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Sumário 8 Ponto de vista

Richard Jakubaszko analisa as consequências do processo crescente de judicialização da política, capaz, segundo ele, de levar o Brasil ao caos.

26 Entrevista

Diretor executivo da Anda, David Roquetti Filho fala do “inferno astral” que o setor de fertilizantes vivencia desde a greve dos caminhoneiros

30 Censo 2017

Rogério Arioli parte de resultados preliminares divulgados pelo IBGE para advertir o país sobre “preconceitos urbanos” contra o homem do campo

Divulgação Valley

32 Mecanização

20

Matéria de capa Novas tecnologias e bons resultados na lavoura garantem a expansão da área irrigada no Brasil. Os fabricantes vêm inundando o mercado com sistemas automatizados e equipamentos de melhor desempenho, mais leves, precisos e econômicos.

Os pesquisadores Thiago Martins Machado e Étore Francisco Reynaldo recomendam regularização periódica em equipamentos de pulverização

34 Tecnologia

Evaristo de Miranda navega por mares nunca dantes navegados para discorrer sobre o futuro digital no campo. Conclusão: cultivar é preciso.

37 Transporte

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja, Bartolomeu Braz Pereira questiona: o tabelamento do frete é solução ou custo?

38 Agroinformática

Manfred Schmid escreve sobre bancos de dados acessíveis ao agricultor, como o SATVeg, mas desconhecidos e não divulgados para a população.

39 Opinião

Décio Gazzoni pede aos candidatos à Presidente da República a devida e necessária atenção ao agronegócio, “locomotiva da economia brasileira”.

42 Manejo

Hélio Casale relaciona ideias de Ana Primavesi contidas no livro “Manual do solo vivo” e recomenda, para melhor entendimento, a sua leitura.

44 Meio Ambiente

Diretor da Aenda, Túlio Teixeira de Oliveira aborda, desta vez, a apicultura. Em sua opinião, a polinização deveria ser tratada como insumo agrícola.

50 Legislação

Fábio Lamonica lembra que o prazo de entrega da declaração relativa ao ITR termina no final deste mês de setembro: “Cuidado com os valores”.

Seções Notícias da terra.............................. 10 Clima................................................... 36 4 | Agro DBO – setembro 2018

Calendário de eventos.................. 45 Novidades no campo.................... 46 Biblioteca da Terra.......................... 49


Carta ao leitor

A

baderna e o absurdo da novela dos fretes segue o baile, depois que a tabela de preços foi instituída pelo governo federal, aprovada no Congresso, e sancionada pelo Presidente da República, que assim cumpriu o prometido aos caminhoneiros durante as negociações para acabar com a greve em maio último. Temer livrou-se do problema, em bom português, porque a conta terá de ser paga pelas indústrias e produtores rurais que mais utilizam o transporte rodoviário, e no frigir dos ovos será paga pelo consumidor final, pelo reflexo nos índices de inflação. No fechamento desta edição estava pendente uma decisão do STF, mas, de toda forma, quando esta Agro DBO chegar às mãos dos leitores, nos primeiros dias de setembro, esperamos que o impasse esteja resolvido e que não se tenham postergado as decisões que o bom senso exige, pois estamos às vésperas do plantio da safra. Em agosto, dependendo da distância, ficou mais caro o transporte do que o preço de venda do milho safrinha. As dificuldades e a problemática do frete estão resumidas na entrevista do mês com o diretor executivo da Anda, a partir da página 24 e ainda em artigo de Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Aprosoja Brasil, na página 37. Enquanto o mundo rural debatia os fretes, nos primeiros dias de agosto uma juíza substituta de primeira instância, da 1ª Vara Federal de Brasília, presenteou os agricultores brasileiros com a proibição surreal de novos registros, e ainda da fabricação e venda do glifosato, e que colocava em xeque a safra 2018/19, tamanha a dependência da produção de grãos a esse tipo de herbicida, utilizado em quase 100% das lavouras que fazem Plantio Direto. Agosto, mês de cachorro louco, honrou a sua história, e a gritaria foi generalizada. Detalhes desse drama estão no Ponto de Vista deste mês, à página 8 desta edição. São decisões emocionais, canetaços tresloucados, de juízes inexperientes e mal informados, que têm o poder de levar o país ao caos. Mas, “notícia boa!”, escreveu o ministro em sua conta oficial no Twitter, em 23 de agosto, foi cassada a liminar que proibia o uso do glifosato no Brasil”. Mas, continuamos em agosto, ai o ministro anunciou dia 24 que a notícia boa era uma fake news, e pediu desculpas. A suspensão do glifosato continua valendo, e aguarda-se decisão dos desembargadores. A matéria de capa, “Água sob medida”, traz informações estratégicas e relevantes aos leitores, sobre as novas tecnologias utilizadas em irrigação, em texto do jornalista Ariosto Mesquita, que relata as experiências de produtores de Goiás e Espírito Santo no uso de diferentes sistemas de uso de água, por pivô, aspersão e gotejamento.

é uma publicação mensal da DBO Editores Associados Ltda. Diretor Responsável Demétrio Costa Editor Executivo Richard Jakubaszko Editor José Augusto Bezerra Conselho Editorial Décio Gazzoni, Demétrio Costa, Evaristo Eduardo de Miranda, Hélio Casale, José Augusto Bezerra, José Otávio Menten e Richard Jakubaszko Redação/Colaboradores Ariosto Mesquita, Bartolomeu Braz Pereira, Décio Luiz Gazzoni, Étore Francisco Reynaldo, Evaristo de Miranda, Fábio Lamonica Pereira, Hélio Casale, Manfred Schmid, Marco Antonio dos Santos, Rogério Arioli, Thiago Martins Machado e Tulio Teixeira de Oliveira

Para manifestar sua opinião, envie e-mail para redacao@agrodbo.com.br Richard Jakubaszko

Arte Editor Edgar Pera Editoração Edson Alves e Jade Casagrande Coordenação Gráfica Walter Simões Marketing/Comercial Gerente: Rosana Minante Executivos de contas Andrea Canal, José Geraldo S. Caetano, Maria Aparecida de Oliveira, Marlene Orlovas, Mario Vanzo e Vanda Motta Circulação e Assinaturas Gerente: Margarete Basile ISSN 2317-7780 Impressão São Francisco Gráfica e Editora Capa: Foto Ariosto Mesquita DBO Editores Associados Ltda Diretores: Daniel Bilk Costa, Odemar Costa e Demétrio Costa Rua Dona Germaine Burchard, 229 Perdizes, São Paulo, SP 05002-900 - Tel. (11) 3879-7099 e 3803-5500 redacao@agrodbo.com.br www.agrodbo.com.br

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Do leitor Dijkstra, um dos pioneiros no uso do plantio direto no Brasil, entrevistado pelo editor-executivo da Agro DBO, Richard Jakubazsko, na edição anterior a esta. O “encontro de Sorriso”, citado em sua mensagem, é o 16º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, realizado no início de agosto no município de Sorriso, no estado do Mato Grosso.

Caro Richard, muito obrigado pela entrevista do velho amigo Franke, um produtor de vanguarda que hoje se considera aposentado, mas cuja personalidade o mantém sempre ligado aos assuntos da conservação do solo. Um grande observador que, ao lado de Bartz e de Nonô, vêm sendo alcunhados por mim de “apóstolos do Plantio Direto”, função que tiveram na fase inicial dessa prática. Para o encontro de Sorriso preparei mensagem a ser divulgada pelo representante da Agrisus (abaixo, sob título “Alerta aos produtores”). Ando preso na fase final de livro sobre minha vida elaborado a pedido de filhos, netos e bisnetos. Uma novela singela narrando mais fatos que pensamentos. Ademais, umas bactérias andam se divertindo com meus pulmões, o que me tem prendido no hospital aos cuidados do Dr. Kairala. Grande abraço Fernando Penteado Cardoso São Paulo (SP) Alerta aos produtores:

“A agricultura em solos tropicais está sujeita a prejuízos por interrupções de chuva – sejam dos veranicos -, porque esses solos geralmente têm baixa capacidade de retenção de água. A cobertura do solo com resíduos vegetais vem atenuar esse prejuízo ao reduzir a temperatura e a evaporação. As pastagens, ainda que temporárias, são valioso recurso para manter uma boa cobertura e, assim, minimizar as perdas de produção”. NR: O Franke ao qual Fernando Penteado Cardoso se refere é Franke

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Olá, Richard. Parabéns pela excelente entrevista na revista e no seu blog, com um dos pioneiros do SPD, Franke Dijkstra. Ele, assim como o Herbert Bartz, nos honram com suas histórias e exemplos de vida, em prol da nossa agricultura sustentável, com base no Sistema Plantio Direto. A Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação agradece e cumprimenta a sua pessoa, o entrevistado e a revista Agro DBO por esta publicação, que motivará muitos produtores e ajudará a opinião pública a reconsiderar a nossa agricultura! Jônadan Ma, Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e Irrigação Foz do Iguaçu (PR) Simplesmente fantástica, a entrevista com Dijkstra e o material. Parabéns. A frase final é de uma realidade nunca vista: “A sociedade tem de fazer escolhas. No ambiente urbano, o homem pode escolher entre morrer intoxicado aos 90 anos ou morrer de fome aos 40”. Flávio Prezzi Presidente da Arysta LifeScience para a América Latina São Paulo (SP) Realmente, foi uma excelente entrevista com um pioneiro excelente, junto com Nonô e Bartz (Manuel Henrique “Nonô” Pereira e Herbert Bartz, que introduziram e disseminaram o sistema de plantio direto no Brasil). Na época, iniciei minha carreira agronômica. Além do aprendizado formal, tive a complementação ecológica de Ana Primavesi, nos finais dos anos 1960. Por essa época, ao fazer estágio sobre pastoreio rotativo Voisin, na fazenda de Nilo Romero, tive oportunidade de ler (Nilo me indicou e emprestou) a obra “La insensatez del labrador”, de Edward Hubert Faulkner (de

1945), que advogava a suspensão da aração (da movimentação do solo) e a manutenção de palhada sobre o solo. O problema era encontrar máquina para semear. Nesta ocasião, reuni uma série de slides para ilustrar minhas palestras sobre manejo ecológico do solo, em que a conclusão, os próprios produtores rurais percebiam, deveria ser o plantio direto na palha. Os vendedores de plantadeiras da CI me confessaram que alguns agricultores chegaram a procurar essas plantadeiras apos minhas palestras. E como atuava no Sul do Brasil, muito na região de Rolândia (PR), via as dificuldades de adequação da semeadura mecânica. Mas tinha que ser feito. Uma solução era necessária. Sabendo-se o fundamento teórico, tinha que se achar uma solução prática. Não era o caso de abandonar tudo porque as máquinas não funcionavam, e o controle do mato era problemático. Mas foi uma luta gostosa. Dijkstra, Bartz e Nono conseguiram colocar na prática o que a teoria lógica e racional recomendava. Plantio direto NA PALHA. Acentuo isso, porque o plantio direto está sendo queimado por falta de palhada, de cobertura morta, que precisa ser de no mínimo 8 t/ha equivalente palha de gramínea (não servem soja, girassol etc, cuja matéria seca degrada muito rápido). Saudações. Odo Primavesi São Carlos (SP) Gostei muito da entrevista com o agricultor Franke Dijkstra. É muito bom ver uma pessoa tão coerente e apaixonada pelo que faz aos 77 anos! Ele fala coisas simples, com muita convicção e conhecimento de causa. Ler a entrevista de um dos “pais” do sistema de plantio direto me deu saudades dos meus tempos na revista Produtor Rural, em que conheci outros agricultores e pesquisadores que contribuíram para revolucionar a agricultura no Brasil. Martha Baptista Cuiabá (MT) NR: A leitora é jornalista, assessora de comunicação da Ampa – Associação Mato-grossense do Algodão. Quanto à revista Produtor Rural, não confundir com homônimas existentes no mercado. A que Martha citou foi


publicada até 2010 pela Famato – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso e editada, na época, pelo jornalista Sérgio de Oliveira, hoje (coincidentemente) editor da revista Mundo do Leite e do Portal DBO. Gostaria de adquirir as tabelas de compatibilidades e incompatibilidades de misturas de produtos no tanque do pulverizador. Como faço para adquirir? José Alcides Soares de Freitas Engenheiro Agrônomo – Mestre em Agronomia, Agricultura e Ambiente Passo Fundo (RS) NR: As tabelas não são comercializadas. Elas foram publicadas na edição de dezembro de 2017 da Agro DBO como conteúdo editorial para nossos assinantes e podem ser acessadas gratuitamente através do Portal DBO. O link é https://portaldbo.com. br/tabela-de-compatilibilidade/

Parabéns à Agro DBO pelos relevantes serviços ao setor agrícola. Escrevo sobre o artigo publicado na seção Opinião (edição de julho), “Carta aberta aos inimigos da agricultura”, do colega Hélio Casale, membro do Conselho Editorial desta revista. Casale faz uma abordagem clara e incisiva sobre o que é agricultura, seus avanços, tecnologias, segurança de alimentos. Enfim, uma carta honesta sobre o que acontece no setor. Dias atrás (em meados de julho), também o colega Xico Graziano publicou breve artigo sobre esse mesmo tema, intitulado “Um serviçal do agronegócio associado ao imperialismo”, explicando o que corretamente se faz no agronegócio. Recentemente, tivemos o lançamento de um relevante livro, “Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo” (negrito meu), do jornalista Nicholas Vital, que faz um detalhado levantamento sobre os agroquímicos. Vital demonstrou, por meio de dados técnicos/científicos, o que representam

esses insumos para a produção de alimentos, que, se utilizados corretamente, são inócuos para o ser humano e para o meio ambiente. Estamos batendo nesta tecla há cerca de 40 anos. Quarenta anos falando para nós mesmos, demonstrando no deserto a realidade sobre os agroquímicos. Daí, uma constatação e uma pergunta. Entramos, há muito, no terreno da ideologização. Desconhecimento se amaina com informação. Ideologia e ignorância são fenômenos de outra natureza. Estaremos, metodologicamente, utilizando os caminhos e os instrumentos corretos para iluminar um pouco mais esse ambiente do nós contra eles? Maurício Carvalho de Oliveira Engenheiro Agrônomo – Fiscal Federal Agropecuário Brasília (DF) AgroDBO se reserva o direito de editar/resumir as mensagens recebidas devido à falta de espaço.

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Ponto de Vista

A judicialização leva o Brasil ao atraso Algo precisa ser feito, com base no bom senso, para acabar com as guerrilhas judiciais, pois uma hora dessas o país vai travar. Richard Jakubaszko *

A

gora virou a casa da mãe Joana. Nesses últimos meses o judiciário e o governo federal mais atrapalharam do que ajudaram o Brasil, especialmente o agronegócio, o único setor que ainda caminha para frente neste país. Não há exageros na afirmação. Basta analisar a questão do tabelamento dos fretes dos caminhoneiros, que jogou indústrias e agricultores em profunda insegurança jurídica (ver entrevista, nesta edição, às páginas 26 a 28). Ou seja, o Brasil está judicializado. Se analisarmos as ações e decisões (e a falta de decisões, mais a demora em se tomar decisões) do judiciário, considerando todas as instâncias da Justiça, seja pela polêmica do Funrural, depois a tentativa de anular o Código Florestal, e mais recentemente a proibição do glifosato e outros agroquímicos (decisão liminar da juíza federal substituta Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara do Distrito Federal, que Blairo Maggi anunciou como cancelada a liminar da juíza, derrubada afinal em 23 de agosto. No dia seguinte, 24, Maggi pediu desculpas, era uma fake news. A suspensão continua valendo), ou a proibição estadual em São Paulo de caça aos javalis, a situação assume ares de guerra civil. Irmão contra irmão, a mais terrível das batalhas. No legislativo federal também se cria inseguranças de toda ordem, eis que o Congresso Federal está submetido atualmente a um tiroteio politicamente correto para a aprovação da nova Lei dos Agrotóxicos, ou ain8 | Agro DBO – setembro 2018

da pela proposta em discussão no Senado para cancelar a Lei Kandir, que tanto ajudou o país nas exportações do agro. A persistirem essas aberrações seria melhor não ter governo federal, e nem mesmo judiciário ou legislativo, e cada um se virar por si mesmo, no melhor estilo “lei das selvas”. Os três poderes parecem querer levar o Brasil para o caos neste ano de eleições. Desobediência! O ministro da Agricultura Blairo Maggi mostrava ter bom senso, pois afirmou em 16 de agosto último, durante o Congresso Mundial de Solos, no Rio de Janeiro (RJ), que a ordem de proibição do uso do glifosato impediria o plantio de 95% da soja, milho e algodão, as três maiores culturas anuais do país. O ministro, diante dessa temerária ordem judicial, como engenheiro agrônomo que é, e produtor rural, sugeriu conscientemente aos agricultores brasileiros a

desobediência da ordem judicial que proíbe o herbicida. “É muito importante dizer: não há saída sem o glifosato; ou não planta, ou faz desobediência da ordem judicial”, afirmou ele. Simples assim. A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu dessa decisão da juíza no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). O Mapa, por sua vez, considerando os 30 dias determinados em lei, dará uma resposta para a juíza federal de Brasília, com provável apoio da Anvisa, de que a decisão tomada, de simplesmente proibir, é um tiro no pé. Segundo o ministro, sem o uso do glifosato os agricultores teriam de retomar a utilização de grades e arados para o preparo do solo. Esses implementos praticamente perderam a função com o crescimento do plantio direto e das lavouras transgênicas resistentes a herbicidas. Franke Dijkstra, um dos agricultores pioneiros do plantio direto no Brasil, em entrevista


