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Rockyears Estudo de caso de um calendรกrio criativo


Universidade Federal de Goiás Bacharelado em Artes Visuais Goiânia, 2010

Rockyears Estudo de caso de um calendário criativo Projeto de pesquisa apresentado em cumprimento às exigências do Bacharelado em Artes Visuais com habilitação em Design Gráfico da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás – UFG, para obtenção do diploma de graduação.

Trabalho realizado por Rafaella de Castro Pessoa Sob orientação de Odinaldo Costa

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Agradeço

à toda equipe responsável pela produção do calendário Rockyears 2010, especialmente à Marilia Assis e ao meu orientador Odinaldo Costa que acreditou no potencial deste trabalho.

Dedico

este trabalho à pessoa que deu sentido a minha vida, minha querida filha Ágatha.

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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..........................................................................04 2. OBJETIVOS ...............................................................................07 2.1. Objetivo geral ................................................................ 07 2.2. Objetivos específicos ......................................................07 3. JUSTIFICATIVA ..........................................................................08 4. METODOLOGIA .......................................................................09 4.1. Metodologia Bruno Munari ............................................ 09 4.2. Metodologia para produção de calendário ..............12 5. BRIEFING ...................................................................................13 6. PROBLEMATIZAÇÃO ................................................................16 7. COLETA DE SIMILARES .............................................................17 8. ANÁLISE DE SIMILARES .............................................................20 8.1. Calendário Vogue RG .....................................................20 8.2. Calendário American Music ...........................................22 8.3. Calendário Women of Rock of Ages .............................23 8.4. Ensaio Rock the House ....................................................24 8.5. Ensaio Eu quero ser ...........................................................26 8.6. Filme Meninas do Calendário .........................................27 9. PESQUISA DE CAMPO ..............................................................30 10. PESQUISA CONCEITUAL .........................................................35 11. FORMATO E SUPORTE..............................................................42 12. MODELOS.................................................................................44 13. DIAGRAMAÇÃO E IMAGENS..................................................45 14. VERIFICAÇÃO...........................................................................49 15. PROTÓTIPO...............................................................................49 16. ANÁLISE E CONCLUSÃO ........................................................50 17. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................72 18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................73

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1. INTRODUÇÃO

O tema deste projeto de conclusão de curso baseia-se no estudo de caso

de um calendário que tem como temática o rock’n roll. Este trabalho visa estudar a metodologia usada na produção deste impresso, o calendário Rockyears 2010, com o intuito de orientar designers que se interessem em produzir calendários que tenha uma unidade conceitual, ou seja, que tenha um tema específico.

O calendário Rockyears 2010 foi produzido por uma equipe da qual fiz parte

como designer gráfico, produtora e diretora de arte no ano de 2009, portanto, este projeto de pesquisa consiste na realização de um estudo de caso, ao qual será analisada de forma detalhada o processo de criação de um trabalho pessoal, no qual contextualizo os motivos e as circunstâncias que me levaram à produzi-lo.

A idéia de produzir um calendário com a temática do rock, surgiu a partir

da insatisfação que muitas vezes, como profissional de design gráfico, tenho ao submeter a minha criatividade à projetos cujo o tema não me é pessoalmente interessante. É claro que esse é um dos desafios da profissão, uma vez que não serei sempre (quase nunca serei) o público alvo dos meus produtos.

Neste caso, eu me coloquei como público alvo do meu próprio produto,

transpondo através de minhas habilidades como designer aquilo que me proporciona prazer no cotidiano como as músicas que ouço, o meu estilo de vida, os lugares que freqüento, os objetos que consumo. Diante disso a fusão música, fotografia e design em um único trabalho foi conseqüência dessa avaliação que fiz de meus hábitos, e pude perceber a existência de um mercado consumidor promissor em verdadeira profusão principalmente aqui na cidade de Goiânia.

É fato que nos últimos anos, Goiânia deixou de ser somente a capital coun-

try brasileira, mas também deu lugar aos maiores festivais de música independente do país (eventos ao qual o rock é predominante), como o Goiânia Noise Festival realizado pela Montro Discos - selo reconhecido nacionalmente; o Bananada, festival que sempre acontece no mês de junho, como forma de protesto e “dar banana” à Pecuária (maior envento sertanejo da cidade que acontece no mesmo mês); também o Vaca Amarela, da Fósforo Records; dentre outros pequenos festivais anuais, todos acontecendo na cidade de Goiânia. Fora as casas noturnas que realizam quase todo dia um show de rock com bandas locais, nacionais e internacionais como o Bolshoi Pub. 04


Diante desta realidade goianiense um projeto de produto voltado para este

público especificamente foi moldado a partir de várias indagações que me fiz, com o intuito de criar um objeto impresso de consumo, irreverente, que não estivesse saturado no mercado, que estivesse inserido no universo das pessoas que gostam de rock (já que este também é o meu universo) e que pudesse ter uma edição diferente a cada ano: um calendário do rock.

O rock, originário dos Estados Unidos da América, surgiu a partir da década

de 50, influenciou toda uma geração não só no estilo de música, mas também em suas atitudes e principalmente, revolucionou o universo da moda graças à maneira peculiar e um tanto quanto revolucionária de seus discípulos se vestirem. Esse “life style” foi evoluindo com o decorrer dos anos, principalmente com o surgimento de novas vertentes do rock, como o punk, o grunge, o country rock e nos anos 80 atingiu o auge da vaidade com o glam rock, no qual homens e mulheres usavam muito brilho, roupas coladas, maquiagem e cabelos super armados. Muitos outros estilos de rock apareceram ao longo dos anos e foi exatamente esta hibridização e riqueza de estilos que influenciou a criação de imagens através de um calendário, abrindo um imenso leque de possibilidades se tratando de moda, fotografia e design.

Na busca constante das raízes “roqueiras” e com o intuito de mesclá-las

com as tendências modernas da moda, do design e da fotografia, o calendário Rockyears 2010 pretendeu fazer uma viagem na história do rock buscando, através de imagens, a maior proximidade e compreensão de suas origens para com o seu fiel público. Por esses motivos, o nome do calendário não poderia ser diferente, pois ao mesmo tempo em que faz uma busca na origem norte americana do rock, ele faz referência à essa viagem durante esses 60 anos de existência de estilo, e ao mesmo tempo referência a idéia inicial do projeto de ser uma tradição anual.

O universo do rock tem um panorama predominantemente masculino tan-

to entre os músicos quanto em seu público. Com o objetivo de subverter essa realidade e afirmar que mulheres também gostam e entendem desse estilo musical tão peculiar, a feminilidade, além do rock, fotografia e design, também se tornou um pré-requisito do projeto. Esse fator também é um reflexo de uma indignação pessoal, levando em consideração que mesmo no ano de 2010, nos encontramos em uma sociedade extremamente machista, no qual as mulheres ainda não possuem os mesmos prestígios que os homens na vida pessoal e princi-

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palmente na vida profissional.

Por esse motivo, o que percebemos ou percebi nas garotas escolhidas

como modelo para o calendário é a atitude roqueira através de suas expressões faciais e de um figurino típico do estilo, fazendo uso de uma sensualidade sutíl (algo que seria empiricamente esperado em um calendário desse tipo), uma vez que o público-alvo que se pretendia atingir é também constituído por mulheres, e por ser mulher e conhecer o que rege as atitudes de uma, posso dizer que vulgaridade não as atraem e não as valorizam.

O design gráfico, dentro de sua amplitude de possibilidades de produção,

faz com que nós designers circulemos em muitas vertentes de projetos, tais como, projeto editorial, de identidade visual, de webdesign, de ilustração, de design de sinalização, dentre outros, nos tornando assim profissionais multifacetados. Alguns optam por se especializarem em um só campo, o que não é o caso do produto gráfico analisado neste estudo de caso, que a partir das demandas propostas anteriormente requereu um amplo conjunto de atividades artísticas e projetuais.

Com o objetivo de aplicar em um único projeto todas essas habilidades pre-

sente na equipe de produção e atender as demandas do calendário Rockyears 2010, sugeriu-se a criação de uma identidade visual, um projeto editorial de calendário impresso, fotografia e projeto de design de embalagem. O resultado esperado era um calendário bem elaborado com valor agregado para que pudesse desvincular o estereótipo, que não se aplica mais na atualidade, de que o rock é visualmente tosco, mas que hoje tomou novas proporções e posicionamento.

Rockyears 2010 foi projetado no início de 2009 e lançado no final do mesmo

ano sem muitas pretensões lucrativas e acadêmicas, encontrou no seu sucesso com o público, graças à solidez da temática rock’n roll, a possibilidade de ser um objeto de estudo de designers que tenham o interesse e/ou a necessidade de criar um calendário interessante e inovador, já que não se encontra bibliografias voltadas para a produção de calendários especificamente. A intenção aqui não é criar um manual de como fazer um calendário criativo, mas apenas expor os métodos e compartilhar a experiência de como este calendário foi concebido.

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2.OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL

Realizar um estudo de caso, em que será estudado a metodologia de

produção do calendário Rockyears 2010 e analisar seus resultados.

2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS -

Expor passo-a-passo a metodologia usada para a produção do calendário

Rockyears 2010; -

Dividir essa experiência de produção de forma didática para que designers

e estudantes possam ter este trabalho como fonte de pesquisa e inspiração; -

Pesquisar as origens e a situação atual do calendário e saber como trans-

formá-lo em um objeto interessante, de requinte e desejo; -

Entender como o conceito do rock e suas visualidades foram incorporadas

ao projeto gráfico do calendário Rockyears 2010; -

Analisar o Calendário Rockyears 2010, encontrar seus prováveis problemas

e possíveis soluções.

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3. JUSTIFICATIVA O motivo principal da realização deste trabalho de conclusão de curso é criar uma fonte de inspiração para designers e estudantes que buscam uma referência para seus trabalhos relacionados à produção de calendários.

Atualmente, existem poucos calendários no mercado com um conceito

aprofundado, principalmente no Brasil e poucos estudos realizados sobre eles. No exterior existem alguns que serviram de referência para o projeto do calendário Rockyears 2010, como por exemplo, o calendário Pirelli. O Brasileiro, especificamente, os goianos, tem a tradição de calendários corporativos, fornecidos gratuitamente por uma empresa como forma de marketing e muitos deles (podese dizer a maioria) não têm uma estética elaborada e também não tem grandes preocupações de onde este calendário está fisicamente localizado em suas casas ou empresas. Por esse motivo, o Calendário Rockyears 2010 buscou a maior valorização desse produto, partindo de sua praticidade e transformando-o em um objeto de decoração, que as pessoas façam questão de pendurá-los em suas paredes por ser um objeto interessante e de estima, não somente por precisarem de um calendário. Sendo assim, esse diferencial torna o produto gráfico aqui em estudo relevante, merecendo um aprofundamento ao seu respeito, para contribuir com possíveis interessados na temática calendário, dentro e fora da academia.

“O método de projeto não é mais do que uma série de operações necessárias, dispostas em ordem lógica, ditada pela experiência. Seu objetivo é o de atingir o melhor resultado com o menor esforço” (MUNARI, 2002, p.10).

Essa citação de Munari esclarece o motivo pelo qual devemos estabele-

cer métodos aos trabalhos de design. O objetivo maior do método é a busca pela minimização de erros. Dessa forma, este trabalho visa incentivar e inspirar, jovens designers, através de uma experiência já vivenciada, a buscarem referências de calendários para produzirem seus próprios trabalhos. O intuito é fazer com que as pessoas tenham maiores preocupações estéticas e metodológicas na hora de projetar um calendário, aumentando então, a qualidade desse material o que gerará conseqüentemente maior competitividade no mercado e exigirá maior aptidão do profissional criador. 08


4. METODOLOGIA 4.1. METODOLOGIA BRUNO MUNARI

Os métodos utilizados na criação do calendário Rockyears 2010 foram ins-

pirados nos métodos de projetação de Bruno Munari, no livro “ Das coisas nascem coisas” (1998). Porém, ao logo do processo criativo, esses caminhos foram simplificados para atingir os objetivos específicos do projeto.

“O método de projeto, para o designer, não é absoluto nem definitivo; pode ser modificado caso ele encontre outros valores objetivos que melhorem o processo. E isso tem a ver com a criatividade do projetista, que, ao aplicar o método, pode descobrir algo que o melhore. Portanto, as regras do método não bloqueiam a personalidade do projetista, ao contrário, estimulam-no a descobrir coisas que eventualmente, poderão ser úteis também aos outros.” (MUNARI, 2002, P.12)

Munari explica, na citação acima, exatamente como ocorreu o processo de

criação do calendário Rockyears 2010. Seguimos a metodologia já experimentada por outros designers, mas encontramos nosso caminho próprio com o decorrer de sua produção. E é isso que este trabalho pretende passar para seus futuros leitores, que devemos considerar os métodos daqueles que já percorreram determinados caminhos para que as chances de acerto sejam cada vez maiores e a partir disso, criar novos métodos, caso seja necessário.

