Notimp 29.11.2025

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29 de Novembro de 2025

NOTIMP: 333 de 29/11/2025.

O Noticiário de Imprensa da Aeronáutica (NOTIMP) apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.

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DEFESA EM FOCO

FAB recebe o primeiro C-97 Brasília modernizado

A atualização do C-97 Brasília incorpora nova aviônica e moderno sistema de navegação e comunicação

Marcel Cardoso - Publicada em 28/11/2025 09:35

A Força Aérea Brasileira entregou o cialmente o primeiro C-97M Brasília modernizado, após a conclusão do processo de atualização que incluiu um novo pacote aviônicos, com sistemas de navegação, comunicação e integração eletrônica atualizados, inaugurando a internalização das modernizações da frota.

O processo de atualização foi executado pela Worldwide Aircraft, nos Estados Unidos, e acompanhado por uma equipe especializada do Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa.

O trabalho envolveu modi cações estruturais, substituição completa de cablagens, instalação dos novos aviônicos e acompanhamento de testes e ajustes nais. No último dia 18 de novembro, foi realizado o voo de veri cação dos sistemas.

A missão no exterior atuou em todas as fases do projeto, desde a integração dos novos sistemas até a validação nal da aeronave. Segundo a equipe responsável, o resultado materializou o esforço de meses de trabalho contínuo e consolidou a maturidade técnica necessária para a expansão do programa.

A partir de 2026, mais dez C-97 Brasília devem passar pelo processo de modernização em Lagoa Santa, em Minas Gerais, consolidando a internalização de conhecimento e reduzindo dependências externas. O esforço contribui para a formação de capacidades industriais, a padronização dos sistemas da frota e o fortalecimento da autonomia operacional da FAB.

Modernização amplia vida útil e capacidades da frota de transporte leve

Com a nova aviônica, o C-97M amplia sua capacidade operacional em missões de transporte logístico, apoio humanitário, evacuações aeromédicas e integração regional funções já desempenhadas historicamente pelo Brasília.

Os sistemas atualizados elevam a segurança de voo, melhoram a consciência situacional da tripulação e garantem compatibilidade com requisitos contemporâneos de gestão do espaço aéreo.

Veja os bastidores do primeiro disparo de um míssil Meteor por um caça Gripen da FAB

Lançamento inédito envolveu equipe especializada e foi feito a partir da Base Aérea de Natal

Da redação - Publicada em 28/11/2025

A Força Aérea Brasileira (FAB) realizou o primeiro disparo do míssil Meteor a partir de um F-39E Gripen nesta-quinta, 27, na Base Aérea de Natal. O teste foi conduzido contra um alvo aéreo, simulando ações de combate reais.

O lançamento do Meteor seguiu um roteiro desenvolvido por uma equipe de pilotos e técnicos experientes, com o objetivo de avaliar o desempenho do armamento em um cenário complexo.

Os per s adotados para o emprego do armamento Meteor foram selecionados por uma equipe de pilotos e técnicos extremamente treinados e especializados , a rmou o Major Aviador Gregor Gaspar, do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) Jaguar.

O disparo foi realizado contra o drone Mirach 100/5, que simulou per s de voo de caças, manobrando em alta velocidade e altitude, permitindo mensurar o nível de precisão alcançado pelo míssil, que opera fora do alcance visual.

A MBDA, fabricante do Meteor, acompanhou o exercício e compartilhou conhecimento técnico com os militares brasileiros. Segundo o Brigadeiro do Ar Breno Diogenes Gonçalves, Comandante da BANT, O lançamento foi o cenário perfeito para realizar essa transferência de tecnologia .

O Meteor é reconhecido internacionalmente por sua capacidade de engajamento além do alcance visual, ampliando o leque de opções para defesa aérea de médio e longo alcance. A integração ao Gripen representa um passo estratégico para a Força Aérea Brasileira.

Na sua caminhada exitosa, o nosso F-39 se mostra cada dia mais pronto e preparado , declarou o Brigadeiro do Ar Breno Diogenes Gonçalves. O sucesso da operação reforça a evolução do programa Gripen no Brasil.

O F-39E Gripen, desde sua introdução, tem passado por uma série de avaliações e incorporações de sistemas de missão, consolidando seu papel como vetor-chave na modernização da defesa aérea nacional.

Brasil tem mais de 40 mil solicitações de voos de drones por mês

Humberto Leite - Publicada em 28/11/2025 06:45

Em 2025, em média, a cada mês, o sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARPAS) do Comando da Aeronáutica recebe mais de 40 mil solicitações de voos de drones, uma demanda que re ete apenas o uso de unidades de maior porte. O tema já chama a atenção do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e está no foco do planejamento para os próximos anos.

