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Fevereiro - 2015

TECNOLOGIA

FOTOS: ITA

Primeiro nanossatélite 100% brasileiro foi lançado ao espaço em janeiro

De jaleco azul, alunos do ITA realizam testes de compatibilidade eletromagnética na câmara anecóica do Laboratório de Integração e Testes do INPE

O

AESP-14 é o primeiro nanossatélite totalmente projetado, produzido e testado com tecnologia nacional. Ele foi lançado ao espaço a partir de Cabo Canaveral, nos EUA, em 10 de janeiro deste ano. O projeto é uma iniciativa de estudantes de graduação, pós-graduação e professores

do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e levou três anos desde sua concepção até o lançamento. O nanossatélite, que também pode ser chamado de cubesat, devido ao seu formato e dimensões, pesa apenas 764g, foi lançado no foguete cargueiro Falcon-9 - que levou 2,5 tone-

ladas de carga para a Estação Espacial Internacional. “Nosso satélite chegou à estação espacial dois dias após o lançamento e vai permanecer lá, na parte japonesa, até abril, quando deve acontecer o segundo estágio do lançamento, em que um braço mecânico vai ejetá-lo e colocá-lo em órbita”, explica o mestrando do ITA Cleber Toss. O projeto, financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), também contou com parcerias com o Instituto Nacional de

Lançamento do nanossatélite foi realizado em janeiro a partir de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos.

Pesquisas Espaciais (INPE) e com a Agência Japonesa de Exploração Espacial (JAXA). De acordo com o coordenador do curso de Engenharia Aeroespacial do ITA,

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professor Pedro Lacava, a parceria com o Japão e o lançamento em dois estágios foram úteis para a missão pedagógica do projeto, pois diferentes testes e estudos precisaram ser feitos para comprovar que o nanossatélite era seguro. “Além de profissionais na área de satélites, que ainda é muito nova no Brasil, a turma 14 – que dá nome ao projeto, pôde se envolver em todas as etapas do desenvolvimento de um sistema, desde o modelo de engenharia, passando pela qualificação e chegando ao voo”, explica o professor. O AESP-14 foi concebido para ter uma missão científica no espaço: levar acoplado um equipamento que é capaz de medir bolhas na ionosfera. O dispositivo não foi usado neste primeiro lançamento. O satélite também vai testar o envio de mensagens para radioamadores. Atualmente, no Brasil, há diversos projetos integradores de nanossatélites, o diferencial do AESP-14, do ITA, é seu caráter desenvolvedor. “Ele é um demonstrador de tecnologia, é prova de que podemos desenvolver um produto usando apenas tecnologia, componentes, mão de obra e estrutura laboratorial brasileira”, analisa o professor Lacava.

Produto com fins pedagógicos foi 100% desenvolvido no Brasil

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