Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

Page 1

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias A alternativa que apresenta trecho corretamente pontuado é: a) A intensa exploração de recursos naturais, constitui uma ameaça ao planeta. b) Esperanza discordou da decisão do chefe, e pediu demissão do cargo. c) Dona Elza pediu, ao diretor do colégio, que colocasse o filho em outra turma. d) Os animais, que se alimentam de carne, chamam-se carnívoros. e) Van Gogh, que pintou quadros hoje muito valiosos, morreu na miséria. GABARITO: [E] Os trechos das opções [A]r [B], [C] e [D] estão indevidamente pontuados, pois não se deve usar vírgula: [A] entre o sujeito e o verbo do predicado; [B] quando a conjunção coordenativa aditiva “e" liga orações coordenadas com o mesmo sujeito; [C] entre verbo e seus complementos, nem entre orações subordinadas substantivas e sua oração principal; [D] em orações adjetivas restritivas. Assim, é correta apenas a opção [E], uma vez que as vírgulas assinalam a presença de uma oração subordinada adjetiva explicativa. Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Fonte: Espcex 2013 Assunto: Gramática ( Sintaxe [Pontuação]). Fotojornalismo 12 Vem perto o dia em que soará para os escritores a hora do irreparável desastre e da derradeira desgraça. Nós, os rabiscadores de artigos e notícias, já sentimos que nos falta o solo debaixo dos pés... Um exército rival vem solapando os alicerces em que até agora assentava a nossa supremacia: é o exército dos desenhistas, dos caricaturistas e dos ilustradores. O

1

lápis destronará a pena: ceci tuera cela. 13 0 público tem pressa. A vida de hoje, vertiginosa e febril, não admite leituras demoradas, nem reflexões profundas. A onda humana galopa, numa espumarada bravia, sem descanso. Quem não se apressar com ela será arrebatado, esmagado, exterminado. O século não tem tempo a perder. A eletricidade já suprimiu as distâncias: daqui a pouco, quando um europeu espirrar, ouvirá 2incontinenti o “Deus te ajude" de um americano. 17E ainda a ciência humana há de achar o meio de simplificar e apressar a vida por forma tal que os homens já nascerão com dezoito anos, aptos e armados para todas as batalhas da existência. 9 Já ninguém mais lê artigos. Todos os jornais abrem espaço às ilustrações copiosas, que entram pelos olhos da gente com uma insistência assombrosa. As legendas são curtas e incisivas: 18toda a explicação vem da gravura, que conta conflitos e mortes, casos alegres e casos tristes. É provável que o jornal-modelo do século 20 seja um imenso 3animatógrafo, por cuja tela vasta passem reproduzidos, instantaneamente, todos os incidentes da vida cotidiana. Direis que as ilustrações, sem palavras que as expliquem, não poderão doutrinar as massas nem fazer uma propaganda eficaz desta ou daquela ideia política. Puro engano. Haverá ilustradores para a sátira, ilustradores para a piedade. (...) Demais, ,9nada impede que seja anexado ao animatógrafo um gramofone de voz 4tonitruosa,

encarregado de berrar ao céu e à terra o comentário, grave ou picante, das fotografias. E convenhamos que, no dia em que nós, cronistas e noticiaristas, houvermos desaparecido da 14

cena - nem por isso se subverterá a ordem social. As palavras são traidoras, e a fotografia é fiel. A pena nem 20

sempre é ajudada pela inteligência; ao passo que a máquina fotográfica funciona sempre sob a 5égide da soberana Verdade, a coberto das inumeráveis ciladas da Mentira, do Equivoco e da Miopia intelectual.21 Vereis que não hão de ser tão frequentes as controvérsias... (...) Não insistamos sobre os benefícios da grande revolução que a fotogravura vem fazer no jornalismo. Frisemos apenas este ponto: o jornal-animatógrafo terá a utilidade de evitar que nossas opiniões fiquem, como atualmente ficam, fixadas e conservadas eternamente, para 6gáudio dos inimigos... Qual de vós, irmãos, não escreve todos os dias quatro ou cinco tolices que desejariam ver apagadas ou extintas? Mas, ai! de todos nós! 15Não há morte para as nossas tolices! 16Nas bibliotecas e nos escritórios dos jornais, elas ficam (...) catalogadas. (...) No jornalismo do Rio de Janeiro, já se iniciou a 7

revolução, que vai ser a nossa morte e a opulência dos que sabem desenhar. Preparemo-nos para morrer, irmãos, sem lamentações ridículas, 10aceitando resignadamente a fatalidade das coisas, e consolandonos uns aos outros com a cortesia de que, ao menos,11não mais seremos obrigados a escrever barbaridades...


Saudemos a nova era da imprensa! A revolução tira-nos o pão da boca, mas deixa-nos aliviada a consciência. Olavo Bilac Gazeta de Notícias, 13/01/1901. 1

ceci tuera cela - isto vai matar aquilo 2

incontinenti - sem demora 3

animatógrafo - aparelho que passa imagens sequenciais 4

tonitruosa - com o volume alto 5

égide - proteção 6

gáudio - alegria extremada 7

opulência - riqueza, grandeza O cinema se popularizou no Brasil depois de esta crônica ter sido escrita. Nela, porém, o autor já antecipa o advento do novo meio de comunicação. Um trecho que comprova tal afirmativa é: a) “E ainda a ciência humana há de achar o meio de simplificar e apressar a vida” (ref. 17) b) “toda a explicação vem da gravura, que conta conflitos e mortes,” (ref. 18) c) “nada impede que seja anexado ao animatógrafo um gramofone de voz tonitruosa,” (ref.19) d) “a máquina fotográfica funciona sempre sob a égide da soberana Verdade,”(ref. 20) GABARITO: [C] É correta a alternativa [C], pois a cinematografia resulta da combinação da gravação e reprodução de som (“gramofone de voz tonitruosa") conjuntamente com as imagens (“animatógrafo"). O texto, apesar de escrito no início do século XX, demonstra surpreendente atualidade, conferida, sobretudo, por uma semelhança entre a vida moderna da época e a experiência contemporânea. Essa semelhança está exemplificada na passagem apresentada em: a) “O público tem pressa,” (ref. 13) b) “As palavras são traidoras, e a fotografia é fiel.” (ref. 14) c) “Não há morte para as nossas tolices!” (ref. 15) d) “Nas bibliotecas e nos escritórios dos jornais, elas ficam (...) catalogadas,” (ref. 16) GABARITO: [A] O texto escrito no inicio do século XX demonstra atualidade, conferida, sobretudo, por uma semelhança entre a vida moderna da época e a experiência contemporânea no que diz respeito à rapidez e à velocidade. Assim, é correta a alternativa [Al. Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 - Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H17 - Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Fonte: UERJ 2014 Assunto: Textos Literários em Prosa (Olavo Bilac); Interpretação de Textos (Crônicas); Literatura (Realismo / Naturalismo / Parnasianismo).


