis Clube e do CTA. 

50 anos

- Ford celebra meio século em Taubaté

A unidade da Ford de Taubaté completou 50 anos de inauguração da montadora na cidade e comemorou a data em um evento com executivos, funcionários e políticos. Inaugurada em 1968, a fábrica foi criada com o objetivo de ser referência na produção de componentes automotivos, atribuindo ao complexo no decorrer dos anos a fabricação de motores e transmissões. Ao completar bodas de ouro, a montadora americana volta a colocar a planta da região no cenário nacional e internacional de competitividade econômica com o motor 1.5 Ti-VCT 3 cilindros e da nova transmissão manual MX65. O evento de aniversário da planta também oficializou o início da fabricação dos novos produtos, com a presença de executivos da montadora, mais de 500 funcionários, o governador do Estado Marcio França (PSB) e o prefeito de Taubaté, Ortiz Junior (PSDB), entre outros representantes políticos e empresariais. 


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Divulgação

Frases& A maioria dos políticos “ não é corrupta. A maioria dos políticos é burra ” Fernando Holiday, vereador de São Paulo, durante evento do Brasil 200, em São José dos Campos

Eu pensei em morrer muitas vezes, em deixar de fazer tudo que faço, em acabar com tudo o que eu tinha iniciado”

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Padre Fábio de Melo, que estudou Teologia em Taubaté antes de se ordenar padre, em entrevista para a jornalista Mariana Godoy, da Rede TV.


Maio de 2018 | 19

Precisamos saber qual é a função ecossistêmica do bosque, quais são os serviços ambientais que ele presta para a população do entorno e de toda a cidade e avaliar os danos que a supressão [das árvores] pode causar

Andrea Luswarghi, uma das coordenadoras do Movimento Somos Parque Betânia.

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Infelizmente, há um padrão, um perfil de pessoas que normalmente são alvos certos de revistas pessoais

Laís Helena de Carvalho Scamilla, Juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública de São José, em sentença sobre condenação de PM por abordagem violenta.

Toda escolha implica uma perda. Esse negócio de melhor idade não existe. Envelhecer é um saco!

Leandro Karnal, é membro do conselho editorial de revistas científicas, colunista fixo do jornal O Estado de S. Paulo.

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20 | Revista Metrópole – Edição 39

ENTREVISTA

Fotos: Pedro Ivo Prates

Dedicação, coragem e amor ao próximo Capitão fala sobre trabalho e desafios no dia a dia do Corpo de Bombeiros da região Tânia Campelo SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Há 18 anos, Paulo Roberto Reis Teixeira de Souza ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco e ao se formar, em 2003, decidiu que queria integrar o Corpo de Bombeiros. Um ano após concluir o curso de especialização de oficiais na Escola Superior de Bombeiros de São Paulo, ele veio para o 11º Grupamento dos Bombeiros da RMVale, onde hoje comanda o subgrupamento de Guaratinguetá, que abrange os municípios entre Pindamonhangaba e Bananal. Casado e pai de três filhas, Capitão Reis é a própria personificação do espírito da corporação: um exemplo de dedicação, coragem e incansável amor ao próximo. Nesta entrevista à Metrópole Magazine, Reis conta como coordenou os 18 dias de buscas ao francês Eric Welterlin, encontrado morto no Pico dos Marins no dia 5 de maio; fala também sobre sua participação no resgate a vítimas do desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo; e revela planos de expansão do Corpo de Bombeiros na região e faz um alerta sobre os riscos de prédios irregulares e sobre a responsabilidade de cada cidadão ao acionar um serviço de emergência.

O Corpo de Bombeiros ocupa a primeira posição no ranking do ICS (Índice de Confiança Social) desde 2009, quando

o indicador começou a ser calculado anualmente pelo Ibope. Em um país em que os recursos humanos e materiais são geralmente insuficientes, a que o senhor atribui essa posição?

▸ Eu atribuo, principalmente, a todos os bombeiros que trabalham na ponta da

Esse trabalho no Pico dos Marins foi muito cansativo, foram 18 dias de buscas. Normalmente, nós encontramos as pessoas lá em questão de horas”

linha que, diuturnamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, estão enfrentando todos os desafios, seja em situações de incêndio, resgate e emergências médicas, salvamento, buscas. Tenho absoluta certeza que é graças ao empenho desses grandes bombeiros.

Entre os grandes desafios enfrentados recentemente pela corporação na RMVale, estão as buscas pelo atleta francês Eric Welterlin, de 54 anos, encontrado morto no dia 5 de maio. Conte-nos como foi o planejamento, a coordenação das equipes e os desafios enfrentados pelos bombeiros neste trabalho.

Esse trabalho no Pico dos Marins foi muito cansativo, foram 18 dias de buscas. Normalmente, nós encontramos as pessoas lá em questão de horas. O último caso que tínhamos assim foi o daquele menino escoteiro que se perdeu lá em 1985, e ninguém encontrou. Mas de lá pra cá, todas as emergências nós resolvemos em questão de horas. Esse fugiu da normalidade, foi um caso bem diferente, até porque a pessoa tinha um super preparo, era um corredor ultramaratonista. Então, em que pese não ter o final feliz que gostaríamos, nós conseguimos encontrar o corpo e dar um afago à família, para que pudesse enterrar o seu ente querido Em relação ao trabalho no Pico dos Marins, foi um trabalho muito interessante porque teve que agregar diversas


Maio de 2018 | 21

O senhor integrou as equipes de resgate de vítimas sob os escombros do prédio Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo, que desabou após um incêndio no dia 1º de maio. Os trabalhos duraram treze dias e envolveram 1.700 bombeiros. Como foi sua atuação?

▸ No primeiro dia [do desabamento], na terça-feira, eu ainda estava fazendo alguns atendimentos no Marins [buscas

Leonardo Gonzaga

instituições --Polícia Militar e Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Polícia Militar do Estado de São Paulo, helicópteros de Minas e São Paulo, canil de Minas e São Paulo, voluntários e montanhistas. E como nós fazemos para poder coordenar de uma forma eficiente todos esses membros, essas diversas instituições? Existe no Brasil uma doutrina que veio dos Estados Unidos que se chama Sistema de Comando em Operações de Emergência, que permite que as instituições possam trabalhar falando a mesma linguagem, tenham uma mesma estrutura de comando de organização, para que as ações não se percam. Por exemplo, para que o Bombeiro de São Paulo não tome uma ação e o de Minas outra, de forma desencontrada. Esse sistema permite o trabalho unificado, um comando unificado das ações. O Bombeiro de São Paulo já trabalha há muito tempo com essa doutrina, que já está sendo difundida no Brasil todo.


22 | Revista Metrópole – Edição 39

ao francês], mas na quarta-feira (2) eu fui escalado para, justamente, participar do sistema de comando de operações desta emergência. Como falei na resposta anterior, o Corpo de Bombeiros trabalha com esta doutrina [Sistema de Comando em Operações de Emergência]. Eu fui ocupar uma função de oficial de segurança, ou seja, naquele dia, naquele período operacional, eu fui o oficial destinado a cuidar da segurança dos bombeiros ali na cena. É um trabalho muito importante, a gente tem que sair um pouco pro lado de fora da emergência e enxergar ali todos os riscos e perigos que podem afetar a integridade física dos bombeiros. Foi um trabalho realizado ao longo de todos esses dias. Os bombeiros estão de parabéns pelo atendimento, a gente pode dizer que a resposta do Corpo dos Bombeiros foi pronta, rápida e eficiente.

Cite outros casos que marcaram sua carreira no Corpo de Bombeiros.

Uma ocorrência de destaque foi o maior incêndio [registrado no país] de tanques de líquidos inflamáveis que aconteceu no Alemoa [no município de Santos, em abril de 2015]. Fiquei quase dez dias lá, foi interessante poder trabalhar neste grande incêndio. Outra grande emergência foi aquela enchente que teve em São Luiz do Paraitinga [em janeiro de 2010].

Na RMVale, os bombeiros não têm momentos de calmaria em nenhum período do ano. No verão são frequentes os casos de enchentes e alagamentos em diversas cidades; afogamentos em praias, represas e rios; acidentes em estradas lotadas. No inverno, queimadas e turistas perdidos em trilhas das serras da Mantiqueira, do Mar e Bocaina. Além dos constantes incêndios domésticos, acidentes e outras ocorrências atendidas pela corporação. Considerando a demanda, como o senhor avalia o desempenho e a

estrutura do Corpo de Bombeiros da RMVale?

Nós estamos estruturados com base no 11º Grupamento do Corpo de Bombeiros. Só para você entender, o organograma do Corpo de Bombeiros possui 21 grupamentos, e nós fazemos parte do 11º, que atende todo o Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte. Nós estamos estruturados em 19 quartéis de bombeiros. Uma coisa muito interessante que temos na região é a integração enorme com as demais agências, e uma integração muito boa com o Samu. E no Vale do Paraíba nós temos algo que foi pioneiro no Brasil, que é a Rede Integrada de Emergência, uma rede

de comunicação. Compõe esse grupo mais de 40 empresas da nossa região, empresas que possuem uma estrutura de emergência e, caso haja necessidade, elas estão prontas para auxiliar na disponibilização de meios e materiais para o Corpo de Bombeiros. Ao longo do ano, nós realizamos diversas reuniões com a Rede Integrada de Emergência e realizamos vários treinamentos. Então podemos dizer que a estrutura do Vale do Paraíba é uma estrutura de ponta no Estado de São Paulo.

A corporação possui estrutura adequada e número suficiente de bombeiros para o atendimento ideal nas 39 cidades? Quantos destes municípios não contam com unidade própria?

No Vale do Paraíba nós temos algo que foi pioneiro no Brasil, que é a Rede Integrada de Emergência, uma rede de comunicação. Compõe esse grupo mais de 40 empresas da nossa região”

O Corpo de Bombeiros aqui no Vale do Paraíba está presente em 14 municípios. E atende nesses 14 municípios 80% da população. Estamos presentes nas grandes cidades. Com o Código Estadual de Emergência e com o decreto que regulamenta o Serviço de Emergência no Estado, o Corpo Bombeiros está num processo de expansão. Existe a possibilidade de criação de bombeiros comunitários e de bombeiros voluntários em outros municípios, isso já está sendo conversado.

Em relação ao número de profissionais, existe uma demanda muito grande de bombeiros querendo vir trabalhar aqui na nossa região, e é difícil porque nossos quadros estão quase todos totalmente cheios. Então, podemos dizer que nossa região é uma região privilegiada, aqui nossos quadros estão praticamente completos.

▸ Existe cooperação entre municípios e

o Corpo de Bombeiros para melhorar o atendimento à população? Em todo o Estado de São Paulo onde o Corpo de Bombeiros está instalado existe um convênio celebrado com o município. Isso por conta até da criação


DIAGNOSTICO E INÍCIO DO TRATAMENTO EM ATÉ 60 DIAS DO PACIENTE COM CÂNCER

Cuidar dos pacientes com um atendimento mais humanizado. A Prefeitura e o Hospital Pio XII reforçaram a parceria para ampliar o atendimento aos pacientes do SUS. Com a entrega do novo ambulatório de oncologia e a implantação do Programa Previna, pacientes que forem diagnosticados com câncer, terão prioridade para iniciar o tratamento em até 60 dias. O hospital é referência no municipio para o atendimento de graça dos pacientes com a doença.


24 | Revista Metrópole – Edição 39

do Corpo de Bombeiros, que aqui no Estado de São Paulo se iniciou com esta parceria com os municípios. Então, em todo o local onde existe um quartel do Corpo de Bombeiros existe um convênio entre o Estado e o município, e esse convênio fala quais são as atribuições do Estado e quais são as atribuições do município para manutenção do serviço na cidade.

Também é competência do Corpo de Bombeiros a vistoria de estabelecimentos onde há circulação de pessoas. O que os bombeiros avaliam nestas vistorias e por que elas são importantes? Quais os riscos de um estabelecimento sem vistoria técnica dos bombeiros?

▸ O Corpo de Bombeiros é responsável por análises de projeto de prevenção e combate a incêndios e vistoria de edificações. Toda essa regularização é importante para segurança do prédio e áreas de risco no tocante à segurança contra incêndio. Todos os estabelecimentos devem procurar a regularização. Sobre o risco de um local não estar regularizado, nós temos o exemplo desse prédio que acabou de pegar fogo e estava irregular, aconteceu a tragédia que aconteceu. A vistoria hoje é feita por solicitação do responsável pelo uso ou proprietário do imóvel. A prefeitura é a responsável pela fiscalização dos imóveis para que eles tenham o Auto de Vistoria [AVCB]. A pessoa procura o Corpo de Bombeiros, paga uma taxa, contrata engenheiro para aprovar o projeto e, depois de aprovado, solicita a vistoria do Corpo de Bombeiros. Para os prédios menores, mais simples --existe toda uma classificação de acordo com o regulamento estadual de segurança contra incêndio - são

regularizados através do Certificado de Licença do Corpo de Bombeiros. Não precisa aprovação de projeto, só a execução de sistemas simples no prédio, e o Corpo de Bombeiros, de acordo com determinados critérios, faz vistorias por amostragem, mas para questões de risco baixo e pequenas edificações.

verificar se o local que ele frequenta é seguro?

