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O I R É S FALA iesacre rnalismo do jo e d so r cu atório do jornal labor

RIO BRANCO-AC, NOVEMBRO DE 2010 ANO 5 - NÚMERO 6

Coluna mostra os fatos de 2010 Página 8

Lar dos Vicentinos pede socorro

O

nome utilizado por políticos com intenção de se promover, hoje se encontra totalmente esquecida por seus fundadores, pelo governo e pela própria sociedade. Página 5

SILVIANA AMARAL

NILDA MARKS

Lar dos Vicentinos, entidade mantida pela Sociedade São Vicente de Paulo está enfrentando dificuldades para atender cerca de 50 internos. A instituição que teve ao longo dos anos seu

Poluição na nascente pode acabar com o Igarapé Judia

CIRLENE REINO

Banheiro inadequado para internos é um dos problemas do Lar dos Vicentinos

Igarapé Judia pode se transformar em esgoto a céu aberto Fonte de água doce para cerca de 50% da cidade de Rio Branco e utilizado por moradores próximos de suas margens para regar plantações, o Igarapé Judia vem sofrendo ao longo

dos anos com a poluição e corre sério risco de “morrer” em poucos anos se nenhuma medida de urgência for tomada pelas autoridades. Página 4

Lar Ester ajuda vítimas de abuso e exploração sexual Página 2

Jogadores da Federação Acreana de Basquete de Cadeirantes superam limites com o esporte

Amor pelo esporte leva cadeirantes a superar limites

Página 3

Mulher conquista espaço na política com eleição de Dilma Página 7


FALA SÉRIO

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jornal laboratório do curso de jornalismo do iesacre

Vítimas de abuso e exploração sexual recebem atendimento FOTOS: CRISLEI SOUZA

Por Crislei Souza e Rafaella Bayma

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Pâmela Camargo (à esquerda) enfrentou o abuso do padrastro, mas denunciou às autoridades; hoje é subdiretora do Lar Ester que atua na proteção de meninas em situação de risco social (acima)

Campus Cidade Universitária BR 364 Km 02 - Alameda Hungria, 200 Jardim Europa II - CEP. 69.911-900 Rio Branco - Acre - (68) 3302-7070

Afra Maria de Souza Diretora Acadêmica Marco Antônio Brandão Diretor Executivo de Assuntos Acadêmicos

rianças e adolescentes sofrem agressão física e moral todos os dias. De acordo com o Núcleo de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (Nucria), só na cidade de Rio Branco, no ano de 2010, foram registrados 135 casos de fatos ilícitos tipificados como crimes sexuais, cometidos contra menores. Mas, muitas vezes, por medo, vergonha ou falta de informação eles não denunciam o agressor, de maneira que tornase quase impossível receberem ajuda. Foi o que aconteceu com Pâmela Camargo, que ainda criança, aos seis anos foi abusada pela primeira vez por seu padrasto. Segundo ela, no início nem entendia o que estava acontecendo, mas com o decorrer do tempo, tentou por várias vezes por um fim naquela situação, mas vivia sob constantes ameaças. O agressor dizia que se ela contasse o que estava acontecendo a alguém, ele mataria sua mãe e suas duas irmãs. Pâmela, por medo, manteve-se calada até seus 15 anos, quando descobriu que a irmã, que ela tentava proteger, estava grávida, também vítima de abuso sexual e pela mesma pessoa. Foi quando, enfim, quebrou o silêncio e decidiu buscar ajuda. Logo após a denúncia foi encaminhada juntamente com suas

Parceria entre Uninorte e FGV inicia com três cursos n A parceria entre a Uninorte

e a Fundação Getulio Vargas (FGV) para a realização de cursos MBA no Acre começa com a oferta de três cursos: MBA em Gerenciamento de Projetos, MBA em Direito Tributário e

MBA em Gestão Empresarial. Os interessados em participar de um dos cursos podem realizar a inscrição na Coordenação de Pós-graduação da Uninorte ou obter informações através do telefone 3302-7052. As aulas

Jucilene Armani Gerente do Departamento de Comunicação (Decom) Evaldo Pereira Ribeiro Coordenador do curso de Jornalismo

