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Portal Cinema MAGAZINE

ENTREVISTAS CRÍTICAS

ESPECIAL ESPANHA

HISTÓRIAS DO CINEMA

4ª Edição Maio 2020


TABLE OF CONTENTS

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Carta do Editor Thrillers Espanhois Contratiempo Durante La Tormenta El Aviso El Bar El Silencio de la Ciudad Blanca El Silencio del Pantano Hogar El Guardián Invisible Legado en Los Huesos Secuestro Séries Espanholas Recomendadas Críticas 100% Camurça Love Wedding Repeat Milagre na Cela 7 Rainha de Copas

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Sérgio The Golem The Perfection Uncorked Entrevista Damien LeVeck Crítica The Cleansing Hour Sugestões Cinematográficas 18 Filmes de Terror Netflix Bingo! Histórias do Cinema: Joker Crónica - O Novo Paradigma do Cinema Notícias Rápidas

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CARTA DO EDITOR

Quando se escreveu a Carta de Editor da Portal Cinema Magazine de Abril esperaríamos que, por altura do lançamento da Edição de Maio, já conseguíssemos incluir uma secção de críticas a filmes que estivessem a ser exibidos nas salas de cinema. Isto significaria que a Pandemia já estaria controlada e a normalidade estaria a regressar ao nosso país. Embora a situação em Maio seja mais tranquila que a de Abril, certo é que ainda vivemos num clima de grande incerteza. Mas os cinemas, para já, deverão só regressar a tempo da Edição de Junho. Nesta edição de Maio continuamos a explorar o Mundo da Netflix e das Plataformas de Streaming que são, aliás, o tema da nossa crónica final. Exploramos também a história por detrás da conturbada produção do aclamado "Joker" e, claro está, damos várias sugestões de filmes para ver se ainda está em quarenta. No nosso espaço dedicado às críticas debruçamos-nos em produções dos catálogos Netflix e Filmin, mas nesta edição de Maio decidimos também dar um merecido destaque às produções espanholas. Reunimos críticas dos principais thrillers espanhóis presentes no catálogo Netflix e, ainda, damos quatro sugestões de séries espanholas que não pode perder. Um dos grandes destaques desta edição de Maio da Portal Cinema Magazine é a nossa entrevista com o realizador Damien LeVeck, autor do filme de terror "The Cleasing Hour" que foi uma das grandes revelações do Festival de Sitges....em Espanha!

Pikrepo - Free Image


THRILLERS DO CINEMA ESPANHOL NA NETFLIX


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CONTRATIEMPO

Realizador Oriol Paulo Elenco  Mario Casas, Ana Wagener, Jose Coronado Género  Thriler Sinopse Enquanto o tempo se esgota, com a ajuda de uma especialista em preparação de testemunhas, um empresário bem sucedido, acusado do homicídio da sua amante num quarto de um hotel completamente fechado por dentro, tem menos de três horas para conseguir uma defesa inexpugnável que o livre de ir parar à prisão.

Credits - Neon

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Antes do aclamado e interessante "Durante La Tormenta", Oriol Paulo deslumbrou Espanha com o igualmente sublime e intenso thriller "Contratiempo". Neste projeto seguimos a história de Adrián Doria (Mario Casas), um empresário cujo negócio é um sucesso e lhe trouxe grande riqueza que ele usa para cuidar da sua bela esposa e da sua criança perfeita, bem como da sua amante com quem passa alguns fins de semana românticos. Tudo parece-lhe correr bem até ao dia em que, quando regressa de um desses fins de semana românticos, Doria e a sua amante têm um acidente que mata um jovem rapaz. Os dois entram em pânico e decidem esconder o crime, mas algo corre mal e todo o processo de ocultação do acidente culmina com a morte da amante, sendo Doria preso pelo crime. Com tudo o que construiu a desmoronar-se aos seus pés, Doria recorre a melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu e desvendar o mistério que ele próprio ajudou a criar. Estamos perante um thriller muito bem montado e habilmente criado que nos deixa em suspense até final. A jornada de Doria e da sua Advogada para descobrirem a verdade sobre o caso criminal que o afeta esta repleta de curvas e contracurvas, mentiras e meias verdades, twists e revelações bombásticas que tornam o filme interessante do início ao fim. Pode-se até discutir se o twist final não é excessivo na forma como brinca com a inteligência do espectador, mas certo é que termina a trama com o mesmo espírito de surpresa e suspense que pauta todo o filme.  Neste tenso e hábil thriller existe, para além do realizador Orio Paulo, outro destaque que ajudou a elevar o filme. Trata-se do ator Mario Casas que, mesmo não sendo o ator mais expressivo do planeta, consegue adequar-se na perfeição ao exigente papel de Adrián Doria. O seu ar quase estóico até ajudou a elevar a personagem e a dinamizar uma intriga que precisava de um Doria deste jeito para ter ainda mais impacto. O restante elenco também acompanha a qualidade do protagonista e, em equipa, ajudam a transformar "Contratiempo" num grande filme com grande capacidade para entreter o espectador. Após ter tanto sucesso em Espanha e de até ter brilhado no Fantastic Fest nosEstados Unidos, "Contratiempo"foi adquirido pela Netflix e pode ser visto quase


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DURANTE LA TORMENTA

Realizador Orio Paulo Elenco  Adriana Ugarte, Chino Darín, Álvaro Morte Género  Thriller Sinopse Uma inusitada interferência entre duas épocas diferentes faz com que Vera (Adriana Ugarte), uma mulher casada e feliz, salve a vida de um menino que morou na sua casa há 25 anos. O ato de bondade distorce a realidade e Ver acorda numa realidade totalmente diferente, onde a sua filha nunca nasceu e ela nunca conheceu o seu marido.

Credits - Sony Pictures

Rating

Vindo de Espanha e disponível agora na Netflix, "Mirage" ou "Durante La Tormenta" é um interessante thriller sci-fi que joga habilmente com a temática das viagens no tempo para montar uma história interessante que consegue prender o espectador ao ecrã. A base desta obra do já consagrado cineasta Oriol Paulo faz-nos lembrar o conceito do popular "Frequency", um thriller de 2000 protagonizado por 2000 que permanece entre os meus filmes preferidos devido à forma criativa como joga com o tema das viagens no tempo e mistura-o com um thriller policial e um drama familiar. Também "Durante la Tormenta" joga com estes géneros e com essa temática para criar um filme impactante que, acima de tudo, está muito bem feito e prende, assim, o espectador ao drama constante de Vera do início ao fim. Tal drama começa quando uma tempestade impressionante causa um inesperado e impressionante rasgo no continuum espaço-tempo que permite à enfermeira Vera salvar a vida de um rapaz que, décadas antes, tinha morrido após testemunhar um homicídio, algo que reescreve o presente e lança a protagonista numa jornada caótica. Seja pelo lado sci-fi da trama, seja pela sua envolvente mais policial, "Durante la Tormenta" vai-nos conquistando e mantêm-nos sempre atentos. É um projeto que entretêm e que surpreende, não só pelos seus twists, mas sobretudo pela sua coerência. Esta só escapa um pouco no final, onde somos brincados com uma vertente mais romântico que se revela desnecessária, mas que acaba por atar com um final feliz o filme, algo que já se esperava.Quem também contribui para o sucesso desta obra é o seu talentoso elenco. Adriana Ugarte, uma cara muito conhecida em Espanha, tem um papel de destaque e muito competente que agarra o espectador à jornada da sua personagem. O filme divide-se constantemente entre o presente e o passado, pelo que Ugarte e a sua Vera nem sempre estão em destaque, mas são peças fundamentais e mesmo não aparecendo no passado, acabam por desempenhar um papel fulcral na capacidade que a trama tem para agarrar o público. E isto só é possível pela maravilhosa construção de Vera, mas também pela grande performance de Ugarte. A apoiá-la estão também vários atores de relevo que assumem grandes papéis secundários, como Chino Darín. Já Álvaro Morte, conhecido pelo seu papel de Professor na série "La casa De Papel", acaba por ser atirado para segundo plano. Sem dúvida, "Durante la Tormenta" tem capacidade para surpreender e para proporcionar um bom entretenimento ao público. Pode ter passado despercebido no ano do seu lançamento, mas a Netflix tem-lhe dado uma nova vida.


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EL AVISO

Realizador Daniel Calparsoro Elenco  Raúl Arévalo, Aura Garrido, Hugo Arbues Género  Thriller Sinopse Jon (Raúl Arévalo) é um génio esquizofrénico e incompreendido que presencia um assalto no qual o seu amigo, David (Sergio Mur), é baleado e fica em estado vegetal. Comovido pela eminente morte de David, Jon passa a investigar a ligação entre diversos incidentes anteriores que ocorreram no mesmo sítio e descobre um padrão matemático entre eles. 

Credits - Universal Pictures Rating

É mais um grande exemplo da vitalidade do cinema espanhol e da sua enorme capacidade para produzir thrillers diferentes, intrigantes e, acima de tudo, de grande qualidade. É precisamente uma intriga de suspense e qualidade que encontramos em ”El Aviso”, onde seguimos a bizarra jornada de Jon (Raúl Arévalo), um génio esquizofrénico e incompreendido que presencia um assalto no qual o seu amigo, David (Sergio Mur), é baleado e fica em estado vegetal. Comovido pela eminente morte de David, Jon passa a investigar a ligação entre diversos incidentes anteriores que ocorreram no mesmo sítio e descobre um padrão matemático entre eles. Segundo os seus cálculos, a próxima vítima será Nico (Hugo Arbues), um rapaz inocente de 10 anos cuja vida ainda pode ser salva. É muito interessante ver como o seu enredo usa habilmente as ideologias impossíveis das viagens no tempo e junta-os com previsões matemáticas igualmente complexas para criar um thriller que, sem nunca entrar a sério no caminho da ficção científica, desenvolve uma jornada de mistério digna de um cinema fantástico de grande qualidade. Sim, “El Aviso” não é um thriller sci-fi, quanto muito poderia ser um thriller sobrenatural, já que é dada a breve indicação que o que está por detrás dos eventos é uma entidade paranormal e não tanto uma anomalia temporal. É claro que as teorias de viagem no tempo fazem parte integrante da trama, sendo que o seu conceito revela-se importantíssimo para uma conclusão que não dá grandes respostas, mas oferece-nos sim um desfecho digno!Por seguir um plano bem definido que quase não sofre desvios, “El Aviso” acaba por não desviar atenção e, embora monte a sua trama entre vários pontos temporais, acaba por se revelar um filme muito coeso que não deixar grandes pontas soltas e consegue manter o espectador em suspense do início até ao fim. E há melhor mérito que este para um thriller?