na edição de agosto da Agro DBO, afirmou categoricamente: “Arado? O nosso solo não resiste, é muito frágil, teremos erosão. O maior pesticida para as nossas lavouras ainda é o arado, que é um predador do solo. Na economia de escala é impossível usar o arado.” São palavras de quem sabe, que explicam e justificam a proposta do ministro Maggi, de que se pratique a desobediência judicial. Para a safra 2018/19 os agricultores provavelmente se safariam da proibição de comprar glifosato. Quase todo mundo já está com estoque na fazenda, só os ingênuos ficaram à espera de uma decisão judicial. O problema seria projetado para a safra 2019/20, pois se a proibição prevalecer eliminaria a possibilidade de se fazer o plantio direto no Brasil, e sem ele a agricultura retornaria 50 anos no tempo. Posicionamento Sindiveg Em relação à decisão pronunciada pelo juízo da 7ª Vara Federal de Brasília, divulgada em 3/8/2018, que determina a não concessão de novos registros e a suspensão de produtos à base de Abamectina, Glifosato e Tiram até que a Anvisa finalize suas reavaliações, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal – Sindiveg – afirmou que a referida decisão antecipa os resultados de reavaliação do órgão competente e cerceia o direito das empresas que comercializam produtos à base desses ativos ao processo legal. Diz ainda o comunicado do Sindiveg: “Estamos avaliando os impactos para a agricultura brasileira, setor que reúne algumas das atividades econômicas mais importantes do país e que, em 2017, colheu safra recorde de grãos com crescimento de 13%, influenciando no incremento de 1% do PIB brasileiro”. Defensivos agrícolas são empregados nas lavouras para proteger do ataque e da proliferação de pragas como fungos, bactérias, ácaros, vírus, plantas daninhas, nematoides e insetos, evitando perdas de alimen-

tos e outros produtos agrícolas, lembra a diretora executiva do Sindiveg, Silvia Ligabó. O Sindiveg acompanha, diz ela, e é favorável, às reavaliações de defensivos agrícolas a fim de garantir que o procedimento seja realizado em conformidade com a legislação em vigor (Lei 7.802/89, Decreto 4.074/02 e INC 02/06). Resumo da ópera, diante de tantos problemas: ou os agricultores criam uma associação nacional realmente representativa dos interesses do produtor rural brasileiro, ou vamos todos para o precipício. Não são as cooperativas brasileiras, todas elas regionais, que representarão o produtor rural em ações institucionais e políticas como estamos observando nos últimos anos. Não serão as federações estaduais de agropecuária, e nem a CNA, como confederação, que lutam para assumir essa liderança, mas, no fundo, é o sindicalismo engajado e dependente das

os maiores poluidores do planeta. E ninguém se defende dos ataques dos ambientalistas, grupo de ativistas terceirizados que, na verdade, estão por trás dessa proposta insana de proibir a venda do glifosato, e que estavam à frente da discussão do Código Florestal, ou para desaprovar a nova Lei dos Agrotóxicos. Os ambientalistas e ONGs acionam os procuradores simpáticos à ecologia no Ministério Público e através destes conseguem obter decisões favoráveis com juízes de primeira instância na Justiça Federal. Esse jogo de caça ao rato foi uma constante na construção da Usina Belo Monte, obra que já foi paralisada mais de 30 vezes por decisões judiciais, sempre com base de que trazia impactos negativos ao meio ambiente, provocando prejuízos incalculáveis ao Brasil, que permanece na insegurança de energia elétrica, e hoje sobrevive pagando bandeira vermelha para os produtores de energia elétrica com

Os três poderes parecem querer levar o Brasil para o caos neste ano de eleições. contribuições dos sindicatos rurais municipais. Não será a FPA – Frente Parlamentar da Agropecuária, composta por deputados federais e senadores, que será capaz de fazer frente ao ambientalismo ou à mídia engajada nessas questões, também por falta de representatividade e por ser política. E as associações hoje existentes são antigas ou representativas de grupos regionais ou de atividades específicas, como a Unica, no caso das usinas de cana-de-açúcar, ou da soja e milho no Brasil Central, área da Aprosoja. É pouco para defender os produtores de tantos ataques, vindos de todos os lados. Precisamos de uma entidade nacional, unida em torno de todos os agropecuaristas, e que estão sem porta-vozes. O ambientalismo ataca de frente os produtores rurais, criminalizando a atividade, e acusando-os de criminosos ambientais, e de serem

fontes fósseis, porque Belo Monte ainda não está pronta, mesmo tendo sido iniciada há mais de 30 anos. Crie-se, portanto, uma associação representativa do agronegócio e os problemas serão significativamente reduzidos. Caso contrário, é melhor irmos em direção da desobediência civil, e depois façamos preces aos deuses para chover demais ou de menos nas lavouras dos países vizinhos, e, pelo menos com um pouco de coerência grupal, vamos adentrar ao STF com uma ação liminar para proibir as faculdades de direito, seria um bom começo para fazer o Brasil voltar a ter bom senso. Algo precisa ser feito, com base no bom senso, e no espírito de cidadania, para acabar com as guerrilhas judiciais, pois uma hora dessas o país vai travar. No momento, como diz a música, “tá todo mundo louco”. E, entre mortos e feridos, todos nos salvamos. setembro 2018 – Agro DBO | 9


Notícias da terra Safra I

Números quase fechados

O

João Paulo Varnier

Brasil vai colher 228,6 milhões de toneladas de grãos no ano-agrícola 2017/18, quantidade 3,8% menor em relação ao total produzido no ano passado (237,7 milhões t), de acordo com o 11º levantamento da Conab, divulgado em agosto. A safra de soja deve chegar a 119 milhões de toneladas e a de milho, a 82,2 milhões (26,8 milhões na primeira safra e 55,4 na segunda). A área semeada foi estimada em 61,7 milhões de hectares, a maior até hoje. O incremento é de 1,3%, ou seja, 819,7 mil hectares a mais, comparativamente à do ciclo 2016/17. O aumento só não foi maior devido à quebra de produtividade nas lavouras de milho, impactadas por problemas climáticos, especialmente na região sul do país. O levantamento da Conab contempla as safras de verão e de inverno e a quase totalidade da segunda safra, faltando computar apenas a produção da terceira safra (de feijão, por exemplo) em algumas regiões do país para fechar os números do ano agrícola.

Safra II

IBGE crava 226,8 milhões

A

7ª estimativa do instituto para a safra 2017/18 de cereais, leguminosas e oleaginosas indica produção de 226,8 milhões de toneladas, 5,7% inferior (13,8 milhões de toneladas a menos) à do ciclo anterior (240,6 milhões t). A colheita de soja chegará a 116,4 milhões de toneladas (acréscimo de 1,2% sobre o total produzido na temporada passada) e o milho, a 82,9 milhões (decréscimo de 16,7%). Ainda segundo o IBGE, as lavouras vão cobrir 61,2 milhões de hectares, ou seja, 12.161 hectares a mais (0,02%) em relação à área plantada em 2017. Entre as unidades da federação, o estado do Mato Grosso manterá o título de maior produtor nacional de grãos, com 26,5% de participação, seguido pelo Paraná (15,8%) e pelo Rio Grande do Sul (14,3%).

Safra III

Liderança adiada

A

expectativa de que o Brasil superaria os EUA como maior produtor de soja do mundo no ano que vem não deve se concretizar, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Conforme o relatório de oferta e demanda de julho da instituição, os norte-americanos colheriam 117,3 milhões de toneladas e os brasileiros, 119,5 milhões na temporada 2018/19. O relatório de agosto do USDA inverte, porém, o posicionamento. De acordo com as estimativas do mês passado, a safra norte-americana (atualmente em franco desenvolvimento) vai alcançar o recorde de 124,8 milhões de toneladas e a brasileira (os produtores começarão a plantar neste mês de setembro) não ultrapassará 120,5 milhões t. A produção argentina de soja no ciclo 2018/19 foi estimada em agosto pelo USDA em 57 milhões e a safra global, em 367,1 milhões de toneladas. 10 | Agro DBO – setembro 2018

Safra IV

A gangorra do milho

O

Departamento de Agricultura dos Estados Unidos cortou no mês passado sua estimativa para a safra brasileira de milho na temporada 2018/19 e elevou a dos EUA, em relação ao que previra em julho. De acordo com o relatório de oferta e demanda de agosto do USDA, o Brasil vai produzir 94,5 milhões de toneladas do grão no ano que vem (a estimativa anterior indicava 96 milhões t) e os Estados Unidos, 370,5 milhões (361,5 milhões). O USDA manteve a previsão para a Argentina no ciclo 2018/19 em 51 milhões de toneladas e elevou os números relativos à safra global do cereal de 1,054 (julho) para 1,061 bilhão de toneladas.


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Notícias da terra VBP

Um degrau acima

Felipe Barros Ampa

O

Valor Bruto de Produção da agropecuária brasileira para 2018 foi estimado em agosto pela SPA/Mapa – Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em R$ 563,5 bilhões, um pouco acima do previsto em julho (R$ 562,4 bilhões), mas, ainda assim, 2,2% inferior ao do ano passado (R$ 575,9 bi). O faturamento da agricultura caiu 0,6% em relação a 2017 e o da pecuária, 5,3%. Os produtos agrícolas com melhor desempenho no ano (até o mês passado) foram o trigo, com valorização de 62,3%, seguido pelo algodão (+ 43,2%), o cacau (+ 28,6%), o tomate (+ 17,2%), a soja (+ 9,8%) e o café (+ 8,5%). Na outra ponta se encontram o arroz, com queda real de 20,8% no valor, o feijão (- 29,1%), a laranja (- 19,6%), a mandioca (- 15,8%), o milho (- 9,4%) e a cana-de-açúcar (- 7,3%), todos eles com redução acentuada nos preços e na quantidade produzida. Na pecuária, todos os itens perderam valor em relação a 2017.

Exportações

Recorde em vendas

O

Brasil faturou US$ 59,2 bilhões entre janeiro e julho deste ano, valor recorde da série histórica (19972018) para o período, conforme a SRI/Mapa – Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O recorde se deve, principalmente, à maior quantidade embarcada (4,3% superior, comparativamente ao mesmo período do ano passado). O índice de preços aumentou apenas 0,7%. O agronegócio respondeu por 43,4% das vendas externas brasileiras. As importações no setor totalizaram US$ 8,3 bilhões (- 0,6%). Como resultado, o saldo da balança comercial do agronegócio nos primeiros sete meses do

ano foi de US$ 50,9 bilhões. Entre os produtos agrícolas, o destaque, mais uma vez, foi a soja, cujas vendas externas somaram US$ 27,3 bilhões (+ 18,5%). Os chineses continuam sendo nossos principais fregueses. A participação da soja em grão nas exportações totais à China chegou a 80,6%, o equivalente a US$ 17,5 bilhões. Entre os países importadores de produtos do agronegócio brasileiro também se destacaram a Turquia (US$ 954,1 milhões; +106,5%); a Coreia do Sul (US$ 1,2 bilhão; +26,7%); a Argentina (US$ 971,5 milhões; +25,6%); a França (US$ 804,4 milhões; +17,1%); e Hong Kong (US$ 1,5 bilhão; +16,1%).

Desmatamento

Fraude generalizada

E

studo realizado no Laboratório de Silvicultura Tropical da Esalq – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, sob a coordenação do professor Pedro Brancalion, confirmou indícios de fraude generalizada na extração de madeira na Amazônia. Os pesquisadores apontaram discrepâncias consideráveis entre volumes estimados de madeira do inventário florestal nacional (Radam) e licenças de corte. Eles avaliaram 427 autorizações de exploração emitidas entre 2012 e 2017 pela Secretaria do Meio Ambiente do Pará, e analisaram 426 parcelas do Radam, de 1 hectare cada, considerando árvores com DAP (diâmetro na altura do peito) maior que 50 cm. “Encontramos indícios de fraudes para as mais valiosas espécies com o objetivo de gerar excedentes de madeira licenciada que possam ser usados para legalizar madeira proveniente da extração ilegal”, aponta o estudo. Os pesquisadores da Esalq defendem mudanças no controle do licenciamento e auditorias para evitar a superexploração e a degradação florestal associada à extração ilegal. Entre as ações sugeridas estão a conversão de processos em papel para plataformas digitais para reduzir a burocracia e as oportunidades de corrupção. “É imperativo, na opinião dos pesquisadores da Esalq, que os governos estabeleçam parcerias com a comunidade científica para desenvolver soluções eficazes e reduzir o que os cientistas chamam de fosso entre a geração e a aplicação do conhecimento. “Sem um esforço sério para abordar esta questão em larga escala, a degradação das florestas da Amazônia continuará”.

12 | Agro DBO – setembro 2018


Notícias da terra Censo agropecuário I

Censo agropecuário II

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Cai o número de estabelecimentos rurais esultados preliminares do Censo Agro 2017 do IBGE, divulgados no mês passado, indicam a existência de 5.072.152 estabelecimentos agropecuários no Brasil em 350.253.329 hectares de área, 2% a menos (- 103.484 unidades) em relação ao censo agropecuário de 2006. Os estabelecimentos com 1.000 hectares ou mais cresceram em número (+ 3.287) e em área (+ 16,3 milhões de ha) no período. Sua participação na área total passou de 45% para 47,5%. O número dos estabelecimentos entre 100 e 1000 ha foi reduzido em 4.152 unidades. A participação do segmento na área total caiu de 33,8% para 32% (- 814.574 ha). Já nos estratos intermediários (- 100 ha), a participação se manteve praticamente estável, variando de 21,2% para 20,5%, com um acréscimo de 74.942 estabelecimentos e área média em torno de 15,8 ha. Entre as regiões que compõem a federação, apenas no Nordeste o IBGE registrou queda tanto no número (- 131.565) quanto na área (- 9.901.808 ha, aproximadamente o tamanho do estado de Pernambuco) dos estabelecimentos agropecuários. Já no Sul, mesmo com redução no número de estabelecimentos (- 152.971), houve aumento na área (+ 1.082.517 ha). Em todo o país, a área plantada cresceu 5% (16,5 milhões de hectares a mais, o equivalente à extensão do estado do Acre), apesar da redução de 2% no número de estabelecimentos, passando de 333,6 para 350,2 milhões de hectares. Os dados finais do Censo Agro 2017 serão divulgados em julho de 2019.

Uso da terra

s dados parciais do Censo Agro 2017 mostram que, quanto à condição legal da terra no período 2006/2017, o número de propriedades passou de 76,2% para 82%, mas a participação destes estabelecimentos na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%. Já a proporção de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5% para 6,3%, embora a participação da modalidade na área total tenha crescido de 4,5% para 8,6%. Em relação ao uso da terra, a área utilizada para lavouras permanentes cresceu 31,7% e a destinada a lavouras temporárias caiu 13,2%. Houve redução de 18,7% nas áreas de pastagem natural e crescimento de 9,1% nas destinadas a pastagens cultivadas. O número de tratores cresceu 49,7% (407.916 unidades a mais) em relação ao apurado pelo censo de 2006, chegando a 1.228.634 unidades em 30/9/2017. Até o final de setembro do ano passado, 502.425 estabelecimentos agropecuários usavam algum método de irrigação (52% a mais comparativamente a 2006) e a área total irrigada perfazia 6.903.048 hectares. Quanto ao uso de agroquímicos, 1.681.001 produtores afirmaram em 2017 que os utilizam habitualmente, 20,4% a mais em relação a 2006. No que diz respeito à conectividade no meio rural, no ano passado 1.425.323 produtores declararam ter acesso à internet, 46,2% dos quais (659 mil) através de banda larga e 63,7% (909 mil) via internet móvel. Em 2006, o total de estabelecimentos agropecuários com acesso à internet era de apenas 75 mil, o que representa um aumento de 1.790,1%.