▸ É super importante as pessoas procu-

rarem saber sobre a regularização dos imóveis. Hoje existe um aplicativo que chama Bombeiro São Paulo, que você consegue verificar toda e qualquer edificação se ela está regularizada ou não com o Corpo de Bombeiros. A busca é feita pelo endereço.

A sociedade pode, de alguma forma, contribuir com o Corpo de Bombeiros?

▸ O que posso colocar como orientação

Eu fui ocupar uma função de oficial de segurança, ou seja, naquele dia, naquele período operacional, eu fui o oficial destinado a cuidar da segurança dos bombeiros” Recentemente, duas casas noturnas de Taubaté foram interditadas pela prefeitura porque não tinham o auto de vistoria , como o cidadão pode

para as pessoas com relação ao serviço do Corpo de Bombeiros é a responsabilidade para o acionamento do serviço de emergência. Infelizmente, hoje ainda acontece muito a questão de trote no telefone 193. Alguns trotes acabam, de uma certa forma, congestionando a linha telefônica; e outros trotes relatam ocorrências, mas que a viatura chega no local e infelizmente não se trata de emergência. É uma questão de educação pública. Aproveitando esse canal, é importante a gente falar da responsabilidade do acionamento do serviço de emergência, porque quando a gente dá um trote no Corpo de Bombeiros, aquele serviço que foi para atender uma emergência que não existe pode faltar em uma outra situação. É um serviço que tem que ser usado com responsabilidade. E o Corpo de Bombeiros está 24 horas, sete dias por semana, todos os dias do ano, à disposição da população, se empenhando ao máximo para atender a população. E eu parabenizo aqui, mais uma vez, todos os bombeiros do Estado de São Paulo, que no dia a dia dão o sangue e suor para toda a população paulista. 


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MATÉRIA DE CAPA

Participação feminina na política é baixa e cresce em ritmo lento RMVale tem quase 950 mil eleitoras, mas presença feminina nos cargos ainda é pequena

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Fernando Ivo Antunes RMVALE

A

participação da mulher na política da RMVale tem evoluído ao longo dos últimos anos, mas a quantidade de vereadoras eleitas nas 39 cidades da região e das que se candidataram mostra que a equiparação está muito distante. Nas duas últimas eleições municipais, o número de candidatas cresceu apenas 0,8%, passando de 1.671 mulheres disputando o pleito em 2012, de um total de 5.204 candidatos, para 1.930 em 2016, de um total de 5.871 pessoas disputando uma cadeira. Este número revela que as chapas criadas para a disputa eleitoral ainda se mantêm fiel ao que diz a legislação eleitoral, que reserva o mínimo de 30% de cota para as mulheres. Como a redação original da lei, que é de 1997, citava “reserva” de vagas, muitos partidos descumpriam a lei ao argumentar que as mulheres não apareciam para ocupar o espaço. Em 2009, a lei mudou e passou a usar o termo no imperativo. Porém, apesar da conquista, na última eleição municipal, 12,5% das mulheres, em todo o Brasil, não tiveram votos, enquanto apenas 2,6% dos homens não foram votados. Essa baixa participação da mulher na política vai na contramão do número de eleitoras. Entre as 39 cidades da RMVale, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral até o dia 31 de março, são 948.305 eleitoras, o que representa 49% de todo eleitorado. Em 2016, esse número chegou a 50,1%. “Embora seja inegável que a mulher vem conquistando lugar na política, desde meados do século XX, sua participação ainda precisa ser significativamente ampliada, tanto no sentido quantitativo quanto no de legitimação de representatividade”, afirma Rachel Abdala, professora de História da Universidade de Taubaté. Dados da Inter-Parliamentary

Union, associação dos legislativos nacionais de todo o mundo, no Brasil pouco mais de 10% dos deputados federais são mulheres. O país ocupa a 154º lugar entre 193 nações do ranking, ficando à frente apenas de alguns países árabes, do Oriente Médio e de ilhas polinésias. Para se ter uma ideia do quanto isso significa, a média mundial, de acordo com a associação, é de 23,5%. O ranking é liderado por Ruanda (61,3%) e ainda apresenta países como Cuba (48,9%) e Argentina (38,1%) à frente do Brasil. “Acho que estamos muito aquém do que deveria ser em termos de participação feminina na política, com índices bastante baixos. Temos uma legislação que obriga os partidos a garantirem

Dos 406 vereadores da RMVale,

14%

são mulheres 30% de candidatas a cada eleição. Se considerar as eleições de 2014, por exemplo, o número de candidatas no país foi de 30,7%, ou seja, apenas cumpriu-se a cota e isso, para mim, é um espelho do que ocorre diariamente nas

estruturas dos partidos políticos e, consequentemente, no quadro geral”, diz Gil Castilho, consultora de Marketing Político. Na Câmara Federal, três estados não têm nenhuma deputada federal: Mato Grosso, Paraíba e Sergipe. Enquanto a região nunca elegeu uma representante feminina na Assembleia Legislativa, a RMVale só teve duas em Brasília. Angela Guadagnin, que foi prefeita de São José dos Campos entre 1993 e 1996, foi eleita deputada federal em 1998 e reeleita em 2002. A outra representante foi Pollyana Gama, que em 2014 obteve 35.854 votos e ficou como suplente, assumindo a cadeira entre novembro de 2016 e março de 2018. “Ainda que a gente tenha uma participação quantitativa modesta, observo que registramos avanços ao longo dos anos, tanto com questão de mandatos, quanto à frente de políticas públicas. Esse aumento é muito modesto e poderia ser muito maior, visto a necessidade que sinto de ter mais mulheres na política, nas administrações públicas, e ocupando espaços de decisão nas câmaras municipal, federal e assembleias legislativas”, afirma Pollyana. Para a ex-deputada federal, a participação do homem e da mulher precisa ser equilibrada. “Quando tivermos uma participação maior poderemos colher resultados mais promissores do que temos ao Divulgação

Vereadora Vivi da Rádio, de Taubaté


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longo da história. Tivemos avanços, em termos de legislação, como ampliar pena para casos de estupro coletivo. Mas no que se refere a uma estrutura de legislação que permita uma maior participação da mulher e não só para compor legenda, ainda falta muito”, disse Pollyana. Dos 406 vereadores que atuam na RMVale, apenas 14% são mulheres que ocupam 57 cadeiras legislativas na região. Este número é apenas 0,9% maior do que em 2012, quando 53 mulheres se elegeram. Das 39 cidades da região, 10 não possuem mulheres atuando no legislativo. São elas: Areias, Canas, Cunha, Igaratá, Lagoinha, Redenção da Serra, São José do Barreiro, São Luiz do Paraitinga, São Sebastião e Ubatuba. Campos do Jordão, Guaratinguetá, Lorena, Monteiro Lobato, Natividade da Serra, Paraibuna, Pindamonhangaba, Piquete, São Bento da Sapucaí, Silveiras e Tremembé contam com somente uma representante no legislativo. Segundo a presidente da Câmara de Jacareí, Lucimar Ponciano (PSDB), a mulher faz política 24 horas por dia e sua experiência encurta o caminho da burocracia. “A política é o campo das discussões e, neste aspecto, a mulher tem um olhar para as questões mais próximas, os detalhes, e ao mesmo tempo enxerga e vislumbra o horizonte distante, traduzindo a realidade de forma simples e eficaz, que se junta aos argumentos e perspectivas dos homens”, afirma. Para a vereadora Vivi da Rádio (PSC), de Taubaté, a mulher tem mais capacidade de gestão. “Se as mulheres são maioria e os homens são os mais eleitos, isso mostra que a mulher não vota massivamente em mulher e temos que mudar esse conceito porque sabemos da nossa capacidade de gestão. Biologicamente a mulher tem um olhar mais amplo e de proteção com a família. Não é melhor nem pior, é o elemento

Evolução feminina na política da RMVale Câmaras Municipais 1.671 candidatas

1.930 candidatas

53 eleitas

2012

57 eleitas

2016

Prefeituras 2012

3 Prefeitas

2016

5 Prefeitas

Monteiro Lobato, Natividade da Serra, Piquete, Potim e São Luiz do Paraitinga.

Eleitoras 50.1%

49.8% 878.102

919.014

2012

necessário pra equilibrar. A mulher é mais responsável, não colocaria sua vida, família e filhos em exposição a algo sujo, corrupto e desleal”, diz. Vereadora pelo segundo mandato em São José dos Campos, a petista Juliana Fraga ressalta que a evolução da participação feminina ainda é pequena. “Pensando que somos maioria no Brasil, ainda avançamos pouco. Precisamos de mais espaço e de políticas que garantam e incentivem esta participação. Quase todos os partidos dedicam menos recursos e menos apoio para as candidatas. Os espaços de poder e decisão geralmente estão com os homens”, afirma.

Executivo O Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI) criou um ranking sobre a participação feminina no poder Executivo. De acordo com o levantamento, dos 186 países analisados, 29 têm mulheres como chefe de governo ou de Estado.

2016

49% 948.305

Março 2018

No Brasil, 95% das mulheres que saem candidatas ao governo do Estado não se elegem. Os dados revelam que se este ritmo de crescimento continuar nas próximas eleições, o número de homens e mulheres comandando cidades brasileiras só será equiparado em 2038, ou seja, daqui a 20 anos. Em 2016, o país teve mais de 2 mil candidatas a prefeituras, mas apenas 639 conseguiram se eleger. Na RMVale também houve crescimento de mulheres chefiando a administração municipal se comparando os dois últimos pleitos. Em 2012, três prefeitas foram eleitas e em 2016 este número subiu para cinco. As cidades da região atualmente chefiadas por mulheres são Monteiro Lobato, Natividade da Serra, Piquete, Potim e São Luiz do Paraitinga. Para a prefeita de Piquete, Teca Gouvêa (PSB), a participação da mulher na política ainda é pequena e há discriminação. “Talvez seja até de forma


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inconsciente, mas é uma realidade. Por outro lado, as mulheres ainda não despertaram para a participação efetiva como protagonistas. Se formos verificar, o envolvimento feminino tem sido de fundamental importância no arranjo dos partidos, na mobilização partidária e na busca de votos. A participação não é igualitária porque o mundo não é igualitário. Não se faz igualdade por lei, e sim por costume, por naturalidade, por consciência, por cultura. Isso não vai acontecer em curto prazo. É um processo longo”, afirma Teca.

Reserva de cota Na minirreforma eleitoral de 2015, o Congresso estabeleceu uma nova regra para a divisão do Fundo Partidário. De

acordo com a decisão, os partidos teriam de reservar mínimo de 5% e máximo de 15% dos valores para campanhas femininas. Os percentuais deveriam ser aplicados nas próximas três eleições. Entretanto, por oito votos a dois, o Supremo Tribunal Federal equiparou o valor ao mínimo de 30%, levando em consideração o número mínimo de mulheres em uma chapa eleitoral. “Nós tivemos chance de votar na Câmara Federal um projeto que garantisse pelo menos 30% das cadeiras para mulheres, mas não foi nem apreciado pelos deputados, pois há uma maioria formada por homens”, relembra Pollyana Gama. Para Gil Castilho, as cotas iniciaram um processo de inclusão, mas ainda insuficiente para quebrar as barreiras. “O sistema é muito excludente, não apenas com as mulheres, mas com o surgimento de novas lideranças também. O Brasil ainda precisa avançar muito em legislação. Enquanto outros países, como Chile, Argentina e Equador, por exemplo, já

Região tem O sistema é muito excludente, não apenas com as mulheres, mas com o surgimento de novas lideranças também. O Brasil ainda precisa avançar muito em legislação” Gil Castilho, CONSULTORA DE MARKETING POLÍTICO

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prefeitas e nunca elegeu deputada estadual têm ou estão finalizando leis de paridade de gênero nas eleições, nós ainda temos uma lei de cotas que não é suficiente para minimizar essa questão”, afirma.