FALA SÉRIO jornal laboratório do curso de jornalismo do iesacre

Jornalista Responsável: Professora Janine da Silva Brasil Correa Registro Profissional 28.509 DRT/RJ

irmãs à casa Lar Ester. “Estou aqui há cinco anos, com uma nova história, agora sou casada, missionária e sonhando com um futuro melhor para mim e para todas as meninas que eu posso ajudar a vencer da mesma forma que eu venci”, conclui Pâmela, agora com um belo sorriso. O Lar Ester é uma casa abrigo que recebe meninas em situação de risco social, as quais foram vítimas de abuso ou exploração sexual. A Casa objetiva a restauração psicológica, emocional, física e espiritual, a fim de reinseri-las no âmbito familiar. Esta iniciativa, que partiu da Jocum (Jovens com uma missão), teve início no ano de 2002, e desde então centenas de crianças e adolescentes tiveram a chance de conhecer novos princípios de vida. Segundo Pâmela Camargo, que hoje é subdiretora da instituição, em média, o ambiente recebe cerca de 80 meninas por ano. Cada uma delas tem a oportunidade de desenvolver atividades que as preparam para um futuro profissional com êxito. Entre os cursos oferecidos estão o de teatro, dança, libras, corte e costura, informática, entre outros. Todo trabalho desenvolvido na casa é feito por voluntários, que dedicam tempo, respeito e carinho à meninas que antes desconheciam tais valores.

Diretores da Uninorte, Samantha Ferreira, Afra Souza, Ricardo Leite e Silvio Badenes da FGV

dos cursos acontecerão em módulos mensais, sendo as aulas nas quintas, sextas e sábados com professores da FGV. O processo seletivo será realizado através de avaliação curricular. A Fundação Getulio Vargas é um centro de ensino de qualidade e excelência que dedica seus esforços ao desenvolvimento intelectual do país. Sua política de promoção e incentivo à produção e ao aperfeiçoamento de ideias, dados e informações faz da FGV uma das mais importantes instituições no cenário nacional e internacional, além de possibilitar a formação de cidadãos éticos, cientes de suas responsabilidades como agentes transformadores da sociedade.


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FOTOS: CIRLENE REINO

jornal laboratório do curso de jornalismo do iesacre

Amor pelo esporte ajuda a superar limites Por Elissandra Barrozo, Cirlene Reino e Luciano Cezário

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uperação, palavra de força que transmite valores. É dessa forma que os jogadores de basquete de cadeirantes definem a prática que é pouco conhecida em Rio Branco. Os jogadores são portadores de necessidades especiais para locomoção, e através do jogo mostram que levam vantagem quando o assunto é disciplina e esforço físico para conseguir a vitória. O treino de basquetebol sobre rodas acontece três vezes por semana às 19 horas na quadra de esportes do Colégio Acreano. Os jogadores mantêm essa rotina há pouco mais de três anos. O time, em janeiro deste ano, passou a ser conhecido como Federação Acreana de Basquete de Cadeirantes. A situação de uma mãe, que com oito meses de gravidez foi aconselhada pelo médico-obstetra a fazer um aborto, porque o filho que gerava no ventre possuía varias doenças congênitas, e não sobreviveria após o parto. Essa mesma mãe fala com emoção o que sente ao ver o seu filho atualmente com 15 anos jogando basquetebol sobre uma cadeira de rodas. “É gratificante ver que Elizeu melhorou na auto-estima e no condicionamento físico. Ele

descobriu que pode fazer algo, tornou-se independente”. Dona Francelina Pereira como mãe atenciosa está sempre presente no treino do filho. Elizeu Junior indagado sobre qual a sensação que ele sentia quando estava na quadra, jogando corpo a corpo com os seus adversários, abriu um enorme sorriso, e respondeu “é muito bom”. E ainda exibiu com orgulho vários troféus de campeonatos que venceu. O basquetebol sobre rodas exige todas as habilidades do basquetebol convencional, isto é, uma técnica apurada dos fundamentos e um bom condicionamento físico, além de raciocínio e reflexos rápidos, acrescentados por uma característica importante que é uma alta habilidade no manejo da cadeira de rodas. Na quadra onde acontecia o treinamento, havia um rapaz de 29 anos, cabelos escuros, braços fortes, de feições marcantes. Seu nome é Raimundo Rocha. Ele tinha o total domínio de sua coordenação motora, corria, pulava, poderia fazer qualquer movimento com as pernas, até que um dia ao chegar em casa, deparou-se com um sujeito estranho. Logo percebeu que tratava-se de uma tentativa de assalto: Raimundo, com 20 anos de idade acabava de perder a sensibilidade dos membros in-

