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O seu condomínio em revista

Distribuição gratuita Ano 08 . Nº 94 Jan/Fev de 2012

VEM AÍ 2º PORTAL DEBATE

TIME FORMADO

Conselho propõe soluções para condomínios em Jundiaí


EDITORIAL

ÍNDICE

UNIÃO PARA CRESCER

* Home Theater: um cinema

Já dizia que o velho ditado: ‘de boas intenções,

quando acontecem as palestras para ilustrar

o inferno está cheio’, mas limitá-lo ao desenvolvi-

a realidade do mercado condominial. Porém,

mento, definitivamente, não é a melhor escolha.

com a participação efetiva de síndicos, ou

Jundiaí está vivendo, há algum tempo, um crescen-

seja, daqueles que estão vivenciando o dia a

te avanço imobiliário. A tendência é o continuísmo

dia com seus problemas (muitas vezes, comum

de novos condomínios e, consequentemente, a ne-

entre os condomínios), é que vão fazer as coisas

cessidade de profissionalização do setor. E é exata-

acontecerem.

mente com esse objetivo que surgiu o Conselho de Síndicos, uma iniciativa do Secovi-SP.

Foi por esse motivo que o Portal dos Condomínios dedicou a reportagem de capa desta edição. Para que, mesmo você, morador ou síndi-

empi – Associação das Empresas e Profissionais do

co que não participa diretamente do Conselho,

Setor Imobiliário de Jundiaí e Região – estão se re-

possa influenciar nas decisões, sugerir mudanças

unindo mensalmente para propor soluções em co-

e contribuir para o crescimento e a segurança do

muns aos problemas constantes dos condomínios

seu condomínio. E, ainda, cobrar ações efetivas de

e loteamentos residenciais. A revista Portal dos

quem assumiu esta responsabilidade, não deixando

Condomínios vê com bons olhos esse tipo de re-

que as idéias no papel não passem de boas inten-

união. E, presenciando uma delas, percebeu que

ções.

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a área de lazer? * Portal Debate: as dúvidas

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* Capa: Conselho de

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Síndicos * Especial verão: tênis

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* Jobuticaba dentro

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de casa * Crônica: a jogatina

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Aos que participaram em 2011 sabem da dedi-

Síndicos, administradores e a equipe da Asso-

cação e organização para fazer acontecer o evento

ciação estão dispostos a promover melhorias em

Portal Debate, uma realização da revista Portal dos

comuns em capacitação profissional dos trabalha-

Condomínios. Em maio será realizada a segunda e-

dores em condomínios, troca de informações sobre

dição, com a realização de palestras, porém com um

empresas do setor, busca por soluções nas áreas de

espaço dedicado para você – seja morador, conselhei-

segurança, meio ambiente e tantas outras que limi-

ro, síndico ou administrador – poder debater e pro-

tam o crescimento de cada condomínio.

curar as soluções para os problemas de condomínio.

O Conselho anda na mesma linha de pensa-

* Inadimplente tem acesso

*

não está sendo ‘uma reunião para fazer outra re-

mento de eventos que são promovidos na cidade,

em casa

do seu condomínio

Síndicos voluntários e um corpo diretor da Pro-

união’.

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Participe ativamente. Mais informações podem ser obtidas através do site www.portaldebate.com.br

EXPEDIENTE Redação: Rua Bela Vista, 650 - Bela Vista

Caso ainda não receba e queira o exemplar em seu

CEP.13207-780 - Jundiaí / - Tel: 4522-2142

condomínio, ligue para 11. 4522-2142.

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Os artigos assinados são de inteira responsabilidade do autor e não representam o pensamento a revista.

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NA WEB

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Designer Gráfico: Paloma Cremonesi

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Arte Final: Paloma Cremonesi e Jonas Junqueira

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Reportagens: Vivian Lourenço MTB: 57471 Estagiáros: Rafael Godoy, Thais Bueno e Gladys R. de Paula Foto Capa: Rodrigo Góes

mediante protocolo para moradores de condomínios

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constantes em cadastro do Portal dos Condomínios.

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ShutterStock - Archidea

DECORAÇÃO & DESIGN

Um cinema Por Vivian Lourenço Depois de um longo dia – ou semana de trabalho, nada melhor do que desfrutar de momentos de descanso e lazer. Mas, por muitas vezes, a diversão pode se tornar outra fonte de estresse. Quem quer sair para se divertir, como ir ao cinema, por exemplo, às vezes tem que enfrentar enormes filas, barulho e gente mal educada. Pois é! Nem sempre o direito ao descanso é respeitado por outras pessoas. Por isso muitos preferem o aconchego do lar. Mas assistir a um filme, seriado ou programa na televisão geralmente não é a mesma coisa que ir ao cinema. E nem é por causa da telona, mas sim por todo o clima sonoro que uma sala de projeção proporciona. Já bem comum ao mercado e talvez não tão explorado, o Home Theater. Se bem instalado, pode garantir essa sensação ao morador. Pedro Formagin Junior, da loja Antenas Pedrão, especializada neste segmento, explica que com poucos passos o morador pode garantir uma diversão digna da sétima arte. A melhor forma de utilização para o Home é fazer a integração de todos os comandos em um único equipamento, que pode ser um controle remoto ou até mesmo um tablet. “É possível integrar a luz do ambiente, ter um sistema de cortinas elétricas, lift (elevadores) para TV e ou projetor, tela elétrica e ar condicionado”. Isso não precisa ser regra, mas facilita poder coman-

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dar tudo com um só controle. E nem se preocupe se não tem dinheiro para investir em tudo isso, o Home não necessita de todo esse aparato para funcionar, mas algumas boas ideias sempre são bem vindas. Outra dúvida comum dos moradores é saber se o aparelho pode ser instalado no ambiente que possui em casa ou no apartamento. Só um técnico eletrônico especializado vai poder te orientar e saber se você pode investir num Home Theater tendo um pequeno, médio ou até mesmo grande ambiente. O que vai contar é a relação custo benefício, fator determinante em qualquer decisão da vida. Depois de o morador saber qual o melhor aparelho para o ambiente, é hora de ficar atento às funções disponíveis do Home Theater, já que de nada adianta ter um excelente aparelho e não saber aproveitá-lo ao máximo. É como ter um computador de última geração e usá-lo apenas para navegar na internet, ou possuir um iPhone e usá-lo só para fazer ligações. Quanto mais você sabe sobre o equipamento, mais vai poder aproveitá-lo. Formangin explica que o morador precisa conhecer funções simples, como o receiver com zona 2, que é a de comando de som para outro ambiente com o mesmo equipamento, ou a configuração ideal para se ter efeito Dolby Digital 5.1. Já a equalização das caixas de som precisa ser conhecida, pois só assim poderá se ter um bom aproveitamento do som.

E por falar em som, tem gente que não troca o Home Theater por nada. É o caso da família Rabello, que se mudou de uma casa para um apartamento no condomínio Villalobos e não quis se desfazer do aparelho. “Estávamos vendo um show no Rock in Rio do ano passado e nos empolgamos tanto com o som, que parecíamos que estávamos lá”, relata Karol Rabello. O resultado foi uma multa aplicada pelo síndico. Mas isso não foi motivo pra família desistir do aparelho. Agora, porém eles tómam mais cuidado com o volume, principalmente quando assistem algum show. Para quem se interessou e quer saber de valores-base, o Home Theater doméstico está na faixa a partir de R$ 400. Porém há os aparelhos mais profissionais, que possuem diversas entradas, como as de chaveamentos de HDMI e caixas específicas para cada receiver. Esses modelos ultrapassam a casa de R$ 8.000. Para não ter erro na hora da instalação e poder aproveitar o que de melhor o aparelho pode proporcionar, o morador precisa consultar sempre um técnico especializado, já que ele será capaz de disponibilizar as caixas no local certo para cada sala, e também a configuração de dbs (decibéis) para caixas frontais, central, caixas surround e subwoofer. “Precisam também saber configurar funções de áudio para cada tipo de recepção de sinal e ou equipamento. Por exemplo, ao assistir uma transmissão Dolby Digital 5.1 precisa configurar o equipamento para tal


em casa

recepção. Só assim para obter o efeito cinema”. Além de usar o Home Theater como um cinema, você também pode ligá-lo na televisão, videogame e Blu-Ray, entre outros. Para isso, vai precisar de cabos específicos. E existem infinidades de tipos de cabos, como o de áudio e vídeo, HDMI, coaxial digital, cabo componente, cabo óptico. “Porém cabos específicos e de boa qualidade tem que ser comprados a parte, e com custos elevados”, diz Formagin. E com tantos cabos, nomenclaturas, não é difícil ficar perdido, mas ele explica a diferença entre HD, Full HD, HDMI, o que provavelmente vai tornar sua vida bem mais fácil, principalmente na hora de escolher o aparelho. ”HD refere-se ao nome de um sinal de vídeo (imagem) de alta definição podendo chegar a uma resolução de até 1.080 linhas”. Já o FULL HD é o nome de sinal de vídeo (imagem) também de alta definição, porém pode chegar a uma resolução de 1.920 por 1.080 pixels. E por fim, o HDMI é uma conexão digital para transmissão de sinais de áudio (som) e vídeo (imagem) de alta definição tudo com um único cabo.