Censo agropecuário III

Menos gente no campo

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e acordo com o levantamento do IBGE, em 2017 havia 15.036.978 pessoas ocupadas no campo, uma média de três por estabelecimento, entre produtores e seus familiares e trabalhadores temporários ou permanentes. Considerando a mão de obra disponível no país, os produtores e familiares representam 73% (10.958.787) do total. Na comparação com o Censo Agropecuário de 2006, houve redução de 1.530.566 pessoas trabalhando no campo. A média de ocupados por estabelecimento caiu de 3,2 indivíduos em 2006 para 3 em 2017. Cerca de 15,5% dos produtores entrevistados disseram nunca ter frequentado escola e 79,1% não foram além do ensino fundamental (destes, 29,7% não passaram do nível básico de alfabetização). Na outra ponta do quesito escolaridade, apenas 0,29% (14.449 pessoas) frequentaram cursos de mestrado e outros 5,58% (281.606) têm ensino superior. A participação de mulheres na direção dos estabelecimentos rurais aumentou de 12,7% para 18,6% e a de idosos com 65 anos de idade ou mais, de 17,5% para 21,4%. Pela primeira vez, o IBGE investigou cor e raça. Isoladamente, a população branca é a maior entre os produtores rurais, com 45% (2.291.153 pessoas) do total, seguida de perto pela parda, com 44% (2.242.993), e pela preta, com 8% (422.595). Completam os números os indígenas e as pessoas de descendência asiática, com 1% (56.183) e 0,6% (33.463), respectivamente, em distribuição semelhante à da população do país, segundo a PNAD Contínua 2017. 14 | Agro DBO – setembro 2018


Notícias da terra Moto aérea

O chinês voador

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e alguns anos para cá, jovens produtores rurais brasileiros trocaram cavalos, mulas e jegues por motos em algumas das lidas no campo. Segundo a Abraciclo – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, é uma tendência irreversível. “Temos acompanhado, nos últimos 10 anos, uma evolução constante da substituição da tração animal pela motocicleta nas atividades agrossilvipastoris”, confirma o diretor da entidade, José Eduardo Gonçalves. Neste ano, os motoqueiros rurais devem ter comemorado o Dia do Motociclista (27 de julho) com entusiamo redobrado. Primeiro, pela inclusão do veículo na lista de itens que podem ser financiados por meio do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar – desde o dia 1º de julho, os produtores rurais inscritos no Pronaf podem financiar motos com taxas de juros entre 2,5% e 5,5% ao ano, três anos de carência e até 10 de prazo para pagar. Segundo, pelo feito de Zhao Deli. Conforme notícia veiculada pela Agência EFE, o chinês Zhao, inspirado nos desenhos animados que assistia quando criança, vendeu seu apartamento para bancar um sonho: construir uma moto voadora. Natural de Dongguan, uma cidade da região sul do país, ele investiu com sucesso em seu projeto, como mostra a foto ao lado. A moto-aérea, aparentemente adaptada de um drone “robusto”, ainda precisa de ajustes e aperfeiçoamentos técnicos. O peso do “piloto” não é problema, segundo ele – a geringonça aguenta até 100 quilos. A bateria, porém, permite apenas meia hora de voo. Zhao quer quadruplicar a autonomia, antes de lançá-la comercialmente, no ano que vem. Além do gigantesco mercado interno, quer conquistar outras freguesias. Imagine um agricultor brasileiro vistoriando a lavoura a cinco metros de altura em busca de falhas no stand, plantas invasoras ou reboleiras. Ou um pecuarista tocando a boiada ou caçando animais desgarrados. Zhao não deve ter pensado nisso, mas sua invenção teria boa demanda no Brasil, inclusive nas cidades, embora, especialmente nas grandes metrópoles o cenário futuro pareça assustador: milhares de pessoas ziguezagueando em altitudes variáveis sobre corredores de tráfego de ônibus e automóveis, acima dos postes de fiação e sinalização, entre edifícios de apartamen-

tos e/ou prédios comerciais. Tal multidão provavelmentente repetiria no ar os acidentes e congestionamentos que se vê hoje nas vias públicas, mesmo com as regras rígidas que o Detrana (Departamento de Trânsito Aéreo) fatalmente terá que tomar. Diante das possibilidades de caos, talvez seja preciso limitar, nas áreas urbanas, as concessões de CNHE (Carteira Nacional de Habilitação Espacial), priorizando atividades utilitárias como policiamento ostensivo e serviços médicos básicos como o SADU (Socorro Aéreo Domiciliar de Urgência). No campo, o quadro é mais ameno. O fazendeiro responderá pelo uso das motos-voadoras, assim como já o faz com drones. Voltando à cidade, visualize, num rápido exercício de futurologia, um entregador de pizza lhe passando às mãos, na sacada ou pela janela de seu apartamento no oitavo andar, uma “redonda” quentinha, recém-saída do forno, mezzo calabresa/mezzo margherita. Pois é! A moto-aérea de Zhao Deli terá mil e uma utilidades, mas vai demorar a chegar ao mercado. Ao que tudo indica, repetirá a epopeia dos drones (anos e anos de debates sobre regulamentação, muita burocracia e interesses em jogo). Mas chegará. Até lá, os motoqueiros devem se contentar com as rodantes tradicionais. E quando chegar, poderão dispor, inclusive das duas “espécies”. Que tal?

setembro 2018 – Agro DBO | 15


Notícias da terra Aniversário

Jacto faz 70 anos

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tradicional empresa de Pompeia (SP), completa 70 anos neste ano de 2018, e realizou jantar para comemorar a data, com presença de mais de mil pessoas dia 18 de agosto último. A Jacto é hoje reconhecida internacionalmente pela qualidade de seus produtos e lidera a produção e venda de pulverizadores no Brasil. Iniciou como empresa familiar, hoje está totalmente profissionalizada, presidida por Fernando Gonçalves, e não possui mais em seu quadro diretivo de executivos nenhum membro da família Nishimura, descendentes do mito Shunji Nishimura, o fundador da empresa.

Adubação

Fundação MT recomenda o manejo do potássio em soja

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ma das ferramentas mais utilizadas pelo produtor para um investimento eficiente e conquistar maior produtividade em soja é o uso correto de fertilizantes potássicos (K). Para obter a eficiência no manejo, é necessário considerar alguns fatores que, junto com o P, mais o histórico do manejo da área e informações nutricionais da planta, podem garantir a rentabilidade. A definição da adubação de P da safra por meio do monitoramento da fertilidade do solo e dos níveis de K exportados pelas culturas são algumas das recomendações feitas por Fábio Ono, pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT. Segundo o especialista, é importante ter informações do estado nutricional das plantas e também levar em consideração o sistema de produção da fazenda. Para o período que antecede o plantio de soja, Fábio orienta ao produtor que não deixe faltar K na fase vegetativa da cultura, pois a maior parte da entrada do K na planta ocorre até o início de sua fase reprodutiva. A aplicação do K na dose correta e a sua distribuição no solo é outra dica do pesquisador. “É importante fazer uma boa aplicação através de uma adequada regulagem das máquinas para se ter a aplicação na dose recomendada e uma homogênea distribuição do adubo ao longo do talhão. Outra orientação é a necessidade de manejar o solo com matéria orgânica, com o objetivo de diminuir a ocorrência do escorrimento superficial dos nutrientes aplicados em superfície”, destaca Fábio Ono.

Multa

Glifosato tem multa milionária Proibição

Neonicotinoides em xeque

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Bayer recorrerá do recente acórdão do Tribunal Geral da União Europeia no processo T-429/13. A empresa está preocupada que o veredicto, anunciado em maio, possa ter consequências de longo alcance para a certeza e a previsibilidade das aprovações de substâncias ativas na União Europeia (UE). Ao apelar contra o veredicto, a Bayer pretende assegurar que algumas interpretações gerais da lei de proteção de cultivos estabelecidas pelo tribunal sejam reconsideradas. Essas interpretações podem ter importância além deste caso específico, e a Bayer acredita que elas não são legalmente fundadas. A Bayer deseja sublinhar que respeita o processo legislativo europeu e aceita a recente decisão dos Estados-Membros da UE de restringir amplamente o uso de certos neonicotinoides na agricultura. Como consequência, a empresa retirou o dossiê de clotianidina do processo de renovação em curso. A Bayer mantém a segurança de seus produtos - que foram aprovados por órgãos reguladores em todo o mundo - e reitera o valor que os neonicotinóides têm para os agricultores no manejo eficaz de pragas. 16 | Agro DBO – setembro 2018

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m juiz na Califórnia deu veredicto com multa milionária à Monsanto de US$ 290 milhões em 10 de agosto de 2018, e a Bayer declara que a decisão do júri está em desacordo com o peso da evidência científica, décadas de experiência no mundo real e as conclusões de reguladores em todo o mundo que confirmam que o glifosato é seguro e não causa o linfoma não-Hodgkin. Os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) recentemente reafirmaram que o glifosato não causa câncer. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) e outros reguladores em todo o mundo também concluíram que o glifosato pode ser usado com segurança. O veredicto do júri é apenas o primeiro passo neste caso, e continua sujeito a moções pós-julgamento no tribunal de primeira instância e a um recurso, conforme anunciado pela Monsanto.


Notícias da terra EUA x Argentina

Deere adquire PLA, fabricante de pulverizadores

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Deere & Company emitiu comunicado sobre a assinatura de um acordo definitivo para adquirir a PLA, uma fabricante de pulverizadores, plantadeiras e produtos especializados para agricultura. A PLA está baseada na Argentina, com fábricas em Las Rosas, Argentina, e em Canoas(RS), Brasil.

Agroquímicos

Começou a fusão

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integração da Monsanto ao Grupo Bayer começou após a conclusão dia 16 de agosto do desinvestimento da Bayer para a BASF de alguns negócios da Crop Science, com um volume total de vendas de cerca de 2,2 bilhões de euros. A Bayer já se tornou a única proprietária da Monsanto Company em 7 de junho de 2018. Um dos requisitos do Departamento de Justiça dos EUA era que a Bayer e a Monsanto permanecessem empresas separadas até a conclusão desses desinvestimentos para a BASF, e isso já ocorreu.

Cana-de-açúcar

Novas regras vão estimular a geração de bioeletricidade

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a abertura do 8º Seminário CEISEB BR/UNICA sobre Bioeletricidade, durante a 26ª Fenasucro&Agrocana, em Sertãozinho (SP), dia 22 de agosto último, o secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Eduardo Azevedo, comentou as medidas que estão sendo trabalhadas para melhorar o ambiente regulatório do mercado de energia no Brasil. Em palestra proferida destacou que, em outubro deste ano, o governo publicará novas regras para a garantia física na geração da bioeletricidade sucroenergética.

Marketing

Turma da Mônica e AlfaCitrus lançam laranja lima

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ara incentivar a alimentação equilibrada para as famílias brasileiras, a Maurício de Sousa Produções acrescenta um novo item à sua extensa linha de hortifruti. Em parceria com a AlfaCitrus, a laranja lima passa a integrar o cardápio já composto por maçãs, melancias, melões, uvas e outros produtos in natura. O lançamento oficial do produto foi durante a Feira PMA Fresh Connection. A laranja lima da Turma da Mônica se destaca pela segurança alimentar. Todo o processo de produção é monitorado por modernas ferramentas de rastreabilidade da AlfaCitrus. Pelo código contido nas embalagens, é possível saber de qual fazenda as laranjas vieram. “É um orgulho criar este produto junto com a Turma da Mônica e desenvolver esta parceria, que chancela o trabalho honesto e correto que estamos realizando”, afirma Emílio Fávero, sócio e diretor comercial da AlfaCitrus. Para a Maurício de Sousa Produções, vincular a empresa ao mercado de frutas é uma forma de incentivar a alimentação equilibrada, principalmente, para o público infanto-juvenil, que está na fase de formar os hábitos alimentares. De acordo com Mônica Sousa, diretora executiva da Maurício de Sousa Produções, os personagens incentivam a descoberta de novos sabores despertando o interesse pelo alimento. “Nós acreditamos que a presença da Turminha seja um facilitador para as famílias na alimentação e, com certeza, esse será mais um delicioso sucesso”, comenta a executiva. setembro 2018 – Agro DBO | 17


Notícias da terra Melhores da Terra

PLA e Yanmar vencem o Prêmio Gerdau

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s vencedores da 34ª edição do Prêmio Gerdau Melhores da Terra foram anunciados, durante a Expointer 2018, em Esteio (RS). Na categoria “Novidade Expointer Agricultura de Escala”, o distribuidor autopropelido Pegasus 4.6 AIR, produzido pela argentina Pla, foi o ganhador. O equipamento faz distribuição a lanço de insumos sólidos granulados, como sementes (especialmente para pastagens) e fertilizantes granulados, por meio de um sistema mecânico-pneumático, com maior produtividade e menor desperdício. A distribuição é feita ao longo de 18 pontos nas barras (extensão de 30 metros), e permite maior uniformidade. É possível também realizar aplicações em taxas variáveis entre 8 kg e 250 kg/ha quando usar agricultura de precisão. Na categoria “Novidade Expointer Agricultura Familiar”, a vencedora foi a transplantadeira PH1 da Yanmar. O equipamento de transplantio de mudas de hortaliças, como alface e couve, apresenta baixo consumo de combustível, com autonomia de até 7 horas e transplantio de 2 mil mudas/hora. A máquina propicia ganhos em ergonomia e de tempo aplicado na atividade, uma vez que substitui o trabalho manual. Ela também melhora a uniformidade do plantio e, consequentemente, aumenta a produção na colheita. O Prêmio Gerdau é considerado o maior reconhecimento para o setor de máquinas e equipamentos agrícolas da América do Sul, e tem como objetivo incentivar a inovação e a excelência no setor do agronegócio, além de reconhecer o que existe de melhor em máquinas, equipamentos e componentes de uso agrícola. “A tendência do mercado é aplicar a mesma tecnologia usada na Agricultura de Escala na Agricultura Familiar”, afirma Renato Levien, coordenador da Comissão Julgadora do Prêmio Gerdau Melhores da Terra e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para concorrer à categoria “Novidade Expointer”, foi necessário realizar a inscrição no site da Gerdau e expor o equipamento na Expointer. Depois, a comissão julgadora percorreu os estandes das empresas participantes para avaliar tecnicamente os produtos. O prêmio conta com a parceria institucional da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul, Secretarias de Agricultura e Abastecimento dos Estados de São Paulo e do Paraná, Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA), Instituto Argentino de Normalización y Certificación (IRAM/Argentina), Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow/SP), da EMBRAPA, e da Expointer (RS). Durante a 25ª edição do Agrishow, em abril/18, os vencedores do 34° Prêmio Gerdau Melhores da Terra foram a colhedora de forragem JM4200SH com Cracker da Jumil, na categoria “Novidade Agrishow Agricultura Familiar”, e o distribuidor a lanço UNIPORT 5030 NPK da Jacto, na categoria “Novidade Agrishow Agricultura de Escala”, equipamentos que Agro DBO mostrou na edição nº 100, de junho de 2018.

Representantes das empresas vencedoras comemoram o prêmio Gerdau na Expointer

Distribuidor autopropelido Pegasus 4.6 AIR (esq.), da PLA, e Transplantadeira PH1, da Yanmar, os principais vencedores do prêmio deste ano.

18 | Agro DBO – setembro 2018


Fotos Ariosto Mesquita

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A irrigação reinventada Criatividade, persistência em períodos de seca prolongada, uso racional da água e novas tecnologias garantem resultados expressivos na lavoura. Ariosto Mesquita

20 | Agro DBO – setembro 2018


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o longo de 14 anos, a Fazenda Tabapuã dos Pireneus, de 600 hectares (ha), em Cocalzinho de Goiás (118 km da capital, Goiânia) trabalhou exclusivamente com pecuária, mais especificamente na produção de genética de bovinos da raça Tabapuã. Em 2011, a agricultura irrigada bateu à porta da propriedade e mudou a vida do produtor Fabiano Bielefeld Nardotto. Naquele ano, ele emprestou 30 hectares de pasto, entre abril e setembro, para produtores ligados a uma indústria de beneficiamento de tomate que buscavam terras para plantio. “Eles vieram com tudo, incluindo equipamentos para uma rede de gotejamento. Irrigaram, adubaram, plantaram, colheram, retiraram tudo e foram embora. No início do período de chuvas resolvi plantar milho neste talhão. Não parei mais”, conta. Nardotto encontrou um nível alto de adubação residual no setor que havia emprestado e apenas semeou. Ele garante que, de cara, reduziu em R$ 1 mil/ ha seu custo de produção (de R$ 3 mil/ha para R$ 2 mil/ha). De lá pra cá, continua cedendo todos os anos, sem qualquer custo, talhões (média de 30 ha) diferentes para o pessoal do tomate irrigado. “Na medida em que foi rodando o tomate, fui entrando com a lavoura. O tomate irrigado me fez abraçar a agricultura”, assegura. Desde então, com desembolsos mínimos a cada safra, vem obtendo produtividades expressivas na fazenda. Cada talhão recebido de volta é usado nos dois primeiros anos para cultivo de milho (média de 180 sacas/ha) e, no terceiro, para o plantio de soja (média de 65 sacas/ha), ambos no sequeiro, como safras de verão. Na região, a estrutura climática não recomenda o plantio de lavouras de segunda safra. “Só uso adubação nitrogenada no milho no ano seguinte à saída do tomate”, explica. O agricultor fez valer seus conhecimentos como agrônomo (estudou na UNB – Universi-

Fabiano Nardotto, contente com os resultados: ele cede área própria para o cultivo de tomate irrigado (gotejamento superficial) por terceiros e recebe a terra adubada para a soja.

Área cultivada com milho pamonha. Nardotto implantou uma rede subterrânea de 277 km de tubos de irrigação.

dade de Brasília) para perceber os benefícios que teria, a ponto de ceder (e não arrendar) as terras para o cultivo de tomate irrigado. Ele sabia que o tomateiro exige cargas altas de adubação, pois a planta tem baixa eficiência de absorção de nutrientes. Sendo assim, deduziu que receberia um solo com bom nível de fertilidade, potencializado pela irrigação. “No plantio de tomate se usa 70% da fertilização no gotejamento”, justifica. Paixão antiga A experiência obtida estimulou Nardotto a irrigar parte de suas terras. Inicialmente, pensou em adquirir três pivôs para cobrir 70 ha em pontos distintos da propriedade, que fica em uma altitude média de 1.200 metros em relação ao nível do mar, aos pés da Serra dos Pireneus. Mas, ao visitar uma fazenda próxima a Anápolis (GO), mudou de ideia. Lá, ele encontrou uma lavoura irrigada por gotejamento subterrâneo, “paixão antiga”, dos tempos de faculdade (1997), quando tomou conhecimento desta tecnologia, que leva água e nutrientes (nutrirrigação) diretamente na raiz da planta. O investimento, no entanto, pularia de R$ 12 mil/ha (pivô central) para algo em torno de R$ 20 mil/ha. Mesmo assim, apostou na irrigação localizada, que lhe garantiria, segundo seus cálculos, um consumo 50% menor de energia e água e lhe permitiria obter produtividade 30% maior. Graças a uma boa reserva financeira, Nardotto implantou em 2017 uma rede subterrânea com 277 km de tubos em 25 ha de área. “Paguei R$ 600 mil para implantar o projeto e desembolsarei mais R$ 200 mil para ampliá-lo para 42 hectares em 2019”, revela. Nesta nova área, o agora agropecuarista cultivou milho pamonha (para colheita enquanto verde) e obteve uma produtividade em torno de 300 sacas/ha na primeira safra. “Há de se considerar que este milho é colhido verde, mais úmido e pesado”, observa o agrônomo setembro 2018 – Agro DBO | 21


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Marcelo Magiero em uma área do consórcio coco com café, irrigada por microaspersão.

