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Fevereiro de 2016 – Ano 1 – nº 12 – Distribuição gratuita*

Geração tarja preta As pessoas que buscam a paz na química e que encontraram em “pílulas de felicidade” uma saída para os problemas

ANIVERSÁRIO

ENTREVISTA

Portal Meon completa dois anos ampliando a qualidade e a rapidez na informação

“Nós decidimos escolher o nome do candidato antes para que os descontentes saiam do partido”

pág. 56

Izaías Santana (PSDB), pré-candidato à Prefeitura de Jacareí

pág. 14


/ Ticem-Incorporadora


RESIDENCE O futuro chegou e acredite: Você já pode conhecê-lo.

ENTRE AS

100 MAIORES DO

BRASIL

VOCÊ NO TOPO.


São JoséMetrópole dos Campos, – Edição Julho 12 de 2015 4 | Revista

metr pole magazine

EDITORIAL

ESPECIAL SAÚDE A Metrópole Magazine do mês de fevereiro traz a lume quatro matérias focadas em práticas e procedimentos relacionados à saúde, visando contribuir com esclarecimentos e orientações dadas por profissionais de cada área, buscando transformar a informação em conhecimento.

Diretora-executiva

Regina Laranjeira Baumann

Editor-chefe interino

Eduardo Pandeló

Editor

Adriano Pereira

Revisão

Luiza Paiva

Diretora Comercial

Denise Santos

Departamento Comercial

Alyne Proa Andresa Oliveira Fabiana Domingos Fábio Amarante Gabriela Agostini Tamara Carvalho

Henrique Macedo

Repórteres

João Pedro Teles Moisés Rosa Rodrigo Ribeiro

CONHECE, CONHECE BDO A geração Rivotril é uma referência à ingestão QUEM de substâncias Adriano Pereira Diagramação e Arte aparentemente inofensivas que, com o passar do tempo Umaou dasconsuBig 5 mo sem acompanhamento médico, pode resultar em Líder dependência Carol Tomba no middle market ou fuga da realidade. Uma droga desenvolvida para21auxiliar paFlávio Pereira escritórios no Brasil cientes com depressão, ansiedade e síndrome do pânico pode apreColaboradores Idelter Xavier Audit | Tax | Advisory sentar efeitos colaterais até mais graves que a própria patologia. Marcus Alvarenga A saúde dos olhos é um tema importante que muitas vezes passa despercebido, só lembrado quando o problema já se agravou. Procedimentos cirúrgicos sejam nos olhos ou para fins estéticos devem ser realizados com estudo profundo do binômio necessidade x possibilidade. Diante da proximidade das eleições, a Metrópole Magazine se Telas (55promessas 12) 3941 4262 propõe a contribuir com os eleitores apontando quais www.bdobrazil.com.br feitas durante a campanha eleitoral foram cumpridas, quais ainda podem ser e quais as que não serão, definitivamente.

Pedro Ivo Prates

Arte

Gabriel Gaia

Mídias Sociais

Usina 360

Departamento Administrativo

Elzeane da Rocha Gabriela Oliveira Souza Maria José Souza Tiragem auditada por:

Visite nosso site

E, comemorando dois anos na rede mundial, a equipe do portal de notícias Meon brinda o sucesso do empreendimento que, no mês de janeiro, alcançou a expressiva marca de um milhão de páginas visualizadas. Boa leitura.

Metrópole Magazine Avenida São João, 2.375 –Sala 2.010 Jardim das Colinas –São José dos Campos CEP 12242-000 PABX (12) 3204-3333 Email: metropolemagazine@meon.com.br

A revista Metrópole Magazine é um produto do Grupo Meon de Comunicação Tiragem: 15 mil exemplares Distribuição gratuita * Permitida venda em bancas por R$ 3,00

Regina Laranjeira Baumann Acesse: www.meon.com.br


PRA SABER O QUE ACONTECE EM SÃO JOSÉ, VÁ ATÉ A CÂMARA. OU TRAGA A CÂMARA ATÉ VOCÊ. Acompanhe as sessões da Câmara Municipal, toda terça e quinta, a partir das 17h30, na Rua Desembargador Francisco Murilo Pinto, 33 – Vila Santa Luzia. Você também pode saber tudo o que acontece, ao vivo, sintonizando a TV Câmara nos canais 7 digital ou 29 analógico da NET. Ou do seu computador, tablet ou smartphone, acessando o site da Câmara: www.camarasjc.sp.gov.br .

www.camarasjc.sp.gov.br


6 | Revista Metrópole – Edição 12

TURISMO Mesmo com o real desvalorizado é possível fazer viagens internacionais sem gastar muito.

60

POLÍTICA

18

A Metrópole Magazine faz um balanço das promessas que não serão cumpridas pelos prefeitos das cidades da região. Começamos por São José dos Campos.

44

14

ENTREVISTA Dr. Izaías Santana uniu o PSDB de Jacareí. Nessa entrevista exclusiva o pré-candidato tucano fala em governar para o maior número de pessoas e em ouvir a população para definir as prioridades do município.

EMPREENDER NA CRISE Perdeu o emprego ? A ordem do mercado é investir. O empreendedorismo está em alta, mas é preciso procurar dicas e orientações de especialistas.

Por que cada vez mais pessoas buscam resolver seus problemas com ansiolíticos e antidepressivos? Mergulhamos no mundo do clonazepam e do remédio mais vendido do Brasil.

Pedro Ivo Prates

Geração tarja preta

7 10 12 52

22

Carol Tomba

26 Espaço do Leitor Aconteceu& Frases& Cultura&

64 68 70 74

AND THE OSCAR GOES TO? Divulgação

O BOM PORTUGUÊS Agora é oficial: entra em vigor a nova reforma ortográfica no Brasil e nos outros sete países de Língua Portuguesa.

Sumário Pedro Ivo Prates

Reprodução de TV

32

ESPECIAL SAÚDE A Metrópole Magazine traz uma série de reportagens sobre saúde e bem-estar.

48

Os filmes premiados por Hollywood não estão no circuito de cinemas da região. A Metrópole Magazine foi saber o porquê.

54

LITERATURA Em “Mulher Incrível”, o aparecidense Alexandre Petillo narra o sacrifício de desmanchar-se em desejos pelas mulheres em plena revolução digital.

Gastronomia& Social& Arquitetura& Crônicas&Poesia


São José dos Campos, fevereiro de 2016 | 7

Espaço do Leitor Edição 11 – Janeiro de 2016 SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Feedback www.meon.com.br

A edição de janeiro da Metrópole Magazine nos trouxe esperança. Nossa reportagem de capa tratou de um assunto delicado que aflige milhões de pessoas no mundo, numa busca incansável da ciência e das pessoas que de uma hora para outra são obrigadas a travar a batalha de suas vidas. Um de nossos entrevistados, durante o fechamento da edição, não conseguiu vencer essa batalha, infelizmente. Mas sua luta não foi em vão. No mês de circulação, nossa redação recebeu ligações de pessoas que compartilham da mesma

Janeiro de 2016 – Ano 1 – nº 11 – Distribuição gratuita*

Esperança de cura A fosfoetanolamina pode ser uma aliada na guerra contra o câncer, mas nesse combate ainda existem outros grandes obstáculos

COMPORTAMENTO

ENTREVISTA

Três cidades do Vale do Paraíba não registraram divórcios em 2014, segundo o IBGE

“Temos pessoas que podem colaborar com o crescimento de Taubaté, mas os atuais grupos não deixam”

Polyana Gama (PPS), pré-candidata à Prefeitura de Taubaté

pág. 40

pág. 14

São José dos Campos, Dezembro de 2015 | 15

14 | Revista Metrópole – Edição 10

ENTREVISTA

Eu tenho um sonho Pré-candidata à Prefeita, Claude Mary de Moura (PV), sonha transformar São José dos Campos Eduardo Pandeló SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A

Metrópole Magazine esteve no apartamento que está provisoriamente servindo de escritório para Claude Mary de Moura, 53 anos, gestora pública, divorciada, mãe de quatro filhos, nenhum deles ligado à política (um biólogo, uma engenheira, uma designer de moda e um advogado). Fomos recebidos por nossa entrevistada em um ambiente agradável e muito bem decorado. Ao entrarmos, nossa anfitriã imedia-

tamente nos convida para irmos da sala à varanda para contemplar a bela vista da região do bairro Esplanada e, até onde a vista alcança, o banhado e mais ao longe a Serra da Mantiqueira. Sorridente, vestindo uma camisa verde em alusão ao seu novo partido político, Claude observa que a vista privilegiada e a qualidade de vida na região precisam ser preservadas, lamentando que a lei de zoneamento possa permitir a construção de novos prédios no bairro. Inteligente, articuladora, agregadora e idealista; a recordista em permanência na Secretaria de Governo do município (foram oito anos nas duas gestões de Eduardo Cury) entende que a experiência política que adquiriu não poderia ficar guardada, mas precisa ser compartilhada com a sociedade em busca da construção de um município mais humano. Nascida em São José dos Campos, Claude viveu a efervescência cultural da cidade no final da década de 70. Segundo seu próprio relato, conviveu com os alunos do ITA e frequentou os barzinhos, o cinema do CTA, os bailes e os encontros da juventude, onde conheceu Emanuel Fernandes, Juana Blanco, Dário Rais, entre outros expoentes da política joseense. Nessa conversa Claude abriu o coração, falou de administração pública, de ideologia, desenvolvimento econômico, lei de zoneamento, meio ambiente e eleições. Depois de sua saída do governo, você ficou afastada da vida pública. Como foi sua volta à cena política de São José dos Campos? Foram 27 anos de filiação partidária e militância no PSDB e, antes disso, militância na juventude do PMDB. Depois das eleições de 2012, optei por me afastar um pouco da política, então fiquei dois anos apenas acompanhando de longe. Isso para pensar

Fotos: Pedro Ivo Prates

um pouco sobre a minha participação, se eu queria participar, se não queria, e de que maneira eu queria continuar. Fui convidada para montar uma OS (Organização Social), o Instituto Empreendedor do Futuro, que atende jovens talentosos de baixa renda para que possam estudar. Foi um período sabático em matéria de política e administração pública. Recebi vários convites e, com bastante tranquilidade, avaliei que com essa experiência política de muitos anos em administração pública eu não devia parar. Ainda posso dar uma grande contribuição à sociedade, e foi nesse momento que recebi o convite para trabalhar na Câmara Municipal. Como foi sua experiência na Câmara e sua relação com os vereadores membros do “Centrão”? Foram muitos aspectos positivos. Conhecer a dinâmica da casa, como funcionam a parte administrativa, a comunicação, o envolvimento político com tudo isso. Foi interessante conhecer o outro lado da moeda, porque já conheço bastante do executivo, e conheço essa relação entre o executivo e o legislativo. Agora, confesso, eu sou uma pessoa do Executivo. Minha característica é de desenvolver projetos, tocar a administração, articular pessoas. Quando fui convidada havia uma proposta de independência da Câmara e de se criar uma relação nova entre o legislativo e o executivo, e isso é fundamental. Modelos anteriores que foram exitosos, como os que o PSDB praticou, estão se esgotando, não servem mais. Eu imaginei que fôssemos construir alguma coisa nova e, na verdade, passados alguns meses houve uma radicalização e o “centrão” se tornou uma oposição bastante agressiva, e aí politicamente eu entendi que nada de novo aconteceu. Romper com o governo e obstruir suas ações é normal, tem consequências positivas e negativas, mas é normal. O fato é que esse posicionamento trava a administração. Essa foi uma das razões que me levaram a tomar a decisão de sair da Câmara.

Como foi sua ida para o Partido Verde? E como está a preparação para as Eleições de 2016? Eu já tinha uma relação antiga com a militância histórica do Partido Verde, com o ex-presidente estadual do partido, o Marco Mroz, e assim que eu voltei e comecei a trabalhar na Câmara, me convidaram (já haviam me convidado antes). Aceitei com a ideia de resgatar minha origem ideológica em um partido novo, porque quando iniciei na política, minha participação foi puramente ideológica. Eu sentia falta disso no PSDB, porque o partido cresce muito, assume muitos compromissos e acaba perdendo um pouco a sua identidade. Me filiei ao PV há 3 meses, é pouquíssimo tempo, mas a gente se dedicou à formação e estruturação da chapa de vereadores. Hoje, temos uma chapa forte, um pessoal bacana, distribuído em todas as regiões da cidade, com representação em vários segmentos sociais. Agora estamos na segunda etapa, que é fortalecer o partido com novas filiações. Sou pré-candidata à Prefeita, o PV tem intenção de lançar candidatura própria a exemplo de 2012, mas isso não depende apenas da vontade do partido ou minha exclusivamente. O PV tem pouca estrutura, e com menos de um minuto de TV, é praticamente impossível se fazer uma campanha visando o executivo sem uma coligação que fortaleça e amplie o espaço de interlocução. Estamos conversando com vários partidos, algumas conversas bem avançadas, esperamos que até o começo do ano já tenhamos uma definição dos partidos que poderão compor com o PV, e vamos fazer o lançamento oficial dessa pré-candidatura. Houve uma frustração grande com o PSDB e com o processo de escolha do candidato nas eleições de 2012? Se eu disser para você que eu não fiquei chateada, frustrada com a decisão do partido (PSDB), estarei mentindo. Mas eu entendi e superei. Na política essas coisas acontecem. Havia toda uma estrutura interna do partido insuperável, não foi culpa

esperança e que sonham junto com a ciência sobre a cura do câncer. Os desdobramentos de uma reportagem às vezes são mais importantes do que a própria. Neste contexto, a participação do leitor é imprescindível. Nossa redação trabalha para dar a notícia completa, mas ela só fica realmente inteira quando você, leitor, a recebe. Para nós, receber suas impressões é a nossa melhor notícia. É para isso que esta página existe. Ela é sua. Participe, mande suas impressões.

Edição Quero deixar registrado a imensa satisfação de ler a entrevista da Claude Mary nessa revista na edição de dezembro. A polarização PT x PSDB requer mudanças. Queremos algo novo e confiável. Tenho certeza que a Claude é essa pessoa. Nascida e criada em São José dos Campos, conhece os desafios de administrar uma cidade e tem grande experiência em administração pública. Parabéns pela entrevista. Thales Peneluppi Santos, engenheiro agrônomo

São José dos Campos, fevereiro de 2016 | 33

32 | Revista Metrópole – Edição 12

Esperança para a cura do câncer

Distribuição Parabéns pela edição e pela distribuição da Metrópole Magazine. Muito Boa. Gostosa de Ler . Sucesso e boa sorte! Felipe Cury, presidente da Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos

A fosfoetanolamina pode ser uma aliada na guerra contra a doença, mas nesse combate ainda existem outros grandes obstáculos Rodrigo Ribeiro SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

V

ocê já pensou na possibilidade da cura do câncer ou pelo menos de alguns tipos da doença? A fosfoetanolamina sintética foi responsável pelo retorno da discussão em 2015 e gerou repercussão entre pesquisadores, classe médica e principalmente, pacientes oncológicos. Um grupo de pesquisadores afirma ter encontrado a solução, mas que falta interesse da indústria farmacêutica no composto desenvolvido, já que a intenção é distribuir gratuitamente a “pílula do câncer”, como ficou popularmente conhecido. Além disso, a ausência de testes com seres humanos tem sido a principal rejeição ao composto, que agora, enquanto pacientes aguardam uma resposta, está a mercê de uma burocrática legislação e da boa vontade de empresas, instituições e do poder público, para ter sua eficácia comprovada. A pesquisa com a molécula de fosfoetanolamina para o combate ao câncer foi iniciada há mais de 20 anos, por Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado do IQSC (Instituto de Química de São Carlos) da USP (Universidade de São Paulo). Estudos foram feitos em animais

com alguns tipos da doença, como de pele, leucemia e rim, com resultados promissores. No entanto, o composto não foi testado em seres humanos e mesmo sem passar pelos testes clínicos necessários para ser considerado um medicamento pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foi distribuído para algumas pessoas. O próprio Chierice distribuiu gratuitamente pílulas com o composto na universidade, que em 2014, proibiu a produção e distribuição do produto, devido à ausência dos testes clínicos. A decisão fez com que os usuários da substância acionassem a Justiça para conseguirem a pílula. O STF (Superior Tribunal Federal) e o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) concederam liminares para que a USP continuasse a distribuir o composto. Mas no início de novembro do ano passado, a Justiça caçou as liminares no Estado de São Paulo e desde então, os pacientes não estão recebendo a pílula, considerada a última esperança para algumas pessoas. O cancerologista Dr. Renato Meneguelo, mora em São José dos Campos e integra a equipe de Chierice. O receio de Meneguelo, é que o composto “caia na banalidade”, disse, já que o grupo quer distribuir gratuitamente a pílula e não liberar a patente para algumas empresas.

“Temos que lutar para que o composto vire um remédio potencialmente eficaz e não caia na banalidade porque não cedemos às grandes indústrias para a venda da patente e resolvemos distribuir gratuitamente. Não é um bolo, que é só distribuir a fórmula e qualquer um sai fazendo”, diz Meneguelo. “Onde estaria nosso país em relação à comunidade científica internacional se fizéssemos uma coisa dessas? Existem parâmetros a serem seguidos; como posso garantir que estariam fazendo a síntese corretamente?”, questiona Meneguelo. Segundo o médico, desde 2009, nenhum centro de pesquisa procurado pela equipe se interessou pelo composto, devido ao fato do grupo ter a intenção de fazer doações das cápsulas para pacientes em fase de câncer terminal “ou por um preço mais acessível e que não interfira no orçamento familiar”, diz. O médico credita as dúvidas de algumas pessoas, pelo composto ser uma novidade. “Tudo que é novo gera receio e o que estamos tentando provar vai contra tudo que está escrito na literatura atual, portanto, as dúvidas são compreensíveis. O que não cabe no discurso de alguns que se dizem especialistas é a falta de informação por preguiça de ler o que

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Divulgação

NOTÍCIAS SAÚDE

03/02/2016 10:20:33

Envie email contendo: nome, idade e profissão para metropolemagazine@meon.com.br ou por correio para av. São João, 2375 - sl 2010 - Jardim das Colinas - São José dos Campos - SP - CEP: 12.242-000. Em função de espaço, as mensagens poderão ser resumidas.