Leia: "Abelardo I (Sentado em conversa com o Cliente. Aperta um botão, ouve-se um forte barulho de campainha.) — Vamos ver... Abelardo II (Veste botas e um completo domador de feras. Usa pastinha e enormes bigodes retorcidos. Monóculo. Um revólver à cinta.) — Pronto Seu Abelardo. Abelardo I — Traga o dossier desse homem. Abelardo II — Pois não! O seu nome? Cliente (Embaraçado, o chapéu na mão, uma gravata de corda no pescoço magro) — Manoel Pitanga de Moraes." ANDRADE, Oswald. O rei da vela. São Paulo: Globo, 1994. p.

O fragmento organiza-se segundo o modelo do gênero literário que se define por a) ser produzido para a encenação pública. b) narrar os fatos notáveis da história de um povo. c) expressar as emoções e estados de alma do autor. d) ridicularizar os vícios e atitudes reprováveis dos seres humanos. GABARITO: [A] A presença de rubricas, as falas dos personagens em discurso direto e a ausência de narrador indicam que se trata de um fragmento de um texto dramático, ou seja, um texto organizado para ser produzido para a encenação pública, como se afirma em [A]. Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético, gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 - Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H22 - Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. Fonte: CFTMG 2013 Assunto: Textos Literários em Prosa (Oswald de Andrade); Literatura (Modernismo [Primeira fase]); Teoria Literária.


Leia:

THOMATE- Brasil é a 6ª economia mundial. Disponível em: <http://humorpolitico.com.br/brasil/brasil-6-ecoromia-do-mundo-84-no-idh> Acesso cm: 16 ago 2012

Acudiro. Nhola tinha ânsia, tonteira, celeração, corpo largado, não via nada, nem a lampa da candeia. Dei chá de goiabeira. Esperei clareá o dia, bandiei o corgo, fui na casa da Deliria. Aí falei:

Deliria, me prouve um insonso de sal, Nhola tá ruim... Deliria me pruveu o sal. Eu fiz um engrossado de farinha de milho, Nhola comeu, descansou, miorou e falou:

Nunca comi comesinho tão bão. Louvado seja Deus. Nóis demos gaitada... Aí correu mundo que Nhola teve vertige de fraqueza, falta de cumê... A casa se encheu de vizinho. Cada um trazendo uma coisa pra nóis. Até pedaço de capado e cuia de sal; café pilado e açúcar branco. Nóis fiquemo tão contente... Nhola dava gaitada... virou uma infância.

CORALINA, Cora. Quadrinhos da vida. In: Estórias da casa velha da ponte. 13. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 39-40

A temática da pobreza: a) é abordada de maneira análoga nos dois textos, pois o primeiro sugere ajuda humanitária entre as classes sociais, e o segundo explicita um drama de ordem moral. b) é tratada de modo igual em ambos os textos, uma vez que os problemas aos quais aludem não são minimizados por quaisquer ações governamentais. c) surge associada a um problema de impossível solução nos quadrinhos e a uma questão político-religiosa no excerto literário. d) surge associada a uma questão político-social nos quadrinhos e a um entrave social suavizado pela caridade no texto de Cora Coralina. GABARITO: [D] Os dois quadros que compõem a charge mostram personagens que pertencem a duas classes distintas: os do primeiro celebram euforicamente o bom desempenho da economia brasileira com a abertura de uma garrafa de champanhe, enquanto que os do segundo ostentam a miséria extrema de quem sobrevive dos resíduos considerados descartáveis e inúteis pela sociedade de consumo. No texto de Cora Coralina, assiste-se à ação das pessoas que acorrem em auxílio de Nhola, a qual só se recupera de um quadro clínico de desnutrição (“vertige de fraqueza, falta de cumê") pela intervenção generosa dos vizinhos. Assim, é correta a opção [D], pois a temática da pobreza surge associada a uma questão político-social nos quadrinhos e a um entrave social suavizado pela caridade no texto de Cora Coralina. Competência de área 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação. H18 - Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e a estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 - Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 - Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 - Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.


Fonte: UEG 2013 Assunto: Textos Literários em Prosa; Interpretação de Textos (Charges e Quadrinhos); Literatura Contemporânea. Bravo tatu-bola Amijubi, Zuzeco e Fuleco. Qual desses nomes você mais deplora, despreza ou detesta? São os inventados e propostos pela Fifa para designar o tatubola, que ela elegeu como mascote da Copa de 2014 no Brasil. A Fifa os pôs em votação pela internet e espera que até 25 de novembro, um deles seja sacramentado pelo povo brasileiro. Sacramento esse que nenhuma diferença fará 1 Fifa. Qualquer nome lhe servirá, desde que artificial - fora do dicionário 2 prova de prévio domínio alheio e que ela possa registrar internacionalmente como propriedade industrial. (...)

3 ninguém espantou até agora que a Fifa terá se tornado proprietária de uma palavra que, artificial ou não, pertence 4 língua portuguesa. E nem surpreende que, tão ciosa de seus direitos, ela só tenha se esquecido de consultar o principal interessado: o tatu-bola. Quem pode garantir que ele gostará de ver seu bom nome ligado 5 uma daquelas execráveis alcunhas? Seria divertido assistir 6 Sociedade Protetora dos Animais, ao Partido Verde e a outras instituições de defesa do ambiente, como representantes autorizados do tatubola, acionando7_ Fifa por injúria, abuso da imagem e exploração indevida.

(Adaptado: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/68298-bravo-tatu-bola.shtml)

O acento indicador de crase deve ser corretamente utilizado somente nas lacunas: a) 1, 3, 4. b) 1, 2, 4, 6. c) 2, 3, 5, 7. d) 4, 5, 6. e) 2 e 4. GABARITO: [B] Crase é a fusão de dois fonemas vocálicos idênticos e, na língua portuguesa, o acento grave é usado para assinalar a fusão de dois aa. Assim, o acento só deve ser usado quando o termo regente exija a preposição “a" e o termo regido admita o artigo definido “a". Esse fenômeno acontece em 1, pois o termo verbal é transitivo direto e indireto, sendo a expressão “à Fifa" o seu objeto indireto; em 4 e 6, porque os termos “pertence" e "assistir” - este último no sentido de "presenciar" - apresentam transitividade indireta; e em 2, por fazer parte de uma locução adverbial feminina: "à prova de". Em 3, o pronome "ninguém'' não pode ser antecedido por artigo; em 5, “uma" é artigo indefinido; e em 7, o verbo “acionar" não precisa de complemento preposicionado. Assim, é correta apenas a opção [B: 1, 2, 4, 6. Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. Fonte: INSPER - 2013 Assunto: Interpretação de Textos: Textos Jornalísticos (Folha de São Paulo); Gramática (Sintaxe [Crase]).