 Em entrevista recente durante o Dia Internacional da Mulher, a ministra do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Luciana Lóssio, defendeu que a cota de 30% já existente dentro da legislação para a formação de chapas eleitorais seja estendida também para as


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instâncias partidárias, permitindo, segundo ela, que as mulheres tenham poder de decisão nas siglas. “Fato é que 44% dos filiados a partidos políticos são mulheres. Por que esse percentual não se espelha nos cargos políticos? Porque a carreira política é um ambiente machista, patriarcal, que fecha as portas para as mulheres”, afirmou a ministra. No Congresso Nacional há ao menos 40 propostas que visam aumentar a participação feminina na política. No Senado, uma das ideias é também sobre imposição de uma cota, colocando ao menos uma vaga para mulher na Mesa Diretora e comissões permanentes. “Como toda cota, penso que essa também deveria ser uma ação temporária e não paliativa como se transforma. Recorrer às cotas significa garantir temporariamente o acesso a um direito historicamente negado. No entanto, deveria se trabalhar no sentido de que a sociedade se transformasse, alcançando o patamar suficiente para que esse tipo de ação não fosse necessária. Enquanto isso não ocorre, a cota pode ser uma alternativa. Entretanto, devemos lembrar que, considerando que a população feminina no Brasil hoje é cerca de 51% da população brasileira, de acordo com dados do IBGE, a cota de 30% não reflete nem legitima a realidade brasileira”, diz Rachel Abdala. Toda essa discussão em torno da participação feminina é algo relativamente novo na história política nacional. O direito de votar e ser votada foi conquistado pelas mulheres apenas em 1932. Em comparação, este mesmo direito foi ofertado às mulheres americanas em 1920. A primeira deputada federal brasileira foi Carlota de Queiroz, em

1933, tendo participado de forma ativa na Constituinte de 1934. “O cenário político iniciado com a Revolução de 1930, é considerado um momento de grande evolução das instituições políticas do país. Assim, as eleições realizadas em 1933 e 1934 foram as primeiras competitivas no Brasil, de acordo com objetivo anunciado por Getúlio Vargas e seus aliados, que era

Recorrer às cotas significa garantir temporariamente o acesso a um direito historicamente negado” Rachel Abdala, HISTORIADORA E PROFESSORA

corrigir os vícios do nosso sistema representativo, característicos na Primeira República. Pode-se afirmar que as reformas implementadas pelo Código de 1932 foram cruciais para a realização de um cenário político relativamente competitivo e plural”, diz Rachel Abdala.

Para Teca Gouvêa, a evolução da participação da mulher dependerá de uma série de fatores. “Legislação, evolução do pensamento predominante na questão de gênero. O pensamento social deverá sofrer mudanças para que o assunto passe a ser encarado como coisa comum, natural e necessária. A visão feminina do mundo deverá ser incorporada como fato natural e não como imposição de segmentos”, diz a prefeita de Piquete. Para a estudante de jornalismo Gabriela Rondel, 20 anos, não há incentivo para que a mulher participe da política. “Não aprendemos a ter esse direito. Nos foi ensinado, desde sempre, que esse não é o nosso lugar. Existe um preconceito muito grande com as mulheres que alcançam cargos mais importantes. Para chegar ao poder é preciso mostrar capacidade e provar que é melhor que os homens. É uma disputa diária”, aponta. “Campanhas femininas já têm nas suas dinâmicas, mecanismos de desqualificação sexista por si só. Há um estudo de pós-doutorado da Luciana Panke, da UFPR, que aponta para um dado interessante e com o qual concordo, pois já vi isso acontecer claramente em campanhas de mulheres: candidatos encaixam-se em arquétipos percebidos pela população, tanto homens, quanto mulheres. Existe o herói ou a heroína, a mãe ou o pai, etc, sempre rodeado pelas qualidades de cada tipo. No caso das mulheres, diferentemente dos homens, para cada arquétipo feminino, vem sempre um esteriótipo que transforma a qualidade em defeito, sempre ligado à condição de ser mulher”, conclui Gil Castilho. 

Municípios sem presença feminina na Câmara Areias, Canas, Cunha, Igaratá, Lagoinha, Redenção da Serra, São José do Barreiro, São Luiz do Paraitinga, São Sebastião e Ubatuba


INFORME PUBLICITÁRIO

365 DIAS DE UTI EM ILHABELA O QUE PARECIA “IMPOSSÍVEL” VIROU REALIDADE

Há 15 anos, a comunidade fazia essa reivindicação.

Os pacientes se deslocavam para outros municípios para serem atendidos. Com a entrega da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Municipal “Governador Mario Covas Junior”, isso não acontece mais.

A UTI do Hospital “Mario Covas” representa um grande avanço para a saúde da nossa gente.

Equipada com quatro leitos, a UTI atende a população de Ilhabela por meio de oito médicos, seis enfermeiros e oito técnicos de enfermagem. Esses profissionais trabalham organizados por plantões, salvando mais de 90% dos pacientes acolhidos na unidade.

É ASSIM QUE OFERECEMOS UMA SAÚDE DIGNA A TODOS!


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Flávio Alvim Business

flavio.alvim@meon.com.br

Opinião/Resenha Algumas ações de marketing de conteúdo, seja social ou empresarial, merecem respeito e são dignos de um bocado de aplausos! Baita bola dentro da equipe do Poliedro que, como parte da comemoração dos seus 25 anos, trouxe para São José uma palestra aberta ao público do Leandro Karnal que, agradando ou não gregos e troianos, proporcionou uma manhã maravilhosa de reflexão no Parque Vicentina Aranha. Pelo menos 6.000 pessoas estiveram por lá num domingo histórico! Outras ações inteligentes que têm chamado a atenção são os diversificados encontros que têm acontecido na Concessionária da Osten da cidade, eventos de empreendedorismo, encontros empresariais e lançamentos imobiliários têm transportado para lá públicos que desconheciam a empresa. O quesito inovação contagiou as cabeças dessas empresas! Bonito de ver! É notório a quantidade de anúncios de novos empreendimentos, depois de gravíssima crise que afetou com nível hard a região, já é possível sentir um certo entusiasmo no mercado, em especial, com a retomada do investimento na produção.

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Enquanto isso, um dos principais assuntos na cidade continua sendo a construção da ponte estaiada na rotatória do Jardim das Colinas, mesmo depois do poder municipal esclarecer que o empréstimo do Banco Interamericano Mundial (BID) é carimbado para projetos de mobilidade e a obra beneficiará um terço da população que passa diariamente na região e o montante do valor da obra foi reunido por ‘sobras’ de outra obras já aprovadas pelo BID, ainda tem muita gente torcendo o nariz. Um amigo lembrou bem do fervor causado no passado quando foi anunciada a construção do anel viário, já imaginou....


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Política

Cadeia Aeronáutica

Netflix

Ainda tem muito pano pra manga na costura das candidaturas joseenses para disputa de cadeiras no legislativo. Já anunciados, na espera de decisões judiciais ou na costura temos como pré candidatos a estadual: Hélio Nishimoto, Nerino Júnior, Cristiano Pinto Ferreira e Flávia Camargo, além dos vereadores Fernando Petiti, Wagner Balieiro, Renata Paiva e Lino Bispo. E para federal Eduardo Cury, Flavinho, Carlinhos de Almeida, Shakespeare Carvalho, Mota, Agliberto Chagas e Vinícius Valverde. Nos primeiros dias de junho teremos tudo definido.

O ‘Aerospace Meetings Brazil’, único evento de mediação para cadeia de suprimentos aeroespacial no Brasil, acontece no Parque Tecnológico em SJCampos entre os dias 19 e 21 de junho. Uma oportunidade ímpar de se relacionar e negociar diretamente com representantes de importantes empresas do trade como a Boeing, Embraer, Airbus, Bombardier, dentre outras.

A Netflix criou, nos aeroportos de SP e Brasília, uma “Loja da Corrupção” para promover a sua nova série “O Mecanismo”. A produção é uma dramatização da história da Operação Lava Jato. Na loja é possível encontrar produtos como tornozeleiras eletrônicas, gravatas com filmadoras, e até uma cueca doleira.

Voto no Vale Uma campanha da Associação Comercial Industrial de São José dos Campos, comandada por Humberto Dutra, quer conscientizar eleitores a adotar o ‘voto regional’. Segundo levantamento feito pela entidade, dos 15 candidatos a deputado federal mais votados em São José na eleição de 2014, 9 não eram da região. Sabemos que muitos vereadores acabam apoiando candidatos de outra região em troca de favores políticos. O levantamento aponta que a Região Metropolitana poderia eleger ao menos três deputados estaduais e três federais, ampliando o peso político e a busca por investimentos para a região.

Match Point Sob a batuta de Felipe Cunha, Fernando Roese e Ricardo Hocevar estão abertas as inscrições para o Vale Open Experience, em Campos do Jordão. O trio comanda clínica de tênis de três dias, incluindo duas noites de estadia e concorrido churrasco. O evento deve reunir os melhores tenistas da região entre os dias 29 e 1º de julho. Vale conferir.

Alpendre Eventos Aconteceu o pré-lançamento do Alpendre Eventos, o mais novo espaço de eventos do Vale do Paraíba. O glamour do local surpreendeu quem esteve por lá! Patrícia Ottoni, diretora comercial anfitriã, foi quem recebeu o público do trade para apresentar o empreendimento situado em Taubaté. O espaço, que abrange dois salões, chama a atenção pela versatilidade que reúne para atender todo tipo de evento. Sem dúvida será uma referência em luxo e sofisticação em eventos na região.

Citycon A construtora paulistana Citycon Engenharia e Construções acaba de anunciar investimento em nova unidade em São José dos Campos, o grupo atua no ramo da construção civil e incorporação. Em seu portfólio de obras realizadas, a Citycon tem registrado o atendimento aos segmentos de atividade nas áreas residencial, comercial, industrial e hospitalar, assim como no setor das obras públicas e comunitárias.

Facebook O assunto decorrente do escândalo da utilização de informações para uso em campanhas foi o tema que dominou no mercado publicitário. Mark Zuckerberg comprou espaço no famoso jornal ‘New York Times’ para se explicar, o bilionário das redes sociais recorreu a mídia impressa na hora do aperto.

Antagonismo de Ações Pairam na GM Enquanto o prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, se reúne com a nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos para buscar ações que possam ajudar a trazer investimentos em uma nova linha fabril de carros para a cidade, a empresa General Motors anuncia férias coletivas em maio para boa parte dos funcionários. A GM de São José dos Campos é um dos símbolos joseenses de desenvolvimento e torcemos para que amplie sua produção na cidade.

Plano Diretor Em ritmo acelerado estão as audiências públicas coordenadas pela equipe da Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade de São José dos Campos, sob o comando de Marcelo Manara, que se prepara para a aprovação do novo Plano Diretor ainda neste ano. A notícia anima os investidores para novos projetos na cidade. Para o atendimento de todas as exigências, minuciar o Ministério Público sobre o andamento das ações, ouvir os variados interesses de grupos e elaborar um plano que atenda os anseios da comunidade são tarefas nada fáceis. Essa rotina tem mudado até mesmo a silhueta do esforçado e competente secretário da pasta.


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ESPECIAL

Fotos: Pedro Ivo Prates/Divulgação

‘Supermães’ não medem esforços por seus filhos especiais


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João Pedro Teles SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

R

eceber um diagnóstico de Atrofia Muscular Espinhal, doença degenerativa e de difícil tratamento, para a filha que ainda nem havia completado três anos foi um momento crucial na vida da dona de casa Camilla Arruda, de São José dos Campos. Aconteceu há pouco mais de quatro anos, quando sua filha Anna Lívia já apresentava um desenvolvimento motor atrasado em relação às outras crianças de sua idade. À época, a profissional que transmitiu a notícia ainda o fez de maneira enfática: “não há cura e sua filha nunca vai andar”, a médica dizia. Recado dado, Camilla manteve-se calma e positiva. Sabia que, a partir dali, a forma como encararia a doença da filha seria determinante para o futuro de Anna. Após um período ‘digerindo’ a informação, a mãe resolveu que era hora de agir e colocar sua rotina à disposição de uma melhor qualidade de vida para a filha. Ela se transformou praticamente em uma autodidata sobre a doença, procurando aqui e ali qualquer notícia relacionada à enfermidade. Remédios, tratamentos, médicos especialistas, nada escapara do crivo da mãe. E foi numa dessas pesquisas que ela descobriu uma droga chamada Spiranza, disponível nos Estados Unidos, ao custo de nada menos do que R$ 3 milhões. “O remédio ajuda a brecar o avanço da doença. E, conforme as aplicações vão acontecendo, é até possível que o quadro regrida aos poucos”, comenta. Com o alto valor do medicamento, a ideia da mãe foi criar uma campanha de doações, uma verdadeira corrente do bem denominada “Ame a Anna”. “Ame é a sigla que usamos para falar da doença. É também uma forma de demonstrar nosso amor pela Anna. Faço tudo o que está ao meu alcance.


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Camilla e a filha Anna Lívia

Ainda estou na luta, com eventos de arrecadação, campanhas na internet. Muita gente tem somado a esse esforço”, comenta. Atualmente, 100% da rotina de Camilla está voltada à filha. Os dias são cheios de atividade: fisioterapia, hidroterapia, escola e os esportes que Anna gosta de praticar. Com uma cadeira especial, ela participa de corridas de rua, sua atividade preferida. A força para se dedicar em tempo integral e encarar as dificuldades impostas pela doença vem do amor de mãe. Camilla afirma que não consegue imaginar uma vida diferente e que o instinto fala mais alto na hora de levantar da cama e superar, com a filha, a rotina que exige dela energia de sobra. “Sabe que não sei de onde tiro essa disposição? Ela precisa de mim, ela é tão doce e sorridente acho que é essa a motivação! Vê-la sorrindo e superando é a minha conquista diária”, conta. “Sei da dificuldade que é, do desafio que se coloca na nossa frente, mas a Anna está aí, está feliz, está lutando. E a gente continuará cada vez mais forte, pode ter certeza”, completa.