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8 | Revista Metrópole – Edição 12

Artigo&

Sintomas que podem indicar um infarto

I

nfarto do miocárdio. Esta é a segunda maior causa de mortalidade no Brasil e não é muito diferente em relação aos países desenvolvidos. A mortalidade no infarto gira em torno de 25 %, e mais da metade ocorre nas primeiras horas, daí a importância do atendimento em caráter emergencial, quando há a possibilidade de reverter o processo, dissolvendo o coágulo com medicação aplicada na veia ou através de cateterismo, injetando diretamente no interior da artéria coronária obstruída, dissolvendo parcial ou totalmente o trombo. Em seguida, na maioria dos casos, é feita a angioplastia que consiste na dilatação da obstrução coronariana por um balão, colocando-se , em seguida, um ou mais “ stents”, conhecidos popularmente por “molinhas”, que mantém o fluxo sanguíneo adequado. Quando isso não é possível, recorre-se, posteriormente, ao tratamento cirúrgico para a implantação de pontes de safena ou mamária, geralmente com ótimos resultados. Estudos demonstraram que o ideal seria iniciar os procedimentos num prazo de até 90 minutos após o início dos sintomas, diminuindo o risco de morte ou sequelas graves. Os principais sintomas são: dor no peito intensa, em aperto, que pode irradiar para braços, pescoço e queixo; suores profusos e palidez. Palpitações, tonturas, ansiedade, náuseas e vômitos, falta de ar e perda de consciência podem estar presentes. Nos pacientes diabéticos e nos idosos, a dor pode estar ausente ou bastante diminuída, contribuindo para o

retardo no atendimento. É frequente também que parte dos sinais e sintomas sejam atribuídos a distúrbios digestivos como gastrite ou esofagite, gerando dúvidas e condutas inadequadas. A progressão lenta do processo aterosclerótico é esperada com o avançar da idade, entretanto, existem os chamados “fatores de risco” que podem apressar e agravar esta evolução. Os principais são: o fumo, a hipertensão arterial, o diabetes, o aumento das gorduras, dentre elas o LDL colesterol (colesterol ruim) e o triglicérides. O estresse, a obesidade e

o sedentarismo, em associação a um ou mais fatores de risco pode agravar ainda mais a aterosclerose. Embora a medicina tenha evoluído muito na área cardiovascular e as campanhas de prevenção tenham sido disseminadas pelo país, os resultados obtidos ainda precisam melhorar muito. Para isso bastaria o controle eficaz de todos os fatores de risco e ter uma vida saudável, com bons hábitos e exercícios físicos. Converse com seu cardiologista. Jorge Zarur Júnior é médico cardiologista, e foi secretário de saúde de São José entre 2009 e 2011.


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10 | Revista Metrópole – Edição 12

Aconteceu& Pedro Ivo Prates

Ônibus, reajuste e manifestações O Meon publicou uma série de reportagens sobre o reajuste das passagens de ônibus em todas as cidades da região, especialmente em São José dos Campos, onde a repercussão do tema gerou debates nas redes sociais e manifestações nas ruas. A passagem do transporte público em São José dos Campos ficou 40 centavos mais cara desde 24 de janeiro. O reajuste de 12% fez subir o valor da tarifa de R$ 3,40 para R$ 3,80. A nova tarifa se iguala a de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro e figura entre as mais caras do país. A decisão gerou reações e dois protestos realizados pelo MPL (Movimento Passe Livre) contra o aumento da tarifa. O primeiro, na segunda-feira (18), contou com discussão entre manifestantes e policiais, e o 2º ato, dia 25, terminou com a apreensão de dois menores de idade pela Polícia Militar.

Acesse o QrCode ao lado e vá direto para a página com as fotos

Greve e acordo

O impasse entre a General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos foi notícia do portal Meon, que publicou matérias diárias sobre a greve que durou seis dias. Em 18 de janeiro, os trabalhadores da GM aprovaram a paralisação por discordarem do valor proposto pela empresa para o pagamento da segunda parcela da PLR. Entre propostas, assembleias e negociações, em 20 de janeiro a General Motors protocolou um pedido de dissídio coletivo no TRT, realizado em 25 de janeiro. Na audiência de conciliação, o Sindicato dos Metalúrgicos aceitou as propostas da General Motors e os trabalhadores retornaram à fábrica no dia 26. O acordo, contudo, não elimina a possibilidade de novas mobilizações, pois a GM ameaça demitir 800 funcionários que estavam em Lay Off.

Água

As chuvas de dezembro e janeiro trouxeram alento ao sistema Cantareira, mas não impediram que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) autorizasse a transposição de águas do rio Paraíba. O nível do principal manancial de abastecimento da capital e da Grande São Paulo, o Sistema Cantareira, segundo relatório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 23 de janeiro, operava com 42,8% da sua capacidade. Mesmo assim, a Cetesb deu autorização para a realização da transposição de águas da Bacia do Rio Paraíba para o Sistema Cantareira. As obras serão realizadas entre as represas do Jaguari e Atibainha. O projeto prevê a transferência de 5,1 mil litros de água por segundo entre as represas. A conclusão das obras está prevista para abril de 2017 e mais de 9,5 milhões de pessoas devem ser beneficiadas.

Aedes aegypt

O portal Meon destacou a chegada do zika vírus à região. Foram registrados três casos, todos importados. Em São José dos Campos, a primeira confirmação foi no dia 13 de janeiro, de uma mulher de 59 anos que adquiriu a doença durante uma viagem para Feira de Santana, na Bahia. Em 18 de janeiro o segundo caso: um paciente de 26 anos, morador de Duque de Caxias (RJ), procurou atendimento médico no período em que estava na cidade por turismo. Em Taubaté uma mulher de 35 anos é a primeira vítima do vírus zika neste ano. A mulher, moradora do bairro da Independência, esteve no Rio de Janeiro e ao retornar apresentou sintomas da doença. As notificações da dengue somam 254 casos em Taubaté até o final de janeiro desse ano, sendo 40 casos positivos. Em São José, a Secretaria de Saúde confirma 31 casos de dengue.


São José dos Campos, fevereiro de 2016 | 11

Cadeira ocupada Divulgação

Aluna de São José tira nota máxima na redação do Enem Divulgação

Acesse o QrCode acima e leia mais notícias no portal A Prefeitura de Jacareí anunciou em 4 de janeiro que o engenheiro Dalton Ferracioli (foto) assumia o cargo de presidente do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) da cidade, retornando à Prefeitura de Jacareí. O engenheiro esteve presente no segundo mandato do ex-prefeito Marco Aurélio de Souza (PT), depois nos dois mandatos do prefeito Hamilton Mota (PT), até outubro de 2013. Antes de voltar para Jacareí, Ferracioli atuou como secretário de Obras da Prefeitura de São José dos Campos sendo substituído por Miguel Sampaio. Para saber mais sobre esse assunto e as notícias das principais cidades da região, visite o portal Meon em www.meon.com.br.

Mais visitantes do que a Torre Eiffel O Santuário Nacional de Aparecida manteve a expectativa de receber mais de 12 milhões de devotos durante o ano de 2015. Em balanço divulgado dia 5 de fevereiro, a Basílica recebeu 12.112.583 de fiéis durante os doze meses. Em 2014, o número de devotos foi maior, com 12.225.608 romeiros. Comparando com o número de turistas na Torre Eiffel, o número é ainda maior, já que o marco de Paris recebeu 7.097.302 visitantes em 2014.

Ao sair da prova de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em outubro do ano passado, Marina Amorim, de São José dos Campos, já tinha consigo a certeza de que defendera bem suas argumentações sobre o tema: a violência contra a mulher. Porém, ao checar o resultado do exame, a estudante descobriu que havia feito uma prova simplesmente perfeita, nota mil. Com isso, Marina juntou-se ao seleto grupo de participantes com nota máxima na redação. De acordo com o MEC (Ministério da Educação), apenas 104 dos 5,8 milhões de alunos que fizeram ao menos uma das provas do Enem alcançaram o feito. O portal Meon fez cobertura completa do Enem em 2015 e a reportagem especial com Marina, que recebeu mais de 30 mil visualizações. A aluna ainda segue com a maratona dos vestibulares até o mês de março. O objetivo é conseguir vaga em alguma universidade pública no curso de medicina. Alguém duvida que ela consegue?

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12 | Revista Metrópole – Edição 12

Frases& Claudio Capucho / Divulgação

A nova Lei de Zoneamento visa desenvolver São José com qualidade de vida, respeitando todas as condições urbanísticas e ambientais existentes

Secretário de Planejamento Urbano, Pedro Ribeiro, sobre as audiências da Lei de Zoneamento

Pedro Ivo Prates

Ficamos muito debilitados com tudo isso, imagina ficar um ano parado, com despesas e o mercado retraído, mas esperamos adotar o ritmo normal o mais breve possível

Rogério Penido, da Penido Construtora e Incorporadora, sobre a autorização para reinício das obras da Aerovale

Divulgação

Digo a todos os policiais: faça o seu melhor, mesmo que em alguns momentos a frustração seja maior. Quando você faz o seu melhor, está fazendo a sua parte Coronel Eliane Nikoluk, comandante da Polícia Militar, nos 40 anos do CPMI


São José dos Campos, fevereiro de 2016 | 13

Pedro Ivo Prates

São José dos Campos é a prova de que ciência, tecnologia, inovação e conhecimento são elementos essenciais para o desenvolvimento econômico e social

Sebastião Cavali, secretário de desenvolvimento econômico sobre as exportações de São José

Carol Tomba

Se eu atingir 50% dos objetivos em 2016, já posso antecipar que teremos um grande ano, nossa máquina do tempo ganhará ajustes promovendo uma viagem ainda mais confortável Wagner Ribeiro, administrador da página São José dos Campos Antigamente, sobre os três anos de criação da página no Facebook

Helen Martins, empresária, sobre a interdição total da avenida Ironman Victor Garrido, um ano após a queda de um muro no bairro Urbanova

Rodrigo Ribeiro

Nada mudou, a venda e o movimento caíram muito. O prefeito precisa tomar providências, quem é que toma conta da cidade?


14 | Revista Metrópole – Edição 12

ENTREVISTA

De surpresa à unanimidade Em Jacareí, o PSDB não tem dúvidas. Izaías Santana é pré-candidato Eduardo Pandeló SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A

Metrópole Magazine foi até o diretório do PSDB em Jacareí para conversar com Izaías Santana, 49 anos, coordenador do Arquivo Público do Estado, procurador municipal da Prefeitura de São Paulo (licenciado), professor universitário e pré-candidato à prefeitura de Jacareí. Era uma quinta-feira chuvosa e fomos recebidos por nosso entrevistado na porta do carro com guarda-chuva em punho. Sorridente e preocupado em nos proteger, de pronto carregou equipamentos e nos conduziu. Caminhamos alguns passos até a entrada do diretório, próximo ao Pátio dos Trilhos, no centro da cidade. Na frente, um amplo espaço para as reuniões do partido e, mais ao fundo, poucos móveis em um ambiente com mesa de reunião e poltronas. Alguns minutos para as fotografias e, entre muitos sorrisos e brincadeiras, Izaías vai se preparando para um bate-papo que durou uma hora e revelou um pouco mais desse “novo líder”. Nascido em Joaquim Nabuco (PE), Izaías veio para Jacareí em 1979, ainda um pré-adolescente. Já dedicado aos estudos, pegou gosto pela política, começando efetivamente Fotos: Pedro Ivo Prates


São José dos Campos, fevereiro de 2016 | 15

em 1982 quando trabalhou nas campanhas de Franco Montoro, Severo Gomes e Mário Covas. Em 1986, trabalhou para Rogê Ferreira e Luís Paulo Costa. Em 1989 filiou-se ao PSDB no primeiro diretório municipal e também já foi secretário municipal de assuntos jurídicos da Prefeitura de Jacareí. Entre 2000 e 2012, dividindo seu tempo entre São Paulo e Jacareí, dedicou-se aos concursos públicos e aos estudos. Nas eleições municipais de 2012, Dr. Izaías foi o candidato do PSDB e mesmo sendo o menos conhecido entre os candidatos da época, surpreendeu e recebeu 48.883 votos - 42,97% dos votos válidos. Na conversa que reproduzimos a seguir, Izaías Santana conta como venceu resistências dentro do partido e conseguiu ser o único dos tucanos da região a ter pré-candidatura anunciada com tanta antecedência. Também falou sobre administração pública, desenvolvimento econômico, mobilidade urbana, saúde e, claro, sua expectativa para as eleições de outubro. Por que o PSDB de Jacareí é o único entre os diretórios tucanos nas cidades da região que já tem um pré-candidato? Porque em um município sem TV e sem grande mídia acompanhando o movimento político, as lideranças surgem a cada década. Além disso, o desempenho na eleição de 2012 surpreendeu o mundo político de um modo geral e demonstrou a viabilidade da candidatura. O partido não tem porque mudar, nós só temos que, durante esse período, aprofundar o trabalho junto à população e chegar às eleições de outubro com uma potencialidade completamente diferente do cenário de 2012. Que cenário será esse em Jacareí? Existe um esgotamento por 16 anos com repetidas promessas que não foram cumpridas, além do esgotamento moral, tanto a nível nacional como local. O grupo que comanda o município se limitou a dois nomes que estão fora do pleito, há

Nós decidimos escolher o nome do candidato antes de vencer o prazo de filiação partidária para que os descontentes saiam do partido. O prefeito precisa de tranquilidade em seu partido, pois o desafio de se administrar um município é muito grande um esgotamento de lideranças. Não houve um trabalho prévio nesses últimos anos, é o pior dos quatro mandatos PT/ PMDB. Tudo isso em um cenário de legislação diferente, com somente 45 dias de campanha, contribuições só de pessoas físicas e restrições máximas à propaganda. Assim, quem tem trabalho político nos quatros anos acaba dando largada de uma posição extremamente favorável. Toda essa conjuntura não permitiu que o PSDB abrisse a discussão. Internamente, houve pretensões, mas isso foi resolvido na disputa de chapa. Quando nossa chapa vence na disputa da convenção, com uma votação expressiva, isso já representa a vontade da direção do partido. E como está o trabalho junto aos outros partidos para as coligações? Todos os partidos ficaram com pé atrás, porque agora, com as novas regras, todos podem mudar de partido e a situação ficou indefinida. As lideranças locais não são senhoras do destino, então eles precisam esperar se vão ficar ou não com a provisória do partido para só então assu-

mirem um compromisso. Esses partidos dependem das executivas estaduais e há muita interferência, porque temos muitos deputados em todas as legendas costurando seus acordos. Aprofundar discussões nesse período é perder tempo. Nesse momento, é mais importante estruturar a campanha e preparar o plano de governo. Hoje, o PSDB de Jacareí mantém as conversas com o PSC e com todos os partidos que estiveram conosco em 2012. Há também outros grupos políticos que temos que aguardar as definições, como o PSB, que está no governo do Estado, o PR e o PMDB, que romperam com o governo. Vamos ver se é possível construir parceria. Em maio teremos condições de avaliar o peso político de cada partido. A aproximação está se dando por afinidade com o PSDB, com projeto ou comigo e o restante está esperando para ver quem serão os candidatos. Por que as eleições no diretório do PSDB foram muito disputadas, com recorde de participação? Havia muita coisa em jogo: o projeto político que disputou a eleição em 2012 tinha um grupo à frente que precisava se manter no controle do partido. O PSDB tem um diretório e as questões são resolvidas ali. A eleição do diretório funcionou como uma prévia e decidiram-se quem seria o candidato. Em outras cidades, o PSDB ainda não apresentou nomes. Em São José, há muita indecisão. Jacareí é um exemplo a ser seguido por outros diretórios? Eu acho que sim. As pessoas têm que se apresentar como pré-candidatos na hora de disputar a liderança do diretório, e respeitar a decisão. Quem consegue ganhar é porque tem liderança dentro do partido. O grupo tem que estar unido em torno de um nome, tem que discutir quem é mais viável.Nós decidimos escolher o nome do candidato antes de vencer o prazo de filiação partidária para


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que os descontentes saiam do partido. O prefeito precisa de tranquilidade em seu partido, precisa de um grupo coeso, pois o desafio de se administrar um município é muito grande. Se não houver essa unidade partidária, corre-se o risco de se administrar as questões do governo que já são complexas, o apoio parlamentar, que é outra questão complexa, e também os problemas internos. Teremos novamente uma polarização PSDB X PT? Eu acredito que, na média, vai permanecer, pois é um fenômeno peculiar às eleições municipais. Quem tem ações concretas ou modelo de gestão para mostrar à população, são os dois partidos que têm, em sua história, realizações em âmbito federal, estadual e municipal, propostas, ações e intervenções concretas na vida das pessoas, capazes de gerar credibilidade. A polarização não é de todo mal. Na Alemanha, Inglaterra e EUA se vive a polarização e sempre haverá isso, pois as pessoas decidem um plano municipal pensando: quem está no governo? Queremos mudar ou manter? Se as pessoas querem manter, aquele governo vai continuar. Se querem mudar, se fazem a seguinte pergunta: quem é o grupo político capaz de apresentar um plano de governo viável e melhor do que o atual? Nesse cenário, as realizações, experiências e administrações passadas são os elementos que dão credibilidade a esse discurso. É preciso que esses dois partidos entrem em um descrédito tal, que uma terceira força, sem ter um projeto passado, possa aparecer como uma alternativa viável. Precisa de um líder que se constitua fora do meio político e isso é muito difícil, já que a sociedade civil, o meio acadêmico ou a comunicação social não participa mais da vida política. Isso é bom ou ruim? É ruim, mas permite que a disputa seja entre políticos de dois ou três grandes

“O grande desafio do próximo prefeito é definir prioridades, levando em consideração o interesse do maior número de pessoas” partidos, porque pra fugir dessa dicotomia será preciso alguém que tenha prestígio fora do meio, e se esse prestígio não for verdadeiro, ele é destruído durante a campanha. Então não acho de todo ruim e acho que viveremos ainda mais uns oito anos de polarização. Agora, o PT sai do Governo Federal destruído, não tenho dúvida, só não está claro o que vai surgir no lugar. A atração de investimentos de Jacareí é destaque na RMVale. Está correta a política de desenvolvimento econômico da cidade? Se pensarmos apenas do ponto de vista econômico, orçamentário, sob o aspecto do crescimento, está correto. Mas há detalhes importantes: o pequeno, o informal e o médio empresário não tiveram nenhum tipo de política de incentivo voltada a eles. O que nós assistimos no Vale? Na década de 1970, o triunfo de São José dos Campos, década de 1980 e 1990, de Taubaté e Pinda. Esgotando-se a capacidade dessas prefeituras e das melhores áreas, sobrou Jacareí. Coincidiu que a cidade estava sendo governada pelo PT, mas qualquer governo que estivesse em Jacareí a partir do ano 2000 seria beneficiado. Ainda vivemos na segunda melhor região econômica do Estado e as outras cidades que competiam, tinham esgotado sua capacidade de atração de empresas e áreas. O que falta é esse apoio

mais intensivo ao pequeno e ao informal e transformar todo esse crescimento em desenvolvimento. O crescimento econômico, para ser benéfico para todos, tem que trazer melhores salários para sua população. Isso não aconteceu em Jacareí. Também é preciso que haja uma ocupação ordenada das áreas disponíveis na cidade, de tal forma que não cause muito impacto no trânsito, na segurança e na habitação. Jacareí não desenvolveu essas outras áreas na mesma velocidade, para que o crescimento trouxesse bem-estar. Quando se atrai empresas apenas pelo macro-econômico, corre-se o risco de ficar com os problemas desse crescimento, e é o que está acontecendo em Jacareí. Houve uma preocupação excessiva em atrair grandes empresas pensando na arrecadação, mas o que o município usou para atrair empresas, foi abdicar de receitas que seriam necessárias para se fazer os investimentos sociais. Agora é preciso equilibrar crescimento e os seus impactos, para transformar em desenvolvimento. Como estão o Plano Diretor e a Lei de Zoneamento de Jacareí? A preocupação da sociedade em Taubaté e São José dos Campos já é a qualidade da ocupação, pois já estão satisfeitos com o crescimento obtido. Jacareí ainda está no período de “nós precisamos atrair”. Acho que há certo complexo de que São José e Taubaté cresceram e Jacareí parece querer tirar o atraso. Então as leis, tanto o Plano Diretor quanto a Lei de Zoneamento e ocupação do solo, ainda são leis flexíveis e que buscam atrair, para que o empreendedor defina suas prioridades, mas vai chegar o momento que isso terá que ser rediscutido. Estamos com esgotamento de nossa malha viária, um problema sério de trânsito. É preciso discutir como nós queremos crescer e para onde queremos crescer. O plano diretor de Jacareí tem cinco planos auxiliares que a prefeitura ainda não fez e isso é um motivo pelo qual o tribunal de contas


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outras finalidades que não administrar. Terceiriza contratando tudo, quase todos os projetos, planos e execução. Se é tudo terceirizado, há um custo imenso de folha de pagamento para as pessoas ficarem fazendo o quê? Servidor efetivo, permanente, tem que trabalhar e tem que ser valorizado e estimulado.

