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Rio Taquari e Banhados Apoio:


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Editorial A humanidade sempre utilizou os recursos hídricos, porém a compreensão da água como um recurso natural renovável, mas limitado, é algo recente entre os homens. O contexto atual de desenvolvimento requer, cada vez mais, a utilização deste recurso. Nesse sentido, passa a ser entendido como sinônimo de oportunidade de desenvolvimento, porém, provavelmente este será o grande limitador do crescimento humano, visto que muitas das atividades dependem diretamente do consumo da água – a indústria, a agricultura, a geração de energia elétrica, a navegação, o uso doméstico, a piscicultura, o lazer etc. Além disso, a água é o principal constituinte dos seres vivos, sem contar que ela serve como berçário e habitat para inú-

meras formas de vida do planeta; portanto, este precioso recurso requer um privilegiado lugar na gestão ambiental. Com o aumento da demanda, os recursos hídricos oferecem uma disponibilidade cada vez mais reduzida, devido à degradação da qualidade dos corpos d’água, provocada pelo crescimento populacional e pelo processo produtivo, o que inviabiliza determinados usos. Atualmente os corpos d’água sofrem com a poluição, com a falta de controle e investimentos na coleta, tratamento e disposição final de esgotos (domésticos e industriais), bem como na disposição inadequada dos resíduos sólidos. Com o intuito de discutir o atual modelo de desenvolvimento da sociedade e seus impactos sobre os recursos

hídricos, os alunos das sétimas séries do Colégio Evangélico Alberto Torres, no componente curricular de O Homem e o Meio Ambiente, trouxeram para debate questões referentes ao Rio Taquari e aos ecossistemas de Banhados da região. A revista ECONEWS, em sua segunda edição, compartilha nossas ansiedades, estudos, dúvidas e, quem sabe, ideias para estabelecermos limites quanto ao uso dos recursos hídricos. Desta forma, é com muita satisfação que apresento o resultado de parte dos trabalhos realizados pelos alunos das sétimas séries do CEAT, 2009. Juliana Schwingel Gasparotto Professora

Artigo

Relato acerca da legislação dos banhados João Victor Kuhn

Sétima série “A” - Ensino Fundamental

Bom, o que são leis? Naturalmente eu diria que leis não são algo de suma importância já que, os bons mesmo, não precisam de leis e os maus não as respeitam de qualquer maneira. Com leis ou não, o mundo, hoje em dia, está demasiado preocupado com dinheiro, crises econômicas, senadores roubando “a torto e a direita” e, em meio a tudo isso, não resta tempo algum para pensar no mais importante: a natureza. A maioria dos trabalhadores comuns não se preocupa se para fazer a cadeira onde senta, ou as toneladas de papel que ele tem de assinar, são necessárias florestas inteiras. Graças à Deus, que hoje em dia, ainda temos alguns que se preocupam mais com as florestas inteiras, do que com as assinaturas ou a cadeira. Deixando de abranger o assunto de forma generalizada, voltemos nossa atenção para o assunto que deve, especificamente, ser tratado aqui. Os banhados são igualmente importantes para os seres humanos por

ser o ambiente onde vivem muitos dos animais que auxiliam na sobrevivência bem sucedida dos fracos hominídeos. As leis podem até ser desrespeitadas, contudo, em meio a um deserto, é melhor beber uma gota de água, do que não tomar nada. Em razão disso, é importantíssimo que tais leis sejam criadas e mais importantes ainda, que sejam fiscalizadas de forma constante e severa. Os banhados são lar de uma vasta gama de criaturas endêmicas e ao tratá-los como um poço de dejetos que merece ser aterrado, estamos sendo ignorantes. Devemos olhar para além da catinga intensa ou da aparência de esgoto que está estampada na maioria dos banhados existentes. Devemos percebê-los como parte do conjunto de ecossistemas que compõem toda a paisagem terrestre. Pois, afinal, o arco-íris só o é se contiver todas as sete cores, bem como o mundo só o é se contiver todos os ecossistemas em harmonia. É em razão de todos estes fato-

res, e muitos outros, que penso que as leis direcionadas tanto à proteção ambiental, em geral, quanto aos banhados, em especial, são importantes. Se um dia o Juízo Final atingir a humanidade, teremos todo o direito de bradar em alto e bom som: “Deus é testemunha de que eu tentei”, pois de fato, tentamos. E, se agraciados formos, talvez um dia este mesmo Deus se orgulhará dos filhos que “salpicou” por toda a extensão de sua criação, pois estes mesmos terão preservado sua obra. Uma viagem de trezentas léguas começa com um simples passo e lhes garanto que a simples criação, das ditas leis, representa algo muito além de um simples passo. Restam-nos ainda cerca de um milhão quinhentos e oitenta e três mil novecentos e noventa e nove passos, mas mesmo se porventura tivermos de retroceder um passo, o faremos de novo, cinco vezes, pois é de erros e correções que se vive a vida.


Artigo

Importância da Legislação Ambiental para os Rios Rodrigo Felipe Wiebbelling Sétima série “B” – Ensino Fundamental

“A preservação dos rios é simplesmente a preservação da vida, pois sem água não existirá vida.” Pensando nisso, pesquisei e concluí que existem várias formas de preservação dos rios, que isso está intimamente ligado à preservação do meio ambiente e, também, que as pessoas realmente interessadas, motivadas com este propósito, agrupam-se em Associações, Fundações e ONGs na tentativa de alcançar objetivos que tragam benefícios, não somente aos rios, mas a toda humanidade. Exemplos claros são observados por nós nos canais de televisão, em programas educativos como: “Canal Futura”, em parceria com a “Fundação Bradesco”, no projeto “Cuidando do Futuro”, em propagandas como o “ABC do Amazonas”, que nos mostra o cuidado que devemos ter com as espécies que lá vivem. A “Natura Cosméticos”, que incentiva à compra de produtos com refil, o “Canal Nicklodean”, na propaganda “Mais Verde”, dando dicas de como economizar água, luz e cuidar do planeta. Em Lajeado e nas cidades vizinhas, existem entidades que lutam pela preservação do nosso “Rio Taquari” como a “Fundação Pró-Rio-Taquari”, “Organização SOMA – Salvando o Meio Ambiente”, “Aepan – Associação Estrelense de Proteção ao Ambiente Natural” e muitas outras que, em ações conjuntas com outras entidades como FUVATES, através do Centro Universitário Univates e ACIL – Associação Comercial e Industrial de Lajeado, bem como diversas Prefeituras do Vale do Taquari, realizam a retirada de resíduos sólidos (lixo) e beneficiam nosso rio com pesquisas para o melhoramento da qualidade da sua água. Fato que já ocorreu em junho/ 2007 e abril/2008. É inacreditável tudo o que se encontrou e de lá se retirou. O espaço escolhido para limpeza, nas duas edições, foi estipulado desde a foz do Arroio Boa Vista até a foz do Arroio Estrela, nas duas margens do Rio Taquari, compreendendo uma extensão aproximada de 4,5 km. Com voluntários, em-

barcações e caminhões, foram recolhidos resíduos como: ferro, plástico, pano, caixa de leite, garrafas pet, borracha, isopor, pneu, papelão, vidro e madeira. Os municípios ainda contribuem com a implantação de Leis Municipais que estipulam a preservação do meio ambiente. Em Lajeado, por exemplo, o Código do Meio Ambiente foi instituído pela Lei Municipal de nº 5.835 de 12 de dezembro de 1996. Este Código estabelece procedimentos para a proteção do Meio Ambiente municipal, considerando-o como patrimônio comum da coletividade, dever do Poder Público e de todas as pessoas e entidades na sua proteção. Para melhor aplicabilidade e eficiência este Código deve ser adequado ao novo Código Estadual de Meio Ambiente, Lei nº 140/98 aprovado pela Assembléia Legislativa em 28 de junho de 2000, onde encontra-se, no Capítulo II - Da Proteção do Meio Ambiente, na descrição do Art. 4° - “Para impedir ou reduzir a poluição do Meio Ambiente, o Município promoverá medidas para preservar o estado de salubridade do ar e para evitar ruídos, sons excessivos, bem como evitar a contaminação do solo e das águas”. Essa Lei, também, estipula regras para: a implantação de indústrias, emissão de resíduos e poluentes, forma de fiscalização, permissão para funcionamento, alvará de localização e funcionamento destas empresas, proibindo qualquer ação que prejudique o Meio Ambiente e, consequentemente, as águas dos nossos rios. Já dizia Francisco Reckziegel, no nome artístico de Assis Sampaio, em seu livro Nas Barrancas, “que a bela vista do Rio Taquari foi sacrificada pelo rolo compressor do progresso, prevalecendo o fator econômico sobre o bom gosto humano e o valor paisagístico. Coisas que não interessam aos cifrões dos balanços financeiros”. Mas como disse no início, temos que ter consciência: “A preservação dos rios é simplesmente a preservação da vida, pois sem água não existirá vida.”

