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No seu condomínio. Na sua mão.

* Parabéns. Se você está lendo significa que se preocupa com as entrelinhas.Mas isso não basta. Você precisa entender o que está contratando quando o  assunto é seguros. E também ser honesto. ESPECIAL SEGUROS. PÁG. 20

AGORA É

Distribuição dirigida Ano 11 . Nº 106 Jan/Fev de 2014


indice 8 ud Biblioteca dentro de casa Você ainda tem a imagem de uma biblioteca sóbria e antiga? Mude seus conceitos e confira as dicas

10 Faca voce mesmo - ud Porta joias

Utilize uma moldura antiga de quadro ou porta retrato e crie um porta joias

16 viver em condominio Assembleia Condominial

Advogado prepara Manual para orientar síndicos e moradores neste primeiro trimestre de 2014, período em que ocorrem as Assembleias Condominiais

12 mulher As mulheres à frente das contas Passadas as primeiras contas de fim de ano, ainda é possível montar o seu planejamento financeiro 2014

14 cara ou coroa Você é a favor da redução da maioridade penal?

Dois advogados defendem opiniões opostos. Confira a análise completa nesta edição

46 multiplicadores Carnaval e Inclusão Social

Conheça a história de Anderson Lixão - e se surpreenda pela iniciativa de multiplicação do bem.

20 capa

Seguros: ter ou não ter? Você tem costume de ler seus contratos de seguros? E sempre diz a verdade no fechamento desse contrato? Acompanhe o especial

42 turismo Uma fazenda de 1840

Em Sousas, distrito de Campinas, a fazenda Floresta Park surpreende pela riqueza histórica e pela farta e deliciosa comida.


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pets

faca voce mesmo - o que tem na geladeira

3º setor

Convivendo com o inimigo e o amigo, também

Já imaginou uma casa com diversos animais: cachorro, coelho, gato, enfim, uma verdadeira comunidade? E como eles podem ter uma vida social?

Suco DETOX

Exagerou no Fim de Ano? Abusou da praia em janeiro? Não perca tempo e prepare um suco energético de gengibre

Amor em quatro patas

Conheça a história emocionante da Nanci, que recorreu à UIPA e conseguiu um companheiro para os momentos mais dificeis da sua vida

32 curiosidades da terrinha Empresas e Tradição

Fomos atrás da história de duas empresas tradicionais em Jundiaí: CICA e Luchini. Acompanhe as fotos

49 classificados Lista de prestadores de serviços ideais para o seu dia a dia

44 criancas

Brinquedos Educativos

As crianças precisam de variedade, de experiências saudáveis e não de situações pré-programadas. Conheça mais sobre os brinquedos educativos e pedagógicos

38 faca voce mesmo - ecologia Mural de Recados

Com inox e corda de seda você consegue montar um painel diferente de recados. E o melhor: é muito simples, pratico, e ainda fica bem bonito.

50 cronica Vandeco Puxa Briga

O malandro do condomínio se deu mal


editorial

Precisamos assumir omos responsáveis pelos nosso próprios atos. É uma premissa real e que deve ser seguida dia a da, nos primeiros raios de sol. Não podemos reclamar por coisas bem ditas, combinadas e esclarecedoras. Mas, brasileiros, têm a (falta) de cultura da leitura. Acreditam muito no próximo e, diversas vezes, ‘bate com a cara na parede’.

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Para a nossa reportagem especial de capa, elencamos os principais casos de problemas com seguros, sejam patrimoniais, residenciais ou de vida, entre outros. O que constamos é que não lemos – ou fechamos os olhos, para situações em que, o mínimo de organização e comprometimento por nossa parte, evitaria transtornos futuros. E a culpa, não é das companhias de seguro. Também, temos mania de não “abrir todo o jogo”. Usar da típica malandragem, escondendo dados e informações que são essenciais e decisórios em casos de sinistro. A deficiência de entender – ou simplesmente, ler – um contrato é algo comum. Aceitamos e nos preocupamos - muitas vezes - com valores, apenas. Mas esse não é o caminho. Aplicando na prática, vimos recentemente muitos casos de incêndios em condomínios. Você já imaginou se isso acontecesse com o seu e o mesmo não estivesse com o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros regularizado? Vamos aproveitar esse início de ano para montar um planejamento, pessoal, e do próprio condomínio. Vamos ser mais críticos, questionar, trazer novos fornecedores, participar de palestras, ler documentos e teses na internet, que nos fortaleça como ser humano e, principalmente, nos poupe de dores de cabeça, onde o culpado, pode ser nós mesmos. Não adianta se lamentar depois. É necessário seguir o antigo lema “combinado, não é caro”. Ainda mais, com um contrato assinado. *** Há muito se fala sobre a mudança da revista Portal dos Condomínios para APÊ ZERO 1. Nosso trabalho tem sido elogiado, pelo novo conteúdo, seja editorial ou gráfico. Foi realmente um grande passo para se manter como a melhor revista direcionada a condomínios de Jundiaí. Por outro lado, houveram questionamentos do porquê da mudança. Se a empresa havia sido vendida, se os donos mudaram... Não. Apenas nos recolocamos no mercado. Criamos uma nova identidade, aproveitando os 10 anos de fundação (maio/13), e unificamos a marca em todas as frentes de divulgação: revista impressa e site. Hoje, nossa página na internet é uma central de notícias diárias, algo inédito para a mídia. A equipe, na verdade, só aumentou. E a qualidade, aperfeiçoou. APÊ ZERO 1 é a sua revista de condomínios, com conteúdo exclusivo, imparcial e variado. Rodrigo Góes, Jornalista Responsável


colaboraram nesta edicao Carlos Eduardo Quadratti, advogado e jornalista que assina a editoria Viver em Condomínio e faz parte da diretoria da Proempi.

José Miguel Simão, além de síndico, leva diversão para casa dos moradores com suas crônicas sobre condomínios.

João Batista de Oliveira, Advogado criminalista há 20 anos.

Kátia Cristina Gante, Advogada há 20 anos e atualmente é diretora da 33ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil - Jundiaí.

André Luiz, é o fotógrafo responsável pela maior parte das fotos desta edição.

porque anunciar: l Única revista totalmente direcionada para moradores de condomínios em Jundiaí l Mais de 130 condomínios recebem os exemplares. l São 10.500 exemplares impressos todo bimestre. l Só recebem a revista os moradores que fazem parte do nosso banco de mailing. l As revistas são entregues com etiquetas e dados do destinatário. l Até agora foram publicadas 105 edições.

Expediente A revista APÊ ZERO 1 é a nova marca da antiga revista Portal dos Condomínios e é editada pela Io Comunicação Integrada Ltda, inscrita no CNPJ 06.539.018/0001-42. Redação: Rua das Pitangueiras, 652, Jd. Pitangueiras, CEP: 13206-716. Tel.: 11 4521-3670 Email: falecom@apezero1.com.br Jornalista Responsável: Rodrigo Góes (MTB: 41654) Diretora de Arte: Paloma Cremonesi Designer Gráfico: Camila Godoy e Jonas Junqueira Redação: Renata Susigan Ilustração e Redes Sociais: Rafael Godoy Planejamento: Júlia Hirano Web: Vinicius Zonaro Estagiário: Paulo Toledo, Gustavo Koch e Mônica Bacelar Tiragem: 10.500 exemplares Entrega: Mala Direta etiquetada e direto em caixa de correspondência, mediante protocolo para moradores de condomínios constantes em cadastro da revista.

Quer seu exemplar? Caso ainda não receba, solicite para o seu condominio: falecom@apezero1.com.br ou ligue: 11 4521-3670 Os artigos assinados são de inteira responsabilidade do autor e não representam o pensamento da revista.

Acesse na internet Site: www.apezero1.com.br Twitter: @apezero1 Facebook: Apê Zero 1 Associado:

Para Anunciar

11 4521-3670 atendimento@apezero1.com.br Apê Zero 1. Jan/Fev 2014

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ud

Divulgação

Dica

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Características neoclássicas e detalhes contemporâneos foram unidos para obter um ambiente suntuoso e, ao mesmo tempo, aconchegante

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Biblioteca funcional e com estilo Reportagem: Renata Susigan

Bibliote

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1 Fotos: Paulo Toledo

Você tem muitos livros e não sabe mais onde guardá-los? Acha que as bibliotecas são muito sóbrias para sua casa? Esqueça a imagem que você tem sobre elas. Segundo a arquiteta e urbanista, Ana Paula Pazian, já foi o tempo em que as bibliotecas tinham que ser monótonas. Hoje, para quem tem um cômodo inteiro disponível ou apenas um pequeno espaço, organizar os livros pode ser uma tarefa muito mais divertida do que apenas colocá-los nas prateleiras. “Até na cozinha é possível instalar um nicho ou armário e guardar os livros de receita”, explica. Segundo ela, o que deve ser considerado é o estilo do proprietário. Hoje, a arquitetura é “aberta”, ou seja, não é necessário seguir padrões para estar na moda. O que conta é a personalização e a variedade. “Podemos brincar com estampas e cores diferentes”, ensina. “Desde que sejam harmoniosas entre si.” Apesar de ser um ambiente destinado à leitura, as bibliotecas podem e devem ser consideradas espaços de socialização, troca de ideias sobre aquele livro de cabeceira ou o mais novo best-seller. “Com a instalação de sofás, poltronas e escrivaninhas, é possível obter um escritório ou saleta de visitas”, sugere.

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1. Estante: Valor sugerido: R$2.900,00 - Decor & Style (11 3964-2272). 2. Puff: Valor sugerido: R$ 790,00 - Arte Trançada (11 2449-5721). 3. Conjunto Vaso Enjoy : Valor sugerido: R$ 45,90. - Habitare Casa (11 45233700). 4. Cachepot Enjoy : Valor sugerido: R$ 119,00 - Habitare Casa. 5. Porta Retrato Prestige 10x15 Valor sugerido: R$ 15,90 - Habitare Casa. 6. Tapete Via Star Luxor : Valor sugerido: R$ 769,00 - Habitare Casa. Apê Zero 1. Jan/Fev 2014

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Faca Voce Mesmo ud

O que é

Se você gosta de produzir ou simplesmente incrementar a decoração da sua casa e de seu local de trabalho por conta própria, esta é a sua editoria.

Participe

Aceitamos sugestões. Quem sabe produziremos um objeto que você sempre sonhou em saber como fazer? Participe em nosso Facebook, site ou por email: falecom@apezero1.com.br

Vídeo

Quer saber como criamos esse item? Visite nosso site e procure a seção Vídeos.

www.apezero1.com.br

Fotos Divulgação

Porta joias de moldura

Materiais:

Mãos na Massa

l Moldura

l Primeiro, pinte a moldura de branco.

l Gravetos, 4 pedaços

l Em seguida, use a tinta para pintar os pedaços de gravetos. Corte-os, então, do mesmo tamanho,

l Tinta acrílica branca l Cola quente

com a largura da moldura. l Por último, cole os gravetos no verso dela com a cola quente. Agora é só pendurar seus brincos

e colares. 10

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Elas sao eficazes para: pagar contas, dividas e guardar dinheiro Passadas as primeiras contas do ano, ainda dá tempo de se organizar Reportagem: Renata Susigan Foto: André Luiz rganizar as contas da casa nem sempre é uma tarefa fácil e prazerosa, principalmente nos primeiros meses do ano, marcados por impostos, material e matrícula escolares, e resquício das contas das férias. Portanto, planejar o orçamento familiar torna-se uma tarefa necessária, que facilita o pagamento de contas, dívidas e até ajuda as pessoas a guardarem dinheiro. Na casa da vendedora Suzana Del Rosso é assim. Ela é a responsável pela administração do orçamento de sua família e comenta que, apesar de planejar as contas há muito tempo, nem sempre se preocupou com isso. “As circunstâncias nos fazem aprender a valorizar os benefícios de um planejamento bem feito”, opina. “Hoje, sei como controlar os gastos da casa, pois contabilizo tudo, desde compras com valor bem baixo até as mais caras.” Para a esteticista Elenice da Silva, o ato de sentar com os boletos, papel e calculadora só passou a ter vez em sua casa em março de 2013, quando resolveu, por curiosidade, saber para onde seu dinheiro estava realmente indo. Elenice conta que agora, a cada três meses, compara os gastos e que isso a ajuda, inclusive, a consumir com mais consciência. “Eu não prestava atenção a essas coisas”, revela. “Agora, não só controlo minhas contas, como deixo de comprar coisas supérfluas e sempre me pergunto duas vezes se preciso mesmo de algo que quero.” Tanto Suzana quanto Elenice estão no caminho certo. De acordo com o economista e professor de Economia, Messias Mercadante, o planejamento do orçamento familiar deve ser feito mensalmente e nele devem constar todas as contas que a família tem. “Desde água, energia e alimentação a financiamentos, parcelamentos de dívidas e taxas de condomínio”, exemplifica.