William Damas, consultor da Netafim, empresa responsável pela instalação do sistema na Fazenda Tabapuã dos Pireneus. Nardotto então tirou o milho e entrou com soja, mas em plantio tardio (28/12/2017 a 05/01/2018), comprometendo assim a produtividade, mesmo com irrigação. “Projetei 100 sacas/ha, mas, com a redução do fotoperíodo (tempo de exposição à luz) durante a fase de desenvolvimento da planta, colhi apenas 65 sacas por hectare” relata o produtor, disposto a recuperar o prejuízo. “Este ano vou plantar em outubro e quero bater a marca de 110 sacas”. O cultivo irrigado de milho pamonha é estratégico. Nardotto coloca o produto no mercado goiano justamente quando é escasso (entre setembro e outubro). Para este ano, ele fechou contrato com preço mínimo a R$ 600 a tonelada – equivalente a R$ 36 a saca de 60 kg –, com possibilidade de remuneração maior, caso a cotação de mercado ultrapasse este patamar. “No ano passado, a tonelada do milho verde variou entre R$ 300 (no verão) e R$ 900 (meses secos)”, lembra. Como colhe só as espigas, Nardotto também aproveita a planta para fazer silagem, parte consumida pelo seu rebanho leiteiro (cerca de 30 vacas em lactação) e o restante, comercializado. O produtor espera recuperar o valor investido na irrigação em duas ou três safras: “Neste primeiro ano, meu custo de produção do milho ficou na casa de R$ 3 mil por hectares e me rendeu R$ 16 mil por hectare. Portanto, tive lucro de R$ 13 mil”. Garantir água Enquanto alguns produtores exploram as diversas possibilidades da irrigação, outros tentam superar o pesadelo de não ter água para irrigar, como os de São Mateus, no norte do Espírito Santo, muitos dos quais ainda não se recuperaram da forte estiagem entre 2015 e 2017. O rio Cricaré (tambem chamado de São Mateus), onde é feita boa parte da captação das águas para 22 | Agro DBO – setembro 2018

lavouras de café conilon e pimenta do reino, principais cultivos da região, quase secou – na época, a irrigação das lavouras chegou a ser parcialmente proibida (era permitida apenas à noite). Além da escassez, os 26 km do rio que antecedem a sua foz, no Oceano Atlântico, sofrem a ação das marés. “Quando ela subia, o rio ficava cheio, mas era água de mar, imprópria para irrigação. Seu uso fatalmente salinizaria o solo, processo que é difícil de ser revertido. Todo mundo se assustou. Na cidade, a água das torneiras saia salgada”, conta o engenheiro agrônomo Doriedson Magiero, cuja família planta café (34,1 ha), coco (27) e pimenta (7,8) no Sítio Água Boa, a 30 km da sede do município. O irmão de Doriedson, Marcelo Magiero, é quem cuida da propriedade, situada a 35 km da foz do Cricaré. Como não faz captação do rio, não enfrentou água salgada, mas nem por isso deixou de passar por maus bocados. Segundo ele, o pior momento foi em outubro e novembro de 2015. Sem água no córrego da Úrsula, onde está autorizado a captar, ficou 15 dias sem irrigar e 20 mil cafeeiros morreram. O impacto, segundo ele, é difícil de ser medido, pois desde agosto daquele ano vinha racionando a operação, irrigando apenas a 50% da capacidade. Os reflexos mais importantes vieram com o tempo. “O café foi a cultura que mais sofreu. Em 2016, tivemos uma quebra entre 30% e 40%. Em 2017, foi de 100%. Não colhemos nada”, relembra. Apesar de tudo, Marcelo acha que foi um “privilegiado”, considerando os estragos provocados pela grande estiagem na região: “Não havia água para boi beber. Centenas de animais morreram. Alguns produtores quebraram. Outros tentavam vender as propriedades, mas não aparecia comprador. O ano de 2016 foi de muita movimentação religiosa. Agricultores e a sociedade em geral se uniram em procissões e grupos de orações para pedir chuva, que só começou a se regularizar ao final de 2017”.


A irrigação pode garantir boa rentabilidade ao produtor, mas, em contrapartida, exige cuidados no manejo e uso racional da água. Ao que tudo indica, o que salvou o Sítio Água Boa de um impacto maior foi o manejo de irrigação. Diariamente, Marcelo colhe informações sobre precipitação e temperatura em uma miniestação meteorológica. Os dados são catalogados em uma planilha e aplicados em uma equação ajustada exclusivamente para a fazenda. Através deste método, ele consegue obter os níveis de evapotranspiração e, com isso, usar a irrigação somente para completar o nível de necessidade das plantas, setor por setor. “Diante de uma precipitação média de 600 mm/ano, teria de oferecer 6.000 m3/ha/ano para compensar a falta de chuvas”, exemplifica o produtor, que também é engenheiro agrônomo e mestre em agricultura tropical. “Pouca gente faz este cálculo de irrigação. A maioria trabalha com um mesmo fluxo o ano todo”, observa. Marcelo vem testando plantios consorciados irrigados por microaspersão, na expectativa de maior retorno. “A estrutura do sistema no solteiro ou no consórcio é a mesma”, justifica. O que vem dando certo, segundo ele, é o consórcio coco + café. “O primeiro mantém 100% de produtividade. Já no café, o desempenho cai 30%. Mas ao final, este consórcio me dá um ganho agregado de 10 sacas/café/ano”, garante. Outro agricultor do norte do Espírito Santo, Diego Zancanella Bonomo, de 31 anos, deixou de produzir 5 mil sacas de café entre 2016 e 2017 e perdeu 900 toneladas de banana por não ter água para irrigar 70 dos 140 ha de área total da Fazenda Zancanella Bonomo II, também no município de São Mateus. “Em apenas duas culturas, deixei de receber cerca de R$ 1 milhão. Minha renda caiu 70% e a qualidade de vida despencou”, conta. A propriedade dispõe de três barragens

Irrigação por microaspersão. Diego Bonomo descarta qualquer possibilidade de fazer agricultura de sequeiro no norte do Espírito Santo.

Diego Bonomo, ajustando o microaspersor em lavoura de banana prata anã.

com área alagada de 10 ha, capazes de conter, juntas, em períodos de chuvas regulares, aproximadamente 200 milhões de litros de água. “Seria o suficiente para atender, durante 117 dias, toda a demanda da propriedade sem realimentação, mas ninguém esperava um problema tão prolongado”. Das três barragens da fazenda, apenas uma manteve um nível de água mínimo (15%). Bonomo teve de ser racional e estratégico: decidiu usar a água de que dispunha exclusivamente na cultura da pimenta do reino, cujo preço explodia no mercado internacional na ocasião (na casa de US$ 14 mil a tonelada). “Os 15 hectares cultivados com pimenta irrigada por gotejamento superficial nos sustentou no campo. No entanto, tive de fazer recepa em quase todos os 40 hectares de café e, quando isso ocorre, a planta demora em média dois anos para voltar a produzir”, diz ele, se referindo ao corte baixo, no tronco do cafeeiro, eliminando toda a copa. Passado o sufoco, seu esforço se concentrou no aumento da capacidade de armazenagem das barragens e na eficiência do sistema de produção. Bonomo descarta qualquer tentativa de se fazer agricultura de sequeiro no norte capixaba: “Por aqui não dá para viver sem irrigação. Produzir nesta região tem de ser de forma diversificada e com alta produtividade. Quem vier pra cá disposto a não irrigar, aconselho a não investir”. Revolução tecnológica As oportunidades identificadas pelo produtor goiano e o drama e as alternativas encontradas pelos agricultores capixabas reforçam e justificam uma tendência no mercado de irrigação brasileiro: a necessidade do uso racional da água nas lavouras. Neste sensetembro 2018 – Agro DBO | 23


Capa A irrigação agrícola vive hoje uma revolução, com equipamentos de melhor desempenho, mais econômicos, leves, precisos e baratos. tido, o setor vive atualmente uma revolução tecnológica: as empresas do setor vêm despejando no mercado equipamentos, estruturas e sistemas que prometem maior eficiência, com automação dos principais procedimentos e monitoramento à distância.“Trata-se do manejo inteligente do controle da água através de sensores interligados, equipamentos mais leves, precisos, baratos, de maior desempenho e menor consumo de energia. Se, em anos atrás, a média do tempo de irrigação na agricultura brasileira era de cinco horas/dia, hoje ela caiu para duas, graças à maior eficiência”, garante Marcus Tessler, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos. Também presidente da Netafim Argentina,Tessler não tem dúvidas de que a tecnologia para atender às novas demandas da irrigação agrícola de precisão passa pela IoT (a sigla vem do inglês “Internet of Things”, ou “Internet das Coisas”). “Brevemente, todas as estruturas de um sistema estarão integradas e controladas por dispositivos móveis”, argumenta. Por outro lado,

ele admite que existe uma forte demanda represada por irrigação no Brasil. O acesso, segundo ele, ainda é dificultado por limitação de crédito, lentidão nos licenciamentos ambientais e pela indefinição no quadro político brasileiro: “Dos cerca de sete milhões de hectares irrigados hoje no Brasil, posso afirmar que o consumo reprimido é de, pelo menos, o dobro disso”. Mas quem espera que esta revolução esteja restrita à irrigação localizada (teoricamente mais econômica), pode se surpreender. Os fabricantes de sistemas de pivô-central, cujas estruturas cobrem hoje mais de 1,5 milhão de hectares de lavouras pelo Brasil (dados da Abimaq), estão apostando na conectividade e investindo em equipamentos periféricos revolucionários. Um deles é o Icon, um painel inteligente lançado em 2017 pela Valley, multinacional norte-americana com 60% de participação no mercado de pivôs no Brasil. “O Icon é colocado junto à estrutura, no campo. Através do aplicativo correspondente, tablets e smartphones podem funcionar como instrumento de controle remoto à distância. É possível acessar todos

Área irrigada por município

Área irrigada (ha) 2015 500 a 1.000 1.000 a 2.000 2.000 a 3.500 3.500 a 5.000

Distribuição por tipologia

5.000 a 10.000 10.000 a 30.000 > 30.000 *Municípios com área irrigada superior a 500 ha

Características de concentração 1 - Arroz inundado 2 - Pivôs centrais 3 - Fruticultura 4 - Cana-de-açúcar 5-P  ivôs e outros métodos em grãos 6-D  iversificação (cana, pivôs, localizada) 7-D  iversificação (cana, pivôs, café, eucalipto)

Arroz inundado Cana-de-açúcar Pivôs centrais Outras culturas e sistemas

24 | Agro DBO – setembro 2018

Reprodução Atlas Irrigação/ANA


Arquivo Valley

os controles do painel sem a necessidade de Internet”, explica Renato Pinto da Silva, presidente da Valley no Brasil. Esta conectividade é garantida, conforme a empresa, pela tecnologia GSM/GPRS (usada por celulares), via rádio, aliada à telemetria. Segundo ele, o Icon pode ser conectado a sensores de temperatura, umidade, vento, dentre outros. A limitação do uso de pivôs de irrigação em terrenos ondulados ou acidentados também começa a ser coisa do passado. A Valley está colocando no mercado este ano o modelo X-Tec, cujo motor, potência e estabilidade possibilitam seu uso em áreas irregulares. A empresa garante que a força e a velocidade do equipamento possibilitam ação uniforme em qualquer situação. Enquanto isso, a Irriger, braço da Valley focado no gerenciamento de irrigação, lançou no ano passado o Irriger Connect, uma plataforma que permite o acompanhamento de todo o processo de irrigação e permite interferências, sempre que necessário. “Funciona como uma espécie de consultoria eletrônica, sugerindo volumes precisos de água e o momento certo de irrigar. Hoje, seu custo varia entre 3% a 5% do valor médio de um pivô”, revela Silva. O presidente da Valley Brasil estima que, em 2018, o mercado de irrigação agrícola

Novos pivôs de irrigação são funcionais em terrenos ondulados ou acidentados.

Retrato da irrigação brasileira Os dados oficiais sobre irrigação agrícola no país são limitados e, na maioria das vezes, ultrapassados. Um dos últimos estudos divulgados a respeito foi o Atlas Irrigação, apresentado pela ANA – Agência Nacional de Águas no ano passado. Além de revelar dados até 2015, o documento tenta apresentar uma visão de futuro sobre o setor. Entre os números, destaca-se o salto da área irrigada no Brasil entre 1970 (cerca de meio milhão de hectares) e 2015 (6,9 milhões). A maior expansão por região, nos últimos 20 anos, ocorreu no Centro-Oeste, cuja participação no total nacional passou de 8,4% em 1996 para 17% em 2015. A projeção de expansão futura é de mais 3,1 milhões de hectares irrigados até 2030 em todo o país. No que se refere ao potencial efetivo de expansão por região, o Centro-Oeste fica à frente com 32%, seguido do Sudeste (30%), Sul (21%), Nordeste (11%) e Norte (6%). O Atlas revela ainda que as maiores concentrações de sistemas diversificados de irrigação estão nos estados de Minas Gerais (no Triângulo Mineiro), Mato Grosso do Sul (regiões sul e norte), Goiás (sul), São Paulo (norte) e todo o território do Espírito Santo. O pivô-central reina absoluto no oeste da Bahia; leste de Goiás e norte de Minas Gerais; sul de São Paulo e norte do Rio Grande do Sul. Já no médio norte do Mato Grosso (região de Sorriso, Sinop e Lucas do Rio Verde, entre outros municípios), o Atlas relaciona maior utilização de “pivôs e outros métodos em grãos”. O documento pode ser acessado via Internet pelo link http://atlasirrigacao.ana.gov.br/.

por pivô-central cresça entre 5% e 10% no Brasil, com previsão de avançar 65% até 2030, sobretudo em lavouras de feijão, soja, milho, cana e algodão. A eficiência dos novos pivôs, segundo ele, está na casa de 95%, muito próximo do que é apregoado pelos sistemas localizados (gotejamentos): “Os dois modelos são muito eficazes. No entanto, é necessário treinar o produtor para que ele obtenha o máximo das novas tecnologias de conectividade”. Quebrando tabus “O avanço de áreas irrigadas em lavouras de soja, milho, algodão, café, cana, cítricos e também em pastagens ilustra bem a quebra de tabu que ocorreu na agricultura brasileira graças ao conhecimento gerado e ao entendimento do produtor. Hoje, há uma demanda crescente do uso de técnicas de precisão, automação e informação na prática de irrigação”. A observação é de Luis Henrique Bassoi, pesquisador da Embrapa Instrumentação, sediada em São Carlos (SP). Em sua opinião, o foco está totalmente em produzir mais com o mínimo possível de água. Indagado sobre o que o mercado está oferecendo (ou terá de oferecer) para atendimento a esta demanda, Bassoi vai além da conectividade. “Existe também a tendência de oferta de tecnologias ligadas à eletrônica embarcada nos sistemas, à automação e ao uso de imagem. O desafio é transformar estes dados coletados em informações úteis aos produtores e técnicos ligados à irrigação. Para isso são necessárias a difusão e a transferência de conhecimento, além da capacitação de usuários para a coleta, transmissão e análise destes materiais”, observa. Bassoi admite a convergência crescente entre o que demanda o campo e o que vem sendo oferecido pelo mercado de irrigação agrícola. No entanto, faz um alerta em relação à compatibilidade: “O fato de cada fornecedor ou fabricante ter suas especificações pode inviabilizar a realização de determinadas práticas devido à inadaptação de componentes de um sistema em relação aos do outro”. setembro 2018 – Agro DBO | 25


Entrevista

Adubo vai chegar atrasado, mas pode faltar e vai custar mais caro.

O

engenheiro-metalurgista David Roquetti Filho, diretor executivo da Anda – Associação Nacional de Difusão de Adubos admite problemas diante da situação que o setor de fertilizantes enfrenta desde maio último, quando estourou a greve dos caminhoneiros. De lá para cá o setor entrou em um inferno astral. Importou matéria prima suficiente para atender as necessidades dos agricultores brasileiros, mas sem poder entregar os fertilizantes, os armazéns portuários estão com estoques no limite da capacidade, considerando o mês de agosto como base. Estas e outras questões David Roquetti revelou em conversa com o editor-executivo da Agro DBO, Richard Jakubaszko, enfatizando a profunda insegurança jurídica que se estabeleceu a partir de o governo federal ter sancionado a Lei votada pelo Congresso sobre o tabelamento dos fretes rodoviários, medida considerada inconstitucional por muitos juristas brasileiros. Roquetti, 54 anos, é paulista de Barretos, torcedor do Santos F.C. e dirige a Anda há 10 anos. Nesse tempo, confessa ele, jamais enfrentou uma situação tão crítica e aguda, capaz de levar ao caos a indústria de fertilizantes e com potencial de desarranjar a produção de grãos da safra 2018/19 no Brasil.

