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APRESENTAÇÃO A Revista +Ciência é uma publicação do Colégio Ana Tereza que tem por objetivo divulgar os destaques na produção científica dos nossos jovens pesquisadores do 9º ano ao 3º ano do Ensino Médio em 2018. Como tema geral Mundo Globalizado: Desafios e Descobertas, esta edição apresenta textos que promovem o diálogo interdisciplinar, apresentando conexões entre os diversos campos do saber. Esta +Ciências

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importante para a efetivação da pesquisa como

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Os

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em

nossa

possibilitaram

o

aprofundamento dos estudos em torno da caracterização da globalização econômica e das tensões dela decorrentes, assim como seus impactos no desenvolvimento científico voltado à melhoria da qualidade da saúde. Neste sentido, esperamos que os textos publicados contribuam para a formação intelectual e a reflexão crítica dos nossos alunos, professores e demais leitores Os conceitos e afirmações contidos nos artigos são de inteira responsabilidade dos autores, assim como a(s) imagem(ns) inserida(s) nos artigos. Silvana Santos Almeida Diretora Pedagógica


ÍNDICE

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1. A GLOBALIZAÇÃO COMO POTENCIALIZADORA NO USO DAS PLANTAS MEDICINAIS E DOS FITOTERÁPICOS E SEUS EFEITOS COLATERAIS Beatriz Nascimento Camilla Hettenhausen

2. NUTRIÇÃO E FITOTERAPIA: RELAÇÃO BALANCEADORA DE PESO. Clarissa Lima Camilla Hettenhausen

3. TRANSTORNO DE ANSIEDADE: A GLOBALIZAÇÃO COMO UM POTENCIALIZADOR Lorrane Moreira do Nascimento Camilla Hettenhausen

4. AUTOMEDICAÇÃO: UM RISCO À SAÚDE DA TERCEIRA IDADE Letícia Ângelo dos Santos Camilla Hettenhausen

5. AUTOMEDICAÇÃO POR ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO- ESTERODAIS E SEUS RISCOS Raelly Almeida Araújo Camilla Hettenhausen

6. OS RISCOS DA PREVALÊNCIA DO USO ABUSIVO E INDISCRIMINADO DE FÁRMACOS DURANTE A GESTAÇÃO Victória De Gino de Sousa Camilla Hettenhausen

7. HIV: CONTEXTO POLÍTICO-ECONÔMICO COMO OBSTÁCULO PARA AS PESQUISAS. Júlia Alice de Jesus Costa Professor Orientador: Camilla Hettenhausen


A globalização como potencializadora no uso das plantas medicinais e dos fitoterápicos e seus efeitos colaterais Beatriz Nascimento Camilla Hettenhausen Colégio Ana Tereza 3° ano 29/10/2018

RESUMO

Nesse artigo foi abordado o crescimento da preferência da população pelo uso de plantas medicinais ou fitoterápicos e tem como objetivo trazer alguns tipos de enfermidades que a população possui e tenta incluir nessa modalidade de tratamento para buscar uma cura mais natural. Um exemplo disso são os fitoterápicos que prometem acabar com o estresse e ansiedade (chamado de ansiolíticos naturais) de uma forma menos danosa ao corpo como o medicamento alopático. Mas ao contrário do que a maioria pensa, ingerir este “medicamento” pode trazer um efeito indesejado, como muita sonolência e falta

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de disposição para exercer as atividades do dia a dia. Por isso, outro objetivo desse artigo é esclarecer as dúvidas sobre a utilização das plantas medicinais/ fitoterápicos, bem como alertar sobre os efeitos colaterais resultantes do uso dessas plantas sem qualquer recomendação médica. Por conseguinte, pode-se perceber que depois de analisar esses tópicos, foi possível concluir que os fitoterápicos são bem potentes para ajudar no tratamento de alguma doença. Para obter todas as informações necessárias, pesquisas em livros e artigos foram imprescindíveis para a obtenção de resultados concretos.

Palavras-chaves: Plantas, fitoterápicos, tratamento


INTRODUÇÃO As plantas são usadas para tratamento desde a antiguidade e foram os primeiros recursos terapêuticos utilizados com o objetivo de melhorar a saúde do indivíduo, entretanto ninguém detinha dos conhecimentos necessários para tal uso. As experiências eram contadas de boca em boca e não existia a consciência dos efeitos colaterais a respeito disso, já que o acesso aos cuidados fundamentais com a saúde era bem difícil e a informação precária. Por isso, como consequência da falta de informação, as pessoas corriam o risco de utilizar as plantas e desenvolver um processo de reação alérgica ou intoxicação. Mesmo com o avanço da indústria farmacêutica e a evolução dos medicamentos, é notório o crescimento do número de adeptos ao uso das plantas medicinais nos últimos anos. Porém, apesar de não ser uma novidade, o advento da globalização permitiu a disseminação do uso dessas plantas e as transformou em fitoterápicos (fármacos que são produzidos a partir das plantas) com o intuito de ser “medicamentos” mais naturais e ser menos danosos ao corpo humano. Com o acesso cada vez mais fácil, os fitoterápicos passaram a fazer parte do dia a dia das pessoas e começaram a ser usados para ajudar em tratamentos nunca pensado antes. Apesar de estarmos em um mundo globalizado, poucos sabem que o uso dos fitoterápicos tudo tem a ver com o tratamento do HIV, diabetes e crises de ansiedade e depressão, por exemplo. Sendo assim, o objetivo desse artigo é demonstrar como a globalização pode ser um potencializador na disseminação de informações sobre a fitoterapia, através do compartilhamento em larga escala das notícias sobre os tratamentos e seus efeitos colaterais. Além disso, mostrar que o uso dos fitoterápicos paralelo ao tratamento convencional é uma combinação que pode ser benéfica para as pessoas que sofrem com esses males.

2 DESENVOLVIMENTO

O uso dos fitoterápicos vem desde a China, através do imperador chinês Shen Nung que registrou um total de 365 ervas medicinais e venenos utilizados a cerca de 3000 a.C., criando assim o primeiro herbário que os historiadores têm notícia. No Brasil, a utilização de ervas medicinais começa na cultura indígena, que influenciada pela cultura africana e portuguesa, gerou uma grande cultura popular. Depois de anos, com o advento da globalização, o acesso aos fitoterápicos, que são um conjunto de princípios ativos obtidos por partes de plantas com alguma ação terapêutica, está cada vez mais fácil. A base dos fitoterápicos, as plantas medicinais são bem conhecidas no mundo dos pais e avós, pois quando surgia alguma indisposição no organismo, o uso dos chás era indispensável para o tratamento dessas enfermidades. A busca por tratamento com fitoterápicos

está sendo cada vez mais recomendada. Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou que em 116 municípios brasileiros a fitoterapia se faz presente e acaba sendo usada em todas as áreas da medicina como a clínica, ginecológica e dermatológica. Uma explicação para esse fato pode ser pautada na teoria de Zygmunt Bauman. Segundo ele, a sociedade é líquida e adaptável e sabendo disso as pessoas tendem a se adaptar às facilidades oferecidas. Segundo uma pesquisa feita pela OMS em 1978, estima-se que 80% da população dos países em desenvolvimento fazem uso dos medicamentos alopatas nos seus cuidados básicos de saúde e 85% usam as plantas como medida de prevenção ou tratamento. O problema que sempre existiu e perdura até os dias de hoje é que tudo que consumimos pode causar uma reação contrária ao que esperávamos a curto ou longo prazo e o uso indiscriminado pode resultar em interações medicamentosas, já que os fitoterápicos não deixam de ser um corpo estranho invadindo o organismo. Segundo a enfermeira da Secretaria de Saúde de Cascavel; INES, Marisa: “As antigas civilizações têm suas próprias referências históricas acerca das plantas medicinais e, muito antes de aparecer qualquer forma de escrita, o homem já utilizava as plantas e, entre estas, algumas como alimento e outras como remédio. Nas suas experiências com ervas, tiveram sucessos e fracassos, sendo que, muitas vezes, estas curavam e em outras matavam ou produziam efeitos colaterais severos.’’(INES MARIZA, 2000) Segundo o Ministério da Saúde, em casos como ansiedade e estresse, a população está fazendo muito mais uso dos fitoterápicos do que do Rivotril (medicamento alopata direcionado ao tratamento dessas enfermidades) acreditando na eficácia e no poder desses produtos naturais. A fitoterapia surgiu como um meio de ajudar e agredir menos o organismo, já que possuem menor concentração de princípios ativos que os alopatas comuns. Mas apesar disso, não se pode confiar 100% neles, pois se usado de maneira incorreta pode acarretar em efeitos indesejados. Um exemplo disso é a cáscara sagrada que atua na melhora da prisão de ventre e consequentemente no emagrecimento. Mas essa erva, se usada em excesso, pode causar a falência do fígado. Além disso, o perigo pode estar bem mais perto do que imaginamos. O chá verde é bem comum no dia a dia das pessoas, porém quando a erva é usada em grande quantidade pode causar até sensibilidade a cafeína, gerando dor de cabeça, vômitos, diarreia e várias outras consequências. Cabe ressaltar que na maioria dos casos a fitoterapia não é um caminho adequado para quem sofre de alguma doença grave. Mas nos dias de hoje, com o advento das redes de informações sobre pesquisas em escala global,