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EL BAR

Realizador Álex de la Iglesia Elenco  Blanca Suárez, Mario Casas, Carmen Machi Género  Thriller Sinopse O filme desenrola-se num pequeno café no centro de Madrid. Quando um dos clientes leva um tiro na cabeça ao sair do local, o clima de tensão invade o café. Todos os clientes chegam à conclusão que estão presos dentro do espaço e que, caso saiam, são imediatamente mortos por alguém que os quer manter dentro do local.

Credits - Universal Pictures Rating

Álex de la Iglesia é um realizador espanhol muito interessante que foi responsável por alguns filmes interessantes, como o thriller "The Oxford Murders" ou a divertidíssima e fantasiosa comédia de terror "Las brujas de Zugarramurdi", talvez o seu melhor trabalho até à data. Com "El Bar", de la Iglesia tentou recuperar o a irreverência e a diferença cómica desse seu icónico filme e, embora seja um filme louco e diferente, certo é que ficou uns furos abaixo das expectativas e, acima de tudo, do potencial do seu criador! A trama de "El Bar" desenrola-se num pequeno café no centro de Madrid, onde várias pessoas tomam café e conversam entre si tranquilamente, como aliás muitas delas fazem todos os dias. Mas, quando um dos clientes leva um tiro na cabeça ao sair do local, o clima de tensão invade o café. Todos os clientes chegam à conclusão que estão presos dentro do espaço e que, caso saiam, são imediatamente mortos por alguém que os quer manter dentro do local. Perante esta premissa, Álex de la Iglesia começa por montar de forma hábil um intenso clima de suspeição e suspense que rodeia a razão pela qual os clientes do café não conseguirem sair. Quem é que afinal quer matá-los e porque? São estas as duas principais perguntas que dominam a primeira parte do filme e que levam a perguntas curiosas que poderiam levar o filme em qualquer direção! Será que o grande inimigo é uma força paranormal? Ou será uma força alienígena? Mas será algo inexplicável ou algo mais básico do que parece? Será uma experiência social macabra? Ou será tudo um pesadelo ou uma fantasia na cabeça de um dos clientes? Quando a grande resposta às duas grandes questões é nos fornecida, então "El Bar" perde todo o seu fulgor e começa uma quebra vertiginosa em direção à mediocridade. A primeira parte, como se percebe, prende o espectador numa teia de suspense que ajuda, também, a promover as dinâmicas sociais entre os clientes, dando azo a bons momentos de diálogos e até a situações bizarras que se tornam divertidas. E consegue-o graças a um elemento de surpresa e suspeição que, acima de tudo, consegue moldar o ritmo e o rumo da trama. Quando esse elemento desaparece de uma forma incompreensivelmente banal, então "El Bar" degenera num filme de sobrevivência básico e sem faísca que culmina num final bastante anti-climático. 


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EL SILENCIO DE LA CIUDAD BLANCA

Realizador Daniel Calparsoro Elenco  Belén Rueda, Javier Rey, Aura Garrido Género  Thriller Sinopse Vinte anos depois, a cidade de Vitoria volta a ser assolada por uma série de assassinatos macabros. São em tudo iguais aos crimes do passado. Mas há um pequeno senão: o suposto assassino está preso.

Rating

Credits - Netflix

Será “El Silencio de la Ciudad Blanca” a resposta de Espanha ao icónico “Se7en”? Se o é, então é uma resposta bastante mediana que fica muito aquém do esperado. E porque, desde logo, a comparação com o icónico thriller psicológico de David Fincher? É óbvio que é uma comparação injusta sem qualquer correlação de qualidade, mas à vista desarmada podem até ser encontradas parecenças entre o clássico de David Fincher e esta obra baseada no homónimo bestseller de Eva Garcia Sáenz. Na base destes dois thriller psicológicos estão crimes motivados por rituais com algum tipo de ligação à religião que são perpetrados por dois serial-killer psicóticos com ideias retorcidas de vingança. Mas as semelhanças param por aqui e qualquer outra comparação entre o brilhante “Se7en” e o mediano “El silencio de la Ciudad Blanca” poderá ser considerado uma afronta para o requinte e qualidade do primeiro! Os filmes que exploram crimes perpetrados por serial killers com motivações macabras têm, por vezes, o dom gratificante de nos fazerem mergulhar numa investigação alucinante repleta de curvas e contracurvas que nos fazem vestir a pele dos detetives incumbidos de encontrar pistas para a identidade do criminoso ou decifrar os objetivos que se escondem por detrás das suas ações. E se há algo que “Se7en” consegue promover junto do público é precisamente este valoroso sentimento de suspense e investigação policial! No início, “El Silencio de la Ciudad Blanca” parece ter também esse potencial, mas rapidamente se percebe que, embora a intenção esteja lá, a concretização fica muito aquém da expectativa. Há que dizer que, quer pela premissa, quer pela sua introdução intrigante, este filme parece ter todas as intenções de providenciar ao espectador uma história repleta de suspense com potencial para prendê-lo a uma intriga criminal repleta de suspense. Mas esta intenção positiva acaba por esbarrar na incompreensível desorganização de um argumento que vai perdendo objetividade e capacidade de atração à medida que a trama vai evoluindo. À medida que avança, “El Silencio de la Ciudad Blanca” perde a nossa atenção e, ultrapassada a meia hora, tudo o que acontece posteriormente acaba por se afundar num espírito de mediocridade.


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PAG 10

EL SILENCIO DEL PANTANO

Realizador Marc Vigil Elenco  Pedro Alonso, Nacho Fresneda Género  Thriller Sinopse Q, um ex-jornalista convertido num autor best-seller de romances policiais é, hoje em dia, um homem de sucesso respeitado pelos seus fãs e pelos seus pares. Mas Q está longe de ser um homem normal, já que na sua mais básica essência é um psicopata que mata a sangue frio e usa tais homicídios como inspiração para os seus livros.

Credits - Sony Pictures

Rating

Estrela da série "La Casa de Papel", onde interpretou o anti-herói Berlim, Pedro Alonso é, também, a estrela de "El Silencio del Pantano", a mais recente produção espanhola original da Netfix que, infelizmente, pode ser descrito como um thriller bastante aborrecido. Alonso interpreta Q, um ex-jornalista convertido num autor best-seller de romances policiais que é, hoje em dia, um homem de sucesso respeitado pelos seus fãs e pelos seus pares. Mas Q está longe de ser um homem normal, já que na sua mais básica essência é um psicopata que mata a sangue frio e usa tais homicídios como inspiração para os seus livros. A performance de Alonso revela-se, desde logo, como o principal ponto positivo do filme e mostra que a sua carismática performance em "La Casa de Papel" não foi um acaso e que, efetivamente, é um dos atores metódicos mais interessantes da sua geração. Pena é que não tenha tido aqui um papel à sua altura, muito por culpa de um argumento desconexo e confuso que tarda em fazer sentido e em prender o espectador ao suspense e, acima de tudo, à lógica por detrás da ação. Se o Berlim de "La casa de Papel" permitiu a Alonso brilhar, o Q de "El Silencio del Pantano" é uma confusa manta de retalhos pobremente montada e desenvolvida que impediu que Alonso entregue aquilo que lhe era exigido perante a essência do filme. É evidente também que o final tentou surpreender e com isso tentou também salvar a imagem da trama, mas como o resto do filme revela-se inconsequente e incompetente. Este será aliás bastante incompreendido, não por ser deliciosamente complexo, mas por ser tão ilógico e por se perder na própria confusão criada pelo desenrolar da jornada psicopata de Q.


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HOGAR

Realizador Àçex e David Pastor Elenco  Javier Gutiérrez, Mario Casas, Bruna Cusí Género  Thriller Sinopse Um executivo publicitário desempregado começa a perseguir os novos inquilinos da sua antiga casa e os seus motivos em relação à família tornam-se cada vez mais sinistros.

Credits - Universal Pictures Rating

Recentemente, a Netflix disponibilizou na sua plataforma "A Casa", um thriller espanhol da autoria de David e Àlex Pastor, dois cineastas espanhóis altamente criativos e com créditos já firmados no cinema fantástico graças a obras como "Carriers" e "Los Últimos Dias". O mais recente esforço criativo desta dupla não entra tanto no campo da fantasia como as suas obras anteriores, revelando-se um filme mais humano e realista que aproveita os temas ligados ao stalking, à psicopatia e à paranóia para desenvolver uma intriga maquiavélica que tem conquistado fãs. Muitos têm comparado a base social e emocional de "A Casa" ao aclamado "Parasitas", mas convém desde logo desmistificar esta ideia e referir que são dois filmes completamente diferentes no rumo que optam por seguir É verdade que em ambos temos uma trama cujo desenrolar joga com o subconsciente humano relativo à cobiça, ao desejo e à ambição. Mas "A Casa" acaba por entrar por caminhos bem mais psicóticos que "Parasitas", já que na obra espanhola há claramente um vilão e há destacadamente tendências mais obscuras na base da trama.Não há duvida que um dos méritos de "Parasitas" é a forma como trabalha o drama humano. É um filme que funciona, acima de tudo, como um retrato de desigualdades e até como uma sátira à dinâmica sociológica, apesar de ter muitos elementos dignos de thriller. Já "A Casa" é um thriller puro que se escusa de entrar por caminhos dramáticos e sociais para transmitir uma mensagem. É uma obra que foca toda a sua atenção no desenvolvimento da psicose e dos planos maquiavélicos de um desempregado de meia idade. Uma personagem à primeira vista quotidiana mas que se vai tornando desprezível graças aos claros problemas mentais que demonstra. E tais problemas traduzem-se numa jornada de fúria calculista que o leva a destruir a vida de um Homem do qual ele sente inveja desde que este passou a morar na casa que ele foi forçado a deixar.  Esta personagem é interpretada com grande qualidade por Javier Gutiérrez, um vulto do cinema espanhol que tem aqui mais uma performance gigantesca. A sua performance aliada à construção primorosa da sua personagem transformam "A Casa" num filme que vale a pena seguir até ao final, mesmo quando este acabe por entrar por caminhos exorbitantes que roçam o ridículo. É por isso fácil de compreender que não o achei um filme inteligente, mas é um thriller que tem aspetos inteligentes, sendo o retrato degenerativo e maquiavélico do protagonista um desses momentos de brio.