Na metodologia de Munari ele traça o seguinte esquema para o processo

de projetação de produtos que tenham problemas de design, seja ele de qualquer natureza, mobiliário, utilitários domésticos, gráficos etc: Problema ---> Definição do problema ---> Componentes do problema ---> Coleta de dados ---> Análise dos dados ---> Criatividade ---> Materiais/Tecnologia ---> Experimentação ---> Modelo ---> Verificação ---> Desenho de Construção ---> Solução.

O problema do designer é o ponto de partida para todo projeto, seja para

criar um mobiliário, uma revista ou um calendário. Partindo do exemplo da criação 09


de uma revista, se têm o problema definido, porém existem vários outros “subproblemas” que devem ser esclarecidos, como, que tipo de revista será? De moda? De política? Onde será distribuída? Qual será o seu valor máximo? Ou seja, essas definições do problema servirão para impor certos limites ao projeto, evitando que o projetista tenha surpresas quando este estiver concluído.

Os componentes do problema, segundo Munari, são os problemas mais

simples gerados pelas definições do problema inicial. Por exemplo, no caso da revista, se o fator ‘local de distribuição’ é uma definição do problema inicial, o componente dessa definição seria “Como esta revista estará disposta na gôndola da banca em que será distribuída?”. Estas três primeiras etapas da metodologia de Munari implicam em descartar todas as dúvidas que influenciarão o processo criativo, na tentativa de antecipar ao máximo qualquer problema que possa surgir nas etapas seguintes de projetação.

O próximo passo da metodologia de Munari implica em descobrir se já e-

xiste algo no mercado parecido ou igual aquilo ao que o nosso projeto propõe e para isso é necessário fazer uma coleta de dados. No caso de estar projetando uma revista, será necessário buscar todas as revistas do mercado que possam fazer concorrência com o nosso projeto. Isso fará com que saibamos se já existe alguma revista parecida com o que queremos propor e também conheceremos alternativas que possam ser proveitosas.

Para saber se os dados recolhidos serão ou não proveitosos ao projeto, é

preciso que se faça uma análise detalhada de cada dado. A análise de dados é uma das partes mais importantes do processo metodológico, pois é nesse momento em que temos a chance de buscar os defeitos presentes nos projetos similares, com o intuito de não cometer os mesmos erros no nosso projeto. Por exemplo, se percebemos que uma de nossas revistas concorrentes usa um papel que dificulta a passagem de páginas, podemos assim descartar a possibilidade do uso daquele papel no nosso projeto, e assim por diante. Ao analisarmos os resultados propostos por outros designers estamos conhecendo o caminho em que ele escolheu para conduzir o seu projeto e a partir dessa experiência, podemos então, trilhar nossos próprios caminhos sem cometer os mesmos erros.

Com todos esses dados em mãos, é possível pensar em prováveis soluções

para o problema inicial, porém não devemos nos fechar em uma idéia fixa, mas

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sim em possibilidades de idéias. É preciso se limitar às condições que a análise dos dados apresentou e às possibilidades orçamentárias no projeto. Por isso, neste momento é preciso usar a criatividade ao invés de pensar em uma única solução. Não se pode, por exemplo, investir em uma idéia que não atende certas limitações da empresa contratante, limitações que podem ser tanto orçamentárias, quanto de materiais e tecnologia.

Munari também sugere a etapa da experimentação para auxiliar a criativi-

dade a escolher o melhor caminho a se seguir. No caso da revista, devemos testar diferentes papéis que possam atender determinada idéia, testar diferentes fontes, grids e diferentes formatos. Não basta apenas idealizar, deve-se colocar em prática para perceber o produto aplicado em suas formas reais. No design editorial, como por exemplo, no caso da revista, usa-se a construção de bonecos, que são modelos do impresso gerados de forma mais artesanal. Eles facilitam a visualização das fontes e imagens aplicadas no material impresso, o que é bem diferente quando se vê essas aplicações apenas na tela do computador.

A construção de um modelo, ou de vários modelos, caso haja mais de uma

solução aparente, implica em uma análise detalhada para garantir a sua eficácia diretamente com seu consumidor. A verificação, sugerida por Munari, implica em um teste de utilização por parte de um possível consumidor. Este manuseará o produto com o objetivo de lhe fazer críticas. Estas críticas deverão ser analisadas de acordo com os objetivos do projeto, e caso essas críticas estejam mesmo coerentes, mudanças deverão ser feitas com o objetivo de melhor atender ao consumidor e as particularidades do projeto.

Passando por todas essas etapas com êxito, deve-se partir para o desenho

de construção que orientará a pessoa responsável pela produção do protótipo a construí-lo. Este desenho deverá conter todas as informações relativas ao objeto, para que fique claro do que se trata o produto final.

A partir dessa metodologia proposta por Munari, encontrei subsídios para

desenvolver a metodologia usada para a produção do calendário Rockyears. Porém ao estuda-lo mais a fundo percebi que essa metodologia poderia ser aprimorada e apresentada de forma mais didática. Por isso, ao longo deste trabalho falarei diretamente com o leitor como forma de chamá-lo para dentro dessa experiência.

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4.2. METODOLOGIA PARA PRODUÇÃO DE CALENDÁRIO

A metodologia usada para a criação do calendário Rockyears 2010 foi ins-

pirada na metodologia de Bruno Munari, porém encontrou no decorrer do processo seus caminhos próprios. Por ter sido eu a percorrer esses caminhos e ao analisar de maneira geral a metodologia usada em sua produção, o saldo de erros e acertos fez com que eu adequasse o método realmente percorrido a um método que considero mais didático e acadêmico para a criação de calendários, com uma linguagem mais específica da área.

Ao traçar um comparativo paralelo à metodologia de Munari, seguimos o

mesmo raciocínio esquemático: Briefing ---> Problematização ---> Coleta de Similares ---> Análise de Similares ---> Pesquisa de Campo ---> Pesquisa Conceitual ---> Formato e suporte ---> Modelos ---> Diagramação e imagens ---> Verificação ---> Protótipo ---> Solução

Essa metodologia irá conduzir o sumário deste trabalho de conclusão

de curso, ao qual explicarei detalhadamente os processos que percorri para a produção do calendário Rockyears 2010 e quais foram os resultados, sejam eles positivos ou negativos.

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5. BRIEFING

O designer gráfico, no momento que recebe uma solicitação de trabalho,

seja na empresa em que trabalha ou como autônomo, precisa dispor de inúmeras informações relacionadas a este trabalho para começar a pensar em uma solução. O briefing para o designer é como um prontuário de um paciente para um médico. É a partir dele que o designer poderá coletar informações sobre o seu cliente e sobre a forma que deverá conduzir esse trabalho.

Existem várias maneiras de se obter essas informações, seja ela com uma

boa entrevista diretamente com o cliente, ou através de um simples formulário de perguntas e respostas, isso irá depender do tipo de trabalho que irá realizar.

O caso do calendário Rockyears 2010 é uma situação em que não foi solici-

tada diretamente por um cliente, mas partiu de uma iniciativa dos próprios designers, ou seja, trata-se de um trabalho de caráter pessoal. Neste caso o designer passa a ser o cliente do seu próprio trabalho, o que não significa que este trabalho não tenha que ter um briefing.

O briefing é uma espécie de mapa de trabalho, ele serve para orientar o

designer em suas pesquisas, é o primeiro passo na metodologia de qualquer trabalho de design gráfico, seja ele editorial, ilustrativo, identidade visual ou de web design. Para cada área do design o briefing deve ser diferente, atendendo as especificações de cada trabalho.

No caso de um calendário, especificamente, em que o designer é o propo-

nente, como é o caso do calendário Rockyears 2010 , o briefing deve esclarecer todas as dúvidas sobre o projeto. Esta etapa da metodologia que proponho para calendários equivale ao somatório das etapas “Problema e Definições do Problema” da metodologia de Munari.

Briefing para produção de calendário para projeto de caráter pessoal: 1.

Qual é o objetivo do trabalho?

2.

Quem será o público-alvo? Idade, sexo, profissão, escolaridade.

3.

Quais são as características desse público-alvo? Lugares que freqüenta, 13


músicas que ouvem, filmes, roupas que usam, objetos do cotidiano etc. 4.

Onde o calendário será distribuído?

5.

Como será usado? Em que tipo de suporte?

6.

Quais recursos gráficos serão utilizados?

7.

Qual será o prazo de produção?

8.

Qual o gasto estimado?

Quando se trata de um projeto de caráter pessoal, ou seja, em que o de-

signer é o próprio proponente, é necessário que fique muito claro o “porquê” dele estar realizando esse projeto, pois isso irá delimitar as necessidades do trabalho. Por exemplo, se for um trabalho somente destinado ao enriquecimento de seu portifólio, provavelmente ele não irá disponibilizará verba para imprimir em larga escala, portanto deverá descartar o item “gasto estimado”. Caso seja um projeto com o objetivo de lucro, este item não poderá ser descartado, pois o projeto deverá ser construído com base na verba disponível para o investimento.

O público-alvo e suas características também é uma peça se suma im-

portância no trabalho de um designer, pois será ele que conduzirá as pesquisas imagéticas para a construção de um conceito para o trabalho, afinal, o resultado do projeto deverá despertar o interesse deste público.

Direcionando para o caso do calendário Rockyears 2010 este briefing foi

respondido da seguinte maneira: Briefing calendário Rockyears 1.

Qual é o objetivo do trabalho?

RE: Criar um calendário anual, onde possa ser divulgado o trabalho das pessoas envolvidas na sua produção, de forma a inseri-los no mercado de trabalho, além de ser um veículo que irá alimentar a cena crescente do rock na cidade de Goiânia exaltando a presença das mulheres nesse meio. 2.

Quem será o público-alvo? Idade, sexo, profissão, escolaridade, classe.

RE: Jovens e adultos de 16 à 40 anos, homens e mulheres, universitários, especificamente, estudantes de artes, fotografia, design. Classes A e B. 3.

Quais são as características desse público-alvo? Lugares que freqüenta,

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músicas que ouvem, filmes que assistem, livros que lêem, hábitos, roupas que usam, objetos do cotidiano etc. RE: Frequentadores de shows e eventos relacionados ao rock, pessoas ligadas à moda, que tenha afinidade com a moda rocker (roupas pretas, botas, calças rasgadas, jaqueta de couro etc), pessoas que são antenadas nos acontecimentos do mundo. 4.

Onde o calendário será distribuído?

RE: Será distribuído em uma festa de lançamento do próprio calendário. 5.

Como será usado? Em que tipo de suporte?

RE: Será um caledário de parede, que terá o objetivo de ser também uma peça decorativa. Será feito de papel. 6.

Quais recursos gráficos serão utilizados?

RE: Fotografia, identidade visual e diagramação. 7.

Qual será o prazo de produção?

RE: Seis meses 8.

Qual o gasto estimado?

RE: Gasto com a impressão dos calendários que dependerá do resultado final. Ao responder essas primeiras questões a respeito do projeto, é necessário um maior aprofundamento nessas mesmas questões que culminará na problematização.

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6. PROBLEMATIZAÇÃO

A problematização consiste em questionar cada uma dessas pontos res-

pondidas no briefing, ou seja, gerar dúvidas a respeito do que já foi colocado. Essa etapa da metodologia, corresponde aos “Componentes do problema” da metodologia de Munari: 1. Como se pretende exaltar a presença de mulheres no calendário? 2. Qual linguagem deverá ser utilizada para atingir o público pretendido? 3. Como a temática do rock’n roll estará agregada às imagens do calendário e à sua identidade visual? 4. Se o calendário será distribuído em uma festa, qual será o melhor formato que facilitará o transporte para as pessoas que o comprarem? Como ele será pendurado na parede? 5. O calendário terá uma capa? 6. Se o calendário será composto por imagens, que tipo de imagens serão essas? Terão modelos? Quem? Quantas? 7. Que tipo de diagramação será feita no calendário? Quais fontes serão utilizadas? Porquê? Comunica diretamente com o público?

Diferentemente do briefing, essas indagações não deverão ser respondidas

imediatamente, pois muitas delas requerem pesquisas para que sejam definidas, mas é necessário que sejam feitas nesse primeiro momento, pois é a problematização que irá direcionar o andamento do projeto, principalmente na hora da busca de projetos similares.