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as indústrias farmacêuticas conseguiram encontrar na Canabis por exemplo, que aos olhos de alguns é uma erva muito danosa ao organismo, a base para a criação de um fitoterápico que é a salvação e alívio para pacientes que sofrem de doenças crônicas e que não tinham nenhuma perspectiva de melhora. outro exemplo do avanço dos fitoterápicos na indústria farmacêutica é o uso dos mesmos para quem sofre com o vírus HIV e está em tratamento antirretroviral. Segundo o livro Fitoterapia: Na atenção primária à saúde; Dunford et al (2001, p.85): “A identificação de compostos isolados que poderiam ser usados como agentes antivirais, por exemplo, é uma área muito ativa da pesquisa, sobretudo como referência ao HIV, porque essas substâncias químicas isoladamente podem ser patenteadas como novas drogas” Esse uso tem como objetivo, entre outras coisas, diminuir o stress do tratamento e aumentar a imunidade. Mas muitas pessoas ingerem em paralelo com os medicamentos alopáticos sem avisar aos seus médicos, podendo gerar interações medicamentosas e comprometer a eficácia dos antirretrovirais. Por conseguinte, podemos concluir que um dos fatores que interferem na a crescente do uso dos fitoterápicos, além da recomendação médica, é o achismo. Muito acreditam que consumir por conta própria não está errado e continuam mantendo o hábito que os avós tinham em usar as plantas como solução para algo, mas agora de uma forma mais avançada: em forma de fitoterápico. Uma solução para o problema do uso indiscriminado dos fitoterápicos/plantas medicinais deve ser trazida por parte do governo. Muitas pessoas não têm acesso a consultas para avaliar o uso adequado dos fitoterápicos, por isso deve ser garantido o aumento na acessibilidade das pessoas aos médicos para que não corram riscos ao ingeri-los. Além disso, pode-se perceber que com o surgimento da globalização houve a maior facilidade de comercialização de produtos e em alguns casos houve também o aumento da disseminação de informação. Com isso, os fitoterápicos passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas com mais frequência. Por isso, pode-se afirmar que a globalização foi um fator de suma importância e um grande potencailizador do uso das plantas medicinais e/ ou fitoterápicos.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Logo, depois das pesquisas feitas ao longo deste trabalho, pode-se concluir que, apesar de não existir muitos relatos a respeito dos efeitos colaterais dos fitoterápicos, eles podem trazer consequências muito ruins ao corpo humano se utilizado de forma indevida e exagerada. por isso, ao fazer uso desse tipo de “medicamento” é imprescindível que o indivíduo tenha bastante informação sobre o que está ingerindo para que o objetivo de tratar alguma enfermidade seja alcançado.

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REFERÊNCIAS

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NUTRIÇÃO E FITOTERAPIA: RELAÇÃO BALANCEADORA DE PESO Clarissa Lima Camilla Hettenhausen Colégio Ana Tereza 1º ano 29 de outubro de 2018

RESUMO

A fitoterapia é um método de terapêutico que vêm sendo utilizado para profilaxia e tratamento de várias patologias. A utilização de recursos naturais para fins medicinais antecedem Cristo e como podemos avaliar, não estão sendo esquecidas e/ou abandonadas com processo de expansão do conhecimento humano. Os centros de saúde estão cada dia mais voltados à estas práticas, promovendo uma renovação do âmbito científico através do conhecimento popular. Esse é o grande exemplo que temos para a associação da nutrição com a fitoterapia, tal agregação está sendo de grande valia para auxilio nos tratamentos de doenças. A obesidade, é um exemplo, vem sendo tratada com fitoterápicos e está trazendo bons resultados, isso tudo com uma modificação nos hábitos alimentares, correspondente a uma reeducação alimentar. Com isso é possível afirmar que a fitoterapia tem uma longa e rica jornada e a partir dos estudos que vêm sendo realizados, podemos crer em mais e mais alternativas eficazes e naturais. Junto à isso, claro, a responsabilidade em medir os efeitos colaterais que estas podem acarretar. O presente artigo traz como objetivo mostrar os benefícios da associação nutrição fitoterapia e descrever a necessidade de auxílio médico para certas tomadas de decisões nas utilizações de algumas substâncias. Tratar-se de um artigo explicativo e descritivo, embasado em pesquisas bibliográficas, por meio de artigos científicos, sites e livros.

Palavras-chave: Nutrição, Fitoterapia, Obesidade

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1 INTRODUÇÃO

Dentre as diversas formas de conceituar a globalização a que melhor se encaixa na discussão presente faz referência ao processo de aproximação e inserção entre as diversas nações existentes por todo o mundo, sendo no domínio econômico, social, cultural ou político. Ao longo da história da humanidade, a prática de tratar doenças sempre esteve presente, haja vista que existem doenças e sintomas que são milenares, com isso os conhecimentos populares vêm sendo passados de geração em geração e mesmo com a alta tecnologia sendo difundida em todo o mundo a medicina alternativa tem ganhado notoriedade. Uma prática muito comum no mundo é a fitoterapia que é a ciência que estuda as plantas medicinais e o uso das mesmas no tratamento de doenças por meio de plantas, frutos, folhas, caules e raízes. As plantas contêm princípios ativos capazes de curar muitas doenças e foi a partir do reconhecimento de tais propriedades que se deu o surgimento da medicina alopática moderna. A nutrição também vem desempenhando um papel muito importante e está sendo um instrumento para manter uma boa qualidade de vida. A associação nutrição, fitoterapia é importante para manutenção da saúde de qualquer indivíduo, considerando os fitoterápicos como suplemento alimentar. Certas patologias podem ser tratadas com tal associação e isso está sendo buscado cada vez mais pela população. Este trabalho se justifica, pois, vivemos em uma sociedade que busca cada vez mais comodidade na profilaxia de doenças e está cada vez mais utilizando fitoterápicos e\ou plantas medicinais, muitas vezes não entendendo a responsabilidade que se deve ter ao utilizar de tais recursos. Dados para o embasamento de tal pesquisa foi feito a partir de levantamento bibliográfico, leituras de artigos, livros e busca de conhecimento a respeito do tema.

2 DESENVOLVIMENTO

Os fitoterápicos são medicamentos feitos exclusivamente de matéria-prima vegetal, medicamentos, que são usados normalmente como uma alternativa de tratamento em substituição aos fármacos sintéticos e ganham cada vez mais adeptos. Suas utilizações vêm desde a antiguidade trazido por Hipócrates, pai da medicina, que receitava plantas para tratamento de mazelas e seus princípios são passados de geração a geração, deixando sempre a possibilidade mais natural de tratamento e prevenção de enfermidades. A saúde alimentar é um ponto que tem sido cada vez mais investigado nos últimos tempos, por conta da ampliação da busca de uma vida saudável ou de um corpo dentro dos padrões de beleza. Muitas vezes disseminado de forma desacerbada, as ações de certos fitoterápicos auxiliam nesses processos, colocando-os em uma posição arriscada, todavia com orientação correta pode-se ser

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uma excelente saída para cumprir certos propósitos. O conhecimento sobre as plantas e fitoterápicos nem sempre é profissional, muitas vezes é apenas popular e isso pode trazer consequências não agradáveis. As plantas possuem substâncias que agem de forma diferente em cada organismo e a utilização delas com outras substâncias pode ser uma medida, um tanto quanto, arriscada. Há uma variedade de plantas para cada necessidade e isso traz uma certa curiosidade da população em relação a esses medicamentos e por serem de fácil acesso podem ocasionar problemas em razão da falta de instrução a respeito da sua utilização. Reações alérgicas, interações medicamentosas, intoxicação, são alguns dos efeitos colaterais da indevida utilização de medicamentos fitoterápicos. Por tal motivo é necessário um acompanhamento médico para receitar certas constituições. Especialistas devem ser consultados para a melhor indicação da utilização dessas substâncias. O nutricionista, enquanto profissional da saúde, tem papel relevante na utilização dos recursos oferecidos pela fitoterapia, uma vez que, auxilia nos processos de indicação e receita de substâncias e suplementos para assistência no tratamento de certos distúrbios. O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), Regulamenta a prática da Fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo-lhe competências para, nas modalidades que especifica, prescrever plantas medicinais e chás medicinais, medicamentos fitoterápicos, produtos tradicionais fitoterápicos e preparações magistrais de fitoterápicos como complemento da prescrição dietética e dá outras providências. (Nova redação dada pela Resolução CFN nº 556/2015) Tornando assim os nutricionistas profissionais que possam auxiliar na utilização de fitoterápicos e plantas medicinais. Além dos nutricionistas outros profissionais podem ser consultados como é o caso dos fitoterapeutas, especialistas na ação das plantas, dos fitoterápicos entre outros métodos.

2.1 NUTRIÇÃO FITOTERAPIA

A relação feita entre a nutrição e a fitoterapia ainda é pouco conhecida, partindo do princípio da baixa disseminação da atualização das práticas milenares de utilizar plantas para curar e\ou tratar doenças. Os conhecimentos sobre esse tema vêm cada vez mais avançando em direção a fusão com estudos mais profundos sobre a real eficácia dos mesmos, sabendo que a utilização desse tipo de substância deve ocorrer de forma segura, especialistas devem ser consultados, pois possuem conhecimentos necessários para receitar e indicar métodos alternativos para complementar refeições e tratar doenças.