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Planejando o presente e o futuro Segundo Mercadante, o orçamento familiar 12

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Elenice: economia maior do que esperava

Para Suzana, planejamento das contas ajuda a guardar dinheiro para a faculdade dos netos

pode ser melhor entendido e executado se as pessoas o dividirem em três partes: racionalidade financeira, execução do orçamento e planejamento financeiro. “A racionalidade é a contabilidade de todos os rendimentos líquidos mensais das pessoas que contribuem para o orçamento familiar menos todas as despesas da família”, informa. Com essa operação é possível saber se o dinheiro que se tem é suficiente para pagar as contas e em quais itens deve ser feita a economia. Executar o orçamento mensal é o ato de acompanhar semanalmente todos os rendimentos e contas, a fim de verificar se o que foi planejado está, de fato, ocorrendo. “A execução nada mais é do que usar o dinheiro com consciência”, explica. “O planejamento é pensar no futuro”, revela. Nesta etapa, deve ser feita uma análise de como considerar e efetuar pagamentos futuros ou que não são mensais. Aqui também é possível verificar o que precisa ser alterado no orçamento para se ter equilíbrio. Segundo Mercadante, se a pessoa conseguir obter uma sobra precaucional, todos os meses, ela poderá ser usada em despesas imprevistas, como com o dentista ou médico. “A mulher tem papel importante na economia familiar”, afirma.

“Grande parte das despesas acontece com elas, que pesquisam os melhores preços e compram com mais consciência.” Planejar como o dinheiro será gasto é importante não apenas para o bolso, mas para a saúde. Quando ele não sobra e, pior, falta, o relacionamento entre as pessoas começa a enfraquecer, devido às preocupações e arrependimentos. “E as pessoas acabam sempre recorrendo a empréstimos ou cheque especial, o que é o menos indicado”, diz Mercadante, referindo-se às taxas de juros altíssimas. Ele compara: “O uso do cheque especial tem uma taxa de cerca de 8% ao mês, já o salário mínimo tem aumento de aproximadamente 6% ao ano. Veja a diferença!” Pensando nisso, Suzana aprendeu a guardar uma quantia mensal, pois pensa na faculdade dos netos. “Se puder, quero ajudá-los”, comenta. Já Elenice diz que os resultados de seu recente costume de controlar as contas tem dado resultado. “Estou economizando mais do que esperava”, complementa.

Acesse o site e confira conselhos de amigo economista.


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cara ou coroa

Voce e a favor da reducao da maioridade penal? SIM

Eu sou totalmente a favor da redução da maioridade penal, pois se, com 16 anos, o indivíduo pode se emancipar civilmente e casar, por exemplo, por que não pode ser responsável pelos seus atos? Em 2013, dois crimes envolvendo menores de idade tiveram grande repercussão no País. Em um deles, um jovem de 19 anos foi morto com um tiro na cabeça durante um assalto em frente à sua casa, em São Paulo. O assaltante que o matou tinha 17 anos, mas faria 18 pouco tempo depois do ocorrido. Após se entregar à Polícia, ele seria julgado como menor. Outro caso: em São Bernardo do Campo, três homens (dois jovens e um adolescente) invadiram o consultório de uma dentista. Eles roubaram-na e queimaram-na viva. A responsabilidade por atear fogo na dentista foi atribuída ao mais novo, que teria a pena amenizada, mesmo se tratando de um grave crime. Esses são apenas alguns exemplos de pessoas com menos de 18 anos que se envolvem em barbáries atualmente. Com o passar do tempo, os indivíduos mudam. Uma criança de hoje é diferente de uma de 30 anos atrás. Hoje em dia, uma criança pode ser considerada como tal somente até os oito anos aproximadamente. Após essa idade, as informações que recebem transformam-nas. Elas já são capazes de entender as coisas e de discernir o que é certo e o que é errado. O que falta é investimentos em escolas, professores e apoio à família, que anda desfeita há muito tempo. É necessário tratar a base. É muito mais barato construir escolas e capacitar professores do que construir e equipar presídios. Os valores se inverteram. Hoje, os traficantes são idolatrados pelos jovens, que veem que os criminosos conseguem coisas que eles jamais conseguiriam trabalhando. Ao invés de recorrer ao crime, esses menores (e não apenas eles, mas todos) deveriam estudar, trabalhar e tentar evoluir por mérito próprio. Antigamente, isso era incentivado pelos pais, que agora não têm mais tempo devido à correria da vida moderna, e terceirizam a criação e educação dos filhos.

Eu sou contra a diminuição da maioridade penal. A meu ver, tornar penalmente imputável o adolescente de dezesseis anos não resolverá a problemática da criminalidade. Na verdade, transferirá a responsabilidade da família, da sociedade e do Estado para um sistema prisional ineficaz. O problema da criminalidade tem origem na miséria, falta de educação, saúde, saneamento e trabalho, não sendo correto atribuir esse excessivo ônus aos adolescentes infratores, mesmo porque eles são produtos do meio em que vivem, normalmente. Se não houver políticas públicas - voltadas à educação, saúde, saneamento - que insiram esses jovens na sociedade e os ensinem valores fundamentais, nada mudará. Temos que nos recordar que esse jovem, mesmo infrator, tem absoluta prioridade de assistência, bem como tem que ter para si o cumprimento dos princípios da dignidade da pessoa humana e a proteção integral da criança e do adolescente. Nos países desenvolvidos pode fazer algum sentido argumentar que a sociedade deu aos jovens o mínimo necessário e, com base nesse pressuposto, responsabilizar individualmente os que transgridem a Lei. Em contrapartida, na Nicarágua, Índia ou no Brasil, este pressuposto é totalmente falso: em todo o país, somente cerca de 3,96% dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa concluíram o ensino fundamental. No Brasil, a participação dos jovens na criminalidade está em torno de 10%. Para equiparar a legislação penal brasileira à inglesa, por exemplo, deve-se comparar a qualidade de vida que os jovens têm lá e aqui. A redução, se admitida, fará com que se retroceda cada vez mais a idade para a criminalização e submissão a penas mais severas, além de se manter o cumprimento dessas penas em locais superlotados, o que certamente fará com que organizações criminosas aliciem cada vez mais adolescentes mais jovens. A redução da maioridade penal não resolverá o problema de criação e educação desses jovens. Os números apenas mudarão e a violência, que se pretende diminuir, não cessará!

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Kátia Cristina Gante Advogada há 20 anos e atualmente é diretora da 33ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil - Jundiaí.

João Batista de Oliveira Advogado criminalista há 20 anos.


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Viver em Condominio

Manual da Assembleia Condominial

Acompanhe esse especial sobre Assembleia Geral Ordinária

Prazo e Quórum O prazo para convocação das assembleias deve ser o estipulado na convenção condominial, mas caso esta não mencione nada sobre o prazo, aconselha-se dez dias antes da realização da mesma. É de extrema importância nas assembleias a questão do quórum que consiste no número mínimo de votos exigidos por lei ou determinado pela convenção para a aprovação de determinado assunto. Procurações

Objetivo Segundo o artigo 1.350 do Código Civil as assembleias gerais ordinárias deverão ser realizadas uma vez ao ano, tendo como principal finalidade a aprovação de verbas para cobrir as despesas normais e necessárias para o funcionamento do condomínio no ano que se inicia, ou ainda, aprovar as contas do período que se passou, oportunidade em que pode ocorrer ainda a eleição de síndicos, aprovação ou alteração do Regimento Interno. As AGOs devem ser convocadas pelo síndico ou por um quarto dos condôminos, se o síndico não o fizer no momento oportuno. Mecânica A convocação das assembleias deve ser um ato formal revestido de cuidados de maneira que todos os condôminos sejam convocados e a definição no edital de convocação deverá conter quais serão os assuntos deliberados de forma 16

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Quanto à questão da utilização de procurações, o Código Civil não estipula limites, cabendo à convenção condominial regular essa matéria para que com isso seja evitada a abusividade por parte de certos condôminos. A procuração deve ser outorgada por um condômino a qualquer pessoa capaz de direitos e deveres na ordem civil e deverá ser específica para a assembleia que irá ser realizada. A assinatura de quem está passando a procuração não precisa ser reconhecida em cartório, salvo se a convenção exigir. Os inquilinos poderão participar, inclusive com o voto, sem haver necessidade de procuração e desde que o proprietário esteja ausente e a AGO não verse sobre despesas extraordinárias. Inadimplente Outro assunto polêmico nas assembleias refere-se à participação do condômino inadim-

plente, sendo que a restrição não é considerada abusiva diante do disciplinado no artigo 1.335, III do Código Civil que diz: “Art. 1335. Sãos direitos do condômino: III – votar nas deliberações da assembleia e dela participar, estando quite. ” Presença e Ata É indispensável o controle e registro dos presentes através de assinatura na lista que posteriormente deverá ser anexada a ata. Quando do início da assembleia será escolhido entre os condôminos o presidente da mesa e este nomeará o secretário para redigir a ata na qual deverá constar todos os assuntos discutidos e deliberados.

+confira No site:

Outros artigos do advogado condominal.

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detalhada, o local, dia e hora da realização, sob pena de estar sujeita de anulação, podendo invalidar todas as decisões tomadas nesta reunião. O edital de convocação, além de ser enviado para cada condômino, deve ser também exposto em local de ampla circulação. A convocação deve informar explicitamente assuntos que serão discutidos, sendo que caso haja a informação de “assuntos gerais” sobre estes só poderá haver discussão e não deliberação. Sugerimos deixar este item para o final da assembleia.

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esta época do ano costumam acontecer mais de 27 mil assembleias de condomínio somente na capital paulista. Em Jundiaí, pouco mais de 500. Isso acontece porque muitas convenções determinam que no primeiro trimestre do ano deva acontecer a AGO – Assembleia Geral Ordinária, que entre outros assuntos prevê a aprovação das contas do ano que se findou e do orçamento para o ano em curso. Manter uma convivência dotada de urbanidade nos condomínios nem sempre é uma tarefa fácil. Nem sempre todas as pessoas concordam com mudanças e aprovar a prestação de contas do ano que passou, por exemplo, acaba se tornando uma meta não muito simples. As assembleias podem ser qualificadas de duas maneiras: as ordinárias (previstas em normativos do condomínio e na lei), as extraordinárias (quando a realização de uma assembleia se faz necessária, mesmo não estando prevista na lei. Como estamos em temporada de AGO, vamos centrar nosso foco neste tipo de assembleia.

autor do artigo Carlos Eduardo Quadratti, advogado especializado em direito condominial e de vizinhança, jornalista articulista inscrito no MTB 0062156SP.


Viver em Condominio

DICAS PARA TORNAR SUA ASSEMBLEIA DE CONDOMINIO MAIS PRODUTIVA Pedimos licença à Lello Administradora de Condomínios, da capital paulista, para reproduzir algumas dicas aos síndicos, para que as assembleias se tornem realmente produtivas: • Organização: o edital de convocação deve ser claro, distribuído com antecedência e conter todas as informações necessárias sobre a assembleia; • Corpo-a-corpo: a comunicação deve ir além da convocação por edital. É recomendável que o síndico, tendo tempo, ligue ou escreva e-mails para os condôminos, ressaltando a importância de cada um na assembleia. Um lembrete no elevador um dia antes já é uma boa iniciativa; • Cortesia: é recomendável que o síndico receba o condômino assim que ele chegar ao local da assembleia, cumprimentando-o e agradecendo-o pela presença; • Exemplo: para exigir respeito, é preciso, antes de tudo, respeitar também. Assim, mesmo que o síndico não concorde com determinada opinião, ele deve deixar que o morador exponha seu ponto de vista; • Preparo: é fundamental que o síndico se cerque de todas as informações possíveis, com auxílio dos conselheiros e da administradora, para ter força de argumentação e convencimento; • Saudação: recomenda-se que o presidente da mesa cumprimente os presentes na abertura dos trabalhos e diga palavras de motivação e otimismo, visando tornar o clima da assembleia o mais agradável possível; • Controle: aquele que estiver conduzindo a reunião deve ter sensibilidade para saber o momento adequado de encerrar uma discussão, dando prosseguimento aos demais itens previstos na ordem do dia; • Sugestões: quando um participante apontar erros, peça que apresente algumas sugestões. Assim, o morador se sentirá integrado ao processo e incentivado a ajudar; • Compreensão: O síndico deve tentar entender o perfil dos moradores para que, durante as reuniões, ele saiba como lidar com cada um deles;

• Interrupções: solicite que os participantes desliguem os celulares evitando que a reunião seja interrompida, a não ser em caso de urgência; • Comodidade: montar uma mesa com café, chá e biscoitos para depois da assembleia é um ato de delicadeza que pode, inclusive, servir para aproximar as pessoas; • Polidez: lembre-se de que, mais do que palavras, o que conta na comunicação interpessoal é o tom de voz, gestos e o modo de falar com as pessoas. Estes são alguns aspectos que devem ser levados em consideração na realização das assembleias, mas entendemos que muitas outras questões existem e dariam texto para várias colunas, deixamos então a questão aberta para participação dos leitores.