Passo a passo para a instalação de um Home Theater 1º Passagem de cabos de som para caixas traseiras surround, da direita e esquerda. 2º Fixação das caixas traseiras. 3º Distribuição correta das caixas frontais, sendo a central junto ao centro, abaixo do televisor; as caixas frontais direita esquerda junto as laterais do televisor e o subwoofer ao lado “normalmente” direito abaixo do televisor. 4º Atenção para conectar corretamente os fios das caixas junto ao equipamento 5º Se for um receiver profissional, pode fazer as conexões do tipo DVD, videogames, notebooks, receptores de sinal de TV, Blu-Ray, iPhone, etc. 6º Proteger todos estes equipamentos com um bom condicionador de tensão. 7º Configurar todos os ajustes necessários de sinal de áudio e vídeo para cada equipamento. 8º Preparar a pipoca, o guaraná e bom divertimento!

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VIVER EM

CONDOMÍNIO

ShutterStock - Hung Chung Chih

O filho do condômino devedor pode ser impedido de usar área comum destinada a lazer?”

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Período de férias escolares é o momento das crianças utilizarem ainda mais o salão de jogos e a piscina, e alguns adolescentes até usufruem da churrasqueira, sem contar as quadras e até academias existentes em alguns condomínios. Nesse momento o morador é barrado sob a alegação de que a unidade condominial onde ele mora encontra-se inadimplente com as contribuições condominiais e por esse motivo não poderá fazer uso da área pretendida. Há algum tempo foi divulgada uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em que o “condômino devedor é impedido de usar área comum de lazer”. A notícia tratava de um

filho de um condômino devedor que foi impedido de utilizar a churrasqueira do condomínio. Tal fato suscitou muitas dúvidas e questionamentos na época, dúvidas estas que vem ressurgindo com o pulular de novos condomínios em nossa região, com novas pessoas iniciando esse modo de habitar. A inadimplência é o principal obstáculo enfrentado por muitos síndicos e é extremamente prejudicial em um condomínio, já que além de fazer com que uns paguem por outros, deteriora gradativamente o patrimônio privado e comum, prejudicando a todos os condôminos indistintamente. Um condomínio com fluxo de caixa insuficiente não consegue primar pela valorização e conservação predial. Diante disso, o imóvel se desvaloriza, perdendo a rentabilidade e viabilidade econômica, tanto que existem edifícios em que o valor do con-


domínio chega muito próximo ao preço do aluguel dos apartamentos, pois ainda que sejam propostas as respectivas ações de cobrança que tramitam anos pelo Poder Judiciário, os condôminos pagadores, imbuídos do desagradável ônus de custear a despesa alheia, exigem invariavelmente uma postura mais incisiva dos síndicos, chegando a sugerir inclusive o corte de determinados serviços, reclamando também a proibição de utilização, pelo devedor, de áreas comuns de lazer. Respectivas medidas eram encaradas como despóticas e até mesmo ilegais, haja vista que o expediente correto contra a inadimplência era tão somente a ação de cobrança ou protesto da taxa condominial. Entretanto, em razão do Poder Judiciário procurar adaptar-se às mudanças geradas pela realidade social do mundo atual, para refletir de forma justa e adequada o espírito das normas jurídicas e o desenvolvimento aliado à justiça social, o Judiciário passou a analisar os procedimentos não convencionais, como no caso citado. Entretanto, pouquíssimos, mas não menos importantes precedentes em favor do condomínio, estão sendo colhidos nos diversos tribunais do país. É obvio que os Tribunais, nos escassos casos em que reconheceram a aplicabilidade de proibição, não referendaram medidas extremistas, mas tão somente possibilitaram o não acesso dos devedores às áreas de lazer (piscina e sauna), de modo que todos os outros recursos disponíveis, tais como água,

luz, elevador e outros igualmente indispensáveis, foram preservados. Contudo, afim de que não existam entendimentos deturpados por parte dos condomínios, tal proibição não deve ser aleatória e desprovida do respaldo da assembleia e/ou da convenção, não podendo, por via de consequência, ser oriunda somente da vontade do síndico ou daquele que lhes faça às vezes. As proibições de utilização das áreas de lazer (ditas comuns) pelo inadimplente contumaz devem dispor de previsão na convenção. Em decisão em recurso de apelação o desembargador Donegá Morandini, da 3ª Câmara de Direito Privado do TJSP, relata que “não é justo que aquele que não cumpre as suas obrigações usufrua dos equipamentos de lazer do edifício à custa dos demais condôminos que pagam em dia as cotas condominiais”. E mais escreveu o desembargador: “O condômino inadimplente, pela assembleia ordinária de (...), além de impedido de usufruir o gerador instalado no edifício, também não poderá se valer dos equipamentos de lazer do condomínio (salão de festas, jogos, quadra poliesportiva e churrasqueira). A deliberação, no entanto, não padece de qualquer ilegalidade. Não envolve, em primeiro lugar, serviço essencial disponibilizado ao condômino. De outra parte, com o advento do novo Código Civil, abriu-se a possibilidade de restrições ao condômino inadimplente, que, neste particular, está impedido de participar das assembleias

(art. 1335, inciso III, do Código Civil). Na linha de impedimento traçado pelo citado artigo 1355, inciso III, do C. Civil, estabelecer outras restrições ao condômino inadimplente, como, por exemplo, aquelas introduzidas às fls..., vez que não é justo que aquele que não cumpre suas obrigações usufrua os equipamentos de lazer do edifício à custa dos demais condôminos que pagam em dia as cotas condominiais.” Contudo, tal decisão divide os especialistas em direito condominial, pois há quem entenda ser possível a proibição de utilização da área de lazer quando haja determinação na assembleia ou convenção e há os que entendem que não é possível a aplicação desta vedação que não se pode vetar o direito de uso porque restringe o direito de propriedade. Salientamos que não há nada na lei que conceda estes poderes, pois existem meios legais para cobrar o inadimplente, sendo esta decisão acima mencionada uma exceção, já que a maioria das decisões aponta que a restrição na utilização da área comum de lazer não pode ser feita. Aconselhamos que os condomínios busquem orientação especializada em profissionais do direito atuantes na área condominial e que não embarquem numa euforia que pode trazer mais desgostos que alegria, afinal como diziam os antigos: “ o tiro pode sair pela culatra”. * Carlos Eduardo Quadratti, advogado especializado em direito condominial e de vizinhança, jornalista inscrito no MTB 0062156SP.

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PORTAL DEBATE

Daniela Mendes

Dúvidas de moradores expostas aqui, Sendo o síndico profissional uma empresa, estes (o condomínio e o síndico) terão contrato de empresa prestadora de serviço, indicando o proprietário da empresa para ser o responsável junto aos órgãos públicos e o responsável civil e criminal do condomínio. Enfim, as instalações de um prédio são muito semelhantes a uma manutenção industrial, tendo, em alguns casos a transformação da energia elétrica (cabine primária) dentro do próprio condomínio, entre outros itens que também merecem atenção de manutenção industrial. Porém, para que tudo isso ocorra com eficiência deve haver uma boa comunicação entre o síndico, funcionários do condomínio e os próprios moradores. A equipe Portal Debate: Fernando Fernandes (síndico profissional), André Schuler (técnico),Melícia Geromini (psicóloga), Carlos Eduardo Quadratti (advogado), Newton Nery F. de Sousa Neto (advogado) e Reginaldo Moron (advogado).