Certos transtornos alimentares são caracterizados pela falta ou excesso de algumas substâncias. É de conhecimento geral que a nossa dieta precisa conter nutrientes, proteínas e minerais, porém subestimase suas fontes. Certas plantas apresentam grandes fontes de nutrientes e têm um papel importantíssimo na manutenção da saúde humana. Com o processo de globalização e disseminação do conhecimento cresceu, consideravelmente, a necessidade de utilizar tratamentos alternativos para as afecções, pois, entende-se que tal método é mais natural e pouco danoso ao organismo e com a globalização expande cada vez mais a utilização desses métodos tão eficazes. Esse número traz resultados muito positivos para a sociedade, pois demonstra que apesar do tempo tais práticas ainda são muito efetivas. A busca pelos medicamentos fitoterápicos vem aumentando bastante, já que muitos acreditam nos benefícios do tratamento natural, além disso, a fitoterapia vem a ser uma terapia não agressiva, de baixo custo e fácil acesso. Isso faz com que, as pessoas busquem essa alternativa, como método de cura e prevenção. (CRUZ; ALVIM, 2013). Essa busca por alternativa legitima a utilização milenar dessas técnicas e outros métodos que também podem trazer muitos benefícios e tornar-se uma saída mais eficaz para tratar certos padecimentos. Segundo Verrengia; et al (2013), os fitoterápicos agem no organismo como moderadores de apetite ou aceleradores de metabolismo, promovendo redução da ingestão alimentar, diminuindo os níveis séricos de colesterol, além de ação antioxidante, diurética e lipolítica. Essa ação pode ser relacionada a tratamento de doenças e transtornos alimentares e na diminuição de peso ou queima da gordura ingerida.

2.2 OBESIDADE

A obesidade é definida como uma enfermidade, caracterizando-se por um grande acúmulo de gordura corporal. É considerado um problema de saúde pública mundial podendo ocasionar outros tipos de doenças. A fitoterapia tem apresentado efeitos positivos no tratamento e prevenção de inúmeras patologias, dentre elas a obesidade, considerada uma das doenças da globalização, a mesma vêm sendo alvo de pesquisadores em busca de algo que trouxesse um maior benefício para o corpo humano. Associadas à reeducação alimentar, as plantas medicinais e fitoterápicos estão sendo uma forma muito receitada por médicos da área de nutrição. Diversas plantas medicinais têm sido estudadas e utilizadas com o objetivo de redução de peso, principalmente aquelas com ação inibidora de lipases, contendo propriedades termogênicas, ou que suprimem o apetite. A fitoterapia atualmente se constitui uma forma de tratamento eficaz, acessível à população. Órgãos internacionais e nacionais, em especial a OMS (Organização Mundial da Saúde),

Ministério da Saúde e Conselho Federal de Nutricionistas reconhecem, valorizam e incentivam o uso de fitoterápicos dentro dos serviços públicos de saúde. Entende-se, que o nutricionista poderá utilizar a fitoterapia como coadjuvante nas terapias relacionadas ao seu campo de conhecimento específico. “O nutricionista deverá sempre enfatizar a importância de uma alimentação saudável, mesmo identificando a necessidade da prescrição de plantas medicinais. Vale ressaltar que um projeto terapêutico para indivíduos obesos nunca deverá extinguir a reeducação alimentar e que existem muitas variáveis em qualquer tratamento. E sabese que o foco do nutricionista tem que estar no alimento e manutenção da saúde. ” (OLIVEIRA; CORDEIRO, 2013) Sem a correta orientação de como portar-se em relação aos alimentos, a saúde estará sempre em risco. A reeducação alimentar é uma das maneiras mais eficazes de mudança de hábitos e assim de uma melhora significativa na maneira de viver. Trazendo a utilização das plantas para essa vertente temos o acompanhamento e a realização de exames que comprovem a real necessidade do consumo e a associação com outras substâncias já utilizadas pelo paciente, de maneira responsável e consciente dos riscos e dos benefícios. Logo a orientação, se faz a real protagonista dessa história, pois como Balbach (1993) acreditava a desorientação atualmente reina quanto à maneira correta de se alimentar e cuidar da saúde.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que a orientação profissional para utilização dos recursos naturais para tratamento é essencial, pois faz-se necessário a estabilidade nas escolhas em função da manutenção e\ou preservação da saúde. Com estudos realizados nos últimos anos, o consumo de alternativas mais naturais tem trazido muitos e bons resultados. A importância da utilização desses recursos está ligada à sua história, que a cada ano, vem agregando mais e mais. O uso consciente se faz extremante necessário partindo da maneira na qual seu organismo receberá tal substância. Relacionando a fitoterapia e a nutrição, grandes aliadas na preservação do bem-estar, temos bons resultados proveniente de estudos e pesquisas a respeito de substâncias com funções moderadoras e inibidoras que estão diretamente ligadas a questões alimentares e corporais. Com isso é possível afirmar que a fitoterapia tem uma longa e rica jornada e a partir dos estudos que vem sendo realizados podemos crer no surgimento cada vez maior de alternativas eficazes e naturais. Com o passar dos anos e com a globalização, a disseminação desse conhecimento pode ser difundida para outras áreas de estudos e assim trazer cada vez mais resultados para a melhor manutenção da saúde humana.

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REFERÊNCIAS Leal, L. R.; Tellis, C. J. M.; Farmacovigilância de plantas medicinais e fitoterápicos no Brasil: uma breve revisão. Disponível em: https://www.arca. fiocruz.br/bitstream/icict/15835/2/8.pdf Acesso em: 2 de junho de 2018 Oliveira, I. C., Cordeiro, P. B. M. H. Os Fitoterápicos como Coadjuvantes no Tratamento da Obesidade. Disponível em: http://revistas.unifoa.edu.br/index.php/cadernos/ article/view/1240/1125 Acesso em: 15 de agosto de 2018 Silva, E. C. A.; Silva, M. C. C.; Silva, I. S. S.; Martins, A. C.; Soares, J. K. B. Caracterização físico-química da flor de hibisco (Rosasinensis l.) E folhas de louro (Laurus nobilis l.) utilizados como fitoterápicos e no consumo alimentar. Disponível em: http://www.editorarealize.com.br/revistas/conbracis/ trabalhos/TRABALHO_EV108_MD1_SA6_ ID2604_21052018202011.pdf acesso em: 24 de agosto de 2018 Gomes, J. S. O Uso Irracional de Medicamentos Fitoterápicos No Emagrecimento: Uma Revisão De Literatura. Disponível em: http://repositorio.faema.edu.br:8000/ bitstream/123456789/410/1/GOMES%2C%20 J.%20S.%20-%20O%20USO%20 IRRACIONAL%20DE%20MEDICAMENTOS%20 FITOTER%C3%81PICOS%20NO%20 EMAGRECIMENTO..%20UMA%20 REVIS%C3%83O%20DE%20LITERATURA.pdf acesso em: 6 de setembro de 2018. Verrengia, E. C.; Kinoshita, S. A. T.; Amadei J. L.; Medicamentos Fitoterápicos no Tratamento da Obesidade. Disponível em: http://www.pgsskroton. com.br/seer/index.php/uniciencias/article/ view/519/488 acesso em: 10 de setembro de 2018

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TRANSTORNO DE ANSIEDADE: A GLOBALIZAÇÃO COMO UM POTENCIALIZADOR Lorrane Moreira do Nascimento Camilla Hettenhausen Colégio Ana Tereza 1° ano 29/10/2018

RESUMO O objetivo deste artigo é conscientizar sobre os riscos associados ao uso exacerbado da internet e sua influência no desenvolvimento do transtorno de ansiedade trazendo os sintomas deste transtorno e como pode ser identificado o início de tal transtorno. Foi possível concluir que o uso precoce e ilimitado da internet pode desenvolver uma alteração psicológica no indivíduo, levando à dependência. A dependência por esses meios está sendo desenvolvida com maior incidência na adolescência, principalmente pelas mudanças psicológicas que ocorrem nessa fase da vida que deixam estes indivíduos mais vulneráveis a influências, transformando-os nos principais alvos do uso da internet. O uso excessivo desses avanços podem causar problemas psicológicos, um desses é a ansiedade. A ansiedade se trata de um sistema normal e necessário ao corpo humano, porém quando desenvolvida de forma exagerada, esta pode causar diversos problemas na vida do indivíduo, prejudicando desta forma a vida social e física do mesmo, tornando-se necessário o acompanhamento médico e o início de tratamentos para que esta doença não traga consequências mais graves, levando a outros diversos problemas psíquicos e/ou o suicídio. Os métodos utilizados para a elaboração do presente artigo foram: revisões bibliográficas e leituras em sites baseados em materiais que são pertinentes ao tema.

Palavras-chave:

Globalização. Tecnologia. Dependência. Ansiedade.