BOCAGE NO FUTEBOL Quando eu tinha 3meus cinco, meus seis anos, morava, ao lado de minha casa, um garoto que era tido e havido como o anticristo da rua. Sua idade regulava com a minha. E 6justiça se lhe faça: — não havia palavrão que ele não praticasse. Eu, na minha candura pânica, vivia cercado de conselhos, por todos os lados: — “Não brinca com Fulano, que ele diz nome feio!”. E o Fulano assumia, aos meus olhos, as proporções feéricas de um Drácula, de um 1Nero de fita de cinema. Mas o tempo passou. E acabei descobrindo que, afinal de contas, o anjo de boca suja estava com a razão. Sim, amigos: — cada nome feio que a vida extrai de nós é um estímulo vital irresistível. Por exemplo: — os nautas camonianos. Sem uma sólida, potente e jucunda pornografia, um Vasco da Gama, um Colombo, um Pedro Álvares Cabral não teriam sido

almirantes nem de barca da Cantareira. O que os virilizava era o bom, o cálido, o inefável palavrão. Mas, se nas relações humanas em geral, o nome feio produz esse impacto criador e libertário, que dizer do futebol? Eis a verdade: — retire-se a pornografia do futebol e nenhum jogo será possível. Como jogar ou como torcer se não podemos xingar ninguém? O craque ou o torcedor é um Bocage. Não o 4Bocage fidedigno, que nunca existiu. Para mim, o Verdadeiro Bocage é o falso, isto é, o Bocage de anedota. Pois bem: — está para nascer um jogador ou um torcedor que não seja bocagiano. O craque brasileiro não sabe ganhar partidas sem o incentivo constante dos rijos e imortais palavrões da língua. Nós, de longe, vemos os 22 homens 7correndo em campo, matando-se, agonizando, rilhando os dentes. Parecem dopados e realmente o estão: — o chamado nome feio é o seu excitante eficaz, o seu afrodisíaco insuperável.

Nelson Rodrigues, À sombra das chuteiras imortais. São Paulo: Cia. das Letras, 1993

Considere os seguintes elementos de composição textual: I. interação com o leitor; II. incorporação de uma fala em discurso indireto; III. procedimento intertextual; IV. mistura de gêneros discursivos. É correto afirmar que, no texto, ocorre apenas o que foi indicado em a) I e IV. b) lI e IV. c) I, III e IV. d) lI e III. e) I, II e III. GABARITO: [C] A proposição II é incorreta, pois na crónica “Bocage no futebol" não há inclusão de fala em discurso indireto, procedimento em que o narrador utiliza suas próprias palavras para reproduzir a fala de um personagem, com verbo de elocução seguido de oraçào subordinada. Assim, apenas as proposições I, III e IV são corretas, como se transcreve em [C] Considerando as qualificações ambivalentes que o texto lhe atribui, pode-se corretamente concluir que, para o autor, o palavrão, em dadas situações, assume caráter propriamente a) escatológico, na medida em que esse termo tanto pode se referir ao que é mais sujo, como remeter à esfera do sagrado. b) pornográfico, uma vez que nele se conjugam as esferas da ignorância (ou da incultura) e da arte de escrever (ou literatura). c) dialético, na proporção em que constitui a síntese da contradição entre a urbanidade (tese) e a grosseria (antítese). d) compensatório, na medida em que serve para o populacho assumir sua condição subalterna e, ao mesmo tempo, agredir as elites sociais. e) sublimatório, tendo em vista que traduz para uma esfera elevada e verbal os impulsos sexuais desviantes, reprimidos pela moral e pela religião. GABARITO: [A] Para o autor, o palavrão assume, em dadas situações, caráter "escatológico", pois a escatologia tanto pode referirse ao estudo dos excrementos, como à doutrina teológica sobre o destino último dos homens e da Terra, ou seja, referir-se ao que é mais sujo ou remeter ao âmbito do sagrado, como se afirma em [A]


Quando Bauer, o de pés ligeiros, se apoderou da cobiçada esfera, logo o suspeitoso Naranjo lhe partiu ao encalço, mas já Brandãozinho, semelhante à chama, lhe cortou a avançada. A tarde de olhos radiosos se fez mais clara para contemplar aquele combate, enquanto os agudos gritos e imprecações em redor animavam os contendores. A uma investida de Cárdenas, o de fera catadura, o couro inquieto quase se foi depositar no arco de Castilho, que com torva face o repeliu. Eis que Djalma, de aladas plantas, rompe entre os adversários atônitos, e conduz sua presa até o solerte Julinho, que a transfere ao valoroso Didi, e este por sua vez a comunica ao belicoso Pinga. (...) Assim gostaria eu de ouvir a descrição do jogo entre brasileiros e mexicanos, e a de todos os jogos: à maneira de Homero. Mas o estilo atual é outro, e o sentimento dramático se orna de termos técnicos. Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol. Rio: Record. 2002.

O gênero literário que Drummond tomou como base para a composição de seu texto revela, no escritor mineiro, uma determinada visão do futebol que também reponta no seguinte trecho do texto de Nélson Rodrigues: a) “candura pânica”. b) “um Drácula". c) “os nautas camonianos”. d) “jucunda pornografia”. e) “o Bocage fidedigno". GABARITO: [C] Drummond usa linguagem erudita e sintaxe elaborada para descrever os lances futebolísticos de importantes jogadores a ponto de transformá-los em episódios espetaculares resultantes de ação de heróis com poderes sobrehumanos, como ele próprio refere: “à maneira de Homero". O mesmo acontece na epopeia “Os Lusíadas" de Luís de Camões, sugerida no texto de Nelson Rodrigues através da expressão "os nautas camonianos". Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H22 - Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 - Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Fonte: FGVRJ – 2013 Assuntos: Interpretação de Textos (Textos Literários em Prosa; Crônicas); Gramática (Vocabulário); Modernismo (Segunda fase; Terceira fase).