Bombeiro mirim A região central de São José ainda acordava quando um caminhão do Corpo de Bombeiros ligou a sirene em frente a uma clínica de reabilitação na cidade. A missão, que chamou

a atenção de quem passava pela avenida Adhemar de Barros, tinha como objetivo realizar o sonho do pequeno Guilherme Gonçalves, de apenas 3 anos, fã dos bombeiros desde que ganhou um caminhão de presente, deseja fazer parte da corporação. A criança nasceu sem a perna esquerda devido a um problema congênito. Ao sair da fisioterapia, onde dava os primeiros passos com a nova prótese, feita sob medida para ele, é que Guilherme se deu conta da surpresa. Enquanto conduzia os passinhos ainda desajeitados do filho, a mãe, Alana Gonçalves de Barros, de 22 anos, dava, ela, um grande passo na maratona diária que é promover ao filho uma qualidade de vida para além de suas limitações físicas. Durante cerca de uma hora, o garoto espia desconfiado os equipamentos, dá uma olhada na parte de dentro do caminhão, recebe uma medalha de honra da corporação. Sem graça com a surpresa, o menino, a todo momento, procura o colo da mãezona, negando os insistentes pedidos dela para que ele curta, com mais independência a surpresa feita pelos bombeiros. “Você tá dando mole, aí”, repete em seu ‘carioquês’ de São Gonçalo. Mãe e filho moram na cidade carioca e vieram para São José após uma longa procura pela prótese ideal para o pequeno Guilherme. A espera acabou quando finalmente Alana encontrou, na internet, o projeto social da clínica Biocenter, que disponibiliza próteses modernas gratuitamente para crianças de baixa renda. “À medida que o Guilherme crescia, ele se incomodava mais com a prótese que usava. No caso dele, precisa ser feita uma prótese do tamanho, o que a gente não pode pagar. Mas pensei: ‘vou dar um jeito, custe o que custar’. Já estava pensando em fazer trufas pra vender, em promover uma rifa, sei lá. Por

ele eu não meço esforços nunca. É assim desde que meu filho nasceu”, conta. E, de fato, quando ficou sabendo que Guilherme nasceria sem uma perna, Alana já entendeu que precisaria ser uma mãe tão especial quanto o menino esperto que carregava no ventre. Desde então, nunca mediu esforços para que o filho tivesse uma vida feliz e que se integrasse rapidinho com os outros amigos e primos da mesma idade. Em casa, a criança convive normalmente com amigos da vizinhança, primos e familiares. Um verdadeiro exemplo de inclusão promovido pela mãe, que tratou de ‘educar’ família e amigos para, do jeito que podem, incluir o filho nas brincadeiras e atividades. “É uma experiência de grande aprendizado pra todo mundo. Eu não quero que o Guilherme se prive de nada nessa vida por causa da sua limitação física. A gente faz as coisas acontecerem do jeito que dá. É igual acontece com a vida. A gente tem os obstáculos pela frente, mas temos que dar um jeito de continuar caminhando. Passando por ele do jeito que dá”, diz. E foi neste espírito, ao melhor estilo ‘mãezona’, que Alana subiu com o filho no ônibus e viajaram os 360 quilômetros que separam as duas cidades. “Não conhecia São José, mas depois que descobri o projeto vi que era uma possibilidade que não dava pra recusar. O povo ficou meio maluco quando soube que eu ia viajar sozinha com ele, com dinheiro contado e para um lugar que eu nem conheço. Mas é o esforço pela qualidade de vida dele”, comenta. Mãe e filho já voltaram para São Gonçalo, onde Guilherme está se adaptando bem à nova prótese, feita exclusivamente para ele. O aparelho, que custa por volta de R$ 14 mil, se adapta ao seu crescimento nos próximos anos. De dois em dois meses ambos precisam voltar para São José para ajustar a prótese. 


Especial Saúde

Foto: Tiago Queiroz

Metrópole Magazine traz o melhor da saúde na RMVale e uma entrevista exclusiva com Drauzio Varella

O que é saúde? Não é simplesmente ausência de doença


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Especial saúde

Drauzio Varella fala sobre como aprender a viver bem e saudável Por: Ester Jacopetti Em entrevista especial o médico cancerologista e escritor Drauzio Varella fala sobre como a população pensa e age para ter uma vida saudável. Drauzio foi um dos pioneiros no tratamento da Aids no Brasil. Entre seus livros de maior sucesso estão Estação Carandiru, Por um Fio e O Médico Doente.


Foto: Tiago Queiroz

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Obesidade

Boa alimentação

Benefícios do leite

Sedentarismo

Longevidade


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Especial saúde

O segredo da longevidade

Além de uma boa alimentação alinhada à atividade física, existe algum outro segredo para a longevidade?

BRENO ROCHA @Brenorochafotografia | www.brenorocha.com

Se eu soubesse não estaria aqui (risos). Na verdade, do ponto de vista biológico só existe uma estratégica capaz de aumentar a longevidade. Longevidade como é definida em ciência? Você pega 10% da população que vive mais, e calcula a média, isso é longevidade. Não calcular pela média da população toda, porque você tem a expectativa de vida, tem a vida média, outros parâmetros. Longevidade mesmo é definido assim, é nos 10% mais velhos e calcula a média desse, porque esses são os que interessam. Hoje não se tem a evidência de que alguém tenha vivido 120 anos. Mas o que aumenta mesmo a longevidade? Trabalha com rato, com fungo, pulga d’água, todos os tipos de seres vivos, a única coisa que aumenta a longevidade é a restrição calórica. Quando você faz uma restrição calórica, os animais vivem mais. Isso vale para todos os seres, mas com o homem nunca foi testado, mas por razões evidentes também, mas é provável que seja a mesma coisa, porque a evolução não cria nenhum mecanismo especial para uma espécie. Nós fazemos parte de uma ordem natural, o que vale para todos, vale pra gente também. Essa restrição calórica é muito importante, tem que restringir mesmo, mas sem provocar a desnutrição. Não dá pra fazer em laboratório. Você reduz a quantidade que ratos e camundongos irão comer, mas mantém todos os componentes, proteínas, carboidratos, todos os componentes necessários. Fora isso, você tem é um aumento da expectativa de vida daquela pessoa, mas esse reflexo na expectativa de vida geral, é pequeno. Explico melhor. É lógico que se eu pesasse 180 quilos, provavelmente eu não chegaria a idade que eu tenho, mas eu viveria uns 50 anos, talvez um pouco mais. O que muda a expectativa de vida


mesmo, é quando você impede a criança de morrer, porque essa criança que vai morrer aos dois anos, vai morrer aos oitenta. Essa puxa a média lá pra cima. Na verdade, o que nós sabemos é o seguinte: a obesidade reduz a expectativa de vida. A obesidade provoca um fenômeno inflamatório crônico. Nós no passado imaginávamos que a gordura fosse uma reserva de energia, e pra isso que ela serviria. Eu fico sem comer não morro porque eu mobilizo a energia contida nas celular adiposas, e que são jogadas no metabolismo. Hoje nós sabemos que o tecido gorduroso é metabolicamente ativo, por exemplo, é a segunda maior glândula do organismo, só perde para a hipófise, que é a glândula que coordena todas as outras. A gordura libera estrogênio, progesterona, libera diversos hormônios que vão interferir com o apetite, a energia, gastro em repouso. É evidente que se você sai fora desses padrões corre mais riscos, aumenta os riscos de doenças cardíacas, metabólicas como diabética e muitas outras. Fora da questão da obesidade e manter o peso saudável, e não precisa ser o peso de padrão de beleza, especialmente para as mulheres, você tem uma atividade física. O corpo não foi feito para ficar como ficamos

O corpo não foi feito para ficar como ficamos nos dias de hoje, sentado o tempo todo. A vida sedentária sim, tem um impacto muito grande.

nos dias de hoje, sentado o tempo todo. A vida sedentária sim, tem um impacto muito grande. O cálculo que a organização mundial faz é que o impacto da vida sedentária seja da mesma ordem

que o impacto do fumo na saúde de uma pessoa. O cigarro reduz 12 anos na vida de um homem e 10 anos na vida de uma mulher, em média, e a vida sedentária teria um impacto semelhante a esse. Então, não tem segredo, é fazer exercício, coisa que ninguém gosta e ninguém quer. O açúcar é a tragédia do mundo moderno. Essa é uma história longa que eu tenho acompanhado durante muito tempo. Nunca encontrei lógica a essa guerra contra as gorduras, que foi declarada pelos médicos dos Estados Unidos nos anos 50 e 60 e se espalhou pelo mundo. Hoje nós sabemos que, ao mesmo tempo que foi cometido esse equívoco, a indústria do açúcar aproveitou esse vácuo deixado pela gordura, e colocaram açúcar em tudo. Apareceu uma formiga pequenininha na minha casa, essas de apartamento, esquecia alguma coisa, aparecia uma formiga, elas iam em tubo de pasta de dente. Quer dizer, nos lugares mais insuspeitos a gente encontra açúcar. E o que aconteceu no mundo inteiro? Você começa a cortar a gordura, aumenta o consumo de carboidratos, e todos aqueles que tem tendência a obesidade ganham peso. Nós temos esse problema de saúde pública no Brasil e muitos outros países. BRENO ROCHA @Brenorochafotografia | www.brenorocha.com


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Especial saúde

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O que é viver de forma saudável?

Existem várias áreas dentro desse conceito. O primeiro é o seguinte: como você define saúde. O que é saúde? Não é simplesmente ausência de doença. Você pode ser uma pessoa saudável morando na favela da Maré com a divisa da Nova Holanda em que as pessoas ficam trocando tiros o dia inteiro, não há possibilidade, não é possível ter vida saudável num lugar desse. A saúde implica no bem-estar que tem que ser físico, evidente, não dá pra estar com a perna quebrada e estar com saúde, tem que ser físico, tem que ser psicológico, tem que estar se sentindo bem e ter todas as condições favoráveis e estar imerso numa depressão profunda e tem que ser social, você tem que ter uma relação

Hoje morre uma pessoa de 70 anos na família a gente diz que morreu moço. As pessoas envelhecem muito melhor hoje, do que no passado, não tem comparação

boa com a comunidade. Isso é o que se considera o conceito de saúde atualmente. Tem que ter todas essas áreas satisfeitas pra viver bem, infelizmente hoje a convivência de um grupo, ficou cada vez mais difícil. Antigamente as pessoas moravam, casavam, as famílias viviam em casas próximas uma das outras, o que poderia ser um inferno muitas vezes, talvez, mas as pessoas se conheciam, eram fixas naquele lugar, nasciam ali, cresciam e formavam família e moravam no mesmo lugar, todos se conheciam. Hoje é uma mobilidade urbana absurda. Você mora em prédio de apartamento, outro dia eu desci no elevador com uma moça e perguntei se ela era nova, e ela disse que morava ali há cinco anos. Eu nunca tinha visto


SAÚDE

MOVIMENTO

AMIZADE

DIETAS QUALIDADE DE VIDA

CAMINHADA

DICAS DE SAÚDE

HARMONIA

ENERGIA

Cuide-se bem!!! HIGIENE

PAZ

NUTRIÇÃO

ESPORTES

NATUREZA

Cuidar-se bem signica dar atenção ao que é importante para sua saúde. A qualidade da alimentação, do sono, a prática de exercícios físicos adequados ao seu perl, a postura correta no desenvolvimento das atividades são ,por exemplo , alguns dos fatores que inuenciam diretamente na sua saúde e qualidade de vida.

Cuidados com os ombros Dentre as grandes articulações do corpo humano, o ombro é a que possui a maior amplitude de movimentos: exão, extensão, abdução, adução, rotação interna, rotação externa e elevação. Um mal alongamento e treinos errados podem levar à algumas lesões no ombro como luxação da glenoumeral e a bursite. A melhor forma de prevenção de lesões é o fortalecimento dos músculos dos ombros e dos braços para melhor estabilizar as articulações da região, principalmente a musculatura do manguito rotador. Para isso, procure um prossional de educação física que possa adequar o melhor treino de fortalecimento em função de seus objetivos. Conra algumas dicas importantes para evitar possíveis lesões.

Informações e dicas importantes: sempre a orientação e supervisão nos treinos de algum prossional de educação 1 Procure física, suas orientações são de extrema relevância. fazer sempre bons alongamentos, é essencial fazer o seu aquecimento não só 2 Procure quando for treinar os ombros, mas também quando for treinar peitoral e dorsais. 3 Periodize seus treinos, tenha um tempo para descanso da musculatura. 4 Treine com cargas e potências adequados para o seu nível de treinamento. exercícios de levantamento de pesos laterais, limite seus movimentos em um ângulo de 5 Em 90º do ombro.

