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1. Um tsunami do Espírito

No vosso caminho, proclamai: “O Reino dos Céus está próximo”. Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. Mt 10,7-8

Pois o reino de Deus não consiste em palavras, mas em força ativa. 1Cor 4,20

Era uma linda tarde ao sul da costa da Califórnia. Andrew Laubacher acabara de pegar umas boas ondas e caminhava, ainda com sua roupa molhada de surfista, em direção ao seu carro. Então, ele viu uma jovem sentada em uma cadeira de rodas ali mesmo na praia. Ele logo percebeu que tinha que rezar por ela. Andrew era um típico jovem católico. Ele amava surfar, tocar música e ficar com os amigos. Nos seus anos de adolescência, ele tinha passado por um tempo de revolta e tinha tido alguns problemas com a lei. Tinha até se tornado ateu por um tempo. Depois de participar de um encontro de jovens em

A cura como expressão da misericórdia de Deus

Steubenville, 1 começou a aprender que, como seguidores de Cristo, somos todos chamados a levar aos outros a Boa Nova no poder do Espírito Santo. Ele tinha até mesmo testemunhado algumas curas milagrosas. Portanto, quando ele viu aquela adolescente imigrante sentada diante do mar em uma cadeira de rodas, sentiu um impulso do Espírito Santo de parar e orar por ela. Em suas próprias palavras, Andrew conta o que aconteceu a seguir:

Eu tirei o meu macacão molhado para me enxugar e me aproximei da menina, que estava com seus pais. Eles não falavam inglês, mas ela sim. Eu cheguei e perguntei se ela queria que eu rezasse por alguma intenção. Assim que eu comecei a rezar, eu percebi bem forte o medo de rejeição e de não ter nada, mas eu continuei. Quando eu perguntei o que tinha acontecido com ela e por que estava em uma cadeira de rodas, ela começou a se abrir comigo. Foi chocante. Ela tinha acabado de sair do hospital por ter pela segunda vez tentado o suicídio – havia tomado metanfetamina e várias outras drogas na sua luta contra a depressão e a ansiedade. Ela tinha dificuldade de caminhar por causa de um problema cerebral de nascença. Ouvindo isso, eu fiquei extremamente tocado pela compaixão e pela certeza de que Deus queria encontrar-se com ela, e uma ousadia apoderou-se de mim, expelindo todo o receio de que eu não era bom o suficiente para rezar por ela. Então eu rezei pela cura da sua condição, pela paz e pela força do Espírito Santo que inundasse seu corpo. Depois de orar por um tempo, eu pedi a ela para se levantar e caminhar. Ela se levantou e percebeu que estava caminhando mais equilibradamente e com menos dor. Então eu rezei pelos joelhos dela. Eles estavam visivelmente tortos e voltados para direções opostas, mas depois da oração eles estavam perfeitamente alinhados. Quando seus pais viram que ela estava caminhando melhor, eles ficaram chocados. Depois eu

Mary Healy

perguntei o que estava sentindo, e ela disse que seus joelhos estavam aquecidos e seu corpo estava formigando e sem nenhuma dor. Eu disse: “Isso é Jesus, garota!”. Soube que ela era católica, mas não muito praticante. Eu disse a ela para ir à Missa e se confessar para receber o perdão que Deus estava querendo dar a ela. Eu mantive contato com ela depois daquele dia. Ela me mandou depois uma mensagem dizendo que tinha ido à Missa e se confessado; disse também que estava se sentindo livre e mais leve, e que estava experimentando o amor de Deus.

Depois de refletir sobre essa experiência e muitas outras, eu estou convencido de que, como dizem as escrituras, o Reino de Deus não é tanto uma questão de palavras, mas de poder (1Cor 4,20). Como cristãos, pequenos “ungidos”, nós podemos levar cura e redenção às pessoas através de Jesus onde quer que estejamos. Parece que fazemos um bocado de viagens e missões, mas e se rezássemos todos os dias em nossas casas pelos doentes, pelos deprimidos, pelos paralíticos e pelos cegos? Isso mudaria tudo. Nós estaríamos manifestando o Reino, que é amor. Essa é a nossa missão, sair pelo mundo para levar a boa nova da cura, da misericórdia e, acima de tudo, do seu amor incondicional!

Em virtude da fé e da coragem de Andrew em obedecer ao impulso do Espírito Santo, aquela menina teve a sua vida transformada para sempre. Já seria uma coisa muito boa se ele não tivesse feito nada além de falar do amor de Deus por ela. Entretanto, talvez ela pensasse consigo mesma: “Sim, eu sei, eu já ouvi falarem sobre esse amor de Deus”. Mas, como Andrew deu um passo ousado de orar pela sua cura, ela pôde experimentar esse amor de Deus no seu próprio corpo. De uma forma mais tangível, essa pessoa quebrantada encontrou-se com

A cura como expressão da misericórdia de Deus

o poder e a misericórdia do Senhor ressuscitado, restaurando nela a plenitude da vida.

Eu estou convencida de que essa história de Andrew representa algo imensamente significativo do que Deus tem feito na Igreja nos tempos atuais. A cura daquela menina na praia, embora tenha sido dramática, não é única. Milhares de curas semelhantes têm acontecido ao redor do mundo nos anos recentes, na medida em que católicos e outros cristãos têm respondido com uma fé e um fervor novos ao chamado do Senhor para a evangelização no poder do Espírito Santo. No tempo atual, em que tantas pessoas têm vagado distanciando-se de Deus, o Senhor está mais uma vez revestindo os seus seguidores com uma força do Alto (cf. Lc 24,49). Ele está nos chamando a sair e proclamar o Evangelho não apenas com palavras, mas também com sinais e prodígios, que acrescentam o testemunho da verdade às palavras.

A cura é um dos carismas que o Espírito Santo concede aos seguidores de Cristo, a fim de nos equipar para a missão. O dom da cura tem estado presente na Igreja desde sempre, mas tem sido derramado de uma forma notavelmente abundante em nosso tempo. Em parte, isso talvez se explique por causa das terríveis feridas emocionais, físicas e espirituais da sociedade pós-moderna. Deus tem uma compaixão infinita por aqueles que sofrem, e a cura é um dos meios que Ele usa para demonstrar seu amor real e poderoso.

Entretanto, ainda existem muitos preconceitos a respeito da cura. Muitos católicos acham que os milagres de cura são

Mary Healy

restritos às vidas dos grandes santos ou aos Santuários famosos como Lourdes, e essa é a presunção das pessoas comuns ao rezar na expectativa de tais milagres. Muitos acreditam que Deus simplesmente prefere que seus filhos suportem as doenças ou enfermidades em vez de buscar a cura. Outros gostariam de rezar pela cura das pessoas, mas não sabem muito bem como fazê-lo. Este livro busca abordar essas dificuldades e responder perguntas como estas:

• Jesus ainda está curando seu povo hoje?

• Os supostos milagres de cura são autênticos e duradouros?

• Como sabemos se Deus quer que oremos por uma cura?

• Quem tem o dom da cura? Posso pedir por esse dom?

• Como eu oro por cura?

• E se eu rezar e a pessoa não for curada?

• Como a oração de cura se relaciona com os Santos e os Sacramentos?

• O Senhor cura os corações feridos, tanto quanto o aspecto físico?