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7. COLETA SIMILARES

Esta etapa do projeto consiste em buscar projetos similares ao que se

propõe. Hoje em dia é muito fácil encontrar quase todos os tipos de calendários e de ensaios fotográficos na internet, por isso enquanto mais se tiver contato com os diferentes tipos de projeto, melhor será para que se tenha noção do que fazer e principalmente do que não se deve fazer.

A busca pelo o original é uma das grandes tarefas de um designer, por isso

essa coleta de similares também tem a função de descobrir o que já foi feito no mercado que se pretende atingir, tentando sempre não copiar as idéias de outros designers, mas tê-las como inspiração para as suas próprias idéias.

Neste momento não é necessário nenhum tipo de filtro na pesquisa de

calendários. É importante ter conhecimento de vários modelos, mesmo que este não se assemelhe com o tema que foi escolhido para o trabalho. É preciso ficar atento aos diferentes formatos utilizados, diferentes tipos de diagramação, suporte, tipo de papel, se tem capa, se não tem, quais recursos gráficos foram utilizados. É nessa etapa em que se terá consciência das perguntas feitas na problematização, e começar analisar quais idéias comunicam mais com o público-alvo que se quer atingir.

Posteriormente a essa primeira coleta de calendários aleatórios, deve-se

fazer uma busca que condiz com a proposta do trabalho em questão, por exemplo, o calendário Rockyears propõe ser um calendário com a temática do rock em que haverá fotografia de mulheres. Quantos calendários já foram produzidos com essa temática? Ao direcionar a pesquisa para calendários com a temática semelhante a do projeto proposto deve-se então, fazer uma análise mais detalhada de cada calendário, é o que propõe a etapa a seguir.

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8. ANÁLISE DE SIMILARES

Não basta apenas detectar trabalhos similares ao projeto proposto, pois

o objetivo principal dessa pesquisa de similares é detectar erros e acertos, o que deve ou não ser aproveitado no nosso projeto. Essa observação deve ser feita de forma articulada, pois ao detectar um erro em um determinado projeto, deve-se ter consciência do motivo daquele erro, pois muitos aspectos dependem muito do ponto de vista do designer que projetou.

Ao analisar um projeto de design, deve-se primeiramente analisar todo o

contexto em que ele se encontra. Esse primeiro momento de análise é um trabalho de investigação, pois se deve tentar descobrir quais circunstâncias levaram para a criação de determinado material. O designer analista deve saber, principalmente qual é o público-alvo que aquele material se destina. Muitas vezes achamos que um trabalho não é bom por não fazermos parte de seu público-alvo, portanto sua comunicação não funcionará para nós. Por isso é importante total imparcialidade na hora de analisar um trabalho e tentar deixar de lado nossas preferências pessoais.

Segue algumas análises de trabalhos similares ao calendário

Rockyears 2010:

8.1.

Calendário Vogue RG

Composto também por fotografias, o calendário Vogue RG é uma parceria

da revista Vogue RG com a nk Mercedez-Benz. O calendário foi distribuído junta20


mente com a revista Vogue, ou seja, foi projetado para o mesmo público da revista. Nele, participam apenas cinco modelos que aparecem mais de uma vez durante os meses, que são elas: Ana Cláudia Michels, Carolina Ribeiro, Luana Teifke, Martha Penz e Viviane Orth. As fotos foram feitas pelo consagrado Bob Wolfenson e mais uma equipe de nove pessoas, entre editores, maquiadores e assistentes. O calendário possui o formato de uma revista que quando se abre torna-se um pequeno pôster na vertical, portanto, todas as fotos são no estilo retrato. Possui um furo, que permite que o usuário o pendure aonde achar conveniente. A diagramação do calendário gráfico é toda feita na base de cada foto, com fundo branco e caracteres pretos. Tudo muito limpo e discreto. Os nomes dos meses estão sempre na parte superior direita ou esquerda da foto em capitular, dando mais charme à diagramação. A fonte usada é humanista com serifas discretas. O problema deste formato é que por ser uma revista, a marca da lombada corta as imagens ao meio e isso cria certo incômodo ao espectador. As fotografias são todas feitas em estúdio. As composições variam a cada mês, onde às vezes aparece apenas a modelo e às vezes junto a ela aparece também uma peça de carro ou o carro propriamente dito, sempre realçando a marca da Mercedez-Benz.

A produção de moda passa a idéia de movimento e leveza. Vestidos com

tecidos muito leves e transparentes, ou casacos modelados. Cabelos e vestidos esvoaçantes em poses assimétricas acentuam a suavidade transmitida na imagem. A cor do fundo é a mesma em todos os meses, um tom de lilás que se confunde com rosa com pouquíssima saturação, combinando com o tom de pele das modelos e com suas maquiagens.

Como nos calendários das antigas pin-ups a sensualidade presente no

calendário Vogue RG 2009 é quase fruto do mero acaso. Mas neste caso é uma sensualidade que quase não se observa, por ser tratado tão cuidadosamente, sem deixar nada explícito.

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8.2.

Calendário American Music

O calendário American Music é um calendário promocional da loja Ameri-

can Music que se localiza em Goiânia. A loja comercializa CDs e DVDs, por isso seu calendário apresenta imagens de diversas bandas e músicos famosos.

A escolha deste calendário como similar do Calendário Rockyears foi feita

por ser um trabalho com sérios problemas e ao constatar e analisar estes problemas, evitarão que os mesmos se repitam, ao contrário do Calendário Vogue RG que é um exemplo a ser seguido. Outro motivo de estar analisando este calendário como similar, é por ter a temática rock e por ser um calendário produzido aqui em Goiânia e isso o caracteriza como concorrente do calendário Rockyears.

O calendário em questão possui o formato A3 em papel fotográfico e faz

uso de espiral. É posicionado na horizontal, diferentemente do uso comum de calendários que normalmente são na vertical. Cada página representa um mês do ano. Esta página é dividida ao meio sendo que na parte esquerda está contida a fotografia do artista e na outra parte contém o calendário gráfico. Abaixo do calendário gráfico o nome do artista do mês, em seguida, uma pequena biografia dele e por fim, a logo da American Music e telefones de contato. Todos os meses estabelecem este padrão, juntamente com o fundo que contém uma imagem de textura de muro de tijolos de cor acinzentada e uma moldura em estilo art noveau que envolve todas as imagens.

As bandas representadas na ordem dos meses do ano foram: Elvis Presley,

Pink Floyd, Eric Clapton, Rolling Stones, Led Zeppelin, Raul Seixas , The Beatles,

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U2, BB King, AC DC, Neil Young e Jimi Hendrix. O designer usou fotos prontas das bandas citadas.

Outra questão problemática deste calendário foi o critério para escolher as

fotos das bandas. Elas são totalmente aleatórias, tanto no quesito estilo musical, quanto no quesito época em que fizeram sucesso, por exemplo, BB King, que é conhecido como o rei do Blues e Raul Seixas, que foi cantor e compositor de rock nacional.

Ao contrário do calendário Vogue RG, o calendário American Music possui

uma estética suja e carregada. Isso se explica pela quantidade excessiva de fontes, informações repetitivas (uso de “2010” duas vezes no topo), além de que o fundo prejudica a legibilidade por ter muitos ruídos. Outro problema é a aplicação de imagens no formato paisagem na moldura que está em formato retrato.

Este calendário é um exemplo clássico dos calendários institucionais que

são produzidos em Goiânia sem que haja um projeto gráfico bem estruturado com um conceito estabelecido. Muitas empresas não se dão conta de que este material é um cartão de visitas, pois se agradar ao cliente ele pendurará na parede de sua casa e estará em contato com este calendário e consequentemente com a marca da empresa todos os dias do ano.

8.3.

Calendário Women of Rock of Ages

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Esse calendário é o que aparentemente mais se aproxima da proposta do

calendário Rockyears. Encontrado via internet, não foi possível adquirir sua versão impressa, pois é um calendário que foi produzido nos Estados Unidos, porém algumas imagens foram disponibilizadas online e também sua capa.

O calendário Rock of Ages, se assemelha com o calendário Rockyears a

começar pelo nome, que traduzido para português significa “Rock das Eras”. Coincidentemente também se trata de um calendário com a temática do rock cujos personagens principais de seus ensaios fotográficos são mulheres. Mas no caso, tratam-se de cantoras reais de rock, conhecidas nos Estados Unidos.

Percebe-se através da capa que é um calendário bem feminino em sua

proposta gráfica. Sua logo tem uma textura de espelho e os caracteres têm traços pontiagudos, o que remete à estética do rock. Porém o fundo traz cores em dégradé, em tons de lilás e rosa, fazendo referência ao lado feminino do calendário. A logo também possui traços muito marcantes e foi montada de forma simétrica o que proporciona alta pregnância por parte do espectador.

Quanto aos três ensaios que se tem acesso, pode-se dizer que existe uma

maior preocupação com a sensualidade, pois todas as modelos aparecem de roupas íntimas. Um deles possui uma estética comum de ensaios sensuais e não faz referência direta ao rock (foto 2), as outras duas imagens já tem uma visualidade mais característica, fazendo jus ao nome do calendário.

8.4.

Ensaio Rock The House

24


O ensaio fotográfico em questão é a proposta que mais se assemelha com

a do calendário Rockyears. Fotografado pelo consagrado Steve Meisel e publicado na revista Vogue US em novembro de 2001, o ensaio consiste em fantasiar modelos de artistas famosos do meio do rock. Além do figurino muito bem elaborado, foram escolhidos modelos com características físicas muito semelhantes às dos artistas representados que são eles: The Beatles, John Lennon e Yoko Hono, Kurt Cobain com a filha Frances e a esposa Courtney Love, P. Diddy, Debbie Harry, Jimi Hendrix com Janis Joplin e Jim Morrison, Prince, David Bowie com a esposa, todos integrantes dos Rolling Stones, por fim, Marilyn Manson.

Com isso, observa-se que, aparentemente, a idéia era representar artistas

do universo do rock, independente de sua época, porém a escolha de P. Diddy não se encaixa neste critério, pois trata-se de um rapper americano, o que deixa claro que a escolha foi um tanto quanto arbitrária. Esse é o ponto negativo desse ensaio, a falta de coerência com o conceito, ou pelo menos com o que parecia ser o conceito, pois não foi encontrado nenhum texto abordando esta questão.

Apesar deste detalhe, as fotos foram muito bem executadas, o figurino e

a maquiagem estão impecáveis. Executado em estúdio, o fundo cinza com uma textura suja se mantém em todas as fotos, dando previsibilidade para as fotos e consequentemente mais personalidade ao ensaio. Há poucos elementos de cena, já que o figurino e a fisionomia dos modelos comunicam com êxito a idéia principal. E é neste quesito que o ensaio Rock The House mais se aproxima da proposta do calendário Rockyears, pois o carro chefe é sintetizar ao máximo os elementos para que se torne uma imagem sucinta e eficaz.

25


8.5.

1

Ensaio Eu Quero Ser

2

5

3

6

4

7

8

O ensaio da fotógrafa brasileira Priscilla Prade, também se assemelha com

a proposta do calendário Rockyears e com o ensaio de Steven Meisel. Apesar de não ter o rock como tema, ela agrega outro fator além da representação de pessoas famosas. Neste caso, ela escolhe alguns famosos brasileiros e deixam que eles escolham quem eles gostariam de ser (daí o nome do ensaio), e a partir disso, monta os ensaios baseado no artista escolhido, exemplos: a cantora Sandy (1) representa a personagem “mulher gato”, a cantora Fernanda Abreu, representa o cantor Prince (5), e a apresentadora Eliana (2) representa o cantor Marilyn Manson e assim segue, com vários artistas representando quem, teoricamente, gostariam de ser. Não representam apenas artistas do universo musical, mas também personagens históricos e do cinema.

A semelhança deste ensaio com o calendário Rockyears está justamente

na representação de um personagem icônico de fácil reconhecimento por parte do público. Ela também constrói cenários mais neutros focando no figurino e na maquiagem dos artistas.

26


8.6.

Meninas do Calendário

O filme conta uma história verídica que se passa em uma pacata cidade do

interior da Inglaterra, Yorkshire, e tem como protagonistas duas amigas de meia idade Ane e Chris. Ambas são casadas e levam uma vida tradicional como a maioria da população de lá.

O enredo tem como foco o Instituto de Mulheres de Yorkshire, onde mui-

tas mulheres de meia idade como Ane e Chris, se encontram semanalmente para apresentarem experiências cotidianas, o que já estava se tornando tedioso para todas.

Impulsionada pela curiosidade adolescente de seu filho por revistas de mu-

lheres nuas, Chris tem a idéia de fazer um calendário do Instituto de Mulheres. Um calendário sensual em que as modelos seriam as próprias mulheres do Instituto. Tal iniciativa geraria lucro e ainda homenagearia o marido falecido da amiga.