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EL GUARDIÁN INVISIBLE

Realizador Fernando González Molina Elenco  Marta Etura, Elvira Mínguez, Nen Género  Thriller Sinopse Uma inspetora volta à sua terra natal, em Navarra, para capturar um assassino, mas tem também de lidar com os fantasmas do passado.

Credits - Sony Pictures

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Estreado em 2017 em Espanha, "El Guardián Invisible" está longe de ser uma obra consensual e, apesar de o ter apreciado bastante, consigo perceber porque é que é assim tão polarizante. Até no seu país Natal, onde teve honras de estreia nas salas de cinema, este thriller criminal não conseguiu reunir grande consenso e mesmo agora, com a sua passagem para o catálogo da Netflix, tem ficado na sombra de outras obras que conseguiram reunir um maior consenso mediático. Um dos factores que pode ajudar a explicar o distanciamento do público é a sua longa duração. É porque com quase duas horas e meia de duração, "El Guardián Invisible" torna-se numa verdadeira maratona e, infelizmente, nem sempre consegue manter o nível durante toda a duração do filme, algo que o torna difícil de ver. Até se pode dizer que a jornada da inspectora Amaia para resolver uma série de macabros crimes na sua cidade Natal até começa bem, apresentando o ponto de equilíbrio ideal entre crime, suspense, drama e ação. Este ímpeto inicial não é, no entanto, transportado para uma segunda parte do filme bastante longa, onde assistimos a abrupta quebra de energia e suspense, mas sobretudo a um desvio da temática central. Os crimes de um serial killer passam, assim, para segundo plano em detrimento da uma jornada de introspeção da personagem principal. A segunda parte do filme pode-se resumir à batalha interna que Amaia trava para lidar com o seu passado sombrio que envolve abusos parentais. E embora este desenvolvimento pessoal tenha mérito e não seja de todo descabido para o desenrolar do filme, acaba por frustar expectativas e por polarizar um enredo que estava bem lançado.É certo que na terceira e última parte recuperamos o tema e a essência do início, mas aquele ponto intermédio, pese embora estar bem construído, acaba por partir o filme e por permitir um certo distanciamento do público. É também por causa deste ponto intermédio que o filme tem mais de duas horas de duração, já que o mesmo perde tempo a desenvolver ao pormenor todas as pontas soltas da trama que vão sendo fornecidas, mas é claro que este desenvolvimento, embora necessário para atar a história da protagonista, acaba por tomar o seu tempo. Por tudo isto pode parecer que "El Guardián Invisible" é desequilibrado e que tenta contar duas histórias separadas no mesmo filme, mas a verdade é que é exatamente o oposto.


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LEGADO EN LOS HUESOS

Realizador Fernando González Molina Elenco  Marta Etura, Nene, Leonardo Sbaraglia Género  Thriller Sinopse Amaia Salazar (Marta Etura) regressa ao vale Baztán, da região de Navarra, para um novo caso: o suicídio de vários prisioneiros que deixam uma única palavra escrita nas suas celas: “Tartallo”.

Credits - Sony Pictures

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Um dos segredos mais bem guardados da Netflix é o filme espanhol "El Guardian invisible"/ "The Invisible Guardian", uma produção espanhola que, após uma breve passagem pelos cinemas espanhóis, foi adquirido pela Netflix que colocou o filme a rodar na sua plataforma um pouco por todo o mundo. Mas agora "The Invisible Guardian" também tem uma sequela e também ela está disponível na Netflix. Trata-se de "Legado en Los Huesos"/ "The Legacy of the Bones", mais um thriller que pertence à Trilogia Baztan, sendo este baseado no segundo livro da autoria de Dolores Redondo. Embora mais fraco que o seu antecessor, até porque tem um pouco menos daquela mística de suspense que marcou o primeiro filme, "Legado en Los Huesos" revela-se, na mesma, um filme bastante interessante que volta a acompanhar uma investigação policial da detective Amaia. Nesta altura, Amaia já é mãe de um filho recémnascido e, mesmo antes de dar à luz e entrar em licença de maternidade, é confrontada com um novo mistério que, por acaso do destino, volta a acompanhá-la após o seu regresso ao trabalho. Uma vez mais, Amaia tem que viajar até à sua Terra Natal na zona rural do País Basco, onde tem que desvendar uma série de homicídios e suicídios macabros que têm por detrás uma motivação sobrenatural! E sim, "Legado en Los Huesos"  aventura-se mais pelo terreno paranormal do que o primeiro filme. É certo que o final da primeira entrega ficou marcada pela presença de um elemento sobrenatural , mas tal "aparição" foi apenas uma espécie de presente para os fãs. O que se revela realmente importante para esta sequela nessa parte final  foi, de facto, o surgimento de um mistério que até está relacionado com esta continuação. E é esse elemento que permite a esta sequela aventura-se bem mais pelos caminhos do oculto e da bruxaria. E fá-lo  ao explorar, uma vez mais, a história familiar de Amaia para retirar o máximo de sumo dramático e narrativo possível para alavancar uma trama complexa e repleta de reviravoltas. O mistério em torno das mortes é, novamente, ancorado numa introdução e numa conclusão muito fortes, ficando o desenvolvimento reservado para uma evolução mais ligada ao drama da protagonista e à teia paranormal que parece estar construída à sua volta. O que é certo é que "Legado en Los Huesos" não envolve tão bem o espectador como o primeiro filme, mas apesar de ter alguns excessos e de promover alguns atalhos desnecessários, certo é que no final o filme consegue cumprir com o prometido e entrega algo interessante!


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PAG 14

SECUESTRO

Realizador Mar Targona Elenco  Blanca Portillo, Antonio Dechent Género  Thriller Sinopse Quando o seu filho é raptado e mais tarde encontrado profundamente traumatizado, uma advogada decide fazer justiça pelas próprias mãos, com consequências dramáticas.

Credits - Sony Pictures

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Quando o seu filho é raptado e mais tarde encontrado profundamente traumatizado, uma advogada decide fazer justiça pelas próprias mãos, com consequências dramáticas que podem mudar a usa vida. Produto da grande escola do cinema espanhol, que já deu provas que sabe produzir thrillers imersivos e fascinantes, “Secuestro” acaba por não apresentar um nível correspondente ao que era esperado e por não fazer justiça às suas origens. Não é que a ideia por detrás deste filme seja má, muito pelo contrário. O grande problema de “Secuestro” é que não a conseguiu desenvolver adequadamente. Uma prova que substancia tal afirmação é que, quando acabamos de o ver, parece que acabamos de ver três filmes completamente diferentes. E isto acontece porque a sua história pode ser dividida em três partes bem distintas que, quer separadamente, quer em conjunto, acabam por evidenciar grandes falências de coesão e relevância. Numa primeira parte, por exemplo, “Secuestro” explora o tema que dá nome ao filme, ou seja, o aparente sequestro de um rapaz e a subsequente investigação policial para encontrar o culpado. Estes primeiros trinta minutos acabam por ser os melhores, já que cumprem o que se esperava e, embora longe da perfeição, conseguem entreter. Se o filme terminasse quando o caso é resolvido, então “Secuestro” seria, pelo menos, uma curtametragem bastante interessante. O problema é que o filme continua… As outras duas partes acabam por se revelar manifestamente menos interessantes, promovendo a investigação de um novo crime e envolvendo uma grande conspiração condenada desde logo ao fracasso, já que tamanha é a sua impossibilidade. O que acontece após o primeiro sequestro ser solucionado acaba por não fazer grande sentido, sendo claramente uma sucessão de excessos sem sentido que apenas servem para prolongar o filme e, consequentemente, a agonia do espectador. As novas intrigas criminais que vão aparecendo são manifestamente mais pobres que a primeira e tornam-se progressivamente penosas. Não surpreende, por isso, que o final seja uma grande deceção e, acima de tudo, uma salgalhada impressionante sem qualquer apoio do senso comum.  É evidente que “Secuestro” tentou surpreender e intrigar o espectador, mas não o conseguiu devido à forma atabalhoada como a sua trama é apresentada. Num thriller, nem sempre o que é mais é melhor e, no caso de “Secuestro”, um pouco mais de contensão e criatividade na união das peças centrais poderia ter rendido um produto melhor. É o claro exemplo de que boas ideias em separado não formam um conjunto competente!


SÉRIES ESPANHOLAS A NÃO PERDER


Elite - Netflix

Vis a Vis - Fox

La Casa de Papel- Netflix

Hache - Netflix

4 SÉRIES ESPANHOLAS QUE TEM DE COMEÇAR A VER! Nos últimos tempos, Espanha tem tido uma excelente oferta de série televisivas. O exemplo de maior sucesso é, como se sabe, a muito popular série sobre assaltos "La casa de Papel" que se tornou num dos maiores êxitos da Netflix e da Televisão Espanhola! Mas "La Casa de Papel" é apenas um de vários exemplos de luxo dentro do panorama televisivo espanhol que tem vindo a crescer a olhos vistos. Quem não se lembra de "Conta-me Como Foi" que, posteriormente, deu origem a uma adaptação portuguesa? Ou à recente produção "Auga Seca" da HBO com a bem portuguesa Victoria Guerra no elenco? Para além destes exemplos porque não recordar outros três que têm feito sucesso! Trata-se do thriller prisional feminino "Vis a Vis", já disponível na Netflix e que já passou pelo Fox Life, mas também de "Elite" e "Hache", duas séries que também têm dado que falar na Netflix!