Observe as seguintes obras de arte:

As imagens acima retratam a mesma passagem bíblica - a dúvida do apóstolo Tomé diante do Cristo ressurreto. A primeira, à esquerda, é uma ilustração medieval do saltério de Saint Albans, do século XII (“A dúvida de São Tomé", artista desconhecido), e a segunda, à direita, é a pintura de Caravaggio “A incredulidade de São Tomé", de 1599. A partir da análise dessas ilustrações e dos conhecimentos sobre o papel das imagens no período medieval e no período moderno, identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F): ( ) Enquanto as imagens produzidas no medievo tinham a função de evangelizar os fiéis dentro e fora dos templos, as pinturas produzidas no período de Caravaggio tinham a função de promover a fé católica por meio da arte barroca, em reação à Reforma Protestante. ( ) Enquanto as ilustrações produzidas na Idade Média serviam para combater heresias, as pinturas barrocas tinham o objetivo de questionar a contrarreforma, para se alinhar aos ideais humanistas do século XVII. ( ) Ambas as ilustrações indicam a intenção da Igreja Católica em renunciar ao seu poder político, motivo pelo qual esses exemplos enfatizam passagens de dúvida e de angústia. ( ) Enquanto as produções de ilustrações medievais eram anônimas, imprimindo uma interpretação simbólica para passagens e personagens religiosos, as pinturas de Caravaggio e de outros artistas barrocos conferiam maior dramaticidade e realismo aos personagens bíblicos, com dinamismo e jogos de claro-escuro. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) V - F - F - V. b) F - V - F - V. c) V- V- F - V. d) V- F - V- F. e) F - V- V- F. GABARITO: [A] A segunda ea terceira afirmativas são falsas, pois as ilustrações na Idade Média deveriam ter como motivo a questão religiosa e reforçar, na mente dos fiéis, o controle ideológico da Igreja. Se observarmos melhor, na primeira ilustração não há movimentos. Jesus, representado no meio, está em destaque de tal modo que as pessoas em volta dele parecem frágeis e pequenas. Em segundo plano (no fundo), aparecem os muros dos castelos e as grandes torres que reforçam a presença da Igreja, bem como seu poder. Já a segunda ilustração, deixa bem clara a mudança de mentalidade e de valores que vinham ocorrendo no contexto da Baixa Idade Média, especialmente o movimento Renascentista, a Reforma Religiosa, o Antropocentrismo e o Humanismo. Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 - Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. Fonte: UFPR - 2013 Assunto: Artes (Barroco).


Considere a imagem seguinte:

Fonte: http:/ftwvw portalsaofrancoco com brtat&modemiSTioferte-rnoóema-i php

O quadro Os operários (1933), de Tarsila do Amaral, é um dos exemplos da arte moderna brasileira. Com base na análise desse quadro e no contexto histórico de sua produção, analise as seguintes afirmações: I. Esse quadro foi o marco inicial da pintura modernista no Brasil. II. A Semana de Arte Moderna, realizada no Rio de Janeiro, em 1922, foi um dos eventos iniciais de divulgação da estética modernista no país. III. O quadro Os operários representa, entre outras questões, a diversidade étnica do povo brasileiro. IV. Além de Tarsila do Amaral, destacaram-se, na pintura modernista brasileira, as figuras de Anita Malfatti e Cândido Portinari. V. A presença africana no Brasil também está representada na referida obra da artista. Estão CORRETAS a) I, II e IV. b) II, IV e V. c) III, IV e V. d) I, III e V. e) II, III e V. GABARITO: [C] As transformações ocorridas no Brasil, na década de 1920, são retratas pelo evento marcante desse processo: o poema “Os Sapos", de Manuel Bandeira. A proposta do poema era dar uma nova conotação à questão moderna que o país precisava adotar. Nessa perspectiva, o aluno deve compreender que a associação entre a imagem e a história demonstra também a miscigenação característica em nossa sociedade, que conseguiu unir brancos, índios e negros. Isso fica evidente na construção da obra que retrata, em alto relevo, a sociedade e, em plano de fundo, a modernidade. Competência de área 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação. H18 - Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e a estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 - Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. H20 - Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional. Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 – Reconhecer, em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. Fonte: UPE - 2013 Assunto: Arte (Modernismo).


Leia o texto. A Semana de 22 não foi um fato isolado e sem origens. As discussões em torno da necessidade de renovação das artes surgem em meados da década de 1910 em textos de revistas e em exposições, como a de Anita Malfatti em 1917. Em 1921, já existe, por parte de intelectuais como Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, a intenção de transformar as comemorações do centenário em momento de emancipação artística. (...) Disponível em: www.itaucultural.org.br.

Em geral, os artistas participantes da Semana de Arte Moderna propunham: a) que a arte, especialmente a literatura, abandonasse as preocupações com os destinos brasileiros e se voltasse para o princípio da arte pela arte. b) a rejeição ao conservadorismo presente na produção artística brasileira, defendendo novas estéticas e temáticas, como a discussão sobre as questões brasileiras. c) que os artistas estabelecessem vínculos com correntes filosóficas, mas não com projetos políticos e ideológicos, fossem estes progressistas ou conservadores. d) o reconhecimento da superioridade da arte europeia e da importância da civilização portuguesa no notável desenvolvimento cultural brasileiro. e) que apenas as artes plásticas, com destaque para a pintura, poderiam representar avanços revolucionários em direção a uma arte de fato inovadora. GABARITO: [B] Os artistas alinhados ao modernismo no Brasil, que teve como um dos seus marcos a Semana de Arte Moderna (1922), propunham novas estéticas e temáticas para arte no Brasil e rejeitavam o que consideravam práticas conservadoras. Ao mesmo tempo, preocupavam-se mais com os problemas brasileiros. Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 - Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H17 - Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Fonte: FGV – 2012 Assunto: Arte (Modernismo). A cultura não ficou ausente das mudanças trazidas pela modernidade. Surgiu uma sensibilidade diferente, dos tempos do neoclassicismo, que causou admiração e polêmicas. Na arte do século XIX, por exemplo, os impressionistas: a) procuraram construir novas concepções estéticas, recusadas pelos conservadores e pelos salões de exposição oficiais. b) seguiram o realismo da pintura de Gustave Coubert, colocando novas cores e cenas expressivas da vida cotidiana. c) firmaram uma ruptura com os padrões tradicionais, mas foram bem aceitos pelos críticos franceses. d) negaram o uso de técnicas atualizadas, retomando padrões renascentistas, mas com inovação na escolha das paisagens, e tiveram em Manet seu representante principal, o qual foi muito elogiado, na época, pela sua ousadia. GABARITO: [A] O impressionismo supervalorizou o individualismo, a "impressão" que cada indivíduo tem da realidade pôde ser demonstrada na medida em que os artistas fugiram de padrões pré-estabelecidos pelas correntes artísticas tradicionais e, consequentemente, foram forçados a criar novos espaços de exposição de suas obras, uma vez que os salões e as galerias tradicionais boicotaram a nova tendência. Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 - Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 - Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Fonte: UESPI - 2012 Assunto: Arte (Impressionismo).



Leia o seguinte texto: “A arte colonial mineira seguia as proposições do Concilio de Trento (1545-1553), dando visibilidade ao catolicismo reformado. O artífice deveria representar passagens sacras. Não era, portanto, plenamente livre na definição dos traços e temas das obras. Sua função era criar, segundo os padrões da Igreja, as peças encomendadas pelas confrarias, grandes mecenas das artes em Minas Gerais”. (Adaptado de Camila F. G. Santiago, "Traços europeus, cores mineiras: três pinturas coloniais inspiradas em uma gravura de Joaquim Carneiro da Silva”, em Júlia Furtado (org.), Sons, formas, cores e movimentos na modernidade atlântica). Europa. Américas e África. São Paulo: Annablume, 2008, p. 385.