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Seguros: ter ou nao ter? Reportagem: Renata Susigan Fotos: André Luiz e Divulgação ocê guarda dinheiro e, finalmente, compra ou financia uma casa, apartamento ou carro. Se sente tranquilo por ter uma segurança, um imóvel próprio, um veículo que o leve confortavelmente a todos os locais que precisa, sem depender do sistema de transporte coletivo, pouco eficiente. Um tempo depois, percebe que sua segurança não é completa. As casas são alvo de assaltantes, o modelo do carro é um dos mais roubados no momento. Para solucionar a situação, você recorre ao seguro. Mas será que ele é a solução para todos os seus problemas? Há quem responda que sim, que se o seguro for realmente adequado à necessidade de cada pessoa e a assinatura da apólice for precedida de uma profunda leitura de todos os itens, é possível ficar tranquilo. Mas há quem diga não, que mesmo respeitando todas as cláusulas do seguro não é possível estar cem por cento livre dos transtornos que se pode ter simplesmente por acioná-lo. Quem estará certo? Renan Pessim, administrador de empresas, certamente é uma das pessoas que não teve suas expectativas atendidas pelo seguro do carro. Em 2011, Pessim fechou uma apólice com a Porto Seguro. Na época da renovação, o corretor ofereceu-o a instalação de um dispositivo, o DAF 5, rastreador que localiza o carro em caso de furto ou roubo. Já que a seguradora oferecia a instalação do aparelho gratuitamente e ainda reduzia o valor do seguro.Ele aceitou. “Meses passaram e o meu carro deu alguns sinais de pane elétrica durante as minhas viagens semanais a São Paulo. Antes que eu conseguisse verificar qual era o real problema, o carro apagou completamente quando eu trafegava por Jundiaí”, lembra. Depois de ter seu veículo guinchado até uma concessionária indicada pela Porto Seguro e esperar cinco dias por uma avaliação, o diagnóstico que o rapaz recebeu foi de que o problema elétrico que o carro apresentava estava relacionado ao rastreador. “Após contatar o meu corretor, para a minha surpresa, ele me disse que outras pessoas já haviam passado por isso. Eu pedi que o rastreador fosse retirado imediatamente do carro e que a seguradora me reembolsasse o valor pago

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à concessionária pelo atendimento. O corretor me disse que o reembolso seria feito, porém, isso nunca ocorreu. Apenas na renovação eles me ofereceram um desconto de praxe”, explica. Até hoje, Pessim não foi reembolsado e desistiu de tentar receber o valor pago à concessionária. Apesar da experiência, atualmente ele possui seguro de vida e saúde, mas antes de fechar contrato sempre pede indicações de pessoas conhecidas e de sua confiança. “Vale também entrar no site da Susep e fazer uma consulta sobre os corretores e seguradoras”, recomenda. “É importante também saber o histórico do seu corretor, porque é ele quem irá representá-lo perante a seguradora”, complementa. Sobre o caso de Renan Pessim, a Ouvidoria da Porto Seguro informou que “consta no nosso sistema que a empresa tentou um último contato em novembro de 2011. Como na ocasião não houve retorno do segurado, o caso foi encerrado. Com esta possibilidade de contato, propiciada pela revista, o caso será reaberto e o reembolso será providenciado.” Seguro de automóveis Se Renan Pessim não é o único a enfrentar problemas com seguradoras, por outro lado, Andréa Kubo, consultora há três anos da corretora Corrêa Lima, enumera os benefícios de se ter um seguro de automóveis. “Você tem uma garantia contra roubo, para uso de terceiros, de assistência 24 horas, do que você quiser.” Andréa defende que para uma melhor relação entre segurado, corretora e seguradora, a melhor alternativa é a transparência em relação às informações de todas as partes. “Para não haver surpresas, é importante que os envolvidos forneçam todos os dados necessários e solucionem dúvidas antes da assinatura da apólice”, sugere. A consultora explica que para calcular o valor do seguro do veículo, a seguradora avalia o perfil do cliente. Neste estágio, são analisados se a pessoa tem restrição no CPF, idade, sexo, estado civil, local de residência e trabalho, frequência com que o veículo é utilizado, quem irá dirigi-lo,

Pessim: experiência desagradável com seguro de automóvel tempo de habilitação dos motoristas, histórico de sinistros, tipo da garagem em que será guardado, modelo, valor e ano. Informações como o índice de roubo para determinado veículo e o valor na tabela Fipe também são utilizados pela maioria das seguradoras. “Tudo influencia. Fazemos um relatório extenso para saber as condições em que o veículo será utilizado e quem irá dirigi-lo. Se houver um sinistro e algum item estiver em discordância com o que foi acordado no momento da compra, o seguro não cobre.” Ela lembra ainda que as seguradoras realizam auditorias, por meio de telefonemas às casas dos segurados. Erros e obrigações de segurado, corretora e seguradora O diretor geral de produtos da seguradora Porto Seguro, Luiz Alberto Pomarole, afirma que “todo seguro é precedido de uma proposta”. Ele explica que na apólice são detalhadas todas as condições de coberturas e eventuais exceções, por isso, é imprescindível que os clientes leiam atentamente todas as cláusulas. “Os segurados devem ler com atenção o orçamento do seguro, a proposta e, por fim, a apólice. Devem também tirar dúvidas com o corretor para não ter as expectativas frustradas, caso precisem utilizar o


Andréa defende que a relação entre segurado, seguradora e corretora deve ser o mais transparente possível

Todo seguro é precedido de uma proposta”, afirma Pomarole

Procurar uma corretora idônea é o primeiro passo para adquirir um seguro, segundo Simone

seguro, se ocorrer um sinistro”, diz. Segundo Pomarole, quando os segurados têm suas expectativas frustradas ao acionarem o seguro, a seguradora tenta atender a reivindicação deles, levando em consideração que sua principal responsabilidade é administrar o dinheiro confiado a eles pelos clientes e que é imprescindível que se respeite as coberturas, pois de outra maneira, o equilíbrio financeiro para pagamento de sinistros dos demais segurados seria prejudicado. Para ele, um dos principais erros dos segurados é omitir informações ao corretor. Já da corretora é não fazer todas as perguntas cabíveis ao consumidor, para ter acesso às informações que possam evitar problemas futuros entre seguradora e segurado. Pomarole analisa que o seguro de automóveis é a modalidade que tem maior frequência de sinistros. “Isso é explicado pelo crescimento da frota circulante, que cria um adensamento nas cidades e acaba causando muitas colisões. E a escalada da violência vem causando uma maior quantidade de roubos e furtos de veículos, o que ajuda a aumentar a frequência de eventos no ramo.”

Quem responde a pergunta acima é Simone Barreto, corretora da SBS Seguros, com experiência de 15 anos na área. Ela afirma que para começar a procura e adquirir um contrato de seguro corretamente, é necessário encontrar uma corretora habilitada, que siga o código federal da Susep (Superintendência de Seguros Privados – leia mais sobre este órgão em nosso site). “Procure um lugar idôneo, peça indicações, veja referências e faça o seguro apenas com o corretor, que é o profissional habilitado para trabalhar com este assunto tão amplo e complicado.” Outra sugestão que ela dá para evitar futuros transtornos quanto à cobertura do seguro é a leitura integral da apólice. Segundo ela, quando os segurados ficam descontentes com o seguro é porque, possivelmente, a venda foi incorreta. “Há quem venda seguro sem oferecer todas as informações ou solucionar as dúvidas do cliente. Isso, muitas vezes, não é por maldade, mas por ignorância”, explica. Depois de tomados os devidos cuidados, é hora de verificar qual a necessidade de cada pessoa e assinar o contrato. No caso do seguro de condomínio, ela informa que é obrigatório e responsabilidade das administradoras desses locais. Cada condomínio é diferente do outro, então, o valor do seguro varia de acordo com o padrão das casas. “Esse seguro é uma garantia de segurança e qualidade”, fala. Segundo Simone, desde janeiro de 2014, entraram em vigor dois novos tipos de cobertura básica para seguros de condomínios: simples e ampla. A primeira compreende riscos de incêndio, queda de raio e explosão de qualquer natureza

(e comporta adicionais). Já a segunda cobre, além dos riscos básicos, quaisquer eventos que possam causar prejuízos materiais ao imóvel segurado: danos por fumaça, queda de aeronave, desmoronamento, roubo e furto qualificado de bens, danos elétricos, em portões automáticos, entre outros. Esta cobertura é denominada all risks (que significa todos os riscos, em português). Outro seguro que preza pela segurança do imóvel é o residencial, que deve ser feito por cada condômino (apólices individuais) e também é indicado a pessoas que não morem em condomínios. De acordo com Simone, este seguro cobre, entre outros, a quebra de vidros, danos elétricos, incêndio da casa, queda de aeronave, roubo e furto qualificado de bens, danos por vendaval, perda e pagamento de aluguel, responsabilidade civil e ainda possui os pacotes de assistência 24 horas, com serviços de chaveiro, encanador, eletricista, conserto de eletrodomésticos e tudo o que o cliente quiser colocar na apólice. “Quanto mais coberturas, maior o valor e a segurança que a pessoa tem.” Simone lembra ainda que as parcelas da apólice devem estar pagas em dia para que haja cobertura. Um caso a parte que deve reservar uma atenção especial é o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Obrigação da administradora do condomínio em solicitá-lo ao Corpo de Bombeiros, o AVCB é um documento que atesta que, durante a vistoria, a construção possuía condições de segurança contra incêndio. Nessa vistoria são analisados itens como medidas estruturais, técnicas e organizacionais integradas para garantir que a edificação tenha o nível

Como adquirir um seguro de condomínio ou residencial sem ter problemas? São inúmeros os tipos de seguros: de vida, de saúde, de responsabilidade civil, patrimonial, habitacional, de viagem, entre outros. Mas com o aumento de empreendimentos imobiliários, duas das modalidades mais requisitadas hoje são o de condomínio e residencial.

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Previdência privada Surgida no século XIX, em 1835, com a criação do Mongeral (Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado), proposto pelo então ministro da Justiça, Barão de Sepetiba, que oferecia planos com facultatividade e mutualismo. Instituída como lei, a previdência foi promulgada penas em 1923, através da Lei n° 4.682.

A primeira empresa de capitalização Fundada em 1929, chamava-se Sul América Capitalização S.A. Apenas em 1932 foi oficialmente autorizada a funcionar, por meio do Decreto n° 21.143, posteriormente regulamentado pelo Decreto n° 22.456, de 1933, que regulamentava o funcionamento de todas as sociedades de capitalização, que atuavam sob controle da Inspetoria de Seguros. As empresas de capitaliazação são aquelas que oferecem ao público a constituição de um capital mínimo determinado para cada plano e pago em moeda corrente, em prazo indicado no plano, à pessoa que possuir ou subescrever um título, segundo as cláusulas e regras aprovadas nesse título. 22

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Superintendência Geral de Seguros

O seguro no Código Civil Brasileiro

O Decreto n° 4.270, de 1901, e seu regulamento, conhecido como Regulamento Murtinho, regulamentaram o funcionamento das empresas de seguros de vida, marítimos e terrestres, nacionais e estrangeiras, existentes ou que se instalassem no Brasil. O regulamento Murtinho também criou a Superintendência Geral de Seguros, ligada ao Ministério da Fazenda. Nesse novo órgão ficaram concentradas todas as questões referentes a seguros, que antes eram subordinadas a vários órgãos diferentes. Como atribuições da nova superintendência estavam a fiscalização preventiva e repressiva. Em 1906, por meio do Decreto n° 5.072, a Superintendência deu lugar a uma Inspetoria de Seguros, também subordinada ao Ministério da Fazenda.