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1 INTRODUÇÃO

A globalização mudou o mundo por inteiro no que tange a comunicação entre os povos, e dentre os diversos recursos que foram apresentados a raça humana está a internet, a qual traz consigo uma maior comunicabilidade e compartilhamento de informações, com fácil acesso ao público que faz parte da comunidade que está totalmente ou parcialmente inclusa na web. Apesar de ter se tornado algo necessário para o dia-a-dia o uso excessivo de tal método pode levar a um tipo de dependência, na qual o indivíduo passa a ser totalmente submisso aos conteúdos da internet, prejudicando sua saúde mental e física. Dentre os diversos efeitos negativos da dependência, como: a baixa autoestima e depressão, a ansiedade é um resultado que se apresenta como uma das doenças que vêm causando maior preocupação em todo o mundo. De acordo com estimativas do OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que o Brasil é o país com maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo. A partir do momento em que o uso desordenado desses métodos tecnológicos ultrapassa os limites de necessidade e passa a prejudicar a saúde dos indivíduos, se torna necessário entender qual a ligação entre a tecnologia e doenças que causam efeitos diretos ao cérebro humano, prejudicando toda a saúde e até mesmo a vida social do indivíduo e de que forma este pode se livrar da dependência para impedir que estas doenças possam fazer parte da sua vida. Este documento tem como objetivo identificar de que forma a internet vêm causando efeitos negativos aos seus consumidores e como o uso desordenado deste pode trazer consequências na vida dos indivíduos, colocando em destaque a ansiedade que está sendo considerada um dos males do século a qual pode ser influenciada pela dependência relacionada ao uso da internet. O presente artigo foi elaborado a partir de: uma revisão bibliográficas em materiais científicos já publicados, como livros e artigos, além de leitura em sites baseados em materiais pertinentes ao tema.

2 DESENVOLVIMENTO 2.1 INTERNET: A DEPENDÊNCIA

A internet se trata de um avanço tecnológico que foi disponibilizado em massa pelos fatores da globalização, o mesmo trata-se de uma rede mundial que tem como principais objetivos: a interligação entre pessoas de diversas regiões do globo que facilita o compartilhamento de notícias de todo o mundo em segundos e facilita o contato com diversas informações que ajudam no cotidiano das pessoas. Apesar de facilitar em diversas atividades cotidianas, o uso excessivo de meios tecnológicos associados à internet podem causar uma dependência, na qual a vítima dedica todas as horas dos seus dias para os recursos disponibilizados. Segundo o psicólogo Roberto

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Debski, o “sistema de recompensa cerebral”, uma série de estruturas em nosso cérebro provocados quando faz-se algo que traga prazer e satisfação, liberando neurotransmissores como dopamina, serotonina, entre outros. Em algumas pessoas predispostas, em maior ou menor grau, acontece a ansiedade por estar sempre conectado. E esta necessidade acaba transformando o prazer em ansiedade. A maioria das pessoas com maior predisposição são adolescentes, pois a adolescência configura-se como uma fase de transição, onde estes sujeitos se tornam mais suscetíveis à influências, transformando-os nos maiores e mais fáceis alvos desses avanços tecnológicos e por se tratarem dos grupos que ficam mais vulneráveis, são dignos de maior atenção. Na maioria das vezes estes acreditam que toda a sua vida social deve e é resumida à internet e redes sociais. “Os principais problemas relatados se referem à dependência psicológica, que inclui um desejo irresistível de usar a rede, com incapacidade de controlar seu uso; irritação quando não conectados e euforia assim que conseguem acesso. Têm obsessão pela vida virtual, não se importando pela vida presencial, como o sono, a alimentação, os relacionamentos off-line.” (ARAUJO, 2013) Como consequência esse indivíduo acaba deixando a sua vida real completamente de lado, deixando de sair, se comunicar com amigos e famílias e deixando de lado suas obrigações pessoais. A maioria dessas vítimas ficam irritadas quando não estão conectadas a tais meios, criando características agressivas, que são reflexos da dependência à internet.

2.2 TRANSTORNO DE ANSIEDADE

De acordo com o psicólogo Gastão Ribeiro (2011), ansiedade se trata de um fenômeno natural e necessário ao corpo humano. Este é responsável por preparar o indivíduo para situações de medo, insegurança, aflição, êxtase, etc. Refere-se a um processo simpático – aquele que é responsável por coordenar estímulos autônomos, que prepara o corpo humano para situações em que o corpo necessita de maiores estímulos energéticos – este processo faz parte do SNA (Sistema Nervoso Autônomo). Porém, a ansiedade passa a ser patológica quando iniciase um processo prejudicial à saúde e à vida social do indivíduo. TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) se trata de um sentimento de medo, ansiedade e/ou preocupação com algo que não aconteceu ou algo imaginário (alucinações). “Um único evento aversivo pode levar uma condição de ansiedade a ficar sob o controle de estímulos incidentais. Quando uma pessoa é submetida a uma situação a qual foi desagradável, provocando um enorme grau de ansiedade, então quando submetido a situações parecidas irá associar o sentimento de ansiedade com o


evento ocorrido.” (GUIMARÃES, et al., 2015, pag:117) Qualquer momento traumático, sendo ele na infância, adolescência ou vida adulta pode levar ao TAG e a partir do momento em que é identificado os sintomas desse transtorno no indivíduo é essencial a procura à ajuda médica. Na ansiedade, existem dois tipos de sintomas, os psicológicos como: medo constante, problemas de concentração, descontrole sobre os pensamentos, irritabilidade, problemas de dormir, entre outros; e os sintomas físicos: tensão muscular, pés e mãos frios, aumento de suor, tremores em alguns membros do corpo, respiração ofegante ou falta de ar, náuseas, boca seca, etc. Além desses sintomas existem os ataques de pânico, que são muito comuns em pacientes que estão e um nível consideravelmente avançado. A depressão pode vir como uma consequência ou um acompanhamento do TAG. De acordo com Kendell (1983), 2% (dois por cento) dos casos de ansiedade foram precedidos por depressão, assim como 24% (vinte e quatro por cento) dos casos de depressão foram antecedidos por ansiedade. Obtendo-se assim a confirmação de, apesar de serem doenças diferentes, estas podem ser influenciadoras uma da outra. A depressão se trata de um transtorno de humor, onde o sujeito passa a ter uma percepção totalmente agravada sobre seus problemas e o mundo à sua volta, considerando tudo muito pior do que realmente é. Esses fatos fazem com que o indivíduo se isole do mundo exterior, ocupando-se apenas de pensamentos negativos, onde boa parte das vezes esses pensamentos são voltados a si mesmo, culpando-os de problemas que recaíram sobre estes. Tendo seus sintomas muito parecidos com a ansiedade, sendo eles: medo, insônia, insegurança, irritabilidade, isolação, déficit de atenção, dentre outros.

2.3 CAUSAS DA ANSIEDADE

De acordo com especialistas, um mundo hiperconectado, onde cada vez mais as pessoas se sobrecarregam de informações, pode ser o causador de transtornos de ansiedade. A juventude do século atual nasceu em uma época em que iniciava-se o uso da internet, desta forma é correto afirmar que este meio tecnológico faz parte da vida destes jovens desde muito cedo e vem aumentando gradativamente. O uso precoce desses meios aumenta a disponibilidade desses indivíduos para o início do transtorno de ansiedade – e outros tipos de transtornos que podem ser desenvolvidos pelo uso ilimitado da internet. Alguns sinais como: o nervosismo para ter acesso à internet, a ansiedade para receber alguma mensagem, entre outros, mostram que o indivíduo está cada vez mais resumindo sua vida à internet e às redes sociais, considerando o uso desses meios essenciais e insubstituíveis no seu cotidiano. Desse modo cada vez que ele estiver distante desses recursos

sua ansiedade irá aumentar iniciando assim o processo de avanço descontrolado do fenômeno da ansiedade, causando preocupação, medo e aflição, prejudicando assim a saúde do indivíduo. Aquele momento em que você tenta se concentrar em um livro, mas está dividindo a atenção com a espera da chegada daquela mensagem, quando você está passeando, mas não consegue aproveitar o lugar pois sua atenção está na espera para o lançamento do episódio da sua série, esses fatos são exemplos de sinais que no organismo humano está sendo desenvolvido um nível descontrolado de ansiedade e são a partir desses momentos em que percebemos os primeiros sinais do TAG, como: suor nas mãos e pés, pernas e mãos tremendo, o desenvolvimento de manias como: morder os lábios, balançar a perna, estralar os dedos. Dentre outros sintomas que apresentam o princípio de tal transtorno.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A globalização é um processo que traz uma amplificação do conhecimento humano e disseminação do mesmo. Com essa disseminação vieram as novas tecnologias e com elas seus padecimentos. A utilização dessas tecnologias de maneira exagerada traz consigo uma carga de responsabilidade enorme. A partir de conhecimentos e pesquisas sabe-se que a ansiedade é um transtorno natural, intensificado pela utilização da internet. É necessário entender que a vida vai muito além do mundo virtual e que o mesmo não deve servir como um meio de diminuir autoestima das pessoas, de insulta-las ou até mesmo servir de isolamento. Se trata de meio de pesquisa, conhecimento que deve ser utilizada com moderação. É importante a imposição de limites para que seja evitada a intensificação desse transtorno. Impor limites não significa se isolar dos meios tecnológicos, apenas diminuir ou dosar seu uso, para uma melhor qualidade de vida. É necessário manter o controle no uso dos meios tecnológicos, pois podem sim ajudar, mas também podem atrapalhar a rotina do indivíduo e pode causá-lo diversos problemas de saúde. Desta forma ao perceber que há indícios de dependência, se torna essencial a busca de um profissional para auxilio e tratamento. Já é passado a ideia de que a ansiedade não é considerado uma patologia ou algo que se deva dar atenção. Se tratam de uma doença sérias e grave, que podem afetar o cérebro e acarretar outros tipos de doenças. Existem tratamentos que devem ser usados como a psicoterapia, que traz como principal objetivo o tratamento desse distúrbio em busca de uma melhora emocional. Esses meios devem ser tomados para que estes traumas não avancem e tragam consequências mais graves, levando a outros diversos problemas psíquicos e/ ou o suicídio.