Investir em um síndico profissional ou continuar com a boa vontade dos moradores, a busca pela soluções de vizinhos que não respeitam a regra de trânsito no condomínio e obrigações do condomínio para preservar a saúde de seus funcionários são alguns dos temas abordados nesta edição do Portal Debate. Participe você também. A sua dúvida pode ser a do vizinho. Envie agora as perguntas para contato@condominioemrevista.com.br Cristiane Mortensen – Res. Palas Atena: Qual a diferença, benefícios e vantagens de um síndico morador e um síndico profissional? Portal Debate: O síndico morador tem como prioridade seu trabalho, família e depois o condomínio. Para o caso do síndico profissional a prioridade é seu trabalho, ou seja, o condomínio. Normalmente a visão administrativa do síndico morador

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é uma visão doméstica, com pouco conhecimento dos recursos para soluções, por outro lado o profissional, por ter um relacionamento constante com outros problemas, soluções, empresas e profissionais do setor, proporá soluções mais propícias aos problemas apresentados. Inevitavelmente o síndico morador vai criar desafetos e seu relacionamento social nas dependências do condomínio estará comprometido. O síndico profissional estará cumprindo a Convenção, o Regimento Interno e o Código Civil, poderá advertir e multar sem o menor constrangimento e assim o relacionamento social do condomínio não será comprometido. A probabilidade do síndico profissional ser imparcial e até impessoal em algumas situações é maior. Além disso, trata-se de um profissional atualizado propondo soluções mais duráveis.

Edson C. Devèze – Jardim Santa Tereza: Há obrigatoriedade de se fornecer protetores solares a funcionários dos condôminios que trabalhem em ambientes expostos ao sol, como por exemplo: serviços gerais, jardineiros e outros? Portal Debate: O artigo 7º, inciso XXII, da Constituição Federal assegura a todos os trabalhadores a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. A própria CLT em seu artigo 155 dispõe que ao Ministério do Trabalho e Emprego estabelecer normas sobre a Segurança e a Medicina do Trabalho, que são as chamadas NRs, as Normas Regulamentadoras. Estas são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos poderes legislativo e judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT.Essas Normas Regulamentadoras dispõem que são obrigações do empregador, entre outras, adotar as medidas para eliminar


e síndicos para você

PORTAL

ou neutralizar a insalubridade e as condições inseguras do trabalho. E, nesse sentido, a CLT e a NR 06 estipulam que a empresa deverá fornecer aos trabalhadores, gratuitamente, os EPIs adequados aos riscos a que eles estão expostos, exigindo e fiscalizando o seu uso. Assim para saber se o protetor solar seria um EPI necessário aos empregados que trabalham a céu aberto, precisamos, antes, verificar se eles estão realmente expostos a condições insalubres, pelo menos nos termos previstos nas NRs. Portanto, para saber se o empregado deverá fazer o devido uso do protetor solar é imprescindível a realização do chamado Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) que estabelecerá uma metodologia de ação que garanta a preservação da saúde e integridade frente aos riscos do ambiente de trabalho. Nerci Pereira S. Beloto – ADCOM: O funcionário de condomínio que tiver mais qualificação técnica (com instrução escolar e aperfeiçoamento em cursos extracurriculares) terá algum privilégio, por lei, em receber salário maior? Portal Debate: Não, visto que o que regulamenta o salário é a convenção coletiva baseando-se na função de registro e efetivamente executada. Mas, como qualquer profissão, cursos de atualização e aperfeiçoamento só engrandecem o trabalhador. Laura – Garden Resort: O Garden é um condomínio horizontal com 312 casas e tenho sérios problemas com excesso de velocidade. Fazemos campanhas de orientação, temos os Rondas sempre atentos, porém não dá pra vigiar todas as ruas ao mesmo tempo. Tivemos muitos “quase atropelamentos” principalmente de crianças que vivem brincando e andando de bicicletas nas ruas. A veloci-

DEBATE

dade máxima permitida é de 20 km/h e a multa por infração é de 50% do valor da taxa condominial. O problema é como multar um condômino sem provas? O excesso é medido olhando...quando um carro “voa” sabemos que está acima da velocidade mas não tenho provas. O que devo fazer para poder multar porém resguardando o condomínio de ação por não possuir provas? Tem jeito? Em algumas situações em que nem multei, somente adverti e reorientei, ouvi do condômino infrator: “nem vem com multa – quero ver você provar...”. E ele estava no mínimo a 60/70 km/h!!!! Portal Debate: Se o infrator está numa posição tão defensiva como esta, uma outra ideia seria a de conscientizar os outros moradores, para que a maioria tenha o mesmo raciocínio, até mesmo na esperança de um controle feito pelos outros moradores, uma vez que não é só o síndico que tem responsabilidade perante o condomínio. Se um morador visse alguém riscando um carro não iria falar só porque não é possível fazer prova concreta? Não podemos nos deixar levar pela ideia de que só a tecnologia leva a verdade, o bom-senso e o equilíbrio também nos conduzem a este caminho. E, considerando que o condomínio seja regulamentado (convenção de condomínio, etc), o assunto deve ser levado em assembleia para uma votação de colocação de lombadas e/ou tachões nos pontos mais críticos. É aconselhado que toda notificação, advertência e multa sejam feitas por advogado especializado.

dor do prédio que não quer que as obras comecem no seu prédio antes das 9hs e que tenha o período de almoço:das 11h30 às 13h, pois o mesmo trabalha em casa. O morador disse que questionou advogados e que não pode haver muito barulho, que tem que orientar os pedreiros para tentar fazer o mais silencioso. Pergunto: Como o pedreiro pode tirar o piso se não fizer barulho (tirar com marreta)? E, se existe o regulamento, como ele quer mudar os horários sem passar em assembleia? É possível impor horário diferente do regulamento? Portal Debate: Não é possível impor horário diferente do regulamento, a não ser que seja feito em assembleia. Quanto ao barulho penso que poderia pedir para o pedreiro iniciar o trabalho “pesado” para após as 9h, fazer o horário de almoço das 11h30 até as 13h e reiniciar até as 18h. Esta é uma forma de tentar conciliar, apesar que se o horário é das 8 às 18h o morador em reforma esta certo. A função de um síndico é de sempre tentar conciliar. Lembrando que, segundo determina o artigo 1333 do Código Civil, a convenção de condomínio regularmente instituída “torna-se, desde logo, obrigatória para os titulares de direito sobre as unidades, ou para quantos sobre elas tenham posse ou detenção”. O RI (regulamento interno) acompanha esta mesma natureza, tendo pois a igual força imperativa, nesse sentido a vontade individual não pode prevalecer sobre a maioria, assim sendo, como quase tudo no condomínio deve sempre prevalecer o diálogo e o bom senso.

Neusa Sutti – Cond. Morada dos Deuses: No regulamento interno do condomínio residencial diz que as reformas poderão ser feitas no horário das 8 às 18hs, de segunda a sábado, não podendo ser executada em feriados e domingos. Existe um mora-

PARTICIPE AGORA - Envie sua pergunta para contato@condominioemrevista.com.br ou mande uma carta para Rua Bela Vista, 650 – Bela Vista – Jundiaí-SP – CEP: 13207-780. Qualquer dúvida, entre em contato através do tel.: 11 4522-2142.