“Eu recebi tanto de minha cidade Jacareí, que não tenho direito de não me oferecer como alternativa”

Mas o PSDB também contrata serviços terceirizados nas prefeituras que administra. Qual a diferença? Concessões e parcerias são diferentes. Contratar empresas privadas, organizações sociais e entidades do terceiro setor sem fins lucrativos são cartilhas do PSDB. O que não podemos fazer é, tendo profissionais competentes na prefeitura, contratar empresinhas pra fazer projetos de obra e reforma administrativa. Por exemplo: vai fazer um asfalto, contrata uma empresa para o projeto, uma empresa para a execução e outra empresa pra fiscalizar. Qualquer coisa se contrata.

sempre rejeita as contas do atual prefeito. É preciso fazer os planos auxiliares, para poder qualificar a ocupação urbana. Quais são e como resolver os problemas em Jacareí no momento de queda de arrecadação dos municípios? A queda da arrecadação ainda não foi tão sentida em Jacareí, um pouco por causa desse crescimento e da diversidade de nossa indústria, que é forte, além do comércio, que ainda se mantém. Outro dado importante, é que estamos com as despesas de pessoal bem equilibradas isso dá um fôlego para investimento. O grande desafio do próximo prefeito é definir prioridades, levando em consideração o interesse do maior número de pessoas. Eu diria que a primeira lição é terminar o que está pela metade. Temos duas grandes intervenções urbanas que estão paradas: a via paralela à Nilo Máximo e a José

Teodoro. Tem que discutir com a cidade e priorizar uma grande obra por ano. A cidade tem a capacidade de investir algo em torno de 100 milhões anuais, e em quatro anos de governo, é possível realizar duas grandes obras, como pontes, nova saída, avançar o anel viário, etc. O segundo grande problema é resolver a questão do atendimento de emergência na cidade. Não dá pra Jacareí depender de um pronto socorro no porão da Santa Casa. Aquela situação é desumana. Com isso, teremos fôlego suficiente para organizar o serviço e melhorar o atendimento de saúde. Ainda hoje, depois de oito anos, saúde e trânsito são os dois principais problemas da cidade. Mas, além disso, há um modelo de gestão do PT que é cruel para a cidade. O PT optou por administrar por contratos. Ele não administra nem com servidor efetivo, nem com os comissionados, porque leva muita gente pra

O que o faz querer ser prefeito? Eu recebi tanto de minha cidade Jacareí, que não tenho direito de não me oferecer como alternativa, me sentindo preparado para ser prefeito. Jacareí é uma cidade acolhedora e que ainda está muito aquém daquilo que poderia ser. E quem gosta, mora ou vive na cidade, tem o dever de se envolver nisso e há um grupo que está disposto a entrar nessa batalha comigo. Quero ser prefeito porque moro aqui e devo muito a essa cidade. Jacareí é a porta de entrada do grande Vale e pode voltar a ser a referência da região como já foi no passado, em termos de cultura e educação. Tem potencial turístico e é privilegiada do ponto de vista geográfico. Não tem melhor cidade aqui no Vale. Eu estou muito entusiasmado, feliz com a oportunidade, satisfeito com o trabalho dos meus colegas do PSDB e dos demais partidos e tenho certeza absoluta que vamos discutir a cidade e permitir que o eleitor faça um voto consciente e maduro. 


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NOTÍCIAS POLÍTICA

Eduardo Pandeló SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A

democracia é uma via de mão dupla e o eleitor, da mesma forma que elege alguém para ser o seu representante na gestão pública, pode e deve aprender a cobrar o cumprimento das promessas feitas durante uma campanha eleitoral. Mas e quando elas não foram cumpridas? E se as promessas não puderem ser cumpridas dentro do mandato de quatro anos de um prefeito? Com a proximidade das eleições

municipais, é hora de reconhecer as metas que foram cumpridas, cobrar as que ainda estão em andamento e, principalmente, perguntar por que outras não serão realizadas. Tudo isso porque agora é a hora do voto. Sempre é bom lembrar que uma coisa é o candidato trazer a público seu plano de governo e de onde sairão as receitas para executá-lo, o que, aliás, é seu dever como futuro gestor. Outra coisa completamente diferente é fazer promessas inviáveis, para conquistar o voto do eleitor. Depois de eleita presidente, Dilma Rousseff (PT) vem sendo cobrada por

promessas que anunciou durante a campanha, quando afirmou que não tomaria medidas como aumentar impostos, mexer em direitos do trabalhador ou cortar verbas de programas sociais. Ela foi chamada de mentirosa nas redes sociais e em declarações da oposição após anunciar essas mesmas medidas. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) também deixou de cumprir promessas dentro de seus mandatos (já é o quarto dele à frente do Governo do Estado). A duplicação da Tamoios é uma promessa de campanha de 2002, o Hospital Regional, prometido em 2009, foi amplamente


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Reprodução de TV

campanha em que o então candidato prometia ajudar o São José Esporte Clube, construir novas creches, resolver a fila de cirurgias, construir pontes e avenidas, criar escolas técnicas e oferecer transporte mais barato e de melhor qualidade.

Saúde

De promessa em promessa

O que foi cumprido, o que talvez seja entregue e o que não vai sair do papel no governo Carlinhos utilizado na campanha municipal de 2012 como solução para a saúde de São José e região, mas o início das obras teve atraso de dois anos, com previsão para a entrega em 2018. Mas entre todas as promessas, a Metrópole Magazine inicia nessa edição um balanço daquelas que definitivamente não serão cumpridas pelos prefeitos das principais cidades da região até o dia 31 de dezembro de 2016. Em São José dos Campos, por exemplo, o prefeito Carlinhos Almeida (PT), que busca a reeleição, começa a divulgar as conquistas e promessas cumpridas para

encerrar o mandato prestando contas à população joseense. Nas redes sociais e no site www.saojosemaisforte.com.br, o prefeito vem exaltando as obras realizadas e os projetos em andamento, além de convidar a população para acompanhar o que está sendo feito pela cidade. Carlinhos apresentou um plano de governo e, utilizando da propaganda eleitoral no rádio, na TV e em material impresso, fez muitas promessas, mas há divergências sobre o que foi ou não cumprido, parcial ou totalmente. Nas redes sociais se reproduzem os vídeos de

A principal vitrine da campanha do petista, o Mutirão da Saúde, foi esquecida. Em 2015 a Prefeitura não anunciou nenhuma atividade e nem mesmo divulgou números. A Secretaria de Saúde do município afirmou em 2013 que mantinha um cadastro com 15 mil pessoas aguardando avaliação para realização de procedimentos cirúrgicos. O mutirão daquele ano realizou, de janeiro a março, 2.200 de 2.400 procedimentos cirúrgicos contratados com recurso de R$ 1,7 milhão do Governo Federal. Em 2014 com a promessa de 2.300 cirurgias até junho, contemplou um número menor do que a fila, que contaria com pelo menos sete mil pacientes na época. Entretanto não há números oficiais sobre a quantidade de cirurgias realizadas pela administração municipal, nem mesmo sobre os mutirões. Os números do relatório de Autorização de Internação Hospitalar (AIH), disponibilizados pelo Ministério da Saúde em 25 de janeiro, mostram que o governo anterior realizou um número maior de internações do que o governo atual. O Ministério não fornece informações específicas sobre o número de cirurgias. Segundo as informações de AIH, o município realizou 101.051 internações entre 2010 e 2012, contra 93.471 entre 2013 e 2015. Questionada pela Metrópole Magazine, a Prefeitura não informou quantas pessoas estão na fila a espera de uma cirurgia. São José dos Campos com certeza realiza mensalmente centenas de cirurgias, mas o que se sabe é que a espera pode chegar a dois anos. Sem divulgar números oficiais a Secretaria de Saúde impede que a população saiba se a promessa de


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reduzir a fila de cirurgias será ou não cumprida até o final de 2016.

Mobilidade e grandes obras Entre as obras anunciadas pelo petista dentro do projeto “Cidade Unida”, estão a ligação entre a zona leste e a região sul, a ligação da SP-50 com a Via Norte, a construção de um viaduto entre o Chácaras Reunidas e a região da Unip, no Limoeiro, e uma nova ponte sobre o rio Paraíba do Sul, na região do Urbanova. Nenhuma dessas obras foi realizada e mesmo que

sejam planejadas nesse ano, não serão entregues à população. Projetos que já eram promessas, e que estavam em planejamento desde o final da segunda gestão do ex-prefeito Eduardo Cury (PSDB), e também foram anunciadas por Carlinhos na televisão, como a Via Cambuí e a Via Banhado, que seriam executadas com recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e de contrapartidas do município, não saíram do papel. Por meio de um balanço do “Cidade

Unida” a Prefeitura destacou a realização de várias obras como a duplicação do Viaduto Kanebo, a nova Ponte da Avenida Guadalupe, e outras obras fruto de contrapartidas de empreendimentos privados e portanto sem utilizar dinheiro público. A duplicação da Ponte Maria Peregrina que segundo o governo terá contrato assinado em breve, o corredor Leste/Sudeste que está em licitação, e a Via Cambuí cuja licitação está sendo preparada com decretos para desapropriação já publicados, entram na lista


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mesmo que todas as obras sejam iniciadas esse ano, certamente só poderão ser concluídas na gestão do próximo prefeito.

Educação Uma das iniciativas prometidas por Carlinhos durante a campanha, e que não será possível implantar até o final do ano são as quatro escolas técnicas que deveriam ter sido instaladas nos bairros Campo dos Alemães, Putim, Altos de Santana e Novo Horizonte. A prefeitura já doou o terreno para o novo campus do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia, mas até agora não se tem notícia sobre um projeto, ou implantação de uma nova escola no local. Por meio de nota, a prefeitura admite que não será possível implantar as escolas, porém ressaltou que instituições da cidade foram beneficiadas com cursos do Pronatec e do programa Qualifica São José. De qualquer forma as prometidas quatro escolas técnicas entram para o rol de promessas impossíveis de serem cumpridas até o final do mandato do prefeito.

Transporte público

de realizações do prefeito, mas na avaliação da Metrópole Magazine essas obras definitivamente não podem ser concluídas e entregues à população esse ano, portanto entram para a lista de promessas que não podem ser cumpridas. A implantação do Mobi, nome dado ao Transporte Rápido sobre Rodas, ainda em fase de licitação, foi uma promessa feita durante o governo com lançamento oficial, mas por sua complexidade levará pelo menos 2 anos a contar da assinatura do contrato, para ser finalizado. Enfim,

Em 2013, no segundo mês de governo, Carlinhos aumentou a tarifa do transporte público de R$ 2,80 para R$ 3,30. Após uma onda de protestos, recuou e reduziu o valor para R$ 3,00. Na época da polêmica sobre o reajuste da tarifa, Carlinhos justificou que o aumento era necessário para implantar melhorias no sistema, como ônibus articulados na frota, corredores exclusivos, e o bilhete único. Em 2014 não houve reajuste, o que só ocorreu no início de 2015, alterando a passagem de R$ 3 para R$ 3,40. Este ano, o reajuste foi de 12% elevando a tarifa de R$ 3,40 para R$ 3,80. Surge uma nova onda de protestos nas ruas, e os vídeos nas redes sociais, reproduzindo a promessa feita pelo prefeito durante a campanha, viralizaram e ainda geram calorosos debates. A Prefeitura justifica o aumento da

tarifa informando que com o bilhete único, o passageiro pode pegar até quatro ônibus por um período de duas horas, “promovendo economia ao bolso do trabalhador”. Mas, essa talvez seja a promessa mais difícil de cumprir. O mote da campanha foi “transporte mais barato” e apesar de reconhecer os benefícios do bilhete único e a importância dos corredores de ônibus, o preço da passagem aumentou de R$2,80 em 2013 para R$3,80 em 2016, isso porque a Prefeitura não subsidia o transporte coletivo. Apesar disso, concedeu redução de impostos e permitiu a publicidade nos ônibus, mesmo assim o valor desembolsado pelo usuário em deslocamentos simples de ida e volta ao trabalho chega hoje a R$152,00 por mês. Apesar de não admitir que a tarifa de ônibus ficou mais cara, será impossível para o prefeito reduzir o valor cobrado do cidadão nas catracas dos coletivos, a menos que utilize dinheiro do orçamento municipal para subsidiar as empresas.

Heranças Claro que um governo não pode ser cobrado pelos erros de outros, mas também não pode ignorar os projetos em andamento. Muitas vezes as coisas não saem como esperado e isso não é privilégio de nenhum governo. Várias promessas de campanha de um prefeito foram realizadas e concluídas em mandatos de outro e muitas outras foram abandonadas ou esquecidas. Foi assim com as promessas de Emanuel, do Cury e agora do Carlinhos, mas a verdade é que uma cidade como São José dos Campos, não pode ficar parada, com obras inacabadas, como o Teatro Municipal no Parque da Cidade e a Arena de Esportes na zona oeste, que receberam investimentos de alguns milhões de reais em dinheiro público, estão deteriorando pela ação do tempo e certamente custarão muito mais caro para serem concluídas. 


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Fotos: Carol Tomba

NOTÍCIAS ECONOMIA A empresária Adriana Zorzetto que identificou a carência no mercado de moda

É hora de empreender

Mais de 70 mil inscrições do MEI foram formalizadas no ano passado; o empreendedorismo está em alta Moisés Rosa SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

N

ão existe uma receita certa e nem um passo a passo para o sucesso ao abrir o próprio negócio. Alguns podem achar loucura investir em momento de crise -cenário este que afetou todos os setores do país no ano passado-, mas a ordem do mercado é investir em criatividade e empreendedorismo. De acordo com especialistas, o momento é de “colher os frutos” plantados. Quem possui as duas características está se dando bem. Desde o ano passado, diversas pessoas optam por investir na área que gostam ou na que possuem habilidade. A maioria dessas pessoas foi demitida ou decidiu pelo novo desafio por conta de alguma insatisfação com o trabalho. À Metrópole Magazine, o SebraeSP revela que o número de microempreendedores individuais cresceu nos últimos dois anos no Vale do Paraíba e

Litoral Norte. Para se ter uma ideia, em 2015 foram 74.141 inscrições de MEI contra 59.726 em 2014. Dentre os ramos mais solicitados no MEI estão: vestuário, comércio varejista, estética e alimentação. Os benefícios para quem está no programa incluem a cobertura previdenciária, contratação de funcionários, sair da ilegalidade, entre outros. Seria essa uma oportunidade para sair da crise? Para esta pergunta, a moradora de Caraguatatuba Carla Beatriz Nascimento, 41 anos, achou a resposta. Ela decidiu sair da informalidade e uniu o que mais sabia fazer com a vontade de trabalhar. Desde o ano passado, Carla começou a fazer bolos e pegar encomendas dos amigos. Ela estava desempregada e agora possui uma renda mensal. “Estava informal quando, em março de 2015, fiquei sabendo do programa e busquei as orientações necessárias para investir corretamente. Com isso, comecei com bolos caseiros e confeitados e hoje em dia já tenho minha clientela”, disse.

Carla conta que procurou se especializar e se inteirar das novidades para oferecer o melhor produto aos seus clientes. “Sempre que posso, eu busco novidades. Esse é o diferencial. Com isso, também pude investir e comprar outros equipamentos para a minha produção em casa”, disse. Estimulada pelos bons resultados, ela almeja voos mais altos. “Pretendo, daqui alguns anos, viajar ou até morar em outro país para desenvolver as minhas habilidades culinárias. As expectativas de vendas e crescimento são as melhores para este ano”, completou.

Ascensão Também é possível encontrar exemplos de microempreendedores que agora estão com os estabelecimentos a todo vapor e ampliando unidades pela região. Passaram de pequeno para médio empreendedor. Existe uma fórmula para o negócio deslanchar? A Metrópole Magazine traz exemplos de empresários de sucesso.


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Robson Toledo Aos 34 anos, Rodrigo Pellegrini já está em seu segundo estabelecimento. Natural de São Paulo, o empresário escolheu São José dos Campos para abrir a primeira empresa no ramo de cortinas e persianas. Ele largou o trabalho em uma agência de publicidade na capital. “Cresci em uma família com mais de 35 anos de experiência em confecção. Com base nisso, fiz uma pesquisa de mercado e identifiquei a oportunidade de abrir uma empresa especializada em cortinas e persianas em São José dos Campos. Então, em 2012, deixei meu emprego em São Paulo e abri minha primeira empresa”. Após três anos, o empresário decidiu ampliar seu ramo de atuação: investir na abertura de um bar e restaurante, também na região sul da cidade. “Após trabalhar três anos no desenvolvimento da empresa e percebendo os resultados positivos que já estávamos colhendo, em 2015 surgiu a oportunidade de abrir a segunda empresa, o Bar e Restaurante Baltazar, com mais dois sócios. Morando e trabalhando na zona sul de São José, sempre tive dificuldade de encontrar um lugar legal para almoçar e sair com os amigos à noite. Vendo a oportunidade de ter um negócio no segmento de alimentação e entretenimento, fizemos um planejamento e aguardamos até aparecer um ponto comercial com as características necessárias para iniciar as atividades”, explicou. Apesar de muitos setores sofrerem com a crise, Pellegrini afirma que o momento foi positivo para empreender. “No momento de crise foi possível encontrar um ponto comercial com uma ótima localização, infraestrutura praticamente pronta e com um valor de aluguel razoável. Dificilmente em um ano bom, de crescimento econômico, o ponto estaria disponível”. As projeções são as melhores para este ano. “Estamos buscando inovações para oferecer e alcançar um crescimento acima da média para o atual cenário

Carla Beatriz transformou o talento na cozinha em negócio

econômico”, acrescentou Pellegrini. Outro exemplo na região é a empresária joseense Adriana Zorzetto. Formada em ciências da computação, ela identificou uma carência no mercado de moda para atender a todas as faixas etárias. O sonho em ter a própria loja teve início quando estava cursando a pós-graduação em administração. Depois que se mudou para São José, após trabalhar em uma empresa de gestão de saúde na capital, Adriana resolveu transformar a vontade em realidade. Atualmente, a “Identidade Teen” conta com duas unidades na cidade e a última foi inaugurada há dois meses.