Agro DBO – Como está esse imbróglio criado, primeiro pela greve dos caminhoneiros, depois pela tabela dos fretes transformada em lei? O adubo para a safra 2018/19 vai atrasar, vai faltar ou só vai ficar mais caro? David Roquetti – Estamos enfrentando um desafio gigantesco com essa situação dos fretes. Há uma insegurança jurídica muito grande para o setor, especialmente com essa medida provisória 832/2018 agora transformada em Lei e sancionada pelo presidente Temer, que estabelece os preços mínimos para os fretes rodoviários. Agro DBO – Por que insegurança jurídica, ela não é constitucional? David Roquetti – Nós entendemos que não. Essa lei nos leva para 26 | Agro DBO – setembro 2018

trás, para algumas décadas de atraso, quando ocorreram políticas equivocadas, que desmotivam, geram uma confusão gigantesca entre os diversos atores e anulam a livre concorrência, além de existirem aberrações das mais variadas naturezas na formulação da tabela de preços dos fretes. Agro DBO – Cite alguns exemplos disso. David Roquetti – Primeiro, a medida provisória desrespeitou questões básicas de procedimentos previstos em lei, não houve nenhuma análise de impacto regulatório antes de se fazer essa legislação. Não houve discussão com todos os segmentos envolvidos, não houve um aprofundamento técnico da complexidade que existe em cada um dos setores. O setor de fertilizantes, por exemplo, que atende

ao Brasil inteiro, tem mais de 11 mil rotas logísticas, e movimenta mais de 70 milhões de toneladas por ano, entre o transporte de matérias primas para a indústria e da entrega do produto final aos agricultores. Há condições de estradas completamente diferentes, carretas diferenciadas em tamanhos e por condições técnicas, e nada disso foi levado em consideração, todas as especificidades foram jogadas numa vala comum. Agro DBO – O frete vai ficar mais caro? David Roquetti – Com certeza, e vai ser mais ineficiente do que já é. Por exemplo, o frete de retorno representa quase 90% do movimento e das transações de fertilizantes. Enquanto o grão desce para o porto o fertilizante está voltando, é uma


razão de 7 para 1. Para cada 7 caminhões 1 é de fertilizante, por isso que a importância da medida legislada agora atinge de forma muito impactante o nosso setor. Agro DBO – Reconhecemos esse impacto, mas temos de reconhecer também que o mercado estava por alguma razão desequilibrado, tanto que a greve aconteceu em maio. Até então o governo não havia interferido. Com a greve, acossado por reivindicações, o governo interferiu, negociou, e redundou nessa tabela, que agora é combatida pelos usuários, inclusive por vocês das indústrias de fertilizantes. Independentemente dos preços, a questão continua, vai faltar ou vai atrasar o fertilizante para a próxima safra? David Roquetti – É importante que se saiba que os 3 meses picos de entregas de fertilizantes são agosto, setembro e outubro. O setor de fertilizantes é muito sazonal. A média de entregas de outubro é 58% maior do que a média de todos os outros meses do ano. Como importamos cerca de 80% do consumo, e são distâncias marítimas muito grandes, temos que tomar as decisões 3 meses antes. O adubo que vai chegar em outubro foi decidida a importação em julho, e não há como mudar isso, porque o agricultor não quer receber o adubo antes. Agro DBO – Mas as projeções de vocês indicam qual cenário? Vai atrasar ou vai faltar o adubo para a próxima safra? David Roquetti – Já atrasou em maio, por causa da paralisação de 11 dias da greve. Em junho tivemos crescimento nas entregas, foi 3% acima da média. Em julho, com um movimento excepcional de compras, todo mundo se movimentando, as entregas de fertilizantes cresceram 18% ante o mesmo mês de 2017, ou seja, cresceu muito, entretanto, ainda ficou muito adubo para ser entregue de agosto a outubro.

Hoje (10 de agosto, dia da entrevista), por causa da tabela de frete, o mercado está travado. Agro DBO – Havia milho de 2ª safra, no início de agosto, estocado a céu aberto no Centro-Oeste. E ainda não tinha tabela. David Roquetti – É verdade, mas muita coisa foi escoada até esses primeiros dias de agosto, antes da tabela, e teve crescimento de movimentações de ida e volta, como foi em julho. Amenizou o problema dos estoques na lavoura, mas nos portos os armazéns estão no limite de estocagem, e isso precisa ser escoado, porque os navios continuam chegando. Tudo isso pela dificuldade de negociar o frete de retorno, que é uma das imposições da tabela.

Agro DBO – Então vai atrasar o adubo em setembro e outubro... David Roquetti – Exatamente, pelo efeito cumulativo. É a minha opinião, mas existe sim o risco de atrasar e faltar. Nós não sabemos o que vai acontecer no dia 27 de agosto, quando o ministro do STF Luiz Fux tomará uma decisão em audiência pública sobre a constitucionalidade da tabela. O que se percebe é que as indústrias de fertilizantes e os agricultores tomam hoje decisões de risco para o transporte dos fertilizantes, enquanto não sai uma decisão. Acho, ainda, que essa decisão deveria ser adiantada. O tempo de plantio não pode ser modificado por uma lei de decisão política, o tempo dos homens é diferente do tempo das plan-

tas. Mas tem gente que acha que tem tabela vigente, e tem gente que acha que não tem. Daí que a insegurança jurídica é real. A Anda tem uma posição muito clara, o princípio dessa tabela é totalmente inconstitucional, estamos com ação ordinária contestando isso no STF, e pedimos isenção para a ANTT – Agência Nacional de Transporte Terrestre, da aplicação da tabela para o transporte dos fertilizantes. A ANTT vai aguardar a decisão do ministro Fux. Agro DBO – Há desequilíbrios na tabela dos fretes? Existem críticas de que alguns setores foram isentados. David Roquetti – É verdade, o transporte de valores (dinheiro, por exemplo) está isento da aplicação da tabela de frete. Acho que os bancos não precisam desse benefício, portanto, é flagrante a falta de isonomia, mas com certeza o transporte de fertilizantes e de comida deveria ter o benefício da isenção que o transporte de valores tem. Agro DBO – Como está a campanha da Anda para divulgação da importância do uso dos fertilizantes, chamada de “Nutrientes para a Vida”? David Roquetti – Vai de vento em popa. Superamos, inclusive, a campanha “Nutrients for Life” feita nos EUA em termos de acessos, com mais de 30 mil acessos por mês. Recentemente incluímos como parceiros dessa campanha alguns formadores de opinião, que são pessoas com Notório Saber, como professores de diversas universidades e até mesmo da Esalq – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Piracicaba-SP). Agro DBO – Mas os inimigos urbanos do agro continuam os mesmos de antes, e continuam a criticar o uso dos agrotóxicos e fertilizantes. Hoje, com a discussão da nova Lei dos Agrotóxicos no Congresso Federal, as críticas setembro 2018 – Agro DBO | 27


Entrevista O tempo de plantio não pode ser modificado por uma lei, o tempo dos homens é diferente do tempo das plantas andam ainda mais exacerbadas. Há muita confusão nessas críticas entre fertilizantes e agroquímicos? David Roquetti – Nós medimos isso através de pesquisas com pessoas nas cidades, em todo o Brasil. Hoje há menos 59% de detratores do que havia antes, portanto, o nível de críticos caiu, em relação aos fertilizantes. Agora, de cada 100 pessoas entrevistadas nas capitais, 60% delas confundem fertilizantes com agrotóxicos, acham que um é a mesma coisa que o outro. Desta forma, há um imenso grupo de pessoas totalmente desinformadas. Já nas cidades do interior, especialmente aquelas próximas de onde se faz agricultura, há uma compreensão quase perfeita da ação do fertilizante como comida das plantas, enquanto que agrotóxico é o remédio das plantas. Agro DBO – A Anda existe desde os anos 1960, muitas empresas importantes que existiam então já não mais existem, ou não produzem mais fertilizantes (como Manah, Bunge, Vale, Copas etc.), mas o setor não demonstra apetite ou vocação para desenvolver novas tecnologias que ajudem os agricultores a melhorar a produção e a produtividade, coisa que a gente verifica nos setores de máquinas agrícolas, irrigação, sementes ou agroquímicos, e agora na informática, com a agricultura de precisão. Está faltando criatividade ou o setor é acomodado e conservador? David Roquetti – Há muitos estudos, no mundo inteiro, e também no Brasil, pelo uso adequado de fertilizantes, seja em época ou quantidade de aplicação, adequação a solos argilosos e arenosos, e se observa uma evolução no melhor aproveitamento e uso dos fertilizantes. Mas o grande volume de recursos que foram movimentados pelas indústrias, foi 28 | Agro DBO – setembro 2018

o investimento para inovação, melhoria e eficiência nos processos industriais. Como a indústria de fertilizantes é uma indústria de escala gigantesca, e de alta competitividade, o que as indústrias procuram é reduzir custos de produção, pois a mineração, logística, beneficiamento, estocagem, requerem investimentos de bilhões de dólares. Mesmo assim, a indústria tem apresentado inovações nos produtos acabados, como a introdução de microelementos encapsulados nos grãos de NPK, de lenta liberação, por exemplo, que é relativamente recente, é coisa de uns 10 anos, mas isso só foi possível através de investimentos nos processos industriais.

correto? Ou essa finitude é um marketing às avessas, como se fez com o petróleo, de ameaçar a “faltura” para cobrar preços mais caros? David Roquetti – Nos EUA, Canadá, Europa, Rússia, se faz uma perfuração no solo para prospectar riquezas minerais, como os fertilizantes potássicos ou fosfóricos, a cada mil hectares. No Brasil é de 100 mil hectares. O mapeamento e conhecimento do nosso solo hoje em dia é muito maior através das empresas do que pelo governo federal, e não temos esse conhecimento divulgado. Esse é o primeiro desafio, fazer com que o Ministério das Minas e Energia também participe desses esforços de pesquisas.

Agro DBO – Como as indústrias de fertilizantes reagem às acusações dos ambientalistas de que os adubos acidificam os mares? No caso americano isso é colocado com o uso de NPK no Corn Belt, especialmente do N, que desce o rio Mississipi e deságua no Golfo do México. David Roquetti – Uma das iniciativas foi a campanha Nutrientes para a Vida, lançada primeiro nos EUA, e que nós já comentamos. Outra campanha é a dos 4 C, ou seja, aplicação correta, época correta, dose correta e adubo correto. Se o produtor seguir as recomendações divulgadas não há efeitos ambientais danosos no uso dos fertilizantes, por exemplo, prejudicando mananciais de água.

Agro DBO – As reservas hoje conhecidas de fósforo e potássio no planeta garantem quantos anos de uso de fertilizantes? David Roquetti – Há 10 anos teve uma polêmica sobre pico do fósforo, ou seja, teríamos atingido o limite de descoberta das fontes de fósforo, e haveria finitude em sua exploração, na época de 60 anos para acabar o fósforo. Na realidade não havia bancos de dados globais para que se fizessem essas observações, e é óbvio que alguns vendedores se aproveitaram da desinformação para fazer esse marketing enganoso a que você se referiu. Hoje, com os dados consolidados que dispomos de um inventário global das fontes já conhecidas, há fósforo garantido em reservas minerais para pelo menos 400 anos à frente, mesmo que não se descubra nenhuma nova mina. Com potássio não há previsões de finitude, mas as licenças ambientais no Brasil são hoje o entrave para a prospecção ou mineração, pois demoram mais de 10 anos para serem liberadas. Nenhuma empresa espera esse tempo para investir num negócio.

Agro DBO – O prêmio Nobel da Paz, Norman Borlaug disse há uns 10 anos que sem fertilizantes é fim de jogo para a humanidade. Quanto ao N a fonte é praticamente infinita, pois retiramos o mesmo da atmosfera, mas potássio e fósforo são minerais e suas fontes são limitadas. Esse vaticínio é ainda


Censo 2017

Alguns números do censo agropecuário do IBGE Cresceu a presença de mulheres no agro, caiu a de jovens, a escolaridade continua baixa, e há preconceitos urbanos no ar. Rogério Arioli Silva*

O

* O autor é engenheiro agrônomo e produtor rural em Mato Grosso

Censo Agropecuário referente ao ano de 2017 – divulgado há poucos dias pelo IBGE, demonstra as tendências seguidas pela agropecuária brasileira nos últimos anos, e deveria nortear as políticas públicas futuras, em sintonia com a realidade que se apresenta. Em relação à presença feminina no campo as notícias são animadoras: está crescendo a participação delas na gestão das propriedades rurais. Atualmente, a cada dez administradores de fazendas dois são mulheres. Mais significativo ainda é o crescimento de 50% na participação das mulheres no agronegócio nos últimos 11 anos, portanto a partir de 2006. A participação conjunta na administração do negócio rural – onde as mulheres atuam conjuntamente com os maridos, atingiu

30 | Agro DBO – setembro 2018

34,75% em 2017. Portanto, uma em cada três propriedades rurais no país possuiu uma mulher trabalhando e gerindo a produção, com todas as consequências positivas que decorrem desta presença. Quem não conhece a excepcional capacidade de organização das mulheres? E sua visão de longo prazo umbilicalmente ligada à manutenção da atividade e ao envolvimento dos filhos na mesma? Sem falar do sexto sentido feminino na prevenção de problemas e na preservação da saúde da família, o que se traduz, em última análise, em melhor qualidade de vida aos envolvidos. O número absoluto mostra em torno de 950 mil mulheres responsáveis sozinhas e 820 mil atuando em conjunto com seus maridos na atividade agropecuária. Resulta, portando, em 1,77 milhão de mulheres sujando as mãos, as roupas,

estragando as unhas, ressecando a pele no sol e empoeirando o cabelo na terra. Negligenciam a vaidade, por vezes, estas valorosas mulheres, em nome da produção de alimentos e demais produtos que saem do campo para emprestar fartura às cidades brasileiras. Se o aumento da presença feminina gera otimismo no campo a notícia ruim é a diminuição dos jovens no agronegócio. Os jovens menores de 25 anos diminuíram sua presença de 3,3% para 2,03% nos últimos onze anos. Também na faixa etária de 25 a 35 anos houve uma diminuição de 13,6% para 9,5% no número de produtores rurais. O envelhecimento rural evidencia-se quando se observa as faixas de 45 a 55 anos e acima de 55 anos, onde houve crescimento, principalmente nesta última faixa, de 20,3% para 24,1% no número de representantes.


Em relação ao nível de alfabetização dos produtores a baixa escolarização não chega a ser novidade: 15,4% dos atuais produtores nunca tiveram a oportunidade de frequentar a escola. Atingiram apenas o nível de alfabetização fundamental 79,1% e não passa de 5,5% o percentual de produtores rurais com curso superior. Esta realidade provoca situações ambíguas: de um lado, ilhas de excelência tecnológica, geralmente ligadas às culturas de exportação e situações onde o tempo parece ter parado e os produtores não conseguiram evoluir por uma série de motivos, entre eles a falta de assistência técnica e crédito, além de irregularidade na produção. A diminuição na presença de jovens ligados ao agronegócio é motivo para um estudo amplo no intuito de se buscar uma reversão

desta situação, visando o futuro da produção agropecuária brasileira. Os motivos pelos quais muitos jovens não se interessam pelo campo podem ter várias raízes. Entre elas as facilidades e o “glamour” da vida nas cidades com

ocorre em outros países, onde há muito respeito pela atividade rural. Esta tendência demonstrada pelo Censo Agropecuário talvez não seja privilégio brasileiro, porque em outros países também a população rural está envelhecen-

Há visível desgaste da imagem dos produtores rurais, patrocinado por parte da mídia tudo que a sociedade moderna oferece. Há também os riscos da produção agropecuária onde não existem garantias de que o clima colaborará e os investimentos terão o retorno necessário. Além disso, há visível desgaste da imagem dos produtores rurais, patrocinado por parte da mídia que os coloca como poluidores e usuários de agrotóxicos (em vez de defensivos), em contraste com o que

do. Todavia, nesses países, atingidos no passado por guerras e revoluções onde houve desabastecimento, e boa parte da população enfrentou as agruras da fome, o respeito ao produtor e a valorização do campo são uma realidade. Tomara que o reconhecimento do produtor rural brasileiro resulte de um melhor esclarecimento da população urbana e não pelo desabastecimento dela.

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Mecanização

Tecnologia de aplicação: há detalhes que fazem a diferença Qualquer equipamento de pulverização, autopropelido ou de arrasto, ou costal, deve ter regulagem periódica para evitar prejuízos. Thiago Martins Machado 1 e Étore Francisco Reynaldo 2

A

* Os autores são engenheiros agrônomos, sendo: 1 – professor UFMT, Campus de Sinop, e 2 – especialista em tecnologia de aplicação da Monsanto.

tecnologia de aplicação, quando bem manejada se converte em uma lavoura produtiva e vigorosa, mas em muitas propriedades não é essa a realidade. Quando se peca na calibração, regulagens e checagem dos equipamentos utilizados na tecnologia de aplicação essa se torna menos eficiente sob todos os aspectos. Consequência disso é o aumento considerável da dose e número de aplicações que as culturas e o meio ambiente vêm recebendo. Os fatores que estão pesando mais na balança têm a ver principalmente com as máquinas e equipamentos utilizados para aplicação de defensivos agrícolas. Pulverizadores agrícolas em mau estado de conservação, mal regulados, com pontas inadequadas ou desgastadas, somados aos uso frequente de doses excessivas de defensivos, contribuem para a ineficiência das aplicações e a contaminação ambiental. Na tabela 1 ao lado são apresentados os fatores que mais pontuaram nas máquinas e equipamentos avaliados em uma cooperativa localizada na região Sul do Brasil. O programa de inspeção da cooperativa identificou problemas que interferem decisivamente no resultado das aplicações. Como por exemplo, em

32 | Agro DBO – setembro 2018

Tabela 1. Itens da inspeção que não estavam em conformidade Itens de avaliação

Irregularidades (%)

Imprecisão na rotação de acionamento da bomba

79

Vazamentos

62

Sistema antigotejo

91

Vazão irregular das pontas

97

Manômetro com defeito

45

Falta de manômetro

15

Bomba do pulverizador

10

Proteção das partes moveis

76

Mangueiras com posicionamento irregular

56

Deformação de barras

32

Uniformidade de distribuição

35

Agitador com funcionamento irregular

10

Pontas sem padrão

15

Falta de filtros

45

Problemas no sistema hidráulico das barras

15

Ausência de reservatório com água limpa

55

Tanque de lavagem de embalagens

20

97% das máquinas avaliadas constatou-se a presença de pontas de pulverização desgastadas, o que interfere na vazão da ponta e consequentemente ângulo de sobreposição do jato e também

no tamanho da gota. A escolha de pontas adequadas para o tratamento fitossanitário é imprescindível para que todo o trato cultural possa ter a efetividade esperada.


Não se dá a devida importância para as vibrações que ocorrem na barra do pulverizador Os itens de inspeções citados na tabela 1, todos possuem metodologias já bastante conhecidas para serem checados, mas faltam metodologias práticas para analisar o sistema de amortecimento de barras de pulverizadores (Figura 1). Observando os manuais e pedindo informações em revendas dos principais fabricantes de pulverizadores do Brasil, nenhum apresentou de forma clara como se deve proceder para analisar o sistema de amortecimento

Figura 2. a) Barra sem vibração b) Barra com vibração vertical em excesso.