O dado foi apresentado durante um encontro de comandantes de unidades do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, quando houve avaliação anual de desempenho e a discussão sobre ações estratégicas. A questão de drones foi elencada entre os temas estratégicos relacionados à gerência do espaço aéreo brasileiro.

Alerta de ciclones

O Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica (CIMAER) também apresentou o projeto de implementação do Centro de Alerta sobre Ciclones Tropicais (TCAC) no Brasil, aprovado durante a 42ª Assembleia da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), realizada em setembro, no Canadá. O órgão encontra-se na fase de planejamento, com previsão de conclusão até dezembro de 2026.

Matérias não publicadas no Portal da Força Aérea Brasileira

Caça Gripen da FAB lança míssil de R$ 12,4 mi pela 1ª vez; veja vídeo

Igor Gielow - Publicada em 28/11/2025 09:10

A FAB (Força Aérea Brasileira) realizou com sucesso o primeiro lançamento de um míssil pelo seu novo caça, o sueco Saab Gripen. Foi disparado na quinta-feira (27) um modelo europeu Meteor, de custo estimado em R$ 12,4 milhões, contra um drone perto da costa do Rio Grande do Norte.

Agora, a FAB irá fazer um teste semelhante com o canhão alemão de 27 mm do Gripen em teste no mar próximo ao Rio. Com isso e o m da campanha dos testes de reabastecimento em voo pelos Embraer KC-390 da Força, no começo deste mês, o avião nalizará sua certi cação para entrar em combate real em 2026.

O lançamento foi o ponto alto do exercício BVR-X, iniciado no dia 17 em Natal. O ensaio tira sua sigla da característica do Meteor: além do campo visual, na sigla inglesa, enquanto o X indica experimental. Antes, o míssil só havia sido testado com o Gripen na Suécia.

O piloto o dispara a uma distância que pode variar de 100 km a 200 km de seu alvo, podendo ou não atualizar sua rota via conexão digital no caminho, deixando escasso tempo de reação para o adversário.

No caso, foi empregado um drone da fabricante italiana Leonardo, o Mirach 100/5, que simulou manobras como um pequeno caça subsônico. Não foram divulgados detalhes operacionais do teste, como a distância entre o caça e o alvo.

"O lançamento foi o cenário perfeito para veri car e testar como o binômio Gripen e Meteor são e cientes na guerra aérea moderna e contra qualquer tipo de vetor", disse ao site da FAB o comandante da Base Aérea de Natal, brigadeiro Breno Diogenes Gonçalves.

O Meteor é o mais avançado modelo do tipo no mercado, de uma geração mais recente do que os modelos do tipo na América Latina, o AIM-120C americano usado pelo Chile e o R-77 russo, operado por Peru e Venezuela. O Brasil não tinha nada parecido.

O Gripen pode levar até sete desse mísseis, que empregam uma fase de propulsão com combustível seguida pelo uso de um motor do tipo ramjet, que se alimenta do ar à frente para gerar velocidades até quatro vezes acima das do som (4.900 km/h).

Segundo a tabela anual de transferências de armas do Sipri (Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo), a compra da FAB foi de 200 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão hoje) para um total de cem unidades. Isso está em linha com o preço citado no mercado para o Meteor, que pode chegar a 2,4 milhões a peça (R$ 14,9 milhões).

A Força não revela nem custo, nem quantidades. A compra da arma faz parte do pacote geral do Gripen, que já tem 11 dos 36 aviões encomendados em 2014 no Brasil. Há desembolsos anuais bilionários para o programa, que conta com nanciamento de 25 anos do governo sueco, mas ele está atrasado.

Pelo cronograma inicial, os caças deveriam estar todos entregues no ano passado, inclusive os 15 previstos para serem produzidos na linha da Embraer em Gavião Peixoto (SP). A previsão atual é de entrega nal em 2032, e o primeiro caça feito no Brasil deve ser apresentado até o m do ano.

Com isso, a FAB negocia a possibilidade de comprar um lote de até 12 Gripen da geração anterior, a C/D, em operação na Suécia. A ideia é tapar buraco na frota, particularmente devido ao m da vida útil dos aviões de ataque a solo AMX, baseados em Santa Maria (RS), que deve ocorrer em breve.