Para abrir as lojas, ela buscou orientação de órgãos especializados. “Ter um negócio próprio era um sonho antigo, desde a primeira pós-graduação em administração eu já pensava nisso, mas nunca tinha parado para planejar o negócio. Depois que me mudei para São José dos Campos, voltei a pensar no projeto como uma real possibilidade, então comecei a pesquisar sobre as necessidades da cidade e observei que São José não tinha lojas especializadas em moda jovem que atendia desde o pré-adolescente até adultos que se identifiquem com a moda mais descolada, alegre. Fiz algumas pesquisas e identifiquei


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que outras mães como eu buscavam roupas para seus adolescentes em SP, EUA e outros, o que confirmou a oportunidade de empreender na cidade”. Com o seu marido como sócio, Adriana relata que transformou os desafios em oportunidades para alavancar a marca. Nos planos, a empresária planeja expandir ainda mais. “Não foi a crise que me fez pensar no negócio, mas ela gera sim uma oportunidade. A marca foi criada com o objetivo de expansão não somente em São José, mas no Vale do Paraíba”, destacou a empresária.

Rodrigo Pelligrini deixou o trabalho na capital para empreender no interior

Empreenda mais Paulo Vitor Bevilacqua, analista de cultura empreendedora do Sebrae-SP na região, afirma que é observada a ascensão de empreendedores no Vale do Paraíba e Litoral Norte. Entretanto, antes de empreender é preciso ponderação. Ele dá algumas dicas importantes sobre o mercado. “O futuro empreendedor precisa testar essa ideia. Para quem está começando é importante que goste da área, não optando por uma mudança tão radical. Claro que para quem fica na zona de conforto, o ano não será de bons frutos. Quem plantou lá atrás, tomou boas decisões e realizou um bom planejamento, possui chances de se dar melhor”. Bevilacqua explica que a opção pelo MEI é uma modalidade para o microeemprendedor que quer se formalizar. “A procura foi muito alta nos

últimos anos para as pessoas que buscam o próprio estabelecimento. As principais vantagens são em relação à cobertura pela previdência e às vantagens em compra e venda. Além disso, também observamos a maior procura pela formalização nos setores de vestuário e no comércio varejista, com 7342 MEIs, no ano passado”. O consultor ressalta que, antes de agir por impulso, é necessário planejar

e colocar no papel o projeto. “O empreendedorismo está em alta e é, sem dúvida, uma grande oportunidade e uma saída para a crise. Importante destacar que é preciso procurar dicas e orientações de especialistas, que normalmente são oferecidas pelas prefeituras. Oficinas voltadas para os futuros empreendedores vão agregar e auxiliar neste projeto”, complementou Paulo Vitor Bevilacqua. 

Festival da

lula

11 pratos e pestiscos preparados com lula para você ter a melhor experiência gatronômica da cidade!

Até 5 de março, no Carpe Diem!

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NOTÍCIAS SAÚDE

Geração tarja preta A geração que busca a paz na química e que encontrou nos comprimidos uma saída para as cobranças da sociedade Idelter Xavier e Rodrigo Ribeiro SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Q

uem nunca procurou por um momento de paz em meio à correria diária? Aquela sensação de alívio, de distância dos problemas causados pelas atribulações de um cotidiano que anda cada vez mais estressante. Atualmente, uma parcela da população brasileira está encontrando este refúgio em remédios tarja preta, que proporcionam paz instantânea. Popularmente intitulada de ”Geração Rivotril”, fazendo alusão ao remédio tarja preta mais famoso do mundo, esse grupo de pessoas procura uma solução mágica para os problemas, geralmente fazendo uso de medicamentos sem necessidade e, muitas

vezes, sem prescrição médica. O Rivotril, que tem como princípio ativo o clonazepam, é uma substância da família dos benzodiazepínicos, drogas chamadas psicotrópicas que agem diretamente no sistema nervoso central e afetam a mente e o humor das pessoas que a ingerem. O laboratório Roche é responsável pela produção e comercialização do medicamento no Brasil. Lançado em 1973 em nosso país, com o propósito de amenizar sintomas de epilepsia, rapidamente o medicamento começou a ser indicado como tranquilizante. Justamente por isso caiu nas graças da população que, cada vez mais, busca desesperadamente por momentos de calma no dia a dia. “É muito comum as pessoas, ao invés de enfrentarem os problemas, se esconderem atrás de medicamentos, esperando que isso vá resolver alguma coisa. Sempre tem algum amigo ou parente que toma o Rivotril para tratar de alguma doença, seguindo acompanhamento de um especialista, e aí a pessoa acha que tomando um comprido emprestado desse conhecido, em um dia esporá-

dico, não terá problemas”, diz o psicanalista Douglas Brito, de 45 anos, que trata de pessoas com doenças como síndrome do pânico e depressão em seu consultório em São José dos Campos. É de conhecimento de todos que o povo brasileiro tem o costume de se automedicar. De acordo com uma pesquisa realizada pelo ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade), 76,4% dos brasileiros se automedicam, dos quais 61,4% não têm sequer noção do perigo que a substância ingerida pode causar no organismo. Em relação ao Rivotril, se utilizado sem acompanhamento médico, os riscos de dependência são muito altos. “Eu recomendo em certos casos o uso do medicamento. Nem sempre é necessário utilizá-lo para tratar doenças como síndrome do pânico ou depressão. O acompanhamento deve ser feito de perto, visando diminuir a dosagem sempre que possível”, informa Douglas. Mais alarmante ainda é que, entre a


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população que se auto medica, 32% têm o costume de aumentar a dose prescrita pelo médico por conta própria. “É muito comum, no caso do Rivotril, o paciente aumentar sozinho a dose do medicamento. O corpo vai se acostumando com a substância e os resultados já não são os mesmos, o que leva grande parte das pessoas a elevar a dosagem sem consultar antes um especialista”, afirma Brito. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em 2004 o consumo brasileiro do Rivotril foi de 400 mil caixas. Pouco mais de dez anos depois, em 2015, foram vendidas 23 milhões de caixas do medicamento, um aumento consideravelmente grande, que faz jus à atual colocação do Brasil como primeiro no ranking mundial dos países que mais consomem o clonazepam. Dentro do país, o Rivotril é o segundo remédio mais utilizado pela população, perdendo apenas para o anticoncepcional, que tem sua distribuição

associada ao governo. Segundo uma pesquisa realizada pela Pró Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos), o Rivotril foi o remédio mais receitado por médicos no ano de 2014, sendo prescrito mais de 1,3 milhão de vezes.

Solução imediata De acordo o psicanalista Douglas Brito, essa grande procura pelo remédio é fruto de uma geração que não enfrenta os problemas de frente e que quer a solução de tudo na hora. “É uma geração que acha que não consegue resolver nada sozinho. Existem muitos casos de pessoas que chegam ao meu consultório dizendo estarem péssimas, pedindo algum medicamento para terem seus problemas solucionados”. “Na verdade, as pessoas estão apenas tristes e não sabem lidar com isso. Morreu o cachorro, terminou um

namoro, faleceu um parente, coisas do tipo. Existe um período de luto e consideramos nove meses um tempo normal que o ser humano leva para se restabelecer. Muitos não entendem isso e querem pular esta etapa”, completa Brito. Para o psicólogo, astrólogo e escritor Carlos Maltz, de 53 anos, conhecido nacionalmente por discutir amplamente sobre o assunto nas redes sociais, os altos índices de pessoas com depressão nos dias de hoje nada mais é que o grito da alma de uma civilização que corre desesperadamente sem saber para onde está correndo. “Uma coisa é existir esse medicamento, que é uma benção para muita gente. Outra coisa, bem diferente, é ele, sendo um tarja preta, que surgiu no mercado para atenuar crises de epilepsia, ser o segundo medicamento mais vendido no Brasil. Como dizia o velho e bom Sting, somos espíritos em um mundo material, mas andamos esquecidos disto. Acreditamos na profecia

Fotos: Pedro Ivo Prates


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do ‘Admirável Mundo Novo’ de Huxley. Achamos mesmo que somos deuses e que não precisamos prestar contas de nossas atitudes para conosco e para com o próximo, para nenhum Deus ou consciência”, afirma Maltz. “Criamos nossos deuses, ou o nosso ‘soma’, se você preferir. O Rivotril é um deles, é um silenciador de consciências. Um ‘cala a boca’ naquela voz que aparece quando a luz apaga. Aquela voz que antigamente o povo chamava de anjo da guarda e que atualmente o povo chama de preconceito social moralista”, completa o psicólogo.

Insônia Para o analista de mídias sociais Márcio Moura, de 32 anos, o remédio foi a solução de seus problemas de insônia há seis anos, quando trabalhava como comissário de bordo em uma companhia aérea. “Eu sofria com distúrbios no sono devido ao excesso de trabalho e os diferentes fusos horários. Resolvi passar em um médico e ele me receitou o Rivotril, que sempre funcionou muito bem. Tomei durante um ano, até sair do trabalho e os problemas sumirem”, afirma Moura. Segundo Márcio, ele não se considera dependente do medicamento

e que, apesar de ter funcionado muito bem no seu caso, não indicaria para alguém tomar. “Posso comentar do meu caso para as pessoas, relatar sobre minhas impressões quanto ao Rivotril, mas tenho consciência de que se trata de um remédio tarja preta e por isso aconselho sempre à pessoa consultar um médico”, esclarece. Recentemente Moura sofreu um acidente e, justamente por isso, teve de voltar a fazer uso do Rivotril. “Sofri um acidente há quatro meses e em razão disso estou voltando a andar aos poucos. Durante todo esse processo de recuperação eu fico deitado na cama. Meu corpo não se cansa e então o sono não vem. Tive que voltar a usar o medicamento, novamente pela insônia, mas pretendo parar assim que o médico indicar a interrupção”, complementa.

Depressão A dona de casa Terezinha Diniz, de 61 anos, sofre com depressão há cerca de um mês e utiliza o medicamento no tratamento da doença. “Devido à forte depressão pela qual estou passando, me considero dependente do Rivotril. Não conseguia dormir de forma alguma antes de começar a ingerir o remédio. A sensação de ter um sono gostoso só vem após tomá-lo”, afirma. “Tive complicações quando tomei o remédio em comprimidos. Eu me sentia dopada, confusa, com um peso enorme na cabeça. Após começar a utilizar a fórmula em gotas, os bons resultados vieram, e agora eu consigo ter uma boa noite de sono e descansar”, diz Terezinha. Para a dona de casa, o principal motivo de tanta gente estar procurando refúgio neste medicamento é a grande correria do cotidiano de todos. “O índice de depressão é muito alto devido a esse estilo de vida corrido, somado às preocupações e inseguranças que todos carregamos. Com tanta violência e


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desigualdade social que vemos diariamente nos jornais, nos tornamos reféns desta situação”, afirmou.

Faixa Etária Atualmente existem pessoas de todas as faixas etárias que utilizam o Rivotril. A maior incidência dos que fazem uso do remédio para tratar doenças como depressão e síndrome do pânico está na fase adulta, na idade entre 30 e 45 anos. “Alguns estudos explicam isso, sobre as mudanças de cada época. Após os vinte anos, por exemplo, você passa por uma grande mudança em que não se é mais adolescente, mas também não é adulto. Aos 30 anos, uma grande parcela da sua vida já passou, mas ainda se pode realizar muitos sonhos, como casamento, faculdade e cursos. Você pode reavaliar toda sua vida aos 30 anos e é justamente aí que entram os grandes dilemas, somados às cobranças pessoais e da sociedade”, afirma Brito. Nos últimos anos, a incidência de crianças que passam por problemas como síndrome do pânico e depressão vem aumentando. “Eu trabalho há 16 anos como psicanalista e lá no início de minha carreira não se ouvia falar sobre crianças com depressão ou doenças do tipo. A faixa etária mais comum era entre 21 e 40 anos. Com o passar dos anos, isso foi mudando e é cada vez mais normal crianças desenvolverem doenças do tipo”, afirma o psicanalista. “É comum psiquiatras receitarem o Rivotril para crianças com problemas de depressão e síndrome do pânico, algo que eu acho de s ne ce s s á r io

por se tratar de um medicamento pesado, salvo crianças que têm problemas mentais e realmente necessitam do remédio. Acredito que com sessões de psicanálise e acompanhamento médico seja possível a criança vencer a doença sem precisar se drogar”, conclui Brito. A jornalista Samara Araújo de Souza, de 24 anos, tomou o Rivotril durante oito anos de sua vida, começando na adolescência. “Meu primeiro contato com o Rivotril foi aos 13 anos de idade, assim que fui diagnosticada com síndrome de pânico. Com a morte do meu pai, mesmo sem saber que essa doença existia, acabei indo ao hospital com a primeira crise. Lá, fui diagnosticada e, logo em seguida, comecei o tratamento com psiquiatra e terapeuta”. Atualmente Samara não utiliza mais o medicamento, mas considera que foi de grande ajuda durante seu tratamento. Ela também já passou por depressão, realizou o tratamento com o Prozac, outro remédio tarja preta, e comentou a respeito do alto índice de pessoas com a doença atualmente. “A depressão, a falta de aceitação, o medo do fracasso e os traumas não curados são causas recorrentes no mundo de hoje. O Rivotril, por ser mais conhecido, acaba ficando em evidência. Várias pessoas do meu convívio são dependentes de pelo menos um ansiolítico. Acredito que a discussão precisa ser expandida. Afinal, tratamento é tratamento. Usando uma comparação bem baixa, se eu estou gripada, eu me trato. Correto? Por que então um problema tão grave, como depressão, eu não vou poder tratar com o medicamento certo? Infelizmente, a nossa sociedade foi criada em cima de pilares de preconceito e é preciso haver a desconstrução do mesmo”, conclui Samara.

Tratamento Existem diversos métodos, utilizados por psicanalistas e psicólogos, que trabalham com a autoestima das pessoas que passam por problemas como a depressão. Nem sempre é necessária a utilização de remédios como o Rivotril. Apesar de muitos médicos receitarem o clonazepam, é imprescindível que o profissional tenha a sensibilidade de analisar e encontrar a melhor maneira de curar o paciente. “O tratamento de doenças como síndrome do pânico e depressão é muito relativo. Não existe uma fórmula exata para estipular uma data para a cura da doença. Cada caso é um caso. Muitas vezes o problema vem se desenvolvendo há anos, não são situações que podem ser tratadas de um dia para o outro. Tem todo um trabalho a ser realizado”, afirma o psicanalista Douglas Brito. Atualmente existem diversos estudos que buscam entender e resolver as doenças psicológicas. Uma delas, que vem obtendo excelentes resultados, está sendo desenvolvida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Baseado em mudanças de hábitos alimentares, muitos pacientes têm apresentado melhoras no estado clínico. “Venho estudando este método por meio de artigos científicos nos últimos tempos e alguns dos meus pacientes vem apresentando uma melhora substancial. Não tem nada ligado à dieta para perder gorduras ou coisa do tipo. São substâncias que afetam diretamente o humor das pessoas, o que ajuda muito em sua recuperação”, completa Brito. A esperança é que, com a evolução dos métodos medicinais, medicamentos como o Rivotril sejam utilizados apenas em pacientes que realmente necessitam e que os altos índices de pessoas que utilizam o clonazepam sem necessidade caiam. Afinal, o que todos buscam é uma melhor qualidade de vida e não soluções paleativas. 


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ESPECIAL SAÚDE

Saúde dos olhos De acordo com a OMS, cerca de 285 milhões de pessoas no mundo são deficientes visuais Eduardo Pandeló SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O

s olhos são o espelho da alma! Muito se fala da beleza e dos atributos poéticos deles, mas nem sempre as pessoas se lembram dos cuidados que se deve ter com os olhos. Um dos sentidos mais caros ao homem é o da visão, ninguém imagina que pode ficar cego, mas como vivemos por mais tempo, isso está se tornando comum. Apesar dos avanços da tecnologia, em muitos casos a cegueira pode ser irreversível. Realizar exames de prevenção periodicamente podem garantir uma vida mais saudável e uma acuidade visual perfeita na velhice. É fundamental ir ao médico anualmente para realizar exames oftalmológicos. Vivemos em um mundo que exige cada vez mais dos olhos, mas nem sempre cuidamos adequadamente dessa área. O oftalmologista e diretor administrativo do Hospital de Olhos do Vale, Dr Kenji Ishi,49 anos, afirma que os cuidados com a saúde dos olhos devem começar desde muito cedo, para se prevenir e tratar os problemas que, com certeza, vão surgir ao longo da vida. “O exame de prevenção é a única maneira de evitar os agravos de uma doença. Atualmente, é possível corrigir a maioria dos problemas de visão, mas a prevenção pode fazer com que as pessoas nunca precisem recorrer ao hospital. Se precisar, temos tecnologia capaz de sanar esse problemas.” diz.

“Dentre as doenças que conseguimos prevenir, entre os grandes males para a visão estão o diabetes e o glaucoma. Com a grande quantidade de pessoas com a expectativa de vida chegando aos 80 anos de idade, tem aumentado o número de pacientes com diabetes, doença que afeta o olho especificamente na retina.” avisa. No glaucoma, as dificuldades na visão começam na lateral do olho, tornando mais difícil a percepção do problema pelo paciente. O diagnóstico precoce, nesse caso, é essencial, pois se descoberto no início, na maioria dos casos, é tratado apenas com um colírio. Algumas pessoas, no entanto, precisam recorrer à cirurgia. “O glaucoma que afeta o nervo óptico também pode ser prevenido. Vale destacar que ele pode chegar a um ponto em que não tem como ser revertido, pois se destruir o nervo óptico, não há solução possível.” alerta Dr Kenji. Acompanhamento e consultas periódicas são essenciais, porém é importante procurar sempre um médico oftalmologista e jamais um optometrista que não têm permissão para fazer exames e receitar grau de óculos. Problemas como miopia, astigmatismo e hipermetropia aparecem espontaneamente e prejudicam a visão. Esses erros de refração podem ser corrigidos adequadamente, porque a não correção pode causar cansaço visual, dor de cabeça e mal-estar. Fazer a cirurgia refrativa é uma ótima opção. O foco na saúde da visão e a

preocupação em sempre utilizar a mais alta tecnologia levaram o Hospital de Olhos do Vale a investir em equipamentos que oferecem mais rapidez e confiabilidade às cirurgias refrativas, além de modernos aparelhos a laser que oferecem resultados mais precisos e com mais segurança. Há pouco tempo, cirurgias desse tipo só podiam ser realizadas em São Paulo e, atualmente, na RMVale, o Hospital de Olhos com sede em São José dos Campos


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realiza mais de 500 cirurgias por mês, sendo que a maioria é de catarata, tornando-se a principal referência para as cidades da região. O grande diferencial são os equipamentos de tecnologia a laser, que garantem maior segurança porque foram desenvolvidos de modo a evitar complicações no ato da cirurgia. Segundo Dr Kenji, há maior rapidez e um ato cirúrgico menos agressivo. “Hoje a tecnologia nos permite, por exemplo, ter

um sensor de pressão intraocular que evita que a caixa intraocular tenha variação no seu diâmetro e possíveis rompimentos dentro do olho. A precisão aumentou, criando menos distorções na superfície da córnea, com menos inflamação e um pós-operatório mais tranquilo”. Para as pessoas que já conhecem seus problemas de visão ou que já passaram dos 40 anos, o ideal é fazer consulta a cada seis meses. A Sociedade

Fotos: Pedro Ivo Prates

A tecnologia permite maior precisão e segurança em cirurgias oftalmológicas

Brasileira de Oftalmologia (SBO) recomenda que homens e mulheres com mais de 40 anos realizem exames dos olhos também para checar como anda o coração dos adultos de meia idade. Isso porque a faixa dos 40 anos coincide com o período de vista cansada e, portanto, é fundamental a visita ao oftalmologista. É também quando surgem as primeiras manifestações de muitos problemas cardiovasculares. Por isso, a SBO reforça a importância


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Dr. Sebastião Dominguez realiza procedimento em paciente do Hospital de Olhos da visita ao médico dos olhos como uma forma de saber como anda a saúde do corpo em geral. Os exames nas vistas podem indicar presença de diabetes, hipertensão e colesterol. Alguns fatores de risco que ameaçam o coração são os mesmos que comprometem a visão: a obesidade, alimentação inadequada e falta de atividades físicas também provocam alterações na retina e na capacidade de enxergar. O glaucoma, por exemplo, caracterizado pelo aumento da pressão ocular, também indica aumento da pressão arterial. Outra orientação dos oftalmologistas: não adianta esperar muito para procurar avaliação especializada. Uma visão comprometida pelo diabetes, por exemplo, quase sempre é detectada

quando a doença metabólica já está em situação de absoluto descontrole, o que limita também o arsenal terapêutico para tratar a visão.