feriores, após os tiros atingirem sua coluna vertebral. Raimundo conta que o basquete transformou-se em uma opção de vida. Foi através do esporte e o convívio com os colegas do time, que sentiu-se capaz de continuar batalhando por seus sonhos. “O basquetebol causou vários benefícios em todos os aspectos, na parte física e psicológica, pois antes de praticar o

esporte eu ficava em casa, com depressão, a partir do momento em que conheci o basquete de cadeira de rodas mudou totalmente a minha vida”. A Federação Acreana Basquete de Cadeirantes, passa por dificuldades financeiras com a falta de verbas para manter os jogadores nas competições. Há pouco tempo o time trouxe para Rio Branco o troféu de

Jogadores da Federação Acreana de Basquete de Cadeirantes em momento de descontração

segundo lugar no Campeonato Rondoniense de Basquete de Cadeirantes. Assistir a uma partida de basquete de cadeirantes é uma cena que não existem palavras para descrevê-la. Este texto poderia ser encerrado com uma narrativa do jogo desses vencedores, mas o melhor é viver essa experiência ao vivo para sentir a emoção da superação.

Elizeu Junior recebe o carinho da mãe e de sua irmã antes do início do treinamento


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FOTOS: SILVIANA AMARAL

Revitalização n O que hoje era para ser um

Contaminação de uma das nascentes do Igarapé Judia pode prejudicar abastecimento de água em Senador Guiomard

Igarapé Judia está “ameaçado de morte”

trabalho de revitalização de todo o manancial está apenas com um trabalho de levantamento de dados, diagnóstico, para então ser sistematizado, e deste modo, poder procurar parcerias e executar o projeto. Para o coordenador de Meio ambiente de Senador Guiomard, o Engenheiro Agrônomo Henrique Cardoso, essa é uma situação extremamente delicada. “O maior problema que eu vejo são aquelas redes que o Deracre cria para escoar a água da chuva e o pessoal faz ligação clandestina do esgoto. Então as pessoas ao invés de fazerem fossas nas casas deles, quebram a tubulação do Deracre. O que era para ser só a água da chuva, vem cheia de dejetos, e esse é o maior problema atualmente”. Ainda de acordo com o engenheiro, precisa ser feito um trabalho de educação da população com palestras, colocação de placas explicativas para que lixo, garrafas pet e etc não sejam jogados. “Já houve um progresso no reflorestamento, pois antes não havia nada, mas hoje nós contratamos três funcionários, que estão trabalhando. Eu acho que tudo, desde a campanha até o reflorestamento, o esgoto e as palestras, devem ser revistos. Afinal, 80% do igarapé é de mata ciliares, e precisamos reflorestar”. “Queremos fazer alguma coisa para manter o Judia limpo, pois é ele que abastece parte da cidade de Rio Branco. Então essa não é apenas uma preocupação do Quinari”.

Por Alcinete Gadelha

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onte de água doce para cerca de 50% da cidade de Rio Branco, utilizado por moradores próximos de suas margens para regar plantações, o Igarapé Judia, que tem suas nascentes na área urbana de Senador Guiomard, município que fica a 24 km da capital acreana, vem sofrendo ao longo dos anos com a poluição e corre sério risco de “morrer” em poucos anos, se nenhuma medida de urgência for tomada. A poluição, o descuido com a bacia hidrográfica, perda de matas em torno dos rios e igarapés, assoreamento, resíduos sólidos, lixo doméstico, esgoto e habitação humana, é assim que se encontra o Igarapé Judia, correndo o risco de ser só mais um córrego e esgoto a céu aberto

do Estado. Fato que não comove os moradores nem responsáveis, uma vez que em 2007 foi criada uma comissão, formada por representantes governamentais, na esfera estadual e municipal, Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Meio Ambiente (Imac), Prefeitura de Senador Guiomard, Seaprof, bem como representantes da sociedade civil, no intuito de salvar o igarapé. No entanto, ao final de 2010, o que há é apenas um trabalho, iniciado há alguns dias para levantamento de dados e três homens contratados pela prefeitura de Senador Guiomard, trabalhando com o plantio de árvores em uma das nascentes, no antigo Clube Águas do Quinari.