Em 1916, a Lei n° 3.071 promulgou o Código Civil Brasileiro (reformado em 2002). Nele, um capítulo foi dedicado ao contrato de seguro. Os CódigoS Civil e Comercial passaram a compor o que é denominado Direito Privado do Seguro. A partir daí ficaram fixados os princípios fundamentais do contrato e as determinações de direitos e obrigações das partes envolvidas, a fim de anular conflitos de interesses. Esses princípios garantiram o desenvolvimento do seguro.

DNSPC Em 1933, o Decreto n° 22.865 trocou a subordinação da Inspetoria de Seguros do Ministério da Fazenda para o do Trabalho, Indústria e Comércio. No ano seguinte, a Inspetoria deu lugar ao Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização.

Nacionalização do seguro Com a Constituição de 1937 (Estado Novo), foi instituído o Princípio da Nacionalização do Seguro. A partir dele, foi promulgado um decreto que criava os seguros obrigatórios para comerciantes, industriais e concessionárias de serviços públicos, pessoas físicas ou jurídicas, contra os riscos de incêndios e transportes (ferroviário, rodoviário, aéreo, marítimo, fluvial ou lacustre). Acesse nosso site e saiba mais.


Casos veridicos O perito em seguros Fábio Carbonari separou alguns casos com os quais teve contato e analisou os sinistros. Veja:

Falta de informações é motivo de negativa de pagamento, afirma Eliane

Del Prá: “Não é demais dizer que a sociedade somente desenvolveu-se da forma como vemos hoje graças também ao tratamento, previsão e controle de riscos”

adequado de proteção com relação a incêndios e pânico. “Caso o AVCB esteja vencido, não há cobertura securitária”, lembra Simone. A corretora lembra que quando o consumidor for comprar um condomínio empresarial ou residencial na planta, é necessário verificar os laudos dos Bombeiros e se a construtora contratou um seguro de riscos de engenharia. “Assim, caso ocorra algum problema no período de construção, é possível que a construtora reponha todos os gastos e os clientes não tenham que arcar com despesas extras”, sugere.

que muda é a rede credenciada e o reembolso, caso a pessoa escolha ir em um médico particular. O reembolso varia de acordo com o valor do plano que o cliente paga. Eliane explica que os problemas mais comuns enfrentados pelos segurados ocorrem quando há omissão de informações, que pode trazer situações imprevistas para eles no momento do reembolso de determinado procedimento. “É importante que, durante o processo de aquisição do seguro, o cliente seja sincero e forneça o maior número possível de informações como doenças pré-existentes, crônicas, cirurgias realizadas”, afirma. “Falta de informações como essas é motivo de negativa de pagamento por parte da seguradora.”

Seguro saúde Entre os mais solicitados também está o seguro saúde. Eliane Carmo, consultora desta modalidade há seis anos na corretora Corrêa Lima, explica que o seguro saúde é um dos mais complicados que existem, devido a quantidade de detalhes que agrega. É regulado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e tem uma lista extensa de coberturas e abrangências, que podem ser escolhidos pelo contratante. “Geralmente, o seguro saúde tem cobertura nacional, mas é possível adequá-lo ao que cada segurado deseja e transformá-lo em regional”, afirma. Segundo Eliane, o seguro saúde funciona da seguinte maneira: o segurado escolhe entre os planos disponíveis, que possuem valores diferentes, mas têm direito às mesmas coberturas. O

Sob o ponto de vista jurídico Até agora foi possível perceber que ambas as partes envolvidas em um contrato de seguro, segurado e seguradora, têm direitos e obrigações a cumprir. Resumidamente, dos dois lados é necessário que haja transparência no fornecimento de informações, para que o segurado esteja coberto para eventos que são de sua necessidade e não seja surpreendido quando ocorrer um sinistro e precisar acionar seguro. No entanto, essa relação não é tão simples assim. É no momento em que as partes sentem dificuldade em fazer valer seus direitos, cum-

Sinistro 1: Síndico contrata pintor para pintar a área externa do condomínio sem contrato formal (empreitada) e sem os requisitos mínimos de segurança. O empreiteiro, ao sair na varanda do 10º andar para conectar-se à corda da ‘cadeirinha de madeira’ onde prendia-se, caiu e veio a falecer. Os moradores foram todos indiciados por lesão corporal dolosa, homicídio doloso, além de sofrerem, em conjunto, ação de perdas e danos materiais e morais da família do empreiteiro que acionou o condomínio e todos os moradores individualmente. O caso ainda está em apuração pela Justiça, mas nenhum dos moradores é primário agora em relação aos crimes tipificados e preparam poupança mensal a favor da ação judicial civil (que não é barata). As causas do ocorrido foram: negligência e imprudência flagrante equiparandose ao dolo, por incompetência do síndico. Para evitar sinistros como esse, não se deve contratar empreiteiros freelancer; além disso, deve-se obrigar a existência de contrato de prestação de serviço com todas as obrigações legais, trabalhistas e de segurança do trabalho; obrigar o construtor ou empresa de conservação a ter cobertura específica de Responsabilidade Civil em Prestação de Serviços em locais de terceiros, com cobertura para danos materiais e pessoais; obrigar os empreiteiros a realizar seguro de vida específico dos prestadores de serviço, que deve ser apresentado quando eles estiverem trabalhando para o condomínio; ter a cobertura no seguro de Responsabilidade Civil do Síndico, com verba suficiente para os danos que ele pode causar a terceiros e ao próprio condomínio por sua “culpa”. Continue lendo sobre mais casos no site.


capa prir suas obrigações e arcar com o ônus que o Direito Securitário entra em cena. “Em uma sociedade moderna (e mesmo nas não tão modernas) é impensável a inexistência de regras que regulem o tratamento do risco. Não é demais dizer que a sociedade somente desenvolveu-se da forma como vemos hoje graças também ao tratamento, previsão e controle de riscos”, afirma o advogado, professor, consultor e mestre em Direito Processual Civil, Carlos Del Prá. De acordo com ele, os seguros que mais oferecem problemas são aqueles que as pessoas têm que usar. O seguro não utilizado é aquele que não gerou sinistros, situação em que a seguradora recebeu o prêmio (nome que se dá à remuneração paga pelo segurado à seguradora), enquanto o segurado não precisou passar pela situação desagradável que gerou o sinistro e continuou com a segurança de que, se precisar, terá a reposição patrimonial. “Isso parece (e é) óbvio, mas demonstra que nem todos os riscos podem ser controlados pelo seguro. Na verdade, ao contratar o seguro, surge para o segurado um novo risco: o risco da falha do seguro (inadimplemento, indenização menor, recusa da indenização, liquidação da seguradora, entre ou-

tros casos).” Segundo Del Prá, o principal problema que gera ajuizamento de ações é o não pagamento da indenização por alegação de não cobertura, além de cobrança indevida, venda casada, envio de produto ou serviço sem prévia solicitação e descumprimentos do contrato, como alterações, transferências, irregularidades, rescisões, entre outras. Ele sugere que ao adquirir um seguro, os clientes façam uma pesquisa de mercado prévia, a fim de verificar quais as empresas mais sólidas. “É interessante consultar o Procon local e ainda o Cadastro de Reclamações Fundamentadas, disponível no site deste órgão. Dessa forma, é possível verificar o número e a origem das reclamações contra determinada seguradora e saber qual a disposição da mesma em resolver as reclamações”, especifica. E acrescenta que o segurado não deve esquecer do corretor de seguros, que precisa intermediar a contratação e está habilitado pela Susep (Superintendência de Seguros Privados) para atuar no mercado de seguros. Para evitar problemas referentes à falta de informação, os segurados devem ler com atenção a apólice e pedir para que eventuais dúvidas sejam solucionadas pela seguradora ou corretora

a respeito das cláusulas e condições que elas não compreendem, principalmente as que envolvam aspectos jurídicos ou técnicos. A parte do contrato que trata das “limitações de cobertura” e “riscos excluídos” são itens importantes. No entanto, Del Prá afirma que há uma contrapartida, que é o dever do segurado oferecer todas as informações necessárias, para que a seguradora possa calcular os riscos. “Esse ponto é importantíssimo no chamado ‘seguros de perfil’, que são os seguros cujos riscos são avaliados segundo o perfil do segurado. O exemplo típico é o seguro de veículos. O segurado deve sempre agir com boa fé, prestando as informações de forma completa e verídica. Se restar comprovado que ele sonegou informação, e que a informação sonegada foi determinante no sinistro, a seguradora poderá negar a cobertura. Por exemplo: declarar que o veículo será dirigido por uma pessoa, mas quem dirige é unicamente uma terceira pessoa; o veículo é utilizado para desenvolver o trabalho, mas o segurado declarou que o veículo é utilizado apenas para deslocamento ao trabalho”, exemplifica. Ele opina que é imprescindível que o segurado exija cópia das propostas feitas pelo corretor ou pela seguradora, porque se

Glossario Veja o significado de alguns termos usados durante a matéria: Cobertura básica: de contratação obrigatória, compreende incêndio, raio e explosão. Condomínio: pessoa jurídica legalmente constituída mediante uma ata de constituição registrada em cartório e no Cadastro Nacional de Pessoais Jurídicas. Condômino: pessoa física ou jurídica proprietária de uma unidade no condomínio ou legalmente indicada pelo proprietário para representá-lo. Corretora: responsável pela intermediação entre a seguradora e o segurado. Escolhida pelo segurado, prepara a cotação do seguro; oferece explicações sobre opções e coberturas; indica o que cada seguradora tem de melhor e qual é aquela que oferece as

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condições mais adequadas para cada perfil de risco e de segurado; orienta o segurado em caso de sinistro; administra a apólice durante a vigência; sugere alterações, se necessário. Direito Securitário: segmento do Direito que tem por objeto o estudo dos seguros e suas modalidades; a relação entre segurador e segurado, que se dá por meio de um contrato no qual uma das partes (segurado) é indenizada por outra (seguradora), em caso de ocorrência de sinistro, em troca de recebimento de prêmio de seguro. Franquia: participação obrigatória do segurado no risco e no valor da indenização. Prêmio: nome que se dá à remuneração da seguradora, paga pelo segurado. Seguradora: faz o cálculo e a gestão de riscos, recebe o valor pago pelo segurado;

oferece a cobertura (geralmente durante um ano); paga as indenizações de eventuais danos que o segurado sofrer. Seguro: meio de proteger um bem, garantia contra evento incerto. Síndico: pessoa física ou jurídica legalmente eleita mediante ata de eleição registrada em cartório, que possui poderes que lhe confere a lei, como assumir compromissos em nome do condomínio e assinar cheques. Sinistro: evento em que o bem segurado sofre acidente ou prejuízo, é a materialização do risco, causa perda financeira para a seguradora. Usuário: pessoa física ou jurídica que não possui vínculo direto, familiar ou de negócios com os condôminos e que transita pelo condomínio. Pode ser um amigo, cliente ou fornecedor.