Considerando as informações do enunciado, a arte colonial mineira pode ser definida como a) renascentista, pois criava na colônia uma arte sacra própria do catolicismo reformado, resgatando os ideais clássicos, segundo os padrões do Concílio de Trento. b) barroca, já que seguia os preceitos da Contra Reforma. Era financiada e encomendada pelas confrarias e criada pelos artífices locais. c) escolástica, porque seguia as proposições do Concílio de Trento. Os artífices locais, financiados pela Igreja, apenas reproduziam as obras de arte sacra europeias. d) popular, por ser criada por artífices locais, que incluíam escravos, libertos, mulatos e brancos pobres que se colocavam sob a proteção das confrarias. GABARITO: [B] Segundo o texto a arte produzida em Minas Gerais seguiu as orientações do Concílio de Trento, ou seja, do movimento conhecido como Contra Reforma (ou Reforma Católica). Os efeitos desse movimento foram muito significativos nos países da Península Ibérica e, consequentemente, em suas colônias - como o Brasil - sendo que a arte sacra que se desenvolveu nas Minas Gerais se enquadra na ideia de “barroco tardio". Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 - Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 - Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Fonte: UNICAMP - 2012 Assunto: Artes (Renascimento; Barroco)


Examine a tira.

O efeito de humor na situação apresentada decorre do fato de a personagem, no segundo quadrinho, considerar que "carinho" e “caro" sejam vocábulos: a) derivados de um mesmo verbo. b) híbridos. c) derivados de vocábulos distintos. d) cognatos. e) formados por composição. GABARITO: [D] No último quadro, a frase da personagem permite inferir que ela considerou "carinho" e “caro" como vocábulos cognatos, ou seja, apresentam um mesmo radical primário (car-), pertencendo a uma mesma família de significação: "carinho" apresenta noção de semântica de afeto, e caro, o que é querido, estimado. Assim, é correta a opção [Dl. Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 - Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. FONTE: UNIFESP – 2013 Assunto: Interpretação de Textos (Charges e Quadrinhos); Gramática (Morfologia [Formação de Palavras]; Vocabulário).


GATES E JOBS Quando as órbitas se cruzam 7 Em astronomia, quando as órbitas de duas estrelas se entrecruzam por causa da interação gravitacional, tem-se um sistema binãrio. Historicamente, ocorrem situações análogas quando uma era é moldada pela relação e rivalidade de dois grandes astros orbitando: Albert Einstein e Niels Bohr na física no século XX, por exemplo, ou Thomas Jefferson e Alexander Hamilton na condução inicial do governo americano. Nos primeiros trinta anos da era do computador pessoal, a partir do final dos anos 1970, o sistema estelar binário definidor foi composto por dois indivíduos de grande energia, que largaram os estudos na universidade, ambos nascidos em 1955. Bill Gates e Steve Jobs, apesar das ambições semelhantes no ponto de convergência da tecnologia e dos negócios, 5tinham çrigens bastante diferentes e personalidades radicalmente distintas. À diferença de Jobs, Gates entendia de programação e tinha uma mente mais prática, mais disciplinada e com grande capacidade de raciocínio analítico. Jobs era mais intuitivo, romântico, e dotado de mais instinto para tornar a tecnologia usável, o design agradável e as interfaces amigáveis. Com sua mania de perfeição, era extremamente exigente, além de administrar com carisma e intensidade indiscriminada. 3Gates era mais metódico; as reuniões para exame dos produtos tinham horário rígido, e ele chegava ao cerne das questões com uma habilidade ímpar. Jobs encarava as pessoas com uma intensidade cáustica e ardente; Gates às vezes não conseguia fazer contato visual, mas era essencialmente bondoso. 4 “Cada qual se achava mais inteligente do que o outro, mas Steve em geral tratava Bill como alguém levemente inferior, sobretudo em questões de gosto e estilo”, diz Andy Hertzfeld. "Bill menosprezava Steve porque ele não sabia de fato programar." Desde o começo da relação, 6Gates ficou fascinado por Jobs e com uma ligeira inveja de seu efeito hipnótico sobre as pessoas. Mas também o considerava "essencialmente esquisito" e "estranhamente falho como ser humano", e se sentia desconcertado com a grosseria de Jobs e sua tendência a funcionar "ora no modo de dizer que

você era um merda, ora no de tentar seduzi-lo". Jobs, por sua vez, via em Gates uma estreiteza enervante. 2 Suas diferenças de temperamento e personalidade ’iriam levá-los para lados opostos da linha fundamental de divisão na era digital. Jobs era um perfeccionista que adorava estar no controle e se comprazia com sua índole intransigente de artista; ele e a Apple se tornaram exemplos de uma estratégia digital que integrava solidamente o hardware, o software e o conteUdo numa unidade indissociável. Gates era um analista inteligente, calculista e pragmático dos negócios e da tecnologia; dispunha-se a licenciar o software e o sistema operacional da Microsoft para um grande número de fabricantes. Depois de trinta anos, Gates desenvolveu um respeito relutante por Jobs. "De fato, ele nunca entendeu muito de tecnologia, mas tinha um instinto espantoso para saber o que funciona", disse. Mas Jobs nunca retribuiu valorizando devidamente os pontos fortes de Gates. “Basicamente Bill é pouco imaginativo e nunca inventou nada, e é por isso que acho que ele se sente mais à vontade agora na filantropia do que na tecnologia", disse Jobs, com pouca justiça. "Ele só pilhava despudoradamente as ideias dos outros." (ISAACSON, Walter. Steve Jobs: a biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 189-191. Adaptado)

Sobre o texto, e correto afirmar que: a) a Apple, para conseguir superar sua crise econômica, contou somente com a ajuda do lançamento de produtos inovadores criados por Jobs. b) Michael Dell, fundador da Dell, só passou a acreditar no futuro da Apple quando Steve Jobs retornou à empresa. c) Apple e Microsoft se ajudaram mutuamente e, por isso, ambas se firmaram no mundo da tecnologia. d) entre os idealizadores da nova economia havia, além da concorrência de mercado, uma disputa pessoal. GABARITO: [D] As opções [A], [B] e [C] são incorretas, pois: a) o aporte da Microsoft de 150 milhões de dólares contribuiu para que a Apple ultrapassasse problemas financeiros que iam provavelmente levá-la à falência; b) Michael Dell não considerou o potencial de Jobs para inverter o quadro da empresa, a ponto de propor o encerramento da empresa; c) não há referência à ajuda mútua, apenas o contributo da Microsoft à Apple. Assim, é correta apenas [D], pois o último parágrafo do texto menciona que havia, além da concorrência de mercado, uma disputa pessoal.