Diabetes A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira no mundo, assim como o glaucoma. Os especialistas do Hospital de Olhos enfatizam que, mesmo após cirurgias e tratamentos, a doença pode voltar mais agressiva, caso o diabético não adote hábitos saudáveis de vida e não controle seu níveis glicêmicos. A retina é um tecido do olho responsável pela formação das imagens e objetos visualizados. O diabetes mal controlado pode causar alterações na retina com complicações que levam à cegueira

temporária ou permanente. Quando o diabetes está descompensado, acontecem os edemas maculares, popularmente conhecidos como inchaço da retina. O edema, muitas vezes, pode ser curado com o rígido controle do diabetes associado aos novos tratamentos à base de injeções intraoculares. O diabético precisa manter sua medicação em dia, além de uma rotina de exercícios físicos diários, horários regulares para alimentação (com orientação de nutricionista) e alguns cuidados como eliminar o excesso de doces, refrigerantes, frituras e gorduras de origem animal. É necessário também diminuir o sal, utilizar alimentos diet, controlar o peso e evitar cigarros e bebidas alcoólicas. O diagnóstico para a retinopatia


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diabética é realizado com exames oftalmológicos de fundo de olho chamado mapeamento da retina.

Catarata “Entre os problemas mais comuns, além do diabetes e do glaucoma, o único que podemos resolver é o da catarata” alerta o diretor do Hospital de Olhos. A catarata é a maior causa de cegueira no mundo. Ocorre um problema no cristalino, que é a lente natural do olho, em decorrência do envelhecimento. “É como se houvesse uma fumaça na frente”, explica Marcus Safady, conselheiro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Geralmente acontece nos dois olhos, mas de maneira assimétrica. O tratamento é por meio de cirurgia. Mesmo quando a pessoa já perdeu totalmente a visão, uma simples cirurgia resolve o problema. “Se a pessoa não tiver mais nenhum problema, ela opera e vê tudo de novo”, garante o oftalmologista Dr. Carlos Bijus, médico do Hospital de Olhos. “O problema é que, na maioria das vezes, a catarata vem associada a outras doenças, como a diabetes e o glaucoma”. Mesmo sem nenhuma dessas doenças, outros fatores também podem levar a perda grave da visão e a cegueira com o avançar da idade, segundo o Dr Kenji, “No mundo desenvolvido, um dos primeiros motivos que leva à cegueira é o DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade) que pode ter início em pessoas acima de 60 anos e que além do fator genético, têm outros fatores que influenciam, como a exposição ao sol sem proteção e o tabagismo.” Nossos olhos têm mecanismos de defesa naturais, que são acionados quando entramos em contato com a luz do sol entretanto, esse processo é inibido pela escuridão proporcionada pelos óculos escuros. O resultado é que em vez de a pupila automaticamente se fechar por conta da luminosidade, ela se mantém dilatada por causa das lentes escuras, e se as lentes

não protegem, os raios ultravioletas passam e afetam a retina. Há evidências clínicas de que a catarata e a DMRI podem ter a radiação UV como uma das causas. “Por isso sempre use óculos de sol com proteção ultra violeta” alerta Dr Kenji. Para saber se os óculos que você comprou são adequados, verifique se ele tem o selo de proteção UVA e UVB na embalagem, lente ou etiqueta.

A vista cansada começa aos 40 A presbiopia ou “vista cansada”, para a maioria das pessoas inicia após os 40 anos. Ocorre por uma ineficiência do sistema de acomodação da visão para perto, levada pela perda da elasticidade do cristalino (lente natural do olho). Ler mensagens no celular ou no jornal echecar a validade de um produto tornam-se tarefas extremamente difíceis ou mesmo impossíveis. A rapidez com que a presbiopia se estabelece varia de uma pessoa para a

outra, em função da quantidade e tipo de grau que use para enxergar longe. Para a vista cansada ou presbiopia, não há indicação de cirurgia, segundo Dr. Bijus “Qualquer técnica a laser para melhorar a visão para perto fatalmente prejudicará a visão para longe, então essa cirurgia tem essa limitação. Por isso não é indicada para maioria”. A tecnologia das cirurgias a laser trouxe avanços nos tratamentos dos problemas da visão, mas ainda não é a solução para todos os problemas. “A cirurgia a laser é fantástica para miopia, astigmatismo e hipermetropia, mas não é recomendada para a vista cansada”. Também não se recomenda o implante de lentes para quem não tem problemas do cristalino, mas se a pessoa tiver com sinais de catarata, é possível corrigir a dificuldade de visão para longe e perto implantando lentes no lugar do cristalino do olho”. Por tudo isso, é sempre muito importante a consulta ao oftalmologista 


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ESPECIAL SAÚDE

O pulsante mercado da beleza Intervenções cirúrgicas e estéticas crescem e se destacam Moisés Rosa SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O

mercado da beleza sempre foi um dos mais promissores em todo o país. Intervenções cirúrgicas e estéticas são procuradas por homens e mulheres que buscam melhorar as curvas e as características da pele. O número de cirurgias plásticas cresce 10% ao ano. Já a procura por serviços estéticos cresce 30%. Em São José dos Campos e Taubaté, as clínicas comemoram os bons resultados e investem em novidades e tecnologias para os clientes. Há 32 anos na área de cirurgia plástica, Dr. João Menezes, que possui unidades em ambas as cidades, comenta à Metrópole Magazine sobre a procura dos procedimentos. A novidade está na tecnologia de ponta utilizada pelo mercado e que ainda está por vir na região. No caso das mulheres, Menezes diz que a campeã de “solicitações” é a prótese mamária, seguido de cirurgias das mamas e abdômen, além da lipoaspiração. Já para os homens, os procedimentos mais procurados são diversificados, dependendo da faixa etária. “Nos adolescentes, a maioria fica em ginecomastia [plástica mamária masculina], nariz e orelha. Para

Segundo especialistas, a preocupação com a saúde da pele deve começar a partir dos 25 anos


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os adultos são a lipo e nariz e após os 40 anos pálpebras e face”. Neste mercado, as novidades tecnológicas também podem ser utilizadas na região para atender a esta seleta gama de clientes. Menezes explica sobre uma novidade que está sendo usada para o rejuvenescimento. “Temos contribuições para a melhoria de técnicas já existentes, mas a grande novidade atualmente é a utilização da gordura. Uma das coisas que acontece com o envelhecimento é a perda de gordura, principalmente na face, e esta técnica nos ajuda a rejuvenescer uma face de um paciente mais jovem e sem fazer grandes procedimentos”, disse. “Nos Estados Unidos já se faz muita reconstrução de mamas com a enxertia de gordura, com excelentes resultados”, acrescentou Menezes. Entretanto, o cirurgião alerta para os cuidados ao fazer os procedimentos. “A primeira coisa que o paciente deve fazer é procurar saber, por meio do site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sobre a inscrição do médico. Além disso, é preciso ter sempre em mente que a cirurgia plástica é como qualquer outra, portanto é necessária uma preparação com avaliação cardiológica e risco cirúrgico, além de outros exames”, destacou.

Estética Já na parte estética, as clínicas utilizam recursos e tecnologias. Os procedimentos para a suavização de rugas e os tratamentos mais modernos possibilitam ao paciente um rápido retorno às suas atividades diárias. A dermatologista Sabrina Frossard, que possui a clínica “Plástica & Pelle” em São José, explica sobre a busca dos serviços em favor da beleza. “Hoje em dia, o consultório do dermatologista é muito diversificado, pois atendemos jovens já preocupados com os cuidados da pele, para o tratamento de acne ou mesmo para prevenção do envelhecimento. Os pacientes adultos que já apresentam sinais de envelhecimento

costumam procurar os tratamentos mais intensivos. Podemos contar com aplicação de toxina botulínica e aplicação de preenchimento para prevenção ou tratamento dos sulcos”, contou. A preocupação com a saúde da pele deve começar a partir dos 25 anos. “Os radicais livres aumentam após essa idade e podem surgir manchas e as primeiras linhas de expressão. É possível prevenir o envelhecimento tomando alguns cuidados simples, como usar filtro solar, boa alimentação e outros”, ressaltou. “Os tratamentos dermatológicos são programados de acordo com a idade, tipo de pele e estilo de vida de cada paciente”, disse a dermatologista Sabrina Frossard. Em outra clínica de São José, a maior busca das mulheres ainda é no combate à celulite e para a eliminação da gordura localizada. “O mercado de estética tem oferecido tratamentos mais seguros, acessíveis e cada vez mais eficazes. Temos novidades e novas tecnologias para nossos pacientes, tratamentos que utilizam laser, criolipólise, radiofrequência, lipocavitação, ultrassom, entre outros, com os melhores equipamentos, todos devidamente registrados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, disse a proprietária da Clínica Deluxxe, Luciana Souzza. Os valores dos procedimentos variam, em média, de R$ 150 a R$ 900, dependendo do que for realizado. “Os homens normalmente procuram por tratamentos de gordura localizada. Dentre todos, os mais procurados são Laser I-Lipo e Criolipólise (rápidos e indolores) e tratamentos faciais como limpeza de pele. As mulheres procuram tratamentos tanto corporais quanto faciais, para gordura localizada, celulite, flacidez e rejuvenescimento. Hoje, os mais procurados são a criolipólise, radiofrequência, laser CO2 fracionado, botox, preenchimentos”, explica. Apesar das novidades apresentadas pelo mercado, os adultos ainda procuram o “botox” - antigo aliado da estética - como a principal alternativa para


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diminuir as linhas de expressão e rugas. envelhecimento, a dermatologista elenca A Metrópole Magazine também foi os fatores. “Os principais fatores externos consultar a Drª. Keila Seabra, que atende que influenciam no envelhecimento da em São José, para falar sobre o assunto. pele são a exposição à radiação ultravioEla falou sobre as técnicas usadas leta sem proteção, uso de cigarro e bebipara cada idade, dependendo do quadas alcoólicas, estresse e poluição. Todos dro apresentado e das recomendações eles estão presentes na realidade de granno uso do botox. “Aos 25 anos, é essende parte das mulheres atuais”, completa. cial iniciar a reposição de peptídeos de Já em outra unidade clínica, o públicolágeno oral e procedimentos que estico masculino está marcando presença. mulem a sua produção na pele. Dentre Eles estão buscando tratamentos estétios procedimentos mais ‘queridos’ estão cos e se cuidando cada vez mais. A proo skinbuster, que é a injeção de ácido prietária da clínica Felicitá de São José, hialurônico, para a produção do coláPaula Lannarella, revela este novo comgeno, o microagulhamento e o laser de portamento na procura pelos serviços CO2”, disse a especialista. da área da beleza. Em relação ao botox, Keila explica so“O público masculino tem sido cada bre as contraindicações. “O procedimenvez mais frequente. Os tratamentos mais to é contraindicado em mulheres gráviprocurados pelos homens são os de remodas ou que estão amamentando, pessoas ção de pelos, como a depilação a laser e a com doença neuromuscular, com hiperfotodepilação, remoção de tatuagem a lasensibilidade à toxina e em pacientes ser e tratamentos de remoção de cicatrizes com inflamação na região”. de acne e foliculite. Dentre os tratamenPara prevenir os sinais do tos estéticos, os homens normalmente AF_QUA-0002-16 Anúncio Metrópole Magazine-20x13,2cm.pdf 1 21/01/16 17:02

procuram otimizar seu tempo e optam por tratamentos mais rápidos, como a criolipólise e as aplicações de enzimas”. Paula destaca os procedimentos que “fazem a cabeça” das mulheres. “A mulher, por natureza, gosta de se sentir cuidada. Além dos tratamentos mais procurados como a criolipólise, lipocavitação e depilação a laser, ela procura manter uma rotina de cuidados e bem-estar, com sessões de drenagem linfática, massagem relaxante, limpeza de pele e cuidados com o rosto, como hidratações e máscaras específicas”. Paula aconselha a adesão aos hábitos saudáveis. “Buscarmos uma vida de hábitos saudáveis contribui muito para uma pele mais bonita. O importante é não procurar o tratamento da moda ou aqueles que as amigas fizeram, mas sim o mais indicado para o seu caso. Nosso corpo funciona de maneira única e devemos tratá-lo de maneira personalizada sempre”, acrescenta. 

O Laboratório Quaglia/Grupo Sabin está inaugurando uma nova unidade em Jacareí. A qualidade certificada, o atendimento diferenciado e a agilidade na entrega dos resultados estarão mais perto de você. Além da nova unidade na Rua Alfredo Schurig, em breve, serão inauguradas mais três unidades em São José dos Campos.

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ESPECIAL SAÚDE

Prótese para autoestima Univap inicia projeto pioneiro de confeccção de próteses mamárias Rodrigo Ribeiro SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A

Univap (Universidade do Vale do Paraíba), de São José dos Campos, dará início a um projeto pioneiro no país e que promete ajudar mulheres vítimas do câncer de mama: a confecção de próteses que reconstituirão a aréola e o bico do seio de pacientes que fizeram a mastectomia - cirurgia de retirada total ou parcial da mama.. O Ambulatório de Próteses, ligado à FCS (Faculdade de Ciências da Saúde) da Univap, será o responsável pelo projeto. No local já são confeccionados, há mais de 10 anos, próteses faciais (olho, orelha e nariz) que são oferecidas sem custo para os pacientes. De acordo com a Profa. Dra. Ana Christina Claro Neves, coordenadora do Ambulatório de Próteses da Univap, o atendimento aos interessados será iniciado no primeiro trimestre deste ano. A prótese que auxiliará na reconstituição da aréola e bico do seio é composta de silicone pigmentado e é colada ao corpo com adesivo especialmente desenvolvido para este fim. “As próteses que serão confeccionadas são comumente usadas nos Estados Unidos e na Europa e têm sido muito bem aceitas pelas pacientes. Elas são confeccionadas a partir da moldagem do complexo aréolo-mamilar do lado oposto à mutilação ou confeccionada com base em imagens de pacientes saudáveis”, conta. Segundo Ana Christina, a ideia do novo projeto surgiu durante uma viagem

aos Estados Unidos. “Frequentamos cursos fora do país para nos atualizarmos e vi a prótese de mama. Já fazíamos a facial e percebi que podíamos fazer essa também. É o mesmo material e técnica que utilizamos”, conta. “Amadureci a ideia há mais de um ano e em outubro do ano passado conversei com o reitor da Univap, que me deu carta branca para desenvolver o projeto”, afirma. Diferente das próteses faciais, o novo projeto terá um custo para as pacientes. “Entretanto, o valor cobrado estará dentro dos princípios sociais da Universidade, que não visa lucro. Essas próteses nos Estados Unidos custam em torno de 400 dólares. Na Univap, embora ainda esteja em estudo o custo das mesmas para os pacientes, possivelmente será inferior a 10% desse valor”, explica. Além disso, o projeto também foi submetido à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). “Com o que temos de material, podemos iniciar os trabalhos e oferecer as próteses sem problema. Mas a busca pela Finep é para conseguirmos

uma quantia maior de material e ampliar a oferta”, conta a pesquisadora. De acordo com Ana Christina, o projeto Finep envolve além das próteses aréolo-mamilares, a reabilitação fisioterápica de pacientes mastectomizadas -parte do projeto que será desenvolvida na Faculdade de Fisioterapia por uma equipe de pesquisadores do curso. Os integrantes do laboratório aguardam uma resposta da Finep em abril próximo e o valor do projeto é superior a R$ 1 milhão, segundo Ana Christina. A professora tem certeza que haverá demanda pela prótese de mama. “Estatísticas mostram que é o câncer [de mama] que mais mata mulher no Brasil. O número de pacientes que são mastectomizadas é alto, por isso, sabemos que haverá procura”, diz. De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres brasileiras. No Brasil, são esperados 57.960 novos casos em 2016, com um risco estimado de

Pesquisadora da Univap manipulando as próteses feitas na universidade


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aprox i m adamente 56 ocorrências a cada 100 mil mulheres. Estima-se que para cada 100 mulheres com câncer de mama, apenas um homem terá a doença. Ainda segundo o Inca, em 2013, por exemplo, 14.388 pessoas morreram devido à doença, desse total, 14.207 eram mulheres. O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve devido às alterações genéticas nas células mamárias, que sofrem um crescimento anormal. Se diagnosticado precocemente e tratado oportunamente, o prognóstico é positivo e a chance de cura é alta. De acordo com pesquisadora, inicialmente, o laboratório espera atender a

demanda de pacientes do Vale do Paraíba, Sul de Minas Gerais, Litoral Norte de São Paulo e Região Bragantina, que foram mastectomizadas e necessitam da reparação aréolo-mamilar. Desde que iniciou o projeto de próteses, o ambulatório da FCS da Univap atendeu cerca de mil pacientes. Os valores investidos desde então pela Univap, não foram divulgados. O projeto surge como uma opção para mulheres mastectomizadas, mas que por algum motivo, não puderam fazer a cirurgia para reconstrução mamária.


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Reconstrução mamária A reconstrução mamária é a cirurgia plástica reparadora da mama que foi retirada, total ou parcialmente, em virtude do tratamento do câncer. Por lei, todo paciente que teve a mama retirada em decorrência do tratamento tem o direito de realizar cirurgia. Tanto o SUS (Sistema Único de Saúde) como o plano de saúde são obrigados a realizar essa cirurgia. Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que quando existirem condições técnicas e clínicas, a reconstrução mamária deverá ocorrer no mesmo ato cirúrgico de retirada da mama. Segundo a pasta, em 2014 - último período disponível pelo ministério - foram realizadas mais de 9.171 mil cirurgias de reconstrução mamária, com investimentos federais de R$ 7 milhões neste tipo de atendimento. Anúncio_Meon_04b_20x13,3cm.pdf 1 27/01/16

No mesmo período, foram realizadas 11.290 mastectomias e foi investido R$ 27,5 milhões no procedimento. Ou seja, em 2014, cerca de 2.119 pessoas não realizaram a reconstrução mamária. “A orientação é que a cirurgia de reconstrução seja realizada na retirada da mama, conforme previsto na Lei nº 12.802, de 24 de abril de 2013. A lei, porém, deixa claro que cabe à equipe médica responsável pela paciente avaliar se é possível realizar os dois procedimentos no mesmo ato cirúrgico”, informa o Ministério em nota. De acordo com as informações, a decisão é tomada com base em diversos fatores, como, por exemplo, a condição da área afetada para evitar infecção ou rejeição da prótese e a vontade da própria paciente. “É importante destacar que, segundo a lei, quando não houver indicação 22:53

clínica para realização dos dois procedimentos ao mesmo tempo, a paciente será encaminhada para acompanhamento e tem garantida a realização da cirurgia após alcançar as condições clínicas necessárias”, conclui a nota.