Figura 1. Problemas no sistema hidráulico das barras (toco escorando a barra para fazer a inspeção) e também problemas de vibração excessiva e deformações.

das barras para checar se estão em pleno funcionamento. Em geral não se dá a devida importância para as vibrações que ocorrem na barra do pulverizador, sendo estas no sentido vertical ou horizontal. Quando ocorre a vibração vertical excessiva o produto não atingirá o alvo corretamente, por apresentar problemas no ângulo de sobreposição entre as pontas, deixando plantas sem receber aplicação em locais próximos às extremidades da barra, conforme a figura 2. Outro problema ligado a essa questão é a vibração da barra no sentido horizontal, ou seja, quando o pulverizador está em movimento e seu sistema de amortecimento está debilitado, e a barra fica indo para a frente e para trás, como se estivesse “remando”. Esse efeito de movimento pode causar fitotoxicidade nas plantas. Pois a barra de pulverização passa duas vezes aplicando no mesmo ponto, ocasionando um excesso de produto na planta. Falta uma linha de pesquisa voltada para a Engenharia Agrí-

cola, em parceria com a indústria de pulverizadores, para determinar uma metodologia para avaliar o sistema de amortecimento das barras, possibilitando sua manutenção e regulagem, e ainda a troca de peças de modo preventivo para evitar os problemas de qualidade relacionados à tecnologia de aplicação. Trabalhos de inspeção de pulverizadores realizados em cooperativas, universidades e centros de pesquisa dos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul fazem uma grande diferença, evitando desperdício e menor poluição ao ambiente. No estado de Mato Grosso, apesar de ser o maior produtor de grãos do Brasil, falta uma parceria entre fabricantes de produtos químicos ou de máquinas com universidades, a fim de estabelecer pesquisas e projetos de extensão na área de tecnologia de aplicação. No estado tecnológico em que hoje se encontra a agricultura nacional, não se tem mais espaço para falta de capricho e e de se ter cuidados aos detalhes, pois são os “pequenos detalhes” que fazem a diferença. setembro 2018 – Agro DBO | 33


Tecnologia

Cultivar é preciso É um mundo de mudanças constantes, vamos para um mundo cheio de precisão, conectados com as necessidades dos consumidores. Evaristo de Miranda *

N * o autor é engenheiro agrônomo e doutor em ecologia, Chefe Geral da Embrapa Territorial e membro do Conselho Editorial da Agro DBO.

avegar é preciso, viver não é preciso. A frase não foi inventada por Caetano Veloso ou Fernando Pessoa. Ela foi pronunciada no século I a.c., pelo general romano Pompeu. Ele encorajava seus marinheiros receosos a enfrentar uma arriscada travessia marítima para levar alimentos para uma Roma sitiada: Navigare necesse, vivere non est necesse. A frase tomou outro sentido com as navegações portuguesas. Nos regimentos das naus lusitanas, ela evocava o início da navegação de precisão. No caminho para as Índias, as naus ficavam quase três meses sem ver terra. Só água. E ainda assim sa-

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biam para onde se dirigiam e onde estavam. Portugal foi a primeira nação a dominar a cosmografia, o uso da bússola, do sextante e do astrolábio. Navegação começou a ser sinônimo de precisão. Para os cosmógrafos das caravelas, navegar era preciso. Viver não. Da navegação de precisão à agricultura de precisão foi-se um bom tempo. Hoje todos sabem o quanto o mundo digital e suas transformações fazem parte de vida, do cotidiano, da produção e dos negócios na agricultura. O campo digital e conectado é uma realidade complexa e dinâmica. São pelo menos dois universos muito relacionados: o conjunto de serviços de base digital

que apoiam o processo produtivo, dentro e fora da porteira, e o mundo digital no processo de produção, no interior das fazendas. Entre os instrumentos de apoio à agricultura, em bases digitais e conectivas, estão os satélites espaciais. Os satélites meteorológicos revolucionaram o conhecimento do clima e a previsão do tempo. Essa evolução não para. A agrometeorologia de hoje depende de satélites meteorológicos que a cada 15 minutos enviam as mais diversas informações sobre nuvens, ventos, umidade atmosférica, chuvas, secas, queimadas e incêndios etc. Esses dados ajudam no plantio, nos tratamentos fitossanitários, na colheita,


na secagem e no transporte. A rede de estações meteorológicas das fazendas está sendo conectada aos sistemas de previsão. A Embrapa Territorial, junto com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão e a Climatempo, desenvolve um dos primeiros sistemas de agrometeorologia de precisão para todo o oeste da Bahia, com previsões para áreas de 3 km por 3 km. Os satélites de monitoramento, em 30 anos, passaram de imagens com detalhes de 200 m para 30 cm. E de duas imagens por mês para várias imagens por dia. São dezenas de operadores privados explorando centenas de satélites. Eles permitem melhores zoneamentos agrícolas, mapeamentos de solos e recursos naturais, da infraestrutura, plantios e safras. Com eles realizou-se o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em cerca de 5 milhões de imóveis. A Embrapa Territorial tratou esses dados e revelou que os agricultores dedicam 218 milhões de hectares à preservação da vegetação nativa (25,6% do Brasil). E cultivam apenas 7,8% do território nacional.

nica e operacional. A computação está nas máquinas, no campo e nos estábulos. O uso de drones e de geotecnologias abriu um novo campo no acompanhamento e na análise das lavouras. Eles são empregados cada vez mais para detectar pragas e doenças, falhas de plantio, excessos de irrigação, problemas nutricionais localizados, emergência de plantas daninhas, graças a softwares para análise das imagens captadas. E são empregados em pulverizações de agroquímicos, na liberação de agentes de controle biológico e no acompanhamento de grandes áreas

Os agricultores sabem: para viver e sobreviver, cultivar é preciso. E com precisão! Os satélites de posicionamento ou de GPS, como são mais conhecidos, apoiam o transporte de cargas e suprimentos para a produção agropecuária, a localização de veículos, o trabalho da aviação agrícola e são a base da agricultura de precisão e de parte da chamada agricultura 4.0. Como aumentar a conectividade, a comunicação e a eletrificação em áreas rurais para levar esses e outros serviços, a baixo custo, a todos os produtores rurais? Há duas décadas, a informática entrou nas fazendas pelos escritórios. Computadores pessoais passaram a ser base da gestão contábil, financeira e, chegaram à parte téc-

florestais. Os modelos são cada vez mais robustos e autônomos em termos de operação. As fazendas participam e acessam grande número de informações, disponibilizadas em redes (BigData). São bancos de dados que respondem a milhares de perguntas sobre produção animal, vegetal e o uso de tecnologias. É o começo da chamada Inteligência Artificial. Ela promete revolucionar as possibilidades da assistência técnica ao homem do campo e da difusão de novas tecnologias. Graças à internet das coisas, ao fornecimento de dados pelos equipamentos utilizados em fazendas de regiões inteiras, conectados

a grandes bancos de dados, novos aplicativos e dispositivos móveis permitem acompanhar pelo celular desde a agrometeorologia de precisão até a mosca dos estábulos, do comportamento alimentar de bovinos até o seu efetivo conforto térmico. A junção de tecnologias digitais embarcadas em máquinas e equipamentos agrícolas com as de geoprocessamento e GPS trouxe uma progressiva automação e precisão na condução da agropecuária. É o tempo da agricultura de precisão, da pecuária de precisão e da meteorologia de precisão. Até as primeiras versões de máquinas autônomas, sem tratorista, são testadas, reduzindo custos e ampliando a produtividade do trabalho. Como disse o papa João Paulo II, não estamos numa época de mudanças e sim numa mudança de época. Uma época de oportunidades e ameaças. Como alertou o CEO da Accenture, Pierre Nanterme: A transformação digital é a principal razão porque mais da metade das empresas da Fortune 500 desapareceram desde o ano 2000. As mudanças tecnológicas trazem rupturas na agricultura. E parte será comandada, não pela tecnologia ou agricultores, mas pelos consumidores. E eles estão em todo o planeta, numa era de transparência radical com as redes sociais. O consumidor moderno é conectado, poderoso e impaciente. Guerras comerciais são e serão travadas. O agro brasileiro já as enfrenta e as enfrentará ainda mais. Às novas exigências de consumo, os produtores brasileiros, apoiados pela pesquisa agropecuária e pelas empresas de insumos e serviços, proverão novos padrões de produção como já fazem. Não apenas Roma, o mundo pede por alimentos. Como seus antepassados portugueses, os agricultores brasileiros sabem: para viver e sobreviver, cultivar é preciso. E com precisão! setembro 2018 – Agro DBO | 35


Clima

Safra 18/19 com ou sem El Niño? O autor prevê que a safra de verão vai testar o coração dos agricultores: produções elevadas, e as cotações podem desabar. Marco Antonio dos Santos * Previsão de anomalia de chuvas acumuladas para o período de setembro a novembro de 2018, segundo o modelo americano CFSv2. 15N EQ 15S 30S 45S 60S 90W

75W

60W

45W 30W

-10 -6 -4 -2 -1 -0,5 -0,25 0,25 0,5 1

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* o autor é engenheiro agrônomo e agrometeorologista da Rural Clima.

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6 10

om a aproximação da nova safra no Brasil, as dúvidas em relação ao clima ainda são muito grandes. Cada instituto de meteorologia está dizendo uma coisa, e na maioria das vezes diferem completamente uma da outra. Mas em qual acreditar e, sobretudo, em qual se pautar para as tomadas de decisão? O primeiro fato que devemos levar em consideração é se haverá ou não a influência do El Niño nessa safra. Só depois deste assunto esgotado é que poderemos, de fato, prever como será o regime de chuvas e temperaturas no Brasil. Com relação ao El Niño, os boatos circulam diariamente nas mídias. Porém, a Rural Clima trabalha com a possibilidade de que o El Niño venha a se formar, mas será de fraca intensidade e bastante tardio. Isto é, o pico das temperaturas do Oceano Pacífico deve ocorrer somente durante o verão/19 e mesmo assim será de curta duração. Apenas a região central do

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Pacífico, denominada Niño 3.4, é que apresenta temperaturas das águas acima da média. A região leste, denominada Niño 1+2 – que banha a América do Sul, ainda se encontra fria. Isso dificulta a formação do El Niño durante o final do inverno e primavera. Desse modo, não podemos atribuir esse fenômeno ao regime de chuvas no começo da safra. Até porque, ele ainda não estará configurado. Com isso, as chuvas, que no mês de agosto ocorreram em bons volumes sobre grande parte da região central do Brasil, prejudicando a qualidade das plumas de algodão, estarão mais concentradas, em setembro, no Sul do Brasil. Lá ocorrerão chuvas volumosas e frequentes, atrapalhando o plantio do arroz e do milho 1ª safra, bem como a colheita das culturas de inverno. E, com um setembro mais seco nas regiões central e norte do país, o plantio da soja não deve ser pleno no Mato Grosso. No Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul, a previsão de que ocorram pancadas de chuvas, mesmo que irregulares, já servirão para fazer o plantio. No Sudeste, o retorno do tempo seco em setembro permitirá o avanço da colheita da cana-de-açúcar, bem como finalizar as colheitas do café e do milho 2ª safra. Entretanto, sem a influência direta do El Niño, a primeira quinzena de outubro deverá ser marcada por pancadas de chuvas irregulares sobre grande parte das áreas produtoras do Sudeste e Centro-Oeste. Porém, essas chuvas não serão sinônimo da regularização do regime de chuvas, o que deve ocorrer somente no final de ou-

tubro nessas regiões e em novembro no Matopiba. Será um regime de chuvas muito parecido com 2017, com uma pequena diferença: outubro não deve ser tão seco e quente como foi no ano passado. Com um regime de chuvas mais irregular na região central do Brasil, o perigo volta a rodear o trigo, pois há previsões de que tanto setembro quanto a primeira quinzena de outubro venham a ser com chuvas mais regulares sobre as principais áreas produtoras da região Sul. Com relação às temperaturas, mesmo com a não formação clássica do El Niño, a tendência é que tanto a primavera quanto o verão tenham temperaturas mais elevadas. Sobre a safra de grãos nos EUA, mais um ano onde São Pedro foi benevolente com os produtores americanos. As chuvas ocorreram na hora e na intensidade certa, beneficiando o desenvolvimento das lavouras de soja, milho e trigo. Apenas o algodão cultivado no sul dos EUA sentiu a falta de chuvas e apresenta quebras significativas na safra. Tanto soja quanto milho devem finalizar a safra 2018/19 com índices de produtividades recordes. O USDA estimou, em relatório de agosto, produção superior a 124 MMT para soja e produção de 371 MMT para o milho. Com um cenário positivo para a América do Sul na próxima safra, o mundo deve colher em meados de 2019, uma produção superior a 300 MMT de soja e próxima a 500 MMT de milho. Haja coração para aguentar a pressão baixista para os preços das commodities nos próximos meses.


Transporte

Tabelamento de fretes: solução para caminhoneiros ou mais custo para sociedade? Neste artigo o líder associativo põe a boca no trombone contra o tabelamento dos fretes, que é considerado inconstitucional. Bartolomeu Braz Pereira *

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* O autor é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja e presidente interino da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG)

ntra ano e sai ano e os políticos brasileiros vão aprimorando sua capacidade de propor soluções cosméticas e que só geram mais custos para a sociedade. Vejamos o exemplo da paralisação dos caminhoneiros. Dentre as medidas anunciadas pelo governo federal para pôr fim à paralisação estão o subsídio ao diesel para reduzir o custo na bomba, isenção de pedágio para caminhões com eixo suspenso nas rodovias, estabelecimento de uma cota de 30% de fretes da Conab para caminhoneiros e a criação de uma tabela de fretes mínima para o transporte de cargas. Porém, a redução no custo dos combustíveis não foi sentida pelos caminhoneiros e pela sociedade, embora o custo do subsídio exista e saia do bolso do contribuinte. Neste caso, não tirou de um para dar ao outro, não foi o velho seis por meia dúzia, já que o preço final para a sociedade aumentou. Pelos princípios econômicos, a política de preços mínimos ou tabelamento promove a ineficiência do serviço, refletindo em aumento de preços, como projetado em estudo contratado pela CNA que citaremos à frente. Também contraria a Lei da Oferta e Procura. Até hoje todas as experiências de tabelamento foram malsucedidas no Brasil.

O impacto dos preços para a sociedade é uma fatura que será entregue nos próximos meses Os custos de transporte no Brasil são maiores que dos outros países grandes produtores agrícolas, dada nossa dependência pelas rodovias. Culturas como o milho, no Centro-Oeste, chegam a ter o valor do frete maior do que o produto. Com o tabelamento, o frete para o transporte do leite saltou 40% e para grãos, 30%. Segundo estudo encomendado pela Confederação da Agricultura

e Pecuária do Brasil (CNA), até o momento o impacto da paralisação foi de 12% sobre o valor da cesta básica. O feijão, por exemplo, ficou 20% mais caro. O mesmo estudo aponta que o tabelamento vai provocar um aumento de 2% na inflação anual, furando o teto da meta estabelecida pelo governo. Ou seja, o impacto desta medida para a sociedade é uma fatura que será entregue nos próximos meses. setembro 2018 – Agro DBO | 37


Agroinformática

Informática pública Existem ferramentas incríveis à disposição dos brasileiros e do governo que são mal utilizadas, pouca gente parece saber disso. Manfred Schmid *

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* O autor é engenheiro agrônomo e diretor da Agrotis Agroinformática.

ara atender às diversas obrigações legais é exigido do agricultor manter-se atualizado em vários cadastros governamentais, informando dados da propriedade e produção, inclusive georreferenciadamente. Assim, temos hoje que nos cadastrar no CAR, fazer o ITR, o SISLEG, o ADA etc., na esfera federal. Dependendo da unidade da federação em que a propriedade esteja, teremos outras obrigações estaduais, e, recentemente, até municípios já estão fazendo suas exigências. Se precisarmos de alguma certificação, a burocracia será ainda maior. Pergunto-me sempre, para quê tudo isto; será que os órgãos públicos não poderiam estar integrados em base única? O fato de o governo receber compulsoriamente toda esta informação lhe habilita para uma condição ímpar: se armazenar isso de forma lógica, estruturada, poderá explorar um enorme e valiosíssimo bigdata agrícola brasileiro. Acrescente-se ainda que o governo detém satélites, gerando informações complementares, e diversos institutos e órgãos, com poder de pesquisa, experimentação e desenvolvimento de sistemas. Com todo este aparato bem utilizado, poder-se-ia criar infinitas aplicações, com grande utilidade, tanto para políticas públicas, para fiscalização, ou gerando ferramentas de utilidade para nós, cidadãos brasileiros e do agronegócio, que, afinal, pagamos a conta. Obviamente, o sentimento que nos envolve é de revolta, por ser obrigado a pagar impostos e preencher relatórios redundantes, para

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não termos nada em troca. Mas nem tudo está perdido: já existem interessantes ferramentas criadas sobre esta informação. Aí entra outro problema: muitas destas informações, apesar de muito úteis, não são divulgadas, e, consequentemente, são pouco utilizadas. Um exemplo claro disso é o portal SATVeg: Sistema de Análise Temporal da Vegetação, ferramenta web de sensoriamento remoto desenvolvida pela Embrapa Informática Agropecuária (https://www.satveg. cnptia.embrapa.br/satveg/). Esta plataforma, de uso público e gratuito, permite visualização de perfis temporais dos índices vegetativos NDVI e EVI, de qualquer local da América Latina. Traduzindo: todas as propriedades rurais vêm sendo fotografadas por satélite, desde 2002, com imagens RGB (como enxergamos com o olho humano) e NIR (pegam ondas de infravermelho próximo, não visíveis ao olho humano) e, somadas, geram imagens NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) que mostram a atividade fotossintética das plantas, podendo ser utilizada para analisar a vegetação e sua saúde. Com este site,

qualquer um pode verificar a data de plantio e colheita de uma lavoura (por exemplo, se você respeita o vazio sanitário da soja); a data de desmatamento; e ter noção da cultura que ocupou cada talhão nos últimos 15 anos. Podemos imaginar diversas aplicações, não só para a fiscalização pública, mas, por exemplo, para a securitização das lavouras; para crédito rural; para perícias e avaliações; para dizer a idade de um reflorestamento; e até para os próprios proprietários auditarem remotamente a atividade agrícola em suas áreas. Recentemente, vi uma interessante aplicação desta ferramenta na fiscalização de campos de produção de sementes. Na imagem desta página, no portal SATVeg, analisei uma área hoje irrigada por pivô central. Mesmo sem conhecer o local, posso deduzir, pelo gráfico, que em 2010 ela foi desmatada, sendo preparada para agricultura que iniciou na safra 2012/2013, e anos depois, com a irrigação, passou a permitir mais de uma safra ao ano. O SATVeg é um belo exemplo de como a informática vem crescendo, e trazendo oportunidades para quem estiver preparado.