Perceberam então, que para esta idéia funcionar as fotos do calendário de-

veriam ser feitas por um fotógrafo profissional. Este criou todo o conceito do projeto, trazendo à tona a realidade daquelas mulheres, cada mês uma representaria a execução de uma atividade da qual elas são habituadas, como cozinhar, aguar plantas, costurar, tocar piano, porém com uma nudez sutil e refinada.

Todas as fotos foram produzidas e executadas em um único dia, com a

ajuda e participação de todas, usando a locação de suas próprias casas e obje-

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tos cotidianos. As fotos tinham um padrão de composição, meia luz incandescente e poucos objetos dos quais as modelos interagiam, escondendo um pouco a sua nudez.

O resultado foram fotos sóbrias e, ao mesmo tempo, divertidas, de muito

bom gosto, nada de exageros. Isto fez o calendário e suas modelos de meia idade um sucesso reconhecido em Hollywood por sua ousadia e autenticidade.

A história do calendário Rockyears se assemelha em vários pontos com o

enredo do filme, primeiramente porque surge de uma insatisfação proporcionada pelo cotidiano repetitivo de atividades realizadas por designers, assim como as mulheres do Instituto se encontram entediadas com suas atividades. A semelhança também está no fato de que estas senhoras de Yorshire rompem com preconceitos para fazerem algo que realmente acreditam mostrando que é possível encontrar um limiar entre a sensualidade e a sofisticação, erradicando definitivamente a idéia de vulgaridade que normalmente é esperado em fotos de mulheres nuas em calendários. Tal conceito foi propagado pelos calendários de borracharia dos quais expõem as mulheres como objetos sexuais e não como uma obra de arte.

Ao fazermos essa análise detalhada dos principais similares à proposta que

pretendemos seguir, é importante que façamos também um balanço dos pontos negativos e positivos de cada análise. Assim, os erros e acertos de cada trabalho ficam expostos objetivamente facilitando a memorização e a fixação dessas observações. Segue dois exemplos desse balanço com os similares do calendário Rockyears 2010: CALENDÁRIO VOGUE RG Pontos positivos - Estética limpa sem ruídos que atrapalhe a comunicação; - Uniformidade nos ensaios fotográficos, segue um padrão na concepção estética; - Excelente combinação de cores, comunica com o público feminino da revista Vogue; - A aplicação do calendário gráfico, não interferiu nas imagens; - Possui uma capa que deixa claro o conteúdo do calendário;

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- A fonte usada no calendário gráfico, comunica com a fonte da logo da revista Vogue; - O formato de revista do calendário, ajuda na mobilidade com o público, pois o calendário vem anexado à revista Vogue. Pontos Negativos - O formato de revista gera uma brochura no meio do calendário que prejudica a perfeita visualização das imagens; - Não fica completamente paralelo à parede quando é pendurado.

CALENDÁRIO AMERICAN MUSIC Pontos Positivos - O calendário possui o formato A3 que proporciona uma boa visibilidade; - O texto explicativo sobre os personagens que aparecem nas imagens, ajudam a esclarecer ao público quem são esses personagens. Pontos Negativos - Possui uma estética carregada com muitas informações gráficas; - Repetição de informações, como o ano do calendário; - A disposição das imagens não condiz com a moldura, pois as molduras são horizontais e algumas imagens estão dispostas na vertical; - Excesso de texturas; - Falta de critério na escolha das bandas representadas; - Moldura no modelo Art nuveau, o que não condiz com o tipo de público e com o conceito do calendário; - Péssima resolução das imagens; - Imagens apropriadas da internet.

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9. PESQUISA DE CAMPO Calendário: Origem e situação atual local

A pesquisa de campo dentro de um trabalho de design tem uma importân-

cia significativa para que se possa conhecer a situação mercadológica do produto que se pretende produzir. Em muitos casos é importante o designer buscar os pontos de venda em que os seus concorrentes estão dispostos para saber como eles se posicionam visualmente nesses locais. Ao projetar uma embalagem, por exemplo, é necessário ter plena consciência de como ela estará posicionada na gôndola de seu local de venda para que se possa projetá-la com maior visibilidade para o consumidor.

Na pesquisa de campo, outro aspecto importante é a retomada histórica

do produto. É necessário que se saiba como foi a sua evolução ao longo dos anos, o que já foi usado, o que não funciona mais e o que o consumidor atual espera de um produto daquele nicho.

No caso de um calendário, especificamente, a pesquisa de campo deve

ser feita de forma diferenciada. No Brasil, não existe uma cultura de venda de calendários, normalmente esses calendários são distribuídos gratuitamente, como é o caso dos calendários citados anteriormente, o Vogue RG , que vem de brinde juntamente com a revista, e o calendário American Music que é distribuído pros clientes da loja American Music. Portanto, a pesquisa de campo direcionada para calendários deve ser feita baseada em seu contexto histórico.

O calendário que conhecemos nos dias de hoje passou por grandes modifi-

cações graças ao advento da tecnologia. Mesmo assim continua sendo um objeto indispensável a todas as culturas existentes, pois é através dele que temos a noção da passagem do tempo e podemos materializar um fenômeno natural para que haja organização do nosso dia-a-dia.

O nosso calendário é essencialmente uma invenção dos antigos romanos.

Porém, até chegar ao formato atual, muitos foram inventados ao longo da história como o calendário Mercedonius, em que era acrescentado um mês a cada dois anos. Outros foram surgindo graças à necessidade de um calendário civil mais fiel ao calendário solar, como fez Júlio César (100-44 a.C), criando o calendário Juliano 30


que entrou em vigor em 46 a.C.

E em 15 de outubro de 1582 foi adotado por todos os países católicos o

calendário gregoriano a mando do papa Gregório 13 (1502-1585). Este é o modelo que utilizamos hoje por ser o que mais se aproxima ao calendário solar. Os que ainda se diferem são os calendários judaicos e islâmicos por não tomarem como data inicial o nascimento de Cristo.

Além dos dados históricos sobre o surgimento de uma forma prática de

contar o tempo, é importante para um projeto que tenha a especificidade deste estudo compreender o surgimento de um calendário que leva consigo fotografias ou imagens de mulheres, já que este é o objeto analisado neste estudo de caso.

Esse fenômeno desencadeou nos Estados Unidos na década de 1940 com

os famosos cartazes e calendário de pin-ups. O termo vem do inglês e significa, pendurar. Durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados guardavam consigo e pendurava em seus armários pessoais estes pôsteres e calendários de lindas mulheres em poses insinuantes para minimizar as tensões causadas pela guerra. No início essas imagens eram escondidas devido à grande repressão sexual que existia na época, mas como forma de romper estes tabus, artistas, como dançarinas e atrizes disseminaram a moda de posarem para fotógrafos e artistas e a partir disso, as pin-ups (termo ao qual se referia às mulheres dos calendários) passaram a serem conhecidas em todo mundo.

As pin-ups tinham características específicas: estavam sempre em poses

insinuantes, porém não eram vulgares. Encontrvam-se em uma situação cotidiana, como se a sensualidade fosse por um mero acaso. Cabelos enrolados, loiros ou castanhos, sobrancelha arqueada e lábios vermelhos. Um exemplo clássico é a foto de Marylin Monroe com seu vestido esvoaçante. Marylin foi uma das pin-ups mais conhecidas, como também Betty Boop (uma das pioneiras), Betty Grable, Ingrid Bergaman e Lana Turner.

A sensualidade sutil e a inocência das pin-ups da década de 1940 foi se sub-

vertendo ao longo dos anos, ficando cada vez mais pornográficas e vulgares. E se antes era um artigo sofisticado, atualmente ocupa locais sujos de graxa como as borracharias. Os calendários de borracharia também levam imagens de carros e peças, mas são conhecidos por serem ilustrados por fotos de mulheres nuas ou semi-nuas. Estas mulheres normalmente não são conhecidas, até porque não é o

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fator que mais importa. O importante é a nudez e a vulgaridade.

Um exemplo que levou o calendário de borracharia a outros patamares foi

os famosos calendários sensuais da Pirelli. Estes tinham como quesito principal a sensualidade, porém tratada de forma mais artística e menos vulgar como os demais. Inclusive não fazia menção à borracharia propriamente dita, apesar de a Pirelli ser uma marca de pneus.

O último exemplar do calendário Pirelli, o 2010, teve como fotógrafo o

polêmico Terry Richardson. Este se inspirou nos tradicionais calendários de borracharia, mas mesmo assim manteve certa sofisticação. Em 2008 a estética pin-up voltou com toda força aos guarda-roupas das mulheres contemporâneas, muitas artistas aderiram ao estilo, como Cristina Aguilera, Kate Perry, Gwen Stefani, Amy Whinehouse entre outras. Inclusive a Coca-Cola relançou um calendário de pin-ups muito fiel aos clássicos da década de 1940. Apesar disso, hoje em dia existe uma infinidade estética para calendários que segue a tendência da fotografia de moda, como o calendário 2009 da Vogue RG, fotografado por Steven Meisel.

O calendário Rockyears 2010, bebeu na fonte dos antigos calendários de

pin-ups por buscar a união de sensualidade e da elegância, fugindo da estética vulgar dos tradicionais calendários de borracharia. Uma vez que a inocência da mulher é substituída pela atitude roqueira. A intenção de transpor uma barreira de tabus também permeia no conceito do projeto do calendário Rockyears 2010, tendo em vista que a imagem da mulher no universo do rock não é devidamente reconhecida. Portanto, o Calendário Rockyears tem também como um objetivo implícito o incentivo da inserção da mulher neste universo.

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33


34


10. PESQUISA CONCEITUAL

Ao criar um calendário cujo foco principal é imagens fotográficas, devemos

pensar em um conceito a se seguir. Ao criar uma imagem fotográfica, muitos aspectos devem ser levados em conta, como: - Local onde será realizado o ensaio; - Modelo que será fotografada; - Como será feita a produção (cabelo, maquiagem, figurino, objetos de cena); - Que tipo de iluminação será usado; -Que tipo de linguagem fotográfica será usada (moda, fotojornalismo, experimental, etc)

Para responder essas questões o conceito do projeto, ou um tema deverá

estar muito bem definido, pois ele norteará não só ensaio fotográfico, mas também todo o projeto gráfico do calendário. Esse tema deverá estar em total acordo com o público-alvo do projeto, pois cada detalhe deverá comunicar diretamente com ele.

No nosso caso em questão, o calendário Rockyears 2010 tem como tema

principal o rock, porém muitos conceitos podem ser agregados à ele, como o conceito de que o rock é perverso, ou que o rock é transgressor, o rock é inovador etc. Por isso que deve ser feita uma pesquisa conceitual a cerca desse tema, para que se saiba qual abordagem do rock comunicará mais com o publico que pretendemos.

O mesmo caso ocorreria se tivéssemos outro tema em mente para o

calendário, como por exemplo um calendário de uma marca de cerveja. O que se pretenderia passar para o público, caso esse fosse o tema de nosso calendário? Que beber aquela cerveja é divertido? Beber aquela cerveja é atraente? Ou beber aquela cerveja é status social? Ou todas essas opções? Isso demonstra que seja qual for o tipo de imagem que se for produzir, essa pesquisa conceitual é de extrema importância para a eficácia da comunicação com o público.

Quando uma dessas opções for definida, outra questão entrará em vigor:

Como representar este conceito imageticamente?

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Para transformar algo que está no campo teórico em imagem, deve-se

pesquisar as imagens que estão relacionadas aos significados desse conceito, por exemplo, se no meu trabalho quero que fique claro que o rock é perverso, devo pesquisar, primeiramente os significados teóricos de perversão. Depois disso devo buscar na história do rock, casos que comprovem essa perversão, para aí então buscar imagens que remetam a esses fatos.

No caso do calendário Rockyears 2010 foi necessário uma pesquisa mais

ampla a respeito do rock para nos situar da relação desse estilo musical com o mercado, pois o calendário nada mais é que um produto que será comercializado. A seguir, algumas reflexões que levaram à definição do conceito do calendário Rockyears 2010. O Rock e o mercado cultural

As primeiras manifestações do rock surgem por volta de 1940 nos Esta-

dos Unidos tendo seu reconhecimento mundial mais fervoroso na década de 1950. Nessa época o país passava por um processo de renovação ideológica provida pelo fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. Os jovens foram tomados por um sentimento de rebeldia e vontade de manifestar suas opiniões anti-sistema e principalmente anti-guerra. O mundo se encontrava em uma verdadeira ebulição de manifestações sociais, o medo do terrorismo da ditadura Militar que se espalhava pelo mundo, da repressão, perseguições e mortes, foram as molas propulsoras deste movimento que surgiu com uma ideologia forte de contestação e acaba sendo engolido pelo mercado cultural.