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O Hospital Orthoservice possui médicos especialistas em todas as áreas da ortopedia. Cuide de sua saúde com os prossionais certos e qualicados. Atendimento emergencial 24 horas.

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44 | Revista Metrópole – Edição 39

Especial saúde

A informação é aliada à uma vida saudável Freepik

na vida. A vida moderna impõe um nível de atividade que cada vez mais não sobra tempo pra convivência, de estar com os amigos.

O senhor acredita que as pessoas estão vivendo melhor nos dias de hoje, por ter fácil acesso a informações na internet?

Muito melhor, não tem comparação. Começa pela expectativa de vida, em 1990 a expectativa de vida na Europa desenvolvida, era uma média de 40 anos. Quando eu nasci se a minha mãe fosse consultar as estatísticas de quantos anos eu viveria, seria 44 anos. Hoje morre uma pessoa de 70 anos na família a gente diz que morreu moço.

Quando a informação é precisa e compreensiva, a população aceita e adere. A internet presta, não dá pra discutir a vida sem a internet hoje, né?

As pessoas envelhecem muito melhor hoje, do que no passado, não tem comparação. O total você tem que avaliar quanto tempo vivem. Eu era estudante e lembro que aparecia no jornal ‘sexagenário é atropelado na avenida São João’. O cara com 60 anos era raro, já era considerado muito velho. Uma música que fez muito sucesso naquela época, era ‘mulher de 30’.

Além da internet hoje muitos programas de televisão oferecem informações sobre como cuidar da saúde. O quanto isso contribui para a população como um todo?

Quando a informação é precisa e


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Especial saúde compreensiva, a população aceita e adere. A internet presta, não dá pra discutir a vida sem a internet hoje, né? Não há nenhuma possibilidade de você imaginar o mundo sem esse tipo de informação. Só que a informação pela internet não passa por nenhum crivo. Eu vivo tendo problemas, porque colocam a minha fotografia e um produto comercial. Outro dia tinha um remédio dizendo que era melhor do que o viagra e eu com cara de idiota com os braços cruzados recomendando. Eu faço atendimento na penitenciária feminina e os carcereiros perguntando se era bom porque eu estava fazendo propaganda. E você não consegue localizar a pessoa. Normalmente eu tenho um advogado que fica correndo atrás dessas coisas pra derrubar na internet, porque eles criam um perfil fácil no instagram e lançam pelo instagram. E você vai na empresa e eles dizem que não tem culpa, alguém que fez. Você tem essa informação que é jogada na internet que cria essas lendas todas. Informação pela televisão é um desafio enorme, porque, posso falar da minha experiência pessoal, com o Fantástico por exemplo, é o Brasil que assiste, pessoas dos mais diferentes níveis. Você tem que falar para aqueles que não estudaram, não tiveram acesso a leitura porque é aí que se destina

a informação, eles não têm outra fonte. E no Brasil isso significa mais de 60% da população. E de modo que aqueles que estudaram você não esteja fazendo uma simplificação ridícula. É difícil encontrar esse equilíbrio, e ninguém nasce sabendo, a gente vai acertando e errando. Mas o exemplo que eu queria te dar é o seguinte: na minha adolescência nos anos 60, 60% dos adultos com mais de 15 anos fumavam no Brasil,

Nós podemos sobreviver sem ele mas o leite tem grande concentração de cálcio e um adulto precisa de no mínimo um grama de cálcio por dia na dieta Freepik

hoje a estatística brasileira era em torno dos 10%, nos Estados Unidos 15% com os bilhões de dólares que os americanos investem na prevenção nas campanhas contra o fumo. Na Europa o único país que fumava menos que o Brasil até dois anos atrás era a Suécia, 12 %, hoje somos menos que os suecos, holandeses, dinamarqueses, alemães, portugueses, todos os países, nós fumamos menos. E o que o país fez pra conscientizar a população de que o cigarro faz mal? O nosso povo tem nível de educação mais elevado? Não tem. Nós proibimos fumar em local público? Isso foi em


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Freepik

2000 e os Estados Unidos começaram a fazer isso no inicio dos anos 90 e em vários países da Europa, especialmente na Escandinávia, foi na passagem de 80 pra 90. Foi no ano 2000 que se proibiu a propaganda na televisão, na Suécia nos anos 70. E não foi nenhuma campanha governamental. Colocamos aquelas coisas horríveis na caixa do cigarro. Então não é nenhuma medida que o país tomou que seja diferente ou mais eficaz que outros países utilizaram nas campanhas. Foi a televisão no Brasil, porque em outro país você tem rede de televisão abrangente que pega

o país inteiro. Estados Unidos tem, mas são regionais. Quando a informação é clara e bem direta, compreensível as pessoas aceitam e aderem, mas mudar comportamento diário é difícil. Convencer uma pessoa que tem que fazer exercício, você sabe disso.

O leite: seus mitos e benefícios Os adultos realmente precisam tomar leite? Com base nessa pergunta, com o tempo que ficamos sem tomar leite, perdemos a capacidade de digerir a lactose, é verdade?

Primeiro, se os adultos precisam

tomar leite, é lógico que não. Nós podemos sobreviver sem ele, o problema do leite, basicamente a necessidade do leite, ele é muito nutritivo por razões óbvias, mas a necessidade mesmo é a grande concentração de cálcio, porque não encontramos em outro alimento, e quando digo leite, os laticínios de modo geral. Um adulto precisa de no mínimo um grama de cálcio por dia na dieta. É fundamental não só na parte óssea, quando falamos em cálcio pensamos nos ossos, o cálcio é fundamental para estímulo neuromuscular, um estímulo que vem pelo nervo


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Especial saúde transmite pelo músculo. Esse estímulo é essencial, sem ele o coração para. O que acontece normalmente? Você tem uma dieta pobre de cálcio, você faz uma dosagem de cálcio normal. Eu ouço muito isso: ‘eu não tomo leite, mas o meu cálcio é normal’. É normal porque tem um componente essencial na circulação, quando você não ingere, o organismo mobiliza o cálcio dos ossos. Você sabe que os ossos estão sendo construídos e destruídos permanente o tempo todo. Então você começa a perder massa óssea pra tentar manter a concentração de cálcio constante. Esse é o grande problema. Agora se eu não tomo leite, mas como queijo, eu tenho que retirar o cálcio onde ele existe em quantidades maiores que é nos vegetais escuros, mas a quantidade é muito menor. Você precisa de um grama de cálcio, um copo de leite (250 ml) te dão 250 miligramas, ou uma fatia de queijo boa, aí é fácil você conseguir esse grama de cálcio a mais. De outra forma, você precisaria ter uma dieta, mas de uma quantidade muito grande desses vegetais. Uma porção normal de brócolis não tem cem miligramas de cálcio, então teria que comer em grandes quantidades pra conseguir repor. Essa é a questão. Não é obrigatório, mas é muito difícil ter uma dieta que te ofereça a quantidade necessária de cálcio. A outra pergunta eu nunca li nada a esse respeito. Qual o problema do leite? Porque as pessoas não se dão bem com ele? Para digerir a lactose, precisa de lactase que é uma enzima normal na infância, todos nós animais mamíferos possuímos enzina. Como era no passado? O passado remoto que eu digo. A pessoa nasce é alimentado no seio materno, as mulheres amamentavam durante muito tempo, e depois começam a comer e eles tiravam o cálcio de outra fonte. E alguns viviam com uma quantidade baixa de cálcio, é difícil imaginar o que acontecia, porque ninguém vivia 40 anos na época.

A osteoporose é universal no caso dos mais velhos. Provavelmente na Europa central surgiu a mutação que passou a manter a lactose funcionando. Essas populações que dominavam a pecuária, levantou vantagem nutricional, porque tinham acesso ao um alimento nutritivo e com uma quantidade grande de caloria levaram muitas vantagens, e foram espalhando para os seus descendentes pelo mundo. É possível que você ao deixar essa enzima sem funcionar, durante muito tempo, quando você retoma tem um tempo de adaptação. Você produz, mas talvez não na quantidade eficiente.

A pessoa que tem intolerância à lactose, já nasce com ela ou desenvolve ao longo da vida? É possível consumir durante a vida toda e descubrir a intolerância mais tarde?

▸ Nenhum de nós nascemos intolerante ao leite, não haveria outra condição de sobrevivência. Hoje nós temos os lácteos industrializados, mas antes não existia. O que você tem às vezes são processos alérgicos. A mãe que toma leite de vaca e uma proteína naquela criança especificamente desperta uma reação alérgica e essa proteína vai parar no leite materno. Isso existe, mas não só com essa, mas em outras proteínas de origem diferente. Quando você tem intolerância mesmo, a pessoa toma leite e começa a ter cólicas, desarranjos intestinais. É muito pouco provável que você inative essa enzima no decorrer da vida, muito pouco provável. Porque se você tem enzima você tem um gene que o produz, que o codifique, você precisaria perder esse gene para parar de produzir essa enzima. Em que momento o leite passou a ser vilão?

▸ Tem umas coisas da vida moderna, antes era o café, hoje um quer café curto, outro maquiato, expresso, não tem

Tem umas coisas da vida moderna, antes era o café, hoje um quer café curto, outro maquiato, expresso, não tem fim. E com o leite aconteceu a mesma coisa, e começaram a surgir variações

fim. E com o leite aconteceu a mesma coisa. E começaram a surgir essas variações todas. É um modismo que apareceu, e por incrível que parece o argumento mais forte usado contra o leite, ou alguém um dia disse isso e as pessoas acharam que tinha lógica, que nenhum animal adulto toma leite. É verdade, mas não bebe cerveja também, não toma água encanada. Quem não toma leite não vive de forma doméstica. Por exemplo, a onça vai lá come a vaca, não tira leite dela. Não tem uma explicação razoável a não ser o modismo. Como existem muitos outros, como o de você não comer carne, de não poder comer nenhum bicho, não por razões intelectuais, eu tenho o maior respeito, mas por razões fisiológicas. Eu li uma vez que propunha a não comer nada que continha DNA. Então come pedra.


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Na maternidade a mulher sofre perda de cálcio?

▸ Eu encontro várias mulheres, e não é raramente não, que vem para uma fase pré menopausa ou pós menopausa que foram numa nutricionista que disse que não devem tomar leite, ou médico que hoje se chama nutrólogo. Tem lá as razões que eles apontam, eu não tenho ideia e nem tenho interesse em saber quais são. Vai tirar cálcio de onde? Está numa fase em que você perde osso, e desenvolve osteopenia, que evolui para a osteoporose. É um absurdo e uma irresponsabilidade esse tipo de indicação. E não é baseado em nenhum conhecimento científico, muito pelo contrário é baseado em ideologia. O ideal é começar a prevenção na adolescência, porque

é aí que você construiu a arquitetura básica do seu esqueleto. A gente troca o esqueleto a cada dez anos. No meu caso eu já troquei muitos esqueletos pela vida.

Você comentou sobre os leites vegetais e que elas são boas substitutas, mas em que sentindo e pra quem?

▸ Eles têm a cor do leite, mas sei lá... Os leites possuem as diferenças de preparo, nenhuma dessas preparações retira o cálcio do leite. Agora em relação à gordura depende da pessoa, porque se ela tem facilidade em ganhar peso, é conveniente reduzir porque ela não trará nenhum tipo de benefício além dos números de calorias a mais. Agora com a criança pequena é melhor dar o leite porque ela fica pulando o dia inteiro e

precisa de energia. Eu fui numa palestra de um pneumologista de Harvard mais respeitados, no final dos anos 90, ele questionando essa questão da gordura, de retirar a gordura da dieta. Não existe nenhuma demonstração de que quem come carne de qualquer tipo tenha maior risco de doenças cardiovasculares. Ele calculou que pra você fazer um trabalho definitivo, para comprovar, pra fazer um trabalho científico, ele precisava ter 100 mil pessoas, 100 mil comendo carne diariamente, e 100 mil vegetarianas. E comparar depois de 20 anos, porque se não tem um infarto no dia seguinte, comparar esses dois grupos. Para esse trabalho, a estimativa de custo naquela época era de 1 bilhão de dólares. Quem vai patrocinar um trabalho desse. 