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AUTOMEDICAÇÃO: UM RISCO À SAÚDE DA TERCEIRA IDADE Letícia Ângelo dos Santos Camilla Hettenhausen Colégio Ana Tereza 9º ano 29/10/2018

RESUMO A automedicação equivale a uma prática comum de tomar medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde adequado, onde muitas pessoas na sociedade, por conta, principalmente, de uma rotina apressada e as ferramentas da internet, vêem como algo simples, mas ela pode sim trazer efeitos piores. O artigo tem como objetivo uma análise crítica do agrupamento de fatores que levam a automedicação para a população da terceira idade. O artigo foi totalmente embasado em pesquisas bibliográficas, por meio de livro, sites, e principalmente, artigos científicos para ter total compreensão do porque é feito o ato de se automedicar em idosos e suas consequências. Contudo, os resultados encontrados evidenciam a diminuição da vulnerabilidade das pessoas à medida que melhore a sua conscientização a respeito do problema, demonstrando a necessidade de melhorias na fiscalização, mais rigor na aplicação das leis e de melhor controle das propagandas de remédios nos meios de comunicação. Com isso, as divulgações e uma maior conscientização do próprio idoso é extremamente necessário para uma diminuição da automedicação.

Palavras-chave:

Automedicação. Idosos. Medicamentos

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1 INTRODUÇÃO A automedicação é considerada a prática de consumir medicamentos por conta própria e sem a orientação de um profissional de saúde. O uso dos mesmos se tornou um ato tão constante, que para sociedade já é algo natural. Em uma sociedade que vive em ritmo acelerado, é difícil encontrar tempo para ir ao médico. Por conta disso, a automedicação acontece devido a facilidade em não ter que ir ao médico e, que a população que realiza o ato, não tem consciência dos malefícios. É necessário mostrar para todos que o acesso e o uso dos medicamentos exerce uma influência significativa sobre o resultado de algum tratamento, independente da eficiência ou da qualidade do produto. O estudo em questão é uma análise dos principais fatores que levam à automedicação para compreendermos melhor alguns aspectos negativos e positivos desse comportamento e, dessa maneira, torná-los conscientes. Para isso, o artigo baseou-se em levantamentos de dados bibliográficos que demonstram que o Brasil deveria estar mais atento a este tema de saúde pública como uma forma de prevenção

educativos sobre os efeitos muitas vezes irreparáveis da automedicação, são alguns dos motivos que levam as pessoas a utilizarem medicamento. De uma forma geral, as propagandas robustecem as características positivas dos medicamentos e acabam omitindo seus aspectos negativos e perigosos, noticiando uma falsa ideia de que o seu produto é seguro, e em muitos casos anunciando que trazem efeito rápido e tirando o mal-estar, induzindo, assim, toda a população à compra de remédios com alívios rápidos, sem o auxílio de um profissional especializado. O gráfico 1 demonstra o quanto a população de idosos, recorre à prática do próprio diagnóstico ao invés de buscar acompanhamento adequado, uma vez que os idosos são vitimas fáceis da automedicação, muitas vezes que, podem apresentar mais fragilidade na saúde, e com isso a automedicação pode ser considerada um comportamento de risco.

Gráfico 1- Distribuição percentual, por faixa etária, dos pacientes idosos fragilizados atendidos no Centro Mais Vida. Juiz de Fora-MG, 2010.

2 DESENVOLVIMENTO

A automedicação no Brasil teve origem no período colonial, em plena colonização portuguesa.  Por ser uma época em que a saúde ficava nas mãos dos boticários, como eram chamados os farmacêuticos, que prescreviam receitas sem ter uma base científica para passar para a população, a automedicação começou a tomar força. Nos dias atuais, a superlotação de postos e hospitais torna o atendimento publico demorado e, deste modo faz com que as pessoas procurem o caminho mais fácil, onde não é preciso esperar, o próprio diagnóstico e, consequentemente, a automedicação. Contudo, muitas vezes, grande parte das pessoas nem chegam a ir ao médico por conta da sua rotina apressada, e com isso as ferramentas da internet também são parte do problema, porque propiciam aos usuários que busquem, por conta própria, a solução de seus sintomas. A automedicação é praticada devido a múltiplos fatores. Segundo um editoral sobre a automedicação da Scientific Eletronic Library, a SciELO A propaganda desenfreada e massiva de determinados medicamentos contrasta com as tímidas campanhas que tentam esclarecer os perigos da automedicação. A dificuldade e o custo de se conseguir uma opinião médica, a limitação do poder prescritivo, restrito a poucos profissionais de saúde, o desespero e a angústia desencadeados por sintomas ou pela possibilidade de se adquirir uma doença, informações sobre medicamentos obtidos à boca pequena, na internet ou em outros meios de comunicação, a falta de regulamentação e fiscalização daqueles que vendem e a falta de programas

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Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v16n4/18099823-rbgg-16-04-00691.pdf Devido o aumento exponencial das doenças crônicas e das consequências que acompanham o evoluir da idade é significativo o aumento do uso de medicamentos entre os idosos, que é reforçado, principalmente, pelo poder das industrias farmacêuticas e do marketing dos medicamentos. O principal risco da automedicação nos idosos é a intoxicação. Além disso, o uso indiscriminado de medicamentos pode produzir reações alérgicas, dependência e até morte. É importante reforçar, ainda, o risco do aumento da resistência de bactérias no uso indiscriminado de antibióticos e eventos adversos relacionados a dificuldades de monitoramento de doenças silenciosas, como nas doenças crônicas. “Em todo o mundo, as pessoas idosas usam mais os serviços médico-hospitalares e consomem mais medicamentos. Essa realidade não é diferente no Brasil”,


sustenta o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini (ABRADILAN, .2015). Nesse pensamento, é necessário ter uma atenção dobrada ao uso de medicamentos por idosos, devido a sua constituição física um pouco mais debilitada, e até por que grande parte faz a polimedicação, o uso de vários medicamentos, fato que pode aumentar o risco de outros acontecimentos mais graves. A prática da automedicação é um problema bastante difundido não apenas no Brasil, mas também em outros países, é algo antigo e de grandes proporções. Nesse sentido, Hipócrates já sentenciou: “Toda vez que um indivíduo diz que segue exatamente o que eu peço, está mentindo”. Não há como acabar totalmente com a automedicação, talvez pela própria condição humana de testar e arriscar decisões. (SciELO.2001, p.270)

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O aumento da população idosa no Brasil traz desafios cada vez maiores aos serviços de saúde, pois à medida que envelhecem aparecem varias doenças crônicas, fazendo com que dependam de tratamento medicamentoso demorado. Esta população esta mais sujeita aos problemas mais sérios, o que também pode esta relacionada ao uso de medicamentos. Neste contexto, o grupo da terceira idade torna-se grande consumidor de medicamentos, tornando-se o grupo mais medicalizado na sociedade. Mesmo que a automedicação algumas vezes possa apontar suas vantagens, por ser de fácil acesso, assim evitando a consulta médica que pode ter um custo elevado

ou até mesmo nem conseguir uma consulta, e também por aliviar certos sintomas de mal-estar, ela deve se realizada de maneira responsável. Na tentativa de reduzir os problemas causados pela automedicação, deve ser considerada a diminuição da vulnerabilidade das pessoas à medida que melhore a sua conscientização a respeito do problema, cobrando a melhoria da fiscalização e mais rigor na aplicação das leis e melhor controle das propagandas de remédios nos meios de comunicação.

REFERÊNCIAS

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AUTOMEDICAÇÃO POR ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO- ESTERODAIS E SEUS RISCOS Raelly Almeida Araújo Camilla Hettenhausen Colégio Ana Tereza 3° ano 29/10/2018

RESUMO O presente trabalho de revisão bibliográfica tem por objetivo de compreender como a automedicação por anti-inflamatórios não esteroidais prejudica o organismo quando utilizada constantemente e de maneira incorreta e os fatores que levam os indivíduos a usarem esses medicamentos dessa forma. O maior problema apresentado foi a questão do atendimento precário no sistema público de saúde. Dessa forma foram realizadas diversas pesquisas por meio de sites e artigos, para assim encontrar os motivos que levam a automedicação e os problemas decorridos dela. Foi possível observar também que a mídia é uma grande contribuinte para o aumento dos casos de automedicação, assim como os familiares, amigos e vizinhos que indicam o anti-inflamatório não esteroidal por já ter passado por um problema parecido.

Palavras-chave:

Automedicação; Fármacos; Anti-inflamatórios não-esterodais.