um determinado item da proposta não está previsto no contrato que foi assinado, mesmo assim a seguradora tem o dever de cumprir aquilo que havia proposto. Opinião de perito Fábio Carbonari, perito em seguros há 38 anos, professor e físico, explica que é imprescindível que os interessados no tema seguro atentem sempre para a interpretação das leis. “Muitas pessoas mal intencionadas, desconhecedoras ou ainda aquelas com intenções econômicas exclusivamente interpretam as leis de maneira incorreta e tendenciosa”, opina. Segundo Carbonari, a principal reclamação dos segurados em relação às seguradoras e corretoras é a tentativa de se eximirem de pagar o seguro, quando ocorre sinistro, e apresentarem cláusulas de exclusões desconhecidas dos segurados. “Os segurados se questionam sobre a franquia, demora, mudanças nas condições do seguro sem aviso prévio e do fato de só descobrirem que não há cobertura no momento do sinistro”, exemplifica. Já as principais reclamações das seguradoras e corretoras em relação aos segurados é a demora no envio de documentos e o fato deles não entenderem que a seguradora faz comparação de custos no mercado e que o dinheiro para pagar os sinistros é resultado das contribuições em mutualismo de todos os segurados. Fábio afirma que, no mercado segurador, os seguros que geram mais reclamações são os de automóveis, principalmente devido aos questionários e análises de riscos, itens em que sempre há erros por parte das seguradoras e que no momento do sinistro geram negativa de indenização. Segundo Carbonari, os seguros que mais causam demanda judicial são os de responsabilidade civil familiar ou de erro profissional. Historicamente, pelo volume de prêmios e apólices envolvidas, os seguros que geram mais sinistros são os de vida e automóvel. “Todo contrato tem riscos cobertos e riscos excluídos (eventos que causam danos), bens cobertos e bens excluídos (o que garante e o que não garante) e ainda obrigações a serem cumpridas pelas partes, assim como definições de valores e limites. Os principais erros de parte a parte referem-se principalmente à falta de pesados investimentos em esclarecimentos e campanhas elucidativas por parte das seguradoras”, complementa. Após ler opiniões diversas sobre o mesmo

assunto e ter acesso a um grande volume de informações, é importante que o tema seguro seja tratado com mais interesse pelas pessoas envolvidas com ele, principalmente os segurados, que pagam pelo serviço e ainda são vítimas quando os sinistros ocorrem. Quando se opta por comprar uma apólice, seja de qual seguro for, é imprescindível reservar um tempo às pesquisas: com qual corretora e seguradora será feito o negócio? Não deixe de procurar por referências em sites oficiais e perguntar para os conhecidos, que são as melhores pessoas para fornecer indicações. Depois, tire as dúvidas com seu corretor e leia atentamente cada cláusula que compõe o contrato. Se você se sentir mais seguro, converse com um advogado. Certifique-se de que irá pagar pelo seguro que melhor se adequa às suas necessidades.

De acordo com Carbonari, a interpretação correta e imparcial das leis é imprescindível para não haver dúvidas em relação às coberturas de seguros

Na pratica A pedido da revista Apê Zero 1, o advogado Carlos Del Prá analisou dois casos de pessoas que não quiseram se identificar, a fim de ilustrar o tema abordado nesta reportagem. Caso 1: Um homem em depressão ingeriu bebida alcoólica e saiu com o carro. Por estar embriagado, o indivíduo perdeu o controle do veículo, bateu e morreu. O homem possuía um contrato de seguro de vida, mas a seguradora, acionada pela família, negou-se a pagar a indenização prevista na apólice, sob o argumento de que a conduta da pessoa deveria ser considerada como suicídio. Análise: Nesse caso, o suicídio não pode ser presumido pela seguradora apenas com o objetivo de negar a indenização. É óbvio que o suicídio voluntário, intencional, deve acarretar a perda do direito à indenização, pois o seguro visa resguardar o segurado ou os beneficiários de um evento futuro incerto. Contudo, se não há prova concreta do suicídio voluntário, a morte deve ser considerada como um evento incerto e, portanto, passível de autorizar o recebimento da indenização pelos beneficiários. Caso 2: Uma seguradora vinculou a venda da apólice de um seguro a outro serviço: a instalação de um rastreador em veículo, para ser usado em caso de roubo. Tal equipamento causou problemas elétricos no carro do segurado. Além disso, a seguradora ofereceu desconto no seguro, caso o cliente adquirisse outro produto. Análise: O contrato de seguro é um contrato submetido às regras do Código de Defesa do Consumidor. Assim, o segurado é considerado consumidor e a seguradora, fornecedora. Nesse sentido, o segurado tem garantido diversos direitos que protegem a sua posição mais fraca (hipossuficiente, diz a lei) perante a seguradora. Um desses direitos, e que é mais comumente violado, é o direito de não ser obrigado a adquirir produtos que não deseja. É a vedação da chamada venda casada. Outro direito do segurado como consumidor é o de ser ressarcido por prejuízos causados pelo fornecedor do serviço. Assim, se o segurado foi obrigado a instalar o rastreador, o custo de tal instalação somente pode recair sobre a seguradora, sob pena de ser caracterizada a venda casada. E mais: se tal equipamento causou prejuízos ao segurado, ele tem direito ao ressarcimento, de forma integral e tempestiva. Apê Zero 1. Jan/Fev 2014

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capa

Seguros estranhos Os boatos envolvendo pessoas conhecidas que fizeram seguros considerados, no mínimo, estranhos não são novidade. Mas é difícil conseguir que elas confirmem a veracidade dessas histórias e, principalmente, o valor dos tais seguros. “Mas essas situações não são impossíveis”, diz Eliane Carmo, corretora da Corrêa Lima. Segundo ela, as pessoas podem colocar na apólice o que elas quiserem, como a voz ou as pernas. No entanto, é importante saber que nem todas as seguradoras fazem seguros inusitados. “É preciso procurar uma empresa especializada nesses casos, já que nem todas fazem um seguro de vida para um esportista radical”, informa. Aqui seguem alguns exemplos de seguros estranhos que a Apê Zero 1 compilou para você. Será? Partes do corpo A americana America Ferrera, protagonista da versão americana de “Betty, a Feia”, assim como Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, e a modelo Heidi Klum seguraram partes do corpo. A primeira segurou seu sorriso por 10 milhões de dólares, enquanto o músico fez um seguro de 1,5 milhões de dólares para seus dedos, caso fique impossibilitado de tocar guitarra. Já a modelo alemã segurou o par de pernas a 2,2 milhões de dólares. Quem também tem os membros inferiores segurados são as atrizes Cláudia Raia e Jamie Lee Curtis. Curiosidade: muitos desses seguros são pagos pelas marcas patrocinadoras das celebridades. Sentidos O produtor de vinho Ilja Gort segurou seu nariz por aproximadamente oito milhões de dólares, com medo de perder o sentido responsável pelo seu sucesso. Gennaro Pellicia, um famoso provador de café da Costa Rica, adquiriu um seguro para sua língua e papilas gustativas em cerca de 14 milhões de dólares. De casamento Um dos seguros que tendem a ganhar cada vez mais espaço na vida dos noivos é o seguro de proteção para casamento. Por motivo de doença ou catástrofes naturais, caso o evento tenha que ser cancelado, já existem seguradoras americanas que pagam as despesas. Elas incluem no pacote aconselhamento profissional para os noivos conseguirem lidar com o acontecimento desagradável. Contra abdução alienígena Não é brincadeira, os aliens que se cuidem. Há quem já tenha feito seguro contra abdução por alienígenas. A seguradora, uma britânica, vendeu uma apólice de indenização para cobrir os danos causados em abduzidos.

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Relacionado a prêmios Algumas marcas, após fazerem campanhas de marketing oferecendo um prêmio para eventos improváveis também tomaram cuidado. A marca de uísque Cutty Sark fez uma promoção em que oferecia um prêmio de um milhão de libras a quem capturasse o monstro do Lago Ness. Caso alguém conseguisse, o dinheiro estava garantido. Morte por riso? Uma produtora de cinema quis se garantir, caso os espectadores morressem de ataque de riso durante filmes. Contra divórcio Já que tudo o que é bom dura pouco, melhor fazer uma apólice contra divórcio. Quem fez não se arrependeu! Pernas Assim como os artistas, os atletas têm partes de seu corpo usadas como instrumentos de trabalho. O jogador de futebol Cristiano Ronaldo segurou suas pernas no valor de 100 milhões de euros, quantia paga pelo Real Madrid. Mais partes Fernando Alonso, piloto de Fórmula 1, segurou os polegares por 10 milhões de euros. Já o cantor Tom Jones protegeu os pelos do peito por 4 milhões de euros, enquanto Gene Simons, baixista do Kiss, fez um seguro para sua famosa língua por 750 mil euros. Fred Astaire e Betty Grable seguraram as pernas, enquanto Sting e Marlene Dietrich, a voz.


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Especial Jundiai

Um ‘rolezinho’ pela regiao central de Jundiai Artigo: Gustavo Koch s ‘rolezinhos’ tomaram conta das cidades e deram o que falar, incluindo uma grande repercussão na imprensa internacional. Sem entrar no mérito do que é certo ou errado, a reportagem da revista APÊ ZERO 1 preparou um ‘rolezinho’ diferente para você. Os atrativos turísticos de Jundiaí contam muito da história e da cultura da cidade. Contudo, sofrem com a desvalorização e falta de interesse do público; a falta de informação é um dos grandes culpados por esse fenômeno. Considerando isso, elegemos cinco paradas distribuídas pelo centro de Jundiaí, reunidas em um roteiro fácil, gratuito e para ser feito a pé, onde é possível conhecer um pouco mais sobre a terra que não é só da uva. A caminhada começa na altura do número 109 da Rua Barão de Jundiaí, no centro. A primeira parada é a Pinacoteca Diógenes Duarte Paes. Instalada no prédio centenário construído para abrigar o Grupo Escolar Siqueira Moraes em 1896 e, posteriormente, a Biblioteca Pública Municipal Professor Nelson Foot (hoje instalada em outro local), a jovem (foi inaugurada em 2008) Pinacoteca de Jundiaí abriga mais de 190 obras, inclusive de artistas jundiaienses, além da biblioteca de artes visuais e do Centro Jundiaiense de Cultura. O prédio, projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, é um charme à parte. A Pinacoteca fica na Rua Barão de Jundiaí, 109. O telefone é (11) 4586-2326. Alguns passos adiante da Pinacoteca está o Teatro Polytheama. Inaugurado em 1911, chegou ao seu auge nos anos 20, quando foi considerado o maior teatro do Estado de São Paulo e, após os anos 50, passou por um longo período de decadência e degradação. Em 1986 foi dado início ao projeto de restauração por Lina Bo Bardi, concluído somente 10 anos depois. Grandes nomes do teatro, da dança e da música brasileira já estiveram em seu palco, e a casa serviu até como base militar para os combatentes da Revolução de

Foto: Gustavo Koch

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Gabinete de Leitura, inaugurado em 1908

Foto: PMJ

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Foto: RDKalman/Flickr

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Prédios da administração do Complexo Fepasa e do Museu da Cia. Paulista

Solar do Barão, construído em 1862


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Especial Jundiai Foto: Gustavo Koch

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Foto: Reprodução

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Vista dos jardins do Solar do Barão Foto: PMJ

1932. O prédio abriga ainda uma galeria de arte com exposições temporárias. O Polytheama fica na rua Barão de Jundiaí, 176. O telefone é (11) 4586-2472. Ao lado do teatro fica o Museu da Energia de Jundiaí, instalado em um edifício industrial construído na década de 1920 para abrigar uma subestação de energia elétrica. Esse é o único ponto pago em todo o roteiro, mas o ingresso é baratinho (mais informações em www.energiaesaneamento.org.br). Continuando pela Barão e dobrando à esquerda, na Rua Cândido Rodrigues, chegamos ao Gabinete de Leitura Ruy Barbosa. A ideia da criação de um centro literário na cidade foi iniciativa de um grupo de ferroviários da Companhia Paulista, em 1907. No ano seguinte, em 1908, era inaugurado o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, uma entidade civil, sem fins lucrativos, até hoje mantida por seus associados. O acervo foi adquirido mediante doações de verbas e de livros por particulares. Seu acervo conta com mais de 4.500 obras, incluindo documentos importantes e históricos da cidade. O Gabinete está na Rua Cândido Rodrigues, 301. O telefone é (11) 4521-6204. De volta ao eixo principal e passando pela Catedral Nossa Senhora do Desterro (se gostar de arte sacra, não deixe de visitar!), logo damos de cara com o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, popularmente conhecido como Solar do Barão. Nas diversas salas do casarão, que foi casa do Barão de Jundiaí, estão expostas peças que retratam a história e cultura da cidade, desde as populações indígenas que ocupavam a região. Há também a exposição permanente que retrata a vida e reconstrói cômodos da casa do Barão. O prédio merece atenção especial. Datado de 1862, apresenta em sua fachada uma sequência de dez janelas. Destaque também para o pátio interno, que abriga um aconchegante e convidativo jardim com espécies frutíferas, em contraste com paredes de taipa de pilão, tornando o local ideal para escapar do caos do centro da cidade – parece que você está em outro lugar, tamanho o silêncio. O museu fica na Rua Barão de Jundiaí, 762. O telefone é (11) 4521-6259. Continuando a caminhada pela Barão de Jundiaí, e antes da próxima parada, dá pra conhecer o Centro das Artes – antigo Mercado Municipal que foi reformado e reinaugurado em