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Especial saúde

Perigo dentro de casa

Automedicação: difícil encontrar uma casa brasileira sem a famosa ‘farmacinha’

Foto: Pedro Ivo Prates

Por Tânia Campelo

A economista Patrícia Schmidt, de São José dos Campos

Um analgésico para dor de cabeça, um antiácido para azia ou um comprimido para aliviar os sintomas de gripe. Quem nunca tomou um remédio sem orientação médica? O hábito, que atinge mais de 70% dos brasileiros, coloca o Brasil entre os países recordistas em automedicação. Difícil encontrar uma casa sem a famosa ‘farmacinha’, com remédios para todos os tipos de dor. A doméstica Marisilda Neves da Silva, de 57 anos, de São José dos Campos, tem quase uma dezena de medicamentos acondicionados em uma caixa de sapato guardada com cuidado na parte superior do armário de sua cozinha. Além de se

automedicar, Marisilda utiliza a farmacinha para cuidar dos filhos, de 19 e 22 anos, e do marido, de 59 anos. “Tenho remédio pra febre, tenho analgésico que usamos para dor no corpo e de cabeça, remédio pra gripe, rinite, o que precisar eu tenho aqui. A gente só procura médico em último caso, mesmo ”, disse Marisilda. Ela afirma que passou a manter remédios em casa após o nascimento do primeiro filho. “Não dá para sair correndo para o hospital toda vez que dá uma dor de barriga. Mas é claro que usamos só medicamento que não tem restrição, vendido sem

receita”, justifica. No entanto, muitas vezes essa busca por um alívio imediato de alguns sintomas, mesmo usando medicamento sem prescrição médica, pode trazer consequências ao virar rotina. “Infelizmente existe uma grande tendência nossa de buscar o caminho mais fácil, eventualmente a ideia de um comprimido mágico que possa resolver nossos problemas de saúde, isto têm mascarado os caminhos verdadeiramente adequados para uma boa saúde, que normalmente está na contramão do uso de medicação”, disse o médico Fernando Fonseca Costa,


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coordenador do Pronto Atendimento do Hospital São José, de São José dos Campos. Ele ressalta que a ‘farmacinha caseira” é importante para pequenos curativos e primeiros cuidados em feridas, mas em relação a medicamentos pode se tornar um perigo. “Primeiro pela possibilidade de manter medicamentos fora de data de validade, e exposição de crianças ao risco de acesso a medicamentos. Deve-se limitar ao mínimo o uso de medicamento sintomático, preferencialmente com orientação do médico da família, utilizado apenas para aliviar o sintoma antes da chegada ao serviço de saúde”, disse Costa. Essa é a conduta da economista Patrícia Schmidt, também de São José dos Campos. “Eu só tenho remédio que já tomamos e sei que não vai fazer mal. Se tomo uma vez e a dor não passa, logo procuramos um médico”, disse. Ela acredita que é importante ter medicamentos em casa para alívio dos sintomas até conseguir agendar uma consulta médica ou chegar ao hospital. “Sei que a febre é sinal de infecção e que devemos procurar um médico, mas precisamos tomar um remédio para baixar até chegar ao médico”, disse.

Riscos Costa ressalta que existe uma série de riscos envolvidos na prática da automedicação. “O principal é o de atrasar o diagnóstico efetivo de uma doença e impossibilitar o tratamento adequado, eventualmente ocasionando uma piora clínica do paciente, que perde a janela de tratamento desta. Para entender melhor, uma pessoa pode tomar medicação para “acalmar” a tosse e deixar de ter diagnosticado um câncer de pulmão e, eventualmente, perder o tempo e possibilidade de cura”, disse. Outro risco salientado pelo médico é a possibilidade de uso inadequado da dose sem a orientação médica. Apesar de a venda de antibiótico sem receita médica ser proibida, muitas pessoas guardam

Não dá para sair correndo para o hospital toda vez que dá uma dor de barriga. Mas é claro que usamos só medicamento que não tem restrição, vendido sem receita

‘restos’ para reutilizar posteriormente. “Quando se trata de antibiótico, além de todos problemas individuais deste uso, a pessoa pode estar colaborando para aumento da resistência aos antibióticos.” Outra prática comum e condenável pelos médicos é o consumo de remédios por indicação de amigos e familiares. Ele lembra que quando um profissional de saúde avalia a queixa de um paciente, utiliza as informações dos sintomas, busca sinais clínicos pelo exame físico, compara com histórico e utiliza dados epidemiológicos para chegar a uma hipótese e iniciar o tratamento. “Para exemplo, uma pessoa com dor na barriga, comenta com sua vizinha que recentemente teve um quadro de infecção intestinal e utilizou um analgésico, fez repouso e ingeriu bastante água e melhorou. Baseado no sucesso da vizinha, a pessoa fez o mesmo, mas foi operado por apendicite supurada três dias depois, se procurasse auxílio médico poderia ter sido operado anteriormente evitando o quadro agravado.” Costa ressalta ainda que devido à ação

diferente de medicamentos em cada pessoa, atualmente existe uma tendência de personalização da medicina. É um modelo médico que propõe a personalização dos serviços de saúde, isto é, as decisões médicas, as práticas, e os produtos sendo adaptados para o organismo de cada ser humano”, explicou. Segundo o médico, o risco de intoxicação por medicamento geralmente está associado a doses excessivas. “O risco é maior com medicações com potenciais efeitos colaterais mais graves, e medicações em que a dose terapêutica é próxima da dose tóxica, em especial alguns medicamentos cardiológicos e psiquiátricos. Podemos definir como grupos de riscos os extremos de idade, isto é, idosos e crianças”, disse. No caso de intoxicação por ingestão de medicamento, o médico orienta atenção aos sinais quanto mais breve possível. “A gama de sinais é muito vasta, mas sempre que a pessoa apresentar sintoma após uso de medicação, que não é usual ou que não foi previamente alertado pelo profissional da saúde, podemos desconfiar de um possível evento adverso associado ao fármaco. A pessoa deve procurar um profissional de saúde na unidade de saúde mais próxima, tais como Unidade Básica de Saúde, em caso de urgência a Unidade de Pronto Atendimento e até mesmo ligar para o Samu (192), que poderá avaliar a situação e enviar ajuda.”

Prevenção Para Costa, ao invés de recorrerem a medicamentos, as pessoas deveriam buscar meios de prevenção, por meio de nutrição adequada e atividade física. “As principais doenças crônicas podem ser prevenidas, mas infelizmente a cultura instalada está focada na busca do serviço de saúde quando surgem sintomas, ocasionando um congestionamento em todos os níveis, trata-se de um ciclo vicioso difícil de ser vencido pois envolve mudança de hábitos, comportamento e atitude”, disse. 


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VEM AÍ

3a Edição

Quando o tempo esfria, é hora de esquentar a programação.

De 7 a 10 de junho


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Turismo&

Nas trilhas da RMVale

Turismo ecológico é um dos roteiros mais belos da região e possui diferentes níveis de dificuldade Marcus Alvarenga RMVALE

Q

uem gosta de vivenciar a natureza tem o costume de curtir fotos de paisagens na internet, mas presenciar as belezas naturais leva a um sentimento mais puro. Na RMVale, o turismo ecológico produz cenas cinematográficas e são retratadas em destinos mais próximos que muitos possam imaginar. A região forma uma tríplice fronteira entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de ser composta pela Serra da Mantiqueira, Rio Paraíba do Sul, Serra da Bocaina, Serra do Mar e Costa Verde, que é a maior área preservada de Mata Atlântica. A região compõe uma área de mais de 16 mil km² e potencial para

ser explorada pelos amantes do turismo ecológico, que podem encontrar roteiros marítimos, costeiros, de baixas ou altas altitudes, de todos os níveis de dificuldade, com história e cultura brasileira, diversidade de fauna e flora e uma descoberta particular. A analista de recursos humanos,

Pedra da Macela, em Cunha, tem 2Km de trilha e baixo grau de dificuldade Alexandra Carvalho, de 42 anos, é uma dessas pessoas que descobriu o amor pelas viagens em meio à natureza depois de experiências negativas nos roteiros comuns de agências de viagens.

“Eu sempre me interessei, mas nunca achava um meio, pois não me enquadrava no turismo de agência por apresentarem um roteiro de mercado, museu e aqueles pontos turísticos com muita gente, como se visse a natureza pela vitrine e janela”, conta a montanhista, que há três anos divide a experiência particular com centenas de novos adeptos. “Comecei a estudar como fazer essas viagens, a segurança, o que levar, o que existe de tecnologia e o que precisava aprender de locomoção, navegação meteorologia e muito conhecimento especifico antes de enfrentar a natureza. E cada vez mais surgia pessoas procurando obter informações e querendo começar, mas sem saber como. Decidi fundar uma empresa, há 3 anos, para realizar inserções educativas nas matas, com foco em ensinar as pessoas antes e durante os roteiros naturais”, conta Alexandra. Moradora da capital paulista, ela utilizou roteiros prontos e trilhas auto guiadas que podem ser encontradas no site do governo do Estado com dicas e orientações. “No inverno o local mais procurado é a Pedra da Macela, onde temos um acampamento em uma base particular, onde estamos com 1.853 metros de altitude, só que vendo o referencial zero, o mar. Particularmente, foi o amanhecer mais lindo da minha vida, vendo o sol nascer do mar sob uma montanha”, recomenda Felipe Vieira, que há mais de 15 anos atua no montanhismo e trabalha


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como técnico de informações geográficas do IBGE e é o responsável em mapear toda a área de vegetação. A Pedra da Macela, localizada em Cunha, conta com uma trilha íngreme, de dois quilômetros, mas com pouca dificuldade por ser um terreno acimentado e com uma vista que recompensa. O cenário leva ao alcance dos olhos o norte de Ubatuba, a baia de Paraty e parte da baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ). Os caminhos pelas áreas de mata de São Francisco Xavier, São Bento do Sapucaí, Queluz, Silveiras e Lavrinhas, no outono possuem práticas esportiva como caminhada para iniciantes e trekking (trilha), realizadas pelos mais experientes. “Uma das nossas trilhas, que é escola para os iniciantes, é o Focinho D’Anta, uma trilha particular que começa em Monte Verde (MG) e termina em São Francisco Xavier, no distrito de São José dos Campos. Saímos do centro da cidade mineira, onde no início paramos para um café, passamos algumas indicações, confirmamos o material e começamos a subida. Dali pode sair por outros roteiros, como a trilha dos Muriquis e o Pico da Onça. Todas são caminhadas que reproduzem os ambientes mais hostis, preparando as pessoas para novos roteiros e confirmando se estão aptas para novas empreitadas”, conta Alexandra. Para os mais preparados e aventureiros, a região oferece percursos de

Tanta história, caminho do ouro, do café e um percurso de pedra no meio da floresta. E ainda podemos dormir junto à natureza” Felipe Vieira, MONTANHISTA

maior intensidade, como a Trilha do Ouro. “Esse roteiro tem 51 quilômetros e é feito em três dias. Saímos de São José do Barreiro, do topo da Serra da Bocaina, atravessamos tudo e chegamos na Serra do Mar, acabando no litoral sul fluminense, em Angra dos Reis (RJ). Tem mais Vale do Paraíba que isso? Tanta história, caminho do ouro, do café e um percurso de pedra no meio da floresta, como se estivéssemos em Paraty. E ainda podemos dormir junto à natureza”, destaca Felipe.


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Preservação e Segurança Entretanto, dois pontos reforçados por todo montanhista é que todos que aderirem ao turismo ecológico prezem pela segurança e preservação do meio ambiente. “O verdadeiro ecoturismo trabalha o mínimo impacto e a educação ambiental. Não tem como falar que faz ecoturismo se você leva um ônibus de pessoas. São apenas grupos pequenos, silêncio, para escutar a natureza e entrar em sintonia consigo mesmo”, comenta Vieira.

A integridade física e os cuidados com os perigos da natureza são essenciais, por isso que sempre é orientado que os grupos sejam acompanhados por um guia local. Vieira cita algumas dicas para quem deseja fazer o turismo ecológico. “É preciso sempre verificar se a trilha é autoguiada ou necessita da contratação de um guia, seguir a orientação do monitor, usar roupas adequadas, ter uma mochila confortável e nunca abrir novos cominhos. É fundamental respeitar a natureza”, afirma. 