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1 INTRODUÇÃO

No cenário farmacêutico é possível perceber que a automedicação sempre aconteceu, mas nas primícias do século XIX grande parte dos medicamentos utilizados eram de procedência natural, os quais na maior parte das vezes ocasionavam menos danos à saúde. Porém, de acordo com Oliveira (2006) na década de 40 houve a inserção de fármacos que possibilitaram o tratamento de patologias até então consideradas fatais. Atualmente quanto mais desenvolvido é o país, maior será o índice de automedicação, dessa forma é perceptível um crescimento diretamente proporcional. A automedicação é uma prática comum na sociedade brasileira, algumas pessoas por já terem sentido sintomas parecidos anteriormente ou por indicações de conhecidos que vivenciaram os mesmos problemas, acreditam que não precisam da orientação um profissional de saúde. O uso por conta própria de medicações pode causar diversos danos à saúde e muitas pessoas não imaginam as inúmeras reações adversas causadas por esse ato. Um dos grandes motivos para que isso ocorra é a influência da mídia, a qual, na maior parte das propagandas incentiva o uso indiscriminado de alguns remédios. Outro fator contribuinte para o crescimento da automedicação é o fato de eles serem fácil acesso na indústria farmacêutica atual, onde existe até “farmácias delivery”. Esse trabalho é de suma importância, uma vez que procura alertar a população sobre os riscos da automedicação, em especial os anti-inflamatórios e propor que haja uma educação e mais informações para as pessoas aprendam a usar os medicamentos corretamente, cooperando dessa forma com as políticas públicas de saúde do Brasil. Segundo Conte (2013), a falta de controle na venda de remédios é um grande problema do Brasil, onde os antiinflamatórios são considerados medicamentos de tarja vermelha, correspondem a 65% dos remédios disponíveis no mercado. Esses fármacos, por proporcionarem um alívio inopino da dor e serem mais acessíveis para a maioria da população, acabam se tornando um tipo de medicação usado demasiadamente e de forma incorreta, acarretando diversos problemas gastrointestinais, renais, hepáticos e cardíacos. O objetivo desse artigo é esclarecer como o uso de medicações sem prescrição médica torna-se prejudicial à saúde do indivíduo, trazendo danos muitas vezes irreparáveis, além de analisar a automedicação por antiinflamatórios e suas consequências. A metodologia desse trabalho feita por meio de levantamento de dados bibliográficos

2 DESENVOLVIMENTO

A automedicação é o ato de tomar medicamentos por conta própria, ou seja, sem prescrição médica, trazendo muitos prejuízos na maioria das vezes por conta da mal administração do remédio. Um dos fatores que contribui para o aumento desse ato de se automedicar é a constante

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propaganda de medicamentos nas mídias sociais, que são de venda livre (como os analgésicos, xaropes, antitérmicos e vitaminas). Porém não fica claro para a população as reações adversas quando esses remédios são utilizados de maneira incorreta ou em excesso. Segundo Cerqueira et al (2005) “por fatores culturais e socioeconômicos a população é motivada a tratar de doenças com este processo da automedicação”. Uma das causas socioeconômicas é a precariedade do sistema de saúde brasileiro, visto que existe uma demanda muito grande, por conta de poucas unidades de atendimento e até a falta delas em alguns lugares do país, além da ausência de profissionais em hospitais públicos constantemente. Logo, há uma demora de atendimento preocupante, onde é perceptível um total descaso por parte das autoridades em relação a esse problema. Dessa forma, as pessoas optam pela automedicação por ser mais cômodo. A inflamação é um processo corporal, cujo combate de uma lesão no tecido ou uma infecção, aumenta o fluxo sanguíneo e há também o acúmulo de células do sistema imunológico que irão impugnar o organismo agressor Essa reação causa dor, inchaço e vermelhidão no local inflamado. Os anti-inflamatórios são medicamentos que diminuem a inflamação, além de possuir ação antitérmica (redução da febre) e analgésica (diminuição da dor), nos quadros agudos ou crônicos que o processo inflamatório causa. Os anti-inflamatórios podem ser esteroidais ou nãoesteroidais. Os esteroides são derivados de corticoides, eles possuem uma ação mais intensa e são utilizados em inflamações crônicas como a asma, lúpus e alergias. Já os não esteroidais, conhecidos também como AINEs são recomendados para tipos de inflamações agudas. Os mais consumidos por automedicação, ou seja, sem a prescrição médica são aqueles que não possuem corticoide. Um dos tipos de medicamento mais usados por aqueles que praticam a automedicação são os anti-inflamatórios não-esteroidais (AINES) e a utilização desse fármaco vem crescendo cada dia mais, principalmente nos países em desenvolvimento como o Brasil e também nos desenvolvidos. De acordo com Viletti (2009), os grupos que mais consomem esse tipo de remédio é o das mulheres e pessoas acima de 40 anos, por serem indivíduos considerados mais sensíveis a dor, esse medicamento consumido de forma irracional também está presente quase que cotidianamente na vida daqueles que fazem muito esforço no trabalho e tem carga horária extensa. Diversos fatores influenciam na automedicação por antiinflamatórios como a venda livre deste fármaco, uma vez que, para o indivíduo realizar a compra deste medicamento não é necessário apresentar receita médica. Dessa forma, o indivíduo pode ter acesso a esse tipo de remédio quantas vezes quiser. Outro fator contribuinte para o aumento desses casos é o fácil acesso dos profissionais de saúde à esses medicamentos tanto para uso próprio como também para amigos, familiares e vizinhos.


Sabe-se que os AINEs estão entre os medicamentos mais vendidos na farmácia, o uso deles por conta própria ou por indicações pode ocasionar diversas consequências para o organismo. De acordo com Kummer (2002) “O uso de AINEs convencionais está relacionado a alto risco de dano na mucosa gastrointestinal, incluindo úlceras, erosões e, ainda, complicações como sangramento gastrointestinais, perfuração e obstrução”. Além disso, há uma grande probabilidade de acontecer morte por doença cardiovascular, acidente vascular encefálico fatal ou até mesmo insuficiência cardíaca por conta de algum tipo desses anti- inflamatórios não-esterodais,. Por isso é extremamente importante ir ao médico para saber se o indivíduo pode ou não utilizar aquele fármaco. Os pacientes que tem hipertensão ou estão predestinados a precisarem de acompanhamento médico quando forem utilizar os AINEs porque esses remédios podem aumentar a pressão da pessoa e prejudicar os efeitos de alguns anti-hipertensivos, na maioria das vezes ibuprofeno o causador desse problema. Outra consequência da utilização irracional dos anti-inflamatórios não-esterodais é o comprometimento do fluxo sanguíneo renal, causando a diminuição ou até a falta da circulação (principalmente a arterial), além de também poder desencadear uma insuficiência renal aguda. Por não buscar um profissional de saúde para tratar da inflamação, muitas pessoas não sabem das consequências do uso constante dos anti-inflamatórios e das contraindicações como em gestantes que não podem utilizar esses fármacos no início da gravidez nem após 30 semanas de gestação por correr o risco: de comprometer o bebê, ter um parto prematuro ou a criança apresentar defeitos congênitos. Esses remédios também são contraindicados para indivíduos que já tenham insuficiência renal moderada ou problemas na depuração plasmática. Pessoas que têm problemas que se encaixam nas contraindicações devem fazer um acompanhamento médico e utilizar o medicamento com cautela. Remédios de tarja vermelha tem efeitos colaterais nocivos, os anti-inflamatórios não esterodais são um exemplo deles. Mas por serem de venda livre a população não tem esse conhecimento do quanto eles podem trazer consequências graves. Viletti (2009) cita que “muitas pessoas alegam que se voltarem ao médico tal anti-inflamatório será prescrito novamente, então preferem ir diretamente a farmácia”. Os indivíduos se automedicam por anti-inflamatórios também por outros motivos como hospitais lotados, atendimento médico de pouca qualidade, por ser um fármaco de fácil acesso nas drogarias, por indicações de familiares ou pessoas que já tiveram a mesma inflamação ou por pensarem ser de pouca gravidade. Lima & Rodrigues (2008) entendem que “quando praticado corretamente, a automedicação pode também contribuir para aliviar financeiramente os sistemas de saúde publica”, porém no caso dos anti-inflamatórios as pessoas tentam poupar seu tempo não indo ao médico e acabam tendo

complicações sérias como hemorragia, lesão aguda da mucosa gástrica, úlceras, insuficiência cardíaca e renal, ou seja, causam problemas bem mais graves do que uma simples inflamação pelo uso incorreto e até abusivo dos AINEs. Ao invés de aliviar o sistema de saúde público, só piora a crise por causar mais gastos e lotar ainda mais os hopitais com problemas que poderiam ser evitados.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante das pesquisas realizadas é possível concluir que o uso irracional dos anti-inflamatórios traz inúmeras consequências ao organismo do indivíduo, contribuindo para o aumento dos casos de automedicação e gerando problemas, os quais poderiam ser evitados com uma consulta ao médico. Os índices de automedicação também crescem devido a propagandas na mídia de medicamentos, incentivando o ato de se automedicar. Portanto, se torna indubitavelmente necessário que o Estado juntamente com os meios de comunicação crie campanhas para alertar a população sobre os riscos e as contraindicações dos AINEs para que haja uma maior informação por parte da população se forem automedicar-se e assim possa haver uma contribuição para aliviar o sistema público de saúde brasileiro.

REFERÊNCIAS

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HIV: CONTEXTO POLÍTICO-ECONÔMICO COMO OBSTÁCULO PARA AS PESQUISAS.

RESUMO O presente artigo caracteriza-se como um trabalho de natureza teórica que, no campo das Ciências Sociais, visa promover uma reflexão acerca do cenário socioeconômico que sustenta a problemática com o vírus da imunodeficiência humana. A Aids, quadro clínico decorrente da instalação do HIV no organismo, é responsável por um índice alarmante de indivíduos extremamente vulneráveis aos agentes patogênicos e reféns de todo um suporte das decisões públicas. Seu desenvolvimento conta com o apontamento de dados e a interpretação dos mesmos, além do reforço dos ideais defendidos através da citação de especialistas no assunto. Tamanha complexidade exige um olhar crítico que encare os pontos como oportunidades para um desfecho positivo à maioria.