Opinião

Candidatos a presidente: muita atenção! O autor informa aos políticos as propostas do agro, pois é importante que eles tenham noção do que representamos no país. Decio Luiz Gazzoni *

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or mais que me esforce, não consigo vislumbrar qualquer setor da economia brasileira que, na próxima década, possa desbancar o protagonismo do agronegócio, se considerarmos os seguintes parâmetros:

No momento, o agronegócio é o único setor da economia brasileira com verdadeira expressão global, com seus produtos presentes em, praticamente, todos os países do planeta, e com vendas expressivas para os principais mercados (União

Se o governo não pode fazer, que propicie condições para que a iniciativa privada o faça

* O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja e membro do Conselho Editorial da Agro DBO.

1) contribuição ao crescimento do PIB; 2) contribuição à geração de empregos e oportunidades de renda; 3) interiorização do desenvolvimento; 4) geração de tributos para os governos; 5) exportações contínuas e garantidas; e 6) geração de divisas. O agronegócio responde por mais de um quarto do PIB brasileiro, tendo sido o único setor da economia com números positivos quando o Brasil afundou na recessão, a partir de 2014. Não fora o agro, e estaríamos em situação ainda pior. A eficiência do agro também permite garantir o fornecimento de alimentos à população, a preços acessíveis. O Brasil está assolado com taxas de desemprego superiores a 10%, há quase dez anos. Este é um fenômeno tipicamente urbano. No campo, sobram ofertas de vagas não preenchidas por falta de qualificação, o que obriga a automação e mecanização do campo em grande velocidade, para atender a demanda para produzir sempre mais e melhor. No campo não falta emprego.

Europeia, América do Norte e Ásia). Em 2017 apenas europeus, chineses e americanos compraram 53% dos nossos produtos agrícolas, com valor superior a US$ 50 bilhões. No total, ultrapassamos US$ 100 bilhões

em exportação, e o saldo comercial do agronegócio sustenta os demais setores. Financia não apenas as importações de outros setores, como permite manter o fluxo de viajantes brasileiros ao exterior, seja a turismo ou negócios. As grandes metrópoles brasileiras estão submetidas a uma enorme pressão, que incha suas periferias, gerando demandas infinitas para recursos públicos finitos, o que impede o atendimento das necessidades básicas da população. Ao gerar exuberantes polos de desenvolvimento no interior do país, o agronegócio contribui para mitigar o problema, melhorando a qualidade de vida, a atenção à saúde, com melhor educação e menos insegurança. É sempre importante atentar que, onde o agronegócio é forte e florescente, a qualidade de vida, medida pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é sempre maior. Portanto, senhores candidatos a Presidente da República, muito carinho e muita atenção para este setor da economia que tem sido a locomotiva da economia brasileira, que também o será ao menos nos próximos dez anos. O agronegócio não pede favores, pede que o governo atenda as necessidades de infraestrutura, logística, crédito, segurança jurídica, tecnologia e assistência técnica. Se o governo não puder fazê-lo com seus próprios recursos, que propicie a oportunidade para que a iniciativa privada o faça. setembro 2018 – Agro DBO | 39


Manejo

Como conhecer seu solo e sua saúde Temos solos diversos em lavouras, mas a maioria é pobre, e só a ciência agronômica pode responder como melhorar essa qualidade Hélio Casale *

* O autor é engenheiro agrônomo, cafeicultor, consultor e membro do Conselho Editorial da Agro DBO.

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a leitura dos livros encontramos ideias e conceitos teóricos e práticos sobre todas as ciências. Uma leitura recente da bibliografia agronômica me deixou entusiasmado sobre como enriquecer nossos solos. Trata-se do livro “Manual do solo vivo”, que é um exemplo digno de ser ressaltado por suas qualidades e cuja leitura recomendo enfaticamente. A autoria é da doutora Ana Maria Primavesi, que é austríaca de nascimento, mas desde os primeiros anos vive no Brasil, e já é nonagenária. Engenheira agrônoma, ela é uma apaixonada pela agricultura e por solos vivos e equilibrados, e é adepta de uma agricultura integrada ao ecossistema, coisa difícil de ser entendida hoje em dia com os plantios de grãos em larga escala. Em sua longa atividade tornou-se legendária. Com visão diferenciada ela vem divulgando ideias de manejo do nosso solo tropical que nem sempre são aceitas pela comunidade científica, mas que no dia a dia estão mostrando seu acerto. Vejamos, resumidamente, o que ela pensa e nos presenteou no livro Manual do solo vivo. Uma mulher grávida que recebe pouco cobre na alimentação, mas geneticamente necessitaria de mais, vai ter um filho cujo cérebro não se desenvolverá adequadamente. Se uma criança recebe menos iodo do que o necessário, nasce com cretinismo. Se for de-

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ficiente em manganês, provavelmente será aleijada, bem como os animais. Se, com sua dieta diária, ela recebe menos zinco do que geneticamente é programado, será mentalmente atrasada e muito “parada”, ou seja, quase deficiente mental. O zinco é o “lixeiro” do sangue. Se um atleta recebe zinco não se cansa tão rápido. O psiquiatra gaúcho Juarez Callegaro evidencia que chumbo, cádmio e outros metais tóxicos estão em excesso nas pessoas violentas. O homem é o que o solo faz dele. O solo é o alfa e o ômega, o início e o fim de tudo. Em cerca de 2% dos nascimentos as crianças nascem com sérias deficiências, com problemas de deformações ou com outras anomalias. Sempre dizem que é genético. Mas, pouco a pouco, descobrem-se as razões. Em geral, é algum desequilíbrio mineral grave na alimentação das mães. O corpo humano, como tudo o que é vivo na Terra, é feito de carbono, água, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio etc., e que torna a ser água, oxigênio, carbono e minerais depois de morrer. O que é material no homem, ou seja, o seu corpo, é feito de minerais (em torno de 7% da massa), sendo os outros 93% de Carbono, Oxigênio e Hidrogênio, sendo 70% na forma de água que vem da terra e voltam a ser terra. Portanto, o homem é o que a terra,

SOLO SADIO, PLANTA SADIA, HOMEM SADIO. Manual do Solo Vivo Autora: Dra. Ana Maria Primavesi Editado pela Editora Expressão Popular – 2º Edição, em março de 2016. 206 pgs.

ou o solo, faz dele, isto é, o que ele recebe através de sua alimentação. Portanto, Solo sadio – Planta sadia, Homem sadio. Tanto o solo tropical como o de clima temperado é um ecossistema. A palavra sistema é utilizada para dizer que muitos fatores interligados fazem funcionar uma determinada estrutura organizada. Vale lembrar que um solo tropical, em estado nativo, produz 5,5 vezes mais biomassa que o solo temperado. Ele é muitíssimo mais


produtivo enquanto puder trabalhar dentro de suas condições, mas quando é obrigado a funcionar dentro das condições de clima temperado trabalha muito precariamente. Se pragas e doenças atacam as plantas, o solo necessita ser recuperado e sanado. O uso de todos os defensivos, inclusive feromônios e joaninhas, deve ser ocasional e nunca rotineiro, como em uma transição do convencional para o natural, e ecológico. A rotina tem de ser melhorar o solo. Os segredos do solo tropical A rápida reciclagem do material vegetal e sua inter-relação com a enorme quantidade de microvida (20 milhões de fungos e bactérias por cm³ de terra) e a atividade das raízes são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento da mais frondosa floresta tropical do mundo, a Amazônia, sobre solos extremamente pobres do ponto de vista químico. A enorme biodiversidade nos ecossistemas naturais é o que permite o crescimento de diferentes plantas explorando o mesmo espaço de solo. Com isso, aumentam as excreções radiculares, o número e as espécies de micróbios, a mobilização de nutrientes e, consequentemente, o crescimento vegetal. O intenso e profundo enraizamento no solo permite a exploração de um volume muito grande de terra, mas proporciona também acesso à água fresca e abundante – abaixo de 50 cm a temperatura do solo ra-

ramente passa de 25ºC e este dificilmente seca. Em enormes áreas recém-desmatadas plantam-se monoculturas sem grande preocupação com a matéria orgânica aplicando nutrientes quimicamente refinados como o NPK+Zinco e Boro principalmente, após correção do pH do solo para próximo de neutro, por meio da calagem, e empregando-se ainda herbicidas e defensivos químicos. Com isso, morre a maior parte da microvida do solo e encaminha-se para o desequilíbrio nutricional. Quanto mais desequilibrados os nutrientes estiverem, tanto mais ami-

– enchentes – seca. Rios e cacimbas são assoreados. Água fica poluída, mais rara e mais cara a cada dia. Começa a faltar água doce em várias áreas do planeta. O vento entra livremente nas áreas desprotegidas, levando até 750 mm de umidade por ano. O uso racional da palhada, cobertura morta, tem o mesmo ou até melhores resultados que a adubação química convencional. Ecológico é prevenir os parasitas, de qualquer espécie. Aminoácidos são substâncias inacabadas, precursores de proteínas.

O homem é o que o solo faz dele. O solo é o alfa e o ômega, o início e o fim de tudo. noácidos livres e açúcares redutores circulam na seiva das plantas. Como decorrência, temos a produção de alimentos de baixo valor nutricional e poluídos, provocando o aumento das doenças em seres humanos. A calagem intensa praticada na agricultura convencional faz com que os agregados do solo se desagreguem, tornando o solo adensado, especialmente onde não ocorre retorno adequado dos restos vegetais. Deixando o solo limpo, exposto ao impacto das chuvas, ele se compacta ou adensa, e a insolação direta pode aquecer tanto a ponto de matar parte do sistema radicular superficial. Por outro lado, a água das chuvas caídas em solos compactados faz erosão

Nos diferentes sistemas de plantio é importante que não se use cultivos alelopáticos. Exemplo: leguminosas com cebola, alho. Batata com girassol. Como cada variedade possui um sistema de absorção diferente e excreta substâncias diferentes, ambas valem como duas espécies distintas. Fortalecer raízes pela aplicação de Boro – 8 a 30 kg/ha. Assim, os plantadores de cítricos controlam o “amarelinho”, e plantadores de goiaba combatem a maior parte das doenças. Tornar o solo protegido para aumentar o sistema radicular – deixando as raízes seguirem a água que recua no solo.

setembro 2018 – Agro DBO | 43


Meio Ambiente

Mais mel, mais apis Os agricultores brasileiros precisam aprender a trabalhar em parcerias com as abelhas, conforme recomendação do autor. Túlio Teixeira de Oliveira *

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PRODUÇÃO DE MEL NO BRASIL – EM TONELADAS 1995

2000

2005

2010

2015

2016

18.122

21.865

33.791

38.016

37.815

39.590 Fonte: IBGE

Antes de tudo é necessário destacar no cenário apícola e meliponícola brasileiro a predominância de abelhas africanizadas, fator diferencial significativo em relação ao cenário europeu. De tal forma que, em perspectiva real, as abelhas daqui vão muito bem, obrigado. O IBGE comprova o constante crescimento da produção de mel. Os principais estados produtores são: Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais, Piauí, São Paulo, Santa Catarina, Ceará e Maranhão. A produção é bem difundida em todo o país, indicando que diferenças climáticas não afetam as abelhas, salvo em condições de extrema seca ou grandes inundações. É claro que abelha não é só mel, elas nos dão também própolis e uma infinidade de derivados usados em cosméticos, medicamentos e outros usos. Mas, queremos destacar o processo de polinização de muitas plan-

Paulo Lanzetta - Embrapa

* o autor é engenheiro agrônomo e diretor executivo da AENDA – Associação Nacional dos Defensivos Genéricos.

ste ano a Europa proibiu o uso de três produtos neonicotinoides (Imidacloprid, Tiametoxam e Clotianidina) em desfecho de longo processo disparado com a constatação da Síndrome do Colapso das Colônias – CCD. Os três produtos foram considerados a principal causa da mortandade das abelhas. A ciência não concorda em uníssono com esse final, mas a política vestida de precaução sustentável venceu nos fóruns e comissões oficiais. No Brasil foi iniciado em 2012 também um processo, aqui chamado de Reavaliação, para comprovar o dano às abelhas causado pelos três produtos e incluso um quarto, o Fipronil, que não é neonicotinoide. Como assim? As abelhas estão desaparecendo no Brasil? Não importa, no Brasil existe também o modismo da precaução sustentável, além de um clima anti-agrotóxico difundido pela mídia e acirrado pelo Ministério Público Federal. A mídia é compreensível, pois se alimenta de polêmicas e escândalos; mas o MPF é no mínimo estranho, uma vez tratar-se de um agente do estado cujo objetivo maior é defender a ordem. É inaceitável que incentive, e até dê suporte a fóruns contra agrotóxicos em todo o país. Visto que o setor de defensivos já é dotado das normas mais rígidas do planeta, o MPF não pode pretender arvorar-se como protagonista na criação de novas legislações. Não tem competência para tal. Se o MPF acha que a Anvisa, o Mapa, o Ibama, não estão cumprindo a sua missão com competência, que fale claramente e não se esconda nas discussões de fóruns sem quaisquer qualificações científicas.

tas, que assegura parte da alimentação humana. Neste sentido a polinização deve ser reconhecida como um insumo agrícola, e, como tal, demandar serviços e manejos adequados. É dever da agricultura moderna, tecnológica e responsável apoiar os polinicultores na tarefa de evitar nas colmeias a proliferação de doenças e a introdução de espécies invasoras; e, conservar e restaurar habitats na paisagem agrícola para refúgio dos polinizadores e usar produtos fitossanitários com o máximo rigor preventivo à vida destes benéficos insetos. Nossa agricultura teve um crescimento exponencial nas últimas três décadas e precisamos ter um olhar mais racional sobre o insumo “polinização”. Por aqui, só produtores de maçã e melão alugam colmeias para incrementar a produtividade, com carga adicional de polinização na florada. Os agricultores em geral precisam utilizar esse método e isso passa por muita divulgação de conhecimento, levando a uma mudança de mentalidade e atitude. O aluguel de colmeia exige calendarização das floradas por região e aperfeiçoamento no transporte das mesmas para minimizar perdas e perturbações dos insetos. Esse movimento positivo para a agricultura forçará inclusive a adoção de manejo especial na aplicação dos defensivos, via terrestre ou aérea, com o objetivo de evitar o contato das abelhas com essas substâncias.


Calendário de eventos

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SETEMBRO

EsalqShow 2018/ Fórum de Inovação para o Agronegócio Sustentável – De 9 a 11 – Escola Superior

– Centro de Convenções – Goiânia (GO) – Fone: (19) 3417-2138 – Site: www.simposiocerrado.com – E-mail: simposiocerrado2018@gmail.com

de Agricultura Luiz de Queiroz – Piracicaba (SP) – Fone: (19) 34294004 – Site: www.fealq.org.br/ esalqshow – E-mail: esalqshow@ fealq.org.br

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III Simpósio Desafios da Fertilidade do Solo na Região do Cerrado – De 5 a 6

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Irrigashow 2018 – De 5 a

6 – Distrito de Campos de Holambra – Paranapanema (SP) – Fone: (14) 3769-1788 – Site: www. irrigashow2018.com.br – E-mail: aspipp@aspipp.com.br

17

III International Conference on Agriculture and Food in an Urbanizing Society – De 17 a 21 – Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Porto Alegre (RS) – Fone: (51) 3308-1191 – Site: http:// agricultureinanurbanizingsocietycom.umbler.net/ – E-mail: alimentossaudaveis.workshop@gmail. com

21

Workshop Florestar 2018/ Tecnologia e Manejo de Florestas Plantadas – Dia 21 –

Auditório do Senar/MT – Cuiabá (MT) – Fone: (65) 3621-1314 – Site: www.arefloresta.org.br – E-mail: florestar2018@industriadeeventos. com.br

25

XI ENSub/Encontro Nacional sobre Substratos para Plantas – De 25 a 27 – Hotel

Continental – Canela (RS) – Fone: (19) 3243-0396 – Site: www.ensub.com.br – E-mail: eabramides@terra.com.br

OUTUBRO

2

ConBAP 2018/Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão – De 2 a 4 – Expo Unimed – Curitiba (PR) – Fone: (43) 3025-5223 – Site: www.conbap2018. asbraap.org – E-mail: conbap2018@ fbeventos.com

11

9ª Exposição Nacional de Híbridos de Orquídeas

– De 11 a 21 – Parque de Feiras e Exposições Wanderley Agostinho Burmann – Ijuí (RS) – Site: www. expoijuifenadi.com.br – E-mail: expoijui@aciijui.com.br

20

7° GeoPantanal/Simpósio de Geotecnologias no Pantanal – De 20 a 24 – Centro de Convenções Oswaldo Fernandes Monteiro- Jardim (MS) – Site: www. geopantanal.cnptia.embrapa.br

23

3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio – De 23 a 24 –

Transamerica Expo Center – São Paulo (SP) – Fone: (11) 5643-3056 – Site: www.mulheresdoagro.com. br – E-mail: mulheresdoagro@ transamerica.com.br

23

51º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel e X Congresso Ibero-americani de Celulose e Papel – De 23 a 25 – Transamerica Expo Center – São Paulo (SP) – Fone: (11) 3874-2715 – Site: www.abtcp2018.org.br – E-mail: congresso@abtcp.org.br

25

2º Boron Day Brazil – Dia 25 – Anfiteatro da

Faculdade de Engenharia (Esalq/ USP) – Piracicaba (SP) – Fone: (19) 3203-6774 – Site: www. borondaybrazil.com.br – E-mail: eabramides@terra.com.br

10/9 – XXXII CNMS/Congresso Nacional de Milho e Sorgo – De 10 a 14 – Universidade Federal de Lavras (UFLA) – Lavras (MG) – Fone: (43) 3025-5223 – Site: www.abms.org.br – E-mail: cnms2018@ fbeventos.com Promovido pela ABMS – Associação Brasileira de Milho e Sorgo, o CNMS é o principal fórum de debates do país sobre as duas culturas. Da programação deste ano constam conferências, palestras, workshops, painéis e minicursos sobre diversos assuntos, entre os quais manejo de pragas, doenças e plantas daninhas; inovações em máquinas agrícolas, em agricultura de precisão, em sementes e em defensivos; avanços no melhoramento genético e em biotecnologia; cultivo de milhos especiais; cooperativismo e produção de grãos; novas startups em agricultura; industrialização, processamento e comercialização; mercado e outros temas.