O rock é um estilo que está em constante renovação, pois permite que seja

incorporado a vários outros estilos musicais. Com suas raízes no rhythm’n’blues e na música country o rock incorporou diversas sonoridades, se transformando em diferentes estilos como o heavy metal, hard rock, punk rock, indie, glam, sem nunca perder o espírito de contestação libertária.

No livro de Tupã Gomes de Corrêa “Rock, nos passos da moda: mídia, con-

sumo x mercado cultural” ele cita o autor Berendt, (1975, p. 47-51) que: “o rock produziu aquilo que chamamos de a estruturação da nova liberdade” , “rompeu com as antigas formas de ouvir música” e “rompeu com o círculo da harmonia tradicional”. Isso significa dizer que o rock bebe na fonte do experimentalismo,

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com o objetivo de sempre produzir algo novo, contestando a sociedade tradicionalista. Este inconformismo rebelde que impulsionou o rock é uma característica tipicamente adolescente, que sempre busca através de sua criatividade, algo que possa lhes representar e romper com o que lhes foi ensinado. A partir disso, Corrêa (1975) sintetiza sete razões que caracterizam o rock como gênero dominante na música popular jovem:

1)

“ pouca idade do gênero, que praticamente tem

início a partir dos anos 50, difundindo-se pelo mundo em larga escala a partir dos anos 60; 2)

ruptura com todos os gêneros tradicionais ante-

riores, modificando os padrões de criação, produção, interpretação e audiência na música popular; 3)

ele mesmo enseja rupturas e transformações em

seu próprio estilo; 4)

identidade com as novas gerações, que buscam

também romper tradições; 5)

desvinculação geográfica de culturas ou sistemas

políticos; 6)

facilidade de assimilação rítmica pelas pessoas

de pouco idade, que têm desse gênero um diferencial etário importante, de vez que dificilmente se verifica a presença de pessoas mais velhas entre seus admiradores; 7)

vínculo necessário entre uma particularidade do

gênero e um artista ou grupo de artistas que o representam e o interpretam , uma vez que falar de rock é sempre particularizar uma de suas características, necessariamente associada a quem a representa.” (CORRÊA, 1975 P.28)

Este envolvimento por parte dos mais jovens nessa manifestação musical

acaba abrindo um grande mercado consumidor aos olhos da publicidade e consequentemente do mercado de forma geral.

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“Se de um lado a facilidade de ruptura em si mesmo é uma característica que o aproxima das gerações mais jovens, por outro é o contato com essas gerações que o aproxima dos interesses da publicidade, tornando-o um gênero adequado à divulgações de produtos jovens. E como são os jovens ávidos por coisas novas, é natural então que o rock, constantemente modificado, esteja sempre associado a produtos novos ou da moda. Entre esses, como se percebe, os do vestuário são os que mais prestam aos interesses da publicidade.” (CORRÊA, 1975 P.29)

Para Corrêa (1975) , o rock que seria um movimento de contestação ao

capitalismo, acaba sendo corrompido pelo próprio sistema, em que o estilo de vida roqueiro, rebelde e com um vestuário um tanto específico, acaba virando algo comercial. As pessoas que passam a consumir estes produtos são motivadas pela mídia e pela propaganda e não mais pelos ideais libertários que o rock propunha.

Um excelente exemplo disso foi o sucesso concebido por Elvis Presley nos

anos 1950. O rock acabou sendo conhecido pelas grandes massas a partir do momento em que um jovem de extrema beleza e com um estilo peculiar aderiu ao rock’n roll. Antes dele, muitos outros artistas já tocavam rock, como Chuck Berry, mas não tinham o visual necessário para conquistar a mídia. Elvis levou o rock dos Estados Unidos para o mundo. É claro que a rebeldia não deixou de ser marca registrada, Elvis causava polêmica pelo seu jeito escandaloso e sensual de dançar, chegou a ser censurado em muitos programas de TV, mas sua beleza, seu estilo e sua voz encantavam ao público e arrastava multidões. Além do que o rockabilly de Elvis era dançante, animado e “grudento”, tinham letras fáceis, que não saia da cabeça desde a primeira vez que se escutava.

Não demorou muito para a mídia perceber que reprimir tais atitudes não

seria lucrativo, por isso a TV, rádio e publicidade passam a ver no rock um grande e lucrativo mercado, incentivando cada vez mais o seu consumo.

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Com o decorrer dos anos o rock passa incorporar diferentes estilos musi-

cais, criando novas sonoridades e visualidades. Desde Elvis que moda é um componente de identificação do rock e passa a ser de extrema importância para a difusão desses estilos, pois é através das roupas que as pessoas usavam que poderiam se identificar a qual estilo do rock ela pertencia.

Com base nessas reflexões e pesquisas a cerca do mercado do rock,

podemos identificar algumas questões a respeito do conceito que foi agregado ao calendário Rockyears 2010.

Associamos então a presença feminina, presente no calendário, a essa

questão da moda que é tão presente no universo do rock para criar a visualidade dos ensaios fotográficos. Optamos por escolher 12 bandas de diferentes estilos rock de uma determinada época, uma para cada mês do ano, aos quais mulheres estariam encarnadas em situações ou em integrantes dessas bandas. O objetivo era mostrar os diversos estilos musicais que existem no rock (rock progressivo, hard rock, punk rock, etc) e a recorrência do vestuário rocker no universo desses estilos. Através dessa visualidade seria possível frisar o conceito de que o rock é belo e sensual, sem perder a atitude contestadora.

A etapa seguinte à essa definição conceitual é partir para a pesquisa de ima-

gens que tratam desse assunto especificamente. Para o calendário Rockyears 2010 procuramos imagens de cada banda escolhida e toda a visualidade que os envolve: vestuário, instrumentos musicais, clipes, capas de disco, maquiagem, vídeos de shows e até mesmo sobre a vida particular.

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Depois disso, o desafio era transformar a visualidade dessas bandas em artigos para o corpo feminino, ou seja, adequar o vestuário masculino à peças que deixassem as modelos sensuais e não masculinizadas. Para isso foi necessário uma pesquisa de imagens de mulheres inseridas no universo do rock, como Debbie Harry, Courtney Love, Joan Jett, Cristina Aguilera, Cher, entre outras, assim pudemos perceber as particularidades femininas nesse universo, como a maquiagem, acessórios, roupas e postura de maneira geral. A união desses dois aspectos, visualidade das bandas com feminilidade no rock, é o resultado das imagens do calendário Rockyears 2010.

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11. FORMATO E SUPORTE

Para começar a por em prática o projeto gráfico de um calendário, antes

de qualquer coisa é necessário definir o seu formato. É a partir do formato que será definida todas as dimensões do calendário e o espaço em que poderá ser trabalhado os seus recursos gráficos. Muitos aspectos devem ser levados em consideração para que se possa definir esse formato, ou seja, o saldo de toda pesquisa feita anteriormente deverá estar de acordo com essa escolha. É nesse momento, que muitas das questões feitas no início do processo de projetação, deverão ser respondidas: - Como a temática do rock’n roll estará agregada às imagens do calendário e à sua identidade visual? - O calendário terá uma capa? - Como as fotos estarão dispostas? Terá boa visibilidade?

Esta é a etapa de analisar todas as possibilidades vistas nos calendários

similares e buscar uma solução que seja comunicativa com a nossa proposta conceitual, além de ficar atento para que não seja cometido os mesmos erros diagnosticados nos calendários similares que foram observados e analisados.

É importante que o designer pense em várias possibilidades de formatos

antes de escolher um definitivamente. Não é necessário nesse momento que se faça desenhos muito bem acabados, mas a idéia é sejam feitos raffes para apenas visualizar diferentes formatos. Ao testar várias possibilidades a escolha se refina, pois será possível analisar qual opção de fato é a mais adequada para o projeto. Isso não significa que o designer não possa escolher a primeira opção que foi desenhada, caso ele analise que aquela opção de fato é a melhor.

Paralelamente à definição de formato deve ser feita a definição do suporte

, ou seja, o tipo de material que o calendário será feito. Normalmente se utiliza papeis de diferentes gramaturas, aplicação de verniz localizado ou total e outros recursos gráficos, porém deve-se analisar quais são as necessidades de material para as especificidades de determinado formato.

O calendário Rockyears 2010 possui um formato que o diferenciado de to-

dos os outros calendários que foram pesquisados. Baseado na temática: “Bandas 42


de rock que marcaram as décadas de 1960 e 1970” e com o objetivo de manter toda a sua identidade visual com características dessa época, apropriamos do mesmo formato de uma capa de disco de vinil (31 x 31 cm).

O objetivo era manter a visualidade da época (1960 e 1970), além de mate-

rializar a união de um tema musical a uma proposta de design.

O formato de disco de vinil, por não ser muito pequeno e nem muito grande,

ou seja, um formato mediano, se comparado aos calendários pesquisados, tornase mais prático no quesito mobilidade, por ser mais compacto não se deixa dobrar, facilitando o transporte sem sofrer danos ao material. Ao mesmo tempo, suas dimensões não prejudicam os pequenos detalhes contidos nas fotografias.

O calendário é composto por sete partes separadas, são elas, a capa (no

mesmo formato de capa de disco de vinil) no Duplex 250g e seis lâminas com o mesmo formato, no couche fosco 170g que se encontram inseridas nessa capa, ao qual estão impressas as fotografias de cada mês cujo calendário gráfico encontrase aplicado sobre a foto.

A idéia das lâminas do calendário estar separadas é sugerir que as pessoas

utilizem cada uma como um pôster decorativo, e não como normalmente é disposto nos outros calendários que se encontram compactados em um espiral.

43


12. MODELOS

Ao fazer as propostas raffeadas de formato para o calendário deve-se

determinar as melhores opções para fazer um desenho mais refinado e construir seus modelos. Esses modelos têm o objetivo de materializar uma idéia que é aparentemente funcional, mas que ainda está apenas no desenho e não em uma forma concreta, para que possa ser possível perceber detalhes que não poderiam ser observados só através do desenho, como dobras, caimento do papel, resistência etc.

Mas a principal função dessa etapa do projeto é fazer com que o designer

perceba a eficácia do tipo de material escolhido. O modelo é uma versão mais artesanal do que seria o calendário real, para que o designer perceba as limitações daquele material. Seria como um protótipo em sua fase mais inicial, pois nesse momento ainda não aplicamos os aspectos gráficos do calendário.

Ao verificar que determinado modelo corresponde com as expectativas do

projeto, por exemplo, que o material tem uma boa consistência e durabilidade, ou seja, atende as demandas propostas no briefing, deve-se então passar para etapa de trabalhar os aspectos gráficos naquele formato.

No caso do calendário Rockyears 2010 especialmente, como um dos forma-

tos sugeridos já tinha uma experiência de aplicação no mercado, tanto de usabilidade quanto de durabilidade, que é a capa de disco de vinil, foi fácil defini-lo como o formato final do projeto, pois tinha boa funcionalidade e dialogava com as demandas do briefing, além de ser algo original, pois é um formato que não havia sido aplicado em calendários.

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13. DIAGRAMAÇÃO E IMAGENS. Diagramação e aplicações

Esta etapa do projeto consiste em aplicar os aspectos gráficos ao formato

que foi definido, diagramar os textos que estarão presentes, aplicar o calendário gráfico, aplicar a identidade visual, caso seja necessidade do projeto. No caso de um calendário que possua imagens fotográficas, deverá ser feito um estudo de como o calendário será aplicado nessa imagem.

No caso do calendário Rockyears 2010 a premissa de manter uma identi-

dade visual de disco de vinil foi além da aplicação apenas no formato do calendário, mas também foi aplicada à toda sua identidade visual.

A capa do calendário Rockyears 2010 foi diagramada de forma com que a

sua logo tivesse maior destaque e visibilidade possível. O Preto é uma cor recorrente no universo do rock, por isso foi a cor predominante escolhida para a capa, juntamente com textos e a logo em branco para dar maior contraste.

Na contra-capa “Set List” normalmente usado para identificar as faixas de

um disco, no projeto foi utilizado para identificar os meses do calendário acrescentando os créditos necessários. Apropriando-se da disposição em que é colocado nos discos de vinil o “lado A” e o “lado B”, os doze meses foram divididos igualmente em duas colunas, simbolizando essa disposição de lados, ou seja, o usuário que visualizar esse material pela primeira vez, não saberia instantaneamente que se trata de um calendário e não de um disco.