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Capa

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div ulg aç ão

dor de cabeça ao síndico, que deverá estar balhos. preparado para administrar essa cidade. Em quase quatro meses de trabalho, com E para organizar esse mercado, a cidade reuniões quinzenais e pesquisas junto a sínviu a necessidade de criar um Conselho de dicos das cinco regiões de Jundiaí (norte, sul, Síndicos, ou seja, uma ação que consiga unir leste, oeste e centro), o Núcleo do Conselho todos os problemas em comum para assim lançou o “Conselho de Síndicos de Jundiaí e solucioná-los de uma maneira mais eficiente. Região” em 2011 na Feiccad – Feira do ImóEsta é uma ação inédita na cidade e foi oficiavel, Construção, Condomínios, Arquitetura e lizada em setembro de 2011 com o intuito de Decoração de Jundiaí e região. abrir um canal direto de comunicação entre O Conselho funciona como uma entidade síndicos, sociedade civil e entidades represenorganizada e representante legal dos condotativas do setor. mínios. É um grupo de voluntários que com a O Conselho de Síndico foi criado pela Prosua experiência de síndico acredita que possa empi (Associação das Empresas e Profissionais se tornar um facilitador para a classe. Se não do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região), em tiver os caminhos, trabalhar para buscar soluparceria com o Secovi São Paulo, como explica ções com o poder público, entidades ou ouCarlos Pelegrine, presidente da Proempi “setros. guimos a iniciativa de São Paulo e criou-se o “A ideia de criar o conselho veio da necesConselho de Síndico de Jundiaí e Região, na sidade do mercado na cidade, que além de busca de ferramentas que venham facilitar o ser crescente, já é de um porte que poderia dia a dia dos condosuportar esse Conselho, como já existe mínios e a vida do sín- “Seguimos a iniciativa em São Paulo”, explica o síndico profisde São Paulo e dico”. sional e membro do Núcleo, Fernando A iniciativa na ciFernandes. criou-se o Conselho dade só foi possível A iniciativa pode ser inédita em de Síndico de Jundiaí graças a uma parceJundiaí, mas já existe em outras cidae Região na busca de ria da Proempi com o des, como é o caso de São Paulo, Soroferramentas que Secovi São Paulo. Secaba e Bauru. Segundo Sérgio, a ideia venham facilitar o gundo o coordenador é que todas as regionais do Secovi-SP dia a dia dos do Conselho de Síndicriem o Conselho. (As regionais são: cos na capital, Sérgio condomínios e a vida Baixada Santista, Bauru, Campinas, Meira de Castro Neto, Grande ABC, Jundiaí, São José do Rio do síndico” “no ano passado foi Preto, Sorocaba e Vale do Paraíba). A Carlos Pelegrine, presidente da Proempi realizada uma reunião coordenadora do Concom todas as regionais selho de Síndie muitas gostaram da ideia. Então criamos um estatuto que serviu como base para as regionais”. A partir deste momento é que a cidade esteve apta para receber o Conselho. Para que este conselho fosse alinhado com as reais necessidades do seguimento, foram convidados os profissionais associados da entidade e que já atuam neste mercado como administradoras, escritório de advocacia e síndicos profissionais. Da reunião desses profissionais foi formado o “Núcleo do Conselho” para dar início aos traFo to

Por Vivian Lourenço Ser síndico não é tarefa nada fácil. É lidar com questões administrativas, controle de serviço terceirizado, resolver problemas internos e externos e principalmente saber a melhor maneira de se relacionar com os moradores. É praticamente comandar uma cidade, sozinho, onde todo tipo de problema pode aparecer. Mas como um condomínio não pode ficar sem o seu administrador, a figura do síndico se torna fundamental para comandar aquela cidade. E uma cidade pode até se desenvolver sozinha, isoladamente, porém as dificuldades serão maiores. Já imaginou uma cidade resolvendo os problemas sem ajuda? Ou então várias cidades com o mesmo problema? Não seria mais fácil a união de todas para conseguir melhor resultado e propor ações que ajudassem todos? Afinal, a força coletiva sempre foi maior que a individual. Todas as grandes mudanças na história da humanidade aconteceram por meio da força coletiva. Por exemplo, a Revolução Francesa só foi possível depois da união dos camponeses e burgueses em busca de melhores condições de vida. Na Roma Antiga, o fortalecimento do Império só foi possível depois da criação do Conselho de Anciões, ou Senado, que era responsável por achar soluções para os problemas do Império. No Brasil existe a Câmara dos Deputados, responsável por pensar nas questões que melhoram a vida das cidades. Desde que o homem percebeu que sozinho não chegaria a lugar algum, começou a se reunir para debater questões. E é assim até hoje, as coisas funcionam da mesma maneira na Câmara dos Deputados ou em uma associação de moradores. É mais ou menos assim que funcionam os condomínios. Eles são unidades autônomas, porém isso não significa que não possam se unir para, em conjunto, ganhar força e resolver em questões comuns. É como um conselho de uma classe profissional: há os problemas em comum dos trabalhadores e a partir deste momento é criado um conselho para lidar com questões comuns a todos. Jundiaí tem hoje mais de 500 condomínios. Pode parecer um número pequeno se comparar a São Paulo, que tem 50 mil ou a Campinas com 5 mil. Porém, até meados de 2013, serão lançados na cidade, mais 60 condomínios. Com esses números é possível afirmar que Jundiaí terá um crescimento de 10% em condomínios. Um número alarmante para o tamanho da cidade. Por este motivo houve a necessidade de começar a organizar melhor esse crescente mercado imobiliário, para trazer qualidade de vida ao morador e menos

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cos de Bauru, Leilane Strongren, explica que o conselho existe no município desde 2009. “Alguns síndicos da cidade sentiram a necessidade de terem um órgão onde pudessem buscar informações e trocar experiências; levar formação aos síndicos e funcionários de condomínios e que com a união pudessem oferecer melhor custo beneficio para os condomínios que representam”, explica Leilane. Para formar o Conselho, a Proempi entrou em contato com os filiados e organizou um grupo para formar o Núcleo do Conselho, que é composto pelas administradoras – Cortizo, Impacto, Móbile e Piacentini – e profissionais liberais, sendo que todos são filiados à Proempi. Além disso, há a participação de uma assessoria jurídica, com especialização na área condominial, representada pelo advogado Carlos Eduardo Quadratti, e um síndico profissional, representado pelo Fernando Fernandes. “Com base na minuta existente no conselho de São Paulo, fizemos a adaptação para a nossa realidade e formamos o nosso Conselho. São 30 pessoas que fazem parte. No núcleo são 10 e mais 20 síndicos, com representantes de cada região da cidade”, explica Fernando. A representatividade é o principal diferencial do Conselho, pois só desta maneira é que as questões conseguirão ser resolvidas. Não adianta um síndico sozinho querer solucionar

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Paloma Cremonesi

seja, necessidades comuns nos condomínios. Este é o foco principal do Conselho, é buscar as necessidades comuns e poder viabilizar soluções”, explica “Não adianta um síndico sozinho querer o advogado Carlos Eduardo Quadratti. solucionar a questão Finalizada a pesquisa, coda segurança ou do meçou o processo de obtenção trânsito. Precisa haver dos problemas mais comuns. integração de todos O estudo apontou que a maior necessidade, neste momento, para gerar uma força é a qualidade da prestação dos maior e assim poder serviços de mão de obra. Hoje exigir do poder existe uma deficiência muito público. O Conselho grave na qualidade desse servem para criar uma viço, que envolve tanto manucoletividade maior, tenção de equipamentos prediais, serviços como portaria trazendo mais força ou zeladoria. para os síndicos”

a questão da segurança ou do trânsito. Precisa haver integração de todos para gerar uma força maior e assim poder exigir do poder público. O Conse- Wagner Carpi, do Condomínio A segurança entra como lho vem para criar uma coleti- Chácara das Flores II. segunda maior necessidade, vidade maior, trazendo mais que caminha junto com a priforça para os síndicos. “Já estava em tempo de meira. Quadratti explica que muitos fatos têm surgir essa força”, diz Wagner Carpi, do Conocorrido na cidade justamente por falhas na domínio Chácara das Flores II. portaria. “São muitas ocorrências de assaltos Participam do Conselho condomínios preou arrastões que acontecem por falha no serdiais ou loteamento de casas. As reuniões vêm viço de portaria. Pensando nisso, o Conselho sendo realizadas desde meados do ano passado. vai buscar, juntamente com instituições de en“Fizemos reuniões e pesquisas para poder chesino, a capacitação dos funcionários”, explica. gar à necessidade do mercado em Jundiaí, ou Foi desta necessidade que surge a primeira


ação do Conselho, a busca de um curso para capacitar o zelador. Atualmente não há cursos na cidade que capacitem porteiros, nem zeladores, o que preocupa e muito o Conselho. “Bastou chegar bem vestido que os porteiros abrem a portaria, sem ao menos perguntar. Isto representa um total despreparo do segmento”, revela Quadratti. E isso até faz parte da cultura do brasileiro. Não é difícil encontrar lugares onde a roupa que a pessoa usa conta mais do que o caráter dela. Pode até mesmo fazer o teste: vá a alguma loja mal vestido e nenhum vendedor te dará atenção, mesmo você com muito dinheiro para gastar. Depois entre na mesma loja bem vestido, mas sem dinheiro; o atendimento será totalmente diferente. É a cultura do “se está vestido bem, é gente importante”. E isso provavelmente vem de séculos; muitos de nós ainda levamos mui-