Expediente Econews - 2ª Edição é a revista experimental produzida pelos alunos da 7ª série de 2009 do CEAT Diretor: Ardy Storck Professora supervisora: Juliana Gasparotto Projeto Gráfico e Diagramação: Nicole Sberse Morás Revisão: Sílvio João Senger Tiragem: 750 exemplares Impressão: Grafocem Impres sos Gráficos Ltda Colégio Evangélico Alberto Torres Rua Alberto Torres, 297 Lajeado-RS - 95900-000 Fone: (51) 3748-7000 E-mail: imprensa@ceat.net Site: www.ceat.net


Peixes no Rio T aquari Taquari Não só em terra firme os animais correm perigo, nas águas a situação de várias espécies também é preocupante. Ameaçados pela perseguição do ser humano e pela poluição, estes animais lutam para se manterem vivos. Ações do homem, como a pesca excessiva, andam afetando todo o equilíbrio ecológico que a natureza oferece. A morte de algumas espécies acaba interferindo em toda a organização de cadeias alimentares. O que temos em mente, com este trabalho, é tentar fazer com que os peixes que vivem no Rio Taquari sejam um pouco mais preservados e que tenham a devida atenção, pois o rio pode perder muitas das espécies naturais da região. Isso está ocorrendo, pois estão sendo ameaçados por outros peixes trazidos para cá que estão caçando os peixes da nossa região. Assim, com a ameaça dos peixes no Rio Taquari, nós decidimos falar com o Hamilton Grillo, professor da UNIVATES, e com ele obtivemos as informações aqui contidas, e dedicamos a ele grande parte do nosso trabalho. Em rios, que se encontram em diferentes espaços geográficos, podemos encontrar peixes como o porrudo, as tuviras, os birus, os peixes-cachorro, os carás, os carazinhos, os lambaris, o charutinho, o guitarreiro e os limpa-vidros . Há também animais, que não são peixes, mas que se alimentam destes. Esses animais estão ficando com a sua área de “pesca” reduzida, por causa do crescimento urbano, da retirada de cas-

calhos e das construções de barragens, em buracos são os birus, os cascudos fazendo com que esses animais per- adoram ficar em lugares onde haja cam parte da sua comida, ficando sujei- corredeiras, há também os peixes que tos à extinção. são carnívoros (que se alimentam de No rio Taquari se encontram outros peixes), como as traíras, os douaproximadamente 58 espécies de ani- rados e os joaninhas. O lambari também mais, e no trecho em torno de Lajeado é um peixe carnívoro, mas que se alihá 49 espécies de peixes confirmadas. menta de pequenas criaturas que ficam A mata ciliar é muito importante no fundo do rio e de pequenos filhotes para que os peixes possam se alimen- de peixes. tar e também possam procriar e esconOutro grande problema para os der os seus filhotes dos predadores. A peixes do Rio Taquari é a introdução de destruição dos peixes exóticos, porNo rio Taquari se encon- que , ou eles não sohabitats é a pior coisa para os peixes. A cons- tram aproximadamente 58 brevivem, ou eles sotrução de barragens, espécies de animais, e no brevivem e acabam a remoção de casca- trecho em torno de Lajeado matando os peixes da lhos, ou seja, todas es- há 49 espécies de peixes nossa região, ou enconfirmadas. sas ações do homem tão, acabam comendo acabam com os peia comida dos nossos xes. Um projeto que busca diminuir esse peixes, fazendo com que eles acabem problema é a repovoação dos rios, ou morrendo por falta de comida e tamseja, pretende-se pegar peixes de ou- bém de espaço para procriação. Alguns tros lugares e incorporá-los aos rios que exemplos desses peixes são as carpas, estão com falta deles. A intenção é boa, as tilápeas e ,em pequena quantidade, porém não adianta apenas isso, o prin- o peixe-gato. cipal é descobrir o motivo do probleAssim, nós queremos que os peima, ou seja, por que está acontecendo xes citados aqui, e todos os outros que isso com os peixes e o que se necessita não conseguimos citar, sejam preserfazer, para daí colocar mais peixes nes- vados, e que futuramente nós possase rio. mos fazer com que o rio que passa peEm um mesmo rio há diversos las cidades do Vale do Taquari, tenha ambientes e nesses ambientes há pei- um ambiente menos poluído e mais xes que só habitam um determinado organizado para que os peixes que nele lugar, como, por exemplo, há peixes habitam possam se reproduzir e contique não conseguem viver em lugares nuar a viver e manter a espécie. onde existem corredeiras, já outros viAna Paula Koenig vem em lugares onde há corredeiras, Cássio Henrique Oyarzabal outros vivem somente onde há barro e Daniel Scherer Mallmann lodo. Um exemplo de peixes que vivem Eduardo Führ Poletti


zabal ann

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Bacia Hidr ográfica T aquariAntas: Hidrográfica Taquariaquari-Antas: você conhece? O que é uma bacia hidrográfica? Onde ficam as nascentes do Rio Taquari? Você sabe qual o tamanho de sua extensão? Pois é, se você nunca parou e pensou sobre essas questões, este texto busca responder a algumas dessas perguntas. Uma bacia hidrográfica é o conjunto de terras que fazem a drenagem da água das precipitações (chuvas). É uma área geográfica e, como tal, mede-se em km². A bacia hidrográfica forma-se através dos desníveis de terrenos que orientam os cursos dos rios, sempre das áreas mais altas para as mais baixas. O conceito de bacia hidrográfica pode ser entendido através de dois aspectos: Rede Hidrográfica e Relevo. Rede Hidrográfica é um conjunto de rios menores, que se juntam, formando outro maior. Este desemboca em um conjunto de águas maior. Já o Relevo dos rios é formado por desníveis de terras. Em nossa região, encontra-se o rio Taquari. Ele tem suas nascentes em dois municípios: Cambará do Sul e Bom Jesus, no extremo leste do Planalto dos Campos Gerais, quando é ainda chamado de rio das Antas. Com este nome, o rio faz um percurso de 390 km. Nas regiões próximas ao município de Muçum, recebe as águas do rio Guaporé, onde, então, passa a ser chamado de rio Taquari. Depois, ele deságua no rio Jacuí no município de Triunfo. Com o nome de Taquari, o rio percorre 140 km, totalizando uma extensão de 530 km, do seu nascedouro até a sua foz. A área da bacia Taquari-Antas tem aproximadamente 27 mil km².

Em busca de solucionar problemas e discutir a legislação do Rio Taquari, foi instituída em 1994 a Fundação Pró-Rio Taquari, uma entidade sem fins lucrativos e que tem como objetivo a defesa e a preservação do meio ambiente da região. Desta forma, instalaram o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas, que é como um Parlamento da Água. O Comitê busca através da Lei Federal 9.433/97, conhecida como Lei das Águas, ensinar às pessoas como se pode participar e contribuir com o processo d e gerenciamento

que administra a conservação da qualidade e da quantidade da água em uma Bacia Hidrográfica e a melhor utilização dos recursos hídricos na natureza. “Vivemos numa nave sem janelas, onde tudo que fizemos, um dia voltará”, diz o gerente executivo da Fundação, Ildo Günter Meyer. Isso quer dizer que todas as ações do ser humano na natureza, de uma forma ou de outra, de modo errado ou até mesmo certo, um dia, de alguma forma, terá uma consequência, ou seja, voltará ao homem.