O problema é que o Gripen está em alta demanda, sendo desejado pela Ucrânia em guerra. Além disso, Estocolmo não quer desguarnecer excessivamente seu espaço aéreo em tempos de alta tensão com a Rússia de Vladimir Putin.

O modelo comprado pelo Brasil, da geração E (um piloto)/F (dois ocupantes), também foi encomendado pela Suécia, Tailândia e Colômbia cujos aviões serão produzidos na linha brasileira, que é operada em conjunto pela Saab e pela Embraer. O Peru também poderá escolher a aeronave, mas a crise política perene no país está postergando a decisão.

A FAB não informou se fará teste com o outro míssil operado pelo Gripen brasileiro, o teuto-italiano IrisT. Ele é um modelo moderno de curto alcance, cerca de 25 km, guiado por sensor infravermelho que busca a assinatura de calor do alvo, como os gases de seu motor.

Não há detalhes de quantos foram comprados e a qual preço, mas seu valor de prateleira é estimado em 380 mil (R$ 2,3 milhões) a unidade.

STM vai contar medalhas para manter patente de general Heleno ou considerar golpe como indignidade?

Jurisprudência da corte costuma punir o ciais ao considerar graves crimes como corrupção e falsidade ideológica

Francisco Leali - Publicada em 28/11/2025 09:30

Os o ciais-generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto passaram a ser condenados cumprindo pena. O ineditismo da ordem de execução penal, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, vale tanto para a patente dos militares presos como o crime do qual crumpre pena: tentativa de golpe de Estado.

Historicamente, as Forças Armadas foram protagonistas de levantes que tiraram do poder o presidente do momento. O mais longo dos golpes, o de 1964, deixou sua marca e a sociedade civil, no nal dos anos 1980, pactuou que era melhor viver sob a democracia.

Mas há ainda quem tenha saudade de ter generais dando ordem no Palácio do Planalto, mesmo que se mande às favas os escrúpulos de consciência. Neste mês, os três generais do ex-presidente Jair Bolsonaro foram mandados para prisão militar. O mais antigo no posto, Augusto Heleno, forjou-se nessa época em que as Forças Armadas ditavam as regras dentro e fora da caserna. Mandavam no País.

Heleno foi uma espécie de professor de muitos atuais o ciais-generais. Venerado por boa parte da tropa, o general da reserva coleciona uma penca de comendas e condecorações. Ele foi o primeiro general brasileiro a comandar uma força de intervenção internacional dos chamados capacetes azuis da ONU, a Minustah no Haiti.

Bolsonaro o tinha como um mentor. Feito ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Heleno foi cuidar da segurança palaciana e não estava na linha de frente do governo, mas suas palavras tinham peso.

Acusado e condenado de participar da tentativa de golpe, tentou se livrar do protagonismo golpista. Sua defesa alegou que ele já não dava as cartas, quase atribuindo ao cliente a qualidade de um general de pijamas de 78 anos que cava atrás de uma mesa sem poder algum.

Mas a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal entendeu diferente. Viu na atuação de Heleno provas su cientes para impor-lhe 21 anos de prisão. Agora, seu caso vai para a análise de outra corte. O Superior Tribunal Militar (STM) deve julgar se, além de condenado criminalmente, Heleno e os demais generais perderão suas patentes.

Esse julgamento ainda não tem data marcada. Já se fala que dele Bolsonaro, o ex-capitão, não escapa. Mas há dúvidas sobre o destino dos generais, principalmente em relação a Heleno. Circula uma tese de que ministros do STM poderiam preservar o posto de Heleno ao colocar na balança seus serviços prestados ao Exército na longa carreira militar.

A tese de contar medalhas para poupar Heleno parece se chocar com a jurisprudência recente do próprio STM. Em outubro, ao julgar o caso de um coronel da reserva que havia adulterado registros de armas num sistema de controle de armamentos do Exército, todos, todos os ministros da corte decidiram que o coronel tinha que perder a patente. Seus crimes foram considerados uma indignidade e incompatíveis com a honra militar.

O voto do relator, ministro Marco Antônio de Farias, aprovado por unanimidade, diz textualmente que o o cial perde a patente por crime mesmo que tenha tido uma carreira brilhante.

Determinado militar pode ser exímio membro das Forças Armadas. No entanto, desvios de princípios, escondidos em sua índole, podem a orar por ocasião da prática de crime grave, assolando, a partir de então, os aspectos morais do O cial e incompatibilizando-o com os preceitos éticos esperados de quem possui posto e patente", diz o voto do relator, chancelado por todo o STM.