CRÍTICAS


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100% CAMURÇA E, em plena pandemia, o Filmin Portugal disponibiliza um dos filmes mais excêntricos e diferentes dos últimos meses! Tal filme deriva da mente diferente de Quentin Dupieux, um cineasta cujo nome poderá dizer pouco ao público geral, mas que se tornou famoso graças ao thriller "Rubber", esse sim já muito mais mediático devido à história excêntrica que explora sobre um pneu assassino! Este seu novo projeto intitulado "100% Camurça" ou "DeerSkin" não é tão mirabolante como o seu maior clássico até à data, mas apresenta o mesmo estilo irreverente e excêntrico. Estamos perante uma comédia de terror que se foca num homem de meia-idade que vê a sua vida mudar radicalmente quando fica na posse de um belo casaco de pele. É verdade que o casaco é bonito, mas não é essa a sua melhor característica, já que se trata, nada mais, nada menos, do que um casaco com consciência que começa a falar com o seu dono e começa a fornecer-lhe "dicas" de como pode sair da complexa encruzilhada à que a sua vida chegou! Protagonizado por Jean Dujardin, aclamado ator francês que deu nas vistas com "The Artist", "100% Camurça" tem as suas falhas mas consegue mergulhar o espectador numa trama pela de reviravoltas e com poucos momentos parados que gosta de jogar com o bizarro e com o excesso, mas sem entrar no ridículo. Pode-se dizer que "100% Camurça" tem, na sua base, uma história sobre uma crise de meia idade levada ao extremo, mas essa base é apenas o mote para um filme com muita loucura à mistura. "100% Camurça" nunca é chato!

Realizador Quentin Dupieux Elenco  Jean Dujardin, Adèle Haenel Género  Comédia/ Terror Sinopse A história de um homem e do seu casaco de pele!

Credits - Neon

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LOVE WEDDING REPEAT

Realizador Dean Craig Elenco  Sam Claflin, Olivia Munn, Freida Pinto Género  Comédia Sinopse A trama apresenta diferentes versões de um mesmo dia. Jack (Sam Claflin) terá de lidar com diversas confusões com uma ex-namorada, o seu melhor amigo, um convidado com um segredo e um romance em potencial na festa de casamento da sua irmã.

Credits - Neon

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Parece que o arranque oficial da época de casamentos em 2020 começou na Netflix com a estreia de “Love Wedding Repeat”, uma clássica comédia romântica matrimonial que acompanha os altos e baixos de um casamento repleto de incidências! É um filme acima da média? É óbvio que não, mas pelo menos é uma tentativa de promover algo diferente e bem mais interessante que a típica comédia romântica ambientada num casamento. E, verdade seja dita, “Love Wedding Repeat” apresenta alguns elementos diferenciadores e alguns momentos cómicos que conferem algum rasgo de entretenimento refrescante a este projeto. Mas embora tenha a espaços alguns pontos positivos torna-se inegável que, na sua base, “Love Wedding Repeat” está bem mais próximo àquilo do que queria fugir do que propriamente àquilo que queria ser. No fundo o filme acaba por cair nos clichés do género e por promover as mesmas ideias que o género já nos habituou a promover. Teria sido interessante, por exemplo, promover um desastre total com o qual o filme termina a sua primeira metade, em detrimento do mais que previsível final feliz que acaba por atrapalhar a sua conclusão. É fácil de concluir que, uma vez mais, faltou coragem para ir mais além num filme deste género e explorar novas ideias ou apostar em novos cruzamentos de conceitos. E ao não seguir este ou outros caminhos mais inovadores, “Love Wedding Repeat” nunca poderia esperar ser mais do que aquilo que realmente é.


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MILAGRE NA CELA 7

Realizador Nuel C. Naval Elenco  Aga Muhlach, Bela Padilla, Xia Vigor Género  Drama Sinopse Separado da sua filha por ser acusado de um crime que não cometeu, um homem com deficiência intelectual precisa de provar a sua inocência ao ser preso pela morte da filha de um comandante turco.

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No famosa comédia"Tropic Thunder", a personagem interpretada por Robert Downey Jr. durante um célebre diálogo com a personagem de Ben Stiller dá-lhe um conselho sobre o que um ator nunca deve fazer: "Never Go Full Retarded". E diz-lhe isto porque, no filme anterior protagonizado pela personagem de Stiller, este interpretou uma pessoa com graves deficiências e a personagem de Downey Jr. explicou-lhe que ninguém, nem mesmo a Academia, gosta quando esse nível de deficiência é atingido. E prossegue ao dar exemplos de filmes com personagens deficientes que foram um sucesso, como "Rain Man" ou "Forrest Gump", e outros que foram um gigante fracasso, como "I Am Sam". E porque uso o exemplo deste mítico diálogo de "Tropic Thunder"? É porque "Milagre na Cela 7", tal como o original sul-coreano que deu origem a este remake turco (sim o filme nem é original a este ponto), vai ao encontro de "I Am Sam" e revela-se um filme que, como diz e bem o Lazarus de "Tropic Thunder", atinge o nível "full retarded" e, como ele também diz e muito bem, nunca se deve ir "full retarded". Mas parece que os criadores deste filme turco ou do filme sul-coreano não viram "Tropic Thuner" ou não aprenderam a lição com outros célebres exemplos e promoveram, assim, um melodrama barato com uma trama risivelmente dramática que usa vergonhosamente a deficiência do seu protagonista para tentar levar os mais impressionáveis às lágrimas graças a exploração exagerada e completamente inconcebível da sua ligação familiar com a sua filha. É claro que "Milagre na Cela 7" puxa ao sentimento, mas não é de todo um bom drama, nem um bom filme. É uma obra que se limita a espremer e prostituir as emoções mais puras do Ser Humano em prol de promover um sentimento de pena verdadeiramente desprezível. É verdade que é um dos filmes mais populares do momento da Netflix, mas "Milagre na Cela 7" não me provocou qualquer emoção positiva, mas sim muitas negativas, entre elas os desdém pela forma como usa estratégias narrativas tão superficiais para se tenta aproveitar da emoção dos espectadores. Tal como "I Am Sam", "Milagre na Cela 7" é um flagelo cinematográfico, mas pelo menos o primeiro tinha um grande ator como Sean Penn que tentava conferir alguma seriedade ao filme, já "Milagre na Cela 7" nem isso tem!


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RAINHA DE COPAS

Realizador May el-Toukhy Elenco  Trine Dyrholm, Gustav Lindh Género  Drama Sinopse Anne, uma bem-sucedida advogada, vive numa belíssima casa modernista com as suas duas filhas e o marido Peter. Mas quando Gustav, o filho problemático de Peter de uma relação anterior vai viver com eles, Anne cria uma relação íntima com o jovem que põe em risco a sua vida perfeita. E aquilo que parecia inicialmente um acto de libertação, transforma-se numa história de poder, traição e responsabilidade. Credits - Neon

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Candidato da Dinamarca ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Rainha de Copas” não conseguiu a nomeação final, mas foi um dos concorrentes mais interessantes da categoria, sendo mais um bom exemplo da vitalidade e da diferença que o cinema nórdico promove! Mas esta obra de May el-Toukhy vai mais além da diferença e entre até num caminho de irreverência ao abordar, sem pudor, temas bem complexos como comportamentos sexuais inapropriados, relações abusivas, ligações familiares dúbias e estranhas ironias profissionais! Por muito que possa não parecer, “Rainha de Copas” explora, na sua base, uma relação que, quer moralmente, quer juridicamente é repreensível. É certo que pode até configurar uma fantasia pornográfica recorrente, mas ainda assim “Rainha de Copas” faz questão de realçar a seriedade de todas as questões que tal relação que domina o filme do início ao fim promove num debate sobre o que é certo ou errado. Não estamos, portanto, perante um típico filme romântico com uma simples relação que merece um final feliz. É sim um irreverente drama familiar que vai a fundo em relação a questão bem complexas, como os abusos sexuais e emocionais que se podem esconder no seio de uma relação imprópria mas aparentemente consensual. Mas “Rainha de Copas” promove um brilhante trabalho na hora de questionar até que ponto é que a relação entre a protagonista e o seu jovem amante quase incestuoso é consensual, dando enfâse ao poder que Anne exerce sobre o jovem e desenvolvendo a sua personalidade que se revela fortemente narcisista e malévola. E “Rainha de Copas” também promove deliciosas alegorias, como por exemplo com o clássico "Alice no País das Maravilhas", mas acima de tudo é brilhante nas suas ironias, como o facto de Anne ser uma advogada de direito da família que, ironicamente, envolve-se numa relação imprópria com um menor e pratica comportamentos que ela própria contraria quando defende os seus clientes. Este é só um dos exemplos do brilhantismo deste projeto que, sim, pode até usar e abusar de sequências provocantes com sexo para chocar o espectador. Mas por detrás destas sequências não está apenas um desejo básico de chocar, mas sim de um desejo de ir mais além, sendo tal desejo suportado por um conteúdo e um contexto bastante fortes.  É por isso que “Rainha de Copas” revela-se um filme excecionalmente diferente, onde o sexo é apenas um meio para passar várias ideias poderosas e importantes com forte correlação para o mundo real.


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SÉRGIO Sabe quem foi Sérgio de Mello? É provável que antes de ver "Sérgio" não saiba quem foi este diplomata brasileiro. Por muitos feitos que Sérgio de Mello tenha conquistado ao longo da sua carreira diplomática, incluindo um muito importante em Timor-Leste, um território que como se sabe é próximo a Portugal, certo é que não é propriamente uma figura mundialmente reconhecida. Sim, no Brasil, Sérgio de Mello é um nome reconhecido junto dos círculos políticos, mas no resto do mundo não o é, pelo menos não diretamente pelos seus feitos diplomáticos que concretizou em vida, mas sim pela forma trágica como morreu. E porque começo por falar da fama e da morte de Sérgio de Mello? É porque é graças a estes dois pontos, que à partida parecem inocentes, que "Sérgio", a sua cinebiografia baseada no livro "The Man Who Tried to Save the World", acaba por se revelar um desastre, já que lhes confere um tratamento verdadeiramente deplorável que ajudam a arruinar a boa intenção do filme que era, acima de tudo, honrar a vida e carreira deste diplomata. Sim, Sérgio de Mello foi um grande diplomata que ajudou milhões de pessoas e foi, sem dúvida, um grande homem. E, por isso, merecia uma cinebiografia bem melhor que "Sérgio", uma produção que até denigre a sua imagem e que não faz justiça à sua grande vida e aos seus grandes feitos, até porque prefere focar-se na sua vida romântica ou no melodrama da sua morte em detrimento das suas façanhas diplomáticas.