Atendimento na Univap O Ambulatório de Próteses da FCS fica no bloco 04 do Campus Urbanova da Univap, na av. Shishima Hifumi, 2911, na região oeste de São José dos Campos. Para agendar uma consulta, os pacientes interessados na próteses devem ligar para o telefone (12) 3947-1016. Os pacientes serão atendidos pela própria Profa. Dra. Ana Christina Claro Neves (doutora em Prótese Buco-Maxilo-Facial), pelo técnico em prótese Éderson de Souza Orlandi e pelos alunos do estágio supervisionado do curso de Odontologia da Universidade. 

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NOTÍCIAS EDUCAÇÃO

Estamos prontos? A reforma ortográfica entrou em vigor no Brasil; para educadores, muitos não estão preparados Rodrigo Ribeiro e Idelter Xavier SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

C

om o objetivo de unificar a ortografia da língua portuguesa, entrou em vigor em janeiro deste ano, a Nova Reforma Ortográfica no Brasil e nos outros sete países da CLP (Comunidade de países de Língua Portuguesa). A mudança teve seis anos

para adaptação, de 2009 a dezembro de 2015, para que as pessoas pudessem se acostumar com as alterações. Para docentes da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte), a mudança foi válida, apesar de muitas pessoas e profissionais do setor educacional não terem se preparado para ela. O objetivo da reforma é unificar e

aproximar os países que têm o português como língua oficial. Além do Brasil, integram a lista: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Portugal. A efetivação da nova ortografia estava prevista para entrar em vigor no Brasil em 1º de janeiro de 2013, mas o governo brasileiro, após consultas aos envolvidos no processo, preferiu dar mais tempo para a implantação. Apesar das mudanças iniciarem em 2016 e do período de seis anos para familiarização com as alterações, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em dezembro de 1990. O acordo restringe-se à língua escrita, ou seja, não afeta o idioma falado nos países. De acordo com o MEC (Ministério da Educação), o principal objetivo da unificação ortográfica é facilitar o processo de

Pedro Ivo Prates

Para o escritor e presidente da Academia Joseense de Letras, Wilson Roberto, a reforma foi importante


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intercâmbio cultural e científico entre os países, além de possibilitar uma divulgação mais ampla do idioma e da literatura em língua. Com a unificação, acredita-se também que será mais fácil, por exemplo, ensinar o idioma utilizando as metodologias portuguesa ou brasileira nos centros de ensino dos dois países. A circulação dos documentos dos organismos internacionais também deve ser privilegiada. Segundo o MEC, com a medida, a língua portuguesa será alterada em 0,8% dos vocábulos no Brasil e 1,3% em Portugal. As mudanças correspondem basicamente ao alfabeto, que recebeu três novas letras, acentos e uso do hífen. A Metrópole Magazine conversou com alguns docentes da RMVale que avaliaram a nova reforma e as principais mudanças na escrita do idioma. Para o escritor e presidente da Academia Joseense de Letras, Wilson Roberto, a reforma foi importante. “A intenção primeira do Acordo Ortográfico foi unificar a grafia das palavras nos países lusófonos, que são aqueles que tem a língua portuguesa como idioma oficial, especialmente para facilitar a circulação de livros e documentos entre essas nações. Olhando para esse objetivo, creio que a intenção foi válida. Entretanto, há grupos em Portugal que resistem à mudança”, diz Wilson. Wilson explica que a principal transformação diz respeito ao hífen e aos acentos. “Para o Brasil foram poucas as alterações, se compararmos a Portugal. Os maiores impactos para nós foram o uso do hífen em palavras compostas e alguns casos de acentuação”, comenta. O professor de gramática do Anglo de Taubaté e do COC de São José dos Campos, Matheus Oliveira Breviglieri, e a professora de português e inglês da EMEF Profª Sebastiana Cobra e do colégio Univap, ambos de São José dos Campos, Fernanda Scacchetti Godoi Peagno, também alertam para as mudanças no uso do hífen.

“A alteração com maior dificuldade será a que trabalhará com palavras compostas: unir ou não essas palavras, ou como muitos falam: ‘tem ou não hífen’? Como exemplo: em palavras terminadas por uma vogal e iniciadas pelas consoantes ‘r’ ou ‘s’, o hífen é retirado e dobra-se a consoante”, explica Matheus. De acordo com a explicação, as palavras ante-sala, auto-retrato, anti-social, ultra-sonografia, extra-seco, agora devem ser escritas da seguinte forma: antessala, autorretato, antissocial, ultrassonografia, extrasseco. “Este é apenas um exemplo das dificuldades encontradas. Por isso, deixo duas dicas: leia constantemente e não

tenha medo de estudar as regras”, completa Matheus. “Acho que o hífen é a pior alteração para nossa língua brasileira, mas nada que um pouco de esforço não resolva”, acredita Fernanda. “Falo muito do hífen. Ele desaparece em palavras que perderam a noção de composição, mas esse conceito, por vezes, é subjetivo. A palavra “pára-quedas” (antes) e “paraquedas” (hoje) é um exemplo. Esse assunto deveria ser tratado com mais atenção”, diz Wilson. O presidente da Academia Joseense de Letras atenta para outras mudanças. “No que diz respeito ao trema e ao acento circunflexo em vogais dobradas, basta esquecê-los. A retirada do acento agudo


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de algumas palavras pode também gerar dúvidas mais frequentes, assim como o acento diferencial, que permanece em uns casos (o verbo pôr é um exemplo)”, afirma. Assim como Wilson, o professor Matheus também classifica como válida a nova reforma. “O cidadão tem uma resistência muito grande às mudanças pois gosta de permanecer em sua zona de conforto. Esse medo do novo, que a psicologia trabalha constantemente, pode ser somado à fama que a nossa língua carrega de ser uma das mais difíceis de aprender. Estuda-se gramática da quinta à nona série e durante todo o ensino médio, mas ainda assim, grande parcela dos alunos diz ter dificuldade com seu idioma materno”, afirma. “Esses fatores fazem com que muitos reclamem sobre o estudo da reforma ortográfica e os impedem de ver a importância de tal mudança. Sim, a reforma ortográfica é válida. Cabe a nós enxergarmos que isso veio para facilitar a nossa comunicação com todos aqueles fazem uso da língua portuguesa”, completa Matheus.

Adaptação O escritor Wilson Roberto e o professor Matheus acreditam que o período para adaptação foi satisfatório. “No caso da ortografia, acho suficiente. Ainda há dúvidas, claro, mas parece que o cotidiano não exige muito. O prazo existe para dar tempo para as editoras, governos etc. mudarem suas publicações”, diz Wilson. Para Matheus, muitas pessoas esperam até o último momento para terem ciência da reforma. “Muitos textos, professores e até mesmos vestibulares continuaram a usar a escrita que esse ano passa a ser inválida, essa atitude prejudicou o processo de aprendizado da reforma. A grande parcela de falantes tem ciência da mudança, mas uma minoria fez questão de estudá-la”, analisa. “Seis anos é um período excelente para nos acostumarmos com a reforma, porém, não vi textos e nem professores

O principal objetivo da unificação ortográfica é facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países trabalhando para isso de forma efetiva. Logo, 2016 será um ano em que aprenderemos com uma certa obrigação, já que a reforma entra em vigor agora. Mas, claro, aprender por obrigação não é saudável”, diz Matheus. “Acredito que vamos partir do zero para o estudo da reforma ortográfica”, completa. Para Fernanda, a alteração terá mais utilidade no mundo acadêmico. “Não vi utilidade prática em nosso cotidiano. Talvez numa esfera acadêmica faça mais sentido. As alterações foram tranquilas. Algumas já não eram usadas há algum tempo e o período de adaptação foi justo. Mas os professores, por exemplo, preocuparam-se pouco com isso. Apenas os vestibulandos e pessoas que prestam concurso estudaram mais”, diz. Segundo Wilson, os mais interessados na reforma já se adaptaram, mesmo permanecendo algumas questões. Além disso, para o escritor, o brasileiro precisa adquirir o hábito de consultar dicionários em caso de dúvida. De acordo com Matheus, a principal importância da reforma está relacionada a uma questão social. “Notamos que à língua portuguesa é dada um nome de um país: Portugal, o país colonizador. Porém, hoje não há mais colônias, temos ciência das diferenças entre um falante português e um brasileiro, por exemplo”, explica. “Então, por que não dizer que falamos uma ‘língua brasileira’? Podemos até

brincar: se eu digo no Brasil que tenho um frigorífico em casa, pensarão que tenho uma empresa; já em Portugal, entenderão que eu tenho - o que chamamos no Brasil - uma geladeira. Assim como a palavra ‘peão’ para nós tem um significado, para Portugal é pedestre’”, completa Matheus. Para Wilson, o principal problema educacional do país, vai além da nova reforma ortográfica. “Vemos índices alarmantes de redações com nota zero no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e isso não é culpa da reforma, mas de um caos profundo na base educacional do país. Alardeia-se o número de vagas em faculdades, mas a quantidade de alunos que sai do ensino médio sem saber realmente escrever é assustadora”, comenta. “A formação de docentes também não recebe a atenção merecida, gerando professores mal preparados e mal remunerados, um círculo vicioso que precisa ser interrompido urgentemente, com uma política educacional séria e de longo prazo”, alerta Wilson.

História “Esta é a terceira mudança oficial do português no Brasil. A primeira alteração aconteceu em 1943, quando nossa escrita era mais próxima da de Portugal, mas diferente da utilizada oralmente no dia a dia. A segunda reforma aconteceu em 1971 e teve um período de transição de dois anos. Na época, o trema nos hiatos átonos, como em “vaidade”, foi extinto, além de outras alterações. Agora, após mais de 20 anos desde que a discussão para a atual reforma foi iniciada, será possível unificar a língua portuguesa para apenas uma grafia. Até então, o português era um dos únicos idiomas do mundo a ter duas normas oficiais: a brasileira e a portuguesa. O idioma é o sexto mais usada do mundo, com 230 milhões de falantes, atrás apenas do inglês, espanhol, hindu, árabe e mandarim. 


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NOTÍCIAS CINEMA

Cadê o Oscar? Títulos que chegaram a receber seis indicações ficam de fora da lista de exibição nos cinemas do Vale João Pedro Teles SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

N

o dia 28 de fevereiro, a indústria do cinema se reúne para a 88ª edição do Oscar, premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, a mais popular honraria concedida a uma produção da sétima arte. Enquanto, em Hollywood, as estrelas desfilam no red carpet na expectativa de levar uma estatueta para casa, cinéfilos do Vale se ajeitam no sofá preparando-se para uma madrugada de discursos agradecidos, musicais suntuosos, piadas mal traduzidas e, claro, torcida pelos candidatos preferidos. Até aí, tudo dentro da normalidade, não fosse por um detalhe fundamental: o fato dos cinemas da região exibirem apenas parte dos filmes que são as principais atrações da festa. Para quem gosta de cinema e sabe o quão difícil é um filme receber uma indicação para a concorridíssima premiação, fica ainda mais complicado de entender o porquê de, em grandes praças como de São José e Taubaté, algumas produções, por mais premiadas que sejam, simplesmente não chegarem. Dos indicados para este ano, por exemplo, alguns filmes que já estrearam no Brasil passaram longe dos cinemas da região. “A Grande Aposta” (indicado como melhor filme, diretor, ator coadjuvante, roteiro adaptado e montagem); “Carol” (atriz, atriz coadjuvante,

roteiro adaptado, figurino e trilha sonora) e “Steve Jobs” (ator e atriz coadjuvante), são algumas das grandes produções que, até o fechamento desta reportagem, ainda não tinham chegado aos cinemas do Vale. São José dos Campos, Taubaté e Jacareí contam com 36 salas de cinema de redes comerciais. São José é a cidade com o maior número de salas: 20, no total. São oito no Cinemark do Colinas Shopping, seis no Cinemark do Centervale Shopping e outras seis no Kinoplex do Shopping Vale Sul. O grande número de salas não significa, no entanto, que os filmes com menos apelo comercial (mesmo os indicados ao Oscar) garantam espaço. Isso acontece porque, de acordo com as empresas que detém a maioria dessas salas, o Kinoplex e o Cinemark, a escolha do que será exibido leva em consideração a disponibilidade de cópias e, principalmente, o interesse do público, que é medido pela análise dos resultados de bilheteria. Por meio de nota, a rede Cinemark informou que “as análises são realizadas no início de cada semana, sempre levando em conta critérios como o interesse do público das diferentes regiões e o gênero de cada filme”. No Kinoplex, a justificativa é praticamente a mesma. Também por meio de nota, a rede informou que está atenta ao perfil de cada região, admitiu que as produções blockbusters ganham uma quantidade maior de cópias por conta da grande demanda para este tipo de filme. Entretanto, a rede ressalta que “em 2015, dos oito filmes indicados ao Oscar,

cinco (“Sniper Americano”, “Birdman”, “Boyhood”, “O Jogo da Imitação” e “A Teoria de Tudo”) estiveram em cartaz no Kinoplex Vale Sul” e que “o Kinoplex esclarece que está sempre atento às demandas dos seus clientes”

Revolta A professora de inglês Elaine Custódio, de São José dos Campos, está ciente de que faz parte de uma parcela menos expressiva entre os consumidores de cinema. Fã da experiência cinematográfica (aquela de entrar na sala escura, desfrutar da tela grande e da qualidade do som), Elaine já perdeu as contas de quantas vezes se decepcionou por não encontrar nos cinemas da região um filme que esteja querendo assistir. “O que mais me irrita é que é sempre a mesma coisa: comédia brasileira ruim, superproduções norte-americanas e desenho animado. Claro que passam algumas coisas relevantes, mas normalmente são poucos filmes e em poucos horários. O pior é que esse não é um problema só das redes, mas também do


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Com mais de uma indicação, “Carol” nem chegou aos cinemas da RMVale

Divulgação


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Divulgação

público, que encara o cinema como um entretenimento raso. Assim, qualquer coisa mais importante não dá público”, comenta. Dos indicados ao Oscar, a professora gostaria de ver “Carol”, “Trumbo” e “Steve Jobs”. Sem a chance de assistir no cinema, o jeito foi apelar para a internet. “Claro que prefiro assistir na sala de cinema, mas como não chega, preciso encontrar na internet uma outra maneira. Não é a mesma coisa, mas pelo menos dá para se atualizar”, explica. Se acompanhar todos os candidatos às categorias mais nobres já é uma tarefa homérica na região, quando o tema é animação, documentário ou filmes estrangeiros, aí a vida do cinéfilo fica ainda mais difícil. De todas essas produções, somente a animação “Divertida Mente” deu as caras pelas salas da região. Nem mesmo o brasileiro “O Menino e o Mundo” (exibido apenas no Sesc São José) e o documentário “Amy”, sobre a conturbada vida da cantora Amy Winehouse, estiveram nas salas da região.

O drama “O Quarto de Jack”, atuação e roteiro espetaculares que não chegaram ao Vale

Reflexão Antes de sair por aí colocando a culpa na indústria cinematográfica, o crítico de cinema Carlos Campos propõe uma reflexão do público. De acordo com ele, o problema não é exclusividade do Vale do Paraíba. Os filmes do Oscar não costumam ter espaço nos cinemas brasileiros em geral e os espectadores são tão culpados quanto a indústria. “No Brasil, as distribuidoras até tentam aproveitar o burburinho das premiações para lançar estrategicamente essas fitas o mais próximo possível desses eventos mais famosos, aproveitando os holofotes que as indicações colocam em cima dessas obras. Acontece que, por mais que os cinéfilos de carteirinha achem um absurdo longas tão aplaudidos terem tão pouca representatividade

no grande circuito comercial, a verdade é que o expectador mais casual, um montante significativo do público que compra ingresso, não se importa

nem um pouco com esses longas, indo às salas escuras para ver outras produções mais atraentes a seus gostos pessoais, na base do fast-food e da diversão


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descompromissada”, provoca. O problema, portanto, esbarra também na formação de público. Com um mercado cinematográfico cada vez mais condicionado pelos atrativos tecnológicos, filmes cujo enredo seja um pouco mais exigente tendem cada vez mais a ficarem no fundo das prateleiras para “cumprir tabela”, como afirma Campos. “Ou seja, ou as pessoas passam a prestigiar esse tipo de cinematografia, ou vai continuar acontecendo o que vem acontecendo em terras joseenses: eles serão ignorados. Não por maldade daqueles que gerenciam a cadeia de cinemas, como se a decisão fosse arbitrária ou representasse uma falta de tato por parte deles, mas por causa de uma das mais usuais práticas mercadológicas: não havendo consumo, poucos esforços serão feitos para sanar uma demanda tão baixa”, explica.

Formação de público No Sesc São José dos Campos, a experiência de exibir títulos que ficam de fora do cenário comercial tem frequentemente lotado o auditório com capacidade para 126 pessoas. Atualmente, as sessões acontecem todos os domingos às 18h e já têm um público cativo, mas nem sempre foi assim. De acordo com a animadora cultural Maria Cláudia Curtolo, foi necessário insistir na fórmula para despertar o gosto do cinema alternativo. “Nossa curadoria privilegia a diversificação de gêneros, recortes, produções e diretores. Sabemos que no gosto do público, algumas percepções estão cristalizadas, mas é preciso ir quebrando essa resistência. Quanto ao Oscar deste ano, estamos pesquisando títulos para montar uma programação crítica, como opção para os filmes não contemplados pelas salas de exibição comercial,

mas na maioria dos casos, esbarramos no formato de exibição, que considera complexos suportes. Em outros casos, a indisponibilidade de filmes acontece por conta de distribuição inexistente no país”, conta. Investir em práticas que favoreçam recortes de gêneros, que aproximem cineastas do público e que ofereçam debates e palestras para refinar a experiência cinematográfica, foi o caminho das pedras para fidelizar o público. “Em 2015 fizemos um recorte apenas com filmes de ficção científica. Trouxemos sociólogos para debater os temas antes das sessões e conseguimos trazer um público bastante diversificado”, comenta. Pois é. Pelo menos por enquanto, assistir toda a lista de filmes indicados às principais categorias do Oscar nos cinemas da região parece mesmo um sonho distante para os cinéfilos. 