Mesmo em um texto em que haja o predomínio da função referencial da linguagem, e possível identificar passagens em que o autor, mais que transmitir informações sobre a realidade, apresenta seu posicionamento, ou seja, deixa transparecer um juízo de valor em relação ao referente. Em todas as alternativas isso acontece, EXCETO em: a) “O mérito de Jobs foi ter a presciência do rumo que o mercado tomaria." (ref. 1) b) “A Apple supera a Microsoft em valor de mercado, premiando o espirito visionário e libertário de Steve Jobs." (subtítulo) c) "A Marca, para além da disputa pessoal entre os maiores gênios da nova economia, coroa a estratégia definida por Jobs.” (ref. 2) d) “Na semana passada, a Apple alcançou o cume. Tornou-se a companhia de tecnologia mais valiosa do mundo, superando a Microsoft." (ref. 3) GABARITO: [D] A função emotiva ou expressiva da linguagem transmite avaliações pessoais do enunciador, como “O mérito de Jobs foi ter a presciência", “premiando o espirito visionário e libertário" e “entre os maiores gênios de nova economia" das opções [A], [B] e [Cl. Esta função não está presente na opção [Dl. As palavras genuinamente (ref. 8), presciência (ret. 9) e aporte (ref. 10) só NAO podem ser substituídas, correta e respectivamente, no contexto, por a) originalmente; previsão; subsídio. b) basicamente; precaução; prêmio. c) autenticamente; pressentimento; contribuição. d) propriamente; presságio; auxilio. GABARITO: [B] As palavras "genuinamente", “presciência" e “aporte" são respectiva e corretamente substituídas nas opções [A], [C] e [D] Os termos “basicamente", “precaução" e “prêmio" significam, na sequência, principalmente, providência e recompensa. Assim, a única opção que não apresenta palavras corretas para substituição das originais é [BI. Assinale a alternativa em que o uso da virgula se da pela mesma razao da que se percebe no trecho abaixo. "A Microsoft e a Apple vieram ao mundo praticamente ao mesmo tempo, em meados dos anos 1970, criadas na garagem de jovens estudantes.” (ref. 12) a) “A Marca, para além da disputa pessoal entre os maiores gênios da economia, coroa a estratégia definida por Jobs." (ref. 2) b) “Na sexta-feira, a empresa de Jobs tinha valor de mercado de 233 bilhões de dólares, contra 226 bilhões de dólares..." (ref. 13) c) "...Fazia produtos inovadores, mas que vendiam pouco." (ref. 14) d) “Tornou-se a companhia de tecnologia mais valiosa do mundo, superando a Microsoft." (ref. 15) GABARITO: [B] No trecho do enunciado, a virgula assinala a deslocação do adjunto adverbial de tempo ("em meados dos anos 1970") oração. O mesmo acontece em [B] com o adjunto adverbial "Na sexta-feira". Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 - Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 - Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 - Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H26 - Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. FONTE: Epcar – 2013 Assunto: Interpretação de Textos (Textos Jornalísticos); Teoria da Comunicação (Funções da Linguagem); Gramática (Vocabulário; Sintaxe [Pontuação]).


Em 1816, sob os auspícios da Família Real Portuguesa, chegou ao Brasil um grupo de pintores que integrou a Missão Artística Francesa". Um desses artistas foi Jean Baptiste Debret, que retratou em aquarelas cenas do cotidiano da sociedade brasileira na cidade do Rio de Janeiro. Observe uma de suas obras:

Família pobre em sua casa, litografia de Jean Baptiste Debret.

Agora leia o texto a seguir. Família pobre em sua casa apresenta uma cena ocorrida no interior de um ambiente doméstico, onde os personagens estão todos no primeiro plano, com destaque suficiente 'para que suas ações sejam percebidas. Ao dividirmos a obra ao meio, dois personagens ficam à esquerda da composição, para quem observa, e outro à direita, o que poderia denotar, em princípio, certo desequilíbrio. A luz é distribuída de maneira uniforme entre todos os elementos da obra, e as paredes, em tons escuros, não são vazias. Ao contrário, são carregadas de

texturas e objetos que, no final das contas, contribuem para que a composição obtenha um novo equilíbrio. Em pé, próxima à entrada da casa, vemos 5uma mulher negra, 2que talvez tenha acabado de entrar no ambiente. 3Ela é 6alta, ocupando quase a totalidade do espaço vertical do lado esquerdo da composição, e torna-se maior ainda em razão do recipiente que carrega, sem o apoio das mãos, 11em 4sua cabeça. Tal objeto é 'grande e deve estar cheio, porque se nota uma penca de bananas em sua abertura [...]. Suas roupas são simples: um lenço na cabeça, que lhe dá suporte para carregar o pesado objeto, uma saia azul, que cobre totalmente os membros inferiores, e uma blusa branca, que cai suavemente até o cotovelo, deixando à mostra seu colo, não denotando, contudo, qualquer sensualidade, já que não se destacam as formas do seio, mas sim de costelas ,2sob a pele, o que lhe dá uma fisionomia esquelética. Com a mão direita ela parece oferecer algo 13para uma mulher branca sentada no chão, e com a mão esquerda parece pegar o restante da oferta que guarda na sua blusa, que, caída até o ombro, funciona como um recipiente côncavo. Contudo, não é possível ver 9se ela está pegando realmente algo, se está 10apenas se coçando ou ainda se está sentindo alguma dor no local, haja vista o esforço de carregar um pesado recipiente sobre a cabeça [...].

Fonte: TREVISAN, A. R. A pintura da vida prosaica: pobreza e escravidão nas aquarelas de Debret. Baleia na rede - Revista online do Grupo de Pesquisa e Estudos em Cinema e Literatura, Unesp, v. 1, n. 3, p. 199-200, 2006. ISSN: 1808-8473. Disponível em http://www.marilia.unesp.br/home/revistaseletronicasybaleianarede/edicao03/pintura.pdf. 2011. (adaptado)