Bacia hidrográfica n A bacia Hidrográfica do Igarapé

Judia possui uma área de 10.234,62 hectares, sendo que, 98% da floresta de mata nativa já foi retirado. O mais grave de tudo isso é que as áreas de APP (Área de Preservação Permanente), protegidas por lei há mais de 40 anos, já não existem mais. As áreas de preservação permanente são complexas formações florestais ocorrentes ao longo de

cursos d’água e no entorno de nascentes. Apresentam importante papel ecológico, relacionado à manutenção da qualidade de recursos hídricos, atuando no controle da temperatura da água, e contribuindo com a manutenção da fauna aquática. Além disso, fornecem abrigo, água e alimento para a fauna silvestre, bem como favorece o fluxo gênico através da formação de corredores ecológicos.

Sema tem plano de recursos hídricos

n De acordo com a chefe da

divisão de Gestão de Bacias Hidrográficas da Sema, Marli Ferreira, essa bacia está num estado crítico, pois há uma redução das áreas permanentes. A baixa disponibilidade de recursos das prefeituras está prejudicando o trabalho de forma mais efetiva na questão dos resíduos sólidos, porque o tratamento feito nas bacias não é só água pela água. Ela diz que a partir do momento que se melhora a qualidade da água as prefeituras

terão um retorno imediato, principalmente, em relação à saúde, porque a melhoria da qualidade da água se reveste na melhoria da qualidade de vida da população devido à redução das doenças de veiculação hídrica. “Temos uma ação em parceria com a prefeitura de Senador Guiomard, que é de recuperação, uma amostra porque essa bacia tem um índice alto de desmatamento. Temos um piloto que é na nascente do Judia, no antigo Clube Águas do Quinari, mas isso é apenas uma amostra, o que

a gente tem que fazer é muito mais que isso. O que estamos fazendo é só uma experiência. Então quando da elaboração desse programa de recursos hídricos, com esse diagnóstico nós vamos ter uma real situação de necessidade de recuperação”, afirma Marli. O fato é que esse projeto ainda é uma amostragem bem pequena em relação ao que tem que ser feito. A prefeitura faz o monitoramento da área, faz o estudo para então junto com o governo tomarem as devidas providências. No ano de 2007 quando foi criada a comissão pró-Judia, especialistas advertiram que se nada fosse feito em 5 anos o igarapé poderia estar morto. Previsão que pode concretizar-se, pois a bacia precisa de toda coleta e tratamento do esgoto e principalmente ter uma frente relacionada com a questão da educação ambiental. Por conseguinte, o trabalho realizado atualmente é de conhecer e depois vir a executar o projeto de revitalização da bacia Hidrográfica do Igarapé Judia.


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jornal laboratório do curso de jornalismo do iesacre

Lar dos Vicentinos grita socorro

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esmo com todo o apoio que o asilo teve para ser fundado, o Lar dos Vicentinos, mantido pela Sociedade São Vicente de Paulo, amarga seus piores dias. A entidade teve ao longo dos anos seu nome utilizado por políticos com intenção de se promover e hoje se encontra totalmente esquecida por seus fundadores, pelo governo e pela própria sociedade. De acordo com Gisleine Maria Chalub Ribeiro dos Santos, que há um ano coordena a entidade, atualmente a maior dificuldade do Lar dos Vicentinos está relacionada ao não pagamento das contribuições dos funcionários junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que estão atrasadas. “Com esse encargo pago, poderíamos firmar novos convênios com o governo e outras instituições. Seria uma maneira deles ajudarem, pois a entidade está sem ajuda oficial

há cerca de dois anos. Hoje, a dívida da casa-abrigo é para com o INSS e não pode ser parcelada”, explica. Outra grande necessidade do asilo é a reforma dos banheiros da casa-abrigo, que não são adaptados às necessidades dos internos. “As barras de apoio estão enferrujadas, os vasos sanitários não são devidamente fixados no piso, o que pode ocasionar graves incidentes, e as descargas estão amarradas por barbantes e não funcionam. No lugar dos ralos existem buracos, podendo causar tropeços dos internos, com consequências irreversíveis”, revela Gisleine Chalub. O Lar atualmente recebe ajuda por meio de doações da comunidade e do Poder Judiciário. Este, ao julgar uma ação contra o Lar dos Vicentinos, faz o ressarcimento à entidade do valor correspondente à sentença