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O Lolla está chegando Redação SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

E

vento que já entrou no calendário anual no Brasil, o Lollapalooza acontece no início do próximo mês (12 e 13 de março). Os nomes que encabeçam o line-up deste ano incluem Eminem, Florence + The Machine (foto), Snoop Dog, Mumford & Sons, Noel Gallagher’s High Flying Birds e Alabama Shakes. Sem entrar na discussão sobre a qualidade das escolhas da produção para este ano, mas parece que o público não se empolgou muito, tanto que os ingressos estão esperando para serem comprados, com preço de bilheteria e tudo mais. Mas o fato é que o Lolla pode te surpreender fora dos palcos principais, e essa sempre foi a ideia do evento que acontece nos Estados Unidos há mais de duas décadas. Por exemplo, Die Antwoord, Of Monsters and Men e Marina And The Diamonds, tocam no primeiro dia. Se você quer fugir da impossibilidade de compreensão das letras do rapper Eminem, essas são boas saídas. Quer saudosismo? Vá de Bad Religion, banda que tem história e seguidores fervorosos. Quer matar a curiosidade? Tem o Eagles of Death Metal, banda que tocava durante os atentados de Paris. No segundo dia você pode conferir o que Albert Hammond Jr. (The Strokes) está aprontando na carreira solo - que na maior parte do tempo parecem canções que não couberam nos lançamentos dos Strokes. Enfim, o Lollapalooza é uma experiência e você tem que estar aberto para ela. Basta querer ouvir coisas novas sem julgar a capa do disco.

Fotos: divulgação

Cultura&


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Maria Bethânia Caderno de Poesias

DVD&

Preço: R$39,90

Gravado ao vivo na Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Bethânia interpreta obras literárias e musicais de grandes escritores, poetas e músicos brasileiros e portugueses, incluindo nomes como Guimarães Rosa, Dorival Caymmi, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e vários outros.

CINEMA&

LITERATURA&

O Quarto de Jack

Uma Garrafa No Mar de Gaza Valéria Zenatti

Um dos indicados ao Oscar de melhor filme em 2016, “O Quarto de Jack” estreia neste mês nos cinemas brasileiros. O drama conta a história de uma mãe sequestrada e abusada, que tenta garantir a segurança do filho dentro do cativeiro onde é mantida como refém. Neste processo, ela cria um mundo imaginário que só existe

ali dentro, fazendo a criança acreditar que além das paredes, não existe nada. A readaptação de ambos ao mundo real é o foco principal do filme. A reflexão do espectador é inevitável sobre questões do cotidiano que nos passam despercebidas. Vale também a atuação impecável de Brie Larson.

Preço: R$26 História extremamente atual e reflexiva. Personagens que vivem o terror de viver numa região onde uma bomba pode explodir a qualquer minuto, e não há nada que se possa fazer contra isso. No livro, mensagens são transmitidas e recebidas por personagens que não se conhecem e não se encontram, mas todos vivem seus dramas pessoais por conta da guerra.

SOM&

Coldplay A Head Full Of Dreams (Warner Music)

Preço: R$42,90

O álbum, gravado em Malibu, Los Angeles e Londres, foi produzido pela dupla norueguesa Stargate junto com o colaborador de longa data da banda, Rik Simpson, tem mais participações que qualquer outro álbum da banda, como; Beyoncé, Noel Gallagher, Tove Lo e Merry Clayton, dentre as 11 faixas (12, se você contar com o tesouro enterrado da faixa escondida: X Marks The Spot). Diferente do projeto anterior que tinha uma atmosfera mais intimista e melancólica, o novo álbum é uma explosão de energia, cores e grandes momentos cheios de vida como já indica o efervescente single de abertura “Adventure Of A Lifetime” e o enérgico “Hymn For The Weekend”.

David Bowie Nothing Has Changed

(Warner Music) Preço: R$72,90

É claro que depois da morte de David Bowie, o mercado ganhou uma avalanche de coletâneas. Nem todas tão boas como essa, que teve a participação do músico e do produtor Tony Visconti na escolha das faixas. Cada formato de distribuição tem sua capa específica (CD e vinil) e a seleção de faixas realmente não deixa nenhuma lacuna na carreira genial deste músico. Se é para iniciar em Bowie a escolha é essa.


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NOTÍCIAS LITERATURA

Romances analógicos, amores digitais Em ‘Mulher Incrível’, Alexandre Petillo narra as dificuldades de um relacionamento no século 21 João Pedro Teles SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

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abe aquele baterista que deixa a embiocada retaguarda do palco para enfim lançar voo solo com suas próprias composições? Pois é ao melhor estilo Dave Grohl que o jornalista e escritor aparecidense Alexandre Petillo encara seu 6º trabalho literário, “Mulher Incrível”, que a editora Belas Letras lança em 8 de março. Explico, nas primeiras experiências Petillo atua ora em tabelinha com outros escritores, ora como editor em publicações que trazem uma compilação de artigos de gente do calibre de Chico Buarque, Rolando Boldrin, Léo Jaime ou Washigton Olivetto. Mas engana-se quem pensa que o autor encara a nova empreitada completamente só. As ilustres parcerias de outras publicações são (muito bem) substituídas pelas tão imprevisíveis quanto sedutoras musas oníricas que desfilam nos delírios literários do escritor. É a elas que, em escancarada reverência, o aparecidense entrega seu coração de bandeja em cada uma das 37 crônicas de idolatria caleidoscópica publicadas na obra. O livro é um compilado de textos que, de acordo com o autor, lhe economizaram horas de divã. Um exercício de autoconhecimento que - veja só - encontrou no epicentro das emoções o

A Mulher Incrível

Lançamento: 8 de março, na livraria Saraiva Megastore, Shopping Center Vale, às 19h Autor: Alexandre Petillo Editora: Belas Letras Quanto: R$ 29,90 (preço sugerido) Número de páginas: 128

arquétipo feminino que “impõe sua presença. Conhece as regras tanto de um jantar cinco estrelas como de uma trepada num pulgueiro qualquer, alta madrugada”, como conta o escritor na crônica que dá título ao livro. Freud explica? Sei que o Petillo explica: “Assim como acontece em 99% dos casos, comecei a

escrever sobre relacionamentos depois de levar um sonoro pé na bunda. Aí vem a vontade de mandar aquelas mensagens inconvenientes, de ligar de madrugada e o roteiro autodestrutivo que todo mundo já conhece. Digo que economizei horas de terapia porque quando você senta disposto a escrever, a mergulhar de forma autêntica nas suas questões, as verdades inconvenientes começam a emergir. É um divã mais barato”, conta. Bares, quartos esfumaçados, amanheceres absortos, horas de estrada ou praias desertas. Tudo vira pano de fundo para uma sucessão de mergulhos a um universo onde, em habilidosa execução de ventriloquia, as girls se colocam invariavelmente no comando das ações. Debochando, infalíveis, da máxima do sexo frágil. Apesar da característica autobiográfica da obra, o autor garante que nem todas as histórias ali se passaram com ele. É quando, de paciente do divã literário, o escritor assume na boa o posto de “Analista de Aparecida”. Mas ao contrário do confrade bageense, Petillo dá corda aos discursos lamuriosos de amores que ainda ecoam no coração partido dos colegas. “Só coloco ali alguns elementos poéticos, alguma pitada literária para que aquilo vire crônica. Mas na essência são todas histórias que ouvi de amigos”.

Anacrônico “Um cara analógico em tempos digitais” é uma definição usada no seriado norte-americano Californication, mas que Petillo gosta de emprestar quando quer resumir por que prefere um bom papo a grupos no WhatsApp ou para explicar o motivo que o faz estar mais inclinado a aceitar convites para uma mesa de bar do que finalmente abrir uma conta no Facebook, rede social que não frequenta desde sempre. O aparecidense jura que não quer levantar nenhuma bandeira. Que as pausas para vídeos e piadinhas


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Fotos: Pedro Ivo Prates

“Assim como acontece em 99% dos casos, comecei a escrever sobre relacionamentos depois de levar um sonoro pé na bunda”

do Facebook lhe tomariam muito do tempo que atualmente divide entre a Kurundu, produtora de vídeos da qual é sócio, a literatura e o jornalismo. Entretanto, foi nas redes sociais que os textos de Petillo começaram a chamar a atenção do grande público. “Esse texto, ‘A Mulher Incrível’, teve lá uns 150 mil compartilhamentos nas redes sociais. Muita gente se identificou, principalmente as mulheres, que foram as que mais comentaram. As pessoas me escreviam dizendo que já tinham passado por isso em algum momento da vida. Teve quem se inspirou a também começar a escrever. Esse retorno de quem lê seu texto é a parte mais legal da internet”, diz. Se o feedback dos leitores confere aquela necessária lustradinha no ego, a

velocidade com que apega-se e descarta-se um texto, uma notícia, uma imagem e, consequentemente, um amor, faz o anacrônico autor patinar, rodopiar e, por fim, embundar-se na pista de gelo das relações dos nossos tempos. Esse sentimento deslocado de quem tenta acompanhar na corrida o bonde chamado progresso, que por sua vez acelera em modernidade, sumindo da vista, é conflito presente na maioria dos textos do novo livro. O retrato que Petillo captura da mulher dos nossos tempos é feito na Pentax cinquentinha velha de guerra. Extraído bem de perto, maturado e digerido na química do quarto escuro antes de emergir. “Antes de tudo é um livro sobre a mulher do século 21. Aquelas pelas quais nos apaixonamos, mas ainda não

sabemos lidar direito. Acho que estacionei naquela época onde tudo era preto no branco. Os textos abordam relações intensas, que desnorteiam, deixam rastros, mas que acabam por evaporar nessa intimidade etérea dos novos relacionamentos”, conta. Mas sem grilos. O fato aqui é aceitar que “você vai encontrar uma mulher incrível. E vai perdê-la”, como prenuncia a frase do próprio Petillo antes de começarmos a leitura, soando ali (ao lado da intimidadora ilustração femme fatale) como um alerta aos românticos desavisados. E se escapam as moças e seus delirantes desfiles de calcinha e camiseta (a sua camiseta) pelo corredor, sobram-nos os textos de “Mulher Incrível” para afogarmos as mágoas dos amores modernos. 


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NOTÍCIAS ANIVERSÁRIO

Equipe da redação do Meon, em São José dos Campos


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Pedro Ivo Prates

Portal Meon completa dois anos... ... e cumpre diariamente o desafio de levar informação com qualidade e rapidez Moisés Rosa e Rodrigo Ribeiro SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O

O portal Meon completou no último dia 14 de fevereiro dois anos de existência e, desde então, registra mais de 13 milhões de páginas visualizadas, com um índice promissor de novos visitantes diariamente. No período, o veículo acompanhou de perto todos os principais acontecimentos da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte), produzindo reportagens com a agilidade e imediatismo que a internet demanda. Além do conteúdo regional, feito exclusivamente pela equipe de jornalismo do Meon para os mais de 2,4 milhões de habitantes das 39 cidades da RMVale, o portal traz ainda as principais notícias do Brasil e do mundo, em tempo real. A redação do Meon trabalha nos sete dias da semana, superando barreiras diárias para que todo esse conteúdo esteja disponível de forma clara e objetiva na tela do computador, tablet ou smartphone do internauta. Logo nas primeiras horas do dia, é feita uma reunião de pauta em que os principais assuntos, que estão em “alta” na RMVale, são discutidos. A partir daí, inicia-se a busca por

informações que podem se transformar em uma reportagem. Durante todo o dia, a trilha sonora na redação é composta pelos sons dos teclados dos computadores e conversas pelo telefone com assessorias de imprensa de todo o país e possíveis personagens das matérias. As ruas das cidades da RMVale também são ambientes de trabalho do Meon, já que, na maioria das vezes, é lá que a notícia nasce. Apesar de estar sediado em São José dos Campos, o Grupo Meon de Comunicação possui infraestrutura material e pessoal para estar nas 39 cidades da região. É assim, com um ritmo acelerado, que a redação, seja num ambiente interno ou externo, funciona e trabalha para levar a informação de qualidade em primeira mão. O portal também possui equipes de profissionais no setor administrativo e no comercial e marketing, responsáveis pelas diversas parcerias que o veículo possui e pela logística para a distribuição de todo o conteúdo produzido. Sempre à frente do seu tempo, o Meon ainda conta com tecnologia para transmitir, com qualidade digital e ao vivo, eventos de porte local, nacional e internacional como, por exemplo, o Cerco de Jericó, o São José 2030, etc. A chegada do portal à RMVale foi tão bem aceita que, um ano após sua


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estreia no mercado, foi criada a revista Metrópole Magazine, o que ocasionou na criação do Grupo Meon de Comunicação. O conteúdo é produzido mensalmente com a tiragem de 15 mil exemplares, que são distribuídos gratuitamente nas cidades da região. O engenheiro Marcos Ferreira de Paula, 38 anos, mora no Jardim Terras do Sul, em São José dos Campos, e viu com bons olhos a chegado do Meon à região.”O Meon deu uma nova cara para o jornalismo da região, saindo do tradicional veículo de comunicação, sempre atualizado e saindo na frente dos demais”, diz. “Acesso o portal para me manter informado sobre os diversos assuntos da região. A importância do Meon é grande, pois ficar informado é estar alinhado com o que acontece na sua cidade e região, independente do assunto: esporte, política etc”, comenta Marcos. Para o engenheiro, ter uma nova opção é dar a chance de a população escolher o canal de informação que lhe atenda. “Isso obriga os demais a melhorarem cada vez mais: a chamada concorrência benéfica para a sociedade. O que o portal tem de melhor é a velocidade das informações, bem à frente dos outros”, conclui Marcos. Outra internauta que acompanha as notícias do Meon é a moradora de Caçapava, Cidinha Ludgero, 60 anos, dona de casa e moradora do bairro Santa Isabel. Desde a criação do portal, ela se diz mais informada e sempre “conectada” com a agilidade da notícia. “Consigo ficar bem informada com as notícias do portal. Ao final do dia, sempre acesso para saber das informações, principalmente sobre política, esportes e policial. Gosto muito e compartilho as reportagens que são interessantes”, comenta.

App Agora, além das mídias digitais e impressa, uma nova ferramenta foi criada

para melhorar ainda mais a relação entre o Meon e o público: um aplicativo para smartphone no qual é possível acessar, de forma rápida, as últimas notícias da RMVale e ainda enviar conteúdo, com fotos e vídeos, diretamente para a redação. De acordo com o engenheiro eletrônico Fernando Oliveira, responsável pela criação do aplicativo, o internauta poderá estar ainda mais próximo do Meon. O aplicativo estará disponível em 14 de fevereiro, data que marca os

dois anos do portal Meon. Com o aplicativo, será possível enviar fotos, denúncias, vídeos e encaminhar sugestões de matérias para os jornalistas. “Uma das principais funcionalidades é a aba de sugestões de notícias, que permitirá, com certa praticidade, que o usuário envie sugestões, inclusive com imagens, para a redação do Meon. Essa interatividade pode ser utilizada também em promoções e interações relâmpago. As informações enviadas pelos usuários estarão disponíveis no Meon


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Adriano Pereira

Leitoras do Meon conhecem o aplicativo

por meio da central de interação com o aplicativo, que controlará os banners, receberá as sugestões enviadas e ainda permitirá ao portal o envio de notificações aos usuários, com notícias importantes e/ou promoções”. Oliveira destaca a importância deste canal com o internauta. “O aplicativo permite maximizar a eficiência dos recursos do site, oferecendo uma navegação limpa e facilitando ao usuário obter mais informação em menor tempo. Um dos principais benefícios para

o Meon é o fortalecimento da marca e uma significativa melhora no relacionamento com leitores, pois passa a ter presença em qualquer tipo de dispositivo móvel, como tablets, smartphones Android, Iphone ou Windows Phone. A capacidade de sincronizar o aplicativo com as notícias do site e as redes sociais melhora a difusão de conteúdos de virtualização e os usuários podem facilmente compartilhar a informação, além de fornecer uma comunicação fluída e interativa”, completa. 


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NOTÍCIAS TURISMO

Passaporte à prova de crise Em meio aos problemas econômicos enfrentados pelo Brasil, é possível encontrar bons destinos e viajar sem gastar muito Divulgação

Marcus Alvarenga SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

E

xistem aquelas pessoas que esperam ansiosamente pelas férias ou por alguns dias de folga para arrumar as malas e aproveitar uma bela viagem. Mas, a economia instável do Brasil deixam os turistas cada vez mais atentos para aproveitar os destinos mais acessíveis e que cabem em seu orçamento. As agências de turismo continuam sendo procuradas para viagens nacionais e internacionais, mas tiveram mudanças nas rotas alternativas escolhidas pelos turistas. Os países do Oriente Médio e da América do Sul estão garantidos na lista dos lugares mais procurados, assim como as regiões litorâneas do Brasil. A sugestão das agências e dos turistas viciados em viagens é pesquisar os destinos de menor desvalorização da moeda brasileira ou opções em que é possível gastar em real. A gerente regional da CVC, Daniela Cristiane, apresenta para os seus clientes países que apresentam opções de serviços de alimentação e hospedagem econômicos. “A África do Sul, Índia e a Tailândia se tornaram destinos bastante atraentes para o bolso este ano. Atualmente, um rand (África do Sul) equivale a R$ 0,29, uma rupia (Índia) vale R$ 0,06, e um bath (Tailândia) vale R$ 0,11”, apresenta a gerente. O país que sediou a Copa do Mundo de 2012 é um destino altamente

Bruna Lemos, empresária joseense, preferiu o Litoral Brasileiro nas viagens de 2016


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Um dos passeios no Peru pode ser a navegação com barcos rústicos pelo Lago Titicaca

favorável para se conhecer nesse período de crise. Na África do Sul é possível conhecer os grandes estádios que sediaram os jogos, realizar safáris e conhecer a cultura africana, tudo isso sem precisar de visto para entrar no país. O outro lado do mundo conta com uma cultura oriental totalmente diferente da nossa, o que já é uma ótima justificativa para conhecer a Índia ou a Tailândia. A culinária exótica e

sofisticada, os templos budistas, ilhas e praias são desculpas valiosas para conhecer países em que a moeda está mais barata que o real. O Taj Mahal, uma das sete maravilhas modernas, não pode ser esquecido no roteiro da viagem para a Índia. Os destinos mais distantes implicam um gasto ao turista entre R$ 150 a R$ 400 por dia. Os países da América do Sul também são ótimas opções para

experiências incríveis e conhecimento histórico do continente, mas no bolso vai sair um pouco mais caro. A empresária de São José dos Campos, Bruna Lemos, 26 anos, foi para o Chile em agosto de 2015 e recomenda que sejam planejados os gastos antes de entrar no avião. “Desde mais nova procuro conhecer vários países. Em 2015 fui para o Chile e me assustei com alguns preços. Pagamos com milhas as passagens aéreas, sem preocupação, mas um refrigerante lá custou R$ 12 e um jantar passou dos R$ 300”, relata. A escolha dos hotéis, restaurantes e passeios pode alterar totalmente o valor da sua viagem. Se comparado ao destino de desejo de muitos brasileiros, a América do Norte e a Europa, os nossos países vizinhos são ótimas opções. Atualmente $1000 pesos chilenos valem em torno de R$ 5,70, $10 pesos argentinos estão próximos dos R$ 3 e o $1 novo sol, moeda peruana, chega a valer R$ 1,20. Entre as principais atrações para quem vai até o Chile está a gastronomia local, como o vinho chileno e o caranguejo gigante. Os pontos positivos são fortes, mas a atenção para não exagerar nos gastos é necessária. A joseense planejava gastar cerca de R$ 3 mil, mas a viagem teve um custo três vezes maior do que o esperado. A cultura ancestral inca ainda pode ser relembrada e valorizada por meio das ruínas da antiga cidade de Machu Picchu, no Peru. O estudante de engenharia ambiental Eric Ferrari 20 anos, morador de Caçapava, foi conhecer o país em 2015, mas optou por fazer um “mochilão”. Ele também percebeu as alterações da alta do dólar e da desvalorização do real. O mochileiro é um estilo de turista que se hospeda em quartos compartilhados em hostels. Normalmente


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jovens, com média entre 20 e 30 anos, que procuram de estratégias de menor consumo para conhecer os destinos. “A moeda do Peru é quase igual ao real, mas a viagem ficou mais cara do que o normal. Agora, em 2016, já não sei se continua financeiramente interessante viajar para lá, mas na minha opinião, ainda é o país menos oneroso da América Sul e vale a pena conhecer”, relata. O estudante apontou os alojamentos como um dos produtos em que é possível notar a alteração dos valores. Fator que ajudou a proporcionar um gasto total de quase R$ 4 mil durante 14 dias de mochilão. “Em uma viagem de mochilão a gente busca gastar o menos possível e aproveitar tudo o que podemos. Não podíamos deixar de fazer os passeios principais, que pagamos cerca de 70 dólares. Os hostels,

que sairiam a diária por R$ 15, pagamos entre R$ 30 e R$ 40”, diz Ferrari. A administradora e sócia da agência de turismo Tuim, Luciana Salvioto, afirma que tudo dependerá do planejamento do turista, de organizar uma viajem ao exterior e guardar o dinheiro total ou procurar destinos contrários dos grandes centros turísticos. “A nossa moeda circula nos países da América Latina, mas tudo se compra com o dólar. Os cartões de débito e crédito, os produtos e até as trocas de câmbio são baseadas na moeda americana”, explica a administradora. Para os dois turistas entrevistados pela Metrópole Magazine, 2016 é o ano de desbravar o Brasil e conhecer um pouco mais do nosso país. “Agora está inviável viajar para fora, tudo está semelhante ao preço do euro e do dólar. Esse ano tentarei ir ao

litoral brasileiro, próximo de Piauí, e também estou pesquisando sobre Bonito”, diz o caçapavense. A empresária de São José comentou a dificuldade que foi encontrar um espaço nos hotéis para aproveitar o feriado de Carnaval. “No Brasil está ficando tudo lotado. No início de janeiro, eu procurei hotéis no Norte e Nordeste para o Carnaval, mas já estavam todos cheios”, destaca Bruna. Os destinos nacionais mais procurados na agência da Luciana são as praias nordestinas e os pontos turísticos do Sul, como as Cataratas do Iguaçu, uma das sete maravilhas naturais do mundo. “A receptividade e estrutura do sul do Brasil, como os belos resorts nacionais na região quente do país, são os destinos escolhidos pelos turistas que desistiram de ir para a Europa”, conclui. 