29

18ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Álcool – De 29 a 30

– Grand Hyatt Hotel – São Paulo (SP) – Fone: (11) 4133-3944 – Site: www.conferenciadatagro.com.br – E-mail: datagro@datagro.com

NOVEMBRO

7

6ª SIC/Semana Internacional do Café – De

7

39° Expovel – De 7 a 12 –

7 a 9 – Expominas – Belo Horizonte (MG) – Fone: (11) 3586-2233 – Site: http://www. semanainternacionaldocafe. com.br – E-mail: contato@ semanainternacionaldocafe.com.br

Parque de Exposições Celso Garcia Cid – Cascavel (PR) – Fone: (45) 3228 2526 – Site: www. expovel.com.br

12

II SLABA/Simpósio Latino-americano sobre Bioestimulantes na Agricultura e IX RBIRPP/Reunião Brasileira sobre Indução de Resistência em Plantas e Patógenos – De 12

a 24 – Centro de Cultura e Eventos (UFSC) – Florianópolis (SC) – Fone: (48) 3721-5423 – Site: www. bioestimulantes.ufsc.br – E-mail: bioestimulantes2018@contato. ufsc.br

19

10ª Agrocampo – De 19 a

25 – Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro – Maringá (PR) – Fone: (44) 3261-1700 – Site: www.srm.org.br – E-mail: srm@srm.org.br

20

Agrobit Brasil 2018 –

De 20 a 21 – Parque de Exposições Governador Ney Braga – Londrina (PR) – Fone: (43) 30255223 – Site: www.agrobitbrasil. com.br – E-mail: agrobitbrasil@ fbeventos.com

setembro 2018 – Agro DBO | 45


Novidades no campo Controle de insetos e nematoides

Nutrição balanceada

▶no Brasil, a Arysta expôs vários produtos de seu Como parte das comemorações de seus 50 anos

▶completa o programa de tratamento de sementes TS Lançamento da Rotam, o Cinelli 600 FS (Fipronil)

Rotam, um “pacote” de proteção de plantas contra pragas, ao lado de outros dois inseticidas da empresa: Saluzi 600 FS (Imidacloprid) e Saddler 350 SC (Thiodicarb). O Cinelli é indicado para o controle de insetos mastigadoras; o Saluzi, para o combate às pragas iniciais de solo e da parte aérea das plantas, como a mosca-branca, o pulgão do algodoeiro e o percevejo barriga verde; o Sadller, para controle dos nematoides-de-galha e nematoides-das-lesões, além das lagartas elasmo e da cigarrinha-das-pastagens.

Combate ao bicho-mineiro

portfólio no VIII Congresso Andav, realizado no mês passado em São Paulo (SP). Um dos destaques foi a Poliquel, uma linha de nutrientes para aplicação foliar e tratamento de sementes de alta solubilidade enriquecidos com concentrações balanceadas de magnésio (Mg), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn). Segundo recomendação da empresa, os fertilizantes devem ser aplicados por aspersão na folhagem ou dissolvidos em água de irrigação por gotejamento.

Fertilização combinada

▶tecnologia Nutriform, entrega potássio (K) e duas for-

O Aspire, da Mosaic, é um fertilizante que, por meio da

mas de boro (B) em um mesmo grânulo, aumentando a capacidade produtiva das plantas. A tecnologia combina duas “velocidades” de liberação: a imediata, na qual uma das formas de boro está prontamente disponível para a planta; e a gradual, onde a outra forma é liberada aos poucos, durante o desenvolvimento de lavoura. “Os micronutrientes atuam na formação das paredes celulares das plantas, desempenhando papel importante no transporte de açúcares”, ressalta o gerente de produtos da empresa, Flávio Bonini.

Indução de resistência

▶dav, a Kimberlit Agrociências apresentou (em

Também presente no VIII Congresso da An-

▶controle de pragas por meio de aplicação foliar, o Mir-

Inseticida fisiológico de ingestão, indicado para o

za 480 SC, também da Rotam, foi liberado para ser utilizado no combate ao bicho-mineiro (Leucoptera coffeella), uma das mais temidas pragas dos cafezais. Em testes realizados em plantas da variedade Catuaí vermelho, a fim de avaliar sua efetividade na incidência do inseto aos 63 dias após sua aplicação, conseguiu reduzir a incidência a 10%, contra 86% na testemunha. A empresa recomenda aplicar o produto no início do aparecimento da praga e realizar mais duas aplicações durante o ciclo da cultura, em um intervalo de 14 dias. 46 | Agro DBO – setembro 2018

pré-lançamento) seu novo produto, o Cash, capaz, conforme anúncio da empresa, de induzir os genes de resistência das plantas, agindo como imunoestimulante. “Ele promove maior atividade fisiológica e aumenta a resistência de culturas afetadas por pragas e doenças”, explica o pesquisador Juscelio Ramos de Souza. “O Cash pode ser aplicado em todas as culturas de interesse econômico, como algodão, soja, café, citros, cana-de- açúcar, feijão, milho, frutas, legumes e verduras”, destaca Souza.


Novidades no campo Colheita florestal

▶teiras é uma máquina compacta (14 toneladas, sem Novidade da Komatsu, a PC 1030 Harvester sobre es-

Nova série de tratores MF

o cabeçote), ideal para o primeiro e o segundo desbastes, segundo a empresa. Possui motor de quatro cilindros e 98 HP de potência, com injeção direta e turbo alimentado com aftercooler. Além do tamanho reduzido, caracteriza-se pelo cabeçote robusto, com apenas 829 kg e capacidade de corte de 580 mm de diâmetro, e pelo sistema de monitoramento via satélite, através do qual é possível acompanhar sua localização (via GPS), saber as horas trabalhadas, o consumo de combustível, gerenciar, enfim, toda a operação.

▶ter, realizada em Esteio (RS), foi a nova série de tratoO grande destaque da Massey Fergusson na Expoin-

res MF 8700 Dyna-VT com transmissão CVT. A empresa apresentou pela primeira vez no país o modelo MF 8737 Dyna-VT (acima), caracterizado pela robustez, potência de 370 cv, vazão do sistema hidráulico de 205 l/min e torque elevado. Preparado para trabalhar com grandes implementos e baixo consumo de combustível, possui levante hidráulico frontal (opcional) e capacidade do levante hidráulico traseiro de 12 toneladas. A marca também apresentou, pela primeira vez na região sul, as linhas MF 5700 e MF 4700 de 75 a 105 cv.

Manejo de plantas daninhas

▶cular, indicado para o manejo de plantas daninhas de difícil controle. Segundo a empresa, é um produto seletivo para a cultura Lançamento recente da Basf, o Amplexus (Imazapic + Imazapyr) é um herbicida de ação sistêmica, com absorção foliar e radi-

da soja geneticamente modificada tolerante ou não tolerante às imidazolinonas e para a cultura do milho tolerante ao grupo das indanazolinas. O Amplexus também atua no manejo de dessecação em pré-plantio de soja, com eficiência no controle de invasoras de folhas estreitas e largas, com destaque para o capim-amargoso (Digitaria insularis).

Controle do mofo-branco

Transporte de vinhaça

▶jo, um produto de contato do grupo químico

▶to em Sertãozinho (SP), para apresentar seus novos

A Adama anunciou o registro no Brasil do Ban-

da Fenilpiridinilamina, indicado para o controle do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) nas culturas de soja e feijão. Formulado em Suspensão Concentrada (SC), também é recomendado para combater a pinta-preta (Alternaria solani), a requeima (Phytophthora infestans), a sarna-comum (Streptomyces scabies) e a sarna-pulverulenta (Spongospora subterranea) em diversas culturas. De acordo com a empresa, a aplicação do fungicida no sulco de plantio também controla a Rizoctoniose (Rhizoctonia solani) em lavouras de batata.

A Engcom escolheu a Fenasucro, realizada em agos-

tanques de transporte de vinhaça, em formato de gota. Com capacidade para 18 m³ até 36 m³, podem ser acoplados a “cavalos” já utilizados pelas usinas. Conforme a Engcom, o design melhora a estabilidade do conjunto, pois o centro de gravidade situa-se 235 mm abaixo ao de equipamentos similares. “Outra vantagem é o peso. É 500 kg mais leve que os tanques convencionais, o que reflete diretamente no consumo de combustível e no desgaste dos pneus”, diz Arnaldo Gatto, diretor da empresa. setembro 2018 – Agro DBO | 47


Biblioteca da Terra Classificação de solos

A Embrapa lançou no mês passado, durante o XXI Congresso Mundial de Ciência do Solo, realizado no Rio de Janeiro (RJ), a 5ª edição, revisada e ampliada, do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), livro referencial para agricultores, pesquisadores e estudantes desde 1997. A obra, agora com ajustes, correções de conceitos e incorporação de novas categorias e classes de solos, ganhou uma inédita versão em inglês e, pela primeira vez, está disponível gratuitamente em formato e-book. O link para download é https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/ publicacao/1094003/sistema-brasileiro-de-classificacao-de-solos

Áreas propícias para ILPF

A publicação Documentos 114, intitulada Análise multicritério para planejamento em sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, condensa o esforço de pesquisadores da Embrapa e de instituições parceiras na identificação de áreas no território brasileiro que reúnem condições favoráveis para a implementação de projetos de produção integrada. Segundo os autores, a ILPF é capaz de promover a intensificação do uso do solo, com aumentos de produção e produtividade, e reduzir a pressão pela abertura de novas áreas de vegetação para implantação de lavouras ou criatórios de gado, além de oferecer serviços ambientais cujos benefícios extrapolam os limites da propriedade rural. “O estímulo à adoção da estratégia de produção agropecuária depende, em grande parte, das ações de transferência de tecnologia”, afirmam os pesquisadores, justificando o teor da publicação. Para acessá-la, o link é https://www.embrapa.br/busca-depublicacoes/-/publicacao/1093417/ analise-multicriterio-paraplanejamento-em-sistemas-deintegracao-lavoura-pecuaria-e-floresta

48 | Agro DBO – setembro 2018

Solo para todos

Além da publicação acima, a Embrapa apresentou outros livros no XXI Congresso Mundial de Ciência do Solo, entre os quais Solos para todos - Perguntas e respostas, relacionando dúvidas recorrentes de produtores rurais, técnicos e estudantes. Os autores computaram mais de 200 questões sobre formação, fases de evolução, estrutura, composição, classes (amarelo, vermelho, cinza, preto, marrom) e função do solo; características morfológicas, fertilidade, correção e degradação; nutrição vegetal, compostagem, análise de solo e de água. O acesso ao conteúdo é gratuito. O link é https://www.embrapa.br/ tema-solos-brasileiros/perguntas-e-respostas

Risco de contaminação

Lançamento da Abitrigo – Associação Brasileira da Indústria do Trigo, em parceria com a Embrapa, a Cartilha do Agricultor – Micotoxinas no Trigo foi organizada de acordo com os seguintes tópicos: maneiras de minimizar os riscos da contaminação; amostragens; cuidados e monitoramento da lavoura; legislação e regulamentos. A publicação traz os atuais limites máximos de tolerância para micotoxinas – deoxinivalenol (DON), zearalenona (ZEA), ocratoxina A (OCRA) e aflatoxinas B1, B2, G1 e G2 – em alimentos. A edição impressa foi distribuída a triticultores e técnicos. A versão online está disponível no site www.abitrigo.com.br.

Cuidado com as lagartas

Publicada pelo Instituto Mato-grossense do Algodão, a circular técnica Helicoverpa armigera: ameaça a lavouras Bt de algodoeiro traz resultados de ensaios sobre a evolução da resistência desta espécie de lagarta à proteína Cry (produzida pela bactéria B. thuringiensis). Os autores também relacionam métodos de controle, como a adoção de áreas de refúgio, de preferência em parceria com vizinhos, visando prolongar a vida útil de tecnologias ainda eficientes no combate à praga. A publicação pode ser acessada pelo link http://www. imamt.com.br/system/anexos/arquivos/374/original/circular_tecnica_ edicao35_bx_(1).pdf?1533999469


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setembro 2018 – Agro DBO | 49


Legislação

A importância do ITR Vence no fim de setembro o prazo para entrega da declaração do imóvel rural. Não perca a data, e tome cuidado com os valores. Fábio Lamonica Pereira *

O

Imposto Territorial Rural – ITR (regulado pela Lei nº 9.393/96) é de competência federal e deve ser pago anualmente pelos proprietários ou possuidores de imóveis rurais, sendo que a Declaração (DITR) deve ser entregue até o último dia útil do mês de setembro de cada ano.

relativos à área do imóvel e seu grau de utilização, variando a alíquota de 0,03% até 20%. Quanto maior o grau de utilização, menor a alíquota do imposto e, quanto ao tamanho, as áreas menores são taxadas com percentuais mais vantajosos. A Receita Federal exige o ato declaratório ambiental – ADA

O cálculo do imposto é realizado mediante a apuração do Valor da Terra Nua – VTN

O autor é advogado especialista em Direito Bancário e do Agronegócio

A fiscalização e cobrança são de responsabilidade da Receita Federal que pode firmar convênios (Decreto nº 6.433/2008) para repassar tal função, como no caso dos mais de dois mil municípios que ficam com a totalidade do respectivo montante arrecadado. A declaração, a exemplo do que ocorre com o Imposto de Renda, é realizada pelo contribuinte e fica sujeita à fiscalização e correção pelo órgão fiscalizador, o que inclui a aplicação de multas, cobrança de juros etc. O cálculo do imposto é realizado mediante a apuração do Valor da Terra Nua – VTN (Calculado e divulgado pelas Secretarias de Agricultura estaduais), ou seja, somente da terra, excluídas construções, benfeitorias, culturas permanentes ou temporárias etc. Também não são tributadas as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Florestal Legal – RFL. Para o cálculo do imposto devido são confrontados os dados

50 | Agro DBO – setembro 2018

(instituído pela Lei nº 6.938/81), entregue anualmente perante o Ibama, para a exclusão de áreas não tributáveis. Desde 2017 também passou a ser requerida a vinculação das informações do Cadastro Ambiental Rural – CAR, o que, se acredita, acabará por substituir a exigência relativa ao ADA. Ressalte-se que o judiciário entende ser dispensável o ADA para que o contribuinte tenha direito às respectivas isenções, desde que haja a averbação da Reserva Legal junto à matrícula do imóvel, sendo dispensada quanto às Áreas de Preservação Permanente. Outro ponto adotado pelo judiciário (STJ – Superior Tribunal de Justiça) e que deve, obrigatoriamente ser seguido pelos demais juízes e tribunais, diz respeito à destinação do imóvel. Ainda que localizado em área urbana, se a destinação for, comprovadamente, para exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou

agroindustrial, o imposto a ser pago será o ITR e não o IPTU. O ITR também serve de parâmetro para a apuração de imposto sobre a renda na alienação de imóveis rurais, o chamado ganho de capital, com alíquota de 15%. Para imóveis adquiridos a partir do ano de 1997 considera-se a diferença do Valor da Terra Nua declarada na aquisição e a alienação, constantes do ITR. Para imóveis adquiridos em data anterior, considera-se o valor de aquisição aquele constante da respectiva escritura. Segundo, ainda, a conhecida normativa nº 84/2001 da Receita Federal, caso o imóvel seja adquirido e vendido antes da entrega da declaração do ITR, a apuração do ganho de capital será calculada entre a diferença do valor de alienação e o custo de aquisição; se o imóvel for adquirido antes da entrega da declaração e vendido, no mesmo ano, após a entrega, não haverá ganho de capital; e caso não tenha sido apresentada declaração em relação ao ano de aquisição ou de alienação ou a ambos, tanto o valor do custo de aquisição quanto o de alienação serão os que constarem das respectivas escrituras públicas. O produtor deve ficar cada vez mais atento à correta declaração do ITR e às novidades que a cada ano são implementadas uma vez que essas inovações trazem consequências não somente em sua atividade produtiva como nas transações futuras de compra e venda de propriedades rurais.


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Revista Agro DBO 103 - setembro de 2018  

Água sob medida - Novas tecnologias e bons resultados na lavoura garantem a expansão da área irrigada no Brasil. Os fabricantes vêm inundand...

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