Internos do Lar dos Vicentinos sofrem com dificuldades da instituição

proferida, por meio de depósito na conta corrente da Sociedade São Vicente de Paulo. A entidade filantrópica possui sede própria e é mantida, também, com 70% da aposentadoria recebida pelos idosos que residem no local. Atualmente, a casa abriga 42 homens e 11 mulheres, com idades que variam entre 60 e 90 anos. Segundo a coordenadora, o quadro de funcionários do Lar dos Vicentinos está incompleto, já que a entidade não dispõe de recursos financeiros para contratação de profissionais. “Para proporcionar uma assistência de qualidade aos idosos internos seria necessária a contratação de uma nutricionista, um terapeuta ocupacional, um fonoaudiólogo e um odontólogo”, afirma Gisleine Chalub. A coordenadora revela que a instituição conta atualmente com os serviços de um médico, dois técnicos em enfermagem, um enfermeiro, dois cuidadores diurnos e quatro cuidadores noturnos. Esses serviços são prestados por voluntários e por profissionais pertencentes aos quadros da Secretaria Estadual de Saúde. Ela fala da importância de uma Assessoria de Imprensa para a entidade. “É imprescindível a atuação de uma Assessoria de Imprensa aqui na casa, pois já tivemos alguns problemas com algumas inverdades que repercutiram na mídia. E, como não temos uma Assessoria para ser porta-voz da instituição, é a administração, na minha pessoa, que desempenha esse papel”, enfatiza.

FOTOS: NILDA MARKS

Por Nilda Marks

Combate à ociosidade n O Estatuto do Idoso diz em

seu artigo 3º que o idoso tem direito à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer e ao trabalho. Com este intuito, a administração do Lar dos Vicentinos implantou neste ano uma série de atividades que visam combater a ociosidade dos internos. Isso se tornou possível com o apoio de um psiquiatra do Hospital de Saúde Mental (Hosmac). “Os idosos não estavam acostumados com atividades de lazer, tendo sido necessário disseminar

tarefas ocupacionais como caminhadas, curso de jardinagem e paisagismo, culto evangélico, terço católico, cuidados com a aparência, dentre outros”, explica a coordenadora. O Lar é presidido por Antonio Brilhante desde 2008. Sua gestão termina em 2012. Para ajudar a casa-abrigo, os interessados podem entrar em contato com a administração através do telefone 3227-8531 ou se dirigir à Instituição. O Lar dos Vicentinos aceita todo e qualquer tipo de doação.

Internas começam a ter atividades para evitar a ociosidade Sede do Lar dos Vicentinos está localizada na Avenida Nações Unidas, próxima ao 7º BEC


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6 ADONAY MELO

jornal laboratório do curso de jornalismo do iesacre

Escola da vida

Há sete anos Cleber e Meire ajudam crianças carentes da comunidade dando alimento e orientação

Por Brenna Amâncio e Gerileny Mendes

paixão pela fotografia, se especializou e cresceu na área. Logo Edicley, que já fora ajudante de obras, conquistou seu espaço como conceituado fotógrafo de Rio Branco, e é dono do seu próprio negócio. “Problemas não existem, o que existem são desafios que conquistamos. Para conquistar é preciso agir”, afirma com a certeza de um vencedor. Algumas histórias de Rio Branco são bastante recentes. Ritharlys Ferreira de Alencar tem apenas 15 anos, mas a sua maturidade é de alguém bem mais velho. Mesmo crescendo em um ambiente propício à criminalidade, Ritharlys foi uma criança normal, como outros garotos que jogam futebol na pracinha, aliando brincadeiras e estudo. Ele nem precisa falar que é dedicado, pois o seu currículo escolar mostra o quanto Ritharlys se esforça para se destacar e melhorar sua vida. “Não quero ser simplesmente só mais um no mundo”, revela. São tantas as memórias, tanta gente, esta é Rio Branco. Quem chega à cidade pequena acaba se encantando com o que vê ali.