Realizador Greg Barker Elenco  Wagner Moura, Ana de Armas Género  Drama Sinopse Na Venezuela, uma estranha epidemia está a alastrar. Os média começam a transmitir notícias alarmantes. Ninguém está a salvo. A epidemia está a ser tomada como um ataque deliberado com intenções políticas. Trata-se de uma patologia nova sem tratamento. A televisão anuncia A revolução continua, juntos venceremos.

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THE GOLEM

Realizador Doron e Yoav paz Elenco  Hani Furstenberg, Ishai Golan Género  Thriller Sinopse Uma mulher infértil recorre à magia para dar vida a uma criança de barro e manda-a atacar os seus inimigos, enquanto uma praga se espalha pelo campo.

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Oriundo de Israel,”The Golem” é um dos mais recentes exemplos de produções de terror de qualidade produzidas por este mercado cinematográfico emergente! Quem não se recorda de “Rabies” (2010) ou do mais recente “JeruZalem”. “The Golem”, que agora está disponível em todo o mundo graças à Netflix, é, portanto, mais um exemplo de sucesso e conta ainda com a benesse de aproveitar uma criatura mitológica pouco aproveitada na 7ª Arte para dinamizar um filme de terror e sobrevivência muito bem feito e muito curioso. Tal elemento mitológico é O Golem, uma criatura presente na mitologia judaica e com ligações à Cabala, que se tornou particularmente famosa graças à clássica história de fantasia que remonta a 1847 e que relata a saga (ficcional) do rabino Judá Loew ben Betzalel, de Praga, que durante o Século XVI criou um Golem para defender o seu Gueto dos anti-semitas. A narrativa deste “The Golem” inspira-se nesta clássica história, mas transporta-a para a realidade de uma pequena vila judaica na Lituânia que, durante o apogeu da Peste Negra, é ameaçada por um grupo de homens anti-semitas que acreditam que os judeus são a causa da peste. A salvação da aldeia está nas mãos de uma jovem corajosa com um passado traumático que, contra os ensinamentos dos anciões, decide mergulhar nos ensinamentos da Cabala para criar um Golem que possa proteger a aldeia. Está assim lançada uma boa história com um vilão sobrenatural fora do comum que, sem entrar por caminhos violentos, consegue prender o espectador a uma trama dinâmica, sombria e interessante que faz justiça à mitologia em que se baseia. Uma boa fotografia, uma direção inspirada de Doron e Yoav Paz, mas também um elenco competente encabeçado pela intensa Hani Furstenberg, também ajudam “The Golem” a destacar-se como um ótima escolha para um serão de terror.


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THE PERFECTION

Realizador Richard Shepard Elenco  Allison Williams, Steven Weber, Alaina Huffman Género  Thriller Sinopse Neste imprevisível thriller, uma prodigiosa violoncelista volta a juntar-se aos seus mentores, mas encontra-os rendidos a uma talentosa nova aluna.

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Entre os filmes originais da Netflix existem alguns filmes maus, mas também há verdadeiras pérolas como este "The Perfection". Trata-se de um thriller psicológico repleto de suspense que segue a história de uma jovem que era considerada um prodígio do violoncelo, mas que devido a uma crise familiar teve que abandonar a sua carreira. Uns anos mais tarde regressa para recuperar o seu lugar e ganha um interesse súbito pela nova pupila do seu antigo mentor que, agora, é o centro de todas as atenções.  Mas em "The Perfection" as coisas nem sempre são o que parecem e o que parece ser um típico thriller sobre psicoses, stalking e sabotagem acaba por se revelar algo bem mais complexo, sinistro e completamente surpreendente. Embora o seu início não seja prometedor e fique perto dos clichés que se poderia esperar inicialmente, certo é que mal "The Perfection" faz-se à estrada (literalmente) acabamos por entrar num filme completamente diferente e bem mais interessante que nos entrega uma intriga verdadeiramente intensa e misteriosa. Com um belo equilíbrio entre o terror, o gore, o suspense e o drama, "The Perfection" brinda-nos com voltas e reviravoltas completamente alucinadas e inesperadas que nos levam para um desfecho que, no início, era completamente imprevisível! Quem diria que, na sua essência, "The Perfection" transformar-se-ia um filme sobre cultos, mas desvendar mais que isso seria dar um spoiler que não posso permitir atendendo ao grande nível do filme! Após brilhar em "Get Out", outro thriller de terror de luxo, Allison Williams agarra o papel de destaque desta obra com grande carisma e demonstrando o grande talento que tem! E Williams divide o ecrã com Logan Browning, uma grande promessa da sétima arte que, em "The Perfection", conquista claramente o seu espaço e brilha ao lado de Williams! Este duo dinâmico só contribuiu para acrescentar mais qualidade e competência a este thriller que, reforço, recomendo veemente por tudo aquilo que tem para oferecer.


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UNCORKED

Realizador Prentice Penny Elenco  Courtney B. Vance, Lashun Pollard Género  Drama Sinopse Um jovem sente-se dividido entre o sonho de vir a ser mestre escanção e as expetativas do pai de vir a assumir o negócio de churrasco da família.

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“Uncorked” é mais um produto original da Netflix que, embora bastante simples na sua natureza, explora um conceito curioso e promove um entretenimento razoável, pelo menos para quem procura um filme acessível e que cumpre eficazmente a sua missão de fornecer aquele típico entretenimento cinematográfico de domingo à tarde. Trata-se de uma história de perseverança sobre a conquista de objetivos profissionais que, como é normal neste tipo de filmes, é desenvolvida por intermédio de ramificações dramáticas ligadas a relações familiares e duvidas existenciais e sociais. E aqui há que dizer que, embora a atenção nunca seja desviada do que realmente interessa, existe ainda assim algum excesso no nível dramático imposto a certos temas e à inclusão de determinadas histórias secundárias. Se a complexa ligação entre pai e filho até fornece algum poder dramático à história, o mesmo já não se pode dizer, por exemplo, do evento dramático que rodeia a mãe do protagonista e cuja inclusão parece ser claramente desnecessária para a evolução da trama, servindo apenas para apelar ao melodrama fácil. Mas o que importa realmente ressalvar neste projeto é a forma como a demanda do protagonista para cumprir o seu sonho é desenvolvida, dando pelo meio ao público várias noções curiosas sobre o complexo mundo da vinicultura que é, como se percebe pelo filme, um negócio bem maior e bem mais complexo do que alguns poderão pensar. O conceito de “Uncorked” está portanto bem definido e é bem trabalhado e, salvo algumas exceções, funciona e cumpre assim a sua missão primordial. Há também que dar mérito neste campo a um elenco cativante que ajuda a cumprir tal missão, já que sem excessos ou devaneios promove uma interpretação global, simples e competente da história. Num plano mais particular, o público português pode, no entanto, sentir-se um pouco atacado por  uma grande falha em "Uncorked", já que a famosa cultura vinícola portuguesa é completamente ignorada e nem o icónico Vinho do Porto é referenciado. Uma falha grave e incompreensível presente num filme onde até vinhos da Argentina e Alemanha são referenciados, mas nenhum vinho português é destacado, quando na realidade os vinhos portugueses são equiparados ao que de melhor se faz em França ou nos Estados Unidos.


ENTREVISTA


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ENTREVISTA COM

DAMIEN LEVECK

A Edição de 2019 do Festival de Sitges em Espanha teve uma programação de elevada qualidade, mas entre os vários filmes a concurso houve um que se destacou: "The Cleasing Hour". Realizado por Damien Leveck, uma das grandes promessas de Hollywood, nomeadamente no que concerne ao género de terror, "The Cleasing Hour" surpreendeu com a sua qualidade e premissa inovadora. Não é de estranhar que esteja, por isso, tão bem cotado no popular website Rotten Tomatoes e que seja considerado uma das pérolas do cinema indie de terror de 2019! O Portal Cinema também gostou bastante e teve que conversar com a fenomenal mente por detrás do mesmo para compreender melhor o projeto, mas acima de tudo para conhecer o criativo por detrás de um projeto tão bem trabalhado.

Portal Cinema – Antes de mais, fale-nos um pouco sobre a sua formação profissional e porque é que decidiu iniciar uma carreira profissional na indústria cinematográfica? Quais são suas inspirações e principais influências na indústria?/ First of all, tell us about your professional background, and why did you decided to embark on a professional career in the film industry? What are your inspirations and main influences in the movie industry? Damien LeVeck (DL) - Acho que sou bastante singular porque soube o que queria fazer da minha vida quando era muito jovem. Foi por volta dos 11 ou 12 anos quando me fascinei com os filmes "Guerra das Estrelas" e com o trabalho de Steven Spielberg! Foi nessa época que decidi o que queria fazer como carreira. Não sabia exatamente como é que os filmes são feitos ou qual era o campo profissional, mas eu sabia que queria fazer filmes e divertir as pessoas da mesma maneira que fui entretido por Spielberg e pelos filmes "Guerra das Estrelas". Depois disso, parei de tocar piano clássico, peguei na camera de vídeo dos meus pais e comecei a fazer os meus próprios filmes. É esse o tipo de desejo e ambição profissional que me motiva desde então! O meu trabalho é influenciado por alguns grandes realizadores como Spielberg ou Christopher Nolan que, na minha opinião, é um dos melhores cineastas do nosso tempo, mas também sou fã dos Irmãos Coen. Tanto o Nolan como os Irmãos Coen tiveram um grande impacto em mim e na minha carreira. Também sou fã do estilo de diretor de Martin Scorsese. Como deve saber, também trabalho profissionalmente como editor e, obviamente, existem certos editores cujo trabalho tem sido muito influente para mim. Temos por um lado a incrível Thelma Schoonmaker, que editou grande parte dos filmes de Scorsese, e que eu acho fenomenal. Também me sinto muito inspirado pelo trabalho de Lee Smith, que editou alguns dos filmes de Nolan, entre outros. PC  - A sua primeiro longa-metragem no cargo de realizador é "The Cleansing Hour", um filme baseado num curta-metragem que fez no passado e que foi incluído na antologia "Dark, Deadly & Dreadful". Pode-nos contar um pouco sobre esse projeto e o que significou para si e para a sua carreira? DL  - Realizei "The Cleansing Hour" em 2016 e, em seguida, essa curta foi incluída em várias antologias como "Dark, Deadly & in aCleansing tournament producing a ser uma Byprova arranging games para in a regular Hundreds of sports exist, from Dreadful". “The Hour” pretendia de conceito ajudar a vender o longa-metragem, então usei a curta champion. Many sports leagues sports season, followed in some those between single para impulsionar o projeto do longa-metragem, mas a curta também se saiu muito bem no circuito do festival de cinema e ganhou make an annual champion. cases by playoffs. contestants through muitos prémios. Mas a curta existiu apenas para nos ajudar a tirar o filme do chão.