Abaixo do “Set List”, existe um pequeno texto publicitário dividido em três

parágrafos que explica um pouco da essência da proposta, nomeado de “Let’s Rock” a fim de gerar maior proximidade com o público o convidando a entrar no universo do Calendário Rockyears 2010. Identidade Visual

Muitas vezes é pertinente a criação de uma identidade visual para um

calendário, principalmente quando este dispõe de uma capa. Mas isso não é uma regra, muitos calendários não possuem um nome ou uma logo. 45


No caso do calendário Rockyears 2010 foi necessário a criação de uma

identidade visual, para as pessoas identificarem o nome desse calendário. Porém, este não será um assunto que será aprofundado nesse trabalho de conclusão de curso, tendo em vista que é um assunto muito complexo que demandaria o estudo de uma metodologia específica. Mas vale a pena comentar alguns aspectos de sua criação.

A logo do calendário Rockyears 2010 foi baseada na visualidade voltada

para a estética do rock’n roll de maneira geral e também pela estética do rock das décadas 1960 e 1970.

Teve como fonte base, a Titânia, que foi escolhida por ter como caracterís-

tica predominante sinuosidades juntamente com traços mais retos, o que também é uma característica das tipografias usadas pelas bandas representadas no calendário, que foram diretamente influenciadas pelo psicodelismo da época. Portanto, essa sinuosidade foi explorada com a intenção de enfatizá-la, aumentando e diminuindo uma letra ou outra. De forma que, na logo, suas extremidades superiores formam dois pequenos “chifres” juntamente com a terminação do “y” que tem o formato de um rabo de diabo. Estas características foram baseadas em um famoso mito de que “o diabo é o pai do rock”. Esta característica foi incorporada a logo de forma sutil e divertida, sem a intenção de fazer qualquer tipo de apologia.

A logo possui alguns fatores que serão mutáveis a cada ano, como o

ano da edição que se encontra abaixo do “Rockyears” e o “Volume” que será aplicado sempre na capa do calendário impresso, fazendo referência às capas de disco de vinil.

A tipografia institucional usada para os textos que estão presentes no ver-

so da capa do calendário impresso foi a Century Gothic, por conter sutis características “retrô” graças as suas formas geométricas e por ter uma ótima legibilidade gerando uma mancha gráfica leve, o que contrasta com a logo. Para os títulos foi mantida a forma original da Titânia a fim de manter uma relação de identificação com a logo. Century Gothic abcdefghijklmnopqrstuvxz ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVXZ abcdefghijklmnopqrstuvxz ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVXZ 46


Imagens

A produção das imagens do calendário Rockyears 2010 foi feita baseada

nas referências imagéticas das bandas escolhidas para serem representas por garotas, que são elas: 1. JANEIRO : Rolling Stones

7. JULHO: Lynyrd Skynyrd

2. FEVEREIRO: Pink Floyd

8. AGOSTO: Kiss

3. MARÇO: Ramones

9. SETEMBRO: Janis Joplin

4. ABRIL: The Beatles

10. OUTUBRO: The Doors

5. MAIO: AC/DC

11. NOVEMBRO: Black Sabbath

6. JUNHOI: Jimi Hendrix

12. DEZEMBRO: Led Zeppelin

Foi escolhida uma referência visual diferente para cada banda, o critério foi

encontrar algo que mais identificasse a banda pelo público, independente se fosse representado uma capa de disco, ou o próprio integrante da banda. 1

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O passo seguinte foi elaborar o figurino que cada modelo iria usar, essa

tarefa foi destinada a uma designer de moda que fez parte da equipe de produção do calendário Rockyears 2010, e assim desenhou os respectivos figurinos:

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Foi escolhido como locação para os ensaios fotográficos um pub na cidade

de Goiânia com uma decoração com aspecto retrô onde havia vários quadros de bandas de rock pendurados na parede, essa visualidade casava com as demandas conceituais do calendário, em que a cada mês escolhemos um local diferente dentro do pub, que dialogasse com a proposta estética que queríamos para cada imagem.

Um detalhe importante na hora de produzir as imagens do calendário Rock48


years 2010, foi que as imagens teriam que ter o mesmo formato das lâminas do calendário impresso, ou seja, um formato quadrado. Por isso, o enquadramento das imagens teve que ser cuidadosamente pensado para que a mensagem a ser passada ficasse nesse limite de 29x29 cm (dimensão das lâminas).

Com as imagens prontas, foi decidido que o calendário gráfico seria aplica-

do sobre a imagem para que também fizesse parte da composição. A diagramação desse calendário foi feita da forma tradicional, com um grid quadrado em que os dias da semana estão a cima dos dias do mês. A fonte usada no nome dos meses iria também fazer referência a tipografia usada pela banda em suas logos, remetendo às suas capas de disco.

14. VERIFICAÇÃO

A etapa da verificação consiste em preparar um modelo finalizado do

calendário, diagramado, com as imagens finais, calendário aplicado já no formato exato que será o produto final. O objetivo dessa etapa é que este modelo passe pelo crivo de algumas pessoas que se caracterizam como público-alvo do projeto. É importante que o designer tenha uma opinião de uma pessoa que não esteja envolvida no processo e que não conheça a proposta, o intuito é descobrir se o calendário funcionará por si só e atingirá a comunicação desejada.

Caso as críticas feitas ao projeto sejam pertinentes , mudanças deverão ser

feitas, claro que de maneira comedida, pois à essa altura apenas pequenas coisas poderão ser mudadas. Por isso é importante que o designer tenha total domínio do conceito aplicado à proposta e para isso é necessário pesquisa aprofundada no assunto e ouvir opiniões de profissionais e leigos ao longo do processo de projetação.

15. PROTÓTIPO

Chegamos à etapa final de um projeto para calendários. É necessário con-

struir um protótipo com todas as características reais que serão impressas. O protótipo é semelhante ao modelo produzido anteriormente, a diferença é que será o protótipo que irá direcionar a pessoa responsável pela impressão dos calendários a imprimi-lo de maneira correta, com as exatas dimensões, com as cores certas. Ele é que garante a palavra do designer caso haja algum erro de impressão na gráfica. 49


16. ANÁLISE E CONCLUSÃO

A análise do Calendário Rockyears 2010 tem como objetivo principal en-

tender quais significados foram produzidos a partir da composição dos signos presentes na imagem de cada mês e em todo seu material gráfico, partindo da metodologia proposta por Martine Joly (1994) em seu livro “Introdução à análise da imagem”. “Abordar ou estudar certos fenômenos sob o seu aspecto semiótico é considerar o seu modo de produção de sentido, por outras palavras, a maneira como eles suscitam significados, ou seja, interpretações. Efetivamente, um signo é um signo apenas quando exprime idéias e suscita no espírito daquele ou daqueles que o recebem uma atitude interpretativa.” (JOLY, 1994, p.40)

Desse modo, a maior questão colocada sob o resultado das imagens do

calendário era se o receptor conseguiria interpretá-las e chegar à compreensão que se pretendia quando foi produzido. Dentro de sua concepção conceitual, o calendário teve o objetivo de instigar o espectador a identificar as bandas representadas em cada mês, sem que fosse necessário estar escrito seus nomes. Essa identificação seria feita através do figurino, objetos de cena e da tipografia utilizada no nome de cada mês que faz referência aos tipos utilizados pelas próprias bandas em seus materiais publicitários, exigindo um maior repertório imagético por parte do público.

O fato é que realmente algumas pessoas não conseguiam identificar uma

ou outra imagem, pois em alguns meses foram abordados propositalmente assuntos dos quais atingiríamos apenas o público específico de cada banda. Mas mesmo com essa pequena porcentagem de incompreensão do significado de algumas imagens.

Diante disto, as imagens foram produzidas baseadas nos ícones de cada

banda, objetos ou expressões faciais que as consagraram e que vive no imaginário 50


dos amantes do rock e principalmente dos fãs específicos de cada banda.

“Com efeito, se considera que o ícone corresponde à classe dos signos, cujo significante possui uma relação analógica com aquilo que ele representa, considera também que podemos distinguir diferentes tipos de analogia e, portanto, diferentes tipos de ícone, que são a própria imagem, o diagrama e a metáfora.” (JOLY, 1994 p.40)

Os objetos que constituem cada imagem do calendário são releituras dos

ícones já existentes, ou seja, dos que já são facilmente identificáveis pelo público, portanto o calendário se caracteriza por ter uma linguagem tipicamente metafórica, pois aborda um determinado assunto por meio de outro com o fim de um mesmo significado.

O que veremos a seguir através da análise detalhada de cada mês do

calendário é que existem diferentes abordagens icônicas que variam a cada mês. Além do fato de cada imagem representar uma banda consagrada do rock, não existe um padrão de representação, ou seja, um ícone padrão, pois alguns meses se diferem no critério de representação, fazendo assim, analogias à diversos assuntos que foram considerados interessantes de se representar.

A conclusão que se tira desta metodologia é que, por não adotar um pa-

drão na representação dos ícones, abriu a possibilidade de confusão por parte do receptor, pelo fato de que seria necessário mudar o raciocínio para um outro tipo de abordagem, deixando a possibilidade da dúvida. Segue a análise detalhada do calendário Rockyears 2010.

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CAPA

Descrição:

A capa do calendário Rockyears 2010 possui um formato quadrado

(31x31cm) com um pequeno recorte em sua lateral direita em formato de semicircunferência, sua cobertura é completamente na cor preta exceto a logo em branco “Rockyears 2010 – vol.1”. No verso o mesmo esquema de cores, fundo preto e caracteres brancos. Na lateral esquerda está escrito “Set List” em uma fonte sinuosa parecida com a logo que está a frente, logo abaixo seguem duas colunas com o nome de cada mês divididos pela metade em cada coluna. Os nomes dos meses estão com a mesma fonte porém em um corpo menor, embaixo dos nomes dos meses, em outra fonte, esta mais leve e sem sinuosidades, escrito “modelo”, “referência” “colaboração”, em que está descrito as particularidades de cada ensaio catalogados por mês.

A seguir, com a mesma fonte sinuosa da logo, está escrito “Let’s Rock”

seguindo um texto publicitário sobre a essência do calendário, dividido em três parágrafos e logo abaixo com a mesma fonte do texto, porém em um corpo bem maior “www.rockyears.com.br”.

Na lateral direita em uma coluna, estão catalogados os nomes de doze

pessoas com suas respectivas funções, supostamente exercidas na produção do calendário, abaixo “agradecimentos” e em seguida “patrocínio” juntamente com quatro logos.

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Mensagens:

A composição da capa do calendário é completamente baseada em lin-

guagem verbal, portanto, a mensagem plástica, como propõe a análise de Martine Joly, não é muito presente nesse momento, a não ser o fato da capa estar em um suporte de papel de maior gramatura, quase configurando-se como uma caixa, sua cobertura tem um leve brilho de verniz aplicado sobre toda superfície, tanto a parte frontal como o verso, existe uma moldura subentendida no verso criada pela justificação do texto, a cor do fundo é completamente contrastante com a cor do texto dando total legibilidade.

A proposta de uma capa preta revela a intenção de destacar a marca “Rock-

years 2010” e também de ser algo neutro que não tenha nenhuma referência estilística por parte da cor. O preto representa de maneira geral o Rock’n Roll, portanto, por ser a primeira edição do projeto, nada mais apropriado. Conclusão:

A capa do calendário tem a função de proteger as lâminas que são o

calendário propriamente dito. A ideia é que o usuário guarde as lâminas quando não forem mais úteis a fim de colecioná-las. Por isso conclui-se que é pertinente a idéia desse formato, fortalecendo a identidade visual do produto.

JANEIRO

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Descrição

A imagem que ilustra o mês de janeiro do calendário é composta por uma

modelo no primeiro plano, um palco de show no segundo plano e o calendário gráfico do mês de janeiro juntamente com o nome “janeiro” em uma tipografia específica aplicado sobre a foto. Ela está usando uma cartola preta e segurando um microfone de lapela. Vestida com uma camiseta branca decotada e com uma estampa vermelha e preta ao centro. A mão que segura o microfone contém pulseiras e anéis, e suas unhas estão pintadas de vermelho.

O ângulo da fotografia fecha no rosto e tórax da modelo, não permitindo

que seus membros inferiores fiquem a mostra, enfatizando a sua expressão facial.

De fundo, em tons avermelhados, uma bateria e parte de um violão do lado

direito e do lado esquerdo um amplificador de som, as cortinas e a parede almofadada deixa claro que o cenário trata-se de um palco. Mensagem

O foco da composição é a expressão facial da modelo que parece estar

gritando diante do microfone, por estar com a boca extremamente aberta. Fica claro, ao entender a composição como um todo (palco, bateria, violão amplificador e microfone) que trata-se de uma mulher que canta uma música euforicamente.

Para compreender a mensagem que a imagem pretende passar necessita-

se de um repertório visual voltado para o universo do Rock’n Roll, sendo este repertório necessário para o entendimento de todas imagens do calendário. Por exemplo, para entender o significado do símbolo estampado na camiseta da modelo, que trata-se da logo de uma importante banda de rock da década de 60, a Rolling Stones.