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Luto

Morte põe trilhe Caso do francês morto no Pico dos Marins evidencia riscos Tania Campelo PIQUETE

D

urante 18 dias, o Brasil acompanhou as buscas ao francês Gilbert Eric Welterlin, de 54 anos, que morreu após se perder em uma das trilhas do Pico dos Marins, em Piquete, na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Eric entrou em uma das trilhas do Pico dos Marins no dia 16 de abril e seu corpo foi encontrado no dia 5 de maio por um trabalhador rural. De acordo com os bombeiros, o francês morreu encostado em uma pedra, ao lado de um riacho, provavelmente de frio (hipotermia). Ele estava a cerca de 300 metros de uma área de pastagem, em um sítio na base da costa sul do Pico dos Marins. A suspeita é que ele tenha chegado ao local à noite e por isso não enxergou o sítio, o que teria facilitado sua localização. Equipes do Corpo de Bombeiros dos dois estados utilizaram todos os recursos disponíveis na tentativa de

localizar o francês: helicóptero, rapel e cães farejadores. Centenas de agentes das duas corporações e dezenas de voluntários, inclusive montanhistas e guias que conhecem bem as trilhas do Pico dos Marins, participaram das buscas. Os trabalhos começaram no dia 18 de abril após registro do boletim de ocorrência por desaparecimento. Eric era corredor de montanha experiente e considerado um homem preparado, já tinha participado de várias competições internacionais. Ele estava no Brasil havia três anos e morava em Itajubá (MG).

acabam se perdendo. Mesmo quem conhece precisa subir em grupo e, de preferência, com um guia”, disse o capitão Paulo Roberto Reis Teixeira de Souza, do 11º Grupamento do Corpo de Bombeiros, na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte). Além do nevoeiro que surge de repente desorientando o trilheiro, as queimadas também são um grande problema durante o período de estiagem. Reis lembra o grande incêndio que isolou cerca de 30 pessoas que estavam acampadas no cume do Pico dos

Riscos Todos os anos, o Corpo de Bombeiros de São Paulo realiza, em média, nove resgates de pessoas que se perdem ou se machucam nas trilhas do Pico dos Marins --muitas delas acreditavam conhecer o trajeto e riscos envolvidos. “A grande maioria dos resgates é de pessoas que já subiram uma ou duas vezes, acham que conhecem as trilhas e francês Gilbert Eric Welterlin


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Foto: Tânia Campelo/Divulgação

eiros em alerta Marins, em julho de 2016. As chamas começaram na noite de um sábado e só foram controladas na manhã do domingo. O guia Romário dos Santos Ribeiro, de 28 anos, que há cinco anos trabalha na condução de trilheiros no Pico dos Marins, estava no acampamento no dia do incêndio. “Eu estava no cume e vi quando um pessoal acendeu uma fogueira lá embaixo. Isso é muito perigoso porque qualquer rajada de vento pode espalhar o fogo. E foi isso que aconteceu. Foi uma cena muito triste ver o Marins pegando fogo por falta de responsabilidade de um visitante, foi muito doloroso”, relembra Romário. Quando o fogo começou a se alastrar, a tensão tomou conta do acampamento. “Algumas pessoas estavam com medo, e outras queriam descer para apagar o fogo. Eu agrupei todos no centro e pedi para virarem as barracas para o lado sul, para evitar inalação de fumaça”, disse.

Temporada Os casos de resgate se concentram, principalmente, entre maio e setembro, quando começa a temporada de montanhismo na Serra da Mantiqueira. Com a redução do volume de chuvas, montanhistas, corredores e trilheiros de várias partes dos estados de São Paulo e Minas Gerais percorrem as trilhas existentes na região. A temporada acaba

Guia Romário dos Santos Ribeiro.

após cinco meses, quando as chuvas voltam a atingir a Serra da Mantiqueira com mais intensidade e frequência. Com 2.420 metros e ocupando a 26ª posição entre as montanhas mais altas do Brasil, o Pico dos Marins atrai montanhistas experientes e amadores, além de pessoas que buscam as belezas naturais propagadas por quem atingiu o seu topo. De lá se tem uma vista privilegiada


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de várias cidades do Vale do Paraíba e do Sul de Minas. As paisagens ao longo do trajeto e do cume mudam dependendo das condições climáticas --mas todas, incondicionalmente, são lindas: de um pôr de sol que tinge o horizonte de laranja a uma espessa neblina que surge repentinamente dando a impressão de que o céu está próximo. Equipe de resgate

Dificuldade Apesar de o trajeto não exigir experiência em montanhismo, chegar ao cume do Pico dos Marins não é tarefa fácil, e requer muito esforço físico e psicológico. Alguns trechos possuem vegetação alta, que dificulta a orientação. Além disso, a neblina surge de repente, também encobrindo o trajeto. Os montanhistas chamam de “escalaminhada” porque para chegar ao cume do Pico dos Marins não são necessários equipamentos de escalada. A parte mais severa começa após o Morro do Careca, que fica a cerca de quarenta minutos da base. Para chegar até lá, é preciso passar pelo trecho de vegetação alta, que segue por mais cerca de 10 minutos à frente. Depois, o desafio é ter fôlego para a subida íngreme e coragem para transpor as rochas. Do careca até o cume, são cerca de quatro horas de “escalaminhada”. O tempo que se leva para cumprir o trajeto, porém, depende do

condicionamento físico da pessoa.

Cuidados Após a morte de Eric, o capitão Reis disse que os bombeiros de São Paulo e Minas Gerais vão orientar os donos de pousadas e abrigos, próximos à base do Pico dos Marins, a fixar placas com orientação aos visitantes que vêm à região para fazer trilhas. Segundo ele, o ideal é procurar um guia que conhece a trilha, nunca subir sozinho e economizar a bateria do celular para poder acionar o 193 no caso de emergência. Somente em alguns pontos do pico não há sinal de celular. “Em grupo, se uma pessoa se machuca ou passa mal, outros podem procurar um sinal para chamar o resgate”, disse. Além disso, ele lembra que o trilheiro deve usar roupas e calçados apropriados, levar água, alimento e, no caso de acampar no pico, saco de dormir e um bom agasalho. “Durante a madrugada, a temperatura cai muito e sem agasalho adequado a pessoa pode não resistir”, disse. No caso de acidentes ou de se perder ao longo do trajeto, o capitão lembra uma sigla conhecida pelos socorristas: Esaon --estacione (fique parado), sente-se (para descansar e pensar), alimen-

te-se (sem fome e sede, fica melhor para raciocinar), oriente-se (por GPS ou por meio das referências visuais -nascer e pôr do sol, tente localizar seu ponto de saída) e navegue (ande até uma trilha ou pare em um ponto onde consiga acionar o socorro, informando suas referências). “Por isso é importante controlar o consumo da bateria do celular na ida e na volta”, ressalta Reis. Outra dica do bombeiro é bem simples: informar um amigo, familiar ou mesmo alguém na base do pico sobre o horário da partida e previsão de retorno. “Falar qual a trilha vai seguir, se vai acampar ou voltar no mesmo dia é importante, para que as pessoas possam informar as equipes de resgate.” Ao longo de cinco anos trabalhando no Pico dos Marins, e há um ano na Serra Fina, também na Mantiqueira, Romário já encontrou muitos aventureiros perdidos nas trilhas. “Muita gente vai uma vez com guia e depois retorna achando que conhece o caminho. Baixa a serração e se perde mesmo. Tem que conhecer o chão que se pisa, não a paisagem. A montanha é linda, maravilhosa e gigante, mas engole a gente”, disse Romário. O guia acrescenta à lista de cuidados algumas outras dicas aos trilheiros que pretendem subir o Marins, como não sair da trilha principal e evitar locais perigosos. “Tem muita gente que quer tirar foto na beira de abismos. Além disso, se a pessoa perceber que não tem condições físicas de continuar a trilha, deve parar e aplaudir porque chegou até aquele ponto”, disse o guia. 


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Educação&

Garanta nota máxima no ENEM Siga as dicas dos especialistas O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) será nos dias 4 e 11 de novembro, as inscrições já aconteceram e agora é hora de começar a se organizar e focar nos estudos. Os professores e especialistas nos estudos pré-vestibulares destacaram 8 dicas para ajudar os estudantes a aproveitar ao máximo as horas de estudo.

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Organização

O primeiro passo começa antes mesmo de você abrir o caderno: organizar-se. Separe um ambiente tranquilo para estudar em casa ou peça ajuda à família na hora do estudo. Vale a pena pedir mais silêncio ou mesmo reservar um cômodo só para você durante o período de concentração – as interrupções diminuem o tempo de estudo e prejudicam a memorização do conteúdo. Além disso, abrem espaço para um grande inimigo dos estudantes: a procrastinação.

2 Pratique

Na internet, é fácil encontrar provas e gabaritos antigos, portanto refaça-os. Uma das principais ferramentas de estudo de quem estuda em casa são os cursos preparatórios online, assim como nos cursos presenciais, dependem principalmente do empenho dos estudantes. Coloque em prática o conteúdo aprendido, faça exercícios e simulados. Essa é uma maneira de acompanhar o seu desempenho e observar onde é necessário reforço. Alguns conteúdos que costumam ser cobrados todos os anos. Uma dica: não se assuste com os resultados e nem desanime; leve os simulados como uma oportunidade para ajustar o estudo antes do grande dia.

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4

Aula chata

Se o conteúdo é bom, mas a aula é chata, avalie se terá motivação para passar o ano aprendendo daquela maneira ou se é melhor buscar algo mais dinâmico. A preparação para a prova é um processo estressante e exige que o estudante se aplique. Por isso, o mais importante é encontrar o seu método de estudo – que o manterá motivado a estudar até o dia da prova. O segredo é a consistência.

Animação demais

Se a aula é muito animada, mas você não entende o conteúdo, é melhor buscar outra metodologia, por mais divertido que o professor seja. Essa é uma armadilha comum nos cursinhos preparatórios – aulas-show, mas sem didática. A motivação para continuar estudando está em aprender e melhorar o desempenho na prova, mantendo o foco nos resultados.


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Leia atentamente os enunciados das questões. A competência de interpretação das questões ajuda a responder corretamente a prova. Como os enunciados costumam ser longos, não tenha pressa na leitura. Tente encontrar os pontos principais da questão e, a partir daí, formular um pensamento lógico. Algumas perguntas de exatas podem ser solucionadas apenas com a correta interpretação e com uma leitura atenta, sem a necessidade de qualquer tipo de cálculo. Tente responder primeiro as questões mais fáceis, e deixe as difíceis para o segundo momento.

6 Não estude

A atenção é um recurso esgotável. Assim como um músculo, a nossa concentração, após um longo período de utilização, fica fatigada. Por isso, é importante criar uma rotina de estudos que leve em conta um tempo de lazer. É nesses momentos de relaxamento que o cérebro organiza aquilo que aprendeu e fixa o conteúdo na memória.

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Interpretação 5 dos enunciados


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7 Anote

Com a facilidade de assistir às aulas pelo computador, muitos estudantes apenas acompanham a matéria sem fazer anotações ou apenas com prints da tela. A aula não é um filme, por isso é importante comprar um caderno e anotar o conteúdo – assim como nas escolas presenciais. Lembrando que: a redação é parte importante da prova e, quanto mais se escreve, melhor se tornar a sua técnica de escrita.

8 Antes da Prova

Na véspera da prova, procure dormir cedo e bem. Antes de se dirigir ao local do exame, faça uma boa refeição. Não utilize bebidas energéticas ou outros estimulantes. Fonte: Pró-Enem


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Arquitetura&

A natureza no mundo contemporâneo Praticidade foi desenvolvida em um terreno de 1.400m² Beatriz Plaça RMVALE

O

s conceitos minimalista e contemporâneo se juntam com uma paisagem exorbitante e transformam um projeto que foi explorado e construído nos mínimos detalhes. Eduardo Otta e Tatiana Albernaz atuam há 10 anos no universo arquitetônico de uma forma diferenciada. Quando o assunto é apresentar uma linguagem de projeto própria, bem desenvolvida e que converse com a natureza presente no local, eles são especialistas. “A linguagem mais minimalista e bem contemporânea é sim uma marca nossa. Não existe uma fórmula. O terreno, sol e as árvores, são elementos que mandam muito na elaboração do projeto. Sempre tentamos explorar ao máximo a natureza dando valor para as características do terreno”, afirma Tatiana Albernaz. Com vários projetos desenvolvidos para atender a exigência de clientes que buscam contato com a natureza e praticidade no dia a dia, a dupla desenvolveu uma casa, situada em Jambeiro, onde o desafio era buscar a perfeição e contato direto com os elementos harmônicos naturais do ambiente de forma simples e moderna. A casa está em um condomínio fechado e foi planejada no terreno de 1.400m², com uma extensão de 380m² de construção. As paredes ao redor da parte interna da residência são substituídas, em sua

maior parte, por vidros para que exista a interação constante com a vegetação externa. “Pensamos em atender as exigências do terreno, nós entendemos o que a área disponível e o local do entorno pedem para trabalharmos o projeto com o potencial total que pode gerar. A casa é bem transparente por conta, justamente, de a natureza fazer a integração dos espaços. A ideia não era criar ambientes muito grandes, então essa transparência gera uma sensação de perda do limite da casa e consegue ter mais amplitude espacial. Ela passa a sensação de ser enorme”, disse Eduardo. Os limites da casa foram muito explorados pelos arquitetos. Por se tratar de um terreno de grande extensão e uma área construída pequena comparada ao tamanho do local, os espaços sociais, como cozinha, sala de jantar e espaço gourmet, interagem entre si. “Trabalhamos muito a integração de ambientes que não são muito compartimentados. Na parte social, principalmente quando não é necessária muita privacidade, se torna tudo bem compartilhado, até pela questão da praticidade para o dia a dia do cliente, essa interação que desenvolvemos funciona muito bem”, diz o arquiteto. Na parte externa da casa foi desenvolvida uma grande área de conservação da vegetação, com o ambiente total bem explorado, desenvolvido uma piscina, além de jardins contemplativos. Um chalé a