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The Cleansing Hour

PC – Como mencionamos na pergunta anterior, “The Cleansing Hour” foi a sua primeira longa-metragem. Foi exibida no ano passado no Sitges Film Festival em Espanha e no Fantastic Fest nos EUA, dois importantes festivais da indústria! Pode-nos contar a história de como surgiu o conceito de “The Cleansing Hour” e o que é que este projeto significa para si? DL - O grande significado desta longa-metragem é que foi a minha estreia na realização de longas-metragens. Eu acho que tinha que começar por algum lado e por ser um realizador que tinha que fazer o meu primeiro filme, independentemente do significado e do quão bom seja, mas mesmo assim estou muito orgulhoso do resultado final. Trabalhei em "The Cleansing Hour" com Aaron Horowitz, e tanto ele como eu temos uma longa experiência profissional em programas de televisão não escritos e reality shows. E sempre ficamos fascinados por esta ideia de que as pessoas acreditam em tudo o que aparece na televisão. Eles realmente pensam que o que alguém diz num reality show é real quando, na verdade, a maioria é encenada e os "atores" agem de acordo com o que foi previamente planeado. Então, de certa forma, esse foi o ponto de partida da nossa ideia. Pegamos nesse conceito e adaptamo-lo para um filme de terror. O Aaron e Eu somos grandes fãs de filmes de terror e decidimos criar e escrever um filme que seria aquele tipo de filme de terror que gostaríamos de ver. E foi assim que "The Cleansing Hour" nasceu. PC – Como é que descreve este filme? E quais foram os principais desafios que enfrentou para dar vida a esse projeto? DL - "The Cleansing Hour" tem basicamente a mesma premissa que a curta. Na história temos dois homens que encenam um exorcismo todas as semanas para o seu canal nas redes sociais, mas desta vez as coisas dão para o torto e são confrontados com um exorcismo real. No longa-metragem, a pessoa que fica possuída é a noiva do diretor do programa e, então, eles têm que descobrir uma forma de se livrarem do demónio antes que o tempo acabe e o demónio os mate. Os principais desafios que enfrentamos para dar vida a este projeto estão relacionados com a angariação de fundos. Na verdade, passei quase um ano inteiro à procura de financiamento. Foi extremamente desafiador levar as pessoas a acreditarem num projeto da mesma maneira que tu acreditas. Durante todo o processo de angariação de apoio financeiro para o projeto, tu acabas por realmente aprender muito sobre ti próprio e sobre o próprio setor. Sempre que tentas arrecadar dinheiro para um filme independente, irás sempre ouvir tudo o que não funcionará e precisas de ser realmente bom a aceitar um não como resposta e seguir em frente para outra reunião. PC – Como acha que o público reagiu ao filme nos vários festivais por onde ele passou? E podemos dizer que o terror o seu género cinematográfico favorito? DL - Acho que o filme foi muito bem recebido em todos os festivais. Não acho que eu poderia ter pedido dois festivais melhores do que o Sitges e o Fantastic Fest para estrear este filme, e depois passou pelo Fright Fest em Glasgow, onde foi fenomenalmente bem recebido. Se procurar agora o filme no Rotten Tomatoes verá que ele tem classificação de 100%. Foi muito gratificante ver que o público reagiu bem ao filme e que está a reagir da forma que eu pretendia, então considero isso uma conquista. É por isso que mal posso esperar para fazer outro filme.Eu diria que o terror é o meu género favorito. Acho que tem a capacidade de usar o medo e de te fazer sentir as cordas emocionais a ressoar na tua consciência. Com o terror, acho que tens a capacidade de transmitir uma mensagem e um tipo de verdade fundamental sobre a vida e a humanidade de uma maneira que não podes com nenhum outro género. Podes explora a religião e moralidade, violência, sexo, drogas, ação e todas essas coisas diferentes que nãos pode explorar com tanta liberdade em mais nenhum outro género. O terror é um género único e também possui uma licença artística mais ampla que não podes encontrar em muitos outros gêneros. PC -  O que se segue na sua carreira? Quais serão os seus próximos projetos? DL - Neste momento, a minha empresa Skubalon está a desenvolver um projeto de um filme de terror de baixo orçamento. Temos um projeto muito impressionante que explora uma espécie de horror de criatura que eu pretendo realizar e onde quero usar novamente os monstros de proximidade como eu usei em "The Cleansing Hour". Também irei realizar o novo filme do produtor Matthew Bear, que produziu o filme "Unbroken", de Angelina Jolie, há alguns anos atrás. E atualmente também estou a escrever o argumento para um thriller de ação apocalíptico que se passa em Los Angeles durante um grande apagão. Pode-se dizer que estou a afastar-me um pouco do terror com este projeto.


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THE CLEANSING HOUR Uma das boas surpresas da Edição de 2019 do Festival de Sitges foi o filme de terror “The Cleansing Hour”, a longa metragem de estreia de Damien LeVeck baseada na homónima curta criada pelo cineasta em 2016. Trata-se de um filme sobrenatural focado na temática do exorcismo, mas “The Cleansing Hour” confere a este tema badalado um twist moderno muito interessante, já que explora tal temática sobre a perspectiva das redes sociais e, de certa forma, acaba por invertes os papéis das personagens envolvidas, já que a certo ponto é o demónio que parece determinado a arrancar os pecados dos humanos! A ideia é muito interessante e é habilmente desenvolvida por LeVeck que, juntamente com a sua equipa, conseguiu montar um filme que nunca se torna aborrecido e que, pese embora apresente alguns clichés, apresenta uma refrescante noção de inovação temática. Para além de nos oferecer uma história interessante e habilmente idealizada, “The Cleansing Hour” revela-se também uma obra tecnicamente interessante e com bons efeitos visuais que ajudam a elevar a trama. Um destaque especial também para o seu elenco, nomeadamente para a jovem Alix Angel que assumiu com sacrifício o complexo papel da vítima possuída pelo demónio!

Realizador Damien LeVeck Elenco  Ryan Guzman, Kyle Gallner, Alix Angelis Género  Terror Sinopse Mais um "exorcismo" bem-sucedido foi transmitido on-line, ou pelo menos é o que parece. O produtor "exorcista" e a sua equipa descobrem como conseguem criar um video viral quando um verdadeiro demónio aparece no seu caminho. 

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SUGESTÕES CINEMATOGRÁFICAS


18 FILMES DE TERROR PARA VER OU REVER NA NETFLIX Está na altura de sugerimos 18 filmes de Terror que estão disponíveis na Netflix, sendo que muitos deles estão também disponíveis em outras plataformas e nos videoclubes das grandes operadoras. São 18 filmes de terror relativamente recentes e bem cotados que, como já referido, podem ser vistos na Netflix, sendo que se excluirmos as obras originais da plataforma, como "Apostle", "Bird Box", "Babysitter", "The Platform", "Creep" e "1922", todos os outros podem ser vistos também em outras plataformas, mas claro que o que salta a vista é que estes dezoito (dezanove se contarmos com os dois filmes "Creep") podem ser encontrados no catálogo Netflix e são boas sugestões para um serão de terror! O filme mais antigo desta lista é o já clássico "Sleepy Hollow", mas entre obras estabelecidas também destacamos "The Conjruing" e "A Quiet Place". Estas são as três obras mais mediáticas da lista, mas não se pode também esquecer "Don't Breath" e "The Orphan" que tiveram também muito sucesso nos cinemas! Como o bom terror não vem só de Hollywood aproveitamos também para destacar obras de outros países, como o espanhol "Veronica" que, na sua passagem por Portugal, foi tão celebrado! E também recordamos o iraniano "Under The Shadows", um dos grandes filmes de terror dos últimos anos provenientes do Médio Oriente! Uma outra sugestão de valor é o canadiano "Ravenous" que, em Portugal, foi exibido no FantasPorto, onde até conquistou o prémio principal do certame! O israelita "The Golem" claro que não poderia ficar de fora desta lista de fortes sugestões dentro de um dos géneros mais apreciados entre os espectadores nacionais!


NETFLIX BINGO!

32 RECOMENDAÇÕES PARA VER NA NETFLIX Tem tempo livre? Gosta de cinema? E tem Netflix? Então este jogo é para si! O Portal Cinema apresenta o Netflix Bingo! É um jogo que, na verdade, pode ser adaptado a outras plataformas e cujo único vencedor é o espectador, já que ficará bem mais rico após completá-lo! O Portal Cinema reuniu 32 grandes filmes que estão disponíveis na Netflix Portugal. E decidimos dividir esta lista ao meio e promover uma espécie de Bingo da Netflix. De um lado estão 16 Filmes Originais da Netflix de elevada qualidade, já do outro lado do quadro estão 16 grandes filmes que estão disponíveis Netflix mas que não são produções originais da plataforma. O objetivo do jogo é conseguir completar um dos lados, mas que lado do quadro é que consegue completar primeiro e pelo qual vai optar? Produções Originais ou Clássicos Externos? No fundo todos os 32 Filmes apresentados são opções bem válidas e merecem todos ser vistos, pelo que em última análise tem aqui 32 grandes recomendações de filmes que não pode perder na Netflix!


HISTÓRIAS DO CINEMA


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Joker - Warner Bros.