A banda, composta por 5 integrantes possui um vocalista muito famoso,

Mick Jagger conhecido por ter a boca muito grande e pelo hábito de usar cartolas. Logo pode-se concluir que a fotografia como um todo é a representação de uma cena de um show da Rolling Stones ao qual Mick Jagger é representado por uma mulher.

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A tipografia utilizada no lettering do nome de janeiro também faz refer-

ência a tipografia utilizada pela banda, reafirmando a referência. Esta será uma característica que também se repetirá nas outras imagens do calendário.

Por se tratar de uma banda que se iniciou na década de 60 foi usado um

microfone de lapela caracterizando a época em que a banda surgiu.

Acessórios e características de feminilidade, como batom, esmalte, anéis e

pulseiras, evidenciam que o uso de uma garota representando um artista homem foi proposital e faz parte do conceito principal do calendário. Conclusão

Tendo como principal objetivo do Calendário Rockyears 2010 a identificação

das bandas escolhidas para serem representadas por parte do público, pode-se concluir que a imagem do mês de janeiro executou bem a sua tarefa por conter ícones muito significativos à banda Rolling Stones. O que é de suma importância se tratando da foto que abre o calendário e que guiará o olhar do espectador, ao longo da visualização das outras imagens, compreendendo a proposta essencial do projeto. O resultado final é uma imagem harmônica cromaticamente falando, prevalecendo o vermelho, branco e preto, que são as cores institucionais da banda. FEVEREIRO FEVEREIRO

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Descrição:

A imagem do mês de Fevereiro é composta por três objetos de cena ba-

sicamente, além da modelo e do calendário gráfico: sofá vermelho, vitrola e disco de vinil preto. No lado direito, é possível visualizar o braço do sofá, o que não acontece no lado esquerdo, o que dá a entender que é um sofá extenso. O chão onde a modelo pisa é preto e é possível visualizar os pés prateados do sofá, o que contrasta com a parede em textura de madeira clara na parte superior da imagem. A modelo veste um figurino peculiar: sapatos vermelhos, meias brancas e um vestido azul claro com babados nas pontas, cabelos e pele claros sendo possível a identificação de uma tatuagem de rosa em seu ombro esquerdo. Nota-se que a vitrola é antiga, de madeira e metal dourado, é possível identificar um vinil, como se estivesse tocando. Mensagem

Esta é uma das imagens de mais difícil compreensão do calendário, por exigir

um conhecimento muito específico sobre a banda que está sendo representada.

O disco “ Dark Side of The Moon” da banda Pink Floyd, que está exposto na

imagem, é o maior sucesso da banda, subentende-se que seja este disco que está “tocando” na vitrola.

Para quem conhece a fundo este álbum, sabe que ele ficou famoso pelo

mito de estar em sintonia com o filme “O Mágico de Oz” (1939) de L.Frank Baum e Noel Langley. O disco roda várias vezes durante o filme e parece ser sua trilha sonora original.

Diante deste fato a personagem principal do filme, Dorothy, foi a escolhida

para ser representada na imagem do mês de fevereiro. Conclusão:

Tecnicamente falando, a iluminação da imagem por ser frontal e muito

forte, gerou sombras muito duras na imagem prejudicando a composição, pois as sombras passaram a se confundirem com elementos de cena, como por exemplo, nas costas da modelo, não se sabe ao certo se é um objeto disposto atrás dela ou

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se é sombra de fato.

Outro ponto a ser analisado é o enquadramento. Os limites da imagem

estão muito próximos à modelo causando uma sensação de sufocamento. No calendário impresso, este problema se agrava, pois o furo feito na lâmina para pendurar o calendário na parede acaba acertando a cabeça da modelo, prejudicando a atenção do espectador e a estética da imagem.

Outro ponto ainda no quesito enquadramento é a posição em que a mo-

delo se encontra no sofá. O fato de aparecer apenas um dos braços e apenas um dos pés do sofá torna a imagem desequilibrada.

No quesito identificação do público, esta imagem também foi de certa ma-

neira problemática. Ao exigir um conhecimento muito específico a respeito do álbum da banda, poucas pessoas reconheceram imediatamente a personagem Dorothy e também por diferenciar completamente o tipo de abordagem predominante nas outras imagens do calendário, que é sempre a representação de integrantes ou capa de disco das bandas. MARÇO MARÇO

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Descrição

A imagem do mês de março é a mais sintética em elementos de cena, pois

é composta apenas de uma porta e a modelo.

O ponto de maior atenção é a blusa branca da modelo onde está ecrito:

Gabba Gabba Hey. O figurino se resume em jaqueta de couro, cinto de taxas, camiseta branca, short branco e um bracelete no braço esquerdo. O calendário agora aparece em caracteres vermelhos, contrastando com a fotografia em preto e branco. Mensagem

Em primeiro lugar, esta imagem chama a atenção por ser a primeira em

preto e branco do calendário e isso não foi por acaso ou por uma questão meramente estética. As fotos da banda Ramones, da qual esta imagem representa, são a maioria em preto e branco. Este fator enfatiza o lado underground da banda, caracterizando e identificando os Ramones. A mensagem principal que faz com que o espectador identifique a banda é a frase na camiseta da modelo: Gabba Gabba Hey. A frase é uma passagem da música Pinhead do álbum “Leave Home” lançado em 1977, e ficou famosa porque gruda na memória das pessoas e por ter sido regravada por vários outros artistas, inclusive brasileiros como os Raimundos (DF). O figurino é o maior agente comunicador, por ser totalmente inspirado no figurino dos integrantes da banda.

A garota abre a porta e parece estar saindo de um porão escuro. Sua ex-

pressão deixa claro a atitude roqueira juntamente com as tatuagens e piercings à mostra propositalmente. A maquiagem preta também contribui para gerar este clima de “garota roqueira rebelde”, fator que também é referenciado em pequenos detalhes como jeans desfiado e camiseta cortada. Conclusão

Esta fotografia realiza perfeitamente a proposta conceitual do projeto apo-

stando da simplicidade, exaltando a atitude roqueira com aspectos femininos nítidos sem usar da vulgaridade, mas apostando em uma sensualidade sutil, quase inexistente.

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ABRIL ABRIL

Descrição

A imagem propõe um enquadramento mais fechado, evidenciando o colo

da modelo. Esta veste um figurino composto por uma jaqueta militar estilizada em cetim verde e detalhes alaranjados, botões dourados e um pequeno short do mesmo tecido. O casaco encontra-se aberto deixando aparecer o soutien preto da modelo. A moça apresenta características orientais nítidas em seus traços faciais. Traços esses que são realçados pela maquiagem.

A modelo está deitada em duas poltronas vermelhas que aparentam ser de

couro sintético lembrando poltronas de ônibus. Mensagem

Esta imagem é uma das que mais une a mensagem visual da foto com a do

lettering usado no nome do mês. Além de usar de um outro artifício de comunicação, a característica oriental da modelo.

A jaqueta faz referência ao figurino usado pelos integrantes da banda The

Beatles no álbum “Sargent Pepper Lonely Hearts Club Band”. E a modelo não representa nenhum dos integrantes mas, como é de conhecimento de todos, no fi59


nal da carreira dos Beatles, John Lennon um dos quatro integrantes da banda (juntamente com Paul MCartney, Ringo Star e George Harrison) casa-se com a artista plástica Yoko Onu de origem oriental. Esse fato marcou a carreira da banda pois há quem diga que Yoko foi o motivo de separação dos integrantes. Como forma de provocação aos fãs e por ter sido uma presença feminina tão marcante na história da banda, a modelo com características orientais é escolhida para representar The Bealtes do calendário. Conclusão A imagem do mês de abril, peca em um dos fatores conceituais da proposta do projeto, pois enfatiza mais a sensualidade do que a atitude roqueira. O figurino que tem detalhes pequenos e interessantes fica em segundo plano, confundindo o espectador, não trazendo à tona a essência da banda. MAIO MAIO

Descrição A imagem do mês de maio revela maior sinteticidade da composição na qual modelo, a guitarra que ela segura e a cortina vermelha de fundo são os únicos objetos de cena.

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A composição das cores na imagem revela a harmonia da fotografia sendo

o vermelho da guitarra, da cortina, do esmalte e do batom em contraposição ao verde e branco de sua roupa.

O contraluz enfatiza os cabelos ao vento dando a idéia de movimento na

cena, que soma com a expressão e o rastro deixado pela mão direita da moça que parece estar tocando o instrumento. A expressão do rosto exprime uma sensação de euforia e gozo, proporcionados pelo momento em questão.

O figurino de veludo verde, chapéu e camisa branca imitam um uniforme

escolar usado por estudantes antigamente. Mensagem

E é exatamente a soma de figurino e expressão que fazem o espectador

identificar a representação da banda AC DC na imagem, o que se confirma na tipografia usada em “maio”.

O guitarrista da banda Angus Yang, desde o início da banda em 1973 aderiu

ao figurino colegial em todas as apresentações da banda até os dias de hoje. Esta característica é uma referência quando se fala em AC DC, tanto é que o integrante de mais sucesso é o guitarrista e não o vocalista como de costume, pelos seus trajes e por suas expressões faciais um tanto quanto grotescas.

A adaptação do figurino de Angus Yang a uma versão feminina mais com

o colo semi-exposto e a expressão de gozo da modelo, comunica muito bem com o espectador. A cortina de fundo e o contraluz fazem referência a um palco e faz com que pareça uma cena de um show acontecendo naquele exato momento. Conclusão

Como a imagem do mês de Março, esta também é fidedigna ao conceito do

projeto, por expressar de forma sintética a essência da banda AC DC dentro dos padrões conceituais do Calendário Rockyears: atitude roqueira, fácil identificação do público e sensualidade sutil.

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JUNHO JUNHO

Descrição

A imagem do mês de Junho possui uma maior quantidade de objetos de

cena do que as demais, porém segue o mesmo padrão, onde a modelo sempre se encontra em primeiro plano. Neste caso a modelo segura uma guitarra branca e gesticula como se estivesse tocando alguma música. Seu figurino se resume em uma faixa no cabelo, camisa branca de babados e um blaser estilo militar, calça de tecido brilhoso, anéis e colares de prata. Ao fundo cadeiras estão dispostas sobre as mesas como em uma bar que está prestes a fechar. Muitos pôsteres de bandas dispostos na parede e uma luz azul que dá um clima de pub para o lugar.

A modelo, de pele morena e cabelos crespos, sorri timidamente. O contra

luz, presente na fotografia, realça a característica de seus cabelos. Mensagem

A imagem não deixa sombra de dúvidas, o artista representado no mês de

Junho é Jimi Hendrix, um dos maiores guitarristas de sua época. As características étnicas da modelo faz referência direta à Hendrix, por ter o mesmo tipo e corte de cabelo e também por ter a pele morena. Cada objeto de cena possui uma men-

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sagem relevante sobre o guitarrista. A guitarra branca era um símbolo seu, juntamente com o adereço no cabelo e as vestimentas, que aqui foram representados com bastante fidelidade ao real. Colares e anéis eram características da moda setentista e não poderia ficar de fora. Conclusão:

A fidelidade dos elementos que este ensaio proporcionou fez com que a

comunicação da imagem para com o espectador fosse muito eficaz, tanto na escolha do figurino como na escolha da modelo. Portanto, o objetivo foi atingido.

É claro que muitas outras coisas poderiam ter sido abordadas, como a fide-

lidade com a marca da guitarra que Hendrix usava, mas havia limitações financeiras para que isso pudesse acontecer. Quanto a qualidade técnica da imagem, poderia ser revista, pois os grãos da imagem estão muito aparentes, comprometendo a nitidez da imagem.

JULHO JULHO

Descrição

O mês de Julho também se caracteriza por ter uma imagem com poucos

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elementos e comunicar através do figurino e objetos de cena. A fotografia é em preto e branco, com algumas tonalidades destacadas. A modelo está posicionada sobre uma mesa de madeira e um fundo também de madeira, porém com a textura mais aparente. Ela segura uma guitarra na qual elementos coloridos estão destacados, como rosas vermelhas e uma bandeira com detalhes em azul. O figurino é composto por chapéu estilo cowboy, botas também no mesmo estilo, short jeans, blusa decotada com um laço de fita, bracelete de couro na mão direita e pulseiras pretas na mão esquerda. A modelo também gesticula como se estivesse tocando uma música na guitarra.