E a beleza da capital não está somente nas obras coloridas do Mercado Velho e da Gameleira, ou na arquitetura das pontes que

ligam o 1º Distrito ao 2º Distrito. O que admira mesmo é o quão acolhedor são os cidadão que ali vivem, e em cada sorriso está a

camaradagem de quem sonha em ver um mundo melhor através de seus atos.

BRENNA AMÂNCIO

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io Branco é uma capital com o passado de luta e superação. Sua gente, humilde e guerreira, consegue encontrar nas dificuldades de uma vida difícil motivos para sorrir e vencer. O casal Maria Eronilda Paiva de Oliveira, 50 anos, mais conhecida por Meire, e Cleber Barbosa de Oliveira, 34, estão juntos há 12 anos e são exemplo de amor pela comunidade. Há sete anos os dois vem realizando, aos sábados, encontros em sua própria casa, onde o público alvo são as crianças e adolescentes do bairro em que moram, Jorge Lavocat. Nessas reuniões é distribuída alimentação a todos, acompanhado de palestras voltadas ao combate às drogas, e às vezes passeios educativos. Já Edicley de Araújo mudou o seu próprio destino. Rapaz de origem humilde, sem estímulo nenhum parou de estudar aos 17 anos, quando cursava a 5ª série. Anos depois ele voltou à sala de aula através do Programa Projovem. E foi então que o rapaz não parou de crescer. Agora casado, ele queria dar uma vida melhor para a família, descobriu a sua

Edicley antes era ajudante de obras, agora é dono do seu próprio negócio


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FOTOS: REPRODUÇÕES

jornal laboratório do curso de jornalismo do iesacre

Movimento das mulheres pelo voto foi liderado por Maria Júlia Lutz (ao lado)

As mulheres e a urna Por Lilian Costa Lima

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az 78 anos que a mulher conquistou o direito de votar e ser votada no Brasil. Em 3 de novembro de 1930, data em que Getúlio Vargas assume o comando do país, foi instituído o Direito de Voto da Mulher. Mas, em virtude da Revolução de 30, só em 1932, através do Código Eleitoral Provisório, o Direito de Voto da Mulher foi estabelecido, ainda que com restrições.

Uma das grandes responsáveis por essa conquista foi Berta Maria Júlia Lutz, líder do movimento feminista no Brasil que tinha como uma das bandeiras de luta a participação da mulher no processo eleitoral. Essa vitória mudou significativamente o cenário político do Brasil de forma que, hoje, o sexo feminino é maioria no eleitorado brasileiro. Segundo o site do

TSE, o percentual de participação feminina vem crescendo desde 2006, quando o número era de 51,53%. Em 2008 subiu para 51,76% e este ano é de 51,8%. Essa aparente pequena diferença de 0,27% em números absolutos entre 2006 e 2010 significa quase 5,5 milhões de eleitoras. No Acre, segundo dados do TRE, as mulheres só atingiram a maioria dos eleitores em 2008,

De uma vida de lutas para uma histórica vitória n Dilma Roussef, economista,

filha do imigrante Pedro Roussef e da carioca Dilma Jane Silva iniciou sua vida política em 1964, aos 16 anos, no movimento estudantil. Lutou contra o regime militar o que lhe rendeu dois anos de prisão e torturas. Em 1972, depois de liberta recomeçou sua vida em Porto Alegre (RS) trabalhando na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Ainda no Rio Grande do Sul ocupou cargos como Secretária da Fazenda de Porto Alegre (1986-1988), Presidente da Fundação de Economia e Estatística do RS (1991-1993) e Secretária Estadual de Energia, Minas e Comunicação (19931994). Em 1999, volta ao posto no governo de Olívio Dutra (PT). Em 2001, filia-se ao Partido dos Trabalhadores e é

convidada a compor a equipe que iria elaborar o programa de energia do governo Lula. O presidente gostou do trabalho desenvolvido e a escolheu para o cargo de Ministra de Minas e Energia, e em 2005, assumiu a