Outro caso, com julgamento também pela perda da patente, teve como relator o ministro Leonardo Puntel. O processo se refere a outro coronel envolvido em esquema de fraudes em licitações.

Condenado, o o cial perdeu a patente por decisão também unânime do STM em 2024. No julgamento, o relator apontou que os fatos graves ainda contribuiram para atingir a imagem das Forças Armadas, uma vez que o caso foi exposto na imprensa nacional.

Os fatos atribuídos aos envolvidos, entre eles o justi cante (coronel), receberam ampla divulgação nacional, abalando a con ança da sociedade e atingindo de modo sensível a imagem das Forças Armadas. A repercussão pública negativa evidenciou condutas manifestamente incompatíveis com os valores e a missão constitucional da instituição, gerando descrédito, perplexidade e legítima indignação social, conforme demonstram as reportagens veiculadas por diversos órgãos de imprensa de alcance nacional , escreveu o relator.

Se a notícia de fraude em compras públicas noticiada tem o condão de atentar contra a imagem militar, o que dirá a notícia de que se produziu uma minuta de golpe e até se projetou matar presidente e vice-

presidente eleitos em 2022.

Se fraude, corrupção, falsidade ideológica são crimes que o STM considera indignos do o cialato, tentativa de golpe de Estado seria o que?

A resposta virá com o tempo. Quem sabe no ano que vem algum ministro do STM queira desvotar , alterando entendimentos anteriores para fazer prevalecer as medalhas no peito em detrimento da condenação rmada.

Ao in nito e além: Brasil se prepara para dominar tecnologia para posicionar satélites em órbita

O foguete HANBIT-Nano, da sul-coreana Innospace, deve ser lançado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão (MA), o que representa um marco histórico e uma nova fase para o setor espacial brasileiro

Roberta Prescott - Publicada em 28/11/2025 06:01

O Brasil tenta novamente iniciar um novo capítulo em seu programa espacial, contemplando parcerias entre os setores público e privado. O que está em questão é o domínio da tecnologia de veículos lançadores de satélites (foguetes), considerada importante para a autonomia e soberania do país. Trata-se também da possibilidade de reescrever a história depois da trágica explosão, em 2003, na Base de Alcântara, do VLS-1 V03, três dias antes do lançamento, causando a morte de 21 engenheiros e técnicos.

O Brasil tem capacidade para fabricar satélites e já lançou centenas de foguetes suborbitais, ou seja, que não colocam o satélite na órbita terrestre, mas que seguem uma trajetória de parábola, subindo e retornando para, geralmente, cair no mar. Mas ainda não coloca esses satélites em órbita.

A novidade é o primeiro lançamento orbital com ns comerciais a partir do nosso território. O foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, deve ser lançado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão (MA), o que representa um marco histórico e uma nova fase para o setor espacial brasileiro até o fechamento desta edição, o lançamento estava na iminência de ocorrer. É fruto da Operação Spaceward 2025, conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

O HANBIT-Nano incorpora um dos maiores sistemas de propulsão híbrida do mundo e um design com motores criogênicos alimentados por bombas elétricas, utilizando oxigênio e metano líquidos , explica Arthur Durigan Bahdur, chefe de missão da Operação Spaceward, que deve colocar em órbita cinco satélites.

Quando um país depende exclusivamente de foguetes ou centros de lançamento de terceiros, está sujeito a restrições externas, limitações de acesso ao espaço, controle sobre uso dos satélites e tecnologias. Não basta fabricar satélites: se não tivermos o veículo lançador ou um acesso con ável, a missão espacial dependerá de terceiros , destaca Elias Ramos de Souza, diretor de inovação da

Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

E essa possibilidade pode ser bené ca para várias nalidades, explica o brigadeiro Jorge Marques de Campos Júnior, diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE): É ter o acesso e o domínio do espaço; por exemplo, com satélite levando os relógios de alta precisão que sincronizam o sistema bancário. A nossa vida hoje depende muito disso para poder colocar sistemas de interesse, como os de posicionamento, navegação, observação e monitoramento . Várias infraestruturas críticas como redes de comunicação, sistemas de energia elétrica, além de previsões meteorológicas, dependem atualmente de satélites estrangeiros.

Administrado pela FAB, o CLA tem localização privilegiada. A Operação Spaceward resulta de um edital de chamamento público feito pela AEB em 2020, voltado a empresas interessadas em realizar lançamentos a partir do CLA. A Innospace foi uma das selecionadas, assinando contrato com o Comando da Aeronáutica (Comaer) em 2022.