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Gastronomia& Riso venere ai frutti di mare, prato saboroso servido pelo Il Vicoletto


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Fotos: Pedro Ivo Prates

O charme está na pessoalidade Transitando entre a comida francesa e a italiana, o Il Vicoletto traz exclusividade Regina Laranjeira Baumann SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

E

m primeiro lugar na lista da TripAdvisor, com maior número de recomendações como o melhor restaurante de São José dos Campos, o Il Vicoletto, orquestrado pelos chefs Adolfo Pierantoni e Marcelo Pasqualini, recebeu a Metrópole Magazine para degustar um menu que está entre os mais elogiados da casa. Descontraídos, demonstram harmonia contagiante, com Adolfo “parlando” um italiano forte e Marcelo se divertindo em ouvir o “Mestre”. O dois se conheceram quando Marcelo terminou a faculdade de administração e, seguindo orientação da mãe, grande incentivadora pela busca da realização pessoal, foi lavar pratos no bistrô onde Adolfo era sócio. Gostou tanto do ambiente e com a certeza de que essa era a profissão na qual iria se realizar, matriculou-se em gastronomia no Senac, em Campos do Jordão, estudando pela manhã e trabalhando à noite. Adolfo, por sua vez, chegou a São José dos Campos em 2003, depois de morar seis anos entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Proposta Muito se passou até que em 01 de maio de 2012 enveredassem por essa proposta. Marcelo foi para São Paulo e trabalhou em restaurantes renomados enquanto

Adolfo ficou por aqui e, quando se reencontraram, resolveram apostar em algo diferente de tudo o que havia, a partir do “oferecimento de uma refeição o mais original possível e com respeito e carinho pela cozinha” explica Adolfo, “com comida boa, num ambiente descontraído, produtos escolhidos pessoal e diariamente”, completa Marcelo. A ideia é um menu variado, transitando entre a comida francesa e a italiana, combinando ingredientes que surpreendem os frequentadores mais exigentes. Fazem questão que as decisões sejam tomadas em conjunto “somos amigos, antes de tudo e confiamos um no outro de olhos fechados”, frisa Adolfo para explicar o resultado natural dessa cumplicidade, cuja harmonia é perceptível aos frequentadores que, mais que clientes, tornam-se amigos. “É raro não conversarmos com o cliente que espera por essa interatividade” completa Adolfo, lembrando que em algumas situações, os clientes ficam frustrados quando, pelo excesso de trabalho, não é possível contar alguma história. O resultado é que o Il Vicoletto conquistou um espaço que agrada paladares dos mais requintados, sendo quase impossível conseguir uma mesa sem reserva, às vezes com dias de antecedência. Não cogitam ampliar o número de mesas porque acreditam que o serviço personalizado tem um limite. “Penso que a satisfação dos nossos clientes está nessa cumplicidade, no cuidado em preparar profissionais que hoje


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Acima, a sobremesa de mil folhas, com recheio delicado e menos doce como a versão europeia; ao lado, os chefs Adolfo Pierantoni e Marcelo Pasqualini


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formam uma equipe excelente; em adquirir produtos especiais, como a azeitona siciliana, a massa, o magret de canard ou o confit de pato, entre outros, que você só poderá comprar em São Paulo”. Apresentando todos os pratos do cardápio e contando como cada alimento é adquirido e preparado individualmente, o Il Vicoletto chama a atenção também pela disponibilidade dos chefs em atender, pessoalmente, todas as noites e permitir a flexibilização do cardápio, deixando o cliente compor o prato entre aqueles que estão no cardápio, ou dizer o que querem comer, se tiverem os ingredientes na Casa. “Não tem razão para eu não fazer determinado prato se tenho todos os ingredientes, só porque não está no cardápio” diz Adolfo. O serviço personalizado traz algumas características que deve nortear aqueles que não dispensam a melhor comida: não há nada pré-pronto, tudo é feito na hora, o que pode levar mais tempo que em outros restaurantes e as reservas permitem atraso de no máximo 15 minutos, limitado a um número máximo de 40 clientes por noite. 

O azeite trufado dá o toque final do tagliatelle

Algumas delícias do Il Vicoletto Couvert Azeitona siciliana, manteiga com sal, pasta de tomate seco e pasta de tartufo, acompanha pão caseiro Entrada (foto) Steak tartare - filet mignon cortado na faca, com uma receita própria, que privilegia os condimentos, agradando o paladar brasileiro. Acompanha saladinha verde e torrada de pão feito no próprio restaurante

Pratos principais - Tagliatelle al tartufo, que é uma massa de ovo, quase fresca, com cogumelo-de-paris e shitake, puxado com creme de leite fresco, azeite trufado e farofa de pão - Riso venere ai frutti di mare, preparado com arroz negro, finalizado com manteiga, parmesão e frutos do mar – lula, polvo, camarão grande e peixe

Sobremesa mil folhas Massa folhada, creme de confeiteiro, sob creme de morango e açúcar de confeiteiro. Se destaca pelo creme delicado, com diminuição de açúcar que, por ser de cana, explicam os chefs, é mais doce que o de beterraba, usado na Europa


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Social& por Rosi Masiero Fotos: Carol Tomba

Os festeiros do litoral Os amigos Leandro Pereira, Reinaldinho Moreira e Bruno Gissoni se uniram para organizar eventos no Litoral Norte. Aproveitando a demanda do verão, em 2012 realizaram a primeira festa no Sea Club, de Ilhabela. De lá para cá, o trio só tem colhido bons frutos, já que suas festas estão ganhando status de eventos oficiais nas cidades litorâneas.

Boa forma não tem idade Sem medo de envelhecer, Ana Luisa Mendes, chega aos 43 anos deixando muita garota para trás. Sempre aliando saúde e boa forma, a esportista que é corredora, hoje encontrou uma nova paixão: o triatlo. A modalidade, que une corrida, ciclismo e natação, tem feito a nova atleta se dedicar 100% aos treinos que são realizados diariamente nas ruas da região do bairro Urbanova.

Conquistando pelo bom gosto A estilista Carolina Barbosa anda chamando atenção do mundo fashion na capital e na região do Vale do Paraíba, com as suas criações. Após vencer concurso na faculdade de moda onde estudava, a ex-modelo fincou a agulha no ramo e criou a coleção e a marca Contraponto. O conhecimento no ramo foi transmitido pela tia-avó que trabalhava como modista. Hoje ela vem colhendo os frutos, já que possui habilidades de desenhar, modelar e confeccionar as roupas.


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50 anos expostos Ela já foi a “namoradinha do Brasil”, viúva nada santeira, a forte Malu, a musical Chiquinha, além de Lilian, Helena, Melissa, Nina, Isabel, Raquel, entre tantos personagens, isso somente na televisão. Também participou como atriz em dezenas de filmes e peças de teatro. Foi premiada por diversas vezes como melhor atriz, além de receber inúmeras homenagens. Esse é um breve currículo de Regina Duarte, que comemora 50 anos de carreira Para mostrar um pouco da história desse ícone da televisão brasileira, o Vale Sul Shopping, em São José dos Campos, recebe a exposição “Espelho da Arte – A Atriz e seu Tempo”, até o dia 29 de fevereiro, das 10h às 22h, com acesso gratuito. A mostra dos trabalhos de Regina Duarte no Vale Sul Shopping tem curadoria do ator e artista plástico Ivan Izzo. A exposição é uma linha do tempo que conduz os visitantes por 22 ambientes com fotos, vídeos, objetos, réplicas e originais de figurinos, além de capas e matérias de jornais e revistas retratando o trabalho da atriz. O Vale Sul Shopping é o primeiro centro de compras do Vale do Paraíba a receber a exposição, que já atraiu mais de 500 mil pessoas pelo Brasil desde 2012. Sustentabilidade - Esta é a primeira exposição artística-cultural sustentável do Brasil. O cenário é feito de papelão, a iluminação é composta por refletores PAR LED que economizam 80% da energia e ecopontos de coleta seletiva estão instalados no espaço


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Arquitetura& Por Eduardo Pandeló

Eu quero uma casa no campo

Simplicidade com elegância, aconchego e conforto: elementos dos sonhos

C

omo na música de Zé Rodrix e Tavito, eternizada na voz de Elis Regina, o sonho de uma casa no campo, mas com o conforto moderno e a segurança de um condomínio, em São José dos Campos, foi o desafio lançado para os arquitetos Eliane e Olivo Altenfelder. O casal de arquitetos precisou trabalhar duro para executar o projeto em um terreno em aclive e com uma área aproximada de 265m². Um jovem casal com dois filhos pequenos pediu uma casa com alguns detalhes rústicos e lembranças do campo. Transformar esse sonho em realidade exigiu criatividade e muito trabalho para compor o ambiente idealizado pela família. “Para dar essa característica do universo rural, utilizamos tijolos aparentes na fachada, piso externo em lajotas cerâmicas com detalhes em ladrilho hidráulico e porta de entrada em madeira de demolição, vinda diretamente de um antiquário mineiro. Ainda sobre a fachada, utilizamos gradis em ferro, um desenho mais contemporâneo no volume dos terraços e alguns panos de telhado embutidos.” O resultado foi que a entrada da casa remete a tranquilidade de uma vida no campo, com um charme incrível, dando a quem chega a vontade de ficar por ali sentado,

conversando. Esta mesma receptividade da vida simples do campo, ganhou outro contorno com a modernidade que foi levada para a sala em uma mistura aconchegante e, ao mesmo tempo, funcional. “Levamos um pouco dessa característica para o interior da casa ao usarmos o tijolo aparente na lareira da sala e na parede onde fica a adega”. O piso escolhido para toda a área social foi um porcelanato com aparência de cimento queimado que trouxe leveza e claridade ao ambiente. “Usamos cores neutras nas paredes e no piso. Dessa forma, foi possível ousar na aposta azul turquesa dos estofados da sala.” Em uma casa no campo, a cozinha é sempre o ambiente onde todos se reúnem para as refeições em família, mas nesse caso as facilidades da vida moderna falaram mais alto. Para a cozinha, os arquitetos optaram por um “tapete” de ladrilho ao centro. “Os móveis planejados seguem a linha provençal, deixando a cozinha acolhedora”, concluem. Como resultado, o projeto ofereceu ao casal e aos filhos todos os elementos para quem busca realizar o sonho de uma casa com a simplicidade do campo a funcionalidade, o conforto e o aconchego para os moradores e os visitantes.

Praticidades modernas para uma casa tipo fazenda


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Fotos: Ronaldo Rizzutti

Natália Traunmüller e Lucas Sonnewend – ARQUITETOS


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O contraste dos móveis azul turquesa com as cores neutras da parede foi o toque final.

Nos banheiros, foram usados revestimentos claros com detalhes em pastilha nos nichos. Muitas coisas na decoração são objetos de Minas Gerais, como o mobiliário, cerâmica, ladrilhos e lajotas, que trazem lembranças e remetem ao universo do campo. À direita, Eliane e Olivo Altenfelder


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INICIA EM FEVEREIRO A NOSSA NOVA TEMPORADA. Mais um ano da inspiração, da arquitetura e da arte no Programa Tudo Com Estilo. Com assuntos cada vez mais ricos e interessantes, trazendo cultura, design e bom gosto, o programa vem conquistando um importante espaço para quem ama viver bem e adora conhecer o que há de melhor no mundo. Arquitetos, designers, decoradores e artistas estarão conosco durante todo este ano de 2016 com projetos e pautas de arrasar. O ano começa com muita criatividade com a terceira edição do Prêmio Estilo Design 2016, não perca. E em julho, teremos a 5a Mostra de Arte e Decoração em Campos do Jordão, reunindo talentos e muito estilo. Venha com a gente, reinvente, conquiste!

Sempre envolvidos em grandes projetos, o Programa Tudo Com Estilo produz pautas especializadas e envolventes, nacionais e internacionais, para a tv e digital. Contar a história de uma marca ou produto, gerar experiência e interatividade. Esse é o nosso Know How, esse é o nosso DNA. Ar t

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74 | Revista Metrópole – Edição 12

Crônicas & Poesia

Um brinde à felicidade por Ludmila Saharovsky

Sete horas da manhã. O sol de verão, aqui no litoral carioca, não tem nada de tímido. Ele surge com força total, cravando 40 graus nos termômetros e obrigando a todos a buscarem uma sombra amiga. À minha frente, caminhando com grandes mochilas às costas, um casal resolve fazer uma pausa para a água de coco. Esta seria uma cena absolutamente normal, não tivessem eles, penso cá com meus botões... Quantos anos? Certamente perto de oitenta! Paro também, interessada em observá-los mais de perto. Ele, trajando largas bermudas de cor cáqui, meias até a altura da panturrilha, tênis, chapéu e um colete repleto de bolsos, tira a mochila das costas para ajudar sua companheira a se livrar, também, do peso da sua. Ela, uma senhorinha branca como a neve, de cabelos ralos e curtos, frisados por permanente, se veste, à vontade: usa um shorts largo feito saia, amarrado à cintura por um agasalho de moletom, uma echarpe longa, (de voile?) sobre os cabelos, uma camiseta cavada, com estampa do Corcovado, que revela, indiscreta, as alças de um sutiã... (ou será maiô?) que ele ajeita com cuidado. Ela, agradecida, passa a palma de sua mão sobre o rosto do companheiro, que ele retira e beija. Tomamos os três, a água geladinha e prosseguimos a caminhada. A certa altu¬ra, eles se sentam num dos inúmeros bancos espalhados pelo calçadão e ele a ajuda a tirar os sapatos. Eu, discretamente, observo seus pés delicados, de unhas pintadas de um rosa antigo, mergulharem na fina areia da praia. Não consigo desgrudar-me do casal. Sigo atrás deles, que caminham de braços

dados, conversando animadamente; rindo, abaixando-se para coletar alguma rara concha, que atiram de volta para o mar. Formam um belo par de apaixonados, que só revela a idade pela carne, já flá¬cida, a curvatura das costas e os movimen¬tos lentos, mas, a felicidade estampada nos gestos e no olhar atenua esses meros deta¬lhes! A certa altura eles param. Colocam as bolsas com cuidado sobre a echarpe estendida e sentam-se se apoiando nelas. O céu azul, a água límpida e o calor já impertinente convidam para um mergulho. O homem se despe. Está com um calção florido, engraçado, que chega até os joelhos, por baixo da bermuda. Tira o colete, depois a camiseta. Sua pele rosada, recoberta por uma pelugem cor de prata, brilha sob o sol, assim como a calva pronunciada. Ele dobra suas roupas com cuidado e as coloca de volta na mochila. Abre então a dela, retira uma toalha, que faz de biombo, para que ela possa trocar-se com um mínimo de privacidade e surgir num maiô escuro, inesperadamente magra, igual a uma menina. Nesse momento, buscando alguém na praia para confiar seus pertences, eles me percebem. “A senhora poderia tomar conta das coisas, um instante, para nós?” Eu concordo. Eles brincam entre as ondas feito dois adolescentes. Passado algum tempo, retomam e, remexendo em seus guardados,

tiram uma máquina fotográfica, daquelas antigas, de filme que se precisa revelar. “Abusando de sua gentileza, será que a senhora poderia bater uma foto nossa?” ele diz. Ela se aproxima e completa: “Hoje comemoramos sessenta anos de casados... Passamos nossa lua-de-mel nessa praia”. Não consigo mirar no visor. Meus olhos, marejados de lágrimas, embaçam tudo. Peço desculpas pela minha emoção. Eles me abraçam e depois, se abraçam. Eu tiro a foto e lhes dou os parabéns. “E estão sozinhos aqui, hoje?” pergunto. “Fugimos da família” ela responde. “Resolvemos pegar o ônibus e refazer a viagem como da primeira vez!” “A senhora nos acompanha no brinde?” Tiram uma garrafa de champanhe da bolsa, copos de plástico e brindamos à sua vida, certamente repleta de aventuras e desventuras, mas recoberta por um afeto tão intenso que, nessa manhã de março, acelerou meu coração e o fez bater com mais fé, emoção e fantasia! Se eles permanecem com essa energia, alegria e disposição para a vida, nós também haveremos de conseguir! Felicidades, Agostinho e Guiomar! Essa crônica, embora nunca a leiam, é para vocês! Ludmila Saharovsky é escreve crônicas, contos e poemas. Dentre suas obras publicadas destacam-se: “A pedra e o lago”(teatro); “Tempo Submerso”(ficção) e “Jacareí: Tempo e Memória”.


Metrópole Magazine - Fevereiro de 2016 / Edição 12  
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