Assinale a afirmativa correta sobre o texto. a) O texto verbal descreve elementos que compõem a obra intitulada "Família pobre em sua casa", tais como: disposição e vestimentas das personagens, animais domésticos, luminosidade e objetos nas paredes. b) No primeiro parágrafo, são descritos aspectos que compõem o cenário e as ações executadas por cada uma das personagens retratadas. c) No segundo parágrafo, são apresentados detalhes sobre a aparência física, roupas e possíveis ações realizadas por uma das personagens. d) Nos excertos "em sua cabeça" (ref. 11), "sob a pele" (ref. 12) e "para uma mulher branca" (ref. 13), as preposições introduzem circunstâncias de lugar, posição inferior e finalidade, respectivamente, e contribuem para a descrição da mulher negra. e) O autor do texto manifesta convicção ao mencionar o momento da entrada da mulher negra no ambiente e as ações que essa personagem realiza com a mão esquerda. GABARITO: [C] A afirmativa [A] está incorreta. O texto verbal descreve elementos que compõem a obra intitulada "Família pobre em sua casa", no entanto a descrição é focada na luminosidade, na disposição dos personagens e na descrição da mulher negra. Não há referência nem a animais domésticos nem a objetos nas paredes. A afirmação [BJ também está errada. No primeiro parágrafo, são descritos brevemente os aspectos que compõem o cenário, mas não se descreve as ações executadas pelas personagens retratadas. Em [DJ também há incorreção. O excerto "para uma mulher branca" (ref. 13) não indica finalidade, o “para" é uma preposição necessária para o objeto indireto do verbo "oferecer". A afirmativa [E] é incorreta também porque o autor do texto não manifesta convicção ao mencionar o momento da entrada da mulher negra no ambiente e as ações que essa personagem realiza com a mão esquerda. Pelo contrário, ele esboça hipóteses: “que talvez tenha acabado de entrar no ambiente", "e com a mão esquerda parece pegar o restante da oferta que guarda na sua blusa". Desse modo, é correta apenas a alternativa [Cl.


Com relaçao ao uso de elementos linguisticos no texto, considere estas afirmativas: I. A expressão "para que" (ref. 1) introduz a finalidade da posição das personagens em primeiro plano na imagem. II. Os segmentos "que" (ref. 2), "Ela" (ref. 3) e "sua" (ref. 4) retomam "uma mulher negra" (ref. 5), a qual, na imagem, remete à única personagem que se encontra de pé. III. As palavras "alta" (ref. 6), "grande" (ref. 7) e "simples" (ref. 8) atribuem características para o mesmo sujeito. IV. O "se”, em "se ela está pegando" (ref. 9), tem a mesma classe gramatical do "se" em "apenas se coçando" (ref. 10). Está(ão) correta(s) a) apenas I. b) apenas II. c) apenas I e II. d) apenas I, II e III. e) apenas III e IV. GABARITO: [C] As afirmativas [III] e [IV] estão incorretas. Em [III], o adjetivo "alta" (ref. 6) se refere à mulher negra; "grande" (ref. 7), ao recipiente que ela carrega, e "simples" (ref. 8) às roupas da mulher. Em [IV], o “se", em "se ela está pegando" (ref. 9) é uma conjunção, já em "apenas se coçando" (ref. 10), o "se" é pronome reflexivo. Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 - Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 - Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 - Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 - Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 - Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. FONTE: UFSM - 2012 Assunto: Interpretação de Textos (Imagens); Morfologia (Classes de Palavras); Sintaxe (Concordância Verbal e Nominal). Leia o seguinte excerto: Nao era feio o lugar, mas nao era belo. Tinha, entretanto, o aspecto tranquilo e satisfeito de quem se julga bem com a sua sorte. A casa erguia-se sobre um socalco, uma espécie de degrau, formando a subida para a maior altura de uma pequena colina que lhe corria nos fundos. Em frente, por entre os bambus da cerca, olhava uma planície a morrer nas montanhas que se viam ao longe; um regato de águas paradas e sujas cortava-as paralelamente à testada da casa; mais adiante, o trem passava vincando a planície com a fita clara de sua linha campinada [...]. BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. Sáo Paulo: Penguin & Companhia das Letras, p.175.

No excerto, narraçao e descrição: a) são elaboradas com a finalidade de conferir mais agilidade e maior dinamismo à trama do romance. b) são elaboradas de modo que uma se sobrepõe à outra, o que faz decair a qualidade estética do texto. c) se configuram para melhor caracterizar a atmosfera pessimista e sombria do espaço da narrativa. d) se entrelaçam para melhor situar o leitor diante dos eventos que compõem o enredo.


GABARITO: [D] O romance “Triste fim de Policarpo Quaresma” é narrado em terceira pessoa, conta as agruras da vida de Policarpo no período que se segue à Proclamação da República no Brasil, com detalhes descritivos que permitem analisar sociologicamente esse momento. O tempo da narrativa é cronológico, pois os fatos são apresentados em sua sequência temporal e as descrições são permeadas de subjetividade de maneira a refletir a hipocrisia social que Lima Barreto pretendia criticar, como se refere na opção [Dl. Com relaçao ao tempo narrativo, nota-se que a utilização do pretérito imperfeito a) aproxima o material narrado do universo contemporâneo do leitor. b) confere ao texto um caráter dual, que oscila entre o lírico e o metafórico. c) faz com que o tempo da narrativa se distancie, até certo ponto, do tempo do leitor. d) torna o texto mais denso de significação, na medida em que institui lacunas temporais. Gabarito: [C] Ao usar o pretérito imperfeito do indicativo, o narrador acrescenta forte carga subjetiva à descrição da paisagem como se a cena, embora esbatida, ainda estivesse presente na sua memória. Este procedimento transmite o momento da percepção e o fluxo de sensações vivenciadas pelo narrador, o que distancia o tempo da narrativa do tempo do leitor, como se afirma em [C]. Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 - Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 - Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Fonte: UEG - 2013 Assunto: Textos Literários em Prosa (Lima Barreto); Gramática (Verbos [Tempo e Modo]); Literatura (PréModernismo); Redação (Narração; Descrição). Leia o seguinte trecho de uma obra do autor Guimarães Rosa: Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.

Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim... E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.

Olha, agora! Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa,

tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, comotinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilimbatia descompassado, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu: — “Miguilim, você é piticego..." E ele respondeu: — “Donazinha..." Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora. (Guimarães Rosa. Manuelzão e Miguilim. “Campo Geral")

A narrativa: I. desenvolve-se num universo fantástico, corroborado pela subversão da linguagem. II. não retrata as experiências afetivas entre Miguilim e as outras personagens, pois o foco está nas ações dele. III. é escrita em terceira pessoa, mas a história é filtrada pela perspectiva do menino Miguilim. Está(ão) correta(s) a) apenas I. b) apenas I e II. c) apenas II. d) apenas III. e) todas.