Vivian Lourenço

85% das invasões dos condomínios, que são ou pela garagem, ou pela própria portaria, que é o local que, se bem administrado, reNeste primeiro momento, duz e muito este índice. “O melhor treinamento é a mao curso que está sendo neira mais eficaz de reduzir buscado pelo Conselho esse número”, salienta Feré o de capacitação para nando. zelador. A gente reúne Paralelo à ação, o Conselho buscará, juntamente a demanda, que é de 85% dos condomínios em com o poder público, ou Jundiaí, e apresenta para seja, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal as escolas, então fica fácil e Conselhos de Segurança desenvolver um curso nos das regiões, uma parceria moldes que precisamos. ou até mesmo uma reunião para entender as ações que Este é o espírito do eles já possuem para os conConselho de Síndicos”, dôminos. A ideia é ampliar Carlos Quadratti, advogado. essas ações através de divulgação e fazer com que se torne uma realidade. “Um exemplo: em uma to em consideração as vestimentas e o jeito de rua que tenha duas ou mais entradas para o agir, desde a antiguidade. Pode perceber que condomínio com muita arborização, faz com no Egito ou em Roma eram as roupas que faque pontos escuros apareçam e isto facilita ziam a distinção entre as classes sociais. Ou muito a ação de marginais. Se a orientação seja, as pessoas importantes e que não apredos órgãos de segurança for acabar com esses sentam riscos estão bem vestidas; já os margipontos escuros, o condomínio pode trabalhar nais andam sempre maltrapilhos. O que não é junto ao poder público para buscar uma solumais a realidade. ção”, diz Fernando. A vulnerabilidade do acesso representa

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A maioria das ações propostas são ações simples, mas que um síndico sozinho não tem poder de realizar, como explicou o síndico do Condomínio Chácara das Flores II, Wagner Carpi, “tudo o que você precisa do portão do condomínio pra fora, ou seja, tudo aquilo que depende do poder público é mais difícil de conseguir”. E o problema com serviço de portaria ou segurança não é uma realidade apenas da cidade. Segundo Fernando, quando diminui o índice de assaltos na capital paulista, por exemplo, aumenta na cidade, visto que há uma transferência do problema para uma cidade onde as dificuldades, para os bandidos, são menores. É essa vulnerabilidade que o Conselho não quer que a cidade tenha. Neste primeiro momento, o curso que está sendo buscado pelo Conselho é o de capacitação para zelador. Sendo assim, parcerias estão sendo propostas com escolas de ensino para formatar um curso para as necessidades da cidade. É um curso praticamente personalizado para o aperfeiçoamento de zeladores. “Vamos formatar o curso e divulgar dentro do conselho, primeiro para que os condomínios que o compõem tenham essa oportunidade em primeira mão, depois divulgaremos para os clientes das administradoras que fazem parte do

enço Vivian Lour

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Núcleo. O papel da Proempi e do Conselho é viabilizar esse curso, visto que o síndico sozinho não consegue. A gente reúne a demanda, que é de 85% dos condomínios em Jundiaí, e apresenta para as escolas, então fica fácil desenvolver um curso nos moldes que precisamos. É como funciona o sistema de compra coletiva, quanto mais pessoas, mais barato fica. Este é o espírito do Conselho de Síndicos”, detalha Quadratti. A ideia é que os síndicos, naturalmente, capacitem seus funcionários, pois o curso que será oferecido não é para formar, mas sim para capacitar o zelador, que atualmente é o braço direito do síndico, que não pode estar o tempo todo no condomínio. Por isto o zelador é tão importante, já que ele resumirá as ações do dia e assim poderá sugerir soluções ou até mesmo pesquisar outras ideias para melhorar o condomínio, além de conhecer as empresas terceirizadas que possam prestar um serviço de qualidade. Por isto esta capacitação se torna importante e essencial. “Esse profissional precisa ter noção do real perigo da profissão e saber como agir em cada situação”, diz Fernando. Apesar da queixa dos síndicos de falta de mão de obra qualificada, em um primeiro momento, o intuito do Conselho é capacitar o funcionário que já trabalha no condomínio.


Distribuição gratuita Ano 01 . Nº 06 Jan/Fev de 2012

Por Vivian Lourenço

nina dos olhos” de quem pretende investir em

Sabe aquela cidade que tem poucas ruas,

imóveis e também para as pessoas que pro-

quase nenhum comércio e com pessoas paca-

curam fugir do caos das grandes cidades. Qua-

tas e que provavelmente moram em sítios? Pois

lidade é a palavra chave na vida das pessoas. Atualmente, Jundiaí é uma das cidades

pessoas possuem do interior. Quem

mais desenvolvidas do estado e do Brasil. Se-

mora em grandes centros ou nas capi-

gundo o último levantamento, o município é a

tais ainda tem essa ideia sobre quem

9ª potência econômica do Estado e a 23ª no

vive por aqui.

Brasil, deixando para trás 12 capitais.

Mas esta visão mudou. Quem

O crescimento da região foi apontado por

visita o interior, principalmente as ci-

um estudo realizado pelo pesquisador Robert

dades próximas aos grandes centros,

Michel Zarif e encomendado pelo Secovi, de

conseguiu perceber que não tem nada a ver

São Paulo. O objetivo da pesquisa, como ex-

com a imaginação. As ruas são asfaltadas e

plica a diretora do Secovi-SP em Jundiaí, Célia

não de terra; o comércio é forte e diversificado

Benassi, “é mostrar o crescimento do mercado

e a população não lembra em nada um person-

imobiliário na região e obter atualização de tais

agem do filme do Mazzaropi.

dados sempre, já que nossa região é uma das

Aliás, o interior virou praticamente a “me-

que mais tem crescido no interior devido a sua

Fotos: Prefeitura de Jundiaí

Uma região próspera

era (ou ainda é) a visão que muitas


“Toda região é valorizada, claro que nas devidas proporções. Portanto, sempre é tempo de investir em imóveis como fonte de geração de renda. Comprar uma casa ou apartamento para alugar ou até mesmo para vender. Os imóveis não irão parar de valorizar tão cedo, ainda mais com a demanda por pessoas que querem morar na cidade. Ter um imóvel é sinônimo de tê-lo sempre alugado, tanto comercial como residencial. Jundiaí é uma cidade em constante crescimento.” Célia Benassi Diretora do Secovi-SP em Jundiaí.

localização”.

te crescimento.

R$ 7 mil o metro quadrado.

A infraestrutura é outro fator apontado no

Para quem planeja fazer do imóvel sua

Entre dezembro de 2010 e novembro de

estudo pela grande procura por investimentos

fonte de renda, é bom saber que o estudo

2011, foram lançados 3.175 imóveis residen-

imobiliários na cidade e também pelo aumento

apontou que atualmente a demanda maior tem

ciais verticais, sendo que o destaque é para os

da população que mora na cidade. Ou seja,

sido das classes C e D, que possuem renda de

empreendimentos de dois dormitórios, segui-

Jundiaí já está famosa por ser um grande e ex-

até 10 salários mínimos. “Por isso o estouro

dos pelo de três. O valor médio desses imóveis

celente polo logístico, além de disponibilizar

de vendas dos imóveis inseridos no programa

é de R$ 130 mil a R$ 200 mil.

uma gama de serviços básicos com qualidade

Minha Casa Minha Vida, que tem favorecido a

e possuir uma natureza preservada, já que a ci-

moradia própria para tais classes”.

Já nos imóveis horizontais, de dezembro de 2010 a novembro de 2011, foram lançadas

dade está cercada pela Serra do Japi. Grandes

Além de valorização, o estudo apontou

729 unidades residenciais, sendo que os mais

indústrias estão procurando cada vez mais a ci-

ainda que Jundiaí ganhou 7,5 mil apartamen-

procurados foram os de três dormitórios. A

dade para investir e, além disso, trata-se de um

tos de dois dormitórios de 2007 para cá. Por

curiosidade é que no período não houve lan-

município “banhado” pelas principais rodovias

contar com uma vasta área para construir e por

çamentos de unidades com quatro ou um dor-

do estado, como o sistema Anhanguera e Ban-

assistir a chegada de novos empreendimentos,

mitório.

deirantes. Segundo Célia, esses são os fatores

as regiões da Colônia e do Medeiros são apon-

Analisando-se o tamanho dos imóveis,

determinantes para o sucesso imobiliário da

tadas como as meninas dos olhos das constru-

as unidades mais procuradas foram as de 86

cidade. Unir tranquilidade, desenvolvimento e

toras e também daqueles que querem comprar

m² a 130 m². Em segundo lugar estão as uni-

boa qualidade de vida.

um imóvel em Jundiaí.

dades de 131 m² a 180 m². Considerando o

Célia explica que, em Jundiaí, toda região

Destas, a região da Colônia é a que mais

preço de venda, a procura maior ficou para as

é valorizada, claro que nas devidas propor-

vem sendo valorizada e ainda tem muita área

unidades com valor de R$ 400 mil até R$ 500

ções.