JOKER, O FILME DE SUCESSO QUE (QUASE) NINGUÉM QUERIA FAZER "Joker", de Todd Phillips, foi um dos grandes êxitos de 2019. Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza e de 2 Óscares da Academia (Melhor Ator - Joaquim Phoenix e Melhor Fotografia - Hildur Guðnadóttir), "Joker" conquistou o público e a imprensa, mas talvez o maior elogio que se lhe pode fazer é que seja considerado hoje em dia, a par de "The Dark Knight" (que curiosamente também marcou o público graças à presença do Joker do malogrado Heath Ledger), uma das melhores obras cinematográficas inspiradas nas bandas desenhadas da DC Comics. Não deve por isso existir hoje ninguém que esteja arrependido de ter participado e apoiado a produção de "Joker", mas verdade seja dita que o processo de nascimento desta aclamada produção foi bastante complexo. Foi o próprio Todd Phillips que, durante a promoção do filme, revelou a jornada que teve que ultrapassar para conseguir fazer esta obra, cujos planos iniciais remontam a 2016, três anos da sua estreia no Festival de Veneza. Foi neste ano que Todd Phillips apresentou, pela primeira vez, a sua visão de um filme sobre as origens de Joker, o principal arqui-inimigo de Batman, aos executivos da Warner Bros. Este estúdio é, como se sabe, o único que poderia fazer o filme, já que só a Warner é que detém os direitos sobre as obras da DC Comics e, por isso, só este estúdio é que pode fazer ou autorizar filmes inspirados em personagens dessa companhia. Por esta altura, Phillips, que já tinha uma relação profissional com a Warner devido ao seu trabalho em filmes como "The Hangover" ou "War Dogs", já tinha na sua posse uma primeira versão do argumento. E foi com esse argumento em mãos que apresentou aos executivos da Warner uma ideia de um filme completamente diferente do que aquele que eles provavelmente estariam à espera.


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Por esta altura, a Warner já tinha lançado nos cinemas "Suicide Squad", um filme de ação que junta vários vilões do Universo Batman na mesma aventura, incluindo o Joker num papel mais secundário e de apoio à verdadeira estrela do filme, Harley Quinn. O filme acabou por se revelar um flop global, mas o público até reagiu bem à presença do Joker e, sobretudo, à presença de Harley Quinn que, graças a isto, até acabou por ter direito a uma spin-off. Pese embora o fracasso de "Suicide Squad", a Warner acreditava que a personagem de Joker era uma mina de ouro e tinha potencial para render um filme a solo com grande potencial para se tornar num enorme sucesso comercial. Mas a Warner acreditava que só poderia ter nas mãos um campeão se tal filme seguisse o estilo de "Suicide Squad". A ideia original de Phillips, como se sabe hoje, era completamente diferente deste conceito!Phillips não queria que "Joker" se aproximasse sequer da ideia um blockbuster, nem que tivesse um estilo semelhante a todas as adaptações de obras da DC Comics que tinham sido produzidas até então, incluindo até a elogiada trilogia "Batman", de Christopher Nolan. Phillips queria no fundo fugir o máximo possível do típico conceito de filmes de super-heróis. Ele não queria criar um filme de ação ou aventura com elementos de fantasia. O que realmente queria realizar era um filme mais sério que dissecasse o lado psicológico e sociológico do Joker e que verdadeiramente explorasse as suas origens de uma forma realista.

Joker - Warner Bros.

As ideias de Phillips e da Warner eram, portanto, opostas e a Warner recusou-se, numa primeira fase, a alinhar com a ideia de Phillips. O estúdio parecia mais interessado em apostar na ideia de criar uma spin-off/ prequela de "Suicide Squad" centrada na relação entre Joker e Harley Quinn que exploraria também as suas bases maléficas e a sua relação conflituosa com Batman. Segundo Phillips, a Warner via o Joker como um produto comercial. Um dos executivos até lhe chegou a dizer que não poderiam fazer um filme como ele pretendia, já que a Warner vende pijamas do Joker na Target e que uma personagem que aparece em pijamas nunca poderia encabeçar um filme sério como aquele que Phillips queria fazer. A batalha parecia perdida, mas surpreendentemente Phillips começou a convencer a Warner que o seu filme era aquele que merecia ser feito. Se "Suicide Squad" tivesse sido um êxito, talvez o "Joker", de Todd Phillips nunca teria avançado, já que a Warer teria apostado no filme que pretendia fazer. Mas Phillips conseguiu convencer a Warner a testar algo diferente, mostrando que o conceito de "Suicide Squad" não tinha resultado como eles esperariam, mas que este conceito mais modesto poderia funcionar e até ficaria mais barato. Embora tenha usado o argumento económico no seu pitch, Phillips não esperaria que a Warner, quando acordou em apoiar o projeto, lhe desse um orçamento tão baixo como acabou por dar. A Warner aceitou os argumentos de Phillips e, após muitas reuniões, o realizador conseguiu convencer o estúdio a apoiar o seu projeto e, acima de tudo, a sua visão. O filme estava pronto a arrancar, mas Phillips queria saber quanto dinheiro ia ter para concretizar a sua visão. E ficou surpreendido quando a Warner lhe deu pouco mais de sessenta milhões de euros para fazer o filme. Este valor, embora seja bem mais alto que qualquer orçamento de uma típica produção indie, não era bem aquilo que Phillips estava à espera e a própria imprensa também achou que não era um orçamento adequado.


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Mal se soube do valor, a imprensa norte-americana especulou que a Warner tinha dado ao filme um orçamento de descrença e que era fácil de presumir que os seus executivos não depositavam grande fé no projeto e que, por isso, não estavam dispostos a investir um valor mais alto porque nunca o conseguiriam recuperar nas bilheteiras. O orçamento mostrava bem aquilo que a Warner pensava, já que mostrava claramente que o viam apenas como uma experiência que, mesmo que não resultasse, não provocaria grandes prejuízos. Em termos comparativos, por exemplo, o blockbuster "Suicide Squad" teve um orçamento de cento e oitenta milhões de dólares e até mesmo  "Batman Begins", o primeiro filme da trilogia Batman de Nolan,  teve um orçamento de cento e cinquenta milhões de dólares. Joaquin Phoenix é a estrela de "Joker" e um dos motivos apontados para o seu enorme sucesso. A sua grande performance valeu-lhe o Óscar de Melhor Ator e todos o vêm como um dos impulsionadores da grande qualidade do filme. Sem Phoenix, "Joker" não teria tido tanto sucesso. Mas o ator nem sempre esteve envolvido com o projeto. Phoenix já tinha proferido o desejo de interpretar a personagem no grande ecrã, aliás o ator recusou papeis nos filmes da Marvel porque gostaria de interpretar uma personagem como Joker, ou seja, uma personagem com quem se identificasse e com a qual poderia promover um trabalho de excelência. Phillips apercebeu-se desta paixão de Phoenix e, sendo também ele um fã do actor, conseguiu convencê-lo a encabeçar OCEAN'S ELEVEN "Joker". À primeira vista, Phoenix era a escolha ideal para interpretar o popular vilão e quase todos apoiaram esta decisão, com uma grande excepção inicial: a Warner Bros. Numa primeira fase, o estúdio parecia querer que Jared Leto, que interpretou a personagem em "Suicide Squad", interpretasse novamente o vilão nesta obra sobre as suas origens. Os fãs gostaram de o ver em "Suicide Squad" e a sua presença, embora secundária, foi um dos poucos pontos positivos do filme. O próprio Leto parecia convicto que seria ele a interpretar o Joker, mas Phillips tinha, como se sabe, outra ideia e foi a sua intenção que prevaleceu. É certo que a Warner ainda tentou que o vilão fosse interpretado por Leonardo DiCaprio numa clara tentativa de conferir um maior star power ao projeto, mas no final não parece ter dado grande luta por Leto ou DiCaprio, já que por esta altura ainda mantinha em cima da mesa o plano de fazer uma prequela de "Suicide Squad" centrada em Joker. Mas uma vez mais, Phillips conseguiu convencer o estúdio e conquistar mais uma vitória importante que se revelou fundamental. Quem não ficou muito contente foi Jared Leto que, publicamente, mostrou desagrado por não ter ficado com o papel. Mas o tempo e a qualidade do filme vieram dar razão a Phillips que, assim, conseguiu reunir a sua equipa de sonho para produzir o seu projeto de sonho.  O que é certo é que, no final de contas e três anos após ter lutado contra tudo e contra todos para concretizar a sua visão, Phillips provou que estava certo. A sua ideia resultou. O seu conceito funcionou. E as suas decisões foram as mais acertadas.  Sem a sua motivação e dedicação, "Joker" nunca teria sido feito e, hoje em dia, poderíamos estar a falar de um "Joker" completamente diferente e, quem sabe, mais próximo às linhas e à visão de "Suicide Squad" ou da spin-off "Birds of Prey", que se centra em Harley Quinn. Podemos até presumir que "Birds of Prey" poderia ter sido o "Joker" que a Warner queria fazer e, com isto, conseguimos ver a influência que tem a visão e a dedicação de um cineasta num determinado projeto. Se a ideia da Warner tivesse ido para a frente, então poderíamos hoje estar a falar de um "Joker" completamente diferente que seria  esquecido com o tempo, mas graças a Phillips e à sua perseverança hoje falamos de "Joker" como um clássico intemporal que faz parte da história do cinema.