José Vanderlei Schmidt Júnior Maria Paula Alves Corrêa Pedro Sartori Zílio Tábata Faleiro


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Águas de uma história Lajeado, uma cidade grande do Vale do Taquari, com cerca de 70 mil habitantes, sofre com a poluição das águas de seu rio e arroios como tantas outras cidades, poluição que não aparece apenas nas águas, mas na terra e no ar. Neste texto, vamos focar especialmente a poluição das águas de nossa região. A poluição das águas no rio Taquari é o resultado obtido após fábricas, famílias e condomínios depositarem seus esgotos, sem tratamento, no rio ou arroios. E é essa água que usamos para lavar nossos carros, calçadas, para tomar banho e até para cozinhar. Temos que pensar nas próximas gerações, pois são elas que vão ocupar nossa cidade, bem como nos animais que vivem no rio, pois eles fazem parte dele ! Atualmente, encontramos um rio que já sofreu várias mudanças, como, por exemplo, em sua profundidade, pois para que pudessem passar navios cargueiros foi necessária a construção da barragem de Bom Retiro. Enfim, o rio já sofreu muitas modificações executadas pelo homem e sofre muito pela poluição. Temos que fazer nossa parte e não pensar apenas em dinheiro, como pensamos, às vezes, na sociedade capitalista atual. O rio Taquari faz parte da história de Lajeado, começando pela própria colonização, pois foi através de suas águas que os primeiros colonizadores chegaram até aqui. As águas do Taquari também deixaram e ainda deixam marcadas outras histórias no nosso município, como, por exemplo, as cheias. O H ISTÓRICO DE ENCHENTE Bem, as enchentes aqui em Lajeado são muito comuns, devido ao excesso de chuva. Aqui em Lajeado, quando o rio enche, atinge principalmente as parte baixas da cidade (Bairros Centro, Hidráulica, etc..), onde antigamente havia banhados e atualmente há construções. A enchente chega até a cidade pelos bueiros, arroios ou diretamente do rio. As enchentes são um grande problema principalmente para as famílias de baixa renda que vivem na periferia da cidade, locais devastados pela enchente. Como podemos ver nas datas do quadro, antigamente as enchentes

aconteciam anualmente ou no máximo duas vezes ao ano. Anos depois, as enchentes costumam aparecer mais constantemente, é preciso chover apenas três, quatro dias nas cidades onde se encontram as cabeceiras dos rios, que as águas descem e logo atingem nossa cidade. Estas cheias estão aparecendo com mais frequência como resultado do descaso da humanidade frente às questões ambientais, pois ao se retirar a mata ciliar para fazer o plantio de culturas, a terra das margens desbarranca fazendo com que o rio alargue e fique mais raso, com isso facilita a invasão da enchente na cidade. Fomos procurar alguém que lida com todos esses problemas que acontecem no ambiente de Lajeado, principalmente para sabermos mais sobre as causas das enchentes e sobre a importância do rio Taquari; então, entrevistamos a Laura, funcionária da Secretaria do Meio Ambiente de Lajeado. Segundo a Laura, os grandes problemas para a ocorrência das enchentes são os bueiros entupidos com, na maioria das vezes, lixos postos pelos próprios humanos e a destruição da mata ciliar. Métodos para prevenir enchentes existem poucos, apenas com muita tecnologia, talvez, pudéssemos realizar isso, mas também custaria muito caro. Há lugares em Lajeado em que ainda há poços artesianos próximos aos locais atingidos pelas enchentes, a água se contamina e, então, pessoas ficam sujeitas a beberem água poluída. De acordo com a Laura, não damos a importância necessária para o nosso rio Taquari, poluímos cada vez mais. Poluímos, mesmo cientes de que podemos matar muitas espécies de peixes e prejudicar muitas famílias que ainda vivem à base da pesca, comem peixes e vendem peixes para obter um pequeno lucro para o sustento de sua família.

Ong Aepan

Bem, após concluir a leitura, que tal, você leitor, comprometer-se na tentativa de conscientizar as pessoas donas de empresas ou mesmos os moradores de sua cidade, faça sua parte. As ocorrências nos últimos 69 anos anos, de 1940 a 2009, são datadas a partir de: 18/05/1940, 06/05/1941 (maior enchente dos últimos tempos, atingiu 29,9m), 18/11/1941, 20/05/1942, 27/01/1946, 27/09/1954, 06/04/1956, 30/09/1961, 18/10/1963, 22/08/1965, 06/08/1966, 21/09/1967, 29/08/1972, 21/09/1972, 03/08/1977, 19/08/1977, 30/06/1982, 25/10/1982, 13/11/1982, 10/07/1983, 009/08/1983, 15/09/1988, 26/09/1988, 25/09/1989, 02/06/1990, 16/10/1990, 29/05/1992, 05/08/1997, 13/10/2000, 22/07/2001, 03/10/2001, 13/06/2002, 21/02/2003, 08/07/2003, 25/10/2003, 15/12/2003, 19/05/2005, 17/10/2005, 27/07/2006, 11/07/2007, 24/09/2007. (Informações retiradas de um trabalho de faculdade, cedido pela secretaria de meio ambiente de Lajeado-RS). Augusto Cardoso Agostini Lucas Rieth Peuhs Rodrigo Araújo Barbosa


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A mata ciliar Ouvimos falar várias vezes em recuperação da mata ciliar. Será que todas as pessoas têm consciência do que é a mata ciliar? E o que está sendo feito para preservá-la? A nossa preocupação, como lajeadenses, deve ser com o que está sendo feito para a recuperação do nosso Rio Taquari. Sabemos que há órgãos públicos, ONGs, associações e fundações, tentando conscientizar a população a respeito da preservação do meio ambiente e da poluição do nosso rio. A recuperação do Rio Taquari é muito importante para os municípios por onde ele corre, pois suas águas são utilizadas para várias finalidades, como, por exemplo, para beber, tomar banho, lavar roupa e usar nas indústrias. É necessário que se tenha um trabalho constante de esclarecimento à população quanto à preservação do meio em que vivemos. Você sabe para que serve ou o que é a mata ciliar? Mata ciliar é originada da palavra “cílios”. Ela é a formação vegetal que ocorre nas margens dos cursos da água. A mata ciliar impede que aconteçam erosões (deslocamento de terras das margens para dentro do rio em função de não haver mata ciliar durante as cheias) e consequentemente assoreamentos (diminuição do nível do rio por causa da erosão). A mata ciliar serve também como filtro, impedindo que poluentes cheguem às águas do rio, além de servir de refúgio para a fauna silvestre. Que árvores fazem parte da mata ciliar? Há vários tipos, tanto exóticas como nativas. Entre as nativas, temos a canela, pitangueira, chá de tigre, figuei-

Josiani Antunes

ra, olho de pomba e araticum. Já nas exóticas, encontramos a goiabeira, mangueira, citros, cinamomo, pinos, plátano, mamoeiro. Entretanto, cabe ressaltar que as árvores exóticas não fazem parte desta mata, pois foram introduzidas nestes ambientes pelo homem. E os animais? Quais vivem na mata ciliar? Na mata ciliar vivem os ouriços, gambás, mãos peladas, furões, saracuras, ratões-do-banhado, bugios e várias aves. O que estão fazendo para melhorar a preservação da mata ciliar? Cada Município promove ações que resultam na recuperação da mata ciliar. Exemplos claros desta afirmação foram lançados como notícias do Fórum da Mata Ciliar de 18 de junho de 2003 (www.agirazul.com.br/fsm4/_fsm/ 00000181.html), que abordou o trabalho feito pelo Departamento de Meio Ambiente da Cidade de Estrela, que concluiu o plantio de 2.500 mudas de árvores nativas na recuperação da mata no município. O trabalho teve como prioridade o reflorestamento das margens de arroios, córregos e banhados, até chegar ao rio Taquari. No Município de Roca Sales, através de uma parceria entre a Univates e

a Prefeitura Municipal, foram realizadas avaliações de alguns s i s t e m a s agroflorestais capazes de recuperar as áreas, mantendo a sustentabilidade das propriedades. Alguns agricultores estão trocando as lavouras de soja em APPs, que são as Áreas de Preservação Permanentes, pela implantação de

frutíferas. A plantação de citros tem se mostrado positiva na contenção do solo. Mesmo durantes as cheias as árvores continuam fixadas. A legislação determina como APP a largura de 100 metros a partir da margem do Rio Taquari. As propriedades rurais estão implantadas horizontalmente, com plantações que chegam à margem do rio, acabando com a mata ciliar ali existente. É necessária uma conscientização das famílias instaladas próximas às margens dos rios sobre a importância da preservação desta mata. Também foram implantadas comissões, em cada município da região, preocupadas com a recuperação e preservação do Rio Taquari, que visitam as escolas com objetivo de conscientização dos alunos para preservação do meio ambiente, principalmente dos recursos hídricos. A Univates criou o Fórum Permanente da Mata Ciliar que serve para discutir e propor medidas de preservação junto com o público e entidades ligadas ao meio ambiente. Cláudia Bianchini Rubio Fabiana Willers Cobalchini Fernanda Thaís Lenz Rodrigo Felipe Wiebbelling