Chefia da Casa Civil. Após esse período de trégua que a vida lhe proporcionou Roussef passa por mais um momento difícil. Em abril de 2009, descobre um câncer no sistema linfático. Passados 5 meses de tratamento sem deixar suas obrigações na Casa Civil, ela vence a doença. Indicada por Lula e aclamada pelo PT, Dilma lança sua candidatura à presidência da República. Mais uma luta a ser vencida, afinal a disputa se mostrou acirrada e cheia de percalços. Os obstáculos colocados por seus adversários foram ultrapassados e só contribuiram para deixar a vitória da primeira mulher presidente da República Brasileira com repercussão ainda maior.

com um percentual de 50,08. E este ano elas representam 50,2% do total de 470.975 eleitores. Essa tendência não é acompanhada pela participação feminina em candidaturas. O que se comprova com o não preenchimento dos 30% das vagas destinadas por lei às mulheres nas chapas de deputado. No geral, a participação feminina nestas eleições não atingiu nem 23% no País e no Acre este número não chegou aos 20%. Apesar de pequena se comparada com a participação masculina em candidaturas as mulheres têm deixado sua marca sempre que assumem este desafio. “Vi-

mos um exemplo disso no 1° turno. Uma mulher, Marina Silva, nascida no Acre – o terceiro menor colégio eleitoral do país – foi uma peça importante na disputa pela presidência levando a decisão para o 2° turno”, diz a eleitora e Mesária Voluntária em 2010, Késsia. No 2° turno o povo brasileiro decidiu entre uma mulher, Dilma Roussef, e um homem, José Serra. E no próximo dia 1° de janeiro toma posse a Primeira Presidenta da República Federativa do Brasil, marcando a história deste país miscigenado que luta para seguir sem preconceitos e discriminações.

Mulheres pioneiras em cargos eletivos no Brasil

Alzira Soriano, primeira

mulher escolhida para ocupar um cargo eletivo. Foi eleita prefeita de Lajes (RN), em 1928, pelo Partido Republicano.

Eunice Michiles, em

1979, a primeira mulher a ocupar um lugar no Senado. Suplente, ela assumiu o posto com a morte do titular do cargo, o senador João Bosco de Lima.

Carlota Pereira de Queiroz, foi a primeira

mulher a votar e ser eleita deputada federal, em 3 de maio de 1933.

Júnia Marise (foto) e

Marluce Pinto, em 1990, foram as primeiras senadoras eleitas.

Roseana Sarney, em

1994, foi a primeira mulher a ser eleita governadora, no Maranhão.


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jornal laboratório do curso de jornalismo do iesacre

FOTOS: DECOM

ACONTECEU

Por Alcinete Gadelha, Jucilene Armani e Brenna Amâncio

Confraternização 2009

Professores e equipe técnica da Uninorte em momento de descontração

12 de maio Professor Rosicley Souza ministra palestra na IV Semana de Enfermagem da Uninorte

20 de agosto Curso de Arquitetura e Urbanismo presta homenagem ao governador Binho Marques na foto com as idealizadoras da homenagem Diana Dias, Amanda Vasconcelos e Carolina Sgorla

25 de abril Victor

Rondon (7º período) de Administração em viagem pela Estrada do Pacífico como trabalho de pesquisa para a disciplina “Laboratório Empresarial”

18 de junho Com o objetivo de manter viva

uma das maiores festas populares do Brasil, é realizado o VI Arraial da Uninorte e Iesacre

28 de agosto mobilização ambiental no Rio Acre reúne acadêmicos de Jornalismo, Ciências Biológicas e Gestão Ambiental

21 de maio “Trabalho com Direitos pelo Fim da Desigualdade” é tema da Semana de Serviço Social

8 de novembro Acadêmicos do Curso de Educação 27 de setembro Acadêmicos da Uninorte/ Iesacre recebem homenagem pelo Prêmio IEL de Estágio 2010

Física promovem a VII Edição do Unifest Dance, com o tema “A Tecnologia atuando no Movimento Corporal”

14 de novembro O acadêmico do 3º período do Curso de Educação Física, David de Oliveira Moura, fica em 7º lugar no JUBS 2010categoria velocidade 200m

E AINDA VAI ACONTECER ... Dezembro 2010 os educadores da Uninorte/Iesacre

se reúnem para a tradicional festa de confraternização. Desejamos aos nossos alunos, professores e equipe técnicoadministrativa um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. FELIZ 2011!


Jornal Laboratório Fala Sério