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Jul/Ago/Set 2015

Aerovisão

SGT JOHNSON / Agência Força Aérea

Também é possível economizar o valor gasto com passagens ou com combustível e estacionamento. “Eu pagava muito caro pelo pouco que me deslocava de ônibus. Com o valor cobrado por três passagens, pago o aluguel da bicicleta para o mês inteiro. Além disso, o trânsito do Rio é alucinante e alguns motoristas abusam da velocidade. Eu não via a hora de saltar do ônibus”, diz a Tenente Glória, que perdeu cinco quilos desde que passou a se deslocar a pé e de bicicleta. Do outro lado do País, em Boa Vista (RR), o Sargento Fábio Ferreira Coimbra conta que leva menos tempo para realizar os trajetos de ida e volta do trabalho após ter trocado o ônibus oferecido pela FAB por uma bicicleta. Apesar de não existirem ciclovias ou ciclofaixas na cidade, já faz doze anos que o militar mudou seus hábitos e percorre de bicicleta 20 km por dia. “O ônibus tinha horário fixo, e nós temos uma demanda de trabalho que não nos dá muita certeza sobre que horas estaremos liberados. Chego muito mais disposto ao trabalho. Obviamente, ter uma boa bicicleta também implica em gastos, mas são eventuais, e o resultado na nossa saúde é impagável”, avalia o Sargento Fábio. Segundo o levantamento da Organização Não Governamental Transporte Ativo, um ciclista pedala, em média, a uma velocidade de 16km/h. Isso significa que, em trajetos de até 6km, em grandes centros urbanos, a bicicleta é mais rápida que o carro. Já entre 6 e 10km, o tempo gasto é o mesmo. Outra vantagem é poder conhecer melhor a cidade em que vive. O trajeto da Tenente Glória, por exemplo, contempla alguns dos principais cartões-postais brasileiros, como o Pão de Açúcar, o Aterro do Flamengo e os pousos e decolagens do Aeroporto Santos Dumont. “E tem o outro lado da cidade maravilhosa. Cruzo todos os dias com dezenas de mendigos que

vivem sob as marquises, sozinhos ou em grupo, e têm na rua a sua casa. Creio que andar a pé nos deixa um pouco menos indiferentes com relação às mazelas urbanas, a realidade está estampada na sua frente. É diferente estar imersa na cidade e apenas vê-la da janela”, conta. Porém, nem tudo são flores. “No trânsito, muitos não respeitam os ciclistas. Uso equipamento de proteção individual básico, como capacete e luvas. Não podemos perder a atenção em nenhum momento”, diz o Sargento Fábio. Embora não seja obrigatória, a utilização desses equipamentos é recomendada para os ciclistas.

Os problemas estruturais também fazem parte da rotina de quem pedala nas principais metrópoles do país. Na capital federal, o Tenente Rafael Oliveira da Rocha identifica algumas carências, como placas inadequadas, falta de educação dos motoristas e descontinuidade das ciclovias e ciclofaixas. O Tenente pedala de sua casa na Asa Sul até o Comando da Aeronáutica, na Esplanada dos Ministérios, todos os dias. Apesar dos percalços, recomenda. “Brasília é uma cidade plana e quase não chove, e nós, militares, temos a vantagem de dispormos de vestiários nas organizações. O único empecilho é a preguiça”, afirma.

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AEROVISÃO nº 245 jul/ago/set - 2015  

Mais que um caça

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