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Pensando sobre A poluição dos esgotos domésticos e industriais é um dos grandes problemas que afetam rios e cidades. Isso, porque não existe conscientização por parte das pessoas, que acabam poluindo. Neste texto, vamos falar principalmente dos problemas encontrados na cidade de Lajeado e no Rio Taquari, que fornece a água que consumimos. O rio está sofrendo muito com a poluição dos efluentes a qual a cada dia vem aumentando. Além de causar problemas para os rios, a falta de tratamento dos efluentes, ou as fossas mal feitas, acabam poluindo os lençóis d’água. Isso, devido à penetração da água no solo e chegando aos lençóis d’água. Tendo em mente que temos o maior lençol d’água do mundo embaixo dos nossos pés, esse problema se torna ainda maior! D ÚVIDAS F REQUENTES O que são efluentes? Efluentes são os rejeitos líquidos que saem de indústrias e casas, ou seja, os esgotos. Por que deveríamos nos preocupar com isso? É só você pensar um pouco e essa pergunta se responde sozinha, é o mesmo que perguntar “por que precisamos do meio ambiente?” Você deve se preocupar com todos os problemas, não só ambientais, mas qualquer problema que suas ações produzam. Você sobreviveria sem água? Então pense duas vezes antes de jogar lixo no chão ou não fazer o tratamento correto de efluentes na sua casa. Quais os problemas que a falta de tratamento de efluentes pode causar? Bom, para começar, se ninguém tratasse os efluentes, a água

Efluentes

já estaria num estado de poluição sem volta e não teríamos mais água potável ou ela seria incrivelmente cara, além de acabarmos por destruir todos os ecossistemas. Mas, não são as indústrias (chamamos os esgotos das indústrias de efluentes ou esgotos industriais) as grandes poluidoras? É verdade que algumas vezes indústrias que não são submetidas à fiscalização adequada e são inconsequentes acabam poluindo muito mais do que um bairro inteiro. Porém, normalmente são os esgotos das nossas casas (chamamos esses esgotos de efluentes ou esgotos domésticos) que poluem mais, mesmo não querendo admitir. Mas por que eles poluem mais? Justamente porque as indústrias têm algo que eles não têm: fiscalização. Como dito anteriormente, as indústrias poluem mais quando não são submetidas à fiscalização adequada e são inconsequentes, sem dúvida essa é uma combinação perigosa, principalmente para a população. Então, para resolvermos o problema, não adianta só termos fiscalização, temos de ter o mais importante: consciência das nossas ações e suas consequências. Se os esgotos domésticos são os maiores poluidores, então é racional concluirmos que Lajeado é um dos maiores poluidores do rio Taquari? Há lógica nisso, mas não depende só da quantidade de habitantes, também depende da capacidade das pessoas e do governo de tratar os efluentes. Se nos preocupássemos com os efluentes, muito provavelmente ci-

dades com menos de um quarto da população Lajeadense poluiriam mais. Muitas cidades estão fazendo grandes investimentos no campo de tratamento de efluentes porque os seus rios e lagos chegaram a um ponto crítico. Cabe a nós decidirmos se vamos esperar o rio Taquari chegar a esse ponto ou se vamos começar a tratar os efluentes aqui e agora! Mas como eu vou tratar o esgoto da minha casa? Onde vou arranjar dinheiro para isso? Hoje em dia, há tratamentos baratos, que costumam ocupar bastante espaço, mais ou menos como o espaço de três terrenos, e tratamentos mais caros, mas que ocupam menos espaço. Por esses motivos, a melhor opção é as comunidades se juntarem e negociarem com a prefeitura auxílio na compra de um terreno para lá fazerem uma estação de tratamento. Mas se o rio está tão poluído, de onde vem a água que eu uso para tomar banho, lavar as mãos, etc.? Essa água vem do rio, mas é tratada, no nosso caso, pela CORSAN. Então isso tudo é uma bobagem! Se alguém está tratando a água por que eu deveria me preocupar? Em primeiro lugar, quanto mais a água estiver poluída, mais caro vai ser seu fornecimento, e no final, sai mais barato para todos se tratarmos os esgotos antes deles chegarem ao rio. Além disso, imagine você indo ver o rio Taquari e encontrar suas águas quase que cristalinas e não marrons e poluídas como no momento; tomar banho nessas lindas águas! Não seria ótimo fazer isso? Bem, ao tratar os efluentes você estará colaborando para que isso aconteça.


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AS

INDÚSTRIAS E OS

P ROJETOS

PARA

T RATAMENTO DE E SGOTOS Bom, nessa secção falaremos um pouco sobre o que as indústrias dizem sobre o seu tratamento de efluentes e alguns projetos para o tratamento dos esgotos Lajeadenses. Comecemos pelas indústrias, peguemos como exemplo a Minuano. A Minuano é uma indústria de alimentos que se diz não poluidora e apresenta um tratamento de Efluentes que, segundo eles, é eficiente. Porém, mesmo com a Minuano tratando corretamente seus efluentes, os efluentes domésticos poluem o mesmo arroio em que os efluentes da Minuano são jogados. Não

O

basta só a Minuano tratar seus efluentes, mas os cidadãos têm de começar a agir como cidadãos e pararem de lançar seus esgotos em rios ou arroios! Para evitar tamanha poluição por parte dos efluentes domésticos, a CORSAN e a prefeitura de Lajeado têm um projeto de tratamento para o Arroio do Engenho, visto que esse é um dos, se não o maior, poluidor do Rio Taquari por parte de Lajeado. A ideia é canalizar o arroio para uma enorme estação de tratamento. Entretanto, o custo desse projeto seria equivalente à arrecadação do município de Lajeado durante um ano, ou seja, vai demorar muito. Por isso a CORSAN está instalando estações de tratamento compactas, que usam um

tratamento aeróbico para tratar os efluentes, ou seja, na água é lançado ar para ser oxigenada. Ao ser oxigenada, a água tende a desenvolver organismos que se alimentam da sua sujeira e, com isso, ela fica limpa. Esse processo também ocorre na natureza, durante quedas da água ou ondas. No entanto, apenas uma dessas estações compactas está pronta e operando. Ou seja, ainda falta muito para podermos considerar Lajeado uma cidade ambientalmente conscientizada em relação ao tratamento dos efluentes domésticos. Abaixo, encontram-se algumas imagens do tratamento que as águas do Rio Taquari recebem na CORSAN, para serem utilizadas no consumo humano.

“Visão geral da velha estação de tratamento da CORSAN (ao lado) e da nova (acima), pode se notar que a água chega marrom e conforme o processo ocorre, ela vai ficando azul”-foto do arquivo da CORSAN.

“Foto do início do tratamento, percebe-se uma água marrom e suja”

“Foto de uma das etapas finais do tratamento da CORSAN, percebe-se uma água azul e muito mais limpa”

Ângela Ferreira Arthur Johann Röhrig Pedro Henrique de Borba Engster


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Legislação ambiental: Entender para cumprir No mundo de hoje, em que muitas pessoas jogam lixo no chão, cortam árvores e poluem os rios, são necessárias regras para que o homem respeite a natureza, assim como deve respeitar aos semelhantes. Como a natureza não tem como se proteger, as pessoas criaram leis ambientais para protegê-la, isso é a legislação ambiental. Portanto, as leis ambientais foram criadas para impor normas jurídicas entre pessoas e natureza. Nossa pesquisa tem como objetivo conhecer um pouco mais sobre as legislações dos rios, com ênfase no Rio Taquari. Existem ONG´s e órgãos que auxiliam na cobrança e execução das leis ambientais e dos direitos da água. A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma instituição internacional formada por 192 países, fundada após a 2ª Guerra Mundial, para estabelecer uma melhor organização entre as nações do planeta, visando ajudar a resolver os problemas entre os homens e o meio ambiente, entre outras questões. Em 22 de março de 1992, a ONU instituiu o "Dia Mundial da Água", publicando um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água": 1. – “A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.” 2. – “A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.” 3. – “Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.” 4. – “O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depen-

de, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.” 5. – “A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.” 6. – “A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.” 7. – “A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.” 8. – “A utilização da água implica respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.” 9. – “A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.” 10. – “O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.” A Agência Nacional de Águas (ANA) implanta os recursos das águas nacionalmente. Falando em legislação, não podemos esquecer a CORSAN, Companhia Rio-Grandense de Saneamento, que abastece a cidade de Lajeado. A CORSAN tem de seguir e cumprir diversas leis, na retirada das águas superficiais do Rio Taquari, pois a FEPAM (órgão responsável pela fiscalização das águas), vem verificar se tudo está dentro das leis; caso algo esteja errado, a CORSAN tem de pagar multas.