GABARITO: [D] Na linguagem de Guimarães Rosa, não há subversão, mas um estilo regional que busca aproximar o leitor da realidade retratada. Além disso, o foco da narrativa se concentra mais no psicológico dos personagens do que em suas ações. Assim a única afirmação correta é a III. Os diminutivos do segmento contribuem para criar uma linguagem a) afetada. b) afetiva. c) arcaica. d) objetiva. e) rebuscada. GABARITO: [B] Os diminutivos no trecho, como em “Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância”, promovem afetividade ao texto. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre sentimentos de personagens de Campo Geral, da obra Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa. ( ) Miguilim odiava seu Pai. pela violência das surras e castigos que ele lhe impunha: mandar embora a cadela, ou soltar os passarinhos que estavam nas gaiolas. ( ) As rezas da avó e os feitiços de Mãitina enfim surtiram efeito: Miguilim passou a se sentir culpado pela morte do irmão. ( ) Miguilim detestava o Mutum. Mas, com a ajuda dos óculos do doutor, acabou finalmente descobrindo que se tratava de um lugar bonito. ( ) Dito sentiu inveja de Miguilim porque Papaco-o-Paco era capaz de dizer" - Miguilim, Miguilim, me dá um beijim”, mas não conseguia pronunciar "Dito". A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) F - V - F - F. b) F - V - F - V. c) V- V- F - V. d) V - F - V - V. e) V- F - V- F. GABARITO: [D] O pai de Miguilim é descrito, em suas ações, como bastante agressivo e cruel. A primeira afirmação é verdadeira. Tanto a avó quanto Mãitina gostavam de Miguilim, por isso não tinham intenção de fazè-lo sentir-se culpado. Além disso, a avó de Miguilim era católica, não fazia feitiços. A segunda afirmativa está incorreta. Os óculos levam Miguilim a um mundo de descobertas e belezas, trata-se de um momento emocionante na trama. A terceira afirmação está certa. O Papagaio não conseguia dizer o nome de Dito. Apenas uma coruja pronuncia o nome do irmão de Miguilim pouco antes de sua morte. A quarta afirmação é verdadeira. Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 - Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 - Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H17 - Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 - Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 - Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.


Fonte: ITA - 2013 Assunto: Interpretação de Textos (Textos Literários em Prosa [João Guimarães Rosa]); Leia o seguinte texto: Leia o seguinte texto: Quem ri por ultimo ri Millôr Eu tinha 15 anos, havia tomado bomba, era virgem e não via, diante da minha incompetência para com o sexo oposto, a mais remota possibilidade de reverter a situação. Em algum momento entre a oitava série e o primeiro colegial, todos os meus colegas haviam adotado roupas diferentes, gírias, trejeitos ao falar e ao gesticular, mas eu continuava igual - era como se houvesse faltado na aula em que os estilos foram distribuídos e estivesse condenado a viver para sempre numa espécie de limbo social, feito de incertezas, celibato e moletom. O mundo, antes um lugar com regras claras e uma razoável meritocracia, havia perdido o sentido: os bons meninos não ganhavam uma coroa de louros nem ao menos, vá lá, uma loura coroa -, era preciso acordar às 6h15 para estudar química orgânica e os adultos ainda queriam me convencer de que aquela era a melhor fase da vida. Claro, observando-os, era óbvia a razão da nostalgia: seres de calças bege e pager no cinto, que gastavam seus dias em papinhos de elevador, sem ambições maiores do que um carro novo, um requeijão com menos colesterol, o nome na moldura de funcionário do mês e ingressos para o Holiday on Ice no fim de semana. Em busca de algum consolo, me esforçava para bater o recorde jamaicano de consumo de maconha, mas, em vez de ter abertas as portas da percepção - ou o que quer que fizesse com que meus amigos se divertissem e passassem meia hora rachando o bico, sei lá, de um amendoim -, só via ainda mais

escancaradas as portas da minha inadequação. Foi então, meus caros, que eu vi a luz - e a luz veio na forma de um livro; 'Trinta anos de mim mesmo", do Millôr Fernandes. A primeira página que eu abri trazia um quadrado em branco, com a seguinte legenda: "Uma gaivota branca, trepada sobre um iglu branco, em cima de um monte branco. No céu, nuvens brancas esvoaçam e à direita aparecem duas árvores brancas com as flores brancas da primavera". Logo adiante estava "O abridor de latas", "Pela primeira vez no Brasil um conto inteiramente em câmera lenta" - narrando um piquenique de tartarugas que durava uns 1.500 anos. Mais pra frente, esta quadra: "Essa pressa leviana/ Demonstra o incompetente/ Por que fazer o mundo em sete dias/ Se tinha a eternidade pela frente?". Lendo aquelas páginas, que reuniam o trabalho jornalístico do Millôr entre 1943 e 1973, compreendi que não estava sozinho em meu estranhamento: a vida era mesmo absurda, mas a resposta mais lógica para a falta de sentido não era o desespero, e sim o riso. Percebi, como se não bastasse, que se agregasse alguma graça aos meus resmungos poderia fazer daquele incômodo uma profissão. Dos 19 anos até hoje, jamais paguei uma conta de luz de outra forma. Uma pena nunca ter conhecido o Millôr pessoalmente, não ter podido apertar sua mão e agradecer-lhe por haver me sussurrado ao ouvido, quando eu mais precisava escutar, a única verdade que há debaixo do céu: se Deus não existe, então tudo é divertido. Antonio Prata. Folha de S. Paulo. 04/04/2012.

Releia este excerto: "Foi então, meus caros, que eu vi a luz - e a luz veio na forma de um livro” Nas duas ocorrências, o "a" não recebe acento grave, indicador de crase. Isso ocorre porque: a) há uma falha gramatical: sempre há crase em locuções adverbiais femininas como "à luz". b) se trata de um caso de crase facultativa: a junção de preposição com artigo é uma opção estilística. c) nunca se emprega acento indicador de crase no "a" diante de palavras masculinas. d) o novo acordo ortográfico em vigor aboliu acentos como trema e acento grave. e) os termos regentes associados ao substantivo "luz" rejeitam a presença de preposição. GABARITO: [E] Na frase “eu vi a luz - e a luz veio na forma de um livro”, a primeira ocorrência do termo "a" exerce a função de adjunto adnominal do objeto direto do verbo transitivo “vi” e a segunda faz parte do sujeito, rejeitando assim a presença de preposição. Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 - Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 - Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.


Fonte: INSPER - 2012 Assunto: Interpretação de Textos (Crônicas); Literatura Contemporânea.


Apesar da forte censura que caracterizou o Regime Militar, o Brasil, de 1964 a 1985, foi palco de uma serie de movimentos artísticos de relevante expressividade estética. Sobre a produção cultural desse período, assinale a alternativa CORRETA. a) O Movimento Armorial concentrou a critica ao Regime no Estado de Pernambuco. b) O Cinema Novo tinha, na filmografia hollywoodiana, sua principal influência. c) O Tropicalismo, formado por artistas baianos, detinha um projeto cultural eminentemente nordestino. d) Ao contrário da música e do cinema, o teatro não desenvolveu uma linguagem particular durante os anos da ditadura. e) A Bossa Nova, apesar de ser oriunda de um cenário nacional bastante distinto, influenciou a música de protesto no Brasil Gabarito: [E] Essa questão destaca a questão do processo de explosão dos movimentos contrários à manutenção da Ditadura Militar no Brasil( 1964-1985), em especial a questão da influência cultural, com músicas de "abaixo a repressão”, como as de Chico Buarque de Holanda. A questão também poderia mencionar o processo de desenvolvimento do país, com a exposição de trecho de músicas. Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 - Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H14 - Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Fonte: UPE – 2013 Assuntos: Literatura (Modernismo)