Portanto, sempre é tempo de investir

para se construir. Outras regiões que é bom

mil.

em imóveis como fonte de geração de ren-

ficar de olho é a Avenida Nove de Julho e a

Ou seja, opções para quem quer fazer do

da. Comprar uma casa ou apartamento para

região do outro lado da Anhanguera, como os

imóvel uma boa renda extra não faltam. E

alugar ou até mesmo para vender. Os imóveis

bairros do Retiro, Vila Alvorada e Parque dos

com os empreendimentos novos que irão sur-

não irão parar de valorizar tão cedo, ainda

Ipês.

gir na cidade, comprar uma casa ou um apar-

mais com a demanda por pessoas que querem

O custo do metro quadrado do imóvel para

tamento é investir um bom dinheiro, já que o

morar na cidade. Ter um imóvel é sinônimo de

morar passa dos R$ 6,5 mil. Como exemplo há

imóvel não vai desvalorizar, muito pelo con-

tê-lo sempre alugado, tanto comercial como

o novo empreendimento sendo construído na

trário, poderá até render mais do que o din-

residencial. Jundiaí é uma cidade em constan-

Avenida Nove de Julho, que o valor chega a

heiro aplicado no banco.


Outro exemplo de atuação da força do Conselho será na questão do trânsito, que influencia muito com a vida do morador e, consequentemente, trás dor de cabeça ao síndico. Hoje as ruas de Jundiaí se tornaram estreitas para a necessidade existente e com a quantidade de condomínios sendo lançados, essa demanda ficou ainda maior, deixando o trânsito da cidade complicado. “Um grande problemas que temos no horário de pico é a entrada e saída dos condomínios. É incrível, mas tem esse problema. Afeta o trânsito, a segurança e é um problema de difícil solução imediata”, diz o advogado. Este é um exemplo de uma questão que não depende somente do Conselho. A cidade, que primeiramente foi vista como um grande polo logístico de produtos se tornou alvo por ser uma cidade de logística de pessoas, pois fica entre dois grandes centros, São Paulo e Campinas. Isso fez com que muitas pessoas viessem para a cidade, tornando a malha viária insuficiente e causando os transtornos de trânsito que os síndicos relatam no Conselho. “Tanto que está sendo discutido na Prefeitura mudanças no código de obras e no de zoneamento urbano, justamente para a cidade se adequar a demanda imobiliária existente o que acaba refletindo em

todos nós”, pondera Quadratti. sionalização são importantes para que o conA justificativa deste aumento de condodomínio possa funcionar. “Os condomínios mínios e da demanda é o fato de a populamodernos têm exigido isso, já que existem ção ter uma necessidade de morar em conquestões tributárias, práticas, profissionais, de domínio. Hoje é difícil administração de pessoal e “O crescimento do número de de administração de moraalguém comprar uma condomínios faz o Conselho casa, a maioria prefedores. O síndico não tem re apartamento que é muito preparo para isto, o perceber outra necessidade, uma solução econômio aperfeiçoamento do próprio que cai naquela velha hisca e segura de moratória de que muitos síndisíndico, que é praticamente o dia. Com este panoracos só ocuparam o cargo prefeito daquela comunidade. porque ninguém quis.”, ma é que se percebe a E esta é uma reclamação que importância do Conseexplica Quadratti. lho de Síndicos, já que O aumento do número os próprios síndicos vêm a tendência é viver em de condomínios também fazendo. Ou seja, eles condomínio. Por isso trás outro problema, o das reconhecem o aumento do há o senso comum em pessoas que, pela primeimercado imobiliário na cidade querer melhorar a vida ra vez estão morando em e que a capacitação ou até dentro deste local. apartamento. Isto é uma E o crescimento do mesmo a profissionalização são reclamação que o Consenúmero de condomínios lho tem recebido, já que importantes para que o faz o Conselho perceesses moradores não estão condomínio possa funcionar” ber outra necessidade, acostumados àquela reo aperfeiçoamento do próprio síndico, que é alidade. Dentro do condomínio as regras são praticamente o prefeito daquela comunidade. outras. É este choque cultural que as pessoas E esta é uma reclamação que os próprios sínnão estão acostumadas. O Conselho vai tratar dicos vêm fazendo. Ou seja, eles reconhecem disso, de como orientar o síndico a lidar com o aumento do mercado imobiliário na cidade o morador. e que a capacitação ou até mesmo a profisQuem morava em casa e passa a morar

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em apartamento é igual criança quando começa a vida escolar. Dentro de casa ela podia fazer tudo, correr, gritar, derrubar todos os objetos e fazer tudo o que quisesse. Na escola é diferente, não pode fazer nada disso. E até a criança se adequar, demora. O mesmo acontece quando alguém sai de uma casa e vai para um apartamento. Ele se esquece de que não pode fazer barulho até altas horas, que as paredes são finas, que andar de salto alto incomoda o vizinho debaixo, ou que chegar à residência esbarrando em tudo perturba o sono alheio. São pequenas coisas que atrapalham o vizinho. Pequenas mudanças de atitude que garante o bem-estar geral. A questão do lixo também é um tema a ser tratado pelo Conselho de Síndicos, já que atualmente há uma preocupação muito grande em como descartar corretamente os resíduos sólidos e principalmente o óleo de cozinha, que trás muito transtorno para o condomínio. O morador joga a gordura no cano, causando um gasto com o desentupimento, além de uma manutenção constante e o prejuízo para o meio ambiente. “Os pets são mais de 60% de volume do lixo, então há a necessidade da conscientização de formas de descarte. Se você pisar na garrafa e fechar a tampa, ela não volta ao ta-

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manho original, o que diminui o volume na lixeira e ajuda no transporte. É uma medida simples, mas que quase ninguém conhece”. Além do lixo, vai tratar também do desperdício de água e energia elétrica da área comum, que pode ser mais bem utilizado. Serão itens que o Conselho irá trabalhar com os síndicos. Tanto que uma ideia que existe é procurar um parceiro, com uma das maiores engarrafadoras da cidade ou empresas que abracem a ideia e comecem a fornecer cursos ou palestras para os moradores, trabalhando justamente neste lado da sustentabilidade. A coleta de lixo reciclável, hoje, na cidade, não consegue mais atender a demanda. Por isto, o Conselho busca um parceiro para conseguir solucionar esse problema. “Existe até uma empresa que coleta o óleo, mas não é feito nenhum trabalho de conscientização para isto. É aí que queremos trabalhar”, Fernando. Por exemplo, o óleo que evita ir para o ralo, vira produto, ou seja, o sabão. Há locais em que você entrega o óleo e recebe o produto em troca. Os condomínios podem fazer isso, tudo depende dos custos e também dos parceiros. Outro tópico sugerido e que será estudado pelo Conselho é o curso para síndicos. Depois que o curso para zelador estiver formatado e em andamento, o Conselho vai procurar no mercado um curso para os síndicos. “Não

no caso uma profissionalização, mas trazer o tema de maior necessidade para desenvolver”, Fernando. O Conselho também está preocupado em orientar e preparar o síndico. Segundo Quadratti, a demanda de processos trabalhistas nos condomínios aumentou em razão da conduta do síndico, por não saber o que pode ou não exigir dos funcionários, acaba pedindo demais, como pedir ao porteiro realizar funções que não são as dele. É preciso que os funcionários e o síndico estejam bem preparados para o bom andamento do condomínio. “Acabou aquela história de ser síndico aquele senhorzinho do prédio e que fica sem ter o que fazer o dia todo”, Quadratti. A pessoa quando vai ser síndico, não tem ideia de como será, por isso cursos e capacitação são fundamentais para conseguir lidar com a demanda de funções e encargos que o síndico possui. Segundo o advogado, o orçamento que corre dentro dos condomínios em São Paulo, ou seja, a soma das taxas de condomínio é maior do que a soma do total dos impostos arrecadados pelo município. “Só para ter ideia do tamanho do mercado que estamos tratando”, diz Quadratti. Outra questão abordada pelo Conselho é a falta de empresas especializadas em serviços terceirizados, principalmente de manutenção, porque fazer algum reparo em uma área predial difere e muito do que é realizado em uma