A CORSAN capta água direto do Rio Taquari, esta água passa por vários setores dentro da CORSAN, por uma porção de equipamentos e produtos e finalmente são realizados diversos testes para ter certeza de que a água pode ser consumida pela sociedade e empresas da cidade. Durante nossas pesquisas de campo, fomos à CORSAN, SEMA de Lajeado - Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) que tem como objetivo estudar, proteger, coordenar ações, de preservação e recuperação ambiental, visando à proteção ambiental do Município -, e na Indústria de Balas Florestal. Nesses locais realizamos entrevistas com profissionais sobre a legislação dos rios. Também realizamos enquetes sobre o tema. Na Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) de Lajeado, entrevistamos Laura Barbieri de Oliveira. Ela nos respondeu algumas perguntas, de onde concluímos que não existe nenhuma lei específica para o Rio Taquari, não há muitos fiscais nem denúncias. As poucas denúncias que existem são difíceis de provar, porque precisam ter provas concretas do crime ambiental. Pegar a atuação em flagrante ou pesquisar o efluente, para ver se ele é único de uma indústria. Após o recebimento das denúncias, a fiscalização é feita normalmente e as verbas cobradas nas multas são direcionadas para projetos relacionados ao meio ambiente. A FEPAM fiscaliza a SEMA e também é responsável pela fiscalização dos efluentes (uma espécie de “lixo” líquido) industrial, apesar de que o maior problema continua sendo o esgoto doméstico. Na CORSAN fomos recebidas por Dionizio Lange, que nos informou sobre o tratamento da água e a regulamentação junto aos órgãos responsáveis. A CORSAN utiliza o tratamento convencional, as quatro fases são: clarificação (com sulfato de alumínio), floculação da água, decantação e filtração. A água é retirada do rio através de bombas de recalque (elétricas).


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mprir A CORSAN tem o licenciamento da FEPAM para devolver o lodo, ele precisa ser tratado, o que ainda não é feito em Lajeado por falta de recursos e local para tratá-lo. Eles utilizam cal, sulfato, cloro e eventualmente carvão (para retirar o odor e gosto, quando acontecem desequilíbrios ecológicos); todos esses produtos têm uma quantidade definida por lei, e fiscalizada pela FEPAM, mas dependendo da estação ou se existe algum desequilíbrio ecológico na região é necessária uma maior ou menor quantidade desses produtos na água. Se ocorrer algo fora dos limites, à vigilância sanitária manda um ofício para que isso seja corrigido, depois é feita uma reavaliação. Descobrimos que a água retirada do Rio Taquari está muito poluída, pois esgotos domésticos e industriais são lançados ao rio, muitas vezes, sem nenhum tratamento. Na nossa última etapa do trabalho de pesquisa de campo, fomos à fábrica de Balas Florestal, onde existe uma área de tratamento dos efluentes líquidos. Falamos com o funcionário responsável pelo tratamento da água, Marcelo T. Dotto. Descobrimos que o tratamento da água (após a fabricação das balas e de outros usos dentro da fábrica), para devolução ao Rio Taquari é muito complicado. Nesse processo é feito um tratamento biológico com bactérias anaeróbias (vivem sem oxigênio, transformam a matéria orgânica em gás metano) e bactérias aeróbias (vivem só com oxigênio, transformam a matéria orgânica em lodo, que vira adubo). Assim elas separam o lodo e o gás da água, que pode ser devolvida ao rio, limpa. Todo este processo é obrigação da empresa, sem isso teriam de pagar multas à FEPAM, pois a fábrica é supervisionada por ela. Também realizamos uma mini enquete. Perguntamos:“Você ajuda na limpeza do rio? Já fez alguma campanha ou projeto?” Os resultados foram: 13,2% das pessoas responderam que sim, 46,2% responderam que não, e 39,6% responde-

ram que mais ou menos Perguntamos também: “Você sabe o que são Leis Ambientais?” Os resultados foram: 59,4% das pessoas responderam que sim, 19,8% responderam que não, 26,4% dos entrevistados responderam que mais ou menos. A outra pergunta foi: “O que você faria para melhorar o planeta em relação ao ambiente?” Algumas das respostas foram: -“Menos poluição, fábricas e desmatamentos.” -“Matar os coitados que poluem.” -“Acabaria com a raça humana”. -“Plantaria mais árvores, tiraria lixo das matas.” -“Não usaria sacolas no supermercado, na Alemanha eles precisam pagar • 0,95 por cada sacolinha”. -“Cuidar da natureza, não cortar árvores, a natureza está revoltada por causa disso”. -“Jogava lixo no lixo.” -“Poderia fazer um livro, mas começaria com as coisas mais simples: separar o lixo, usar água com moderação, diminuir o consumismo.” Denise Lunkes, professora de ciências. . Curiosidades sobre algumas leis importantes: Os efluentes são jogados, no Rio Taquari, pelas indústrias, porém elas só podem recolher água para o consumo, em uma altura antes desse lixo líquido ser jogado no rio, para justamente as indústrias terem água limpa. Mas, fora do Brasil, existe uma lei que é contrária: as indústrias só podem retirar água numa altura abaixo dos efluentes serem jogados no rio, para que justamente, as indústrias poluam menos. Essa lei já foi aceita aqui no Brasil, mas ainda não foi posta em vigor.

VOCÊ AJUDA NA LIMPEZA DO RIO? JÁ FEZ ALGUMA CAMPANHA OU PROJETO?F

V OCÊ

SABE O QUE SÃO

A MBIENTAIS ?

Ana Carolina Müller Isadora Fluck Essig Júlia Valkimil Tavaniello Luiza Ballico

L EIS


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Arr oio do Engenho: Um canal de Arroio poluição para o T aquari Taquari Você já deve ter se perguntado por que quando passamos perto do Clube Tiro e Caça ou até mesmo perto do “Valão”, sentimos aquele cheirinho um tanto quanto desagradável do Arroio do Engenho. Mas por que ele se tornou assim? Tudo começou com Antônio Fialho de Vargas, pioneiro e fundador de Lajeado que, por volta de 1855, veio pelo rio Taquari, chegando a Lajeado com sua família e seus escravos. Queria construir uma represa ao lado de um arroio e um moinho para fabricação de farinhas. O local escolhido foi o atual Arroio do Engenho – o nome do arroio se deve a este fato. Essa foi uma das primeiras construções de Lajeado. Antigamente, por volta 1920, este arroio era um local de lazer para as pessoas, mas com o decorrer do tempo, ele teve fortes modificações, prejudicando a vida das pessoas, dos animais e plantas (que agora não existem mais neste arroio). Isso porque ele atravessa uma intensa área de urbanização e acabou sofrendo com o lixo e esgoto da cidade, que são descartados em suas águas. O arroio chegou a receber 70% do esgoto de Lajeado, e isso não só afeta a vida em Lajeado, pois você sabe aonde esse arroio desemboca? No rio Taquari. Então todos aqueles dejetos da pia, do vaso, do chuveiro vão parar no rio, que vai passando por outros municípios do Vale. Em 1960, Bruno Born, o prefeito da época, foi a Brasília pedir fundos para a canalização do Arroio do Engenho, no entanto, mesmo assim, ainda causava um odor horrível para os moradores.