Ralph Correa, engenheiro da Cenic Engenharia e responsável pelo programa de subvenção econômica do veículo lançador de pequeno porte (VLPP), informa que apenas nove países colocaram satélites em órbita com lançadores próprios.

Júlio Shidara, presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), enfatiza que não importa se a iniciativa não der retorno imediato. O programa espacial brasileiro foi pioneiro. O acidente em Alcântara surtiu efeito negativo, mas não existe, na história de programas especiais, nenhum que não teve acidente , pondera. Para evitar que o projeto seja um voo de galinha, ele considera que é importante haver continuidade dos investimentos.

Nos últimos anos, aponta Marco Antonio Chamon, presidente da AEB, atividades que eram quase que exclusividade do governo passaram a ser feitas também pelo setor privado. O avanço de incentivos para a iniciativa privada bebe da fonte da estratégia que fez da Embraer uma campeã nacional. A ideia é que, em alguns anos, tenhamos uma empresa com satélite e foguete capazes de entregar sistemas prontos e completos.

Nesse sentido, a Finep nancia projetos espaciais e de defesa por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientí co e Tecnológico (FNDCT), apoiando iniciativas em diversas frentes no campo espacial, especi camente em foguetes. Por meio da Nova Indústria Brasil em sua Missão 6, são destinados investimentos da ordem de R$ 112,9 bilhões até 2026, para fortalecer as cadeias produtivas do segmento, estimular o desenvolvimento de fornecedores nacionais, a substituição de importados e a inserção de valor agregado.

Um dos projetos com apoio da Finep é o do microlançador brasileiro (MLBR), que prevê, inicialmente, R$ 190 milhões em subvenção (recursos não reembolsáveis) para empresas desenvolverem tecnologias no setor espacial, com foco especí co em microlançadores para colocar pequenos satélites em órbita.

Correa, da Cenic, explica que é a primeira vez que haverá o desenvolvimento completo de foguete autônomo: É um pacote enorme de inovação, porque, embora sejam coisas feitas lá fora, existem sistemas embarcados que nunca foram desenvolvidos no Brasil . Entre os diferenciais estão o uso de tecnologias avançadas de propulsão, sistemas redundantes de segurança e o uso de bra de carbono na estrutura do foguete, que agrega leveza, velocidade, resistência direcional e e ciência, pois permite transportar mais carga útil ou usar menos combustível. O sistema de navegação inercial (SNI) integrado ao GNSS (SNI-GNSS) tem a função de orientar o veículo durante o lançamento e garantir que satélites sejam colocados em órbita com precisão.

Além do MLBR, encontra-se em desenvolvimento o VLM-AT (veículo lançador de microssatélites autonomia tecnológica) com apoio de R$ 133 milhões à FAB em acordo rmado em 2024. Também em

curso, o projeto do veículo lançador de microssatélites (VLM-1) é executado em um programa binacional Brasil-Alemanha.

Com o VLM-1, entendemos que teremos condições de ter uma família de veículos lançadores voltados para as necessidades que foram apresentadas pela indústria e academia , diz o brigadeiro Marques, do IAE. No entanto, o VLM-1 não garantirá uma independência tecnológica nacional, já que os sistemas são desenvolvidos pela Alemanha, o que está no foco do VLM-AT.

Também com apoio da Finep, a construção do foguete de decolagem RATO-14X (rocket assisted takeo ) busca impulsionar o veículo hipersônico 14X para validar tecnologias de voo hipersônico. É estratégico, pois possibilita a cobertura de uma parte a outra do país em questão de minutos uma inovação em nível mundial e, além disso, as inovações desenvolvidas nesse foguete são estritamente alinhadas e úteis a tecnologias necessárias para veículos lançadores , diz Souza, da Finep.

O RATO-14X está sendo desenvolvido como o maior foguete já construído no Brasil pela indústria nacional, com altura estimada de 14 metros e peso na faixa de 15 toneladas, capaz de levar a carga útil, o veículo 14X, para ser lançado a 30 quilômetros de altitude em velocidade superior a Mach 8, ou seja, oito vezes a velocidade do som, mais de 10 mil km/h. A Finep investe R$ 93 milhões nesse projeto, totalizando cerca de R$ 115 milhões com a contrapartida da empresa responsável, a Equipaer Indústria Aeronáutica, parte do grupo Mac Jee. Danilo Miranda, diretor de inovação do Mac Jee, diz que o país passará a deter conhecimento, ainda que dependa de insumos: A tecnologia para construir o motor é brasileira. A gente consegue montar o computador no Brasil, mas o chip vem de fora .

