Issuu on Google+

CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM ECOLOGIA DE ESTRADAS | ANO 0 | N. 5

Linearidades

Entrevista Alex  Bager.-­‐  CBEE

Projeto

Parques  da  Copa

A.vidades  CBEE CBUC Seminário  ICMBIO 1


O SILEIR O BRA

U

DE EST

A OLOGI

M EC DOS E

CENTR

AS

RAD DE EST

ANO 0

N. 5

OPORTUNIDADES CBEE O CBEE divulgou diversas oportunidades de bolsas e seleções de vagas para estudantes de mestrado e doutorado. Algumas destas vagas ainda continuam abertas. Sugerimos que visitem sempre a página do Centro no Facebook (enquanto a página oficial não é concluída) para se manter informado sobre outras vagas. Outros grupos de pesquisa em Ecologia de Estradas, que possuam oportunidades, por favor nos repassem que teremos o maior prazer em incluir na página e no Linearidades.

ENTREVISTA: DR. ALEX BAGER Na sua percepção, nestes anos de pesquisa como foram as mudanças da ecologia de estradas no Brasil ? Poderia escrever várias páginas abordando nosso crescimento, mas em resumo, elas estão acontecendo exponencialmente e estamos longe de estabilizar.

Alex Bager Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas Universidade Federal de Lavras

O senhor já trabalha com Ecologia de Estradas a mais de 10 anos, como iniciou suas atividades nesta área ? Assim como a maioria dos pesquisadores brasileiros que atuam em estudos de ecologia de estradas, o início das minhas pesquisas ocorreram devido a outras coletas de dados, sobretudo durante as viagens à Estação Ecológica do Taim durante trabalhos com tartarugas de água doce. Podemos dizer que oficialmente iniciei as pesquisas em ecologia de estradas em 2002, quando aprovei um projeto pela Fundação O Boticário para avaliar o sistema de proteção contra atropelamento da fauna da ESEC Taim.

2

Existem muitas pessoas que atuam em Ecologia de Estradas e nunca perceberam isso, ou simplesmente denominam de outra forma. Nós ainda estamos na fase biológica da Ecologia de Estradas, até porque a grande maioria dos pesquisadores envolvidos atuam neste segmento. Contudo a inserção de outros grupos, os quais também atuarão sobre a biodiversidade, ainda é incipiente. Existe um vasto campo a ser desenvolvido nas questões tecnológicas, de projeto e ante-projeto, de implantação e métodos construtivos, entre outros.

Como o senhor percebe a Ecologia de Estradas “Brasileira” frente a outros países ? Podemos dizer que o Brasil é a “Bola da vez” em Ecologia de Estradas. Estamos em pleno desenvolvimento econômico, grande ampliação da malha viária (rodoviária e ferroviária), existe um relativo incentivo à pesquisa e, acima de tudo, existe uma pressão crescente para o estabelecimento de normas adequadas e estudos de qualidade associados a implantação/ampliação de grandes empreendimentos de infraestrutura.


Projeto Malha

Todos estes aspectos somados representam uma oportunidade única de fazermos o certo.

Há poucos meses foi criado o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, o que se objetiva ?

Lançamos uma proposta de projeto nacional de coleta e análise de dados, com protocolos padronizados e dados centralizados no CBEE. Esta proposta já está em discussão com diferentes segmentos, tais como unidades de conservação, e em breve será amplamente divulgada para outros parceiros que possam ter interesse. Especialização

O Centro, antes de tudo, visa ser um difusor da Ecologia de Estradas e das boas práticas neste tema. Atualmente existem centenas ou milhares de pessoas que dizem trabalhar com Ecologia de Estradas mas na verdade fazem a ecologia da carniça, se contentando em contar animais atropelados, e tentando proteger a biodiversidade com informações pobres, sem nenhum delineamento amostral e sem qualidade de análise. Como consequência deste fato, medidas de mitigação são ineficientes e a Ecologia de Estradas muitas vezes acaba desacreditada. Queremos que haja profissionalismo nesta área. Somos a chamada Ecologia Aplicada, e assim estamos mais expostos a comunidade em geral, e temos que responder de forma adequada. O CBEE tem o dever de preparar bons profissionais para atuarem na área, e já estamos trabalhando nisso. Uma das nossas principais linhas de atuação será a de capacitação e formação continuada. Em breve teremos boas notícias neste segmento.