A Pinacoteca de Jundiaí abriga obras de diversos artistas

Fachada do Teatro Polytheama, construído em 1911

1981, e abriga a Sala Glória Rocha, de 334 lugares e palco para shows musicais e teatrais – e o Grupo Escolar Conde do Parnaíba, construído entre 1919 e 1920. Além disso, logo em frente, na Praça do Fórum, acontece a tradicional Feira de Artesanato, sempre na primeira quinzena do mês, com diversas barras de artesanato e alimentação. Em frente a praça fica o Mosteiro de São Bento, de 1668. Voltando ao ‘rolezinho’… chegando na Praça do Fórum, dobre à direita na Rua São Bento – uma das ruas mais íngremes da cidade! – e desça até o fim. Do alto-meio da rua já é possível avistar o último ponto do roteiro, o Complexo Fepasa – Museu da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. O Complexo da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, atualmente Complexo Fepasa,

foi construído no fim do século XIX pelos ingleses, patrocinados pelos barões do café, para facilitar o transporte do produto até o porto de Santos. Atualmente o prédio do Complexo, que é tombado, pertence à Secretaria de Educação da Prefeitura de Jundiaí, e abriga, além do museu e órgãos e instituições públicas, a Faculdade de Tecnologia de Jundiaí (FATEC) e o Poupatempo. Já o Museu da Companhia Paulista, inaugurado em 1979 e reaberto em 1995, abriga peças e materiais que retratam a história da ferrovia paulista e da cidade – desde os luxuosos sofás dos vagões mais sofisticados aos uniformes e documentos dos trabalhadores da época – e merece atenção especial. No pátio do Museu, que fica dentro do Complexo, é possível andar entre – e dentro, se você for corajoso – locomotivas e trens.


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Curiosidades da Terrinha

O que é

O que você acha de resgatar o passado da nossa cidade? Acompanhe as fotos e histórias sobre locais que ficaram registrados na história.

Colaboração Contato

Esse trabalho só seria possível com o apoio do professor Maurício Ferreira.

ações, Barato da Cultura; pesquisa de inform Foto: Maurício Ferreira, do sebo O sador; acervo pessoal de João Borin, pesqui fotos e história da marca Elefante: Histórico e Cultural de Jundiaí: informações adicionais: Patrimônio í. da Prefeitura do Município de Jundia Inventariamento Preliminar, do site

cica uitos dos que passam hoje pela rua Cica, no Jardim Cica, e veem uma construção enorme, ao lado direito, que hoje abriga uma loja de materiais de construção, nem imaginam que naquele local já esteve instalada uma das maiores e mais tradicionais empresas do setor alimentício do País: a Cica (Companhia Industrial de Conservas Alimentícias). Fundada em 5 de setembro de 1941, fruto da associação das famílias Bonfiglioli, Messina, Guerrazzi e Guzzo - importadores e comerciantes de artigos europeus -, a Cica ficou conhecida principalmente pela marca Elefante, de produtos feitos com tomate. No ano da fundação, a Cica fabricava apenas o Extrato de Tomate Elefante. A partir de 1942, frutas em conserva, geleias e azeitonas passaram a integrar a linha de produtos da empresa, o que contribuiu para a elevação do processo de produção agrícola, pelo uso de frutas e legumes. Para atender suas necessidades na época, a própria Cica foi responsável pelo calçamento de paralelepípedo das principais ruas no entorno do terreno e construção de estação de tratamento da água que seria utilizada na produção da fábrica. Até a década de 1980, a Cica tornou-se a maior empresa produtora de conservas alimentícias do Brasil e da América Latina, chegando a ser referência internacional de qualidade. Em 1991, era o maior conjunto industrial da América Latina, com 167 mil metros quadrados de área construída. Em 1993, a empresa foi comprada pela Univeler, na época Gessy Lever. Em 1998, a unidade industrial de Jundiaí foi transferida para Rio Verde, em Goiás. Elefante – A marca entrou no mercado em 1941 e era um dos itens de maior prestígio e vendas da Cica. O animal foi adotado porque o filho de um dos fundadores da empresa tinha interesse por caçadas de elefantes. No entanto, o famoso elefantinho verde que passou a aparecer

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Sebo “O Barato da Cultura”: 11 2816-3387 | 2449-2140

nas latas era o Jotalhão, de Maurício de Sousa. A princípio, o personagem foi criado em 1962 para uma campanha publicitária do Jornal do Brasil, mas a ideia não foi diante. Quando oferecido à Cica, a adoção do Jotalhão como símbolo ocorreu em 1979 e fez parte de um processo de modernização das estratégias de comunicação da empresa. Em 1993, quando foi comprada pela Unilever, o tradicional Extrato de Tomate do Elefante, molhos e polpas de tomate passaram a fazer parte da linha Knorr Cica. Luchini Em 1944, os irmãos Abílio, Flávio e Mário Luchini decidiram abrir uma oficina mecânica. O estabelecimento deu certo e, para expandir os negócios, os irmãos passaram a revender produtos das marcas Studebaker, DKW, Massey Harris e Ferguson. No início dos anos 1950, o governo brasileiro dificultou as condições de importação de produtos. A partir daí, a necessidade em mudar o foco de sua empresa levou os irmãos a torna-

rem-se concessionária da Chevrolet em 1957. Instalada no Centro da cidade, o sucesso da organização fez necessária a troca de endereços. Mudaram-se para um terreno de 12 mil metros quadrados, construídos para abrigar as novas instalações da Irmãos Luchini S.A. Comercial Auto Peças. Hoje, a Luchini mantém-se na rua Barão de Teffé, no Anhangabaú, mas adquiriu outros negócios na região e em Minas Gerais.


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pets

Convivendo com o inimigo... e com o amigo tambem Reportagem: Renata Susigan Fotos: André Luiz e divulgação achorros, gatos, pássaros, tartarugas, coelhos, ratos... você acha possível a convivência pacífica entre eles? É provável que você os veja tranquilos, dividindo o mesmo espaço na casa do seu vizinho ou, então, separados porque não conseguem se entender. Seja qual for o caso, o fato é que há pessoas que abrigam diversas espécies na mesma casa. É assim com Fátima Fernandes, advogada, e Cássia Medéa, dona de casa. Fátima tem quatro cachorros, três gatas, dois periquitos, uma tartaruga e um coelho (o último, na verdade, não é dela, mas a visita diariamente, desde que apareceu no condomínio onde mora). De manhã e à noite também aparecem mais quatro gatos para comer a ração que Fátima deixa na porta de casa esperando por eles. Se espaço não falta para tantos animais, o problema está na convivência entre eles. “Os cachorros não se dão bem com as gatas, que por sua vez querem pegar os periquitos e estes ficam separados para não correrem perigo”, explica Fátima. “Mas as gatas brigam entre elas, assim como dois dos cachorros, que têm que ficar em canis distintos.” Nessa confusão, apenas a tartaruga consegue transitar tranquilamente por todos os ambientes. Já o coelho, fica atento quando os cachorros estão por perto. Essa situação é mais comum do que se pensa. A veterinária, Aline Franciscão, comenta que muitas casas vivem na mesma condição e, nem sempre, em harmonia. “Quando os animais não se dão bem, são necessários alguns cuidados, como separá-los por ambiente”, ensina. Estar sempre alerta não é novidade para Fátima. Ela abraçou essa responsabilidade quando adotou as gatas, os cachorros e o coelho, mas ressalta que só é possível mantê-los porque divide o trabalho com o marido e os dois filhos. Quando percebeu, ela conta

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Na casa de Cássia, os animais vivem todos juntos, em harmonia.


pets

Fátima adotou seus animais para ajudá-los, mas ficou sem muito espaço. Isso não é problema para ela que, com a ajuda dos filhos e do marido, consegue administrar a convivência de todos.

que eles já faziam parte de sua vida. “As pessoas compram ou adotam bichinhos de estimação, mas no primeiro sinal de dificuldade, elas os abandonam”, lembra. “Nós cuidamos para que eles estejam sempre bem.” Amigos Ao contrário de Fátima, Cássia Medéa tem uma situação mais amigável em sua casa. Com sete cachorros, três gatos, um hamster, um esquilo-da-mongólia e vários peixes, ela consegue administrar a convivência dos cães e gatos, os que efetivamente vivem juntos. Sobre a situação de Cássia, Aline afirma que é recomendável ter diferentes espécies no mesmo ambiente, pois a socialização ocorre da mesma maneira que com os humanos. “Se diferentes pessoas vivem em um mesmo lugar, isso serve para os animais”,

analisa, ressaltando que a convivência depende da adaptação de cada um. “Os cães, por exemplo, têm mais facilidade do que os gatos em aceitar ‘amigos’ em seu território.” A veterinária informa que para adaptar animais com outros de diferentes espécies é necessário que o processo seja gradativo, e evitar que se faça no momento da alimentação. “O melhor período para iniciar a adaptação é quando eles são filhotes, pois a aceitação é maior”, conta. “O ideal é que as pessoas os coloquem juntos e fiquem sempre por perto para separar eventuais brigas.” Cássia, no entanto, afirma que nunca houve um processo de adaptação. Seus amigos de estimação foram encontrados na rua quando já eram adultos, em estado grave de maus tratos e doentes. “Sempre tive cães e gatos que dividiram o mesmo espaço e eram amigos, mas procuro ficar atenta quando

Aline Franciscão: “É sadio ter animais de diferentes espécies no mesmo ambiente.”

os cachorros estão se alimentando porque, ocasionalmente, um quer a comida do outro”, comenta. Aline é enfática no que diz respeito à segurança na convivência. “É importante tentar fazer os animais se darem bem”, incentiva. “No entanto, quando se tem uma cobra, é impossível que ela conviva com outras espécies.” Outro ponto a ser considerado é com relação aos variados tipos de doenças, pois várias podem ser passadas de um animal para outro, como as de pele. Ela também lembra que a vacinação antirrábica de cães e gatos é importante para evitar a raiva. “A raiva é uma doença sem cura, que pode ser transmitida ao homem.” Segundo Aline, devido às particularidades de cada uma, a principal vantagem em se ter espécies diversas em casa é o prazer em tê -las com o melhor que têm a oferecer. Apê Zero 1. Jan/Fev 2014

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D l ivu

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Novidades do Mercado pet Acompanhe esta seleção de produtos lançamentos do mercado PET

1 Fotos Produtos: Paulo Toledo

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Dicas para tentar fazer seus bichinhos conviverem bem: 1. Primeiro, atente para o fato de que nem sempre animais de diferentes espécies conseguirão conviver em harmonia. Por exemplo: se você tem uma cobra, nunca poderá ter outro animal; e se tiver um passarinho e um gato, por segurança, certifique-se de que eles estejam sempre em ambientes separados. 2. Não há uma idade exata para iniciar a convivência. O indicado, no entanto, é que eles sejam filhotes, para que não se sintam ameaçados e, principalmente, porque ainda não há demarcações territoriais.

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3. Nunca se esqueça de preservar a segurança de seus bichinhos. A melhor maneira deles acostumarem uns aos outros é ficando juntos, desde que sob supervisão dos donos até uma adaptação total. 4. Outro ponto importante é a individualidade: camas, bebedouros e comedouros sempre separados! Isso evita brigas.

1. Arranhador R$ 150,00; 2. Cupcake Woof R$ 580,00; 3. Dog Beer R$ 15,90; 4. Caminha Dog Dog R$ 170,00; 5. Capa de Chuva R$ 59,00. Todos os produtos podem ser encontrados no O Mundo de Sofia (11 2881-0099- Rua Eduardo Tomanik, 900- Unit Mall / 11 4522-4410- Maxi Shopping- Piso 1- Jundiaí) 36

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Acesse o site e confira mais dicas!


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Faca Voce Mesmo ecologia

O que é

Você realmente se preocupa com o meio ambiente? Que tal reutilizar itens que achava que nunca mais usaria ou tinha certeza que iria para o lixo? Vamos reaproveitar!

Participe

Tem atitudes sustentáveis? Quer sugerir? Acesse agora nosso site e envie o seu comentário. Ou então, participe na nossa fan page no Facebook.

