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CB SILVA LOPES / Agência Força Aérea

INDÚSTRIA DE DEFESA

MAIS QUE COMPRAR Projetos de compensações comerciais nos contratos da FAB trazem benefícios para a indústria aeronáutica brasileira e até para pesquisas na área de saúde Humberto Leite

A

leishmaniose afeta quase três mil brasileiros por ano, segundo o Ministério da Saúde. Em nove estados, entre 2000 e 2011, a doença matou mais que a dengue. Também conhecida como “calazar”, está presente em todo o País, sendo transmitida por um mosquito para seres humanos e outros animais, como cachorros e ratos. O assunto é grave, mas parece não ter nenhuma relação com a Força Aérea. Parece. Desde 2012, vinte alunos de Doutorado e de Pós-Doutorado, a maioria da Universidade de São Paulo (USP), já participaram de um programa de estudos sobre doenças tropicais na Universidad de San Pablo, na Espanha, graças a um convênio com o Comando

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Jul/Ago/Set/2014

Aerovisão

da Aeronáutica. “Foi uma surpresa. Inclusive ninguém entendia como vinha o dinheiro. O próprio pró-Reitor não conhecia”, conta a Professora Doutora Marina Tavares, da USP. A parceria foi fruto de um acordo de offset incluído no projeto de aquisição de doze aeronaves C-105 Amazonas, fabricadas pela Airbus na Espanha. (Leia mais na página 49) Offsets são compensações que o Brasil e outros países exigem no caso de compras de material militar, bens e serviços vindos do exterior. Há várias modalidades de offset, podendo envolver benefícios de natureza industrial, tecnológica ou comercial. Desde 2002, a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate

(COPAC) já conduziu quase 300 iniciativas de offset entre seus diversos projetos de aquisição ou modernização de material. O que beneficiou a Universidade de São Paulo é uma inovação: até ali, os beneficiários eram empresas brasileiras da área de defesa ou de engenharia. Um caso que ilustra bem como a indústria nacional ganha com o projeto de offset e traz benefícios para o próprio Comando da Aeronáutica aconteceu com a empresa AEL Systems. No início dos anos 2000, a aquisição de equipamentos da israelense Elbit para a modernização dos caças F-5 levou a empresa gaúcha a absorver tecnologia de manutenção de sistemas de bordo. Engenheiros brasileiros foram enviados para treinamento