Estamos em um processo de discussão e elaboração de uma proposta de especialização à distância com foco em empreendimentos lineares. Estamos fazendo todos os esforços para lançar ainda no primeiro semestre de 2014. Vou parar por aqui senão vou estragar as surpresas futuras, mas em breve teremos grandes novidades.

Para finalizar, como as pessoas podem contribuir com o CBEE ? O CBEE ainda está discutindo como se estruturará a participação de outras instituições na nossa tomada de decisão, mas pensamos que isto ocorra através de um conselho consultivo ou algo parecido. Outras formas de participação já estão formalizadas, como o comitê científico, que tem contribuído com a elaboração de artigos para revistas científicas.

Quais são os principais projetos do CBEE para os próximos anos? Como disse anteriormente, nós atuaremos em vários segmentos, tais como pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico, capacitação e políticas públicas. Algumas das nossas ações reúnem mais de um destes temas, mas posso adiantar as seguintes idéias: Banco de Dados Brasileiro de Atropelamento de Fauna Selvagem (BAFS) Deverá reunir várias ações do CBEE, entre elas o Projeto Malha, o Selo CBEE e os protocolos de licenciamento ambiental. Mais detalhes do que pretendemos no BAFS pode ser visto na edição especial do Linearidades, lançada no mês passado.

3

Este semestre o CBEE divulgou um edital para estágio de alunos de graduação e já estamos selecionando bolsistas de diferentes níveis. É importante permanecer atento às nossas publicações e notícias. Finalmente, temos total interesse em apoiar o fortalecimento de novos grupos de pesquisa na área. O CBEE não tem recursos para alavancar estes grupos, mas certamente pode contribuir em parcerias para captação de recursos para pesquisas em todo território brasileiro.


ANO 0

IRO DE

ASILE RO BR

CENT

OS E ESTUD

RADAS

E EST OGIA D

L

M ECO

N. 5

ATIVIDADES DO CBEE

O Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas já tem duas importantes atividades para este próximo semestre: IV Seminário de Pesquisa e Iniciação Científica – ICMBio - Sorocaba - SP (21 a 23 de Agosto de 2012) Neste evento o CBEE participará de duas atividades, uma palestra intitulada “Ecologia de estradas no Brasil.- Perspectivas para estudos integrados em escala nacional”, ministrada pelo Prof. Dr. Alex Bager, e uma reunião onde se discutirão ações e parcerias entre o CBEE e o ICMBIO. Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação - Natal - RN (24 e 25 de Setembro de 2012) O CBEE apresentou uma proposta de workshop à Fundação O Boticário e fomos contemplados com dois dias de evento. Segundo a organização nosso workshop será nos dias 24 e 25 de setembro, das 17 às 18:30h. Neste workshop serão apresentados resultados do Diagnóstico Nacional de Impactos de Rodovias em Unidades de Conservação, assim como se apresentarão algumas propostas de projetos e ações conjuntas entre o CBEE e diferentes segmentos atuantes em unidades de conservação brasileiras.

Workshop Ecologia de Estradas: Experiências Aplicadas O CBEE realizou seu primeiro evento oficial de 2012 entre os dias 26 e 29 de julho, contando com a participação de 41 participantes de todas as regiões do Brasil. O Prof. Dr. Alex Bager avaliou o evento como um enorme sucesso devido todos os objetivos propostos terem sido atingidos. Participaram do workshop professores universitários, estudantes de graduação e pósgraduação, consultores, analistas ambientais de diferentes órgãos e esferas administrativas, entre outros. Nas palavras do Prof. Alex, “... o melhor destes eventos é a troca de informações e experiências entre os participantes, aprendemos tanto quanto ensinamos...”. Já estão sendo preparadas outras atividades nestes moldes, e não podemos esquecer que o Centro já está trabalhando na proposta do III Congresso Brasileiro de Ecologia de Estradas (REB 2013).

BAFS - CBEE Agradecemos a todas as pessoas que tem encaminhado dados para serem incluídos no BAFS. Este mês, em decorrência da greve da universidade, férias e da seleção dos novos bolsistas, o Centro não realizou inserção de dados no Banco. Cremos que no mês de agosto os dados estejam disponíveis.