Vídeo

Saiba como foi feito este mural de recados

www.apezero1.com.br. Fotos Divulgação

Reaproveitando inox

Materiais:

Mãos na Massa

l Baixela de tamanho médio

Pinte a baixela com a tinta spray e deixe secar. Passe cola ao redor da baixela colando a corda em círculos até fechar todo o centro.

l Tinta spray l Fita dupla face resistente l Corda de seda colorida (você encontra

em lojas de material de construção) l Isqueiro (para queimar a pontinha da

corta para ela não desfiar) l Cola de contato extra forte (para

a corda ficar bem grudada) l Tesoura

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Só colocar fita dupla-face reforçada atrás e prender na parede da cozinha, seu lugar de origem.

DICA Caso não encontre a corda de seda, opte pela corda de polietileno (de caminhoneiro) facilmente vendida em lojas de material de construção.


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3° Setor

O que é

Histórias que são lições de vida estão presentes nesta editoria, ligada diretamente com o 3º setor.

Indique

Se você conhece alguma história emocionante vivenciada em entidades filantrópicas de Jundiaí, conte-nos: falecom@apezero1.com.br

comente

Visite nossa fan page no Facebook (APÊ ZERO 1) e comente o que achou desta entrevista.

Amor em quatro patas Reportagem: Renata Susigan Foto: André Luiz ocê chega do trabalho e lá está ele, abanando o rabinho, latindo, feliz em te ver. Esta amizade verdadeira não tem preço. Em uma época em que as relações humanas tornam-se cada vez mais passageiras, o velho “melhor amigo do homem” continua fiel, exemplo de amor e dedicação, sem pedir nada em troca. É o que a secretária, Nanci Meluzzi, pôde comprovar com seus cãezinhos, que a ajudaram a reencontrar um objetivo para sua vida, ao longo dos anos. Em 2006, Nanci perdeu o pai. Segundo conta, aquele período foi um dos piores pelos qual já passou. Ela lembra que na primeira semana após o ocorrido, ficou o tempo inteiro deitada, sem conseguir enfrentar a situação. Como consequência, desenvolveu uma depressão que culminou em síndrome do pânico cinco anos mais tarde. Para curar sua dor, o melhor remédio que Nanci encontrou foram duas cachorrinhas: a Penélope, tirada da rua, e a Pantera, adotada na UIPA (União Internacional Protetora dos Animais), de Jundiaí - SP. Em janeiro de 2011, Nanci viu Penélope numa calçada próxima à sua casa, cheia de carrapatos e formigas. “Ela estava morrendo, muito triste. Não esboçava reação alguma”, lembra. Nanci não fingiu que não viu. Ela fez melhor: tirou a cachorrinha da rua. Após ser tratada, Penélope se recuperou. Em maio do mesmo ano foi a vez de Pantera. O animal foi encontrado amarrado a um poste, muito magro, e resgatado pela UIPA. Nanci, mais uma vez, se prontificou a ajudar e ofereceu um lar para a cachorra. “Apesar de ter adotado as duas, quem foi e continua sendo ajudada sou eu”, afirma. “Quando se tem depressão, é importante

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Nanci e as cachorrinhas Penélope e Pantera, exemplo de amor e dedicação


3° Setor

Encontro na hora certa: as cachorras precisavam de um lar e Nanci, de um incentivo para superar a morte do pai

fazer o tratamento convencional, mas o bem que meus amigos de estimação me fazem é muito maior.” Para Nanci, ela e os animais sempre se encontraram em momentos cruciais de suas vidas. Eles precisavam de um lar e cuidados e ela, um motivo para superar a morte do pai. Por isso, considera a adoção a melhor alternativa. “Adotar contribui para diminuir o problema do abandono. Quando se compra um bichinho em loja, é necessário verificar a maneira como eles são tratados”, explica. “Muitas vezes, o estabelecimento pode ser fachada para uma cruel fábrica de filhotes”, alerta, res-

saltando que as leis de proteção aos animais deveriam ser melhor aplicadas. Para ela, a adoção faz bem para as duas partes, mas principalmente para quem adotou. Para se ter um animal, orienta, não basta querer, é necessário ter condições financeiras e disposição para tratá-lo adequadamente. “Eles demandam tempo, são dependentes. Você precisa gostar, dar atenção a eles e isso tornará a pessoa melhor.” Amor verdadeiro A história de Nanci com os animais não é recente. Desde que se lembra, ela os adota. Ainda

em 2006, quando perdeu o pai, Nanci tinha dois cachorros de rua: Kelly Cristina e Sr. Duque José. Durante a fase difícil, quem a confortou e acompanhou durante o luto foi Kelly. “Ela não me deixou sozinha nem um minuto”, lembra. Em 2009, a cachorrinha faleceu e deixou um vazio enorme dentro de Nanci. “Piorei da depressão, parecia que um pedaço de mim tinha ido embora junto”, conta, lembrando o apoio que a cachorra representou. Sr. Duque José logo assumiu a posição de protetor. “Enquanto eu chorava a morte da Kelly, ele me dava carinho”, recorda. Dois anos se passaram e foi a vez do cachorro se despedir.

Acesse nosso site e saiba mais sobre o lindo trabalho da UIPA. Apê Zero 1. Jan/Fev 2014

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turismo

O que é

Vamos viajar pelo mundo e indicar restaurantes centenários.

Já foi?

Esteve no Floresta Park? Envie uma foto para a gente: falecom@apezero1.com.br

100 anos

Já foi em algum restaurante centenário? Conte-nos sua experiência!

A tradicao do seculo XIX e o respeito a natureza Reportagem: Renata Susigan Fotos: Rodrigo Góes ossego, história e fogão a lenha. Se você busca um ambiente simples e gostoso, o Floresta Park, próximo a Campinas, no Distrito de Sousas, é que combina para ir com a família e os amigos fazer trilhas, visitar o antiquário ou tomar um café da manhã típico da fazenda. O Floresta Park está localizado na Fazenda São João e data de 1830. De acordo com William Graça Filho, proprietário administrativo desde 2004, naquela época, o casal Sérgio e Amélia Pissolato abriram uma hospedaria onde recebiam visitantes do Rio de Janeiro e São Paulo. Depois de hotel, o local já abrigou comércio e residência. “Atuamos na área gastronômica há mais de 30 anos, então, quando compramos a fazenda, quisemos oferecer uma experiência completa às pessoas, e aliar o restaurante, com comidas típicas de fazenda, ao contato com a natureza”, explica. E foi isso o que a família de William fez. Atualmente, além de servir café da manhã e almoço no restaurante Casa da Fazenda, o Floresta Park tem estrutura para quem gosta de andar tranquilamente em meio às árvores e praticar esportes radicais. Passeios a cavalo, trilhas, minissítio, escalada e pesque e solte são algumas das atrações que a fazenda oferece. Segundo William Graça, o pai, sua família decidiu não apenas abrir um restaurante, mas ter um local em que a preservação ambiental fosse uma das prioridades, para que o público, principalmente as crianças, pudesse desfrutar de um passeio saudável. “A idade dessa fazenda me chamou atenção. Conseguimos montar aqui um lugar que preserva a natureza, já que estamos em uma Área de Preservação Permanente, e ainda resgata costumes antigos”, diz. Quem teve a oportunidade de estar recentemente no Floresta Park foi a fonoaudióloga Luana Marques, de Jundiaí. Ela visitou a fazenda para tomar

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Atendente simpatica responsável pelas tapiocas

Parte da cozinha típica de fazenda, com grande variedade de doces para o café da manhã café junto com a família e adorou a experiência. “O ambiente é lindo, desde as toalhas e louça até os objetos de decoração”, elogia. “Os profissionais foram muito receptivos. Contaram a história do local e sabiam exatamente de quando era uma colher antiga exposta em uma das paredes.”

PAra facilitar sua vida: Na Casa da Fazenda, o café da manhã é servido das 8h30 às 11h45. Já o almoço, das 12h30 às 15h30. Como pagamento, o local aceita apenas cheque ou dinheiro. Para mais informações, estes são os contatos: (19) 3365-7029, (19) 99519-5876, contato@florestapark. com.br ou www.florestapark.com.br. Localização: para saber como chegar ao Floresta Park, visite o site e veja o mapa. Não tem como errar. Para ela, que estava com o filho, Miguel, o passeio foi completo. O garoto pôde brincar e conhecer um lugar diferente para quem mora e está acostumado à área urbana. “Recomendo. A fazenda é tranquila, familiar, a comida agrada às crianças e aos adultos e o serviço é de qualidade.”


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Criancas

O que é

Tire o seu filho da frente do videogame e computador e o faça ter uma infância mais feliz. Vamos relembrar as brincadeiras que fizeram sucesso na sua infância.

Indique

Lembrou de alguma brincadeira que seu filho e os amigos do condomínio irão gostar, conte-nos: falecom@apezero1.com.br

brinquedos educativos estao em alta Reportagem: Renata Susigan Fotos: Paulo Toledo e Maria Theodora nternet, videogame, celular. Essas três palavras parecem ser algumas das primeiras que as crianças aprendem atualmente. Na verdade, a afirmação é um pouco exagerada, mas não foge completamente à realidade. Em um mundo repleto de tecnologia, por onde andam as brincadeiras de criança, as antigas? Aquelas em que basta ter um espaço ao ar livre e imaginação? Diante desse cenário, os chamados brinquedos educativos estão entrando cada vez mais nas casas e ajudando as crianças a descobrir outros tipos de diversão. “Os pais estão percebendo a importância de brincar de verdade”, afirma o psicólogo e proprietário de uma loja virtual de brinquedos educativos, Daniel Polo. Segundo ele explica, tais brinquedos estimulam o desenvolvimento de competências e habilidades como coordenação motora e interação social. Esse aprendizado quase não tem espaço em um jogo de videogame, no qual geralmente o jogador está sozinho ou pouco interage realmente com outras pessoas. “Uma simples bola, jogo de encaixe ou boneca de pano faz a criança usar a imaginação, exercitar a criatividade, raciocinar, aprender a ceder, ganhar, perder e a seguir regras”, exemplifica. Polo comenta que não há necessidade de se proibir os jogos eletrônicos. Pelo contrário. “As crianças precisam de variedade. O importante é oferecer experiências diversas e saudáveis a elas, e não deixá-las restritas apenas a um tipo de situação já pré-programada. Pode haver o momento para o videogame, mas outros tipos de brincadeiras também têm que ter vez, inclusive, ao ar livre”, ensina. Complementares aos brinquedos educativos, os materiais pedagógicos - geralmente jogos que utilizam operações matemáticas,

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Francisco e Vinícius brincam de imaginar histórias.

Pedro se diverte com o palhacinho de madeira

exercitam a memória e ensinam sobre o corpo humano e países – também contribuem para a formação da criança. Utilizados normalmente por professores, fonoaudiólogos e psicólogos, eles devem ser adequados a cada faixa etária. “Esses materiais podem ser usados como um complemento divertido a habilidades que os pequenos precisam aprender”, conta. Mesmo que sejam novidade para algumas crianças, os brinquedos educativos não são difíceis de serem assimilados. O desafio existe para os pais, que precisam se acostumar ao novo tipo

de brincadeira e encontrar tempo livre para interagir com seus filhos. “As crianças gostam de se mexer, de criar coisas novas e se adaptam muito bem às mudanças”, analisa. Outro incentivo que elas devem receber desde cedo é a leitura de livros infantis e pedagógicos. A narrativa utilizada nestes tipos de histórias ajuda na alfabetização e contribui para o desenvolvimento da imaginação. “Quando incentivadas desde pequenas, as crianças passam a gostar de ler e se tornam adultos leitores, melhor informados e mais críticos”, enfatiza.


As crianças opinam Embaixo de uma árvore, os primos Francisco do Rego, de 10 anos, Pedro Faria, de quatro, e Vinícius Tega, de oito, brincam com blocos de encaixe e jogos da memória. A cena, cada vez mais difícil de ser encontrada, mostra como as crianças podem se adaptar à vida ao ar livre e ao universo lúdico. Exceção à regra de que elas atualmente preferem os aparelhos eletrônicos aos objetos de madeira, pano e plástico, Francisco é enfático: “Gosto de me exercitar, brincar de Lego, pega-pega e jogar xadrez”, afirma. O garoto Pedro também se diverte ao usar a imaginação e criar situações diferentes para cada objeto com o qual brinca. Já Vinícius gosta mais dos jogos eletrônicos. “Gosto de brincar de tudo, mas prefiro jogar videogame”, opina.