O Ministério Público – MP, na sua segunda tentativa de amenizar a poluição do arroio, porque a primeira que era instalar estações compactas de tratamento de esgoto sobre os loteamentos em Lajeado, não foi aprovada. Irá começar a multar e cobrar ações do município de Lajeado, pois ele é o responsável pelo arroio, já que este passa apenas nas terras do nosso município. Uma das ações é fazer obras como um “caminho” (canalização) do arroio. Após todos esses anos, o arroio que ainda continua poluído, não tem mais como ser recuperado, porém o MP cobrou de Lajeado que, antes do Arroio do Engenho desembocar no Taquari, deverá haver uma estação de tratamento de esgoto para limpar suas águas. Essa obra, entretanto, custa muito

caro e vai demorar um bom tempo para ser feita; então, você aí, poderia também fazer a sua parte, pois um grande problema, também, pode vir do sistema de tratamento de esgoto da sua casa. Mas o que você deve fazer? Use na sua casa um sistema de fossa séptica, ela evita que seu esgoto vá direto para a rede pluvial e depois para os arroios que cortam a cidade, no caso o Arroio do Engenho. Este sistema retira 90 % dos resíduos orgânicos que são prejudiciais à saúde, pois ela absorve os resíduos (por isso deve ser limpa às vezes) e depois manda a água para o solo, os outros 10% de matéria orgânica são absorvidos pela terra antes de chegar ao arroio e prejudicar a vida de muitos seres vivos. Arthur Bender Pereira Fernando Lahude Ritter Geovane Wickert


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Entrevista: Anestor José de Moura Econews: Quais são as leis mais infringidas? As Leis Ambientais são muitas, veja algumas: Lei de Crime Ambiental nº 9.605/98, Código Florestal Federal nº 4.771/65, Política Nacional do Meio Ambiente nº 6938/81, Decreto federal 221/67 - regula a Pesca, Lei Federal 8.176/91, fala sobre os bens da União - minerais no subsolo etc. Hoje a mais infringida é a Lei de Crimes Ambientais, na parte da Flora. Econews: Como ocorrem as fiscalizações no Rio Taquari? Através de navegação. Temos duas embarcações à motor, mas muitas vezes fiscalizamos por terra, através da Viatura, nos acampamentos na beira do Rio. Econews: Qual é a média de denúncias por dia? Varia, muitas vezes recebemos mais de trinta denúncias, mas em média são de dez a quinze por dia. Econews: Qual é a média de multas por dia? Nós não lavramos muitas, constatamos as irregularidades e encaminhamos aos órgãos competentes. São eles: Meio Ambiente Municipal, IBAMA. FEPAM e DEFAP/SEMA da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Eles fazem a multa administrativa e nós encaminhamos a parte penal para o Judiciário.

5. C o s t u m a m pegar pessoas em flagrante? Sim, na parte da Pesca, quando estamos na fiscalização no Rio. A pena é de um à três anos e já pegamos vários. Outros que já pegamos são as pedreiras clandestinas, visto que a pena é de um à cinco anos de reclusão. Econews: Quais são os valores das multas? Varia, vai de R$ 50,00 (cinquenta reais), ao máximo de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais). Econews: Para onde as verbas das multas são direcionadas? Os infratores que infringirem a legislação ambiental pegam três esferas, são elas: Administrativa, Penal e Cível. Administrativa fica com o órgão que multar. Penal vai para o Judiciário, que estabelece a pena, podendo ser de cesta básica ou serviço prestado à comunidade. Cível, esta sim, poderá ser direcionada para fiscalização, compra de equipamentos para fiscalização, projetos ambientais. Isto que diz a legislação ambiental.

Sargento da Patrulha Ambiental

Econews: Para finalizar... finalizar...Muito obrigado pela oportunidade de responder estas perguntas e, nós do Comando Ambiental da Brigada Militar, que tem um Grupo de Policiamento Ambiental na Região do Vale do Taquari, estamos sempre à disposição de qualquer cidadão.


Banhados: um ecossistema e tanto! Durante uma porção considerável de semanas pesquisamos assiduamente acerca do ecossistema dos banhados, contudo, tal tarefa mostrou-se árdua em medida excessiva devido ao pouco material de pesquisa. Tivemos que esgotar os “O’s” do Google atrás de material que tratasse do assunto. Por fim, encontramos material em escassez e ainda apelamos para uma boa e velha entrevista com o professor Hamilton Grillo, na UNIVATES. Esteja também agradecido leitor, pois és privilegiado com um projeto de estatura tão culturalmente protuberante como este que agora se apresenta, composto deste e de muitos textos paralelos ao mesmo. Começamos nosso trabalho nos baseando meramente em fontes retiradas da internet e, destas fontes, conseguimos extrair algum conteúdo supérfluo. Encontramos, implícito em tal pesquisa, o fato de que os banhados são como esponjas ou bacias que armazenam o conteúdo de cheias passadas. Nos demais estados brasileiros, banhados são por vezes dominados charcos, pântanos, brejos. Caso requerida seja a verbalização para tal sistema na língua inglesa, definiria-se banhado como wetland. Definições à parte, voltemos para o que nos interessa. O ecossistema dos banhados pode ser encontrado na maior parte do planeta, principalmente em regiões rurais, dado ao fato de que nos grandes pontos urbanizados, tais ecossistemas são execrados por diversos motivos como: o cheiro, a aparência e por causa dos animais que o habitam. Os banhados naturalmente surgem em áreas planas próximas a outros corpos aquáticos, como rios, lagoas ou até mesmo o oceano. Existem dois períodos que se alternam na extensão dos banhados - as secas e as cheias. As secas ocorrem no verão quando a água evapora e se torna, de longe, mais escassa do que era no inverno. No inverno é que ocorrem as cheias, provocadas por chuvas constantes. No entanto, com os problemas ambientais que assolam nosso planeta, estes ciclos perdem levemente

destaque, o que prejudica a sobrevivência de seres que baseiam sua vida em tais ciclos. Uma das razões pela qual tal ecossistema é digno de proteção é a sua característica de esponja, que armazena água de cheias, tornando-as de longe mais brandas, além de vir a ser um grande recurso de água fedorenta, porém por vezes potável, por causa do metano exalado por resíduos orgânicos. Além de tudo isso, existem animais endêmicos aos banhados, como as capivaras, ratões-do-banhado, que foram caçados de maneira desenfreada, tornando-se hoje em dia, figuras raras. Outro aspecto positivo dos banhados são os animais que, apesar de peçonhentos e pegajosos, como sapos e cobras (todavia existem exceções), trazem benefícios para os seres humanos ao controlar involuntariamente a população de mosquitos que, por muitas vezes, são transmissores de doenças fatais como dengue, febre amarela, entre outras. Falamos pois, das entrevistas realizadas. Entrevistamos o professor Hamilton Grillo, professor de biologia na UNIVATES. Ele destacou quão importante são os banhados para os seres humanos, ressaltando os fatos previamente trabalhados. Muitos meios de secar banhados já foram pesquisados. Em tempos de outrora, plantavam-se eucaliptos na extensão do banhado, pois os eucaliptos são árvores que utilizam água em grande quantidade. Após algum tempo, estava seco o ecossistema em questão. Hoje em dia, usa-se o aterramento, sendo uma das formas o sistema de “bate-estacas”. O sistema “bate-estacas” ocorre com a injeção de concreto em ductos até encontrar a parte sólida existente por debaixo do lençol de água presente na superfície. Quem nos explicou sobre este sistema foi o corretor de imóveis Joner Kern que se utilizou do mesmo, para construir sua própria casa. A casa foi construída na localidade de Dona Rita. Os banhados são ecossistemas com uma vasta gama de animais e plantas, porém deixemos que os respectivos grupos tratem de tal assunto. A úni-

ca coisa que é importante destacar sobre os banhados, apresentados como ecossistema em geral, é o fato da fertilidade deles, tanto para o florescimento de plantas quanto de animais, ser imensa. Eis aí, mais uma razão para os termos como ecossistemas importantíssimos. Sobretudo, os banhados ainda agem como interceptores de gás carbônico através da fotossíntese, o que contribui para diminuir o problema do efeito estufa. Muitos são os que falam da importância sem igual dos banhados, porém são poucos aqueles que de fato agem para que os mesmo sejam mantidos existentes. A prática da economia pecuária, especialmente de bois, é um dos maiores motivos pelo qual tais ecossistemas são tão severamente prejudicados. Não que tal prática necessite uma abrupta interrupção, longe disso. O necessário é que a mesma seja realizada em medida certa e com cautela dobrada. Todavia, poucos são os viventes que de fato se preocupam com os banhados a ponto de prejudicar seu império de finanças. Entretanto, a secagem dos banhados é apenas mais um dentre vários outros atos prejudiciais. Muitos banhados são afetados por fertilizantes tóxicos que contaminam a água existente nestes ecossistemas, matando os animais do local. Outros problemas que assolam drasticamente este frágil corpo hídrico são os incêndios, a caça e a pesca em assustadora quantidade.. Esperamos então, que tenhamos acrescentado algum conteúdo aos senhores acompanhantes, desculpe-nos se fomos por de mais “enroladores”. Esperamos que, através de tal postura tenhamos pregado perpetuamente (ou não) nas mentes que agora anseiam por virar a página, algo a mais.