4


O CENTR

ESTU IRO DE

LE

BRASI

A OLOGI

M EC DOS E

AS

RAD DE EST

ANO 0

N. 5

PROGRAMA DE RODOVIAS FEDERAIS AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEIS

Uma excelente leitura para os ecólogos de estrada é a Portaria Interministerial MMA/MT, N 423 de 26 de outubro de 2011, a qual institui o Programa de Rodovias Ambientalmente Sustentáveis (PROFAS). Infelizmente, mesmo após uma extensiva busca na internet, o CBEE somente conseguiu encontrar a referida portaria, onde está definido que cabe ao DNIT articular o Programa. Temos a impressão de que nada, ou muito pouco está sendo feito neste sentido. Se alguém tiver alguma informação complementar, por favor encaminhe ao CBEE para que possamos divulgar adequadamente.

PROJETO Monitoramento e planejamento da mitigação da mortalidade de vertebrados nas rodovias de acesso aos “Parques da Copa” no Rio Grande do Sul Diana Letícia Krueger Pacheco, Magnus Severo Machado e Nicole da Rosa Oliveira Este projeto está sendo desenvolvido pelo Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias da UFRGS e pela equipe de analistas ambientais dos Parques Nacionais do Aparados da Serra e da Serra Geral. O objetivo principal deste trabalho é avaliar a mortalidade da fauna antes, durante e após a pavimentação de três rodovias que margeiam e transpõem esses parques. Especificamente, pretendemos identificar as espécies de vertebrados atropelados, estimar a magnitude da mortalidade e identificar os principais períodos e locais de agregação dos atropelamentos. Os parques nacionais dos Aparados da Serra e da Serra Geral são unidades de conservação federais com gestão integrada localizados no nordeste do Rio Grande do Sul e sudeste de Santa

Catarina, região de mosaico de Campos Sulinos e Floresta Ombrófila Mista considerada de extrema importância biológica. Estes parques são margeados e fragmentados principalmente por três rodovias (CS-012, SC-450 e RS-427), totalizando 58 km de estradas. Estão previstos investimentos importantes para reestruturação e qualificação do turismo local por projetos dos Ministérios do Turismo e do Meio Ambiente que os incluiu como “Parques da Copa”, tendo como prioridade a pavimentação destas rodovias para facilitar o acesso aos parques. O processo de licenciamento ambiental para duas destas rodovias já foi iniciado, sendo que uma delas já possui trechos pavimentados desde 2010. Além destas rodovias foi escolhida uma outra estrada na mesma região que não receberá pavimentação e provavelmente também não receberá um incremento de fluxo, mesmo durante a copa, que funcionará como uma estrada controle. Para distinguir os efeitos sobre a mortalidade de vertebrados que foram gerados pela pavimentação, aumento do fluxo decorrente destas e pela realização de um evento com esperado incremento de fluxo de turistas, são realizados monitoramentos quinzenais nas quatro estradas em trechos com e sem pavimentação (atualmente), antes e depois da pavimentação de novos trechos e antes e depois da realização da Copa de 2014. As saídas de campo foram iniciadas em maio de 2012 e o monitoramento deve continuar até agosto de 2015, após a conclusão da pavimentação das rodovias e o período da Copa. Os resultados deste projeto visam subsidiar o planejamento criterioso de condicionantes ambientais para efetivamente mitigar os impactos destas rodovias sobre a biodiversidade das unidades de conservação avaliadas. Dessa maneira, também iremos fortalecer a cooperação entre órgãos gestores ambientais e a universidade no desenvolvimento de procedimentos e ferramentas com implicações no licenciamento e monitoramento de rodovias.

5


O SILEIR O BRA

U

DE EST

A OLOGI

M EC DOS E

CENTR

AS

RAD DE EST

ANO 0

N. 5

CONTRIBUIÇÕES A LINEARIDADES aceita contribuições nos seguintes segmentos: Resenhas de projetos em desenvolvimento ou finalizados (não encaminhar propostas de projetos); Resenhas de artigos científicos e monografias (graduação, mestrado, doutorado e especialização) (Encaminhar cópia em PDF junto com a resenha); Notícias nacionais e internacionais; Eventos; Oportunidades de estágios, bolsas, empregos em Ecologia de Estradas; Fontes de financiamento de projetos.

Quer submeter uma contribuição a Linearidades? Contate a responsável para receber as normas de encaminhamento.

EQUIPE Coordenação Alex Bager

Responsável deste número Alex Bager Tel.: 35 3829 1928

Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas Universidade Federal de Lavras - Departamento de Biologia Campus Universitário, s/n - Lavras - MG - 37200 000 Email: cbee@dbi.ufla.br Web: www.dbi.ufla.br/cbee (em construção) Telefone: 35 3829 1928


Linearidades Ano 0 | N 5