Palavras-chave:

Aids; HIV; política; economia; globalização; saúde; social

Júlia Alice de Jesus Costa Professor Orientador: Camilla Hettenhausen Colégio Ana Tereza 1° ANO 25.10.2018

1 INTRODUÇÃO

Como marco da Revolução técnico-científicoinformacional, pôde-se apontar o vasto interesse sobre o caminhar tecnológico, processo que interfere em diversos cenários como o financeiro, o educacional e o da saúde. Este último, tem sido comprometido pela aparição de epidemias que exigem numerosos esforços para a erradicação das mesmas. O HIV, sigla inglês para vírus da imunodeficiência humana, é percursor da AIDS, uma condição na qual a deterioração progressiva do sistema imunitário propicia o desenvolvimento de infecções oportunistas potencialmente mortais. Desde a aparição dos primeiros casos, quando ainda escassas as informações acerca da morfologia do vírus, o mesmo tem sido fator alvo de atenção dos envolvidos direta e indiretamente com este item, que enquanto inserido no campo das Ciências Sociais, está sujeito às interpretações assentadas na realidade de cada grupo. Os debates se originam a partir dos questionamentos sobre o real comprometimento do Estado com o desenrolar da problemática; o mesmo tem sido tratado com a urgência respectiva à uma crise global ou a diplomacia capitalista se sobrepondo aos outros fins? Tamanha complexidade

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uma visão imparcial e a perfeita análise dos fatos, estes que envolvem noções de preconceito, desigualdade e da avidez exigida por um modelo que sustenta renomadas empresas. A justificativa para a elaboração deste trabalho fundamentase na ideia de que as teses comuns à um amplo grupo de risco, tais como as pandemias, necessitam de um olhar crítico e inovador, haja vista, toda injustiça e desleixo contido no poder de veto das grandes organizações. Os meios utilizados para a construção desta tese são acessíveis à toda a maioria assegurada do seu direito à expressão e ao manifesto; supor, estabelecer através do levantamento de dados, promover e assim, consumar o que se objetiva: direcionar a atenção da população e das figuras de autoridade para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

2 DESENVOLVIMENTO

A globalização é um sistema de intensificação da integração política, econômica, social e cultural entre as nações. Este item resulta na disseminação de projetos e práticas entre os países, e consequentemente, na reforma do cenário estrutural dos mesmos. Essa interação global pode ser notada na prática com os milhares de pessoas que cruzam as fronteiras, seja temporária ou permanentemente, todos os dias. E é durante este processo em que as epidemias começam a atuar. O contato direto no convívio desses indivíduos, além de atrativo, passa à ser um vetor das mais perigosas pragas. Em 1983, dois grupos de pesquisa independentes liderados por Robert Gallo e Luc Montagnier declararam que um novo retrovírus isolado poderia ter sido o responsável pelos quadros clínicos que apresentavam sintomas de Pneumonia, infecção oportunista incomum até então, conhecida por afetar organismos com o sistema imunológico muito debilitado. Pouco tempo depois, um grupo inesperado de homossexuais e usuários de injetáveis como a heroína, desenvolveu um tipo de câncer de pele raro chamado de Sarcoma de Kaposi, e desde então, foi dado um alerta ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças, que enviou uma força-tarefa para acompanhar o surto. As nomenclaturas foram surgindo com base nas descobertas e associações; “linfadenopatia generalizada persistente”, “4 H’s” quando visto o envolvimento com os Haitianos, até a atual sigla para vírus da Imunodeficiência adquirida, HIV. E com isso, o estudo da doença desencadeada por este corpo estranho, a Aids, ou Sida (quando traduzido para o nosso português). Os pacientes assim diagnosticados continham tamanha vulnerabilidade à presença de outros vírus, fungos ou bactérias que poderiam ir à óbito por uma simples gripe. A dificuldade em combatê-la parte da complexidade da morfologia do vírus, que conta com uma bicamada lipoproteica e contínuas fases de amadurecimento

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e multiplicação, e se estende até o comportamento negligente da população, que torna-se portadora através do contato com o sangue, esperma, secreção vaginal ou leite materno infectados. Pontuando, é claro, os recursos socioeconômicos que os são oferecidos. Até os dias de hoje, os índices para soropositivo são preocupantes e exigem esforços e investimentos para a realização de pesquisas que visam métodos de profilaxia, tratamento e até uma possível cura para a DST. Todos os tópicos acima são custosos e interceptam esferas fora a da saúde. A relação conhecimento-evolução é imprescindível à história da humanidade e aos interesses individuais e coletivos da época que propõem adaptações nas relações internacionais. O acúmulo de capital, por vezes até batizado como “motor da humanidade”, faz jus à metáfora enquanto causa e consequência da maioria das decisões admitidas pela sociedade contemporânea. Sendo assim, seria tolice refutar o fato de que este também interfere nas políticas públicas aplicadas em todo o mundo. O economista Riley Rodrigues de Oliveira (2018) defende que ao cortar investimentos em ciência, o Brasil assassina seu futuro. Ações que incentivam a aceleração das áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial (PD&I) são essenciais para a manutenção e desenvolvimento da economia e qualidade de vida de um país. Nações que atualmente manipulam grande parte da movimentação de recursos, como os Estados Unidos, já compreenderam a regra, seguindo disparados em relação à educação, inovação industrial e saúde pública. Na contramão, o Brasil vem reduzindo os recursos destinados para a PD&I: Em 2010, quando havia até um ministério com esse nome, com um investimento consolidado de R$ 10 bilhões (a preços de 2017). Em 2017, após o setor ser agregado ao Ministério das Comunicações, o valor despencou para R$ 4,8 bilhões, com os cortes executados pela Fazenda. E a drástica estimativa para o ano de 2018 era de R$ 1,4 bilhão. Tal redistribuição financeira reflete em falhas em toda a esquematização social da região, sujeitando-a à momentos de decadência contínuos; informação validada com a interpretação dos dados publicados anualmente pela Organização Mundial da Saúde paralelos ao bloqueio com a erradicação de pandemias como a Aids. “Um dos catalisadores da discussão sobre ética na pesquisa ginternacional foi a epidemia da Aids na qual, diferentementede outras doenças infecciosas, o vírus causador não respeita fronteira nacional. Nessa epidemia, não somente a necessidade de melhor conhecimento epidemiológico, mas especialmente pela percebida urgência para desenvolver e testar a eficácia de drogas anti-retrovirais, levou a aumento exponencial do número de ensaios clínicos multicêntricos internacionais. Nesse quadro, os países em desenvolvimento se mostram


como cenário ideal: mesmo vírus, mesma doença, alta prevalência e incidência da infecção, além de voluntários, autoridades e pesquisadores muitas vezes menos exigentes.’’ (GRECO, 2008, vol. 22) As mais diversas e complexas patologias se fazem cada vez mais presentes no cotidiano da população mundial, o que requer medidas profiláticas e métodos de tratamento igualmente eficazes. Desde a sua consolidação no plano industrial, os chamados “players of the life sciences” (representantes das ciências da vida) setor composto basicamente pela farmácia e pela biotecnologia, são encarregados da formulação e fornecimento dos medicamentos para consumo comum. Segundo Steit (2009), os laboratórios preferem centrar o negócio em remédios que deverão ser tomados durante toda a vida ao aprofundar as pesquisas em meios inteiramente efetivos. As ditas doenças crônicas, aquelas de progressão lenta e longa permanência no organismo comprometido, sujeitam suas vítimas à submissão perpétua ao acompanhamento da condição. Decorrente disso, a necessidade do consumo contínuo dos fármacos, o que é custoso para um lado, mas fonte de enriquecimento para o outro. A reflexão parte da compreensão de que o desenrolar da situação com o HIV é afetado por esta balança de interesses, omitida e negociada de forma duvidosa.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O levantamento de dados seguido pela crítica interpretação dos mesmos incitam uma análise mais complexa da atual situação com o HIV, haja vista todo o histórico de especulações e ações que o comprometem. As virtudes deste cenário mundial globalizado e majoritariamente capitalista são notadas com o progresso em diversos setores, tais como a tecnologia, ciência e comunicação, a partir do desencaixe tempo-espaço defendida por Giddens (1989). Contudo, para que se possa chegar à um desfecho justo para a maioria afetada, deve-se considerar a esquematização política e a movimentação de finanças que sustentam esse modelo social. Os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial possibilitaram alternativas que aumentaram a expectativa de vida dos enfermos elaborando fármacos que inibem a multiplicação do vírus no organismo, o coquetel antirretroviral. As medidas profiláticas ainda se resumem ao uso dos preservativos, já que a produção de vacinas é dificultada pela constante mutação deste agente patogênico. No entanto, a cura não se faz impossível diante tamanho potencial intelectual e robótico contido na sua fabricação. A Sida tomou proporções que a fizeram pauta urgente, os crescentes números de portadores identificados desde os primeiros estudos a configuram como uma crise, desta forma, o melhor caminho para a erradicação é enxergar as causas com clareza, rever as estratégias e ajustar o planejamento.