Adriana Kuhn Bianca Storck João Guilherme Koefender João Victor Schroeder Kuhn Maria Luisa Martins Fruhauf


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Banhados? ONG? Qual a importância? A partir de todo nosso trabalho, pesquisa, e saídas de campo surgiram muitas perguntas e descobertas. Sabemos que dúvidas, todos temos e, ainda mais, sobre estes assuntos – ONGs e banhados - que geralmente não são expostos pela mídia, deixando muitas perguntas no ar. Banhados? ONG? Qual a importância? Junto à ONG SOMA adquirimos conhecimento necessário para responder a todas essas perguntas. Hoje em dia, mais e mais banhados estão sumindo do mapa, devido, principalmente, ao aterramento destes. Isso ocorre em virtude de as pessoas não terem conhecimento de sua extrema importância, já que um banhado destruído gera um grande desequilíbrio no ecossistema dos corpos d’água. Você sabe o que são banhados? Muitos cidadãos sequer sabem o que é um banhado, porém deveria ser diferente! Banhados são corpos d’água que, além de serem a fonte mais rica e importante de microorganismos - que são essenciais para dar equilíbrio ao ecossistema de um banhado, servindo de alimento para outros animais, produzindo oxigênio, gás carbônico etc.-, promovem a moradia de muitos animais, o que resulta em uma biodiversidade incrível. Também, em épocas de seca ou no verão, o banhado mantém a terra úmida. E nas épocas de chuva (quando a situação se agrava, causando inundações), funcionam como uma esponja, absorvendo a água. Desta forma, para que os banhados, com suas diversas funções, continuem existindo no meio ambiente, são criadas as ONG’s ou Reservas Ambientais. Mas o que são ONGs? Para que servem? Uma Organização Não Governamental é formada por um grupo de pessoas e voluntários que se unem a fim de atingir seus objetivos que, neste caso, são preservar áreas de importância ambiental. Não contam com ajuda financeira do governo, porém, de acordo com a Rio 92, os governos devem incentiválas. Com protestos e movimentações, entram em cena, procurando atingir, em

especial, os jovens e crianças. Procuramos por ONGs que trabalham diretamente com a preservação de banhados, e o resultado? Bom, foi um fracasso! Foi aí que nos unimos com a SOMA, uma ONG que realiza trabalhos sociais, envolvendo o meio ambiente e atua no Vale do Taquari. Gilson, um dos voluntários, esteve presente em todas as etapas do nosso trabalho e garantiu que seria difícil encontramos algum grupo que se preocupasse em preservar essas áreas. Dito e feito, vários lugares foram visitados e sempre a resposta era: “não temos nada relacionado a este assunto” ou questionavam “por que banhados?”. Até mesmo a SOMA jamais havia realizado algum projeto com banhados, este foi o primeiro. Com isso, pode-se observar que até mesmo um trabalho propriamente feito por alunos, pode incentivar uma ONG. E Reservas Ambientais, o que são? Em que casos devem ser criadas? São determinadas a partir de um histórico que define os seres que lá habitam, o tipo de vegetação, existência de água ou não... Caso forem de extrema importância, assim como os banhados, um órgão público pode determinar aquela área como “área protegida”, o que impede qualquer pessoa destruí-la ou usufruir dela. Um exemplo de Reserva Ambiental é o Taim, o maior banhado da América Latina. Muitos grupos de estudantes ou já formados vão para lá, procurando ajudar e preservar este local, mas ele também sofre com a ação do homem, através da caça e da pesca. Além disso, o Taim tem um grande índice de mortalidade animal, pois uma rodovia corta a reserva, afetando o seu ecossistema. Então, se os banhados sumirem, aonde os animais que lá vivem, as plantas e os microorganismos viverão? Para onde irá a água dos rios, quando encharcados? E como os rios serão reabastecidos? Agora, que você entendeu o porquê de existirem ONGs e a sua imensa importância para a natureza, que é o nosso futuro, o futuro dos meus, dos seus, dos nossos filhos, então AJUDE, MEXA-SE, SEJA UM VOLUNTÁRIO!!!

Isabel Saorin Conte João Carlos Radaelli Machado Maria Luisa Martins Frühauf Mariah Gimenis Otávio Corrêa Diefenbach


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Fauna dos banhados

Quero - Quero

Jaçanã Antigamente existiam muitos banhados,habitados por uma enorme diversidade de animais. Infelizmente, com o passar dos anos, o homem mudou sua mentalidade, aterrando os banhados e matando todos os animais que os habitavam. Este fato se deve à grande ocupação urbana. Contudo não podemos esquecer a função que os banhados possuem para os ambientes. Por exemplo, Lajeado que é uma cidade de cheias, quando acontece uma enchente a água que transborda enche os banhados da região, efeito denominado “efeito esponja”. Como as pessoas estão cada vez mais aterrando os banhados para expandir a cidade, os animais são os que mais sofrem, pois dependem deles para sua sobrevivên-

Cobra - lisa

Jabuti cia. Muitos tipos de animais precisam do banhado, desde mamíferos, até seres microscópicos, mas os animais de grande porte são os mais dependentes. O banhado é um local muito importante para eles, pois não só é um local para sua alimentação, como também o lugar de reprodução e, além do mais, onde tem água, tem vida. Como já foi dito, em um banhado “moram” muitos animais, como répteis, anfíbios, mamíferos, insetos, peixes, mas em nossa região o que mais predomina, de acordo com a bióloga Diana Blum Künzel, são os pássaros. Algumas dessas aves são Maria-faceira, Marrecapiadeira, Jaçanã, Quero-quero, Martimpescador-grande, João-de-barro, entre

Muçum

Martin - Pescador - Grande outras. Também é lar de muitas tartarugas, cágados, jabutis, jararacasdormideiras, cobra-lisa, cobra-da- água e de peixes como o muçum, sem falar dos sapos, rãs e pererecas. Entrevistamos a bióloga Diana Blum Künzel e perguntamos qual era sua opinião sobre a destruição de banhados e, por consequência, dos animais? Diana Künzel: “Em primeiro lugar é um crime ambiental e, em segundo lugar, destrói a possibilidade de vida animal. Em minha opinião, acho que devem ser feitos mais trabalhos como o de vocês, pois muitas pessoas têm ideias erradas sobre banhados, não só na definição, mas como dos seres que lá vivem.” Ana Carolina Meyer Vanzetta Eric Dinitri dos Santos Joel Konrad Lucas Johan Silva Victória Pedrotti


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Nos banhados também há plantas. Sabes quais? Está sendo cada vez mais rara a existência de banhados. São também conhecidos como brejos, pântanos ou charcos. Os banhados têm grande importância ecológica por servirem de moradia para diversas espécies de seres vivos. Os banhados apresentam uma flora muito diferente das florestas, tendo muitas plantas aquáticas. A variedade é grande: figueiras, corticeiras, quaresmeiras, orquídeas, bromélias, cactos, juncos e aguapés. As plantas devem desenvolver uma adaptação para que elas possam viver nesse ecossistema, como: o caule ficar oco e as raízes em maior quantidade para uma troca de oxigênio mais fácil. As árvores, como corticeira, maricá e o pé de chorão, juntamente com as plantas de menor porte, servem de alimento, abrigo e esconderijo para os animais. Nos banhados existem solos que são completamente alagados, ou aqueles que possuem apenas uma pequena quantidade de água, o que permite a presença de uma flora bem diversificada com plantas que ficam totalmente submersas, ou seja, totalmente debaixo da água, e somente as flores ficam para fora da água, algumas delas são as herbáceas (pequenas), tais como papiros e juncos. Outras são as plantas que flutuam e são fixas, elas são enraizadas no fundo, com seu caule e suas folhas flutuantes; exemplo delas são os lírios d’água e as ninfas. Existem as plantas que flutuam e são “livres”, elas não possuem raízes fixas, podendo ser levadas pela correnteza, pelo vento ou até mesmo pelos animais que nela vivem ou retiram seu alimento. Como exemplos, temos as utricularias e os aguapés. Todos os seres que vivem nos banhados foram se adaptando cada vez mais para sobreviverem neste ambiente, num processo de dezenas de milhares de anos. Mas como não poderia ser diferente, de tantos outros ecossistemas do mundo, o ser huma-

