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de Janeiro as novas oportunidades. Este processo é essencial, uma vez que a descentralização abre novas oportunidades e atrai novos investimentos na criação de um novo cluster de indústrias de média, alta e altíssima tecnologia e de formação de pessoal altamente qualificado no Rio de Janeiro, o que trará um impulso socioeconômico muito maior das ondas de investimento do que se permanecesse concentrado em São Paulo, que por já possuir esta concentração teria menores efeitos de cadeia.

Aerovisão - E em termos de qualificação de mão de obra? Temos profissionais aptos a atender às demandas do setor? Carlos Erane - O setor emprega hoje 150 mil trabalhadores diretos e indiretos. Em duas décadas a demanda deverá aumentar 100%. O problema é que os trabalhadores do setor não são trabalhadores comuns. São altamente qualificados e com remuneração acima da média do mercado. E possuem formações que hoje já estão dentro de um forte grau de carência no País, como nas áreas de engenharias, desenvolvimento de software e outros. Isso significa que precisamos mudar de rota no trato dado à educação e à construção de conhecimento. Temos que estimular o desenvolvimento acadêmico, científico e tecnológico. Para isso, investimentos em educação precisam ser não apenas preservados dos ajustes rigorosos da economia, mas ampliados. Quando se corta investimentos em educação em um período de crise, o resultado é o alongamento das carências de formação de mão de obra qualificada com resultados perversos para o desenvolvimento nacional.

“Temos que estimular o desenvolvimento acadêmico, científico e tecnológico”

TEN ENILTON / Agência Força Aérea

Aerovisão - Em todo o mundo há novas tendências de gestão na área de defesa, como Parceria Público Privada, terceirização e leasing de equipamentos, por exemplo. As empresas brasileiras estão preparadas para fornecer esse tipo de serviço às Forças Armadas? Carlos Erane - As empresas brasileiras estão preparadas, aguardando a convocação das Forças Armadas. A indústria de defesa e segurança possui capacidade para atuar em Parceria Público Privada, na terceirização de serviços, leasing de equipamentos e outros modelos. Mesmo que não sejam modelos usuais e que exijam uma engenharia empresarial mais complexa, a indústria

de defesa e segurança no Brasil é capaz de rapidamente se estruturar.

Aerovisão

Jul/Ago/Set 2015

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AEROVISÃO nº 245 jul/ago/set - 2015  

Mais que um caça

AEROVISÃO nº 245 jul/ago/set - 2015  

Mais que um caça