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residência. Não é qualquer funcionário que está qualificado para o serviço, podendo até mesmo agravar um problema simples. A ideia é fazer um cadastro de empresas terceirizadas, até mesmo com o depoimento de outros síndicos sobre o serviço prestado. “Se qualquer funcionário prestador de serviço sofrer um acidente, quem sustentará a família dele para o resto da vida é o sindico e o condomínio”, Quadratti. Para o morador é importante para ter a valorização do imóvel e principalmente para ter alguém capacitado para gerir o empreendimento. Conselhos de outras cidades, como Bauru e Sorocaba, já estão colocando em prática projetos semelhantes. Em Sorocaba, o Conselho estabeleceu diretrizes quanto a coleta seletiva de lixo nos condomínios, já prevista em legislação municipal. Além disso, realizou a criação de um cadastro positivo de fornecedores, ou seja, uma lista das empresas e prestadores de serviços que atendem os condomínios locais com “qualidade”, também é uma das prioridades do grupo. Em Bauru, segundo Leilane, “conseguimos promover alguns cursos e palestras e, para este ano, queremos fortalecer a representatividade deste conselho em nossa cidade”. O Conselho de Síndicos de Bauru promoveu uma campanha de esclarecimento aos moradores sobre a importância da formação de Brigadas

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de Incêndio nos condomínios. Outra ação do Conselho foi a primeira etapa do Programa de Capacitação do Síndico por meio da palestra “Tributação nos Condomínios”. “O Conselho var dar caminhos, oferecer propostas de solução ao síndico, buscando o que há de disponível para ele usar. No curso de zelador, a ideia é criar um curso específico. O objetivo não é interferir diretamente na vida do síndico, mas vamos buscar soluções para que ele possa aprimorar melhor esse trabalho. Quanto mais síndicos participarem, melhor, pois serão desenvolvidas diversas atividades esse ano”, diz. E quem já tem essa experiência com o Conselho afirma a importância da ação. “Ser síndico é uma função que exige muito e que é pouco valorizada. Muitas vezes você não tem onde buscar informações e fazer a troca de experiências. O Conselho veio para ser este elo aglutinador e formador de nossos síndicos”, diz a coordenadora do conselho de Bauru, criado em 2009. Para a Presidente da Associação de Moradores do Bosque dos Jatobás, Fabíola Cristiane Martho, a ideia da criação foi conveniente porque na cidade não existia a integração entre os síndicos. “A troca de experiências ajuda na solução dos problemas. É uma força a mais para nós”. Neste sentido ela diz que o Conselho ajudará na indicação de cursos, principalmente para prestadores de serviços. “Vai

agregar muito para nós. Uma força muito boa na cidade”. Além das ações planejadas, o Conselho também pretende investir em outra: a rodada de experiências. O objetivo é que todos os síndicos se reúnam para cada um contar uma experiência positiva que teve dentro do condomínio. Porque muitos problemas são comuns e essa troca de experiência é fundamental. O Conselho é aberto a todos os interessados, que podem entrar em contato pelo e-mail conselhosdesindicos@proempi.org.br, se cadastrar e receber informações sobre o Conselho. E nem precisa ser síndico para isto, todos que vivem em condomínio podem participar. Seja na Roma, Egito, França ou até mesmo na criação de um Estado. De nada adianta ter unidades independentes, sem integração ou troca de conhecimento. A desunião não leva o engrandecimento, muito menos a resolução dos problemas. Tudo na história mundial mostra que somente a união das pessoas em torno de um problema comum é que possibilitou os avanços e as conquistas. É por isto que iniciativas como a criação do Conselho de Síndicos é válida. Cada unidade de condomínio não teria a força suficiente para resolver determinados problemas. É aquele velho ditado, a união continua fazendo a força.


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SAÚDE

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? ste artetimgao? Gostougedrie m u r alg

Shutterstock: Ljupco Smokovski e Ariwasabi

Quer su ara nsagem p .com.br Envie me dominioemrevista n co to @ e n d e im sau um atend ta Você terá m o fisioterapeu co vo exclusi llo Neto Aie

Por Neto Aiello - Fisioterapeuta Em continuidade ao Especial de Verão, (verão este que, nesta editoria, poderia ser proposto um artigo sobre guarda-chuva), o tema a ser abordado será sobre os trajes esportivos e os calçados, ambos relacionados à corrida e caminhada. A real importância do uso correto dos trajes esportivos, aqui foco nas corridas, não é estar na moda com cores vibrantes e com a aparência elegante para o treino, mas sim pelos benefícios que estes trajes proporcionam. Esse cuidado deve ser levado em consideração em qualquer modalidade esportiva. Muitos de vocês, caros leitores, devem estar pensando nos altos custos dos trajes e calçados esportivo, mas lhes garanto que há opções com custos benefícios excelentes que cabem em qualquer bolso. Tudo depende o quanto irá se empenhar no esporte (frequência, intensidade e duração). Como fisioterapeuta, garanto que prevenir é o melhor remédio. Daqui alguns anos seu corpo vai lhe agradecer por esse investimento. Para as prática de caminhada e corrida use roupas leves, principalmente agora no verão.

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Vestuário e calçado esportivo

Nada de roupas que impeçam a troca de calor com o ambiente, como nylon e algodão. Use tecidos sintéticos e de preferência com tecnologia de dry fit, que em geral não retém o suor assim ajudam a prevenir a desidratação e hipertermia (aquecimento excessivo do corpo). Por transpirar, as pessoas acham que estão emagrecendo, mas na verdade só estão perdendo água, ou seja, terão desidratação. Quanto mais desidratado, pior será seu desempenho e consequentemente a perda calórica. É importante salientar que suar não é sinônimo de perda de gordura. As roupas de algodão não são aconselháveis, pois não retiram o suor e a pele úmida perde mais calor do que uma pele seca e pode irritar a pele pela fricção. Já os tecidos sintéticos e transpiráveis tiram o suor de sua pele e jogam para a superfície externa onde a umidade pode evaporar rapidamente. Com isso, você se manter mais fresco e consequentemente melhorará seu desempenho. O ideal, no verão, é utilizar short, camiseta com manga ou regata e para mulheres, top. O top deve ser cavado nas costas para não prender os movimentos dos braços e favorecer uma boa sustentação para as mamas, e com forro interno para facilitar a transpiração. O importante é manter o corpo livre para movimentação. Há outros acessórios de grande importância para auxiliar a pratica esportiva, como o boné, óculos escuro e protetor solar. Para as coxas esfoladas, use bermudas de lycra, que podem minimizar a fricção. Mulheres cujo top causa esfoladuras devem escolher peças com costura reta ou escondida. O calçado deve ser usado e escolhido para o que e para quem se destina. Deve-se ter em mente que ele é que deve ser construído para os pés do indivíduo e não o inverso.

Geralmente não se observam anormalidades grosseiras nos pés dos esportistas: é evidente, porém, que o pé com carga pode ser caracterizado como cavo, neutro ou plano, de acordo com a altura do arco plantar e sua forma. Também há três tipos de pisadas: pronação, neutra e supinação. Esses dois fatores, essenciais na hora da compra de seu calçado. Os testes para identificar o tipo de pisada de cada pessoa poder ser realizado em lojas de artigos esportivos especializadas, ou com um fisioterapeuta esportivo que já vai avaliar toda sua postura identificando não apenas sua pisada, mas todos seu padrão postural. É importante a prova do novo calçado nos dois pés, e andar ou até mesmo saltar e trotar com ele, pois devem ficar confortáveis antes de sua compra. Como o avanço da idade o equilíbrio e o posicionamento dos pés declinam. É indicado para esses indivíduos calçados que pouco afetem os fatores estabilidade. Os atletas de mais idades são beneficiados pelo uso de calçados com alta firmeza e baixa espessura de entressola. O indicado é que o tênis descanse por 24 horas antes da próxima sessão de treino, isso possibilita que seu sistema de amortecimento tenha uma maior vida útil. O ideal é revezar entre dois tênis. A hora certa da troca do calçado depende de muitas variáveis. Depende do próprio calçado, do material usado para sua confecção, da marca e modelo, das condições e da superfície em que é usado e das características do atleta (peso, características da marcha e estilo de corrida). Em uma média, um tênis de corrida é feito para durar de 550 a 800 quilômetros e, portanto, deve-se trocar quando essa distância for percorrida. Agora que vocês já estão devidamente vestidos e calçados quero lembrar de mais uma coisa: em dia quente e ensolarado, que todo mundo tem vontade de sair para o ar livre fazer alguma atividade física, não se esqueçam de adotar alguns cuidados quanto a hidratação, pois a transferência de calor fica mais difícil e lenta, favorecendo o aumento da temperatura corporal. Bons treinos e até a próxima.