Defesa debate Termo de Licitação Especial para fortalecer indústria e garantir segurança

Rafael Paixão - Publicada em 28/11/2025 11:21

Incentivar a indústria nacional e dar mais segurança nas compras de produtos de defesa. Esses são os objetivos estratégicos do Termo de Licitação Especial (TLE), que foi tema de seminário promovido pelo Ministério da Defesa (MD), por meio da Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), no dia 26, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília (DF).

O TLE foi criado pelo Decreto nº 7.970/2013, que regulamenta a Lei nº 12.598/2012, a qual estabelece regras especiais para as compras, as contratações e o desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa. O intuito é permitir que as compras e contratações da área sigam uma lógica baseada não apenas nos custos dos projetos, mas também na adoção de critérios com orientação estratégica.

Por se tratar de um regramento especí co, sua aplicação prevalece sobre as normas gerais de licitações e contratos, que só serão utilizadas quando houver lacunas na legislação especial. Caso seja escolhida a licitação exclusiva para o setor de defesa, o processo seguirá etapas adicionais e exigirá maior rigor, garantindo a qualidade dos produtos e alinhando-se às estratégias do Ministério da Defesa e das Forças Armadas.

O Coordenador-Geral da Divisão de Coordenação da Indústria de Defesa, Daniel Santana Fernandes, do Ministério da Defesa, explicou que a legislação permite ao poder público realizar licitação exclusiva para Empresas Estratégicas de Defesa (EED) credenciadas pelo MD, quando o objeto envolver fornecimento ou desenvolvimento de Produtos Estratégicos de Defesa (PED). As EED são empresas nacionais certi cadas que desenvolvem tecnologias e produtos essenciais para a soberania e a segurança do país.

A norma também estabelece a possibilidade de licitação destinada exclusivamente à compra ou à contratação de Produto de Defesa (Prode) ou sistema de defesa produzido ou desenvolvido no país ou que utilize insumos nacionais ou com inovação desenvolvida no Brasil.

Daniel Fernandes destacou, ainda, que os ltros previstos no TLE impedem a participação de empresas sem quali cação técnica adequada nas licitações do setor. Entre os benefícios do instrumento estão: prioridade no desenvolvimento de tecnologias nacionais; garantia de continuidade produtiva; transferência de direitos de propriedade intelectual ou industrial; e capacitação de terceiros em tecnologia.

O Assessor Especial do Ministério da Defesa, Ricardo de Mello Araújo, destacou as principais decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o TLE. Segundo ele, a Corte concluiu que a Lei nº 12.598/2012 segue os princípios constitucionais, inclusive sobre a possibilidade de licitações para aquisições de defesa restritas à EED. Além disso, o TCU considerou que o termo reduz os gastos governamentais e é uma importante ferramenta para o estímulo à BID.

O Secretário-Geral Adjunto do Ministério da Defesa, Miguel Ragone de Mattos, ressaltou que o Termo de Licitação Especial (TLE) garante a aquisição do que há de melhor na área de defesa, mesmo que nem sempre seja a opção mais barata. O TLE é fundamental por questões de segurança, fornecimento, manutenção e prazos mais longos , a rmou.

O Subcomandante Logístico do Exército, General de Divisão Flávio Neiva, destacou outros benefícios do TLE, como a redução de desperdícios, já que o instrumento diminui falhas nas entregas, e a maior con abilidade do fabricante, pois permite a compra diretamente da empresa responsável pelo produto.

Já o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Luiz Augusto Barreto Rocha, defendeu a necessidade de fortalecer a indústria nacional de defesa e segurança para reduzir importações, gerando emprego e renda no país. O TLE deve ser prioridade para garantir a soberania e a prosperidade da sociedade brasileira , enfatizou.

O evento teve transmissão ao vivo e pode ser conferido aqui.

X-BAT é o início de uma nova era militar com aeronaves totalmente controladas por IA

O X-BAT é um drone autônomo com IA que transforma o combate aéreo

Da redação - Publicada em 28/11/2025 11:44

A inteligência arti cial tornou-se um elemento central na transformação das forças armadas, especialmente na aviação de combate, ao possibilitar que novas aeronaves, como o X-BAT, operem de modo autônomo e e ciente mesmo em cenários desa adores.

Por que o X-BAT representa uma inovação sem precedentes?