Fotos: Arquivo Pessoal


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poucos metros da casa dá continuidade ao conceito de aproveitamento da vegetação de mata atlântica e proporciona novas experiências de lazer aos moradores. Nas partes internas e externas, como no deck do chalé, materiais como madeira, pedra, tijolo natural e concreto queimado se apresentam como materiais naturais, que são utilizados visando o conforto e aconchego do local. “O conforto ambiental é um fator que levamos muito em consideração. A casa possui Iluminação natural, ventilação natural e não precisa de ar-condicionado, pois já é bem arejada, principalmente nos ambientes sociais. Para complementar todas as vantagens da casa, gostamos de utilizar materiais naturais como a madeira, o cimento queimado e o tijolo natural, que são de muita qualidade e proporcionam um ambiente mais aconchegante e potencializam o projeto”, finaliza Tatiana. Os dois arquitetos comentam sobre outras obras que possuem uma característica bem impactante como esta, a sensação proporcionada aos moradores e visitantes. Como a casa foi construída em um condomínio e é uma obra térrea, elaborada inicialmente para um casal, a privacidade foi um fator exigido pelos clientes e utilizado por eles desde então. A fachada da residência é reservada. “As sensações que o projeto passa faz bem pra quem está morando ou visitando. Pensamos muito nas sensações, em como a arquitetura vai surpreender e

participar da vida dos moradores da melhor forma possível. Uma característica desta casa, que mantemos para vários projetos, é uma fachada privativa, que não revela o que é a casa por dentro. Ela é bem impactante por fora, mas de forma alguma mostra o que está dentro e não expõe o morador”, conclui Tatiana. Os arquitetos também reforçam sobre as exigências do cliente, que são muito respeitadas e acompanhadas durante as fases do projeto. Este, que durou quase cinco meses, foi pensado e planejado para que o casal sentisse que a proposta seria totalmente deles. “O projeto tem que respeitar o cliente. Essa casa é um exemplo, mesmo ela sendo mais contemporânea tem nos ambientes e acabamentos um toque de cor, que é bem particular do cliente”, afirma Eduardo. Com alguns projetos fora da RMVale, como em Goiânia e Araraquara, a dupla pretende se destacar cada vez mais no mercado arquitetônico, levando inovação e modernidade. “Buscamos ser referência, pois é um respeito para com a arquitetura. Gostamos muito de tudo que envolve a área e, temos nomes fantásticos no Brasil de arquitetos que nos inspiram. Acreditamos que o cliente se inspira com o que ele observa em sua volta. Se essa inspiração é fraca não temos como aprimorar cada vez mais a área. Queremos potencializar a arquitetura e somos muito felizes com o que fazemos” finalizou Tatiana. 


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Gastronomia&

Os sabores da noite taubateana

Beber, comer e dançar: os destinos da cidade mais badalada da região Otávio Baldim TAUBATÉ

Jessica Maia (burguer brooklyn)

C

onhecido pela boemia, o taubateano adora o clima descolado da noite na cidade e lota bares e restaurantes que reúnem música e cardápios com receitas à altura dos melhores poitns da capital paulista. O público que buscava diversão apenas na tradicional avenida Itália, o principal destino aos finais de semana, descobriu outros endereços. O ambiente sofisticado do “Hou”, um

sobrado no centro da cidade, combina com a apresentação dos pratos servidos no restaurante e assinados pelo renomado chefe Márcio Ribeiro, que chama a atenção pela variedade, que vai da culinária japonesa à peruana.

Cidade do hambúrguer Em novembro do ano passado, foi inaugurada a BGZ, no coração da cidade, uma releitura das hamburguerias americanas que ele e a família conheceram. Cada lanche foi batizado com o nome de um bairro de Nova York. O cardápio conta com 11


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Mutley - Duh Mendes Camaleão

opções, entre elas, o Manhattan. Pão de brioche, 180g de carne, creme de queijo gorgonzola, farofa de bacon, alface, tomate e uma incrível maionese da casa completa essa criação divina de lamber os dedos. “O público reconhece o diferencial de um produto feito artesanalmente, com ingredientes frescos, saudáveis, sem conservantes. Por exemplo, a nossa carne é feita aqui mesmo, na lanchonete. É tudo caseiro”, diz o empresário. Estacionada próxima ao cartão postal da cidade, o imponente prédio do Batalhão General Salgado, uma

lanchonete sobre rodas, na movimentada avenida Independência. O negócio segue a fórmula dos food trucks, que andaram em alta na modinha mais recente, só perdeu a alma itinerante do pioneiro. Com endereço fixo, o consumidor encontra o “Mad Meat”, o cardápio enxuto oferece oito tipos de lanches. Procure o sanduíche com carne de porco desfiada e molho feito com creme de leite e raspas de limão. O lugar bomba, principalmente, aos finais de semana, quando muita gente se reúne ali antes da balada, sem interferir no clima familiar e tranquilo. “Os custos operacionais nesse modelo de negócio são mais baixos, o que permite que a gente ofereça um produto de alta qualidade com preço acessível”, diz o empresário. “Os lanches fazem parte da cultura dos taubateanos, o que favorece o mercado das hamburguerias na cidade e aumenta a competitividade do ramo, o que é ótimo para o consumidor”, diz o professor do curso superior de tecnologia em gastronomia da Univap, Rafael Ferro. Ponto de encontro dos estudantes de Odontologia, a Birosca Quadimarço leva no nome o “jeitim” de falar do taubateano, que economiza nas palavras. Considerado um tradicional endereço da noite da cidade, com quase quatro décadas, o local virou uma empresa familiar no ano passado. Pai e filho, sócios no negócio, assumiram a administração do estabelecimento, reduto dos universitários. O famoso patrimônio da rua 4 de março fica lotado à noite e as mesas e cadeiras invadem a calçada. Os proprietários

Mutley - Duh Mendes Camaleão

Foto Rafaella Teixeira

reutilizaram diversas peças antigas na decoração e deixaram os tijolos originais da construção expostos numa das paredes que leva uma pintura em homenagem ao cineasta Mazzaropi. Para estimular a leitura entre os frequentadores, um cofre foi transformado num guardião das histórias deixas pelos alunos. Diversos livros podem ser trocados por outros por exemplares diferentes. “Ofereça uma história e ganhe outra”, diz o proprietário do bar Denis Roberto de Borba Lopes. Criador do perfil no instagram @ rangotaubate, o publicitário João Paulo Scantamburlo se considera um devoto da gastronomia taubateana. Praticamente, um digital influencer dos sabores da cidade, ele vem conquistando uma legião de seguidores nas redes sociais que divide o mesmo gosto: comida. Para alimentar a fome dos internautas em busca de dicas de bons restaurantes e lanchonetes, o João Paulo come fora ao menos quatro vezes na semana e transforma as refeições dele em publicações. “Comer precisa ir além do sabor, é compartilhar aquele momento com pessoas que a gente gosta. Precisa ser uma experiência bacana, com um cardápio interessante e um ambiente aconchegante. Muita gente desconhece os lugares incríveis que Taubaté tem”, diz o publicitário. 


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Elaine Santos Social

Viralizou na coluna online

Ela está entre ELES

Pedro Ivo Prates

Rosangela Ciconeli é responsável pela coordenação da Feijoada Coronel. O evento de 2018 será em julho, dia 21, e já não tem mais ingressos disponíveis. Isso porque a reserva antecipada o torna ainda mais exclusivo. À frente de cada detalhe, Rosangela se tornou expert em proporcionar à família Coronel o que realmente importa para eles, um evento onde as pessoas tenham o prazer de comer bem. “São apenas 1400 convites vendidos no balcão do Bar do Coronel, um a um. Benê e João Córdoba fazem questão de agradecer pessoalmente quem compra o convite e prestigia o evento”, afirma. Para esse ano banda Monobloco e um staff de 300 pessoas, um investimento de R$ 500 mil, patrocinado por 25 empresas da cidade. Serão

seis horas de festa e bar all-inclusive. “O segredo é manter a qualidade e não querer ganhar a vida em um único evento com valores absurdos e qualidade zero”, afirma Benê, proprietário do Bar do Coronel. Os convites custam R$ 330 por pessoa, valor pouco acessível e mesmo assim já esgotaram na primeira semana de vendas abertas. “Ano passado tivemos Diogo Nogueira, esse ano Monobloco e para o ano que vem, com certeza vamos surpreender São José, pois será o 15º ano da feijoada, um evento que começou com uma reunião entre amigos e os principais clientes. Imagine que eram 200 pessoas e hoje virou tradição”, afirma João Paulo Córdoba, hoje responsável pelo administrativo e eventos da empresa Coronel.

Rosangela Ciconeli Família Cordoba, proprietários do Bar do Coronel: João Pauo, Rogério, Benedito e Rogéria


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Ponto Alto Carol Tomba

Síndica entre os síndicos do Vale

A

empresária Elaine Correa virou o jogo no quesito ‘chama o síndico’ e hoje é referência no setor condominial. Ela já movimentou mais de R$ 2 milhões no último ano com eventos voltados para a área e agora inicia jornada inédita na região como presidente da ASSPRO, Associação de Síndicos e Síndicos Profissionais do Vale do Paraíba. Nos dias 16 e 17 de maio, a empresária e síndica profissional é responsável pela exposição de 60 empresas do ramo condominial, a Condomínio Convantagem. O evento acontece em Taubaté, no Tangaroa Hall e deve movimentar o setor. “Esse é nosso segundo ano com a feira. O setor sofria de uma carência muito grande no quesito apresentação ao mercado. Só em nossa região da RMVale são mais de 5 mil condomínios que geram mais de 2 mil empregos diretos e indiretos”, afirma ela que segue com agenda da feira ‘Condomínio Convantagem’ para Campinas e São José dos Campos, ainda em 2018.

Divulgação/Edson Lopes Jr

Filhos da terra: Globais dão uma de ‘coach’ em São José Eriberto Leão e Carolina Oliveira estarão em São José dos Campos para uma noite de bate-papo com público pagante, no Teatro Colinas, onde vão falar sobre a trajetória de sucesso na carreira e na vida pessoal. O evento ‘Filhos da Terra’, é idealizado por Cláudia Métne, modelo, e Telma Monteiro, mãe de Eriberto. A organização é de Fernanda Rodrigues, da Agência Ânima. “Temos várias estrelas nesse evento. A Modelo Claudia Métne, e o piloto Jean Azevedo, campeão do Rally dos Sertões, também estarão no palco contando suas vivências pelo mundo. Ambos têm destaque na mídia nacional e internacional pelo trabalho exercido ao longo desses anos e levam o nome de São José dos Campos como destaque nas mídias”, afirma. Parte da renda da bilheteria do evento será doada para APAE de São José dos Campos.


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Desde criança somos acostumados a planejar a vida como se ela fosse acontecer conforme o roteiro. O mundo questiona e cobra cedo as nossas decisões. Nos sentimos na obrigação de fazer escolhas o quanto antes, para que não haja desperdício de tempo. São os sonhos que determinam para onde vamos. O que ninguém cita nesse contrato invisível da vida é que desistir de um sonho não é proibido. As nossas escolhas não são irreversíveis, embora algumas delas tenham consequências que carregamos por uma vida inteira. A vida não é um jogo de perguntas e respostas, que você é obrigado a saber sobre tudo, que você escolhe uma alternativa e não tem mais tempo de mudar de opção. A vida é um jogo desses de tabuleiro: você anda duas casas, volta cinco, cumpre desafios, erra, perde a vez, acerta, anda mais três casas, e por aí vai, conforme o dado. Você não precisa insistir em algo só porque dizem por aí que desistir é covardia. A desistência pode ser uma grande atitude de coragem. Não é fácil desapegar das conquistas, principalmente se o caminho até elas foi árduo e se, de alguma forma, o que você conquistou é importante. Às vezes, aos olhos dos outros, você pode até parecer meio maluco por abandonar algumas de suas escolhas, mas você é a única pessoa que conhece os reais motivos dos seus abandonos. Em um mundo feito de status, só conhece a verdadeira paz quem tem a coragem de desapegar das aparências e colocar a felicidade acima das ilusões da vida. Não deixe que a vaidade te impeça de ser o que você realmente é, e que a sociedade te imponha falsas obrigações. A única urgência que temos é a de ser feliz. São muitas oportunidades por aí. Os incômodos devem nos fazer mudar, não lamentar. Não dá pra ficar esperando o pote de ouro no fim de um arco-íris preto e branco. A felicidade se ajeita ao longo da vida, colocando um pouquinho de cor a cada dia, não só nos finais. 

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Não é proibido desistir

Crônicas & Poesia

Nathalia Mantovani é radialista, jornalista e escritora


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Metropole Magazine - Maio de 2018 / Edição 39  
Metropole Magazine - Maio de 2018 / Edição 39  
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