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UTILIDADES DOMÉSTICAS

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EDUCAÇÃO

Arrumando as coisas... Carlos José Silva Borges Comunicação Colégio Divino Salvador Por que, no começo do ano, ansiamos por uma série de mudanças ou até fazemos planos e promessas, mas, no decorrer dos dias e meses, muita coisa fica pra trás? É lógico que, para cada história, em cada pessoa, pode haver razões mais específicas, no entanto, para muitas situações, há uma consideração significativa: o novo não vem enquanto a gente não resolve o que está pendente! Neste começo de ano eu fiz diferente: organizei uma lista de tudo o que estava parado, do trabalho à vida pessoal, dos afazeres aos cuidados comigo mesmo, de tudo, tudo mesmo... Foram mais de 40 itens! Mas eu tive coragem... Fiz a lista e fui correndo atrás de cada um: resolver trabalho tal, finalizar aquele, responder o outro, fazer o rodízio dos pneus, aprender aquilo que vira e mexe preciso e sempre tinha dúvida, arrumar o jardim, devolver o livro, visitar meu tio, comprar

pilhas para o telefone que estava encostado há tempos, enfim, escrevi tudo... Começou a odisséia Com a lista na mão fui organizando as prioridades... Na verdade, fui realizando primeiro os mais fáceis... Cada dia montava as ações mais propícias a resolver naquele momento e corria atrás de cada uma, com foco... E fui resolvendo... A cada item que riscava, você não imagina a sensação de felicidade que tinha... A questão do tempo Dois componentes me ajudaram muito nessas resoluções: a vontade e o tempo. Aproveitei 12 dos meus 20 dias de férias para cuidar da lista, dividindo o dia também com os compromissos e passeios corriqueiros... O interessante é que, quando você monta uma lista com as necessidades imediatas, você as resolve rápido: corre pra uma, finaliza, não toma nem cafezinho e já vai para a outra... Parece gincana do Faustão, mas funciona...

desculpa da correria, que já está bem manjada. Segundo, que ter tempo é essencial, portanto, de hoje em diante, não jogarei o meu mais fora por nenhuma bobagem. Big Brother nem pensar. Terceiro, que eu não vou esperar as minhas próximas férias para resolver pendências. Seguirei meus dias resolvendo menos itens, mas resolvendo. Quarto, buscarei não deixar as coisas pendentes, pois terei que resolvê-las um dia de qualquer maneira. Eu até acredito que ninguém gosta de deixar as coisas pendentes, de forma intencional, mas, na prática, muitos o fazem. Então, se comecei vou até o fim! E, por último e mais importante, aprendi que, não importa a idade, seja nas tarefas do colégio, seja no trabalho, seja na vida pessoal, esse comprometimento conosco e com o próximo, com os nossos direitos e com as nossas responsabilidades, é essencial para uma vida tranquila, organizada, próspera e feliz!

O que eu aprendi com isso ? Primeiro, que vontade é essencial. Quando a gente quer resolver algo, a gente resolve! Não fica com aquela velha

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Shutterstock: Eduardo A. Rocha

BEM-ESTAR

Um doce sabor, dentro de casa Por Vivian Lourenço Quem tem o hábito de consumir frutas quando vai ao supermercado ou a feira livre sempre escolhe praticamente as mesmas: maçã, laranja, banana, mamão ou manga. Dificilmente alguém se arrisca comprar outro tipo de fruta, por mais apetitosa que seja a aparência. Talvez seja um hábito, o qual o consumidor aja incoscientemente.Mas o gosto de uma fruta comprada não é o mesmo de uma colhida na hora, no próprio pé. Pode até parece estranho, mas o sabor é totalmente diferente. E quem imagina que não dá para ter uma árvore frutífera dentro de casa, está muito enganado. Já imaginou comer jabuticaba diretamente do pé? Pode parecer estranho, mas é possível ter uma jabuticabeira dentro de casa, mesmo se você não tiver um grande espaço. Além do fruto saboroso, as flores da árvore são exuberantes e dão beleza e um colorido diferenciado aos ambientes. A jabuticabeira é uma árvore frutífera, nativa da Mata Atlântica e da família das mirtáceas. Segundo a paisagista e engenheira agrô-

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noma, Elen Moraes, existem várias espécies no país, porém as mais conhecidas são a Myrciaria cauliflora, (jabuticaba açu) que possui frutos grandes e a Myrciaria jabuticaba (sabará), que possui frutos menores e geralmente mais doce que a outra. Mas quem imagina que uma árvore assim não possa ser cultivada em um quintal ou até mesmo em um vaso de plantas está muito enganado. Não há desculpas para não aproveitar as flores e o fruto da jabuticabeira. “Sim, é possível cultivar frutíferas como a jabuticabeira em vaso”. A única preocupação do morador é se certificar que são necessários alguns cuidados especiais, como uma maior frequência de adubação e irrigação. Caso a residência possua uma área livre, como jardim ou quintal, e o morador decidir plantar a jabuticabeira no solo, deve ter um espaço que varia de 9m² quadrados no mínimo e, no máximo, 11m². Só assim a jabuticabeira poderá atingir sua plenitude. “No caso de vaso, deve-se utilizar vasos grandes, com dimensões mínimas de 150 litros”. A paisagista explica que montar um vaso

para plantar a jabuticabeira é muito simples. De um modo geral, coloca-se no fundo um pedaço de manta não tecido, uma camada de argila expandida e uma camada da manta novamente. Depois de feito esse processo, é só o morador colocar um composto contendo uma mistura de terra com esterco curtido, mais areia e adubos diversos de crescimento; tudo isto pode ser encontrado em casas especializadas. Em seguida, planta-se a muda no centro do vaso. Geralmente as mudas de jabuticabeiras são oriundas de sementes. Neste caso pode se demorar cerca de sete anos para produção de frutos. Caso a muda seja obtida por meio de outro método, como enraizamento, o tempo para obtenção de frutos é menor. A jabuticabeira é uma planta ornamental, porém de crescimento lento. Além do delicioso fruto, o morador pode desfrutar da sua floração belíssima, que dará lugar a uma frutificação que se torna exuberante. Para quem gosta de natureza é bom saber que esta é uma árvore.


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CRÔNICA

A JOGATINA Era um prédio

Nas câmeras de segurança era possível notar que os mora-

tranquilo, de moradores

dores mais antigos frequentavam o apartamento do ex–casal.

antigos, salvo o do último

Sempre com uma xícara na mão, entravam e ficavam um bom

andar, formado por um casal

tempo. Alguns saiam de madrugada com a mesma xícara que

sem filhos. Eram conhecidos pela

entraram e sempre vazia.

brigas e baixarias que davam, quando a

Numa noite sem cerimônia armou–se de uma xícara e foi

mulher muito ciumenta, tinha suas crises e todos já

até o apartamento suspeito, tocou a companhia e foi atendido

sabiam o leque de amantes que, em seu imaginário, o marido

pelo próprio morador. Convidado para entrar, ficou surpreso. O

se relacionava.

apartamento havia se transformado em um cassino, com várias

Fora esse problema, tudo ia muito bem. Os moradores de

máquinas de caça níquel, vídeo bingo e outros jogos proibidos.

certa idade quando recebiam suas aposentadorias já pagavam

Na frente delas os moradores alucinados jogavam sem parar. E

o condomínio e as contas sempre estavam em dia. Os inadim-

como sempre, perdiam até as calças.

plentes eram poucos sempre por motivo de saúde, mas logo acertavam seus compromissos. Porém, um fato marcou a administração do condomínio. Aquele casal que vivia brigando, certo dia a mulher juntou suas coisas e voltou para a casa de sua mãe. Nos meses seguintes as contas já começaram a não fechar.

Aí BINGO! Caiu a ficha. A senha era emprestar açúcar, por isso a xícara na mão. Lá os moradores estavam perdendo todo o dinheiro e não sobrava para o condomínio e alguns gastavam até o dinheiro do remédio de uso contínuo. Sem alternativa, denunciou o morador, às máquinas foram apreendidas, alguns moradores jogadores foram dar explicações

Condôminos que nunca haviam atrasados seus boletos,

ao delegado de plantão e as contas voltaram a ser pagas em

pagaram com relativo atraso e o fundo de reserva legal,

dia. Quanto aos jogos, continuam a ser realizados desta feita

guardado para uma emergência, começou a ser usado para as

no salão de jogos, com bingo regados a chazinho com torradas.

despesas ordinárias, o que já preocupou o síndico. Três meses depois dava para contar na mão os condôminos em dia com o condomínio e o fundo de reserva já se tinha evaporado. Foi quando o síndico resolveu investigar.

Por Dr. José Miguel Simão Advogado e cronista

Ilustração: Rafael Godoy.

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