O X-BAT vai além de ser apenas uma nova aeronave: ele simboliza uma mudança de conceito nas operações

militares aéreas. Com suas características VTOL, pode operar a partir de locais antes impossíveis para aviões convencionais, como navios e ilhas remotas.

O projeto compacto do X-BAT permite a máxima e ciência de espaço. Em um convés naval, por exemplo, três X-BATs ocupam o espaço de apenas um caça tradicional, tornando os custos logísticos muito menores e as operações mais ágeis.

Como a autonomia do X-BAT expande as possibilidades de missão?

A avançada autonomia do X-BAT permite que ele atue em uma variedade de missões, ataque, guerra eletrônica e reconhecimento, de forma independente, mesmo sem o suporte direto de aviões tanque ou comunicação constante com a base.

Além disso, sua capacidade para executar manobras complexas e a cooperação em tempo real com outras plataformas aumenta seu valor estratégico. Veja alguns dos principais benefícios desse potencial autônomo:

Realização de missões em ambientes hostis ou desconectados

Redução do risco para pilotos humanos

Execução simultânea de múltiplas tarefas no campo de batalha

Quais são os impactos estratégicos do X-BAT para as Forças Armadas?

A chegada do X-BAT demonstra uma estratégia dos Estados Unidos focada em inovação e adaptabilidade nas operações de defesa aérea. Em cenários cada vez mais imprevisíveis, plataformas resilientes como o X-BAT são uma resposta a ameaças dinâmicas.

Os custos operacionais reduzidos e a con abilidade da aeronave a tornam atraente para diferentes missões, antecipando-se sua adoção em larga escala pelas Forças Armadas no futuro próximo.

Como a IA rede ne o papel do piloto no combate aéreo?

A IA assumindo o controle das aeronaves em situações de risco extremo representa um avanço importante, permitindo que os humanos foquem em tarefas estratégicas de supervisão. Isso evidencia um grande salto na forma como as missões aéreas são planejadas e executadas.

Este movimento marca o início de uma nova era no combate aéreo, com a autonomia e a inteligência arti cial ocupando posições centrais no desenvolvimento de estratégias militares para os próximos anos.

Já estão a caminho da Argentina os primeiros caças F-16 Fighting Falcon do país, que passarão pelo Brasil

Mateus Alves - Publicada em 28/11/2025

A Argentina está próxima de receber em seu território os primeiros caças F-16 Fighting Falcon do país, que inclusive farão uma passagem pelo Brasil a caminho da sua nova casa.

Os seis primeiros caças Lockheed Martin F-16A/B MLU Fighting Falcon saíram nas primeiras horas desta manhã da Base Aérea de Skrydstrup, em Vojens, na Dinamarca, e pousaram em Zaragoza, no interior da Espanha.

O comboio é composto de quatro caças F-16BM de dois lugares (biplaces) e dois caças F-16AM de um lugar (monoplace). Também acompanham estes um Lockheed C-130 Hércules da Força Aérea Argentina de matrícula TC-69 e um Boeing 737-700 de matrícula T-99.

Após sair de Zaragoza, as aeronaves devem seguir para o Aeroporto de Gran Canária, nas Ilhas Canárias, onde um Boeing KC-135R da Força Aérea Americana é esperado para viabilizar a travessia do Atlântico com reabastecimento em voo, permitindo que os caças cheguem à Base Aérea de Natal, no Brasil.

A passagem em Natal era dada como incerta dias atrás, devido à realização dos exercícios de lançamento de mísseis na região com o caça F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira. Porém, a permissão teria sido concedida, e os argentinos deverão pousar ainda no nal de semana na capital do Rio Grande do Norte, de onde seguirão sem escalas até Buenos Aires.

Além destes seis caças, a Argentina ainda receberá outros 18 caças F-16AM/BM para completar a renovação da sua frota de combate. O país também planeja adquirir em breve dois aviões-tanque KC-135 de estoques americanos.

H225M conquista nova venda e se consolida no mercado

Humberto Leite - Publicada em 28/11/2025 12:41

Em serviço com as Forças Armadas do Brasil desde 2010, os helicópteros franceses Airbus H225M têm conquistado um espaço cada vez maior no mercado internacional. Agora, com uma nova venda para o Marrocos, anunciada em meados de novembro, o grupo europeu alcança sua 12ª exportação, contrariando avaliações de que seria um modelo sem sucesso no mercado.

O Marrocos vai adquirir dez unidades para substituir seus antigos Aerospatiale Puma ainda em serviço. As aeronaves serão entregues com capacidade de levar metralhadoras laterais e um sistema eletro-óptico avançado, além de uma suíte de autodefesa, com despistadores antimísseis e interferidores.