no interferiu nesses alugares. Muitas pessoas que, ainda hoje, não possuem uma visão ecologicamente correta maltratam a natureza, e assim, os banhados. Várias áreas alagadas foram sendo modificadas, passaram a servir para plantação, criação de gado, para o homem construir e obter lucro. Tais fatos provocam uma gigantesca destruição na cadeia alimentar, desequilibrando o local e provocando outras consequências negativas ao ambiente. V EJAMOS DOIS EXEMPLOS : Os eucaliptos precisam de muita água, já que seu crescimento é muito acelerado em relação às outras árvores. Muitos agricultores não possuem informações suficientes sobre a importância dos banhados. Assim, plantam eucaliptos para secarem estas áreas alagadas. Tanto quanto para obterem renda ao venderem eucaliptos às empresas, quanto para criarem gados ou para construções. Mas tudo se baseia na obtenção de lucro. Muitas vezes as plantações de arroz são feitas em banhados, da seguinte forma: os agricultores secam totalmente o banhado e em seguida nele plantam o arroz. Conforme o arroz cresce, o “banhado” vai sendo irrigado aos poucos. No entanto, quando o arroz está pronto para ser colhido, o banhado é novamente drenado para a colheita. Visitamos dois banhados e pudemos realmente ver tudo o que pesquisamos e lemos. Um dos banhados fica numa área bem urbana. Esse banhado devia ser mais do interior, mas com o crescimento da cidade, acabou ficando numa área “mal localizada”. O outro banhado é cercado e tem dono. Não pudemos falar diretamente com o proprietário, mas por informações, descobrimos que ele realmente pretende não aterrá-lo. Tomara que seja mesmo preservado! Então, descobrimos que banhados devem ser cuidados e que há mui-

tas espécies de plantas nestes locais que precisam ser preservadas. Isso é dever de todos!

Banhado encontrado em Cruzeiro do Sul

Bairro Conservas, em Lajeado

Juncos

Camila Nelson Gabriela Eibel Luana Schneider Maurício Schneider


Legislação ambiental: uma questão de refle xão reflexão O que você entende por leis de preservação ambiental? A maioria das pessoas pensa que uma lei de preservação ambiental apenas protege plantas e animais. Errado! As leis protegem, também, a nossa natureza, a nossa vida, o bem-estar humano. Essas leis tiveram que ser criadas, pois o homem estava invadindo o que não lhe pertencia (nunca foi dele) e acabando com o que ainda restava da natureza. Isso gerava, e ainda gera, um grande impacto, pois animais perdiam suas casas, nós, humanos, perdíamos os ecossistemas e, assim, colocando em perigo o planeta inteiro. Em Lajeado, pensando especialmente em banhados, não temos leis específicas para esses ecossistemas, mas sim leis conjuntas, de corpos d’água, rios, que incluem as áreas alagadas. A legislação da nossa cidade proíbe quaisquer ações que poluam e destruam tais ecossistemas. De acordo com o cap. II art. 5º

do código do meio ambiente, os responsáveis por fiscalizar o cumprimento das leis têm o direito de intervir diretamente no ato, podendo aplicar multas e fechar os estabelecimentos que estejam violando a lei. Quem é responsável pela fiscalização em Lajeado são a SEMA (Secretaria do Meio Ambiente), a PATRAM (Patrulha Ambiental) e ONGs que trabalham nesse ramo. Além disso, há o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) que também fiscaliza. Porém, o que vemos hoje em dia é que somente uma pequena parcela da nossa população pensa no futuro, a maioria só se preocupa consigo, com o agora, destruindo quase tudo que interfira no seu caminho - neste caso, a natureza. Então, faça sua parte! Se cada um de nós cuidar do que ainda temos, não sofreremos mais tantos impactos e teremos uma vida melhor. As futuras gerações agradecem, e o nosso planeta também.

O Meio Ambiente é patrimônio comum da coletividade, bem de uso comum do povo, e sua proteção é dever do Município e de todas as pessoas e entidades que, para tanto, no uso da propriedade, no manejo dos meios de produção e no exercício de atividades, deverão respeitar as limitações administrativas e demais determinações estabelecidas pelo Poder Público, com vistas a assegurar um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado, para as presentes e futuras gerações. Capítulo I, Artigo 1º do Código do Meio Ambiente, Lei nº 5.835/96 Julia Weizenmann Lucas Leonhardt Luiza Allgayer


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Juntos e reunidos, fiscalização e banhados Banhados, afinal o que são? Para que servem? São importantes? E as leis, fazem a diferença? Foram essas algumas das perguntas que tentamos responder durante a nossa pequena jornada e, a partir delas, bolamos este texto. Segundo o dicionário Houaiss, fiscalizar é verificar se algo está se realizando como previsto. A fiscalização dos banhados não é só importante para os animais ou para os seres humanos, mas sim para a manutenção do ecossistema como um todo. Uma das leis, referentes à preservação dos banhados, fala que uma estrada deve, no mínimo, estar a 30 metros de um rio ou banhado, sendo proibido mudar a vegetação nas margens desses corpos d'água. Embora isso quase sempre não seja cumprido, pelo menos vale como tentativa de preservação desses ambientes. Se não houvesse as lei e a fiscalização dos banhados, talvez não existissem mais banhados no Rio Grande do Sul, assim como no Brasil e no resto do mundo. Também é preciso ressaltar que não teríamos tanta biodiversidade, pois os banhados são ecossistemas que contém uma variedade muito grande de espécies de animais e vegetais. Mesmo sofrendo com problemas como, por exemplo, a drenagem dos banhados, ainda existem pessoas que se preocupam com eles (GRÁFICO). Bem, primeiramente, é importante saber o que é um banhado. O banhado é uma reserva natural, e sua água vem das chuvas ou dos rios. Geralmente banhados são áreas preservadas, isto é, protegidas por lei, chamadas de Áreas de Preservação Permanente (APP) por serem um habitat natural de vários animais. O banhado na natureza tem a função de garantir a sobrevivência do ecossistema vizinho, funcionando como uma esponja nas cheias e, também, fornecendo água nas secas. Os banhados são ricos em matéria vegetal usada como fonte de energia, chamada de biomassa. Porém, algumas pessoas não dão muita importância aos banhados, pois muitas vezes jogam lixo, esterco de animais ou esgo-

tos domésticos nesses locais. Eles estão desaparecendo e os que restam estão ficando poluídos. Nos banhados há uma diversidade muito grande de animais e vegetação. Sem a vegetação dos banhados, o meio ambiente iria ser abalado. Para evitar que os banhados sejam destruídos, criaram-se leis que proíbem sua poluição e aterramento. Mesmo assim, continuamos poluindo ou aterrando! Podemos dizer que não vemos a fiscalização acontecer, mas ela acontece, principalmente a partir de denúncias; só não percebemos porque poucas pessoas denunciam (fato que se comprova analisando o gráfico). São vários banhados para controlar, e poucas pessoas denunciam quando algo está errado, isso porque não querem se expor, ou porque são contra a preservação desses ambientes - o gráfico mostra isto. Para termos uma ideia de quando se fiscaliza, sem denúncias, vamos contar um fato: o Ministério Público Federal notou que 200 hectares de terra ao redor do banhado do Maçarico, que se localiza no Rio Grande do Sul, foram usados para plantio de eucalipto; então, mandou que o IBAMA fosse ver se isso era realmente verdade. E era! Plantaram eucaliptos para sugar a água do banhado sem permissão e tiveram que pagar uma multa de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) o que vale a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por hectare de eucalipto plantado em Área de Preservação Permanente (APP). O IBAMA está a favor, agora, de colocar uma unidade de preservação no banhado do Maçarico. Vimos que a fiscalização ocorre através de denúncias, porém, a fiscalização ocorre depois que o órgão responsável verificou se a pessoa tinha o direito de aterrar o local. Se não tem, eles vão atrás e aplicam multas, algumas vezes, até é caso de prisão. Com este trabalho concluímos que a fiscalização é muito importante para a preservação dos banhados; descobrimos, também, a opinião das pessoas sobre a fiscalização dessas áreas.

“Fiscalizar é verificar se algo está se realizando como previsto”

“Se não houvesse as lei e a fiscalização dos banhados, talvez não existissem mais banhados no Rio Grande do Sul”

“O banhado é uma reserva natural, e sua água vem das chuvas ou dos rios”

Cleber Henrique Oliveira Ritter Henrique Luis Batista Fachinetto Tomás de Oliveira



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