Outro elemento visível na imagem é a tatuagem no peito da modelo. Um

coração alado e uma fita ao meio, desenho em estilo old school escrito: Free Bird. Mensagem

A banda representada neste mês, na verdade não é uma banda tão gran-

demente conhecida com as bandas citadas posteriormente. Mas para os fãs de Lynyrd Skynyrd os elementos dispostos comunicam claramente. A banda de origem estadunidense tem o estilo southern rock, ou country rock e se vestem como tal. “Free Bird” é uma das músicas clássicas da banda, por isso a tatuagem no peito da modelo. O adesivo na guitarra é a bandeira dos Estados Confederados da América, que é o símbolo usado pela banda em sua logo. O fundo de madeira realça a característica country da banda juntamente com a tipografia que é a mesma usada pela banda. Conclusão

Esteticamente a fotografia foi muito bem executada. A textura de madeira

combinaram perfeitamente com a estética country do figurino. Os elementos realçados na guitarra deram um destaque importante à bandeira que é elemento chave na composição. O problema desta imagem está na escolha da banda representada, que destoou muito das demais por não ser tão conhecida pelo grande público, pois exige um conhecimento específico sobre a banda, conhecimento este que apenas os fãs poderiam reconhecer na imagem.

Outro detalhe que poderia ter sido observado mais cuidadosamente foi o

corte de parte da guitarra, que causa certa angústia ao espectador.

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AGOSTO AGOSTO

Descrição

Cenário simples onde as modelos são os únicos objetos de sena basica-

mente, além das cortinas vermelhas de fundo. O figurino, a maquiagem e a gesticulação são os principais agentes comunicadores da imagem.

A maquiagem é artística e acentua os olhos das modelos. Elas mostram a

língua, a da esquerda com mais sensualidade e a da direita de uma maneira mais debochada. Os figurinos das duas combinam o preto e o prateado em peças diferentes. O casaco prateado tem maior ênfase na imagem.

Elas estão sentadas de costas uma para a outra, em poses parecidas dando

simetria à composição. O fundo é composto por uma grande cortina vermelha, como se estivessem em um teatro ou um circo e o barrado do palco tem a mesma tonalidade e textura. Mensagem

Não precisava de muitos elementos para perceber qual banda está sendo

representada neste mês. A maquiagem já deixa claro que se trata de Kiss. A banda

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ficou conhecida por usarem estas maquiagens exageradas, cada integrante se pintava de uma maneira diferente, além de criarem apelidos fantasiosos para cada um. O figurino também segue o mesmo padrão, botas de plataformas e armaduras prateadas. Na versão do calendário Rockyears foi feita uma releitura do figurino para vestimentas mais femininas e usáveis, a maquiagem também foi mais sutil do que a real, pois não era necessário se assemelhar ao pé da letra com a visualidade da banda, bastava fazer uma referência, já que estes elementos são tão fortes e comunicativos. Conclusão

A imagem do mês de agosto comunica muito bem o que propõe. A com-

posição simétrica juntamente com as cores combinantes dos figurinos proporcionou harmonia à imagem. O ponto negativo é novamente a forma que foi feita a iluminação. A luz dura e direta nas modelos gerou também sombras muito duras e com isso perde-se a noção de dimensão dos objetos, como nos sapatos e pernas das modelos. SETEMBRO SETEMBRO

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Descrição

A imagem é composta por uma modelo em primeiro plano, uma poltrona

vermelha e uma parede de madeira ao fundo. A modelo possui vários adereços, como pulseiras nos dois punhos, vários colares no pescoço, um poá envolvendo seu corpo, uma calça branca com o cós trabalhado em bordado colorido e segura uma garrafa de wiskey da marca Jack Daniels.

A modelo tem um leve sorriso convidativo no rosto, ao mesmo tempo alisa

os próprios cabelos. Percebe-se que ela está sem blusa e apenas os colares tapam seus seios. Mensagem

Janis Joplin sempre fez questão de dizer que não subia ao palco sem seu

wiskey preferido: Jack Daniels. E é ela que está sendo representada na imagem do mês de setembro. Os longos cabelos, o poá, várias pulseiras e colares eram suas marcas, novamente seguindo tendências da moda hippie setentista.

Esta imagem faz referência direta à capa do emblemático álbum Pearl

(1971), que foi lançado 6 meses depois de sua morte por overdose de heroína. A tipografia usada no mês “Setembro” é a mesma da capa do disco. Conclusão

O resultado é uma imagem de cores fortes, vibrantes, assim como era o

universo psicodélico de Janis Joplin. Com poucos elementos (colares, pulseiras, poá e wiskey) é possível identificar de quem se trata a imagem do mês de setembro: a única mulher, roqueira homenageada no calendário.

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OUTUBRO OUTUBRO

Descrição

A imagem do mês de outubro é a mais simples de todo calendário no quesi-

to quantidade de elementos cênicos, pois contém apenas a modelo em primeiro plano vestida apenas de um colar curto e o fundo de madeira. Mensagem

A imagem do mês de outubro se trata de uma releitura da capa do disco

‘The Best Of The Doors” da banda The Doors. Nesta capa o vocalista Jim Morrison está sem camisa com braços abertos com olhar enigmático. O disco é um símbolo da banda e por isso facilmente reconhecível por todos apreciadores de rock. Conclusão

Por se tratar de uma imagem simples com poucos elementos, facilitou uma

reprodução mais fiel da imagem de referência. O ponto crucial era a expressão facial do vocalista que foi muito bem executado pela modelo.

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NOVEMBRO NOVEMBRO

Descrição

A imagem do mês de novembro é a única do calendário que possui três

modelos em cena. Elas estão sentadas sobre uma bancada de madeira e o fundo está todo preto, dificultando a identificação do local. No cenário também possui três bancos vermelhos de couro, sendo que o terceiro do lado esquerdo só aparece parte dele. As modelos apóiam os pés sobre o banco central. Todas elas estão vestidas com camisolas de cetim, porém com alguns detalhes que os diferenciam. Também estão calçadas de sapatos na mesma cor, o preto. Usam crucifixos no pescoço e braceletes pretos nos punhos. Percebe-se que é elas encenam um jogo de cartas, pois todas possuem cartas de baralho nas mãos além de fazerem expressões de desconfiança e suspense, como se fosse um momento decisivo do jogo. As três estão segurando cigarros, mas só a do meio leva-o até a boca.

Outro detalhe importante desta imagem é que somente ela, em todo o

calendário, possui aplicação de ilustração sobre a fotografia. A ilustração forma as asas das modelos como se fossem anjos. Porém são asas incomuns, coloridas com uma estética psicodélica.

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Mensagem

Como na imagem do mês de outubro, esta também faz referência a uma

capa de disco. Desta vez a referência é à capa do disco Heaven and Hell, o primeiro e mais famoso da banda Black Sabbath. A imagem desta capa tem exatamente estas características: três anjos sentados, que fumam e jogam baralho. Porém, a releitura feita para o calendário altera algumas dessas características para padronizar o estilo que existe em todo o calendário, como a sensualidade (camisolas de cetim decotadas) e características no figurino e maquiagem que remetem ao rock (braceletes pretos com correntes e maquiagem forte com esmaltes pretos). A ilustração das asas também foge do estilo tradicional de asas de anjos, trazendo referências da estética psicodélica dos anos 70. Conclusão

A imagem em questão consegue fazer com que o público saiba de que ban-

da se trata o mês de novembro, além de ter um impacto visual interessante por misturar fotografia com ilustração de forma a confundir o espectador se é algo real ou desenhado.

O problema desta imagem é a falta de contraste de alguns elementos com

o fundo, como o cabelo das modelos e seus sapatos. A solução seria ter uma contra luz para realçar esses elementos.

DEZEMBRO DEZEMBRO

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Descrição

A imagem do mês de dezembro é uma das que traz mais movimento à cena

em questão. Possui duas modelos, uma delas segura uma guitarra estilo duble neck vermelha e preta e a outra um microfone de lapela. A modelo que segura o microfone veste uma mini blusa de cetim azul, uma calça jeans azul, cinto estilo cowboy de couro e uma pulseira de madeira. A modelo que segura a guitarra veste roupa branca com desenho na perna. Ambas estão em movimento. Uma joga os cabelos e segura firmemente o fio do microfone enquanto a outra toca a guitarra. Ao fundo pode se perceber uma estante de vidro e madeira cheia de garrafas de bebidas. Mensagem

Nesta imagem existem vários elementos que dão pistas claras de qual ban-

da está sendo homenageada no mês de Dezembro. O figurino, a guitarra e a expressão das modelos remetem a dupla Robert Plant e Jimmy Page, da banda Led Zeppelin. A dupla tinha figurinos muito expressivos que seguiam a moda dos anos de 1970. Mas o principal era a sinergia que existia entre os dois durante os shows e é isso que a imagem do calendário passa ao seu espectador. A guitarra da modelo que representa o guitarrista Jimmy Page é exatamente igual à que ele usava em alguns shows, o que dá mais veracidade à imagem. Outra característica marcante eram os cabelos volumosos do vocalista Robert Plant, que foi ressaltado na imagem onde a modelo joga os cabelos dando mais volume e ênfase a eles por esse motivo. Conclusão

De fato, esta imagem tem características facilmente reconhecíveis, quando

se trata de Led Zeppelin, porém a iluminação novamente poderia ter dado mais vida a imagem se tivesse um contra luz no cabelo das modelos. Outro ponto é que o figurino da garota que interpreta Jimmy Page poderia ter sido mais explorado já que é uma roupa tão marcante e característica do próprio.

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17. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O projeto do calendário Rockyears 2010 foi realizado com o intuito de pro-

duzir um material para que, a equipe realizadora, praticasse suas aptidões dentro de cada área que atuasse, no design gráfico, fotografia e no design de moda.

Não havia, inicialmente, nenhum interesse acadêmico, porém, ao perceber

o quanto foi importante a realização desse projeto para cada um dos profissionais envolvidos, entendi a necessidade de transmitir esse aprendizado a outros designers e estudantes que estejam interessados em produzir calendários de maneira mais criativa. Além disso, a idéia também era incentivá-los a produzirem seus próprios trabalhos independente se foram contratados ou não para tal tarefa. É interessante que o designer tenha a oportunidade de produzir produtos de design por interesse próprio, a final o mercado de trabalho exige que, nós designers, tenhamos experiência de trabalho assim que saímos da universidade, e esse tipo de projeto, por sua dimensão e ousadia, com certeza terá seu reconhecimento.

Este estudo de caso não tem, de maneira alguma o intuito de servir como

um manual para produção de calendários. A intenção aqui é mostrar os passos que foram percorridos para execução do calendário Rockyears 2010 através de uma metodologia que atendesse da melhor forma as necessidades desse tipo de projeto. Mas é importante frisar que esta forma de produção não é uma regra, mas uma demonstração de um caminho que pode ser percorrido com o objetivo de minimizar o máximo de erros ao longo do processo. Pois foi através dos erros cometidos no processo de produção do calendário Rockyears 2010 que percebi a necessidade de cada passo dessa metodologia.

A conclusão que tiro dessa experiência é que é quase impossível acertar

completamente quando se propõe um projeto pioneiro, pois o designer estará percorrendo aquele caminho pela primeira vez. É preciso errar e reconhecer esses erros para que nas próximas vezes o caminho correto fique cada vez mais claro. Portanto, acredito que este trabalho de conclusão de curso irá clarear o caminho de muitos designers e estudantes.

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18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Fernanda Teles de Freitas. Portifólio Fotográfico: identidade visual e aplicação em website para Renata Teles. UNB 2008 BOURHIS, Hervé. O pequeno livro do rock. São Paulo , Conrad do Brasil ,2010 CORRÊA, Tupã Gomes. Rock, nos passos da moda: mídia, consumo x mercado cultural. Campinas, SP: Papirus, 1989 DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo, Martins Fontes 2007 JOLY, Martine 1994. Introdução à ánalise da imagem. Lisboa Ed 70 2007 MARRA, Cláudio. Nas sombras de um sonho: história e linguagens da fotografia de moda, São Paulo, Senac , 2008 MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. São Paulo, Martins Fontes 1998 OLIVIERI, A.C. Calendario Juliano, calendário gregoriano e o ano bissexto <http://educacao.uol.com.br/historia/ult1685u275.jhtm> Acesso em: 22/06/10 VINIL, Kid. Almanaque do Rock. Rio de Janeiro, Ediouro 2008

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Rockyears: Estudo de Caso de um Calendário Criativo  

Trabalho de conclusão de curso de Rafaella Pessoa, Bacharel em Artes Visuais com habilitação em Design Gráfico pela Universidade Federal da...

Rockyears: Estudo de Caso de um Calendário Criativo  

Trabalho de conclusão de curso de Rafaella Pessoa, Bacharel em Artes Visuais com habilitação em Design Gráfico pela Universidade Federal da...

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