REFERÊNCIAS

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OS RISCOS DA PREVALÊNCIA DO USO ABUSIVO E INDISCRIMINADO DE FÁRMACOS DURANTE A GESTAÇÃO

RESUMO

Victória De Gino de Sousa Camilla Hettenhausen Colégio Ana Tereza 9º ano Ensino Fundamental II 24/10/201825.10.2018

A automedicação consiste em uma prática comum de ingerir medicamentos sem o acompanhamento de um profissional de saúde adequado, e pode ser vista por muitos apenas como uma solução eficaz para o alívio de determinados sintomas, mas ela pode trazer efeitos colaterais mais graves do que se imagina. O presente artigo, tem como objetivo analisar de que maneira a automedicação, um problema do mundo globalizado, pode influenciar no desenvolvimento e na saúde da gestante, do embrião e do feto. Trata-se de um artigo explicativo e descritivo em pesquisas bibliográficas por meio de artigos científicos, sites e livros, para identificar quais fatores levam as gestantes a se automedicarem, as principais consequências que esta prática pode causar no organismo humano, e de que modo a globalização e os avanços tecnológicos podem influenciar no consumo sem indicação de medicamentos. Assim, os principais resultados encontrados foram: A necessidade de adotar medidas que conscientizem a população quanto ao perigo da automedicação, pois ela acontece devido à carência de informações a respeito dos efeitos dos medicamentos e a ocorrência de abortos e deformações no feto; A globalização sendo um meio em potencial para o aumento da automedicação. Logo, a veiculação de informações sobre os riscos da automedicação, principalmente na gestação, é de suma importância para garantir a saúde e bem estar das vidas envolvidas.

Palavras-chave: Aids; HIV; política; economia; globalização; saúde; social

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1 INTRODUÇÃO

O fenômeno da globalização é algo muito amplo e antigo, mas só passou a ser evidenciado nos últimos anos, devido aos seus efeitos na economia e nos meios de produção e comunicação atuais. A globalização tem o poder de influenciar em aspectos desde a criação e expansão de empresas multinacionais e transnacionais até o desenvolvimento do mundo científico e suas descobertas. Uma grande vertente da globalização corroborada intensamente é o consumismo, o qual foi intensificado conforme o decorrer dos tempos. Devido aos diversos avanços tecnológicos inventados desde anos atrás, a internet atende a uma demanda muito grande de procuras sobre informações na área da saúde. Inúmeras pessoas buscam por novos métodos de cura, tratamentos e medicamentos adequados para se ter em casa, mas o que muita gente não sabe é que uma grande porcentagem dessas informações encontradas e disseminadas na internet pode ser falsa. Por situações como essa, é importante consultar um médico e/ou farmacêutico para saber quais medicamentos você pode consumir. A automedicação é uma característica contemporânea da globalização, a qual se tornou cada vez mais presente e danosa à saúde. Tendo em vista que essa prática pode ser extremamente danosa à saúde de qualquer indivíduo, muitos ainda insistem em consumir medicamentos sem uma prescrição médica adequada. É de extrema relevância buscar informações adicionais sobre o uso indiscriminado e abusivo de medicamentos na gravidez, devido ao alto índice de gestantes que praticam a automedicação e acaba expondo sua saúde e a do feto a riscos muito graves o que pode resultar na dificuldade do desenvolvimento do mesmo. O artigo em questão aborda um levantamento bibliográfico de caráter exploratório que avalia as causas e consequências da automedicação no período gestacional, com o objetivo de conscientizar a todos quanto às possíveis reações adversas dessa prática, além de proporcionar um conhecimento mais amplo acerca da globalização e suas influências na automedicação, considerando a disseminação de informações sobre medicamentos na internet.

2 DESENVOLVIMENTO

A automedicação está tornando-se cada vez mais comum no dia a dia de diversos brasileiros; fatos como esse podem vir à tona devido à abundância de informações a respeito dos demais medicamentos existentes, devido à precariedade do sistema público de saúde que se agrava a cada dia em decorrência da crise que enfrentamos e devido ao descaso do governo para com a saúde pública nacional, o que acaba por penalizar mais as pessoas que possuem um poder aquisitivo baixo, e devido à

disponibilidade de fármacos de forma indiscriminada. O intuito do indivíduo que se automedica é tratar ou aliviar instantaneamente sintomas e doenças percebidas. Porém, longe de ser apenas a prática de ingerir medicamentos sem a indicação e o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado, a automedicação pode auxiliar no desenvolvimento de patologias mais graves, principalmente na gravidez, que além de prejudicar a saúde da gestante, prejudica também a saúde do feto. Muitas mães costumam buscar a automedicação durante o primeiro trimestre da gestação - período que as más formações têm mais riscos de acontecer - devido às fortes náuseas, contrações, inchaço, vômito, dores de cabeça e dores no corpo frequentes. Mas o que muitas não sabem, é que existem medicamentos que possuem determinado princípio ativo, peso molecular, grau de dissociação e afinidade às proteínas plasmáticas, que são capazes de atravessar a membrana placentária e atingir a corrente sanguínea do feto, tornando-o exposto a qualquer efeito destes fármacos, o que pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento, resultando em uma toxicidade fetal, problemas cardíacos, má formação física, entre outras consequências. A figura a seguir, demonstra o modo como os mais diversos tipos de fármacos podem atravessar a membrana placentária e afetar no desenvolvimento do organismo do feto (IMAGEM 1).

Disponível em: http://herancasteratogenicas.blogspot.com/2014/11/ como-as-drogas-atravessam-placenta.html

A automedicação durante o período gestacional é um tema pertinente desde que informações que deveriam ser disponibilizadas apenas por farmacêuticos e médicos, disseminaram-se pela internet e qualquer indivíduo que esteja interessado, mesmo sem possuir conhecimentos aprofundados no assunto, pode ter acesso a elas. O cientista Phillipus Aureolus, mais conhecido como Paracelso, já define que a única diferença estabelecida entre um remédio e um veneno encontra-se apenas na dosagem da prescrição, uma vez que, o consumo de medicamentos em demasia pode resultar em um desenvolvimento anômalo, e tornar-se fatal tanto ao ser humano adulto, nesse caso, a gestante, quanto ao embrião a ser desenvolvido. (AUREOLUS, séc. XVI)

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2.1 O USO DA TALIDOMIDA NA GRAVIDEZ pois muitos ainda acreditam que a maioria dos fármacos COMO MARCO NA HISTÓRIA são nocivos e seguros.

Durante a década de 1950, após o nascimento de bebês com diversas anomalias e/ou alterações congênitas, a preocupação e o alerta com o uso indiscriminado e não prescrito de medicamentos por gestantes, aumentou. Estima-se que cerca de 10 mil bebês nasceram apresentando a focomelia, a qual é uma anomalia que impede a formação dos braços e pernas, levando ao encurtamento dos mesmos, cardiopatia congênita, anormalidades oculares, entre outras anomalias; este fato foi considerado como uma epidemia iatrogênica. O principal agente destes casos foi a automedicação durante o período gestacional com a talidomida, um medicamento desenvolvido na Alemanha em 1954, conhecido como milagroso, e utilizado para fins sedativos, anti-inflamatório, e entre as gestantes, era utilizado para evitar o enjôo inicial. Em 1962, após a descoberta das reações adversas causadas pela talidomida, no mercado mundial, esses fármacos foram retirados das farmácias e proibidos entre gestantes, voltando a ser reintroduzido no Brasil em 1965, época onde foram distribuídas milhões de pílulas para o tratamento da Hanseníase, mais conhecida como Lepra. Atualmente, há no Brasil, uma melhor regulamentação das políticas públicas a respeito da talidomida, a qual não é mais um medicamento de venda livre, e só é prescrito para mulheres que não estejam grávidas e que aceitem assinar a um termo de que evitarão a gravidez enquanto estiverem consumindo o fármaco em questão. Na embalagem do medicamento, há uma imagem que alerta a população das consequências de um consumo inadequado e errôneo do medicamento.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do exposto, conclui-se que o uso abusivo e indiscriminado de fármacos durante a gestação é prejudicial tanto a saúde da mãe, quanto a saúde do bebê - o qual se encontra em desenvolvimento - pois pode resultar em uma anomalia grave, intoxicação, dependência ao medicamento consumido e ocorrência de abortos. Embora tenhamos a tragédia da Talidomida como exemplo de uma grave consequência do uso de medicamentos durante a gestação, essa prática torna-se cada vez mais comum e intensa entre os indivíduos da nossa sociedade,

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Os mais diversos avanços tecnológicos que caracterizam a globalização, influenciaram diretamente na facilidade de obter informações, na busca por uma cura imediata e no estreitamento das relações humanas. O comodismo do indivíduo e a dificuldade em conseguir marcar consultas com um médico, são fatores que caracterizam, intensificam e fazem prevalecer a prática da automedicação. Medicamentos como os corticóides e os antibióticos, se administrados por muito tempo e sem um devido acompanhamento médico durante o período gestacional, podem provocar distúrbios hormonais, ganho ou perda significativa de peso, insuficiência renal e o aborto espontâneo do embrião, além de aumentar a resistência bacteriana


comprometendo a eficácia dos efeitos terapêuticos. Para realizar-se a automedicação responsável, é essencial ir em busca de informações adicionais sobre o medicamento a ser consumido, com um especialista. Salienta-se que, diante dos milhares casos de dependência materna, toxicidade fetal e desenvolvimento do feto com anomalias em decorrência da automedicação, é de extrema relevância que as instituições públicas de saúde, a mídia e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ofereçam máxima atenção aos casos de automedicação durante o período gestacional, desenvolvendo campanhas e ações educativas que mostrem as consequências deste ato e revigorem suas ações quanto ao comércio livre de medicamentos que podem ser extremamente prejudiciais à saúde.

REFERÊNCIAS

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