Daniel Polo: “As crianças precisam de variedade, de experiências saudáveis e não de situações pré-programadas.”

Brincadeira de crianca Morto, vivo Primeiro, escolhe-se um líder que dará os comandos para o grupo a cada rodada. Depois, as crianças começam a correr em círculo. Ao ouvirem “mudar”, invertem o sentido do deslocamento e continuam correndo. Ao comando de “morto”, todos deitam imediatamente no chão. Ao comando de “vivo”, ficam em pé. Aquele que errar, paga um castigo. Por que é legal? A brincadeira “Morto, vivo” é divertida, estimula rápidas respostas motoras aos estímulos sensoriais e ativa as grandes funções.

Brincando e aprendendo O que são brinquedos educativos? Geralmente confeccionados em madeira, plástico ou pano, que estimulam a criatividade, imaginação, raciocínio lógico, coordenação motora, memória, sentidos e habilidades sociais como interação e respeito às regras. O que são materiais pedagógicos? Além de todos os benefícios dos brinquedos educativos, os materiais pedagógicos permitem ainda que as crianças trabalhem com matemática, geografia, biologia e outros temas de uma maneira divertida e interativa. Sugestões de presentes: Prancha de equilíbrio, boliche, kit de pintura, giz de cera, boneca de pano, dedoches, todos os tipos de jogos (encaixe, memória, raciocínio, perguntas e respostas, operações matemáticas, quebra-cabeça) e livros.


Multiplicadores Anderson Araujo

O que é

Em Multiplicadores, mostramos as pessoas que fazem a diferença em Jundiaí com projetos simples e funcionais.

Participe

Conhece alguém no bairro, escola, faculdade, trabalho, enfim, uma pessoa que tem a visão da mudança positiva para a cidade e às pessoas? Indique para a gente.

Comente

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Carnaval e inclusao social Reportagem: Renata Susigan Fotos: André Luiz

d Raio-X Anderson Araújo, mais conhecido como Lixão, tem 37 anos, é engenheiro ambiental e trabalha na Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Nascido em Jundiaí, é casado com Sandra Cândido e tem dois filhos: Anderson, de três anos, e Augusto, de um mês. Seu primeiro contato com o carnaval foi ainda muito jovem, com apenas seis anos. Suas tias eram baianas, apresentaram a cultura carnavalesca ao garoto através da Unidos da Vila Maria, de São Paulo, e ele nunca mais abandonou a folia. De lá pra cá, muitas coisas aconteceram na vida de Anderson, e todas elas contribuíram para a formação de seu caráter e o ajudaram a traçar seus objetivos. Hoje, ele é secretário geral da Liga Jundiaiense de Escolas de Samba, a Lijunes, e presidente da Escola de Samba União do Povo, do Morada das Vinhas, há seis anos. “Uma vez no sangue, o Carnaval nunca mais sai da gente”, costuma falar.

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uas paixões moveram um grupo de voluntários do Morada das Vinhas a fundar o “Projeto Social da Escola de Samba União do Povo”. Como o nome entrega, o projeto surgiu quando carnavalescos da escola, atentos às necessidades do local onde viviam, se reuniram com o mesmo objetivo: oferecer opções culturais e educativas às crianças e adolescentes do bairro. Aulas de balé, capoeira e futebol são alguns dos cursos oferecidos aos 350 alunos, com idades entre dois e 17 anos. Para os mais velhos, alongamento, ginástica e, com início previsto para este ano, inglês. O presidente da União do Povo, Anderson Araújo, o Lixão, explica como é possível realizar grandes ações com pequenos recursos e ainda ajudar muita gente, um verdadeiro exemplo de “multiplicação positiva”. Quando e por que você decidiu criar o projeto? Sou o presidente da escola de samba União do Povo há seis anos. O Centro Comunitário, que abriga o projeto, foi fundado em 2005 e conta com a contribuição dos voluntários para dar certo. Desde que o Morada das Vinhas foi fundado há 19 anos, temos carência em relação ao acesso à cultura. Nosso maior objetivo é ajudar os jovens a terem mais qualidade de vida. Como o projeto é mantido financeiramente? Por meio da ajuda das pessoas do bairro: fazemos rifa, bingo, feijoada, passamos o chapéu no comércio, pedimos para vereadores, prefeitos, colocamos dinheiro do próprio bol-

so. Além disso, contamos com a contribuição dos professores voluntários e de pessoas que nos ajudam na manutenção do prédio. Quais cursos vocês oferecem? Temos aulas de balé, com a professora Thalita Prodocimo; capoeira, com o professor Luis Carlos Augusto, do Alforria Brasil; futebol, com o sr. Amilton Ignácio; ginástica e alongamento para a terceira idade, com um professor da Prefeitura; Coral, realizado em parceria com uma empresa integrante da Associação Comercial e da Igreja Batista Casa de Deus; Narcóticos Anônimos (N.A), que são orientados pelo Bruno e Marcel; e um grupo de Agentes de Desenvolvimento Local (ADL), em parceria com o Senac. Sem os voluntários, não seríamos nada! Vocês planejam ter outros cursos no futuro? Esse ano, começaremos as aulas de inglês, com os professores Bruno e Vasco. Teremos uma turma para crianças e outra para adultos. Queremos também montar uma fanfarra para desfilar no Dia da Independência, em parceria com a escola Padre Maurílio Tomanik, do Cecap. Como vocês conseguiram se instalar nesse prédio? Esse prédio abrigou a primeira escola do bairro. Depois que uma nova e maior foi construída, o espaço onde estamos hoje ficou desocupado. A Prefeitura, então, nos autorizou a usar a estrutura, onde fundamos o Centro Comunitário.


Multiplicadores Anderson Araujo Explique como se dá a relação entre a escola de samba e o projeto social. Apesar de ser uma grande paixão, encaramos o desfile da nossa escola de samba, a União do Povo, como se fosse uma comemoração dos trabalhos que realizamos no Centro Comunitário durante o ano que passou. O projeto é nosso foco. O fato de fazer parte de um projeto especialmente voltado aos jovens tem relação com alguma experiência da sua infância? Sim, pois minha família tem origem simples. Quando tinha oito anos, morava próximo à igreja do bairro Ivoturucaia, mas estudava no Caxambu. Então, para economizar o dinheiro da passagem de ônibus que minha mãe me dava, eu pegava rabeira nos caminhões de lixo. Assim, sobrava dinheiro para eu usar em outras coisas. E foi assim que ganhei meu apelido. Aos 13, mudei para a Vila Aparecida. Naquela época, eu olhava carros na igreja da Ponte São João enquanto minha mãe trabalhava como empregada doméstica na Malota. Eu podia ter me desviado, mas nunca fiz isso. Preferia olhar os carros e ganhar o meu dinheiro honestamente. Depois, fui morar na rua Bolívia, no São Camilo. E, em 1995, me mudei para o Morada das Vinhas. Fui um dos primeiros moradores.

O que você aprendeu com os momentos difíceis pelos quais passou? Aprendi a superar os obstáculos. Algumas pessoas acreditaram em mim, me deram oportunidades e me ensinaram muito, como o professor Lourenço, do futebol, ex-goleiro que jogou no São Bento, de Sorocaba, e defendeu um pênalti que o Pelé bateu. Ele me ensinou que nós temos sempre dois caminhos a seguir e cabe a cada um escolher qual trilhar. Hoje, quero retribuir o que recebi. Essas crianças só precisam de uma força. Qual legado você quer deixar? Meu maior legado será oferecer cada vez mais oportunidades às crianças do Centro Comunitário, ver que elas aprenderam coisas boas aqui e seguiram o caminho do bem. Gostaria de ver meus filhos e netos dando continuidade a esse projeto. O que você sente quando faz um balanço do projeto? É muito gratificante, vale mais do que qualquer quantia em dinheiro. É muito bom servir de exemplo para as crianças e ver que elas confiam em mim e em todos os voluntários. Elas me procuram para contar sobre o dia delas, o que acontece dentro de casa, como estão indo na escola e nos cursos. Não tem preço!

Se você gostou do projeto do pessoal do Morada das Vinhas, quer conhecer mais ou pode contribuir de alguma maneira, entre em contato com eles: lixaouniaodopovo@gmail.com | (11) 98951-4994 | (11) 7870-2300.


Faca Voce Mesmo o que tem na geladeira

O que é

Desperdiçar comida é pecado, não é verdade? Então, vamos aproveitar o que sempre sobra na geladeira ou ármario e preparar pratos criativos e super saborosos.

Participe

Desafiamos você a preparar essa receita e nos contar como foi. E até preparar outro suco energégito. Visite nosso site e comente. Ou então coloque uma mensagem em nossa fan page no Facebook: APÊ ZERO 1

Vídeo

Quer ver como foi a preparação deste suco? Acesse agora nosso site e acompanhe na seção Vídeos.

www.apezero1.com.br.

Fotos Divulgação

Suco energetico com gengibre

Materiais: l 1 cenoura grande sem casca l ½ beterraba l 500 ml de água gelada l 1 colher (café) de gengibre

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Mãos na Massa Bata todos os ingredientes no liquidificador e sirva imediatamente

experimente também Dica Suco verde à base de couve: rico em magnésio, que participa do metabolismo celular, dando mais energia ao organismo. Encontrado também nas castanhas e nozes.


fotografia

cafeteria

academia

classificados

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cronica

VANDECO PUXA BRIGA Essa estória é muito antiga. Trata-se de um morador na região do Eloy Chaves, que virou folclore. Conta a lenda, que de uma hora para outra, um morador apareceu no prédio; moreno, quase 1,60 de altura, falava com sotaque carioca, só se vestia de branco, não era dado às regras do condomínio, estacionava em qualquer vaga, fazia barulho depois das 22h, aliás seu apartamento era o mais movimentado, com festas quase todo o final de semana, regado a muito som, bebidas e mulheres. Seu pior defeito era ser briguento. Provocava vizinhos, porteiros e qualquer um que tentasse impedir as farras. Na churrasqueira era o dono, mesmo sem qualquer reserva tomava posse no sábado e só devolvia no domingo naquele estado, de gordura até o teto e repleto de latas de cervejas. Mas seu reinado estava chegando ao fim. Jonas, o morador do APÊ 603, preparou por meses a festa de cinco anos de sua única filha. Fez tudo como manda o regimento interno: reservou a churrasqueira, convidou amigos da filha e do próprio condomínio. No dia da festa tudo estava perfeito, com as bexigas arrumadas, decoração da parede, mesa decorada com motivo infantil e uma grande expectativa para a “hora dos parabéns”. Com a festinha já começada e a criançada correndo de um lado para o outro, de repente chegou Vandeco, com um grupo de amigos e com instrumentos para mais um final de semana de pagode, churrasco e bagunça. Vandeco já foi expulsando a criançada e tirando os enfeites das paredes, quando Jonas foi informado de que a churrasqueira seria usada por ele e por seus amigos. Com a filha em prantos e tentando resolver pacificamente a confusão, tentou conversar, mas o morador todo de branco, passou a puxar Jonas para briga, tirou os sapatos e as meias brancas, arregaçou a camisa e as calças e avisou seus amigos para afinarem os instrumentos, pois não levaria mais de dois minutos para o pagode começar. Porém, dessa vez, Vandeco se deu mal. Jonas, professor de Caratê e faixa preta, esperou o primeiro golpe, que errou. Jonas acertou-lhe um chute no queixo e ele apagou. Levado da churrasqueira, direto para o Hospital São Vicente, seus amigos acompanharam a viatura do SAMU. Mas, o aniversário, terminou antes do estouro do bexigão. Vandeco acordou dois dias depois, achando que a UTI do São Vicente era o céu e pediu para falar com Genésio (na verdade, era com Jesus), quando soube do vexame que produziu. Não quis nem buscar a mudança. O dono do apartamento teve que doar todos seus móveis para desocupar o imóvel e voltar a alugá-lo. Jonas, com um único golpe, não conseguiu terminar bem o aniversário da filha, mas acabou com a bagunça no condomínio e devolveu a paz aos moradores.

Divu lgaç ão

Rafael Godoy

José Miguel Simão Advogado e cronista 50

Apê Zero 1 . Jan/Fev 2014

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Revista APÊ ZERO 1 - edição jan/fev 2014