CRÓNICA


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COVID-19 ESTÁ A PRECIPITAR MUDANÇA DO PARADIGMA CINEMATOGRÁFICO! O que os cinemas tradicionais temiam está a acontecer e bem mais rápido do que alguém poderia pensar. A pandemia da Covid-19, que precipitou o encerramento de milhões de salas de cinema em todo o mundo, está, definitivamente, a pender a balança para um dos lados de uma das guerras cinematográficas mais importantes de sempre: Cinemas Tradicionais Vs Plataformas Streaming. Com a pandemia, as plataformas streaming como a Netflix ou a HBO têm vindo a crescer exponencialmente, aproveitando também a quebra dos cinemas tradicionais para ganhar poder económico e, claro está, conquistar novos clientes. Os grandes estúdios de Hollywood, que até à Covid-19 eram os grandes apoiantes dos cinemas tradicionais, foram apanhados no meio da tempestade da pandemia e foram obrigados a olhar com mais atenção e clareza para as plataformas streaming que, de um momento para o outro, transformaram-se na sua principal fonte de rendimento. Até a Covid-19, os estúdios, na sua maioria, olhavam para as plataformas streaming como um negócio com potencial para o futuro mas que, no imediato, poderia apenas representar lucros secundários e onde apenas poderiam colocar os seus filmes após estes serem lançados nos cinemas. Mas a pandemia mudou este pensamento e o streaming parece ter conquistado definitivamente os estúdios que, agora, já não olham para este modelo de negócio como uma oportunidade futura, mas sim como uma oportunidade atual. As paltaformas de streaming poderão conquistar, agora, um lugar de destaque nas estratégias dos grandes estúdios de cinema e poderão começar a representar uma fatia significativa dos seus lucros.


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A Netflix e a HBO, pelo menos nos Estados Unidos, já tem grandes concorrentes criados pelos próprios estúdios de Hollywood que têm aproveitado essas plataformas e a pandemia para testarem uma nova estratégia comercial que poderá acelerar o declínio das salas de cinema. A Walt Disney foi um dos primeiros grandes estúdios a prestar real atenção às plataformas de streaming e, já em 2019, lançou a Disney+, uma espécie de Netflix do estúdio onde só são exibidos, em exclusivo, obras que pertencem ao catálogo Disney, quer sejam séries ou filmes. O plano inicial da Disney era colocar no Disney+ os seus grandes clássicos e aproveitar a plataforma para consolidar o seu lugar na produção de conteúdo televisivo, reservando para os cinemas as estreias dos seus grandes filmes que, posteriormente, seriam lançados em exclusivo na plataforma. Mas o Covid19 já alterou esta estratégia. A Disney anunciou recentemente que "Artemis Fowl", um filme cuja estreia estava prevista para as salas de cinema mundiais no Verão de 2020, já não será lançado nos cinemas, mas sim em exclusivo na Disney+. É claro que o estúdio ainda planeia lançar grandes blockbusters como "Mulan" ou "Black Widow" nos cinemas, mas a estratégia do estúdio passará por colocar, o mais rápido possível, estes títulos no Disney+ de forma a rentabilizá-los ainda mais. E isso poderá implicar uma concorrência direta com as exibições em salas de cinema.  

Pxhere.

Esta estratégia é, para já, uma teoria, mas poderá tornar-se uma realidade tendo em conta os avanços que a Disney já promoveu nesse sentido e os anúncios que já oficializou. Para os cinemas ter a concorrência direta de uma plataforma criada por um dos maiores criadores de cinema do mundo seria, no mínimo, catastrófico, já que acima de tudo mandaria um sinal para toda a indústria que os tempos efetivamente estavam a mudar. Se no caso da Disney as mudanças ainda podem ser consideradas teóricas, pese embora os fortes sinais que foram enviados, na Universal Pictures, outro gigante de Hollywood, o caso já é diferente.Recentemente um dos executivos da Universal confirmou que, quando a pandemia parar, o estúdio pretende começar a estrear, em simultâneo, os seus filmes nas salas de cinemas e nos múltiplos serviços streaming do planeta, incluindo aquele que o próprio estúdio já tem. Filmes como "The Invisible Man", que teve pouco tempo nos cinemas, ou "Trolls 2", que estreou em exclusivo já em plena pandemia nas plataformas streaming, têm tido muito sucesso neste circuito e levaram já a Universal Pictures a reavaliar as suas opções, como provam as declarações da sua direção. E estas declarações não passaram ao lado dos cinemas, já que a AMC, uma das maiores redes de cinemas do mundo, já veio a publico classificar estas declarações como perigosas para o futuro das salas de cinema, tendo anunciado que vai recusa-se a exibir os filmes da Universal se o estúdio mantiver tais planos.


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Já se sabia, pelo exemplo de popularidade da Netflix, que as plataformas streaming são um sucesso e têm vindo a alterar a forma como se consome cinema. Toda a indústria está ciente deste facto, apesar de grandes pesos pesados como o Festival de Cannes ou até mesmo a Academia manterem as suas reservas em relação a estes serviços. Mas na generalidade muitos já acreditavam que o streaming representa o futuro da 7ª Arte e que, no futuro, os cinemas teriam que aprender a conviver com esta realidade. Mas todos julgavam que o streaming só ultrapassaria a popularidade dos cinemas e conquistaria mais privilégios daqui a uns bons anos, mas esse futuro longínquo parece ter sido precipitado pela Covid-19 e, agora, o grande ano da mudança de paradigma da 7ª Arte poderá mesmo ser 2020...Os estúdios viram que, afinal, os espectadores não se importam de pagar para consumir cinema nas plataformas streaming e que isto até poderá diminuir o volume de pirataria. Os estúdios também perceberam que, se calhar, é menos dispendioso e mais estratégico controlar os seus lançamentos em plataformas deste estilo do que em milhares de cinemas espalhados em todo o mundo. E, pelos vistos, parecem ter chegado à conclusão que poderão obter mais lucros se apostarem nas plataformas streaming sem deixar cair a sua política de exibição nos cinemas, mas colocando-as no mesmo nível de prioridade e de regalias, permitindo assim ao espectador escolher como e onde quer ver um filme. A estratégia tem lógica e, como já vimos, Universal e Disney deverão colocá-la em prática já esteOCEAN'S ano, para já na ELEVEN América do Norte, mas certamente que num futuro próximo (talvez 2021) levaram a sua estratégia para um nível global. Estúdios como a Warner Bros, a Sony ou a Paramount, que também já começaram a explorar mais agressivamente este filão empresarial, também poderão seguir os passos dos seus grandes rivais. E claro neste contexto não podemos esquecer a Netflix, a grande impulsionadora e o grande exemplo de sucesso do streaming que, cada vez mais, está a postar numa produção própria e original de conteúdo cinematográfico, sendo já considerada um dos grandes estúdios de Hollywood! E outras plataformas como a Hulu, a HBO ou a Amazon Prime claramente já começaram a prestar mais atenção ao cinema e, num futuro não muito distante, não se dedicarão só à produção de grandes séries e também poderão entrar no grande jogo da produção cinematográfica de grandes títulos! Se os cinemas tradicionais já estavam com medo das plataformas de streaming, pode-se prever que deverão ter ficado ainda mais receosos com estas movimentações concretas dos grandes estúdios, mas talvez o grande alerta tenha sido a recente comunicação da Academia que, pela primeira vez na história, vai admitir a concurso filmes que nem sequer foram lançados nos cinemas. É uma medida excepcional por causa da pandemia, mas até que ponto é que uma excepção não se tornará uma regra? O que é um facto é que a Academia já abriu essa porta e a questão não é saber se a conseguirá fechar, mas sim até quando é que a manterá fechada...O shift dos festivais de cinema para o online também não ajuda nada à causa dos cinemas tradicionais que cada vez parecem mais sozinhos e isolados numa luta desigual e, embora a sua extinção não esteja em causa, o que certamente acontecerá é a sua perda de importância no panorama cinematográfico e da sua preferência junto do público que consome cinema.O Futuro do CinemaAs salas de cinema não vão morrer nem vão acabar, acho que isso nunca acontecerá. Mas o futuro chegou e o consumo exclusivo de grandes estreias cinematográficas em exclusivo nos cinemas parece ser uma coisa Pré-Covid-19. O Mundo Pós-Covid-19 promete, a julgar pelos eventos recentes, uma maior dinamização e comercialização do cinema com possíveis perdas para algumas partes do sector é certo, mas nesta guerra quem ficará a ganhar será certamente o consumidor, já que as barreiras da localização e do consumo parecem já estar a ser demolidas...


NOTÍCIAS RÁPIDAS


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Credits - Gage Skidmore

FESTIVAL DE CANNES 2020 JÁ NÂO SE VAI REALIZAR

TOM CRUISE E NASA VÃO GRAVAR O PRIMEIRO FILME NO ESPAÇO

É oficial, o Festival de Cannes não se vai realizar em 2020. Esta é apenas a segunda vez que o icónico certame francês não ser irá realizar, no entanto, Cannes promete voltarem 2021 e, até lá, promete várias iniciativas que não deixarão passar o festival em branco. Após o invevitável adiamento, a Organização do Festival concluiu que não tinha condições para realizar o festival nos moldes que pretendia e, como se recusar a ter uma edição online do festival, achou por bem cancelar a edição deste ano. Mas este ano não haverá festival?O Festival não se realizará em moldes normais ou online, mas a organização comprometeu-se a divulgar a seleção dos filmes que já teria escolhido para fazerem parte das suas secções competitivas pela Palma de Ouro e Un Certain Regard. E o festival vai mais além, já que irá apoiar a e ajudar a promover a exibição desses filmes nas salas de cinema francesas sob a insígnia de filme da competição oficial do Festival de Cannes, mantendo assim bem vivo espírito da selecção do certame.

Já se sabe que Tom Cruise adora adrenalina. As suas façanhas no set de filmagens dos seus filmes de ação, como "Mission: Impossible" ou "Oblivion", são já lendárias e todos sabem que Tom Cruise raramente usa duplos nas sequências de ação porque gosta de fazer o seu trabalho no limite! Mas em breve, Cruise terá o seu maior desafio até à data. A NASA, a Organização Espacial dos EUA, revelou que vai entrar no ramo da produção de longas metragens e que, nesse sentido, está já a planear um filme a bordo da Estação Espacial Internacional que será protagonizado por Tom Cruise. Este projeto ficará a cargo da NASA, mas terá a colaboração do empreendedor norte-americano Elon Musk que é, como se sabe, o cofundador da empresa aeroespacial SpaceX.Este será o primeiro filme de ficção gravado no espaço e poderá representar um marco para Hollywood. É claro que ainda não foram divulgadas muitas informações sobre este projeto, mas certo é que é já uma das notícias mais excitantes do ano na indústria.


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Edição de Maio da Portal Cinema Magazine! Nesta edição de Maio continuamos a explorar o Mundo da Netflix e das Plataformas de Streaming que...

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