Com 50 unidades encomendadas, o Brasil continua a ser o principal operador do H225M no mundo, sendo a aeronave designada UH-15 na Marinha, HM-4 no Exército e H-36 na Força Aérea Brasileira. A França assinou a compra de 31 unidades. Cingapura, Hungria, Indonésia, Iraque, Kuwait, Malásia, México, Países Baixos, Tanzânia e Tailândia completam a atual lista de operadores.

ABIMDE coordena presença brasileira na Expodefensa 2025 e reforça protagonismo regional

Marcelo Barros - Publicada em 28/11/2025 13:30

À medida que a América do Sul reforça sua agenda de cooperação em Defesa e Segurança, a presença brasileira na Expodefensa 2025 ganha novo peso estratégico. Sob a liderança da ABIMDE, o Espaço Brasil reunirá autoridades civis e militares, além de algumas das mais avançadas empresas da Base Industrial de Defesa. A participação coordenada busca ampliar parcerias, abrir mercados e mostrar a capacidade tecnológica nacional em um dos eventos mais relevantes do setor no continente.

Avanços tecnológicos e prioridades estratégicas da Expodefensa 2025

A Expodefensa 2025 chega com uma agenda repleta de temas sensíveis às atuais demandas de segurança no hemisfério sul. Entre os destaques estão a defesa multidomínio, a interoperabilidade entre forças, a proteção de infraestruturas críticas, os sistemas de vigilância de fronteira e as soluções de cibersegurança, cada vez mais essenciais diante do aumento de ataques digitais e ameaças híbridas. Esse conjunto de prioridades re ete o avanço tecnológico da região e o esforço dos países sulamericanos em modernizar estruturas de comando, controle e inteligência.

Para o Brasil, a coordenação da ABIMDE no evento reforça o compromisso com o fortalecimento da Base Industrial de Defesa, destacando tecnologias de alta complexidade, como sensores militares, radares de

vigilância, munições inteligentes e sistemas aeronáuticos. Empresas como IACIT, Ares, Omnisys, CBC e Taurus ampliam a vitrine do país ao apresentar produtos capazes de competir com fornecedores tradicionais do mercado global. A diversidade do portfólio exposto no Espaço Brasil demonstra que a indústria nacional se consolidou como fornecedora con ável de soluções robustas e de escala internacional.

Impacto regional e fortalecimento da cooperação sul-americana

A participação brasileira também reforça dimensões sociais e políticas que extrapolam o ambiente comercial. A América do Sul vive um momento de crescente integração em temas como combate a ilícitos transnacionais, proteção de recursos naturais sensíveis, segurança de fronteiras e resposta conjunta a desastres. Nesse contexto, a presença do Brasil na feira, com apoio do Ministério da Defesa e do Ministério das Relações Exteriores, contribui para aprofundar diálogos e ampliar o entendimento entre as Forças Armadas da região.

Além de promover negócios, o Espaço Brasil favorece a construção de pontes diplomáticas e técnicooperacionais. As reuniões bilaterais programadas, envolvendo autoridades brasileiras e delegações estrangeiras, fortalecem a interoperabilidade e permitem que o país avance em agendas comuns, como vigilância aérea integrada, operações combinadas e proteção da Amazônia. A presença coordenada das empresas brasileiras e dos adidos militares reforça a imagem do Brasil como ator comprometido com a estabilidade e a segurança hemisférica.

A força do Espaço Brasil e a visibilidade internacional da indústria de Defesa

A gestão da ABIMDE no estande brasileiro oferece coesão institucional, clareza estratégica e representatividade em um ambiente competitivo. Ao reunir 13 empresas de diferentes segmentos de soluções aeronáuticas a tecnologia têxtil militar, passando por munições, sensores e engenharia de defesa a associação apresenta um panorama abrangente da capacidade nacional. O Espaço Brasil funciona como plataforma de projeção da marca do país, facilitando a aproximação com governos estrangeiros, forças armadas e compradores internacionais.

O alinhamento entre ABIMDE, ApexBrasil, Ministério da Defesa e Ministério das Relações Exteriores demonstra maturidade institucional e reforça a imagem do Brasil como parceiro seguro e consistente em cadeias globais de defesa. Além de impulsionar exportações, a estratégia integrada do projeto Brazil Defense amplia a competitividade das empresas brasileiras, fortalece a presença internacional do setor e contribui para a consolidada pro ssionalização da indústria nacional em mercados altamente regulados.

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